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1 Humanização e Cuidados Com o Idoso 2 3 Sumário Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Utilização dos aspectos psicológicos Bem-estar subjetivo no idoso Bem-estar eudaimônico Avaliações relacionadas com a satisfação Estudos genético-comportamentais Neuroticismo Pesquisa gerontológica Estratégias relacionadas com os processos antecedentes e consequentes Teoria de integração de forças e vulnerabilidades Humanização e acolhimento do idoso Significado da humanização Humanização na enfermagem Cuidado humanizado no idoso Dificuldades no cuidado humanizado no idoso Prevenção de quedas no idoso Ocorrências de quedas no idoso Fatores de risco para as quedas Fatores de risco intrínsecos Fatores de risco extrínsecos CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 7 8 9 10 10 13 15 20 21 22 25 26 27 28 31 34 35 37 37 38 4 Sumário Estratificação do risco de quedas para os idosos Substâncias que elevam o risco de quedas Avaliação das quedas nos idosos Causas de quedas nos idosos Exame clínico no idoso Prevenção de quedas Testes funcionais Intervenção nos fatores de risco Déficit sensorial Medicamentos Ambiente Fraqueza de membros inferiores Equilíbrio e marcha Hipotensão postural Tontura ou vertigem Marcha patológica Fatores de risco modificáveis Intervenções de acordo com o risco Complicações decorrentes de quedas Morte Lesões CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 39 39 40 41 41 43 44 44 44 45 45 46 46 47 47 47 47 48 49 49 50 5 Sumário Medo das quedas Redução de atividades e permanência no mesmo decúbito durante muito tempo Educação e Sexualidade na terceira idade Relacionamento conjugal Satisfação conjugal Conflitos e a insatisfação conjugal Resiliência conjugal Sexualidade Namoro e novo casamento na velhice Separações ou divórcios na velhice Recasamento Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 51 51 54 55 55 58 59 61 64 67 68 71 6 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 7 @faculdadelibano_ 1 Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso 8 Humanização e Cuidados Com o Idoso Capitulo 1 Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Utilização dos aspectos psicológicos Os aspectos psicológicos do bem-estar têm um lugar central no processo de envelhecimento, diferentemente da ideia tradicional da velhice, em que se pensava que nesse período era marcado somente pelas doenças e declínios, por meio de um cenário marcado por possibilidades de manutenção de competências, otimização do desenvolvimento em domínios selecionados e compensação de perdas. Durante os anos 1990, a expressão bem-estar começou a ser empregada como uma forma de referência positiva de satisfação com a vida, estados emocionais e de crescimento pessoal, mesmo com a existência de riscos e perdas que estão presentes durante o envelhecimento (FREITAS; PY, 2017). Simultaneamente, as pesquisas com foco nas semelhanças e diferenças das avaliações objetivas e subjetivas de bem-estar, comprovaram que o bem-estar subjetivo é considerado como uma variável de proteção com relação ao impacto negativo de vários tipos de experiências estressantes no que diz respeito à saúde dos idosos e a longevidade. Objetivos Ao final deste capítulo, você terá entendido todos os aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso. Todos estes conteúdos estudados serão fundamentais para o melhor conhecimento dos cuidados com os idosos. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! 9 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Bem-estar subjetivo no idoso O bem-estar subjetivo no idoso passou a ser encarado como uma concepção formada por três componentes, sendo eles: • Satisfação com a vida. • Afetos positivos. • Afetos negativos. A pesquisa sociológica está pautada no conceito de satisfação global com a vida, sendo admitida a existência de avaliações de satisfação pautadas em vários domínios, no caso dos idosos esses domínios são os seguintes: • Saúde. • Memória. • Relações familiares. • Finanças. • Serviços de saúde. • Suporte social. • Ambiente (FREITAS; PY, 2017). FIGURA 1 Bem-estar nos idosos FONTE Pixabay 10 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Avaliações relacionadas com a satisfação Na atualidade, as avaliações relacionadas à satisfação com a vida e à satisfação referenciada aos domínios são processos majoritariamente cognitivos, enquanto as avaliações de emoções positivas e negativas são processos de natureza afetiva. Sendo preciso um terceiro elemento, de natureza ética e existencial, relacionado com à percepção da continuidade do desenvolvimento e ao senso de realização decorrente dos esforços do indivíduo para tornar-se alguém melhor. Os afetos positivos e negativos são os componentes que fazem parte da construção do bem-estar subjetivo, e a satisfação com a vida seria o componente cognitivo-avaliativo; enquanto a busca pelo autodesenvolvimento, autoconhecimento e o envolvimento com as metas de vida significativas seriam o componente eudaimônico, correspondendo a busca de excelência e de realização do próprio potencial. A denominação do bem-estar psicológico é utilizada para o bem- estar eudaimônico, e o bem-estar subjetivo é utilizado para satisfação e afetos positivos e negativos. Bem-estar eudaimônico As medidas do bem-estar eudaimônico são consideradas como indicadores do ajustamento psicológico, definido como um estado de harmonia entre as necessidades internas e as demandas externas, assim como os processos empregados pelo indivíduo para atingir tal estado de harmonia ou de adaptação psicológica. Você Sabia? A partir dos anos 1980 foi lançada a ideia de que os elementos satisfação e afetos não seriam mais suficientes para dar conta da complexidade do bem-estar subjetivo dos adultos e dos idosos (FREITAS; PY, 2017). 11 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 A satisfação com a vida é considerada como um indicador do julgamento dos indivíduos com relação a qualidade de vida, sendo levado em consideração os valores e as expectativas sociais e individuais. O julgamento pode ser realizado através de um valor numérico, quando o indivíduo escolhe o ponto de uma escala de três ou mais intensidades que melhor expressa seu julgamento a respeito de sua vida como um todo, conforme pode ser observado a seguir com os exemplos: • 1 [a pior vida] a 10 [a melhor vida]. • 1 [péssima] a 5 [ótima] (FREITAS; PY, 2017). Apesar de ser considerado como algo simples, essa forma de julgamento necessita de uma grande reflexão, pois está relacionada com a seleção de critérios ou padrões pessoais ou sociais, referenciados ao momento atual erelacionado com o amor compassivo e a saúde de casais mais velhos trazendo benefícios do amor compassivo, principalmente para o doador ao invés do destinatário. A atitude altruísta é um componente chave do amor solidário, decorrente de uma menor depressão e estresse para o cuidador do cônjuge, mesmo em função das demandas crescentes de cuidado. A capacidade para a resolução dos conflitos que surgem durante o casamento necessita de recursos conjugais, entre eles: as habilidades para a resolução dos problemas, empatia e flexibilidade para modificar padrões na relação. Quanto maior o apoio de forma positiva for dado para o cônjuge, mais satisfeito vai ser o seu companheiro. Você Sabia? O amor generoso é definido como um amor que está sempre centrado no bem do outro, especialmente quando esse sofre ou precisa de cuidados especiais. Você Sabia? Os casais que continuam unidos durante a velhice, normalmente estão inclinados para uma vida com aspectos positivos do relacionamento e desfrutam de uma maior satisfação conjugal do que casais de meia- idade. 61 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 O cumprimento da missão referente a criação dos filhos é considerado como fonte de prazer e de orgulho para os cônjuges nos casamentos mais longevos. O casamento causa uma constante necessidade de regulação de emoções, em que a relação entre satisfação conjugal e a regulação das emoções ainda precisa ser pesquisada. De acordo com algumas pesquisas realizadas, já se sabe que os idosos tendem a evitar as relações que existem conflitos, tendo como objetivos a busca para maximizar as recompensas emocionais para terem um maior bem-estar. Quando o casal experencia as emoções negativas como raiva e traição, geralmente vão levar as separações. As tentativas de regulação emocional quando dão certo vão favorecer a estabilidade do casal e ajudar na reparação dos danos e a solução dos conflitos. A forma como os casais conseguem resolver os conflitos é considerada como o elemento chave para a satisfação conjugal ao longo da vida. Os casais mais velhos possuem uma maior capacidade para a regulação das emoções do que os casais mais novos, o que faz com que os conflitos conjugais sejam bem mais leves. Nas situações conflituosas, os casais idosos com menos raiva, repulsa e queixas são mais afetuosas do que os casais de meia-idade. Os casais idosos têm mais prazer para o diálogo para temas como filhos, netos, sonhos e atividades em conjunto, do que casais de meia- idade. Sexualidade A sexualidade está envolvida com algumas variáveis que são: • Biopsicossociais. • Históricas. • Culturais. • Educacionais. • Religiosas (FREITAS; PY, 2017). 62 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Essa pode ser experimentada através de pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, papéis, comportamentos e relacionamentos, ultrapassando o ato sexual. As necessidades sexuais não finalizam na velhice, mesmo com a presença de limitações físicas que aumentam com a progressão da idade. Existe uma certa visão limitada com relação à sexualidade e à velhice ao considerar como um período de assexualidade e de renúncias, entretanto, existem pesquisas que indicam que uma grande parte dos idosos tem vida sexual com muito prazer, enquanto outro grupo tem grandes dificuldades físicas, sociais e psicológicas, não conseguindo ter prazer. Existem vários caminhos diferentes e singulares para a expressão e a vivência de uma sexualidade que pode ser considerada satisfatória. O estudo da sexualidade está relacionado com as características das relações conjugais dos indivíduos idosos, sendo considerado como importante devido pelo menos a três razões: Até pouco tempo atrás grande parte dos estudos relacionados com o sexo estava focado na disfunção sexual, ao invés do bem-estar sexual, a história conjugal e a prática de atividade sexual estão sendo consideradas como uma fonte de proteção contra a mortalidade e os problemas de saúde, o estudo do vínculo que existe entre o casamento e a sexualidade favorece o entendimento na compreensão e na promoção da saúde conjugal ao longo da vida. Importante Os casais que não são sexualmente ativos apresentam níveis mais baixos de felicidade conjugal e níveis mais altos de insatisfação conjugal e de interações negativas, quando comparado aos casais que mantem um envolvimento sexual conforme vão envelhecendo. 63 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 A compreensão entre a velhice e o envelhecimento são realidades heterogêneas, portanto, todos os idosos não são iguais, nem mesmo quanto ao sexo. A importância e o interesse pelo sexo na velhice são considerados como um reflexo de toda uma vida, de toda a história do indivíduo. Alguns idosos podem nunca terem se interessado pelo sexo, nem mesmo quando eram jovens, enquanto outros podem ter vivido muitos conflitos em relacionamentos difíceis. Assim, para uma parte desses, a interrupção da atividade sexual sob a alegação socialmente aceita de ter entrado em uma idade assexuada pode ser considerada como uma fonte de alívio. Em compensação, existe quem goste do sexo, e frequente sex shops, buscando a realização de várias fantasias e utilize estímulos sexuais, visando ao aumento da satisfação sexual, conjugal e do bem- estar do casal. Em qualquer uma das situações, os idosos estão praticando a sua liberdade de escolha, em um processo complexo de decisão no qual estão envolvidos as crenças e os valores com relação ao amor erótico, aspectos da personalidade e ao momento do ciclo de vida e do ciclo vital familiar que estão vivendo. Na velhice existem alguns elementos que colaboram para a redução do interesse e da frequência de atividade sexual, entre eles: • Falta de um parceiro. • Estereótipos relacionados com a idade. • Crenças sobre a presença de impotência em homens mais velhos. • Falta de atratividade sexual nas mulheres mais velhas. • Monotonia na rotina sexual. • Efeitos colaterais de remédios e das doenças crônicas. • Problemas de saúde. • Falta de desejo das mulheres. • Disfunção sexual nos homens. • Demora para buscar ajuda profissional. 64 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 O envelhecimento normal provoca um declínio na intensidade, frequência e na qualidade da resposta sexual, mas por outro lado, uma boa comunicação e um relacionamento satisfatório com o cônjuge vão ser capazes de definirem o significado do sexo para o casal, tendo reflexos muito positivos na satisfação conjugal. Existem mulheres que vivem com parceiros que possuem hábitos muito promíscuos, e desconhecem ou desconsideram os riscos que correm, e existe um pensamento errado que idosos são imunes ao HIV e às DST e, assim, não se preocupam com as formas de autoproteção. O não reconhecimento que existe uma grande quantidade de indivíduos idosos em condições de risco acaba colaborando para a elevação do número de casos de AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis. É preciso a prestação das informações e o oferecimento de serviços sociais e de saúde para todos esses indivíduos (FREITAS; PY, 2017). Namoro e novo casamento na velhice Com o passar dos anos, as oportunidades para o estabelecimento de novas relações amorosas tendem a reduzir, principalmente em função da aposentadoria, morte de amigos e entes queridos, dificultando a manutenção e a ampliação da rede de contatos sociais. Você Sabia? Embora exista no Brasil o reconhecimento legal e judicial dos direitos aos indivíduos com diferentes orientações sexuais, a comunidade idosa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) ainda tem pouca visibilidade para os profissionais da saúde. 65 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Para reduzir a solidão, isolamento, e estabelecer nova parceriase ganhar novos conhecimentos, muitos idosos vão participar de grupos de convivência, Universidades Abertas da Terceira Idade (UnATIs), entre outros grupos (FREITAS; PY, 2017). Com certeza nos dias atuais existem mais relacionamentos casuais e namoro entre os idosos do que nas gerações passadas. A utilização da internet tem sido considerada como uma das formas mais comuns para adultos de todas as idades poderem encontrar e estabelecer uma relação romântica. As teorias evolucionistas mostram que os papéis de gênero têm apresentado alterações na forma que os homens e as mulheres escolhem o seu parceiro. As mulheres escolhem os seus parceiros com status mais elevado, ao passo que os homens escolhem as parceiras que são consideradas mais atraentes, sinalizando fertilidade e uma maior capacidade reprodutiva. Os jovens adultos, de meia-idade e idosos que utilizam os sites de namoro on-line utilizam principalmente as seguintes palavras nos seus perfis: afeto, afiliação, amor e companheirismo. Com relação as diferenças de gênero quanto às motivações para a escolha do parceiro, tanto os homens mais velhos como os mais jovens estão mais interessados na atração FIGURA 15 Namoro na velhice FONTE Pixabay 66 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 física e na sexualidade, já as mulheres mais jovens e as mais velhas buscam conteúdos mais focados para a sexualidade, família, amigos, saúde e as emoções positivas. Os homens mais velhos são mais propensos a mencionar o dinheiro em seus perfis do que os mais jovens. Isso pode ter ocorrido porque as mulheres mais velhas preocupavam-se com a renda dos parceiros para namorar, não querendo entrar em um relacionamento que exista uma dificuldade financeira ou que corra o risco de perder a sua independência financeira. Tanto os homens como as mulheres idosas mencionam mais a saúde do que os mais jovens. Ter um corpo saudável e funcional é considerado como algo muito importante para a identidade dos indivíduos. As pesquisas referentes a formação de relacionamentos românticos na velhice, normalmente mostram o desejo e as razões para namorar ou evitar as relações íntimas, além do significado do namoro e o impacto dessa relação na saúde e no bem-estar. Os homens após uma separação vão procurar mais rapidamente as mulheres, novos relacionamentos amorosos como fontes de apoio emocional e instrumental. A utilização dos sites de namoro on-line é considerada como uma oportunidade para expandirem suas opções e acelerarem o namoro. As viúvas tendem a adiar a procura por novos companheiros em decorrência das obrigações familiares com o cuidado dos filhos ou dos próprios pais idosos. Importante As idosas acabam valorizando muito a saúde do companheiro, visto que são relutantes em assumir o papel de cuidadoras, enquanto os homens mais velhos descrevem a saúde como uma maneira de potencializar o interesse de um par romântico. 67 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Os principais motivos das viúvas idosas para não firmar um novo relacionamento amoroso são os seguintes: • Medo do sofrimento. • Medo de perder a liberdade ao viver com outro indivíduo. • Não ter feito o luto em função da perda do marido. • Convicção de que só pode existir um único homem para amar por toda a vida. • Convicção de que os filhos não aceitariam um namoro. • Em função de estarem muito tempo sozinhas, acreditam que é muito difícil se relacionar com outro indivíduo. • Se considerarem muito seletivas, acreditam que não vão encontrar um outro homem com as mesmas qualidades que o cônjuge falecido. • Convicção de que estão velhas para se envolver com um novo parceiro. • Não estão preparadas para abandonar ou reavaliar hábitos adquiridos ao longo da viuvez. • Preocupação com o que os outros podem pensar ou falar. • Desejo do autoconhecimento e, por isso, acreditavam ser preciso ficarem sozinhas. Separações ou divórcios na velhice As separações ou divórcios na velhice acabam causando surpresa e são um grande choque para toda a família, em função da ruptura de um vínculo e de uma relação que todos acreditavam que fosse feliz por toda a vida (FREITAS; PY, 2017). FIGURA 16 Separação na velhice FONTE Pixabay 68 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Dependendo da estrutura e da dinâmica do relacionamento, essa ruptura é considerada benéfica para o casal e para todos os membros da família. Até mesmo as separações desejadas, em função de vários anos de insatisfação e do sofrimento, vão despertar vários sentimentos, entre eles: a perda, a solidão, o vazio e a tristeza. Portanto, o processo posterior ao divórcio envolve vários tipos de ajustes, que por sua vez envolve toda a família, além dos amigos e a sociedade em geral. Quando esse processo não é resolvido de forma satisfatória, podem existir conflitos de várias formas, levando a questões judiciais e precisando de um auxílio profissional com terapeutas de família. Recasamento O recasamento exige vários ajustes, envolvendo a família de origem, nova família, amigos, vizinhos e a comunidade em geral, sendo observado um aumento na complexidade das relações estabelecidas, visto que o envolvimento de duas, três, quatro ou mais famílias, além da inclusão ou exclusão dos parentes mais ou menos próximos, originados de casamentos anteriores. FIGURA 17 Recasamento entre os idosos. FONTE Pixabay 69 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Os dados existentes sobre o recasamento na velhice indicam que os idosos recasados tem uma melhor saúde e bem-estar do que os viúvos, divorciados ou solteiros. O recasamento é o responsável por mudanças na autoestima e na percepção de aceitação e de apoio social, mas pode em muitos casos dificultar as relações com os filhos e os netos por terem assumido um novo casamento. Idosos viúvos ou divorciados tendem a diminuir as oportunidades de interação com filhos adultos e os netos de um casamento anterior. Em vários casos é difícil para os filhos e netos conviverem com o namoro ou o recasamento de seus pais ou avós, em decorrência de motivos financeiros e sociais, ou por motivos afetivos. As dificuldades vivenciadas pelos membros das famílias recasadas podem ser devido ao fato da sociedade em geral e as próprias famílias recasadas utilizarem a família nuclear intacta como um modelo de família a ser seguido ou atingido. Podem existir entre os membros sentimentos como ciúmes, culpa e raiva, decorrentes dos conflitos existentes. Um dos principais conflitos do cônjuge recasado é a existência de um sentimento de divisão entre seu novo par e seus filhos e netos, e o sentimento de divisão entre seus filhos/netos biológicos e os seus enteados. O conflito interno dos pais idosos entre o amor pelos próprios filhos e netos e o amor pelo novo cônjuge é considerado como a maior fonte de tensão em grande parte das famílias recasadas. 70 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Resumindo E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido nesse capítulo todas as informações sobre o relacionamento conjugal, conflitos e a insatisfação conjugal. Outro assunto fundamental abordado foi a resiliência conjugal e a correlação entre a satisfação conjugal, amor e beleza. Também foi abordado a sexualidade, namoro e o novo casamento na velhice. E por último, foi abordado em detalhes todas as informações referentes as separações ou divórcios na velhice e o recasamento. 71 Humanização e Cuidados Com o Idoso Referências FREITAS, E. V.; PY, L. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MENEZES, M. R. et al. Enfermagem gerontológicaum olhar diferenciado no cuidado biopsicossocial e cultural. São Paulo: Martinari, 2016. VIEIRA, J. C. M. et al. Clínica Médica Geriatria. São Paulo: Medcel, 2018. 72 Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Utilização dos aspectos psicológicos Bem-estar subjetivo no idoso Bem-estar eudaimônico Avaliações relacionadas com a satisfação Estudos genético-comportamentais Neuroticismo Pesquisa gerontológica Estratégias relacionadas com os processos antecedentes e consequentes Teoria de integração de forças e vulnerabilidades Humanização e acolhimento do idoso Significado da humanização Humanização na enfermagem Cuidado humanizado no idoso Dificuldades no cuidado humanizado no idoso Prevenção de quedas no idoso Ocorrências de quedas no idoso Fatores de risco para as quedas Fatores de risco intrínsecos Fatores de risco extrínsecos Estratificação do risco de quedas para os idosos Substâncias que elevam o risco de quedas Avaliação das quedas nos idosos Causas de quedas nos idosos Exame clínico no idoso Prevenção de quedas Testes funcionais Intervenção nos fatores de risco Déficit sensorial Medicamentos Ambiente Fraqueza de membros inferiores Equilíbrio e marcha Hipotensão postural Tontura ou vertigem Marcha patológica Fatores de risco modificáveis Intervenções de acordo com o risco Complicações decorrentes de quedas Morte Lesões Medo das quedas Redução de atividades e permanência no mesmo decúbito durante muito tempo Educação e Sexualidade na terceira idade Relacionamento conjugal Satisfação conjugal Conflitos e a insatisfação conjugal Resiliência conjugal Sexualidade Namoro e novo casamento na velhice Separações ou divórcios na velhice Recasamento Referênciasà experiência passada. Os autores que utilizam o termo “satisfação” acreditam que o termo “felicidade” está relacionado com um conteúdo hedônico, isto é, mais ligado à experiência emocional do que à avaliação cognitiva (FREITAS; PY, 2017). Os afetos positivos são referidos como sentimentos que representam um nível de engajamento prazeroso com o ambiente externo ou interno, e normalmente são descritos como felicidade, alegria, excitação, entusiasmo e contentamento. Já os afetos negativos estão relacionados com o envolvimento não prazeroso com o ambiente interno ou externo, e estão relacionados com os estados de desprazer, tristeza, raiva ou medo. Importante Ambos podem variar quanto a intensidade, passando por uma escala que vai desde pequenas alterações diárias no humor até níveis de alto sofrimento emocional, que são mais comuns nos transtornos mentais. 12 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Existe um importante marco teórico para o estudo do envelhecimento chamado de Life-Span, em que foi alterada a concepção de que o idoso era um indivíduo passivo e doente, existindo então a possibilidade para um desenvolvimento significativo durante todo o curso da sua vida (FREITAS; PY, 2017). Por meio do cenário Life-Span existem explicações para esta teoria sobre o bem-estar subjetivo na velhice, sendo elas: • A conservação do bem-estar subjetivo está relacionada com a influência da personalidade, tendendo a ser estável durante toda a vida. • Na velhice, as emoções são consideradas como fenômenos muito complexos que fazem a interação com processos cognitivos. • Os idosos utilizam de estratégias acomodativas, ou seja, estão envolvidas com as mudanças dos próprios comportamentos para conseguirem lidar melhor com todos os desafios para que possam compensar todas as perdas e lidarem com todos os eventos estressantes. • Entre as estratégias acomodativas, existe a chamada comparação social “para baixo”, que utiliza uma forma de avaliação por meio das características ou dos desempenhos que um indivíduo que assume uma posição inferior frente ao avaliador. • Em decorrência de um melhor cenário futuro, os idosos ficam mais competentes e motivados a regularem as suas emoções, maximizando as positivas e minimizando as negativas. O objetivo nesse caso é a preservação do bem-estar subjetivo, enquanto os idosos que discordam apresentam os seguintes argumentos: • Os ganhos eventuais com o bem-estar subjetivo na velhice não englobam todas as dimensões. • Os caminhos trilhados para o bem-estar subjetivo durante a vida são diferentes entre os homens e as mulheres, ou seja, existem várias possibilidades de participação quanto ao bem-estar subjetivo sobre o bem-estar global. • O antagonismo quanto ao bem-estar subjetivo é manifestado só nos países desenvolvidos. • Os ganhos em bem-estar subjetivo estão limitados apenas na velhice inicial. 13 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 • A elevação do bem-estar subjetivo pode ser decorrente de um artefato metodológico, em função da utilização de apenas um item para avaliar a satisfação com a vida. • O bem-estar subjetivo é considerado como um reflexo dos resultados dos episódios ao longo da vida, do que propriamente o envelhecimento. • O bem-estar subjetivo na velhice avançada pode ser resultante de mortalidade seletiva. • Os esclarecimentos pautados nos antagonismos do bem-estar são uma supersimplificação de um fenômeno considerado bem mais complexo do que se aparenta (FREITAS; PY, 2017). Posterior às reduções no bem-estar em decorrência da presença de estressores internos e externos, existe a possibilidade da volta para os níveis basais de bem-estar subjetivo, nos casos em que o idoso possui reservas pessoais e sociais suficientes para a sua recuperação, não existindo, portanto, ganhos, mas sim apenas a sua recuperação. A dominância dos afetos positivos ou negativos, as flutuações diárias e as alterações ao longo do curso de vida estão relacionadas com os mecanismos genéticos e a personalidade de cada indivíduo. Estudos genético-comportamentais Os estudos genético-comportamentais indicam que os genes específicos ou combinações de genes influenciam diretamente no tônus emocional positivo ou hedônico, na reatividade emocional e na intensidade da resposta emocional (FREITAS; PY, 2017). Importante O bem-estar subjetivo é capaz de se manter estável até mesmo na velhice avançada, a não ser que exista a presença de doenças consideradas graves, comorbidades, dor crônica, depressão e incapacidade. 14 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Os genes respondem por volta de 40 a 50% das variações dos níveis estáveis de afeto negativo, intensidade da resposta ao estresse, satisfação com a vida e os outros aspectos do bem-estar global, e por mais de 80% da variância dos níveis de afetos positivos (FREITAS; PY, 2017). Em decorrência da visão genético-comportamental, a propensão para alcançar a felicidade ou ser feliz é quase tão imutável quanto a cor dos olhos ou a altura de um indivíduo. Isso representa à concepção de que os indivíduos mais felizes são os que têm uma maior tendência a verem o mundo sob uma ótica positiva e a interpretar os eventos negativos de forma a aceitá-los ou a mudar a sua interpretação. As pesquisas com gêmeos mostram que metade das variações das medidas são devido aos genes compartilhados. Uma parte bem pequena das variações é devido a distribuição das experiências emocionais iniciais que ocorrem no seio da família (FREITAS; PY, 2017). Entretanto, existem pesquisas com gêmeos idênticos criados em ambientes diferentes manifestando que as emoções negativas são as mais determinadas pelos genes, enquanto as positivas são as mais influenciadas pelo ambiente. FIGURA 2 Estudos genéticos FONTE Pixabay 15 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Neuroticismo O neuroticismo corresponde a uma sensação de frustação decorrente das contradições do que não fomos e a imagem criada por aquilo que acreditamos que deveríamos ter sido. Essa sensação na vida adulta inicialmente é um preditor de níveis piores de saúde física e do bem-estar subjetivo na velhice. Para as mulheres, o neuroticismo na vida adulta inicial é considerado como um preditor de um maior risco na mortalidade, já para os homens, o traço neuroticista é preditor de uma redução do risco de mortalidade. Para ambos os gêneros, a existência de extroversão na vida adulta é considerada como um preditor de uma competência social na velhice, para os homens. Existem dois tipos de interpretações referentes as relações entre o bem-estar subjetivo e os traços de personalidade, sendo elas: • Instrumental. • Baseada no temperamento (FREITAS; PY, 2017). FIGURA 3 Sensação de frustação decorrente das contradições vividas FONTE Pixabay 16 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Na primeira, os traços da personalidade afetam de forma indireta o bem-estar subjetivo, uma vez que intercedem a experiência dos indivíduos com os episódios de vida e as suas escolhas, portanto, os otimistas sempre acreditam que as coisas vão dar certo e lutam para que isso ocorra ou para alcançarem os seus objetivos. Em decorrência desse esforço, a probabilidade de eventos de bons resultados se eleva, e esses resultados vão originar os sentimentos de felicidade. Em compensação, os pessimistas consideram que tudo sempre vai dar errado, não se esforçando, ou então se esforçando na direção errada, ficando irritados e ansiosos, reduzindo a possibilidade de serem bem- sucedidos. Em decorrências das vivências negativas vai ocorrer a frustração, hostilidade e outros sentimentos considerados como negativos, que estabelecem o baixo bem-estar subjetivo. Os idososque convivem com mais eventos positivos do que negativos são mais propensos a interpretarem a vida de uma forma mais positiva por meio de uma reação mais intensa e duradoura aos eventos positivos. Importante A recordação de um evento positivo estimula sempre a memória para outros eventos positivos, fazendo com que os idosos fiquem mais felizes e prefiram ser mais alegres do que os que tem mais lembranças de acontecimentos negativos. Quanto a influência do temperamento, existe uma ligação direta com a personalidade e os afetos, ligação de natureza motivacional, que pode ser esclarecida por meio dos seguintes sistemas: • Ativação comportamental – responsável pela regulação das reações a sinais de recompensa condicionada e de não punição. 17 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 • Inibição comportamental – responsável pela regulação das reações à punição condicionada e à não recompensa. • Luta e fuga – responsável pela regulação dos sinais de punição incondicionada e de não recompensa. Os indivíduos extrovertidos são mais sensíveis aos sinais de recompensa do que os introvertidos e, quando expostos aos estímulos positivos, apresentam uma elevação nas emoções positivas. Já os indivíduos com altas pontuações em neuroticismo possuem uma maior sensibilidade aos sinais de punição e apresentam mais afetos negativos quando expostos aos estímulos negativos. Os traços de personalidade induzem os indivíduos a responderem aos vários eventos e circunstâncias de uma forma positiva ou negativa. As diferenças individuais na personalidade e na satisfação surgem precocemente, são estáveis durante o curso de vida e têm um forte componente genético. Os acontecimentos cotidianos influenciam significativamente as emoções momentâneas, já os traços influenciam os níveis de afeto a longo prazo. Já a longo prazo os níveis emocionais são mais dependentes da hereditariedade do que da satisfação com a vida, que se baseia em julgamentos cognitivos situacionais. Esses são mais influenciados pelas informações e pelos padrões avaliativos relevantes no momento de sua ocorrência. O estresse, a depressão e a ansiedade são medidas afetivas proximais, visto que refletem a qualidade e a intensidade das experiências com relação a adaptação frente aos desafios da vida ou dos estressores. A satisfação com a vida pode ser permanente durante todas as idades e também na velhice, porém a estabilidade pode ficar comprometida em decorrência da existência de acontecimentos estressantes internos e externos; apesar disso, ao finalizar essa situação, a satisfação pode retornar aos níveis basais. 18 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Os idosos têm uma tendência para terem melhores avaliações de satisfação do que os indivíduos mais jovens, isso pode ser decorrente dos efeitos moderadores da capacidade de se adaptar as aspirações e metas frente aos recursos disponíveis, e à sua resistência elevada devido as frustrações. Os indivíduos que tem a satisfação com o seu próprio envelhecimento, vão se sentir mais jovens, e por isso, vão apresentar uma menor diminuição da sua satisfação com a progressão da idade estando diretamente relacionada com um menor risco para a mortalidade. Esses efeitos são vigorosos ao estarem relacionados com as variáveis: idade, gênero, status socioeconômico, diagnóstico de demência e número de doenças crônicas. Conforme os indivíduos estão mais próximos da morte, vão ficando menos satisfeitos com a própria velhice, e informam que estão se sentindo bem mais velhos. Na velhice vai existir uma adaptação estando relacionada com o equilíbrio entre os afetos positivos e negativos, a escolha dos alvos positivos para investimento afetivo e cognitivo, diminuição da intensidade e da variabilidade de experiências emocionais positivas e negativas, a melhor capacidade de vivenciar experiências emocionais mais complexas, compreensão das próprias emoções e as emoções alheias, e a seleção dos parceiros sociais que oferecem conforto emocional. A dor crônica é considerada como um importante estressor responsável pela diminuição da capacidade de processamento da informação, intensificando os afetos negativos e reduzindo os positivos. Você Sabia? As emoções positivas e negativas são menos estáveis, visto que estão sujeitas à influência de vários fatores contextuais e de natureza fisiológica. 19 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 A dor, a depressão e a incapacidade são determinantes da diminuição da satisfação com a vida e com a saúde, como também a redução da motivação para o autocuidado, para a atividade e para a participação social. Os idosos otimistas e bem-humorados têm menos riscos para as doenças cardiovasculares, e taxas mais altas de sobrevivência após as cirurgias cardíacas. A dominação dos afetos positivos está relacionada com a maior capacidade para mobilizar recursos psicológicos para enfrentar todas as emoções negativas, redução da intensidade das respostas fisiológicas automáticas relacionadas com os afetos negativos e a confrontação mais eficaz de eventos estressantes. As positivas e a capacidade para o reconhecimento das próprias emoções são preditores de uma maior capacidade para a solução dos problemas em situações estressantes, na doença o que acaba auxiliando na confrontação e na proteção das emoções positivas para o futuro. As emoções negativas como a hostilidade, a raiva e a ansiedade afetam de forma negativa do bem-estar subjetivo através das respostas fisiológicas e comportamentais ao estresse. FIGURA 4 Dor crônica nos idosos FONTE Freepik 20 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Os efeitos da hostilidade, da agressividade e da ansiedade incluem: potencialização das respostas cardiovasculares e neuroendócrinas a eventos estressantes; risco aumentado para as doenças cardiovasculares e para acidentes vasculares cerebrais; super-reatividade a estressores e morte súbita por motivos cardíacos; hipertensão e taxas altas de colesterol de baixa densidade (LDL) e de triglicerídeos; potencialização das respostas fisiológicas mediadas pelo sistema simpático e enfraquecimento daquelas mediadas pelo sistema parassimpático; supressão da função imune; maior exposição a conflitos interpessoais e à escassez de ajuda; e ambientes menos apoiadores e menos favoráveis ao funcionamento. Pesquisa gerontológica A pesquisa gerontológica têm buscado explicações para este paradoxo do bem-estar subjetivo na velhice, pautados na exploração da dinâmica das emoções, manifestação conjunta de emoções positivas e negativas (ou complexidade emocional) e da centralidade dos processos de regulação emocional na velhice (FREITAS; PY, 2017). Este modelo dinâmico dos afetos considera que os afetos positivos têm o potencial de reduzir os efeitos dos afetos negativos sobre a saúde física, nesse modelo os afetos positivos têm um papel fundamental na preservação do bem-estar diante dos estressores, visto que reduzem os afetos negativos. O modelo confirma que a capacidade para manter os afetos positivos frente aos estressores favorece a saúde física. Os dados indicam que quanto maior for a perda dos afetos positivos em decorrência dos estressores diários, maior será o risco para a mortalidade. A complexidade emocional é preditora dos níveis mais altos de saúde e de melhores estratégias para o enfrentamento ao estresse. As maiores frequências de emoções mistas estão associadas com uma melhor saúde física, e também com uma elevação da complexidade emocional durante os anos em que reduziu os declínios típicos relacionados com o aumento da idade. 21 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Apesar de existir uma tendência geral dos idosos serem mais bem- sucedidos do queos jovens quanto a regulação das emoções, pode ser observado uma grande heterogeneidade quanto as trajetórias do envelhecimento emocional. Existem diversas estratégias para a regulação emocional com diferentes consequências sobre a adaptação. Os benefícios com a experiência e o aumento na motivação para regular as emoções proporcionam maiores vantagens aos idosos, que costumam privilegiar as estratégias que estão envolvidas com menores custos levando a consequências mais positivas. Estratégias relacionadas com os processos antecedentes e consequentes Existem duas estratégias relacionadas com os processos antecedentes e consequentes à experiência emocional, são elas: • Reavaliação cognitiva. • Supressão da expressão emocional (FREITAS; PY, 2017). A reavaliação cognitiva corresponde a um tipo de mudança cognitiva que compreende a reinterpretação da situação emocional, de forma a modificar o seu impacto emocional. Já a supressão da expressão emocional está relacionada com a modulação da resposta emocional inibindo a expressão emocional, apesar da supressão inibir os comportamentos, esse não diminui a intensidade da experiência das emoções. Você Sabia? Os processos de regulação emocional são associados as medidas de saúde e a longevidade, por meio de uma atuação direta ou indireta, via medidas de bem-estar subjetivo. 22 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 As estratégias de reavaliação estão relacionadas com a eficiência para a redução do desprazer, maior experiência e expressão de emoções positivas, satisfação com a vida e menos sintomas depressivos. As estratégias de supressão estão envolvidas com uma elevação da atividade simpática, comprometimento da memória para informações sociais e ansiedade, depressão e senso de inautenticidade. Os idosos que possuem menos estratégias para supressão vão ter escores mais altos de bem-estar subjetivo. Enquanto as mulheres idosas utilizam menos estratégias de supressão do que as mulheres jovens, mas utilizam mais estratégias de reavaliação do que essas últimas. As indicações quanto a elevação da competência e da motivação para regular as emoções na velhice estão somadas à compreensão dos processos fisiológicos relacionados na experiência das emoções na velhice, criando modelos relacionados com as forças e fraquezas que integram o cenário do envelhecimento emocional. Teoria de integração de forças e vulnerabilidades A teoria de integração de forças e vulnerabilidades leva em consideração as situações emocionais prolongadas e de alta intensidade provocando grandes dificuldades nas respostas aos estressores, estando inclusos uma maior desregulação do sistema imune, gerando elevações duradouras na pressão arterial e a redução da capacidade para a regulação para baixo o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal – eixo HPA (FREITAS; PY, 2017). Reflita As estratégias para a reavaliação positiva são muito importantes para os idosos, visto que tanto a frequência de uso quanto os efeitos benéficos do uso vão estar elevados com a idade 23 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Todos os processos provocam alterações no sistema fisiológico, levando em consideração as forças e fraquezas dos idosos diante às demandas de regulação emocional, a teoria afirma que as competências e a motivação para a regulação das emoções fazem com que os idosos sejam menos reativos aos estressores; porém, quando ativados têm uma maior dificuldade para a recuperação dos efeitos das experiências estressantes. Existem eventos de alta intensidade que exibem as fragilidades do envelhecimento biológico, entre eles: • Menor flexibilidade cardiovascular. • Aumento dos efeitos do cortisol. • Dificuldades para retornar a homeostase (FREITAS; PY, 2017). Todas essas alterações vão levar a danos no bem-estar físico e influenciar o comportamento. A regulação emocional pode contrabalançar todas as vulnerabilidades, atuando como um fator protetor e de ajustes. Na atualidade, a teoria do bem-estar subjetivo tem um lugar muito importante para explicar o processo de envelhecimento (FREITAS; PY, 2017). A satisfação do componente cognitivo é muito discutida nos estudos psicológicos, sociológicos e epidemiológicos, através da utilização de instrumentos de natureza unidimensional e multidimensional, como um indicador da qualidade vida ou da velhice bem-sucedida, ora como variável dependente de estudos envolvendo variáveis socioeconômicas e condições de saúde física e mental. 24 Humanização e Cuidados Com o Idoso Aspectos psicossociais nos cuidados com o idoso Capitulo 1 Resumindo E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido nesse capítulo de forma detalhada sobre o bem-estar subjetivo no idoso e as avaliações relacionadas com a satisfação. Outro assunto fundamental abordado foi o bem-estar eudaimônico. E por último, foi abordado em detalhes todas as informações referentes ao neuroticismo 25 @faculdadelibano_ 2 Humanização e acolhimento do idoso 26 Humanização e Cuidados Com o Idoso Capitulo 2 Humanização e acolhimento do idoso Significado da humanização A humanização corresponde ao ato de se tornar mais humano, e esse processo é compreendido por várias áreas da sociedade. É um procedimento que está relacionado com o desenvolvimento e a evolução do cuidado, tendo como base a melhoria das capacidades e aptidões por meio da relação com o ambiente onde está envolvido (MENEZES et al., 2016). Objetivos Ao final deste capítulo, você vai compreender a humanização e acolhimento do idoso para que você, enfermeiro, saiba como pode atuar no cuidado ao idoso de forma humanizada. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! FIGURA 5 Humanização em saúde FONTE Pixabay 27 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 Humanização na enfermagem A humanização na enfermagem já existe desde o tempo de Florence Nightingale (1820- 1910), visto que ela acreditava que o atendimento teria que ser diferente do atendimento realizado pela medicina naquela época (MENEZES et al., 2016). Ela fez uma importante formulação que deu base para o que a enfermagem deveria estar fundamentada, ou seja, no cuidado dos indivíduos e não em suas doenças, além de que a enfermagem deveria também estar focada nos aspectos socioeconômicos, culturais e religiosos, que esse indivíduo está colocado, devendo ser respeitado de forma integral, isto é, humanizar a prática de saúde. A humanização de um atendimento é a maneira que favorece que os enfermeiros tenham condições para respeitarem os idosos, por intermédio da existência de uma visão holística, com respeito a integralidade do indivíduo e tratando o mesmo tanto de forma integral como também de forma individual, por meio da procura da prevenção ou na promoção da saúde (MENEZES et al., 2016). Esse método propõe a utilização do conhecimento e do aprimoramento das práticas diárias do cuidado prestado ao paciente com o auxílio da equipe de enfermagem. FIGURA 6 Florence Nightingale FONTE Wikipedia 28 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 A humanização tem como base a efetivação da teoria das Necessidades Humanas Básicas (NHB), sendo composta por meio do atendimento avaliativo do paciente como um todo, sendo considerado como fundamental para o idoso (MENEZES et al., 2016). Ao ser garantida a manutenção dos três níveis de necessidades, o atendimento é considerado como um atendimento humanizado, e os três níveis existentes são os seguintes: • Nível Psicológico – corresponde a nutrição, sono e repouso, integridade física e sexualidade. • Nível Psicossocial – corresponde a segurança, amor, lazer e aceitação. • NívelPsicoespiritual – corresponde a necessidade religiosa ou teológica, ética ou a filosofia de vida (MENEZES et al., 2016). O processo de envelhecimento corresponde a um fenômeno natural que está presente em todos os seres humanos, a partir do nascimento, de forma progressiva, sendo que de acordo com o estilo de vida esse processo pode ser muito acelerado. Ao longo de todo esse processo, o indivíduo vai ser submetido a várias modificações biológicas, psicológicas e sociais, não devendo ser considerado como uma doença (MENEZES et al., 2016). Cuidado humanizado no idoso O cuidado humanizado é considerado como um eixo norteador para a promoção da assistência holística a pessoa idosa, portanto, a enfermagem tem um papel fundamental em todo esse processo. Para esse tipo de atendimento ao idoso é necessário o emprego de recursos e instrumentos como forma de auxílio, e a comunicação é a ferramenta fundamental para a humanização. O ato de cuidar no idoso está envolvido diretamente com a prestação dos cuidados de saúde aos idosos por todos os indivíduos envolvidos nesse processo, tanto os enfermeiros como os idosos. 29 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 Todo esse processo de prestação dos cuidados é um sistema complexo caracterizado por inúmeras modificações com relação às necessidades físicas e sentimentais envolvendo a família do idoso, por isso, é fundamental a realização de uma avaliação complexa das necessidades humanas básicas do idoso. Para a concretização do atendimento humanizado do idoso é necessário a existência de um atendimento prioritário, devendo existir o respeito a sua autonomia e independência. O idoso possui o direito de um atendimento especial, sendo uma forma de prevenção e promoção da saúde dele ainda na atenção básica, fazendo uso de um tratamento considerado como adequado para ele, cuidador e familiares, garantindo a humanização da assistência. A humanização deve estar presente nos seguintes locais: • Unidades de atenção básica. • Unidades de permanência. • Hospitais públicos. • Hospitais privados. Não podendo existir em nenhum local distinções ou ausência de cuidados adequados para todos os idosos (MENEZES et al., 2016). FIGURA 7 Atenção especializada realizada pelo enfermeiro FONTE Pixabay 30 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 Nesse caso, é observado a existência de uma condição de passividade e impotência, e normalmente são comunicados sobre o tratamento. Diante disso, a humanização pode ser a responsável pela mudança na realidade vivida pelos idosos. Ao longo do período de hospitalização, os enfermeiros devem estar focados no processo de recuperação do idoso, ajudando na construção de um ambiente apropriado, garantindo a percepção de um relacionamento com esse mundo e não de isolamento. O idoso necessita de uma atenção especial, sendo preciso um cuidado individualizado por meio da presença de uma maior sensibilidade, devendo ser sempre levado em consideração os seguintes itens: • Peculiaridades. • Modificações orgânicas normais. • Modificações psicológicas. • Modificações sociais. Deve ficar claro que cada idoso tem a compreensão da sua condição de uma forma diferente, visto que cada idoso reage de forma individual ao sofrimento. Portanto, é necessário que o enfermeiro tenha a capacidade para fazer as intervenções necessárias nos momentos das crises em cada um dos idosos (MENEZES et al., 2016). Importante A humanização dos idosos é fundamental, visto que a hospitalização ocasiona uma grande alteração no cotidiano, existindo grandes modificações nas condições rotineiras referentes a sua habitação para um ambiente considerado estranho e muitas vezes ameaçador, onde existe, por exemplo, a perda das suas roupas. 31 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 O cuidado humanizado não pode ser considerado como uma técnica ou uma armadilha, mas sim uma forma de vivência que deve estar presente em todas as atividades dos enfermeiros, com o objetivo de ofertar e executar o melhor tratamento para os idosos. Esse tratamento deve ser pautado na compreensão e na valorização do idoso da melhor maneira possível, devendo envolver o cuidado ao paciente, como também o de todos os indivíduos que estão relacionados com o processo saúde-doença, entre eles: • Família. • Equipe multidisciplinar. • Ambiente onde o idoso vive. É necessário, no caso do idoso, a existência de um preparo técnico e acolhimento de forma humanizada para o cuidado integral a esse idoso, devendo sempre existir uma cumplicidade entre os participantes do processo, proporcionando com isso uma melhor qualidade na assistência. Uma forma de humanizar o atendimento ao idoso é chamá- lo pelo seu nome, quando existe a preocupação em explicar todos os procedimentos que os idosos serão submetidos, deixar claro todas as finalidades e objetivos do tratamento proposto, abrindo espaço para que o idoso possa expressar todas as suas reivindicações e queixas. Todas essas ações são consideradas como atos que fazem parte da prática da humanização. Dificuldades no cuidado humanizado no idoso Importante O envolvimento com a humanização no ambiente hospitalar não pode ser considerado um ato passivo, dado que é necessário um processo de forma permanente e gradual pautado em ações e inserções na realidade, por intermédio de um esforço dinâmico e participativo. 32 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 Geralmente a dificuldade na humanização no cuidado com idoso está relacionada com o excesso da demanda, decorrente dos problemas que poderiam ter sido resolvidos durante o primeiro atendimento. Outra possibilidade é devido a existência de uma enorme variedade de técnicas e tecnologias. Como também pode ser decorrente da ausência de condições técnicas, capacitação, materiais, gerência, formas de acolhimento. Os serviços podem não ser humanizados em decorrência da existência de um atendimento com pouca qualidade, e consequentemente, uma pequena resolubilidade. A harmonia ou a homeostase do corpo humano pode ser alterada por vários fatores. Quando um idoso procura um atendimento de saúde, por meio de uma unidade básica ou um hospital de grande complexidade, e é mal atendido desde o momento do acolhimento até o período de alta hospitalar, esse idoso provavelmente vai sair da unidade com o seu nível psicológico bastante alterado, inclusive podendo estar com medo do enfermeiro que o está atendendo, por isso, é fundamental a humanização da saúde. Logo, a humanização com base nas teorias de Necessidades Humanas Básicas (NHB), possibilita vários ganhos por intermédio da observação, interação e a intervenção do profissional com o paciente idoso. Por esse olhar humanizado do enfermeiro será possível, por exemplo: Importante Mediante a existência de um equilíbrio entre todos os níveis de necessidades, o idoso terá uma melhor saúde, visto que o seu organismo está em harmonia com o ambiente e o tempo. 33 Humanização e Cuidados Com o Idoso Humanização e acolhimento do idoso Capitulo 2 • Apontar os níveis de tensões conscientes e inconscientes decorrentes dos desequilíbrios hemodinâmicos dos fenômenos vitais. • Modificações que prejudicam o equilíbrio homeostático, alterando os sistemas fisiológicos, sociais e espirituais, podendo ser percebida pelo profissional ou verbalizada pelo paciente (MENEZES et al., 2016). Resumindo E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido nesse capítulo todas as informações referentes aos significados da humanização, humanização na enfermagem e o cuidado humanizado no idoso. 34 @faculdadelibano_ 3 Prevenção de quedas no idoso 35 Humanização e Cuidados Com o Idoso Capitulo 3 Prevençãode quedas no idoso Ocorrências de quedas no idoso A queda é um episódio muito comum no idoso, podendo provocar uma lesão grave que acaba na grande maioria dos casos acarretando altos custos para o idoso, a família e o Estado, tanto com relação a morbidade, funcionalidade e independência (VIEIRA et al., 2018). No passado, os indivíduos acreditavam que as quedas nos idosos era uma situação que não podia ser evitada, porém, nos dias atuais já se sabe que as quedas podem sim ser evitáveis. A queda está relacionada com uma série de interações entre o ambiente, morbidades e sistema sensorial, provocando grandes alterações nos sistemas vestibular, proprioceptivo e motor. Objetivos Ao final deste capítulo, você vai identificar as formas de prevenção de quedas no idoso. Isso é fundamental para que você, enfermeiro, saiba o que fazer para poder evitar todo tipo de quedas nos idosos. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! 36 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Para uma boa manutenção da postura e do equilíbrio é necessária a presença de dois fatores, sendo eles: • Alteração no equilíbrio. • Falha do sistema de controle postural na compensação. Os idosos são muito mais sujeitos a quedas e acabam progredindo muitas vezes com grandes perdas na funcionalidade, prejudicando inclusive a realização das atividades de vida diária, e as atividades instrumentais de vida diária, além de uma maior probabilidade para serem admitidos nas instituições de longa permanência. A alteração na funcionalidade nem sempre é revertida, a porcentagem de idosos que não conseguem se recuperar varia de 25 a 75%. Praticamente 1/3 dos idosos que tiveram uma fratura em decorrência de uma queda acabam não se recuperando por completo, sendo que mais de 50% de todas as quedas ocorrem dentro da própria casa do idoso, essa taxa tende a se elevar nas instituições ou hospitais, talvez em decorrência do perfil de uma maior morbidade desses pacientes, o risco de lesão fora do domicílio é sempre muito maior (VIEIRA et al., 2018). O idoso frequentemente tem muito mais medo de uma queda, mesmo que esta queda não tenha causado nenhum trauma grave ou lesão, e em decorrência desse medo os idosos começar a diminuir toda as suas atividades. FIGURA 8 Queda nos idosos FONTE Pixabay 37 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Essas modificações vão provocar um certo transtorno de ansiedade, em que existe uma fobia específica para a queda, provocando no idoso um isolamento social tendo como resultado uma elevação do risco para a depressão. Fatores de risco para as quedas Existem vários fatores de risco intrínsecos e extrínsecos para as quedas conforme pode ser observado a seguir: Fatores de risco intrínsecos Os fatores de risco intrínsecos para as quedas são os seguintes: • Sociodemográficos - idade, sexo feminino, sem cônjuge, antecedente de quedas e medo de cair. • Doenças – Parkinson, diabetes, artrose, incontinência urinária, vertigem, hipotensão ortostática e deficiência de vitamina D. • Condições clínicas e funcionais – alteração da marcha, problemas de mobilidade, alteração de equilíbrio, fraqueza muscular, limitação funcional, alteração de propriocepção e dor. • Medicamentos – psicotrópicos e polifarmácia. • Sistema nervoso – déficit cognitivo e depressão. • Atividade física excessiva ou de risco. Você Sabia? O risco de quedas para os idosos com 80 anos de idade ou mais passa a ser de 50%, sendo que mais da metade das quedas ocorrem na própria casa do idoso (VIEIRA et al., 2018). 38 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Entre todos os fatores de risco elencados para a queda, os principais são os seguintes: idade, fraqueza muscular, história prévia de queda, déficit cognitivo, desequilíbrio, tontura e a utilização de psicotrópicos. Fatores de risco extrínsecos Os fatores de risco extrínsecos para as quedas são: • Pisos escorregadios. • Tapetes soltos ou dobrados. • Calçados inadequados. • Iluminação inadequada. • Obstáculos. • Degraus altos ou estreitos. • Ausência de corrimão. • Utilização de lentes multifocais (VIEIRA et al., 2018). FIGURA 9 Existência de piso escorregadio fator extrínseco para as quedas nos idosos FONTE Pixabay 39 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Estratificação do risco de quedas para os idosos A estratificação do risco de quedas para os idosos são divididas em seis níveis de risco, do maior risco para o menor risco, conforme pode ser observado a seguir: • Nível 1 – comprometimento cognitivo e a utilização de uma medicação psicotrópica. • Nível 2 – polifarmácia, riscos ambientais, déficit visual, fraqueza muscular, doença neuromuscular, incapacidade para atividades consideradas básicas ou instrumentais de vida diária e a utilização de um dispositivo de auxílio para a marcha. • Nível 3 – incontinência urinária e hipotensão postural. • Níveis 4 a 6 – fatores com menor correlação, porém ainda são considerados como muito importantes, por exemplo, pouca ou nenhuma atividade física, redução da força nos membros superiores, suporte social restrito, uso de analgésicos e anti- inflamatórios e déficit auditivo (VIEIRA et al., 2018). Substâncias que elevam o risco de quedas Existem vários tipos de substâncias que elevam o risco de quedas nos idosos, entre elas: • Sedativos ou hipnóticos. • Antipsicóticos. • Benzodiazepínicos. • Antidepressivos. • Anticonvulsivantes. • Álcool em excesso (VIEIRA et al., 2018). Reflita Não se pode misturar o fator causal com o fator de risco, pois o fator causal pode ser identificado muito facilmente na queda, por exemplo, a existência de um chão molhado, falta de regularidade ou degrau não sinalizado e subida em bancos para alcançar um objeto, enquanto o fator de risco no idoso vai elevar a probabilidade de uma queda. 40 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Avaliação das quedas nos idosos Durante a anamnese deve ser realizado um exame clínico bastante detalhado, sendo que esse vai fornecer todas as informações necessárias para a condução de uma pesquisa, e posteriormente, vai ajudar na futura abordagem. No caso de o idoso apresentar algumas alterações, é indicado a realização de uma avaliação para direcionar quais são as condutas necessárias para serem realizadas, devendo fazer os seguintes questionamentos: • Como ocorreu a queda? • Houve uma falta de equilíbrio ou sintomas anteriores? • Houve uma alteração na consciência? • Qual é o tipo de sapato utilizado? • Houve uma alteração nas medicações ou foi feito um uso de forma incorreta das medicações prescritas? • A queda foi durante o dia ou à noite? • O local estava iluminado corretamente? • Estava utilizando óculos? • Estava utilizando a prótese auditiva? • Onde ocorreu a queda? • A queda é recorrente? • Houve uma lesão ou fratura? • Foi necessário a ida para o hospital? • Qual foi o tratamento utilizado? • Está com medo de cair novamente? • Houve limitação de algum tipo de atividade por medo de cair? Importante O idoso deve ser sempre questionado sobre as quedas quando não existe um histórico de quedas e nenhum problema de equilíbrio ou marcha ou mobilidade, nenhuma avaliação posterior será indicada nesse caso. 41 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Causas de quedas nos idosos As causas de quedas podem ser internas ou intrínsecas ao paciente, ou ainda externas tendo como causas extrínsecas ao paciente. No caso das causas internas, essas são consideradas como muito mais complexas e, portanto, requerem uma atenção muito mais aprofundada. Para garantir um bom controle postural é necessário a atuação de vários sistemas em conjunto, entre eles: o sensorial, o proprioceptivo, o vestibular, o muscular, o cardiovascular e o cognitivo; a alteração em todos esses sistemasestá diretamente envolvida com a maior probabilidade de quedas. A queda também pode ser decorrente da associação dos dois fatores, os extrínsecos e os intrínsecos. Os fatores externos ou perturbações mecânicas, são considerados como mais simples e, portanto, são mais fáceis para serem avaliados. A maioria das quedas ocorrem durante o período mais ativo do dia, sendo que apenas 20% acontecem durante a noite. Devem ser detectados todos os riscos ambientais presentes nas atividades de vida diária, visto que nos indivíduos mais frágeis as quedas ocorrem quando esses tentam alcançar algum objeto, subindo ou descendo escadas, ou mesmo indo ao banheiro durante a madrugada. Exame clínico no idoso Durante o exame clínico no idoso, o enfermeiro deve ficar atento quanto a presença de hipotensão postural, após o paciente estar deitado, por 5 a 10 minutos, a pressão arterial deve ser aferida, e posteriormente, o idoso deve sentar e a pressão arterial deve ser aferida novamente, e por último, na posição em pé, após 5 minutos deve ser novamente aferido (VIEIRA et al., 2018). 42 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 A redução de 20 mmHg na pressão arterial sistólica e/ou de 10 mmHg na pressão arterial diastólica significa que o idoso está com hipotensão postural, nesse caso são observados também a presença de sintomas de tontura ou de vertigem. Deve ser também avaliado no idoso o pulso arterial, pois é esperado uma elevação da frequência cardíaca durante a alteração na posição. Também deve ser realizado o exame neurológico para a avaliação da marcha e do equilíbrio, força muscular e a existência de alterações anatômicas presentes nos membros inferiores, por exemplo, a presença de calos e deformidades (VIEIRA et al., 2018). Levando em consideração as causas envolvidas para o direcionamento da abordagem, a avaliação do risco de quedas deve ser feita de forma sistematizada e por meio da utilização de testes. Existe um teste muito simples para avaliar a força e o equilíbrio, podendo ser solicitado ao idoso, durante os movimentos de levantar e de se sentar novamente com os braços cruzados sobre o tórax; a falta de capacidade para a realização ou a existência de uma certa dificuldade está diretamente relacionada com um maior risco para as quedas. Um outro teste que pode ser empregado é o teste de controle postural dinâmico e alcance funcional, nesse é solicitado ao idoso para ficar na posição em pé, ereto e FIGURA 10 Aferição da pressão arterial sistólica e pressão arterial FONTE Pixabay 43 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 parado, e estender um braço o mais distante possível do seu corpo, e pelo auxílio de uma régua ou fita métrica, deve ser feito a aferição da diferença entre o estado inicial e o maior alcance. Os valores maiores que 15 cm são considerados como normais, enquanto a falha no teste indica um maior risco postural do idoso para as quedas. No teste de caminhada deve ser pedido para que o paciente se levante de uma cadeira com braços, caminhe por uma distância de 3 metros, e posteriormente, volte a sentar (VIEIRA et al., 2018). O teste é empregado para avaliar a força, postura, equilíbrio e marcha, sendo muito utilizado na prática clínica, o tempo de duração superior a 12 segundos para a execução do teste corresponde a um maior risco de quedas. Prevenção de quedas Existem algumas medidas que englobam a utilização de fármacos além do emprego de abordagens multifatoriais e multidisciplinares que podem ser tomadas para prevenir as quedas. Um dos exemplos de prevenção primária é a utilização da vitamina D (800 a 1.000 UI/d), possuindo uma correlação com a diminuição dos riscos de quedas por volta de 20% (VIEIRA et al., 2018). A prática dos exercícios físicos de forma regular tem um papel muito importante para a prevenção das quedas, principalmente no caso da realização de exercícios físicos específicos para o equilíbrio. Para a prevenção secundária, existem inúmeras possibilidades, a avaliação de forma individualizada multifatorial e multidisciplinar tem um maior benefício. 44 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Testes funcionais Os testes funcionais vão indicar quais são os elementos da marcha que estão mais comprometidos, e a partir desse ponto deve ser feito um raciocínio sobre qual deve ser a melhor alternativa para o treinamento no idoso. O resultado positivo de um programa de prevenção de quedas deve levar em consideração todas as avaliações, além é claro da prescrição correta de todos os medicamentos, e também não pode ser esquecido que alguns medicamentos precisam ser evitados, visto que esses elevam o risco das quedas, por exemplo, os benzodiazepínicos. É recomendada a existência de uma reavaliação periódica levando sempre em consideração a existência de novos episódios de quedas, quais são as circunstâncias envolvidas, as frequências e as possíveis consequências. Intervenção nos fatores de risco Existem várias formas de intervenção quanto aos fatores de risco de quedas para os idosos que podem ser evitadas ou amenizadas, conforme pode ser observado a seguir: Déficit sensorial Uma das possiblidades que podem auxiliar quanto a melhora no déficit sensorial é a correção do problema visual através da utilização de óculos ou da cirurgia de catarata, e outra possibilidade é a utilização do aparelho de amplificação sonora ou a prótese auditiva. Importante Para facilitar o raciocínio do enfermeiro, deve ser listado todos os fatores de risco que estão presentes, e fazer a separação entre os fatores modificáveis e os não modificáveis. 45 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Medicamentos A revisão frequente quanto a prescrição dos medicamentos é fundamental, principalmente com relação aos psicotrópicos, por exemplo, os benzodiazepínicos e os antidepressivos, diuréticos e betabloqueadores. Deve ser sempre preconizado a prescrição do menor número possível de medicações, além da indicação de suplementos vitamínicos. Ambiente A avaliação do ambiente pelo enfermeiro vai proporcionar várias informações fundamentais para um melhor conhecimento e entendimento do ambiente onde o idoso vive. Por meio dessa avaliação, o enfermeiro pode obter informações fundamentais para as intervenções futuras quanto a necessidade de adaptações individuais em função das capacidades existentes no idoso. Reflita Um ponto importante que não pode ser deixado de lado é a utilização noturna do banheiro pelo idoso, uma vez que é muito frequente a noctúria e urgeincontinência urinária nos pacientes idosos, porém pouca ou nenhuma atenção é dada para esse caso, devendo ser avaliada a existência da ingestão de diuréticos no fim da tarde, como também a quantidade de consumo hídrico durante a noite. Também é preciso avaliar a existência de iluminação adequada ao longo da noite, caso necessário, deve ser orientado o emprego de fraldas ou absorventes para impedir a ida frequente ao banheiro durante a noite. 46 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Deve ser também orientado o emprego apenas de tapetes emborrachados e sapatos fechados, e nunca devem ser utilizados apenas meias. Fraqueza de membros inferiores O treinamento de força dos membros inferiores apresenta excelentes resultados, até quando realizado dentro de casa, sendo que esses resultados não são tão eficientes no caso dos pacientes mais frágeis. Equilíbrio e marcha O treinamento do equilíbrio pode ser feito de várias formas, sendo uma delas por meio do tai chi chuan, sendo considerado como muito eficiente, visto que é capaz de provocar uma eficaz redução das quedas. Outra possibilidade é o trail walking, que corresponde a uma caminhada envolvida com uma função executiva secundária, por exemplo, jogar uma bola ou andar de uma bandeira a outra. Os idosos que utilizamesse tipo de treinamento tem redução da incidência das quedas que pode ser de até 80% (VIEIRA et al., 2018). Já o treinamento da marcha e a adequação a dispositivo de marcha são consideradas como tarefas muito importantes. Você Sabia? Existem vários tipos de bengalas ou de andadores que podem ser utilizados, entre eles: o de 1 apoio ou 4, com rodas ou sem, com freios, entre outros. Cada um dos tipos tem uma indicação característica e uma forma de adequação. Até mesmo a bengala mais simples deve sempre ser empregada no membro correto, com uma altura e pega adequada (VIEIRA et al., 2018). 47 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Hipotensão postural Deve sempre ser orientado para a elevação da cabeceira da cama, como também as mudanças de decúbito lentamente, além da movimentação dos membros inferiores antes de se levantar, tendo cuidado com as possíveis causas da hipotensão. Tontura ou vertigem É uma das causas e queixas mais complicadas para serem abordadas, portanto, o enfermeiro deve estar sempre atento, sendo necessário muitas vezes um treinamento vestibular. Marcha patológica Deve ser sempre tratada a doença de base, por exemplo, a doença de Parkinson, com o auxílio de um treinamento especializado, além do emprego dos dispositivos de marcha quando for preciso. Fatores de risco modificáveis Existem vários fatores de risco que podem ser considerados modificáveis, entre eles: • Déficit visual auditivo. • Distúrbio de marcha. • Distúrbio de equilíbrio. • Fraqueza muscular. • Medicamentos. • Ambientais. • Hipotensão postural. • Déficit de atenção. • Parkinsonismo. • Agitação psicomotora. 48 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Intervenções de acordo com o risco Quando o idoso é ativo, e não tem fatores de risco ou possui riscos que são considerados como pequenos para as quedas, é indicado apenas as caminhadas ou exercício físico regular. Já para o paciente com risco moderado, é indicado a prática de exercícios globais, com foco no equilíbrio, força e marcha. O Tai chi chuan e a ioga são indicados e possuem excelentes resultados. Enquanto a avaliação individualizada é indicada para quem tem um grande risco de quedas, devendo ter cuidados no caso da presença de fragilidade e lesões, além da perda da funcionalidade. O treinamento do equilíbrio e da marcha, associado com o fortalecimento muscular, vai proporcionar excelentes resultados. A pesquisa quanto a presença de osteoporose e o risco para fraturas, devem ser realizadas tendo como base evitar a existência de lesões e fraturas em função das quedas. Nem sempre todas as tentativas para a prevenção de quedas são possíveis de serem evitadas, porém deve ser tomado um certo cuidado, uma vez que a superproteção pode prejudicar a independência e a qualidade de vida. 49 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 Complicações decorrentes de quedas Existem várias complicações resultantes das quedas, entre elas: • Morte. • Lesões. • Medo de quedas. • Redução de atividades, permanência no mesmo decúbito durante muito tempo. Morte FIGURA 11 Manejo das quedas FONTE Vieira et al. (2018). 50 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 As causas externas são consideradas como a quinta causa de óbito nos idosos, sendo que 2/3 desses são devido as quedas. A morte como uma consequência direta da queda está presente em 2 a cada 1000 casos, entretanto, a morte como fim das complicações em função da queda é bem mais comum (VIEIRA et al., 2018). Lesões Por volta de metade dos idosos vão procurar um atendimento médico depois de uma queda, sendo que 10% deles vão apresentar uma fratura. Entre as fraturas nos idosos, mais de 80% dos casos são devido as quedas. A incidência das fraturas do colo do fêmur é de pôr volta cinco por mil idosos a cada ano, esse número pode variar entre várias regiões (VIEIRA et al., 2018). Posteriormente a uma fratura do quadril, metade dos idosos não conseguem recuperar as suas funções anteriores, e 20% acabam indo a óbito no ano seguinte após a fratura. As lesões são maiores nos idosos institucionalizados, podendo ser devido a fragilidade, sendo que as mais graves acontecem longe do domicílio do paciente, podendo ser devido a independência e a maior exposição dos riscos. FIGURA 12 Morte FONTE Pixabay 51 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 A grande prevalência de osteoporose nos idosos é considerada como um fator que contribui para o aumento no número de fraturas em função das quedas. Medo das quedas A presença do medo ou a perda da confiança podem levar a restrição das atividades, podendo ser considerado um maior risco para o idoso que é transferido de um ambiente mais restrito e supervisionado, para uma instituição de longa permanência. A falta de confiança na capacidade para caminhar também está envolvida com o declínio funcional, depressão, sentimentos de inutilidade e isolamento social. Redução de atividades e permanência no mesmo decúbito durante muito tempo O idoso pode ter as suas atividades restritas mesmo sem a presença de fraturas ou lesões evidentes após uma queda. A redução da atividade pode desencadear um processo de fragilidade, muitas vezes estando limitado à cadeira ou a cama, ficando diversas vezes sujeitos a desidratação, pneumonia, úlceras por pressão, sarcopenia e morte. Os pacientes considerados mais frágeis acabam tendo um pior prognóstico, e as quedas repetitivas estão diretamente relacionadas a maior incidência de institucionalização. Você Sabia? Alguns idosos podem ter um medo tão grande que não são mais capazes de iniciarem a marcha, ou só conseguem com a existência de um grande auxílio. 52 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 O medo das quedas e a diminuição das atividades vão gerar um círculo vicioso, elevando o risco de quedas e comorbidades. A instabilidade postural é considerada como um dos principais riscos para a incapacidade relacionados com o envelhecimento humano, resultando na presença de quedas, por conseguinte levando a uma perda parcial ou definitiva na capacidade funcional dos idosos. Mais de 30% dos idosos com mais de 65 anos de idade vão ter quedas, enquanto acima dos 80 anos de idade, o risco é de 50%. Por volta de 60% ou mais dos idosos que tiveram alguma fratura após uma queda vão apresentar uma perda parcial ou permanente na funcionalidade (VIEIRA et al., 2018). As quedas podem levar as fraturas, fobia específica, transtorno depressivo maior, abandono das atividades, alteração nos hábitos e imobilidade, sendo observado o início do processo de fragilidade, decorrente da síndrome de imobilização, hospitalização e mortalidade. Para a verificação de forma objetiva e operacional da instabilidade postural e queda, os instrumentos indicados para a avaliação clínica da rotina no idoso são os seguintes: • Teste Timed Up and Go. • Teste Unipodal. • Teste de Romberg. • Teste Functional Reach. • Velocidade de marcha (VIEIRA et al., 2018). A prevenção das quedas e os cuidados específicos são considerados como multifatoriais e individualizados, sendo baseados na adequação de vários fatores, alguns deles são: • Utilização de sapatos adequados. • Revisão dos medicamentos. • Ambiente. • Reabilitação muscular. • Tai chi chuan. • Avaliação de hipotensão postural. 53 Humanização e Cuidados Com o Idoso Prevenção de quedas no idoso Capitulo 3 • Vertigem. • Acuidade visual. Resumindo E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido nesse capítulo todas as ocorrências de quedas no idoso, fatores de risco para as quedas (fatores de risco intrínsecos e extrínsecos) e a estratificação do risco de quedas para os idosos.Outros assuntos fundamentais que foram abordados foram as substâncias que elevam o risco de quedas, avaliação das quedas, causas, exame clínico, prevenção de quedas e os testes funcionais. Também foi estudado a intervenção nos fatores de risco, fatores de risco modificáveis e as intervenções de acordo com o risco. E por último, foi abordado em detalhes todas as complicações decorrentes de quedas, medo das quedas e a redução de atividades, e decúbito de longa duração. 54 @faculdadelibano_ 4 Educação e Sexualidade na terceira idade 55 Humanização e Cuidados Com o Idoso Capitulo 4 Educação e Sexualidade na terceira idade Relacionamento conjugal O relacionamento conjugal passa por grandes alterações durante todo o ciclo de vida familiar e, portanto, o nível de satisfação também vai ser alterado ao longo dos anos. Podem existir vários resultados diferentes, entre eles: • Elevação regular na satisfação conjugal ao longo do tempo. • Redução comparada aos primeiros anos de casamento. • Padrão curvilinear, em que são observados os níveis elevados de satisfação nos primeiros anos de casamento, seguidos de uma redução e estabilidade que permanece entre os 10 a 20 anos, e posteriormente, uma elevação após a meia- idade (FREITAS; PY, 2017). Satisfação conjugal A satisfação conjugal é um assunto muito importante que deve ser levado também em consideração com os idosos, estando diretamente envolvido com uma avaliação Objetivos Ao final deste capítulo, você vai compreender sobre a prática de educação e sexualidade na terceira idade. Todos os temas são fundamentais para que você, enfermeiro, conheça de forma detalhada todas as informações sobre a sexualidade, e saiba como tratar com os seus pacientes esse assunto importante. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! 56 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 subjetiva do cônjuge em relação ao que sente sobre a sua relação em um determinado momento. A melhor forma para a identificação da satisfação em um relacionamento está pautada na diferença entre o que um indivíduo espera do outro na relação, e o que esse mesmo indivíduo está recebendo do outro. O relacionamento conjugal considerado como satisfatório é marcado por sentimentos de proximidade, paixão, intimidade, compreensão, alegria, apego, autonomia, reconhecimento de que ninguém pode suprir todas as necessidades do outro indivíduo e que nenhum relacionamento está livre de qualquer problema (FREITAS; PY, 2017). Os casais satisfeitos são aqueles capazes de manter fortes laços emocionais, desenvolvendo padrões de comunicação de forma adequada, sendo capazes de modificarem a estrutura de poder, papéis e regras quanto ao relacionamento frente as crises durante toda a vida. A satisfação conjugal sofre a influência de algumas variáveis, entre elas: • Gênero. • História pessoal de cada cônjuge. • Atitudes. • Estado de saúde. FIGURA 13 Satisfação conjugal FONTE Pixabay 57 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 • Valores. • Fatores de personalidade. • Expectativas. • Características individuais percebidas ou idealizadas do parceiro como da relação. • Aspectos biopsicossociais. • Históricos. • Culturais. • Econômicos. • Familiares e educacionais. • Qualidade da relação sexual. • Grau de afinidade entre a díade conjugal. • Presença de filhos. • Comunicação. • Resiliência. • Tempo de relacionamento. • Quantidade e qualidade de tempo que o casal passa junto. • Trabalho remunerado. • Experiência sexual anterior ao casamento. • Momento atual do ciclo de vida e do ciclo vital da família. A avaliação positiva do cônjuge está relacionada com à manutenção do amor entre o casal. Em compensação, a estimulação dos aspectos negativos um do outro pode fazer com que a relação fique mais conturbada, gerando a insatisfação. Nos casais satisfeitos, os comportamentos, pensamentos e sentimentos positivos vão prevalecer sobre os negativos. Os homens que apresentavam dificuldades no casamento informaram que as esposas não correspondiam a todas às expectativas de gênero, e pontuavam mais alto em insatisfação com as relações conjugais. Na velhice muitas vezes o cônjuge vai se tornar um indivíduo muito diferente do que era quando se casou, o que acaba prejudicando o reencontro da essência da união entre os dois. 58 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Se durante um determinado período a relação do casal não for construída de forma correta, vai existir um distanciamento entre os parceiros, apesar de que esses podem procurar manter vidas paralelas, com poucos objetivos em comum. A probabilidade mais comum é dessa relação evoluir para a existência de muitos conflitos chegando até o divórcio, e esses conflitos maritais vão impactar na qualidade e na satisfação conjugal. Existem várias razões nesse caso, como as dificuldades de ordem familiar e sexual; dificuldades envolvidas com dinheiro e o compartilhamento das tarefas domésticas; doenças crônicas; estilo de criação dos filhos e relacionamento com eles; infidelidade; divergências no sistema de crenças e valores; divergências sobre o relacionamento e sobre as filosofias de vida; utilização do tempo livre; falta de compromisso, atenção e dedicação; relacionamento com os amigos; traços de personalidade negativos; falta de conhecimento e habilidades de comunicação construtiva e eficaz; e escassez de habilidades na resolução de conflitos e de negociação. Conflitos e a insatisfação conjugal Os conflitos e a insatisfação conjugal são muitas vezes seguidos por uma elevação nos comportamentos problemáticos, como o abuso verbal, emocional e físico; infidelidade e uso abusivo do álcool ou outras drogas. FIGURA 14 Conflitos entre o casal FONTE Pixabay 59 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Por um lado, a saúde física e mental pode ser prejudicada pela insatisfação conjugal, enquanto que por outro, pode piorar em função dos problemas de saúde. A complicação da saúde do cônjuge pode alterar os papéis conjugais de longa data, sendo necessária a prestação dos cuidados. A convivência dessa situação pode ser considerada como um fardo, fazendo com que as obrigações conjugais sejam mais difíceis de serem gerenciadas. Existe uma predisposição entre os homens mais velhos de se casarem com as mulheres mais novas, e, assim, na velhice, elas vão atuar como cuidadoras dos seus próprios cônjuges, principalmente quando são acometidos por demências, entre elas a mais frequente é a doença de Alzheimer. A perda de memória é considerada como o sintoma mais presente nessa patologia, e esse doente acaba assumindo um outro modo de ser, tendo vários sintomas, por exemplo: • Apatia. • Distúrbios do sono. • Distúrbios da linguagem. • Distúrbios do movimento. Com a progressão da doença, os cônjuges cuidadores acabam vivenciando outros sentimentos e emoções que vão variar durante todo esse processo, ficando muito complicado para a cuidadora manter uma identidade como esposa, e sendo muito difícil a reconstrução do significado do casamento, visando reduzir o impacto negativo que essa doença pode comprometer a qualidade de vida de ambos os indivíduos. Resiliência conjugal A resiliência conjugal pode neutralizar todos os impactos negativos inerentes à doença, a percepção do casamento como algo sagrado está relacionado positivamente com a satisfação conjugal, podendo auxiliar os casais que passam por esse desafio do cuidado com o outro, em especial na velhice. 60 Humanização e Cuidados Com o Idoso Educação e Sexualidade na terceira idade Capitulo 4 Quando um indivíduo necessita de cuidados especiais em decorrência da limitação de saúde, o cônjuge vai ter mais oportunidades para sentir e expressar o amor compassivo. Esse, por sua vez, deve elevar a satisfação na relação, estando