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Escravidão? Deus me livre! realização AMATRA UPE ANAMATRA REGIÃO Trabalho, UNIVERSIDADE ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTRADOS DA Justiça e DE PERNAMBUCO JUSTIÇA DO TRABALHO Cidadania Isabele/Juliana/Victor/JoãoEscravidão? Deus me Livre! Autores Dados Internacionais de (CIP) Universidade de Pernambuco UPE Juliana de Barros Ferreira Núcleo de Gestão de Bibliotecas e Documentação NBID Victor José Guedes Vital Sistema de Bibliotecas - UPE Biblioteca UPE Campus Arcoverde Ilustrações João Victor Silva Pereira F383e Ferreira, Juliana de Barros Coordenação Escravidão? Deus me livre! / Juliana de Barros Ferreira e Victor José Guedes Vital; Isabele Moraes D'Angelo ilustrado por João Victor Silva Pereira; coordenado por Isabele Moraes D'Angelo Recife: EDUPE, 2018. 31 il.; 10 X 15cm. ISBN: 978-85-7856-202-1 1. Direito Trabalhista. 2. Escravidão. 3. Organização Internacional do Trabalho (OIT). I. EDUPE Vital,Victor José Guedes. II. Pereira, João Victor Silva. (il.) III. D'Angelo, isabele Moraes. (coord.) IV. Título. UPE - PE CDD 326 Recife, 2018 edição Elaborado por Maria Regina Leite Pereira Borba CRB-4/2013Segundo a Organização Internacional do APRESENTAÇÃO Trabalho OIT, atualmente existem cerca de 21 milhões de pessoas vítimas de No dia 13 de maio de 2018 Brasil trabalho forçado em todo o mundo, com a comemorou 130 anos da assinatura da Lei estimativa de que a cada ano as formas Áurea, que aboliu oficialmente a modernas de escravidão geram ganhos de escravidão em nosso País. 150 bilhões de dólares à economia A escravidão acabou sendo abolida como privada. instituto jurídico, porém, na atualidade, A extrema vulnerabilidade dos a proteção da dignidade humana leva à trabalhadores, notadamente daqueles condenação de muitas outras práticas, oriundos das regiões mais pobres do país, além da escravidão clássica. Mediante é elemento essencial para a compreensão falsas promessas, trabalhador é da escravidão contemporânea. rebaixado à condição de coisa, com Infelizmente, milhões de trabalhadores isolamento geográfico, endividamento, sofrem as mazelas da pobreza extrema e do retenção de salários, não concessão de desemprego sendo explorados em água potável, equipamentos de proteção e trabalhos precários e vítimas de alojamento em condições salubres, entre condições análogas à escravidão. outras. Reduzir alguém a condição análoga à de Embora sob novas modalidades, trabalho escravo é crime previsto no art. 149 do forçado ou obrigatório continua existindo Código Penal Brasileiro, o qual prevê a em muitos países e milhares de pessoas em pena de reclusão de dois a oito anos e todo mundo estão a eles submetidas. multa, além da pena correspondente à violência. 4 5Apesar de todos esforços empreendidos no combate dessa prática Brasil tem peso de mais de 400 anos de regredido em suas políticas de Estado escravidão no Brasil e as imagens que que deve se agravar com a "Reforma são agregadas ao termo, como chicotes e Trabalhista" devido ao incentivo à grilhões, dificultam a compreensão do alta precariedade das condições de verdadeiro alcance das práticas análogas trabalho e à exclusão de milhões de à escravidão. Ocorre que a escravização trabalhadores do mercado de trabalho com restrição direta da liberdade é formal. constada em menor número na atualidade Embora conceito de trabalho escravo sendo imprescindível ampliar o previsto no Brasil, pelo art. 149 do conhecimento sobre as várias práticas Código Penal, seja elogiado análogas à escravidão, como forma de internacionalmente, inclusive por parte prevenção. da Organização do Trabalho Assim, nós que pertencemos ao Grupo de OIT, estudos apontam que muitos são Pesquisa Direito do Trabalho e fatores que contribuem para a impunidade Dilemas da Sociedade Contemporânea da daqueles que praticam a escravidão Universidade de Pernambuco Campus contemporânea. Arcoverde, entendemos que a educação Um desses fatores e talvez mais para esclarecimento de direitos é difícil de ser ultrapassado é a ideia de fator relevante e determinante para a que somente quando há restrição ao redução da exploração do trabalho humano direito de liberdade em sentido estrito e do crime de manter trabalhadores em é que existe "escravidão". condições análogas às de escravo. 6 7Conta, em versos e de forma lúdica e educativa, a história de Severino, A idéia desta cartilha sobre trabalho retirante da seca do Sertão escravo surgiu dos esforços conjuntos do nordestino, que trabalha em referido Grupo de Pesquisa e da condições análogas às de escravo na Associação dos Magistrados da Justiça do Fazenda Brasil, onde conhece um Trabalho de da Região AMATRA 6, violeiro que lhe instrui sobre as através do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania Programa tem sido aplicado possibilidades de trabalho escravo e na UPE, Campus Arcoverde, como forma de suas formas de combate. concretizar atividade extensionista e Assim, confiantes no poder congregar alunos e educadores em torno emancipador da educação, esperamos de temas ligados à cidadania e ao mundo poder contribuir com a luta em face do trabalho, que impactam na sociedade e da erradicação da escravidão interessam a toda a população. contemporânea. A cartilha foi elaborada e ilustrada em cordel pelos alunos do Curso de Isabele Bandeira de Moraes D'Angelo Direito, da Universidade de Pernambuco Professora Adjunta da UPE e Campus Arcoverde, integrantes do grupo Coordenadora do Grupo de Pesquisa de pesquisa, sob a Coordenação da Professora Isabele Moraes D'Angelo. Luciana Paula Conforti Diretora de Cidadania e Direitos Humanos da AMATRA VI 8 9Lá vinha moço Severino De andar descompassado Ia de perna bamba, Enxada nos braço cansado Desceu aquela ribanceira Rumo à tímida ribeira Pra molhar lábio rachado 10 11De repente se admirou "Pobre da minha terra Pensou ter ouvido uma cantoria Que vê seus filho indo embora E então pensou consigo: Deixa casebre, terreno e bicho Quem é que cantando estaria? Uns minino e mulher que chora som da viola chorando Enganado pelo patrão Inveja dos pássarinho gorjeando Num contrato sem solução Numa canção que assim dizia: Labuta a toda hora" SERTÃO 12 13Severino, emocionado Buscou Sertão na memória A música daquele cantador Parecia contar sua história A viola já não soava E ele soluçando se perguntava "Haveria escapatória?" 14 15Com rosto molhado de choro E coração pesado de dor Severino continuou andando Até dar de cara com cantador Debaixo de um pé de planta homem quase se espanta Ao que diz ao sonhador: 16 17"Meu nome de batismo é Severino Então violeiro se apresenta Mas vosmecê pode me chamar de Biu Diz: Seu Biu, muito prazer Faz ano que deixei Sertão Vivo cantando pelo mundo E trabalho na Fazenda Brasil Mas só agora vim lhe conhecer Cuido de gado e limpo pasto Se cantei de vossa senhoria Mar pense num lugar vasto Lhe digo que nem queria E donde é que já me viu?" Não tava nem vendo vosmecê BRASIL FAZENDA BRASIL 18 19Eles lhe tomam os dacumento Nessa história que já é véia Deve até as calça que veste E só vive na miséria Nessa tal de moderna escravidão -CONTA- Não tem chicote nem grilhão Mas veja bem, a coisa é séria. ALUGUEL COMIDA TRANSPORTE DÍVIDA FAZENDA BRASIL 20 21Seja sob sol ou chuva Usando pesticida, proteção não veste Eles trabalham de sol a sol Da fornalha do calor da peste Ao mercúrio da mineração Seja qual for a exploração Não entre nessa nem teste 22 23Essa história não é só sua, nem minha É de muitos homens do Brasil Sejamos da brasa vermelho do fogo Não do sangue dessa realidade vil Procure Ministério Público do Trabalho Tenha fé no judiciário E ponha fim à vida servil! 24 25Severino não teve dúvida Se livrou daquele impasse Pegou pouco que tinha Não tinha dívida que segurasse Deixou a fazenda pra trás De besta agora ninguém lhe faz Não tinha felicidade que se comparasse LIBERDADE 26 27MAIS INFORMAÇÕES AMATRA VI www.amatra6.com.br ANAMATRA www.anamatra.org.br 29DENÚNCIAS Ministério Público do Trabalho www.mpt.gov.br Ministério do Trabalho e Emprego www.mte.gov.br 31

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