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LEI 8080 90
16 pág.

Saúde Pública Universidade GuarulhosUniversidade Guarulhos

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## Resumo da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 – Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS)A Lei nº 8.080, sancionada em 1990, estabelece as bases legais para a organização, funcionamento e gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, regulamentando as ações e serviços de saúde em todo o território nacional. Essa legislação define a saúde como um direito fundamental do ser humano, cabendo ao Estado garantir as condições indispensáveis para seu pleno exercício, por meio da formulação e execução de políticas públicas que promovam a redução de riscos à saúde e assegurem o acesso universal, igualitário e integral às ações de promoção, proteção e recuperação da saúde.### Princípios e Organização do SUSO SUS é constituído por um conjunto de ações e serviços públicos de saúde, prestados por órgãos e instituições federais, estaduais e municipais, incluindo a participação complementar da iniciativa privada. A lei destaca que o sistema deve ser organizado de forma regionalizada e hierarquizada, com níveis crescentes de complexidade, e sob direção única em cada esfera de governo: Ministério da Saúde na União, Secretarias de Saúde nos Estados, Distrito Federal e Municípios. A gestão do SUS deve obedecer a princípios fundamentais como:- **Universalidade**: acesso a todos os níveis de assistência para toda a população.- **Integralidade**: conjunto articulado e contínuo de ações preventivas e curativas.- **Equidade**: igualdade na assistência, sem discriminação.- **Autonomia**: respeito à autonomia dos indivíduos na defesa de sua integridade física e moral.- **Participação social**: envolvimento da comunidade na formulação e controle das políticas de saúde.- **Descentralização**: ênfase na municipalização dos serviços, com regionalização e hierarquização da rede.Além disso, o SUS incorpora ações de vigilância sanitária, epidemiológica, saúde do trabalhador, assistência terapêutica integral, saneamento básico, vigilância nutricional, proteção ambiental, política de medicamentos e controle de serviços e produtos relacionados à saúde.### Competências e Atribuições das Esferas de GovernoA lei detalha as competências da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na gestão do SUS, estabelecendo um sistema de cooperação e complementaridade. A União tem papel central na formulação de políticas nacionais, coordenação de sistemas de alta complexidade, vigilância sanitária em portos, aeroportos e fronteiras, e na normatização técnica e financeira do sistema. Os Estados atuam na descentralização para os municípios, apoio técnico e financeiro, coordenação de redes estaduais e execução complementar de ações de vigilância e saúde do trabalhador. Já os municípios são responsáveis pelo planejamento, organização, execução e avaliação das ações e serviços de saúde locais, podendo formar consórcios intermunicipais para otimizar recursos e ampliar a cobertura.O Distrito Federal acumula as competências dos Estados e Municípios. A lei também institui mecanismos de articulação intersetorial e intergestores, como as Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite, que negociam e pactuam aspectos operacionais, financeiros e administrativos do SUS, além de promover a integração entre os serviços de saúde e instituições de ensino.### Subsistemas Específicos e Assistência TerapêuticaA legislação prevê a criação de subsistemas específicos dentro do SUS, como o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, que deve respeitar as especificidades culturais e territoriais dos povos indígenas, garantindo atendimento integral e integrado, financiado pela União e articulado com políticas indígenas. Também institui o Subsistema de Atendimento e Internação Domiciliar, que oferece cuidados multidisciplinares no domicílio do paciente, mediante indicação médica e consentimento do paciente e família.No campo da assistência terapêutica, a lei define a dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde conforme protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, que são elaborados e atualizados pelo Ministério da Saúde com o apoio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Essa comissão avalia a eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade dos medicamentos e procedimentos antes de sua incorporação ao sistema, garantindo a qualidade e a racionalidade no uso dos recursos públicos. A lei também proíbe o pagamento ou reembolso de medicamentos e procedimentos experimentais ou não autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).### Participação do Setor Privado e FinanciamentoEmbora o SUS seja um sistema público, a lei permite a participação complementar da iniciativa privada, especialmente quando os recursos públicos forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial. Essa participação deve ser formalizada por contratos ou convênios, priorizando entidades filantrópicas e sem fins lucrativos, e obedecendo aos princípios e diretrizes do SUS. A participação de capital estrangeiro é restrita e condicionada a casos específicos, como doações de organismos internacionais e serviços sem fins lucrativos para empregados de empresas.O financiamento do SUS é garantido pelo orçamento da seguridade social, com recursos provenientes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, além de outras fontes como doações, taxas e rendas eventuais. A gestão financeira é realizada por meio de contas especiais sob fiscalização dos Conselhos de Saúde, com mecanismos para controle, auditoria e aplicação rigorosa dos recursos. A distribuição dos recursos considera critérios técnicos como perfil demográfico, epidemiológico, capacidade da rede de saúde e desempenho financeiro, buscando garantir a equidade e eficiência na alocação dos fundos.### Considerações FinaisA Lei nº 8.080/1990 é um marco fundamental para o sistema de saúde brasileiro, estabelecendo um modelo público, universal e descentralizado, que busca garantir o direito à saúde para toda a população. Ela define claramente as responsabilidades dos entes federativos, os princípios que regem o SUS, os mecanismos de gestão e controle, e os subsistemas específicos para populações vulneráveis. A lei também enfatiza a importância da participação social, da integração intersetorial e da incorporação criteriosa de tecnologias em saúde, assegurando um sistema dinâmico, eficiente e adaptado às necessidades da população brasileira.---### Destaques- A saúde é um direito fundamental, e o SUS garante acesso universal, integral e igualitário às ações e serviços de saúde.- O SUS é organizado de forma regionalizada, hierarquizada e sob direção única em cada esfera de governo.- A lei define competências específicas para União, Estados, Distrito Federal e Municípios na gestão do SUS.- Subsistemas especiais, como o de Atenção à Saúde Indígena e Atendimento Domiciliar, são integrados ao SUS.- A incorporação de medicamentos e tecnologias é regulada por protocolos clínicos e avaliação rigorosa de eficácia e custo-efetividade.- A participação complementar do setor privado é permitida, mas regulada para garantir a qualidade e o controle público.- O financiamento do SUS é garantido pela seguridade social, com critérios técnicos para distribuição e mecanismos de controle financeiro.

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