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Direito das Sucessões
Sucessão Legítima – Parte I
Professora LUCIANA DE PAULA ASSIS FERRIANI
I – Parentesco
Consanguíneo e Civil
Interessam ao Direito 
das Sucessões.
Parentesco em linha reta
Ascendentes e 
Descendentes
(pais, filhos, avós, netos, 
bisavós, bisnetos e etc.)
Parentesco em linha colateral
Pessoas ligadas a um 
ascendente comum. 
(irmãos, sobrinhos, tios, 
primos). Limite 4º grau.
Contagem de graus dos parentes
Pelo número de gerações
Parentesco em linha reta
Pai e filho: 1º grau
Avô e neto: 2º grau
Parentesco em linha colateral
Conta-se até o ascendente comum e 
conta novamente ao outro parente.
Irmãos: 2º grau.
Tios e sobrinhos: 3º grau.
Primos. Tio avô e sobrinho neto: 4º grau.
Parentes por afinidade
Não estão na ordem de 
vocação hereditária.
Sogro, sogra, nora, genro, 
cunhados, enteados.
Não são herdeiros.
Obs:
Regime da comunhão universal.
II - A legítima e os herdeiros 
necessários
• A legítima é a parcela da herança destinada aos herdeiros 
necessários.
• Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a 
metade dos bens da herança, constituindo a legítima.
• Se não existirem herdeiros necessários, o autor da herança 
terá liberdade de dispor de todo o seu patrimônio por 
testamento.
• Os herdeiros necessários não podem ser afastados da 
herança por simples vontade do autor da herança.
Cálculo da legítima
Calcula-se a legítima sobre o valor dos 
bens existentes na abertura da 
sucessão, abatidas as dívidas e as 
despesas do funeral, adicionando-se, 
em seguida, o valor dos bens sujeitos 
a colação.
O patrimônio líquido será dividido em 
duas partes. A legítima e a disponível. 
Se for necessário, bens doados pelo 
autor da herança em vida voltam para 
a colação.
Herdeiro necessário e parte disponível
Art. 1.849 do CC
O herdeiro necessário, a quem o testador 
deixar a sua parte disponível, ou algum 
legado, não perderá o direito à 
legítima.(Artigo 1849 do CC)
Consequência prática
O autor da herança pode beneficiar um 
dos filhos com a parte disponível. 
Somente não poderá ultrapassar esta 
cota. Não existe nenhuma restrição. 
Nessa situação, este filho terá parcela 
maior da herança.
Parte disponível e demais herdeiros necessários
Outros herdeiros necessários
Isso vale também para outros herdeiros 
necessários, como outros descendentes, 
ascendentes, ou mesmo o cônjuge ou 
companheiro.
Cônjuge em separação obrigatória
O cônjuge casado em separação 
obrigatória pode ser beneficiado com a 
parte disponível. Não existe nenhum óbice 
para tanto.
Herdeiros facultativos
Os colaterais são 
herdeiros facultativos.
Por isso, para serem 
excluídos da sucessão, 
basta que o testador 
disponha de seu 
patrimônio sem os 
contemplar.
Com relação aos 
companheiros, 
prevalece a posição de 
que não podem ser 
excluídos da herança, tal 
como acontece com o 
cônjuge.
Reserva da legítima
O Brasil aderiu ao sistema da 
reserva da legítima. Em 
oposição à liberdade de 
testar. O argumento é o de 
que o arbítrio do autor da 
herança poderia levar à 
exclusão dos familiars.
No entanto, em vida, o autor 
da herança poderá fazer o que 
quiser com seus bens e não 
deixar nada de herança ou 
legítima. Pode, se quiser, 
vender todos os seus bens e 
gastar o dinheiro, enquanto 
vivo.
Assim, os herdeiros 
necessários não tem efetiva 
certeza de que receberão o 
seu devido quinhão.
Obs.: A lei admite a deserdação dos herdeiros necessários nas hipóteses taxativamente previstas no 
Código Civil (arts. 1.961 a 1.965), mediante disposição testamentária expressa, com indicação da causa.
Cláusulas restritivas da legítima
Regra geral
A legítima não pode ser desviada em 
prejuízo aos herdeiros necessários, no 
entanto, o autor da herança pode, em 
testamento, indicar quais serão os bens 
de seu acervo que a formarão.
Art. 2.014 do CC
Pode o testador indicar os bens e valores 
que devem compor os quinhões 
hereditários, deliberando ele próprio a 
partilha, que prevalecerá, salvo se o valor 
dos bens não corresponder às quotas 
estabelecidas.
Partilha em vida e por testamento
A partilha de ascendente para descendente 
também pode ser feita em vida, desde que 
não prejudique a legítima dos herdeiros 
necessários. (Artigo 2018 do CC)
Pode, ainda, o ascendente antecipar a 
partilha em testamento, já fazendo as 
distribuições dos quinhões.
Mas, também não pode prejudicar a legítima. Se o doador ou testador for casado no 
regime de comunhão universal de bens e o 
cônjuge lhe sobreviver, este tem preferência 
na escolha dos bens a serem partilhados, 
pois metade já lhe pertence como meação.
III - Sucessão Legítima 
• A sucessão legítima é a transmissão causa mortis deferida 
às pessoas indicadas na lei como herdeiras do autor da 
herança.
• A indicação é feita através da ordem de vocação 
hereditária.
• O critério são os laços familiares.
• Estão na ordem de vocação hereditária: descendentes, 
ascendentes, cônjuge/companheiro e colaterais até o 
quarto grau.
Classes de herdeiros e direito de representação
As pessoas indicadas 
são classificadas em 
classes, sendo que 
existindo um herdeiro de 
uma classe, são 
excluídos os integrantes 
das classes seguintes.
Na mesma classe, os 
mais próximos excluem 
os mais remotos. Os 
parentes mais próximos 
excluem os de grau mais 
remoto com o falecido.
Exceção: Direito de 
representação dos 
descendentes e de filhos 
de irmãos.
Hipóteses de Sucessão Legítima
1 Ausência de disposição de última 
vontade.
2 Existe testamento, mas o mesmo 
perdeu a eficácia porque caducou.
3 Existe testamento, mas não 
contemplou a universalidade de bens 
do testador.
4 Quando existirem herdeiros 
necessários.
Extensão da Sucessão Legítima
À totalidade do acervo. À parte do acervo, quanto aos bens não 
compreendidos no testamento ou quando 
existirem herdeiros necessários.
Parentesco na Sucessão Legítima
Linha reta
O parentesco consanguíneo ou civil 
interessa ao direito das sucessões.
Estão na ordem de vocação hereditária 
os descendentes e ascendentes, não 
importando o grau, sendo estes parentes 
em linha reta.
Linha colateral
E também os colaterais, sendo que 
limitados ao quarto grau.
A contagem de graus, seja para os 
parentes em linha reta, como para os 
colaterais, é feita pelo número de 
gerações entre os parentes.
Parentes por afinidade e filiação socioafetiva
Parentes por afinidade
Os parentes por afinidade não estão na 
ordem de vocação hereditária.
Desta forma, sogro, sogra, genro, nora, 
cunhados não herdam uns dos outros. 
Não são herdeiros.
Com relação aos enteados, madrastas e 
padrastos, em princípio também não 
herdam.
Exceção: Socioafetividade
Entretanto se for estabelecido o vínculo 
de filiação socioafetiva (judicialmente ou 
administrativamente) estes passam a ser 
herdeiros uns dos outros.
Ordem de vocação hereditária
Sistema de classes
A lei dá uma sequência de classes, 
sendo que existentes herdeiros de uma 
classe, as seguintes não têm direito à 
herança.
Critério de vínculo
São pessoas ligadas ao falecido por 
vínculo de parentesco, casamento ou 
união estável.
Ordem de sucessores legítimos – 4 classes
Vide artigo 1829.
1 Aos descendentes, em concorrência 
com o cônjuge/companheiro 
sobrevivente. (DEPENDE DO REGIME DE 
BENS)
2 Aos ascendentes, em concorrência com 
o cônjuge ou companheiro; (NÃO 
DEPENDE DO REGIME DE BENS)
3 Ao cônjuge/companheiro sobrevivente; 
(NÃO DEPENDE DO REGIME DE BENS)
4 Aos colaterais.
Observação: Ao companheiro aplicam-se as regras da sucessão do cônjuge, por 
conta de decisão proferida pelo STF.
Preferência entre as Classes de Herdeiros
A distribuição é feita por classes de preferência. Se presentes herdeiros de uma classe, 
os outros não são convocados para receber a herança.
Exemplo: Se presente apenas um neto do falecido, ele é descendente. Estando 
excluídos os herdeiros da classedos ascendentes, mesmo que estejam vivos.
Cônjuge ou Companheiro e Colaterais
01
O cônjuge e o companheiro 
podem concorrer com os 
descendentes, mas vai 
depender do regime de bens do 
casamento.
02
Concorrem com ascendentes, 
independente do regime de 
bens, o cônjuge ou 
companheiro.
03
Na falta de descendentes ou 
ascendentes, o cônjuge ou 
companheiro herdam a 
totalidade do acervo, também 
independente do regime de 
bens.
04
Na falta de herdeiros das classes anteriores, somente aí serão chamados os colaterais.
Artigo 1.829
A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
01
aos descendentes, em concorrência com o cônjuge 
sobrevivente, salvo se casado este com o falecido 
no regime da comunhão universal, ou no da 
separação obrigatória de bens (art. 1.640, 
parágrafo único); ou se, no regime da comunhão 
parcial, o autor da herança não houver deixado 
bens particulares;
02
aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
03
ao cônjuge sobrevivente;
04
aos colaterais.
(Vide Recurso Extraordinário nº 646.721) (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694)
IV – Sucessão dos 
Descendentes
Os descendentes integram a primeira classe da 
ordem de vocação hereditária e têm preferência 
em relação aos ascendentes e colaterais.
Artigos 1.833, 1.834 e 1.835
Art. 1.833.
Entre os descendentes, 
os em grau mais 
próximo excluem os 
mais remotos, salvo o 
direito de 
representação.
Art. 1.834.
Os descendentes da 
mesma classe têm os 
mesmos direitos à 
sucessão de seus 
ascendentes.
Art. 1.835.
Na linha descendente, 
os filhos sucedem por 
cabeça, e os outros 
descendentes, por 
cabeça ou por estirpe, 
conforme se achem ou 
não no mesmo grau.
Descendentes: Preferência Sucessória
Os descendentes aparecem 
na primeira classe em 
concorrência com o cônjuge 
ou companheiro.
Independentemente de 
existirem viúva ou viúvo, os 
descendentes tem 
preferência frente aos 
outros herdeiros. Com isso, 
se uma pessoa falece e 
deixa descendentes, os 
ascendentes e colaterais 
estão excluídos da herança.
Se falece e não tem 
descendentes ou 
ascendentes e não tem 
cônjuge ou companheiro, os 
colaterais é que serão 
herdeiros.
Se não deixar colateral a herança é jacente.
Descendentes: Proximidade de Grau
Na sucessão dos 
descendentes, se o 
falecido deixa todos os 
filhos vivos e vários 
netos, todos são 
descendentes.
Nessa situação aplica-se 
a regra de que o mais 
próximo exclui o mais 
remoto.
Por isso os filhos irão 
herdar e os netos não.
a) Sucessão por direito próprio (por cabeça)
Definição
Ocorre quando o próprio sucessor do 
autor da herança recebe todo o acervo 
sozinho ou com outros da mesma classe 
e do mesmo grau.
A divisão será feita em partes iguais.
Exemplos
Se apenas os filhos sucederem, estes 
herdarão por direito próprio.
Se apenas netos receberem a herança, 
porque todos os filhos já faleceram ou 
renunciaram, também sucederão por 
cabeça e a divisão também será feita em 
partes iguais.
b) Sucessão por representação (por estirpe)
Ocorre quando alguém 
é chamado para 
assumir o lugar de 
quem deveria suceder 
diretamente e faleceu.
Na sucessão dos 
descendentes, ocorre 
quando um herdeiro 
faleceu antes do autor 
da herança e seus 
descendentes herdam 
como se aquele vivo 
fosse.
Nessa situação haverá 
concorrência entre 
sucessores de graus 
diferentes.
Partilha por Estirpe
A partilha é feita por 
estirpe e não por cabeça 
eis que a divisão é feita 
de forma desigual.
Os netos muitas vezes 
herdam por 
representação.
O direito de representação 
somente acontece na 
sucessão legítima.
Descendentes: Regras Gerais
São herdeiros 
necessários.
A sucessão vai até o 
infinito. Não há limite de 
graus. Herdam filhos, 
netos, bisnetos, trinetos, 
etc.
Os mais próximos 
excluem os mais 
remotos, salvo direito de 
representação.
Princípio da igualdade dos filhos
Sucessão legítima
Na sucessão legítima todos os filhos 
terão direitos iguais, não importa a 
origem.
Pode ser dentro do casamento, fora do 
casamento, por adoção, por reprodução 
assistida, socioafetivos. Todos terão os 
mesmos direitos.
Sucessão testamentária
Porém, na sucessão testamentária, em 
relação a parte disponível, poderá ocorrer 
a desigualdade.
V – Sucessão dos 
Ascendentes
Na ausência de descendentes, os ascendentes 
são chamados à sucessão, observando-se a 
proximidade de grau e as regras próprias da 
sucessão por linha.
Ascendentes: Regras Gerais
Na ausência de 
descendentes, são 
chamados os 
ascendentes a 
sucessão.
Se houver, concorrem 
com cônjuge ou 
companheiro.
Os ascendentes também 
são herdeiros 
necessários.
Proximidade de Grau entre Ascendentes
Também vale a regra de que os mais 
próximos excluem os mais remotos.
Não há direito de representação.
Se os pais forem vivos excluem avós, 
bisavós etc.
No sistema brasileiro, os avós, bisavós 
e outros ascendentes estão na frente 
dos irmãos.
Sucessão por linha
Característica da sucessão 
dos ascendentes.
Recebe metade a linha 
materna e a outra metade a 
linha paterna.
Na falta de herdeiros de uma 
linha, a outra recebe a 
totalidade.
Art. 1.836
Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os ascendentes, em concorrência 
com o cônjuge sobrevivente.
§ 1º
Na classe dos ascendentes, o grau 
mais próximo exclui o mais remoto, 
sem distinção de linhas.
§ 2º
Havendo igualdade em grau e 
diversidade em linha, os ascendentes 
da linha paterna herdam a metade, 
cabendo a outra aos da linha materna.
Multiparentalidade e Sucessão por Linha
Descendentes
Na sucessão dos 
descendentes a divisão é 
por igual.
Ascendentes
Na sucessão dos 
ascendentes é mantida a 
regra da sucessão por 
linha.
Multiparentalidade
Se existirem 2 mães ou 
dois pais o raciocínio será 
o mesmo.
Enunciado 642 – VIII Jornada de Direito Civil
Nas hipóteses de multiparentalidade, havendo o falecimento do descendente com o 
chamamento de seus ascendentes à sucessão legítima, se houver igualdade em grau 
e diversidade em linha entre os ascendentes convocados a herdar, a herança deverá 
ser dividida em tantas linhas quantos sejam os genitores.
Fonte: Conselho de Justiça Federal – VIII Jornada de Direito Civil
Até a próxima aula!
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