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1 FÍSICA ELETROMAGNETISMO Prof. Esp. Jean Carlos Rodrigues 2 FÍSICA ELETROMAGNETISMO PROF. ESP. JEAN CARLOS RODRIGUES 3 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Esp. Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Profa. Esp. Izabel Cristina da Costa Revisão técnica: Profa. Dr. Luiz Guilherme R. Rodrigues Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luíza mendes Leite Maria Eliza P. Campos Prof. Esp. Guilherme Prado Design: Daniel Guadalupe Reis Bárbara Carla Amorim O. Silva Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza P. Campos © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza- ção escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. 4 FÍSICA ELETROMAGNETISMO 1° edição Ipatinga, MG Faculdade Única 2021 5 Engenheiro Industrial Mecânico pelo CEFET- -MG, Físico licenciado pela UFMG, Mestre em Engenharia Metalúrgica e de Materiais pela UFMG e Doutorando em Engenharia Mecâni- ca na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Além de Especialista em Didática e Me- todologias Ativas e Especialista em Tecnologias Educacionais. Possui 14 anos de experiência na área educacional atuando como: Professor Uni- versitário das Engenharias Mecânica, de Ma- teriais, de Produção, Química e Mecatrônica, Coordenador dos Cursos de Bacharelado em Engenharia: Mecânica, de Materiais, Química, de Produção e Mecatrônica. Autor e Revisor Técnico de Livros / Materiais Didáticos para Edi- toras, Consultor Educacional e de Processos Re- gulatórios para Autorização e Reconhecimento de Cursos Presenciais e EAD junto ao MEC. JEAN CARLOS RODRIGUES Para saber mais sobre a autora desta obra e suas quali- ficações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link : http://lattes.cnpq.br/0490596902713548 Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado. 6 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 7 UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 UNIDADE 4 SUMÁRIO 1.1 Carga Elétrica ....................................................................................................................................................................................................................................................................................10 1.2 Princípios da Eletrostática e Processos de Eletrização..........................................................................................................................................................................................11 1.2.1 Condutores e Isolantes .......................................................................................................................................................................................................................................................11 1.2.2 Processos de Eletrização .................................................................................................................................................................................................................................................12 1.3 Lei de Coulomb ..............................................................................................................................................................................................................................................................................14 FIXANDO O CONTEÚDO .................................................................................................................................................................................................................................................................16 2.1 Campo Elétrico e Linhas de Força .....................................................................................................................................................................................................................................21 2.2 Cálculo de um Campo Elétrico Uniforme...................................................................................................................................................................................................................24 2.3 Movimentos de Cargas Nos Campos Elétricos........................................................................................................................................................................................................25 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................26 3.1 Definição de Potencial Elétrico.............................................................................................................................................................................................................................................31 3.2 Lei De Gauss.....................................................................................................................................................................................................................................................................................32 3.3 Capacitância ...................................................................................................................................................................................................................................................................................34 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................37 AS CARGAS ELÉTRICAS E A ELETROSTÁTICA O CAMPO ELÉTRICO POTENCIAL ELÉTRICO 4.1 A Corrente Elétrica.......................................................................................................................................................................................................................................................................43 4.2 Leis de Ohm e a Resistência Elétrica.............................................................................................................................................................................................................................44 4.3 Instrumentos de Medição......................................................................................................................................................................................................................................................45a intensidade de corrente “i” que vai percorrer o condutor é diretamente proporcional a diferença de potencial “V” nele aplicada. Ao ser estabelecida uma ddp de 50V entre os terminais de um resistor, estabelece-se uma corrente elétrica de 5A. É correto afirmar que a resistência elétrica deste resistor será de: a) 10 Ω b) 0,1 Ω c) 250 Ω d) 1 Ω e) Nenhuma das alternativas 2. (Adaptada de Uneb-BA) Um resistor ôhmico, quando submetido a uma ddp de 40 V, é atravessado por uma corrente elétrica de intensidade 20 A. Quando a corrente que o atravessa for igual a 4 A, a ddp (diferença de potencial ou tensão), em volts, nos seus terminais, será: a) 8 b) 12 c) 16 d) 20 e) 30 3. (Adaptada de UFRGS 2016) O gráfico abaixo apresenta a curva corrente elétrica i versus diferença de potencial V para uma lâmpada de filamento. Observe que a relação entre corrente e tensão não é linear. 49 Sobre essa lâmpada, considere as seguintes afirmações. I - O filamento da lâmpada é ôhmico. II - A resistência elétrica do filamento, quando ligado em 6 V,é 6 Ω. III- O filamento da lâmpada não é ôhmico. Quais estão corretas? a) apenas a I b) apenas a II c) apenas a III d) apenas a II e III e) apenas a I e III 4. (Adaptada de UNIFESP) Você constrói três resistências elétricas, RA,RB e RC, com fios de mesmo comprimento e com as seguintes características: I. O fio de RA tem resistividade 1,0 · 10−6 𝛺 · 𝑚 e diâmetro de 0,50 mm. II. O fio de RB tem resistividade 1,2 · 10−6 𝛺 · 𝑚 e diâmetro de 0,50 mm. III. O fio de RC tem resistividade 1,5 · 10−6 𝛺 · 𝑚 e diâmetro de 0,40 mm. Pode-se afirmar que: a) RA > RB > RC. b) RB > RA > RC. c) RB > RC > RA. d) RC > RA > RB. e) RC > RB > RA. 5. (Adaptada de Mack) Um fio A tem resistência elétrica igual a duas vezes a resistência elétrica de outro fio B. Sabe-se que o fio A tem o dobro do comprimento do fio B e sua secção transversal tem raio igual à metade do raio da secção transversal do fio B. A relação pA / pB entre a resistividade do material do fio A e a resistividade do material do fio B é: a) 0,25 b) 0,50 c) 0,75 d) 1,25 e) 1,50 6. A Segunda Lei de Ohm cita em seu enunciado que a resistência elétrica de um condutor homogêneo de secção transversal constante, é diretamente proporcional ao seu comprimento e inversamente proporcional à sua área de secção transversal, além de depender do material que foi feito. Dois fios A e B são tais que o comprimento do fio B é o dobro do comprimento do fio A e a área de secção do fio A é 8 vezes menor que a do fio B. Sendo os fios feitos do mesmo material, determine a razão entre a resistência 50 do fio B e a do fio A. a) ½ b) ⅛ c) ¼ d) ⅞ e) 1 7. A segunda Lei de Ohm relaciona as grandezas que influenciam na resistência elétrica de um condutor elétrico. Essas grandezas são: resistividade do material, comprimento e a área da secção transversal do condutor. Um cabo feito de liga de cobre possui área de secção transversal correspondente a 10 mm2. Sabendo que a resistividade da liga de cobre é de 2,1 𝑥 10−2 𝛺 .𝑚𝑚²/𝑚, determine a resistência para 5 m desse fio. a) 1,05 𝑋 102 b) 2,05 𝑋 10−2 c) 1,05 𝑋 10−2 d) 1,05 𝑋 102 e) 1,05 𝑋 102 8. (Adaptada de Uel) Os instrumentos elétricos de medida são largamente encontrados em laboratórios industriais. Esses equipamentos são utilizados para obtenção de valores de várias grandezas físicas que estão envolvidas num circuito elétrico. Com os aparelhos apropriados podemos fazer medidas de corrente elétrica, tensão e resistência elétrica. Sobre o funcionamento de voltímetros e o funcionamento de amperímetros, assinale a alternativa correta: a) A resistência elétrica interna de um voltímetro deve ser muito pequena para que, quando ligado em paralelo às resistências elétricas de um circuito, não altere a tensão elétrica que se deseja medir. b) A resistência elétrica interna de um voltímetro deve ser muito alta para que, quando ligado em série às resistências elétricas de um circuito, não altere a tensão elétrica que se deseja medir. c) A resistência elétrica interna de um amperímetro deve ser muito pequena para que, quando ligado em paralelo às resistências elétricas de um circuito, não altere a intensidade de corrente elétrica que se deseja medir. d) A resistência elétrica interna de um amperímetro deve ser muito pequena para que, quando ligado em série às resistências elétricas de um circuito, não altere a intensidade de corrente elétrica que se deseja medir. e) A resistência elétrica interna de um amperímetro deve ser muito alta para que, quando ligado em série às resistências elétricas de um circuito, não altere a intensidade de corrente elétrica que se deseja medir. 51 ANÁLISE DE CIRCUITOS DE CORRENTE CONTINUA 52 Um circuito elétrico consiste na ligação entre vários componentes eletrônicos como, por exemplo, resistores, capacitores, indutores, baterias, pilhas, transistores, dentre outros. Para um circuito ser considerado de corrente continua, grandezas elétricas como corrente e tensão, devem permanecer constantes ao longo do tempo. Por isso, este capítulo trata exclusivamente dos circuitos puramente resistivos, bem como das associações de resistores possíveis. 5.1 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES EM SÉRIE A associação de resistores em série consiste em um tipo de arranjo no qual só há um caminho para a corrente elétrica, ou seja, a corrente elétrica que percorre todos os resistores é a mesma. Um exemplo de associação de resistores em série é mostrado na figura 23, a seguir. Figura 23: circuito elétrico puramente resistivo em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Nota-se que diante da avaria de qualquer componente, todo o restante do circuito ficará sem alimentação de corrente elétrica e por consequência, de tensão. A análise de circuito requer o cálculo de algumas grandezas físicas importantes, como: resistência equivalente do circuito, corrente elétrica em cada componente e total, tensão (ou ddp – diferença de potencial) em cada componente e total, além da potência dissipada. A resistência equivalente de um circuito, significa, de forma simplificada, o valor de uma única resistência capaz de substituir todas as outras do arranjo. Nos circuitos em série, a resistência equivalente é calculada como a soma de todas as resistências que compõem o circuito elétrico, conforme a equação 12. Requivalente = R1 + R2 + R3 + Rn Equação 12 Por exemplo, para o circuito ilustrado na figura 24, supõe-se que os valores das resistências sejam R1= 3Ω,R2= 8 Ω e R3= 200 Ω. 53 Figura 24: circuito elétrico puramente resistivo em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Então, o valor da resistência equivalente do circuito será: Requivalente = R1 + R2 + R3 Requivalente = 3Ω + 8Ω + 200 Ω Requivalente = 211 Ω A corrente elétrica em todos os resistores será a mesma e a queda de tensão em cada resistor será calculada pela relação V=R.I. Uma das grandezas mais importantes na análise de circuitos é a potência elétrica. Por meio dela é possível calcular o consumo energético de cada componente e do circuito todo. A potência elétrica está associada com a quantidade de energia consumida ou recebida por unidade de tempo por um componente ou circuito elétrico. Pelo sistema internacional, sua unidade de medida é (J/s), Joule por segundo ou (W) Watt. Existem várias maneiras de se calcular potência elétrica, algumas expressões úteis são mostradas nas equações 13, 14 e 15, a seguir. Onde: P – Potência elétrica – W U – Tensão elétrica (V) R – Resistência elétrica (Ω) i – Corrente elétrica (A) Para se calcular energia elétrica consumida é necessário saber a potência dissipada no componente ou circuito e o tempo de funcionamento, conforme mostra a equação 16. 𝑃 = 𝑉. 𝐼 𝑃 = 𝑉²/𝑅 𝑃 = 𝑅. 𝐼² E = P.∆T Onde: E – Energia consumida W.s P – Potência elétrica – W ∆T - tempo de funcionamento - s 54 A título de exemplificação, considere o circuitopuramente resistivo em série mostrado na figura 25. Usualmente as concessionárias de energia fornecem os valores em Kilowatt x hora (kW.h), então, é importante, sempre que preciso, converter as unidades de medidas do sistema internacional para àquelas convenientes a cada cálculo em específico. FIQUE ATENTO Figura 25: circuito elétrico puramente resistivo em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). A fonte de alimentação fornece 10V de tensão. Considere que os valores das resistências sejam R1= 3Ω,R2= 6Ω e R3= 1Ω. Os principais cálculos para se realizar a análise do circuito apresentado são: 1) CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE Requivalente = R1 + R2 + R3 Requivalente = 3Ω + 6Ω + 1Ω Requivalente = 10Ω 2) CÁLCULO DA CORRENTE ELÉTRICA TOTAL DO CIRCUITO (CORRENTE FORNECIDA PELA FONTE). I=V/Requivalente I= 10V/10Ω I = 1A 3) CÁLCULO DA TENSÃO EM CADA RESISTOR V= R.I Tensão na resistência 1 V1= R1.I V1= 3Ω x 1A = 3V Tensão na resistência 2 V2= R2.I V2= 6Ω x 1A = 6V Tensão na resistência 3 V3= R3.I V3= 1Ω x 1A = 1V Tensão total V total = 3V + 6V + 1V 55 5.2 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES EM PARALELO V total = 10V Observa-se que em um circuito em série, a tensão fornecida pela fonte será igual a soma das quedas de tensão nos componentes do circuito. V total = V1 + V2 + V3 4) CÁLCULO DA POTÊNCIA DISSIPADA EM CADA RESISTOR P= V.I Potência dissipada na resistência 1 P1= V1.I P1= 3V x 1A = 3W Potência dissipada na resistência 2 P2= V2.I P2= 6V x 1A = 6W Potência dissipada na resistência 3 P3= V3.I P3= 1V x 1A= 1W Potência Total P total = 3W + 6W + 1W P total = 10W Observa-se que em um circuito em série, a potência fornecida pela fonte será igual a soma das potências dissipadas nos componentes do circuito. P total = P1 + P2 + P3 Compare! A potência fornecida pela fonte é Pfonte= Vfonte x I fonte Pfonte = 10V.1A= 10W O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, capítulo 26, apre- senta formas de se analisar circuitos de corrente contínua com várias malhas e quanto ao uso dos instrumentos de medição. Disponível em: https://bityli.com/JVvEYH. Acesso em 22 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS A associação de resistores em paralelo consiste em um tipo de arranjo no qual há vários caminhos para a corrente elétrica. Além disso, todos os componentes ou ramos do circuito que estiverem ligados em paralelo com a fonte, serão alimentados com o mesmo valor de tensão. Um exemplo de associação de resistores em paralelo é mostrado na figura 26, a seguir. Figura 26: circuito elétrico puramente resistivo em paralelo. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 56 Nota-se que diante da avaria de qualquer componente, os demais que estiverem em paralelo, permanecerão recebendo corrente elétrica normalmente, já que estão ligados de forma independente. Este é o tipo de arranjo presente nas instalações residenciais e comerciais. A resistência equivalente de um circuito em paralelo, também significa, de forma simpli- ficada, o valor de uma única resistência capaz de substituir todas as outras do arranjo MARKUS (2011) FIQUE ATENTO Segundo MARKUS (2011) nos circuitos em paralelo, a resistência equivalente é calculada como a soma dos inversos de todas as resistências que compõem o circuito elétrico, conforme a equação 17.' 1 Requivalente = 1 R1 + 1 R2 + 1 R3 A título de exemplificação, considere o circuito puramente resistivo em paralelo mostrado na figura 27. Figura 27: circuito elétrico puramente resistivo em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Considere que a fonte de alimentação forneça 10V de tensão e que os valores das resistências sejam R1= 3Ω,R2= 6Ω e R3= 1Ω. Os principais cálculos para se realizar a análise do circuito apresentado são: 1) CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE 1 Requivalente = 1 R1 + 1 R2 + 1 R3 1 Requivalente = 1 3 + 1 6 + 1 1 1 Requivalente = 9 6 (invertendo ambos os lados da igualdade) R_equivalente = 0,6666 Ω 57 Observe que em um circuito em paralelo, a resistência equivalente possui valor inferior do que a menor resistência do circuito. Quanto maior for o número de resistências associadas em paralelo, menor será o valor da resistência equivalente e por consequência, maior será o valor da corrente total que entra no circuito. FIQUE ATENTO 2) CÁLCULO DA CORRENTE ELÉTRICA TOTAL DO CIRCUITO (CORRENTE FORNECIDA PELA FONTE). I=V/Requivalente I= 10V/0,666Ω I = 15A Corrente elétrica em cada resistor será: I1=V/R1 I1= 10V/3Ω I1=3,33A I2=V/R2 I2= 10V/6Ω I2=1,666A I3=V/R3 I3= 10V/1Ω I3=10A 3) CÁLCULO DA TENSÃO EM CADA RESISTOR Como todos os resistores estão ligados em paralelo com a fonte, estes estão submetidos a mesma tensão. V1=V2=V3=Vfonte= 10V 4) CÁLCULO DA POTÊNCIA DISSIPADA EM CADA RESISTOR P= V.I Potência dissipada na resistência 1 P1= V1.I P1= 10V x 3,333A = 33,333W Potência dissipada na resistência 2 P2= V2.I P2= 10V x 1,666A = 16,666W Potência dissipada na resistência 3 P3= V3.I P3= 10V x 10A= 100W Potência Total P total = 33,33W + 16.67W + 100,00W P total = 150W Observa-se que em um circuito em paralelo, a potência fornecida pela fonte será igual a soma das potências dissipadas nos componentes do circuito. P total = P1 + P2 + P3 Compare! A potência fornecida pela fonte é Pfonte= Vfonte x I fonte Pfonte = 10V.15A= 150W 58 É comum em algumas residências o disjuntor desarmar quando há muitos equipamentos ligados ao mesmo tempo, por qual motivo isso ocorre? Existem vários motivos que podem fazer um disjuntor desarmar, afinal ele possui objeti- vo de proteção e quando a corrente elétrica, que passa por ele, ultrapassa certo valor de referência, este fato ocorrerá. Sua residência se assemelha com um circuito em paralelo, ou seja, todos os equipamentos são alimentados com a tensão total da rede. Quanto mais equipamentos estiverem associados em paralelo ao mesmo tempo, menor será a resistên- cia total do circuito residencial e maior será a corrente total de entrada. Quando o valor desta corrente de entrada for maior do que a especificado no disjuntor, por questões de segurança, ele irá desarmar e cortar a energia de todo o circuito. VAMOS PENSAR? 5.3 CIRCUITOS MISTOS São circuitos que apresentam componentes ligados em série e em paralelo. No geral, um circuito misto possui pontos em comum com os dois tipos de arranjos de resistores estudados até o momento. Considere o circuito puramente resistivo e misto mostrado na figura 28. Supondo que a fonte de alimentação forneça 10V de tensão e que os valores das resistências sejam R1= 3Ω,R2= 3Ω e R3= 4Ω. Os principais cálculos para se realizar a análise do circuito apresentado são: 1) CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE Para o cálculo da resistência equivalente de um circuito misto, a análise deve ser feita por partes. Observa-se que os resistores R1 e R2 encontram-se em paralelo. Então,a resistência equivalente de R1 em paralelo com R2 será de 1 Rparalelo = 1 R1 + 1 R2 > 1 Rparalelo = 1 3 + 1 3 > 1 Rparalelo = 2 3 > Rparalelo = 1,5Ω Figura 28: circuito elétrico puramente resistivo e misto. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 59 As resistências R1 e R2, associadas em paralelo, são equivalentes a uma resistência de 1,5 Ω. Após este cálculo, o circuito misto ilustrado na figura 28 ficará conforme mostrado na figura 29. Figura 29: circuito elétrico puramente resistivo e em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Após esta simplificação, a associação equivalente transformou-se em um arranjo de dois resistores em série. Então, a resistência equivalente será a soma direta dos resistores. Req = 5,5 Ω 2) CÁLCULO DA CORRENTE ELÉTRICA TOTAL DO CIRCUITO (CORRENTE FORNECIDA PELA FONTE) E CORRENTE EM CADA RESISTOR. I=V/Requivalente I= 10V/5,5Ω I = 1,81A Neste ponto, é importante a introdução sobre o conceito de divisor de corrente, pois pelo cálculo anterior, vimos que a corrente total, ou seja, aquela que sai da fonte será de 5,5 A. Neste exemplo,em que os resistores R1 e R2 são iguais, é intuitivo concluir que a corrente total se divide em duas partes iguais após passar por R3,assim,I1= 2,75A e I2=2,75A, conforme mostra a figura 30. Figura 30: circuito elétrico puramente resistivo e em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 60 E quando a corrente elétrica encontra dois caminhos com resistências diferentes, como ela irá se dividir? Analise a figura 31, em que I1 e I2 são as correntes, nos ramos 1 e 2, respectivamente. As expressões para se calcular I1 e I2 são mostradas a seguir, pelas equações 18 e 19, respectivamente. Figura 31: circuito elétrico puramente resistivo e misto. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). I1 = Itotal × R2 R1 + R2 I2 = Itotal × R1 R1 + R2 Tendo em vista os valores de todas as resistências e correntes que percorrem o circuito, utilizando as relações V=R.I e P=V.I é possível calcular as tensões e potências para quaisquer componentes do circuito misto do exemplo.19, respectivamente. O livro CIRCUITOS ELÉTRICOS - CORRENTE CONTÍNUA E CORRENTE ALTERNADA - Markus, Otávio, (9th edição), capítulo 6, traz um bom aprofundamento sobre as associações em série, em paralelo e misto de circuitos elétrico aplicando as leis de Kirchhoff. Disponível em: https://bityli.com/aTPsed. Acesso em 26 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS 61 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Um circuito misto é aquele que dispõe de componentes eletrônicos conectados tanto em paralelo quanto em série, associados a uma só fonte de tensão. O circuito misto, possui alguns pontos de consumo ligados em série e outros em paralelo, ou seja, apresenta seus elementos ligados uns em série e outros em paralelo. Qual é a resistência equivalente em Ohm da associação a seguir¿ Associação mista de resistores a) 80 b) 100 c) 90 d) 62 e) 84 2. Associação de resistores é o circuito elétrico formado por dois ou mais elementos de resistência elétrica ôhmica (constante), ligados em série, paralelo ou ainda, em uma associação mista. Assinale a alternativa correta em relação aos circuitos elétricos: a) Circuitos mistos são circuitos que apresentam vários dispositivos diferentes, como capacitores, resistores, diodos etc. b) A resistência equivalente para uma associação de resistores em paralelo terá sempre um valor menor do que o da menor resistência que compõe o circuito. c) Em uma associação de resistores em série, o valor da corrente elétrica total é a soma das correntes elétricas de todos os resistores. d) Quando se quer manter a ddp entre os terminais de vários resistores igual, eles devem ser associados em série. 62 e) A resistência equivalente para uma associação de resistores em série terá sempre um valor menor do que o da menor resistência que compõe o circuito. 3. (Adaptada de UFSM-RS) Analise as afirmações a seguir, referentes a um circuito contendo três resistores de resistências diferentes, associados em paralelo e submetidos a uma certa diferença de potencial, verificando se são verdadeiras ou falsas. 1. A resistência do resistor equivalente é menor do que a menor das resistências dos resistores do conjunto; 2. A corrente elétrica é menor no resistor de maior resistência; 3. A potência elétrica dissipada é maior no resistor de maior resistência. A sequência correta é: a) F, V, F b) V, F, F c) V, V, V d) V, V, F e) F, F, V 4. (PUC) Três resistores idênticos de R = 30Ω estão ligados em paralelo com uma bateria de 12V. Pode-se afirmar que a resistência equivalente do circuito é de: a) Req = 10Ω,e a corrente é 1,2 A. b) Req = 20Ω,e a corrente é 0,6 A. c) Req = 30Ω,e a corrente é 0,4 A. d) Req = 40Ω,e a corrente é 0,3 A. e) Req = 60Ω,e a corrente é 0,2 A. 5. O circuito elétrico paralelo é o tipo de circuito que oferece mais de um caminho para a passagem de corrente elétrica. Ele possui duas ou mais cargas ligadas em paralelo. Sobre um circuito que contém apenas uma associação de resistores em paralelo, é INCORRETO afirmar que: a) A corrente total do circuito é igual à soma das correntes individuais de cada resistor; b) A ddp em cada resistor é igual à tensão elétrica fornecida pela fonte; c) A resistência equivalente é sempre menor do que a resistência de menor valor que o circuito contém; d) A corrente elétrica é igual em todos os resistores; e) Se um resistor queima, a corrente elétrica que circula nos demais componentes do circuito não se altera. 63 6. Considere a associação de resistores em paralelo da figura a seguir: A resistência equivalente no circuito é de: a) Req = 4Ω b) Req = 20Ω c) Req = 30Ω d) Req = 40Ω e) Req = 60Ω 7. Um resistor ôhmico de resistência elétrica igual à 2,0 Ω é atravessado por uma corrente elétrica de 1,5 A. Determine a quantidade de energia elétrica dissipada por esse resistor a cada segundo. a) 0,75 W b) 1,33 W c) 3,0 W d) 4,5 W e) 0,3 W 8. Adaptada de PUC/RJ - 2018 Um circuito tem 3 resistores idênticos, dois deles colocados em paralelo entre si, e ligados em série com o terceiro resistor e com uma fonte de 12 V. A corrente que passa pela fonte é de 5,0 mA. Qual é a resistência de cada resistor, em kΩ? a) 0,60 b) 0,80 c) 1,2 d) 1,6 e) 2,4 64 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO 65 6.1 MAGNETISMO E CONCEITOS SOBRE: FERROMAGNETISMO, PARAMAGNETISMO E DIAMAGNETISMO Na antiguidade, há mais de 2000 anos, na região de magnésia, os gregos já observavam uma pedra com comportamento estranho e que era capaz de atrair objetos de ferro. Nomeada como ímã, termo derivado do francês aimant, que significa amado, pelo poder de atração que pode exercer, sabe-se atualmente que esta pedra é constituída de óxido de ferro e chamada frequentemente de magnetita. Desde então, o estudo dos imãs ficou conhecido como magnetismo e até meados do século XIX não existiam vínculos fortes entre a eletricidade e o magnetismo, eram considerados campos quase independentes do conhecimento científico. Durante o século XIX Oersted, experimentalmente, descobriu que o fluxo de corrente elétrica através de um fio condutor afetava a orientação da agulha de sua bússola e tempo depois, Ampère mostrou que pedaços de ferro deixados no entorno de um fio conduzindo corrente elétrica, eram atraídos. Nestas observações permitiram a junção da eletricidade com o magnetismo, dando origem ao eletromagnetismo. Durante a evolução das ideias sobre magnetismo, alguns fatos sobre os ímãs foram observados. O primeiro deles é a capacidade de atrair o ferro e alguns outros metais que serão tratados em breve. O segundo fato, é que os imãs possuem regiões onde a força de atração é mais intensa. Estas regiões foram denominadas como polos. Um experimento simples que ilustra estas observações é mostrado na figura 32, a seguir. A limalha de ferro é atraída por todo o ímã, entretanto, é na região dos polos que se nota maior concentração. A maneira com a qual a limalha de ferro se distribui ao redor do imã, ajuda no entendimento conceitual a respeito da distribuição das linhas do campo magnético. O terceiro fato importante é que se um imã leve for suspenso por meio da sua região central, de modo que possa mover-se livremente, seu polo sul (sul magnético) ficará orientado aproximadamente para o polo norte da terra (norte geográfico) e seu polo norte (norte magnético) ficará orientado aproximadamente para o polo sul do planeta terra (sul geográfico), conforme ilustra a figura 33. Esta característica permitiu o surgimento das primeiras bússolas e motivou as famosas navegações dos séculos 15 e 16 Figura 32: limalha de ferro atraída por um imã Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 306) 66 O quarto fato observado após a nomeação dos polos é que os polos com nomes diferentes se atraem e polos com mesmo nome se repelem. Observe a ilustração apresentada na figura 34. Por último, notou-se que os polos são inseparáveis, ou seja, um imã ao ser dividido em vários pedaços, dá origem a outros novos imãs, todos com um polonorte e um polo sul, esta afirmação, conceituada como o princípio da inseparabilidade dos polos é ilustrada na figura 35. Figura 34: interação entre os polos de dois ímãs. Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 304) Figura 35: divisão de um ímã Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 304) Figura 33: limalha de ferro atraída por um imã Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 303) 67 O campo magnético por se tratar de uma grandeza vetorial, apresenta módulo, direção e sentido, como mostra a figura 36. O símbolo B, presente na imagem da figura 35(a), representa o campo magnético e sua direção é indicada por meio do vetor campo magnético em cada ponto das linhas de campo. Na figura 35(b) as setas envolvidas por um círculo, ilustram conceitualmente, a direção das agulhas das pequenas bússolas colocadas em posições diferentes das linhas do campo magnético. Desta forma, representa-se as linhas de força do campo magnético como saindo do polo norte e entrando no polo sul do ímã. O vetor campo magnético será sempre tangente às linhas de campo. 6.1.1 Ferromagnetismo, Paramagnetismo e Diamagnetismo Dependendo da forma com que os materiais se comportam e interagem diante da presença de um campo magnético externo, podem se classificar como ferromagnéticos, paramagnéticos ou diamagnéticos. Os materiais ferromagnéticos imantam-se intensamente na presença de um campo magnético externo, ou seja, ocorre o alinhamento dos seus domínios magnéticos, assim, estes materiais passam a gerar um campo magnético de reforço e se comportarem momentaneamente como imãs. Os materiais que possuem comportamento ferromagnético são: ferro, níquel, cobalto e suas ligas. Os materiais paramagnéticos são aqueles fracamente atraídos pelos ímãs. Alguns exemplos desta categoria são magnésio, alumínio, sulfato de cobre etc. Campo Magnético x campo elétrico É fundamental não confundir o conceito de campo elétrico, visto em eletrostática, com o conceito de campo magnético, que é o objeto de estudo do magnetismo. Uma carga elétri- ca em repouso, cria no espaço ao seu redor uma perturbação chamada de campo elétrico, que permite a interação a distância com outras cargas ou corpos eletrizados. Já um imã e, cargas elétricas em movimento, criam no espaço, uma nova modificação, chamada de campo magnético que também permitirá a seu modo, interação com outros corpos. VAMOS PENSAR? (a) (b) Figura 36: (a) imã com as ilustrações das linhas de campo; (b) imã com pequenas bússolas Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 305) 68 Por último, os diamagnéticos, quando na presença de um campo magnético externo, têm seus domínios magnéticos internos alinhados de maneira a produzir um campo magnético contrário a àquele que lhe originou, assim, sofrem leve repulsão. Compondo este grupo, pode-se citar: chumbo, prata, cobre etc. 6.1.2 A Força Magnética Estudos experimentais mostram que o campo magnético não exerce força sobre cargas elétricas em repouso, entretanto, caso uma partícula carregada com carga “q” e velocidade “v”, entre em uma região com campo magnético de intensidade “B”, ela poderá sofrer influência de uma força magnética “F” de acordo com a equação 20. 𝐹 = 𝐵. 𝑞. 𝑣. 𝑠𝑒𝑛(𝜃) Onde: F= força que atua sobre a carga em Newton (N). B= Intensidade do campo magnético em Tesla (T) q= valor da carga elétrica em Coulomb (C) θ= ângulo em grau entre o vetor velocidade da partícula e o vetor campo magnético. Realizando uma análise matemática da equação 20, nota-se que para os ângulos de 0º e 180º, o termo sen(θ) será igual a zero, ou seja, caso a partícula se desloque paralelamente em relação às linhas do campo magnético, não haverá força magnética atuante, conforme ilustra a figura 37. Em contrapartida, a força magnética que atua sobre a carga elétrica será máxima caso o ângulo θ=90º, ou seja, caso a partícula se desloque perpendicularmente em relação ao campo magnético, como observado na figura 38. (a) (b) Figura 37: (a) carga elétrica se deslocando no mesmo sentido do campo magnético; (b) carga elétrica se deslocando no sentido contrário ao campo magnético Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 316) Figura 38: carga elétrica se deslocando perpendicularmente em relação campo magnético Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 317) 69 Figura 40: carga elétrica se deslocando perpendicularmente em relação campo magnético Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 317) O sentido da força magnética F que atua sobre a carga elétrica pode ser melhor entendido utilizando a regra do tapa. Com a mão direita aberta, o polegar representa o sentido da velocidade (v) da carga elétrica e os demais dedos, representam o sentido do campo magnético (B). Caso a carga elétrica seja positiva, a força se dá no sentido da palma da mão, caso seja negativa, no sentido das costas da mão, de acordo com a figura 39. (a) (b) Figura 39: (a) regra do tapa aplicada para uma carga positiva; (b) regra do tapa aplicada para uma carga negativa Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Para cargas eletricamente neutras, não há força magnética atuante. Outro ponto que me- rece destaque é que a força magnética é simultaneamente perpendicular em relação ao sentido do campo magnético e ao da sua velocidade FIQUE ATENTO Por se tratar de uma análise feita tridimensionalmente, para facilitar a visualização e o entendimento dos exemplos, é comum a adoção de algumas nomenclaturas a respeito do sentido das grandezas físicas envolvidas. Usa-se os símbolos com a seguinte convenção: → vetor “entrando” no plano do papel → vetor “saindo” do plano do papel Por exemplo, a figura 40 ilustra em (a) a representação do vetor força magnética saindo do plano e em (b) a representação do vetor força magnética entrando no plano. 70 O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, capítulo 27, traz uma complementação teórica rica a respeito do conceito de campo magnético, formas de calcular e a regra da mão direita. Disponível em: https://bityli.com/OCfUQB. Acesso em 26 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS O experimento de Oersted, realizado por volta de 1820, foi um dos marcos unificadores da eletricidade com o magnetismo. Seu aparato experimental, consistiu em um fio condutor retilíneo, de uma chave, de uma bateria e de uma bússola, como ilustra a figura 41. O experimento inicia-se com a chave aberta, conforme mostrado na figura 40(a). Neste instante, não há passagem de corrente elétrica pelo fio e a agulha da bússola permanece inalterada em sua posição e em repouso. Quando a chave é fechada, figura 40(b), uma corrente elétrica percorre o fio e a bússola muda de posição. Em seguida, figura 40(c), os polos da bateria são invertidos e, por consequência, a corrente elétrica inverte. Neste momento, o polo norte da bússola que, anteriormente estava mais afastado do fio, aproxima-se. Após o experimento, Oersted concluiu que além dos ímãs, a corrente elétrica também pode gerar campo magnético e que, inclusive, ao mudar o sentido da corrente elétrica, houve inversão no sentido do campomagnético. 6.2.1 A Lei de Ampére Para um Fio Reto e Longo Considerando o sistema internacional, a unidade de medida para campo magnético B é o tesla, com símbolo T, em homenagem ao engenheiro e pesquisador Nikola Tesla (1856-1943), que contribuiu enormemente para as áreas de geração e transmissão de energia elétrica. 6.2 ELETROMAGNETISMO (a) (b) (c) Figura 41: Aparato experimental de Oersted (a) chave aberta; (b) chave fechada e corrente elétrica no sentido anti-horário; (c) chave fechada e corrente elétrica no sentido horário Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 344) 71 O cálculo da intensidade do campo magnético produzido é realizado de acordo com a equação 21 𝐵 = 𝜇0. 𝑖 2.𝜋,𝑑 Onde: B = intensidade do campo magnético em Tesla (T); μ = constante de permeabilidade magnética do meio material em (T.m/A) Para o vácuo, μ0 = 4π. 10−7 T. m/A I= intensidade da corrente elétrica em Ampère (A); d= distância do ponto até o centro do fio em metro (m) A equação 21 trata-se de uma aplicação bastante particular da lei de Ampère, cuja forma geral é escrita de acordo com a equação 22, a seguir. � B. dl = μ. I � � HAYT e BUCK (2013) afirmam que lei de Ampère em sua forma geral é útil como ponto de partida para relacionar campo magnético com corrente elétrica em problemas que envolvem trajetória fechada com corrente constante. Por meio da lei de Ampère foi possível estabelecer relação entre o campo magnético produzido por uma corrente elétrica que percorre um fio longo com: o meio material, a intensidade da corrente e a distância perpendicular até o fio condutor. A direção e o sentido do campo magnético podem ser obtidos utilizando a regra da mão direita da seguinte maneira: posiciona-se o polegar da mão direita no sentido da corrente elétrica, então, os outros dedos curvados, darão o sentido de rotação do campo magnético, conforme mostra a figura 42(b) (a) (b) Figura 42: (a) fio condutor e limalha de ferro revelando o contorno das linhas de campo sobre uma folha branca; (b) regra da mão direita relacionando sentido da corrente e do campo magnético gerado por ela. Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 347) 72 Segundo HAYT e BUCK (2013) por meio da Lei de Biot-Savart ou da Lei de Ampère pode-se demonstrar que a intensidade do campo magnético num ponto P, figura 41(b), situado a uma distância r do fio é dada pela equação 21. Mas somente para regiões próximas ao fio, ou seja, as distâncias dos pontos ao fio devem ser “pequenas” se comparadas com o comprimento do fio. É devido a este fato que, na literatura em geral, afirma-se que o fio é muito longo ou infinito. FIQUE ATENTO 6.2.2 Campo Magnético de uma Espira Circular Uma espira circular consiste em um fio curvado de maneira circunferencial, condutor de corrente elétrica, conforme mostra a figura 43(a). Neste caso em específico, nota-se que o aspecto geral do campo magnético gerado pela passagem de corrente elétrica é mostrado na figura 43(b) e pode ser determinado, tendo em vista a regra da mão direita ilustrada na figura 43(c). Durante o estudo dos ímãs, discutiu-se que as linhas do campo magnético saem do polo norte e entram no polo sul, então, é possível fazer uma analogia e afirmar que uma espira circular, quando alimentada por uma corrente elétrica, tem comportamento similar ao de um pequeno ímã. Observe a figura 44(a) e (b), a seguir. (a) (b) (c) Figura 43: (a) espira circular; (b) campo magnético gerado na espira circular; (c) regra da mão direita relacionando sentido da corrente e do campo magnético. Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 355) (a) (b) Figura 44: (a) campo magnético gerado na espira circular; (b) ímã produzindo campo magnético Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 355) 73 Em ambas as figuras, 44(a) e (b), nota-se a geração de campo magnético, entretanto, somente em (a), a intensidade e o sentido do campo magnético dependem da corrente elétrica. Caso a corrente elétrica passe a circular, na espira, no sentido horário, o campo magnético gerado será (N)-(S). A expressão matemática que relaciona a intensidade do campo magnético produzido no centro da espira com a corrente elétrica é apresentada na equação 23. 𝐵 = 𝜇. 𝑖 2. 𝑟 Onde: B = intensidade do campo magnético em Tesla (T); μ = constante de permeabilidade magnética do meio material em (T.m/A) Para o vácuo, μ0 = 4π. 10−7 T. m/A I = intensidade da corrente elétrica em Ampère (A); r = raio da espira em metro (m) Segundo SAMPAIO E CALÇADA (2012), a determinação do campo magnético de uma espira em um ponto qualquer pode ser deduzida por meio da Lei de Biot-Savart. 6.2.3 Campo Magnético de um Solenóide De acordo com Sampaio e Calçada (2012) um solenoide consiste em um fio condutor enrolado em forma hélice cilíndrica. É comum os solenoides serem chamados de bobinas longas, pois são parecidas com um arranjo de várias espiras com mesmo eixo central, observe nas figuras 45(a) e (b). O fato de os solenoides terem suas espiras bem próximas e comprimento L significativamente maior do que o diâmetro D, de cada espira individual, faz com que o campo magnético gerado em seu interior se aproxime de linhas paralelas, como mostra a figura 45(a). O livro Eletromagnetismo de Hayt Jr e Buck, 8ª edição, capítulo 7, apresenta de- talhadamente e com profundidade a Lei de Biot-Savart e suas aplicações no es- tudo do campo magnético. Disponível em: https://bityli.com/jmXjXxD. Acesso em 12 jul. 2022. BUSQUE POR MAIS (a) (b) Figura 45: (a)ilustração de um solenoide; (b) foto de um solenoide real Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 347) 74 6.3 LEIS DE FARADAY E DE LENZ O campo magnético gerado por um solenoide se assemelha ao de um ímã em barra. Quanto maior o número de espiras condutoras, maior é a capacidade do solenoide em produzir campos magnéticos mais intensos. Para não ocorrer curto- circuito, os fios das espiras são cobertos com um verniz isolante. Segundo HAYT e BUCK (2013) aplicando, novamente a Lei de Ampère pode-se deduzir que o campo magnético gerado no interior do solenoide ideal tem intensidade dada pela equação 24. B = N. μ. i l Onde: B = intensidade do campo magnético em Tesla (T); μ = constante de permeabilidade magnética do meio material em (T.m/A) Para o vácuo, μ0 = 4π. 10−7 T. m/A I = intensidade da corrente elétrica em Ampère (A); l = comprimento total do solenoide em metro (m) N= Número de espirasUm bom solenoide precisa, dentre outros fatores, ter uma boa relação N/L, ou seja, grande número de espiras por unidade de comprimento. Oersted no início do século 19, em 1820, demonstrou experimentalmente que é possível gerar campo magnético por meio de uma corrente elétrica que atravessa um condutor. Michael Faraday em 1831 realizou diversos experimentos para mostrar que o inverso também é possível, ou seja, o pesquisador descobriu que ao variar o fluxo magnético, pode-se induzir o surgimento de corrente elétrica em condutores. O conceito de fluxo magnético está associado com a intensidade de campo magnéticoB que atravessa uma superfície de área A, como ilustra a figura 46. A unidade de medida de fluxo magnético pelo sistema internacional é o Wb (weber), em homenagem ao físico e matemático alemão que contribuiu enormemente no estudo da indução eletromagnética. A expressão matemática para o cálculo de fluxo magnético é dada pela equação 25, a seguir. ∅ = 𝐵.𝐴.𝐶𝑜𝑠 ∝ Figura 46: Fluxo do campo magnético através da superfície S Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 367) 75 Onde: B = intensidade do campo magnético em Tesla (T); ∅= fluxo magnético em T.m²; A = área da superfície em m²; ∝= ângulo entre as linhas de fluxo do campo e o vetor normal n da superfície. Após alguns estudos e experimentos, Faraday enunciou que se o fluxo magnético através de uma superfície variar com o tempo, surgirá neste no circuito uma corrente elétrica, denominada, corrente elétrica induzida. Um ponto importante é que, cessada a variação de fluxo magnético, a corrente induzida também desaparecerá. Neste mesmo contexto histórico e, após as conclusões de Faraday, o físico Heinrich Lenz complementou a teoria enunciando a conhecida lei de Lenz “o sentido da corrente induzida é tal que o campo magnético produzido por ela irá se opor ao fluxo que lhe deu origem”. Para ilustrar melhor as Leis de Lenz e Faraday, observe as figuras 47(a) e (b). Considere um ímã em forma de barra de modo que seu eixo se mantenha perpendicular ao plano da espira. Se o ímã e a espira permanecem em repouso, um em relação ao outro, não há o que se falar em corrente elétrica induzida na espira, pois não há variação de fluxo magnético, já que o número de linhas de campo magnético no interior da espira permanece constante. A partir do instante que ocorre aproximação da espira com o ímã, o fluxo magnético no interior da espira aumenta, observe a figura 47(a). Diante da variação positiva de fluxo magnético no interior da espira, surge nela uma corrente elétrica induzida no sentido anti-horário. Esta corrente elétrica induzida, por sua vez, gera um fluxo magnético contrário ao que lhe originou, como enuncia a lei de Lenz. Caso a espira seja afastada do imã, o número de linhas de campo magnético em seu interior irá reduzir, desta forma, a corrente elétrica induzida se inverterá (terá sentido horário) e produzirá fluxo magnético no sentido de compensar a redução provocada pelo distanciamento do ímã, conforme mostra a figura 48. Figura 47: Corrente elétrica induzida em uma espira circular Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 372) Figura 48: Corrente elétrica induzida em uma espira circular Fonte: Sampaio e Calçada (2012 p. 372) 76 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Um feixe composto por partículas positivas, negativas e neutras, entra numa região que possui campo magnético B. É correto afirmar que: a) a partícula 1 possui carga negativa. b) a partícula 3 possui carga positiva. c) A força magnética que atua sobre uma partícula, depende da velocidade de entrada desta no campo magnético. d) a partícula 2 é negativa. e) A força magnética que atua sobre uma partícula será maior caso a partícula esteja em repouso. 2. (Adaptada de UFRS) Uma pequena bússola é colocada próxima de um ímã permanente. Em quais posições assinaladas na figura a extremidade norte da agulha apontará para o alto da página? a) somente em A ou D b) somente em B ou C c) somente em A, B ou D d) somente em B, C ou D e) em A, B, C ou D 3. (Adaptada de FGV-SP) Da palavra 'aimant', que traduzido do francês significa amante, 77 originou-se o nome ímã, devido à capacidade que esses objetos têm de exercer atração e repulsão. Sobre essas manifestações, considere as proposições: I. assim como há ímãs que possuem os dois tipos de polos, sul e norte, há ímãs que possuem apenas um; II. o campo magnético terrestre diverge dos outros campos, uma vez que o polo norte magnético de uma bússola é atraído pelo polo norte magnético do planeta; III. os pedaços obtidos da divisão de um ímã são também ímãs que apresentam os dois polos magnéticos, independentemente do tamanho dos pedaços. Está correto o contido em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 4. O campo magnético da terra foi descrito pelo médico inglês William Gilbert (1544 – 1603), com o uso da “terrella”, um ímã esférico sobre o qual era apoiada uma agulha. Qual é a importância do campo magnético terrestre? O campo magnético terrestre impede a entrada de várias partículas nocivas à saúde, vindas do sol e de outras regiões da galáxia. Ao atingirem o campo magnético da terra, essas partículas são desviadas por causa da carga elétrica que possuem. A Terra é considerada um imã gigantesco, portanto, é correto afirmar que: a) O polo norte geográfico está exatamente sobre o polo sul magnético, e o sul geográfico está na mesma posição que o norte magnético. b) O polo norte geográfico está exatamente sobre o polo norte magnético, e o sul geográfico está na mesma posição que o sul magnético. c) O polo norte magnético está próximo do polo sul geográfico, e o polo sul magnético está próximo ao polo norte geográfico. d) O polo norte magnético está próximo do polo norte geográfico, e o polo sul magnético está próximo do polo sul geográfico. e) O polo norte geográfico está defasado de um ângulo de 45º do polo sul magnético, e o polo Sul geográfico está defasado de 45º do polo norte magnético. 5. Uma bússola é colocada na proximidade do imã da figura sobre o ponto A: Sabendo que o vermelho corresponde ao polo norte da bússola, qual será a orientação da agulha sobre o ponto (A): 78 6. (Adaptada de UDESC 2008) Considere as seguintes afirmativas: I - A experiência de Hans Christian Oersted comprovou que um elétron é desviado, ao se deslocar em um campo magnético, na mesma direção do campo. II - Ao partirmos um ímã ao meio, separamos o polo Norte magnético do polo Sul magnético, dando origem a dois novos ímãs monopolares. III - Quando uma partícula carregada se desloca paralelamente ao vetor campo magnético, a força magnética sobre ela é nula. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. c) Somente a afirmativa III é verdadeira. d) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 7. (Adaptada de UDESC 2016/2) Observe o extrato a seguir do conto “Tempestade Solar” do escritor Ítalo Calvino. “O Sol está sujeito a contínuas perturbações internas de sua matéria gasosa e incandescente, que se manifestam em perturbações visíveis na superfície: protuberâncias estourando como bolhas, manchas de luminosidade atenuada, intensas cintilações das quais se erguem no espaço jatos repentinos. Quando uma nuvem de gás eletrizado emitido no espaço pelo Sol investe a Terra atravessando as faixas de Van Allen, registram- se tempestades magnéticas e auroras boreais” (Ítalo Calvino em Todas as Cosmicômicas – Companhia das Letras, 2007, 1 ed). Esse trecho relata fenômenos que afetam diretamente o mundo atual. Diariamente uma “chuva de partículas” proveniente do Sol bombardeia o planeta Terra. Caso essas partículas chegassem à superfície terrestre, ocorreriam diversos problemas de saúde. Felizmente, o campo magnético do nosso planeta oferece uma proteção natural contra essas partículas, defletindo-as antes de chegarem à superfície. Por outro lado, quando o Sol tem picos de atividade, em períodos de aproximadamente 11 anos, esses ventos solares penetram mais na atmosfera prejudicando seriamente os sistemas de comunicação via satélite e os sistemas de GPS. Esse fenômeno afeta em particular o Brasil, onde se encontra a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, na qual há a redução da intensidade 79 do campo magnético terrestre. Analise as proposições sobre a ação do campo magnéticoterrestre para defletir as partículas carregadas da superfície do planeta Terra. I. A força magnética atua sempre perpendicularmente ao plano definido pelos vetores velocidade e campo magnético terrestre. II. A força magnética varia o módulo da velocidade e a sua direção, desviando as partículas para os polos terrestres. III. No caso do Brasil, o raio da trajetória das partículas é maior que nos países que se encontram fora da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, pois o campo magnético é menos intenso. IV. O raio da trajetória da partícula é diretamente proporcional ao campo magnético terrestre e inversamente proporcional à sua velocidade. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. e) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. 8. (Adaptada de UFSC 2015) A ideia de linhas de campo magnético foi introduzida pelo físico e químico inglês Michael Faraday (1791-1867) para explicar os efeitos e a natureza do campo magnético. Na figura ao lado, extraída do artigo “Pesquisas Experimentais em Eletricidade”, publicado em 1852, Faraday mostra a forma assumida pelas linhas de campo com o uso de limalha de ferro espalhada ao redor de uma barra magnética. Sobre campo magnético, é CORRETO afirmar que: a) as regiões com menor densidade de linhas de campo magnético próximas indicam um campo magnético mais intenso. b) as linhas de campo magnético sempre se cruzam. c) por convenção, as linhas de campo magnético “saem” do polo sul e “entram” no polo norte. d) quebrar um ímã em forma de barra é uma maneira simples de obter dois polos magnéticos isolados. e) cargas elétricas em repouso não interagem com o campo magnético. 80 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 E 81 HALLIDAY, David, Resnik Robert, Krane, Denneth S. Física 3, Eletromagnetismo, volume 2. 10 Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. JR., H.; HART, W.; BUCK, J. A. Eletromagnetismo. Grupo A, 2013. 9788580551549. Disponível em: https://bityli.com/Dtphcpd. Acesso em: 2022 jul. 12. YOUNG E FREEDMAN. Física III, Eletromagnetismo. 12ª ed. Pearson. São Paulo. 2009. Disponível em: https://bityli.com/IggUueK. Acesso em 27 jun. 2022. SAMPAIO E CALÇADA. ELETRICIDADE E FÍSICA MODERNA. 1ª ed. São Paulo. Editora Atual, 2012. MARKUS, O. Circuitos Elétricos - Corrente Contínua e Corrente Alternada. Editora Saraiva, 2011. 9788536518237. Disponível em: https://bityli.com/YhZvdc. Acesso em: 2022 jun. 22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 82 graduacaoead.faculdadeunica.com.brFIXANDO O CONTEÚDO ...............................................................................................................................................................................................................................................................48 A ELETRODINÂMICA 5.1 Associação de Resistores em Série....................................................................................................................................................................................................................................52 5.2 Associação de Resistores em Paralelo...........................................................................................................................................................................................................................55 5.3 Circuitos Elétricos Mistos........................................................................................................................................................................................................................................................58 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................................................................................................................................................................................................61 ANÁLISE DE CIRCUITOS DE CORRENTE CONTÍNUA 6.1 Magnetismo: ferromagnetismo, paramagnetismo e diamagnetismo....................................................................................................................................................65 6.1.1 Ferromagnetismo, Paramagnetismo e Diamagnetismo ....................................................................................................................................................................................67 6.1.2 A Força Magnética ..............................................................................................................................................................................................................................................................68 6.2 Eletromagnetismo.......................................................................................................................................................................................................................................................................70 6.2.1 A Lei de Ampére para um Fio Reto e Longo ...........................................................................................................................................................................................................70 6.2.2 Campo Magnético de uma Espira Circular ............................................................................................................................................................................................................72 6.2.3 Campo Magnético de um Solenóide ........................................................................................................................................................................................................................73 6.3 As Leis De Faraday E De Lenz..............................................................................................................................................................................................................................................74 FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................................................................................................................................................76 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO.......................................................................................................................................................................................................................80 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................................................................................................................................................................81 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO UNIDADE 5 UNIDADE 6 8 O N FI R A N O L I C V R O UNIDADE 1 A unidade 1 traz a contextualização histórica sobre as cargas elétricas e os principais fenômenos associados à eletricidade. Discute os princípios da eletrostática e os processos de eletrização, além da formulação matemática da lei de Coulomb. UNIDADE 2 A unidade 2 mostra a conceituação de campo elétrico, suas linhas de força, as relações matemáticas para se calcular a intensidade de um campo elétrico uniforme e, por último, como ocorre a movimentação de cargas eletrizadas dentro de um campo. UNIDADE 3 A unidade 3 apresenta a definição de potencial elétrico, sua relação matemática, além da lei de Gauss aplicada ao cálculo de campo elétrico para distribuições assimétricas de cargas elétricas. Em seguida, conceitua capacitância, bem como, sua dedução matemática. UNIDADE 4 A unidade 4 explora os principais conceitos dentro da eletrodinâmica sobre: corrente elétrica e resistência elétrica, além das leis de Ohm e as principais funções e características dos instrumentos de medição da área de eletricidade. UNIDADE 5 A unidade 5 consiste na análise de circuitos de corrente contínua. São apresentadas as associações de resistores: em série, em paralelo e mista. São realizados cálculos de corrente, resistência equivalente, tensão e potência em todos os componentes do circuito. UNIDADE 6 A unidade 6, sobre magnetismo e eletromagnetismo, discute os princípios fundamentais sobre o campo magnético produzido por um imã e por uma corrente elétrica. Além da lei de Ampére, da lei de Faraday, bem como suas aplicações no entendimento e cálculo de indutância. 9 AS CARGAS ELÉTRICAS E A ELETROSTÁTICA 10 Bem no início do século XVIII pesquisadores descobriram algumas manifestações interessantes a respeito da natureza elétrica da matéria, observando que determinados corpos poderiam exercer poder de atração ou de repulsão sobre outros. Neste contexto histórico, em 1750, Benjamin Franklin propôs que fossem convencionadas as notações negativas e positivas para as cargas elétricas, de acordo com seu comportamento. O referido cientista atritou um bastão de vidro em seda. Franklin definiu como positiva, a carga adquirida pelo bastão e como negativa, a carga elétrica adquirida pela seda. Ao repetir este procedimento com outro bastão de vidro e com outro pano de seda, um fato curioso ocorreu. Benjamin Franklin aproximou os dois bastões de vidro e notou que houve repulsão entre eles e o mesmo ocorreu com os dois panos de seda. Este fato evidenciou que cargas de sinais iguais se repelem. Entretanto, o melhor entendimento a respeito destes fenômenos, chegou com as teorias sobre modelos atômicos de Rutherford em 1911 e de Bohr em 1913. A partir de 1930, foi convencionado que os nêutrons não possuíam carga elétrica, enquanto os prótons tinham carga elétrica positiva e os elétrons, carga negativa. 1.1 CARGA ELÉTRICA A carga elétrica elementar representa o menor valor de carga elétrica encontrada. Seu valor é 𝑒 = 1,6 𝑥 10−19 𝐶 . Onde “C” significa Coulomb, sua unidade de medida pelo sistema internacional. Tendo em vista que a menor carga elétrica é a do elétron, a carga elétrica total dos corpos pode ser determinada como um valor múltiplo da carga elementar, como mostra a equação 1 a seguir. Para se calcular carga elétrica de um corpo, é comum, o uso dos submúltiplos de Coulomb, como por exemplo, microcoulomb (1µ𝐶 = 10−6 𝐶 ) e o nanocoulomb (1𝑛𝐶 = 10−9 𝐶 ) já que o valor de carga equivalente a 1C é relativamente grande. É importante citar que pesquisas atuais, mais avançadas, já trazem evidênciasde partículas com carga elétrica menor do que a do elétron, como por exemplo, os quarks. 𝑞 = 𝑛. 𝑒 Pelo fato de 1C (um Coulomb) se tratar de grande quantidade de cargas elétricas, é comum o uso dos seus submúltiplos: milicoulomb, nanocoulomb, picocoulomb. mC = milicoulomb = 10−3 C μC = microcoulomb = 10−6 C nC = nanocoulomb = 10−9 C pC = picocoulomb = 10−12 C GLOSSÁRIO 11 1.2 PRINCÍPIOS DA ELETROSTÁTICA E PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO O primeiro princípio fundamental da eletrostática é o da atração e repulsão. Franklin observou que cargas elétricas de mesmo sinal se repelem, enquanto cargas opostas se atraem, fato ilustrado na figura 1. Figura 1: Primeiro princípio fundamental da eletrostática, atração e repulsão. Fonte: Elaborado pelo próprio autor (2022). (a) (b) (c) Figura 2: (a) dois corpos eletrizados com cargas Q1 e Q2. (b) corpos eletrizados em contato. (c) Corpos eletriza- dos com cargas Q5 e Q6 são afastados. Fonte: Elaborado pelo próprio autor (2022). O segundo princípio da eletrostática, trata-se da conservação das cargas elétricas. Seu enunciado afirma que em um sistema isolado eletricamente, em relação ao meio externo, a soma algébrica das cargas negativas e positivas deverá permanecer constante conforme mostra a figura 2. A carga elétrica total inicial do sistema composto pelos dois corpos eletrizados é de Q1 + Q2, durante o contato, ocorre troca de cargas entre os corpos. A carga elétrica final total será Q5 + Q6. Pelo princípio da conservação das cargas elétricas, conclui-se que Q1 + Q2 = Q5 + Q6. 1.2.1 Condutores e isolantes Para se compreender melhor a diferença entre condutores e isolantes, é importante recordar que os elétrons livres por estarem em órbitas distantes do núcleo atômico, são fracamente atraídos por este. Assim, os elétrons livres possuem maior mobilidade, podendo inclusive, migrarem de um corpo para outro. Os materiais com grandes quantidades de elétrons livres são classificados como condutores, pois possuem grande facilidade para conduzir eletricidade. Alguns exemplos de materiais condutores de eletricidade são: ouro, zinco, tungstênio, cobre, alumínio, dentre muitos outros. Em contrapartida, materiais com poucos elétrons livres, são denominados isolantes ou 12 O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, na página 5, apresenta uma discussão mais completa sobre os materiais condutores, iso- lantes, bem como suas relações com os processos de eletrização. Disponível em: https://bityli.com/HRAnXl. Acesso em 12 jul. 2022. BUSQUE POR MAIS dielétricos, pois apresentam dificuldade em conduzir eletricidade. Pode-se citar como exemplos: madeira, borracha, lã, papel, vidro etc. 1.2.2 Processos de eletrização Um corpo inicialmente neutro, pode ser eletrizado por meio de três processos, são eles: eletrização por atrito, eletrização por contato ou eletrização por indução. O primeiro e mais antigo processo de eletrização estudado é feito por atrito. Neste, ao final, os corpos estarão com cargas elétricas de sinais opostos. Um exemplo de eletrização por atrito ocorre ao se pentear o cabelo. Durante o atrito entre o pente e os fios de cabelos, há troca de cargas elétricas. O cabelo perde elétrons, tornando-se positivo, já o pente, ganha elétrons e fica eletrizado negativamente. Outro exemplo bastante comum é a experiência de eletrização entre o vidro e a lã. Ao atritarmos uma placa de vidro com um pano de lã, ambos inicialmente neutros, há troca de cargas elétricas de tal forma que no final do processo de eletrização, ao separarmos os dois corpos, estes estarão com cargas elétricas opostas. O vidro perderá elétrons e ficará eletrizado positivamente, já o pano de lã, tendo recebido os elétrons, ficará eletrizado negativamente como ilustra a figura 3. É importante reforçar que quando um isolante é eletrizado, o excesso de cargas elétricas permanece em uma determinada região do corpo, visto a baixa mobilidade que elas possuem neste tipo de material. O processo de eletrização por contato consiste em encostar dois corpos, um deles neutro e o outro, eletrizado. Este experimento traz melhores evidências quando ambos os corpos são condutores, visto que as cargas se distribuem homogeneamente sobre sua superfície. A figura 4 ilustra o processo de eletrização por contato, onde o corpo A, inicialmente neutro, é colocado em contato com um corpo B, eletrizado negativamente. Figura 3: Experiência de eletrização por atrito entre vidro e lã. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 162) 13 Após o contato, verifica-se que ambos os corpos ficarão eletrizados negativamente, pois o corpo A perdeu somente parte dos elétrons para o corpo B. Vale ressaltar que a quantidade de cargas existentes na figura 4(a) é exatamente igual à da figura 4(c), devido a lei de conservação das cargas elétricas já mencionada. O último processo de eletrização, é o por indução. Neste, não há necessidade de que os corpos estejam em contato direto. A indução trata-se da separação momentânea das cargas elétricas existentes em um corpo condutor, inicialmente neutro, por outro corpo eletrizado, conforme ilustrado na figura 5 Observa-se pela figura 5(a) que ambos os corpos se encontram separados e bem afastados. O corpo A é uma esfera condutora, denominada indutora. O corpo B, é uma esfera condutora neutra. Quando a esfera indutora A, eletrizada positivamente, é aproximada, ocorre separação das cargas elétricas na esfera B. As cargas negativas existentes em B deslocam-se para o lado mais próximo da esfera indutora, visto que cargas opostas se atraem. O lado oposto da esfera B, naturalmente, ficará positivo, conforme indicado na figura 5(b). Se a esfera indutora A for afastada, a esfera B voltará a ser neutra. Figura 4: Experiência de eletrização por contato entre dois corpos Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 163) Figura 5: Experiência de eletrização por indução eletrostática entre dois corpos. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 169) a b Ao se colocar em contato, dois condutores esféricos iguais, a carga elétrica excedente se dividirá igualmente entre ambos. FIQUE ATENTO 14 1.3 LEI DE COULOMB Em 1875, Coulomb utilizando uma balança de torção, conseguiu determinar o valor das forças de atração e repulsão eletrostática entre duas esferas eletrizadas. Coulomb, inicialmente, constatou que a intensidade da força elétrica: 1. Era diretamente proporcional ao valor das cargas elétricas de ambos os corpos. 2. Era inversamente proporcional à distância entre os corpos eletrizados. 3. Dependia do meio material onde os corpos se encontram. Desta forma, Coulomb enunciou “a intensidade da força elétrica entre duas partículas eletrizadas é diretamente proporcional ao produto das cargas elétricas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa. ” A expressão matemática que formaliza o enunciado da lei de Coulomb é mostrada na equação 2. Onde, F é a força de atração ou repulsão entre as esferas eletrizadas em (N),K0 é a constante eletrostática do vácuo. Seu valor com as unidades de medida do Sistema Internacional (SI), é de 9. 109 𝑁.𝑚² 𝐶² . As variáveis q e Q representam as cargas elétricas das esferas em (C) e d representa a distância entre o centro das esferas em (m). A figura 6 ilustra algumas destas variáveis. O livro ELETROMAGNETISMO de Hayt Jr e Buck, 8ª edição, capítulo 2, na página 26, apresenta todo o contexto histórico e a formulação matemática da lei de Coulomb. Disponível em: https://bityli.com/lNjazbh. Acesso em 12 jul. 2022. BUSQUE POR MAIS F = K0. q . Q d2 Figura 6: forças e distâncias mostradas na lei de Coulomb Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 169) 15 Caso as cargas elétricas não estejam no vácuo, o valor de K será diferente. Alguns exemplos para os valores de K de acordo com o meio material,são mostrados no quadro 1. Quadro 1: valor da constante eletrostática para alguns meios materiais. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 180) Na lei de Coulomb, “d” representa a distância entre os centros das esferas eletricamente carregadas. Qual o motivo da referência ser o centro da esfera? O teorema das cascas explica: Uma superfície esférica, que apresenta distribuição uniforme de cargas elétricas, interage com partículas externas carregadas como se toda sua carga estivesse concentra- da no centro. VAMOS PENSAR? Substância Constante Eletrostática Ar Seco 9,0 x 109 Água 1,1 x 108 Benzeno 2,3 x 109 Petróleo 3,6 x 109 Etanol 3,6 x109 Uma casca esférica com uma distribuição uniforme de carga não exerce força eletrostáti- ca sobre uma partícula carregada situada no interior da casca. FIQUE ATENTO 16 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (Adaptada de UFPel) Têm-se três esferas condutoras, A,B e C. A esfera A (positiva) e a esfera B (negativa) são eletrizadas com cargas de mesmo módulo, Q, e a esfera C está inicialmente neutra. São realizadas as seguintes operações: 1) toca-se C em B, com A mantida a distância, e em seguida separa-se C de B. 2) toca-se C em A, com B mantida a distância, e em seguida separa-se C de A. 3) toca-se A em B, com C mantida a distância, e em seguida separa-se A de B. Qual a carga final da esfera A? Dê sua resposta em função de Q. a) Q 10 b) – Q 4 c) Q 4 d) – Q 8 e) – Q 2 2. (Adaptada de UFPel). Todos os corpos são constituídos por átomos, e estes são formados por partículas menores denominadas elétrons, prótons e nêutrons. Prótons e elétrons possuem carga elétrica de mesma intensidade (valor), mas de sinais contrários, em que o próton é a carga positiva e o elétron, a carga negativa. No átomo em seu estado natural não existe uma predominância de carga elétrica, porque o número de prótons é igual ao número de elétrons, o que o torna neutro. No entanto, quando ele perde ou ganha elétrons dizemos que está eletrizado. Em relação à eletrização de um corpo, analise as afirmativas a seguir. I. Se um corpo neutro perder elétrons, ele fica eletrizado positivamente; II. Atritando-se um bastão de vidro com uma flanela, ambos inicialmente neutros, eles se eletrizam com cargas iguais; III. O fenômeno da indução eletrostática consiste na separação de cargas no induzido pela presença do indutor eletrizado; IV. Aproximando-se um condutor eletrizado negativamente de outro neutro, sem tocá- lo, este permanece com carga total nula, sendo, no entanto, atraído pelo eletrizado. V. Um corpo carregado pode repelir um corpo neutro. Estão corretas a) apenas a I, a II e a IV. b) apenas a I, a III e a IV. c) apenas a I, a IV e a V. d) apenas a II e a IV. 17 e) apenas a II, a III e a V. 3. (Adaptada de FUVEST) Charles Augustin de Coulomb (1736-1806) foi um físico francês responsável pela determinação da lei que descreve a força de interação entre cargas elétricas. Para tanto, Charles Coulomb fez uso de uma balança de torção. De acordo com a sua lei, a força entre duas partículas eletricamente carregadas é diretamente proporcional ao módulo de suas cargas e é inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas. A expressão matemática descrita pela lei de Coulomb é: 𝐹 = 𝐾0 𝑄. 𝑞 𝑑2 Duas partículas eletricamente carregadas com +8,0.10-6 C são colocadas no vácuo a uma distância de 30cm, onde K0 = 9. 109 𝑁.𝑚² 𝐶² . A força de interação entre essas cargas é: a) de atração e igual a 6,4N b) de repulsão e igual a 1,6N. c) de repulsão e igual a 6,4N. d) de atração e igual a 1,6N e) impossível de ser determinada. 4. (Adaptada de FUVEST) A eletrização por atrito ocorre quando atritamos dois corpos, inicialmente neutros. Haverá transferência de elétrons de um corpo para o outro, de tal forma que um corpo fique eletrizado positivamente (cedeu elétrons) e o outro corpo, fique eletrizado negativamente (ganhou elétrons). A eletrização por atrito é mais evidente quando é feita por corpos isolantes, pois os elétrons permanecem nas regiões atritadas. Um estudante atrita um pente de plástico em seu cabelo e aproxima-o de um filete de água, que imediatamente se encurva na direção do pente. Marque a alternativa que explica de forma correta o motivo pelo qual isso ocorre. a) O fenômeno é possível porque a água é um condutor universal. b) Após o atrito, o pente adquire a mesma carga elétrica da água, por isso, o filete é atraído. c) As cargas elétricas em excesso no pente atraem as cargas de mesmo sinal da água, fazendo com que o filete sofra deflexão. d) As cargas elétricas em excesso no pente atraem as cargas de sinal oposto da água, fazendo com que o filete sofra deflexão. e) Todas as alternativas estão incorretas. 5. (Adaptada de FUVEST) duas pequenas esferas metálicas idênticas, inicialmente neutras, encontram-se suspensas por fios inextensíveis e isolantes. Um jato de ar perpendicular ao plano da figura é lançado durante certo intervalo de 18 tempo sobre as esferas. Observa-se então que ambas as esferas estão fortemente eletrizadas. Quando o sistema alcança novamente o equilíbrio estático, podemos afirmar que as tensões nos fios: a) aumentaram e as esferas se atraem; b) diminuíram e as esferas se repelem; c) aumentaram e as esferas se repelem; d) diminuíram e as esferas se atraem; e) não sofreram alterações. 6. (Adaptada de FUND. CARLOS CHAGAS) um bastão de vidro é atritado em certo tipo de tecido. O bastão, a seguir, é encostado num eletroscópio previamente descarregado, de forma que as folhas dele sofrem uma pequena deflexão. Atrita-se a seguir o bastão novamente com o mesmo tecido, aproximando-o do mesmo eletroscópio, evitando o contato entre ambos. As folhas do eletroscópio deverão: a) manter-se com a mesma deflexão, independente da polaridade da carga do bastão; b) abrir-se mais, somente se a carga do bastão for negativa; c) abrir-se mais, independentemente da polaridade da carga do bastão; d) abrir-se mais, somente se a carga do bastão for positiva; e) fechar-se mais ou abrir-se mais, dependendo da polaridade da carga do bastão. 7. (Adaptada de UFJF) em 1875, Coulomb utilizando uma balança de torção, conseguiu determinar o valor das forças de atração e repulsão eletrostática entre dois corpos eletrizados. Coulomb, inicialmente, constatou que a intensidade da força elétrica: 1) Era diretamente proporcional ao valor das cargas elétricas de ambos os corpos. 2) Era inversamente proporcional à distância entre os corpos eletrizados. 3) Dependia do meio material onde os corpos se encontram. Duas esferas igualmente carregadas, no vácuo, repelem-se mutuamente quando separadas a uma certa distância. Triplicando a distância entre as esferas, é correto afirmar que a força de repulsão entre elas torna-se: a) 3 vezes menor b) 6 vezes menor c) 9 vezes menor d) 12 vezes menor e) 9 vezes maior 8. (Adaptada de UNIFESP-SP) A lei de Coulomb diz “a intensidade da força elétrica entre duas partículas eletrizadas é diretamente proporcional ao produto das cargas elétricas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa. ” A expressão matemática que formaliza o enunciado da lei de Coulomb é mostrada é 𝐹 = 𝐾0 𝑄. 𝑞 𝑑2 . Onde K0 é a constante eletrostática do vácuo. Seu valor com as unidades de medida do Sistema Internacional (SI), é de 9. 109 𝑁.𝑚² 𝐶² .. Duas partículas de cargas elétricas 𝑄 = 4,0 × 10-16 e q = 6,0 × 10-16 estão separadas no vácuo por uma distância de 3,0. 10−9 𝑚 . Sendo 𝑘 = 9,0. 109𝑁. 𝑚2 𝐶 ,, é correto afirmar que a intensidade 19 da força de interação entre elas, em newtons, é de: a) 1,2.10-5 b) 1,8.10-4 c) 2,0.10-4 d) 2,4.10-4 e) 3,0.10-3 20 O CAMPO ELÉTRICO 21 2.1 O CAMPO ELÉTRICO E SUAS LINHAS DE FORÇA O campo elétrico é uma grandeza de natureza vetorial, ou seja, para se compreender melhor, é necessário saber qual a intensidade, a direção e o sentido do vetor campo elétrico emcada ponto do espaço. A figura 7 mostra a direção e o sentido do vetor campo elétrico no ponto P, criado pela carga Q. Lembrando que o comprimento ou módulo do vetor, representa a intensidade da grandeza. Para se evidenciar a presença de campo elétrico no ponto P, a carga de prova q, é colocada. Caso a carga de prova seja positiva, haverá força de repulsão, entretanto, se a carga for negativa, haverá atração entre a carga gerado de campo elétrico e a carga de prova. Na figura 8, é possível observar no ponto P, a direção e o sentido da força de repulsão que atua sobre a carga de prova. Corpos eletrizados criam, no espaço, ao seu entorno, uma perturbação chamada de campo elétrico. Cada ponto desta região está associado a um vetor campo elétrico, com módulo, direção e sentido. Então, ao se colocar uma carga elétrica Q em qualquer destes pontos, está carga sofrerá ação de uma força de natureza elétrica. Historicamente, a forma com a qual dois corpos elétricos se interagem, como visto pela lei de Coulomb, possui natureza semelhança com a apresentada na teoria de força gravitacional entre dois corpos massivos. Em ambos os casos, a intensidade da força de interação varia inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os corpos. Figura 7: Representação do campo elétrico em P, criado pela carga positiva Q. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 191) Figura 8: Representação do campo elétrico em P, criado pela carga positiva Q. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 191) 22 A figura 9, apresenta a convenção do sentido do campo elétrico criado por duas cargas elétricas. Nota-se que cargas positivas, criam campos radiais ou para fora, já nas cargas negativas, o campo elétrico é de aproximação ou entrando na carga. Segundo HALLIDAY (2016) em cada ponto do campo, o vetor campo elétrico é tangente e tem o mesmo sentido das linhas. Na figura 8, as linhas são retilíneas e, portanto, o vetor campo está na própria linha. Quando as linhas de força do campo elétrico são curvas, conforme ilustra a figura 10, é mais fácil verificar a disposição destas em relação ao vetor campo elétrico. Figura 9: Representação do campo elétrico criado por duas cargas elétricas (a) carga positiva (b) carga negativa. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 191) Figura 10: Linha de força ou de campo com os vetores campo elétrico E1 e E2 Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 194) O livro ELETROMAGNETISMO de Hayt Jr e Buck, 8ª edição, capítulo 2, nas páginas 29 e 30, realiza aprofundamento conceitual a respeito da definição de campo elétrico. Disponível em: https://bityli.com/XxHMzM. Acesso em 26 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS 23 O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, capítulo 21, na pá- gina 23, traz mais informações a respeito das linhas de força de campos elétricos uniformes e irregulares. Disponível em: https://bityli.com/WOwgEho. Acesso em 26 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS O campo elétrico é mais intenso nas regiões mais próximas da carga elétrica geradora, visto que a concentração de linhas de campo é maior. Caso, em determinada região, o campo elétrico apresente mesmos: direção, sentido e módulo, então, o campo elétrico será chamado de uniforme, conforme mostra a figura 11(a). Na figura 11(b), nota-se que na região central, área sombreada, o campo elétrico é mais intenso. Já na região sombreada da figura 10(c) o campo é menos intenso. Em ambas, o campo elétrico é variável. A cada ponto no espaço, o vetor do campo elétrico é tangente à linha de campo que passa pelo ponto considerado. Por qual motivo o campo elétrico é maior nas regiões próximas a carga elétrica geradora? O campo elétrico será mais intenso onde as linhas estão mais próximas e mais fraco, nas regiões onde as linhas de campo são mais afasta- das. VAMOS PENSAR? Figura 11: Linha de campo ou de força (a) de um campo elétrico uniforme (b) e (c) de campos elétricos variáveis. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 194) 24 Se existe mais de um campo elétrico em um ponto do espaço, o campo elétrico resultante é a soma vetorial dos campos elétricos envolvidos, ou seja, os campos elétricos obedecem ao princípio da superposição. FIQUE ATENTO 2.2 CÁLCULO DA INTENSIDADE DE UM CAMPO ELÉTRICO O campo elétrico E, será definido como a força elétrica F que atua por unidade de carga q, no ponto P, conforme mostra a equação 3. A unidade de campo elétrico no SI é o newton por coulomb (N/C). Porém, a intensidade do campo elétrico criado por uma carga geradora, não depende da carga de prova, mesmo que a definição inicial de campo elétrico pareça criar este vínculo. A figura 12 mostra a interação entre a carga negativa, geradora de campo elétrico, com a carga positiva de prova. Combinando a lei de Coulomb, equação 1, com a relação matemática da definição de campo elétrico, equação 2, encontra-se o campo elétrico E criado pela carga elétrica geradora, conforme mostra a equação 3. Durante a simplificação, a variável que representa a carga de prova q, desapareceu. Logo, a intensidade do campo elétrico criado pela carga geradora, dependerá do valor de sua carga elétrica Q, das características do meio material K e da distância ao quadrado até o ponto analisado. 𝐸 = 𝐹 𝑞 Figura 12: direção da força e do vetor campo elétrico sobre a carga de prova, situada no ponto P. Fonte: SAMPAIO E CALÇADA (2012 p. 197) 25 Quando cargas elétricas entram em uma região contendo campo elétrico, elas experimentam uma força de natureza elétrica que altera seu movimento. Um campo elétrico uniforme pode ser obtido por meio de duas placas planas paralelas eletrizadas com cargas opostas. O vetor campo elétrico irá se orientar no sentido da placa positiva para a placa negativa, como mostra a figura 13. Observa-se que a direção da força elétrica e, portanto, da sua velocidade de deslocamento v, dependerá do sinal da carga elétrica. As cargas positivas são repelidas pela placa positiva e atraídas pela placa negativa, assim, movimentam-se na mesma direção do campo. Já as cargas negativas, deslocam-se na direção contrária em relação ao campo elétrico formado entre as placas. Este deslocamento indica que houve realização de trabalho pela força elétrica, ou seja, variação de energia potencial elétrica. Então, é correto dizer que entre dois pontos quaisquer localizados na região entre as placas, existe uma diferença de potencial ou tensão. Figura 13: direção de movimentação das cargas elétricas dentro de um campo elétrico Fonte: Elaborado pelo autor (2022) 2.3 MOVIMENTO DE CARGAS DENTRO DO CAMPO ELÉTRICO 26 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Campo elétrico é uma grandeza física vetorial que mede o módulo da força elétrica exercida sobre cada unidade de carga elétrica colocada em uma região do espaço sobre a influência de uma carga geradora de campo elétrico. A partir da razão entre a força elétrica e carga de prova é possível calcular a intensidade do campo elétrico. Uma partícula puntiforme, de carga elétrica igual a 2,0.10-6 C, é deixada em uma região de campo elétrico igual a 100 𝑉 𝑚 . Calcule o módulo da força elétrica produzida sobre essa carga. a) 50.105 N b) 100.106 N c) 200.10-6 N d) 20.104 N e) 2.10-4 N 2. O campo elétrico mede a influência que uma certa carga elétrica geradora produz em seus arredores. Quanto mais próximas estiverem duas cargas, maior será a força elétrica entre elas por causa do módulo do campo elétrico naquela região. O campo elétrico produzido por cargas pontuais (cujas dimensões são desprezíveis), dispostas no vácuo é realizado pela seguinte equação: 𝐸 = 𝑘. 𝑄 𝑑2 . Sabendo que 𝑘0 = 9,0. 109 𝑁 𝑚2𝐶2 . O campo elétrico gerado por uma carga puntiforme de 2,0 C a uma distância de 50 cm da carga é equivalente a: a) 72. 109 𝑉 𝑚 b) 7,2. 109 𝑉 𝑚 c) 81. 109 𝑉 𝑚 d) 720. 1010 𝑉 𝑚 e) 54. 108 𝑉 𝑚 3. Uma linha deforça é uma linha imaginária desenhada de modo que sua tangente em qualquer ponto aponto no sentido do vetor do campo elétrico naquele ponto. A proximidade entre estas linhas está relacionada com a intensidade do campo naquela região. As linhas de força não são reais, mas sim um artifício para se visualizar a região de atuação do campo elétrico. Caso o campo elétrico seja nulo, não haverá de linhas de 27 força no local. Assinale a alternativa verdadeira sobre as propriedades das linhas de força do campo elétrico: a) O campo elétrico é uma grandeza escalar que pode ser escrita tanto em 𝑉 𝑚 quanto em 𝑁 𝐶 . b) As linhas de força do campo elétrico são fechadas, adentram as cargas positivas e emergem das cargas negativas. c) As linhas de força do campo elétrico são abertas, emergem das cargas positivas e adentram as cargas negativas. d) O campo elétrico depende exclusivamente do módulo da carga que o produz. e) Quando uma carga elétrica se move na direção de uma linha de força, a força elétrica realiza trabalho igual a zero sobre esta carga elétrica. 4. O campo elétrico produzido por cargas pontuais (cujas dimensões são desprezíveis), dispostas no vácuo é realizado pela seguinte equação 𝐸 = 𝑘. 𝑄 𝑑2 . Uma carga elétrica puntiforme produz um campo elétrico de módulo E em um ponto do espaço que se encontra a uma distância d em relação à carga. Ao dobrarmos a distância entre a carga e o campo, devemos esperar que a relação entre o novo campo elétrico E’ e o campo elétrico E seja igual a: a) 𝐸 ′ = 𝐸 b) 𝐸′ = 𝐸 2 c) 𝐸′ = 𝐸 4 d) 𝐸′ = 𝐸 8 e) 𝐸′ = 𝐸 16 5. Adaptada(PUC-SP) A expressão 𝐸 = 𝑘. 𝑄 𝑑2 o nos permite calcular a intensidade do campo elétrico em certo ponto, quando conhecemos o valor da carga geradora Q e a distância até o ponto considerado. Observe, entretanto, que essa expressão só pode ser usada para um campo criado por uma carga que pode ser considerada pontual. Seja Q uma carga positiva geradora de campo elétrico e q a carga de prova localizada em um ponto P, próximo de Q. Podemos afirmar que: a) o vetor campo elétrico em P dependerá do sinal de q. b) A intensidade do campo elétrico em P será tanto maior quanto maior for a carga q. c) o vetor campo elétrico será constante, qualquer que seja o valor de q. d) a força elétrica em P será constante, qualquer que seja o valor de q. e) o vetor campo elétrico em P é independente da carga de prova q. 6. Adaptada (PUC-Rio 2008) Quando cargas elétricas entram em uma região contendo campo elétrico, elas experimentam uma força de natureza elétrica que altera seu movimento. Um campo elétrico uniforme pode ser obtido por meio de duas placas 28 planas paralelas eletrizadas com cargas opostas. O vetor campo elétrico irá se orientar no sentido da placa positiva para a placa negativa. Uma carga positiva puntiforme é liberada a partir do repouso em uma região do espaço onde o campo elétrico é uniforme e constante. Se a partícula se move na mesma direção e sentido do campo elétrico, a energia potencial eletrostática do sistema irá: a) aumenta e a energia cinética da partícula aumenta. b) diminui e a energia cinética da partícula diminui. c) e a energia cinética da partícula permanecem constantes. d) aumenta e a energia cinética da partícula diminui. e) diminui e a energia cinética da partícula aumenta. 7. Adaptada (UERJ 2019). Observa-se que a direção da força elétrica e da velocidade de deslocamento v de uma partícula, dependerá do sinal da sua carga elétrica. As cargas positivas são repelidas pela placa positiva e atraídas pela placa negativa, assim, movimentam-se na mesma direção do campo. Já as cargas negativas, deslocam-se na direção contrária em relação ao campo elétrico formado entre as placas. Nota-se que a medida em que uma carga elétrica se desloca dentro de campo elétrico, sua energia potencial diminui, porém, sua energia cinética aumenta. Este deslocamento indica que houve realização de trabalho pela força elétrica, ou seja, variação de energia potencial elétrica. Na ilustração, estão representados os pontos I, II, III e IV em um campo elétrico uniforme. Uma partícula de massa desprezível e carga positiva adquire a maior energia potencial elétrica possível se for colocada no ponto: a) I b) II c) III d) IV e) a energia adquirida em todos os pontos será a mesma. 8. Adaptada UFRGS – 2019 As linhas de força de um campo elétrico partem de cargas elétricas positivas e chegam em cargas elétricas negativas. Linhas de força do campo gerado por duas cargas elétricas de mesmo módulo, ambas positivas (a) e uma positiva 29 e a outra negativa (b) são mostradas na imagem a seguir. (a) (b) Na figura abaixo, está representado, em corte, um sistema de três cargas elétricas. A partir da interação entre as linhas de força dos campos elétricos criados pelas partículas 1,2 e 3 é correto afirmar que: a) As cargas 1 e 2 possuem sinais opostos b) As cargas 1 e 2 possuem sinais iguais c) As cargas 3 e 2 possuem sinais opostos d) As cargas 1, 2 e 3 possuem sinais iguais e) A carga 1 é a que produz campo elétrico com maior intensidade 30 POTENCIAL ELÉTRICO 31 Segundo HALLIDAY (2016) A afirmação de que o campo elétrico é um campo conservativo, indica que o trabalho realizado pela força elétrica sobre qualquer partícula eletrizada, não depende da trajetória, mas sim da posição inicial e final desta partícula dentro do campo. A diferença de potencial elétrico ∆o entre dois pontos de um campo elétrico, está associada ao trabalho que a força elétrica realiza sobre uma carga no deslocamento entre esses estes pontos, conforme equação 4. Sendo uma grandeza escalar, necessita apenas da intensidade e de uma unidade de medida, para ficar bem representada. No sistema internacional a unidade para diferença de potencial é Joule por Coulomb, também conhecida como Volt. Para ilustrar a diferença do conceito de potencial elétrico para o de energia potencial elétrica, considere o campo elétrico formado por uma partícula de carga geradora Q. Outra partícula eletrizada, com carga q, é colocada a uma distância d da primeira, conforme mostra a figura 14. 3.1 DEFINIÇÃO DE POTENCIAL ELÉTRICO ∆v = τ q O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, capítulo 23, pági- nas 71 a 90 traz conceitos importantes sobre o cálculo do potencial elétrico, a energia potencial elétrica, as superfícies equipotenciais dentre outros pontos que são base fundamental para compreensão deste material. Disponível em: https://bityli.com/SsohqnX. Acesso em 26 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS Figura 14: Uma carga geradora Q e uma carga de prova q, separadas por uma distância d. Fonte: Elaborado pelo autor (2022) 32 A carga q, nesta posição, possuirá energia potencial elétrica diretamente proporcional ao valor da carga elétrica geradora Q, ao valor da sua carga elétrica q e será inversamente proporcional à distância d, conforme mostra a equação 5. A potencial elétrica é uma grandeza escalar, que possui como unidade de medida pelo sistema internacional Joule (J) Segundo Halliday e Resnick (2016), a lei de Gauss relaciona o fluxo elétrico total Φ de um campo elétrico, através de uma superfície fechada, chamada de superfície gaussiana, com a carga resultante que é envolvida por essa superfície. A expressão matemática para a lei de Gauss é representada pela equação 6. Onde: 𝜀0 = constante de permissividade elétrica no vácuo ∅ = fluxo elétrico resultante Q = carga elétrica envolvida Tendo em vista que o fluxo elétrico que atravessa uma superfície é definido pela equação 7. Então, a lei de Gauss pode ser representada pela equação 8, a seguir 3.2 LEI DE GAUSS 𝐸𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑘0. 𝑄 𝑑 𝜀0.∅ = 𝑞𝑒𝑛𝑣 ∅ = �𝐸.𝑑𝐴 � � 𝜀0.�𝐸.𝑑𝐴 � � = 𝑞𝑒𝑛𝑣 33 Na equação 8, o termo qenv representa a soma algébrica de todas as cargas envolvidas na superfície e área A, independentemente se são negativas ou positivas. Caso a carga resultanteq seja maior do que zero, o fluxo resultante será para fora, do contrário o fluxo resultante será para dentro da superfície. A equação 8 é válida somente se, na região envolvida pela superfície gaussiana, existir apenas vácuo ou ar (que, para efeitos práticos, quase sempre pode ser considerado equi- valente ao vácuo). FIQUE ATENTO Figura 15: Duas cargas pontuais, de mesmo valor absoluto e sinais opostos, e as linhas de campo que representam o campo elétrico. Quatro superfícies gaussianas são vistas de perfil. A superfície S1 envolve a carga positiva. A superfície S2 envolve a carga negativa. A superfície S3 não envolve nenhuma carga. A superfície S4 envolve as duas cargas. Fonte: Segundo Halliday e Resnick (2016 p. 149) Para facilitar o entendimento a respeito da lei de Gauss, a figura 15 ilustra quatro superfícies gaussianas e duas cargas pontuais, de mesmo valor absoluto e sinais opostos, e as linhas de campo que representam o campo elétrico. Na região delimitada pela superfície S1, como a carga envolvida é positiva, o fluxo elétrico 𝛷, também será positivo e para fora em todos os pontos desta superfície. Já na superfície S2, a carga envolvida é negativa, assim, o fluxo elétrico será negativo e para dentro da superfície em todos os pontos. Com relação à superfície S3, o fluxo elétrico através dela será nulo, ou seja, as linhas que entram na região superior saem pela parte de baixo, já que a superfície não apresenta nenhuma carga elétrica. Por fim, como na superfície S4, as envolvidas possuem mesmo módulo e sinais opostos, a carga total será zero e, portanto, o fluxo de campo elétrico também será zero. 34 3.3 MOVIMENTOS SOCIAIS CAMPONESES EM MINAS GERAIS E se uma carga elétrica de grande valor Q fosse colocada nas proximidades da superfície S4 da figura 14? Segundo Halliday e Resnick (2016) a distribuição das linhas de campo seria modificada, en- tretanto, o fluxo total através das quatro superfícies gaussianas continuaria o mesmo. Isto ocorreria devido ao fato de que todas as linhas de campo produzidas pela carga Q atra- vessariam totalmente as quatro superfícies gaussianas sem contribuir para o fluxo total, ou seja, qualquer carga Q do lado de fora das quatro superfícies gaussianas não deve ser incluída na equação da lei de Gauss. VAMOS PENSAR? Os capacitores são componentes constituídos por duas placas condutoras isoladas e separadas, que se eletrizam com cargas opostas +q e –q. A Capacitância C é definida como a razão entre a carga elétrica armazenada e a diferença de potencial entre estas placas condutoras. Matematicamente, usa-se a expressão representada na série equação 9. Onde: q - carga elétrica armazenada em C (Coulomb). C- Capacitância em F (Faraday). V-diferença de potencial ou tensão elétrica em V (Volts). Os capacitores apresentam como principal função, acumular cargas elétricas em suas placas condutoras. Estes componentes eletrônicos são amplamente utilizados em circuitos elétricos diversos e possuem um material dielétrico que separa as duas placas condutoras. A figura 16 ilustra alguns tipos de capacitores existentes. 𝑞 = 𝐶.𝑉 Figura 16: Vários tipos de capacitores. Fonte: Segundo Halliday e Resnick (2016 p. 263) 35 1 Farad é uma quantidade relativamente grande para capacitância. É mais usual que seus Submúltiplos, como o microfarad (1 𝜇𝐹 = 10−6 𝐹) e o picofarad (1 𝑝𝐹 = 10−12𝐹), se- jam utilizados em aplicações comerciais. FIQUE ATENTO Inicialmente, para facilitar o entendimento, considere a figura 17. A imagem traz um capacitor simplificado formado por duas placas paralelas condutoras de área A e separadas por uma distância d, somente com ar entre elas. Durante o processo de carregamento, ocorre o acúmulo de cargas elétricas nas placas condutoras. Ao final, as placas possuirão cargas de mesmo valor, porém com sinais opostos. Neste momento, quando o capacitor se encontra carregado, define-se que a carga total é igual a q, ou seja, a carga somente de uma das placas, já que se a análise for realizada em todo o capacitor, a carga total será sempre zero. Todos os pontos de uma placa condutora estão sujeitos a mesma tensão ou diferença de potencial, assim, pode-se dizer que as placas são superfícies equipotenciais. Segundo HALLIDAY (2016) um ponto de grande relevância é que a constante de proporcionalidade C ou capacitância, é um parâmetro inerente ao processo de fabricação do capacitor, ou seja, seu valor depende da geometria das placas e não da carga e da diferença de potencial. A capacitância está relacionada com a quantidade de cargas elétricas a serem armazenadas nas placas para que seja atingida determinada diferença de potencial ou tensão entre elas. Para iniciar o processo de carregamento de um capacitor é preciso conectá-lo a uma fonte de tensão. Um exemplo, é o circuito ilustrado na figura 18(a) e esquematizado na figura 18(b), onde encontram-se a simbologia para a bateria, para a chave e do capacitor. A bateria irá fornecer a diferença de potencial. Figura 17: Um capacitor de placas paralelas, feito de duas placas de área A separadas por uma distância d. As cargas da superfície interna das placas têm o mesmo valor absoluto q e sinais opostos. (b) Como mostram as linhas de campo, o campo elétrico produzido pelas placas carregadas é uniforme na região central entre as pla- cas. Nas bordas das placas, o campo não é uniforme. Fonte: Segundo Halliday e Resnick (2016 p. 265) 36 Figura 18: (a) Circuito formado por uma bateria B, uma chave S e as placas a e b de um capacitor C. (b) Diagrama esquemático no qual os elementos do circuito são representados por símbolos. Fonte: Segundo Halliday e Resnick (2016 p. 266) Inicialmente o circuito está desligado visto que a chave S está aberta. O processo de carregamento do capacitor pode ser descrito pelas etapas a seguir: a) No momento em que a chave é fechada, o campo elétrico fornecido pela bateria, faz com que os elétrons migrem da placa “a” do capacitor para o terminal positivo da bateria. Assim, esta placa ficará carregada positivamente. b) O campo elétrico induz o fluxo do mesmo número de elétrons do terminal negativo da bateria para a placa b do capacitor, assim, ela ficará carregada negativamente. À medida em que as placas são carregadas, a diferença de potencial entre elas aumenta até o limite máximo do valor de tensão fornecido pela fonte. Neste momento, o campo elétrico nos fios do circuito tende a zero, os elétrons param de se deslocar; e então, o capacitor está carregado em sua totalidade. O livro ELETROMAGNETISMO de Hayt Jr e Buck, 8ª edição, capítulo 6, apresenta uma complementação de grande importância ao estudo da capacitância e dos capacitores, sobretudo, as associações em série e em paralelo. Disponível em: https://bityli.com/rMKQVs. Acesso em 25 jul. 2022. BUSQUE POR MAIS 37 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Toda carga elétrica produz um campo elétrico que se permeia pelo espaço, sendo capaz de produzir forças de atração ou repulsão sobre outras cargas elétricas. A interação entre cargas, portanto, dá origem a uma energia potencial, que pode ser transformada em energia cinética, no caso em que uma dessas cargas seja móvel, por exemplo. A expressão matemática para a energia potencial elétrica (EP) é dada pela expressão a seguir e ilustrada na imagem abaixo. 𝐸𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝑘0. 𝑄 𝑑 Leia as afirmações a seguir a respeito da energia potencial elétrica. I. A energia potencial elétrica é diretamente proporcional ao produto das cargas elétricas; II. A energia potencial elétrica é inversamente proporcional ao quadrado da distância entre as cargas; III. A determinação da energia independe do caminho seguido pela carga. É verdadeiro o que se afirma em: a) I, II e III b) II c) I d) II e III e) I e III 2. Adaptada (UFSM-RS) Uma partícula com carga 𝒒 = 2. 10−7 𝑪 se desloca do ponto A ao ponto B, que se localizam numa região em que existe um campo elétrico. A diferença de potencial VA– VB entre os dois pontos considerados vale, em V. Durante esse deslocamento, a força elétrica realiza um trabalho igual a 𝟒. 10−3 𝑱 sobre a partícula, conforme mostra a figura a seguir. 38 É correto afirmar que diferença de potencial em Volts, entre os dois pontos considerados vale: a) −8 𝑥10−10 b) 8 𝑥10−10 c) −2 𝑥 104 d) 2 𝑥 104 e) 0,5 𝑥10−4 3. Chama-se Campo Elétrico o campo estabelecido em todos os pontos do espaço sob a influência de uma carga geradora de intensidade Q, de forma que qualquer carga de prova de intensidade q fica sujeita a uma força de interação (atração ou repulsão) exercida por Q. Já uma carga de prova, é definida como um corpo puntiforme de carga elétrica, utilizado para detectar a existência de um campo elétrico, também possibilitando o cálculo de sua intensidade. Quando uma carga elétrica é abandonada em repouso em uma região com campo elétrico, desprezando os efeitos da gravidade e de quaisquer forças dissipativas, podemos dizer que: a) A carga sofrerá a ação de um trabalho resistente pela força elétrica, uma vez que a força que surge sobre ela é contrária ao seu deslocamento. b) Sua energia cinética aumenta, apesar de sua energia potencial elétrica permanecer constante. c) Sua energia cinética permanece constante, já que a força resultante sobre a carga é nula. d) Sua energia potencial decresce enquanto sua energia cinética aumenta, por causa do trabalho motor da força elétrica. e) Sua velocidade mantém-se constante, já que sua energia cinética permanece inalterada. 4. Adaptada (UFV-2005) Os capacitores são componentes constituídos por duas placas condutoras isoladas e separadas, que se eletrizam com cargas opostas +q e –q. A Capacitância C é definida como a razão entre a carga elétrica armazenada e a diferença de potencial entre estas placas condutoras. Do ponto de vista prático, a capacitância indica qual é a quantidade de cargas que um capacitor consegue “segurar” para uma determinada diferença de potencial. A capacitância também depende de fatores 39 geométricos, isto é, da distância entre as placas do capacitor e da área dessas placas. Por isso, para o caso dos capacitores de placas paralelas, pode-se determinar sua capacitância por meio da seguinte equação: 𝐶 = ∈0. 𝐴 𝑑 ∈0 — Permissividade dielétrica do vácuo (F/m) A — área das placas (m²) d — distância entre as placas (m) Duplicando-se a diferença de potencial entre as placas de um capacitor, é CORRETO afirmar que: a) a carga e a capacitância do capacitor também são duplicadas b) a carga e a capacitância do capacitor permanecem constantes c) a carga do capacitor é duplicada, mas sua capacitância permanece constante d) a carga e a capacitância do capacitor são reduzidas à metade dos valores iniciais e) a carga do capacitor é duplicada, e sua capacitância é dividida pela metade 5. Capacitores são dispositivos utilizados para o armazenamento de cargas elétricas. Existem capacitores de diversos formatos e capacitâncias. Não obstante, todos compartilham algo em comum: são formados por dois terminais separados por algum material dielétrico. Os capacitores são utilizados em diversas aplicações tecnológicas. Quando ligados a uma diferença de potencial, um campo elétrico forma-se entre suas placas, fazendo com que os capacitores acumulem cargas em seus terminais, uma vez que o dielétrico em seu interior dificulta a passagem das cargas elétricas através das placas. A propriedade que mede a eficiência de um capacitor em armazenar cargas é a capacitância. A capacitância é uma grandeza física medida em unidades de Coulomb por Volt, mais conhecida como Farad (F), em homenagem ao físico inglês Michael Faraday (1791-1867). Dizemos que 1 Farad é equivalente a 1 Coulomb por Volt. A fórmula utilizada para calcular a capacitância é esta, confira: 𝐶 = 𝑄 𝑉 C — Capacitância (F) Q — carga elétrica (C) V— tensão elétrica (V) Um capacitor consegue armazenar cargas de até 1nC para uma diferença de potencial entre suas placas de 1mV. Indique, entre as alternativas abaixo, o módulo da capacitância desse dispositivo: a) 3. 10−3 𝐹 b) 1. 10−6 𝐹 c) 1. 10−3 𝐹 40 d) 5. 10−6 𝐹 e) 4. 10−5 𝐹 6. Entre as placas dos capacitores, costuma-se inserir um material dielétrico preferencialmente ao vácuo. A capacitância indica qual é a quantidade de cargas que um capacitor consegue armazenar para uma determinada diferença de potencial. A capacitância depende de fatores geométricos, isto é, da distância entre as placas do capacitor e da área dessas placas. Além disso, a permissividade do material dielétrico é uma grandeza diretamente proporcional em relação ao valor da capacitância, conforme mostra a equação a seguir: 𝐶 = ∈0. 𝐴 𝑑 ∈0 — Permissividade dielétrica do vácuo (F/m) A — área das placas (m²) d — distância entre as placas (m) É correto afirmar que a inserção de um material dessa natureza entre as placas de um capacitor: a) aumenta a sua capacitância por causa da sua maior permissividade elétrica b) aumenta a sua capacitância, diminuindo a quantidade de cargas entre as suas placas c) não afeta a sua capacitância d) diminui a sua capacitância, por causa da sua maior permissividade elétrica e) não afeta a formação do campo elétrico entre as placas do capacitor 7. (Adaptada de Uepa) um componente elétrico utilizado tanto na produção como na detecção de ondas de rádio, o capacitor, pode também ser útil na determinação de uma grandeza muito importante do eletromagnetismo: a permissividade elétrica de um meio. Para isso, um estudante, dispondo de um capacitor de placas paralelas, construído com muita precisão, preenche a região entre as placas com uma folha de mica de 1,0 mm de espessura e registra, com um medidor de capacitância, um valor de 0,6 nF. Sabendo que a capacitância em capacitores de placas paralelas pode ser calculada pela expressão 𝐶 = 𝜀 . 𝐴 𝑑 e que as placas são circulares, com diâmetro igual à 20 cm, é correto afirmar que a permissividade elétrica da mica, em F, é igual a: Dados: Adote 𝜋 = 3 e 1 𝑛𝐹 = 10−9 𝐹 a) 2 𝑥 10−12 b) 4 𝑥 10−12 c) 10 𝑥 10−10 d) 20 𝑥 10−12 e) 25 𝑥 10−11 8. A respeito da capacitância e da energia potencial elétrica armazenada em um capacitor, julgue os itens a seguir: 41 I. A capacitância é diretamente proporcional à permissividade elétrica do meio onde está o capacitor. II. Quanto maior a distância entre as placas de um capacitor, maior será sua capacitância. III. A energia potencial elétrica armazenada em um capacitor não depende da capacitância, mas apenas da diferença de potencial estabelecida entre as placas de um capacitor. IV. Os desfibriladores são exemplos de aplicação do estudo de capacitores. V. A área das placas paralelas que compõem o capacitor é diretamente proporcional à capacitância. Está correto o que se afirma em: a) I, II, IV e V b) I, II, III e V c) I, II, III, IV e V d) III, IV e V e) I, IV e V 42 ELETRODINÂMICA 43 A eletrodinâmica é a área da física que aborda o movimento ordenado das cargas elétricas, bem como as causas e efeitos deste movimento nos circuitos elétricos. O estudo da eletrodinâmica, permite ampliar o entendimento a respeito do princípio de funcionamento de diversas tecnologias que utilizam componentes eletrônicos. 4.1 A CORRENTE ELÉTRICA O conceito de corrente elétrica está associado ao fluxo ordenado de cargas elétricas que atravessa determinada secção de um material por unidade de tempo. Então, a intensidade de uma corrente elétrica I pode ser representada matematicamente conforme a equação 10, a seguir. No sistema internacional, a unidade de medida para corrente elétrica é o ampere “A”, que é equivalente a Coulomb por segundo (C/s). Em condições naturais, o movimento dos elétrons livres nos metais é desordenado, entretanto, diante da existência de uma diferença de potencial elétrico (um polo negativo e outro positivo) que pode serfornecida, por exemplo, por pilhas e baterias, haverá formação de campo elétrico no interior do condutor, fazendo com que os elétrons fluam de maneira ordenada, dando origem a corrente elétrica. Um ponto fundamental para o entendimento teórico sobre corrente elétrica é diferenciar corrente elétrica real de corrente elétrica convencional. Sabe-se que no interior dos condutores, são os elétrons livres que estão em movimento, são eles que transportam energia elétrica e calor, não os prótons (cargas positivas). No entanto, foi convencionado, por questões históricas, somente para fins de análise e cálculo de circuitos, que a corrente elétrica é um movimento de cargas elétricas do polo positivo para o polo negativo e que se desloca em sentido contrário ao da corrente elétrica real. Existem dois tipos de corrente elétrica, a corrente continua e a corrente alternada. No primeiro tipo, o campo elétrico e a corrente, permanecem na mesma direção durante o funcionamento do circuito, já nos circuitos que trabalham com corrente alternada, tanto a direção do campo elétrico, quanto ao da corrente variam com o tempo. Como exemplos, pode-se citar as pilhas e baterias como fonte de corrente contínua e como fonte de corrente alternada, a geração hidrelétrica que alimenta nossas residências. Uma das maneiras de converter corrente alternada (CA) em corrente continua (CC) é por meio dos retificadores, assim, torna-se possível o uso da energia da rede fornecida pelas concessionárias em aparelhos eletrônicos de corrente continua. 𝐼 = 𝑑𝑞 𝑑𝑡 44 O livro ELETROMAGNETISMO de Hayt Jr e Buck, 8ª edição, página 110, realiza um aprofundamento teórico no conceito de corrente elétrica e densidade de correte. Disponível em: https://bityli.com/KmSUkxr. Acesso em 22 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS 4.2 LEIS DE OHM E RESISTÊNCIA ELÉTRICA Realizando diversos experimentos na área da eletrodinâmica, o físico Georges Ohm enunciou a primeira lei de Ohm quando observou que para alguns condutores a relação entre diferença de potencial (ou tensão) e corrente elétrica (V/I) permanecia constante mesmo alterando a tensão de alimentação do circuito. Esta relação recebeu o nome de resistência elétrica R e como unidade de medida, Ohm, cujo símbolo é Ω. A expressão matemática 11, mostra como é feito o cálculo da resistência elétrica. A resistência elétrica de determinado material possui relação com o grau de dificuldade que a corrente elétrica tem em fluir por ele. Todo material resistivo que obedece a primeira lei de Ohm é considerado um resistor ôhmico. É importante ressaltar que a equação 11, pode ser utilizada para o cálculo da resistência elétrica de resistores ôhmicos ou não, pois ela por si só, não constitui a lei de Ohm. De acordo com YOUNG E FREEDMAN (2009), o valor da resistência elétrica dos materiais considerados ôhmicos, é diretamente proporcional ao comprimento, a resistividade e inversamente proporcional a área da secção transversal do mesmo, como mostra a figura 19. A expressão matemática que relaciona os parâmetros geométricos do condutor com o valor da resistência elétrica do mesmo, foi nomeada, segunda lei de Ohm, 𝑉 = 𝑅. 𝐼 Figura 19: fio condutor de comprimento L e área de secção transversal A. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 45 Onde: R - Resistência elétrica em Ohm (Ω); 𝜌 - Resistividade do material em (Ω x m); L - Comprimento do condutor (m); A - Área da secção transversal do condutor em (m²). 4.3 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO 𝑅 = 𝜌. 𝐿 𝐴 É importante considerar que, no caso de fios com formato cilíndrico, suas áreas transver- sais são circulares e devem ser calculadas por π.r². Assim, por mais que a área do fio condu- tor seja inversamente proporcional à sua resistência elétrica, quando o problema apresen- tar o raio ou diâmetro do fio, devemos considerar que a relação destes com a resistência elétrica será quadrática. VAMOS PENSAR? O livro Física III, ELETROMAGNETISMO de Young e Freedman, na página 140, apresenta uma discussão ampla sobre os conceitos de resistividade e condutivi- dade, bem como os valores tabelados para uma ampla gama de materiais.. Disponível em: https://bityli.com/JVvEYH. Acesso em 22 jun. 2022. BUSQUE POR MAIS De acordo com YOUNG E FREEDMAN (2009) A resistividade elétrica é uma propriedade inerente ao material e é determinada experimentalmente e tabelada. O inverso da resistividade é a condutividade, ou seja, quanto menos resistivo for o material, melhor condutor de eletricidade ele será. Em contrapartida, materiais isolantes como vidro e borracha, correspondem aos maiores valores de resistividade. São equipamentos ou aparelhos projetados com o propósito de medir diversas grandezas físicas. Para o caso em específico dos instrumentos de medição utilizados em eletricidade, podem ser tanto digitais, quanto analógicos, com diferentes capacidades de precisão. Dentre muitos, pode-se citar: o osciloscópio, que permite visualização gráfica de várias grandezas elétricas em função do tempo, o terrômetro, para medir resistência elétrica de aterramento, o wattímetro, para se medir potência elétrica, o amperímetro para se medir corrente elétrica, o voltímetro que possui finalidade de medir diferença de potencial (ou tensão elétrica) etc. Um dos instrumentos mais comuns é o multímetro, conforme mostra a equação 12. 46 Figura 20: multímetro digital Fonte: Disponível em: https://bityli.com/HANEkt. Acesso em: 30 jun. 2022. Figura 21: circuito elétrico com bateria, dois resistores e amperímetro ligado em série. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). por apresentar grande versatilidade e boa variedade de funções, pois pode ser ajustado para medir resistência elétrica, corrente, tensão continua e alternada dentre outras. A figura 20 ilustra um multímetro digital com algumas das funções citadas. Observa-se na figura 20, alguns símbolos importantes ao manuseio do instrumento. O símbolo V– representa a posição de ajuste para se medir tensão contínua, V~, tensão alternada, Ω resistência elétrica e A- corrente contínua. As faixas de valores servem como referência e devem ser escolhidas com base na intensidade da grandeza a ser medida. Por exemplo, se o objetivo for medir a resistência de um resistor com valor aproximado de 80Ω, a ponta do cursor deverá ser posicionada no 200 da escala (o primeiro ponto). Para que as medições sejam realizadas de forma correta e sem danificar o instrumento, alguns cuidados devem ser tomados. O primeiro deles é que para se medir corrente elétrica, além de posicionar o cursor corretamente dentro do campo próprio para corrente, deve-se “abrir” o circuito de modo que toda a corrente elétrica que se deseja medir passe dentro do instrumento, assim, o multímetro passa a se comportar como amperímetro, conforme mostra a figura 21. 47 Quando o multímetro é ajustado para se medir tensão, ele passa a se comportar como voltímetro. Um bom voltímetro deve possuir alta resistência elétrica já que será ligado em paralelo ao componente ou ramo em que se deseja medir a tensão, conforme mostra a figura 22. Um bom amperímetro deve possuir resistência elétrica muito baixa para evitar interferên- cia no valor da corrente elétrica a ser medido. É comum, na literatura, dizer que o amperí- metro é ideal quando sua resistência interna é zero. FIQUE ATENTO Figura 22: circuito elétrico com bateria, dois resistores e voltímetro ligado em paralelo. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Para que um voltímetro seja considerado ideal, deve possuir resistência elétrica infinita. Em outras palavras, quando maior for sua resistência interna em comparação ao circuito, menos ele irá interferir na medição da tensão. FIQUE ATENTO 48 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A lei de Ohm declara que a resistência elétrica de cada condutor de uma ampla classe de condutores, especialmente os metálicos, é uma constante (quando outros fatores externos não interferem no condutor em foco) e, neste caso, pela definição de resistência R=V/i,