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Dinâmica Citoplasmática e Bioenergética Biologia Celular Aplicada 1 Mapa do Conteúdo Parte 1 Dinâmica citoplasmática: retículo endoplasmático, Golgi, vesículas e tráfego intracelular Parte 2 Sistemas de degradação: lisossomos, fagocitose, autofagia, peroxissomos e proteassoma Parte 3 Bioenergética: ATP, mitocôndria, glicólise, ciclo de Krebs e cadeia transportadora de elétrons Parte 4 Aplicação clínica: hipóxia, estresse oxidativo e caso clínico 2 O Citoplasma como Sistema Integrado O citoplasma não é apenas um "gel" — é um ambiente altamente organizado e dinâmico. Rede de organelas Produção → modificação → transporte → degradação Interdependência Qualquer falha nessa rede pode comprometer funções vitais da célula 3 Retículo Endoplasmático (RE) RE Rugoso Possui ribossomos; síntese de proteínas destinadas à secreção ou membranas. Muito desenvolvido em células secretoras (ex.: células acinares do pâncreas) RE Liso Sem ribossomos; síntese de lipídios, metabolismo de substâncias e armazenamento de Ca²⁺ Relevância clínica: células secretoras têm RE rugoso muito desenvolvido — base para entender distúrbios pancreáticos. 4 Complexo de Golgi: o Centro de Distribuição 01 Recepção Recebe proteínas provenientes do retículo endoplasmático 02 Processamento Processa e modifica as proteínas (glicosilação, fosforilação) 03 Distribuição Empacota e direciona proteínas para: secreção, lisossomos ou membrana plasmática Analogia: funciona como uma central de triagem e embalagem dos Correios da célula 5 Tráfego Vesicular Intracelular Vesículas transportam moléculas entre organelas e para a membrana plasmática, garantindo comunicação e abastecimento contínuos. Proteínas de revestimento (clatrina, COPI, COPII) garantem a especificidade do transporte. ⬆ Exocitose Liberação de conteúdo para fora da célula — ex.: secreção de insulina pelas células beta pancreáticas ⬇ Endocitose Internalização de material do meio externo — ex.: captação de LDL pelos hepatócitos 6 Lisossomos: a Usina de Reciclagem Enzimas Hidrolíticas Proteases, lipases, nucleases e glicosidases degradam todo tipo de macromolécula Ambiente Ácido pH ≈ 5, mantido por bombas de prótons dependentes de ATP — ativa as enzimas digestivas Doenças de Depósito Gaucher e Tay-Sachs resultam de deficiência enzimática lisossômica — material acumula-se defeito lisossômico → acúmulo de lipídio nos macrófagos → células de Gaucher → acúmulo/infiltração no fígado e baço → aumento dos órgãos. 8 Fagocitose: quando a Célula "Engole" Partículas Processo de internalização de partículas grandes: bactérias, restos celulares, corpos estranhos. Principais células fagocíticas: macrófagos e neutrófilos Atenção: englobar ≠ destruir — a destruição só ocorre após a fusão com o lisossomo! Digestão Fagossomo Englobamento Reconhecimento 9 Fagossomo + Lisossomo = Fagolisossomo 1 Fagossomo formado A partícula fica presa em uma vesícula de membrana após a fagocitose 2 Fusão com lisossomo O fagossomo se funde com o lisossomo, formando o fagolisossomo 3 Digestão enzimática As enzimas lisossômicas degradam o material no ambiente ácido do fagolisossomo 4 Reciclagem ou eliminação Produtos da digestão são reutilizados pela célula ou eliminados por exocitose 10 Fagocitose e Resposta Inflamatória Em uma infecção, macrófagos e neutrófilos são recrutados para o foco inflamatório para combater os agentes patogênicos. Reconhecimento via PAMPs Macrófagos identificam padrões moleculares de patógenos via receptores Amplificação imune Além de destruir microrganismos, macrófagos liberam citocinas que amplificam a resposta imune Aplicação saúde Sinais de inflamação — calor, rubor, tumor, dor — refletem diretamente esse processo celular 11 Autofagia: a Célula Recicla a Si Mesma O que é? Auto = próprio • Fagia = comer — a célula digere seus próprios componentes internos O que degrada? Organelas envelhecidas, proteínas mal dobradas e estruturas danificadas Quando ocorre? Essencial em situações de estresse nutricional: a célula "come" o que não é essencial para sobreviver ex: jejum prolongado ou organelas defeituosas Processos Seletivos Material Interno Degradação Interna Material Externo Exócito - Conteúdo expelido para fora Mitofagia - Mitocôndria danificada removida Autofagia - Componentes internos degradados Fagocitose - Material externo ingerido Diferença-chave: fagocitose = material externo; autofagia = componentes internos da própria célula. 12 Proteassoma e Ubiquitina Ubiquitina molecula proteica: a Etiqueta "Descartar" Marca proteínas danificadas produzidas pelo reticulo endoplasmatico, mal dobradas ou desnecessárias para degradação seletiva Proteassoma: a Trituradora Complexo proteico que degrada seletivamente as proteínas marcadas com ubiquitina Disfunção desse sistema está associada a doenças neurodegenerativas como Parkinson, onde proteínas anômalas se acumulam nos neurônios. 13 Comparando os Sistemas de Degradação Sistema Material degradado Mecanismo principal Fagocitose Partículas grandes externas (bactérias, detritos) Englobamento → fagolisossomo Lisossomo Material internalizado Enzimas hidrolíticas em pH ácido Autofagia Componentes da própria célula Autofagossomo → lisossomo Proteassoma Proteínas marcadas Ubiquitina + proteólise seletiva 14 PARTE 3 Bioenergética Celular Como a célula produz, armazena e utiliza energia para manter a vida 15 ATP: a Moeda Energética da Célula 36–38 ATP por glicose moléculas produzidas pela respiração aeróbica completa 2 ATP anaeróbico moléculas produzidas apenas pela glicólise sem oxigênio O ATP (adenosina trifosfato) é a principal forma de energia utilizável pela célula. A quebra de ATP → ADP + Pi libera energia para realizar trabalho celular. Transporte ativo de íons e moléculas pela membrana Síntese de macromoléculas (proteínas, DNA, RNA) Contração muscular e sinalização celular Ideia-chave: sem ATP, a célula não consegue manter suas funções vitais. 16 Mitocôndria: Central Energética da Célula Organela responsável pela produção aeróbica de ATP por fosforilação oxidativa. Quanto maior a demanda energética da célula, maior o número de mitocôndrias — ex.: cardiomiócitos possuem centenas delas. Membrana externa Permeável a moléculas pequenas Membrana interna Com cristas — abriga os complexos da cadeia e a ATP sintase Matriz Local do ciclo de Krebs e oxidação do piruvato 17 Da Glicose ao ATP: Visão Geral Acetil-CoA Piruvato entra na mitocôndria e vira Acetil‑CoA Cadeia de Elétrons Membrana interna: NADH/FADH₂ → ATP, O₂ aceitador final Glicólise Citoplasma: glicolise → 2 piruvatos, 2 ATP, 2 NADH Ciclo de Krebs Matriz mitocondrial: gera NADH, FADH₂ e CO₂ Cada etapa ocorre em um compartimento celular específico — entender essa localização é essencial para compreender os efeitos da hipóxia. 19 Ciclo de Krebs (Ciclo do Ácido Cítrico) Local Matriz mitocondrial — Acetil-CoA entra e é oxidado em 8 reações sequenciais Produtos por volta 3 NADH + 1 FADH₂ + 1 GTP + 2 CO₂ — os portadores de elétrons alimentarão a cadeia O CO₂ e a respiração O CO₂ produzido é eliminado pelos pulmões — daí a importância da ventilação pulmonar adequada Aplicação clínica Pacientes com acidose metabólica têm alteração no metabolismo do piruvato, comprometendo o ciclo 20 Por que Precisamos de Oxigênio? O₂ ausente O O₂ é o aceptor final de elétrons na cadeia transportadora — sem ele, a cadeia é bloqueada por completo Cascata de falha Sem cadeia funcionando → sem gradiente de H⁺ → sem ATP pela fosforilação oxidativa Compensação anaeróbica A célula tenta compensar com glicólise anaeróbica, mas produz muito menos ATP e gera lactato Consequência clínica Hipóxia → acidose lática → disfunção e morte celular progressiva 21 Estresse Oxidativo e Hipóxia na Prática Clínica Hipóxia tecidual é comum em: sepse, insuficiência respiratória, choque e anemia grave — situações frequentes Células mais vulneráveisNeurônios e cardiomiócitos — alta demanda energética, primeiros a sofrer dano por hipóxia Monitorização essencial SpO₂, frequência respiratória e nível de consciência — ações centrais de Enfermagem Intervenção precoce Oxigenoterapia imediata visa restaurar a fosforilação oxidativa e a produção de ATP 22 CASO CLÍNICO Trazendo para a saúde Paciente: 68 anos, entrada na emergência com dispneia intensa, SpO₂ 78%, confusão mental, cianose e extremidades frias O que ocorre nas células? O₂ ↓ → fosforilação oxidativa comprometida → ATP ↓ → falência progressiva de funções celulares Tecidos mais afetados Cérebro (confusão mental) e coração (baixo débito → extremidades frias e cianose) Conduta Oferta imediata de O₂, monitorização contínua, acesso venoso Compreender a bioenergética celular transforma a monitorização de SpO₂ de um número em uma janela para o metabolismo da célula. 23 image1.jpeg image2.jpeg image3.png image4.png image5.png image6.png image7.jpeg image8.svg image9.png image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.png image14.png image15.png image16.png image17.svg image18.svg image19.svg image20.png image21.png image22.png image23.png image24.jpeg image25.jpeg image26.svg image27.png image28.png image29.jpeg image30.png image31.svg image32.png image33.jpeg image34.svg image35.jpeg image36.svg image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image37.png image38.png image39.png image40.png image46.png image47.jpeg image48.jpeg image49.svg image50.png image51.svg image52.svg image53.svg image54.png