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SERVIÇO SOCIAL INTEGRADO 
Dra. Giselle Soares 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 
 
1 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. SERVIÇO SOCIAL E SOCIEDADE 
 
Objetivo 
Relacionar o serviço social enquanto profissão com o conjunto das relações sociais 
e com a produção material do serviço social. 
 
Introdução 
O serviço social como profissão se insere na divisão sociotécnica do trabalho, ao 
mesmo tempo, tem como propósito realizar diferentes formas de intervenção que responda 
ao conjunto das expressões da questão social constitutivas da nossa sociedade. 
 
1.1. Serviço Social como Profissão 
O serviço social é uma profissão que se insere no conjunto das relações sociais 
construídas a partir da produção e reprodução material da vida social. Sabemos que sua 
formação se vincula à tentativa de responder minimamente às contradições sociais, ao 
conjunto de fatos que retratam em nossa sociedade a realidade multifacetada da questão 
social. 
 
Nesse sentido, a profissão se consolida com a construção dos direitos sociais, 
intervindo em diferentes espaços sócio-ocupacionais e respondendo às diversas situações 
de violação de direitos presentes na vida social. Tal intervenção é a própria prática 
profissional e caracteriza a existência da profissão e todo o debate que circunda a relação 
entre teoria e prática. 
 
O enfrentamento da questão social e a intervenção em situações de violação de 
direitos configuram desafios ao exercício da profissão, mas não são os únicos. Além deles, 
podemos considerar a questão em torno da afirmação da identidade da profissão, podemos 
considerar a questão da profissão como parte do conjunto das profissões de nossa 
sociedade. 
 
A prática profissional do serviço social se realiza pelo trabalho técnico, pela ação 
profissional interventiva que demanda formação e que se configurou como tal a partir de 
um processo de afirmação e luta não só social, mas também da existência da profissão. 
 
 
2 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Afinal, o serviço social se insere no movimento da sociedade, sendo também produto da 
história e do tempo, ao qual ela se insere. 
 
https://www.cresspr.org.br/site/ser-assistente-social-e-atuar-em-defesa-dos-direitos-humanos 
 
Nesse quadro, é necessário destacar o fato de o profissional de serviço social 
enfrentar os mesmos dilemas que enfrentam os demais trabalhadores formais ou informais 
que se inserem no mercado de trabalho, pois com as novas configurações do trabalho 
passamos a lidar com situações diferenciadas. 
 
1.2. Serviço Social e Trabalho 
No curso da vida social a questão social e o trabalho assumiram formas 
diferenciadas, demandando ações e intervenções estatais, bem como das estratégias 
governamentais. 
 
Durantes as fases iniciais do capitalismo, até o fordismo o trabalho foi atividade social 
de destaca, pois, a sociedade girava em torno de sua realização e de sua capacidade de 
produção, porém a crise do capital instituída desde as décadas finais do século XX gerou 
um processo de flexibilização das relações de trabalho. “No contexto da reestruturação 
produtiva e das políticas neoliberais, a partir do suposto receituário para enfrentamento da 
crise do capital diante dos seus processos de mundialização e financeirização” (Raichelis, 
2011, p.420). 
 
https://www.cresspr.org.br/site/ser-assistente-social-e-atuar-em-defesa-dos-direitos-humanos
 
 
3 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
http://www.assufba.org.br/novo/desemprego-subocupacao-e-precarizacao 
 
Raichelis destaca as consequências da flexibilização para o trabalho, bem como a 
maximização dos lucros e o aumento da competitividade, inclusive na realidade social 
brasileira. 
 
No caso do Brasil, onde a precarização do trabalho, a rigor, não pode ser tratada 
como um fenômeno novo, considerando sua existência desde os primórdios da 
sociedade capitalista urbano-industrial, as diferentes formas de precarização do 
trabalho e do emprego assumem na atualidade novas configurações e 
manifestações, especialmente a partir dos anos 1990, quando se presenciam mais 
claramente os influxos da crise de acumulação, da contrarreforma do Estado e da 
efetivação das políticas neoliberais (Raichellis, 2011, p.421). 
 
Desse modo, a prática profissional e a própria profissão passaram a enfrentar os 
desafios constitutivos da nova dinâmica da vida social, situação que indica o quanto o 
movimento processual da realidade social, bem como a intensidade, a qual a profissão 
vincula-se à realidade social. 
 
Raichellis (2011, p.422) destaca que a “dinâmica flexibilização/ precarização atinge 
também o trabalho do assistente social nos diferentes espaços institucionais”, entre as 
consequências desse processo podemos considerar a “insegurança do emprego, precárias 
formas de contratação” e, ainda “ausência de políticas de capacitação profissional”. Há 
outras características que demonstram a realização da precarização do trabalho. 
 
Cabe ressaltar que a reflexão sobre a inserção do trabalho do assistente social no 
quadro de flexibilização das relações de trabalho faz parte do exercício de entre teoria e 
prática que define a profissão, ou seja, só podemos alterar a dinâmica das relações sociais 
quando tomamos consciência do processo, ao qual nos inserimos. 
 
http://www.assufba.org.br/novo/desemprego-subocupacao-e-precarizacao%20Acesso%20em%2020/10/21
 
 
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1.3. Serviço Social na Divisão Sociotécnica do Trabalho 
O serviço social se institui como profissão no contexto do capitalismo monopolista e 
seu processo de institucionalização profissional se dá a partir do processo de intervenção 
demandada ao Estado para promover ações e políticas sociais capazes de responder aos 
efeitos causados pela questão social. 
 
Nesse processo, o serviço social tem sua trajetória marcada pela construção da 
autorrepresentação de sua profissão e de “discurso centrados na autonomia dos seus 
valores e de sua vontade” (Netto, 2005, p.71-72). O autor considera que o fazer profissional 
se insere em atividades interventivas, 
 
[...] cuja dinâmica, organização, recursos e objetivos são determinados para além 
do seu controle. [...], o que [esse] deslocamento altera visceralmente, concretizando 
a ruptura, é, objetivamente, a condição do agente e o significado social de sua ação; 
o agente passa a inscrever-se numa relação de assalariamento e a significação 
social de seu fazer passa a ter um sentido novo na malha da reprodução das 
relações sociais. Em síntese: é com esse giro que o Serviço Social se constitui como 
profissão, inserindo-se no mercado de trabalho, com todas as consequências daí 
derivadas (principalmente com o seu agente tornando-se vendedor da sua força de 
trabalho) (Netto, 2005, p. 71-72). 
 
Desse modo, a profissão de assistente social se soma às demais profissões e passa 
a contribuir à mercantilização das relações e à produção de valor que se volta ao processo 
de ampliação do capital, mas ao mesmo tempo o exercício da profissão requer formação 
específica e demanda a realização de trabalho social e técnico. Além disso, demanda 
desenvolvimento de uma prática que se utiliza de “recursos materiais, humanos e 
financeiros para o para o desenvolvimento de programas, projetos serviços, benefícios e 
de um conjunto de outras atribuições e competências, de atendimento direto ou em nível 
de gestão e gerenciamento institucional” (Raichellis, 2011, p.425). 
 
 
 
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https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.123/3519 
 
O desenvolvimento de ações institucionais seja no setor público, seja no setor 
privado pode levar ao comprometimento da autonomia da profissão, embora
e o retorno a elas. O conhecimento adquirido através deste movimento 
possibilita sistematizações e construções teórico-metodológicas que orientam a 
direção e as estratégias de ação e da formação profissional (dimensão formativa), 
bem como permite aprofundar os fundamentos teóricos que sustentam as 
intervenções profissionais (Guerra, 2017, p.63). 
 
Nesse sentido, o caráter interventivo da profissão reflete todo o conjunto teórico, ao 
qual o profissional deve ter apropriado em sua formação, considerando que esse processo 
deve se constituir de forma perene. 
 
https://ecoa.puc-rio.br/ 
 
No entanto, essa intervenção revela a necessidade também da apropriação de um 
conjunto de técnicas, legislações, princípios éticos, ou seja, a intervenção profissional se 
realiza por meio de uma ação racional, projetada, planejada e avaliada, exigindo que essa 
intervenção expresse um “conjunto de valores e princípios que permitem ao assistente 
social escolhas teóricas, técnicas, éticas e políticas” (Guerra, 2017, p.65). 
 
Ao fazer escolhas, no que se refere às finalidades estabelecidas aos meios 
(condições, instrumentos e técnicas) para alcançá-las, que resposta dar e em que 
direção, o assistente social exerce sua dimensão ético-política, a qual se preocupa 
com os valores (de que valem as respostas dadas) e com direção social delas (que 
https://ecoa.puc-rio.br/
 
 
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conjunto de forças está sendo contemplado nas respostas). Mas não o faz sem 
conflitos éticos que são próprios dos homens e mulheres que partilham desta 
experiência contraditória de viver no mundo burguês (Guerra, 2017, p.65). 
 
Tais aspectos remetem à contradição constitutiva da vida em sociedade orientada 
pelo modo capitalista de produção, ao mesmo tempo, nos propicia apontamentos que 
explicam sobre a dimensão técnico-operativa do serviço social desenvolvida em compasso 
com a dimensão ético-política da profissão e, respaldada pela dimensão teórico-
metodológica da profissão. 
 
5.3. Apontamentos sobre a Dimensão Técnico-operativa 
A realização da dimensão técnico-instrumental se articula com a dimensão ético-
política e teórico-metodológica, a articulação entre tais dimensões propicia o acesso ao 
conhecimento, seja da realidade social, seja das condições materiais para a reprodução 
humana, seja para o desenvolvimento da técnica e de instrumentais para a realização da 
intervenção. 
 
[...] a relação teoria e prática como unidade do diverso, a escolha dos meios (o 
método, as técnicas e os instrumentos) a serem utilizados pelo profissional e das 
mediações que ele deverá acionar na sua intervenção se darão em função das 
condições objetivas e de suas finalidades e os instrumentos, técnicas e estratégias 
que serão estabelecidas no interior do projeto profissional, o que exige uma 
formação profissional qualificada (Guerra, 2017, p.66). 
 
Assim, na realização das competências necessárias para a realização da prática 
profissional a dimensão técnico-operativa se revela associada às demais, caracterizando 
que a prática profissional não se realiza de forma desarticulada da teoria ou do conjunto de 
conhecimentos necessários para realizar a intervenção profissional. 
 
https://d.facebook.com/editoracortez/photos/ 
https://d.facebook.com/editoracortez/photos/
 
 
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Portanto, a razão enquanto totalidade e, não apenas instrumental, deve prevalecer 
no exercício da profissão, pois as “racionalidades enquanto formas de ser, pensar e agir 
dos processos sociais e das práticas profissionais” permitem que se realize a relação entre 
conhecimento, capacidade de interpretação da realidade social e, efetivamente, trabalho 
técnico-profissional (Guerra, 2017, p.71). 
 
Ao problematizar a dimensão técnico-operativa, o assistente social pode refletir 
sobre o tipo de racionalidade acionada, tendo em vista sua instrumentalidade [...] 
desvendar a estrutura do cotidiano é um procedimento intelectivo necessário para 
problematizar a concepção instrumental da intervenção profissional – compreendida 
como um conjunto de técnicas e procedimentos metodológicos – e a de cotidiano, 
como o lugar onde se “aplica” a teoria, de modo a questionar a premissa de que o 
Serviço Social se realiza mediante uma prática “tecnificada” ou “teorizada” (Guerra, 
2017p.72/ 73). 
 
Cabe ressaltar que a reflexão e o debate sobre as dimensões orientam sobre o papel 
profissional, bem como sobre a necessidade de a profissão realizar respostas qualificadas 
às questões presentes na nossa sociedade que se configuram como violação de direitos. 
Portanto, a ação profissional assume dimensão política, contribuindo para a luta e 
construção dos direitos sociais. Nesse sentido, o exercício da profissão se realiza através 
do exercício da razão. 
 
 
 
 
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6. REFLEXÕES SOBRE O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO 
 
Objetivo: 
Compreender como se caracteriza a dimensão técnico-operativa do serviço social. 
 
Introdução: 
O serviço social é uma profissão de caráter interventivo, demandando reflexão e 
debate sobre suas diferentes possibilidades de intervenção profissional, o que demanda 
pensar sobre a sua instrumentalidade e a racionalidade presente no seu fazer profissional. 
 
6.1. Planejamento Social 
O fazer profissional e a realização da prática profissional demanda planejamento, um 
mecanismo que permite a realização do exercício da racionalidade com vistas a alcançar 
os objetivos profissionais, bem como a efetivação dos valores e princípios preconizados no 
seu projeto ético-político. 
 
Segundo Baptista (2007, p.13), o planejamento é uma ferramenta utilizada para 
racionalizar meios e recursos. Atividade humana ligada ao plano teleológico, capacidade 
humana de projetar e realizar, o que permite uma sistemática para a realização de 
estratégias necessárias para alcançar um objetivo definido previamente. 
 
Nesse sentido, a realização do planejamento envolve um processo dinâmico e 
contínuo que envolve reflexão, decisão, ação e retomada de reflexão. Sua dimensão 
política envolve a correlação de forças e na área social abarca a dimensão ético-política, 
pois agrega uma intencionalidade na ação, ou seja, qual o fim e o objetivo último que se 
pretende realizar em um planejamento que ultrapassa o equacionamento e a sua 
operacionalização (Baptista, 2007, p.14). 
 
Nesta perspectiva é importante pensar que há diferentes tipos de planejamento, por 
exemplo, o planejamento estratégico situacional trabalha com a responsabilização dos 
sujeitos envolvidos no processo, ou seja, se realiza considerando os diferentes profissionais 
envolvidos na ação e dependendo da ação planejada, envolve também usuários. 
 
 
 
 
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https://docero.com.br/doc/n81es1 
 
Tal ferramenta compreende as seguintes etapas: a explicativa indaga sobre 
realidade da intervenção e compreende a pergunta: ‘o que é?’; o normativo envolve o 
levantamento de propostas sobre o que se deve realizar ou realizar, envolve a questão: ‘o 
que deve ser?’; o estratégico se propõe a refletir coletivamente sobre o questionamento da 
viabilidade da realização de determinado projeto, perguntando sobre: ‘o que pode ser?’; o 
tático-operacional compreende a fase de identificação do que é necessário ser feito para a 
implementação de um projeto ou do que deve ser feito. A realização de tal estratégia 
permite a articulação entre gestão e a política da intervenção, bem como o meio de pressão 
pública para o cumprimento dos objetivos. 
 
Exemplo: planejamento participativo compreende um processo educativo e 
participativo, se pauta na distribuição do poder para a construção de algo comum. A
participação se realiza pela promoção da justiça social. Envolve os questionamentos: 
como? Com que? O que? Para que? Fazer. 
 
É importante que o profissional de serviço social faça uso constante do planejamento 
de seu trabalho ou dos projetos de intervenção, os quais participa, considerando que tal 
realização corresponde ao uso da racionalidade, tal exercício sempre deve se realizar de 
forma intencional, vislumbrando a realização da prática profissional, bem como a afirmação 
de valores e princípios que reflitam a dimensão ética e política da profissão. 
 
 
 
 
 
https://docero.com.br/doc/n81es1
 
 
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6.2. Prática Profissional: perfil da ajuda 
A prática profissional do serviço social resulta foi construída a partir de um processo 
marcado por determinações sócio-históricas e diferentes situações que marcaram e 
marcam a vida social. 
 
https://institutoreacao.org.br 
 
A formação da profissão foi marcada por valor conservador que acabou por 
influenciar a mediação profissional realizada e seu conjunto de práticas e intervenções. 
Nesse contexto, à prática profissional associou o perfil pedagógico da ajuda. 
 
A função pedagógica dos assistentes sociais no processo de institucionalização do 
Serviço Social na Europa e nos Estados Unidos, na primeira metade deste século, 
vinculada ao processo de organização da cultura dominante, funda-se numa visão 
psicologista de questão social, reduzida às suas manifestações individuais. Este 
entendimento consubstancia a “ajuda” psicossocial individualizada, modalidade 
interventiva que traduziu a expressão mais elaborada da prática dos assistentes 
sociais na referida fase do desenvolvimento profissional (Abreu, 2016, p.100). 
 
É importante considerar que o perfil da ajuda respondeu aos interesses capitalistas, 
gerando respostas individualizadas aos efeitos da questão social presente na sociedade. 
Assim, a ação profissional baseada no perfil ‘da ajuda’ foi respaldada por bases técnicas e 
científicas que buscassem a conformação de valores morais e de um processo de 
integração social dos indivíduos nessa lógica e dinâmica societal. 
 
A pedagogia da “ajuda” em Serviço Social aprofunda-se, complexifica-se e 
transforma-se como parte do redimensionamento profissional face às demandas 
contraditórias das classes sociais, bem como à correlação de forças estabelecida 
entre elas e ainda aos compromissos e avanços profissionais na direção de 
determinado projeto de sociedade, expressando-se de formas diferenciadas 
integradas à composição de outros perfis pedagógicos da prática profissional 
(Abreu, 2016, p.124). 
 
https://institutoreacao.org.br/
 
 
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Nesse quadro, a prática profissional assentada em conceitos, valores e visão que 
buscasse preservar a conformação da sociedade e individualização das demandas sociais, 
propiciou o debate e condições para a construção de um outro perfil e prática profissionais 
capaz de considerar a racionalidade e a autonomia daqueles que se encontram em situação 
vulnerável. 
 
6.3. Prática Profissional: perfil da participação 
A pedagogia da “participação” vinculada à prática profissional do serviço social se 
desenvolve na realidade latino-americana a partir dos trabalhos de desenvolvimento de 
comunidade, orientando-se por uma perspectiva mecanicista e vinculada ao processo de 
modernização conservadora vivenciado no continente e que correspondeu à expansão do 
capitalismo monopolista, fato que representou a consolidação dos Estados Unidos como 
principal país capitalista. 
 
https://www.livrariaflorence.com.br 
 
O trabalho desenvolvido em comunidades visava alcançar os trabalhadores, 
buscando integrá-los à sociedade, por meio de participação em programas e projetos 
sociais, configurando em formalização de ‘ajuda’ aos trabalhadores pauperizados. 
 
Assim, a política participacionista, nesses marcos definida, reatualiza a “assistência 
educativa” como uma nova modalidade de manipulação das necessidades e 
recursos institucionais, superdimensionando os mecanismos de controle e de 
responsabilização dos sujeitos individuais quanto ao alcance do “bem-estar social”, 
mediante a introdução de novos mecanismos de persuasão e coerção dos sujeitos 
envolvidos, bem como revitalizando processos já consolidados, sob pretexto de 
superação do assistencialismo (Abreu, 2016, p.129). 
https://www.livrariaflorence.com.br/
 
 
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Desse modo, o processo de participação corresponde à possibilidade da população 
participar da sociedade através de ações, programas, estratégias governamentais. Trata-
se de realização da mediação do Estado para assegurar as condições de desenvolvimento 
e expansão do capital. 
 
Todavia, são as experiências desencadeadas nos marcos das estratégias 
participacionistas, do processo de desenvolvimento em seus diferentes momentos 
na sociedade brasileira que, contraditoriamente, vão constituindo espaços possíveis 
de confronto entre projetos sociopolíticos diferenciados, na medida em que, 
determinados pelo movimento contraditório, viabilizam processos participativos 
críticos e de busca de articulação entre forças sociais, na luta por melhorias de 
condições de vida e ampliação dos espaços políticos de expressão dos interesses 
das classes subalternas (Abreu, 2016, p.151) 
 
A dimensão pedagógica da profissão está presente nas práticas sociais e se realiza 
pelas mediações. Temos o perfil da ajuda e o da participação. O perfil da ajuda remete para 
a prática conservadora, tradicional que opera na realização da ordem social, afirmando a 
condição de subalternidade dos indivíduos. O da participação se realiza na perspectiva o 
empoderamento dos sujeitos, para que se constitua como transformador da sua realidade 
e do seu próprio projeto de vida, vinculando-se a uma pedagogia emancipatória. 
 
 
 
 
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ABREU, Marina Maciel. Serviço Social e a Organização da Cultura: perfis 
pedagógicos da prática profissional. São Paulo: Cortez, 5ª ed., 2016. 
 
ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços 
na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. 
 
BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento Social: intencionalidade e 
instrumentação. São Paulo / Lisboa: Veras Editora, 2007. 
 
GENTILLI, Raquel. Representações e Práticas: identidade e processo de 
trabalho no serviço social. São Paulo: Veras Editora, 1988. 
 
GUERRA, Yolanda. A Dimensão Técnico-Operativa do Exercício Profissional. In: 
SANTOS, C.M. & BACKX, s. & GUERRA, Y. (Orgs.) A Dimensão Técnico-operativa 
no Serviço Social: desafios contemporâneos. São Paulo: Cortez, 3ªed., 2017. 
 
NETTO, J.P. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. 4ª edição, São Paulo: 
Cortez, 2005. 
 
Oliveira, D. Entrevista com Zygmunt Bauman. 
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman Acesso em 
11/10/2021 
 
RAICHELIS, Raquel. O Assistente Social como Trabalhador Assalariado: desafios 
frente a violações de seus direitos. Serviço Social e Sociedade. São Paulo: 
Cortez, 107, 440-432, jul-set, 2011. 
 
SANTOS, C.M. & BACKX, s. & GUERRA, Y. (Orgs.) A Dimensão Técnico-operativa 
no Serviço Social: desafios contemporâneos. São Paulo: Cortez, 3ªed., 2017. 
 
VIEIRA, Evaldo. Sociologia da Educação: Reproduzir e Transformar. São Paulo: 
FTD, 1996. 
 
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman%20%20Acesso%20em%2011/10/2021
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman%20%20Acesso%20em%2011/10/2021
	1. SERVIÇO SOCIAL E SOCIEDADE
	1.1. Serviço Social como Profissão
	1.2. Serviço Social e Trabalho
	1.3. Serviço Social na Divisão Sociotécnica do Trabalho
	2. TEORIA SOCIAL
MODERNA
	2.1. O Funcionalismo
	2.2. A Teoria Social Crítica
	2.3. A Sociologia Compreensiva
	3. TEMPOS DE CONTEMPORANEIDADE
	3.1. Sociedade Contemporânea
	3.2. Neoliberalismo
	3.3. Trabalho na sociedade contemporânea
	4. SERVIÇO SOCIAL: IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO
	4.1. Questões Associadas à Identidade da Profissão
	4.2. O Serviço Social e suas representações
	4.3. Serviço Social e Identidade
	5. SERVIÇO SOCIAL INTEGRADO
	5.1. Cotidiano e Fazer Profissional
	5.2. As Dimensões da Profissão
	5.3. Apontamentos sobre a Dimensão Técnico-operativa
	6. REFLEXÕES SOBRE O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO
	6.1. Planejamento Social
	6.2. Prática Profissional: perfil da ajuda
	6.3. Prática Profissional: perfil da participação
se some à 
realização do trabalho coletivo no encontro do exercício de outras profissões. Tal situação 
se revela nos diferentes espaços sócio-ocupacionais onde o trabalho se realiza por ação 
especializada (Raichellis, 2011, p.425). 
 
Tal situação demanda reflexão e compreensão de aspectos teóricos da teoria social 
moderna, bem como da sociedade contemporânea que contribuem para que possamos 
interpretar a realidade social, bem como os aspectos que remetem às especificidades da 
profissão. 
 
 
 
Segue abaixo informação que explica sobre o CFESS e seu histórico, importante 
conhecer sobre o órgão que regula a profissão e refletir sobre o debate e as 
questões de representatividade da profissão. 
 
O CFESS corresponde ao Conselho que regulamenta e representa a profissão 
e sempre publicam materiais de referência, desenvolvem campanhas 
afirmativas do projeto ético-político da profissão, além de promover debates 
sobre as expressões da questão social, bem como questões vinculadas aos 
direitos. 
 
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) é uma autarquia pública federal 
que tem a atribuição de orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender 
o exercício profissional do/a assistente social no Brasil, em conjunto com os 
Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS). Para além de suas atribuições, 
https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.123/3519%20Acesso%20em%2020/10/21
 
 
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Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
contidas na Lei 8.662/1993, a entidade vem promovendo, nos últimos 30 anos 
ações, políticas para a construção de um projeto de sociedade radicalmente 
democrático, anticapitalista e em defesa dos interesses da classe 
trabalhadora. 
 
 A criação e funcionamento dos Conselhos de fiscalização das profissões no 
Brasil têm origem nos anos 1950, quando o Estado regulamenta profissões e 
ofícios considerados liberais. Nesse patamar legal, os Conselhos têm caráter 
basicamente corporativo, com função controladora e burocrática. São 
entidades sem autonomia, criadas para exercerem o controle político do 
Estado sobre os profissionais, num contexto de forte regulação estatal sobre o 
exercício do trabalho. 
 
O Serviço Social foi uma das primeiras profissões da área social a ter aprovada 
sua lei de regulamentação profissional, a Lei 3252 de 27 de agosto de 1957, 
posteriormente regulamentada pelo Decreto 994 de 15 de maio de 1962. Foi 
esse decreto que determinou, em seu artigo 6º, que a disciplina e fiscalização 
do exercício profissional caberiam ao Conselho Federal de Assistentes Sociais 
(CFAS) e aos Conselhos Regionais de Assistentes Sociais (CRAS). 
 
Esse instrumento legal marca, assim, a criação do então CFAS e dos CRAS, hoje 
denominados CFESS e CRESS2. Para efeito da constituição e da jurisdição dos 
CRESS, o território nacional foi dividido inicialmente em 10 Regiões, agregando 
em cada uma delas mais de um estado e/ ou território (exceto São Paulo), que 
progressivamente se desmembraram e chegam em 2008 a 25 CRESS e 2 
Seccionais de base estadual. 
 
Os Conselhos profissionais nos seus primórdios se constituíram como 
entidades autoritárias, que não primavam pela aproximação com os 
profissionais da categoria respectiva, nem tampouco se constituíam num 
espaço coletivo de interlocução. A fiscalização se restringia à exigência da 
inscrição do profissional e pagamento do tributo devido. Tais características 
também marcaram a origem dos Conselhos no âmbito do Serviço Social 
 
O Processo de renovação do CFESS e de seus instrumentos normativos: O 
Código de Ética, a Lei de Regulamentação Profissional e a Política Nacional de 
Fiscalização. 
 
A concepção conservadora que caracterizou a entidade nas primeiras décadas 
de sua existência era também o reflexo da perspectiva vigente na profissão, 
que se orientava por pressupostos a-críticos e despolitizados face às relações 
econômico-sociais. A concepção conservadora da profissão também estava 
presente nos Códigos de Ética de 1965 e 1975: "Os pressupostos neotomistas 
e positivistas fundamentam os Códigos de Ética Profissional, no Brasil, de 1948 
a 1975" (Barroco, 2001, p.95)3 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8662.htm
 
 
7 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O Serviço Social, contudo, já vivia o movimento de reconceituação e um novo 
posicionamento da categoria e das entidades do Serviço Social é assumido a 
partir do III CBAS (Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais), realizado em 
São Paulo em 1979, conhecido no meio profissional como o Congresso da 
Virada, "pelo seu caráter contestador e de expressão do desejo de 
transformação da práxis político-profissional do Serviço Social na sociedade 
brasileira" (CFESS, 1996). Embora o tema central do Congresso ressaltasse uma 
temática da grande relevância – Serviço Social e Política Social – o seu 
conteúdo e forma não expressavam nenhum posicionamento crítico quanto 
aos desafios da conjuntura do país. 
 
Sintonizada com as lutas pela redemocratização da sociedade, parcela da 
categoria profissional, vinculada ao movimento sindical e às forças mais 
progressistas, se organiza e disputa a direção dos Conselhos Federal e 
Regionais, com a perspectiva de adensar e fortalecer esse novo projeto 
profissional. Desde então, as gestões que assumiram o Conselho Federal de 
Serviço Social imprimiram nova direção política às entidades, por meio de 
ações comprometidas com a democratização das relações entre o Conselho 
Federal e os Regionais, bem como articulação política com os movimentos 
sociais e com as demais entidades da categoria, e destas com os profissionais. 
 
A partir de 1983, na esteira desse novo posicionamento da categoria 
profissional, teve início um amplo processo de debates conduzido pelo CFESS 
visando a alteração do Código de Ética vigente desde 1975. Desse processo 
resultou a aprovação do Código de Ética Profissional de 1986, que superou a 
"perspectiva a-histórica e a-crítica onde os valores são tidos como universais e 
acima dos interesses de classe" (CFESS, 1986). Essa formulação nega a base 
filosófica tradicional conservadora, que norteava a "ética da neutralidade" e 
reconhece um novo papel profissional competente teórica, técnica e 
politicamente. 
 
Em que pese esse significativo avanço, já em 1991, o Conjunto CFESS-CRESS 
apontava para a necessidade de revisão desse instrumento para dotá-lo de 
"maior eficácia na operacionalização dos princípios defendidos pela profissão 
hoje" (CFESS, 1996). Essa revisão considerou e incorporou os pressupostos 
históricos, teóricos e políticos da formulação de 1986, e avançou na 
reformulação do Código de Ética Profissional, concluída em 1993. Mais uma 
vez, sob coordenação do CFESS, o debate foi aberto com os CRESS e demais 
entidades da categoria em vários eventos ocorridos entre 1991/1993: 
Seminários Nacionais de Ética, ENESS, VII CBAS e Encontros Nacionais CFESS-
CRESS. 
 
A necessidade de revisão da Lei de Regulamentação vigente desde 1957 já se 
fazia notar, ainda que de forma incipiente, desde 1966, quando da realização 
do I Encontro Nacional CFESS-CRESS, que colocara em pauta a discussão acerca 
 
 
8 Serviço Social Integrado 
 
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da normatização do exercício profissional, constatando-se, na ocasião, a 
fragilidade da legislação em vigor em relação às atribuições profissionais. 
 
Porém, somente em 1971 se discute o primeiro anteprojeto de uma nova lei 
no IV Encontro Nacional CFESS-CRESS e apenas em 1986 o deputado Airton 
Soares encaminha o PL 7669, arquivado sem aprovação, devido à instalação 
da Assembléia Nacional Constituinte. O tema volta ao debata nos Encontros 
Nacionais, onde se elabora a versão final do PL, apresentado desta feita, pelas 
deputadas Benedita da Silva e Maria de Lourdes Abadia.
O processo legislativo 
foi longo em face da apresentação de um substitutivo o que retardou a 
aprovação final. O Conjunto CFESS-CRESS, no entanto, não se deixou abater 
tendo acompanhado e discutido o substitutivo nos seus fóruns até a aprovação 
da Lei 8662 em 7 de junho de 1993. 
 
A nova legislação assegurou à fiscalização profissional possibilidades mais 
concretas de intervenção, pois define com maior precisão as competências e 
atribuições privativas do assistente social. Inova também ao reconhecer 
formalmente os Encontros Nacionais CFESS-CRESS como o fórum máximo de 
deliberação da profissão. 
 
Além desses importantes instrumentos normativos há que se ressaltar a 
existência de outros que dão suporte às ações do Conjunto para a efetivação 
da fiscalização do exercício profissional. Portanto, podemos afirmar que todos 
os instrumentos normativos se articulam e mantêm coerência entre si: a Lei 
de Regulamentação, o Código de Ética, o Estatuto do Conjunto, os Regimentos 
Internos, o Código Processual de Ética, o Código Eleitoral, dentre outros, além 
das resoluções do CFESS que disciplinam variados aspectos. Dentre as 
resoluções destacam-se: a) Resolução 489/2006 que veda condutas 
discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual por 
pessoas do mesmo sexo, reafirmando importante princípio ético contido na 
formulação de 1993; b) Resolução 493/2006 que dispõe sobre as condições 
éticas e técnicas do exercício profissional, que possibilita aos profissionais e 
aos serviços de fiscalização a exigência do cumprimento das condições 
institucionais que possibilite o desempenho da profissão junto aos usuários de 
forma ética e tecnicamente qualificada. 
 
Esse conjunto de instrumentos legais constitui a base estruturante da 
fiscalização do exercício profissional. Daí a importância de sua atualização para 
sustentar a Política Nacional de Fiscalização conectada com o novo projeto 
profissional, sintonizado com os anseios democráticos dos profissionais e seus 
usuários. A partir dessa ótica, o Conjunto redimensiona a concepção de 
fiscalização, compreendendo a sua centralidade como eixo articulador das 
dimensões política, formativa e normativa. A fiscalização passa a ter o caráter 
de instrumento de luta capaz de politizar, organizar e mobilizar a categoria na 
defesa do seu espaço de atuação profissional e defesa dos direitos sociais. 
 
 
 
9 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
As primeiras experiências de fiscalização, embora com diferenciações entre os 
diversos CRESS, remontam a meados dos anos 1980. Inicialmente, os CRESS se 
preocuparam com sua organização administrativo-financeira, entendida como 
suporte fundamental às ações da fiscalização; avançaram para a identificação 
das demandas da categoria, conhecimento da realidade institucional, 
discutindo-se condições de trabalho, autonomia, defesa de espaço 
profissional, atribuições e capacitação, assim como a necessária articulação 
política do Conjunto com outros sujeitos coletivos. Nesse momento, metade 
dos CRESS então existentes, criou suas Comissões de Fiscalização, inicialmente 
formadas por conselheiros, sendo posteriormente ampliadas com a 
contratação de agentes fiscais. Mas, dificuldades se evidenciavam nos limites 
dos instrumentos legais (as primeiras ações de fiscalização tiveram lugar sob a 
vigência da Lei 3252/57) e também financeiros. 
 
Como forma de superação desses limites, o Conjunto apostava na construção 
coletiva fazendo emergir novos espaços para discussão e aprimoramento das 
experiências entre os CRESS, a exemplo dos Encontros Nacionais de 
Fiscalização, que se sucederam a partir do primeiro deles realizado em Aracaju 
(1988). Encontros Regionais também se organizaram visando a preparação 
para o Encontro Nacional. No 1o. Encontro Regional do Nordeste, em Fortaleza 
(1991) já se destacava a necessidade da construção de uma Política Nacional 
de Fiscalização (PNF). Com base nessa experiência, houve, a partir da gestão 
1996-1999, a instituição dos Encontros Regionais Descentralizados, que 
ampliando sua pauta, incluíram a discussão de outras temáticas para além da 
fiscalização: ética, seguridade social, administrativo-financeira, comunicação, 
formação e relações internacionais. 
 
A Comissão Nacional de Fiscalização e Ética do CFESS (COFISET) assume então 
a responsabilidade de elaborar as diretrizes e estratégias para uma Política 
Nacional de Fiscalização do Exercício Profissional do Assistente Social, 
incorporando as principais demandas e discussões dos Encontros Regionais, 
que foram aprovadas no 25o. CFESS/CRESS, em Fortaleza, em 1996. Nos 
Encontros Nacionais dos anos seguintes (1997/1998) a discussão da PNF foi 
aprofundada, bem como outras normativas do Conjunto que se relacionavam 
com a fiscalização do exercício profissional. Esse processo culminou com a 
aprovação da Resolução CFESS 382 de 21/02/1999, que dispôs sobre as 
normas gerais para o exercício profissional e instituiu a Política Nacional de 
Fiscalização, sistematizada a partir dos seguintes eixos: potencialização da 
ação fiscalizadora para valorizar e publicizar a profissão; capacitação técnica e 
política dos agentes fiscais e COFIs para o exercício da fiscalização; articulação 
com as unidades de ensino e representações locais da ABEPSS e ENESSO; 
inserção do Conjunto CFESS-CRESS nas lutas referentes às políticas públicas. 
Tais eixos se articulam em torno de três dimensões, a saber: afirmativa de 
princípios e compromissos conquistados; político-pedagógica; normativa-
disciplinadora.5 
 
 
 
10 Serviço Social Integrado 
 
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A partir de então a PNF vem sendo um instrumento fundamental para 
impulsionar e organizar estratégias políticas e jurídicas conjuntas e unificadas 
para a efetivação da fiscalização profissional em todo o território nacional, 
levando-se em consideração, no entanto, as particularidades e necessidades 
regionais. 
 
Os espaços de discussões do Conjunto relativos à Política de Fiscalização têm 
sido ampliados, a exemplo dos Seminários Nacionais de Capacitação das COFIs 
que acontecem a cada 2 anos (realizados a partir de 2002), além da 
continuidade dos Seminários Regionais de Fiscalização que ocorrem 
juntamente com os Encontros Descentralizados, preparatórios para o 
Encontro Nacional. Outro espaço previsto é a Plenária Ampliada, para 
aprofundamento de alguma temática, e ainda o Projeto Ética em Movimento, 
espaço privilegiado para a ampliação do debate e reflexão ética. 
 
A atualização da PNF ocorrida em 2007 visou incorporar os aperfeiçoamentos 
necessários decorridos 10 anos da sua aprovação. O processo envolveu as 
Comissões de Fiscalização e culminou com a aprovação da Resolução CFESS 
512 de 29/09/2007 que reformulou as normas gerais para o exercício da 
fiscalização profissional e atualizou a Política Nacional de Fiscalização, após 
intensas e profícuas discussões nos espaços deliberativos do Conjunto. Essa 
revisão manteve os pressupostos anteriormente definidos, conservando os 
eixos e dimensões estruturantes e avançou, por exemplo, na elaboração de 
um Plano Nacional de Fiscalização que se apresenta como um instrumento 
político e de gestão. http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/o-cfess 
Acesso em 08/11/2021 
 
 
http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/o-cfess
 
 
11 Serviço Social Integrado 
 
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2. TEORIA SOCIAL MODERNA 
 
Objetivo: 
Compreender as principais interpretações sociológicas sobre a sociedade moderna, 
considerando que tal percurso teórico respaldou a formação da dimensão teórico-
metodológica do serviço social. 
 
Introdução: 
A teoria social moderna correspondeu às primeiras interpretações das ciências 
sociais sobre a vida em sociedade e seu processo de transformação.
Até hoje, respaldam 
a produção de conhecimento das ciências sociais aplicadas e das humanidades de modo 
geral. 
 
2.1. O Funcionalismo 
A teoria funcionalista corresponde a primeira interpretação teórica da sociedade 
moderna, foi elaborada sob influência do método positivista. Tal perspectiva teórica se 
propôs a entender o funcionamento da sociedade, considerando que a sociedade se 
compõe de fatos sociais que revelam sistemas sociais ligados a uma estrutura social. 
 
Portanto, os indivíduos, as instituições e os acontecimentos da vida social têm uma 
função social. Nessa perspectiva, a sociedade deve ser funcionar de forma integrada e para 
isso, seria necessário manter a ordem social com a integração dos sistemas sociais e com 
os indivíduos realizando suas funções sociais. Os sistemas sociais são os aspectos e as 
instituições da sociedade; por exemplo, a educação, a escola e os profissionais de 
educação, a saúde, os serviços de saúde e seus profissionais. 
 
O funcionalismo como teoria social foi inicialmente elaborado por Emile Durkheim 
que propôs estudar os fatos sociais como ‘coisa’, ou seja, como acontecimentos objetivos 
que deveriam ser analisados com imparcialidade, neutralidade e considerando o quanto 
esses fatos seriam recorrentes na sociedade, estando presentes nos comportamentos dos 
indivíduos ao longo do tempo. A proposta metodológica de tratar o fato social como ‘coisa’ 
revela a influência do positivismo no pensamento de Durkheim. 
 
 
 
12 Serviço Social Integrado 
 
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https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/emile-durkheim.htm 
 
Desta forma, o sociólogo entendeu que o trabalho seria o principal fato social da 
sociedade moderna, pois a realização dele permitiria que cada indivíduo cumprisse sua 
função social, exercitando uma solidariedade na medida em que cada tarefa ou cada 
profissão contribuía para a realização de outras atividades e exercícios profissionais. 
 
Tal contribuição foi entendida como necessária para a formação da consciência e da 
moral coletiva entre os indivíduos. Durkheim defendia que a sociedade era mais do que a 
soma de indivíduos, porque a sociedade se realiza em cada indivíduo pela força da moral. 
Assim, ela se mantém integrada e coesa quanto maior a coesão social e o grau de 
integração social maior a ordem social, condição necessária para caminhar na direção no 
progresso. 
 
Nesse sentido, o funcionalismo se liga aos princípios positivistas de ordem e 
progresso e entende que a sociedade funciona, sobretudo, pela presença da força moral 
ou da consciência coletiva que age nos indivíduos, mantendo-os ligados uns aos outros. 
 
2.2. A Teoria Social Crítica 
A teoria social crítica foi incialmente elaborada por Marx e, depois o autor firmou 
parceria com F. Engels. Tal teoria propôs realizar uma interpretação crítica da realidade 
social, dimensionando a produção material da vida social e as contradições da sociedade. 
 
 
 
https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/emile-durkheim.htm
 
 
13 Serviço Social Integrado 
 
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O caráter crítico da teoria se dá pelo propósito de buscar alcançar o entendimento 
da realidade social como resultado de um processo histórico e com uma essência capaz de 
revelar os elementos constituintes dessa realidade, ou seja, seus pilares. 
 
Desta forma, se a sociedade é produto da história, é importante pensar que essa se 
faz pelo movimento das relações sociais e do protagonismo humano nesse processo, sendo 
a humanidade também produto da história e do seu tempo. 
 
Nesta perspectiva, a centralidade da sociedade revela o trabalho como fonte de valor 
e a força do capital que busca se perpetuar e se ampliar apropriando-se do valor que o 
trabalho produz. 
 
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/ha-172-anos-karl-marx-e-friedrich-engels-
publicavam-o-controverso-manifesto-comunista.phtml 
 
A superação dessa sociedade, segundo seus teóricos, depende do processo de 
conscientização dos trabalhadores e da capacidade de se mobilizarem e se 
conscientizarem. Portanto, a mudança decorre a partir da realização da luta social que se 
realizaria com a tentativa de eliminar a contradição e, consequentemente, a desigualdade 
social. 
 
Tal perspectiva teórica respaldou o movimento de reconceituação do serviço social 
latino-americano e permitiu que a profissão produzisse conhecimento da realidade social 
com o objetivo de realizar a sua crítica, bem como direcionando a elaboração do projeto 
ético-político e os princípios da profissão. 
 
 
 
 
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/ha-172-anos-karl-marx-e-friedrich-engels-publicavam-o-controverso-manifesto-comunista.phtml
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/ha-172-anos-karl-marx-e-friedrich-engels-publicavam-o-controverso-manifesto-comunista.phtml
 
 
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2.3. A Sociologia Compreensiva 
Max Weber foi o principal representante da sociologia compreensiva que se propôs 
a compreender os sentidos e os significados das relações sociais e da vida social para os 
indivíduos. 
 
Nesta perspectiva teórica deve o pesquisador elaborar hipóteses sobre a realidade 
social para verificar com o desenvolvimento de estudo, pesquisa ou observação se essas 
hipóteses se confirmam. Com isso, elabora-se também o tipo ideal que são também 
hipóteses de comportamentos, ações prováveis dos indivíduos, o que permite ao 
pesquisador verificar o quanto a ideia sobre o comportamento ou os sentidos e significados 
aos indivíduos se aproximam ou se distanciam dos modelos e das explicações teóricas 
elaboradas pelos pesquisadores. 
 
Os principais conceitos trabalhados por Weber foram a ação social e a relação social 
que indica as diferentes formas que motivam ou fazem com que os indivíduos orientam 
seus comportamentos e, essas ações revelam sentidos e significados que influenciam a 
existência dos indivíduos na vida em sociedade. 
 
https://www.mundociencia.com.br/sociologia/max-weber/ 
 
Entre os estudos de Weber se desta os Três Tipo Puros de Dominação Legítima que 
indica os ‘tipos ideais’ de realizar dominação na sociedade. O autor identifica a dominação 
tradicional, a dominação carismática e a dominação legal. Não é possível encontrar na 
sociedade um exemplo de ‘tipo puro de dominação’, mas é possível a partir do conceito 
identificar os comportamentos de diferentes lideranças e as diferentes formas de exercer a 
dominação nas relações sociais. 
 
https://www.mundociencia.com.br/sociologia/max-weber/
 
 
15 Serviço Social Integrado 
 
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3. TEMPOS DE CONTEMPORANEIDADE 
 
Objetivo: 
Problematizar sobre os dilemas da sociedade contemporânea, considerando que 
seu entendimento é necessário para compreender o debate e as diferentes formas de 
inserção da profissão do assistente social. 
 
Introdução: 
A sociedade contemporânea se apresenta como um dilema, influenciando a vida dos 
indivíduos, a forma de ser do trabalho, reorganizando a produção material da vida social. 
Tal reflexão e compreensão é necessária para o entendimento das diferentes formas de 
inserção da profissão. 
 
3.1. Sociedade Contemporânea 
A sociedade contemporânea é parte do processo social que tem como principal 
característica a globalização, responsável por respaldar um novo paradigma de sociedade, 
assentada em nova configuração das relações sociais de troca, do processo produtivo, bem 
como do processo de acumulação. 
 
Nesse quadro, destaca-se o profundo desenvolvimento tecnológico e a informação 
como fonte de riqueza, ou seja, a processualidade dela com a rapidez de ampla veiculação 
passou a respaldar a comunicação e as relações econômicas, facilitando a especulação 
para
acumulação de capital. 
 
As consequências diretas desse processo são a ampliação do capital financeiro e a 
mudança na forma de ser do trabalho, tais aspectos se desenvolveram apoiados sob a 
ideologia neoliberal presente na esfera política e na esfera econômica da vida social. 
 
Contudo, a dinâmica da vida social foi reorganizada para abarcar a nova ideologia e 
as mudanças no processo produtivo e de acumulação. Assim, as relações sociais se 
alteraram e passaram a existir em duas dimensões a real e a virtual. 
 
Bauman define esse momento em que vivemos como modernidade líquida, a 
sociabilidade humana experimenta uma transformação que, sobretudo, se configura pela 
 
 
16 Serviço Social Integrado 
 
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transformação do cidadão e sujeito de direitos em indivíduo que precisa se afirmar no 
espaço social. A sociedade que se assentava nos princípios de solidariedade passa a se 
orientar pela competição, entre os fatores que justificam tal mudança estão o desmonte dos 
sistemas de proteção social, pela individualização do fracasso, pelo imediatismo das 
relações e pela separação entre poder e política na vida social (Oliveira, D. Entrevista - 
Zygmunt Bauman. https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman ). 
 
Assim, o autor argumenta que no novo cenário sociopolítico prevalece a metáfora do 
caçador, todos os indivíduos buscam um alvo, buscam alcançar e eliminar sua presa, ainda 
que essa seja seu semelhante, seu próximo. Os objetivos de caça aos definidos e se 
alcançados, o caçador – cada indivíduo dessa sociedade – parte para a definição de um 
novo alvo, em busca de nova presa. Tal dinâmica dificulta a possibilidade da reflexão e do 
exercício de consciência, dificulta ainda a construção de projeto de vida e ainda de 
sociedade. 
 
https://jornalistaslivres.org/bauman-e-utopia-iconoclasta/ 
 
Nesse cenário, a realidade é absorvida pela dimensão virtual da vida social, as redes 
sociais reforçam essa dinâmica e a superficialidade das relações sociais, aos poucos a 
dimensão virtual se sobrepõe à realidade social, e como consequência a individualização 
da vida social se realiza. 
 
Cabe ressaltar que essa perspectiva teórica explora as figuras, as metáforas para 
realizar a interpretação da realidade social, trabalhando com o que prevalece nessa 
realidade. No entanto, há experiências e indivíduos com consciência e capacidade de 
pensar a vida social de forma diferente, aspecto que indica a possibilidade de que a 
individualização da vida social não é uniforme. Portanto, há experiências construídas, 
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman
https://jornalistaslivres.org/bauman-e-utopia-iconoclasta/
 
 
17 Serviço Social Integrado 
 
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vivenciadas na vida social que indica a possibilidade de alternativas coletivas ou 
coletivizadas para a realização da vida social. 
 
3.2. Neoliberalismo 
As medidas que caracterizam o ideário neoliberal passaram a influenciar o cenário 
sociopolítico brasileiro tardiamente, seja em comparação ao cenário mundial, seja em 
comparação aos demais países da América Latina. 
 
A implementação de políticas de ajuste estruturais para a realização do ajuste 
neoliberal demandaram elaboração de medidas econômicas com consequências para a 
preservação dos direitos e para a área social, ocorrendo de um lado a “deterioração das 
políticas sociais” e, por outro lado, o “agravamento das condições sociais”. 
 
As chamadas Políticas de Ajuste Estrutural, como propostas e medidas econômicas 
bem como estratégias político-institucionais, partem do entendimento do 
NEOLIBERALISMO como um projeto global para a sociedade com políticas 
articuladas, que não se limitam a medidas econômicas de efeitos conjunturais e/ou 
transitórios, trazendo consequências sociais graves e permanentes, muitas vezes 
de difícil volta atrás (Soares, 2001, p.171). 
 
Assim, o ajuste neoliberal demanda uma reforma do Estado para que a vida 
econômica local da sociedade se adeque ao ideário neoliberal. Segundo Soares (2001), 
entre tais medidas se destacam a sobrevalorização cambial, juros internos altos, medidas 
de liberalização financeira, entrada de capitais especulativos de curto prazo, 
desestabilização evidente na balança de pagamentos do país, emissão de títulos da dívida 
pública, “aliada à política de juros, um aumento incontrolável da dívida interna” (Soares, 
2001, p.172). 
 
No âmbito social, o neoliberalismo se pauta no princípio de que o bem-estar deve se 
realizar na esfera privada da vida em sociedade, isso corresponde a fragilização dos direitos 
sociais e um retrocesso histórico, considerando tais direitos e a implementação de políticas 
e programas sociais desenvolvidos a partir do princípio de universalidade. 
 
Mesmo em nosso país, onde jamais fomos capazes de construir um efetivo Estado 
de Bem-Estar Social, ao invés de evoluirmos para um conceito de Política Social 
como constitutiva do direito de cidadania, retrocedemos à uma concepção focalista, 
emergencial e parcial, onde a população pobre tem que dar conta dos seus próprios 
problemas. Esta concepção vem devidamente encoberta por nomes supostamente 
 
 
18 Serviço Social Integrado 
 
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“modernos” como “participação comunitária”, “auto-gestão”,“solidariedade”, onde a 
solução dos problemas dos pobres se resume ao“mutirão” (Soares, 2001, p.181). 
 
Nesse cenário se ampliaram as privatizações de bens coletivos, diminuindo a oferta 
de serviços públicos e gerando o desfinanciamento das políticas sociais e, com isso, o 
aumento do mecanismo de exclusão social e da pobreza. Além disso, destaca-se nesse 
quadro o aumento do desemprego. 
 
3.3. Trabalho na sociedade contemporânea 
O trabalho enquanto atividade social fundante da humanidade passou por várias 
transformações, acompanhando o movimento da sociedade, durante a consolidação da 
sociedade moderna prevaleceu o trabalho operário. No contexto da sociedade 
contemporânea vivenciamos o processo de reestruturação do capital realizado em escala 
global, prevalecendo a forma de ser do trabalho caracterizada pela informalidade. 
 
O mundo produtivo contemporâneo, particularmente a partir do amplo processo de 
reestruturação do capital desencadeado em escala global no início da década de 
1970, vem apresentando um claro sentido multiforme. Por um lado, acentuando as 
tendências de informalização da força de trabalho em todo o mundo e de aumento 
dos níveis de precarização da classe trabalhadora. No outro lado do pêndulo, as 
tendências em curso nas últimas décadas estariam sinalizando traços que seriam 
vistos como mais “positivos”, em direção a uma maior intelectualização do trabalho, 
sobretudo nos ramos dotados de grande impacto tecnológico-informal-digital 
(Antunes, 2018, p.65). 
 
Desse modo, as mudanças correspondem a presença intensa da informalidade e 
precarização do trabalho que se somam à novas formas de valorização do valor. O trabalho 
informalizado e diversificado é marcado pelo desenvolvimento tecnológico, o que demanda 
qualificação e certo grau de capacidade cognitiva para sua realização. 
 
https://blogdaboitempo.com.br/2018/06/18/michael-lowy-o-privilegio-da-servidao/ 
https://blogdaboitempo.com.br/2018/06/18/michael-lowy-o-privilegio-da-servidao/
 
 
19 Serviço Social Integrado 
 
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A questão é que o trabalho digital ou informatizado é profundamente influenciado 
pelo processo de valorização presente em nossa sociedade e revela a própria contradição 
constitutiva desse processo. 
 
Portanto, ao contrário do que foi propugnado pelas teses da “sociedade pós-
industrial” e do “trabalho criativo informacional”, o labor no setor de telemarketing 
tem sido pautado por uma processualidade contraditória, uma vez que:
1) articula tecnologias do século XXI (TICs) a condições de trabalho herdeiras do 
século XX; 
2) combina estratégias de intensa emulação de teleoperadores/as, ao modo da 
flexibilidade toyotizada, com técnicas gerenciais tayloristas de controle sobre o 
trabalho predominantemente prescrito; 
3) associa o trabalho em grupo com a individualização das relações de trabalho, 
estimulando tanto a cooperação como concorrência entre trabalhadores, entre 
tantos outros elementos que conformam sua atividade (Antunes, 2018, p.80). 
 
Pode-se considerar que a precarização e a imaterialidade do trabalho, bem como 
toda mudança em torno de sua forma de ser em decorrência da centralidade da valorização 
do valor, não rompem com a dimensão social do trabalho, embora ocorra uma diminuição 
dos postos de trabalho e sua redefinição, ele continua a ter relevância na sociedade, fato 
que confirma sua complexidade e potencialidade. 
 
 
 
Abaixo segue a entrevista de Z. Bauman concedida à Revista Cult, onde o 
sociólogo comenta características sobre a sociedade contemporânea, a 
relação entre o imediatismo das relações sociais e o fim das utopias. 
 
CULT – Na obra Tempos líquidos, o senhor afirma que o poder está fora da 
esfera da política e há uma decadência da atividade do planejamento a longo 
prazo. Entendo isso como produto da crise das grandes narrativas, 
particularmente após a queda dos regimes do Leste Europeu. Diante disso, é 
possível pensar ainda em um resgate da utopia? 
Zygmunt Bauman – Para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A 
primeira é a forte sensação (ainda que difusa e inarticulada) de que o mundo 
não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos 
para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no 
potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que 
“nós, seres humanos, podemos fazê-lo”, crença esta articulada com a 
racionalidade capaz de perceber o que está errado com o mundo, saber o que 
precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e 
coragem para extirpá-los. Em suma, potencializar a força do mundo para o 
atendimento das necessidades humanas existentes ou que possam vir a existir. 
 
 
 
 
20 Serviço Social Integrado 
 
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CULT – Por que se fala tanto hoje de “fim das utopias”? 
Bauman – Na era pré-moderna, a metáfora que simboliza a presença humana 
é a do caçador. A principal tarefa do caçador é defender os terrenos de sua 
ação de toda e qualquer interferência humana, a fim de defender e preservar, 
por assim dizer, o “equilíbrio natural”. A ação do caçador repousa sobre a 
crença de que as coisas estão no seu melhor estágio quando não estão com 
reparos; de que o mundo é um sistema divino em que cada criatura tem seu 
lugar legítimo e funcional; e de que mesmo os seres humanos têm habilidades 
mentais demasiado limitadas para compreender a sabedoria e harmonia da 
concepção de Deus. 
 
Já no mundo moderno, a metáfora da humanidade é a do jardineiro. O 
jardineiro não assume que não haveria ordem no mundo, mas que ela 
depende da constante atenção e esforço de cada um. Os jardineiros sabem 
bem que tipos de plantas devem e não devem crescer e que tudo está sob seus 
cuidados. Ele trabalha primeiramente com um arranjo feito em sua cabeça e 
depois o realiza. Ele força a sua concepção prévia, o seu enredo, incentivando 
o crescimento de certos tipos de plantas e destruindo aquelas que não são 
desejáveis, as ervas “daninhas”. É do jardineiro que tendem a sair os mais 
fervorosos produtores de utopias. Se ouvimos discursos que pregam o fim das 
utopias, é porque o jardineiro está sendo trocado, novamente, pela ideia do 
caçador. 
 
CULT – O que isso significa para a humanidade de hoje? 
Bauman – Ao contrário do momento em que um dos tipos passou a prevalecer, 
o caçador não podia cuidar do global equilíbrio das coisas, natural ou artificial. 
A única tarefa do caçador é perseguir outros caçadores, matar o suficiente 
para encher seu reservatório. A maioria dos caçadores não considera que seja 
sua responsabilidade garantir a oferta na floresta para outros, que haja 
reposição do que foi tirado. Se as madeiras de uma floresta forem 
relativamente esvaziadas pela sua ação, ele acha que pode se deslocar para 
outra floresta e reiniciar sua atividade. Pode ocorrer aos caçadores que um 
dia, em um futuro distante e indefinido, o planeta poderia esgotar suas 
reservas, mas isso não é a sua preocupação imediata, isso não é uma 
perspectiva sobre a qual um único caçador, ou uma “associação de caçadores”, 
se sentiria obrigado a refletir, muito menos a fazer qualquer coisa. 
 
Estamos agora, todos os caçadores, ou ditos caçadores, obrigados a agir como 
caçadores, sob pena de despejo da caça, se não de sermos relegados das 
fileiras do jogo. Não é de admirar, portanto, que, sempre que estamos a olhar 
a nosso redor, vemos a maioria dos outros caçadores quase sempre tão 
solitária quanto nós. Isso é o que chamamos de “individualização”. E 
precisamos sempre tentar a difícil tarefa de detectar um jardineiro que 
contempla a harmonia preconcebida para além da barreira do seu jardim 
privado. Nós certamente não encontraremos muitos encarregados da caça 
com interesse nisso, e sim entretidos com suas ambições. Esse é o principal 
 
 
21 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
motivo para as pessoas com “consciência ecológica” servirem como alerta 
para todos nós. Esta cada vez mais notória ausência do jardineiro é o que se 
chama de “desregulamentação”. 
 
CULT – Diante disso, a esquerda não tem possibilidades de ter força social? 
Bauman – É óbvio que, em um mundo povoado principalmente por caçadores, 
não há espaço para a esquerda utópica. Muitas pessoas não tratam seriamente 
propostas utópicas. Mesmo que saibamos como fazer o mundo melhor, o 
grande enigma é se há recursos e força suficientes para poder fazê-lo. Essas 
forças poderiam ser exercidas pelas autoridades do engenhoso sistema do 
Estado-nação, mas, como observou Jacques Attali em La voie humaine, “as 
nações perderam influência sobre o curso das coisas e delegaram às forças da 
globalização todos os meios de orientação do mundo, do destino e da defesa 
contra todas as variedades do medo”. E as forças da globalização são tudo, 
menos instintos ou estratégias de “jardineiros”, favorecem a caça e os 
caçadores da vez. O Thesaurus [dicionário da língua inglesa, de 1892] de Roget, 
obra aclamada por seu fiel registro das sucessivas mudanças nos usos verbais, 
tem todo o direito de listar o conceito de utópico como “fantasia”, 
“fantástico”, “fictício”, “impraticável”, “irrealista”, “pouco razoável” ou 
“irracional”. Testemunhando assim, talvez, o fim da utopia. 
 
Se digitarmos a palavra utopia no portal de buscas Google, encontraremos 
cerca de 4 milhões e 400 mil sites, um número impressionante para algo que 
estaria “morto”. Vamos, porém, a uma análise mais atenta desses sites. O 
primeiro da lista e, indiscutivelmente, o mais impressionante é o que informa 
aos navegantes que “Utopia é um dos maiores jogos livres interativos online 
do mundo, com mais de 80 mil jogadores”. Eu não fiz uma pesquisa em todos 
os 4 milhões de sites listados, mas a impressão que tive após uma leitura de 
uma amostra aleatória é que o termo utopia aparece em marcas de empresas 
de cosméticos, de design de interiores, de lazer para feriados, bem como de 
decoração de casas. Todas as empresas fornecem serviços para pessoas que 
procuram satisfações individuais e escapes individuais para desconfortos 
sofridos individualmente. 
 
CULT – Nesta sociedade líquido-moderna, como fica a ideia de progresso e 
de fluxos de tempo? 
Bauman – A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada 
para a de sobrevivência do indivíduo. O progresso
é pensado não mais a partir 
do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o 
esforço desesperado para se manter na corrida. Você ouve atentamente as 
informações de que, neste ano, “o Brasil é o único local com sol no inverno”, 
neste inverno, principalmente se você quiser evitar ser comparado às pessoas 
que tiveram a mesma ideia que você e foram para lá no inverno passado. Ou 
você lê que deve jogar fora os ponchos que estiveram muito em voga no ano 
passado e que agora, se você os vestir, parecerá um camelo. Ou você aprende 
 
 
22 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
que usar coletes e camisetas deve “causar” na temporada, pois simplesmente 
ninguém os usa agora. 
 
O truque é manter o ritmo com as ondas. Se não quiser afundar, mantenha-se 
surfando – e isso significa mudar o guarda-roupa, o mobiliário, o papel de 
parede, o olhar, os hábitos, em suma, você mesmo, quantas vezes puder. Eu 
não precisaria acrescentar, uma vez que isso deva ser óbvio, que essa ênfase 
em eliminar as coisas – abandonando-as, livrando-se delas –, mais que sua 
apropriação, ajusta-se bem à lógica de uma economia orientada para o 
consumidor. Ter pessoas que se fixem em roupas, computadores, móveis ou 
cosméticos de ontem seria desastroso para a economia, cuja principal 
preocupação, e cuja condição sine qua non de sobrevivência, é uma rápida 
aceleração de produtos comprados e vendidos, em que a rápida eliminação 
dos resíduos se tornou a vanguarda da indústria. 
 
CULT – Neste mundo de “caçadores”, e não de jardineiros, não há então uma 
utopia possível? O “aqui e agora” se impõe como a única referência da 
existência humana? 
Bauman – O problema é que, uma vez tentada, a caça se transforma em 
compulsão, dependência e obsessão. Atingir uma lebre é um anticlímax que só 
se torna atraente com a perspectiva de uma nova caça, com a esperança de 
que essa caça será a mais deliciosa (ou a única deliciosa?). Apanhar a lebre 
prenuncia o fim de todas as expectativas, salvo se outra caçada for planejada 
e imediatamente empreendida. Será que isso é o fim da utopia? Em um 
aspecto, é – na medida em que as primeiras utopias modernas previam um 
ponto em que o tempo chegaria a uma paragem, na verdade, o fim do tempo 
como história. Não existe tal ponto na vida de um caçador, um momento em 
que se poderia dizer que o trabalho foi feito, a missão, cumprida, e, assim, 
poder-se-ia olhar para a frente, para o descanso e gozo do saque, a partir de 
agora até a eternidade. 
 
Em uma sociedade de caçadores, uma perspectiva de fim da caça não é 
tentadora, mas assustadora – uma vez que significa uma derrota pessoal. Os 
chifres anunciam o início de uma nova aventura, a doce memória e a 
ressurreição das aventuras do passado; não haverá fim à emoção universal… 
Só eu que fiquei de lado, excluído, impedido de usufruir as alegrias dos outros, 
apenas um espectador passivo do outro lado do muro, apenas vendo a outra 
parte, mas proibido de participar. 
 
Se, em uma vida contínua e continuada, a caça é uma utopia, ela é – ao 
contrário das outras – uma utopia sem nenhum efeito. A utopia torna-se um 
fato bizarro se for medida por normas ortodoxas; as utopias clássicas 
prometiam o fim da labuta, mas a utopia dos caçadores encapsula o sonho de 
uma labuta que nunca termina. Ao contrário das utopias de outrora, a utopia 
dos caçadores não oferece sentido nenhum à vida, verdadeira ou fraudulenta. 
Ela apenas ajuda a perseguir o significado da vida longe do espírito da vida. 
 
 
23 Serviço Social Integrado 
 
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Tendo redesenhado o curso da vida em uma interminável série de 
perseguições autocentradas, cada episódio vivido como uma abertura para o 
próximo, ela (a utopia) não oferece oportunidade de reflexão sobre a direção 
e o sentido da sua totalidade. Quando vem finalmente uma ocasião, um 
momento de queda ou de proibição da vida de caça, geralmente é tarde 
demais para a reflexão sobre a maneira de suportar a vida, da própria vida 
como a vida dos outros: é demasiado tarde para se opor à forma atual da vida. 
 
CULT – Mas os sonhos persistem, não? O ser humano não pode viver sem 
acreditar em alguma coisa, ainda que seja algo fora do seu domínio imediato. 
E o desejo por um outro mundo possível persiste e mobiliza vários setores da 
sociedade, particularmente com a percepção cada vez mais forte das 
dificuldades de resolver os problemas da humanidade. 
 
Bauman – Em um notável artigo sobre a persistência da utopia intitulado 
“Persistent utopia” (2008), Miguel Abensour cita William Morris (A dream of 
John Ball, Elec Book, 2001), que escreve em 1886 que os homens lutam e 
perdem a batalha, e as coisas que eles lutaram para acontecer, apesar da 
derrota, transformam-se para não ter o mesmo significado que antes, e outros 
homens têm de lutar por aquilo que agora se entende por outro nome. Morris 
escreveu sobre os seres humanos como tais e sugere que lutam por uma “coisa 
que não é”; é a forma como as pessoas são, é o caráter do ser humano. O “não” 
(nicht) como Ernst Bloch salientou “é a falta de algo e também o fugir do que 
falta”; assim, é o que falta para conduzir. Se estivermos de acordo com Morris, 
iríamos sempre ter utopias a ser elaboradas, já que expressões sistematizadas 
como essa fazem parte do aspecto crucial da natureza humana. Utopias foram 
todas as tentativas de enunciar e descrever em detalhes a coisa para a qual a 
próxima luta seria dirigida. Notamos, contudo, que todas as utopias escritas 
por Morris, antecessores e contemporâneos foram esquemas de um mundo 
em que as batalhas de coisas que não são não estão longe dos cartões. Essas 
batalhas não eram exigidas. Então, se estivermos de acordo com Morris, a 
natureza das coisas para as quais as pessoas lutavam era o fim da guerra, o fim 
das necessidades e dos deveres, e o desejo e a conveniência de ir à luta. E a 
grande coisa que manteve proveniente a ideia de lutar não pensando na 
batalha perdida, mas em seu significado e em incitar outras pessoas a lutar 
novamente pela mesma coisa com outro nome, foi o Estado, que não usa as 
mãos para lutar. 
 
Temos as hostilidades que reaparecem após o armistício, que ficam muito 
aquém do êxtase de quem lutou e esperava pela paz. A inquietação do 
compulsivo, obsessivo, viciado caçador de utopias foi impelida e sustentada 
por um desejo de descanso. As pessoas corriam para a batalha que sempre 
persegue o sonho. Outra característica das utopias de William Morris, e por 
quase um século depois, foi o seu radicalismo. 
 
 
 
 
24 Serviço Social Integrado 
 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
CULT – O que vem a ser “radical”? 
Bauman – Atos, empresas, meios e medidas podem ser chamados de 
“radicais” quando eles chegam até suas “raízes”, às de um problema, um 
desafio, uma tarefa. Note, contudo, que o substantivo latino radix, do qual se 
origina o adjetivo “radical”, diz respeito não só às raízes, mas também a 
fundações e origens. O que essas três noções – raiz, fundações e origens – têm 
em comum? Dois atributos. 
 
Primeiro: em circunstâncias normais, o material de todos os três são 
referentes escondidos da vista e impossíveis de ser analisados, muito menos 
tocados diretamente. Qualquer coisa que tenha crescido em um deles, como 
troncos ou caules, no caso das raízes, a edificação, no caso das fundações, ou 
as consequências, no caso das origens, foi sobreposta sobre sua parte inferior, 
cobriu-a e depois emergiu escondida da visão. Por isso, tem que ser, primeiro, 
perfurada, as partes lançadas fora do caminho ou tomadas à parte, se se 
deseja um dos objetos segmentados quando pensar ou agir radicalmente. 
Segundo: no decurso do trilhar para esses objetivos, o crescimento desse 
material deve ser desconstruído, ou materialmente empurrado para fora do
caminho, ou desmantelado. A probabilidade de que, a partir do trabalho de 
desconstrução/desmontagem das metas, emerjam todas as deficiências é alta. 
Tomar uma atitude radical sinaliza para a intenção da destruição – ou melhor, 
de assumir o risco da destruição, mais frequentemente o significado de uma 
destruição criativa –, destruição no sentido de um lugar para limpeza, ou para 
lavrar o solo, preparando-o para acomodar outros tipos de raízes. A política é 
radical se ela aceita todas as condições e se orienta por todas essas intenções 
e objetivos. 
 
CULT – Uma das características dos tempos líquido-modernos é a decadência 
do planejamento a longo prazo. É possível um pensamento crítico e uma 
utopia neste contexto de queda da perspectiva do planejamento? 
Bauman – Russel Jacoby propõe distinguir duas tradições, aparentemente 
coincidentes, mas não necessariamente ligadas, tradições do moderno 
pensamento utópico: o modelo (o projeto utopista de traçar o futuro em 
polegadas e minutos) e a tradição iconoclasta (os utopistas iconoclastas 
sonharam com uma sociedade superior, mas recusaram-lhe dar medidas 
precisas). Proponho que se mantenha o nome, como sugere Jacoby para o 
segundo, como tradição da utopia do “não projeto”. A característica definidora 
dessa tradição do segundo é a intenção de desconstruir, de desmistificar e, em 
última instância, de desacreditar os valores da vida dominante e suas 
estratégias de tempo, através da demonstração de que, contrariamente às 
crenças atuais, em vez de assegurarem uma sociedade ou vida superior, 
constituem um obstáculo no caminho para ambas. 
 
Em outras palavras, o que eu proponho para descompactar o conceito de 
utopia iconoclasta, em primeiro lugar, é sobretudo a afirmação de uma 
possibilidade de uma outra realidade social – possibilidade ainda aterrada na 
 
 
25 Serviço Social Integrado 
 
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revisão crítica dos meios e formas de apresentar a vida. Sendo este o principal 
interesse e a preocupação do utopista iconoclasta, não é de admirar que a 
alternativa ao atual permaneça incompleta; a principal causa do utopismo 
iconoclasta é a possibilidade de uma alternativa à realidade social, apesar de 
o seu desenho estar pouco desenvolvido. As utopias iconoclastas, presumo, 
são aberta ou tacitamente o caminho para uma sociedade superior, não se 
conduzem por meio de desenhos ou conselhos, mas sim por meio da reflexão 
crítica sobre práticas e crenças existentes de forma a – para recordar uma ideia 
de Bloch – explicitar que “uma coisa está faltando” e assim “inspirar a unidade 
para a sua criação e recuperação”. 
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman/ - Acesso em 
08/11/2021 
 
Importante refletirmos sobre as características da sociedade contemporânea, 
buscando identificar as questões que dizem respeito às relações sociais e, 
sobretudo, ao entendimento de como se processam e se perpetuam as 
desigualdades sociais. Tal entrevista permite que façamos a pergunta: o 
quanto as redes sociais influenciam nossas vidas e determinam padrões de 
comportamentos? 
 
 
https://revistacult.uol.com.br/home/entrevis-zygmunt-bauman/
 
 
26 Serviço Social Integrado 
 
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4. SERVIÇO SOCIAL: IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO 
 
Objetivo: 
Problematizar a formação da identidade profissional do serviço social e suas 
diferentes formas de representação. 
 
Introdução: 
O serviço social como profissão demanda um debate sobre a afirmação de sua 
identidade na sociedade, bem como envolve diferentes formas de representação da 
profissão em diferentes esferas institucionais. 
 
4.1. Questões Associadas à Identidade da Profissão 
A caracterização da identidade da profissão do serviço social decorre de seu 
processo de trabalho e da maneira como se organiza estruturalmente seus objetos de 
atuação. 
 
Segundo Gentilli (1998, p.22), a identidade da profissão do serviço social resulta de 
fatores compostos por seu “núcleo identitário, organizado a partir de representações sobre 
o processo de trabalho profissional”, as “referências representacionais” que expressam as 
representações e a consciência profissional e, por fim, os “elementos subjetivos” que 
“sustentam a identidade, que são os sentimentos de identidade profissional”. 
 
https://www.amazon.com.br/Representa%C3%A7%C3%B5es-Pr%C3%A1ticas-Identidade-Processo-
Trabalho/dp/8587064428 
 
 
https://www.amazon.com.br/Representa%C3%A7%C3%B5es-Pr%C3%A1ticas-Identidade-Processo-Trabalho/dp/8587064428
https://www.amazon.com.br/Representa%C3%A7%C3%B5es-Pr%C3%A1ticas-Identidade-Processo-Trabalho/dp/8587064428
 
 
27 Serviço Social Integrado 
 
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Cabe ressaltar que os assistentes sociais estabelecem uma relação de trabalho 
contratual que se “insere nas relações sociais da sociedade capitalista, como mercadoria, 
força de trabalho”, o cotidiano da profissão revela um conjunto de singularidades, o 
processo de trabalho da profissão se coloca na contradição da sociedade capitalista e se 
concretiza por intermediações e situações normalizadoras (Gentilli, 1998, p.23). 
 
[...] o objeto profissional, no seu sentido genérico, como todo o âmbito de 
processamento e operacionalização das políticas sociais organizadas como bens e 
serviços coletivos e transferências sociais destinadas ao consumo daquelas 
populações precariamente inseridas ou efetivamente excluídas dos mercados de 
bens, serviços e de trabalho. 
O processo de trabalho é configurado por todo fazer profissional (Gentilli, 1998, 
p.25). 
 
A profissão é representada por instituições normatizadoras que expressam uma 
“pluralidade de representações decorre do fato dos objetos, dos objetivos, dos meios, dos 
produtos, enfim, da racionalidade do processo de trabalho” do serviço social. Para tal é 
necessário que o profissional se sinta em liberdade para a realização das normas que 
representam e regulamentam a profissão sejam postas em prática no cotidiano do exercício 
da profissão (Gentilli, 1998, p.31). 
 
4.2. O Serviço Social e suas representações 
As reflexões entre as representações da profissão perpassam os campos da teoria 
e da prática, muitos profissionais destacam o fato da teoria se apresentar distante da 
prática. A teoria articula planejamento, assessoria, pesquisa e coordenação, enquanto a 
prática se associa à execução e atendimentos que se realizam o exercício da profissão em 
espaços sócio-ocupacionais que permitem a atuação profissional. 
 
Nesse contexto, é possível considerar que há certa dificuldade em realizar a efetiva 
aproximação entre a produção de conhecimento sobre a identidade da profissão e sobre a 
interpretação da realidade social, pois as mediações diferenciadas são diferenciadas e cada 
estrutura organizacional tem uma dinâmica própria. 
 
No caso da prática profissional em questão, os problemas teóricos são 
considerados mais difíceis de serem enfrentados pela própria dinâmica do mercado 
de trabalho. Para os profissionais que se dedicam esporadicamente à prática 
teórica, os temas se apresentam de forma mais complexa e de demorada 
assimilação. Para contornar tais dificuldades naturais, os profissionais recorrem 
geralmente à assimilação dos conteúdos teóricos produzidos por outros (Gentilli, 
1998, p.65). 
 
 
28 Serviço Social Integrado 
 
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No entanto, o debate entre os profissionais muitas vezes ocorre sobre questões 
acerca do campo profissional, ao qual estejam inseridos, permitindo a “definição das 
funções e papéis profissionais peculiares à área”. Tal prioridade permite a correção de 
“deficiências de uma formação profissional generalista, muito crítica e pouco 
instrumentalizadora” (Gentilli, 1998, p.69). 
 
https://www.google.com/search?q=serviço+social+e+representatividade&tbm
Nesse sentido, a diversidade do exercício da profissão do assistente social é, muitas 
vezes, orientada e representada pelos princípios preconizados no projeto ético-político da 
profissão, onde é possível encontrar o norteamento de questões metodológicas para a 
intervenção e reflexões mais intelectualizadas sobre a profissão. 
 
4.3. Serviço Social e Identidade 
As questões vinculadas à identidade da profissão perpassam os espaços de 
representação profissional, os aspectos políticos que se articulam com as características 
da conjuntura. 
 
Nesse quadro, entre os aspectos presentes na realidade social brasileira que 
dificultam a afirmação da identidade da profissão destacam-se as alterações, bem como as 
fragilidades das políticas sociais desenvolvidas a partir dos anos 1990. Além disto, os 
efeitos do ajuste neoliberal alcançam a condição de trabalhadores dos assistentes sociais, 
influenciando na oferta de postos de trabalho e com a coexistência de contratos de trabalho 
diversos, em função do desenvolvimento do terceiro setor e da desvalorização do 
funcionalismo público no país. 
https://www.google.com/search?q=serviço+social+e+representatividade&tbm
 
 
29 Serviço Social Integrado 
 
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https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/04/27/ 
 
Segundo Gentilli (1998, p.73), esses aspectos que caracterizam questões da 
sociedade contemporânea, emergem também situações vinculadas à defesa da 
democracia e da cidadania no país, somam-se ainda a defesa da implementação de 
políticas sociais e questões éticas vinculadas ao exercício da profissão. Tal situação suscita 
problemas postos à identidade profissional e à conjuntura para a capacitação dos 
profissionais. 
 
[...] a complexidade das mediações realizadas na prática, os problemas de 
reconhecimento profissional, os desafios práticos decorrentes de uma falta de 
reflexão maior sobre a instrumentalização profissional, o despreparo técnico, as 
questões institucionais e a eficácia social da profissão (Gentilli, 1998, p.74). 
 
As questões do papel profissional vinculam-se à conjuntura do momento histórico e, 
ao mesmo tempo às condições operativas e instrumentais para a realização da profissão. 
Tais dilemas vinculam-se à relação entre conjuntura e capacitação profissional. 
 
Há, inclusive, uma referência ao ativismo como decorrente de uma visão política 
inadequada sobre a profissão. Referem-se, portanto, a diversas lacunas teóricas 
requeridas para uma intervenção profissional fundada na realidade humano-social 
como um todo e não só política ou social, aos objetos profissionais e ao âmbito 
institucional da profissão (Gentilli, 1998, p.74). 
 
A formação constante da profissão faz parte de seu processo de trabalho que deve 
articular a dimensão técnica da profissão e a diversidade de inserção em espaços sócio-
ocupacionais. Outro aspecto relevante que caracteriza a profissão é o traço humano-social 
que deve prevalecer as respostas que a profissão oferece às questões e dilemas que se 
apresentam na vida em sociedade. 
 
Cabe ressaltar que a profissão e sua identidade também se realizam na realização 
de um trabalho de mediação que se realiza entre as demandas sociais, os cidadãos e a 
realidade social. 
https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/04/27/
 
 
30 Serviço Social Integrado 
 
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5. SERVIÇO SOCIAL INTEGRADO 
 
Objetivo: 
Refletir sobre o fazer profissional e sua realização no cotidiano da vida em 
sociedade. 
 
Introdução: 
O serviço social como profissão se faz a partir do cotidiano das relações, demanda 
reflexão e entendimento constante de realidade social. Portanto, pensar sobre a profissão 
e como ela se integra à realidade social significa também compreender a própria profissão. 
 
5.1. Cotidiano e Fazer Profissional 
A profissão de assistente social se realiza a partir do cotidiano da vida social e da 
reprodução dos indivíduos, ou seja, a partir da realização das condições de vida dos 
indivíduos na vida em sociedade. 
 
O cotidiano pode ser considerado como uma “mediação elementar entre o particular 
e o universal”, acontecendo entre as características e a estrutura da sociedade. O cotidiano 
“limita as possibilidades de os homens se concentrarem inteiramente nas atividades que 
realizam”, a heterogeneidade ou a diversidade em que se apresenta o cotidiano tende a 
limitar os indivíduos na vida em sociedade (Guerra, 2017, p.53/ 54). 
 
https://www.artmajeur.com/pt/jercimaccari/artworks/3830032/cotidiano 
 
https://www.artmajeur.com/pt/jercimaccari/artworks/3830032/cotidiano
 
 
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No cotidiano, os indivíduos se apropriam de costumes e comportamentos que fazem 
parte da vida em sociedade, sendo esses reproduzidos pelos indivíduos. Há uma tendência 
de os indivíduos buscarem alternativas imediatas às suas demandas. A dinâmica instituída 
no cotidiano leve os indivíduos a buscarem respostas superficiais para as questões que 
envolve a vida em sociedade (Guerra, 2017, p.54). 
 
De certa forma, essas manifestações do cotidiano também alcançam a divisão 
sociotécnica do trabalho, alcançando também o exercício da profissão do serviço social o 
que pode levar os profissionais a realização de uma prática profissional configurada como 
tarefa, distanciando-se da necessidade de reflexão que caracteriza o serviço social. Nesse 
sentido, o cotidiano não facilita que o profissional a perceba a presença das dimensões que 
caracterizam a profissão, constituindo-se em prática profissional como sendo desvinculada 
da teoria, da racionalidade, da relevância de interpretar os aspectos presentes na vida em 
sociedade, bem como a aproximação de valores éticos e implementação de políticas sociais 
(Guerra, 2017, p.55). 
 
[...] o cotidiano profissional é pleno de requisições de cumprimento de normas, 
regulamentos, orientações ou decisões de superiores, os quais impõem ao 
profissional a necessidade de respostas a elas. Neste contexto, a prioridade é 
responder aos fenômenos, não importa como, disto resultando um conjunto de 
respostas profissionais rápidas, ligeiras, irrefletidas, instrumentais, baseadas em 
analogias, experiências, senso comum, desespecializadas, formais, modelares, em 
obediência a leis e superiores, sem a qualificação necessária para distingui-las de 
respostas atribuídas por leigos (Guerra, 2017, p.56). 
 
Assim, se afirmam as dimensões que orientam o exercício da profissão no cotidiano, 
considerando que essa se realiza através da articulação entre teoria e prática, considerando 
o caráter instrumental que tem a profissão, em função de realizar diferentes formas de 
intervenção na realidade social. Tal exercício profissional tem implicações éticas e políticas. 
 
5.2. As Dimensões da Profissão 
O serviço social é uma profissão de caráter interventivo que se realiza por meio da 
relação entre teoria e prática, sendo que a intervenção só pode se constituir a partir de um 
processo de formação inicial e contínuo que permite o profissional realizar a interpretação 
da realidade social. 
 
 
 
32 Serviço Social Integrado 
 
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Além disto, o exercício da profissão tem implicação sociopolítica devendo o 
profissional se apropriar de valores e princípios que permitem a defesa de um projeto de 
sociedade que orienta a prática e o posicionamento profissional. 
 
Assim, a dimensão teórico-metodológica orienta a diretriz da profissão e respalda o 
posicionamento ético-político dela, além de oferecer subsídios para a dimensão técnico-
instrumental. 
 
A dimensão teórico-metodológica nos capacita para operar a passagem das 
características singulares de uma situação que se manifesta no cotidiano 
profissional do assistente social para uma interpretação à luz da universalidade da 
teoria

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