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SLIDE 3 
 
 
 
TEORIA GERAL DO CASAMENTO 
 
O casamento é uma entidade familiar entre 
duas pessoas, formal e solenemente 
constituída, que cria uma comunhão de afetos 
e gera efeitos pessoais, sociais e patrimoniais. 
Sua finalidade principal é a comunhão de 
vida, não dependendo necessariamente de 
procriação, educação de filhos ou adoção de 
sobrenome, e há muito deixou de ter caráter 
indissolúvel ou exclusivamente religioso. 
 
NATUREZA JURÍDICA 
 
O casamento é majoritariamente classificado 
pela doutrina como um contrato especial de 
Direito de Família, um negócio jurídico 
bilateral que busca efeitos jurídicos por meio 
do consentimento dos cônjuges. Apesar de ter 
natureza contratual, trata-se de um negócio 
jurídico especial de índole familiar, não se 
submetendo integralmente às regras gerais 
do direito contratual devido à sua estrutura 
existencial. Por exemplo, normas como o 
equilíbrio econômico e financeiro do contrato 
(arts. 317 e 478 do Código Civil) não se 
aplicam ao casamento. Além disso, embora os 
cônjuges possam livremente decidir casar-se 
ou escolher o regime de bens, não podem 
excluir os deveres legais de fidelidade, 
respeito e assistência mútua, que são 
imperativos legais. Segundo Pablo Stolze e 
Rodolfo Pamplona, o casamento é “um 
contrato especial de Direito de Família, por 
meio do qual os cônjuges formam 
uma comunidade de afeto e existência,	
mediante a instituição de direitos e deveres 
recíprocos e em face dos filhos.” 
Exemplo: Ana e Bruno decidem se casar e optam 
pelo regime de comunhão parcial de bens, mas 
mesmo escolhendo livremente o regime, não 
podem renunciar aos deveres de fidelidade, 
respeito e assistência mútua, pois esses são 
impostos por lei. O casamento, nesse caso, 
funciona como um contrato especial de Direito 
de Família, baseado no consentimento, mas com 
regras próprias que não se confundem 
totalmente com o direito contratual comum. 
 
CARACTERÍSTICAS 
 
i) Caráter personalíssimo e livre da escolha 
dos nubentes 
 
A vontade de casar depende exclusivamente da 
manifestação do interessado, sendo 
necessária autorização dos pais apenas para 
menores de 16 a 18 anos. O consentimento é 
requisito essencial para a existência do 
casamento, exigido tanto na habilitação quanto 
na celebração, e, se for viciado, pode gerar a 
nulidade do ato matrimonial. Além disso, é 
possível realizar a habilitação e a celebração do 
casamento por meio de procuração com poderes 
específicos. 
 
ii) Solenidade da celebração 
 
O casamento ocorre por meio de solenidades 
legais, que incluem a habilitação dos nubentes, a 
publicação dos editais, a cerimônia matrimonial 
e o registro no cartório de pessoas naturais. 
O descumprimento dessas solenidades torna o 
casamento inexistente, sendo esta a 
característica mais marcante do ato 
matrimonial. 
iii) Inexigência de diversidade de sexos 
 
De acordo com os Tribunais Superiores, o 
casamento pode ser celebrado tanto entre 
pessoas de sexos diferentes quanto entre 
pessoas do mesmo sexo. A jurisprudência 
consolidada sobre o tema foi marcada 
pelo STF na ADIN 4277/DF, julgada em 
14/10/2011, e pelo STJ no RESP 
1.183.378/RS, julgado em 25/10/2011, que 
estabeleceram a inexigência de distinção 
quanto ao sexo dos cônjuges para a 
celebração do casamento. 
 
iv) Inadmissibilidade de submissão a 
termo ou condição 
 
O casamento é um negócio jurídico puro e 
simples, não podendo estar sujeito 
a condição, termo ou encargo. Uma vez 
existente e válido, ele produz 
automaticamente seus efeitos legais. 
 
v) estabelecimento de uma comunhão de 
vida 
 
A principal finalidade do casamento é 
estabelecer uma vida em comum, 
configurando uma parceria existencial, 
afetiva e social, conforme o art. 1.511 do 
Código Civil. Isso envolve a vida afetiva e 
íntima compartilhada, decisões conjuntas 
sobre o dia a dia e o futuro, apoio emocional, 
financeiro e social mútuo, planejamento de 
vida em conjunto (como filhos, patrimônio e 
estilo de vida) e a prática de respeito e 
solidariedade recíprocos. O casamento, 
portanto, cria uma comunhão plena de vida, 
baseada na igualdade de direitos e deveres 
dos cônjuges. 
 
vi) natureza cogente das normas que o 
regulamentam 
 
A natureza das normas sobre o casamento é 
de ordem pública, não podendo ser afastada 
pelo interesse das partes. As pessoas têm 
liberdade para agir dentro das regras do 
ordenamento jurídico, como escolher o 
 
 regime de bens, optar pelo casamento civil, 
religioso com efeitos civis ou até decidir não 
casar, desde que não violem as normas 
estabelecidas. 
 
vii) Monogamia 
 
Não é permitido que uma pessoa casada 
contraia outro casamento simultaneamente, 
havendo assim a limitação de uma união por 
vez. A monogamia decorre do art. 1.521, VI, 
do Código Civil e constitui causa impeditiva 
de casamento, embora não esteja prevista na 
Constituição. A bigamia é crime, previsto no 
art. 235 do Código Penal, com pena de 
reclusão de dois a seis anos, enquanto o 
adultério deixou de ser crime desde 2005. 
O entendimento jurisprudencial afasta o 
reconhecimento de uniões estáveis 
simultâneas ou paralelas. Segundo o STF, 
para fins de repercussão geral (tema 529), “a 
preexistência de casamento ou de união 
estável de um dos conviventes, ressalvada a 
exceção do artigo 1.723, §1º, do Código Civil, 
impede o reconhecimento de novo vínculo 
referente ao mesmo período, inclusive para 
fins previdenciários, em virtude da 
consagração do dever de fidelidade e da 
monogamia pelo ordenamento jurídico-
constitucional brasileiro” (RE 1045273, 
Relator: Alexandre de Moraes, julgado em 
21/12/2020). 
viii) Dissolubilidade 
De acordo com a vontade das partes, o 
casamento pode ser dissolvido a qualquer 
momento, seja por consenso mútuo ou de 
forma unilateral. O STF, no julgamento do 
Recurso Extraordinário 1.167.478 com 
repercussão geral em 08/11/2023, decidiu 
que a separação judicial não é mais 
requisito para o divórcio e deixou de existir 
como figura autônoma no ordenamento 
jurídico, sem afetar o estado civil das pessoas 
que já estavam separadas (Tema 1.053 STF). 
PROVA DO CASAMENTO 
O casamento deve ser comprovado, em regra, 
por meio da certidão de registro civil emitida 
pelo cartório de pessoas naturais (art. 1.543). 
Trata-se de uma prova pré-constituída, 
resultante do caráter formal e solene do 
casamento, que exige registro público. A 
certidão gera presunção de prova do 
casamento, embora seja admitida 
contraprova. Caso a certidão seja extraviada, 
qualquer pessoa pode solicitar a emissão de 
uma segunda via no registro civil. 
Quando não for possível apresentar a certidão 
de casamento, seja por não ter sido lavrada ou 
por ter se perdido no cartório, é admissível a 
prova indireta ou supletória por todos os 
meios legais, como testemunhas, documentos, 
fotografias ou filmagens (art. 1.543, 
parágrafo único). Essa prova é feita por meio 
da justificação judicial do casamento, que 
permite a lavratura de um novo registro, 
produzindo efeitos a partir da data em que se 
comprovar que o casamento ocorreu (art. 
1.546). 
Exemplo: João e Maria casaram-se há anos, 
mas o cartório perdeu a certidão de 
casamento. Para comprovar a união, eles 
apresentam testemunhas, fotos e vídeos da 
cerimônia. O juiz realiza a justificação 
judicial, reconhecendo o casamento e 
determinando a emissão de uma nova 
certidão, com efeitos retroativos à data 
original da união. 
Admite-se como prova do casamento a posse 
do estado de casado, que se manifesta pelo 
uso social do nome de casado, pelo tratamento 
público e notório e pelo reconhecimento social 
da pessoa como casada. Essa prova deve ser 
utilizada apenas em último caso, pois pode 
ocultar a existência de uma união estável sem 
casamento formal. O Código Civil adota o 
princípio in dubio pro casamento, aplicável 
em processos judiciais quando houver dúvida	
entre provas favoráveis e desfavoráveis à 
existência do casamento (art. 1.547). 
Exemplo: Carlos e Helena nunca registraram 
formalmente o casamento,mas vivem juntos 
há anos, usam socialmente os nomes de 
casados e são reconhecidos pela comunidade 
como marido e mulher. Diante de um processo 
judicial que questiona a existência do 
casamento, a posse do estado de casado pode 
ser usada como prova, aplicando-se o 
princípio in dubio pro casamento, para 
favorecer o reconhecimento da união como 
casamento. 
Para que o casamento de um brasileiro 
realizado no exterior tenha publicidade no 
Brasil, é necessário registrar a certidão de 
casamento no cartório de pessoas naturais no 
prazo de 180 dias a partir do retorno de pelo 
menos um dos cônjuges ao território nacional 
(art. 1.544 do Código Civil). Segundo o STJ, 
mesmo sem esse registro, o casamento 
continua existente e válido, carecendo 
apenas de publicidade. A ausência do registro, 
no entanto, impede que a pessoa se case 
novamente no Brasil sem antes dissolver 
legalmente o casamento estrangeiro, que é 
considerado válido e eficaz. 
Exemplo: João, brasileiro, casou-se com Ana 
nos Estados Unidos. Ao voltar ao Brasil, 
ele deve registrar a certidão de casamento em 
até 180 dias no cartório de seu domicílio. 
Mesmo que não registre imediatamente, o 
casamento é válido, mas João não poderá 
casar-se novamente no Brasil sem antes 
dissolver legalmente a união com Ana. 
 
ESPONSAIS (PROMESSA DO 
CASAMENTO) 
Os esponsais, também chamados de promessa 
esponsalícia ou noivado, consistem no ato pelo 
qual as partes prometem recíproca e 
livremente casar-se. Nesse compromisso, os 
noivos assumem obrigações mútuas, como o 
pagamento de despesas com a habilitação 
para o casamento, o enxoval, a compra ou 
aluguel de imóvel e a aquisição de móveis para 
a formação do lar. O noivado não exige forma 
pública ou solenidade, sendo geralmente 
verbal, e não possui prazo mínimo ou máximo 
para a realização do casamento. 
Exemplo: João e Maria firmaram um noivado, 
prometendo casar-se no futuro. Durante o 
período do noivado, eles compram móveis para 
o apartamento que irão morar juntos e 
organizam o enxoval. Esse compromisso não 
precisa ser registrado ou ter cerimônia pública 
e pode ser cumprido em qualquer prazo, desde 
que ambos mantenham a intenção de se casar. 
A promessa de casamento não pode ser usada 
para obrigar os noivos a se casar. Os esponsais 
não possuem alcance contratual, não se 
configurando como um contrato ou contrato 
preliminar, de modo que, se uma das partes se 
arrepender, não há como exigir judicialmente 
o cumprimento da promessa. 
Dos esponsais não decorrem efeitos jurídicos no 
direito de família, sejam pessoais ou 
patrimoniais. Os noivos não podem exigir 
judicialmente deveres como fidelidade ou 
coabitação, nem há presunção legal de 
colaboração para eventual partilha de bens 
adquiridos durante o noivado. Se os bens forem 
adquiridos com contribuição de ambos para a 
formação do lar, e houver prova dessa 
colaboração, deverão ser partilhados. Não se 
aplicam regras de parentesco entre os noivos, 
não existindo juridicamente sogros, genros ou 
cunhados. 
Exemplo: João e Maria estiveram noivos por 
dois anos e compraram juntos alguns móveis e 
eletrodomésticos para o apartamento que 
planejavam morar. Ao terminar o noivado, 
Maria devolve apenas parte dos bens, mas, 
comprovada a contribuição de ambos para a 
aquisição, João pode exigir a partilha 
proporcional dos bens. No entanto, durante o 
noivado, eles não têm deveres legais de 
fidelidade ou coabitação, nem surgem vínculos 
de parentesco entre suas famílias. 
 
A doutrina e a jurisprudência reconhecem que 
o rompimento indevido do noivado pode gerar 
efeitos no campo da responsabilidade civil. 
Em alguns casos, o noivo prejudicado pode ter 
direito a indenização por danos materiais ou 
morais causados pelo rompimento. Para que 
haja responsabilidade civil, é necessário que 
ocorra ato ilícito por violação de direito 
alheio (art. 186 do Código Civil) ou por abuso 
de direito (art. 187). Um exemplo é o noivo 
que abandona o outro no altar, 
causando danos materiais com os gastos da 
cerimônia e danos morais pela exposição da 
honra do noivo abandonado. 
MODALIDADES DE CASAMENTO 
No Brasil adota-se o casamento civil (art. 
1.512), devendo ser atendidos os requisitos 
legais para que ele tenha validade e eficácia. 
É comum utilizar-se a expressão “casamento 
civil” para se referir ao ato celebrado perante 
a autoridade oficial do Estado, como juiz de 
direito ou juiz de paz, e “casamento religioso 
com efeitos civis” para identificar o 
matrimônio realizado por autoridade de 
qualquer religião brasileira, desde que siga os 
procedimentos exigidos por lei. Ambos são 
considerados casamentos civis para o direito, 
diferenciando-se apenas pela forma da 
cerimônia: uma realizada pelo juiz e a outra 
por autoridade religiosa, sendo mais adequado 
chamar esta última de “casamento civil com 
cerimônia religiosa”. 
Exemplo: Marcos e Ana realizam seu casamento 
perante o juiz de paz no cartório, caracterizando um 
casamento civil tradicional. Já Carla e Lucas realizam 
a cerimônia em uma igreja, com um sacerdote da 
religião deles, mas registram o casamento no cartório 
seguindo os procedimentos legais, configurando 
um casamento religioso com efeitos civis. Para o 
direito, ambos os casamentos têm validade e eficácia 
civis. 
 
O casamento religioso com efeitos civis ocorre 
quando a cerimônia religiosa atende às 
exigências legais para a validade do casamento 
civil e é devidamente registrado no cartório, 
produzindo efeitos a partir da data da celebração 
(arts. 1.515 e 1.516). Respeitando o direito 
constitucional à liberdade de consciência e 
crença (art. 5º, VI), os noivos podem formalizar 
a união perante a religião escolhida, e, após o 
registro, todos os efeitos civis passam a vigorar. 
Pessoas que se casam apenas no religioso, sem 
registro, não são consideradas legalmente 
casadas, podendo, entretanto, configurar união 
estável. 
IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS 
 
Impedimentos matrimoniais são obstáculos 
previstos pela legislação para limitar a 
possibilidade de casar, sendo 
circunstanciais, ligadas a situações 
específicas de fato ou de direito. Eles estão 
taxativamente previstos no Código Civil 
(art. 1.521) e a violação de qualquer 
impedimento resulta na nulidade absoluta 
do casamento (art. 1.548, II), sem que dele 
decorram efeitos jurídicos, não sendo 
possível sua convalidação. 
Os impedimentos matrimoniais também se 
aplicam à união estável, de modo que, 
enquanto houver impedimento, a união não 
é reconhecida pelo direito, podendo 
configurar concubinato. A exceção ocorre 
no caso de casamento de pessoa separada 
judicialmente ou de fato, que não impede a 
existência de união estável. 
A oposição de impedimentos matrimoniais 
pode ocorrer durante a habilitação para o 
casamento ou até o momento da celebração, 
podendo ser feita por qualquer interessado 
ou conhecida de ofício pelo juiz ou pelo 
oficial do cartório de registro civil de acordo 
com o art. 1.522 do Código Civil 
 
Exemplo: João e Maria estão em processo de 
habilitação para casamento. Pedro, irmão de 
João, descobre que eles são primos de 
primeiro grau, o que configura impedimento 
matrimonial. Ele pode opor o 
impedimento ao cartório antes da 
celebração. Se o oficial de registro tiver 
conhecimento do impedimento por qualquer 
meio, deve declará-lo, impedindo a 
realização do casamento. 
Quando	 há	 oposição	 a	 um	 impedimento	
matrimonial,	 a	 consequência	 é	 a	 sustação	
imediata	 do	 casamento,	 que	 só	 poderá	 ser	
realizado	após	o	julgamento	da	oposição.	Se	
o	 casamento	 ocorrer	 enquanto	 a	 oposição	
estiver	pendente,	ele	será	nulo,	devendo	ser	
reconhecido	 por	meio	 de	 ação	 declaratória	
de	 nulidade,	 que	 não	 prescreve.	 Caso	 o	
impedimento	 seja	 constatado	 ou	 alegado	
após	a	celebração,	também	é	cabível	a	ação	
declaratória	de	nulidade.	
 
 
 
 
IMPEDIMENTOS RESULTANTES DE 
PARENTESCO 
 
Art. 1.521. Não podem casar: 
I - os ascendentes com os descendentes, seja 
o parentesco natural(biológico) ou civil 
(adoção, socioafetivo); 
Por razões de natureza sanitária e moral, é 
proibido o casamento entre parentes em linha 
reta, sejam ascendentes ou descendentes. Isso 
inclui, por exemplo, o casamento entre pai e 
filha ou avó e neto, independentemente da 
origem do parentesco. 
Exemplo: Um homem deseja casar-se com sua 
filha ou sua neta. Esse casamento é proibido 
pela lei, pois envolve parentes em linha reta, 
sendo vedado independentemente de ser 
biológico, adotivo ou por qualquer outra forma 
de parentesco. 
II - os afins em linha reta e III - o adotante 
com quem foi cônjuge do adotado e o adotado 
com quem o foi do adotante; 
É proibido o casamento entre sogra e genro ou 
entre padrasto e enteado. A afinidade é o 
vínculo estabelecido entre um cônjuge ou 
companheiro e os parentes do outro, incluindo 
pais (sogro e sogra), avós, bisavós, filhos 
(enteado e enteada) e netos ou bisnetos. A 
relação de parentesco por afinidade em linha 
reta não se extingue nunca (art. 1.595, §2), 
enquanto os parentes por afinidade em linha 
transversal, como os cunhados, podem se 
casar. 
Exemplo: João casou-se com Maria, tornando-
se genro de Dona Clara, mãe de Maria. 
João não pode casar-se com Dona Clara, pois 
há impedimento por afinidade em linha reta. 
Já os irmãs de Maria, que seriam cunhadas de 
João, podem casar-se normalmente, pois a 
afinidade em linha transversal não impede o 
casamento. 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e 
demais colaterais, até o terceiro grau 
inclusive; 
É proibido o casamento entre irmãos e entre 
parentes colaterais até o terceiro grau, como tios 
e sobrinhos. Há entendimento doutrinário de 
que, nos casos de colaterais em terceiro grau, 
pode ser realizado exame pré-nupcial de 
compatibilidade sanguínea para atestar a 
ausência de risco genético ou sanitário para a 
prole, possibilitando, assim, a celebração do 
casamento (Enunciado 98 CJF). 
Exemplo: João e Maria são primos de primeiro 
grau. Por estarem em linha colateral de terceiro 
grau, não há impedimento absoluto, mas pode 
ser exigido um exame pré-nupcial de 
compatibilidade sanguínea para verificar a 
inexistência de risco genético ou sanitário para 
os filhos que possam ter. Caso o exame comprove 
segurança, o casamento poderá ser realizado. 
V - o adotado com o filho do adotante; 
Em razão da igualdade entre os filhos, são 
irmãos para todos os fins, inclusive para fins de 
impedimento matrimonial. 
VI - Pessoas casadas 
Não	podem	casar	as	pessoas	que	já	são	casadas,	
devido	à	proibição	da	bigamia.	Essa	vedação	não	
se	aplica	à	união	estável	quando	a	pessoa	casada	
já	estiver	separada	de	fato.	
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado 
por homicídio ou tentativa de homicídio 
contra o seu consorte 
O viúvo não pode casar-se com o assassino ou 
com quem tentou matar seu cônjuge. Para que a 
proibição tenha efeito, é necessário que 
a sentença penal condenatória tenha 
transitado em julgado. Não importa se houve 
cumplicidade ou não no crime. 
 
CAUSAS SUSPENSIVAS MATRIMONIAIS 
As causas suspensivas são recomendações 
para que as pessoas não se casem diante de 
certas circunstâncias, mas não impedem o 
casamento, tendo como objetivo a proteção 
patrimonial de determinadas pessoas ou da 
prole. O casamento realizado sob causa 
suspensiva não é considerado inválido. 
Essas causas não suspendem o casamento 
nem impedem a produção de seus efeitos, mas 
tornam obrigatório o regime de separação 
obrigatória de bens. 
Exemplo: Um jovem de 17 anos deseja se 
casar. Embora não haja impedimento 
absoluto, a lei recomenda cautela devido à sua 
idade. O casamento pode ser realizado, mas 
será obrigatório o regime de separação de 
bens para proteger o patrimônio do jovem até 
que atinja a maioridade. 
As causas suspensivas não impedem a 
existência das uniões estáveis (art. 1.723, 
§2). Há divergência doutrinária sobre a 
obrigatoriedade do regime de separação de 
bens em uniões estáveis que ocorrem sob 
causa suspensiva ao casamento, e alguns 
tribunais apresentam entendimentos 
diferentes, inclusive internamente. O STJ 
possui decisões isoladas reconhecendo a 
aplicação, mas não há um entendimento 
pacificado sobre o tema. 
OPOSIÇÃO DAS CAUSAS SUSPENSIVAS 
As causas suspensivas da celebração do 
casamento podem ser alegadas pelos parentes em 
linha reta de um dos nubentes (pais, sogros, filhos 
e avós), sejam consanguíneos ou por afinidade, e 
pelos colaterais em segundo grau (irmãos e 
cunhados). Elas não podem ser alegadas de ofício 
pelo oficial do cartório, pelo juiz ou pelo Ministério 
Público. As causas suspensivas devem ser opostas 
durante a habilitação para o casamento, momento 
em que a habilitação será suspensa e as partes 
intimadas a se manifestar. Caso não sejam	opostas	
nesse período, podem ser alegadas posteriormente 
por meio de ação judicial. 
 
CAUSAS SUSPENSIVAS FUNDADAS NA 
CONFUSÃO PATRIMONIAL 
Art. 1.523. Não devem casar: 
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge 
falecido, enquanto não fizer inventário dos bens 
do casal e der partilha aos herdeiros; 
[...] 
III - o divorciado, enquanto não houver sido 
homologada ou decidida a partilha dos bens do 
casal; [...] 
• Tratam-se de hipóteses que visam evitar 
confusão patrimonial decorrente da 
celebração de novo casamento por 
determinadas pessoas. 
CAUSAS SUSPENSIVAS FUNDADAS EM 
CONFUSÃO DE SANGUE 
[...] II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se 
desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez 
meses depois do começo da viuvez, ou da 
dissolução da sociedade conjugal; 
• Trata-se de uma tentativa de resguardar a 
prole em razão da presunção legal de 
paternidade decorrente do casamento. 
• 
• Com a popularização do exame de DNA, 
tornou- se uma norma obsoleta. 
CAUSA SUSPENSIVA FUNDADA EM 
TUTELA OU CURATELA 
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, 
ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, 
com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto 
não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem 
saldadas as respectivas contas. 
• É uma tentativa de afastar eventual 
prejuízo patrimonial aos tutelados e 
curatelados. 
• 
• Cessa a causa suspensiva com a extinção 
da tutela ou curatela, bem como pela 
regular prestação de contas em juízo. 
POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE 
CAUSAS SUSPENSIVAS 
 
O juiz pode relevar a aplicação de uma causa 
suspensiva quando for comprovada a 
inexistência de prejuízo, conforme o 
parágrafo único do art. 1.523 do Código Civil. 
O pedido de dispensa das causas suspensivas 
pode ser feito durante a habilitação para o 
casamento ou posteriormente, por meio de 
ação própria. 
Quando o casamento é celebrado em regime 
de separação obrigatória de bens devido a 
causa suspensiva, nada impede que os 
nubentes solicitem futuramente a mudança 
do regime de bens, de acordo com o §2º do 
art. 1.639 do Código Civil, mediante 
autorização judicial e desde que sejam 
respeitados os direitos de terceiros. 
CAPACIDADE PARA O CASAMENTO 
Capacidade para o casamento é a legitimação 
de uma pessoa para casar com qualquer 
outra. Ela decorre da combinação de idade 
mínima (16 anos) e capacidade psíquica de 
compreensão. A idade núbil não coincide com 
a idade da plena capacidade civil, que é de 18 
anos, e não se confunde com esta. Não é 
exigida aptidão física sexual ou reprodutiva 
para a capacidade matrimonial. A capacidade 
para casar também não se confunde com o 
impedimento matrimonial, que se refere à 
impossibilidade de casamento entre certas 
pessoas. 
ANULABILIDADE DO CASAMENTO DE 
PESSOA SEM IDADE NÚBIL 
Se o casamento for celebrado com um 
nubente que ainda não tenha atingido a idade 
núbil (16 anos) , ele será anulável. A 
anulabilidade pode ser requerida pelo próprio 
nubente ao completar 18 anos ou 
imediatamente pelos seus pais. 
 
O FIM DO SUPRIMENTO JUDICIAL DE 
IDADE 
O suprimento judicial de idade não existe 
mais, sendo proibido pelo art. 1.520 do 
Código Civil, alterado pela lei 
13.811/2019. Menores de 16 anos não 
podemse casar no Brasil, e se isso 
acontecer, o casamento pode ser anulado 
(art. 1.550, I). Antes, a lei permitia o 
casamento do menor em casos de gravidez 
ou para evitar pena criminal, mas essas 
situações não são mais legais. 
CONSENTIMENTO DOS PAIS E 
SUPRIMENTO JUDICIAL DE 
CONSENTIMENTO. 
O art. 1.517 do Código Civil exige que os 
pais autorizem o casamento do menor 
entre 16 e 18 anos. Mesmo sendo 
relativamente incapazes, os menores 
estão sob o poder familiar dos pais. A 
autorização de apenas um dos pais só vale 
se o outro estiver morto, ausente 
judicialmente ou destituído do poder 
familiar. O consentimento dado pelos pais, 
tutores ou curadores pode ser retirado até 
o dia da celebração do casamento (art. 
1.518). 
Exemplo: Um jovem de 17 anos quer se 
casar. Para que o casamento seja válido, 
ele precisa da autorização dos dois pais. Se 
o pai estiver morto, apenas a mãe pode 
autorizar. Se um dos pais autorizar e 
depois mudar de ideia antes do casamento, 
ele pode revogar a permissão, e o 
casamento não poderá acontecer até que a 
situação seja resolvida. 
Quando o jovem tem entre 16 e 18 anos e 
os pais não autorizam o casamento, o juiz 
pode, em alguns casos, substituir o 
consentimento deles. Isso é chamado de 
suprimento judicial do consentimento. O 
juiz decide se a recusa dos pais é justa ou 
injusta e pode autorizar o casamento por 
 
 
meio de uma sentença. O pedido pode ser feito 
pelo Ministério Público, pelo próprio jovem ou 
pelo outro nubente, seguindo um 
procedimento de jurisdição voluntária. 
Exemplo: Maria, de 17 anos, deseja se casar 
com João, de 18 anos. Os pais de Maria não 
autorizam o casamento, alegando que ela 
ainda é muito jovem. Maria e João procuram 
o juiz e pedem o suprimento judicial do 
consentimento. O juiz analisa a situação, 
verifica que Maria tem maturidade suficiente 
e que não há risco para ela, e decide conceder 
a autorização judicial. Com isso, Maria e João 
podem realizar o casamento legalmente, 
mesmo sem a anuência dos pais. 
Todos os casamentos realizados com 
suprimento judicial seguem o regime de 
separação obrigatória de bens, para proteger 
o patrimônio do menor. Quando o cônjuge 
atingir 18 anos, ele pode, junto com o outro 
cônjuge, pedir judicialmente a mudança do 
regime de bens. 
EMANCIPAÇÃO ATRAVÉS DO 
CASAMENTO 
 
Quando uma pessoa de 16 a 18 anos se casa, 
com autorização dos pais ou suprimento 
judicial, ela se torna emancipada, adquirindo 
capacidade plena antes do tempo. Se o 
casamento acabar por divórcio ou morte do 
cônjuge, isso não faz com que a pessoa volte a 
ser incapaz.

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