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Identificação de um Metal e Determinação de sua Massa Molar Introdução A reação de um metal (M) com ácido (H+) em meio aquoso, produzindo gás hidrogênio (H2) e o respectivo cátion metálico (Mx+), pode ser genericamente expressa como: M(s) + mH+(aq) → Mm+(aq) + m/2 H2 (g) (1) em que m é um número inteiro que representa o estado de oxidação do cátion metálico. Segundo a equação desta reação química, o número de mols de H2 liberado depende do estado de oxidação do cátion metálico gerado como produto (Mm+). Sendo que o número de mols de H2 (nH2) pode ser determinado usando-se a equação dos gases ideais (Equação 2), desde que se conheça o volume de H2 gerado (VH2) na reação com o metal e a pressão parcial (PH2) exercida por este volume de H2: PH2 VH2 = nH2 R T (2) em que R é a constante dos gases e T é a temperatura. No experimento de hoje, aplicaremos uma forma de estimar a massa molar de um metal desconhecido através da determinação de nH2 (obtido pela medida de VH2 e do cálculo da pressão parcial PH2) e do número de oxidação x do cátion metálico Mx+ (que será determinado por tentativa e erro). O volume VH2 será medido experimentalmente a partir da reação de uma massa definida de um metal desconhecido M(s) com uma solução de ácido clorídrico (6 mol L-1), utilizando-se uma bureta. A pressão parcial PH2 será calculada pela Lei de Dalton, segundo a qual, a pressão total (PT) exercida por uma mistura de gases (gás 1 + gás 2 + gás 3...) é igual à soma das pressões parciais (Pp) de cada gás que compõe a mistura (Equação 3). PT = Pp1 + Pp2 + Pp3... (3) No caso desse experimento, à medida que o gás hidrogênio produzido borbulha na água, o mesmo satura-se com vapor de água, de modo que a pressão total (PT) da mistura de gases dentro da bureta é a soma das pressões parciais do vapor de água (PH2O) e do hidrogênio produzido (PH2): PT = PH2 + PH2O (3a) Conhecendo-se a pressão parcial do vapor de água na temperatura do experimento (valor tabelado), é possível determinar PH2, e com ele o valor de nH2, usando a Equação 2. Determinado o valor de nH2, é possível atribuir arbitrariamente diferentes valores para m (por exemplo, m=1, m=2, m=3...) e substituir esses valores, um por vez, na Equação 1 para estimar o número de mols de metal (nM) que reagiu com o ácido. Como a massa inicial de metal que reagiu (mM) foi determinada, pode-se estimar a massa molar (MM) do metal a partir da Equação 4: nM = mM / MM (4) Confrontando os valores de massa molar obtidos experimentalmente com os valores da tabela periódica, poderemos identificar o metal que está envolvido na reação. Experimental Primeiramente, feche bem a torneira da bureta e prenda a mesma no suporte de ferro usando a garra fornecida. Coloque sob o bico da bureta um béquer de 600 mL, contendo aproximadamente 300 mL de água, como esquematizado na Figura 1a. Figura 1. a) Representação esquemática do posicionamento inicial da bureta; b) Adição de água destilada com a bureta inclinada para evitar mistura com a solução de ácido; c) Massa de metal entre 25 e 35 mg; d) Fixação da amostra de metal no fio de cobre e na rolha de borracha; e) Ajuste da rolha com a amostra de metal pendurada pelo fio de cobre na bureta completamente preenchida. Com o auxílio do béquer de 100 mL, adicione cuidadosamente uma solução de ácido clorídrico (6 mol L-1) à bureta até que o nível da solução atinja a marca de 30 mL na graduação. Em seguida, retire a bureta da garra e, com esta inclinada, adicione água destilada com uma pisseta, até preencher toda a bureta, como mostrado na Figura 1b. Fixe novamente a bureta no suporte usando a garra. Pese então entre 25 e 35 miligramas do metal desconhecido (Figura 1c) e enrole a mesma com o pedaço de fio de cobre fornecido. Prenda o fio à rolha de borracha, deixando cerca de 5 cm do fio de cobre entre a amostra e a rolha (Figura 1d). Coloque então a rolha de borracha com a amostra no topo da bureta, sem permitir a formação de bolhas de ar (Figura 1e). Dobre para baixo o pedaço de fio de cobre que está para fora da bureta e, USANDO LUVAS, tape o orifício da rolha com um dos dedos. Inverta a bureta e introduza o topo da bureta na água dentro do béquer de 600 mL. Quando o topo da bureta estiver abaixo da superfície da água, retire o dedo do orifício da rolha e prenda a bureta invertida no suporte, conforme esquematizado ao lado. Atenção: Nesta etapa é importante evitar a entrada de ar na bureta através do orifício da rolha. Como a densidade da solução de HCl é maior que da água, ao inverter a bureta, a solução de HCl desce em direção ao metal e dá início à reação. Durante a reação, ocorrerá consumo do metal, formação de bolhas e o nível da solução ácida dentro da bureta descerá. Quando todo o metal tiver sido consumido, a reação entre o ácido e o metal estará terminada. Uma forma prática de determinar o fim da reação, é observar o nível da solução ácida, que para de descer quando a reação termina. Espere cerca de 1 minuto para ter certeza de que o nível da solução dentro da bureta estabilizou. Quando o nível estiver estável, dê leves tapas na bureta para desprender eventuais bolhas de gás. Usando luvas, tape novamente o orifício da rolha com a bureta ainda sob a água, retire a bureta da garra e mergulhe-a, ainda invertida, em uma proveta de 2000 mL contendo água da torneira (Figura 2a). Atenção: realize esta etapa cuidadosamente, pois é importante evitar a entrada de ar na bureta. Segurando a bureta invertida, ajuste o nível da solução na bureta com o nível da água na proveta, como mostrado na Figura 2b. Procure pensar por que esse procedimento é necessário. Isto o ajudará a fazer os cálculos posteriores! Espere o volume dentro da bureta estabilizar e anote este valor. Figura 2. a) Bureta invertida dentro da proveta com água; b) Nivelamento do menisco da solução na bureta com o nível de água na proveta. Retire a bureta de dentro da proveta e descarte a solução ácida restante no frasco apropriado. Lave a bureta com água destilada três vezes, descartando a água de lavagem sempre pelo topo da bureta. Não abra a torneira da bureta. Em seguida, adicione água destilada à bureta lavada até o nível que você mediu quando a bureta estava invertida dentro da proveta. Transfira este volume de água para um béquer de 100 mL previamente pesado e seco. Determine então a massa referente a este volume de água e obtenha o volume total de gás dentro da bureta após a reação, usando a densidade da água. Repita o procedimento de determinação do volume de gás utilizando mais uma amostra do mesmo metal. Após a determinação do volume, verifique no barômetro do laboratório a pressão atmosférica em mmHg e anote este valor. Meça a temperatura da água e determine a pressão de vapor da água nessa temperatura (tabelada no laboratório). Por fim, determine a pressão parcial do gás hidrogênio e, a partir dos dados obtidos experimentalmente e dos valores calculados, calcule o número de mols de gás hidrogênio liberado na reação estudada. Se julgar necessário, use R = 62,63 L mmHg K-1 mol-1. Calcule a massa molar, utilizando valores experimentais obtidos e testando valores de número de oxidação m=1, m=2 ou m=3. Para cada número de oxidação atribuído, será calculada uma massa molar, de modo que três valores diferentes de massa molar serão obtidos. A identificação do metal utilizado na reação pode ser feita através de uma simples comparação entre o valor de massa molar experimental e aqueles da tabela periódica disponível no laboratório. Bibliografia - Kotz, J. C.; Treichel Jr, P.M.; Química Geral 1 e Reações Químicas, 5a ed., Thomson, São Paulo, 2005, p. 446. Identificação de um Metal e Determinação de sua Massa Molar Introdução Experimental Bibliografia