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2 SP 1.4 – Síndromes Paraneoplásicas Professor: Dr. Rodrigo da Rosa Iop 2026-2 Necessidades e Cuidado em Saúde – TBL 4 Síndromes Paraneoplásicas • Distúrbios que acompanham tumores benignos ou malignos, mas que não estão relacionados diretamente com o efeito de massa ou com a invasão do tumor primário (efeitos locais ou metastáticos). LOSCALZO, 2024; MICHAEL et al. 2022 2 • Produção e liberação adquiridas de substâncias bioativas, como hormônios, peptídeos funcionalmente ativos e citocinas. • Essas síndromes são denominadas paraneoplásicas porque os componentes secretórios responsáveis pelo seu desenvolvimento não são derivados do órgão ou tecido de origem. Síndromes Paraneoplásicas • As células neoplásicas podem produzir uma variedade de substâncias capazes de alterar a fisiologia dos sistemas: hormonal, hematológico, dermatológico, reumatológico, renal e neurológico. • A liberação dessas substâncias pode ser mediada por células neoplásicas com ou sem diferenciação endócrina e, notavelmente, o diagnóstico de anormalidades endócrinas pode, por vezes, preceder o diagnóstico de câncer. 2LOSCALZO, 2024; MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas 2BARABAN; COOPER, KUMARASEN, 2021; FILHO, 2021 Uma neoplasia é geralmente considerada diferenciada se apresentar semelhança histológica inequívoca com um tipo de tecido normal correspondente. Ex: Carcinomas foliculares da tireoide são claramente identificáveis por sua semelhança com a glândula tireoide normal, mesmo quando encontrados em um sítio metastático. Processo dinâmico, tendo participação de diferentes fatores genéticos e epigenéticos que, de modo orquestrado, conferem às células o fenótipo adequado ao tecido em que se situa. Diferenciação Síndromes Paraneoplásicas 2BARABAN; COOPER, KUMARASEN, 2021 Definida, para fins práticos, como aquela que morfologicamente não apresenta qualquer semelhança com um tecido normal correspondente. Neoplasia Indiferenciada Síndromes Paraneoplásicas 2BARABAN; COOPER, KUMARASEN, 2021 O processo pelo qual uma neoplasia diferenciada de qualquer linhagem se transforma em uma neoplasia indiferenciada e, como um todo, o tumor pode ser considerado desdiferenciado. Desdiferenciação SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS ENDÓCRINAS Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas • Representa um subgrupo distinto de distúrbios paraneoplásicos nos quais as células neoplásicas produzem substâncias bioativas, como hormônios, peptídeos e citocinas, levando à disfunção endócrina independente da invasão tumoral direta ou metástase. • Eventos mutacionais não apenas podem iniciar o estado maligno, mas também podem ativar genes responsáveis pela produção de hormônios. KOLOUTSOU et al. 2025; DELELLIS 2003. 2 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas • Os hormônios podem ser produzidos por fontes eutópicas ou ectópicas. LOSCALZO, 2024 2 Refere-se à expressão de um hormônio a partir de seu tecido normal de origem. Ex: Hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH) é expresso eutopicamente pelas células corticotróficas da adeno- hipófise. Eutópico Refere-se à à produção de hormônio a partir de uma fonte tecidual atípica. Ex: hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH) pode ser expresso ectopicamente no câncer pulmonar de pequenas células (CPPC). Ectópico Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas • Os hormônios podem ser produzidos por fontes eutópicas ou ectópicas. LOSCALZO, 2024 2 • A expressão ectópica está firmemente arraigado e expressa uma fisiologia anormal associada à produção de hormônios por células neoplásicas. • Além dos níveis elevados de hormônios, a expressão ectópica caracteriza-se, com frequência, pela regulação anormal da produção de hormônios (p. ex., defeito do controle por retroalimentação no ACTH ectópico). • Processamento de peptídeos (resultando em um grande peptídeo precursor não processado, como a pró-opiomelanocortina [POMC]). Hipercalcemia humoral da malignidadeHipercalcemia humoral da malignidade Barroso-Sousa e Gustavo Fernandes, 2023 2 • Existem quatro mecanismos principais de hipercalcemia em pacientes com câncer: Hipercalcemia Hipercalcemia humoral da malignidade ou do câncer Atividade osteolítica Secreção tumoral de vitamina D Secreção tumoral ectópica de PTH Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas LOSCALZO, 2024 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer • Quatro glândulas paratireoides estão localizadas posteriormente à glândula tireoide. Elas produzem o Paratormônio (PTH, de parathyroid hormone). Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Qual é a função do PTH? Principal regulador da fisiologia do cálcio. LOSCALZO, 2024 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Ação do PTH • Atua diretamente nos ossos, onde induz a liberação de cálcio (e fosfato), e no rim, onde aumenta a reabsorção de cálcio nos túbulos distais. • Nos túbulos renais proximais, aumenta a excreção de fosfato e a síntese de 1,25-di-hidroxivitamina D (1,25[OH]2D), hormônio que aumenta a absorção gastrintestinal de cálcio. LOSCALZO, 2024 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer Função do PTH • Consiste em manter a concentração de cálcio no líquido extracelular (LEC) dentro de uma faixa normal estreita. • O hormônio atua diretamente sobre o osso e no rim e indiretamente sobre o intestino, graças a seus efeitos sobre a síntese da 1,25(OH)2D, de modo a aumentar as concentrações séricas de cálcio. Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas • Em geral é decorrente da superprodução do peptídeo relacionado com o PTH (PTHrP, de parathyroid hormone-related peptide) pelas células neoplásicas - Peptídeo relacionado com o PTH (PTHrP). • A maioria dos tipos de células produz PTHrP, como cérebro, pâncreas, coração, pulmão, tecido mamário, placenta, células endoteliais e músculo liso. • O PTHrP também pode desempenhar um papel essencial na formação do osso endocondral e na morfogênese de ramificação da mama e, possivelmente, na contração uterina e em outras funções biológicas. 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer LOSCALZO, 2024 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas O PTHrP se dobra em uma configuração que pode se ligar ao receptor de PTH, embora também possa se ligar a outros receptores, por meio dos quais exerce efeitos diferentes do PTH. 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer LOSCALZO, 2024; DIMITRIADIS et al. 2017 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Etiologia • O PTHrP se liga a receptores nos rins e ossos, aumentando a reabsorção tubular renal de cálcio e, simultaneamente, aumentando a excreção urinária de fósforo, além de aumentar a reabsorção de cálcio ósseo. 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Patogênese • O gene PTHrP está localizado no braço curto do cromossomo 12 e a hipometilação tem sido sugerida como o mecanismo de expressão em casos de hipercalcemia relacionada ao PTHrP. • A via ras-MapK provavelmente representa o mecanismo comum pelo qual vários estímulos ativam a expressão do gene PTHrP: esses estímulos incluem fatores de crescimento (Fator de crescimento relacionado ao tumor TGF-β), angiotensina , citocinas. 2 1. Hipercalcemia humoral do câncer MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 • Caracteriza-se por níveis séricos de cálcio marcadamente elevados em um contexto de malignidade conhecida ou suspeita. • É um marcador de mau prognóstico, com uma taxa de mortalidade em 30 dias que chega a 50% 1. Hipercalcemia humoral do câncer MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas • As neoplasias malignas comumente associadas são carcinomas de células escamosas , incluindo os de cabeça e pescoço, esôfago, colo do útero, pulmão e cólon, além de cânceres de células renais, bexiga, mama, endométrio e ovário; raramente é observada em tumores neuroendócrinos pancreáticos • As neoplasias malignas comumente associadas são carcinomas de células escamosas , incluindo os de cabeça e pescoço, esôfago, colo do útero, pulmão e cólon, além de cânceres de células renais,bexiga, mama, endométrio e ovário; raramente é observada em tumores neuroendócrinos pancreáticos 2 • As neoplasias malignas comumente associadas são carcinomas de células escamosas , incluindo os de cabeça e pescoço, esôfago, colo do útero, pulmão e cólon, além de cânceres de células renais, bexiga, mama, endométrio e ovário; • Raramente é observada em tumores neuroendócrinos pancreáticos. 1. Hipercalcemia humoral do câncer MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas Manifestações clínicas 2 • Quando os níveis de cálcio se mostram acentuadamente aumentados (> 3,5 mmol/L [> 14 mg/dL]), os pacientes podem apresentar: fadiga, alterações do estado mental, poliúria, desidratação ou sintomas de nefrolitíase, náuseas, dor óssea, perda de apetite, vômitos, constipação, letargia e coma. • Redução dos segmentos ST e intervalos QT, bem como causar bloqueio de ramo e bradiarritmias. • Os achados laboratoriais típicos incluem níveis elevados de cálcio, níveis de PTH suprimidos ou baixos, dentro da normalidade, e níveis elevados de PTHrP. 1. Hipercalcemia humoral do câncer MICHAEL et al. 2022; LOSCALZO, 2024; Barroso-Sousa e Gustavo Fernandes, 2023 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 • Responsável por 20% dos casos de hipercalcemia relacionada a neoplasias malignas. • A liberação local de citocinas tumorais estimula o aumento da produção de PTHrP e a subsequente interação RANKL/RANK, causando amplificação da atividade osteoclástica e reabsorção óssea. • As citocinas implicadas incluem interleucina-1 (IL-1), IL-3, IL-6, TNFα, TGFα, TGFβ, linfotoxina e prostaglandinas da série E. • Câncer de mama metastática, mieloma múltiplo e linfomas comumente se apresentam por meio desse mecanismo. 2. Atividade osteolítica em locais de metástases esqueléticas MICHAEL et al. 2022 2 • Apenas 1% dos casos estão relacionados à produção ectópica de 1,25-di- hidroxivitamina D ativa (1,25(OH) ₂ Vit-D) pelas células tumorais. • Observada em associação com neoplasias hematológicas e tumores neuroendócrinos, doenças granulomatosas não maligna (sarcoidose e tuberculose). • O mecanismo subjacente deve-se à aquisição, pelas células patológicas e pelos macrófagos adjacentes, da capacidade de expressar a enzima 1α- hidroxilase, levando à conversão da 25-hidroxivitamina D endógena no metabólito ativo 1,25-di-hidroxivitamina D; esse metabólito se liga a receptores intestinais, causando aumento da absorção intestinal de cálcio e hipercalcemia. 3. Secreção tumoral de vitamina D MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 • A hipercalcemia em malignidade secundária à secreção ectópica verdadeira de PTH é extremamente rara. • A revisão da literatura revelou aproximadamente 30 casos até o momento envolvendo neoplasias da cabeça e pescoço, tórax , trato gastrointestinal-pelve • A hipercalcemia é causada como consequência da ativação do receptor de PTH, levando ao aumento da reabsorção óssea de cálcio, aumento da reabsorção renal e aumento da geração de 1,25(OH) 2 Vit-D ativo. 4. Secreção tumoral ectópica de PTH MICHAEL et al. 2022 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas MICHAEL et al. 2022 MICHAEL et al. 2022; Barroso-Sousa e Gustavo Fernandes, 2023; LOSCALZO, 2024; Dimitriadis, 2017 2 • A produção ectópica de vasopressina por tumores é uma causa comum da SIADH (syndrome of inappropriate antidiuretic hormone secretion). • A SIADH é caracterizada por hiponatremia, hipo-osmótica e euvolêmia e surge da pela produção excessiva de hormônio antidiurético (ADH), também conhecido como arginina vasopressina (AVP) pelas células tumorais • Essa síndrome corresponde a 1% a 2% de todos os casos. • O câncer de pulmão de pequenas células é responsável pela maioria dos casos, com cerca de 10% a 45% dos casos. Síndrome inapropriada de secreção de hormônio antidiurético (SIADH): Vasopressina ectópica Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas LOSCALZO, 2024 2 • Secreção de vasopressina, a ingestão de água e o transporte renal de água colaboram para manter a osmolalidade dos líquidos corporais entre 280 e 295 mOsm/kg. • A vasopressina (AVP) é sintetizada no hipotálamo, cujos axônios distais se projetam para a hipófise posterior, a partir da qual a AVP é liberada na circulação. Síndrome inapropriada de secreção de hormônio antidiurético (SIADH): Vasopressina ectópica Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas LOSCALZO, 2024 2 • Uma rede de neurônios “osmorreceptores” centrais, detecta a osmolalidade circulante. Esses neurônios osmorreceptores são ativados ou inibidos por elevações e por reduções modestas da osmolalidade circulante, respectivamente; a ativação leva à liberação de AVP. • A secreção de AVP é estimulada à medida que a osmolalidade sistêmica aumenta além do limiar de cerca de 285 mOsm/kg. • A sede e, em consequência, a ingestão de água também são desencadeadas quando a osmolalidade sanguínea se aproxima de 285 mOsm/kg. Síndrome inapropriada de secreção de hormônio antidiurético (SIADH): Vasopressina ectópica Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 • Os tumores com características neuroendócrinas, como o CPPC e os tumores carcinoides, são as fontes mais comuns de produção ectópica de vasopressina, mas também ocorrem em outras formas de câncer de pulmão e em lesões do SNC, nos cânceres de cabeça e pescoço, bem como em cânceres urogenitais, gastrintestinais e ovarianos. • O mecanismo de ativação do gene da vasopressina em tais tumores é desconhecido. LOSCALZO, 2024 Síndrome inapropriada de secreção de hormônio antidiurético (SIADH): Vasopressina ectópica Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas 2 Manifestações clínicas • A maioria dos pacientes é assintomática e identificada em razão da presença de hiponatremia nos testes bioquímicos de rotina. Níveis séricos de sódiode genes específicos da hipófise Síndrome de Cushing causada por produção ectópica de ACTH Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas LOSCALZO, 2024; DIMITRIADIS et al. 2017; MICHAEL et al. 2022 MICHAEL et al. 2022 2 • Há aumento da expressão tumoral de POMC devido à ativação ectópica de promotores de genes específicos da hipófise. • Há uma alta frequência de expressão de POMC em tumores de pequenas células do pulmão (SCLC) e carcinoides. Síndrome de cushing causada por produção ectópica de ACTH 2 • Produção ectópica de ACTH representa 10 a 20% dos casos de síndrome de Cushing. • Particularmente comum nos tumores neuroendócrinos. • O CPPC é a causa mais comum de produção ectópica de ACTH, seguido pelos carcinoides brônquico e tímico, tumores de células das ilhotas, outros carcinoides. Síndrome de Cushing causada por produção ectópica de ACTH Síndromes Paraneoplásicas Endócrinas LOSCALZO, 2024 SÍNDROMES HEMATOLÓGICAS 2 • A produção ectópica de eritropoietina pelas células neoplásicas é a principal causa de eritrocitose paraneoplásica. • A eritropoietina ectópica estimula a produção de eritrócitos na medula óssea e eleva o hematócrito. • Outras linfocinas e hormônios produzidos pelas células neoplásicas podem estimular a liberação de eritropoietina, mas não foi comprovado que causem eritrocitose. Eritrocitose Síndromes Hematológicas LOSCALZO, 2024 2 • A maioria dos pacientes com eritrocitose apresenta elevação do hematócrito (> 52% em homens, > 48% em mulheres) detectada durante um hemograma de rotina. • Cerca de 3% dos pacientes com carcinoma de células renais, 10% daqueles com hepatoma e 15% dos pacientes com hemangioblastoma cerebelar apresentam eritrocitose. Na maioria dos casos, a eritrocitose é assintomática Eritrocitose Síndromes Hematológicas LOSCALZO, 2024 2 • Cerca de 30% dos pacientes com tumores sólidos apresentam granulocitose (contagem de granulócitos > 8.000/μL). • Os tumores e as linhagens de células tumorais de pacientes com cânceres de pulmão, ovário e bexiga produzem o fator estimulador das colônias de granulócitos (G-CSF), o fator estimulador das colônias de granulócitosmacrófagos (GM-CSF) e/ou a interleucina 6 (IL-6). Síndromes Hematológicas Granulocitose LOSCALZO, 2024 2 • Ocorre granulocitose em 40% dos pacientes com cânceres de pulmão e gastrintestinal, 20% das pacientes com câncer de mama, 30% dos pacientes com tumores cerebrais e câncer de ovário, 20% daqueles com doença de Hodgkin e 10% daqueles com carcinoma renal. • Os pacientes com doença em estágio avançado são mais propensos à granulocitose que aqueles com doença incipiente. LOSCALZO, 2024 Síndromes Hematológicas Granulocitose 2 • Cerca de 35% dos pacientes com trombocitose (contagem plaquetária > 400.000/μL) têm algum câncer subjacente. • A IL-6, molécula provavelmente implicada na etiologia da trombocitose paraneoplásica, estimula a produção de plaquetas in vitro e in vivo. Alguns pacientes com câncer e trombocitose apresentam níveis plasmáticos de IL-6 elevados. • A contagem de plaquetas está aumentada em 40% dos pacientes com cânceres de pulmão e gastrintestinal, em 20% das mulheres com cânceres de mama, endométrio e ovário, bem como em 10% dos pacientes com linfoma. Síndromes Hematológicas Trombocitose LOSCALZO, 2024 2 • Os tumores e as linhagens celulares tumorais de pacientes com linfomas ou leucemias podem produzir IL-5, que estimula a produção de eosinófilos. • Os pacientes com eosinofilia são assintomáticos. • A eosinofilia está presente em 10% dos pacientes com linfoma, 3% com câncer pulmonar e, esporadicamente, em pacientes com cânceres de colo do útero, gastrintestinal, renal e mamário. • Os pacientes com contagens acentuadamente elevadas de eosinófilos (> 5.000/μL) podem manifestar dispneia e sibilos. A radiografia de tórax pode revelar infiltrados pulmonares difusos em razão da infiltração e ativação de eosinófilos nos pulmões. LOSCALZO, 2024 Síndromes Hematológicas Eosinofilia SÍNDROMES NEUROLÓGICAS PARANEOPLÁSCIAS estado de não responsividade do sistema imunológico em relação aos tecidos do próprio organismoestado de não responsividade do sistema imunológico em relação aos tecidos do próprio organismo LOSCALZO, 2024 2 Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) • São causados por outros mecanismos que não as metástases ou por qualquer uma das complicações do câncer, como coagulopatia, acidente vascular cerebral (AVC), distúrbios metabólicos e nutricionais, infecções e efeitos colaterais do tratamento do câncer. estado de não responsividade do sistema imunológico em relação aos tecidos do próprio organismoestado de não responsividade do sistema imunológico em relação aos tecidos do próprio organismo DIMITROV et al. 2026; GEORGIEV et al. 2024 2 • A patogênese da síndrome paraneoplásica é complexa e envolve uma quebra da tolerância imunológica a antígenos neurais. Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) O que significa “tolerância imunológica”? • Estado de não responsividade do sistema imunológico em relação aos tecidos do próprio organismo. • Sistema imunológico evita atacar antígenos “próprios”, a menos que a tolerância esteja comprometida. • Esse comprometimento surge frequentemente porque o tumor expressa um antígeno neuronal em um contexto imunogênico ou em uma forma alterada. 2 • O entendimento atual categoriza a patogênese em dois mecanismos principais: (1) Dano mediado por células T citotóxicas (tipicamente associado a antígenos intracelulares). (2) Disfunção mediada por anticorpos (associada a antígenos de superfície). DIMITROV et al. 2026 Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) LOSCALZO, 2024 2 (1) Dano mediado por células T citotóxicas (tipicamente associado a antígenos intracelulares). • Os anticorpos reagem com neurônios e com o tumor do paciente, quando os antígenos são intracelulares, a maioria das síndromes está associada a extensos infiltrados de células T CD4+ e CD8+. • A citotoxicidade mediada por células T pode contribuir diretamente para a morte celular nesses distúrbios neurológicos paraneoplásicos (DNPs). Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) 2 Célula tumoral • Apresenta uma proteína que também existe no neurônio • Sistema imunológico reconhece essa proteína como alvo • Ativa linfócitos T • Linfócitos T atacam as células que expressam aquele antígeno • Neurônios são lesionados ou destruídos KUNCHOK, VOGRIG, GRAUS. 2026 Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) 2 (2) Síndromes associadas a anticorpos contra antígenos de superfície neuronal: envolvem patogenicidade mediada por anticorpos diretos. • Quando o anticorpo reconhece um antígeno que está na superfície do neurônio ou da junção neuromuscular, o próprio anticorpo pode interferir diretamente na função celular - efeitos diretos dos anticorpos sobre os antígenos-alvo. • Esses anticorpos se ligam a domínios extracelulares de receptores sinápticos, canais iônicos ou moléculas de adesão, levando à internalização, ligação cruzada ou bloqueio funcional do alvo. • O tecido cerebral frequentemente apresenta morte neuronal mínima e inflamação menos intensa, com infiltração de células B e plasmócitos mais proeminente do que em síndromes intracelulares. DIMITROV et al. 2026; LOSCALZO, 2024 Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) 2 • Apresentações clínicas em duas categorias distintas: Fenótipos de alto risco: • Síndromes clássicas com forte associação intrínseca ao câncer, • Exibem um padrão clínico específico fortemente associado à malignidade Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) DIMITROV et al. 2026 2 • Apresentações clínicas em duas categorias distintas: Fenótipos de risco intermediário • Não são intrinsecamente indicativos de câncer. • São potencialmente paraneoplásicas, e frequentemente de origem idiopática ou autoimune, sem malignidade subjacente. Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) DIMITROV et al. 2026 KUNCHOK, VOGRIG, GRAUS. 2026; PELOSOF, GERBER,2011; LOSCALZO, 2024 2 • As SNP surgem de uma resposta imune a antígenos neuronais expressos ectopicamente por células tumorais. • As SNP têm uma incidência de aproximadamente 1/100.000 pessoas-ano e se desenvolvem em 1 a cada 300 pacientes com câncer. • Ao contrário das síndromes endócrinas paraneoplásicas, as SNP são detectadas antes do diagnóstico de câncer em 80% dos casos, ou seja, os sintomas neurológicos precedem o diagnóstico de câncer. Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) PELOSOF, GERBER, 2011; LOSCALZO, 2024 2 • Podem afetar qualquer parte do sistema nervoso: 1. Podem incluir alterações cognitivas e de personalidade, ataxia, déficits de nervos cranianos, fraqueza ou dormência. 2. Podem afetar o sistema nervoso central (por exemplo, encefalite límbica e degeneração cerebelar paraneoplásica), 3. A junção neuromuscular (por exemplo, síndrome miastênica de Lambert- Eaton e miastenia gravis). 4. Sistema nervoso periférico (por exemplo, neuropatia autonômica e neuropatia sensorial subaguda) Síndromes neurológicas paraneopláscias (SNP) SÍNDROME PARANEOPLÁSICA DERMATOLÓGICA SILVA et al. 2013 2 • A pele pode estar direta ou indiretamente envolvida em neoplasias malignas. • O envolvimento direto implica a presença de células tumorais na pele causada por extensão direta do tumor ou metástase. • O envolvimento indireto, por sua vez, é causado por uma variedade de fatores (inflamatórios, proliferativos ou metabólicos) relacionados à neoplasia (polipeptídeos, hormônios, citocinas, anticorpos ou fatores de crescimento) que atuam como mediadores, interferindo na comunicação celular e, consequentemente, em sua atividade. Neste caso, não há presença de células neoplásicas na pele, e esse envolvimento é considerado uma síndrome paraneoplásica dermatológica Síndrome paraneoplásica dermatológica SILVA et al. 2013 2 • As dermatoses paraneoplásicas são um grupo heterogêneo de manifestações clínicas que podem ter aparência benigna. • Elas são a segunda síndrome paraneoplásica mais comum, ficando atrás apenas das síndromes endócrinas. • Nem sempre é fácil determinar a correlação entre um achado dermatológico e uma neoplasia interna, ou mesmo definir a frequência dessa associação na população geral. Síndrome paraneoplásica dermatológica SILVA et al. 2013 2 Síndrome paraneoplásica dermatológica Critérios de Curth para o diagnóstico de síndromes paraneoplásicas cutâneas * O tratamento da neoplasia resulta na regressão da lesão cutânea; a recorrência da neoplasia implica na recorrência da lesão cutânea. SILVA et al. 2013 2 Síndrome paraneoplásica dermatológica Acantose nigricans maligna • Ocorre igualmente em ambos os sexos, sem predileção racial ou associação familiar. • Inicia -se com hiperpigmentação simétrica (axilas, fossa cubital, região submamária, inguinal e cervical posterior, embora qualquer parte do corpo possa ser afetada) • As lesões tornam-se ligeiramente infiltradas • Pode haver associação com prurido generalizado e envolvimento de superfícies mucosas, que apresentam aspecto verrucoso em casos graves. SILVA et al. 2013 2 Síndrome paraneoplásica dermatológica Paquidermatoglifia adquirida • Conhecida como palmas tripas ou acantose palmar. • Afeta predominantemente adultos, com predileção pelo sexo masculino. • Apresenta-se com hiperceratose palmar difusa, amarelada e aveludada, com padrões dermatoglíficos acentuados, resultando em uma aparência áspera SILVA et al. 2013 2 Síndrome paraneoplásica dermatológica Síndrome de Bazex • Esse processo paraneoplásico predomina em homens com idade média de 40 anos • Unhas distróficas em um paciente com carcinoma espinocelular da laringe. • Com a progressão da doença, a descamação afeta as regiões dorsal e palmoplantar, produzindo uma queratodermia violácea. Referências • LOSCALZO, Joseph et al. Medicina interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024 • Michael C. Onyema, Eftychia E. Drakou, Georgios K. 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