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Sangramento na 1 e 2 metade da gestação (1)
47 pág.

Obstetrícia Centro Universitário ClaretianoCentro Universitário Claretiano

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## Resumo sobre Hemorragias na 1ª e 2ª Metade da GestaçãoEste material aborda as principais causas, classificações, diagnósticos e tratamentos das hemorragias que ocorrem durante a gestação, dividindo-as em eventos da primeira e segunda metade da gravidez. O caso clínico apresentado envolve uma paciente de 29 anos, com sangramento vaginal e dor em fossa ilíaca esquerda, quadro típico que pode estar relacionado a diversas condições gestacionais hemorrágicas.### Hemorragias na Primeira Metade da GestaçãoNa primeira metade da gravidez, as hemorragias são frequentemente associadas a abortos, gravidez ectópica, sangramentos por lesões cervicais ou vaginais, infecções uterinas e doença trofoblástica gestacional. O aborto é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a interrupção da gravidez antes de 22 semanas ou com feto até 500g, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil.O aborto pode ser classificado de várias formas:- **Quanto ao tempo:** precoce (até 12 semanas) ou tardio (entre 13 e 20 semanas).- **Quanto à causa:** espontâneo (sem intervenção externa, geralmente por anomalias maternas ou fetais) ou provocado (intervenção intencional).- **Quanto à segurança:** seguro (realizado por profissional qualificado em ambiente adequado) ou inseguro (feito por pessoas não habilitadas ou em condições inadequadas, com alto risco para a mulher).As formas clínicas do aborto incluem:- **Ameaça de aborto:** presença de sangramento e dor, com possibilidade de reversão.- **Abortamento inevitável:** dilatação cervical com passagem de membranas ou embrião, sem possibilidade de continuidade da gestação.- **Abortamento incompleto:** expulsão parcial do conceito, com restos placentários retidos.- **Abortamento completo:** expulsão total do ovo gestacional, com cessação dos sintomas.- **Abortamento retido:** conceito morto retido no útero, sem expulsão espontânea, podendo levar a complicações.- **Abortamento infectado:** presença de infecção associada ao aborto.O esvaziamento uterino, necessário em muitos casos, pode ser realizado por métodos farmacológicos (uso de medicamentos para induzir contrações) ou mecânicos (procedimentos cirúrgicos).### Gravidez EctópicaA gravidez ectópica ocorre quando o embrião se implanta fora da cavidade uterina, geralmente nas tubas uterinas. É uma condição grave que pode levar à ruptura e hemorragia interna. Os fatores de risco incluem gravidez ectópica prévia, doença inflamatória pélvica, cirurgias tubárias, uso de DIU, endometriose, tabagismo, entre outros.O quadro clínico clássico da gravidez ectópica integra:- Dor abdominal (geralmente em hipogástrio)- Sangramento vaginal- Atraso menstrualA apresentação pode variar entre gravidez ectópica íntegra (com sintomas leves) e gravidez tubária complicada por ruptura (com dor intensa, desmaios e sangramento).O diagnóstico precoce é fundamental e pode ser realizado por métodos não invasivos, como ultrassonografia e dosagem de beta-hCG. O tratamento pode ser cirúrgico (laparotomia ou laparoscopia, com salpingectomia ou salpingostomia) ou clínico (uso de metotrexato ou conduta expectante). A escolha depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, desejo reprodutivo e extensão da lesão tubária.### Hemorragias na Segunda Metade da GestaçãoNa segunda metade da gestação, as principais causas de hemorragia incluem:- Descolamento prematuro da placenta (DPP)- Placenta prévia- Rotura uterina- Rotura de vasa préviaEssas condições são emergências obstétricas que podem comprometer a vida materna e fetal, exigindo diagnóstico rápido e manejo adequado.### Doença Trofoblástica Gestacional (DTG)A DTG é um grupo heterogêneo de proliferações anormais do tecido trofoblástico placentário, que pode se manifestar em formas benignas, como a mola hidatiforme completa e parcial, ou malignas, como mola invasora, coriocarcinoma e neoplasia trofoblástica gestacional. No Brasil, a incidência de mola hidatiforme é estimada em 1 para cada 200 a 400 gestações, sendo significativamente mais frequente do que em países da América do Norte e Europa.O reconhecimento precoce e o tratamento adequado da DTG são essenciais para evitar complicações graves e garantir a saúde da paciente.---## Destaques- Hemorragias na gestação têm causas distintas na primeira e segunda metade, incluindo aborto, gravidez ectópica e complicações placentárias.- O aborto é uma síndrome hemorrágica definida pela OMS, com múltiplas classificações e formas clínicas, sendo uma importante causa de mortalidade materna.- A gravidez ectópica apresenta quadro clínico característico e requer diagnóstico precoce para tratamento cirúrgico ou clínico adequado.- Hemorragias na segunda metade da gestação são frequentemente causadas por descolamento prematuro da placenta, placenta prévia e roturas uterinas.- A doença trofoblástica gestacional é uma proliferação anormal do tecido placentário, com formas benignas e malignas, mais prevalente no Brasil do que em outras regiões.

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