Prévia do material em texto
Produção Editorial Renato Lopes Capa Diagramação Alexandre Portela Impressão e Acabamento Kirios Gráfica e Editora Ltda. www.kirios.com.br Copyright © 2017, por: Adelmo Ferreira Todos os direitos reservados por: Adelmo Ferreira Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida sem permissão por escrito, exceto breves citações em livros e revistas críticas. Dados de Publicação e Catalogação Ferreira, Adelmo. O Castelo da Morte. Rio de Janeiro - RJ, 2017. 64p. 21 cm 240. Religião 1. Autoajuda. 1ª Edição - 2017 Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa Contato: www.espiritualidadesaudavel.com.b Facebook.com/ Adelmo Ferreira Instagran: @adelmofersil http://www.kirios.com.br/ Sumário Agradecimentos ................................................................................. 6 Introdução ........................................................................................... 7 Parte 1: A OPERAÇÃO DO CASTELO DA MORTE ............... 12 1 - UM CASTELO FEITO DE PENSAMENTOS .......................... 13 Um castelo mental ....................................................................... 14 Um castelo mental feito de mentira e orgulho ........................ 14 Um castelo mental feito de mentira e orgulho dentro de uma guerra espiritual .......................................................................... 15 2 - MORTE: A MATRIZ DOS CASTELOS MENTAIS ................ 17 O castelo da morte ....................................................................... 18 Culpa ............................................................................................. 19 Medo ............................................................................................. 19 Vergonha ...................................................................................... 20 3 - A MENTE SUICIDA .................................................................. 21 “Nasci para sofrer” ...................................................................... 22 “O mal sempre me aguarda” ..................................................... 23 “Não tenho valor” ....................................................................... 23 “Sou uma vítima” ........................................................................ 24 “Ninguém se importa” ............................................................... 25 “A melhor opção é morrer” ....................................................... 25 4 - O ESPÍRITO DE MORTE ........................................................... 27 5 - O CORPO EM SOFRIMENTO .................................................. 31 As fontes de doenças ................................................................... 32 Doenças psicossomáticas ............................................................ 32 Doenças de origem espiritual .................................................... 33 O castelo da morte e as doenças ................................................ 34 6 - TRAGÉDIAS FATAIS ................................................................ 35 Parte 2: A DESTRUIÇÃO DO CASTELO DA MORTE .......... 38 7 - A VERDADE NA MENTE ........................................................ 39 O poder de crer na verdade corretamente ............................... 42 8 - A COURAÇA DA JUSTIÇA...................................................... 44 A justiça de Deus realizada na cruz .......................................... 45 O perdão dos pecados ................................................................ 46 A paz com Deus ........................................................................... 46 9 - O CAPACETE DA ESPERANÇA DA SALVAÇÃO .............. 52 Parte 3: SEU DESTINO É A VIDA .............................................. 58 10 - A VIDA EM ABUNDÂNCIA ................................................. 59 A comunhão do Espírito Santo .................................................. 60 O conhecimento da Palavra de Deus ........................................ 61 A participação na vida da igreja ................................................ 61 11 - A HISTÓRIA DE ZOÊ* ............................................................ 62 Conclusão .......................................................................................... 65 A D E L M O F E R R E I R A 6 Agradecimentos o Pai da glória, Pai dos espíritos, Pai das luzes e Pai das misericórdias, minha honra e temor. Ao Senhor Jesus, o Amado, minha confiança e admiração por Sua graça e Sua coragem de morrer em meu lugar. Ao Doce Espírito Santo, o Amigo fiel, meu desejo sincero de me tornar uma melhor companhia. Ao meu pai Ademar (in memorian) e a minha mãe Maria. Obrigado por me gerar e por me levar ao conhecimento da verdade. A minha preciosa esposa Miriã, às minhas lindas filhas Katlhyn e Evelyn e ao meu genro-filho Ueverton. Vocês são presentes muito caros que Deus me concedeu. Amo vocês. Aos meus discípulos queridos, Genilson e Bivard. Caminhar com vocês no ministério torna as coisas mais fáceis e alegres. A todos os queridos filhos e filhas da ICM, Igreja Celular Mageense. Vocês fazem com que eu não queira ser pastor em nenhuma outra igreja. Aos meus pastores, Arcélio Luís e Márcia Daniela. Todos estes anos recebendo a cobertura de vocês fizeram de mim uma pessoa muito melhor. A O C A S T E L O D A M O R T E 7 Introdução inha existência é fruto de um milagre. Na perspectiva humana, não era para eu existir. Antes de ser gerado, minha mãe estava debaixo de um decreto da Medicina de não poder mais engravidar. No entanto, seu desejo por ser mãe de novo e sua fé, levaram-na a clamar a Deus. “Se o Senhor me conceder um filho, eu o entregarei totalmente a Ti.” Decorrido algum tempo, o decreto médico foi suplantado por uma ordem direta do Eterno. Do trono do Altíssimo saiu o novo e superior mandato... Minha mãe engravidou! E nove meses depois, eu nasci. Lembro-me de ter uma infância alegre numa casa bem simples e cheia de irmãos. Agora mesmo, enquanto escrevo estas linhas, passa um filme em minha mente daquele tempo repleto de experiências agradáveis. Um fato que jamais esquecerei ocorreu aos dez anos. Minha conversão. Recordo-me que sempre frequentei e participei da vida da igreja e nunca conheci o “mundo”... Porém, meu encontro com Jesus foi muito real e significativo para mim. Algo, que não sabia explicar na época, mudou em minha vida. Passei a ter uma consciência de Deus diferente de antes. A adolescência chegou, e com ela, muitas mudanças. Uma das mais sérias foi a minha visão de mim mesmo. Ao M A D E L M O F E R R E I R A 8 mesmo tempo que eu me envolvia cada vez mais com Deus e sua obra, também via crescer em meu interior uma tendência para cultivar pensamentos negativos a meu respeito. Dúvidas sobre minha salvação, culpas diversas, cobranças pessoais sem fim, medos, ansiedade. Era evidente que minha autoestima estava em frangalhos. Entrei na juventude adulta assim. Até que surgiu uma obsessão mental voltada para a doença, para os acidentes e para a morte. O pastorado e o casamento não me resolveram. E passei a viver os piores momentos de minha vida, sentindo a presença de um ser me observando e me seguindo por onde eu ia. Era certo para mim, a esta altura, que eu não viveria muito tempo. A morte tornou-se meu destino certo. Nunca esquecerei das viagens que fiz com a certeza de que morreria em algum acidente na estrada. Tinha a convicção que não viveria para ver minhas filhas crescerem. Para mim, o futuro era algo que simplesmente não existia. Não tinha muitos sonhos. E quando conseguia sonhar com um projeto de vida, a insegurança embaçava minha esperança de alcançardificuldade de reconhecer seu potencial e sofria com uma autoestima muito debilitada. Acabou passando por outras crises de depressão e não conseguia encontrar o seu lugar no mundo. Pensava com frequência que sua vida era um grande erro e esperava que a morte chegasse a qualquer momento. Os pesadelos eram recorrentes e sentia-se oprimida, mas não sabia porquê. Por fim, desenvolveu várias doenças psicossomáticas, inclusive, hipertensão. V O C A S T E L O D A M O R T E 63 Até que um dia recebeu de presente um livro com um título estranho que falava sobre libertação. A leitura de “Porcos na sala” finalmente abriu seus olhos para a realidade da guerra espiritual que estava vivendo durante todo esse tempo. Descobriu que, embora suas crises depressivas e sua ansiedade tivessem realmente fatores emocionais, sua mente era constantemente invadida por pensamentos negativos que não eram seus. A origem de toda a opressão mental era demoníaca. Movida por estas descobertas, procurou um ministério de intercessão qualificado que trabalhasse com libertação individual. Foi acolhida e ministrada por uma equipe de intercessores que a levaram, depois de ouvirem sua história, a renunciar todas as maldições familiares e a expulsar todos os espíritos malignos. Após sua libertação, chegou a dizer: “sinto-me leve e segura como nunca antes.” Depois desse dia sua mente passou a funcionar com serenidade e os pensamentos de autodepreciação foram sendo substituídos por uma visão otimista sobre si mesma e sobre o futuro. Hoje, Zoê desfruta de uma liberdade e alegria contagiantes e, inclusive, a partir de sua experiência, sentiu- se despertada para desenvolver um ministério de libertação e atualmente exerce este serviço em sua igreja. Este é um exemplo de alguém atingido pela fortaleza de morte. Zoê viveu aprisionada neste castelo mental mergulhada na mentira e sofrendo por muitos anos. Até A D E L M O F E R R E I R A 64 que a libertação chegou e sua mente tornou-se livre para absorver a verdade de Deus. Sua autoestima foi restaurada e hoje desenvolve seu ministério abençoando outras pessoas. E como ela, você também pode ser liberto das artimanhas das trevas e aprender a ver a si mesmo de uma forma nova e saudável. *A palavra grega “Zoê” significa “Vida” e, neste capítulo é usada como nome fictício da personagem da história e não se refere ao nome real de nenhuma pessoa específica. O C A S T E L O D A M O R T E 65 Conclusão “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” (Rm.5.17) em, estamos chegando ao final de nossas reflexões. Para mim foi maravilhoso ter feito esta jornada com você. Meu desejo e minha oração é que tudo o que foi exposto aqui sirva para sua libertação do castelo da morte. Estou convencido de que você nasceu para ser livre e para reinar em vida por meio de Jesus Cristo. Então, que tal colocar sua fé inteiramente na obra consumada da cruz e receber pela fé a “abundância da graça e o dom da justiça” para iniciar o seu reinado EM VIDA a partir de agora? B A D E L M O F E R R E I R A 66 Agradecimentos Introdução Parte 1: A OPERAÇÃO DO CASTELO DA MORTE UM CASTELO FEITO DE PENSAMENTOS Um castelo mental Um castelo mental feito de mentira e orgulho Um castelo mental feito de mentira e orgulho dentro de uma guerra espiritual MORTE: A MATRIZ DOS CASTELOS MENTAIS O castelo da morte Culpa Medo Vergonha A MENTE SUICIDA “Nasci para sofrer” “O mal sempre me aguarda” “Não tenho valor” “Sou uma vítima” “Ninguém se importa” “A melhor opção é morrer” O ESPÍRITO DE MORTE O CORPO EM SOFRIMENTO As fontes de doenças Doenças psicossomáticas Doenças de origem espiritual O castelo da morte e as doenças TRAGÉDIAS FATAIS Parte 2: A DESTRUIÇÃO DO CASTELO DA MORTE A VERDADE NA MENTE O poder de crer na verdade corretamente A COURAÇA DA JUSTIÇA A justiça de Deus realizada na cruz O perdão dos pecados A paz com Deus A COURAÇA DA FÉ E DO AMOR O CAPACETE DA ESPERANÇA DA SALVAÇÃO Parte 3: SEU DESTINO É A VIDA A VIDA EM ABUNDÂNCIA A comunhão do Espírito Santo O conhecimento da Palavra de Deus A participação na vida da igreja A HISTÓRIA DE ZOÊ* Conclusãoo que desejava. Na verdade, a ideia mais frequente que me ocorria era que algo ruim sempre estava por acontecer comigo. A sensação do mal me seguia de perto. Não conseguia acreditar que as coisas iriam dar certo em minha vida. O bem, o sucesso, a realização, a alegria, eram apenas para os outros, nunca para mim. Você pode imaginar como eu vivia atormentado? Depois de anos, cheios de altos e baixos emocionais, cultivando um sentimento profundo de rejeição, O C A S T E L O D A M O R T E 9 insegurança, medo, culpa e inferioridade, que me custaram períodos longos de intensa ansiedade e sintomas depressivos, algo novo começou a acontecer... Enfim, o céu disse basta ao meu sofrimento! Mais ou menos aos trinta e cinco anos tomei consciência de uma nova realidade que me cercava. Passei a perceber que o mundo espiritual era real e ativo. E nele havia um lado de escuridão e maldade. O Espírito Santo me proporcionou o encontro com pessoas que puderam me trazer explicações bíblicas para a guerra espiritual que sempre existiu em minha vida. A partir daí, aos poucos fui me dando conta de que os sintomas que eu sentia possuíam um fundo hereditário maligno. Guiado em todo tempo pelo Espírito, vivi um longo processo de libertação e renovação de mente. Descobri os nomes de várias entidades demoníacas que haviam me influenciado desde criança e o líder delas era o espírito de morte. A medida que estas entidades eram confrontadas, sua operação em minha mente diminuía. Descobri, finalmente que o ser que me seguiu durante anos era o próprio espírito de morte e que havia sido ele quem construiu em mim uma espécie de “castelo” ou “fortaleza” de mentiras que me fizeram permanecer fechado para a verdade e bloqueado para o conhecimento pleno da graça cuidadora de Deus. A guerra que travei foi intensa e longa. Mas, valeu a pena! Pude ver as portas do meu cárcere se abrirem e a luz do evangelho entrar, dissipando as trevas do engano. A A D E L M O F E R R E I R A 10 maldição foi quebrada em minha vida e a sentença de morte que pairava sobre mim foi cancelada para sempre! Minha autoestima foi sendo reconstruída e as obsessões compostas de pensamentos negativos foram cedendo espaço diante do confronto com a verdade mais profunda e significativa em que passei a crer: DEUS ME AMA E CUIDA DE MIM! Descobri que havia nascido por um decreto de Deus e que eu existia para um propósito elevado. Tornei-me convicto que meu chamado e minhas potencialidades me foram dados pelo Eterno para o cumprimento de uma missão específica no mundo. A esta altura o sucesso passou a fazer parte de minhas certezas na vida e os sonhos e projetos davam brilho e frescor aos meus dias. Agora, eu podia dizer como o salmista: “Não morrerei, mas viverei e contarei as obras do Senhor.” (Sl. 118.17) Bom... Em resumo, esta é a minha história. Hoje, sei muito bem quem sou e qual é o meu valor. Conheço minha vocação e a missão que preciso realizar neste mundo. Tenho alegria em ser pastor e mestre. Minha esposa e minhas filhas são presentes caríssimos que Deus me deu. Há dois meses pude ver o rosto de meu primeiro neto e cada vez que o pego no colo, não consigo deixar de sorrir. Eu não apenas estou vivo, mas além disso, posso contemplar minha segunda geração! Isto se chama VIDA! Eu nasci para isso. Existo para viver! Quando decidi escrever este livro, houve uma motivação maior que simplesmente contar minha história. O C A S T E L O D A M O R T E 11 A verdadeira razão para esta iniciativa foi a descoberta triste de que existe um número absurdo de pessoas sofrendo o que eu sofri, e muitas delas em graus de sofrimento bem mais intensos do que o meu. Talvez, meu querido leitor, você seja uma dessas pessoas... E se for, sei que a ideia de adquirir este livro e começar a lê-lo foi uma iniciativa do Espírito Santo para conduzir você ao processo de libertação e de cura de que precisa. Por isso, não pare pela metade. Vá até o final e você nunca mais será o mesmo. Pretendo tratar de modo breve sobre este castelo da morte. Suas origens, sua constituição e, principalmente, sua destruição possível e necessária. Em função da seriedade e repercussão espiritual deste assunto, antes de iniciar a leitura à frente, peço que você faça uma oração comigo, agora, para sua proteção e garantia de que você irá absorver tudo o que Deus quer lhe falar através deste livro. Declare assim: “Deus Soberano, coloco agora toda minha confiança em Ti e em Teu amor. Peço que me proteja com o poder eficaz do sangue de Cristo durante o processo de leitura deste livro e que Tua poderosa mão esteja sobre mim. Livra-me do mal e dos poderes das trevas. Dá-me revelação de Tua bendita Palavra e realiza em minha vida a libertação e renovação de mente de que necessito. Obrigado(a) pela obra de Cristo na cruz e pela operação do Teu Espírito em mim. Coloca-me no centro de Tua vontade. Em nome de Jesus, amém.” A D E L M O F E R R E I R A 12 Parte 1: A OPERAÇÃO DO CASTELO DA MORTE O C A S T E L O D A M O R T E 13 Capítulo 1 UM CASTELO FEITO DE PENSAMENTOS “...pois as armas da nossa guerra não são meramente humanas, mas poderosas em Deus, para destruição de fortalezas; derrubando sofismas e toda altivez que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” (II Co. 10.4-5) ara iniciar nossas reflexões, vamos fazer uma pequena análise de três palavras-chave que Paulo usa nesta passagem: fortaleza, sofisma e altivez. O entendimento delas nos permitirá chegar a uma definição bem precisa do significado de nosso tema e de sua constituição. A palavra “fortaleza” que aparece neste texto deriva-se de um termo que traz a ideia de “controle mental”. Na passagem, significa “castelo, lugar seguro”. E pode também se referir aos “argumentos e raciocínios pelos quais uma pessoa esforça-se para fortificar sua opinião e defendê-la contra seu oponente.” “Sofisma” significa “conta, cálculo” ou ainda, “pensamento, raciocínio que é hostil à fé cristã”. E “altivez” se refere a “uma estrutura elevada, uma barreira ou proteção”. P A D E L M O F E R R E I R A 14 Quando fazemos a análise destas palavras, ficam evidentes algumas verdades a respeito do significado de “castelo” ou “fortaleza”. Um castelo mental Primeiramente, este castelo consiste numa realidade construída na mente humana. Esta fortaleza está situada em nossas cognições, isto é, em nossas ideias, crenças, imaginações, percepções, fantasias e memórias. Então, estamos falando de um castelo mental. Sua estrutura e seu funcionamento se localizam em nossas mentes, afetando, obviamente nossas emoções e nossa capacidade de tomada de decisões. Por fim, influencia nossos comportamentos e modo de ser. Esta primeira verdade fica bem clara quando Paulo afirma que o grande e final objetivo da destruição das fortalezas é levar “todo pensamento cativo à obediência de Cristo.” E nesta frase, já encontramos a definição da vitória sobre os castelos mentais, inclusive o castelo da morte. A vitoria consiste em termos nossas mentes treinadas para funcionar em harmonia com a própria Mente de Cristo! E aí, não sobra espaço para as mentiras de Satanás. Um castelo mental feito de mentira e orgulho A segunda verdade é que os castelos mentais são formados por “sofismas” e pela “altivez”. Estes dois elementos constituem o material de que são feitas as fortalezas da mente. É como um castelo antigo formado por altas muralhas. Cada pedra que compõe estas fortificações constituem os O C A S T E L O D A M O R T E 15 raciocínios hostis à verdade do evangelho e as barreiras de soberba levantadas contra o conhecimento de Deus. As palavras que resumem este material formador doscastelos malignos são: mentira e orgulho. A mentira se refere ao conteúdo dos pensamentos e crenças que permeiam a mente e formam os argumentos. E o orgulho consiste na atitude mental reprovável de se proteger contra a possibilidade de mudar a percepção, a interpretação e o modo de pensar a respeito de si mesmo e da vida em geral, com base na verdade de Deus. Esta atitude de fechamento diante da mudança pode até possuir a intenção inconsciente de proteção, como alguém dentro de um castelo tende a se sentir seguro contra possíveis ataques de fora... No entanto, o que inicialmente era para proteger, acaba tornando-se num modo limitado de visão e de comportamentos. Imagine uma pessoa dentro de um castelo durante muitos anos. Sua visão torna-se fechada e sua maneira de viver pode cair numa rotina sem sentido e aprisionada. Um castelo mental feito de mentira e orgulho dentro de uma guerra espiritual A terceira verdade que aparece no texto é a seguinte. Os castelos mentais são partes essenciais dentro da guerra espiritual que Satanás trava contra nós. Isto significa dizer que as fortalezas não são apenas pensamentos negativos que nos ocorrem. Não! Elas são armas. Os castelos são estratagemas diabólicos instalados em nós para servirem de pontos de contato entre as forças das A D E L M O F E R R E I R A 16 trevas que operam nas regiões celestes, e nosso mundo interior. As fortalezas são extensões da mente de Satanás implantadas em nós como um “chip”, ligando-nos ao modo como os demônios pensam. Os castelos mentais são bases de operação do Diabo que permitem que sejamos manipulados por meio do engano. Esta verdade é por demais séria e com implicações assustadoras. É por isso que Paulo menciona primeiro que “as armas da nossa guerra não são meramente humanas, mas poderosas em Deus para a destruição dos castelos...” Esta é a NOSSA GUERRA! Ela é travada, perdida ou vencida no campo de batalha da mente. Com estas verdades em evidência, podemos concluir este capitulo definindo os castelos ou fortalezas como esquemas mentais malignos construídos em nós a partir de pensamentos de engano e de uma atitude soberba e fechada para a verdade de Deus. E tudo isso, dentro do contexto da guerra espiritual que travamos contra Satanás. Oração “Senhor, abro o meu coração para a Tua Palavra. Agradeço porque o Espírito Santo ainda fala hoje com o homem. Deus, o Senhor revela o profundo e o escondido. Por favor, lança a Tua bendita luz sobre mim e dissipa todas as minhas trevas. Examina o meu interior e vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno. Perdoa-me, Senhor, pela minha receptividade a mentira e também pelo orgulho que eu sei que existe em mim. Coloco-me inteiramente debaixo da operação do poder do sangue de Cristo e da Tua abundante graça. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 17 Capítulo 2 MORTE: A MATRIZ DOS CASTELOS MENTAIS “Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn.2.16-17) “Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que costuraram folhas de figueira, e fizeram para si tangas. E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me.” (Gn.3.6-10) “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram.” (Rm.5.12) o capítulo anterior vimos que os castelos ou fortalezas são estruturas ou esquemas mentais constituídos por mentiras e por uma atitude de orgulho que N A D E L M O F E R R E I R A 18 se levantam CONTRA o conhecimento de Deus. Também vimos que os castelos mentais são plantados em nós por Satanás e servem de pontos de contato e de manipulação das trevas em nosso interior. Neste capítulo vamos entender um pouco melhor o que é o castelo da morte. O castelo da morte É evidente que existem tipos diversos de fortalezas mentais. Podemos falar, por exemplo, de fortaleza de rejeição, de fortaleza de amargura, de fortaleza do medo, e por aí em diante. No entanto, existe uma fortaleza que, além de ter sido a primeira a entrar no homem, tornou-se a matriz de todas as outras. Esta é a fortaleza da morte. Os textos citados acima se referem precisamente ao momento em que o castelo da morte passou a residir na mente humana. A porta de entrada foi a desobediência à ordem de Deus. E a sentença para esta atitude era “certamente MORRERÁS”. Sob a influência dos argumentos de Satanás, o homem pecou e a morte entrou nele, imediatamente. E ao entrar, ela alterou por completo o modo de funcionamento de sua mente. É claro que a morte física só chegaria bem mais tarde. Porém, o aspecto mais fundamental da morte passou a operar instantaneamente. O significado mais essencial da morte é a DESCONEXÃO. Morrer significa, antes de tudo, a ruptura da relação da criatura com o Criador. É o corte da ligação entre o homem e a Fonte Suprema da vida. Nesse sentido, a morte se trata, antes e acima de tudo, num rompimento O C A S T E L O D A M O R T E 19 relacional com Deus e não em sofrimento físico ou emocional. Este sofrimento é decorrente desta relação desfeita. Morte é quebra de relacionamento. E quando a relação com Deus é interrompida, o melhor que se pode esperar é uma existência confusa, vazia de sentido, sem poder e cheia de enganos. A desconexão com Deus gerou na mente humana um estado de relativismo quanto ao conhecimento da verdade. O homem perdeu a referência moral absoluta que só existe em Deus e em sua Palavra. A partir daí, a mente do ser humano tornou-se um solo fértil para o Inimigo plantar livremente seu “joio” de engano e inversão de princípios e valores. Vejamos o que o homem passou a experimentar debaixo da operação da morte em sua mente. Culpa Imediatamente após escolher a desobediência contra Deus, o homem tomou consciência do pecado em sua forma mais dolorida, a culpa. Ele nunca havia sentido algo semelhante. Sua mente o acusava de ter atravessado os limites como criatura. E os pensamentos que passaram a ocupá-la foram se distanciando cada vez mais da verdade. Medo Adão disse a Deus: “tive medo e me escondi.” A consciência culpada produziu no homem uma reação de medo e fuga. Podemos imaginar como a mente daquele casal estava assustada ao reconhecer que a partir dali eles teriam que lidar com a imensidão do mundo, sozinhos. A A D E L M O F E R R E I R A 20 proteção e a segurança do Édem haviam terminado. Além do medo de Deus, havia o medo de enfrentar a vida por conta própria. Vergonha Antes do pecado, Adão e Eva não se envergonhavam, mesmo estando nus. Quando a morte entrou, surgiu a vergonha. Por isso, a necessidade de cobrir a nudez. A questão agora estava na mente. Para concluir este capítulo, podemos afirmar que a entrada da morte no mundo provocou uma grande mudança na mente humana. E o estado mau que se instalou dentro do homem serviu de base para a formação das diversas fortalezas mentais que foram sendo produzidas, a partir do castelo da morte. Oração “Senhor, lamento muito pela existência do pecado em mim e na humanidade, e também porque, por ele, a morte entrou em minha vida e alterou radicalmenteo funcionamento de minha mente. Reconheço que existem sinais claros da morte em meus pensamentos e no meu modo de ser. Livra-me, Senhor, da culpa, do medo e da vergonha que me perseguem. Espero completamente em Ti e no poder do Teu amor e perdão. Conceda-me experimentar a vida que preparaste para mim. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 21 Capítulo 3 A MENTE SUICIDA “Porque como pensa em sua mente, assim ele é.” (Pv.23.7) imos no último capítulo as origens da morte na história humana e sua influência na formação dos castelos mentais. Além disso, entendemos também que o significado mais profundo da morte em nós foi a ruptura de nossa relação com a Fonte Suprema da vida, o que provocou uma mudança radical no funcionamento de nossas mentes. E os primeiros sintomas malignos que a raça humana experimentou como manifestação da entrada da morte foram a culpa, o medo e a vergonha. Agora chegou o momento de irmos um pouco mais fundo na descrição da fortaleza de morte e vermos, em nossas vivências, como ela opera em nós. “Mente suicida” talvez seja a melhor expressão para descrever o modo como o castelo da morte atua em nossas cognições. Não significa necessariamente que a pessoa que possui esta mentalidade irá um dia dar fim a sua vida. Porém, retrata o fato de que o suicídio não se resume ao ato letal de se enforcar, jogar-se de algum prédio ou de se encher de medicamentos. V A D E L M O F E R R E I R A 22 O suicídio se desenvolve, na verdade, no modo como o indivíduo pensa e naquilo em que ele acredita sobre si mesmo. É um estado de mente onde a pessoa se priva de usufruir da vida em toda sua riqueza e alegria. Afinal, há uma grande diferença entre apenas existir e, realmente, viver. A fortaleza de morte consiste exatamente num esquema mental onde a percepção da realidade a nosso respeito, bem como das circunstâncias que nos ocorrem, fica comprometida. Assim, passamos a interpretar o que nos acontece de forma distorcida e a nos ver de modo negativo. Estas distorções mentais fluem obrigatoriamente numa única direção: A AUTODESTRUIÇÃO! O mais incrível é que tudo que se passa de ruim nesta mente corrompida é assumido e crido pelo indivíduo como a mais pura verdade. E quando uma mentira é tomada como verdade, os resultados desastrosos são tão reais quanto se ela fosse realmente verdade. O fluxo letal das distorções mentais aponta sempre para uma autoestima baixíssima, para uma mentalidade voltada para a ocorrência do mal, para a vitimização e para o desejo pela morte. Vamos tentar decifrar melhor como funciona esta mente suicida. Para isso, procurei colocar as distorções mentais em forma de frases. Vejamos as principais. “Nasci para sofrer” A pessoa com uma mente autodestrutiva se percebe destinada ao sofrimento. É como se ela não tivesse direito à O C A S T E L O D A M O R T E 23 felicidade. Sua visão é tão negativa que uma doença ou um acidente que lhe ocorram são tomados como situações que fazem parte de sua “herança” neste mundo. As perdas são vividas com profunda dor e muita angústia. E a vida em geral é experimentada com um gosto amargo. Muitas vezes, estes pensamentos voltados para o sofrimento desencadeiam sintomas depressivos e de ansiedade. “O mal sempre me aguarda” Uma outra distorção da mente suicida é a convicção de que as coisas nunca dão certo na vida da pessoa. Pelo contrário, existe sempre a expectativa de que algo ruim irá acontecer. E isso, a qualquer momento. É como se houvesse uma conspiração da vida para sabotar os planos e os desejos que possam existir na alma. Torna-se frustrante fazer uma viagem, por exemplo, esperando que algum acidente irá ocorrer. Ou, então, que o concurso que irá prestar será um fracasso e uma grande perda de tempo. Afinal, não se pode esperar nada de bom na vida. As coisas ruins são a regra. As boas são uma exceção. É comum que a pessoa que vive com esta “esperança maligna” desenvolva medos horríveis, inclusive, fobias diversas e hipocondria (mania de doença). “Não tenho valor” O senso de falta de importância sempre persegue a mente autodestrutiva. A pessoa sofre, de forma crônica, de uma certeza de que é inferior aos outros. Existe uma sombra escura de desqualificação pessoal influenciando A D E L M O F E R R E I R A 24 cada pensamento. E com a inferioridade vem a timidez e a supervalorização da opinião do outro. Se a pessoa pensa ou diz algo, está errado. Se o outro pensa ou diz a mesma coisa, está certo. Em alguns casos, o indivíduo com esta ausência de valor-próprio pode desenvolver um quadro de fobia social (timidez patológica) ou se resignar a ter uma vida social muito restrita, bem como interromper o avanço nos estudos e na vida profissional. Além disso, a expressão da afetividade fica comprometida e a pessoa pode nem chegar a formar uma família. “Sou uma vítima” Uma outra distorção muito comum na mente suicida é a vitimização. Simplesmente, chega um ponto em que o indivíduo perde a capacidade de assumir a responsabilidade pela sua própria vida. E, como consequência, a culpa por ele ser do jeito que é e pelas coisas darem errado, é sempre dos outros. É praticamente inevitável que a pessoa-vítima se torne intolerante à críticas ou a qualquer sinal de reprovação. A ideia e o sentimento de rejeição tornam-se imperativas no modo de se relacionar com os outros. É comum que tal indivíduo apresente uma suscetibilidade exagerada diante dos erros das pessoas, sentindo-se ferida e magoada facilmente e criando dentro de si um reservatório enorme de ressentimento e amargura. A dificuldade de perdoar é óbvia. O C A S T E L O D A M O R T E 25 “Ninguém se importa” Outra noção distorcida da mente autodestrutiva é a ideia rígida de que os outros não “ligam” para o seu sofrimento. Este modo de pensar indica uma resistência do indivíduo de receber amor e demonstrações de afeto, até mesmo da família e dos amigos. Neste caso, a consequência não pode ser outra a não ser a solidão e o sentimento de desamparo. “A melhor opção é morrer” A mente suicida vive uma tendência constante de encarar a morte física como uma saída viável e até desejável. Para os religiosos que acreditam na vida pós- morte, partir deste mundo soa como a passagem para um estado de existência melhor e superior. Seja uma ida para o céu ou para um novo estágio no processo de reencarnação, a finalização da vida aqui faria cessar o sofrimento e aliviaria o fardo de trabalho e preocupação dos que vivem no entorno da pessoa. Infelizmente, muitos casos terminam em suicídio letal. Concluindo este capítulo, vale ressaltar que este tipo de mentalidade que chamo de mente suicida, consiste na essência do castelo da morte. É desse modo que a mentira opera no indivíduo, tornando-o um refém das distorções mentais em que acredita e da influência de demônios. Prisioneiro num cárcere dentro de si mesmo. A D E L M O F E R R E I R A 26 Oração “Senhor, admito que minha mente pensa e acredita em muitas ideias erradas sobre mim mesmo e sobre os outros. São pensamentos auto-destrutivos que me atormentam, destroem minha alma e bloqueiam meus relacionamentos e realizações. Lamento, Senhor, por pensar tantas mentiras. Eu me arrependo de ter admitido que estes pensamentos ficassem em minha mente durante tanto tempo. Por favor, renova meu modo de pensar e ensina-me a absorver a vida de Cristo em minha mente. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 27 Capítulo 4 O ESPÍRITO DE MORTE “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio. Porque ele te livra do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. Ele te cobrecom as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel. Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia, nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia. Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação, nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.” (Sl.91.1- 6;9-10;13) o capítulo anterior falamos sobre a mente suicida ou autodestrutiva como a essência do modo como o castelo da morte opera em nós. Chegou o momento, entretanto, que precisamos tratar do ponto de maior repercussão espiritual deste tema. Vamos falar agora dos seres espirituais malignos que normalmente estão alojados e atuam nas fortalezas de morte. Para isso, iremos usar o Salmo 91. N A D E L M O F E R R E I R A 28 Doze. Este é o número de seres malignos citados neste salmo. São eles: “Laço do passarinheiro”, “Peste perniciosa”, “Terrores noturnos”, “Seta que voa de dia”, Peste que anda na escuridão”, “Mortandade que assola ao meio-dia”, “Calamidade” (mal), “Doença” (praga), “Leão”, “Cobra venenosa”, “Filho do leão” e “Dragão” (serpente, monstro marinho ou dinossauro). Todos estes seres representam entidades espirituais malignas. E todos atuam com os mesmos propósitos: causar o mal, destruir, prender, fazer sofrer e matar. Eles operam sob o comando do espírito de morte. O espírito de morte é o principal demônio que age por meio do castelo da morte. Ele opera na mente prendendo-a com as cadeias dos pensamentos e crenças distorcidas, tais como aquelas que vimos atuando na mente suicida. As distorções cognitivas são os argumentos aprisionadores da mente. E uma vez tendo a mente cativa e sob seu comando, o espírito de morte pode provocar danos no espirito humano, nas emoções, na vontade e no funcionamento do corpo. Além disso, pode também bloquear os relacionamentos sociais. Num grau mais avançado de influência, este espírito pode manipular situações na vida de suas vítimas ocasionando enfermidades emocionais e físicas, como também acidentes fatais ou mortes estranhas. É comum acontecer do espírito de morte entrar numa linhagem familiar e ir passando de geração em geração. Quando isso ocorre, pode-se verificar, numa análise O C A S T E L O D A M O R T E 29 genealógica, que vários males, doenças e tipos de morte se repetem ao longo do tempo com diversos membros da família. Infelizmente, muitas pessoas que sofrem com os castelos de morte, não têm nenhum conhecimento da existência e da ação do espírito de morte e de seus comparsas. Esta falta de conhecimento da realidade espiritual geralmente custa um preço bem alto a elas. Preço que pode ser pago com muito sofrimento emocional e físico. E algumas chegam a pagar com uma história de opressão constante e até com a vida. A boa notícia, entretanto, é que o espírito de morte pode ser derrotado! No mesmo salmo 91 encontramos promessas de livramento, proteção e vitória. O salmista diz que Deus nos “livrará”, nos “cobrirá com as suas penas” e “debaixo de suas asas” estaremos seguros. Afirma que nós não nos assustaremos com os poderes das trevas e que não seremos atingidos, mesmo que milhares caiam ao nosso redor. Garante que o mal não entrará em nossa casa e que os anjos receberão ordens para nos guardarem em todos os caminhos por onde andarmos. Ele declara ainda que temos autoridade para pisar e dominar sobre os inimigos e que Deus nos responderá quando clamarmos e estará conosco na angústia para nos salvar e nos glorificar. E além de tudo, receberemos fartura de dias, ou seja, viveremos muito! O grande segredo, porém, para o cumprimento de todas estas promessas está no início do salmo: habitar no esconderijo do Altíssimo! Este é o lugar onde precisamos A D E L M O F E R R E I R A 30 fixar residência. Somente ali poderemos descansar em perfeita paz e segurança. Completamente protegidos da operação do espírito de morte. Oração “Senhor, Tu és o Deus Altíssimo e Todo-poderoso! Eu desejo e necessito habitar em Teu esconderijo e descansar em Tua sombra. Tenho sido perseguido pelo espírito de morte e por espíritos destruidores. Por favor, Senhor, liberta minha mente da opressão e livra-me das armadilhas da morte. Salva-me, ó Deus, das mãos de meus inimigos e me põe em segurança debaixo de Tuas asas. Tu és a minha fortaleza em que confio. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 31 Capítulo 5 O CORPO EM SOFRIMENTO “Pois de fato (Epafrodito) esteve doente e quase à morte; mas Deus se compadeceu dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Fp.2.27) “Assim a sua fama (de Jesus) correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos; e ele os curou.” (Mt.4.24) “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores.” (Is.53.4) cabamos de falar sobre o espírito de morte e de seus comparsas, e também de sua operação associada ao castelo da morte. E uma das formas mais dolorosas usadas por estes demônios para oprimir as suas vítimas é por meio do ataque a saúde do corpo, afligindo-lhe enfermidades, tormentos e dores. É sobre este ponto que iremos tratar agora. A A D E L M O F E R R E I R A 32 As fontes de doenças Existe uma diferença entre as quatro fontes de doenças físicas. Primeiramente, elas podem ser genéticas ou hereditárias, surgindo como herança da formação da anatomia (estrutura dos órgãos) e da fisiologia (funcionamento dos órgãos e sistemas) do corpo. Uma segunda fonte é o desenvolvimento de males físicos por conta de hábitos alimentares errados, falta de descanso adequado, sedentarismo, estresse intenso e prolongado e outros fatores que conspiram contra a boa saúde. Ainda neste ponto também se encontram os fatores ambientais e situacionais que podem trazer danos ao corpo, como acidentes que deixam sequelas, por exemplo. A terceira fonte é a psicossomática, ou seja, aquelas doenças que aparecem no organismo em decorrência de conflitos ou transtornos psicológicos. E a derradeira fonte é a espiritual. É sobre estas duas últimas fontes que trataremos, de modo breve, neste capítulo. Doenças psicossomáticas Este grupo de enfermidades decorre de um mau funcionamento mental e emocional. As distorções cognitivas contidas no castelo da morte têm o poder de influenciar o modo como o corpo funciona, ativando sintomas nos diferentes órgãos e sistemas orgânicos, tais como, enxaqueca, desmaios, convulsões, gastrite, úlcera estomacal, constipação, dormências, taquicardia, arritmia cardíaca, febre, dores em geral e baixa no sistema O C A S T E L O D A M O R T E 33 imunológico, tornando o organismo suscetível à infecções diversas. Em estágios mais prolongados e avançados da influência dos problemas psicológicos, os quadros clínicos podem chegar a hipertensão arterial, dores fortes e crônicas em membros do corpo, complicações neurológicas, cardiovasculares, digestivas, endócrinas e de outros sistemas, a ponto de comprometer a integridade física do indivíduo e levá-lo à morte. Doenças de origem espiritual A influência demoníaca sobre a saúde física de uma pessoa é real, infelizmente. E o conjunto de enfermidades e tormentos que podem ser provocados por esta influência é difícil de ser delimitada. Pode ser desde uma dor de cabeça simples até um câncer. As Escrituras falam da existência do “espírito de enfermidade”. Jesus mesmo o expulsou do corpo de uma mulher que andava encurvada por influência deste espírito. (Lc.13.11-16). Há muitos relatos de casos de pessoaspertencentes a uma mesma linhagem familiar que sofrem de doenças que se repetem nas gerações devido à presença de maldições hereditárias e da operação de demônios que agem naquela família. É o ponto onde a influência espiritual se mistura com a hereditariedade. Não é difícil lembrar de famílias onde os filhos sofrem com as mesmas doenças dos pais, dos avós, dos tios, e por aí em diante. A D E L M O F E R R E I R A 34 O castelo da morte e as doenças O ponto que desejo destacar aqui é justamente a relação destas duas fontes de doenças com o castelo da morte. A relação existe mesmo. Por um lado, as distorções mentais que constituem a fortaleza de morte são extremamente propícias ao surgimento dos transtornos psicológicos que geram doenças. E por outro lado, os espíritos malignos que atuam ligados ao castelo da morte podem provocar diversas enfermidades e tormentos. Entretanto, seja qual for o caso, tanto as enfermidades de origem psicológica quanto as provocadas por espíritos malignos, todas elas podem ser curadas pelo poder do sangue de Cristo e pela renovação da mente, através do conhecimento da verdade da Palavra de Deus. Oração “Senhor, reconheço que Tu és o Deus que cura. Necessito de Tua mão sobre mim, pois ando em sofrimento. Padeço de enfermidades, tormentos e dores no corpo. Por favor, sara-me! Renova minha mente e equilibra minhas emoções. Liberta-me dos espíritos de enfermidades e restaura a minha saúde. Declaro que Cristo padeceu em meu lugar e levou sobre Si todas as minhas doenças. Por isso, eu tomo posse de minha cura pela fé. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 35 Capítulo 6 TRAGÉDIAS FATAIS “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará.” (II Co.1.8-10) ara concluir esta primeira parte de nossas reflexões a respeito da operação do castelo da morte, além de termos falado no capítulo anterior sobre as doenças e sofrimentos diversos que podem acometer o corpo humano em função de problemas psicológicos ou por fonte demoníaca, ainda precisamos tratar de um tema que também pode estar relacionado, em muitos casos, com o castelo da morte. Trata-se dos eventos trágicos que ocorrem no mundo, deixando um rastro de vítimas fatais para trás e que podem ser planejados e arquitetados pelo Diabo. P A D E L M O F E R R E I R A 36 É curioso e assustador o fato de muitas pessoas receberem na mente um pensamento demoníaco de que irá sofrer um acidente na viagem que fará, e exatamente naquela viagem morrer por causa de uma estranha colisão. Alguns chamam isso de pressentimento. Mas, na verdade, é uma conspiração do espírito de morte para fazer mais uma vítima fatal. E não, sem antes torturar-lhe a mente e as emoções com medo e pavor. Os inúmeros casos envolvendo fenômenos naturais catastróficos, com enchentes, furacões, tsunamis, terremotos, tempestades, quedas de aviões, acidentes automobilísticos e tragédias de menor escala, como atropelamentos, em muitos casos não são apenas causados por fatores meteorológicos, climáticos ou por falhas tecnológicas ou humanas. Muitas vezes, a tragédia não é fruto apenas de um funcionamento caótico do mundo, mas da manipulação direta de Satanás sobre eventos naturais e sociais, tanto em âmbito coletivo quanto individual. Graças a Deus, que como Paulo citou no texto acima, a respeito de seu livramento da morte na Ásia, podemos experimentar o socorro, o livramento e a proteção do Altíssimo. Ele está pronto para nos guardar do Maligno e de seus ataques. Não precisamos viver com medo neste mundo! O Senhor nos promete sua presença no meio dos perigos e tribulações. O C A S T E L O D A M O R T E 37 Assim como Ele esteve com os três homens lançados na fornalha e os livrou da morte, da mesma forma estará conosco no tempo de guerra e de perseguição das trevas. E como Deus não impediu que Daniel fosse jogado na cova dos leões, Ele pode permitir que algum mal nos sobrevenha. Porém, do mesmo modo que o Eterno soube livrar o profeta naquela cova, Ele saberá nos salvar no dia da tribulação e nos manter intactos. Aleluia! Oração “Senhor, Tu és o Criador dos confins da terra! Teu é o poder e Tua é a força! Tu dominas sobre tudo e nada acontece sem a Tua permissão. Tu és Soberano e Teu governo não tem fim! Entrego minha vida aos Teus cuidados. Livra-me do Maligno no dia mau. Guarda-me, Senhor, para os Teus propósitos e para Tua glória. Amém!” A D E L M O F E R R E I R A 38 Parte 2: A DESTRUIÇÃO DO CASTELO DA MORTE O C A S T E L O D A M O R T E 39 Capítulo 7 A VERDADE NA MENTE “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade...” (Ef.6.14) “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento...” (I Pd.1.13) “...tudo o que é verdadeiro... nisso pensai.” (Fp.4.8) em, chegamos a segunda parte de nossas reflexões. Na parte 1 consideramos a operação do castelo da morte na mente humana, suas origens na Queda, seu funcionamento mental autodestrutivo e sua ligação com os poderes das trevas. Nesta parte, vamos procurar compreender como o castelo da morte pode ser destruído. E para isso, tomaremos como base a afirmação de Paulo em sua carta aos coríntios: “...pois as armas da nossa guerra não são meramente humanas, mas poderosas em Deus, para destruição de fortalezas...” (II Co.10.4) B A D E L M O F E R R E I R A 40 A boa notícia é que existem armas que não são meramente humanas, antes, são armas “poderosas EM DEUS para destruição de fortalezas”, incluindo o castelo da morte. Que armas são estas? É exatamente isso que iremos descobrir a partir de agora. O cinto da verdade A primeira arma que encontramos nas Escrituras para destruir o castelo da morte é o conhecimento da verdade. Ou seja, a verdade tem que ser absorvida pela mente a fim de produzir o seu efeito libertador. “...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo.8.32) Verdade não conhecida, não liberta. É necessário que ela entre e opere na mente para que haja libertação. Por muito tempo eu não entendi porque Paulo, falando à igreja de Éfeso, orientou os irmãos a se revestirem da armadura de Deus começando pelo “cinturão da verdade”. Ora, sempre imaginei que um cinturão seria posto num soldado como uma peça sobre a armadura, portanto, deveria ser colocada depois de outras partes. E isso não combinava com a sequência proposta por Paulo. Na verdade, a palavra “cinturão” nunca foi mencionada pelo apóstolo em sua carta aos efésios. Ele usou um verbo que significa “cingir-se, amarrar as vestes com um cinto na altura dos lombos”. A partir desta descoberta no texto, pude entender que Paulo estava se referindo ao fato de todo soldado possuir O C A S T E L O D A M O R T E 41 vestes, normalmente túnicas, que eram usadas por debaixo da armadura propriamente dita. Ninguém colocava uma armadura sobre a pele nua. Havia uma veste por baixo que precisava ser posta primeiro e amarrada com um cinto. E é precisamente esta figura do cinto que amarra a primeira veste, que Paulo está referindo-se aqui para representar a verdade. O apóstolo está dizendo que o vestido debaixo da armadura precisa estar cingido para servir de preparo a fim de que as peças que serão postas depois, principalmente a couraça, sejam colocadas adequadamente. Do contrário, as vestes ficariam soltas por baixo da armadura e atrapalharia o soldado em seudesempenho militar. De igual modo, o conhecimento da verdade consiste na base ou preparo do guerreiro para o uso das outras armas de guerra. Pedro confirma esta ideia quando nos fala para “amarrarmos a cintura de nossa mente a fim de que as vestes não fiquem esvoaçantes”. Em resumo, precisamos ter mentes focadas na verdade, sem distrações com os enganos de Satanás. Apontando neste mesmo sentido, Paulo, escrevendo aos filipenses ordena que a mente dos irmãos seja ocupada apenas com pensamentos bons, puros, justos, mas, primeiramente, que ela se ocupe com “tudo o que é verdadeiro”. Claro está que nunca conseguiremos destruir o castelo da morte e seus esquemas de mentira sem o conhecimento da verdade. A mente precisa estar encharcada pela verdade e focada nela. Sem a verdade na mente nos tornamos reféns do inimigo. A D E L M O F E R R E I R A 42 O poder de crer na verdade corretamente A palavra “verdade” nos escritos do Novo Testamento sempre significa “aquilo que corresponde aos fatos, realidade, o oposto ao que é fictício ou imaginário.” Este significado é altamente relevante, pois estamos falando do conteúdo de nossos pensamentos e crenças. E tendo em vista que o Diabo é o “pai da mentira” e que não há verdade nele, uma vez que nossa mente se “cinge” com a realidade, não sobra espaço para sermos vítimas da operação maligna. Nosso grande desafio inicial e básico para destruir o castelo da morte é absorver a verdade na mente. Nosso modo de pensar, perceber e interpretar o mundo deve ser fundamentado na realidade dos fatos que se relacionam conosco, principalmente sobre quem somos. Aquilo que tomamos como verdade e em que acreditamos irá influenciar todo o funcionamento de nosso interior. Existe uma sequência de níveis de influência em nossa personalidade que não pode ser alterada. É como uma cadeia de comando que opera em nosso ser. Ela funciona assim: nossas crenças influenciam nossos pensamentos, e estes influenciam nossas emoções. Estas, por sua vez, acabam atingindo nossas decisões e comportamentos. Um exemplo. João acredita que nasceu para sofrer e que é um fracassado e incapaz. Seus pensamentos e interpretação dos fatos a sua volta serão distorcidos por estas crenças e suas emoções expressarão tristeza, frustração e amargura. Logo, suas escolhas e comportamentos manifestarão medo, desânimo, isolamento e, até mesmo, agressividade. O C A S T E L O D A M O R T E 43 Você percebe como as crenças que temos são fundamentais e determinantes em nossos esquemas mentais? Aquilo que tomamos como verdade desencadeia em nós o bem ou o mal, a saúde ou a doença, a vida ou a morte. Para destruirmos o castelo da morte, o primeiro passo é alinhar nossas crenças com a verdade. Há um poder que é liberado em nós quando passamos a crer corretamente. E para isso acontecer só existe um meio: conhecer o que Deus diz em sua Palavra, sobre nós e sobre tudo o que nos diz respeito. Nos próximos capítulos examinaremos algumas destas verdades que devem estar operando em nossas mentes e que nos servirão de armas “poderosas em Deus” para destruição do castelo da morte e de suas mentiras. Oração “Senhor, eu te louvo pela revelação da verdade que há em Tua Palavra! Reconheço que, infelizmente tenho pensado e crido em muitas mentiras e enganos. Porém, me arrependo por isso e renuncio agora a todo pensamento e a toda crença que se ergue contra Teu conhecimento. Decido cingir a minha mente com a verdade e a permanecer nela. Amém!” A D E L M O F E R R E I R A 44 Capítulo 8 A COURAÇA DA JUSTIÇA “...e vestida a couraça da justiça...” (Ef.6.14) “Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rm.3.21-26) o capítulo anterior pudemos compreender melhor a primeira arma que destrói os castelos mentais. O “cinto” da verdade é a base e o preparo a fim de que as outras armas possam ser usadas. É como se as demais fossem um desdobramento e uma extensão da primeira. N O C A S T E L O D A M O R T E 45 O fato é que existe um poder explosivo liberado em nós quando passamos a crer corretamente segundo a verdade expressa na Palavra de Deus. Neste capítulo veremos a segunda arma para a destruição do castelo da morte. A “couraça da justiça”. A “couraça” é uma parte da armadura extremamente importante. Ela consiste num colete que cobre o peitoral do soldado do pescoço até o umbigo, pela frente e também pelas costas. É a peça que protege a parte do corpo onde se encontram os órgãos vitais, como os pulmões, os rins, todo o aparelho digestivo e o coração. E pelas costas, a medula espinhal. A aplicação é obvia. A justiça de Deus nos serve de proteção naquilo que é mais essencial à nossa vida. Vivemos e nos mantemos vivos pela justiça. Mas, qual é o significado prático disso? Para responder a esta pergunta, precisamos entender, então, o que é a justiça de Deus e quais os seus efeitos protetores sobre a nossa mente. A justiça de Deus realizada na cruz A justiça de Deus pode ser vista nas Escrituras de quatro modos: como uma qualidade divina, como a obra redentora que Cristo realizou na cruz, como uma dádiva que nos é concedida pela fé tornando-nos justos diante de Deus e, finalmente, como a expressão de uma vida correta e íntegra neste mundo. Minha compreensão é que a “couraça da justiça” que tem o poder de destruir o castelo da morte e proteger a nossa mente é, principalmente, o segundo aspecto citado A D E L M O F E R R E I R A 46 acima, ou seja, a obra consumada de Cristo na cruz e os resultados que herdamos de Seu sacrifício. Ao morrer, Cristo levou sobre si todo o mal que era devido a nós para que recebêssemos todo o bem que era devido a Ele. Com o derramamento de Seu sangue, o Senhor pagou a dívida que a humanidade tinha com Deus por conta dos pecados cometidos no passado, no presente e no futuro, e a quitação foi completa e definitiva. Todo o padecimento de Jesus foi a manifestação do juízo de Deus contra o pecado. Com isso, foi esgotada a ira divina em relação a mim e a você, para sempre. Deus fez e satisfez a sua justiça na cruz de Cristo. Os resultados mais extraordinários e relevantes desta obra consumada em nossa vida são, pelo menos, dois: O perdão dos pecados “...em quem temos a redenção pelo seu sangue, o perdão dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça...” (Ef.1.7) Pelo sangue de Cristo, todos os nossos pecados são perdoados. A sua morte quitou nossa dívida com Deus e por isso, agora, Ele se tornou, não somente justo, mas também “justificador” de todos os que têm fé em Jesus. A paz com Deus “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo...” (Rm.5.1) Por meio da justificação, desfrutamos agora da paz com Deus. Não precisamos ter medo de que Ele ficará zangado conosco quando errarmos e nos condenará, trazendo-nos O C A S T E L O D A M O R T E 47 algum tipo de sofrimento. Não! Ele nos ama e a sua graça nos cobre todos os dias. Você consegue imaginar o impacto destas verdades sobre nossa mente? Consegue perceber o efeito destruidor destes fatos contra os pensamentos de culpa e de auto- condenação? Pode notar o poder desta justiçapara nos livrar do medo? Os efeitos da obra consumada de Cristo precisam ser absorvidos pela mente como verdades absolutas. Crer no perdão de nossos pecados e em nossa justificação permitirão que as mentiras de Satanás sobre quem somos não façam mais sentido algum. É quase indescritível o poder que é liberado em nós quando passamos a crer num Deus que está satisfeito e alegre conosco, sempre. Oração “Senhor, obrigado pela obra consumada de Cristo na cruz. Agradeço pelo perdão para todos os meus pecados e pela justificação pela fé. Minha dívida foi paga e não há mais condenação sobre mim. Eu me revisto, agora, com a couraça da Tua justiça feita na cruz e descanso em Tua graça. Amém!” A D E L M O F E R R E I R A 48 Capítulo 9 A COURAÇA DA FÉ E DO AMOR “...vestindo-nos da couraça da fé e do amor...” (I Ts.5.8) “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor.” (I Jo.4.9-10,16) á examinamos no capítulo anterior o forte significado da couraça no combate espiritual. Vimos que ela protege as partes vitais do corpo do soldado e, no aspecto espiritual, esta couraça representa a justiça de Deus feita na obra consumada de Cristo na cruz. Porém, existe uma outra couraça mencionada por Paulo que nos traz uma revelação essencial de verdades nas quais precisamos crer. É “a couraça da fé e do amor”. As palavras fé e amor andam juntas nas Escrituras repetidamente. Fé é “a convicção da verdade de algo”. E a palavra amor que aparece associada a ela é “ágape”, que J O C A S T E L O D A M O R T E 49 descreve o tipo de amor sacrificial e doador, principalmente referindo-se ao amor de Deus. Deus nos ama e necessitamos crer nisso como uma verdade absoluta. Para destruir o castelo da morte com suas distorções mentais, é necessário ter fé no amor de Deus por nós. Sem esta convicção, não haverá vitória contra Satanás. A crença de que somos amados por Deus é capaz de desmantelar todo raciocínio enganoso que nos leva a ter uma autoestima fragilizada. A certeza do amor de Cristo demonstrado na cruz libera o poder de resgatar nosso senso de valor próprio. A culpa, o medo e a vergonha são totalmente dissipados quando a mente está convicta de que temos um Deus que nos ama e cuida de nós. “No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.” (I Jo.4.18) Sentir medo de ser castigado e punido por Deus significa que ainda não conseguimos confiar em Seu “perfeito amor”. A ideia de que Deus nos trará o mal é fruto de uma mente que não conhece a graça que emana do “ato de justiça” realizado na cruz. Se você ainda pensa que não tem valor, ou que algo ruim sempre está prestes a lhe acontecer, ou então que você nasceu para sofrer e que ninguém liga para isso, e por fim, você pensa que a morte é a melhor saída para seus problemas, você com certeza, ainda não conhece o amor de Deus e a sua maravilhosa graça. A D E L M O F E R R E I R A 50 Mas, chegou a hora de todos esses efeitos do castelo da morte serem destruídos em sua mente. É chegado o tempo de você saber que é amado de verdade por um Deus que quitou sua dívida com Ele e que o perdoou de todos os seus pecados e, por isso, o vê agora como uma pessoa justificada e inocente. “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm.8.33-35) Entenda que Deus fez cair sobre o corpo de Jesus, no momento de seu padecimento e morte, todo juízo, toda condenação, toda ira, todo o sofrimento, toda rejeição, toda dor e todo mal que você merecia receber. Com base nisso, hoje, Ele não tem mais motivos para punir você e fazê-lo sofrer. A dívida foi paga totalmente, e Ele não irá cobrá-la de novo. Você não deve mais nada para Deus! Está consumado! O único desafio que você tem agora é receber esta abundante graça e descansar no amor de Deus. Saiba que, por sua fé, você tem o direito de desfrutar de toda a provisão conquistada pela obra de Cristo. Ele assumiu todo o seu mal para que você pudesse assumir todo o bem dele. Aceite que você agora tem o direito dado por Deus, com base na Sua justiça, de receber não somente o perdão para todos os seus pecados, mas também a totalidade das Suas bênçãos. Tudo de bom, agora, é a sua herança em Cristo! Você é amado e ponto final! Creia nisso! O C A S T E L O D A M O R T E 51 Oração “Senhor, eu te adoro pelo Teu amor incomparável. Sei que a Tua misericórdia e a Tua bondade são reais para comigo. Ponho a minha fé em Tua graça e recebo as bênçãos conquistadas por Cristo em Sua obra na cruz. Sei que sou amado por Ti e me revisto da couraça da fé e do amor. Amém!” A D E L M O F E R R E I R A 52 Capítulo 10 O CAPACETE DA ESPERANÇA DA SALVAÇÃO “...e tendo por capacete a esperança da salvação.” (I Ts.5.8) “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada...Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm. 8.18, 24-25) “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (I Ts. 5.16-17) “Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima...Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da O C A S T E L O D A M O R T E 53 imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” (I Co.15.19,51-54) “Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.” (Fp. 3.20-21) em, estamos chegando ao final da segunda parte de nossas reflexões, onde estamos tratando das armas “poderosas em Deus para destruição de castelos”. Consideramos nos capítulos anteriores o “cinto” da verdade como uma arma básica e que se desdobra nas outras. Vimos também dois tipos de “couraça”, a da justiça realizada na obra consumada de Cristo na cruz e a da fé no amor de Deus por nós. Para finalizar esta parte, falaremos agora de mais uma arma poderosa: “o capacete da esperança da salvação”. Para que serve um capacete na armadura de um soldado? B A D E L M O F E R R E I R A 54 A resposta é óbvia. Para proteger a cabeça do soldado durante o combate. Está correto. Porém, não é demais ressaltar que a cabeça é onde se aloja nosso cérebro, que não énada menos do que o centro de comando do corpo. Além de ser o lugar dos órgãos da visão, da audição, do olfato, do paladar e da fala. Com isso posto, fica claro que o capacete possui uma função fundamental para equipar-nos a fim de vencer o castelo da morte com suas distorções mentais. Nossa mente necessita ser renovada pela esperança. Existe um poder tremendo aqui. A mente que se reveste de esperança consegue se desprender das circunstâncias transitórias da vida e olhar mais além. A esperança dilui os pensamentos negativos sobre o agora e nos dá motivos para aguardar que o futuro será brilhante. Aquilo que ainda não alcançamos hoje, conseguiremos realizar amanhã. O problema do momento será solucionado adiante. A esperança nos permite deixar o passado para trás e pensar no futuro com expectativas de sucesso. Paramos de olhar pelo retrovisor da vida e nos concentramos em visualizar a estrada que temos a frente. Você entende como este capacete é poderoso para proteger nossas mentes? A melhor notícia é que não apenas podemos ter esperança, mas Deus nos garante “a esperança do evangelho”. Muitos podem esperar apenas mudanças de melhora neste mundo. No entanto, aqueles que crêem na obra consumada de Cristo na cruz possuem uma esperança O C A S T E L O D A M O R T E 55 infinitamente superior a qualquer sonho ou expectativa terrena de melhora. Esperamos a glória! Ou seja, nosso futuro será muito mais que apenas nos livrar de pensamentos ou crenças malignas que possam estar operando em nossas mentes. Seremos livres de toda espécie de mal e sofrimento, e nunca mais seremos sequer lembrados de algum castelo da morte ou de qualquer outro tipo de fortaleza mental. A morte não mais existirá! Seremos completamente absorvidos pela vida! Você pode ser profundamente revigorado se aprender a meditar na esperança que temos em Cristo. A mente se amplia e se eleva quando passamos a imaginar as bem- aventuranças que estão preparadas para nós como filhos do Grande Rei. Imagine por um momento que você será glorificado! Seu corpo, sua alma e seu espírito serão aperfeiçoados e nunca mais padecerão de qualquer mal. Você será transformado de modo radical! Seu corpo se tornará imortal e incorruptível. A fraqueza será revertida em poder e a vergonha, em glória! Fugirão de sua mente a tristeza e o pranto, e você experimentará perpétua alegria! Além disso, você reinará junto com Cristo e viverá para sempre na Nova Jerusalém. Esta é a nossa gloriosa esperança! Por isso, alegre-se desde já! Esperança é a alegria antecipada que temos de que tudo aquilo que nos foi prometido por Deus acerca de nosso futuro em Cristo, se cumprirá! Com toda certeza. A D E L M O F E R R E I R A 56 Oração “Senhor, obrigado pela esperança do evangelho. Minha vida não se resume apenas a este mundo. Existe uma eternidade que irei gozar contigo. Enche-me, Senhor, da alegria antecipada de Tua glória que há de se revelar em mim. Revisto minha mente com o capacete da esperança da salvação. Amém!” O C A S T E L O D A M O R T E 57 A D E L M O F E R R E I R A 58 Parte 3: SEU DESTINO É A VIDA O C A S T E L O D A M O R T E 59 Capítulo 11 A VIDA EM ABUNDÂNCIA “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo.10.10) imos na primeira parte de nossas reflexões como o castelo da morte opera. Na segunda, examinamos as armas “poderosas em Deus” para destruí-lo. E nesta última parte vamos reafirmar nosso destino como filhos Deus para experimentar a vida em abundância, por meio de Cristo Jesus. No capítulo 10 do evangelho de João, o Senhor Jesus se apresenta como o bom pastor que se entrega pelas suas ovelhas. Ele faz uma distinção entre o pastor que ama e dá a vida pelo rebanho e aqueles que lideram sobre as ovelhas com a intenção de “roubar, matar e destruir”. Fica claro, pelo contexto do capítulo 9, que Jesus está se referindo aos líderes religiosos da época, os quais exerciam uma influência opressiva sobre as pessoas e não as amavam de verdade. O Mestre chama estes líderes de “salteadores”, “mercenários”, “estranhos” e “ladrões”. Eles representam a V A D E L M O F E R R E I R A 60 força que a religiosidade pode exercer sobre o indivíduo levando-o à perda, à destruição e à morte. Jesus, no entanto, afirma neste contexto que veio para dar vida, e vida em abundância às pessoas. Não apenas vida. Mas vida abundante! Esta é a “vida eterna” que existe em Deus. A vida não-criada que somente Deus possui. E nós podemos recebê-la por fé no evangelho. Ao crermos em Cristo e na obra que realizou na cruz, a vida de Deus entra em nós e passa a operar a partir de nosso espírito. Aos poucos, a vida irá influenciar o funcionamento da alma trazendo renovação para a mente, equilíbrio para as emoções e submissão para a vontade. Por fim, ela fluirá para o corpo tornando-o poderoso, imortal, incorruptível e glorioso. Este é o caminho transformador da vida de Deus em nós. De dentro para fora. Resta-nos saber, então, como esta vida pode ser alimentada em nós a fim de seguir seu fluxo transformador? Existem três elementos que alimentam e fortalecem a vida de Deus em nós. A comunhão do Espírito Santo O Espírito Santo é o transmissor da vida. É Ele quem a planta dentro de nós. Quem crê no evangelho “nasce de novo” e este nascimento é “do Espírito” (Jo.3.3-5). A fim de fazer a vida de Deus crescer em nós é necessário conviver com o Espírito Santo continuamente. O relacionamento com Ele deve se tornar algo desejável e vivido com espontaneidade e confiança em todo tempo e em todo lugar. O C A S T E L O D A M O R T E 61 O conhecimento da Palavra de Deus Jesus declarou que suas palavras eram “espírito e vida” (Jo.6.63). O escritor aos Hebreus afirma que “a palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb.4.12). Ela é “lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos” (Sl.119.105). Fica evidente que a vida de Deus em nós se alimenta de Sua Palavra. Por isso, devemos ser diligentes na leitura, meditação, estudo e vivência fervorosa das Escrituras Sagradas. A participação na vida da igreja A igreja é o lugar onde a vida de Deus reside, opera e se multiplica neste mundo por meio dos seus filhos. O convívio entre os discípulos de Jesus deve ser praticado e protegido como um tesouro valioso. Participar ativamente da vida da igreja de Cristo é um dos principais meios de crescer em fé. É ali que poderemos ser animados, ensinados, corrigidos, amados, acolhidos, guardados e fortalecidos pela vida de Deus expressa pelos pecadores agraciados como nós. Concluo este capítulo profetizando que existe um decreto de vida sobre você! E que esta vida foi planejada por Deus para ser sua desde antes de você nascer. Sua existência foi uma decisão divina, não humana. O Eterno formou você no ventre de sua mãe com amor e cuidado. Ele o criou para a alegria e a segurança de Sua companhia. Seu destino nunca foi ser vítima do castelo da morte! Você está destinado para receber, desfrutar e transmitir a vida de Deus, em Cristo Jesus! A D E L M O F E R R E I R A 62 Capítulo 12 A HISTÓRIA DE ZOÊ* ejamos um caso que nos serve de exemplo a respeito da operação do castelo da morte na vida de uma pessoa. Zoê era uma jovem senhora inteligente e dedicada à obra de Deus. Teve uma infância feliz e desde muito nova aprendeu a ser muito responsável e a fazer tudo corretamente. Na adolescência sofreu o primeiro surto depressivo e desde essa época passou a padecer com transtornos de ansiedade. Sempre foi muito tímida, mas conseguiu cursar o ensino superior e se casar. A mente de Zoê funcionava como se tudo sempre fosse dar errado para ela. Tinha