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1 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, REGISTROS DE LINGUAGEM, NÍVEIS DE LINGUAGEM Neste bloco, será abordado um aspecto importante no conhecimento da língua. Atualmente, algumas bancas têm demonstrado maior interesse no tema que será estudado: a variação linguística, também denominada registros da língua ou diferenças entre os níveis de linguagem. As variações linguísticas mais relevantes são as seguintes. 1. VARIAÇÃO HISTÓRICA OU DIACRÔNICA1. VARIAÇÃO HISTÓRICA OU DIACRÔNICA Entre as variações linguísticas mais relevantes, destaca-se, em primeiro lugar, a variação histórica ou diacrônica. O termo “diacrônica” decorre da junção de “dia”, que significa “através”, indicando movimento de passagem, e “cronos”, que significa “tempo”. Trata-se, portanto, da variação que a língua sofre ao longo do tempo. • É a mudança que ocorre na língua ao longo do tempo. Sabe-se que uma mesma língua, com o passar do tempo, sofre alterações no uso e nas preferências de seus usuários. Algumas formas de falar desaparecem e outras surgem em seu lugar. A escrita também pode se modificar. Há variações de uma região para outra dentro do próprio país, mudanças no uso da língua conforme o contexto da comunicação e diferenças relacionadas ao grupo social do qual o indivíduo participa, como grupos profissionais, familiares ou faixas etárias específicas. Tudo isso influencia o uso da linguagem. No caso da variação histórica ou diacrônica, o foco está nas mudanças relacionadas ao tempo. Cada época pode apresentar preferências próprias no uso da língua. Assim, a variação histórica corresponde às mudanças que ocorrem na língua ao longo do tempo. • Pode ocorrer mudança de vocabulário. Veja: Essas mudanças podem ocorrer de diversas formas, inclusive no vocabulário. Entre os séculos XVI e XVIII, por exemplo, utilizava-se a expressão “vossa mercê” como forma formal de tratamento. Atualmente, utiliza-se “você”. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 2 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS No passado, também se empregava o verbo “alvoroçar-se” para indicar alguém aperreado ou agitado. Atualmente, prefere-se o uso de “agitar”. Hoje se diria: “Nossa, hoje estou tão agitado.” Há cerca de duzentos anos, porém, seria comum a expressão: “Nossa, hoje me alvorocei”. Outro exemplo é o termo “lhano”, utilizado para designar uma pessoa sincera. Atualmente, não se emprega mais essa palavra, preferindo-se a expressão “pessoa sincera”. A palavra “assaz” também foi muito utilizada no passado, especialmente em obras do romantismo brasileiro. Era comum a construção: “Você chegou assaz atrasado”, em que “assaz” significava “muito” ou “bastante”. Atualmente, a preferência geral recai sobre “bastante”. Outro exemplo é a forma “dir-vo-lo-ia”, ainda encontrada em versões mais antigas da Bíblia. Em uma passagem do Evangelho, aparece a expressão: “eu dir-vo-lo-ia”. Essa forma significa “eu diria isso para vós”, isto é, “para vocês”. Trata-se de uma forma considerada arcaica. Atualmente, utiliza-se simplesmente a construção “diria isso a você”. O que ocorreu nesse processo foi a simplificação e a modernização da língua, com a perda de formas consideradas ultrapassadas. Essa é a ideia central da variação histórica. • Pode ocorrer mudança de pronúncia e grafia. Veja: Além das mudanças de vocabulário, a variação histórica também envolve mudanças de pronúncia e de grafia. A escrita pode sofrer alterações ao longo do tempo. Até aproximadamente 1970, por exemplo, escrevia-se “pharmácia”, com “PH”. Atualmente, há mais de cinquenta anos, utiliza-se a forma “farmácia”, com a letra “F” e acento agudo. A palavra “lírio” também já foi grafada, no início do século XX, com a letra “Y”. Hoje, utiliza-se a letra “I”. O mesmo ocorreu com “orthographia”, que já foi escrita com “TH” e “PH”. Atualmente, a grafia tornou-se mais coerente. Essas reformas ortográficas buscaram maior coerência fonética na escrita. Isso significa que uma única letra, como “F”, é suficiente para representar o mesmo som anteriormente representado por duas letras, como em “PH”. Assim, não haveria necessidade do uso de múltiplas letras para representar um único som. A intenção foi tornar a escrita mais coerente do ponto de vista fonético. Outro exemplo é a palavra “ideia”, que perdeu o acento com o novo acordo ortográfico. • Pode ocorrer mudança de sentido (deriva semântica). Veja: https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 3 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Ainda no âmbito da variação histórica, podem ocorrer mudanças de sentido, fenômeno denominado deriva semântica. Com o passar do tempo, algumas palavras permanecem na língua, mas adquirem novos sentidos, perdem sentidos antigos ou modificam seu significado. A palavra “moço”, por exemplo, era utilizada entre os séculos XVII e XIX para designar empregado. Ao se mencionar “o moço da cozinha”, fazia-se referência ao cozinheiro; “o moço da estrebaria” era aquele que cuidava dos cavalos; “o moço de recados” correspondia ao mensageiro. Atualmente, porém, “moço” designa simplesmente um jovem do sexo masculino. A palavra “donzela”, no passado, referia-se à mulher jovem e solteira. Hoje, trata-se de um termo de uso predominantemente literário, empregado apenas em contextos estilísticos ou poéticos. O termo “galante”, no passado, significava valente ou corajoso, associado ao ideal da cavalaria medieval. Em passagens do romance Dom Quixote, por exemplo, o personagem é descrito como “galante” nesse sentido de coragem e bravura, e não no sentido atual de beleza ou elegância. Hoje, “galante” designa uma pessoa elegante, bonita, cortês ou educada. Também se relaciona a quem faz galanteios, isto é, elogios destinados a chamar atenção. Outro exemplo é a palavra “pavoroso”, que no passado já significou sublime ou digno de admiração. Isso ocorria porque algo capaz de provocar grande admiração também poderia causar espanto, e “pavor” estava relacionado a essa ideia de assombro ou espanto. Assim, algo que despertava atenção e admiração poderia gerar um sentimento de espanto, relacionado ao sentido antigo de “pavor”. Atualmente, porém, “pavor” é associado à ideia de medo. Desse modo, algo “pavoroso” passou a significar algo assustador, horrendo, de péssimo gosto ou desagradável. No passado, entretanto, uma coisa sublime poderia ser descrita como “pavorosa”. Esse é mais um exemplo de como a língua se modifica ao longo do tempo. • Pode ocorrer mudança morfológica (formas verbais e pronominais). Veja: https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Ainda no âmbito da mudança histórica, há a variação morfológica, isto é, alterações em formas verbais e no emprego de pronomes. Antigamente, utilizava-se a construção “eu hei de fazer”, com o verbo “haver”. Atualmente, prefere-se a forma “eu vou fazer”. Trata-se de uma alteração nas formas verbais ao longo da história. Outra construção comum no século XIX era “tu fizeste bem”. Atualmente, esse uso ainda pode ser encontrado em algumas localidades específicas, como São Luís e Belém. Na região Sul do país, utiliza-se frequentemente a forma “tu fez”, embora a concordância considerada tradicional seja “tu fizeste”. De modo geral, entretanto, essa construção caiu em desuso, sendo mais comum atualmente a forma “você fez bem”. Mais antiga ainda é a construção “vós sois prudentes”. Hoje, utiliza-se simplesmente “vocês são prudentes”. Em versões mais antigas da Bíblia, também aparecem construções como “batei” e “abrir- se-vos-á”. Atualmente, essas expressões seriam simplificadas para “batam e será aberto para vocês” ou “batamque vai se abrir”. Observa-se, portanto, a perda de algumas formas compostas, o desaparecimento do pronome “vós” no português do Brasil e a preferência por perífrases verbais, como “vou fazer”, em substituição a “hei de fazer”. • Pode ocorrer mudança estilística (registro e formalidade). Veja: Ainda na mudança diacrônica, podem ocorrer alterações relacionadas ao estilo, isto é, preferências de escrita e de fala características de cada época. Antigamente, utilizavam-se construções bastante cerimoniosas, como: “Peço-vos que me concedais a honra de vossa presença.” Atualmente, empregam-se formas muito mais simples, como: “Gostaria que você fosse”. Em contextos ainda mais informais, pode-se utilizar apenas: “Bora?” ou “Bora ali comigo?”. Percebe-se, assim, que a língua tende a tornar-se menos cerimoniosa ao longo do tempo. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS O estudo dessas mudanças é importante porque permite compreender textos produzidos em outras épocas, identificando as diferenças linguísticas próprias de cada contexto histórico. Além disso, as bancas examinadoras podem exigir a identificação dessas variações. • Pode ocorrer mudança por influência externa. Veja alguns usos atuais: A variação histórica também pode ocorrer por influência externa. Até o final do século XIX, o português do Brasil sofreu forte influência do francês, o que resultou na incorporação de diversas palavras oriundas dessa língua. No século XX, a principal influência passou a ser o inglês, levando à incorporação de termos como: • mouse, site, download (inglês) • pizza, macchiato (italiano) • karaokê, anime ( japonês) O que ocorreu: a língua absorve palavras conforme muda a cultura. Isso demonstra que a língua absorve palavras conforme as transformações culturais de cada época. Esse fenômeno integra a mudança diacrônica, isto é, a variação histórica. 2. VARIAÇÃO GEOGRÁFICA OU DIATÓPICA2. VARIAÇÃO GEOGRÁFICA OU DIATÓPICA É a mudança linguística que ocorre entre diferentes regiões. Cada área de um país ou do mundo pode desenvolver: • vocabulário próprio; • pronúncia característica; • construções sintáticas típicas; • expressões regionais; • usos gramaticais específicos. A variação geográfica corresponde às mudanças linguísticas percebidas entre diferentes regiões de um mesmo país ou entre diferentes países. A língua portuguesa não é falada apenas no Brasil. Ela é utilizada em diversos países, entre eles Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Em cada um desses países há preferências próprias de vocabulário e de uso da língua portuguesa. Também existem diferenças entre as regiões de um mesmo país. A pronúncia pode variar, mesmo quando a palavra é a mesma. Além disso, podem ocorrer diferenças em construções sintáticas, na forma de organizar a frase, em expressões regionais e em usos gramaticais característicos de cada localidade. Por que acontece? • Isolamento histórico entre regiões; https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS • influências de povos indígenas, africanos e imigrantes; • diferenças culturais e econômicas; • tradições locais; • identidades regionais fortes. A variação geográfica possui justificativas históricas. Ela ocorre, entre outros fatores, em razão do isolamento entre regiões. Embora atualmente a comunicação seja praticamente instantânea, ao longo da história os deslocamentos entre regiões distantes podiam levar meses. No Brasil, por exemplo, viagens entre pontos extremos eram realizadas em longas jornadas por caminhos difíceis, frequentemente utilizando burros de carga. Esse isolamento favorecia o desenvolvimento de diferenças linguísticas regionais. A Suíça constitui outro exemplo. Apesar de ser um país pequeno, apresenta variações linguísticas regionais em razão de seu relevo montanhoso e do isolamento provocado pelos invernos rigorosos, durante os quais algumas regiões permaneciam afastadas umas das outras por vários meses. Esse afastamento favorecia o surgimento de hábitos próprios de fala e de uso da língua. No caso brasileiro, também houve influência de povos indígenas, africanos e imigrantes. Diferenças culturais, econômicas e tradições locais influenciam igualmente a língua. Cada região possui festividades, costumes e identidades culturais próprias, e a língua acompanha essas particularidades territoriais e culturais. Pode haver variação lexical (palavras diferentes para a mesma coisa): Pão francês • São Paulo: pão francês; • Rio de Janeiro: pão de padaria; • Minas Gerais: pão de sal; • Bahia / Nordeste: pão careca; • Rio Grande do Sul: cacetinho. Canudo para beber • Sudeste: canudo; • Nordeste: canudinho; • Sul: bombinha (alguns locais). A variação geográfica pode manifestar-se no vocabulário, isto é, por meio de palavras diferentes para designar a mesma coisa. O pão francês, por exemplo, recebe diferentes denominações conforme a região. Em São Paulo, utiliza-se “pão francês”. No Rio de Janeiro, fala-se “pão de padaria”. Em Minas Gerais, emprega-se “pão de sal”. Na Bahia e em outras regiões do Nordeste, utiliza-se “pão careca”. Já no Rio Grande do Sul, utiliza-se “cacetinho”. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Outro exemplo é o objeto utilizado para beber líquidos. No Sudeste, utiliza-se “canudo”. No Nordeste, “canudinho”. No Sul, utiliza-se “bombinha”, possivelmente por associação com a bomba utilizada na cuia de chimarrão. Pode haver variação fonética (pronúncias diferentes): Pronúncia do “R” final • Rio de Janeiro: cantar → cantá. • São Paulo: cantar → cantaR (forte). • Sul: cantar → cantáRR (vibrante) Pronúncia do S final de sílaba • Rio de Janeiro: mesmo → meJmo (S chiado). • Nordeste: mesmo → mesmo (S alveolar). • Sul: mesmo → mesmo (S mais seco). A variação geográfica também pode ocorrer na fonética, isto é, na pronúncia. A pronúncia do “R”, por exemplo, varia de uma região para outra. No Rio de Janeiro, o “R” final costuma ser menos marcado na fala. Em São Paulo, o “R” final é pronunciado de forma mais forte. Já na região Sul, o “R” apresenta pronúncia vibrante. A pronúncia do “S” também varia regionalmente. No Rio de Janeiro, ocorre o chamado “S chiado”, como em “mesmo”. No Nordeste, o “S” é alveolar, aproximando-se do som de dois “S”. No Sul, o “S” apresenta pronúncia mais seca, aproximando-se de um som semelhante ao de “Z”. Pode haver variação morfossintática (diferenças na estrutura da frase): Uso de “tu” e “você” • Sul e Norte: uso frequente de tu com conjugação própria: tu vais? • Nordeste: mistura de tu com conjugação de você: tu vai? • Sudeste: predominância de você: você vai? A variação geográfica também pode envolver diferenças morfossintáticas, isto é, diferentes maneiras de estruturar a frase. A preferência pelo uso de “tu” ou “você” constitui uma marca regional. As regiões Sul e Norte apresentam uso frequente do pronome “tu”, embora com diferenças. No Sul, é comum o emprego de “tu” acompanhado de verbo na terceira pessoa, como em “tu vai” e “tu chega”. Já em São Luís e Belém, observa-se a conjugação considerada tradicional da segunda pessoa do singular, com formas como “tu vais” e “tu chegas”, apresentando a desinência “s” característica dessa pessoa verbal. No Nordeste, também ocorre a mistura do pronome “tu” com a conjugação associada ao “você”, resultando em construções como “tu vai”. Dependendo da região nordestina, https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS observam-se formas como “tu vai comigo”e “tu vem”. Nesta última, percebe-se uma pronúncia específica da letra “V”, com sonoridade que se aproxima de um “R”. No Sudeste, predomina o uso de “você”, como em “você vai”. Pode haver variação pragmática (diferenças no uso social): Formas de tratamento • Nordeste: “senhor/senhora” com maior frequência. • Sudeste: “você” é mais comum. • Sul: “tu” pode soar mais íntimo ou regional. Expressões típicas • Nordeste: oxente, visse, arretado, avexado. • Sul: bah, tri, capaz. • Sudeste: mano, tipo assim, meu. • Minas Gerais e Centro-Oeste: uai. A variação geográfica também envolve aspectos pragmáticos relacionados aos usos sociais da língua, especialmente nas formas de tratamento. No Nordeste, há uso mais frequente de “senhor” e “senhora” como formas de tratamento formal. No Sudeste, predomina o uso de “você”. Já no Sul, o “tu” é amplamente utilizado como forma usual de tratamento, podendo transmitir maior intimidade e forte marca regional. Também existem expressões típicas de determinadas regiões. No Nordeste, são comuns expressões como “oxente”, “visse”, “arretado” e “aveixado”. No Sul, aparecem expressões como “bá”, “tri” e “capaz”, como em: “Essa prova está tri legal” ou “Capaz que eu vou lá hoje”. No Sudeste, são frequentes expressões como “mano”, “tipo assim” e “meu”. Em Minas Gerais e no Centro-Oeste, destaca-se o uso da expressão “uai”, que já foi amplamente assimilada em toda a região Centro-Oeste e não se restringe apenas a Minas Gerais. Além das variações linguísticas, há também os registros ou níveis de linguagem. REGISTROS DE LINGUAGEM/NÍVEIS DE LINGUAGEM 1. Norma culta / norma padrão: dentro dos critérios da gramática normativa. Ex.: Estava um pouco ocupada naquele dia. A partir dessa mesma frase, podem ser produzidas diferentes variações de linguagem. Na linguagem coloquial ou informal, típica do cotidiano e da comunicação espontânea, o foco recai sobre o conteúdo da mensagem, e não sobre a rigorosa observância das normas gramaticais. Trata-se da linguagem utilizada em conversas do dia a dia e em interações entre amigos. 2. Linguagem coloquial / informal / popular: foco no conteúdo, e não na forma estritamente gramatical; linguagem espontânea do dia a dia entre amigos, familiares etc. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Ex.: Tava meia ocupada naquele dia. Nesse registro, a frase poderia aparecer como: “Tava meia ocupada naquele dia.” Observa- se um pequeno desvio gramatical, pois o esperado, pela norma-padrão, seria “meio ocupada”. Além disso, ocorreu redução da sílaba inicial da palavra “estava”, transformando-a em “tava”. Esse fenômeno de redução da sílaba inicial denomina-se aférese. Embora esse termo técnico normalmente não seja exigido em provas, o fenômeno é bastante comum na fala cotidiana. O mesmo ocorre em formas como “tô”, derivada de “estou”, ou “eu tive lá ontem”, em substituição a “eu estive lá ontem”. 3. Linguagem regional / regionalismo: variantes, sobretudo, na fala de cada região do país. Ex.: Tava meia arrochada naquele dia. A mesma frase também pode assumir uma forma regional, marcada pelas características linguísticas de determinada localidade, como: “Tava meia rochada naquele dia” ou “Rapaz, tava meia aperreada”. Trata-se, nesse caso, de variação regional da linguagem. 3. Gírias: é linguagem coloquial entre alguns grupos sociais, etários, culturais etc. Podem surgir e desaparecer como modismos, ou podem se consagrar pela permanência. Ex.: Tava nos corre ali, parceiro. As gírias também constituem formas de variação linguística. Elas se relacionam à linguagem coloquial utilizada por determinados grupos sociais, regiões, culturas ou faixas etárias, que desenvolvem modos próprios de expressão. As gírias podem surgir e desaparecer como modismos de época, mas também podem consolidar-se e permanecer em uso por períodos mais longos, tornando-se características de determinados grupos ou contextos sociais. Exemplo: “Tava nos corre ali, parceiro.” Trata-se de uma construção típica de linguagem coloquial e de grupos sociais específicos. A ideia continua sendo a mesma frase anteriormente utilizada, apenas adaptada a outra variedade linguística. 4. Linguagem vulgar: totalmente fora do padrão gramatical de ortografia, concordância, regência etc.. Exemplos: quando você “vinhé”; se ele “vim”; “nóis vai”; ele pediu pra mim chegar cedo. A escolha do registro linguístico depende da situação comunicativa. O uso da linguagem deve buscar comunicação clara e adequada ao interlocutor e ao contexto. O domínio efetivo da língua consiste justamente na capacidade de reconhecer cada situação e ajustar a linguagem de acordo com ela. Obs.: A escolha de qual registro empregar depende da adequação a uma dada situação comunicativa. Uma língua sempre terá um conjunto de variedades, todas importantes. Prestigiar uma e denegrir outra configura preconceito linguístico, como se tudo se resolvesse entre o certo e o errado. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 01. A linguagem que empregamos nos textos que produzimos pode ser do registro formal ou do registro informal, segundo o ambiente comunicativo. A frase abaixo que se enquadra no registro informal é: a) Segunda-feira, os pilotos darão a partida para mais uma etapa do campeonato; b) Repentinamente, o mau tempo se espalhou por quase todos os estados brasileiros; c) O candidato compreendeu as razões pelas quais ele não foi aprovado no concurso; d) A despeito das intensas investigações, a polícia não chegou a localizar as armas roubadas do arsenal; e) Por mais que a gente combata a corrupção, parece que esse mal sempre reaparece, tão arraigado está entre nós. a) A estrutura está adequada à norma-padrão. A construção “darão a partida para mais uma etapa” encontra-se correta, assim como os demais elementos da frase. b) A vírgula após o advérbio inicial está correta. A grafia “mau tempo”, com “U”, também está adequada, pois o contrário de “mau” é “bom”. Além disso, a construção “por quase todos os estados” exige o artigo acompanhando “todos”, o que também foi corretamente empregado. c) A construção está inteiramente compatível com o registro formal. d) A vírgula foi corretamente utilizada em razão da longa locução adverbial deslocada no início da frase. Também não há qualquer marca de informalidade. e) Nesse caso, a expressão “a gente” constitui marca de informalidade. Na linguagem formal, prefere-se o uso de “nós”, como em: “nós devemos”, “nós podemos” e “nós faremos”. Já construções como “a gente deve”, “a gente pode” e “a gente faz” caracterizam linguagem informal. O uso de “a gente” é uma das marcas de informalidade mais frequentes em provas de Língua Portuguesa. Entre as marcas de informalidade mais frequentes, destaca-se o uso do verbo “ter” com sentido de existir ou ocorrer. Nesses casos, o emprego do verbo “ter” caracteriza linguagem informal. Exemplos: • “Tinha 10 questões na prova.” • “Tinha ali uma cadeira.” https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS • “Teve um acidente ali na esquina.” Nessas construções, o verbo “ter” assume sentido de “existir” ou “ocorrer”. Assim, “tinha ali uma cadeira” equivale a “existia ali uma cadeira”, e “teve um acidente” corresponde a “ocorreu um acidente”. Esse uso é muito frequente na linguagem cotidiana e constitui importante marca de informalidade. Outra marca de informalidade ocorre nas trocas inadequadas entre “onde” e “aonde”. O uso dessas palavras deve estar relacionado à ideia de lugar. Quando não há referência locativa, o emprego de “onde” caracteriza informalidade. Exemplo inadequado: • “A situaçãoonde a empresa está é delicada.” Nesse caso, “situação” não indica lugar, razão pela qual o uso de “onde” é inadequado. Trata-se de uma informalidade bastante comum. O uso adequado ocorre em construções relacionadas efetivamente a lugar: • “A casa onde eu moro.” Já “aonde” deve ser empregado quando houver ideia de destino: • “O bairro aonde eu vou.” Outra marca relevante de informalidade é a ausência de preposição exigida antes do pronome relativo. Exemplo: • “O livro que eu me refiro é famoso.” Embora a construção soe natural na linguagem cotidiana, há um problema de regência verbal. O verbo “referir-se” é transitivo indireto e exige a preposição “a”. Assim, a construção adequada, de acordo com a norma-padrão, seria: • “O livro a que eu me refiro é famoso.” A ausência dessa preposição constitui marca de linguagem informal. Trata-se de um uso bastante disseminado na fala espontânea, em que frequentemente se omite a preposição antes do pronome relativo “que”. Contudo, a gramática normativa mantém a exigência da preposição em razão da regência verbal. Assim, quem “se refere” necessariamente “se refere a alguma coisa”, o que torna obrigatória a presença da preposição “a”. Sua omissão desloca a construção para o nível informal da linguagem. Esse é o objetivo do estudo das variações linguísticas: compreender suas manifestações e reconhecer sua aplicação prática nos diferentes contextos de uso da língua. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 12gran.com.br Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS GABARITO 01. e Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Márcio Wesley. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br