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 Variação Linguística, Registros de Linguagem, Níveis de Linguagem II
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, REGISTROS DE 
LINGUAGEM, NÍVEIS DE LINGUAGEM II
3. VARIAÇÃO SOCIAL OU DIASTRÁTICA3. VARIAÇÃO SOCIAL OU DIASTRÁTICA
Aborda-se, neste momento, a variação social, também denominada diastrática, 
relacionada aos estratos ou camadas sociais.
É a mudança linguística que ocorre entre grupos sociais diferentes:
• classes sociais;
• faixas etárias;
• níveis de escolaridade;
• grupos profissionais;
• grupos culturais;
• comunidades (gírias de surfistas, gamers, skatistas etc.)
Observa-se que a língua sofre modificações conforme os grupos sociais em que é utilizada. 
Grupos profissionais possuem linguagem própria; da mesma forma, grupos definidos por 
faixa etária também apresentam usos linguísticos específicos. Classes sociais podem 
apresentar diferenças no uso da língua, assim como os níveis de escolaridade influenciam 
tais variações. Além disso, grupos culturais e comunidades desenvolvem suas próprias 
gírias, como ocorre entre surfistas, gamers e skatistas.
Por que acontece? => Porque cada grupo social:
• tem diferentes experiências de vida;
• convive em ambientes distintos;
• cria vocabulário próprio;
• desenvolve normas internas de comunicação;
• usa a língua para marcar identidade.
Essas variações decorrem das diferentes vivências dos grupos sociais, uma vez que as 
experiências individuais influenciam as escolhas vocabulares e os sentidos atribuídos às 
palavras. Cada grupo convive em ambientes distintos, o que impacta o vocabulário utilizado, 
podendo, inclusive, haver a criação de vocabulários próprios.
Exemplificativamente, grupos de advogados, engenheiros, marceneiros e pedreiros 
desenvolvem terminologias específicas que viabilizam a comunicação no exercício de suas 
atividades profissionais.
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INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Ressalta-se, ainda, que cada grupo estabelece normas internas de comunicação, bem 
como utiliza a língua como forma de marcar identidade, especialmente por meio de gírias, 
que funcionam como elementos de identificação entre os membros de um mesmo grupo.
EXEMPLOS DE VARIAÇÃO SOCIALEXEMPLOS DE VARIAÇÃO SOCIAL
Variação por nível de escolaridade:
• Linguagem menos monitorada (informal): A gente vai tá fazenu.
Nessa construção, observa-se o uso de “a gente” em lugar de “nós”, a forma reduzida 
“tá” em substituição ao verbo completo “estar”, bem como o emprego de “fazenu”, com 
redução do gerúndio.
• Linguagem mais monitorada (formal): Nós faremos isso amanhã.
Por outro lado, em contextos de maior monitoramento linguístico, alinhados às normas 
gramaticais, utiliza-se a linguagem formal. Nesse caso, emprega-se “nós” em substituição a 
“a gente” e “faremos” em lugar de “vai tá fazendo”, resultando na construção: “nós faremos 
isso amanhã”.
Variação por faixa etária:
Apresentam-se, inicialmente, exemplos de variação social (diastrática) relacionados à 
faixa etária. Considerando que jovens e idosos vivenciam diferentes momentos históricos, 
observa-se que também possuem preferências vocabulares distintas.
O jovem utiliza termos como “crush”, enquanto o idoso emprega expressões como 
“paquera”. De modo semelhante, o jovem diz “ranço”, ao passo que o idoso refere-se à 
“antipatia” por determinada pessoa. No caso de relações afetivas, o jovem afirma “shippo 
esse casal”, enquanto o idoso expressa “torço pelo casal”. Ainda, diante de uma situação 
negativa, o jovem utiliza a expressão “deu ruim”, ao passo que o idoso prefere “deu errado” 
ou “foi ruim”.
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Variação por grupo profissional (cada área cria seu jargão):
Em seguida, aborda-se a variação social relacionada aos grupos profissionais. Cada 
área possui seu próprio jargão, entendido como o conjunto de vocabulários e expressões 
característicos de determinada carreira. Há, por exemplo, o jargão da informática, da 
biologia, dos enfermeiros, entre outros.
No campo da medicina, utilizam-se expressões como “o paciente está estável”, “quadro 
clínico” e “procedimento ambulatorial”. No âmbito educacional, professores empregam termos 
como “avaliação diagnóstica”, “competências e habilidades do educando” e “planejamento 
pedagógico”. Na área de tecnologia da informação, programadores utilizam expressões 
como “deploy”, “bug” e “commit”.
Variação por classe social:
Analisa-se, ainda, a variação conforme a classe social. Em contextos de classe popular, 
observa-se uma linguagem mais espontânea, como na construção “eu peguei e falei para 
ele não ir”. Já em contextos de classe média ou alta, identifica-se um registro mais alinhado 
à norma padrão, como em “eu disse a ele que não fosse”. 
Ressalta-se que ambas as construções transmitem a mesma mensagem e possuem 
igual clareza, sendo as diferenças meramente formais. Destaca-se que tais variações não 
implicam qualquer juízo de valor, mas apenas diferenças de uso linguístico.
Variação por grupos culturais (gírias):
No que se refere aos grupos culturais, observa-se o uso de gírias específicas. Entre 
funkeiros, utilizam-se expressões como “mandou bem demais”, “desenrola”, “bate” e “joga 
de ladinho”. Entre surfistas, empregam-se expressões como “essa onda está irada” e “partiu 
pegar um tubo”. Já entre gamers, são comuns expressões como “nerfaram”, “estou sem 
mana” e “vou dropar”.
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4. VARIAÇÃO DE SITUAÇÃO OU DIAFÁSICA4. VARIAÇÃO DE SITUAÇÃO OU DIAFÁSICA
É a mudança na forma como falamos ou escrevemos de acordo com a situação 
comunicativa.
A língua muda conforme:
• o grau de formalidade da situação;
• o interlocutor (quem fala com quem);
• o objetivo da comunicação;
• o meio (fala, escrita, mensagem de celular, reunião, entrevista de emprego, etc.);
• o contexto social (trabalho, família, amigos, cerimônia, internet).
Na sequência, introduz-se a variação de situação, também denominada diafásica. Nesse 
caso, a linguagem varia conforme o contexto em que o indivíduo se encontra, havendo 
adaptação da forma de falar ou escrever de acordo com a situação vivenciada.
Assim, a linguagem utilizada em ambiente familiar difere daquela empregada no ambiente 
de trabalho. Da mesma forma, em uma entrevista de emprego, adota-se um registro 
distinto daquele utilizado em situações de relacionamento afetivo, nas quais predomina 
uma linguagem mais carinhosa.
A variação diafásica também se manifesta em função do grau de formalidade, do 
interlocutor e do objetivo da comunicação. A forma de expressão é ajustada conforme a 
pessoa com quem se interage, não sendo a mesma utilizada com um professor, com um 
familiar ou com um amigo. De igual modo, não se utiliza a mesma linguagem ao se dirigir 
a um médico e a um amigo. Ademais, o propósito comunicativo influencia diretamente o 
uso da linguagem. Em situações que exigem a apresentação de um relatório técnico, por 
exemplo, emprega-se uma linguagem profissional e especializada.
Analisa-se, inicialmente, a adequação da linguagem ao objetivo comunicativo. Ao redigir 
um e-mail com a finalidade de convidar para um evento na empresa, observa-se que, 
embora se trate de um contexto formal, não se exige o mesmo grau de formalidade de um 
relatório técnico. Trata-se de um convite com caráter mais amigável, ainda que mantenha 
certo nível de formalidade. Conclui-se, portanto, que a linguagem varia conforme o objetivo 
da comunicação.
Considera-se, também, o meio de comunicação empregado, seja ele oral ou escrito, 
incluindo mensagens de celular. Em aplicativos de mensagens, comoo WhatsApp, é comum 
o uso de abreviações e emojis, especialmente em interações informais com amigos ou 
familiares. Em contrapartida, quando a comunicação ocorre em um contexto profissional, 
como em mensagens trocadas com uma equipe de trabalho, observa-se maior formalidade 
e adequação linguística.
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Destaca-se, ainda, a influência do contexto social, como situações de trabalho, convívio 
familiar, interação com amigos, participação em cerimônias ou comunicação em ambientes 
digitais. A linguagem utilizada em redes sociais difere daquela empregada em e-mails 
profissionais, evidenciando a variação conforme a situação comunicativa. Esse fenômeno 
caracteriza a variação diafásica.
Como ocorre na prática:
• com amigos => linguagem informal;
• numa entrevista de emprego => linguagem formal;
• numa mensagem rápida => abreviações;
• em relatório => linguagem técnica.
Explica-se que tal variação ocorre de acordo com o contexto. Em interações com amigos, 
tende-se ao uso de linguagem mais espontânea e informal. Em entrevistas de emprego, 
há maior cuidado com a forma de expressão. Em mensagens rápidas, como as trocadas 
em aplicativos, são comuns abreviações e o uso de emojis. Por outro lado, em relatórios 
técnicos, exige-se o uso de linguagem altamente formal e profissional.
EXEMPLOS:EXEMPLOS:
• Formalidade: A atividade de ontem foi bastante satisfatória.
• Informalidade: Cara, ontem o rolé foi massa demais.
• Escrita cotidiana: Preciso arrumar isso aqui logo.
• Escrita técnica: É necessário realizar a manutenção deste equipamento com urgência. 
• Mensagem rápida (whatsapp): Tô chegando aí, pera um pouco.
• Comunicação institucional: Estou a caminho e chegarei em instantes.
Outros exemplos demonstram a influência do interlocutor.
Variação por tipo de interlocutor:
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A linguagem varia conforme a pessoa com quem se fala e o tipo de relação estabelecida. 
Em interação com amigos, utiliza-se “e aí, beleza?”. Ao dirigir-se a um professor, emprega-
se “bom dia, professor, tudo bem?”. Já em comunicação com autoridade, utiliza-se “bom 
dia, senhor, à disposição”. Verifica-se, portanto, a adequação da linguagem ao interlocutor.
O objetivo da comunicação também interfere na escolha linguística. Em situações de 
persuasão, utiliza-se linguagem mais enfática, como em “você precisa fazer isso, é muito 
importante”. Quando a intenção é apenas informar, emprega-se uma formulação mais 
neutra, como em “é necessário realizar essa ação para que o processo continue”, sem 
desenvolvimento argumentativo.
Em contextos de descontração, pode-se expressar a mesma ideia de forma informal, 
como em “bora fazer isso logo e acabar com essa novela?”. Esses exemplos evidenciam a 
variação conforme diferentes situações comunicativas.
5. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA DIAMÉSICA
Trata-se das diferenças entre as formas de manifestação de uma língua na escrita e na 
fala, nos diversos meios de comunicação. Também considera características específicas da 
modalidade, como formalidade e contexto em que ocorre a comunicação.
Não se trata de mera diferença qualquer entre fala e escrita. Por exemplo: a escrita em uma 
mensagem nas redes sociais, como o WhatsApp, não é a mesma escrita no currículo de um 
candidato a emprego. => A variação diamésica considera também as mudanças conforme 
o contexto de uso da língua na escrita ou o contexto de uso na fala.
Conclusão: a variação diamésica leva em conta como o contexto de uso influencia diferença 
entre usos da escrita a cada situação comunicativa, ou como o contexto de uso influencia 
diferença entre usos da fala a cada situação comunicativa. Não se trata meramente de 
diferenças entre fala e escrita.
MAIS EXEMPLOS:MAIS EXEMPLOS:
• Um diálogo informal na família demonstra liberdade com expressões coloquiais, 
enquanto uma palestra demonstra o uso da língua falada com certo nível de formalidade 
e respeito ao padrão culto.
• Um artigo científico segue normas estritas do padrão culto na língua escrita, enquanto 
um bilhete de amor ou um texto de música contemporânea podem mostrar liberdade 
no uso da língua escrita.
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INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Observe:
− Você vem comigo? Vamos embora!
− Cê vem cmgo? Bora!
Por fim, destaca-se um caso cotidiano: a bula de medicamento. Trata-se de um mesmo 
texto que apresenta diferentes partes com finalidades distintas, o que resulta em variações 
linguísticas conforme o objetivo de cada seção.
Uma parte da bula destina-se ao paciente, apresentando informações em linguagem 
acessível, com o objetivo de explicar o funcionamento do medicamento, a dosagem e os 
possíveis riscos. Outra parte, por sua vez, é técnica, voltada ao profissional de saúde, com 
uso de terminologia especializada.
Evidencia-se, assim, que a variação diamesica ocorre quando, em uma mesma modalidade 
(escrita), há adequação da linguagem conforme o contexto de uso e o destinatário. Em um 
momento, emprega-se vocabulário mais simples e acessível; em outro, utiliza-se linguagem 
técnica específica. 
Exemplifica-se com o medicamento Paracetamol.
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA DIAMÉSICA
Observe mais um caso:
PARACETAMOL GOTAS – INFORMAÇÕES AO PACIENTE Ação esperada do medicamento: 
Paracetamol é utilizado como analgésico e antipirético, ou seja, no combate à dor e à febre. 
Sua ação analgésica se faz sentir cerca de 30 minutos após a administração e se prolonga 
por 4 a 6 horas.
PARACETAMOL GOTAS – INFORMAÇÕES TÉCNICAS
PARACETAMOL GOTAS – MODO DE AÇÃO
Analgésico: O mecanismo de ação analgésica não está totalmente determinado. O 
paracetamol pode atuar predominantemente inibindo a síntese de prostaglandinas ao nível 
do Sistema Nervoso Central e em menor grau bloqueando a geração do impulso doloroso 
ao nível periférico. A ação periférica pode ser decorrente também da inibição da síntese de 
prostaglandinas ou da inibição da síntese ou da ação de outras substâncias que sensibilizam 
os nociceptores ante estímulos mecânicos ou químicos.
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Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha 
acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas1. Eis que, subitamente, 
o leão defronta com um pequeno rato, o ratinho mais menor que ele já tinha visto. Pisou-
lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente pra escapar, o leão gritava: “Miserável 
criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e 
nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do 
que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho, rato!” E soltou-o. O rato correu o mais 
que pôde, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: “Será que V. Excelência poderia 
escrever isso pra mim? Vou me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir 
isso pra ela com as mesmas palavras!”2
1 Quer dizer: muitas e más.
2 Na grande hora psicanalítica, que soa para todos nós, a precisão de linguagem é 
fundamental. 
FERNANDES, Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. 15. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1999. p. 110. [Adaptado]
01. (VERBENA/PREFEITURA DE GAMELEIRA/FISCAL DE TRIBUTOS) Ocorrem no Texto algumas 
formas que estão fora da ortografia e da norma-padrão: “mais menor”, “pra”, “pro”. 
Considerando o contexto de registro desses usos, eles constituem exemplo de variação 
linguística
a) diacrônica.
b) diatópica.
c) diastrática.
d) diafásica.O enunciado solicita a identificação da variação linguística correspondente a esses desvios, 
considerando as possibilidades: diacrônica (relacionada ao tempo), diatópica (regional), 
diastrática (social) ou diafásica (situacional).
Na análise da questão proposta, conclui-se que a variação linguística presente no texto não 
é de natureza diacrônica, pois não se refere a mudanças ao longo do tempo; tampouco é 
diatópica, uma vez que não decorre de diferenças regionais; nem diastrática, pois não está 
relacionada a estratos ou grupos sociais distintos.
Trata-se, portanto, de variação diafásica, uma vez que decorre da adequação da linguagem 
à situação comunicativa. O autor Millôr Fernandes realiza uma recriação da fábula “O Leão 
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e o Rato”, originalmente atribuída a Esopo e posteriormente reinterpretada por Jean de 
La Fontaine. Nessa recriação, emprega-se uma linguagem atualizada, adequada ao leitor 
contemporâneo.
Conclui-se que a escolha linguística do autor reflete uma adaptação ao contexto comunicativo 
e ao público-alvo, caracterizando a variação diafásica.
GABARITO
01. d
� �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pelo professor Márcio Wesley.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura 
exclusiva deste material.
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