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20/07/2022 17:57 UNINTER
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DIREITOS HUMANOS
AULA 3
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Tiemi Saito
20/07/2022 17:57 UNINTER
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CONVERSA INICIAL
Dando sequência ao nosso estudo sobre os sistemas regionais de proteção aos direitos
humanos, vamos abordar nesta aula o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, do qual o Brasil
é signatário.
 Vamos conferir como se deu o surgimento deste sistema no âmbito da Organização dos Estados
Americanos e quais foram as principais convenções e protocolos que estruturaram o funcionamento
de seus mecanismos e instrumentos de proteção.
TEMA 1 – SURGIMENTO DO SISTEMA INTERAMERICANO DE
PROTEÇÃO DE DIREITOS HUMANOS
Como resposta às atrocidades cometidas pelo nazismo e pelo fascismo, surge, no período pós-
guerra mundial, a necessidade de instauração do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
Assim, a redação do anteprojeto da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem foi
encomendada ao Comitê Jurídico Interamericano na Conferência Interamericana sobre Problemas da
Guerra e da Paz, em 1945, no México.
Diversas foram as reuniões e debates para que posteriormente, em 1948, tanto a Declaração
Americana dos Direitos e Deveres do Homem quanto a Carta da Organização dos Estados
Americanos fossem aprovadas (Bogotá, 1948).
Vamos analisar especificamente alguns documentos e órgãos que atuam na proteção e
promoção dos direitos humanos no âmbito interamericano.
1.1 CARTA DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS (OEA)
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A Carta da Organização dos Estados Americanos, aprovada em abril de 1948 pela OEA, tem
como propósito atingir uma ordem de paz e justiça, promovendo a solidariedade e a colaboração
entre os países, bem como a integridade territorial e a sua independência.
1.2 DECLARAÇÃO AMERICANA DOS DIREITOS E DEVERES DO HOMEM
A Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem segue a diretriz das declarações de
direitos humanos da época, complementando a Carta da Organização dos Estados Americanos.
Inovou ao afirmar a concepção universalista dos direitos humanos, estabelecendo que tais
direitos decorrem da condição de ser humano, e não apenas de cidadão de determinado Estado.
Ademais, como o próprio título demonstra, a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do
Homem apresentou em seu bojo não apenas direitos, mas também os deveres das pessoas; entre
estes, o de conviver com os demais, para que cada um possa formar e desenvolver integralmente sua
personalidade.
1.3 COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
O Sistema Interamericano de Direitos Humanos possui a Comissão Interamericana, cuja função
principal é promover a observância e defesa dos direitos humanos. Para tanto, dispõe de mecanismos
como o monitoramento dos relatórios anuais dos Estados-membros; harmonização das leis nacionais
em relação aos tratados internacionais de direitos humanos; recomendações formuladas aos
governos dos Estados; eventuais visitas in loco; entre outros.
1.4 CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
A Convenção Americana de Direitos Humanas, também conhecida como Pacto de San José da
Costa Rica, foi celebrada em 1969 e constitui o principal documento do Sistema Interamericano.
1.5 CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Muito embora tenha função consultiva e contenciosa, a Corte IDH foi criada com o objetivo
principal de julgar casos de violação aos direitos humanos consagrados pela Convenção Americana
de Direitos Humanos, podendo determinar medidas protetivas em casos urgentes que apresentem
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risco eminente de violações graves, estabelecer recomendações ao Estado violador ou condená-lo
por meio de sentença.
TEMA 2 – CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS E O
DUPLO REGIME
Esta convenção, que estrutura o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, reproduziu um rol
de direitos muito semelhante ao estabelecido pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
da ONU, contudo, foi além ao determinar que os Estados busquem realização progressiva dos
direitos decorrentes das normas econômicas e sociais no que se refere à educação, ciência e cultura,
constantes na Carta da OEA.
É importante salientar que se estabelece aqui um duplo regime de proteção aos direitos
humanos. Por um lado fundamentado especificamente na Carta da OEA, sendo oponível a todos os
Estados-membros da OEA e monitorado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos; e, por
outro, com base na Convenção Americana de Direitos Humanos, que pode ser fiscalizada sua
proteção de todos os Estados que ratificaram a convenção tanto pela Comissão IDH, quanto frente à
Corte Interamericana de Direitos Humanos.
TEMA 3 – DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS
Também conhecido como Protocolo de San Salvador, o Protocolo Adicional que estabelece
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1999, teve o condão de complementar os direitos
humanos declarados pela Convenção Americana de Direitos Humanos.
Neste sentido, estabeleceu a proteção a direitos como: direito ao trabalho, previdência social,
saúde, alimentação, educação, cultura, direito a um ambiente sadio, direitos das crianças, pessoas
idosas e deficientes, entre outros.
Lembrando, contudo, que se trata de uma norma programática, cuja efetividade na
implementação depende de condições dos recursos disponíveis internos de cada país e da respectiva
legislação para que se concretizem progressivamente.
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O monitoramento destes direitos pode ser realizado pela fiscalização dos relatórios periódicos
elaborados pelos Estados e pelo peticionamento individual em caso de violação.
TEMA 4 – ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE
O protocolo adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos referente à abolição da
pena de morte foi aprovado em Assunção, Paraguai, em 1990, e vetou a aplicação de pena de morte,
permitindo a ressalva apenas em tempo de guerra, por delitos sumamente graves.
TEMA 5 – PREVENÇÃO E PUNIÇÃO CONTRA TORTURA
A Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura foi aprovada em Cartagena das
Índias, na Colômbia, em 1985, buscando coibir em toda e qualquer circunstância, ainda que em
estado de guerra, a prática de tortura.
NA PRÁTICA
Em 1998, foi analisado e sentenciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos o caso
Velásquez Rodrígues X Honduras, no qual, de acordo com a denúncia, o jovem universitário havia
sido violentamente preso pelas Forças Armadas de Honduras e sem ordem judicial. O caso foi levado
a conhecimento do governo, diante do qual se solicitaram informações, porém, sem qualquer
resposta.
Neste caso, a corte afastou a necessidade de esgotamento das vias internas, pois o Estado
sequer respondeu, declarou que houve violação dos direitos humanos por parte de Honduras e
condenou o país à indenização compensatória aos familiares da vítima. 
FINALIZANDO
Iniciamos nesta aula os estudos acerca do Sistema Interamericano de Direitos Humanos,
conhecendo sobre seu surgimento, alguns órgãos atuantes na proteção regional dos direitos
humanos e a constituição de um duplo regime entre a OEA e a Convenção Americana de Direitos
Humanos.
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Analisamos alguns dos principais documentos que estruturam e regem o funcionamento do
sistema, tais como a Convenção Americana de Direitos Humanos, a Carta da OEA e protocolos
adicionais.
REFERÊNCIAS
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Disponível em: .
Acesso em: 20 fev. 2019.
FACHIN, M. G. (Org.). Guia de proteção dos direitos humanos. Cadernos Universitários, Uninter.

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