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DIREITO INTERNACIONAL ECONÔMICO E CONTRATOS INTERNACIONAIS AULA 3 Prof. Silvano Alves Alcântara 2 CONVERSA INICIAL Neste encontro faremos o estudo dos princípios que sustentam o livre comércio no sistema multilateral da OMC. Esses princípios são basilares à relação comercial internacional, e, quanto mais são aplicados e respeitados pelos sujeitos dessa relação, tanto melhor serão suas relações comerciais. TEMA 1: PRINCÍPIO DA NÃO-DISCRIMINAÇÃO O princípio da não-discriminação é relativo a bens e pode ser analisado sob duas óticas: 1) Quando indica o entendimento de que se um país conceder algum benefício ou privilégio a outro país, terá que concedê-lo aos demais membros da OMC, é o princípio da nação mais favorecida. Este princípio nasceu da Cláusula NMF (nação mais favorecida), que se encontra no Artigo I do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), que segundo Domingues e Oliveira (2016) pode ser justificada por argumentos de caráter econômico e político. Os argumentos econômicos anunciam, também, vários pressupostos de política econômica favoráveis à Cláusula NMF, considerando que a “não- discriminação” favorece o livre comércio; 2) Quando impede o tratamento diferenciado dos produtos internacionais em relação aos produtos nacionais, tendo como objetivo a discriminação do produto importado, desfavorecendo-o em relação à competição com o produto nacional, é o princípio do tratamento nacional. De acordo com Barral (2007), pelo princípio da não-discriminação podemos entender que uma parte contratante está impedida de discriminar ou criar barreiras à circulação de produtos importados com outras medidas além da aplicação da tarifa consolidada negociada, pois de nada adiantaria negociar baixas tarifas depois exigir impostos diferenciados ou licenças especiais que inviabilizassem a revenda do produto importado ao consumidor nacional. TEMA 2: PRINCÍPIO DA PREVISIBILIDADE Também chamado de princípio da transparência, visa impedir a restrição ao comércio internacional com a imposição de regras arbitrárias sobre o 3 comércio internacional, através da consolidação dos compromissos tarifários para bens e das listas de ofertas em serviços. De maneira geral, todas as relações devem ser ajustadas sob a baliza do princípio da boa-fé. Também no Direito Internacional Econômico é de vital importância que nas relações entre seus sujeitos esteja presente a boa-fé, como também a previsibilidade das regras já existentes e acordadas, trazendo, acima de tudo, a segurança jurídica tão necessária à essas relações. É dizer, em outras palavras, que o que foi acordado deverá ser cumprido, aplicação simples da cláusula implícita aos contratos, da pacta sunt servanda. Os sujeitos do comércio exterior precisam de previsibilidade e transparência em suas operações, tanto em suas exportações quanto nas suas importações, portanto, faz-se necessário a publicidade de todas as regras, regulamentos, decisões administrativas e judiciais e leis relacionados ao comércio, para que todos tenham conhecimento e possam desenvolver suas atividades com segurança. Com o objetivo de garantir essa previsibilidade, é de vital importância consolidar os compromissos tarifários para bens e as listas de ofertas para os serviços. TEMA 3: PRINCÍPIO DA CONCORRÊNCIA LEAL O princípio da concorrência leal tem o intuito de garantir um comércio internacional justo, sem práticas desleais, como os subsídios (alguns Estados dão dinheiro aos agricultores de seus países, permitindo a produção de itens mais baratos e mais competitivos perante os itens/produtos dos outros países). No entendimento de Domingues e Oliveira (2016), a aplicação desse princípio se dá basicamente, identificando-se iguais oportunidades, sem a aplicação de barreiras artificiais de comércio, e por meio da coibição das práticas desleais de comércio (tais como a prática de dumping e subsídios). Não resta dúvidas que a aplicação e efetivação deste princípio é tarefa muito árdua, especialmente se levarmos em consideração as diferenças gritantes e em vários aspectos, que podem aparecer entre os sujeitos envolvidos, mas de toda a sorte, todos os envolvidos devem superar qualquer obstáculo, estabelecendo normas que deixem atores do comércio internacional 4 em igualdades de condições em suas relações, para se evitar que as práticas desleais possam acontecer. TEMA 4: PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DE RESTRIÇÕES QUANTITATIVAS O Artigo XI do GATT proíbe a utilização restrições quantitativas ou de quotas como forma de proteção às relações comerciais internacionais. Tal princípio impede que os países façam restrições quantitativas, ou seja, imponham quotas ou proibições a certos produtos internacionais como forma de proteger a produção nacional. É bem verdade que a proibição ou a eliminação das restrições quantitativas não possuem caráter absoluto, o que seria muito difícil de ser aplicado, portanto comportam algumas exceções, como nos explica Caparroz (2014): a) quando aplicadas temporariamente às exportações para prevenir ou minorar situações críticas, como o desabastecimento de produtos; b) em caso de aplicação de normas ou regulamentos referentes à classificação, controle de qualidade ou venda de mercadorias destinadas ao exterior; c) importação de produtos agrícolas e similares, como procedimento regulatório para o mercado de produtos nacionais similares, com carência de produção ou, ao revés, quando da necessidade de absorção temporária de eventuais excedentes. (Caparroz, 2014, p.117) O único mecanismo de proteção da produção nacional permitido é a tarifa. A determinação de quotas tarifárias é uma situação especial e pode ser utilizada desde que as quotas estejam previstas nas listas de compromissos dos países. TEMA 5: PRINCÍPIO DO TRATAMENTO ESPECIAL E DIFERENCIADO PARA PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO Tem como objetivo que os países em desenvolvimento tenham vantagens tarifárias, além de medidas mais favoráveis que deverão ser realizadas pelos países desenvolvidos. 5 Novamente aqui o equilíbrio nos acordos a serem firmados entre os sujeitos do Direito Internacional Econômico deve ser a regra. Assim, com a implementação de um comércio justo, também denominado de fair trade, com regras isonômicas, inclusivas e diferenciadas para que os países em desenvolvimento possam competir no comércio internacional no mesmo nível que os países desenvolvidos, estará se aplicando o princípio em comento. De acordo com Saldanha (2012, p.17) é necessário a determinação de regras que assegurem um equilíbrio justo entre custos e benefícios de um sistema de comércio aberto e flexibilidade apropriada aos países em desenvolvimento de uma forma legítima e sustentável. (Saldanha, 2012, p. 17) O conteúdo desta aula pode ser melhor compreendido acessando: http://www.tradeoff.freeservers.com/GATT.HTM NA PRÁTICA Pode um país, para proteger o seu mercado interno, determinar benefícios ou privilégios para outro país em relação ao comércio entre eles, discriminando outros que com ele mantém relações comerciais? Será que o comércio internacional é balizado por princípios e que todos os Estados devem respeitá-los? SÍNTESE Estudamos nesta aula os princípios essenciais do livre comércio internacional, sendo eles o princípio da não-discriminação, o princípio da previsibilidade, o princípio da concorrência leal, o princípio da proibição de restrições quantitativas e o princípio do tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento. Vimos que, de maneira geral, todos eles existem para dar equilíbrio às relações comerciais internacionais, sendo que particularmente cada um garante em determinada situação a proteção que esta merece. http://www.tradeoff.freeservers.com/GATT.HTM6 REFERÊNCIAS BARRAL, W. O comércio internacional. Belo Horizonte: Del Rey, 2007. CAPARROZ, R. Comércio internacional e legislação aduaneira esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2014. DOMINGUES, J. O.; OLIVEIRA, C. G. B. Direito econômico internacional. Curitiba: Intersaberes, 2016. NYEGRAY, J. A. L. Legislação aduaneira, comércio exterior e negócios internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2016. Capítulo 10.2. SALDANHA, E. Desenvolvimento e tratamento especial e diferenciado na OMC: uma abordagem sob a perspectiva da doutrina do stare decisis – Parte I. In: Revista de Direito Econômico e Socioambiental. V. 3, n. 1, 2012.