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viagem ao mundo dos micróBios 2 3 4 Samuel Murgel Branco o auTor samuel murgel Branco Nasceu em São Paulo em 1930. Formou- -se em História Natural em 1956, especiali- zando-se em Ciências Biológicas e da Terra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Mais tarde, como professor da USP, direcionou sua carreira de pesquisador para a área de Saneamento Básico e Ambiental, tornando- -se um grande sanitarista, reconhecido por seus estudos sobre a qualidade das águas continentais e costeiras, com forte enfoque em saúde pública no Brasil e na América Latina. Orientou dezenas de mestrados e doutorados, particularmente nas unidades da USP de São Carlos e Saúde Pública em São Paulo. Apaixonado desde sempre pela natureza, desenvolveu seu gosto pelo mar e pelas exuberantes florestas da Mata Atlân- tica, o que despertou sua curiosidade em relação às particularidades dos diferentes ambientes vivos. A união da paixão e do conhecimento científico, bem como sua fa- cilidade em escrever histórias, estimulou-o a revelar para crianças e jovens as maravilhas da natureza. Quando escrevia, buscava dar conta de todo o universo que o cercava, organizando seus conhecimentos e apresen- tando-os de maneira cativante aos leitores. Assim, possui vários livros publicados, nos quais narra com simplicidade os temas com- plexos das ciências ambientais. Em 2004, foi criado o Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB), com a missão de disseminar a obra desse notável professor, estimular o conhecimento sobre as ciências ambientais e conscientizar crianças, jovens e adultos no seu incrível papel de preservar a natureza em prol de um modelo de desen- volvimento em que riqueza é sinônimo de qualidade de vida para todos. Para saber mais sobre Samuel Murgel Bran- co, consulte os sites www.moderna.com.br e www.ismb.org.br a oBra Qual a importância central de Viagem ao mundo dos micróbios? Apesar de seu tamanho diminuto – a maioria é invisível a olho nu –, o papel de- sempenhado pelos micróbios nos biomas da Terra é essencial para a manutenção da vida em nosso planeta. Sob o nome micróbios encontram-se diversos grupos de seres vivos, como fungos, bactérias e protozoários. Neste livro os alunos poderão conhecer alguns dos importantes desdobramentos das atividades diárias desses seres minúsculos em tamanho, mas gigantes em feitos. Enquanto alguns – poucos, de fato – são agentes causadores de enfermidades que afligem a humanidade, outros são produtores de substâncias, como a penicilina, que curam boa parte de nossos males. A penicilina é um antibiótico de amplo uso médico que é naturalmente produzido e secretado por determinadas espécies de fungos, aos quais nos referimos no dia a dia como mofo. Esse antibiótico foi mais uma das descobertas científicas que ocorreram “por acaso”, isto é, como um desdobramen- to de um estudo que visava outro objetivo primário. Além dos micróbios que causam doenças e dos que produzem substâncias utilizadas como remédio, existem aqueles de cujo metabolismo nós tiramos proveito. Uti- lizamos espécies de leveduras (outro fungo) para fermentar bebidas, para fazer crescer as massas de pão e durante o processo de cura de diversos tipos de queijos. Bactérias são essenciais para a produção de iogurte e de queijos. Além de essenciais para nossa saúde e alimentação, os micróbios são os responsá- veis pela decomposição biológica da matéria orgânica e pela produção de gás oxigênio. A presença dos micróbios na Terra daqui a mais de um milhão de anos é quase certa. Temas aBordados • Infecção • Febre • Antibióticos • Penicilina • Cultura de micróbio • Fermentação • Respiração celular • Micróbios parasitas • Decomposição • Fotossíntese sugesTÕes Pedagógicas Formando o leitor Enquanto nos livros de ficção conta-se uma história, as obras de não ficção ou ex- positivas visam oferecer informação. Mesmo quando o autor se utiliza de uma pequena história – como neste livro –, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área. No entanto, o texto expositivo não se restringe à transmis- são de informações. Isso porque ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobretudo no setor das comunicações, o que tornou a informação bastante acessível nos dias de hoje. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informa- ções e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. A formação do leitor autônomo supõe que a informação seja contextualizada: que parta do que é familiar ao aluno e, ao final, retorne à realidade vivida, para que não se reduza a abstrações, mas adquira sentido vital. Assim, microscópios são responsáveis, apenas, por causar mazelas. Até o século 16, acreditava-se que os menores seres vivos eram originários de ma- téria morta ou em estado de decomposição. Essa teoria perdurou até meados do século 17, quando alguns cientistas começaram a questioná-la. O cientista francês Louis Pasteur teve pa- pel fundamental no estudo da Microbiolo- gia, sendo atribuídas a ele as descobertas da primeira vacina contra a raiva e do processo de pasteurização, essencial para evitar que o vinho e o leite causem doenças. Outro cien- tista que revolucionou a Microbiologia foi o escocês Alexander Fleming. A descoberta da penicilina foi um fato marcante, uma vez que, ainda em parte do século 20, muitas doenças causadas por bactérias eram incurá- veis. Fleming, citado neste livro, descobriu, em 1928, o primeiro antibiótico a ser utiliza- do com sucesso. A penicilina foi ministrada pela primeira vez em uma pessoa durante a Segunda Guerra Mundial e, até hoje, é re- ceitada para muitos pacientes – além de ter muitos outros antibióticos derivados dela, a partir de métodos químicos industriais. Como as pessoas faziam antes da desco- berta do antibiótico? Muitas delas morriam e, em diferentes partes do mundo, adota- vam-se técnicas variadas: os chineses utili- zavam coalhada para tratar infecções, já em outros lugares, pão velho embolorado era uma das opções para combater doenças bac- terianas. O uso indiscriminado de antibióti- cos pode comprometer, e muito, a defesa do nosso corpo, pois, mesmo sendo necessários para combater algumas doenças, os antibió- ticos também atacam algumas bactérias que nos são favoráveis, podendo interferir nos benefícios que elas nos trazem. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentou uma resolução, válida em todo o Brasil a partir de 28 de outubro de 2010, proibindo a venda de antibióticos sem receita médica. O objetivo é diminuir a prá- tica da automedicação, que, além de com- prometer a saúde das pessoas, foi apontada como um dos fatores que contribuem para o o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enri- quecido por contornos afetivos e valorativos. Mais ainda, conhecer é um procedimento que vai além do esforço solitário de refle- xão, porque se faz também pelo diálogo, pelo confronto de opiniões, que mobiliza cada um na busca de outras explicações possíveis ou na elaboração de novas inda- gações. Daí a importância de acrescentar às atividades individuais os trabalhos em equipe, os projetos coletivos, as discussões em classe e os debates. Preparando para a cidadania Quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos do dia a dia, tudo o que aprende adquire sentido novo para a sua vida e para a comunidade. O saber teórico incorporado às experiências de vida de cada um é condição importante para a formação integral do aluno, pois estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na socieda- de, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Longe, porém, de imaginarmos uma aula especial para “ensinar” valores aos alunos, estamos propondo(além dos sintomas do res- friado, inclui febre, dores pelo corpo, tosse, dor de cabeça e dor de garganta). • Na página 8, a mãe de Carolina diz à menina que ela deve tomar bastante líquido. Aproveite o momento para conversar com os alunos sobre o porquê dessa recomendação. Ajude-os a entender que o muco produzido e expelido por nós contém água, que estava no nosso corpo. Dessa forma, quanto mais expelirmos catarro, mais devemos nos hidra- tar para repor a água perdida, permitindo assim que nosso corpo consiga combater os micróbios de maneira adequada. • Com base na página 10, pergunte aos alunos se eles já experimentaram algum co- gumelo e, se sim, o que acharam do sabor. Eles ficaram diminutos, como Carolina? Aproveite para lembrá-los de que muitas espécies de cogumelos são venenosas e que, portanto, não se deve comer qualquer co- gumelo que se encontre por aí, pois muitos deles são extremamente tóxicos, podendo, inclusive, causar a morte. • Depois de lerem as páginas 22 e 28, pergunte aos alunos se eles imaginavam que alguns micróbios (especialmente as bactérias que popularmente são associadas quase que exclusivamente às doenças e à sujeira) poderiam ser tão benéficos aos se- res humanos. • Peça aos alunos que deem outros exem- plos de parasitas (talvez se lembrem de piolhos, pulgas etc.), com base no que leram a partir da página 34. Caso fique entre os alunos a impressão de que os parasitas são representados somente por seres pequenos, explique para a turma que animais e plantas também podem atuar como parasitas. Um exemplo: algumas espécies de aves (como o Molothrus bonariensis, popurlamente cha- mado de Chopim, Pássaro-preto ou Xexéu, entre outros) colocam seus ovos nos ninhos de aves de outras espécies, as quais criam es- ses filhotes como se fossem os seus próprios. leram, oralmente ou por escrito. Estabeleça relação entre o que foi estudado e a vida cotidiana, propondo questões e atividades como as apresentadas a seguir. • Peça que expliquem, com suas próprias palavras, o que é uma infecção. Estimule a participação dos alunos, auxiliando-os a construir uma definição coletiva e correta do conceito. À medida que forem respon- dendo, registre na lousa as ideias propostas e ajude-os a questionarem as ideias uns dos outros e a refinarem o conceito. • Faça o mesmo com a diferença entre gripe e resfriado. Diga que um amigo seu está se sentido mal, com febre, dor de cabe- ça, tosse e catarro e pergunte aos alunos se ele está gripado ou resfriado e por quê. • Pergunte aos alunos se e por que eles devem ingerir alimentos mofados. Ajude-os a entender que, apesar de algumas espécies de fungos serem comestíveis e outras produ- zirem substâncias que utilizamos como remé- dio, essas substâncias são obtidas em labo- ratórios especializados, a partir de processos que podem ser bem complicados. Mesmo os fungos que produzem a penicilina produzem também outras substâncias que podem ser tóxicas para os seres humanos. Além disso, em um alimento mofado não há como se certificar de que não há outros micróbios, potencialmente patogênicos, crescendo com o mofo. A melhor e mais segura opção é sem- pre descartar alimentos mofados. • Solicitar aos alunos que apliquem os conceitos envolvidos é uma boa forma de avaliar o quanto esses mesmos conceitos estão claros para eles. Procure explorar suas concepções com questões como: Uma bacté- ria que nos ajuda a absorver determinados nutrientes deve ser considerada patogêni- ca? Por quê? Já que os antibióticos nos aju- dam a ficar livres de determinados micróbios patogênicos, o melhor seria tomá-los todos os dias, antes mesmo de ficarmos doentes? Quem acha que essa é uma boa ideia? Quem acha que não? Peça que todos os alunos da classe deem sua opinião. Por fim, ajude-os a Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 2 7/27/11 10:59 AM 5 6 7 que mais se aproximam da explicação aceita pelos cientistas. Ao final da leitura, converse com a turma sobre as explicações propostas, estimulando os alunos a se ex- pressarem e discutirem as diferentes ideias. Caso os alunos ainda não tenham fala- do sobre isso, explique que várias doenças (como gripes, dores de garganta e de bar- riga, resfriados, entre outras) são resultado da ação, em nosso corpo, de organismos di- minutos, por vezes chamados de micróbios. Possivelmente, alguns alunos – talvez por já terem visto essa informação em propagan- das de vacinas, desinfetantes, sabonetes etc. – já relacionem a existência dos micró- bios a doenças ou a algo negativo, sujo. Sonde os conceitos que a turma tem a res- peito dos micro-organismos estimulando os alunos a falar e refletir sobre o assunto. Por exemplo, qual relação eles imaginam que exista entre os micróbios e as doenças? Existem aspectos positivos relacionados a esses organismos? Quais seriam? Conduza- -os a elaborar, mesmo que só verbalmente, uma sinopse do que foi discutido. Tente fazer com que todos participem e registre os achados da turma na lousa para facilitar o entendimento do que foi discutido até o momento. Passe à leitura do livro. aTividades Para duranTe a LeiTura Uma estratégia para envolver os alunos é apresentar questões complementares, convidando-os a refletir sobre os temas abordados. Ofereça subsídios para facili- tar a leitura e contornar dificuldades, por exemplo: identificar a estrutura do texto, esclarecer dúvidas de vocabulários e com- preensão, novos conceitos e concordância com o autor. Proponha questões e refle- xões sobre os temas abordados, como: • Na página 5, o texto apresenta o res- friado e a gripe como doenças distintas. Popularmente existe muita confusão sobre essas duas condições. Aproveite o momento e sonde quais ideias os alunos têm a respeito do • Nessa mesma altura do texto, afirma-se que os parasitas não podem viver sozinhos, sem seus hospedeiros. Aproveite para con- versar com a turma sobre outros micróbios que também só vivem no corpo de outros organismos, mas que não causam mal a seu hospedeiro. Ajude-os a perceber que esse grupo não deve ser classificado como parasi- ta, pois não fazem mal ao hospedeiro. Nesse caso, trata-se de uma forma de relação entre espécies distintas à qual se dá o nome gené- rico de simbiose (termo que significa viver junto). Nesse caso, ambos se beneficiam da presença do outro. Um exemplo são os li- quens, associações de algas e fungos. Outro são as bactérias que vivem em nosso orga- nismo e que nos ajudam a absorver certos nutrientes e a combater micróbios nocivos. • Na página 48, o autor se refere ao gás oxigênio de modo mais informal e cotidia- no, isto é, diz apenas oxigênio, sem ser an- tecedido pelo termo gás. Explique que esse é um modo informal e que, estritamente, o que respiramos é gás oxigênio, o qual, por ser composto de dois átomos de oxigênio ligados entre si, apresenta características distintas daquelas dos átomos de oxigênio ligados a outros elementos. • Entre as páginas 48 e 49, aproveite para contar aos alunos que antes do aparecimento das primeiras algas (que certamente eram microscópicas) no planeta, praticamente não existia gás oxigênio na atmosfera da Terra. Foi a fotossíntese dessas algas que, acumulada por milhões de anos, encheu a atmosfera de gás oxigênio, possibilitando o aparecimen- to de outras formas de vida que respirassem gás oxigênio, assim como nós mesmos. A seguir são apresentadas algumas ati- vidades que podem ser realizadas com os alunos durante a leitura do livro. Produção de gás por leveduras Convém que o professor realize o experi- mento indicado a seguir antes de realizá-lo com os alunos. Dessa maneira, saberá adequar as quantidades dos produtos e outros detalhes que dependerão do material disponível. Conte aos alunos que vocês conduzirão um experimento para testar se as leveduras, quan- do em contato com o alimento, produzem gás. Para esse experimento você, ou cada gru- po, irá precisar dos seguintes materiais:• 2 saquinhos plásticos pequenos e transpa- rentes • 1 saquinho de fermento biológico seco (pode ser substituído por fermento bio- lógico fresco) • 1 ou 2 colheres de chá de açúcar • Água morna (aproximadamente 37 ºC), o quanto baste • Copo tipo “americano” • Funil • Caneta tipo “retroprojetor” para escrever nos saquinhos plásticos • 2 elásticos Explique aos alunos que o fermento bio- lógico nada mais é do que leveduras, um tipo de fungo como aquele citado no livro (páginas 23 a 27). Chame a atenção dos alu- nos para que não ingiram o fermento bio- lógico, pois ele é composto de grande con- centração de leveduras, o que poderá causar diarreia e outros desconfortos relacionados ao sistema digestório. Explique que, apesar de utilizarmos leveduras para fazer a massa do pão crescer, deixando-o macio, não as consumimos enquanto estão vivas. Ao ser assado, todas as leveduras que estavam na massa do pão são mortas. O professor, ou cada um dos grupos, deverá marcar um dos saquinhos plásticos como sem açúcar e o outro como com açú- car. A seguir, deverá misturar em um dos copos o pacote de fermento biológico seco a um pouquinho de água morna. Misture até desfazer os grumos e obter uma mistura homogênea e líquida. Então, adicione mais água morna até quase encher o copo. Com a ajuda do funil, coloque por volta de dez colheres de chá da mistura no saquinho plástico sem açúcar e feche-o com um nó no próprio saco ou com o elástico. Tome cuidado para que o saquinho não fique túrgido com ar, ou que fique sem ar, como se estivesse “a vácuo”. No segundo saqui- nho, marcado como com açúcar, adicione a mesma quantidade da mistura de fermen- to biológico, mas, dessa vez, acrescente a ela uma ou duas colheres de chá de açúcar (a quantidade de açúcar irá depender da quantidade de água). Coloque essa mistura no saquinho com açúcar e feche-o com o outro elástico. Pergunte aos alunos o que eles esperam que aconteça caso as leveduras realmente liberem gás dentro dos saquinhos fechados (espera-se que os alunos percebam que os dois saquinhos irão inflar). Peça a eles que registrem a cada 10 minutos o que está acontecendo nos saquinhos. Há formação de bolhas na mistura de algum dos dois sa- cos? Ambos estão ficando mais túrgidos? Os alunos notaram outras mudanças? Ao final do experimento – o tempo exa- to dependerá da temperatura ambiente, da quantidade de açúcar acrescentada e da qualidade das leveduras, daí a importância de o professor realizar esta atividade antes de apresentá-la aos alunos –, o saquinho contendo leveduras e água com açúcar de- verá se apresentar mais túrgido. Isso ocorre porque as leveduras utilizam o açúcar como alimento e realizam a fermentação, liberan- do gás carbônico no saquinho, o que causa o seu enchimento. O saquinho contendo somente água não deverá ter inflado ou terá inflado muito pouco. Questione os alu- nos sobre a que eles atribuem a diferença nos resultados obtidos. Ajude-os a perceber que o açúcar é a única coisa que distingue um saquinho do outro. Incite os alunos a ex- plicarem o papel do açúcar, a partir do que foi lido no livro. Ajude-os a perceber que a presença do açúcar na mistura faz com que as leveduras fiquem mais ativas, pois elas o estão fermentando, e liberam mais gás carbônico do que aquelas que estão sem alimento e, portanto, menos ativas. aTividades Para dePois da LeiTura Após a leitura verifique o que os alunos aprenderam e se são capazes de contar o que perceber que não é adequado tomar antibió- ticos a toda hora ou por qualquer doença. Produzindo iogurte Para preparar iogurte serão necessários dois dias e alguns procedimentos que de- vem ser realizados na cozinha. Antes de apresentá-lo aos alunos, portanto, prepare- -se com antecedência. Providencie os se- guintes materiais e ingredientes: • 1 litro de leite semidesnatado de boa procedência • 1/2 copo de iogurte de boa procedência • Mel (o quanto for necessário) e/ou geleia (de qualquer sabor) • De meia a uma colher de sopa de leite em pó • Uma panela para ferver o leite • Uma vasilha de vidro ou plástico, com tampa, grande o suficiente para acomo- dar o leite mais o copo de iogurte • Panos de prato • Algumas folhas de jornal ou uma caixa de isopor grande o suficiente para acomo- dar a vasilha com o iogurte • Copinhos e colheres de plástico para ser- vir o iogurte Para fazer o iogurte, proceda do seguinte modo: ferva o leite e deixe-o esfriar até que fique morno o suficiente para ser colocado nas costas da mão sem queimá-la. Se quiser um iogurte mais encorpado, acrescente uma colher de leite em pó ao leite fervido. Nesse ponto, coloque o leite na vasilha e leve-o para a classe com os demais ingredientes e materiais. Na classe, pergunte aos alunos se alguém se lembra do que é o iogurte. Lem- bre-os, caso eles não se recordem, de que no iogurte estão presentes bactérias benéficas. Misture o iogurte ao leite e, ao mesmo tem- po, pergunte aos alunos o que acontecerá com a mistura. O que as bactérias presentes no iogurte irão fazer ao leite (transformá- -lo em iogurte também)? Após misturar os ingredientes, e tomando cuidado para que o leite não se resfrie demais, feche a vasilha com a tampa (ou cubra-a com um pano de prato muito limpo) e envolva-a com as fo- lhas de jornal e um ou dois panos de prato para manter a temperatura morna (alterna- tivamente, coloque a vasilha em uma caixa de isopor). Explique aos alunos que as bac- térias, como eles viram no texto, são muito pequenas e que, por isso, precisaram de algum tempo para se alimentar e se repro- duzir no leite. Deixe a mistura em um local fresco e à sombra, embrulhada de um dia para o outro, sem movê-la. Se o local onde você vive for quente demais, talvez seja ne- cessário colocar a mistura na geladeira após 12 horas. Faça o iogurte em casa antes de fazê-lo na escola para testar os detalhes da receita e adequá-la ao local e aos materiais e ingredientes disponíveis. No dia seguinte, verifique se o iogurte está pronto (prove-o) e coloque-o na geladeira por algumas horas (para que fique gelado, embora possa ser consumido sem ser resfriado), antes de levá- -lo aos alunos. Na classe, mostre aos alunos o resultado da ação das bactérias sobre o leite. Distribua o iogurte nos copinhos para os alunos experimentarem. Se quiserem, os alunos podem misturar geleia ou mel ao iogurte, o que confere sabor e adoça um pouco o produto. que seja uma e do que seja a outra. Aproveite para elucidar a diferença geral entre resfriado (quando os sintomas são, basicamente, nariz entupido e abundante produção de muco – catarro) e gripe (além dos sintomas do res- friado, inclui febre, dores pelo corpo, tosse, dor de cabeça e dor de garganta). • Na página 8, a mãe de Carolina diz à menina que ela deve tomar bastante líquido. Aproveite o momento para conversar com os alunos sobre o porquê dessa recomendação. Ajude-os a entender que o muco produzido e expelido por nós contém água, que estava no nosso corpo. Dessa forma, quanto mais expelirmos catarro, mais devemos nos hidra- tar para repor a água perdida, permitindo assim que nosso corpo consiga combater os micróbios de maneira adequada. • Com base na página 10, pergunte aos alunos se eles já experimentaram algum co- gumelo e, se sim, o que acharam do sabor. Eles ficaram diminutos, como Carolina? Aproveite para lembrá-los de que muitas espécies de cogumelos são venenosas e que, portanto, não se deve comer qualquer co- gumelo que se encontre por aí, pois muitos deles são extremamente tóxicos, podendo, inclusive, causar a morte. • Depois de lerem as páginas 22 e 28, pergunte aos alunos se eles imaginavam que alguns micróbios (especialmente as bactérias que popularmente são associadas quase que exclusivamente às doenças e à sujeira) poderiam ser tão benéficos aos se- res humanos. • Peça aos alunos que deem outros exem- plos de parasitas (talvez se lembrem de piolhos, pulgas etc.),com base no que leram a partir da página 34. Caso fique entre os alunos a impressão de que os parasitas são representados somente por seres pequenos, explique para a turma que animais e plantas também podem atuar como parasitas. Um exemplo: algumas espécies de aves (como o Molothrus bonariensis, popurlamente cha- mado de Chopim, Pássaro-preto ou Xexéu, entre outros) colocam seus ovos nos ninhos de aves de outras espécies, as quais criam es- ses filhotes como se fossem os seus próprios. leram, oralmente ou por escrito. Estabeleça relação entre o que foi estudado e a vida cotidiana, propondo questões e atividades como as apresentadas a seguir. • Peça que expliquem, com suas próprias palavras, o que é uma infecção. Estimule a participação dos alunos, auxiliando-os a construir uma definição coletiva e correta do conceito. À medida que forem respon- dendo, registre na lousa as ideias propostas e ajude-os a questionarem as ideias uns dos outros e a refinarem o conceito. • Faça o mesmo com a diferença entre gripe e resfriado. Diga que um amigo seu está se sentido mal, com febre, dor de cabe- ça, tosse e catarro e pergunte aos alunos se ele está gripado ou resfriado e por quê. • Pergunte aos alunos se e por que eles devem ingerir alimentos mofados. Ajude-os a entender que, apesar de algumas espécies de fungos serem comestíveis e outras produ- zirem substâncias que utilizamos como remé- dio, essas substâncias são obtidas em labo- ratórios especializados, a partir de processos que podem ser bem complicados. Mesmo os fungos que produzem a penicilina produzem também outras substâncias que podem ser tóxicas para os seres humanos. Além disso, em um alimento mofado não há como se certificar de que não há outros micróbios, potencialmente patogênicos, crescendo com o mofo. A melhor e mais segura opção é sem- pre descartar alimentos mofados. • Solicitar aos alunos que apliquem os conceitos envolvidos é uma boa forma de avaliar o quanto esses mesmos conceitos estão claros para eles. Procure explorar suas concepções com questões como: Uma bacté- ria que nos ajuda a absorver determinados nutrientes deve ser considerada patogêni- ca? Por quê? Já que os antibióticos nos aju- dam a ficar livres de determinados micróbios patogênicos, o melhor seria tomá-los todos os dias, antes mesmo de ficarmos doentes? Quem acha que essa é uma boa ideia? Quem acha que não? Peça que todos os alunos da classe deem sua opinião. Por fim, ajude-os a Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 2 7/27/11 10:59 AM 5 6 7 que mais se aproximam da explicação aceita pelos cientistas. Ao final da leitura, converse com a turma sobre as explicações propostas, estimulando os alunos a se ex- pressarem e discutirem as diferentes ideias. Caso os alunos ainda não tenham fala- do sobre isso, explique que várias doenças (como gripes, dores de garganta e de bar- riga, resfriados, entre outras) são resultado da ação, em nosso corpo, de organismos di- minutos, por vezes chamados de micróbios. Possivelmente, alguns alunos – talvez por já terem visto essa informação em propagan- das de vacinas, desinfetantes, sabonetes etc. – já relacionem a existência dos micró- bios a doenças ou a algo negativo, sujo. Sonde os conceitos que a turma tem a res- peito dos micro-organismos estimulando os alunos a falar e refletir sobre o assunto. Por exemplo, qual relação eles imaginam que exista entre os micróbios e as doenças? Existem aspectos positivos relacionados a esses organismos? Quais seriam? Conduza- -os a elaborar, mesmo que só verbalmente, uma sinopse do que foi discutido. Tente fazer com que todos participem e registre os achados da turma na lousa para facilitar o entendimento do que foi discutido até o momento. Passe à leitura do livro. aTividades Para duranTe a LeiTura Uma estratégia para envolver os alunos é apresentar questões complementares, convidando-os a refletir sobre os temas abordados. Ofereça subsídios para facili- tar a leitura e contornar dificuldades, por exemplo: identificar a estrutura do texto, esclarecer dúvidas de vocabulários e com- preensão, novos conceitos e concordância com o autor. Proponha questões e refle- xões sobre os temas abordados, como: • Na página 5, o texto apresenta o res- friado e a gripe como doenças distintas. Popularmente existe muita confusão sobre essas duas condições. Aproveite o momento e sonde quais ideias os alunos têm a respeito do • Nessa mesma altura do texto, afirma-se que os parasitas não podem viver sozinhos, sem seus hospedeiros. Aproveite para con- versar com a turma sobre outros micróbios que também só vivem no corpo de outros organismos, mas que não causam mal a seu hospedeiro. Ajude-os a perceber que esse grupo não deve ser classificado como parasi- ta, pois não fazem mal ao hospedeiro. Nesse caso, trata-se de uma forma de relação entre espécies distintas à qual se dá o nome gené- rico de simbiose (termo que significa viver junto). Nesse caso, ambos se beneficiam da presença do outro. Um exemplo são os li- quens, associações de algas e fungos. Outro são as bactérias que vivem em nosso orga- nismo e que nos ajudam a absorver certos nutrientes e a combater micróbios nocivos. • Na página 48, o autor se refere ao gás oxigênio de modo mais informal e cotidia- no, isto é, diz apenas oxigênio, sem ser an- tecedido pelo termo gás. Explique que esse é um modo informal e que, estritamente, o que respiramos é gás oxigênio, o qual, por ser composto de dois átomos de oxigênio ligados entre si, apresenta características distintas daquelas dos átomos de oxigênio ligados a outros elementos. • Entre as páginas 48 e 49, aproveite para contar aos alunos que antes do aparecimento das primeiras algas (que certamente eram microscópicas) no planeta, praticamente não existia gás oxigênio na atmosfera da Terra. Foi a fotossíntese dessas algas que, acumulada por milhões de anos, encheu a atmosfera de gás oxigênio, possibilitando o aparecimen- to de outras formas de vida que respirassem gás oxigênio, assim como nós mesmos. A seguir são apresentadas algumas ati- vidades que podem ser realizadas com os alunos durante a leitura do livro. Produção de gás por leveduras Convém que o professor realize o experi- mento indicado a seguir antes de realizá-lo com os alunos. Dessa maneira, saberá adequar as quantidades dos produtos e outros detalhes que dependerão do material disponível. Conte aos alunos que vocês conduzirão um experimento para testar se as leveduras, quan- do em contato com o alimento, produzem gás. Para esse experimento você, ou cada gru- po, irá precisar dos seguintes materiais: • 2 saquinhos plásticos pequenos e transpa- rentes • 1 saquinho de fermento biológico seco (pode ser substituído por fermento bio- lógico fresco) • 1 ou 2 colheres de chá de açúcar • Água morna (aproximadamente 37 ºC), o quanto baste • Copo tipo “americano” • Funil • Caneta tipo “retroprojetor” para escrever nos saquinhos plásticos • 2 elásticos Explique aos alunos que o fermento bio- lógico nada mais é do que leveduras, um tipo de fungo como aquele citado no livro (páginas 23 a 27). Chame a atenção dos alu- nos para que não ingiram o fermento bio- lógico, pois ele é composto de grande con- centração de leveduras, o que poderá causar diarreia e outros desconfortos relacionados ao sistema digestório. Explique que, apesar de utilizarmos leveduras para fazer a massa do pão crescer, deixando-o macio, não as consumimos enquanto estão vivas. Ao ser assado, todas as leveduras que estavam na massa do pão são mortas. O professor, ou cada um dos grupos, deverá marcar um dos saquinhos plásticos como sem açúcar e o outro como com açú- car. A seguir, deverá misturar em um dos copos o pacote de fermento biológico seco a um pouquinho de água morna. Misture até desfazer os grumos e obter uma mistura homogênea e líquida. Então, adicione mais água morna até quase encher o copo. Com a ajuda do funil, coloquepor volta de dez colheres de chá da mistura no saquinho plástico sem açúcar e feche-o com um nó no próprio saco ou com o elástico. Tome cuidado para que o saquinho não fique túrgido com ar, ou que fique sem ar, como se estivesse “a vácuo”. No segundo saqui- nho, marcado como com açúcar, adicione a mesma quantidade da mistura de fermen- to biológico, mas, dessa vez, acrescente a ela uma ou duas colheres de chá de açúcar (a quantidade de açúcar irá depender da quantidade de água). Coloque essa mistura no saquinho com açúcar e feche-o com o outro elástico. Pergunte aos alunos o que eles esperam que aconteça caso as leveduras realmente liberem gás dentro dos saquinhos fechados (espera-se que os alunos percebam que os dois saquinhos irão inflar). Peça a eles que registrem a cada 10 minutos o que está acontecendo nos saquinhos. Há formação de bolhas na mistura de algum dos dois sa- cos? Ambos estão ficando mais túrgidos? Os alunos notaram outras mudanças? Ao final do experimento – o tempo exa- to dependerá da temperatura ambiente, da quantidade de açúcar acrescentada e da qualidade das leveduras, daí a importância de o professor realizar esta atividade antes de apresentá-la aos alunos –, o saquinho contendo leveduras e água com açúcar de- verá se apresentar mais túrgido. Isso ocorre porque as leveduras utilizam o açúcar como alimento e realizam a fermentação, liberan- do gás carbônico no saquinho, o que causa o seu enchimento. O saquinho contendo somente água não deverá ter inflado ou terá inflado muito pouco. Questione os alu- nos sobre a que eles atribuem a diferença nos resultados obtidos. Ajude-os a perceber que o açúcar é a única coisa que distingue um saquinho do outro. Incite os alunos a ex- plicarem o papel do açúcar, a partir do que foi lido no livro. Ajude-os a perceber que a presença do açúcar na mistura faz com que as leveduras fiquem mais ativas, pois elas o estão fermentando, e liberam mais gás carbônico do que aquelas que estão sem alimento e, portanto, menos ativas. aTividades Para dePois da LeiTura Após a leitura verifique o que os alunos aprenderam e se são capazes de contar o que perceber que não é adequado tomar antibió- ticos a toda hora ou por qualquer doença. Produzindo iogurte Para preparar iogurte serão necessários dois dias e alguns procedimentos que de- vem ser realizados na cozinha. Antes de apresentá-lo aos alunos, portanto, prepare- -se com antecedência. Providencie os se- guintes materiais e ingredientes: • 1 litro de leite semidesnatado de boa procedência • 1/2 copo de iogurte de boa procedência • Mel (o quanto for necessário) e/ou geleia (de qualquer sabor) • De meia a uma colher de sopa de leite em pó • Uma panela para ferver o leite • Uma vasilha de vidro ou plástico, com tampa, grande o suficiente para acomo- dar o leite mais o copo de iogurte • Panos de prato • Algumas folhas de jornal ou uma caixa de isopor grande o suficiente para acomo- dar a vasilha com o iogurte • Copinhos e colheres de plástico para ser- vir o iogurte Para fazer o iogurte, proceda do seguinte modo: ferva o leite e deixe-o esfriar até que fique morno o suficiente para ser colocado nas costas da mão sem queimá-la. Se quiser um iogurte mais encorpado, acrescente uma colher de leite em pó ao leite fervido. Nesse ponto, coloque o leite na vasilha e leve-o para a classe com os demais ingredientes e materiais. Na classe, pergunte aos alunos se alguém se lembra do que é o iogurte. Lem- bre-os, caso eles não se recordem, de que no iogurte estão presentes bactérias benéficas. Misture o iogurte ao leite e, ao mesmo tem- po, pergunte aos alunos o que acontecerá com a mistura. O que as bactérias presentes no iogurte irão fazer ao leite (transformá- -lo em iogurte também)? Após misturar os ingredientes, e tomando cuidado para que o leite não se resfrie demais, feche a vasilha com a tampa (ou cubra-a com um pano de prato muito limpo) e envolva-a com as fo- lhas de jornal e um ou dois panos de prato para manter a temperatura morna (alterna- tivamente, coloque a vasilha em uma caixa de isopor). Explique aos alunos que as bac- térias, como eles viram no texto, são muito pequenas e que, por isso, precisaram de algum tempo para se alimentar e se repro- duzir no leite. Deixe a mistura em um local fresco e à sombra, embrulhada de um dia para o outro, sem movê-la. Se o local onde você vive for quente demais, talvez seja ne- cessário colocar a mistura na geladeira após 12 horas. Faça o iogurte em casa antes de fazê-lo na escola para testar os detalhes da receita e adequá-la ao local e aos materiais e ingredientes disponíveis. No dia seguinte, verifique se o iogurte está pronto (prove-o) e coloque-o na geladeira por algumas horas (para que fique gelado, embora possa ser consumido sem ser resfriado), antes de levá- -lo aos alunos. Na classe, mostre aos alunos o resultado da ação das bactérias sobre o leite. Distribua o iogurte nos copinhos para os alunos experimentarem. Se quiserem, os alunos podem misturar geleia ou mel ao iogurte, o que confere sabor e adoça um pouco o produto. que seja uma e do que seja a outra. Aproveite para elucidar a diferença geral entre resfriado (quando os sintomas são, basicamente, nariz entupido e abundante produção de muco – catarro) e gripe (além dos sintomas do res- friado, inclui febre, dores pelo corpo, tosse, dor de cabeça e dor de garganta). • Na página 8, a mãe de Carolina diz à menina que ela deve tomar bastante líquido. Aproveite o momento para conversar com os alunos sobre o porquê dessa recomendação. Ajude-os a entender que o muco produzido e expelido por nós contém água, que estava no nosso corpo. Dessa forma, quanto mais expelirmos catarro, mais devemos nos hidra- tar para repor a água perdida, permitindo assim que nosso corpo consiga combater os micróbios de maneira adequada. • Com base na página 10, pergunte aos alunos se eles já experimentaram algum co- gumelo e, se sim, o que acharam do sabor. Eles ficaram diminutos, como Carolina? Aproveite para lembrá-los de que muitas espécies de cogumelos são venenosas e que, portanto, não se deve comer qualquer co- gumelo que se encontre por aí, pois muitos deles são extremamente tóxicos, podendo, inclusive, causar a morte. • Depois de lerem as páginas 22 e 28, pergunte aos alunos se eles imaginavam que alguns micróbios (especialmente as bactérias que popularmente são associadas quase que exclusivamente às doenças e à sujeira) poderiam ser tão benéficos aos se- res humanos. • Peça aos alunos que deem outros exem- plos de parasitas (talvez se lembrem de piolhos, pulgas etc.), com base no que leram a partir da página 34. Caso fique entre os alunos a impressão de que os parasitas são representados somente por seres pequenos, explique para a turma que animais e plantas também podem atuar como parasitas. Um exemplo: algumas espécies de aves (como o Molothrus bonariensis, popurlamente cha- mado de Chopim, Pássaro-preto ou Xexéu, entre outros) colocam seus ovos nos ninhos de aves de outras espécies, as quais criam es- ses filhotes como se fossem os seus próprios. leram, oralmente ou por escrito. Estabeleça relação entre o que foi estudado e a vida cotidiana, propondo questões e atividades como as apresentadas a seguir. • Peça que expliquem, com suas próprias palavras, o que é uma infecção. Estimule a participação dos alunos, auxiliando-os a construir uma definição coletiva e correta do conceito. À medida que forem respon- dendo, registre na lousa as ideias propostas e ajude-os a questionarem as ideias uns dos outros e a refinarem o conceito. • Faça o mesmo com a diferença entre gripe e resfriado. Diga que um amigo seu está se sentido mal, com febre, dor de cabe- ça, tosse e catarro e pergunte aos alunos se ele está gripado ou resfriado e por quê. • Pergunte aos alunos se e por que eles devem ingerir alimentos mofados. Ajude-os a entender que, apesar de algumas espéciesde fungos serem comestíveis e outras produ- zirem substâncias que utilizamos como remé- dio, essas substâncias são obtidas em labo- ratórios especializados, a partir de processos que podem ser bem complicados. Mesmo os fungos que produzem a penicilina produzem também outras substâncias que podem ser tóxicas para os seres humanos. Além disso, em um alimento mofado não há como se certificar de que não há outros micróbios, potencialmente patogênicos, crescendo com o mofo. A melhor e mais segura opção é sem- pre descartar alimentos mofados. • Solicitar aos alunos que apliquem os conceitos envolvidos é uma boa forma de avaliar o quanto esses mesmos conceitos estão claros para eles. Procure explorar suas concepções com questões como: Uma bacté- ria que nos ajuda a absorver determinados nutrientes deve ser considerada patogêni- ca? Por quê? Já que os antibióticos nos aju- dam a ficar livres de determinados micróbios patogênicos, o melhor seria tomá-los todos os dias, antes mesmo de ficarmos doentes? Quem acha que essa é uma boa ideia? Quem acha que não? Peça que todos os alunos da classe deem sua opinião. Por fim, ajude-os a Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 2 7/27/11 10:59 AM 01 02 03 04 05 06 07 08que, em cada disciplina, sejam discutidos os laços indissolúveis entre os conteúdos estudados, os valores huma- nos e as atitudes individuais e coletivas. Isso significa que os temas éticos, políticos e estéticos devem ser realçados no processo de apropriação do saber com os temas trans- versais, isto é, com temas que atravessam os diferentes campos do conhecimento. É o que veremos a seguir, a propósito deste livro. explorando o texto O livro Viagem ao mundo dos micróbios conta a história de uma menina bastante curiosa, que encarou uma inacreditável aventura pelo mundo dos micróbios. Ain- da hoje, muitos acreditam que esses seres surgimento das superbactérias, resistentes à grande parte dos antibióticos atuais. Indiscutivelmente, as bactérias são essen- ciais para o bom funcionamento do nosso organismo. Se não fossem elas, nosso sistema imunológico demoraria muito mais tempo para nos defender. Afinal, ele levaria muito mais tempo para reconhecer como são peri- gosos alguns micróbios que invadem o nosso corpo. A presença das bactérias estimula nosso organismo, deixando-o sempre alerta! sugesTÕes de aTividades Ao desenvolver as atividades sugeridas, é importante que o enfoque interdisciplinar seja buscado, para estabelecer relações entre o que os alunos aprendem em sala de aula e o que vivenciam em seu cotidiano. Explorar, observar e discutir promove a construção de conceitos, procedimentos, valores e atitudes, permitindo assim aos alunos estabelecerem relações e ampliarem o universo de conheci- mentos de modo signi-ficativo. Os alunos são curiosos e gostam de situa- ções desafiadoras. Portanto, ao estruturar as atividades oriente-os e apresente ques- tões de modo que se construam situações problematizadoras que os incentivem a buscar respostas e soluções. Bom trabalho! aTividades Para anTes da LeiTura Pergunte à classe quem já ficou gripado, com dor de garganta, febre. Após obter algumas respostas, peça aos alunos que redijam um texto contando o que sentiram quando ficaram doentes e o que eles ima- ginam que possa ter causado essa doença. Se quiserem, podem fazer desenhos para ajudar a explicar como se sentiram. Terminada essa etapa, peça a alguns alunos que leiam os seus relatos. À medida que forem lendo, registre na lousa algumas das ideias apresentadas, por exemplo, aque- las mais comuns, as mais inusitadas e aquelas SugeStõeS pedagógicaS e de atividadeS elaBoradaS por: alexandre albuquerque da silva. Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Atuou como monitor no Museu Estação Ciência (USP) e em diversos cursos da graduação do Instituto de Biociências da USP. Atua desde 2007 na elaboração e edição de materiais didáticos, como livros, cadernos de atividades, animações e vídeos. maria augusta cabral de oliveira. Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Doutora em Saúde Pública, na área de Educação e Promoção da Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atuou como professora durante 25 anos na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ministrando aulas nos cursos de Ciências Biológicas e Pedagogia. Atuou como professora e coordenadora de Ciências em diversas escolas privadas de São Paulo. Participa de Programas de Formação Continuada de Professores voltados para professores de Ciências e Biologia, em escolas públicas e privadas na capital e no interior de São Paulo. Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 1 7/27/11 10:59 AM viagem ao mundo dos micróBios 2 3 4 Samuel Murgel Branco o auTor samuel murgel Branco Nasceu em São Paulo em 1930. Formou- -se em História Natural em 1956, especiali- zando-se em Ciências Biológicas e da Terra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Mais tarde, como professor da USP, direcionou sua carreira de pesquisador para a área de Saneamento Básico e Ambiental, tornando- -se um grande sanitarista, reconhecido por seus estudos sobre a qualidade das águas continentais e costeiras, com forte enfoque em saúde pública no Brasil e na América Latina. Orientou dezenas de mestrados e doutorados, particularmente nas unidades da USP de São Carlos e Saúde Pública em São Paulo. Apaixonado desde sempre pela natureza, desenvolveu seu gosto pelo mar e pelas exuberantes florestas da Mata Atlân- tica, o que despertou sua curiosidade em relação às particularidades dos diferentes ambientes vivos. A união da paixão e do conhecimento científico, bem como sua fa- cilidade em escrever histórias, estimulou-o a revelar para crianças e jovens as maravilhas da natureza. Quando escrevia, buscava dar conta de todo o universo que o cercava, organizando seus conhecimentos e apresen- tando-os de maneira cativante aos leitores. Assim, possui vários livros publicados, nos quais narra com simplicidade os temas com- plexos das ciências ambientais. Em 2004, foi criado o Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB), com a missão de disseminar a obra desse notável professor, estimular o conhecimento sobre as ciências ambientais e conscientizar crianças, jovens e adultos no seu incrível papel de preservar a natureza em prol de um modelo de desen- volvimento em que riqueza é sinônimo de qualidade de vida para todos. Para saber mais sobre Samuel Murgel Bran- co, consulte os sites www.moderna.com.br e www.ismb.org.br a oBra Qual a importância central de Viagem ao mundo dos micróbios? Apesar de seu tamanho diminuto – a maioria é invisível a olho nu –, o papel de- sempenhado pelos micróbios nos biomas da Terra é essencial para a manutenção da vida em nosso planeta. Sob o nome micróbios encontram-se diversos grupos de seres vivos, como fungos, bactérias e protozoários. Neste livro os alunos poderão conhecer alguns dos importantes desdobramentos das atividades diárias desses seres minúsculos em tamanho, mas gigantes em feitos. Enquanto alguns – poucos, de fato – são agentes causadores de enfermidades que afligem a humanidade, outros são produtores de substâncias, como a penicilina, que curam boa parte de nossos males. A penicilina é um antibiótico de amplo uso médico que é naturalmente produzido e secretado por determinadas espécies de fungos, aos quais nos referimos no dia a dia como mofo. Esse antibiótico foi mais uma das descobertas científicas que ocorreram “por acaso”, isto é, como um desdobramen- to de um estudo que visava outro objetivo primário. Além dos micróbios que causam doenças e dos que produzem substâncias utilizadas como remédio, existem aqueles de cujo metabolismo nós tiramos proveito. Uti- lizamos espécies de leveduras (outro fungo) para fermentar bebidas, para fazer crescer as massas de pão e durante o processo de cura de diversos tipos de queijos. Bactérias são essenciais para a produção de iogurte e de queijos. Além de essenciais para nossa saúde e alimentação, os micróbios são os responsá- veis pela decomposição biológica da matéria orgânica e pela produção de gás oxigênio. A presença dos micróbios na Terra daqui a mais de um milhão de anos é quase certa. Temas aBordados • Infecção • Febre • Antibióticos • Penicilina • Cultura de micróbio • Fermentação • Respiração celular • Micróbios parasitas • Decomposição • Fotossíntese sugesTÕes Pedagógicas Formando o leitor Enquanto nos livros de ficção conta-se uma história, as obras de não ficção ou ex- positivas visam oferecer informação. Mesmo quando o autor se utiliza de uma pequena história – como neste livro –, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área. No entanto, o texto expositivo não se restringe à transmis- são de informações. Isso porque ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobretudo no setor das comunicações, o que tornou a informação bastanteacessível nos dias de hoje. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informa- ções e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. A formação do leitor autônomo supõe que a informação seja contextualizada: que parta do que é familiar ao aluno e, ao final, retorne à realidade vivida, para que não se reduza a abstrações, mas adquira sentido vital. Assim, microscópios são responsáveis, apenas, por causar mazelas. Até o século 16, acreditava-se que os menores seres vivos eram originários de ma- téria morta ou em estado de decomposição. Essa teoria perdurou até meados do século 17, quando alguns cientistas começaram a questioná-la. O cientista francês Louis Pasteur teve pa- pel fundamental no estudo da Microbiolo- gia, sendo atribuídas a ele as descobertas da primeira vacina contra a raiva e do processo de pasteurização, essencial para evitar que o vinho e o leite causem doenças. Outro cien- tista que revolucionou a Microbiologia foi o escocês Alexander Fleming. A descoberta da penicilina foi um fato marcante, uma vez que, ainda em parte do século 20, muitas doenças causadas por bactérias eram incurá- veis. Fleming, citado neste livro, descobriu, em 1928, o primeiro antibiótico a ser utiliza- do com sucesso. A penicilina foi ministrada pela primeira vez em uma pessoa durante a Segunda Guerra Mundial e, até hoje, é re- ceitada para muitos pacientes – além de ter muitos outros antibióticos derivados dela, a partir de métodos químicos industriais. Como as pessoas faziam antes da desco- berta do antibiótico? Muitas delas morriam e, em diferentes partes do mundo, adota- vam-se técnicas variadas: os chineses utili- zavam coalhada para tratar infecções, já em outros lugares, pão velho embolorado era uma das opções para combater doenças bac- terianas. O uso indiscriminado de antibióti- cos pode comprometer, e muito, a defesa do nosso corpo, pois, mesmo sendo necessários para combater algumas doenças, os antibió- ticos também atacam algumas bactérias que nos são favoráveis, podendo interferir nos benefícios que elas nos trazem. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentou uma resolução, válida em todo o Brasil a partir de 28 de outubro de 2010, proibindo a venda de antibióticos sem receita médica. O objetivo é diminuir a prá- tica da automedicação, que, além de com- prometer a saúde das pessoas, foi apontada como um dos fatores que contribuem para o o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enri- quecido por contornos afetivos e valorativos. Mais ainda, conhecer é um procedimento que vai além do esforço solitário de refle- xão, porque se faz também pelo diálogo, pelo confronto de opiniões, que mobiliza cada um na busca de outras explicações possíveis ou na elaboração de novas inda- gações. Daí a importância de acrescentar às atividades individuais os trabalhos em equipe, os projetos coletivos, as discussões em classe e os debates. Preparando para a cidadania Quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos do dia a dia, tudo o que aprende adquire sentido novo para a sua vida e para a comunidade. O saber teórico incorporado às experiências de vida de cada um é condição importante para a formação integral do aluno, pois estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na socieda- de, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Longe, porém, de imaginarmos uma aula especial para “ensinar” valores aos alunos, estamos propondo que, em cada disciplina, sejam discutidos os laços indissolúveis entre os conteúdos estudados, os valores huma- nos e as atitudes individuais e coletivas. Isso significa que os temas éticos, políticos e estéticos devem ser realçados no processo de apropriação do saber com os temas trans- versais, isto é, com temas que atravessam os diferentes campos do conhecimento. É o que veremos a seguir, a propósito deste livro. explorando o texto O livro Viagem ao mundo dos micróbios conta a história de uma menina bastante curiosa, que encarou uma inacreditável aventura pelo mundo dos micróbios. Ain- da hoje, muitos acreditam que esses seres surgimento das superbactérias, resistentes à grande parte dos antibióticos atuais. Indiscutivelmente, as bactérias são essen- ciais para o bom funcionamento do nosso organismo. Se não fossem elas, nosso sistema imunológico demoraria muito mais tempo para nos defender. Afinal, ele levaria muito mais tempo para reconhecer como são peri- gosos alguns micróbios que invadem o nosso corpo. A presença das bactérias estimula nosso organismo, deixando-o sempre alerta! sugesTÕes de aTividades Ao desenvolver as atividades sugeridas, é importante que o enfoque interdisciplinar seja buscado, para estabelecer relações entre o que os alunos aprendem em sala de aula e o que vivenciam em seu cotidiano. Explorar, observar e discutir promove a construção de conceitos, procedimentos, valores e atitudes, permitindo assim aos alunos estabelecerem relações e ampliarem o universo de conheci- mentos de modo signi-ficativo. Os alunos são curiosos e gostam de situa- ções desafiadoras. Portanto, ao estruturar as atividades oriente-os e apresente ques- tões de modo que se construam situações problematizadoras que os incentivem a buscar respostas e soluções. Bom trabalho! aTividades Para anTes da LeiTura Pergunte à classe quem já ficou gripado, com dor de garganta, febre. Após obter algumas respostas, peça aos alunos que redijam um texto contando o que sentiram quando ficaram doentes e o que eles ima- ginam que possa ter causado essa doença. Se quiserem, podem fazer desenhos para ajudar a explicar como se sentiram. Terminada essa etapa, peça a alguns alunos que leiam os seus relatos. À medida que forem lendo, registre na lousa algumas das ideias apresentadas, por exemplo, aque- las mais comuns, as mais inusitadas e aquelas SugeStõeS pedagógicaS e de atividadeS elaBoradaS por: alexandre albuquerque da silva. Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Atuou como monitor no Museu Estação Ciência (USP) e em diversos cursos da graduação do Instituto de Biociências da USP. Atua desde 2007 na elaboração e edição de materiais didáticos, como livros, cadernos de atividades, animações e vídeos. maria augusta cabral de oliveira. Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Doutora em Saúde Pública, na área de Educação e Promoção da Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atuou como professora durante 25 anos na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ministrando aulas nos cursos de Ciências Biológicas e Pedagogia. Atuou como professora e coordenadora de Ciências em diversas escolas privadas de São Paulo. Participa de Programas de Formação Continuada de Professores voltados para professores de Ciências e Biologia, em escolas públicas e privadas na capital e no interior de São Paulo. Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 1 7/27/11 10:59 AM viagem ao mundo dos micróBios 2 3 4 Samuel Murgel Branco o auTor samuel murgel Branco Nasceu em São Paulo em 1930. Formou- -se em História Natural em 1956, especiali- zando-se em Ciências Biológicas e da Terra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Mais tarde, como professor da USP, direcionou sua carreira de pesquisador para a área de Saneamento Básico e Ambiental, tornando- -se um grande sanitarista, reconhecido por seus estudos sobre a qualidade das águas continentais e costeiras, com forte enfoque em saúde pública no Brasil e na América Latina. Orientou dezenas de mestrados e doutorados, particularmente nas unidades da USP de São Carlos e Saúde Públicaem São Paulo. Apaixonado desde sempre pela natureza, desenvolveu seu gosto pelo mar e pelas exuberantes florestas da Mata Atlân- tica, o que despertou sua curiosidade em relação às particularidades dos diferentes ambientes vivos. A união da paixão e do conhecimento científico, bem como sua fa- cilidade em escrever histórias, estimulou-o a revelar para crianças e jovens as maravilhas da natureza. Quando escrevia, buscava dar conta de todo o universo que o cercava, organizando seus conhecimentos e apresen- tando-os de maneira cativante aos leitores. Assim, possui vários livros publicados, nos quais narra com simplicidade os temas com- plexos das ciências ambientais. Em 2004, foi criado o Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB), com a missão de disseminar a obra desse notável professor, estimular o conhecimento sobre as ciências ambientais e conscientizar crianças, jovens e adultos no seu incrível papel de preservar a natureza em prol de um modelo de desen- volvimento em que riqueza é sinônimo de qualidade de vida para todos. Para saber mais sobre Samuel Murgel Bran- co, consulte os sites www.moderna.com.br e www.ismb.org.br a oBra Qual a importância central de Viagem ao mundo dos micróbios? Apesar de seu tamanho diminuto – a maioria é invisível a olho nu –, o papel de- sempenhado pelos micróbios nos biomas da Terra é essencial para a manutenção da vida em nosso planeta. Sob o nome micróbios encontram-se diversos grupos de seres vivos, como fungos, bactérias e protozoários. Neste livro os alunos poderão conhecer alguns dos importantes desdobramentos das atividades diárias desses seres minúsculos em tamanho, mas gigantes em feitos. Enquanto alguns – poucos, de fato – são agentes causadores de enfermidades que afligem a humanidade, outros são produtores de substâncias, como a penicilina, que curam boa parte de nossos males. A penicilina é um antibiótico de amplo uso médico que é naturalmente produzido e secretado por determinadas espécies de fungos, aos quais nos referimos no dia a dia como mofo. Esse antibiótico foi mais uma das descobertas científicas que ocorreram “por acaso”, isto é, como um desdobramen- to de um estudo que visava outro objetivo primário. Além dos micróbios que causam doenças e dos que produzem substâncias utilizadas como remédio, existem aqueles de cujo metabolismo nós tiramos proveito. Uti- lizamos espécies de leveduras (outro fungo) para fermentar bebidas, para fazer crescer as massas de pão e durante o processo de cura de diversos tipos de queijos. Bactérias são essenciais para a produção de iogurte e de queijos. Além de essenciais para nossa saúde e alimentação, os micróbios são os responsá- veis pela decomposição biológica da matéria orgânica e pela produção de gás oxigênio. A presença dos micróbios na Terra daqui a mais de um milhão de anos é quase certa. Temas aBordados • Infecção • Febre • Antibióticos • Penicilina • Cultura de micróbio • Fermentação • Respiração celular • Micróbios parasitas • Decomposição • Fotossíntese sugesTÕes Pedagógicas Formando o leitor Enquanto nos livros de ficção conta-se uma história, as obras de não ficção ou ex- positivas visam oferecer informação. Mesmo quando o autor se utiliza de uma pequena história – como neste livro –, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área. No entanto, o texto expositivo não se restringe à transmis- são de informações. Isso porque ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobretudo no setor das comunicações, o que tornou a informação bastante acessível nos dias de hoje. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informa- ções e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. A formação do leitor autônomo supõe que a informação seja contextualizada: que parta do que é familiar ao aluno e, ao final, retorne à realidade vivida, para que não se reduza a abstrações, mas adquira sentido vital. Assim, microscópios são responsáveis, apenas, por causar mazelas. Até o século 16, acreditava-se que os menores seres vivos eram originários de ma- téria morta ou em estado de decomposição. Essa teoria perdurou até meados do século 17, quando alguns cientistas começaram a questioná-la. O cientista francês Louis Pasteur teve pa- pel fundamental no estudo da Microbiolo- gia, sendo atribuídas a ele as descobertas da primeira vacina contra a raiva e do processo de pasteurização, essencial para evitar que o vinho e o leite causem doenças. Outro cien- tista que revolucionou a Microbiologia foi o escocês Alexander Fleming. A descoberta da penicilina foi um fato marcante, uma vez que, ainda em parte do século 20, muitas doenças causadas por bactérias eram incurá- veis. Fleming, citado neste livro, descobriu, em 1928, o primeiro antibiótico a ser utiliza- do com sucesso. A penicilina foi ministrada pela primeira vez em uma pessoa durante a Segunda Guerra Mundial e, até hoje, é re- ceitada para muitos pacientes – além de ter muitos outros antibióticos derivados dela, a partir de métodos químicos industriais. Como as pessoas faziam antes da desco- berta do antibiótico? Muitas delas morriam e, em diferentes partes do mundo, adota- vam-se técnicas variadas: os chineses utili- zavam coalhada para tratar infecções, já em outros lugares, pão velho embolorado era uma das opções para combater doenças bac- terianas. O uso indiscriminado de antibióti- cos pode comprometer, e muito, a defesa do nosso corpo, pois, mesmo sendo necessários para combater algumas doenças, os antibió- ticos também atacam algumas bactérias que nos são favoráveis, podendo interferir nos benefícios que elas nos trazem. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentou uma resolução, válida em todo o Brasil a partir de 28 de outubro de 2010, proibindo a venda de antibióticos sem receita médica. O objetivo é diminuir a prá- tica da automedicação, que, além de com- prometer a saúde das pessoas, foi apontada como um dos fatores que contribuem para o o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enri- quecido por contornos afetivos e valorativos. Mais ainda, conhecer é um procedimento que vai além do esforço solitário de refle- xão, porque se faz também pelo diálogo, pelo confronto de opiniões, que mobiliza cada um na busca de outras explicações possíveis ou na elaboração de novas inda- gações. Daí a importância de acrescentar às atividades individuais os trabalhos em equipe, os projetos coletivos, as discussões em classe e os debates. Preparando para a cidadania Quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos do dia a dia, tudo o que aprende adquire sentido novo para a sua vida e para a comunidade. O saber teórico incorporado às experiências de vida de cada um é condição importante para a formação integral do aluno, pois estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na socieda- de, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Longe, porém, de imaginarmos uma aula especial para “ensinar” valores aos alunos, estamos propondo que, em cada disciplina, sejam discutidos os laços indissolúveis entre os conteúdos estudados, os valores huma- nos e as atitudes individuais e coletivas. Isso significa que os temas éticos, políticos e estéticos devem ser realçados no processo de apropriação do saber com os temas trans- versais, isto é, com temas que atravessam os diferentes campos do conhecimento. É o que veremos a seguir, a propósito deste livro. explorando o texto O livro Viagem ao mundo dos micróbios conta a história de uma menina bastante curiosa, que encarou uma inacreditável aventura pelo mundo dos micróbios. Ain- da hoje, muitos acreditam que esses seres surgimento das superbactérias, resistentes à grande parte dos antibióticosatuais. Indiscutivelmente, as bactérias são essen- ciais para o bom funcionamento do nosso organismo. Se não fossem elas, nosso sistema imunológico demoraria muito mais tempo para nos defender. Afinal, ele levaria muito mais tempo para reconhecer como são peri- gosos alguns micróbios que invadem o nosso corpo. A presença das bactérias estimula nosso organismo, deixando-o sempre alerta! sugesTÕes de aTividades Ao desenvolver as atividades sugeridas, é importante que o enfoque interdisciplinar seja buscado, para estabelecer relações entre o que os alunos aprendem em sala de aula e o que vivenciam em seu cotidiano. Explorar, observar e discutir promove a construção de conceitos, procedimentos, valores e atitudes, permitindo assim aos alunos estabelecerem relações e ampliarem o universo de conheci- mentos de modo signi-ficativo. Os alunos são curiosos e gostam de situa- ções desafiadoras. Portanto, ao estruturar as atividades oriente-os e apresente ques- tões de modo que se construam situações problematizadoras que os incentivem a buscar respostas e soluções. Bom trabalho! aTividades Para anTes da LeiTura Pergunte à classe quem já ficou gripado, com dor de garganta, febre. Após obter algumas respostas, peça aos alunos que redijam um texto contando o que sentiram quando ficaram doentes e o que eles ima- ginam que possa ter causado essa doença. Se quiserem, podem fazer desenhos para ajudar a explicar como se sentiram. Terminada essa etapa, peça a alguns alunos que leiam os seus relatos. À medida que forem lendo, registre na lousa algumas das ideias apresentadas, por exemplo, aque- las mais comuns, as mais inusitadas e aquelas SugeStõeS pedagógicaS e de atividadeS elaBoradaS por: alexandre albuquerque da silva. Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Atuou como monitor no Museu Estação Ciência (USP) e em diversos cursos da graduação do Instituto de Biociências da USP. Atua desde 2007 na elaboração e edição de materiais didáticos, como livros, cadernos de atividades, animações e vídeos. maria augusta cabral de oliveira. Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Doutora em Saúde Pública, na área de Educação e Promoção da Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atuou como professora durante 25 anos na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ministrando aulas nos cursos de Ciências Biológicas e Pedagogia. Atuou como professora e coordenadora de Ciências em diversas escolas privadas de São Paulo. Participa de Programas de Formação Continuada de Professores voltados para professores de Ciências e Biologia, em escolas públicas e privadas na capital e no interior de São Paulo. Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 1 7/27/11 10:59 AM viagem ao mundo dos micróBios 2 3 4 Samuel Murgel Branco o auTor samuel murgel Branco Nasceu em São Paulo em 1930. Formou- -se em História Natural em 1956, especiali- zando-se em Ciências Biológicas e da Terra na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Mais tarde, como professor da USP, direcionou sua carreira de pesquisador para a área de Saneamento Básico e Ambiental, tornando- -se um grande sanitarista, reconhecido por seus estudos sobre a qualidade das águas continentais e costeiras, com forte enfoque em saúde pública no Brasil e na América Latina. Orientou dezenas de mestrados e doutorados, particularmente nas unidades da USP de São Carlos e Saúde Pública em São Paulo. Apaixonado desde sempre pela natureza, desenvolveu seu gosto pelo mar e pelas exuberantes florestas da Mata Atlân- tica, o que despertou sua curiosidade em relação às particularidades dos diferentes ambientes vivos. A união da paixão e do conhecimento científico, bem como sua fa- cilidade em escrever histórias, estimulou-o a revelar para crianças e jovens as maravilhas da natureza. Quando escrevia, buscava dar conta de todo o universo que o cercava, organizando seus conhecimentos e apresen- tando-os de maneira cativante aos leitores. Assim, possui vários livros publicados, nos quais narra com simplicidade os temas com- plexos das ciências ambientais. Em 2004, foi criado o Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB), com a missão de disseminar a obra desse notável professor, estimular o conhecimento sobre as ciências ambientais e conscientizar crianças, jovens e adultos no seu incrível papel de preservar a natureza em prol de um modelo de desen- volvimento em que riqueza é sinônimo de qualidade de vida para todos. Para saber mais sobre Samuel Murgel Bran- co, consulte os sites www.moderna.com.br e www.ismb.org.br a oBra Qual a importância central de Viagem ao mundo dos micróbios? Apesar de seu tamanho diminuto – a maioria é invisível a olho nu –, o papel de- sempenhado pelos micróbios nos biomas da Terra é essencial para a manutenção da vida em nosso planeta. Sob o nome micróbios encontram-se diversos grupos de seres vivos, como fungos, bactérias e protozoários. Neste livro os alunos poderão conhecer alguns dos importantes desdobramentos das atividades diárias desses seres minúsculos em tamanho, mas gigantes em feitos. Enquanto alguns – poucos, de fato – são agentes causadores de enfermidades que afligem a humanidade, outros são produtores de substâncias, como a penicilina, que curam boa parte de nossos males. A penicilina é um antibiótico de amplo uso médico que é naturalmente produzido e secretado por determinadas espécies de fungos, aos quais nos referimos no dia a dia como mofo. Esse antibiótico foi mais uma das descobertas científicas que ocorreram “por acaso”, isto é, como um desdobramen- to de um estudo que visava outro objetivo primário. Além dos micróbios que causam doenças e dos que produzem substâncias utilizadas como remédio, existem aqueles de cujo metabolismo nós tiramos proveito. Uti- lizamos espécies de leveduras (outro fungo) para fermentar bebidas, para fazer crescer as massas de pão e durante o processo de cura de diversos tipos de queijos. Bactérias são essenciais para a produção de iogurte e de queijos. Além de essenciais para nossa saúde e alimentação, os micróbios são os responsá- veis pela decomposição biológica da matéria orgânica e pela produção de gás oxigênio. A presença dos micróbios na Terra daqui a mais de um milhão de anos é quase certa. Temas aBordados • Infecção • Febre • Antibióticos • Penicilina • Cultura de micróbio • Fermentação • Respiração celular • Micróbios parasitas • Decomposição • Fotossíntese sugesTÕes Pedagógicas Formando o leitor Enquanto nos livros de ficção conta-se uma história, as obras de não ficção ou ex- positivas visam oferecer informação. Mesmo quando o autor se utiliza de uma pequena história – como neste livro –, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área. No entanto, o texto expositivo não se restringe à transmis- são de informações. Isso porque ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobretudo no setor das comunicações, o que tornou a informação bastante acessível nos dias de hoje. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informa- ções e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. A formação do leitor autônomo supõe que a informação seja contextualizada: que parta do que é familiar ao aluno e, ao final, retorne à realidade vivida, para que não se reduza a abstrações, mas adquira sentido vital. Assim, microscópios são responsáveis, apenas, por causar mazelas. Até o século 16, acreditava-se que os menores seres vivos eram originários de ma- téria morta ou em estado de decomposição. Essa teoria perdurou até meados do século 17, quando alguns cientistas começarama questioná-la. O cientista francês Louis Pasteur teve pa- pel fundamental no estudo da Microbiolo- gia, sendo atribuídas a ele as descobertas da primeira vacina contra a raiva e do processo de pasteurização, essencial para evitar que o vinho e o leite causem doenças. Outro cien- tista que revolucionou a Microbiologia foi o escocês Alexander Fleming. A descoberta da penicilina foi um fato marcante, uma vez que, ainda em parte do século 20, muitas doenças causadas por bactérias eram incurá- veis. Fleming, citado neste livro, descobriu, em 1928, o primeiro antibiótico a ser utiliza- do com sucesso. A penicilina foi ministrada pela primeira vez em uma pessoa durante a Segunda Guerra Mundial e, até hoje, é re- ceitada para muitos pacientes – além de ter muitos outros antibióticos derivados dela, a partir de métodos químicos industriais. Como as pessoas faziam antes da desco- berta do antibiótico? Muitas delas morriam e, em diferentes partes do mundo, adota- vam-se técnicas variadas: os chineses utili- zavam coalhada para tratar infecções, já em outros lugares, pão velho embolorado era uma das opções para combater doenças bac- terianas. O uso indiscriminado de antibióti- cos pode comprometer, e muito, a defesa do nosso corpo, pois, mesmo sendo necessários para combater algumas doenças, os antibió- ticos também atacam algumas bactérias que nos são favoráveis, podendo interferir nos benefícios que elas nos trazem. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentou uma resolução, válida em todo o Brasil a partir de 28 de outubro de 2010, proibindo a venda de antibióticos sem receita médica. O objetivo é diminuir a prá- tica da automedicação, que, além de com- prometer a saúde das pessoas, foi apontada como um dos fatores que contribuem para o o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enri- quecido por contornos afetivos e valorativos. Mais ainda, conhecer é um procedimento que vai além do esforço solitário de refle- xão, porque se faz também pelo diálogo, pelo confronto de opiniões, que mobiliza cada um na busca de outras explicações possíveis ou na elaboração de novas inda- gações. Daí a importância de acrescentar às atividades individuais os trabalhos em equipe, os projetos coletivos, as discussões em classe e os debates. Preparando para a cidadania Quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos do dia a dia, tudo o que aprende adquire sentido novo para a sua vida e para a comunidade. O saber teórico incorporado às experiências de vida de cada um é condição importante para a formação integral do aluno, pois estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na socieda- de, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Longe, porém, de imaginarmos uma aula especial para “ensinar” valores aos alunos, estamos propondo que, em cada disciplina, sejam discutidos os laços indissolúveis entre os conteúdos estudados, os valores huma- nos e as atitudes individuais e coletivas. Isso significa que os temas éticos, políticos e estéticos devem ser realçados no processo de apropriação do saber com os temas trans- versais, isto é, com temas que atravessam os diferentes campos do conhecimento. É o que veremos a seguir, a propósito deste livro. explorando o texto O livro Viagem ao mundo dos micróbios conta a história de uma menina bastante curiosa, que encarou uma inacreditável aventura pelo mundo dos micróbios. Ain- da hoje, muitos acreditam que esses seres surgimento das superbactérias, resistentes à grande parte dos antibióticos atuais. Indiscutivelmente, as bactérias são essen- ciais para o bom funcionamento do nosso organismo. Se não fossem elas, nosso sistema imunológico demoraria muito mais tempo para nos defender. Afinal, ele levaria muito mais tempo para reconhecer como são peri- gosos alguns micróbios que invadem o nosso corpo. A presença das bactérias estimula nosso organismo, deixando-o sempre alerta! sugesTÕes de aTividades Ao desenvolver as atividades sugeridas, é importante que o enfoque interdisciplinar seja buscado, para estabelecer relações entre o que os alunos aprendem em sala de aula e o que vivenciam em seu cotidiano. Explorar, observar e discutir promove a construção de conceitos, procedimentos, valores e atitudes, permitindo assim aos alunos estabelecerem relações e ampliarem o universo de conheci- mentos de modo signi-ficativo. Os alunos são curiosos e gostam de situa- ções desafiadoras. Portanto, ao estruturar as atividades oriente-os e apresente ques- tões de modo que se construam situações problematizadoras que os incentivem a buscar respostas e soluções. Bom trabalho! aTividades Para anTes da LeiTura Pergunte à classe quem já ficou gripado, com dor de garganta, febre. Após obter algumas respostas, peça aos alunos que redijam um texto contando o que sentiram quando ficaram doentes e o que eles ima- ginam que possa ter causado essa doença. Se quiserem, podem fazer desenhos para ajudar a explicar como se sentiram. Terminada essa etapa, peça a alguns alunos que leiam os seus relatos. À medida que forem lendo, registre na lousa algumas das ideias apresentadas, por exemplo, aque- las mais comuns, as mais inusitadas e aquelas SugeStõeS pedagógicaS e de atividadeS elaBoradaS por: alexandre albuquerque da silva. Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Atuou como monitor no Museu Estação Ciência (USP) e em diversos cursos da graduação do Instituto de Biociências da USP. Atua desde 2007 na elaboração e edição de materiais didáticos, como livros, cadernos de atividades, animações e vídeos. maria augusta cabral de oliveira. Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Zoologia pelo Instituto de Biociências da USP. Doutora em Saúde Pública, na área de Educação e Promoção da Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atuou como professora durante 25 anos na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ministrando aulas nos cursos de Ciências Biológicas e Pedagogia. Atuou como professora e coordenadora de Ciências em diversas escolas privadas de São Paulo. Participa de Programas de Formação Continuada de Professores voltados para professores de Ciências e Biologia, em escolas públicas e privadas na capital e no interior de São Paulo. Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 1 7/27/11 10:59 AM 5 6 7 que mais se aproximam da explicação aceita pelos cientistas. Ao final da leitura, converse com a turma sobre as explicações propostas, estimulando os alunos a se ex- pressarem e discutirem as diferentes ideias. Caso os alunos ainda não tenham fala- do sobre isso, explique que várias doenças (como gripes, dores de garganta e de bar- riga, resfriados, entre outras) são resultado da ação, em nosso corpo, de organismos di- minutos, por vezes chamados de micróbios. Possivelmente, alguns alunos – talvez por já terem visto essa informação em propagan- das de vacinas, desinfetantes, sabonetes etc. – já relacionem a existência dos micró- bios a doenças ou a algo negativo, sujo. Sonde os conceitos que a turma tem a res- peito dos micro-organismos estimulando os alunos a falar e refletir sobre o assunto. Por exemplo, qual relação eles imaginam que exista entre os micróbios e as doenças? Existem aspectos positivos relacionados a esses organismos? Quais seriam? Conduza- -os a elaborar, mesmo que só verbalmente, uma sinopse do que foi discutido. Tente fazer com que todos participem e registre os achados da turma na lousa para facilitar o entendimento do que foi discutido até o momento. Passe à leitura do livro. aTividades Para duranTe a LeiTura Uma estratégia para envolver os alunos é apresentar questões complementares, convidando-os a refletir sobre os temas abordados. Ofereça subsídios para facili- tara leitura e contornar dificuldades, por exemplo: identificar a estrutura do texto, esclarecer dúvidas de vocabulários e com- preensão, novos conceitos e concordância com o autor. Proponha questões e refle- xões sobre os temas abordados, como: • Na página 5, o texto apresenta o res- friado e a gripe como doenças distintas. Popularmente existe muita confusão sobre essas duas condições. Aproveite o momento e sonde quais ideias os alunos têm a respeito do • Nessa mesma altura do texto, afirma-se que os parasitas não podem viver sozinhos, sem seus hospedeiros. Aproveite para con- versar com a turma sobre outros micróbios que também só vivem no corpo de outros organismos, mas que não causam mal a seu hospedeiro. Ajude-os a perceber que esse grupo não deve ser classificado como parasi- ta, pois não fazem mal ao hospedeiro. Nesse caso, trata-se de uma forma de relação entre espécies distintas à qual se dá o nome gené- rico de simbiose (termo que significa viver junto). Nesse caso, ambos se beneficiam da presença do outro. Um exemplo são os li- quens, associações de algas e fungos. Outro são as bactérias que vivem em nosso orga- nismo e que nos ajudam a absorver certos nutrientes e a combater micróbios nocivos. • Na página 48, o autor se refere ao gás oxigênio de modo mais informal e cotidia- no, isto é, diz apenas oxigênio, sem ser an- tecedido pelo termo gás. Explique que esse é um modo informal e que, estritamente, o que respiramos é gás oxigênio, o qual, por ser composto de dois átomos de oxigênio ligados entre si, apresenta características distintas daquelas dos átomos de oxigênio ligados a outros elementos. • Entre as páginas 48 e 49, aproveite para contar aos alunos que antes do aparecimento das primeiras algas (que certamente eram microscópicas) no planeta, praticamente não existia gás oxigênio na atmosfera da Terra. Foi a fotossíntese dessas algas que, acumulada por milhões de anos, encheu a atmosfera de gás oxigênio, possibilitando o aparecimen- to de outras formas de vida que respirassem gás oxigênio, assim como nós mesmos. A seguir são apresentadas algumas ati- vidades que podem ser realizadas com os alunos durante a leitura do livro. Produção de gás por leveduras Convém que o professor realize o experi- mento indicado a seguir antes de realizá-lo com os alunos. Dessa maneira, saberá adequar as quantidades dos produtos e outros detalhes que dependerão do material disponível. Conte aos alunos que vocês conduzirão um experimento para testar se as leveduras, quan- do em contato com o alimento, produzem gás. Para esse experimento você, ou cada gru- po, irá precisar dos seguintes materiais: • 2 saquinhos plásticos pequenos e transpa- rentes • 1 saquinho de fermento biológico seco (pode ser substituído por fermento bio- lógico fresco) • 1 ou 2 colheres de chá de açúcar • Água morna (aproximadamente 37 ºC), o quanto baste • Copo tipo “americano” • Funil • Caneta tipo “retroprojetor” para escrever nos saquinhos plásticos • 2 elásticos Explique aos alunos que o fermento bio- lógico nada mais é do que leveduras, um tipo de fungo como aquele citado no livro (páginas 23 a 27). Chame a atenção dos alu- nos para que não ingiram o fermento bio- lógico, pois ele é composto de grande con- centração de leveduras, o que poderá causar diarreia e outros desconfortos relacionados ao sistema digestório. Explique que, apesar de utilizarmos leveduras para fazer a massa do pão crescer, deixando-o macio, não as consumimos enquanto estão vivas. Ao ser assado, todas as leveduras que estavam na massa do pão são mortas. O professor, ou cada um dos grupos, deverá marcar um dos saquinhos plásticos como sem açúcar e o outro como com açú- car. A seguir, deverá misturar em um dos copos o pacote de fermento biológico seco a um pouquinho de água morna. Misture até desfazer os grumos e obter uma mistura homogênea e líquida. Então, adicione mais água morna até quase encher o copo. Com a ajuda do funil, coloque por volta de dez colheres de chá da mistura no saquinho plástico sem açúcar e feche-o com um nó no próprio saco ou com o elástico. Tome cuidado para que o saquinho não fique túrgido com ar, ou que fique sem ar, como se estivesse “a vácuo”. No segundo saqui- nho, marcado como com açúcar, adicione a mesma quantidade da mistura de fermen- to biológico, mas, dessa vez, acrescente a ela uma ou duas colheres de chá de açúcar (a quantidade de açúcar irá depender da quantidade de água). Coloque essa mistura no saquinho com açúcar e feche-o com o outro elástico. Pergunte aos alunos o que eles esperam que aconteça caso as leveduras realmente liberem gás dentro dos saquinhos fechados (espera-se que os alunos percebam que os dois saquinhos irão inflar). Peça a eles que registrem a cada 10 minutos o que está acontecendo nos saquinhos. Há formação de bolhas na mistura de algum dos dois sa- cos? Ambos estão ficando mais túrgidos? Os alunos notaram outras mudanças? Ao final do experimento – o tempo exa- to dependerá da temperatura ambiente, da quantidade de açúcar acrescentada e da qualidade das leveduras, daí a importância de o professor realizar esta atividade antes de apresentá-la aos alunos –, o saquinho contendo leveduras e água com açúcar de- verá se apresentar mais túrgido. Isso ocorre porque as leveduras utilizam o açúcar como alimento e realizam a fermentação, liberan- do gás carbônico no saquinho, o que causa o seu enchimento. O saquinho contendo somente água não deverá ter inflado ou terá inflado muito pouco. Questione os alu- nos sobre a que eles atribuem a diferença nos resultados obtidos. Ajude-os a perceber que o açúcar é a única coisa que distingue um saquinho do outro. Incite os alunos a ex- plicarem o papel do açúcar, a partir do que foi lido no livro. Ajude-os a perceber que a presença do açúcar na mistura faz com que as leveduras fiquem mais ativas, pois elas o estão fermentando, e liberam mais gás carbônico do que aquelas que estão sem alimento e, portanto, menos ativas. aTividades Para dePois da LeiTura Após a leitura verifique o que os alunos aprenderam e se são capazes de contar o que perceber que não é adequado tomar antibió- ticos a toda hora ou por qualquer doença. Produzindo iogurte Para preparar iogurte serão necessários dois dias e alguns procedimentos que de- vem ser realizados na cozinha. Antes de apresentá-lo aos alunos, portanto, prepare- -se com antecedência. Providencie os se- guintes materiais e ingredientes: • 1 litro de leite semidesnatado de boa procedência • 1/2 copo de iogurte de boa procedência • Mel (o quanto for necessário) e/ou geleia (de qualquer sabor) • De meia a uma colher de sopa de leite em pó • Uma panela para ferver o leite • Uma vasilha de vidro ou plástico, com tampa, grande o suficiente para acomo- dar o leite mais o copo de iogurte • Panos de prato • Algumas folhas de jornal ou uma caixa de isopor grande o suficiente para acomo- dar a vasilha com o iogurte • Copinhos e colheres de plástico para ser- vir o iogurte Para fazer o iogurte, proceda do seguinte modo: ferva o leite e deixe-o esfriar até que fique morno o suficiente para ser colocado nas costas da mão sem queimá-la. Se quiser um iogurte mais encorpado, acrescente uma colher de leite em pó ao leite fervido. Nesse ponto, coloque o leite na vasilha e leve-o para a classe com os demais ingredientes e materiais. Na classe, pergunte aos alunos se alguém se lembra do que é o iogurte. Lem- bre-os, caso eles não se recordem, de que no iogurte estão presentes bactérias benéficas. Misture o iogurte ao leite e, ao mesmo tem- po, pergunte aos alunos o que acontecerá com a mistura. O que as bactérias presentes no iogurte irão fazer ao leite (transformá- -lo em iogurte também)? Após misturar os ingredientes, e tomando cuidado para que o leite não se resfrie demais, feche a vasilha com a tampa (ou cubra-a com um pano de prato muito limpo) e envolva-a com as fo- lhas de jornale um ou dois panos de prato para manter a temperatura morna (alterna- tivamente, coloque a vasilha em uma caixa de isopor). Explique aos alunos que as bac- térias, como eles viram no texto, são muito pequenas e que, por isso, precisaram de algum tempo para se alimentar e se repro- duzir no leite. Deixe a mistura em um local fresco e à sombra, embrulhada de um dia para o outro, sem movê-la. Se o local onde você vive for quente demais, talvez seja ne- cessário colocar a mistura na geladeira após 12 horas. Faça o iogurte em casa antes de fazê-lo na escola para testar os detalhes da receita e adequá-la ao local e aos materiais e ingredientes disponíveis. No dia seguinte, verifique se o iogurte está pronto (prove-o) e coloque-o na geladeira por algumas horas (para que fique gelado, embora possa ser consumido sem ser resfriado), antes de levá- -lo aos alunos. Na classe, mostre aos alunos o resultado da ação das bactérias sobre o leite. Distribua o iogurte nos copinhos para os alunos experimentarem. Se quiserem, os alunos podem misturar geleia ou mel ao iogurte, o que confere sabor e adoça um pouco o produto. que seja uma e do que seja a outra. Aproveite para elucidar a diferença geral entre resfriado (quando os sintomas são, basicamente, nariz entupido e abundante produção de muco – catarro) e gripe (além dos sintomas do res- friado, inclui febre, dores pelo corpo, tosse, dor de cabeça e dor de garganta). • Na página 8, a mãe de Carolina diz à menina que ela deve tomar bastante líquido. Aproveite o momento para conversar com os alunos sobre o porquê dessa recomendação. Ajude-os a entender que o muco produzido e expelido por nós contém água, que estava no nosso corpo. Dessa forma, quanto mais expelirmos catarro, mais devemos nos hidra- tar para repor a água perdida, permitindo assim que nosso corpo consiga combater os micróbios de maneira adequada. • Com base na página 10, pergunte aos alunos se eles já experimentaram algum co- gumelo e, se sim, o que acharam do sabor. Eles ficaram diminutos, como Carolina? Aproveite para lembrá-los de que muitas espécies de cogumelos são venenosas e que, portanto, não se deve comer qualquer co- gumelo que se encontre por aí, pois muitos deles são extremamente tóxicos, podendo, inclusive, causar a morte. • Depois de lerem as páginas 22 e 28, pergunte aos alunos se eles imaginavam que alguns micróbios (especialmente as bactérias que popularmente são associadas quase que exclusivamente às doenças e à sujeira) poderiam ser tão benéficos aos se- res humanos. • Peça aos alunos que deem outros exem- plos de parasitas (talvez se lembrem de piolhos, pulgas etc.), com base no que leram a partir da página 34. Caso fique entre os alunos a impressão de que os parasitas são representados somente por seres pequenos, explique para a turma que animais e plantas também podem atuar como parasitas. Um exemplo: algumas espécies de aves (como o Molothrus bonariensis, popurlamente cha- mado de Chopim, Pássaro-preto ou Xexéu, entre outros) colocam seus ovos nos ninhos de aves de outras espécies, as quais criam es- ses filhotes como se fossem os seus próprios. leram, oralmente ou por escrito. Estabeleça relação entre o que foi estudado e a vida cotidiana, propondo questões e atividades como as apresentadas a seguir. • Peça que expliquem, com suas próprias palavras, o que é uma infecção. Estimule a participação dos alunos, auxiliando-os a construir uma definição coletiva e correta do conceito. À medida que forem respon- dendo, registre na lousa as ideias propostas e ajude-os a questionarem as ideias uns dos outros e a refinarem o conceito. • Faça o mesmo com a diferença entre gripe e resfriado. Diga que um amigo seu está se sentido mal, com febre, dor de cabe- ça, tosse e catarro e pergunte aos alunos se ele está gripado ou resfriado e por quê. • Pergunte aos alunos se e por que eles devem ingerir alimentos mofados. Ajude-os a entender que, apesar de algumas espécies de fungos serem comestíveis e outras produ- zirem substâncias que utilizamos como remé- dio, essas substâncias são obtidas em labo- ratórios especializados, a partir de processos que podem ser bem complicados. Mesmo os fungos que produzem a penicilina produzem também outras substâncias que podem ser tóxicas para os seres humanos. Além disso, em um alimento mofado não há como se certificar de que não há outros micróbios, potencialmente patogênicos, crescendo com o mofo. A melhor e mais segura opção é sem- pre descartar alimentos mofados. • Solicitar aos alunos que apliquem os conceitos envolvidos é uma boa forma de avaliar o quanto esses mesmos conceitos estão claros para eles. Procure explorar suas concepções com questões como: Uma bacté- ria que nos ajuda a absorver determinados nutrientes deve ser considerada patogêni- ca? Por quê? Já que os antibióticos nos aju- dam a ficar livres de determinados micróbios patogênicos, o melhor seria tomá-los todos os dias, antes mesmo de ficarmos doentes? Quem acha que essa é uma boa ideia? Quem acha que não? Peça que todos os alunos da classe deem sua opinião. Por fim, ajude-os a Encarte Viagem ao mundo dos micróbios.indd 2 7/27/11 10:59 AM 5 6 7 que mais se aproximam da explicação aceita pelos cientistas. Ao final da leitura, converse com a turma sobre as explicações propostas, estimulando os alunos a se ex- pressarem e discutirem as diferentes ideias. Caso os alunos ainda não tenham fala- do sobre isso, explique que várias doenças (como gripes, dores de garganta e de bar- riga, resfriados, entre outras) são resultado da ação, em nosso corpo, de organismos di- minutos, por vezes chamados de micróbios. Possivelmente, alguns alunos – talvez por já terem visto essa informação em propagan- das de vacinas, desinfetantes, sabonetes etc. – já relacionem a existência dos micró- bios a doenças ou a algo negativo, sujo. Sonde os conceitos que a turma tem a res- peito dos micro-organismos estimulando os alunos a falar e refletir sobre o assunto. Por exemplo, qual relação eles imaginam que exista entre os micróbios e as doenças? Existem aspectos positivos relacionados a esses organismos? Quais seriam? Conduza- -os a elaborar, mesmo que só verbalmente, uma sinopse do que foi discutido. Tente fazer com que todos participem e registre os achados da turma na lousa para facilitar o entendimento do que foi discutido até o momento. Passe à leitura do livro. aTividades Para duranTe a LeiTura Uma estratégia para envolver os alunos é apresentar questões complementares, convidando-os a refletir sobre os temas abordados. Ofereça subsídios para facili- tar a leitura e contornar dificuldades, por exemplo: identificar a estrutura do texto, esclarecer dúvidas de vocabulários e com- preensão, novos conceitos e concordância com o autor. Proponha questões e refle- xões sobre os temas abordados, como: • Na página 5, o texto apresenta o res- friado e a gripe como doenças distintas. Popularmente existe muita confusão sobre essas duas condições. Aproveite o momento e sonde quais ideias os alunos têm a respeito do • Nessa mesma altura do texto, afirma-se que os parasitas não podem viver sozinhos, sem seus hospedeiros. Aproveite para con- versar com a turma sobre outros micróbios que também só vivem no corpo de outros organismos, mas que não causam mal a seu hospedeiro. Ajude-os a perceber que esse grupo não deve ser classificado como parasi- ta, pois não fazem mal ao hospedeiro. Nesse caso, trata-se de uma forma de relação entre espécies distintas à qual se dá o nome gené- rico de simbiose (termo que significa viver junto). Nesse caso, ambos se beneficiam da presença do outro. Um exemplo são os li- quens, associações de algas e fungos. Outro são as bactérias que vivem em nosso orga- nismo e que nos ajudam a absorver certos nutrientes e a combater micróbios nocivos. • Na página 48, o autor se refere ao gás oxigênio de modo mais informal e cotidia- no, isto é, dizapenas oxigênio, sem ser an- tecedido pelo termo gás. Explique que esse é um modo informal e que, estritamente, o que respiramos é gás oxigênio, o qual, por ser composto de dois átomos de oxigênio ligados entre si, apresenta características distintas daquelas dos átomos de oxigênio ligados a outros elementos. • Entre as páginas 48 e 49, aproveite para contar aos alunos que antes do aparecimento das primeiras algas (que certamente eram microscópicas) no planeta, praticamente não existia gás oxigênio na atmosfera da Terra. Foi a fotossíntese dessas algas que, acumulada por milhões de anos, encheu a atmosfera de gás oxigênio, possibilitando o aparecimen- to de outras formas de vida que respirassem gás oxigênio, assim como nós mesmos. A seguir são apresentadas algumas ati- vidades que podem ser realizadas com os alunos durante a leitura do livro. Produção de gás por leveduras Convém que o professor realize o experi- mento indicado a seguir antes de realizá-lo com os alunos. Dessa maneira, saberá adequar as quantidades dos produtos e outros detalhes que dependerão do material disponível. Conte aos alunos que vocês conduzirão um experimento para testar se as leveduras, quan- do em contato com o alimento, produzem gás. Para esse experimento você, ou cada gru- po, irá precisar dos seguintes materiais: • 2 saquinhos plásticos pequenos e transpa- rentes • 1 saquinho de fermento biológico seco (pode ser substituído por fermento bio- lógico fresco) • 1 ou 2 colheres de chá de açúcar • Água morna (aproximadamente 37 ºC), o quanto baste • Copo tipo “americano” • Funil • Caneta tipo “retroprojetor” para escrever nos saquinhos plásticos • 2 elásticos Explique aos alunos que o fermento bio- lógico nada mais é do que leveduras, um tipo de fungo como aquele citado no livro (páginas 23 a 27). Chame a atenção dos alu- nos para que não ingiram o fermento bio- lógico, pois ele é composto de grande con- centração de leveduras, o que poderá causar diarreia e outros desconfortos relacionados ao sistema digestório. Explique que, apesar de utilizarmos leveduras para fazer a massa do pão crescer, deixando-o macio, não as consumimos enquanto estão vivas. Ao ser assado, todas as leveduras que estavam na massa do pão são mortas. O professor, ou cada um dos grupos, deverá marcar um dos saquinhos plásticos como sem açúcar e o outro como com açú- car. A seguir, deverá misturar em um dos copos o pacote de fermento biológico seco a um pouquinho de água morna. Misture até desfazer os grumos e obter uma mistura homogênea e líquida. Então, adicione mais água morna até quase encher o copo. Com a ajuda do funil, coloque por volta de dez colheres de chá da mistura no saquinho plástico sem açúcar e feche-o com um nó no próprio saco ou com o elástico. Tome cuidado para que o saquinho não fique túrgido com ar, ou que fique sem ar, como se estivesse “a vácuo”. No segundo saqui- nho, marcado como com açúcar, adicione a mesma quantidade da mistura de fermen- to biológico, mas, dessa vez, acrescente a ela uma ou duas colheres de chá de açúcar (a quantidade de açúcar irá depender da quantidade de água). Coloque essa mistura no saquinho com açúcar e feche-o com o outro elástico. Pergunte aos alunos o que eles esperam que aconteça caso as leveduras realmente liberem gás dentro dos saquinhos fechados (espera-se que os alunos percebam que os dois saquinhos irão inflar). Peça a eles que registrem a cada 10 minutos o que está acontecendo nos saquinhos. Há formação de bolhas na mistura de algum dos dois sa- cos? Ambos estão ficando mais túrgidos? Os alunos notaram outras mudanças? Ao final do experimento – o tempo exa- to dependerá da temperatura ambiente, da quantidade de açúcar acrescentada e da qualidade das leveduras, daí a importância de o professor realizar esta atividade antes de apresentá-la aos alunos –, o saquinho contendo leveduras e água com açúcar de- verá se apresentar mais túrgido. Isso ocorre porque as leveduras utilizam o açúcar como alimento e realizam a fermentação, liberan- do gás carbônico no saquinho, o que causa o seu enchimento. O saquinho contendo somente água não deverá ter inflado ou terá inflado muito pouco. Questione os alu- nos sobre a que eles atribuem a diferença nos resultados obtidos. Ajude-os a perceber que o açúcar é a única coisa que distingue um saquinho do outro. Incite os alunos a ex- plicarem o papel do açúcar, a partir do que foi lido no livro. Ajude-os a perceber que a presença do açúcar na mistura faz com que as leveduras fiquem mais ativas, pois elas o estão fermentando, e liberam mais gás carbônico do que aquelas que estão sem alimento e, portanto, menos ativas. aTividades Para dePois da LeiTura Após a leitura verifique o que os alunos aprenderam e se são capazes de contar o que perceber que não é adequado tomar antibió- ticos a toda hora ou por qualquer doença. Produzindo iogurte Para preparar iogurte serão necessários dois dias e alguns procedimentos que de- vem ser realizados na cozinha. Antes de apresentá-lo aos alunos, portanto, prepare- -se com antecedência. Providencie os se- guintes materiais e ingredientes: • 1 litro de leite semidesnatado de boa procedência • 1/2 copo de iogurte de boa procedência • Mel (o quanto for necessário) e/ou geleia (de qualquer sabor) • De meia a uma colher de sopa de leite em pó • Uma panela para ferver o leite • Uma vasilha de vidro ou plástico, com tampa, grande o suficiente para acomo- dar o leite mais o copo de iogurte • Panos de prato • Algumas folhas de jornal ou uma caixa de isopor grande o suficiente para acomo- dar a vasilha com o iogurte • Copinhos e colheres de plástico para ser- vir o iogurte Para fazer o iogurte, proceda do seguinte modo: ferva o leite e deixe-o esfriar até que fique morno o suficiente para ser colocado nas costas da mão sem queimá-la. Se quiser um iogurte mais encorpado, acrescente uma colher de leite em pó ao leite fervido. Nesse ponto, coloque o leite na vasilha e leve-o para a classe com os demais ingredientes e materiais. Na classe, pergunte aos alunos se alguém se lembra do que é o iogurte. Lem- bre-os, caso eles não se recordem, de que no iogurte estão presentes bactérias benéficas. Misture o iogurte ao leite e, ao mesmo tem- po, pergunte aos alunos o que acontecerá com a mistura. O que as bactérias presentes no iogurte irão fazer ao leite (transformá- -lo em iogurte também)? Após misturar os ingredientes, e tomando cuidado para que o leite não se resfrie demais, feche a vasilha com a tampa (ou cubra-a com um pano de prato muito limpo) e envolva-a com as fo- lhas de jornal e um ou dois panos de prato para manter a temperatura morna (alterna- tivamente, coloque a vasilha em uma caixa de isopor). Explique aos alunos que as bac- térias, como eles viram no texto, são muito pequenas e que, por isso, precisaram de algum tempo para se alimentar e se repro- duzir no leite. Deixe a mistura em um local fresco e à sombra, embrulhada de um dia para o outro, sem movê-la. Se o local onde você vive for quente demais, talvez seja ne- cessário colocar a mistura na geladeira após 12 horas. Faça o iogurte em casa antes de fazê-lo na escola para testar os detalhes da receita e adequá-la ao local e aos materiais e ingredientes disponíveis. No dia seguinte, verifique se o iogurte está pronto (prove-o) e coloque-o na geladeira por algumas horas (para que fique gelado, embora possa ser consumido sem ser resfriado), antes de levá- -lo aos alunos. Na classe, mostre aos alunos o resultado da ação das bactérias sobre o leite. Distribua o iogurte nos copinhos para os alunos experimentarem. Se quiserem, os alunos podem misturar geleia ou mel ao iogurte, o que confere sabor e adoça um pouco o produto. que seja uma e do que seja a outra. Aproveite para elucidar a diferença geral entre resfriado (quando os sintomas são, basicamente, nariz entupido e abundante produção de muco – catarro) e gripe