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SLIDE 2 Parentesco é o vínculo familiar que conecta pessoas e gera efeitos jurídicos entre elas. Pode surgir de laços de sangue, adoção, socioafetividade, afinidade, entre outras formas. Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. O parentesco é organizado em linhas e contado em graus, que indicam a distância entre os parentes. As linhas podem ser retas ou colaterais, e os graus são expressos em numeração ordinal (primeiro, segundo, etc.). Exemplo: na linha reta, pai e filho são parentes de primeiro grau, e avô e neto são de segundo grau. Já na linha colateral, irmãos são parentes de segundo grau, enquanto tio e sobrinho são de terceiro grau. As normas de parentesco são obrigatórias, não podendo ser desfeitas pela vontade das partes, salvo na adoção. Assim, mesmo sem o poder familiar, permanecem efeitos como impedimento para casamento e direito sucessório. A adoção pode extinguir o parentesco biológico, substituindo-o por um novo vínculo. • LINHA RETA Parentes em linha reta são aqueles ligados por descendência direta, com ou sem vínculo biológico. Essa linha pode ser ascendente (como pais e avós) ou descendente (como filhos e netos), não havendo limite de grau, pois o parentesco é infinito. A linha ascendente ainda pode se dividir em paterna e materna. • LINHA COLATERAL (TRANSVERSAL) A linha colateral é o parentesco entre pessoas que têm um ancestral comum, mas não descendem diretamente umas das outras, sendo definido a partir de um ponto de interseção entre elas. Exemplo: irmãos têm os mesmos pais (entroncamento comum), mas não descendem um do outro. Da mesma forma, tio e sobrinho têm como ponto comum os avós do sobrinho (pais do tio). Na linha transversal não se exige dupla origem (paterna e materna), ou seja, para ser parente não é necessário que o parentesco venha simultaneamente do pai e mãe. Por exemplo, duas pessoas podem ser irmãos sendo parentes apenas em razão do pai ou da mãe (irmãos unilaterais), assim como podem ter a dupla origem (irmãos bilaterais/germanos). No parentesco colateral, existem limites de parentesco apresentados pelo sistema jurídico. Só é estabelecido parentesco transversal entre pessoas ligadas até o quarto grau (primos, tio-avô com sobrinho- neto). Existem outras limitações decorrentes do parentesco colateral: i) Os alimentos só podem ser cobrados, entre colaterais, até o segundo grau (irmãos) - (art. 1.697 CC) ii) Os impedimentos matrimoniais (art. 1.521, IV CC) somente alcançam os parentes transversais até o terceiro grau (tio e sobrinho). iii) O Direito sucessório entre colaterais é reconhecido aos parentes ligados até o quarto grau (art. 1.839 CC) • GRAU O grau de parentesco indica a distância entre gerações, mostrando a proximidade ou afastamento entre os parentes. A contagem segue a regra do art. 1.594 do Código Civil. Na linha colateral, não há primeiro grau; o parentesco começa a partir do segundo grau (como entre irmãos). • EFEITOS JURÍDICOS DO PARENTESCO Dentre os efeitos jurídicos decorrentes do parentesco, tem-se, dentre outros: 1) Impõe impedimentos matrimoniais. 2) Confere direito à herança. 3) Dá direito de guarda e visita entre parentes. 4) É hipótese de suspeição do juiz em processo, bem como membros do MP e serventuários da justiça. 5) É hipótese de impedimento de testemunho. 6) Pode impedir contratação no serviço público por causa de nepotismo 7) Pode ser causa agravante de pena ESPÉCIES DE PARENTESCO • Parentesco natural e civil O parentesco pode ser classificado de forma didática em natural e civil, sem que isso gere diferenças nos direitos, já que todos são considerados parentes. O parentesco natural, ou consanguíneo, decorre de vínculo biológico, podendo originar-se de relações sexuais ou de técnicas de fertilização medicamente assistidas. Já o parentesco civil não envolve vínculo biológico e é formado em casos como adoção, socioafetividade ou outras situações previstas em lei. Exemplo: irmãos de sangue têm parentesco natural, enquanto um filho adotivo ou uma criança criada por socioafetividade mantém parentesco civil com os pais e irmãos, possuindo os mesmos direitos legais. • Parentesco por afinidade O casamento e a união estável geram um tipo especı5́ico de parentesco chamado afinidade. Por meio desse parentesco, criam-se vıńculos entre um cônjuge ou companheiro e os parentes naturais ou civis do outro. Assim, a a5inidade é o laço que conecta cada cônjuge ou companheiro aos familiares do parceiro. Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. § 1o O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. § 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Na linha reta, os ascendentes e descendentes de um cônjuge tornam-se parentes por afinidade do outro, sem limite de grau, embora com nomes e qualificações distintas. Na linha colateral, o parentesco por afinidade é limitado ao segundo grau, ocorrendo apenas entre irmãos do cônjuge ou companheiro (cunhados). O vínculo de concunhado, entretanto, não é reconhecido juridicamente como parentesco. EXEMPLO: Maria se casou com João. Os pais de João, Carlos e Ana, tornam-se sogros de Maria parentes por afinidade em linha reta. Os irmãos de João, Pedro e Luísa, tornam- se cunhados de Maria parentes por afinidade em linha colateral de segundo grau. Já os irmãos de Maria não têm nenhum vínculo de parentesco com os irmãos de João (concunhados), pois juridicamente esse parentesco não existe. O parentesco por afinidade segue a regra da simetria, ou seja, é definido a partir do parentesco comum, natural ou civil, e pode ocorrer em linha reta ou colateral. A contagem dos graus no parentesco por afinidade segue as mesmas regras do parentesco biológico ou civil. Exemplo: se Ana é filha de Carlos (parentesco natural em linha reta), ao se casar com Bruno, Carlos torna-se sogro de Bruno o parentesco por afinidade acompanha a simetria do parentesco natural de Ana. Da mesma forma, os irmãos de Ana tornam-se cunhados de Bruno, mantendo a contagem de graus igual à do parentesco comum. O parentesco por afinidade em linha reta (como sogro e nora, padrasto e enteada) não se extingue com o divórcio ou a morte de um dos cônjuges (art. 1.595, §2). Assim, se uma pessoa divorciada se casar novamente, terá dois sogros e duas sogras para efeitos de impedimento matrimonial. Já o parentesco por afinidade transversal (como cunhados) termina com a morte de um dos cônjuges ou com a dissolução do casamento ou união estável. • EFEITOS JURÍDICOS DO PARENTESCO POR AFINIDADE O parentesco por afinidade é geralmente considerado para impedir a aquisição de certos direitos ou vantagens, devido à proximidade afetiva que se estabelece entre os parentes e suas famílias. Essa regra se aplica não apenas no direito civil, mas também no direito eleitoral, administrativo e processual, especialmente em situações que possam gerar conflito de interesses. Exemplo: um juiz não pode julgar um processo em que o réu seja seu genro ou sogro, pois o parentesco por afinidade cria proximidade suficiente para gerar conflito de interesses, aplicando-se restrições previstas no direito processual. Da mesma forma, um servidor público não pode participar de licitação conduzida por sua nora ou cunhado, evitando favorecimento por afinidade. Dentre os efeitos jurídicos decorrentes do parentesco por afinidade, tem-se: 1) Impõe impedimentos matrimoniais. 2) É hipótese de suspeição do juiz em processo, bem como membros do MP e serventuários da justiça. 3) É hipótese de impedimento de testemunho. 4) Pode impedir contrataçãono serviço público por causa de nepotismo 5) Pode ser causa agravante de pena Dentre outros.