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Pesquisa, Avaliação e Qualidade na APS MÓDULO VI AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO NA APS Disciplina 13 Brasília (DF) 2026 Disciplina 13 Pesquisa, Avaliação e Qualidade na APS 2026 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C. Camargo Cancer Center. Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional da Oferta de Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir da Atenção Primária à Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br Tiragem: 1ª edição – 2026 – versão eletrônica Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção Primária à Saúde - SAPS Esplanada dos Ministérios Bloco G, Edifício Sede CEP: 70058-900 – Brasília/DF CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF A.C CAMARGO CANCER CENTER R. Prof. Antônio Prudente, 211 – Liberdade CEP: 01509-010 - São Paulo/SP - Brasil Colaboração: Wesley de Sousa Moura - SAPS/MS Designer educacional: Alexandra da Silva Gusmão - CONASEMS Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone - CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Luciana Monteiro Campello - CONASEMS Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Freepik Revisão: Renata Pires - CONASEMS Coordenação-geral: Ana Cláudia Cardozo Chaves - SAPS/MS Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas - SAPS/MS Ana Paula Neves Marques de Pinho - A.C. Camargo Cristiane Martins Pantaleão - CONASEMS Hisham Mohamad Hamida - CONASEMS Mauro Junqueira - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Verônica Savatin Wottrich - CONASEMS Organização: Núcleo Pedagógico do CONASEMS Coordenação técnica e pedagógica: Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS Danylo Santos Silva Vilaça - SAPS/MS Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS Kelly Cristina Santana - CONASEMS Maria da Penha Marques Sapata - CONASEMS Marta de Sousa Lima - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Soane Cristina Almeida dos Santos - CONASEMS Thais Coutinho de Oliveira - SAPS/MS Elaboração de conteúdo: Brígida Gimenez Carvalho João Felipe Marques da Silva Revisão técnica de conteúdo: Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS Maria da Penha Marques Sapata - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Soane Cristina Almeida dos Santos - CONASEMS Thais Coutinho de Oliveira - SAPS/MS COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK Antes de iniciar a leitura do material, veja, aqui, algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar facilmente as temáticas. Quer retornar à lista das temáticas? Basta clicar no ícone, no canto superior da página. Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você também pode clicar sobre ele, com o botão direito do mouse, para abrir em uma nova aba ou navegador. QR CODE Caso tenha dificuldade para visualizar os elementos visuais, utilize a função de zoom do PDF. ZOOM Iniciamos o Módulo VI – Avaliação e Monitoramento na APS – com a disciplina 13: Pesquisa, Avaliação e Qualidade na Atenção Primária à Saúde. Conforme abordado na disciplina 1, a APS ocupa um papel estratégico no Sistema Único de Saúde (SUS), atuando como coordenadora do cuidado e ordenadora da Rede de Atenção à Saúde. Esse papel é fundamental para assegurar a oferta de uma assistência universal, integral e equânime em todo o país. Nesta disciplina, nosso foco central será compreender a relevância da pesquisa e da produção de conhecimento como ferramentas indispensáveis ao fortalecimento da APS e, consequentemente, de todo o SUS. BEM-VINDO! Abordaremos, também, a importância da qualidade na APS, com foco nos indicadores voltados para o desenvolvimento de planos de cuidado no território, além das ferramentas de monitoramento e avaliação do cuidado. Esses três temas possibilitarão produzir importantes reflexões sobre o acesso e a qualidade do cuidado, bem como sobre a mensuração do impacto dos serviços prestados. Esse conjunto de conhecimentos fundamenta tomadas de decisão qualificadas, oferecendo suporte a gestores e profissionais de saúde na implementação de políticas, programas e práticas assistenciais alinhadas à realidade local, com o objetivo de elevar efetivamente o padrão do cuidado prestado aos usuários. 49 Bons estudos! Recomenda-se estudar este material com atenção. Consulte-o sempre que necessário! Assista à teleaula, realize a leitura da aula interativa e explore os materiais complementares disponibilizados. Realize as atividades propostas para consolidar e validar o conhecimento adquirido. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABRASCO | Associação Brasileira de Saúde Coletiva AMQ | Avaliação para Melhoria da Qualidade APS | Atenção Primária à Saúde AVA| Ambiente Virtual de Aprendizagem CGM | Coeficiente Geral de Mortalidade CMI | Coeficiente de Mortalidade Infantil CNES | Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CONASEMS | Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde DATASUS | Departamento de Informação e Informática do SUS eAP | Equipe de Atenção Primária eAPP | Equipe de Atenção Primária Prisional eCR | Equipe de Consultório na Rua eMulti | Equipes Multiprofissionais eSF | Equipe de Saúde da Família ESF | Estratégia Saúde da Família HPV | Papilomavírus Humano IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IC | Intervalo de Confiança IVIS | Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde OR | Odds Ratio ( Razão de Chances) PMAQ-AB | Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica PPSUS | Programa de Pesquisa para o SUS PROESF | Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família REDE APS | Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde RMM | Razão de Mortalidade Materna SCNES | Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde SIA | Sistema de Informação Ambulatorial SIAB | Sistema de Informações da Atenção Básica SIAPS | Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde SIH | Sistema de Informação Hospitalar SIOPS | Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde SISPACTO | Pacto dos Indicadores da Atenção Básica SUS | Sistema Único de Saúde TMI | Taxa de Mortalidade Infantil LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 Pirâmide da evidência 59 FIGURA 02 Dados, indicadores, informação e conhecimento 70 FIGURA 03 Dinâmica do ciclo para gerar informações e ações em saúde 71 FIGURA 04 Componentes de qualidade da APS 88 FIGURA 05 Opções de acesso ao sistema Tabnet 115 FIGURA 06 Opção Assistência à saúde selecionada no sistema Tabnet 116 FIGURA 07 Opção Produção Hospitalar (SIH/SUS) no sistema Tabnet 116 LISTA DE FIGURAS FIGURA 08 Opções linha, coluna, conteúdo, períodos e seleções disponíveis no sistema Tabnet FIGURA 09 Opções ordenar os dados pelo valor da coluna, exibir linhas zeradas, formatos, mostrar tabulação e limpar tabulação disponíveis no sistema Tabnet FIGURA 10 Painel de bordo – IVIS FIGURA 11 Painel e-SUS APS FIGURA 12 Sala de situação do município de Fortaleza FIGURA 13 Painel CONASEMS 117 119 125 126 127 128 LISTA DE QUADROS E TABELAS QUADRO 01 Classificação dos métodos de pesquisa segundo a natureza da pesquisa 33 QUADRO 02 Classificação dos tipos de pesquisa segundo os objetivos pretendidos 38 QUADRO 03 Técnicas para obtenção de dados em pesquisas qualitativas e quantitativas 49 QUADRO 04 Diferença entre o monitoramento e a avaliação 98 QUADRO 05 Sugestão de questões orientadoras para a discussão com aampliado e sua lógica, alterada, passando a focar na qualidade do cuidado, e não mais na quantidade de procedimentos. São 15 os indicadores monitorados no Componente de Qualidade, sendo sete vinculados à Estratégia Saúde da Família, seis às equipes de Saúde Bucal na APS e dois às equipes Multiprofissionais na APS, como já ilustrado anteriormente. 100 Criação do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família (Proesf), que oportunizou a investigação de questões relacionadas à qualidade da atenção em grandes centros urbanos. Alteração na denominação da Avaliação para Melhoria da Qualidade (AMQ) para Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), com o objetivo de induzir a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da AB, por meio de processos de monitoramento e avaliação internos e externos e de repasses financeiros a municípios, de acordo com o desempenho das equipes. Por que monitorar e avaliar o cuidado na APS? Identificar fragilidades e dificuldades. Identificar o impacto das ações no cuidado e na qualidade de vida das pessoas atendidas na APS. Retroalimentar o planejamento. Tomar decisões oportunas. Melhorar a qualidade do cuidado na APS. No caso do componente Qualidade na APS, os dados referentes aos atendimentos realizados pelos profissionais da APS e inseridos no sistema e-SUS vão produzir os indicadores. 101 17102 Mensalmente Quadrimestre O MS disponibilizará no Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (Siaps) os resultados dos indicadores, para fins de monitoramento do gestor e das equipes/profissionais, podendo ser utilizados no planejamento e no acompanhamento da execução das boas práticas de cuidado em saúde. Ao final do quadrimestre, esses indicadores serão avaliados e pontuados, calculados pela média dos meses, para fins de avaliação e cofinanciamento federal. Na avaliação quadrimestral dos indicadores, será divulgado o detalhamento do resultado e a classificação (ótimo, bom, suficiente e regular) da equipe. Se você tiver interesse em conhecer a fórmula de cálculo dos indicadores, consulte a Nota Técnica nº 6/2025-DEAPS/SAPS/MS. Se você tiver interesse em conhecer a fórmula de cálculo dos indicadores, consulte a Nota Técnica nº 6/2025-DEAPS/SAPS/MS. Para isso, clique aqui ou escaneie o QR Code. https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NT_06-2025_cvat-6a5e06dd9db348ec560999f7839da273.pdf https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NT_06-2025_cvat-6a5e06dd9db348ec560999f7839da273.pdf https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/assets/files/NT_06-2025_cvat-6a5e06dd9db348ec560999f7839da273.pdf Para além dos indicadores já definidos pelo MS, gestores e equipes da APS podem e devem, ao analisar a realidade, revisitar o Plano Municipal de Saúde e os problemas priorizados nesse instrumento, bem como outros instrumentos de planejamento que a equipe tiver elaborado. A partir daí, é possível definir as condições, as doenças e os agravos mais prevalentes no território sob sua responsabilidade que devem ser monitorados. AGORA É COM VOCÊ! 103 Como essa definição deve passar por uma análise coletiva, que tal discutir essas questões em uma reunião da equipe e, posteriormente, apresentá-las ao Conselho de Saúde? 117 1 Quais problemas de saúde (condições, doenças e agravos) devem ser priorizados e monitorados? 2. Existem metas a serem alcançadas? 3. Quais indicadores existem para monitorar os problemas priorizados? 4. Quais os padrões ou parâmetros a serem utilizados? 5. Quais os possíveis usos para esse monitoramento e avaliação? Quadro 05 ─ Sugestão de questões orientadoras para a discussão com a equipe Fonte: Adaptado de Souza et al, 2022, p. 49. Depois de discutidas as condições, doenças e agravos a serem monitorados, se a equipe tiver dificuldade na identificação dos indicadores mais adequados a serem utilizados no acompanhamento, o quadro 06 apresenta questões e exemplos que podem auxiliar nesse processo. 104 105 Quadro 06 ─ Questões-chave orientadoras para a definição dos indicadores a serem utilizados no monitoramento e na avaliação do cuidado - O desempenho dos serviços de saúde quanto a acesso, efetividade, eficiência, respeito ao direito das pessoas, aceitabilidade, continuidade, adequação e segurança. - As condições de saúde da população quanto à morbidade, ao estado funcional, ao bem-estar e à mortalidade. Exemplos: • Identificar os territórios com maior número de idosos ou populações em situação de vulnerabilidade. • Comparar a oferta de consultas médicas entre as diferentes equipes do mesmo município. • Levantar a incidência de sífilis congênita em diferentes bairros/distritos. 2) Será medido em que universo espacial? Nesse ponto, deve-se identificar a abrangência geográfica da unidade de análise do indicador. Exemplos: • Microáreas dos agentes comunitários de saúde. • Territórios das equipes de Saúde da Família. • Todo o município. • Município em comparação aos demais da região de saúde ou estado. (continua) 1) O que será medido/monitorado? 106 3) Qual o público-alvo? A ação ou o agravo que eu quero monitorar é para toda a população ou é direcionada ou encontrada em algum grupo populacional específico? Exemplos: • Mulheres de 25 a 64 anos para o rastreamento de lesões precursoras no colo do útero. • Gestantes. • Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. 4) Quais dados estão disponíveis? Nesse ponto, deve-se identificar quais dados já se possui, onde encontrá-los e se há outros que precisam ser levantados. Exemplos: • Relatórios do e-SUS. • Relatórios consolidados do SISAB/SIAPS. • Fichas, prontuários e diários das equipes. • Dados sobre nascidos vivos ou sobre mortalidade. (continua) 107 5) Qual a cobertura e a qualidade dos dados? A alimentação regular e completa dos sistemas de informação nacionais é imprescindível para que os dados estejam disponíveis para análise. Isso envolve também os sistemas voltados à gestão, como o do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES) e de Orçamentos Públicos (SIOPS). Os sistemas nacionais de informação são a principal fonte de dados para avaliações estaduais e federais, bem como para estudos científicos. Essas informações permitem comparar o desempenho ou a frequência de um agravo entre os municípios. Exemplos: • Todas as equipes possuem os mesmos dados sobre sua produção, cadastros e situação de saúde de seu território (cobertura)? • Comparar a oferta de consultas médicas entre as diferentes equipes do mesmo município. • Todas as equipes seguem um padrão no registro dos dados de forma oportuna e qualificada? (continua) 6) Quais tipos de medida podem ser adotados? Os dados levantados devem ser relacionados para compor um indicador. A escolha da forma como um indicador será composto se relaciona com o que se quer medir. Números absolutos podem ser utilizados em eventos de baixa frequência, como os óbitos maternos em um território. No entanto, apresentam limitações no estabelecimento de comparações. Por esse motivo, recorre-se a proporções, razões ou taxas. Exemplos: • Proporção de gestantes com realização de exames para sífilis e HIV. • Razão de exames citopatológicos do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos na população residente em determinado local e a população da mesma faixa etária. • Coeficiente de mortalidade infantil. • Cobertura vacinal de adolescentes contra HPV. 7) Quais são os limites dos dados/indicadores? Compreender os limites que os indicadores apresentam é um aspecto fundamental para evitar análises precipitadas. Recomenda-se a elaboração de uma lista que apresente os limites dos indicadores, bem como suas potencialidades. Para essa identificação, é necessário revisitar os passos anteriores, a fim de apontar os aspectos que apresentam maiorfragilidade. 108 Fonte: Carvalho et al, 2023, p. 50. (conclusão) E como ter acesso aos dados e processá-los de maneira que contribuam com o monitoramento e a avaliação pelos gestores/equipes e trabalhadores da APS? 109 Apresentaremos, a seguir, duas estratégias: 01 Tabnet Levantamento de dados 02 Painéis de Bordo ou Sala de Situação Monitoramento O Tabnet é uma ferramenta on-line que possibilita aos profissionais da saúde pública o acesso a informações epidemiológicas, sanitárias e de morbimortalidade, com a tabulação de dados e a construção de séries históricas para a tomada de decisão baseada em evidência. Essa ferramenta é disponibilizada pelo Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS), por meio de informações que podem servir para subsidiar análises objetivas de determinada situação sanitária. O que é o sistema Tabnet? O Tabnet permite a tabulação e a análise rápida de grandes volumes de dados públicos de saúde, organizando esses dados em tabelas, gráficos e mapas para apoiar o planejamento e a gestão. 110 Ele possibilita cruzar diversas variáveis (como dados epidemiológicos, de assistência, financeiros e socioeconômicos) e exportar os resultados para outras planilhas, sendo um recurso fundamental para gestores, pesquisadores e profissionais de saúde (Brasil, 2012). Você já acessou o Tabnet? V O C Ê SA B IA ? A mensuração do estado de saúde da população é uma tradição em saúde pública. Teve seu início com o registro sistemático de dados de mortalidade e de sobrevivência (estatísticas vitais – mortalidade e nascidos vivos). Com os avanços no controle das doenças infecciosas (informações epidemiológicas e morbidade) e com a melhor compreensão do conceito de saúde e de seus determinantes populacionais, a análise da situação sanitária passou a incorporar outras dimensões do estado de saúde. Dados de morbidade, incapacidade, acesso a serviços, qualidade da atenção, condições de vida e fatores ambientais passaram a ser métricas utilizadas na construção de indicadores de saúde, que se traduzem em informação relevante para a quantificação e a avaliação das informações em saúde. 111 V O C Ê SA B IA ? No Tabnet (Brasil, 2020), os profissionais encontram informações sobre: assistência à saúde da população; produção da rede assistencial (hospitalares e ambulatoriais); cadastro dos estabelecimentos de saúde; recursos financeiros e informações demográficas e socioeconômicas. Além disso, na seção de saúde suplementar, são apresentados links para as páginas de informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Fonte: Adaptado de Brasil, 2020. 112 As principais características e funções do Tabnet são: 38 Acesso on-line: permite consultas de qualquer lugar sem a necessidade de baixar o sistema TabWin e as demais bases de dados no computador. Tabulação de dados: organiza dados de sistemas como SIH/SUS (Sistema de Informação Hospitalar) e SIA/SUS (Sistema de Informação Ambulatorial) em tabelas. Visualização: permite gerar tabelas, gráficos e mapas para facilitar a interpretação dos dados. Também possui uma interface de formulário HTML (FORM) para seleção de variáveis e períodos e exportação de dados para formatos csv ou TabWin, para análises mais aprofundadas. 113 Ana, enfermeira da eSF, desejava coletar dados relacionados ao número e ao valor total das internações hospitalares do seu estado de residência na última competência disponível no sistema. VAMOS APRESENTAR UM EXEMPLO PRÁTICO 27 Para acesso ao Tabnet, Ana digitou: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude -tabnet/, 114 https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/ https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/ Após o acesso, a profissional encontrou as seguintes opções: ► Indicadores de saúde e pactuações ► Assistência à saúde ► Epidemiológicas e de morbidade ► Rede assistencial ► Estatísticas vitais ► Demográficas e socioeconômicas ► Inquéritos e pesquisas ► Saúde Suplementar (ANS) ► Informações financeiras ► Estatísticas de acesso ao TABNET Figura 05 ─ Opções de acesso ao sistema Tabnet Fonte: Brasil, 2020. Na página inicial do sistema, Ana deve agora selecionar o campo que contém, de forma mais específica, a informação que deseja buscar, seguida de sua unidade da federação. 115 ► Indicadores de saúde e pactuações Figura 06 ─ Opção Assistência à saúde selecionada no sistema Tabnet Fonte: Brasil, 2020. 120 Nesse caso, a opção selecionada é a seção “Assistência à Saúde / Produção Hospitalar (SIH/SUS) / Dados Consolidados AIH” / “Unidade Federativa – Paraná”. Figura 07 ─ Opção Produção Hospitalar (SIH/SUS) no sistema Tabnet Fonte: Brasil, 2020. 116 Figura 08 ─ Opções linha, coluna, conteúdo, períodos e seleções disponíveis no sistema Tabnet Fonte: Brasil, 2020. 120 Em seguida, a partir dos campos disponíveis no layout do programa (linha, coluna, conteúdo, períodos e seleções disponíveis), Ana deve montar a tabela com as informações que deseja analisar. 117 118 Vamos entender melhor? • O campo Linha exibe uma lista de opções referentes à informação que será descrita nas linhas da tabela. • O campo Coluna (opcional) permite selecionar a opção “Não ativa”, para escolha de múltiplos conteúdos ou períodos, e a opção “Status Dados”, para seleção de um único conteúdo. • No campo Conteúdo é permitida a escolha de múltiplos conteúdos da tabela, desde que não sejam selecionados múltiplos anos. Para selecionar diferentes variáveis, mantenha a tecla Shift + Seta para baixo. • No campo Períodos Disponíveis será exibida uma caixa de listagem para escolha (única ou múltipla) do(s) período(s) desejado(s), obtido a partir da geração da lista de arquivos, de acordo com o conteúdo dos registros. • Seleções Disponíveis especifica os critérios da seleção, restringindo a abrangência da tabulação (opcional) ou selecionando os comandos no teclado, para escolhas múltiplas seguidas ou aleatórias, respectivamente, selecionando o comando no teclado (Shift + Seta para baixo) ou (Ctrl + Clique no mouse) (Brasil, 2012). Para entender melhor o sistema Tabnet, consulte o tutorial. Para isso, clique aqui ou escaneie o QR Code. https://datasus.saude.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tutorial-TABNET-2020.pdf https://datasus.saude.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tutorial-TABNET-2020.pdf https://datasus.saude.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Tutorial-TABNET-2020.pdf Figura 09 ─ Opções ordenar os dados pelo valor da coluna, exibir linhas zeradas, formatos, mostrar tabulação e limpar tabulação disponíveis no sistema Tabnet Fonte: Brasil, 2020. 120 Na parte inferior do painel de tabulação, estão as opções: ordenar os dados pelo valor da coluna, exibir linhas zeradas, formatos, mostrar tabulação e limpar tabulação. Como Ana já escolheu suas variáveis, selecionou o item “mostrar”. Pronto! Tabulação concluída! 119 Por isso, é importante que o profissional de saúde realize o refinamento da pesquisa e compreenda as variáveis que deseja buscar. Um bom caminho para se adaptar à ferramenta é realizar buscas aleatórias de informações. O Ministério da Saúde também disponibiliza diversos manuais, com trilhas e passo a passo, a fim de auxiliar no levantamento e na consulta de determinados dados. É possível fazer múltiplas tabulações pelo Tabnet. 51120 A G O R A É S U A V EZ 129 Que tal praticar? Na reunião da equipe, durante a discussão sobre os problemas de saúde (condições, doenças e agravos) que deveriam ser priorizados e monitorados, as mortes de crianças menores de um ano despertaram a mobilização dos participantes. Assim, eles decidiram levantar o número de óbitos infantis que ocorreram no município nos últimos cinco anos, discriminando-os em dois períodos: o período neonatal (Óbito Neonatal– óbito ocorrido em crianças menores de 28 dias); e o período pós-neonatal (Óbito Infantil Tardio ou Pós-Neonatal – óbito ocorrido em crianças com mais de 28 dias e com menos de 1 ano de idade). O objetivo desse levantamento foi subsidiar a discussão sobre as ações que deveriam ser implementadas para reduzir as mortes infantis. Ajude a equipe de Ana a identificar o caminho que deve ser percorrido para acessar essas informações utilizando o Tabnet. 121 Depois de definidas as condições e os agravos a serem monitorados pela equipe e de identificados os indicadores e a forma de obtê-los pelo Tabnet, que tal usar uma ferramenta para que essas informações/indicadores possam ser acompanhadas visualmente por toda a equipe? Essa ferramenta possibilita o acompanhamento detalhado de informações e indicadores e facilita a implementação de ações estratégicas pela equipe. Segundo o Ministério da Saúde (2026): São espaços de inteligência em saúde, dotados de visão integral e intersetorial, que partindo da análise e da avaliação permanente da situação de saúde, atuam como instância integradora da informação que gera a vigilância em saúde pública nas diferentes áreas e níveis, [...] capaz de aportar informação oportuna e relevante para apoiar, com uma base técnico-científica, o processo de tomada de decisões. Na mesma, a informação é apresentada e divulgada em diversos formatos como tabelas, gráficos, mapas, documentos técnicos ou relatórios estratégicos. O que é Painel de Bordo? Isso é possível com a instituição do Painel de Bordo, também conhecido como sala de situação, painel de controle ou dashboard (painel em inglês). 122 Já vimos que o indicador é a unidade que permite monitorar e avaliar o alcance do objetivo, sendo expresso por meio de percentual, taxas ou coeficientes. A meta é o objetivo traduzido de forma qualitativa ou quantitativa, em determinado lugar e tempo. Trata-se do indicador (o que se quer medir) com valores definidos (quanto) em um determinado tempo (quando) e em um determinado local (onde). Essa ferramenta possibilita a transformação de dados dispersos em conhecimento estratégico, contribuindo para acompanhar indicadores de saúde, identificar a ocorrência de surtos e agilizar a resposta requerida, além de democratizar informações para toda a equipe e, se desejável, para toda a comunidade. Também possibilita monitorar o desempenho das equipes, a partir das metas definidas, com capacidade de programar ações de prevenção ou correção, permitindo a construção de relatórios para tomada de decisão (PlanificaSUS, 2021, p. 12). 123 Reduzir o coeficiente de mortalidade infantil (o que), no município de Perobal (onde), de 16/1.000 nascidos vivos para 12/1.000 nascidos vivos (quanto), até dezembro de 2026 (quando) (Cavalcante et al., 2019). Exemplo Para facilitar a visualização rápida e a compreensão do diagnóstico situacional, a exibição é geralmente feita por métodos gráficos (tabelas, figuras) e cores. Por exemplo, vermelho (pode indicar que o resultado alcançado está inferior à meta pactuada) e verde (pode indicar que o resultado alcançado é igual ou superior à meta pactuada), permitindo a gestores e profissionais de saúde uma avaliação rápida para identificação de melhorias e sustentação de processos exitosos (Cavalcante et al., 2019). 124 Que tal conhecer alguns painéis de bordo/sala de situação: Plataforma IVIS Consulte a Plataforma IVIS. Para isso, clique aqui ou escaneie o QR Code. Figura 10 ─ Painel de bordo – IVIS Fonte: Brasil, 2026a. 125 http://plataforma.saude.gov.br/ http://plataforma.saude.gov.br/ Painel e-SUS APS A plataforma Painel e-SUS APS disponibiliza relatórios detalhados de indicadores de desempenho pactuados com os municípios/equipes. Para consultá-la, clique aqui ou escaneie o QR Code. Figura 11 ─ Painel e-SUS APS Fonte: Brasil, 2026b. 126 https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/painelesusaps/ https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/painelesusaps/ Sala de situação A sala de situação do município de Fortaleza monitora a ocorrência das arboviroses, além de outros agravos de notificação. Para consultá-la, clique aqui. Figura 12 ─ Sala de situação do município de Fortaleza Fonte: Brasil, 2026b. 127 https://salasituacao.sms.fortaleza.ce.gov.br/salasituacao/sala-situacao Painel CONASEMS O CONASEMS também possui um portal de painéis disponível aos trabalhadores do SUS. O Painel CONASEMS é uma ferramenta de apoio à gestão que oferece uma visão integrada do município e da região de saúde, com dados organizados e relevantes para os tomadores de decisão, auxiliando o gestor municipal e suas equipes técnicas na elaboração e na execução do planejamento local e regional. Para acessá-lo, clique aqui ou escaneie o QR Code. Figura 13 ─ Painel CONASEMS Fonte: Brasil, 2026b. 128 https://paineis.conasems.org.br/ https://paineis.conasems.org.br/ É importante ressaltar que a ausência de estruturas mais tecnológicas em uma unidade de saúde não impede formas criativas de construção de um painel de bordo, muito menos o monitoramento e a avaliação de indicadores. Ou seja, é possível a criação de uma sala de situação a partir de materiais mais simples, como cartazes, maquetes, mapas ou, até mesmo, cadernos. FIQUE ATENTO! Quais indicadores você incluiria? Quais metas você pactuaria? AGORA, QUE TAL PRODUZIR O PAINEL DE BORDO DOS SEUS SONHOS? Quem da equipe estaria envolvido? Quais recursos visuais você utilizaria (tabelas, gráficos, figuras etc.)? 129 05 A tradução do conhecimento como ferramenta de enfrentamento à desinformação em saúde COMO ENFRENTAR A DESINFORMAÇÃO EM SAÚDE? A desinformação em saúde prospera onde há distância entre o que a ciência produz e o que a população consegue entender. Preencher essa lacuna é, portanto, uma responsabilidade ética e técnica dos profissionais e das instituições de saúde. A tradução do conhecimento, processo de converter informações científicas em linguagem acessível ao público, não é apenas uma estratégia de comunicação, mas um ato de cuidado e de defesa da saúde coletiva. 131 132 A convergência entre esses três eixos tem papel decisivo no combate à desinformação. Essa integração não apenas possibilita corrigir informações falsas, mas também contribui para educar a população a interpretar criticamente conteúdos em saúde, promovendo o letramento em saúde. Informação, educação e comunicação em saúde De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2013), o letramento em saúde corresponde ao conhecimento, à motivação e às competências necessárias para acessar, compreender, avaliar e aplicar informações em saúde. O que é letramento em saúde? Essas habilidades permitem realizar julgamentos e tomar decisões no cotidiano relacionadas ao autocuidado, à prevenção de doenças e à promoção da saúde, com o objetivo de manter ou melhorar a qualidade de vida. 06 Finalizando Ao transformar experiências, práticas e dados do cotidiano em evidências científicas, a pesquisa subsidia o planejamento, a avaliação das ações e a tomada de decisão, contribuindo para a qualificação do acesso, da resolutividade e da integralidade do cuidado. 134 Dessa forma, a produção de conhecimentos não apenas fortalece a base técnica e científica da APS, mas também orienta estratégias inovadoras e sustentáveis para a melhoria contínua da qualidade dos serviços. QUAIS OS PRINCIPAIS DESTAQUES DA DISCIPLINA? Você viu nesta disciplina que a realização de pesquisa e a produção de conhecimentos podem se constituir em um eixo estruturante para o aprimoramento da qualidade na APS, na medida em que permitem compreender, de forma sistemática e contextualizada, as necessidades de saúde da população no território, os processos de trabalho das equipes e os resultados dasintervenções realizadas. A qualidade na APS pode ser expressa por meio de indicadores que traduzem aspectos de acesso e cobertura, mas também a efetividade das ações/serviços e a adequação das respostas às necessidades do território. Esses indicadores, quando apropriados pelos gestores e pelos trabalhadores, podem se tornar instrumentos estratégicos para a qualificação dos planos de cuidado na APS, permitindo acompanhar o desempenho das equipes, identificar iniquidades e reorientar intervenções. Ferramentas como o Tabnet – que permite o acesso a informações epidemiológicas, sanitárias e de morbimortalidade, com a tabulação de dados e a construção de séries históricas – e o Painel de bordo, que possibilita a transformação dos dados dispersos em conhecimento estratégico, fortalecem a gestão do cuidado. Ambas as ferramentas são caminhos que a equipe pode utilizar para a tomada de decisão baseada em evidência. 135 17 Assim, a integração entre pesquisa, indicadores de qualidade e ferramentas avaliativas: 49 favorece a aprendizagem no trabalho; propicia a qualificação do cuidado; contribui para que a APS seja mais efetiva e alinhada às necessidades reais da população. 136 Lembre-se! Você deve, sempre, buscar informações sobre esta temática para recordar, refletir e ampliar seus conhecimentos. Enriqueça sua aprendizagem! 137 Assista à teleaula: formato televisivo que oferece enriquecimento no desenvolvimento de seu processo educacional. Leia os materiais complementares: textos, artigos científicos, links, vídeos, dentre outros disponibilizados no AVA, que aprofundam o conteúdo em relação às temáticas trabalhadas. Faça as atividades autoinstrucionais propostas. Até a próxima disciplina! 07 Bibliografia ANDRADE, S. M. et al. Dados e informação em saúde: para que servem? In: ANDRADE, S. M. et al. (org.) Bases da Saúde Coletiva. Londrina: EDUEL, 2. ed. revista e ampliada, 2017. p. 345-366. ARAÚJO, I. S.; CARDOSO, J. M. Comunicação e saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2007. BARBOUR, R. Grupos Focais. Porto Alegre: Artmed, 2009. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 229 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual sobre o uso da Ferramenta de Tabulação TABNET. Brasília: SIOPS, 2012. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/siops/entre ga-de-dados/arquivos/2014/manualtabnet2012v1-0.pdf. Acesso em: 17 jul. 2026. BRASIL. 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Porque: fortalecem o SUS: ao fornecer dados para monitoramento, avaliação e melhoria contínua da APS, a porta de entrada do sistema; propiciam a base para a tomada de decisões qualificadas: ao gerar evidências para apoiar gestores na tomada de decisões sobre políticas e programas de saúde; aprimoram o cuidado: ao propiciar um conhecimento mais aprofundado da realidade, fornecendo aos trabalhadores fundamentos para a melhoria do cuidado aos usuários e a utilização das melhores tecnologias disponíveis; estabelecem integração entre o saber e o fazer: ao desmistificar as atividades de monitoramento e avaliação, bem como a produção de pesquisas e de conhecimentos na APS, para trabalhadores e gestores, conectando a produção científica à realidade dos serviços. 3815 02 Pesquisa e Produção de Conhecimento na APS 17 Essas definições nos ajudam a compreender a pesquisa como uma ação de conhecimento da realidade, um processo de investigação minucioso e sistemático voltado ao entendimento da realidade – natural ou social – ou de alguns aspectos dessa realidade ainda desconhecidos (Tozoni-Reis, 2026). Além disso, uma pesquisa também implica uma investigação e um estudo realizados de forma sistemática, com o objetivo de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento. Para começar, vamos revisitar o conceito de pesquisa. A palavra pesquisa significa buscar com diligência, inquirir, investigar ou procurar mais informações sobre algo, com o objetivo de descobrir novos conhecimentos ou aprofundar o saber, envolvendo um processo metódico de investigação e estudo. A origem do termo “pesquisa” deriva do latim perquirere, formado pela junção de per – (intensivo) e quaerere (indagar, buscar), significando "buscar com afinco" ou "procurar por toda parte" (Pesquisa, 2024). “É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve” (Clark; Castro, 2003, p. 67). A pesquisa tem como objetivo descobrir algo novo, podendo confirmar ou refutar saberes já parcialmente conhecidos. No entanto, o principal objetivo da pesquisa é a busca por novos conhecimentos, constituindo-se como um meio pelo qual a produção de saber auxilia na compreensão de uma dada realidade. 15 A motivação básica que leva o indivíduo a realizar uma pesquisa científica é o aprendizado, seja do método científico e das técnicas empregadas, seja do assunto em foco. Há também outras finalidades para a realização de uma pesquisa, como a obtenção de uma titulação acadêmica ou a ascensão profissional (Clark; Castro, 2003). E por que fazer pesquisa? 18 17 Para a pesquisadora Cecília Minayo (2009, p. 16), “nada pode ser intelectualmente um problema (de pesquisa) se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática”. Ou seja, a pesquisa é a maneira de produzir ou sistematizar conhecimentos que possam nos auxiliar na interpretação da realidade vivida. Portanto, ela associa teoria e prática, vinculando pensamento e ação. Assim, o interesse em pesquisar e investigar determinado tema ou assunto sempre deve partir de um problema ou algo presente na realidade que nos incomoda. O que pode ser considerado um problema de saúde para os profissionais da saúde? Um problema de saúde pode ser definido, para profissionais da saúde, como algo considerado fora dos padrões de normalidade para quem atua em uma determinada situação, no que se refere aos riscos à saúde, às formas de adoecimento e morte da população (problemas do estado de saúde da população) ou à organização e funcionamento do sistema de saúde (problemas do Sistema e dos Serviços de Saúde). 19 N A P R Á TI CA Vejamos uma situação comum no cotidiano dos profissionais de saúde que pode ser caracterizada como um problema: A inquietação de Ana sobre a baixa cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes Ana é enfermeira da eSF da Unidade de Saúde do município de Perobal, em um território que conhece profundamente. Conhece muitas famílias pelo nome de seus integrantes, acompanha o crescimento das crianças e percebe, com sensibilidade, as mudanças que atravessam a comunidade. Nos últimos meses, uma questão tem a deixado inquieta: a baixa cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes. 20 N A P R Á TI CA A cada reunião de equipe, Ana observa que a lista de adolescentes com esquema vacinal incompleto aumenta. As visitas domiciliares revelam justificativas diversas. Há pais que dizem ter medo de efeitos colaterais, outros que acreditam que a vacina incentiva a sexualidade precoce e muitos que simplesmente “não veem necessidade” de que seus filhos sejam vacinados. Ana sente que há algo mais profundo ali, algo que ela ainda não compreende totalmente. E essa sensação de não entender o fenômeno a incomoda. Ela quer ir além do discurso superficial, quer descobrir o que realmente está por trás da hesitação vacinal. Surge, então, a vontade de fazer uma pesquisa. 21 N A P R Á TI CA Apesar do desejo, Ana se sente travada. Desde a graduação, ouviu repetidamente que “pesquisa é coisa que se faz na universidade”, que “no serviço não há tempo” e que “a academia não olha para o território”. Essas frases ecoam em sua mente e criam uma barreira. Ela imagina que fazer pesquisa exige o conhecimento aprofundado de métodos complexos, estatísticas avançadas, equipamentos sofisticados. No entanto, há algo sobre o qual Ana ainda não refletiu: ela e sua equipe já produzem dados todos os dias, como as informações registradas no prontuário eletrônico, as planilhas de acompanhamento, os relatórios, entre outros. 22 N A P R Á TI CA Esses dados, muitas vezes, ficam dispersos e fragmentados e não se transformam em informação estruturada. A equipe formula hipóteses e busca respostas aos problemas o tempo todo, algumas já alicerçadas na literatura, outras baseadas apenas em impressões pessoais. Mas nada disso é sistematizado. Ana ainda não se deu conta de que a pesquisa que ela imagina tão distante já está, de certa forma, acontecendo em seu cotidiano. Falta apenas organizar, refletir e transformar o que é vivido em conhecimento. A inquietação de Ana não diminuiu. Pelo contrário, cresceu. Ela percebe que, se não compreender as razões da hesitação vacinal, continuará repetindo estratégias que não funcionam. E isso a frustra, porque ela sabe a importância da vacina no enfrentamento ao HPV. Ana começa a perceber que a pesquisa não precisa ser um “monstro”. Ela pode ser um processo gradual, nascido da prática, alimentado pela curiosidade e guiado por perguntas reais do território. 23 E por onde Ana deve começar a pesquisa? 24 Como já abordamos anteriormente, a pesquisa sempre se inicia a partir da curiosidade na observação do mundo, de uma situação que nos incomoda, ou seja, de um problema existente. Essa observação curiosa desperta dúvidas a respeito de algo que não conhecemos profundamente, sobre o qual questionamos ou para o qual ainda não temos resposta. A dúvida se expressa verbalmente por uma pergunta, e é a busca sistematizada pela resposta a essa questão que poderá originaruma pesquisa científica, caso não seja encontrada, na literatura, uma resposta adequada ou suficientemente convincente. A formulação de um problema deve ser clara e precisa, estruturada na forma de uma pergunta. Além disso, deve ser empírica, ou seja, partir da experiência, assim como ser passível de solução e viável de investigação. 01 Formulação de um problema 25 Fatores comportamentais (tabagismo, inatividade) Qual a taxa de consumo de cigarros eletrônicos (vapes) entre adolescentes de 14 a 17 anos no município de Perobal? Doenças crônicas e hereditárias (diabetes, hipertensão) Que desafios o envelhecimento da população traz para o cuidado às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis? Doenças transmissíveis (difteria, tétano, coqueluche, infecções causadas por Haemophilus Influenzae B e Hepatite B) Quais as causas da queda da cobertura da vacina Pentavalente em crianças menores de 12 meses? No caso do problema percebido por Ana, a pergunta a ser formulada seria: Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? Acompanhe outros exemplos de perguntas de pesquisa, relacionadas a fatores de risco na área da saúde, que permeiam o cotidiano do trabalho na APS: 26 Exposições ocupacionais (agrotóxicos, agentes biológicos) Qual a prevalência de intoxicação por agrotóxicos entre os agricultores familiares da região x? Riscos psicossociais (estresse no trabalho) Quais os principais riscos psicossociais (estresse, burnout) entre os profissionais de enfermagem e como afetam a segurança do paciente? Como visto no caso de Ana e nos exemplos anteriores, o problema de pesquisa eleito deve ser relevante para o contexto em que se insere, ou seja, deve haver uma justificativa plausível para que a pesquisa seja realizada. A justificativa de uma pesquisa expõe as razões que motivaram sua realização, buscando destacar sua relevância para um determinado contexto. Devemos, na justificativa, explicar as razões pelas quais o tema escolhido para a investigação é relevante, respondendo a duas questões: Por quê? e Para que serve? 27 Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? Vamos voltar à pergunta formulada para o problema percebido por Ana: Por quê? Refere-se à necessidade e à relevância da pesquisa, a partir do problema escolhido. Justificativa: A realização desta pesquisa contribuirá para a identificação das razões pelas quais pais e responsáveis deixam de levar seus filhos para a vacinação, impactando o alcance dos índices adequados de cobertura vacinal entre os adolescentes. Essa condição representa uma ameaça concreta à saúde de milhões de jovens brasileiros e pode se desdobrar no aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (Papilomavírus Humano – HPV) e cânceres evitáveis, representando um grave problema de saúde pública. Vejamos a primeira questão 28 Para que serve? Refere-se a resultados ou contribuições da pesquisa para um campo determinado ou à possibilidade de resolução do problema identificado. Justificativa: A identificação das causas da queda da cobertura vacinal entre os adolescentes possibilitará a elaboração de estratégias de comunicação voltadas a pais e adolescentes, esclarecendo a importância dessa vacina, tanto para proteção individual quanto coletiva. Essas ações poderão enfatizar o risco da baixa cobertura vacinal para a propagação da infecção pelo HPV, principal responsável pela ocorrência de câncer de colo de útero, vulva e vagina, pênis, ânus, orofaringe e verrugas genitais. Além disso, poderão contribuir para a reorganização dos serviços de saúde, incluindo mudanças na forma de agendamento de vacinas e/ou no processo de trabalho, realização de campanhas de vacinação, abordagem dos adolescentes, entre outras. Vejamos a segunda questão Depois de formular a pergunta, verificar se a literatura não oferece uma resposta adequada para o problema e justificar a relevância do objeto de estudo, podemos avançar para o próximo passo. 29 02 Definição dos objetivos da pesquisa Ainda para essa questão: Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? Para entender melhor, devemos pensar em um: Compreender as razões da baixa cobertura vacinal contra o HPV entre os adolescentes do município de Perobal. Objetivo geral 30 Objetivos específicos E em: Identificar o nível de conhecimento e informação de pais e responsáveis sobre a vacina HPV e seus efeitos para seus filhos e para a comunidade. Identificar possíveis barreiras de acesso à sala de vacinação da Unidade Básica de Saúde – UBS (horário de funcionamento da sala de vacina, forma de agendamento e atendimento da população para vacinação). Analisar como a unidade de saúde está organizada para implementar o programa de imunização (treinamento do pessoal da enfermagem em administração de vacina e em calendário vacinal, orientações dadas a pais e adolescentes, registro de doses aplicadas no sistema de informação, monitoramento e avaliação da cobertura vacinal). 31 Mas e agora: Definidos os objetivos, avancemos para o próximo passo. 03 Planejar a execução da pesquisa Como fazer? Por onde começar a desenvolver uma pesquisa para gerar produção de conhecimento na APS? Essas preocupações referem-se à metodologia da pesquisa. O que fazer? O que é metodologia de pesquisa? Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do latim methodus, cujo significado é “caminho ou via para a realização de algo”. Método é o processo para se atingir um determinado fim ou para se chegar ao conhecimento. Metodologia é o campo em que se estudam os melhores métodos praticados em determinada área para a produção do conhecimento. Ou seja, a metodologia de pesquisa é um caminho a ser trilhado pelo pesquisador no processo de produção de conhecimentos sobre a realidade estudada. Trata-se de um conjunto de procedimentos que não se resume à utilização das técnicas e dos instrumentos de pesquisa, mas os inclui. Vamos entender melhor? 32 Quadro 01 ─ Classificação dos métodos de pesquisa segundo a natureza da pesquisa 33 Os métodos de pesquisa podem ser classificados de acordo com a natureza da pesquisa (Quadro 01) e de acordo com os objetivos da pesquisa (Quadro 02). Quantitativa Baseia-se em números, medições precisas e cálculos matemáticos para identificar padrões, relações ou tendências em uma escala mais ampla. Busca a descrição e a explicação de fenômenos que produzem regularidades. Utiliza-se da amostragem populacional para produzir generalização dos resultados e de instrumentos como questionários estruturados e análise estatística. • Qual a taxa de consumo de cigarros eletrônicos (vapes) entre adolescentes de 14 a 17 anos no Brasil? • Qual a cobertura da vacina HPV entre os adolescentes do município de Perobal? • Qual a prevalência de intoxicação por agrotóxicos entre os agricultores familiares da região norte do Paraná? (continua) Quanto à natureza da pesquisa Exemplos de questões Conceito Fonte: Adaptado de Minayo; Sanches, 1993, p. 239-262. 34 Qualitativa Foca no caráter subjetivo, aprofundando-se no mundo de significados, relações, crenças, percepções e opiniões dos participantes da pesquisa. Aplica-se ao estudo de como os humanos vivem, constroem seus artefatos, sentem e pensam. Utiliza métodos como entrevistas, observação participante e análise de documentos, com população de estudo mais restrita, que prioriza a profundidade em vez da quantidade. Procura responder às perguntas: Como e por quê? • Que desafios o envelhecimento da população traz para o cuidado de usuários com doenças crônicas não transmissíveis? • Por que a cobertura vacinal contra o HPV entreadolescentes está baixa no município de Perobal? • Como o burnout entre os profissionais da enfermagem afeta a segurança dos pacientes? Quanto à natureza da pesquisa Exemplos de questões Conceito (Conclusão) Apesar de se constituírem em métodos distintos e de possuírem naturezas diferenciadas, a pesquisa qualitativa e a quantitativa não são opostas, e sim complementares na compreensão da realidade social (Minayo; Sanches, 1993, p. 239). 35 Dessa forma, apresentam-se, como exemplo, algumas perguntas: ● Qual a cobertura vacinal contra o HPV entre os adolescentes do município de Perobal? ● Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? Nenhuma das duas, porém, é boa, no sentido de ser suficiente para a compreensão completa dessa realidade. Um bom método será sempre aquele que, permitindo uma construção correta dos dados, ajuda a refletir sobre a dinâmica da teoria. Portanto, além de ser apropriado ao objeto da investigação e de oferecer elementos teóricos para a análise, o método tem de ser operacionalmente exequível (Minayo; Sanches, 1993, p. 239). 36 Recomenda-se, nesses casos, a realização de pesquisas mistas, ou seja, aquelas que empregam os dois tipos de método: quantitativo e qualitativo. Veja o exemplo da pergunta anterior: Para responder à primeira parte da questão: É recomendada a realização de uma pesquisa quantitativa, porque se deseja conhecer, do total de crianças e adolescentes residentes no município, quantos receberam a vacina, ou seja, qual o percentual de imunizados. Para responder à segunda parte: É recomendada uma pesquisa qualitativa, sempre que se deseja conhecer “o como” e o “porquê” de algum fenômeno. Nesse caso, deseja-se compreender as causas, ou seja, o porquê da baixa cobertura da vacina contra HPV. Qual a cobertura vacinal contra o HPV entre crianças e adolescentes do município de Perobal? 01 Por que a cobertura vacinal contra o HPV entre adolescentes está baixa no município de Perobal? 02 As pesquisas também podem ser classificadas, a partir dos objetivos pretendidos, em pelo menos três categorias principais: Para saber mais sobre os métodos qualitativos e quantitativos, clique aqui ou escaneie o QR Code e consulte o artigo Quantitativo-Qualitativo: Oposição ou Complementaridade? (Minayo; Sanches, 1993) A seguir, vejamos a diferença entre elas no Quadro 02. Observe que uma pesquisa pode ser classificada em mais de uma categoria, a depender de seus objetivos de estudo. Pesquisa Exploratória Pesquisa Descritiva Pesquisa Explicativa 37 https://www.scielo.br/j/csp/a/Bgpmz7T7cNv8K9Hg4J9fJDb/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/csp/a/Bgpmz7T7cNv8K9Hg4J9fJDb/?format=pdf&lang=pt Conceito Visa explorar um problema de pesquisa ainda pouco investigado ou uma realidade pouco conhecida. Objetiva proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito. Visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis. Para o levantamento de dados, recorre-se a técnicas padronizadas de coleta, como o questionário ou a observação sistemática. Visa explicar os fatores que ocasionam os fenômenos e aprofundar o conhecimento da realidade ao explicar o “porquê” das coisas. Objetiva identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Quadro 02 ─ Classificação dos tipos de pesquisa segundo os objetivos pretendidos (continua) Tipo de pesquisa quanto aos objetivos pretendidos ExplicativaExploratória Descritiva 38 (continua) Exemplos de objetivos Analisar as percepções e as experiências de pacientes idosos em relação ao uso de aplicativos de telemedicina para monitoramento de doenças crônicas e identificar barreiras e facilitadores para sua adoção. Descrever as características demográficas e clínicas dos pacientes diagnosticados com hipertensão arterial residentes na região norte do Paraná. Analisar os fatores determinantes da baixa cobertura da vacina contra HPV entre adolescentes no município de Perobal, buscando compreender as causas subjacentes (efeito de notícias falsas ou fake news, movimento antivacina ou dificuldades de acesso ao serviço). (conclusão) 39 Fonte: Adaptado de Giordani, 2026. 39 A) LOCAL DO ESTUDO Refere-se ao espaço geográfico no qual o estudo foi realizado. Deve-se delimitar, de forma específica, a área geográfica, a instituição ou o ambiente em que se encontra a população (ou a amostra populacional) que será estudada, como uma unidade de saúde (quando a população de estudo for composta de trabalhadores), uma escola, uma comunidade, uma região da cidade, um município, estado ou mesmo um país. 40 17 Também devemos deixar claro por que aquele local é relevante para o alcance dos objetivos, incluindo suas características econômicas, geográficas e sociais. Você também pode pesquisar em páginas oficiais do Estado ou de municípios pesquisados. 41 DICAS IMPORTANTES É relevante inserir uma imagem que identifique a localização do estudo (mapa geográfico). As informações sobre esse local podem ser encontradas no: Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para consultar, clique aqui ou escaneie o QR Code. Site do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Para consultar, clique aqui ou escaneie o QR Code. https://www.ibge.gov.br/ https://cnes.datasus.gov.br/pages/consultas.jsp https://cnes.datasus.gov.br/pages/consultas.jsp https://www.ibge.gov.br/ Em síntese, o que incluir na descrição sobre o local do estudo? Identificação precisa 36 Nome da cidade, do estado, do país, da comunidade, da UBS etc. (desde que a identificação do local e dos participantes do estudo não seja antiética, isto é, não identifique os participantes). Detalhes sobre a localização (urbana, rural, capital, interior), a população total abrangida e o tipo de instituição pesquisada (pública ou privada). Contexto geográfico/institucional Descrição da infraestrutura, do tipo de ambiente e de outras características: geográficas, econômicas e sociais. Deixar claro como o local se relaciona com sua população de estudo e por que ele é relevante para o alcance de seus objetivos. Características do local 42 B) POPULAÇÃO DO ESTUDO OU PARTICIPANTES DO ESTUDO O termo população pode se referir tanto a pessoas quanto a características que elas compartilham (definidas por localização, idade, gênero ou alguma condição específica, como pessoas diagnosticadas com alguma doença, usuários de um serviço, etc.), constituindo-se de pelo menos uma característica comum que se pretende conhecer. Assim, a população de estudo é entendida como um conjunto de todos os elementos sob investigação. Normalmente, não se estuda toda a população, podendo ser utilizadas duas formas de seleção: 43 amostra probabilística (definida a partir de critérios amostrais estatísticos); seleção não probabilística (podendo ser intencional e/ou por conveniência). A amostragem probabilística é indicada principalmente para estudos quantitativos, cujo objetivo é tirar conclusões sobre uma população ampla, quando não há viabilidade (de tempo ou de recurso pessoal e material) para investigação de toda a população. 44 A amostra é dita probabilística quando cada indivíduo da população sob estudo tem uma probabilidade conhecida – maior do que zero e menor ou igual a 1 – de ser selecionado, ou seja, cada pessoa tem pelo menos uma chance (ainda que pequena) de ser escolhida. Se a probabilidade fosse exatamente 1, o indivíduo seria sempre selecionado; se fosse 0, não haveria qualquer possibilidade de seleção. A seleção da amostra deve ser aleatória, paragarantir que reflita com precisão a diversidade da população. A aleatoriedade minimiza o viés da seleção e permite que a equipe de pesquisa faça inferências (deduções) estatísticas e generalize os resultados para toda a população. 45 Uma amostragem probabilística deve cumprir três requisitos: 01 02 03 Todas as pessoas da base de amostragem devem ter a mesma probabilidade de participação na pesquisa. É preciso saber qual é a chance de cada pessoa ser selecionada. Por exemplo, você pode determinar que, em uma população de 100 pessoas, a chance de cada uma delas receber a pesquisa é de 1 em 100. A amostragem deve ser aleatória (não intencional), para garantir que a amostra seja representativa da população como um todo. QUE TAL UM EXEMPLO? Em uma pesquisa sobre manejo de condições crônicas, quando temos o objetivo de analisar os fatores sociodemográficos de usuários com hipertensão arterial associados à adesão ao tratamento, podemos, a partir da listagem de usuários hipertensos cadastrados, sortear alguns nomes para responder a um questionário. Clique aqui ou escaneie o QR Code e assista ao vídeo “População e Amostra: Cálculo Amostral e Técnicas de Amostragem”, para saber mais sobre amostragem populacional. 01 https://www.youtube.com/watch?v=GJxll8pLCMc https://www.youtube.com/watch?v=GJxll8pLCMc 46 Leia também um artigo sobre amostragem populacional, para ampliar seus conhecimentos. Para isso, clique aqui ou escaneie o QR Code. A seleção intencional e a seleção por conveniência de participantes são modalidades utilizadas em pesquisas qualitativas, quando se tem a intenção de selecionar participantes com características predefinidas ou com determinado perfil, a partir do julgamento do pesquisador, com base no problema de pesquisa e no alinhamento aos objetivos do estudo. São indicadas quando se buscam informações aprofundadas e específicas de um grupo com características ou experiências particulares, não para generalizar, mas para entender um fenômeno em profundidade. A ênfase muda de "quantos?" participantes para "quem?" e "por quê?", priorizando a profundidade da compreensão em detrimento da abrangência. https://doi.org/10.1590/S2237-96222023000300014.pt https://doi.org/10.1590/S2237-96222023000300014.pt 47 Enquanto a seleção intencional usa o julgamento do pesquisador para a escolha dos participantes, a seleção por conveniência usa a facilidade de acesso aos participantes como principal critério. QUAL A DIFERENÇA ENTRE A SELEÇÃO INTENCIONAL E A SELEÇÃO POR CONVENIÊNCIA? Vamos a um exemplo: em uma pesquisa sobre o manejo de condições crônicas, cujo objetivo é compreender as experiências de pacientes com diabetes tipo 2 no autocuidado, especificamente aqueles que apresentam bons resultados de controle glicêmico, selecionam-se, de maneira intencional, usuários com adesão ao tratamento e bom controle para serem entrevistados. 48 O que são técnicas para obtenção dos dados? São métodos e procedimentos utilizados para obter informações relevantes, confiáveis e precisas sobre a população de estudo, que permitam responder às perguntas de pesquisa e alcançar os objetivos do estudo. Os dados a serem obtidos para a pesquisa podem ser: primários (aqueles obtidos diretamente da fonte original , sem terem recebido qualquer tratamento e/ou análise – como dados de prontuários ou entrevistas com usuários dos serviços); secundários (aqueles que já foram processados e já receberam algum tipo de sistematização, como artigos, relatórios e bancos de dados). Os dados primários e secundários podem ser utilizados tanto em pesquisas quantitativas como qualitativas, e são obtidos de diferentes formas, conforme apresentado no quadro 03. Quadro 03 ─ Técnicas para obtenção de dados em pesquisas qualitativas e quantitativas (continua) Os métodos visam obter informações numéricas e mensuráveis sobre uma determinada variável ou conjunto de variáveis, que possam ser analisadas estatisticamente. Os métodos visam obter informações detalhadas, ricas em contexto e subjetivas sobre fenômenos, experiências e opiniões. Questionários estruturados – são formulários com perguntas de múltipla escolha, escalas de classificação ou perguntas fechadas. Entrevistas em profundidade – envolvem questões abertas, em que os entrevistados se manifestam detalhadamente sobre suas vivências, percepções e perspectivas. As entrevistas, geralmente, são gravadas e transcritas, para uma análise posterior. Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa 49 Entrevistas estruturadas – envolvem perguntas padronizadas, com respostas predeterminadas, permitindo a coleta de dados quantitativos de forma sistemática. Grupo focal – é uma entrevista coletiva, com participação de quatro a 12 pessoas que apresentam certa homogeneidade em termos de contexto de vida – mas não de atitudes –, o que garante a riqueza das discussões (Barbour, 2009). Possibilita observar o processo de interação entre os participantes e como as controvérsias se manifestam e são resolvidas. Experimentos controlados – envolvem a realização de experimentos em ambientes controlados, como os laboratórios de testes de medicamentos e vacinas. Os dados coletados nesses experimentos são frequentemente quantitativos, permitindo análises estatísticas para a identificação de relações e causas. Observação participante – o pesquisador se envolve no ambiente observado e interage com os participantes. O objetivo é obter uma compreensão aprofundada do contexto, dos comportamentos e das interações sociais. (conclusão) Fonte: Adaptado de Minayo, 2009; UFSC, 2026. 50 16 Quais são as técnicas utilizadas na análise dos dados? A análise dos dados é o processo de organizar, analisar e/ou interpretar dados da pesquisa. Essa análise também é realizada de forma diferente, de acordo com os dados produzidos em pesquisas qualitativas e quantitativas. As técnicas de análise mais utilizadas são: análise de conteúdo temática (Bardin, 2011); análise hermenêutica (Minayo, 2002). análise de discurso (Orlandi, 2020); Os dados qualitativos devem ser analisados, interpretados e apresentados em categorias de análise. 51 52 As análises descritivas (como médias e frequências) são realizadas para facilitar a compreensão dos dados. Também é comum o uso de testes estatísticos (valor de “p” ou p-valor e o intervalo de confiança - IC), que visam determinar se as diferenças ou as relações observadas entre o fator e o desfecho são reais ou ocorreram ao acaso (Mesas et al., 2017). Esses recursos apoiam a inferência, a estimativa de precisão e a compatibilidade dos dados com hipóteses; isoladamente, não estabelecem relevância clínica, causalidade ou veracidade. As análises inferenciais, como medidas de associação (Risco relativo, Razão de Prevalência e Odds Ratio), são usadas para quantificar a relação entre uma exposição (fator de risco) e um desfecho (doença ou condição). Um estudo para determinar se o tabagismo (exposição) está associado ao desenvolvimento de câncer de pulmão (desfecho) é exemplo de pesquisa que utiliza medida de associação. Para os dados quantitativos, as análises são feitas para medir variáveis, testar hipóteses e identificar relações entre elas. 53 Quais são os aspectos éticos da pesquisa? No Brasil, as pesquisas que envolvem a participação de pessoas (seja por meio de entrevistas, seja por observações e experimentos) devem respeitar a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, que contém diretrizes e normas regulamentadoras. Essa resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, referenciais da bioética, como: Autonomia Não maleficência Beneficência Justiça e equidade Além destes, outros referenciais podemser citados, visando assegurar direitos e deveres que dizem respeito aos participantes da pesquisa, à comunidade científica e ao Estado (Brasil, 2012). 54 Os projetos de pesquisa que envolvem a participação de seres humanos, antes de serem iniciados, devem ser submetidos ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição à qual a pesquisa está vinculada, para análise dos aspectos éticos da proposta, podendo ser aprovados ou receber solicitações de adequação para que possam ser desenvolvidos. Pesquisas cujos dados são obtidos a partir de bancos de dados públicos, como o DataSUS, o CNES e o Painel e-SUS APS, não necessitam ser submetidas a um Comitê de Ética. E como está a produção de conhecimentos na APS? Há organizações que se dedicam à produção e à divulgação de pesquisa na APS no Brasil? Sim! Há em nosso país alguns movimentos e organizações que estimulam a realização de pesquisas e divulgam a produção de conhecimento na APS. Conforme dito anteriormente, o Brasil conta com movimentos e entidades que impulsionam investigações científicas e propagam a produção de conhecimentos na APS. Destacam-se: Para saber mais sobre a Rede APS, clique aqui ou escaneie o QR Code. REDE DE PESQUISA EM APS (REDE APS) A Rede APS é uma iniciativa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) que conecta pesquisadores, gestores e trabalhadores do SUS para produzir, trocar e usar conhecimento científico. Tem por objetivo qualificar a APS e subsidiar políticas públicas, fortalecendo a Estratégia Saúde da Família (ESF) e defendendo um SUS integral e resolutivo. 55 https://redeaps.org.br/ https://redeaps.org.br/ PROGRAMA DE PESQUISA PARA O SUS (PPSUS) Tem por objetivo promover o desenvolvimento científico e tecnológico, considerando as peculiaridades e as especificidades de cada estado, além de contribuir para a redução das desigualdades regionais. Para saber mais sobre o PPSUS, clique aqui ou escaneie o QR Code. 56 O PPSUS é uma iniciativa de descentralização de financiamento à pesquisa em saúde nos estados da federação. INICIATIVAS ACADÊMICAS Trabalhos de conclusão de curso em: graduação da saúde; cursos de pós-graduação lato sensu (especializações e residências em saúde da família); dissertações e teses de programas de pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados) vinculados a universidades públicas e privadas. https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/ppsus https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/ppsus MOSTRA DE EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DO COSEMS/CONASEMS A ação celebra e divulga práticas inovadoras e bem-sucedidas em gestão e assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. As inscrições são abertas anualmente para municípios, que compartilham suas histórias de sucesso em categorias como APS, Telessaúde e Prevenção, resultando em premiações e produção de webdocumentários para ampliar o alcance dessas ações transformadoras. Para saber mais sobre a Mostra de experiências exitosas do COSEMS/CONASEMS , clique aqui ou escaneie o QR Code. 57 O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde promove a iniciativa "Brasil, aqui tem SUS“. https://portal.conasems.org.br/brasil-aqui-tem-sus/noticias/107_mostra-brasil-aqui-tem-sus-possibilitando-troca-de-experiencias-continuas https://portal.conasems.org.br/brasil-aqui-tem-sus/noticias/107_mostra-brasil-aqui-tem-sus-possibilitando-troca-de-experiencias-continuas SA IB A M A IS Nem todos os problemas do cotidiano do trabalho são resolvidos por meio de pesquisas realizadas pelos próprios profissionais. Muitas vezes, é importante que os problemas e as dúvidas relacionadas ao trabalho sejam sanadas por meio de consultas a estudos já realizados e publicados. Isso significa buscar evidências científicas na literatura sobre algo que se deseja entender melhor e/ou modificar no dia a dia dos serviços. Dessa forma, profissionais de saúde podem buscar evidências científicas em bases de dados – gratuitas ou pagas – que reúnem trabalhos científicos e informações, como: Portal Saúde Baseada em Evidência; BVS APS; BMJ best practice; UpToDate; DynaMed; Portal de boas práticas da Fiocruz; Cochrane Library. 58 SA IB A M A IS Para essas consultas, é necessário que os profissionais, especialmente para decisões clínicas e de manejo de conduta, tenham como base a pirâmide de evidências científicas. A pirâmide é uma ferramenta visual que hierarquiza os estudos de acordo com sua robustez metodológica e capacidade de informar decisões clínicas com o menor risco de viés, isto é, classifica os estudos científicos publicados de acordo com o método empregado. Fonte: Adaptada de Suny, 2001, tradução nossa. Figura 01 ─ Pirâmide da evidência 59 Revisões sistemáticas e metanálises Ensaios clínicos randomizados e controlados Estudos de coorte Estudos de caso e controle Estudos de série de caso Relatos de caso Editoriais, opiniões Pesquisas em animais Pesquisas em laboratório SA IB A M A IS No entanto, atualmente, muitos autores têm defendido que a qualidade metodológica individual de um estudo pode ser mais importante do que sua posição teórica na hierarquia de evidências. Por isso, não é só porque um trabalho foi publicado que ele, isoladamente, serve para a tomada de decisão clínica. Vale lembrar que existem estudos com vieses importantes de seleção e resultados que podem beneficiar grupos específicos. 60 61 Organizou um roteiro de questões para entrevistar pais ou responsáveis por crianças e adolescentes (para compreender as razões do não comparecimento para vacinação dos filhos). Utilizou um roteiro de observação na unidade, envolvendo o acompanhamento do atendimento a pais, responsáveis, crianças e adolescentes na recepção, na sala de vacinas e no registro das vacinas aplicadas (para identificar falhas nos processos de trabalho). Apresentou a proposta para o coordenador da UBS e encaminhou o projeto de pesquisa ao Comitê de Ética da Secretaria Municipal de Saúde e a comitês instituídos em universidades, hospitais e Secretarias Estaduais de Saúde, para avaliação. Voltando ao caso inicial, Ana entendeu que a resposta à sua pergunta de pesquisa exigiria a realização de uma pesquisa qualitativa. Assim, colocou a mão na massa: Agora que você já compreendeu os passos para a realização de uma pesquisa, que tal exercitar? 1. Descreva uma situação-problema do seu local de trabalho (pode estar relacionada aos riscos à saúde, às formas de adoecimento e morte da população ou ainda à organização e ao funcionamento do serviço em que atua) e elabore uma pergunta sobre ela. 62 2. A partir desse problema, justifique por que é relevante que ele seja estudado? 63 4. Que método seria adequado para o desenvolvimento desse estudo: quantitativo ou qualitativo? E que técnica de coleta de dados você utilizaria? 3. Que objetivos você pretende alcançar com a realização do estudo? 03 Qualidade na APS e seus Indicadores voltados para os Planos de Cuidado no Território 65 Dessa forma, a qualidade da atenção recebida pela população na APS depende das características particulares do sistema de saúde, da infraestrutura, de boas práticas da equipe profissional e da organização dos serviços. O termo qualidade também deve ser usado em um sentido mais amplo, para refletir a satisfação dos usuários com os serviços, os custos da atenção, a qualificação do pessoal, a segurança, a aparência das unidades de saúde e a adequação dos equipamentos utilizados na atenção. O que significa qualidade da atenção em saúde? Segundo Bárbara Starfield (2002, p. 419), a qualidade da atenção significa o quanto as necessidades de saúde são atendidas pelos serviços de saúde, otimizando os recursos disponíveis. 66 Para Facchini et al (2018), é por meio das políticasde saúde e das práticas profissionais que serviços de boa qualidade podem modificar desigualdades estruturais em saúde, com respostas mais equitativas na prestação dos cuidados, contribuindo efetivamente para a superação de desvantagens históricas nos indicadores de saúde de regiões e populações vulneráveis do país. Que tal, agora, resgatar os conhecimentos adquiridos na disciplina 1 – O SUS e a Integralidade do Cuidado? Podemos dizer que o cuidado é qualificado quando, na APS, estão presentes os sete atributos: Acesso de primeiro contato. Longitudinalidade. Integralidade. Coordenação do cuidado. Orientação familiar. Orientação comunitária. Competência cultural. A qualidade da atenção na APS pode ser medida por meio de monitoramento dos indicadores de processo e de resultado, autoavaliação das equipes e instrumentos de avaliação validados, cujo foco são os atributos essenciais da APS. 67 Voltaremos a esse assunto. Vamos entender, primeiramente: E como medir a qualidade do cuidado na APS? “Indicadores de Saúde são medidas-síntese que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde” (OPAS, 2018, p. 13). O que são Indicadores de Saúde? 68 Os indicadores derivam de dados e são instrumentos para gerar informações. Portanto, os “dados” diferenciam-se da “informação”, que, por sua vez, distingue-se dos “indicadores” (Andrade et al., 2017). DADOS São a “matéria-prima” da informação. Trata-se de elemento numérico essencial para a elaboração de um indicador. EXEMPLO No exemplo que estamos trabalhando, o dado seria a relação de adolescentes, segundo a idade e o local de moradia, que foram vacinados contra HPV num determinado período de tempo. 69 INDICADORES Os indicadores de saúde procuram descrever e monitorar a situação de saúde de uma população. EXEMPLO No nosso exemplo, a cobertura vacinal de adolescentes contra HPV, de determinado local e ano, constitui-se em “indicador”. INFORMAÇÃO São os dados sobre saúde de indivíduos e populações, coletados, processados e analisados para apoiar a tomada de decisões. EXEMPLO No nosso exemplo, a proporção de adolescentes não vacinados contra HPV, por local de moradia e ano, constitui-se em “informação”. Figura 02 ─ Dados, indicadores, informação e conhecimento 70 Resumindo, o dado é a unidade primária (input) que, ao ser trabalhada, gera um indicador; este, ao ser analisado, produz informação, que, ao ser interpretada, gera conhecimento (OPAS, 2018, p. 6). Fonte: Elaborada pelo Núcleo Pedagógico Mais Conasems. 71 Fonte: Adaptada de Andrade et al., 2017. Figura 03 ─ Dinâmica do ciclo para gerar informações e ações em saúde Você já tinha pensado que a matéria-prima dos indicadores é o conjunto de dados produzidos pelas equipes gestoras e pelos profissionais de saúde, que alimentam os sistemas nacionais de informação e outras estratégias locais de registro? Dados Indicadores Informação (Interpretação da situação) AÇÃO (Maior detalhamento / novos dados) (Medidas Corretivas da Situação) 72 Por isso, é fundamental ter muita atenção aos registros, para que os indicadores de saúde cumpram suas principais finalidades, que são: Assim, é necessário que os dados tenham qualidade (sendo preenchidos corretamente e de forma ininterrupta ao longo do tempo) e que os sistemas de informação tenham boa cobertura dos problemas ou das situações de saúde que se deseja avaliar (Andrade et al., 2017). Além disso, um bom indicador de saúde deve apresentar viabilidade de mensuração em diferentes níveis geográficos (regional, nacional ou local) e subgrupos populacionais (por idade, sexo, grupo socioeconômico ou origem étnica) (OPAS, 2018). analisar a situação atual de saúde; fazer comparações entre diferentes locais e períodos; avaliar mudanças de uma situação, doença ou agravo ao longo do tempo; e subsidiar o planejamento de intervenções. É a coleta dos dados e a notificação em tempo hábil. Entende-se oportunidade como o momento em que se precisa do indicador para tomar uma decisão relativa à saúde, como as ações de bloqueio de uma doença transmissível. Oportunidade É a capacidade do indicador de mensurar aquilo que se pretende avaliar, dependendo, em grande medida, da cobertura e da qualidade dos sistemas de informação. Validade 73 Outros atributos dos bons indicadores são: As mensurações devem ser iguais quando realizadas por pessoas diferentes, utilizando o mesmo método. Para isso, é fundamental o uso de instrumentos padronizados para o registro dos dados. Reprodutibilidade É a existência de condições necessárias (manutenção da capacidade técnica e vontade política) para a estimativa contínua. Sustentabilidade 74 É a capacidade do indicador de proporcionar informação adequada e útil. Pertinência e relevância É a necessidade de o indicador ser compreendido por quem faz uso dele. Compreensibilidade Para saber mais sobre os atributos ou características dos indicadores de saúde, clique aqui ou escaneie o QR Code https://iris.paho.org/server/api/core/bitstreams/8e964b11-1adc-451e-8b0f-872ee5e11c42/content https://iris.paho.org/server/api/core/bitstreams/8e964b11-1adc-451e-8b0f-872ee5e11c42/content https://iris.paho.org/server/api/core/bitstreams/8e964b11-1adc-451e-8b0f-872ee5e11c42/content Segundo a OPAS (2018, p. 8), os indicadores de saúde podem ser classificados em positivos e negativos. Um indicador é positivo quando apresenta uma relação, associação ou correlação direta com o estado de saúde. Quanto maior o valor, melhor é o estado de saúde da população. Exemplos: a expectativa de vida ao nascer e a cobertura vacinal. Um indicador é negativo quando apresenta uma relação, associação ou correlação inversa ao estado de saúde. Quanto maior o valor, pior é o estado de saúde da população. Exemplos: Taxa de mortalidade infantil e Razão de Mortalidade Materna. 75 São métricas utilizadas para medir a extensão da aplicação de bons cuidados de saúde, ou seja, para avaliar e monitorar as atividades realizadas dentro dos serviços de saúde. Eles focam em como o cuidado é prestado e permitem a análise de eficiência, consistência e conformidade com diretrizes ou padrões de melhores práticas para intervenções específicas em saúde. Esses indicadores são fundamentais para monitorar e melhorar a qualidade dos processos de cuidado, contribuindo para melhores resultados para os usuários. EXEMPLO Percentual de gestantes que realizaram 6 ou mais consultas de pré-natal, sendo a primeira até a 12ª semana gestacional. 119119 Os indicadores também podem ser classificados em Indicadores de Processo e de Resultado (PlanificaSUS, 2024, p. 6). INDICADORES DE PROCESSO 76 Dizem respeito à recuperação, à restauração da funcionalidade e à sobrevida dos pacientes, ou seja, são métricas utilizadas para avaliar os efeitos finais das intervenções e dos cuidados de saúde sobre a saúde dos usuários e da população em geral. Eles focam nos resultados clínicos, funcionais e de satisfação dos pacientes, refletindo os resultados concretos do tratamento, da prevenção e da gestão de condições de saúde. Dessa forma, constituem uma medida direta da eficácia das práticas e das políticas de saúde implementadas, mensurando se o processo teve impacto no serviço de saúde. EXEMPLO Taxa de mortalidade e taxa de internação. 119119 INDICADORES DE RESULTADO 77 É importante ressaltar que a medida dos indicadores de resultado nem sempre decorre diretamente da qualidade dos cuidados de saúde prestados, como ocorre com os indicadores de processo,uma vez que os resultados dependem de inúmeros outros fatores, para além do cuidado em saúde. Por exemplo: um resultado desejado de uma pessoa que sofre um ataque cardíaco grave pode ser a sobrevivência, mas a razão pela qual a pessoa sobrevive pode não estar relacionada à segurança e à qualidade dos cuidados de saúde recebidos (PlanificaSUS, 2024). FIQUE ATENTO! 78 Para que os trabalhadores e as equipes da APS possam calcular e acompanhar alguns indicadores de processo, voltados aos planos de cuidado na APS, é importante que disponham de informações precisas e contínuas: SOBRE O TERRITÓRIO E A POPULAÇÃO População estimada no território de abrangência. População cadastrada. Subpopulações cadastradas (gestantes, idosos, crianças, usuários com doenças crônicas e usuários com condições de saúde mental). SOBRE O ACESSO AOS SERVIÇOS Número de atendimentos realizados em relação à capacidade instalada do serviço. 79 Análise das agendas dos profissionais da saúde do serviço, verificando se a proporção de atendimentos individuais, coletivos e domiciliares atende às necessidades do território. Número de vagas de primeira vez e retorno disponibilizado por categoria profissional e de acordo com a necessidade do território. Tempo médio de espera (em dias) para agendamento disponível para consulta programada. SOBRE A GESTÃO DO CUIDADO Estratificação de risco familiar. Estratificação de risco por subpopulações (hipertensos, diabéticos, gestantes, idosos e crianças). Elaboração de planos de cuidado com foco na necessidade do usuário identificada. 80 IMPORTANTE Ter esses dados disponíveis é fundamental para que trabalhadores/equipes possam calcular indicadores de processo que vão mensurar a qualidade do cuidado prestado e possibilitar que sejam adotadas medidas de correção, caso o resultado dos indicadores não seja favorável. São exemplos de indicadores voltados ao plano de cuidados na APS: 81 percentual de hipertensos com planos de cuidado executados; percentual de adesão às consultas programadas; tempo médio de espera para consulta eletiva; percentual de gestantes com 6 ou mais consultas e que iniciaram o pré-natal antes da 12ª semana de gestação; adesão ao tratamento de usuários com hipertensão e diabetes, entre outros. Além desses indicadores, quais outros seriam adequados para monitoramento em sua unidade de saúde? E COMO SÃO CONSTRUÍDOS OS INDICADORES DE SAÚDE? 14 Os indicadores de saúde são, em geral, construídos por meio de frequências relativas, como as medidas do tipo proporção, coeficiente ou taxa. As medidas do tipo proporção pressupõem que o numerador esteja contido no denominador. São expressas em percentagem (%) ou por 1.000, 10.000, 100.000. A cobertura vacinal é um exemplo de proporção. Para calcular a cobertura de uma determinada vacina, deve-se dividir o número de doses aplicadas (numerador) pelo total de pessoas na população-alvo (denominador) e multiplicar por 100 para obter a porcentagem. Cobertura vacinal (%) = (Nº de doses aplicadas / População-alvo) x 100. 82 1783 No caso do exemplo sobre a cobertura vacinal de crianças e adolescentes contra o HPV, como a enfermeira Ana chegou à conclusão de que a cobertura estava baixa? Que dados utilizou? Cobertura vacinal contra HPV entre adolescentes = Crianças e adolescentes do sexo feminino entre 09 e 14 anos, vinculadas à equipe Crianças e adolescentes do sexo feminino entre 09 e 14 anos no período avaliado, com registro de pelo menos uma dose da vacina HPV administrada nessa faixa etária x 100 Clique aqui ou escaneie o QR Code e saiba mais sobre os Coortes Vacinais – Papilomavírus Humano (HPV) no site do Ministério da Saúde. Ana obteve os seguintes dados no relatório quadrimestral do SIAPS e aplicou a fórmula apresentada a seguir. https://infoms.saude.gov.br/extensions/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_HPV/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_HPV.html https://infoms.saude.gov.br/extensions/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_HPV/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_HPV.html Outros indicadores mais conhecidos, chamados de taxas ou coeficientes, são construídos por meio de frequências relativas. 84 De maneira geral, são calculados da seguinte forma: numerador x 10n / denominador, onde: o numerador é representado por casos da doença, óbitos, nascidos vivos com baixo peso etc. (evento que estamos estudando); o denominador é geralmente representado pela população exposta ao risco de sofrer o evento descrito no numerador (população total, nascidos vivos); 10n = dez elevado à potência “n” (ou seja, 10 elevado à potência 2, 3, 4, 5 etc.), que varia conforme o denominador, de modo que a interpretação do valor final seja coerente com o tamanho da população. Indica a “carga” da doença em uma comunidade. Em seu cálculo, são considerados os casos presentes da doença (novos + antigos) em uma determinada comunidade, em um período de tempo especificado. Taxa de prevalência Estima o risco de ocorrência de uma doença ou outro agravo na população (casos novos) em uma determinada comunidade, em um período de tempo específico, sendo calculada a partir de casos novos da doença. Trata-se de um indicador bastante utilizado para doenças transmissíveis, cujos casos são notificados. Taxa de incidência 85 Os indicadores mais usados na saúde são: Representa o risco de óbito (por qualquer causa) na comunidade, calculado a partir do número de óbitos, independentemente da faixa etária e da causa. Coeficiente Geral de Mortalidade (CGM) É um indicador de gravidade da doença ou agravo na população. Representa a proporção de óbitos entre os casos da doença e estima o risco de morte (pela doença) entre os indivíduos acometidos. Taxa de letalidade 86 É uma estimativa do risco que as crianças nascidas vivas têm de morrer antes de completar 1 ano de idade. Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) ou Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) Representa o risco de óbitos por causas ligadas à gestação, ao parto ou ao puerpério (Andrade et al., 2017). Razão de Mortalidade Materna (RMM) É um indicador de gravidade da doença ou agravo na população. Representa a proporção de óbitos entre os casos da doença e estima o risco de morte (pela doença) entre os indivíduos acometidos. Taxa de letalidade 87 Para saber mais sobre os indicadores de saúde, consulte o site Ripsa. Clique aqui ou escaneie o QR Code Consulte também a Matriz de Indicadores Básicos e as formas de cálculo. Clique aqui ou escaneie o QR Code https://www.ripsa.org.br/lista-indicadores/ https://www.ripsa.org.br/lista-indicadores/ https://www.ripsa.org.br/lista-indicadores/ https://www.ripsa.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Matriz-de-indicadores.pdf https://www.ripsa.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Matriz-de-indicadores.pdf https://www.ripsa.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Matriz-de-indicadores.pdf 17 Visando induzir boas práticas entre os profissionais e as equipes, proporcionando melhoria do acesso e da qualidade dos serviços ofertados na APS, um dos eixos utilizados para o financiamento da APS pelo Ministério da Saúde, a partir de 2026, é o Componente de Qualidade. Esse componente estimula o alcance dos indicadores pactuados, vinculados à Estratégia Saúde da Família, às equipes de Saúde Bucal na APS e às equipes Multiprofissionais na APS. 88 Como estão organizados os eixos temáticos dos Indicadores relacionados ao Componente de Qualidade da APS? Componente de Qualidade da APS Equipe de Atenção Primária e Saúde da Família Equipe de Atenção Primária Prisional Equipe de Consultório na Rua Equipe de Saúde Bucal Equipes Multiprofis- sionais (eMulti) Figura 04 ─ Componentes de Qualidade da APS Veja, a seguir, como esses componentes podem ser compreendidos. Fonte: Elaborada pelo Núcleo Pedagógico Mais Conasems. 89 EQUIPEDE ATENÇÃO PRIMÁRIA E SAÚDE DA FAMÍLIA Indicadores vinculados ao cofinanciamento federal das equipes eSF e eAP, distribuídos entre o componente de vínculo e acompanhamento territorial e o componente de qualidade. ● Mais acesso ● Cuidado no desenvolvimento infantil ● Cuidado na gestação e no puerpério ● Cuidado da pessoa com diabetes ● Cuidado da pessoa com hipertensão ● Cuidado da pessoa idosa ● Cuidado da mulher na prevenção do câncer 1790 EQUIPE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA PRISIONAL Indicadores voltados à indução de boas práticas de equidade na Atenção Primária à Saúde (APS), vinculados ao cofinanciamento federal das eAPP por meio do componente de qualidade. ● Mais acesso à Atenção Primária Prisional ● Cuidado na gestação ● Cuidado da pessoa com diabetes e/ou hipertensão ● Rastreio de infecções sexualmente transmissíveis ● Cuidado da mulher na prevenção do câncer 1791 EQUIPE DE CONSULTÓRIO NA RUA Indicadores voltados à indução de boas práticas de equidade na Atenção Primária à Saúde (APS), vinculados ao cofinanciamento federal das eCR por meio do componente de qualidade. ● Mais acesso à eCR ● Cuidado na gestação ● Rastreio de infecções sexualmente transmissíveis ● Cuidado da pessoa com tuberculose 1792 EQUIPE DE SAÚDE BUCAL Indicadores relacionados às ações desenvolvidas por equipes de Saúde Bucal na APS. ● Primeira consulta programada ● Tratamento concluído ● Taxa de exodontia ● Escovação supervisionada em faixa etária escolar (de 6 a 12 anos) ● Procedimentos odontológicos preventivos ● Tratamento restaurador atraumático 1749 EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS (eMulti) Indicadores que avaliam ações realizadas por equipes multiprofissionais ou que envolvem atuação interprofissional na APS. ● Ações interprofissionais realizadas pela eMulti na APS ● Média de atendimentos por pessoa pela eMulti na APS 93 No caso do nosso exemplo, a cobertura vacinal de crianças e adolescentes contra o HPV é uma das boas práticas que compõem o indicador “Cuidado da mulher na prevenção do câncer na Atenção Primária à Saúde (APS)”, do Eixo Temático da Estratégia Saúde da Família – “Mulher na Prevenção ao Câncer”. Compõem esse indicador as boas práticas: 94 Cada um dos 15 indicadores e as boas práticas que integram o Componente da Qualidade estão detalhados em Notas Metodológicas Para saber mais, clique aqui ou escaneie o QR Code. A B Ter pelo menos 01 (um) exame de rastreamento para câncer do colo do útero em mulheres e em homens transgênero de 25 a 64 anos de idade, coletado, solicitado ou avaliado nos últimos 36 meses. Ter pelo menos 01 (uma) dose da vacina HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino de 09 a 14 anos de idade. https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/publicacoes/fichas-tecnicas https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/publicacoes/fichas-tecnicas 95 C D Ter pelo menos 01 (um) atendimento presencial ou remoto, para adolescentes, mulheres e homens transgênero de 14 a 69 anos de idade, sobre atenção à saúde sexual e reprodutiva, realizado nos últimos 12 meses. Ter registro de pelo menos 01 (um) exame de rastreamento para câncer de mama em mulheres e em homens transgênero de 50 a 69 anos de idade, solicitado ou avaliado nos últimos 24 meses. Vale reforçar que a relação entre a qualidade na Atenção Primária à Saúde (APS) e as boas práticas de cuidado é direta e indissociável, pois as boas práticas de cuidado funcionam como os meios operacionais e técnicos que garantem a oferta de um cuidado de qualidade. Enquanto a qualidade é o objetivo final (atender às necessidades de saúde com segurança, eficácia e satisfação), as boas práticas são as ações do dia a dia – organizadas, humanizadas e baseadas em evidências, que concretizam a qualidade. Por fim, considera-se que a análise dos indicadores de saúde constitui-se em importante mecanismo nos processos de monitoramento e avaliação do cuidado. Vejamos agora como monitorar e avaliar o cuidado prestado pela APS. Com o intuito de proporcionar a gestores e trabalhadores da APS maiores detalhes sobre os novos indicadores do Componente de Qualidade do cofinanciamento federal da APS, o CONASEMS disponibiliza uma websérie. O programa é composto de 18 vídeos curtos (com duração entre 6 e 13 minutos) que detalham cada um dos indicadores do Componente de Qualidade da APS (o que é e forma de cálculo). 96 Clique aqui ou escaneie o QR Code. Você verá que os vídeos apresentam depoimentos que facilitam a compreensão do assunto. https://www.youtube.com/playlist?list=PLR3_tmYi7H3ymrG97RFpcGk_F63qTG2su https://www.youtube.com/playlist?list=PLR3_tmYi7H3ymrG97RFpcGk_F63qTG2su 04 Ferramentas de Monitoramento e Avaliação do Cuidado Quadro 04 ─ Diferença entre o monitoramento e a avaliação Primeiramente, é importante compreender a diferença entre o monitoramento e a avaliação: É o acompanhamento contínuo (análises longitudinais) das atividades e dos processos; busca revelar o curso ou o desenvolvimento relacionado à implementação de ações, serviços ou políticas públicas. Processo mais detalhado e analítico, que busca mensurar o funcionamento e os impactos de um programa ou política, com o intuito de subsidiar melhorias e informar a tomada de decisão. Utiliza dados e indicadores (por meio de observações, pareceres, medições, tabulações e compilações) para acompanhar a operação e os resultados e identificar possíveis ajustes necessários. Expande os conteúdos de mensuração e verificação do monitoramento, utilizando uma diversidade de instrumentos para determinar valores e méritos de serviços, programas e políticas. Acompanha o desenvolvimento de ações e programas ao longo do tempo e formula hipóteses a respeito. Aprofunda a compreensão sobre esse desenvolvimento, investigando as hipóteses geradas pelo monitoramento. Verifica se o desenrolar das ações de uma dada estratégia aponta para o alcance de metas e objetivos. Amplia a compreensão sobre o avaliado, por meio de instrumental qualitativo ou quantitativo, conforme a questão em análise. Fonte: Adaptada de Conass, 2026; Brasil, 2025. Monitoramento Avaliação 98 17 Portanto, pode-se afirmar que o monitoramento e a avaliação são faces complementares de um mesmo processo. Enquanto o monitoramento tem o propósito de subsidiar os tomadores de decisão com informações mais simples e em períodos estabelecidos sobre o desenvolvimento do programa, resumidas em painéis ou sistemas de indicadores, a avaliação do funcionamento e dos efeitos desse programa busca fornecer informações mais aprofundadas e detalhadas (Brasil, 2025). 49 1998 Criação do Sistema de Informações da Atenção Básica (SIAB), que instituiu mecanismos de coleta de dados sobre cadastramento populacional e indicadores de atenção a usuários nos territórios. 1999 Regulamentação do Pacto dos indicadores da Atenção Básica (SISPACTO), como instrumento nacional de monitoramento e avaliação das ações e dos serviços de saúde. 2001 Implantação da saúde bucal no Programa Saúde da Família. 2004 Criação da Política Nacional de Saúde Bucal. 2006 Publicação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 2006)/Programa Saúde da Família (PSF) se torna Estratégia Saúde da Família (ESF). O monitoramento e a avaliação são temas tratados com relevância na APS. Podemos resgatar medidas como: 99 2000 2010 Instituição, pelo MS, da Avaliação para Melhoria da Qualidade (AMQ). 2011 2019 Substituição do PMAQ pelo Programa Previne Brasil, que introduziu um rol reduzido de indicadores a serem monitorados, cujo alcance de metas pactuadas passou a compor parte importante do financiamento da APS. 2024 Extinção do Previne Brasil, que foi substituído pelo Novo Modelo de Cofinanciamento da Atenção Primária à Saúde, instituído pela Portaria GM/MS nº 3.493/2024. O rol de indicadores foi