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EaD UNISANTA UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA Curso de Bacharelado em Serviço Social RELATÓRIO DE ESTUDOS DISCIPLINARES II - GRUPOS VULNERÁVEIS PESQUISA TEÓRICA Aluna: Elizabeth Alves Cabral RA: ___________________________ Curso: Serviço Social Semestre: _____________________ Pretende aprofundar-se no tema? Sim ( X ) Não ( ) Outros: _______________________ Carga Horária: 80 horas Segmento e Minoria Social escolhida: Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, nível de suporte 1. Título do relatório: A invisibilidade das pessoas com TEA nível de suporte 1: capacitismo, sofrimento psicossocial e desafios para garantia de direitos Você teve dificuldades em acessar os conteúdos? Sim ( ) Não ( X ) Outros: _______________________ O Serviço Social pode ter uma atuação relevante nesse segmento? Sim ( X ) Não ( ) 1 - Introdução O Transtorno do Espectro Autista, TEA, constitui uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta de diferentes formas e exige da sociedade uma compreensão ética, ampla e livre de estereótipos. Entretanto, pessoas com TEA nível de suporte 1 ainda vivenciam forte invisibilidade social, especialmente por apresentarem funcionalidade em algumas atividades escolares, profissionais e cotidianas. Essa aparente autonomia, muitas vezes, leva à descredibilização do diagnóstico e à falsa ideia de que essas pessoas não necessitam de apoio, adaptações ou garantia de direitos. A escolha desse segmento justifica-se pela relevância social do tema, considerando que a falta de conhecimento da sociedade civil, o capacitismo e a negação das barreiras vivenciadas por pessoas autistas reforçam processos de exclusão. Assim, torna-se necessário analisar essa realidade a partir do Serviço Social, compreendendo o TEA não apenas como questão clínica, mas também como expressão das relações sociais, das barreiras institucionais e da luta por reconhecimento e cidadania. 2 - Desenvolvimento A vulnerabilidade social, conforme discutida nos estudos sobre grupos vulneráveis, não pode ser compreendida de forma limitada ou individualizada. Ela envolve fatores históricos, sociais, econômicos, culturais e políticos que dificultam o acesso de determinados grupos aos direitos e às políticas públicas. Nesse sentido, pessoas com TEA nível de suporte 1 podem ser compreendidas como grupo vulnerável quando suas necessidades são invisibilizadas, seus diagnósticos são questionados e suas formas de existir são julgadas a partir de padrões neurotípicos. Um dos principais desafios enfrentados por esse grupo é o capacitismo, entendido como discriminação contra pessoas com deficiência, baseada na ideia de que todos devem funcionar conforme um padrão considerado “normal”. No TEA nível de suporte 1, esse preconceito aparece de forma sutil, mas profundamente violenta, por meio de falas como “você nem parece autista”, “isso é exagero” ou “se consegue estudar e trabalhar, não precisa de apoio”. Tais discursos ignoram que ser funcional em algumas situações não significa ausência de sofrimento. Muitas pessoas autistas utilizam o chamado masking, ou mascaramento social, como estratégia para se adequar às expectativas sociais. Esse processo envolve reprimir comportamentos, esconder desconfortos, imitar formas de comunicação e suportar ambientes sensorialmente hostis. Até a chegada do diagnóstico, é comum que essas pessoas vivenciem anos de sofrimento psíquico, muitas vezes associado a comorbidades como ansiedade, depressão, crises de pânico, alterações do sono e esgotamento emocional, sem compreenderem plenamente a origem de suas dificuldades. Assim, passam parte da vida tentando funcionar socialmente enquanto se sentem estranhas ao mundo, inadequadas ou deslocadas. Embora possa parecer adaptação, o mascaramento contínuo pode gerar isolamento, perda de identidade e burnout autista. Além disso, estímulos intensos, mudanças inesperadas de rotina e exigências sociais excessivas podem provocar desregulações, meltdowns e shutdowns, frequentemente interpretados de forma equivocada como birra, grosseria, frieza, desinteresse ou dificuldade de convivência. Essa interpretação revela a ausência de conhecimento social sobre o autismo e reforça a violação de direitos já conquistados. A Lei Berenice Piana reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, e a Lei Brasileira de Inclusão reafirma o dever do Estado e da sociedade na eliminação de barreiras. Portanto, o reconhecimento do TEA nível de suporte 1 não deve depender da visibilidade externa da deficiência, mas da compreensão das barreiras atitudinais, sensoriais, comunicacionais e institucionais enfrentadas por essas pessoas. O Serviço Social possui papel fundamental nesse debate, pois atua na defesa de direitos, no enfrentamento das desigualdades e na mediação entre sujeitos, famílias, instituições e políticas públicas. Sua intervenção deve ocorrer por meio da escuta qualificada, orientação social, articulação com a rede de saúde, educação e assistência social, fortalecimento das famílias e combate às práticas discriminatórias. Cabe ao assistente social contribuir para que pessoas autistas sejam reconhecidas como sujeitos de direitos, e não como indivíduos obrigados a provar continuamente sua deficiência para acessar proteção social. 3 - Conclusão A invisibilidade das pessoas com TEA nível de suporte 1 revela uma forma específica de vulnerabilidade social, marcada pelo capacitismo, pela descredibilização diagnóstica e pela negação de necessidades que nem sempre são visíveis. A aparente funcionalidade não elimina o sofrimento, nem anula a necessidade de apoio, acolhimento e adaptações. Ao contrário, muitas vezes esconde processos intensos de mascaramento, sobrecarga sensorial, desregulação e esgotamento emocional. O diagnóstico, quando realizado de forma responsável e acolhedora, pode representar um marco importante, pois permite ressignificar vivências antes interpretadas como inadequação, estranhamento ou fracasso pessoal. Ao compreender suas características, comorbidades, limites e formas próprias de funcionamento, a pessoa autista passa a se reconhecer como sujeito de direitos e parte da diversidade humana. Para o Serviço Social, esse tema exige atuação crítica, humanizada e comprometida com os direitos humanos, a inclusão social e a construção de políticas públicas capazes de acolher a diversidade humana em sua integralidade. 4 - BIBLIOGRAFIA BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. CFESS. Código de Ética Profissional do/a Assistente Social. IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2010. UNISANTA. Estudos Disciplinares II, Grupos Vulneráveis. Guia da Disciplina. Me. Rogério Santos Ferreira.