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TEORIA GERAL DO PROCESSO Prof. Me. Nícolas Rosalem nicolas.rosalem@kroton.com.br @nicolas.rosalem http://lattes.cnpq.br/7349123905176931 MODELO MULTIPORTAS E MEIOS INTEGRADORES DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS O objetivo central desse sistema é proporcionar um acesso mais adequado e eficiente à justiça Soluções mais céleres, menos custosas e que privilegiem o consenso entre as partes. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP MODELO MULTIPORTAS E MEIOS INTEGRADORES DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS Sendo assim, modelo multiportas é: A adoção de sistemas alternativos ou adequados para solução das demandas pelo Poder Judiciário, sem a necessidade da atuação direta do juiz. A adoção de métodos ou procedimentos apropriados para lidar com disputas de acordo com a natureza e a complexidade do conflito Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP MODELO MULTIPORTAS E MEIOS INTEGRADORES DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS No Brasil, o modelo multiportas ganhou força com o Código de Processo Civil de 2015, que incluiu expressamente a necessidade de estímulo aos métodos adequados de solução de conflitos. A Lei de Mediação (Lei nº 13.140/2015) e a Reforma do Judiciário promovida pela Emenda Constitucional nº 45/2004 também contribuíram para essa mudança de paradigma, incentivando a adoção de mecanismos extrajudiciais. A Constituição Federal e o modelo de prestação jurisdicional A Constituição Federal de 1988 estabelece um modelo de prestação jurisdicional baseado na garantia do acesso à justiça como direito fundamental. O artigo 5º, inciso XXXV, prevê que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", consolidando o princípio da inafastabilidade da jurisdição. Esse princípio assegura que qualquer cidadão possa recorrer ao Judiciário sempre que seus direitos forem violados ou ameaçados, independentemente da complexidade do caso. Esse modelo reflete uma tradição histórica que centraliza a resolução de conflitos no Estado, visando garantir imparcialidade e segurança jurídica. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP A Constituição Federal e o modelo de prestação jurisdicional • No entanto, a própria Constituição também prevê meios alternativos de solução de conflitos, reconhecendo que nem todas as disputas precisam ou devem ser resolvidas pelo Judiciário. • O artigo 98, inciso I, por exemplo, prevê os Juizados Especiais, destinados a causas de menor complexidade e baseados em princípios de simplicidade, informalidade e celeridade processual. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP A Constituição Federal e o modelo de prestação jurisdicional Além disso, a arbitragem é expressamente mencionada no artigo 114, §1º, como meio alternativo para solucionar conflitos trabalhistas, enquanto os artigos 226 e 227 incentivam métodos extrajudiciais na resolução de disputas familiares. Essa abordagem demonstra uma abertura constitucional para um modelo de justiça mais flexível e descentralizado. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP A Constituição Federal e o modelo de prestação jurisdicional Outro ponto essencial do modelo de prestação jurisdicional é a estrutura do Poder Judiciário, prevista no artigo 92 da Constituição. O sistema brasileiro é composto por diversas instâncias e órgãos especializados, como a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e a Justiça Federal, cada qual com competência própria para julgar determinados tipos de conflito. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Dados de processos nos tribunais brasileiros https://www.cnj.jus.br/com-315-milhoes-de-casos-novos-poder-judiciario-registra-recorde-em- 2022/#:~:text=TRF%206,grau%20e%20610%2C%20no%201%C2%BA. • "Judiciário deve ser a última praia”, diz juiz ao extinguir processo sem tentativa extrajudicial de resolução • Para o juiz do MA, a parte autora não apresentou, mesmo advertida das consequências de sua inércia, a comprovação de pretensão resistida. • sexta-feira, 28 de agosto de 2020 DECISÃO JUDICIAL • O juiz de Direito Galtieri Mendes de Arruda, da vara única de Buriti/MA, extinguiu processo, sem resolução de mérito, após entender que a autora da ação deixou de demonstrar tentativas de soluções extrajudiciais do litígio. Para o magistrado, o Judiciário “deve ser a última praia” para a resolução de disputas. • Uma mulher ajuizou ação contra uma distribuidora de energia pretendendo a indenização por danos morais. Um despacho foi emitido determinando a emenda à inicial com a finalidade de que a parte autora demonstrasse a pretensão resistida, sob pena de indeferimento da inicial. Consta nos autos, no entanto, que inexistiu qualquer demonstração de tentativa de composição consensual extrajudicial. • A autora alegou que procurou atendimento via SAC para resolver a falha na prestação dos serviços, apresentando números de protocolos. Por fim, argumentou que não estaria obrigada a esgotar as vias administrativas para litigar pelas vias judiciais. • Vias extrajudiciais • Ao apreciar a matéria, o magistrado verificou que a parte requerente não apresentou, mesmo advertida das consequências de sua inércia, a comprovação de pretensão resistida. “E considerando sua petição acostada aos autos, não irá fazê-lo”, disse. DECISÃO JUDICIAL • O juiz invocou dispositivos do CPC para dizer que houve sensível alteração nas balizas que norteiam a solução de conflitos, de modo que os meios alternativos ganharam especial importância. • “Para que se tenha ideia que essa solução é a nova vertente a ser aplicada, a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (SENACON), órgão ligado ao Ministério da Justiça, criou a plataforma “consumidor.gov.br, pela qual o conflito é submetido administrativamente à empresa com o intuito de resolvê-lo de forma mais célere e eficaz. Atualmente, 80% das reclamações registradas no Consumidor.gov.br são solucionadas pelas empresas, que respondem as demandas dos consumidores em um prazo médio de 7 dias.” • Segundo o julgador, a primeira porta para a solução dos conflitos não pode ser o Judiciário. “Isso apenas contribui para o fomento da cultura do litígio e é contrário a rápida, barata e eficiente solução dos problemas nas relações de consumo”, afirmou. • Por fim, julgou indeferiu a inicial, julgou extinto o feito, sem resolução de mérito. DECISÃO JUDICIAL http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm AUTOCOMPOSIÇÃO E HETEROCOMPOSIÇÃO AUTOCOMPOSIÇÃO – AS PRÓPRIAS PARTES SE COMPÕEM HETEROCOMPOSIÇÃO - UM TERCEIRO SOLUCIONA A LIDE HETEROCOMPOSIÇÃO HETEROCOMPOSIÇÃO- UM TERCEIRO SOLUCIONA A LIDE VAMOS CONHECER COMO SE PROCESSA UM PROCESSO DE ARBITRAGEM? CRFB e CPC Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • Controvérsias por alguns, que entendem ser a Lei da Arbitragem inconstitucional, por ferir o inciso XXXV, do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que diz: “A lei não excluirá do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. • A escolha representa liberdade individual e a Constituição só seria ferida se as pessoas fossem obrigadas a escolher o juízo arbitral. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • As partes de comum acordo, optam que a controvérsia seja decidida por uma pessoa neutra, imparcial (árbitro), escolhida de comum acordo, e conhecedora da matéria a ser decidida, através de um processo jurídico não- estatal e sigiloso, cuja decisão final possui força executiva judicial (regulada pela Lei nº 9.307/96). Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • A arbitragem é um processo alternativo, extrajudicial e voluntário, entre pessoas físicas e jurídicas capazes de contratar, no âmbito dos direitos patrimoniais disponíveis, sem a tutela do Poder Judiciário. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • As partes litigantes elegem em compromisso arbitral, uma ou mais pessoas denominadas árbitros ou juízes arbitrais, de confiança, para o exercício neutro ou imparcial do conflito de interesse, submetendo- se a decisão final dada pelo árbitro, em caráter definitivo, uma vez que não cabe recurso neste novo sistema de resolução de controvérsias. Prof.Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • Na arbitragem, a função do árbitro será a de conduzir o processo arbitral, de forma semelhante ao processo judicial, porém muito mais rápido, menos formal, de baixo custo onde a decisão deverá ser dada por pessoas especialistas na matéria, que é objeto da controvérsia, diferentemente do Poder Judiciário, onde o juiz, na maioria das vezes, necessita do auxílio de peritos especialistas. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • Na arbitragem se pode, escolher livremente especialistas, que terão a função de julgadores. • Com a assinatura da Cláusula Compromissória ou do Compromisso Arbitral, a arbitragem assume o caráter obrigatório e a sentença tem força judicial. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Arbitragem • A lei exclui do juízo arbitral as relações que não dizem respeito ao Direito Privado, não podendo o árbitro decidir sobre questões de ordem pública: • Exemplos: direitos da personalidade, direitos de poder e de estado; questões de família, falência, incapazes e outras que exigem a participação obrigatória do Ministério Público Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Convenção de Arbitragem As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante Convenção de Arbitragem, assim entendida a: Cláusula Compromissória; e Compromisso Arbitral. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Cláusula Compromissória As partes submetem ao julgamento do árbitro conflitos futuros. Pode estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado. Cláusula compromissória é a convenção, por escrito, mediante a qual as partes escolhem a justiça arbitral para dirimir possíveis desavenças futuras. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Contratos de Adesão • Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Forma de Arbitragem • Se na cláusula compromissória estiver determinada às regras de algum órgão arbitral institucional ou entidade especializada, a arbitragem será instituída e processada de acordo com tais regras. • As partes podem estabelecer na própria cláusula, ou em outro documento, a forma convencionada para a instituição da arbitragem. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Forma de Arbitragem • Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem: • A parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local certos, firmar o Compromisso Arbitral. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Compromisso Arbitral (Extrajudicial) Pelo presente instrumento particular, de um lado (nome e qualificação completa) e de outro (nome e qualificação completa), convencionam que submeterão à arbitragem, nos termos da Lei 9.307/96, a solução definitiva de conflito decorrente do Contrato ____________ (nome do contrato), firmado em __/__/____ (“Contrato” – cópia anexa) existente entre ambos, de acordo com as seguintes condições: 1.Nomeiam a XXXXX, inscrita no CNPJ sob o nº 16.933.310/0001-07 , como câmara arbitral responsável pela administração do procedimento arbitral. A arbitragem será conduzida de acordo com o Regulamento da xxxxxxt, aceito pelas partes, vigente na data do pedido de instauração. A Arbitragem será conduzida no idioma português, constituída por 01 (um) árbitro, escolhido conforme o Regulamento da xxxxxxxxx. 2.Para fins de notificação, citação ou informação a qualquer das partes, conforme o Regulamento da xxxxxxx, as partes informam os seguintes endereços eletrônicos: 3.Contratante: [inserir e-mail] 4.Contratado: [inserir e-mail] 5.O objeto da arbitragem é a solução definitiva do conflito surgido entre as partes decorrente do Contrato, nos seguintes termos: (Descrever a controvérsia) 6.O processo ocorrerá online, conforme o Regulamento da xxxxxxxxx, e Sentença Arbitral será proferida na cidade de São Paulo. 7.A sentença arbitral deverá ser apresentada no prazo de 180 (cento e oitenta) dias úteis. 8.As partes convencionam que as custas e os honorários da arbitragem deverão ser custeados igualmente. 9.Os honorários do(s) árbitro(s) serão fixados pela xxxxxxxxx conforme respectiva Tabela de Custas e Honorários. Local e data, Assinatura das partes Assinatura e identificação das 2 (duas) testemunhas Compromisso Arbitral ■ O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial. ■ Compromisso arbitral é o ato, formal e por escrito, que efetivamente dá início ao processo de arbitragem. ■ Compromisso arbitral determina o objeto do litígio existente, ou seja, diz respeito à arbitragem que foi estipulada pelas partes Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Árbitro • A figura do árbitro está definida no artigo 13 da Lei de arbitragem: “Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes”. • Árbitro é toda pessoa capaz e de confiança das partes, nomeada para prolatar uma decisão da Justiça Arbitral. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Árbitro No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias. Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP EXERCÍCIO AVALIATIVO Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Imagine que duas empresas, Alfa S.A. e Beta Ltda., estão em desacordo sobre a interpretação de uma cláusula contratual relacionada à entrega de mercadorias. Ambas as partes desejam resolver o conflito de forma rápida e eficiente, mas têm posições divergentes quanto à solução. Alfa S.A. acredita que a outra parte deve aceitar a sua interpretação da cláusula, enquanto Beta Ltda. deseja uma negociação que leve em consideração os interesses de ambos. No entanto, nenhuma das partes quer prolongar o conflito na justiça tradicional, pois isso pode prejudicar suas operações comerciais. Pergunta: Dado o cenário acima, qual método de resolução de conflito (conciliação, mediação ou arbitragem) seria o mais adequado para esse caso? Justifique sua resposta considerando os interesses das partes envolvidas e as características de cada método. Processo Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP PROCESSO Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP • Processo não se confunde com procedimento. • Processo: conjunto de atos encadeados de maneira lógica, que têm a finalidade de solucionar a lide. • Procedimento: modo de realização do processo. • * O processo civil se divide em: Processo de conhecimento Processo de execução CONCLUSÃO Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP Prof. Me. Nícolas Rosalem – TGP