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## Resumo sobre Teoria Geral do Processo e Direito Processual CivilO estudo do Direito Processual Civil inicia-se com uma análise histórica que revela sua evolução desde a antiguidade até os dias atuais. Na antiguidade e na Idade Média, não havia uma ciência autônoma do processo, e o direito processual não era separado do direito material. O desenvolvimento do direito processual ocorreu principalmente na época Romano-Germânica, ainda como um ramo do direito material. No direito romano, o processo civil passou por três fases distintas: a fase das *Legis Actiones*, predominantemente oral; o período formulário, com base escrita; e a fase da *Extraordinária Cognitio*, em que o direito processual se consolidou com princípios e regras para o exercício da jurisdição e formação do processo. Durante a Idade Média, o processo civil dos povos bárbaros baseava-se em superstições e ritos, como as provas ordálias, que eram consideradas juízo divino. O processo civil moderno marca a autonomia do processo em relação ao direito material, com preocupações atuais como a universalização da justiça e a lentidão processual. A constitucionalização do direito processual é uma tendência contemporânea, onde as normas processuais são interpretadas à luz da Constituição Federal, que ocupa o topo da pirâmide normativa segundo Kelsen.No Brasil, o direito processual civil passou por diversas fases legislativas. Durante o período colonial, vigoraram as Ordenações Filipinas, seguidas pelo Regulamento 737 de 1850, que tratava das causas comerciais. A Constituição de 1891 conferiu aos estados a competência para legislar sobre processo civil, resultando em códigos estaduais. Em 1934, a competência voltou à União, mas os códigos estaduais só foram revogados com o Código de Processo Civil de 1939. Posteriormente, o CPC de 1973, elaborado por Alfredo Buzaid, vigorou até a promulgação do Novo Código de Processo Civil em 2015, que entrou em vigor em 2016. Este novo código trouxe inovações importantes, como a valorização dos princípios constitucionais do processo e a separação clara entre direito material e processual.As normas fundamentais do processo civil, previstas nos artigos 1º a 15 do CPC/15, estabelecem os princípios processuais e a aplicação das normas processuais, sempre subordinadas à Constituição Federal. Entre os princípios constitucionais processuais destacam-se oito que orientam a disciplina do processo civil, embora não seja necessário decorá-los, é fundamental compreendê-los para a correta aplicação do direito. Além dos princípios constitucionais, existem princípios infraconstitucionais que complementam o ordenamento processual. As fontes do direito processual civil são as mesmas do direito em geral, divididas em fontes imediatas, como a lei, e mediatas, como a doutrina e a jurisprudência. A lei, especialmente o Código de Processo Civil, é a principal fonte, regulando a forma e os termos do processo. A doutrina, composta por estudos e teses de juristas renomados, e a jurisprudência, com decisões judiciais e súmulas vinculantes, desempenham papel fundamental na interpretação e aplicação do direito processual.A jurisdição é uma função essencial do Estado, distinta das funções legislativa e administrativa, e consiste na aplicação da lei aos casos concretos para solucionar conflitos de interesse de forma coercitiva. A jurisdição tem como objetivo principal a pacificação social e a garantia da justiça. É importante diferenciar jurisdição de competência: a jurisdição é o poder de aplicar o direito, enquanto a competência é a medida ou limite desse poder atribuído a um órgão específico. A jurisdição pode ser classificada em três espécies principais: contenciosa (quando há litígio entre partes) e voluntária (sem litígio); quanto ao objeto, civil ou penal; e quanto ao órgão que a exerce, comum ou especial (como a trabalhista, eleitoral e militar). As garantias dos magistrados são divididas em garantias de independência, que protegem a autonomia do juiz, e impedimentos, que asseguram sua imparcialidade, proibindo, por exemplo, o exercício simultâneo de cargos incompatíveis, a participação em atividades político-partidárias e a advocacia em juízo onde atuou recentemente.A organização da justiça estadual no Brasil é fundamentada na Constituição Federal, na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, no Estatuto da Magistratura e nas Constituições estaduais. O sistema judiciário estadual é estruturado em dois graus de jurisdição: o primeiro grau, composto pelos juízos de primeiro grau localizados nas comarcas, que abrangem municípios e distritos, e o segundo grau, representado pelos Tribunais de Justiça, sediados nas capitais dos estados. As comarcas são divididas em varas, onde atuam os juízes, e ofícios, que são os cartórios responsáveis pela organização dos processos. A Justiça Militar Estadual, presente em alguns estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, possui competência para julgar crimes militares, com estrutura semelhante à justiça comum, mas com varas substituídas por auditorias militares.No âmbito da Justiça da União, a Constituição de 1988 organiza quatro justiças federais: a Justiça Federal comum, a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e a Justiça Militar da União. A Justiça Federal comum é composta por juízos federais de primeiro grau e pelos Tribunais Regionais Federais (TRFs), que possuem competência originária e recursal. A Justiça Militar da União é formada pelo Superior Tribunal Militar e pelos Conselhos de Justiça Militar, com competência penal militar. A Justiça Eleitoral é composta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunais Regionais Eleitorais, juntas eleitorais e juízes eleitorais, sendo responsável pela organização e fiscalização das eleições. A Justiça do Trabalho é formada pelo Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais Regionais do Trabalho e varas do trabalho, atuando na resolução de conflitos trabalhistas. Cada uma dessas justiças possui estrutura própria, competências específicas e composição definida pela Constituição e legislação infraconstitucional.### Destaques- O direito processual civil evoluiu da antiguidade até a atual constitucionalização, ganhando autonomia em relação ao direito material.- No Brasil, o processo civil passou por várias fases legislativas, culminando no Novo Código de Processo Civil de 2015, que reforça os princípios constitucionais.- A jurisdição é a função estatal de aplicar a lei para resolver conflitos, diferenciando-se da competência, que delimita o alcance dessa função.- As garantias dos magistrados asseguram sua independência e imparcialidade, fundamentais para a justiça.- A organização da justiça no Brasil é dividida entre justiças estaduais e da União, cada uma com competências e estruturas específicas, incluindo a Justiça Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar.