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1 NEFROLOGIA E TRATAMENTO 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário NEFROLOGIA TRATAMENTO .............................. Erro! Indicador não definido. NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................ 2 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................... 4 2. INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA ...................................................... 10 3. OS RINS E A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA ............................... 13 4. HEMODIÁLISE ....................................................................................... 14 5. PROCESSOS DE HEMODIÁLISE ......................................................... 15 6. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA HEMODIÁLISE ....................... 16 7. PRESCRIÇÕES DE ENFERMAGEM NOS SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE ................................................................................................ 18 7.1- HIPOTENSÃO .......................................................................................... 20 7.2- CÃIBRAS MUSCULARES ........................................................................ 20 7.3- NÁUSEAS E VÔMITOS ............................................................................ 21 7.4- CEFALÉIA ................................................................................................ 21 7.5 - DOR TORÁCICA E DOR LOMBAR ........................................................ 22 7.6- PRURIDO .................................................................................................. 22 7.7- FEBRE E CALAFRIOS ............................................................................. 23 8. DIÁLISE NÃO PLANEJADA .................................................................. 24 9. MODALIDADES DATERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA ....................... 25 10. TEORIA DO AUTO CUIDADO ............................................................... 31 11. A TEORIA DO AUTOCUIDADO NO TRATAMENTO DA DOENÇA RENAL CRÔNICA ........................................................................................... 33 12. CONCLUSÃO ..................................................................................... 35 13. REFERÊNCIAS ...................................................................................... 37 file:///D:/nefrologia%20,%20tratamento/NEFROLOGIA%20TRATAMENTO.docx%23_Toc71892180 4 1. INTRODUÇÃO A nova definição e o estadiamento da doença renal crônica (DRC) pro- postos, em 2002, pelo grupo de trabalho Kidney Disease Outcomes Quality Initi- ative (K/DOQI) da National Kidney Foundation (NKF) dos Estados Unidos, pro- piciaram uma definição de trabalho para a DRC que independe da sua causa. 116 A partir dessa nova visão, ficou evidente que a DRC é muito mais fre- quente do que até então se divulgava e sua evolução clínica está associada a taxas altas de morbimortalidade 116. Tal constatação estimulou várias Socieda- des de Nefrologia em todo o mundo a proporem diretrizes clínicas, objetivando a otimização do manejo da DRC. Os rins são órgãos fundamentais para a manutenção da homeostase do corpo humano. Assim, não é surpresa constatarmos que, com a queda progres- siva da taxa de filtração glomerular (TFG) observada na DRC e consequente perda das funções regulatórias, excretórias e endócrinas, ocorra o comprometi- mento de essencialmente todos os outros órgãos do organismo. Quando a queda da TFG atinge valores muito baixos, geralmente inferio- res a 15 mL/min/1,73 m2, estabelece-se o que tradicionalmente se chamava de “insuficiência renal crônica” (IRC), ou seja, o estágio mais avançado do conti- nuum de perda funcional progressiva observado na DRC, denominação que tem sido adotada mais recentemente associada à especificação de que se trata do estágio 5 da DRC. A DRC é, atualmente, considerada um problema de saúde pública mun- dial. No Brasil, a sua incidência e a prevalência estão aumentando, o prognóstico permanece ruim e os custos do tratamento da doença são altíssimos. O número 5 projetado atualmente para pacientes em tratamento dialítico e com transplante renal no Brasil está próximo dos 130.000, a um custo de 1,4 bilhão de reais 117. Independentemente da etiologia da doença de base, os principais desfe- chos em pacientes com DRC são as suas complicações (anemia, acidose meta- bólica, desnutrição e alteração do metabolismo de cálcio e fósforo) decorrentes da perda funcional renal, o óbito (principalmente por causas cardiovasculares) e a necessidade de terapia renal substitutiva (TRS). Estudos recentes indicam que esses desfechos indesejados podem ser prevenidos ou retardados se a DRC for diagnosticada precocemente e as medi- das nefro e cardioprotetoras implementadas imediatamente 116,118,119. Infeliz- mente, a DRC em geral tem sido subdiagnosticada e tratada inadequadamente, resultando na perda de oportunidade para a implementação de medidas preven- tivas, em parte devido à falta de concordância na definição e classificação dos estágios da doença, bem como a não utilização de testes simples para diagnós- tico e avaliação funcional da doença. A DRC é definida pela lesão do parênquima renal e/ou pela diminuição da taxa de filtração glomerular presentes por um pe- ríodo igual ou superior a três meses 116,118,119. A Sociedade Brasileira de Nefrologia 118 referendou a definição de DRC proposta pela National Kidney Foundation (NKF), dos Estados Unidos, em seu documento Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K/DOQI), que se baseia nos seguintes critérios 116: • Lesão presente por um período igual ou superior a três meses, definida por anormalidades estruturais ou funcionais do rim, com ou sem diminuição da TFG, evidenciada por anormalidades histopatológicas ou de marcadores de le- são renal, incluindo alterações sanguíneas ou urinárias, ou ainda dos exames de imagem; • TFGon hemodialysis: a descriptive study. Revista Mul- tiprofissional em Saúde do Hospital São Marcos v. 1, n. 1, p. 23-30, 2013. 59. MADEIRO AC, MACHADO PDLC, BONFIM IM, BRAQUEAIS AR, LIMA FET. Adesão de portadores de insuficiência renal crônica ao tratamento de hemodiálise. Acta paul enferm, 23(4), 546-51. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v23n4/16.pdf . 60. BASTOS MG, BREGMAN R, KIRSZTAJN GM. 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Além disso, custeou 90% dos transplantes renais, gerando um gasto de 139,6 milhões de reais. A mortalidade de doentes renais é superior em números absolutos à mai- oria das seguintes neoplasias: colo de útero, colón/reto, próstata e mama; e pró- ximo a de câncer de estomago 53. 7 Portanto, a DRC é considerada um problema de saúde pública em todo o mundo 123, e, se diagnosticada precocemente, e com condutas terapêuticas apropriadas, serão reduzidos os custos e o sofrimento dos pacientes 121. DM2 e a HAS, no século passado, assumiram ônus crescente e preocu- pante, justamente devido às transições demográfica, nutricional e epidemioló- gica, determinando um perfil de risco 125. A título de dado epidemiológico, no Brasil, cerca de 63% dos casos de DRC são portadores de hipertensão arterial HAS e DM2 119. A disfunção renal relacionada ao diabetes, descrita como nefropatia dia- bética, é multifatorial, sendo os fatores mais importantes: genéticos, ambientais, metabólicos e hemodinâmicos, que, atuando em conjunto, promovem o enfra- quecimento da membrana basal glomerular, a expansão da matriz mesangial, a diminuição do número de podócitos, glomeruloesclerose e fibrose tubulointersti- cial 120. Já a disfunção renal relacionada à HAS contribui aumentando a pressão hidrostática intraluminal 120. A detecção precoce dessas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são de extrema importância uma vez que serve de base para a incidência de DRC, destacando-se a nefropatia diabética, que tem prognóstico desfavorável em fases avançadas 122. A DRC é um problema mundial de saúde pública. As doenças do rim e trato urinário contribuem com aproximadamente 850 mil mortes a cada ano e 15 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade, constituindo-se na 12ª causa de morte e na 17ª causa de incapacidade. 23 O estágio final da DRC é denominado insuficiência renal crônica terminal (IRCT), quando o paciente necessita de uma terapia renal substitutiva (TRS) para sobreviver. As TRSs disponíveis são a diálise (hemodiálise [HD] e diálise peritoneal [DP]) e o trans- plante renal (TX). A prevalência de IRCT na população mundial aumentou 6% entre 2003 e 2004.51 Ao final de 2004, aproximadamente 1,8 milhão de pacientes estavam submetidos à TRS no mundo, representando uma prevalência de 280 pacientes por milhão de população (pmp). Desses, 77% encontrava-se em alguma forma de diálise e 23% era de transplan- tados renais. 51 8 O crescimento da população com DRC tem implicações substanciais para as políticas públicas de saúde, sobretudo pelo custo elevado dos pacientes em TRS, com 85% a 95% dessa terapêutica subsidiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).52 9 1.1METODOLOGIA Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se desen- volve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas no setor público e no fundamento de sua existência. A pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes autores e dados. Entende-se por pesquisa bibliográfica a revisão da literatura sobre as principais teorias que norteiam o trabalho científico. Essa revisão é o que cha- mamos de levantamento bibliográfico ou revisão bibliográfica, a qual pode ser realizada em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre outras fontes. 10 2. INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA O sistema renal é composto por dois órgãos denominados de rins, que executam vasta parcela das tarefas de eliminação, filtragem sanguínea e reali- zam a remoção dos resquícios metabólicos do organismo 101. Em detalhes minuciosos, os rins tem como funções: formação da urina, expulsão dos produtos residuais, ajuste dos eletrólitos, regulagem da estabili- dade ácido básico, administração da pressão arterial, controle da produção de eritrócitos, síntese da vitamina D para a maneira operante, eliminação das pros- taglandinas, coordena o equilíbrio de fósforo e cálcio, estimula o hormônio do crescimento e a clearance renal 112. Há comentários na literatura revisada neste estudo de que as atribuições exercidas pelo complexo renal são substanciais para a conservação do equilíbrio corporal. Tanto se acontecer, redução crescente de suas atividades pode possi- velmente comprometer no funcionamento dos demais sistemas 111. Em termos mais específicos, a taxa de filtração glomerular (TFG) avalia o desempenho do órgão e quando ocorre sucessivas perdas em sua qualidade, adicionada a diminuição das suas funções endócrinas, regulatórias e excretórias resulta no início da doença renal crônica (DRC) 89. Assim, a DRC é descrita pelo decréscimo contínuo e inconvertível do tra- balho renal. Sua acepção se fundamenta basicamente em dois elementos, que aparecem sozinhos ou em associações com outros fatores. São eles: desequilí- brios funcionais e/ou basilares por um tempo superior ou equivalente a três me- ses, ou melhor os danos estruturais e/ou o valor da instilação glomerular inferior 60ml/min/1,73/m²; neste exemplo sem ou com lesão 84. De acordo com o que orientam as diretrizes clínicas, a TFG pode ser men- surada com base no doseamento sérico da creatinina, por intermédio do uso de fórmulas matemáticas regulamentadas, nos quais utilizam as variáveis demográ- ficas para efetuarem os cálculos 103. Na fase inicial das nefropatias, grande parte das pessoas se apresentam assintomáticas, com isso dificulta o diagnóstico precoce, que proporcionaria 11 maior efetividade da terapêutica aplicada 92. Em meio à população geral, os gru- pos alvos mais suscetíveis de manifestarem tais patologias são: Indivíduos com hipertensão arterial, os que apresentam diabetes, tanto do tipo 1 quando do tipo 2, idosos, tabagistas, pessoas com obesidade, com índice de massa corporal acima de 30kg/m², histórico familiar de DRC e cardiovascular 73. A especificidade evolutiva da doença renal crônica segmenta-se em duas abordagens a clínica e a epidemiológica, podendo passar por diversas etapas. No estágio mais avançado da DRC, a TFG alcança níveis baixíssimos de apro- ximadamente 15 ml/min/1,73 m², instaurando a falência funcional renal (FFR), evidenciando o momento mais crítico da doença. No último período dos estágios, precisa-se do auxílio da TRS, esta possui as seguintes modalidades: diálise peritoneal, hemodiálise e transplante renal. Devem-se avaliar criteriosamente as vantagens e desvantagens de cada uma, porque atingirá diretamente a padrão de vida e até mesmo a sobrevivência dos acometidos 148. Define-se insuficiência renal quando os rins não são capazes de remover os produtos de degradação metabólica do corpo ou de realizar as funções regu- ladoras. As substâncias normalmente eliminadas na urina acumulam-senos lí- quidos corporais em consequência da excreção renal comprometida, e levam a uma ruptura nas funções endócrinas e metabólicas, bem como a distúrbios hi- droeletrolíticos e ácido-básicos 1-2. A insuficiência renal é uma doença sistêmica e consiste na via final co- mum de muitas diferentes doenças do rim e do trato urinário. Estima-se que, a cada ano, 50.000 norte-americanos morrem em virtude da insuficiência renal 1-2. Segundo Pereira et al. (2015) 24, no Brasil, a incidência e a prevalência da DRC têm aumentado de modo significativo, representando um crescimento de 2,3 vezes no período de 2000 a 2012. Estudos têm mostrado que a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e a função renal estão intimamente relacionadas, po- dendo a primeira ser tanto a causa como a consequência da segunda 23. Assim como a hipertensão, o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) tem sido considerado a principal causa de insuficiência renal crônica em pacientes em tratamento de DRC 22. 12 A Insuficiência Renal Aguda (IRA) é a redução aguda da função renal em horas ou dias. Refere-se, principalmente, a diminuição do ritmo de filtração glo- merular, porém ocorrem também disfunções no controle do equilíbrio hidroele- trolítico e ácido-básicos 3. No Brasil, existem poucos dados sobre a incidência da IRA e mortalidade associada. Estudos realizados em dois centros do Estado de São Paulo mostram uma incidência de IRA em hospital terciário de 0,79% e 0,49% respectivamente. Cerca de 50% desses pacientes foram submetidos ao tratamento dialítico, com mortalidade ao redor de 50% 4-5. A expressão Insuficiência Renal Crônica (IRC) refere-se a um diagnóstico sindrômico de perda progressiva e geralmente irreversível da função renal de depuração, ou seja, da filtração glomerular. É uma síndrome clínica causada pela perda progressiva e irreversível das funções renais. Caracteriza-se pela de- terioração das funções bioquímicas e fisiológicas de todos os sistemas do orga- nismo, secundária ao acúmulo de catabólicos (toxinas urêmicas), alterações do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básicos, acidose metabólica, hipovolemia, hi- percalemia, hiperfosfatemia, anemia e distúrbio hormonal, hiperparatireoidismo, infertilidade, retardo no crescimento, entre outros 6. A IRC pode ser tratada inicialmente por meio de terapêuticas conserva- doras, como: tratamento dietético, medicamentoso e controle da pressão arterial 7. A indicação do programa dialítico será feita quando o tratamento conservador não é capaz de manter a qualidade de vida do paciente e quando há o surgi- mento de sinais e sintomas importantes da uremia 8. Os primeiros sintomas da IRC podem demorar anos para serem notados, o mesmo ocorre com a síndrome urêmica, típica da IRC terminal, o que demons- tra grande capacidade adaptativa dos rins, permitindo que seres humanos se mantenham vivos com apenas 10% da função renal 9-10. Nas fases iniciais da IR, quando as manifestações clínicas e laboratoriais são mínimas ou ausentes, o diagnóstico pode ser sugerido pela associação de manifestações inespecíficas (fadiga, anorexia, emagrecimento, prurido, náusea ou hemólise, hipertensão, poliúria, nictúria, hematúria ou edema). Os principais sintomas são: nictúria, poliúria, oliguria, edema, hipertensão arterial, fraqueza, fadiga, anorexia, náuseas, vômitos, insônia, cãibras, prurido, palidez cutânea, 13 xerose, miopatia proximal, dismenorreia, amenorreia, atrofia testicular, impotên- cia, déficit cognitivo, déficit de atenção, confusão, sonolência, obnubilação e coma 5,11. Nas formas avançadas de IRC, virtualmente todos os órgãos e tecidos sofrem seus efeitos. Ocorre um acúmulo de substâncias tóxicas no meio interno, seja por excreção deficiente, seja por excesso de produção devido a distúrbios metabólicos IRC acarreta alterações, entre elas anasarca, alterações ósseas, alterações da acuidade mental e ritmo do sono, alterações da pressão intra-ocu- lar, alterações cardíacas e hipertensão 10,12. A IRC pode ser causada por doenças sistêmicas como diabetes mellitus; glomerulonefrite crônica; pielonefrite; hipertensão não controlada; obstrução do trato urinário; lesões hereditárias (doença renal policística); distúrbios vascula- res; infecções; medicamentos; agentes tóxicos; agentes ambientais e ocupacio- nais (chumbo, cádmio, mercúrio e cromo) 13-15. As causas da IRC vão desde as doenças primárias dos rins, as doenças sistêmicas que acometem os rins e as doenças do trato urinário. A nefropatia diabética, hipertensão e glomerulonefrite primária são as causas mais comuns da insuficiência renal terminal ao redor do mundo 16-17. O paciente com IRC apresenta alterações sistêmicas devido as múltiplas funções renais afetadas, doenças de base sistêmicas e as próprias complica- ções referentes a IR. Assim, o tratamento deverá envolvê-lo de forma ampla, abrangendo desde a psicoterapia, o direcionamento nutricional, o controle das doenças primárias, como diabetes e hipertensão, a correção de distúrbios meta- bólicos, orientações adequadas sobre a doença, o tratamento e autocuidado, envolvendo equipe multidisciplinar, até a adoção de uma terapia de substituição renal 18-21. 3. OS RINS E A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA O rim se situa no hilo, que apresenta vasos, nervos e cálices, que irão se reunir para formar a pelve renal, sendo constituído pela cápsula, zona cortical e zona medular. É constituído também pela associação de néfrons, os quais são formados por uma parte dilatada, o corpúsculo renal ou de Malpighi, pelo túbulo contorcido proximal, pela parte delgada espessa das alças de Henle e pelo tú- bulo contorcido distal 38. 14 Localizam-se paralelamente a coluna vertebral, removendo um excesso de água, sais e resíduos do metabolismo das proteínas provenientes do sangue enquanto retornam nutrientes e produtos químicos para o sangue, que condu- zem os produtos residuais provenientes do sangue para a urina 133. Portanto, quando os rins param de funcionar, o corpo pode ser afetado de várias formas. A maioria das pessoas que apresenta o quadro de falência renal sente-se mal antes de iniciar o tratamento, podendo apresentar sintomas como náuseas e vômitos, perda de apetite, prurido, cansaço, edema nas mãos e tor- nozelos e frequentes distúrbios do sono 145. A Doença Renal Crônica (DRC) é uma patologia multicausal, progressiva e irreversível, que possui tratamento, porém é incurável. Tem elevada morbidade e letalidade, e alto custo pessoal, social e financeiro 142. As principais causas da Insuficiência Renal Crônica (IRC) são: a Hipertensão Arterial Sistêmica, diabetes mellitus, doenças renais (glomerulopatia, nefropatia tubulointerticial, doença re- nal policística, displasia, hipoplasia renal) e uropatias (infecções urinárias de re- petição, obstruções urinárias e cálculos urinários) 139. A insuficiência Renal Crônica (IRC) é uma síndrome metabólica decor- rente da perda progressiva, irreversível e geralmente lenta da capacidade excre- tória dos rins, na qual o corpo não consegue manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico 112. Por ser lenta e progressiva esta perda resulta em processos adaptativos que, até certo ponto, mantêm o paciente sem sintomas da doença. Até que tenham perdido cerca de 50% de sua função renal, os pacientes con- servam-se quase sem sintomas. A partir daí, podem passar a existir sintomas e sinais que nem sempre incomodam muito. Assim, anemia leve, pressão alta, edema (inchaço) dos olhos e pés, mu- dança nos hábitos de urinar (levantar diversas vezes à noite para urinar) e do aspecto da urina (urina muito clara, sangue na urina, etc.). Deste ponto até que os rins estejam funcionando, somente 10 a 12% da função renal normal, podem- se tratar os pacientes com medicamentos e dieta. Quando a função renal se reduz abaixo desses valores, torna-se necessárioo uso de outros métodos de tratamento da insuficiência renal 138. 4. HEMODIÁLISE 15 A hemodiálise é o método onde haverá a filtração e depuração do sangue, com a intenção de retirar as substâncias nitrogenadas tóxicas e remover o ex- cesso de água, sendo as mesmas acumuladas devido à deficiência da função renal, mantendo os componentes normais do sangue. O sangue é obtido através de um acesso vascular e estimulado por uma bomba, em um sistema de circulação sanguínea fora do corpo, assim encontra- se um sistema de fornecimento de líquidos de diálise, o dialisado, e um filtro, o dialisador; no qual ocorre a difusão, osmose, convecção e ultrafiltração 126,140,40,41. Segundo Daugirdas, Blake et al. (2008) 35, as complicações mais comuns que acontecem durante a sessão de hemodiálise consiste em hipotensão (20%- 30%), cãibras (5%-20%), náuseas e vômitos (5%-15%), cefaléia (5%), dor torá- cica (2%-5%), dor lombar (2%-5%), prurido (5%), febre e calafrios (1%). 5. PROCESSOS DE HEMODIÁLISE Hemodiálise é a modalidade de tratamento dialítico em que a circulação do paciente é fora do corpo, realizada entre membranas procedidas de celulose, celulose “substituída”, celulose sintética ou não sintéticas, com o objetivo de ex- trair líquidos, produtos residuais urêmicos, reduzir a instabilidade hemodinâmica, promover equilíbrio ácido-base e eletrolítico 36, 140,137. A ultrafiltração é realizada ao se aplicar a pressão negativa ou uma força de aspiração na membrana de diálise, esse processo é mais eficiente na remo- ção de água do que a osmose, como os pacientes com doença renal geralmente não podem excretar água, essa força é necessária para remover o líquido, al- cançando o equilíbrio hídrico 36,140,128. As vias de acesso utilizadas em hemodiá- lise são: Catéter Duplo Lúmen (CDL), permcath, fístula arteriovenosa e próteses 128,36. Segundo Campos (2002) 32, o sangue do paciente sai de seu organismo, através de uma fístula ou cateter, com a ajuda de uma bomba onde esse sangue vai circular por uma máquina dialisadora, voltando depois para o paciente. Este processo vai durar em média 4 horas e deve ser feito 3 vezes por semana, de- pendendo da necessidade do paciente. 16 Figura 1: Pacientes que fazem uso dessa terapia geralmente devem se submeter ao tratamento durante o resto de suas vidas ou até que se realize um transplante renal bem sucedido 140,126. Há a necessidade de sessões de hemodiálises, consultas médicas, reali- zação de exames, restrições hídricas e alimentares, definições de atividades ro- tineiras e ocupacionais e dependência de um suporte informal para ter o cuidado que necessita. Tudo isso desestrutura a vida do paciente contribuindo para a diminuição de sua qualidade de vida e aumentando a propensão à depressão 131,139,28. 6. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA HEMODIÁLISE De acordo com a Portaria nº 154 de 15 de Junho de 2004 a qual estabe- lece o regulamento técnico para o funcionamento dos Serviços de Terapia Renal 17 Substitutiva e as normas para o cadastramento desses estabelecimentos junto ao Sistema Único de Saúde, é regulamentado que na unidade de Hemodiálise deve haver um médico nefrologista para cada 35 pacientes com título de espe- cialidade registrado no Conselho Federal de Medicina, um enfermeiro para cada 35 pacientes devendo possuir treinamento em diálise reconhecida pela Socie- dade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia, um técnico ou auxiliar de enfer- magem para cada 4 pacientes por turno de Hemodiálise 146. A enfermagem deve a cada instante estar atenta as suas ações e ter em mente que elas devem estar sempre fundamentadas cientificamente, os proce- dimentos técnicos deverão seguir a sistematização de enfermagem, proporcio- nando segurança, meios de avaliação e qualidade no tratamento 126. Os cuidados de enfermagem envolvem a sistematização desde a entrada do paciente até a saída deste da sessão de hemodiálise. Deve-se recepcionar o paciente ao chegar à unidade de diálise, sempre observando seu aspecto geral e realizando uma avaliação pré-hemodiálise, que envolve encaminhamento do paciente à balança para registrar o peso, encaminhar o paciente à máquina, ve- rificar sinais vitais; auxiliares e/ou técnicos devem comunicar qualquer alteração para o enfermeiro responsável, conversar com o paciente sobre qualquer sin- toma que ele tenha sentido desde a última diálise, etc. e se não houver restrição iniciar a sessão de diálise. Na avaliação pós-hemodiálise deve-se cuidar para sinais de sangramento no local da punção venosa, checar sinais vitais, verificar o peso, não permitir que o paciente sintomático deixe a unidade sem atendi- mento médico, etc. 126. Durante a sessão de hemodiálise a equipe deve estar atenta ao monito- ramento dos sinais vitais, anticoagulação, funcionamento adequado das máqui- nas de diálise (temperatura, rolete, fluxo de sangue, fluxo dialisado), conforto do paciente, intercorrências, queixas e dúvidas dos pacientes, solicitação do médico quando necessário, e a enfermeira deve realizar a supervisão dos auxiliares e técnicos da equipe 29. Ao fim da sessão, ao retirar o paciente da máquina deve-se tomar cuidado para que haja maior devolução de sangue ao paciente com uma menor quanti- dade de soro e evitar embolismo gasoso pela entrada de ar pela agulha de re- torno 29. 18 Para Vila (2002) 144, a equipe de enfermagem que se sente capaz para esta tarefa deve saber que é necessário o crescimento e desenvolvimento inte- rior de si mesmo para então ajudar o outro a crescer, deve-se estar aberto, alerta, preocupado em perceber, em sentir, ouvir, em viver com o outro, pois a enfer- magem executa inúmeras funções no gerenciamento da hemodiálise, não sendo possível desta forma separar as funções administrativas, assistenciais, educati- vas e de pesquisa, pois são funções interdependentes que se autocompletam visando à melhor assistência ao cliente. O papel do enfermeiro não se restringe a executar técnicas ou procedimentos eficientemente, mais que isso nos propo- mos a uma ação cuidativa abrangente, que implica, entre outros aspectos, de- senvolver habilidade de comunicação, sendo um meio utilizado para satisfazer as necessidades dos pacientes. Se a comunicação entre enfermeiro e paciente não ocorrer efetivamente, o significado do cuidado que prestamos pode ser afe- tado profundamente 34. 7. PRESCRIÇÕES DE ENFERMAGEM NOS SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE Bulecheck e Mc Closkey (2000) 30 refere: a prescrição de enfermagem como qualquer cuidado direto que a enfermeira realiza em benefício do cliente. Durante a realização da diálise, é a equipe de enfermagem a responsável pela inserção do cateter endovenoso na FAV. Usualmente, a primeira punção é rea- lizada pela enfermeira, posteriormente, dependendo das condições do acesso, os técnicos ou auxiliares de enfermagem treinados realizam as punções 30. Relacionando a prescrição de enfermagem na inserção do cateter endo- venoso na FAV, o autor Bulecheck & Mc Closkey (2000) 30 salienta que abran- gem as seguintes atividades: Verificar a prescrição médica para hemodiálise; Instruir o paciente sobre o procedimento; Manter a técnica asséptica rígida; Iden- tificar se o paciente é alérgico a álcool, iodo ou à fita adesiva; Escolher agulha apropriada para a FAV do paciente; Fazer torniquete acima dos locais de pun- ção; Fazer anti sepsia da área, previamente lavada com água e sabão, com ál- cool a 70% ou outra solução padronizada; Inserir as agulhas respeitando as de- 19 vidas distâncias entre as agulhas e anastomose vascular; Observar retorno san- guíneo; Remover o torniquete; Fixar as agulhas com fita adesiva; Conectar as agulhas às linhas venosa e arterial da hemodiálise e manter as precauções uni- versais. O enfermeiro deve reconhecer o paciente não como agente passivore- ceptor de cuidados, mas sim, o agente do seu autocuidado, conhecendo seu tratamento e dele participando, envolvido no desenvolvimento do seu plano de cuidados 136. A Hemodiálise (HD) foi criada na década de 40 para o tratamento da In- suficiência Renal Aguda (IRA), passando a ser utilizada somente a partir de 1962 como terapia de intervenção para IRC. A HD prolonga a vida do paciente, suaviza os sintomas da uremia e pre- vine futuras incapacidades. Na hemodiálise a equipe de enfermagem torna-se uma presença constante na unidade de hemodiálise, sendo assim um elemento de maior contato com o paciente, acarretando parte de suma importância, como educadores para saúde, transmissão de segurança e apoio quando necessário para os pacientes. Concordando com essa ideia Oliveira et al. (2008) 135 e Fermi (2010) 36 acreditam que a equipe de enfermagem é o grupo de profissionais que mais participa diretamente do processo que envolve a hemodiálise, e que esta é fun- damental na observação contínua dos pacientes durante a sessão, prevenindo, monitorando e tratando os efeitos adversos. A sessão de hemodiálise requer monitorização e avaliação do paciente por parte da equipe de enfermagem, antes, durante e depois do tratamento. Sendo que os itens como sinais vitais são verificados a cada 30 minutos ou a cada hora, podendo variar de um serviço para outro; obedece a uma frequência cujo padrão consiste em medida pré e pós-sessão dialítica para glicemia capilar, peso, temperatura corporal, pulso e pressão arterial 128. Durante o tratamento a equipe de enfermagem tem uma importância pri- mordial, pois deve acompanhar diretamente e orientar estes pacientes quanto às infecções e complicações que podem ser causadas pela hemodiálise. Assim, de acordo com Breitsameter, Thomé, Silveira (2008) 31 depois dos problemas de ordem renal, as infecções caracterizam o principal motivo de inter- 20 nação dos pacientes renais crônicos, pois estes são geralmente imunodeprimi- dos, apresentando assim maior suscetibilidade a infecções, além de possuírem maior risco devido aos acessos venosos para hemodiálise (cateteres centrais ou FAVs). As principais complicações e as atribuições da equipe de enfermagem frente a estas, serão discutidas nas categorias a seguir: 7.1- HIPOTENSÃO Para Nascimento e Marques (2005) 134, é a complicação mais frequente durante a hemodiálise, sendo um reflexo primário de grande quantidade de líqui- dos que é extraída do volume plasmático durante uma sessão de rotina da diá- lise. A água que parte é acumulada no intervalo interdialítico é extraída direta- mente pelo mecanismo de ultrafiltração. Concordando com o autor acima supra- citado Lima e Santos (2004) 126, definem também a hipotensão arterial como a queda da pressão sistólica abaixo de 100 mmHg durante o procedimento dialí- tico, sendo está a principal complicação do tratamento hemodialítico, ocorrendo em até 30% das sessões, sua etiologia é multifatorial. Para não agravar estes sintomas, faz-se necessário tomar providencias cabíveis para não piorar o quadro do paciente. Nascimento e Marques (2005) 134, diz que: a intervenção consiste em dar início seguidamente ao tratamento de episódios agudos de hipotensão. O paciente deve ser colocado em posição de Trendelemburg, deve ser administrado bolus de 100 ml de SF a 0,9% ou mais se indispensável, a veloci- dade de ultrafiltração deve ser diminuída para o mais próximo possível de zero. Intervenções de enfermagem como o monitoramento cauteloso dos sinais vitais e observações de sintomas específicos podem ajudar a limitar a ocorrência e a intensividade de episódios hipotensivos nos pacientes. 7.2- CÃIBRAS MUSCULARES Terra et al. (2010) 143 e Castro (2001) 47 acreditam que as cãibras são uma complicação frequente da hemodiálise, predominam nos membros inferio- 21 res e ocorrem, preferencialmente, na segunda metade da hemodiálise. Frequen- temente são precedidas de hipotensão arterial. Estes autores dizem que as cãi- bras estão associadas à elevada taxa de ultrafiltração durante a sessão de he- modiálise e não indicam, necessariamente, que o paciente atingiu seu peso seco. A cãibra acarreta para o paciente um desgaste muscular doloroso que poderá alterar outros sintomas e a enfermagem deve estar atenta para outros agravos. Quando o episódio de cãibras já está instalado de acordo com Lima e Santos (2004) 126, a ação da enfermagem consiste em aplicação de calor no músculo afetado, massagens, flexão dos dedos sobre o dorso do pé e pedir para o paciente fazer pressão sobre a planta do pé se a cãibra estiver localizada em membros inferiores. Concordando também relatam os autores Souza, Martino e Lopes (2007) 141, estes recomendam rever com o paciente as orientações sobre a ingestão de sal e água para reduzir o ganho de peso. 7.3- NÁUSEAS E VÔMITOS Náuseas e vômitos são ocorrências comuns e ocorrem em até 10% dos tratamentos de rotina de diálise, constituindo que sua etiologia seja multifatorial. A maioria dos episódios em pacientes estáveis possivelmente esteja relacionada à hipotensão, como podem ser também uma manifestação precoce da síndrome do desequilíbrio. Caso prosseguirem as náuseas e vômitos pode-se administrar um antiemético 134. Para a categoria náuseas e vômitos a enfermagem deve considerar como possíveis causas a hipotensão arterial, manifestações da síndrome do desequi- líbrio, reações ao dialisador, e além destas, quando estes sintomas estão pre- sentes fora do contexto da diálise, a enfermagem deve ponderar causas não relacionadas à diálise, e assim, deve corrigir a causa, e se os sintomas persisti- rem é necessário administrar antiemético conforme prescrição médica 35,143,36. 7.4- CEFALÉIA 22 Para Terra et al. (2010) 143, é um sintoma frequente em pacientes com IRC submetidos à Hemodiálise. As causas mais encontradas são: a hipertensão arterial, hipotensão arterial, alterações no peso corporal e ansiedade. Pode ser também uma manifestação sutil da síndrome do desequilíbrio, ou pode estar re- lacionada ao uso de solução de diálise contendo acetato. Para amenizar este sintoma, Fermi (2010) 36, refere que o tratamento de enfermagem consiste em administrar analgésicos por via oral ou parenteral con- forme prescrição médica. Além disso, Daugirdas, Blake e Ing (2008) 35 acrescen- tam que assim como para náuseas e vômitos, uma redução no fluxo sanguíneo durante a primeira parte da diálise pode ser tentada, e uma redução na concen- tração de sódio do dialisado também pode ser útil. 7.5 - DOR TORÁCICA E DOR LOMBAR Para Daugirdas; Blake; Ing, (2008) 35; e Fermi (2010) 36, a dor torácica discreta, frequentemente associada a dor lombar discreta ocorre em 1% a 4% das sessões de diálise, sua etiologia é desconhecida, mas pode estar relacio- nada com a ativação do complemento (reação de imunidade do organismo, fun- ção que envolve a estrutura da imunoglobulina e que ativa as respostas humo- rais). Não há estratégia de tratamento ou prevenção específica, embora possa ser benéfico substituir a membrana do dialisador por uma de outra variedade (o benefício dessa mudança é controverso). Também podem ser prestados os cuidados de enfermagem Fermi (2010) 36; Daugirdas; Blake; Ing, (2008) 35, sendo que esta deve administrar analgésicos por via oral ou parenteral conforme prescrição médica. Se a angina for a causa da dor torácica, pode-se discutir com a equipe médica o uso da nitroglicerina sublingual e uso de oxigênio nasal conforme o necessário. 7.6- PRURIDO Segundo Fermi (2010) 35, o prurido é a manifestação mais comum na IRC, e tem sido atribuído ao efeito tóxico da uremia na pele. As toxinas urêmicas cir- 23 culantes são responsáveis pelo prurido, e um produto cálcio-fósforo elevado tam- bém pode contribuir para estesintoma. A alergia a heparina também pode ser causa do prurido. Para diminuir a manifestação do prurido a enfermagem deve administrar anti-histamínicos conforme prescrição médica, analisar a pele dos pacientes em busca de lesões causadas, aconselhar aos pacientes quanto ao uso de emolientes para hidratação da pele e a tomarem banhos rápidos com água à temperatura ambiente. Porém, se a causa desta complicação for o produto cálcio-fósforo ele- vado, de acordo com Terra et al., (2010); Fermi (2010) 35; Daugirdas; Blake; Ing, (2008) 35; Castro (2001) 47; Oliveira et al., (2008) 135, a equipe de enfermagem deve orientar e estimular a dieta para controle de fósforo e a administração de carbonato de cálcio conforme prescrição médica. 7.7- FEBRE E CALAFRIOS De acordo com Nascimento e Marques (2005) 134, o paciente renal crônico é imunodeprimido e, por conseguinte, tem uma sensibilidade aumentada para infecções. As infecções bacterianas nesses pacientes parecem progredir de ma- neira acelerada e a cura parece ser mais lenta. O local de acesso é a fonte de 50% a 80% das bacteremias (principalmente pacientes com cateteres). As bac- teremias podem acarretar endocardite, meningite e osteomielite. Sobre este local de acesso ocasionar bacteremia, Lima e Santos (2004) 126, ainda ressalta que febre e calafrios durante a diálise podem estar relaciona- dos à pirogenia ou infecção por equipamento contaminado. Portanto, para essa categoria cabe à enfermagem investigar as possíveis causas desses sintomas e administrar analgésicos e antibióticos conforme critério médico. Para essa avaliação Daugirdas, Blake, Ing (2008) 35, deve-se sempre, ins- pecionar os acessos vasculares, e durante todo o procedimento utilizar-se das medidas necessárias para o controle da infecção. Caso haja suspeita de piroge- nia ou infecção, compete à equipe de enfermagem, providenciar amostras de sangue para hemocultura, amostra do dialisato e da fonte de água tratada. 4.8 24 Hipertensão A hipertensão arterial é um dos fatores que agrava e piora o funci- onamento renal, sendo capaz de causar dano renal e progressão da IRC, inde- pendentemente da doença de base. Aproximadamente 80% dos pacientes portadores de IRC desenvolvem hipertensão arterial 27. É sabido que a alteração da pressão arterial tem relação direta com o nível de ansiedade e sentimentos do paciente. Ressaltando essa relação Nascimento e Marques (2005) 134, refere que a hipertensão durante a diálise é geralmente produzida por ansiedade, excesso de sódio e sobrecarga de líquidos. Pode ser confirmado comparando-se o peso do paciente antes da diálise com o peso ideal ou seco. Quando a sobrecarga hídrica é a causa da hipertensão, a ultrafiltração trará, na maioria das vezes, uma redução na pressão sanguínea, induzindo à normalização da pressão. Segundo o mesmo autor, em seguida a administração de anti-hipertensivo, a enfermagem monitora a pressão arterial em intervalos fre- quentes (geralmente de 15 em 15 minutos). Os sedativos podem ser necessá- rios, mas a veracidade na equipe e uma diálise suave, livre de problemas, aju- darão a diminuir a ansiedade durante os tratamentos subsequentes. 8. DIÁLISE NÃO PLANEJADA A diálise não planejada, pode ser definida como início de HD sem acesso vascular definitivo funcionante, isto é, utilizando cateter venoso central (CVC) como acesso, ou com início de DP dentro de 7 dias após o implante do cateter. No Brasil, aproximadamente 60% dos pacientes incidentes em terapia re- nal substitutiva (TRS) não tem acesso definitivo e precisam ser tratados através de CVC. Na unidade de diálise do Hospital Universitário da Faculdade de Medi- cina de Botucatu, a realidade é ainda pior: mais de 90% dos pacientes incidentes iniciam a diálise de modo urgente e 50% dos pacientes prevalentes não tem acesso vascular definitivo funcionante e são tratados através de CVC tunelizado. Dias, et al. (2016) 54, publicaram recentemente um estudo que incluíram 35 pacientes no período de julho de 2014 a janeiro de 2015. A idade foi 57,7± 19,2 anos, diabetes foi a principal etiologia da DRC (40,6%) e uremia foi a prin- cipal indicação de diálise (54,3%). O controle metabólico foi alcançado após cinco sessões de DP de alto volume, e os pacientes permaneceram em DP in- termitente por 23,2 ± 7,2 dias recebendo 11,5 ± 3,1 sessões DP intermitente. 25 Peritonite e complicações mecânicas ocorreram em 14,2 e 25,7%, respectiva- mente. A taxa de mortalidade foi de 20%, e sobrevida da técnica foi de 85,7%. O programa de DP crônica apresentou crescimento de 41,1%. Enfim, o conceito de início não planejado na DP crônica pode ser uma alternativa viável e segura, complementar a hemodiálise e uma ferramenta para aumentar o programa de DP com os pacientes incidentes que iniciam a terapia de diálise. De modo recente, Perl, et al. (2011) 55 e Vonesh, et al. (2006) 56, têm apontado o impacto do tipo de acesso vascular na mortalidade de pacientes in- cidentes em HD. Estudos constataram que a utilização de CVC está diretamente associada com a sobrevivência reduzida, especialmente nos primeiros 90 dias de terapia. Além disso, há maior risco de bacteremia, septicemia e hospitaliza- ções em pacientes que utilizam CVC quando comparados aos pacientes em uso de fistula arteriovenosa (FAV), enxerto ou DP. Assim, a DP parece ser uma opção para o início urgente de diálise crô- nica. Este estudo reforça e auxilia a vantagem de um paciente renal crônico não iniciar sua terapia utilizando CVC, preservando assim o acesso vascular e a fun- ção renal residual, podendo reduzir a morbidade e mortalidade desses pacien- tes. 9. MODALIDADES DATERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA O aumento da população no Brasil contribuiu para mudanças no perfil de morbimortalidade e prevalência de doenças crônicas 58. Dentre as doenças re- nais, a Insuficiência Renal Crônica (IRC) irá acarretar em prejuízos físicos e psi- cossociais aos pacientes 59. A Insuficiência Renal Crônica (IRC) ocasiona situações estressantes ao paciente, sendo algumas delas: o tratamento, as mudanças no estilo de vida, diminuição da energia física e alteração da aparência 59. A Doença Renal Crônica (DRC) é definida pela lesão do parênquima renal (com função renal normal) e/ou pela diminuição funcional renal presentes por um período igual ou superior a três meses 60. No início dos anos 60 emergiu como especialidade médica a nefrologia, com foco inicial na terapia renal substitutiva (TRS), diálise e transplante renal 26 como forma de terapêutica ao doente renal crônico terminal 61. Segundo a Soci- edade Brasileira de Nefrologia (2014) 62 diversas são as doenças que levam à Insuficiência Renal Crônica (IRC). As três mais comuns são a hipertensão arterial, o diabetes e a glomeru- lonefrite. A prevalência aumenta com a idade, atingindo, na população idosa (60 anos ou mais de idade), valores 10 vezes maiores que no grupo etário com me- nos de 30 anos de idade 63. A Insuficiência Renal Crônica Terminal (IRCT), vem apresentando altos índices de prevalência, o aumento da população e das doenças crônicas contri- bui com estes índices 58. No Brasil, segundo o censo de 2012 da Sociedade Brasileira de Nefrolo- gia (SBN), há 696 Unidades Renais Cadastradas ativas na SBN 64, dentre essas, 651 declararam oferecer Programa Crônico Ambulatorial de Diálise. O trata- mento ideal da Doença Renal Crônica (DRC) é baseado em três pilares de apoio: diagnóstico precoce da doença, encaminhamento imediato para tratamento ne- frológico e implementação de medidas para preservar a função renal 60. Os métodos de TRS não disputam entre si, ou seja, se complementam. É necessário elaborar um programa individualizado permitindo uma abordagem in- tegrada, combinando os três procedimentos disponíveis com a finalidade de as- segurar um tratamento eficaz 98. Bastos(2010) 64, defende que o método ideal consistiu em três alicerces: diagnóstico precoce, começo imediato da interferência clínica tendo atenção a anamnese de cada sujeito e elaborar os cuidados assistenciais. Com o passar do tempo, houve uma propagação exorbitante da quantidade de pessoas sub- metidas à terapia dialítica, sendo demonstrado por seus valores no ano de 2000 de 42.695, chegando a 91.314 em 2011, no qual a hemodiálise (HD) é mais co- mumente aderida 85. O processo de realização da DP consiste na filtragem sanguínea através do peritônio, membrana que reveste os órgãos internos na região abdominal. Ele atua como um tipo de dialisador, ou seja, uma membrana semipermeável possui muitos e distintos poros formando uma fisiologia relativamente complexa 88. Esse método utiliza a solução dialítica, conhecido popularmente como de banho de diálise, cuja ação é de purificação. A solução passa da bolsa de plás- tico por meio do cateter para a cavidade do abdômen, no qual permanece por 27 diversas horas. Logo após, a solução é drenada e uma nova retorna para reco- meçar a depuração. São realizadas em torno de 3 a 6 trocas durante o dia 79. Figura 2: Figura 3: Figura 4: 28 Figura 5: No geral, esta intervenção é a primeira escolha para tratar a DRC, princi- palmente em adolescentes e crianças. Suas vantagens são: assegurar melhor controle bioquímico da uremia, anemia e hipertensão arterial, ajustando a pre- servação da função renal residual, nutrição e ingestão de líquidos 88. 29 Por outro lado, a DP pode causar danos se não tiver cuidados rigorosos como: situação aceitável da residência, assepsia do local, os familiares devem ter conhecimento e segurança para auxiliar no procedimento, entre outros 96. Para sua contra-indicação, o dado mais relevante é o aparecimento de lesão peritoneal provocada por doença maligna ou fibrose. Seu aparecimento pode acontecer em consequência de vários episódios de peritonite, sendo co- mum também o abandono do tratamento 70. Figura 6: Já a hemodiálise faz a remoção de substâncias tóxicas e corrige as trans- formações internas mediante a circulação do leito vascular em um aparelho des- tinado a essa finalidade. O mecanismo fundamenta-se na passagem de sangue para o meio externo em compartimentos ou tubos constituídos de uma mem- brana semipermeável, que é continuamente irrigada por um composto eletrolí- tico, quando os condutores de energia se modificam ao entrarem em contato 30 com a água 93. As opções de acesso para execução da HD são: próteses, fístula arteriovenosa ou cateter 104. Esta modalidade destaca a vantagem de ter alto poder de depuração das toxinas urêmicas que são constituídas de baixo peso molecular. Contudo, exis- tem também desvantagens relacionadas, sendo: exigência de anticoagulação, restrição alimentar e de líquidos. Com isso, podem aparecer efeitos colaterais interdialíticos como: disritmias cardíacas, náuseas, vômitos, hipotensão ou hi- pertensão, reações de hipersensibilidade, entre outros 149. Figura 7: Mesmo com todos os benefícios da diálise peritoneal e da hemodiálise ao que se refere a melhora da qualidade e expectativa de vida do indivíduo doente, infelizmente provocam graves reações de debilidade ao organismo em virtude de ambas serem de caráter contínuo 105. Outra possibilidade de tratamento é o transplante renal, que consiste no ato cirúrgico de remoção de um rim totalmente comprometido no desempenho de suas funções por um saudável de uma pessoa para outra, podendo ser de doador vivo ou retirado de um cadáver 88. Segundo De Moraes (2016) 77, o procedimento concede uma melhor ex- pectativa de vida, diminui as chances de morte e dependendo das particularida- des de cada indivíduo, pode ser de menor valor econômico que a diálise. Outro motivo que tem fortalecido a decisão para a realização desta modalidade é o desenvolvimento tecnológico ao que se trata da terapia de imunossupressão, o 31 aperfeiçoamento do procedimento cirúrgico e os meios mais eficientes de pre- servação dos órgãos 147. Porém, para ser concretizado o transplante renal o re- ceptor deve estar primeiramente cadastrado na lista única de espera para rece- ber o órgão. Também precisa passar pelo aconselhamento a respeito dos riscos e benefícios do procedimento 94. Figura 8: 10. TEORIA DO AUTO CUIDADO As teorias de enfermagem proporcionam alicerce científico para a execu- ção do processo assistencial de enfermagem. Cada uma dessas teorias possui importante função, tanto no aspecto empírico do conhecimento, como no emba- samento técnico científico 97. A aplicação de uma teoria é relevante, pois, desempenha o papel de sub- sidiar as práticas assistenciais. Discorre-se de uma definição sistemática e arti- culada dos conhecimentos adquiridos que fundamentam o cuidado prestado ao paciente 91. A Teoria do Autocuidado de Dorothea Elizabeth Orem foi elaborada pela empresária e enfermeira estadunidense no período de 1959 a 1985, 65. Os princípios defendidos por Orem têm a mesma lógica aplicada em mui- tas outras áreas da ciência, pois procuram elucidar episódios e ocorrências e, 32 nesta perspectiva ocorre uma associação de ideias que possibilitem a estrutura para justificar a conduta devida em distintas ocasiões da prática assistencial da enfermagem 100. Neste campo específico, existe a responsabilidade de se associar a tese às ações de assistência de enfermagem, porque conforme novas circunstâncias vão aparecendo, o profissional deve identificar e alicerçar suas ações em conhe- cimentos científicos adequados de acordo com a exigência da ocasião 76. Ressalte-se que, conforme a teorista, a enfermagem é considerada um serviço voltado ao ser humano em especial no momento em que apresentam fragilidades orgânicas e precisam ser assistidas em suas dificuldades 110. A tese firma-se nos pressupostos da promoção do autocuidado, no qual deve ser a meta da enfermagem possibilitar ao indivíduo entender sobre sua doença e adotar ações com a finalidade de estimular a máxima de independên- cia possível em conformidade com o seu estado clínico 72. Guedes (2013) 82, comenta os elementos condicionantes internos e exter- nos imprescindíveis para realização do autocuidado, sendo: sexo, faixa etária, condição de saúde, nível cognitivo, razões familiares, situação econômica, entre outros. A tese fundamenta-se em três divisões relevantes inter-relacionadas que a formam, sendo: a Teoria do Autocuidado (TA), a Teoria do Déficit do Autocui- dado (TDA) e a Teoria de Sistemas de Enfermagem (TSE) 69. Contudo, o au- tocuidado é o primeiro aspecto a ser analisado, pois possui a intenção de enco- rajar a prática de condutas em benefícios da saúde e qualidade de vida. Ou seja, os pacientes precisam ser incentivados a cuidarem de si e ter participação ativa no tratamento 106. A teoria do déficit de autocuidado refere-se aos cuidados de enfermagem que visem corrigir as deficiências apresentadas pelos pacientes para cuidarem de sua saúde. De acordo com Orem são cinco formas de auxílio: ensinar, fazer para a pessoa, propiciar cuidado psicológico e físico, harmonizar o ambiente para faci- litar a realização de suas necessidades e orientá-lo 71. A teoria dos sistemas de enfermagem descreve o modo como profissional interfere em relação aos déficits de autocuidado do doente. São eles: totalmente compensatório depende da en- fermeira para executar todas as assistências, parcialmente compensatório há 33 uma relação de parceira da enfermeira com o paciente e apoio educativo quando ele consegue desenvolver suas atividades de autocuidado 74. 11. A TEORIA DO AUTOCUIDADO NO TRATAMENTO DA DOENÇA RENAL CRÔNICA A relevância da teoria do autocuidado paira na interação entre profissional e a pessoa por ele cuidada.Nessa relação, o diálogo é uma peça fundamental de meio educativo que propicia ao indivíduo e sua família uma relação horizontal com o profissional de saúde, na qual são expostas as dúvidas a respeito da en- fermidade e do tratamento, ressaltando que a doença renal crônica (DRC) é grave e exige mudança brusca no estilo de vida do indivíduo por ela acometido 145. Oportuno se faz evidenciar que, a partir do diagnóstico da patologia inter- correm várias modificações no cotidiano do enfermo. Essas transformações não se limitam apenas a ele, mas também a sua família que se não for bem ampa- rada poderá não suportar as adversidades desencadeadas pela moléstia 107. Vieira et al. (2010) 114, argumentam sobre a importância da relação pro- fissional com o indivíduo doente, na qual objetiva identificar problemas e inter- venções possíveis. Para conseguir resultados satisfatórios a enfermeira neces- sita compreender as particularidades de cada um, principalmente a respeito das condições de vida. Aliado a esse fator, deve-se incentivá-lo a participar de ações que auxiliem no tratamento. Essas atividades podem ser concretizadas pela pro- moção de saúde, que tem a função de gerar no paciente uma sensação benéfica de saúde e bem estar 107. Nessa prospectiva, o respaldo de informação auxilia positivamente tendo o intuito de conservar e melhorar a saúde física e psicológica do portador de disfunção renal de acordo com o estágio da doença em que ele se encontra 67. Isso porque, a educação em saúde é o pilar de sustentação da prática da teoria do autocuidado. Quando adotada adequadamente melhora o quadro clí- nico, evita intercorrências clínicas e o mais importante possibilitam maior auto- nomia e bem estar ao paciente 91. Além disso, a educação em saúde visa con- tribuir para o aperfeiçoamento das práticas assistenciais, principalmente na re- lação do profissional da área da saúde com o paciente. Essas técnicas de traba- 34 lho precisam estar fundamentadas em novos conhecimentos científicos e tecno- lógicos acessíveis 83. As ações de enfermagem são constituídas por fatores que fundamentam o processo de educar e cuidar, visando as atender às necessida- des humanas básicas de cada indivíduo nos aspectos físico, mental e espiritual 108. 35 12. CONCLUSÃO A Insuficiência Renal Crônica é uma doença lenta e progressiva que apesar de ter tratamento não possui cura. A pessoa que é acometida por tal, passa a ter uma mudança radical em sua vida cotidiana, sem falar no trata- mento doloroso, a hemodiálise, que este paciente é submetido para que não haja sua morte precoce. As alterações hemodinâmicas, hidroeletrolíticos e a falta de funciona- mento normal dos rins que se tornam incompatíveis para manter a vida, pas- sam a ter a necessidade de ser ajustados com a hemodiálise de acordo com as características de cada paciente. São fatores importantes e principais que podem influenciar o aparecimento das diferentes intercorrências discutidas neste estudo. Portando, os profissionais de enfermagem por estarem sempre ao lado dos pacientes dialíticos mantendo uma estreita relação com eles, tor- nam- se fundamentais durante o processo de hemodiálise. A atuação e dedi- cação destes profissionais diante as diferentes complicações dialíticas, com- preendem um processo de monitorização, detecção e rápida intervenção para não piorar o quadro do paciente, tornando essas ações essências para a garantia de um processo seguro e eficiente. O profissional de enfermagem por ser embasado em conhecimentos científicos deve utilizar-se de seu papel educador para conscientizar seus pacientes de suas restrições e atribuições no tratamento, estimulando mu- danças no comportamento, prevenindo assim, as potenciais complicações, pois a educação em saúde é uma estratégia que deve ser amplamente em- pregada nas sessões de diálise, tendo em vista a importância do controle de peso interdialítico e da alimentação na prevenção de intercorrências e me- lhora da qualidade de vida destes pacientes. A equipe de enfermagem deve fazer a integração dos pacientes e dos familiares, pois apesar de ter tido enfoque que as complicações ocorrem du- rante a sessão de hemodiálise, muitos pacientes chegam em casa com al- guns sintomas, sentindo-se debilitados, por isso a importância de agregar a 36 família neste aprendizado para que tenham subsídios e consigam dar o apoio necessário para os pacientes dialíticos. O sucesso na realização do tratamento de hemodiálise está relacio- nado com a disponibilidade de uma equipe de enfermagem capacitada para este tratamento, logo, o processo permanente de educação é fundamental para o domínio da equipe. Portanto, diante de todas essas complicações discutidas neste es- tudo é essencial para o sucesso da terapia, profissionais capacitados dispos- tos a trabalhar em articulação com a equipe multiprofissional, com os pacien- tes e seus familiares, objetivando minimizar os índices de complicações e aumentando a qualidade de vida dos pacientes em terapia hemodialítica. ‘ 37 13. REFERÊNCIAS 1. SMELTZER SC, BARE BG. BRUNNER & SUDDARTH: tratado de enfer- magem médico-cirúrgica. 9a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. v. 3. 2. SOUZA AGMR, MANSUR AJ, editores, Sociedade de Cardiologia do Es- tado de S„o Paulo, organizadora. SOCESP Cardiologia. 2a ed. S„o Paulo: Atheneu; 1996. vap 38, p. 332. 3. YU L, ABENSUR H, coordenadores. Insuficiência renal aguda. Conceito, diagnóstico, prevenção e tratamento da insuficiência renal aguda [texto na Internet]. São Paulo: SBN; 2001. [citado 2007 Jun 15] Disponível em: www.sbn.org.br/Diretrizes/ira.htm . 4. 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