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Segurança do Trabalho
História e evolução do trabalho:
a segurança do trabalho na Revolução
Agrícola, na Revolução Industrial e na
Revolução da Informação
Para compreender as conquistas da segurança do trabalho ao longo da história,
é fundamental saber como ela se desenvolveu desde a antiguidade até os dias atuais.
No século IV a.C., Hipócrates, considerado “o pai da medicina”, foi o primeiro a
registrar a existência de doenças relacionadas ao trabalho. Ele observou que
trabalhadores expostos ao chumbo sofriam com problemas de saúde decorrentes
desse contato. Já no século I d.C., Plínio, “o velho”, em sua obra História Natural,
destacou os perigos de substâncias tóxicas, como zinco, enxofre e mercúrio, para os
trabalhadores das minas. Um fato marcante relatado por Plínio foi o uso pioneiro de
proteção individual: escravos que trabalhavam em ambientes cheios de poeira criavam
máscaras improvisadas com bexigas de carneiro, cobrindo o nariz e a boca, para
minimizar os danos causados pela inalação de partículas nocivas.
No século XVIII, o médico italiano Bernardino Ramazzini consolidou avanços
importantes ao publicar o livro As Doenças dos Trabalhadores, em 1700. Ele
descreveu mais de 50 ocupações e as doenças relacionadas a elas, além de propor
medidas preventivas para reduzir os riscos à saúde dos trabalhadores. Naquele
período, proteger a saúde dos trabalhadores era visto como uma forma de manter sua
capacidade produtiva e evitar perdas econômicas.
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Veja a seguir como o cenário de saúde e segurança do trabalho evoluiu ao longo
das revoluções citadas anteriormente.
Revolução Agrícola
A Revolução Agrícola, que ocorreu na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX,
trouxe avanços significativos nas tecnologias e práticas agrícolas. Técnicas como a
diversificação de espécies de sementes, a rotação de culturas e a integração entre
agricultura e pecuária aumentaram a produtividade das terras. Além disso, a
aprovação de leis que permitiam à burguesia comprar campos públicos resultou na
formação de grandes propriedades privadas.
Figura 1 – Novas práticas agrícolas
Fonte: .
Esses novos proprietários passaram a investir em pesquisas voltadas à
preservação da fertilidade do solo e à adoção de novas formas de trabalho, como o
uso intensivo de cavalos, que reduziram a necessidade de força humana em diversas
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Revolução Industrial
atividades agrícolas. Paralelamente, a mecanização agrícola começou a ganhar
espaço, com a introdução de máquinas, como semeadeiras mecânicas. Essa inovação
não apenas aumentou a eficiência das colheitas, mas também reduziu a demanda por
mão de obra no campo. Diante dessas mudanças, muitos pequenos agricultores, que
não conseguiam competir com os grandes proprietários, foram obrigados a abandonar
suas terras. A busca por melhores oportunidades de emprego os levou às cidades,
onde surgiam fábricas impulsionadas pela Revolução Industrial. Esse êxodo rural,
resultante das mudanças nas práticas agrícolas, marcou uma transformação profunda
na sociedade, ligando diretamente a Revolução Agrícola ao início da Revolução
Industrial, com o fluxo de trabalhadores em direção a cidades e fábricas.
A Primeira Revolução Industrial teve início na Inglaterra, após 1760, marcando
uma transformação profunda na maneira de produzir e na organização da sociedade.
Um dos grandes avanços desse período foi a invenção e a popularização da máquina
a vapor, movida a carvão, que, junto com novas técnicas de trabalhar o ferro,
revolucionou os processos produtivos. Para aumentar a produtividade, os empresários
investiram em máquinas que imitavam os movimentos das mãos dos tecelões, mas
com maior força e velocidade. Os operadores dessas máquinas não precisavam ser
especialistas em tecelagem; bastava que soubessem operá-las. Contudo, essas
máquinas eram caras, e, para compensar os custos, os empresários extraíam o
máximo da força de trabalho disponível.
Nesse cenário, trabalhadores migravam do campo para as cidades em busca de
emprego. Eles eram submetidos a jornadas exaustivas, de até 16 horas diárias,
incluindo homens, mulheres e crianças. Apesar do esforço, os salários eram baixos e
as condições de trabalho eram extremamente precárias. Acidentes e doenças
ocupacionais eram comuns devido à ausência de medidas de segurança e higiene. As
fábricas eram ambientes ruidosos, escuros e insalubres. Trabalhadores enfrentavam
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restrições, como a necessidade de autorização para ir ao banheiro, e, em alguns
casos, sofriam castigos corporais. A figura a seguir ilustra a convivência entre humanos
e máquinas nesses ambientes desorganizados, muitas vezes, inadequados para o
processo de trabalho.
Entre os principais riscos desse período destacam-se acidentes causados por
incêndios ou explosões nas caldeiras a vapor, rompimentos de correias de transmissão
e doenças ocupacionais, como surdez, devido ao excesso de ruído, e problemas
respiratórios causados pela inalação de fumaça resultante da combustão. Esse quadro
levou ao surgimento de movimentos trabalhistas e sociais que começaram a
pressionar os governantes por mudanças. Como resultado, surgiram as primeiras
legislações trabalhistas, que limitavam a idade das crianças para o trabalho e proibiam
o trabalho noturno infantil, embora essas medidas ainda fossem insuficientes.
Com o passar dos anos, após 1850, teve início a Segunda Revolução Industrial,
caracterizada pelo uso de novas fontes de energia, como eletricidade e petróleo. A
iluminação elétrica permitiu estender a jornada de trabalho além do período de luz
solar, enquanto a crescente demanda do mercado impulsionou a adoção de novos
métodos e procedimentos para maximizar a produtividade. Nesse período, as tarefas
industriais foram fragmentadas em etapas repetitivas, eliminando a criatividade dos
trabalhadores e gerando a alienação. A busca incessante por lucro levou a uma
exploração ainda mais intensa da força de trabalho. Em 1919, foi criada a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que passou a promover pesquisas e acordos voltados
à segurança e à saúde dos trabalhadores. Após essa iniciativa, outras organizações
semelhantes surgiram em diversos países, dando início a um movimento global por
melhores condições de trabalho.
A figura 2 ilustra como o ser humano e as máquinas conviviam nesse período: em
ambientes pouco ou nada planejados para execução do processo de trabalho.
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Revolução da Informação
Figura 2 – Produção de algodão e de lã na Primeira Revolução Industrial
Fonte: .
A Terceira Revolução Industrial teve início na década de 1960, marcada pela
automação e robotização dos processos produtivos. Diferentemente das duas
primeiras revoluções, que eram baseadas em energias e combustíveis, essa nova
etapa focou na informação como motor das transformações. Entre as inovações dessa
época, o computador se destacou como uma ferramenta capaz de automatizar tarefas,
sem a necessidade de intervenção humana constante. A rápida disseminação dessa
tecnologia trouxe mudanças significativas às linhas de produção das empresas,
revolucionando os métodos de trabalho.
No Brasil, em 1966, foi criada a Fundação Jorge Duprat Figueiredo (Fundacentro)
com o objetivo de promover a saúde e a segurança no trabalho, em resposta à
crescente preocupação com os riscos ocupacionais. Até hoje, a Fundacentro
desempenha um papel fundamental ao fornecer publicações técnicas, como as
Normas de Higiene Ocupacional (NHOs), que definem parâmetros, limites de
exposição e métodos para a avaliação de riscos ocupacionais.
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Com achegada das máquinas automatizadas, o trabalho passou a envolver uma
relação mais integrada entre trabalhadores e equipamentos. Enquanto as máquinas se
destacam pela força, velocidade e precisão, os trabalhadores oferecem flexibilidade,
capacidade de adaptação e habilidades para a tomada de decisão. Essas tecnologias
trouxeram maior agilidade às atividades organizacionais, mas também demandaram
novas competências dos profissionais.
Na década de 1990, a popularização da internet e o avanço dos sistemas de
comunicação transformaram ainda mais os ambientes de trabalho. Os
microprocessadores passaram a fazer parte do cotidiano, conectando equipamentos e
pessoas. Com o advento do século XXI, teve início a Quarta Revolução Industrial,
também conhecida como Revolução Digital, que deu origem à Indústria 4.0. A Quarta
Revolução Industrial combina tecnologias físicas, digitais e biológicas, promovendo
mudanças cada vez mais rápidas. Nesse cenário, é essencial que as empresas
acompanhem essas inovações para se manterem competitivas no mercado.
Se no passado as máquinas eram operadas manualmente e tinham funções
limitadas, as evoluções tecnológicas e eletrônicas ampliaram as possibilidades de
programação. Hoje, colaboradores precisam estar atentos à interpretação de dados
apresentados em painéis e sistemas, utilizando essas informações para embasar
decisões ágeis e assertivas. Atualmente, muitos processos produtivos são realizados
exclusivamente por máquinas e equipamentos, cabendo aos trabalhadores realizarem
seu monitoramento e gerenciamento. Essa automação reduz os riscos diretos à
integridade física dos colaboradores e os custos com acidentes de trabalho.
No entanto, é possível ver na figura a seguir que, embora muitas atividades
perigosas sejam agora realizadas por máquinas, os ambientes de trabalho não estão
completamente livres de riscos. Por isso, é indispensável a atuação contínua de
profissionais de saúde e segurança do trabalho. O técnico em segurança do trabalho
deve se manter constantemente atualizado para compreender como as inovações
tecnológicas impactam os ambientes laborais e garantir que a saúde e o bem-estar
dos colaboradores sejam preservados.
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Figura 3 – Interação entre ser humano e máquinas
Fonte: .
Considerações finais
Ao conhecer a evolução da segurança do trabalho, podem-se identificar as
diferentes iniciativas que buscam a proteção e a segurança no trabalho, bem como a
inclusão da tecnologia a fim de proporcionar benefícios na execução de tarefas e na
preservação da saúde dos colaboradores.
O ambiente competitivo das empresas faz com que as organizações busquem
produzir o máximo possível com os recursos disponíveis. Enquanto antigamente eram
poucas as preocupações quanto à saúde do trabalhador, atualmente percebe-se um
cenário que, cada vez mais, visa à proteção do funcionário, com base na identificação
de fatores de risco e na adoção de medidas preventivas.
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