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1 Universidade Paulista – UNIP Curso: Psicologia - Campus: Marques Disciplina: Práticas Sociais e Subjetividade Orientador: Prof. André Costa Local: O Mundo Animal Restaurante Data: 08/10/2025 Duração: 2h Aluno(a): JULIANA FERREIRA CINTRA RA: G7579A8 TURMA: PS6R13 ESTÁGIO BÁSICO DO NÚCLEO COMUM RELATO INDIVIDUAL TEMA: RELAÇÕES HUMANAS E TECNOLOGIA A observação ocorreu no dia 08 de novembro de 2025, em um restaurante temático infantil equipado com decoração colorida, brinquedos e atividades lúdicas voltadas ao público infantil. Apesar do ambiente propício à interação, foi notável o uso excessivo de dispositivos eletrônicos, tanto por adultos quanto por crianças maiores que não tinham no ambiente recreações voltadas a sua faixa etária. Muitos pais estavam concentrados em seus celulares, enquanto as crianças, mesmo diante de um espaço recreativo atrativo, permaneciam usando tablets ou smartphones. O restaurante também apresentava recursos tecnológicos próprios, como monitores com desenhos animados, menus via QR Code e totens digitais de pagamento. Embora esses elementos tornassem o atendimento mais ágil, também contribuíam para o distanciamento social entre os presentes. Em diversas mesas, adultos e crianças compartilhavam o mesmo espaço, mas sem interação entre si, cada um imerso em uma tela. De modo geral, a observação evidenciou que, mesmo em um ambiente pensado para o brincar e a convivência, a tecnologia quando usada em excesso acaba reduzindo a interação presencial e o aproveitamento das atividades físicas e sociais. Isso ressalta a importância de um uso mais equilibrado dos dispositivos eletrônicos, para que a experiência coletiva e o desenvolvimento infantil não sejam prejudicados pela priorização do mundo digital. 2 COMPREENSÃO TEÓRICA DA OBSERVAÇÃO A observação realizada em um restaurante temático infantil evidenciou um fenômeno contemporâneo: a substituição das interações presenciais pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos, tanto por crianças quanto por adultos. Turkle (2011) destaca que vivemos em uma era em que estamos “conectados, mas sozinhos”, onde a presença física não garante o engajamento emocional. Esse comportamento pôde ser observado claramente, quando adultos e crianças partilhavam o mesmo espaço, mas se mantinham desconectados entre si, cada um imerso em seu próprio dispositivo digital. Assim, a tecnologia, ao invés de promover integração ou lazer compartilhado, atuou como barreira entre os indivíduos. Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, Vygotsky (1998) enfatiza que o brincar e a interação social são essenciais para a construção de funções psicológicas superiores, como o pensamento simbólico, a autorregulação e o desenvolvimento da linguagem. Em ambientes onde os recursos digitais substituem ou diminuem o brincar coletivo, há um empobrecimento das experiências que favorecem o crescimento emocional e cognitivo da criança. A ausência de estímulos adequados para certas faixas etárias, como adolescente, aliada ao uso contínuo de telas, pode contribuir para o isolamento social e restringir as possibilidades de aprendizado mediado por relações humanas. Por outro lado, como destaca Bauman (2001), a modernidade líquida favorece relações frágeis e superficiais, frequentemente moldadas pelo imediatismo e pela necessidade de gratificação instantânea, o que se agrava no uso constante de tecnologias. O restaurante observou-se um exemplo desse fenômeno, ao incorporar telas e totens digitais como parte de sua estrutura, promovendo praticidade, mas reforçando o distanciamento entre as pessoas. Dessa forma, o uso equilibrado e consciente da tecnologia é fundamental, para que ela atue como ferramenta de apoio, em vez de substituir experiências sociais fundamentais para a construção de vínculos e desenvolvimento humano. REFERÊNCIAS BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. TURKLE, Sherry. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other. New York: Basic Books, 2011. VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.