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Aula 03 - Princípios Implícitos
Concluído
Matérias
Organização da Administração Pública e a Prestação de
Serviços Públicos
Prazo
Princípios Implícitos
1� Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Privado;
Esse princípio estabelece que, em situações de conflito, o interesse coletivo
deve prevalecer sobre o interesse individual. Ele justifica prerrogativas da
Administração, como desapropriação e intervenção em propriedade privada,
sempre com indenização justa. A supremacia não significa anulação do direito
privado, mas sua limitação quando necessário para proteger o bem comum.
2� Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público;
O gestor público não pode dispor livremente dos bens e interesses coletivos
como se fossem seus. Ele atua como administrador de recursos que pertencem
à sociedade. Por isso, não pode renunciar a direitos públicos sem previsão
legal, nem negociar interesses coletivos como faria um particular. Esse
princípio garante que o patrimônio público seja protegido contra
arbitrariedades.
3� Princípio da Razoabilidade;
A razoabilidade exige que os atos administrativos sejam coerentes,
equilibrados e compatíveis com a realidade. O gestor deve agir com bom
senso, evitando medidas desproporcionais ou absurdas. Esse princípio é muito
usado pelo Judiciário para invalidar atos que, embora legais, sejam irrazoáveis,
como exigências burocráticas excessivas ou punições desmedidas.
4� Princípio da Proporcionalidade;
Próximo da razoabilidade, mas com estrutura própria: exige que a medida
adotada seja adequada, necessária e proporcional em sentido estrito. É
aplicado em casos de restrição de direitos fundamentais, garantindo que o
Estado não imponha sacrifícios maiores que os benefícios buscados. Exemplo:
uso de força policial deve ser proporcional à ameaça enfrentada.
24 de agosto de 2026
Aula 03 - Princípios Implícitos 1
https://app.notion.com/p/Organiza-o-da-Administra-o-P-blica-e-a-Presta-o-de-Servi-os-P-blicos-3b8f332d566d806cbb39ffea29ef5fec?pvs=21
https://app.notion.com/p/Organiza-o-da-Administra-o-P-blica-e-a-Presta-o-de-Servi-os-P-blicos-3b8f332d566d806cbb39ffea29ef5fec?pvs=21
5� Princípio da Isonomia �Artigo 5° “Caput” da CF/88�;
A isonomia assegura que todos sejam tratados de forma igual perante a lei,
sem privilégios ou discriminações injustificadas. No âmbito administrativo,
significa que concursos públicos devem oferecer igualdade de condições,
licitações devem ser abertas a todos os interessados e políticas públicas
devem respeitar critérios objetivos.
6� Princípio da Inafastabilidade do Interesse Público;
Esse princípio garante que nenhuma lesão ou ameaça a direito pode ser
excluída da apreciação do Poder Judiciário. É a base do sistema de jurisdição
único no Brasil, assegurando que qualquer cidadão possa recorrer ao
Judiciário para proteger seus direitos contra abusos da Administração.
7� Sistema de Jurisdição Único �Artigo 5°, XXXV da CF/88�;
Previsto também no art. 5º, XXXV, CF/88, significa que apenas o Poder
Judiciário tem competência para julgar definitivamente conflitos de interesse.
Diferente de países que adotam jurisdição dual (como França, com tribunais
administrativos), no Brasil não há um Judiciário separado para causas
administrativas. Isso reforça a unidade e a imparcialidade da jurisdição.
Princípios Explícitos:
Artigo 37, “Caput”, da CF/88
"A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”
1� Princípio da Legalidade;
Significa que o administrador público só pode agir quando autorizado pela lei.
Enquanto o cidadão comum pode fazer tudo o que não é proibido, o agente
público só pode fazer o que está expressamente permitido. Esse princípio
protege contra arbitrariedades e assegura previsibilidade, funcionando como
um escudo para os direitos fundamentais.
2� Princípio da Impessoalidade;
Reforça que os atos administrativos devem ser praticados em nome do
interesse público, sem favorecimentos ou perseguições pessoais. Ele também
impede a promoção individual de autoridades, como quando obras públicas
não podem ser usadas para propaganda pessoal de governantes. A
Aula 03 - Princípios Implícitos 2
impessoalidade garante que o Estado não se confunda com a figura de quem o
administra.
3� Princípio da Moralidade;
Exige que a conduta administrativa seja ética, honesta e de boa-fé. Ele vai além
da legalidade: mesmo um ato legal pode ser inválido se for imoral, como no
caso do nepotismo. Esse princípio é fundamental porque aproxima o Direito da
ética, permitindo que a sociedade e o Judiciário controlem não apenas a
legalidade, mas também a integridade das ações públicas.
4� Princípio da Publicidade;
Garante transparência e acesso às informações públicas. Os atos
administrativos devem ser divulgados para legitimar a atuação estatal e
permitir fiscalização pelos cidadãos. A publicidade é essencial para o controle
social, embora existam exceções em casos de sigilo legal, como segurança
nacional ou investigações sigilosas.
5� Princípio da Eficiência �Emenda Constitucional de número 98 do ano de
1998�.
Introduzido pela Emenda Constitucional nº 19/1998, exige que a Administração
Pública busque resultados rápidos e eficazes, com uso racional dos recursos.
Ele representa a modernização da gestão pública, voltada para produtividade e
qualidade na prestação dos serviços. A eficiência aproxima o Estado da lógica
empresarial, sem perder de vista o interesse coletivo.
Cinco Elementos dos Atos Administrativos:
Competência
É o poder conferido pela lei ao agente público para praticar determinado ato. A
competência é sempre vinculada, ou seja, não pode ser ampliada ou reduzida
por vontade própria do administrador. Exemplo: apenas o prefeito pode
sancionar leis municipais, e apenas o presidente pode sancionar leis federais.
Se um ato for praticado por autoridade incompetente, ele é nulo.
Forma
Refere-se ao modo como o ato deve ser exteriorizado. Em regra, os atos
administrativos precisam ser escritos e obedecer às formalidades legais (como
publicação em diário oficial, assinatura, carimbo, etc.). A forma garante
transparência e controle. Exemplo: nomeação de servidor público deve ser
publicada oficialmente para ter validade.
Aula 03 - Princípios Implícitos 3
Objeto
É o conteúdo do ato, aquilo que ele efetivamente dispõe ou determina. O objeto
deve ser lícito, possível e determinado. Exemplo: um ato que concede licença
para construir é válido se o objeto (a construção) respeitar a legislação
urbanística. Se o objeto for ilegal ou impossível, o ato é inválido.
Motivo
É a razão que leva a Administração a praticar o ato, ou seja, o fundamento de
fato e de direito. O motivo deve ser verdadeiro e compatível com a lei. Exemplo:
a demissão de servidor por abandono de cargo só é válida se houver provas
concretas do abandono. Se o motivo for falso, o ato pode ser anulado.
Finalidade
É o objetivo que o ato busca alcançar: sempre o interesse público. Mesmo que
o ato seja legal, se for praticado com finalidade diversa (como favorecer
alguém ou perseguir adversários), ele é inválido por desvio de finalidade.
Exemplo: desapropriar um terreno para construir escola é legítimo;
desapropriar para beneficiar amigo é ilegal.
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