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DIREITO INTERNACIONAL ECONÔMICO E CONTRATOS INTERNACIONAIS AULA 4 Prof. Silvano Alves Alcântara 2 CONVERSA INICIAL A Organização Mundial do Comércio (OMC) iniciou suas atividades em 1º de janeiro de 1995, em substituição ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), e desde então tem atuado como a principal instância para administrar o sistema multilateral de comércio. A OMC nasceu de negociações, e tudo o que faz é resultado de negociações. As negociações da OMC são determinadas através de rodadas. É o que veremos na aula de hoje. TEMA 1: ACORDO GERAL SOBRE TARIFAS E COMÉRCIO (GATT) Já vimos que na conferência realizada em Bretton Woods nos Estados Unidos no ano de 1944 ficou decidida a criação de três entidades internacionais que pudessem ajudar a manter o equilíbrio do comércio mundial: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Internacional do Comércio (OIC), cada qual com suas funções e responsabilidades, atuando de forma complementar entre si. No ano seguinte, em 1945, surgiram o FMI e o BIRD. A OIC surgiu somente em 1948 em outra conferência mundial realizada em Havana, através da Carta de Havana, que foi firmada por 53 países, mas os Estados Unidos não ratificaram tal acordo, impossibilitando assim sua criação de imediato. Enquanto a OIC não se tornava realidade, fazia-se necessário a criação de uma entidade que atuasse com aqueles objetivos, quando então, em 1947 em Genebra, firmou-se o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), que não se tratava de um ente internacional, mas meramente de um tratado provisoriamente firmado, que duraria até a implantação efetiva da OIC, sendo que sua implantação na realidade nunca aconteceu, ficando o GATT responsável por regular e regulamentar as relações comerciais internacionais. O GATT durou até 1995, com a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), através do Acordo de Marrakech. 3 TEMA 2: A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC) A OMC foi criada para regulamentar o comércio entre os países que dela participam, dando-lhes estrutura e subsídios necessários para que possam efetivar seus negócios entre si, ao mesmo tempo em que possibilita meios para a resolução de conflitos que possam advir dessas negociações. No âmbito da OMC, os acordos econômicos são negociados e assinados pela maioria das nações, sendo ratificados por suas entidades governamentais próprias, e mesmo tendo como signatários os governos dos países, seu maior objetivo é a viabilização dos negócios a serem realizados pelos empresários de bens e/ou serviços, sendo eles exportadores ou importadores, pois também permitem que os Estados cumpram com suas metas sociais e ambientais. Esses acordos são verdadeiros contratos que fornecem as regras legais para o comércio internacional, possibilitando aos governos manterem as suas políticas comerciais dentro dos limites estabelecidos. A OMC pode ser vista como o grande centro onde os países que dela fazem parte possam tentar solucionar controvérsias ou disputas comerciais havidas entre si, pois é especialmente uma entidade voltada ao comércio. É também o foro natural para que os países possam discutir e negociar acordos comerciais, através de um sistema particular de regras comerciais. TEMA 3: AS PRIMEIRAS RODADAS DE NEGOCIAÇÕES (GATT) As primeiras cinco rodas de negociações ainda sob a égide do GATT, foram realizadas, respectivamente, em Genebra, Annecy, Torquay, Genebra e Dillon, e tiveram como tema central a redução de tarifas. A preocupação com a redução de tarifas sempre foi tema constantes nas rodadas de negociações, desde o seu início, estando claro tal preocupação no Artigo XXVIII do GATT/47: Artigo XXVIII Negociações de tarifas 1. Os [Membros] reconhecem que as tarifas alfandegárias frequentemente constituem sérios obstáculos ao comércio; [...] As negociações deverão ser conduzidas em uma base que proporcione oportunidades adequadas que considerem: 4 (a) as necessidades de cada um [Membros] e cada indústria; (b) as necessidades [dos países Membros em desenvolvimento] de utilização de tarifa de proteção mais flexível para dar assistência ao seu desenvolvimento econômico e necessidades especiais desses países em manter suas tarifas para fins arrecadatórios; Sobre este tão importante Artigo, entendem Domingues e Oliveira (2016): É importante notar que o texto é claro ao estabelecer que as negociações deveriam garantir oportunidades adequadas, considerando as necessidades de cada um dos Membros e de cada indústria [Artigo XXVIII, (a)]. Nesse sentido, há preocupação em se proteger o desenvolvimento econômico e as necessidades de cada país para manter as suas tarifas com finalidades arrecadatórias, por exemplo, assim como o desenvolvimento fiscal e estratégico [Artigo XXVIII, (b)]. TEMA 4: AS RODADAS KENNEDY, TÓQUIO E URUGUAI A Rodada Kennedy, sexta a ser realizada, também cuidou da redução de tarifas, mas também esteve preocupada na adoção de medidas de defesa comercial, como a proibição de dumping. Estavam presente 62 países, onde a comunidade europeia (CE) participou como bloco, e, é claro, já de imediato mostrou o seu poder, principalmente no embate contra o poderio econômico americano. A rodada seguinte, a sétima a se realizar, foi a Rodada Tóquio, com um aumento significativo de países participantes, num total 102 países. Além dos aspectos tarifários, esta rodada também esteve preocupada com as barreiras não tarifárias, principalmente em virtude de que muitos países estavam adotando como meio de proteção alguns destes mecanismos como práticas de comércio internacional. Na sequência, aconteceu a oitava rodada, a Rodada Uruguai, tida como a mais importante de todas, em razão de sua abrangência. Contou com a participação de 123 países. Iniciou em 1986, na cidade de Punta del Este, no Uruguai, e só teve seu final em 1994, na cidade de Marrakech, no Marrocos. O maior objetivo dessa rodada foi a integração às regras internacionais daqueles Estados e/ou setores que até então estavam excluídos das 5 discussões sobre o comércio internacional, em virtude do protecionismo, como o setor têxtil e a agricultura. TEMA 5: A RODADA DOHA Em novembro de 2001, em Doha no Catar, foi lançada a primeira rodada de negociações multilaterais no âmbito da OMC e a nona desde a criação do GATT. Sob a denominação indicativa de Rodada de Desenvolvimento de Doha, seus participantes se comprometeram a buscar a liberalização comercial e o crescimento econômico, com ênfase nas necessidades dos países em desenvolvimento. A Rodada de Doha é a mais recente rodada de negociações comerciais entre os membros da OMC. Seu objetivo é conseguir uma grande reforma do sistema de comércio internacional através da introdução de barreiras comerciais menores e as regras do comércio revistas. O Brasil e os demais países em desenvolvimento entendem que o centro das negociações da Rodada Doha é em agricultura. Nesse sentido, a Rodada objetiva corrigir tanto quanto possível as distorções que prevalecem no comércio agrícola, com a eliminação dos subsídios à exportação, redução substancial e disciplinamento dos subsídios à produção (apoio interno), além de maior acesso aos mercados. No cenário atual de crise econômica e consequente aumento das pressões protecionistas, a conclusão da Rodada se torna ainda mais necessária, para fortalecer a credibilidade da OMC e do sistema multilateral de comércio. Saiba mais sobre este tema, acesse: http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/diplomacia- economica-comercial-e-financeira/694-a-rodada-de-doha-da-omc NA PRÁTICA Certa nação soberana, mas tratando-se ainda de um país em desenvolvimento, deseja abrir o mercado internacionalpara seus produtos e http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/diplomacia-economica-comercial-e-financeira/694-a-rodada-de-doha-da-omc http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/diplomacia-economica-comercial-e-financeira/694-a-rodada-de-doha-da-omc 6 serviços. Não participa de nenhuma organização internacional ligada ao comércio, nem mesmo possui entre seus representantes profissionais qualificados para negociar com possíveis nações estrangeiras que estejam interessadas em adquirir seus produtos e serviços. Como deverão agir os governantes dessa nação para que tenham bons resultados em suas negociações internacionais? SÍNTESE Nesse encontro estudamos o GATT, a OMC e as rodadas de negociações. Observamos que o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) surgiu para criar e regular um novo sistema para o comércio internacional, alicerçado no livre comércio e no multilateralismo, em virtude de que, mesmo tendo sido criada, a Organização Internacional do Comércio (OIT) não se sustentou. Vimos também que o GATT permaneceu ativo até 1995, quando foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC) para regulamentar o comércio internacional, dando aos países participantes toda a estrutura e subsídios necessários para que possam efetivar os negócios entre si, através de rodadas de negociações onde são definidas as regras para os acordos multilaterais. A OMC também se presta a fornecer meios para a resolução de conflitos que possam advir dessas negociações. REFERÊNCIAS DOMINGUES, J. O.; OLIVEIRA, C. G. B. Direito econômico internacional. Curitiba: Intersaberes, 2016. GOMES, E. B. Direito da integração econômica. Curitiba: Intersaberes, 2015. Capítulo 2.