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Aspectos Teóricos E Metodológicos Da Gestalt-Terapia

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Aspectos Teóricos e Metodológicos da 
Gestalt-Terapia
Fundamentos da 
Psicologia Humanista
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
SHEILA MARIA PRADO SOMA
JÉSSICA DE ASSIS SILVA
FABIO PEREIRA SOMA
AUTORIA
Sheila Maria Prado Soma
Olá! Sou psicóloga há 22 anos, com Mestrado e Doutorado pela 
Universidade Federal de São Carlos. Tenho experiência em Psicologia 
Clínica e docência no ensino superior, trabalhando durante todo esse 
tempo com a formação de profissionais nessa área e com produção de 
conteúdos e pesquisas. Psicologia é a minha paixão e, transmitir minha 
experiência profissional e de vida àqueles que estão em formação é um 
dos focos do meu trabalho. Por esse motivo, fui convidada pela Editora 
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito 
feliz em estar com você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
comigo! Vamos juntos!
Jéssica de Assis Silva
Olá! Sou formada em Psicologia pela Universidade Federal do Pará, 
com mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos e 
Doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP). 
Adicionalmente, sou especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva 
pela USP sendo docente em cursos de graduação e especialização. 
Desse modo, gostaria de dividir um pouco dessa experiência com você! 
Eu e a Editora Telesapiens estamos empenhados em te acompanhar 
nesta jornada! Conte conosco!
Fabio Pereira Soma
Olá. Sou formado em Filosofia e Pedagogia e Mestre em Filosofia 
pela UNESP, com experiência técnico-profissional na área de Educação há 
mais de 12 anos. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha 
experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por 
isso, fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase 
de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR:
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
História da Gestalt-terapia ......................................................................10
Pano de Fundo da Gestalt-terapia .................................................................................... 10
Influência da Filosofia na Gestalt-terapia ..................................................................... 12
Influência da Psicanálise na Gestalt-terapia .............................................................. 17
Origem da Gestalt-terapia ........................................................................................................ 18
O Conceito do Todo ...................................................................................................................... 20
Concepção de Homem e Mundo sob a Perspectiva Gestáltica ... 23
Compreendendo o Conceito da Gestalt-terapia .....................................................23
Influências na Construção da Visão de Homem ......................................................27
Principais Conceitos da Gestalt-terapia ............................................35
A Gestalt-terapia, Considerações Gerais .......................................................................35
A Questão da Figura e Fundo ............................................................................................... 36
A Questão da Conscientização ............................................................................................ 39
A Questão da Responsabilidade ......................................................................................... 40
A Técnica da Cadeira Vazia ...................................................................................................... 41
A Relação Terapêutica .................................................................................................................42
Críticas e Limitações .....................................................................................................................43
Principais Representantes da Gestalt-terapia .............................. 46
Introdução ao Capítulo ............................................................................................................... 46
Fritz Perls ...............................................................................................................................................47
Contribuição para a Psicologia ......................................................................... 49
Laura Perls............................................................................................................................................ 51
Paul Goodman ...................................................................................................................................53
7
UNIDADE
04
Fundamentos da Psicologia Humanista
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a Gestalt-terapia é uma Psicologia Humanista? E que 
o Humanismo, a Fenomenologia e o Existencialismo constituem suas bases 
filosóficas? Imagina só uma teoria que engloba tudo isso e que ainda teve 
influências das artes, budismo, psicodrama e Psicanálise? Pois então, neste 
capítulo nós vamos ver tudo isso e compreender tudo sobre a Gestalt-terapia 
por meio do seu percurso histórico. Nós também vamos contar para você qual 
é a concepção de homem dessa importante teoria e te ajudar a identificar 
os principais conceitos dela, e por fim, vamos conhecer quem são seus 
fundadores, saber um pouco sobre cada um deles. Então? Motivado? Mas 
você vai entender tudinho ao longo desta unidade. Vamos?
Fundamentos da Psicologia Humanista
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Descrever o percurso histórico da Gestalt-terapia.
2. Explicar a concepção de homem para a Gestalt-terapia.
3. Identificar os conceitos básicos da Gestalt-terapia.
4. Identificar os principais representantes da Gestalt-terapia.
Fundamentos da Psicologia Humanista
10
História da Gestalt-terapia
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você será capaz de descrever o 
percurso histórico da Gestalt-terapia. Compreender toda a 
linha do tempo dessa importante abordagem da Psicologia, 
suas bases históricas e filosóficas vão ajudar você a ser um 
profissional da Psicologia com maior habilidade teórica 
e técnica. Motivados? Vamos juntos desenvolver essa 
competência!
Pano de Fundo da Gestalt-terapia
A teoria da Gestalt-terapia tem como fundadores: Fritz Perls, 
Laura Perls e Paul Goodman. O pano de fundo da Gestalt é composto 
por conceitos e elementos de diferentes corpos de conhecimento e 
disciplinas. Vamos iniciar dando a você uma ideia da situação cultural 
e histórica que prevaleceu durante a vidados fundadores da Gestalt-
terapia, o Zeitgeist (espírito da época), o pano de fundo: o campo mais 
amplo, uma visão geral do Zeitgeist (WULF, 1996). 
O início do século XX foi caracterizado por um desenvolvimento 
explosivo da Ciência e da tecnologia. A era da automação e da cibernética 
havia começado. A ascensão da Física Nuclear e da Quântica levou 
a uma mudança revolucionária radical. Biologia, Química e Medicina 
também começaram a progredir rapidamente. Elementos revolucionários 
surgiram no pensamento político. O socialismo, o marxismo e também o 
anarquismo se tornaram movimentos consideráveis (WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
11
Figura 1 - Desenvolvimento e revoluções
Fonte: Freepik
À semelhança das mudanças na Ciência, também se iniciou 
uma busca nas Artes e na Literatura por novas formas de expressão. O 
Expressionismo nessa época representou uma reação às normas e crenças 
da burguesia. As catástrofes provocadas pela Primeira Guerra Mundial 
e a destruição da humanidade eram muito evidentes e muito recentes. 
Expressionistas (por exemplo, os pintores/artistas Van Gogh, Toulouse-
Lautrec, Munch e Otto Dix, que aliás pintaram um retrato de Fritz Perls) 
estavam tentando criar uma nova visão do ser humano, determinada pela 
responsabilidade social e pela compaixão pelos outros. A arte criativa era 
vista como uma evolução da experiência interior imediata e da dinâmica 
emocional. Os temas básicos do Expressionismo foram sentimento, 
intuição, subjetividade, fantasia - temas que vivem na Gestalt-terapia 
(WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 2 - Explosão das artes
Fonte: Freepik
Influência da Filosofia na Gestalt-terapia
Na Filosofia, seguiu o idealismo alemão do século XIX. As ideias 
revolucionárias foram desenvolvidas por Marx. Os fenômenos de 
autoalienação e autorrealização foram discutidos. O ser humano não era 
mais visto como um ser abstrato, mas dentro de seu ambiente social 
concreto, Marx via o indivíduo acima de tudo como um ser que trabalha, 
uma parte do ambiente de trabalho ou força de trabalho.
O século XX também viu o surgimento de novas tendências nas 
humanidades e na Filosofia. Não apenas as Ciências Naturais individuais 
tiveram uma forte influência; as Artes e a Literatura também fizeram 
impacto distinto na Filosofia. Houve uma influência mútua característica 
entre as diferentes disciplinas, às vezes manifestando-se dentro de uma 
mesma pessoa, ou seja, o filósofo e o escritor (Sartre e Ortega Y Gasset), 
filósofo e matemático (Bertrand Russel e Alfred N. Whitehead). Outro 
exemplo é a revolução provocada pela descoberta do inconsciente por 
Freud, e sua prova empírica do que Schopenhauer e Nietzsche já haviam 
apreendido intuitivamente (GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 3 - Descoberta do inconsciente
Fonte: Freepik
A linguagem tornou-se um tópico de importância central dentro 
da Filosofia, conhecido como o “linguístico” (Wittgenstein). Os filósofos da 
vida, os Lebensphilosophie, dos quais o mais influente foi o francês Henri 
Bergson, viam a realidade como um devir. Para eles, existe de fato apenas 
o devir, atuação e ação (élan vital) (WULF, 1996). 
O terreno para a mais conhecida Filosofia Existencialista foi 
preparado por Franz Brentano. Edmund Husserl, um estudante de 
Brentano, fundou a Fenomenologia, tornando-se assim também um 
filósofo influente da época. Seu objetivo era dominar a consciência que 
contém e compreende todo o horizonte do mundo e o significado de todos 
objetos conhecidos. A Filosofia Existencial, que começou com Kirkegaard 
e foi posteriormente desenvolvida por Gabriel Marcel e Merleau-Ponty, 
enfoca a existência como «existência humana individual» e questões 
relacionadas ao significado da existência humana, liberdade, destino e a 
existência de Deus (WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 4 - Despertar da Filosofia
Fonte: Freepik
Os filósofos existenciais enfocam o indivíduo e são em sua 
metodologia mais ou menos fenomenologistas. A sua principal 
preocupação é a apreensão imediata do ser (o que é), para o encontro 
do ser humano na sua respectiva situação, onde está ligado ao mundo 
e aos demais seres humanos. Existência é “ser potencialmente” (Sein-
können), ser constantemente confrontado com escolhas, ter que tomar 
decisões constantemente. A existência é livre e se realiza apenas no fazer. 
Portanto, o básico da experiência humana é ansiedade (M. Heidegger), 
a existência (Dasein) é finita, é Sein zum Tode (vivemos para morrer). O 
sentido essencial da vida surge com o encontro com a morte. A morte 
nos desafia a viver nossas próprias vidas em liberdade e responsabilidade 
própria (GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
Fritz Perls trabalhou como ator e conheceu Max Reinhard no 
Deutsches Theater. Ele descreveu Max Reinhard em sua autobiografia 
como “o primeiro gênio que ele conheceu”. Sua ênfase na comunicação 
não verbal influenciou fortemente Perls. Ao mesmo tempo, Moreno, o 
fundador do psicodrama, encenava experimentos expressionistas no 
teatro. Perls, que mais tarde conheceu Moreno em 1947 nos EUA, adotou 
Fundamentos da Psicologia Humanista
15
elementos essenciais de sua abordagem como a encenação e a técnica 
da “cadeira vazia”, que o próprio Moreno tirou do drama e modificou para 
uso como técnicas terapêuticas. Os impulsos expressionistas dessa época 
são ainda discerníveis no psicodrama e na terapia da Gestalt. As teorias de 
ambas as escolas de terapia referem-se a noções como espontaneidade, 
criatividade e intuição (WULF, 1996).
Figura 5 - Psicodrama
Fonte: Freepik
Em Berlim, Fritz Perls frequentou círculos intelectuais de esquerda 
e também se mudou para os círculos da Bauhaus, onde conheceu o 
filósofo expressionista Salomon Friedlander, cujo motivo filosófico central 
deu orientação a Perls nesses tempos de confusão. Perls enfatizou que 
a Psicanálise de Freud e a Filosofia de Friedlander com o conceito de 
“indiferença criativa” foram suas principais fontes espirituais. O ponto de 
indiferença criativa ou vazio, ou ponto de equilíbrio é um ponto a partir 
do qual a diferenciação em opostos ocorre uma vez que todas as coisas 
existentes são determinadas por polaridades (WULF, 1996).
O pressuposto básico é que a divisão que o homem cria no mundo 
por meio de sua consciência, que ele experimenta como inevitável e 
dolorosa, ou seja, a separação entre eu e o mundo, entre sujeito e objeto, 
é apenas uma ilusão. Isso só pode ser abolido compreendendo o mundo 
de um ponto zero, o nada do mundo, o absoluto, o criador, a origem 
(WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
16
SAIBA MAIS:
O ponto zero é a condição de possibilidade de diferença. Em 
termos modernos: eu faço a diferença que faz a diferença. 
O mundo é uma ação do eu (“o moleiro só ouve seu moinho 
parado” ou “só sentimos o que contrasta de alguma forma”). 
Perls considerou a Filosofia de Friedlander como o equivalente 
ocidental dos ensinamentos de Lao-tse. Na Psicologia da Gestalt e na 
teoria organísmica de Goldstein, Perls encontrou uma terminologia que 
corresponde às teses básicas de Friedlander: o conceito de homeostase, 
superior e inferior, contato e retraimento, figura e fundo (GRANZOTTO, 
2005; WULF, 1996).
Figura 6 - Forças opostas
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Influência da Psicanálise na Gestalt-terapia
Fritz e Laura Perls haviam passado por treinamento psicanalítico 
primeiro em Berlim e depois em Frankfurt e Viena. Fritz começou com 
Karen Horney e depois foi para Wilhelm Reich, enquanto Frieda Fromm 
Reichmann era uma das analistas de treinamento de Laura. Apesar das 
críticas de Freud e da revisão posterior da Psicanálise, vemos sua influência 
na teoria da Gestalt-terapia. Ainda que Freud não tenha reconhecido o 
trabalho de Perls, o próprio Perls considerou as descobertas de Freudextremamente valiosas (GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
De Karen Horney e Wilhelm Reich, Perls adotou uma postura 
terapêutica menos independente e mais ativa, bem como sua visão 
orientada para o ambiente da gênese da neurose. Perls compartilhou com 
Karen Horney as raízes mútuas da área boêmia de Berlim, bem como uma 
paixão pelo teatro e uma visão holística na terapia que os levou a trabalhar 
com o paciente como uma pessoa inteira, e ao estudo do Zen-Budismo 
com Reich, em que ele experimenta uma abordagem orientada para a 
respiração e o corpo e um método diferenciado de trabalhar a resistência 
(GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
Atenção é dada aos componentes estilísticos da comunicação 
(mímica, gestos, linguagem corporal) como elucidadores das resistências 
do paciente. O foco em “como” em vez de “por quê” no processo terapêutico 
também é uma ênfase reichiana. Muitas semelhanças também podem ser 
encontradas em suas tendências sociopolíticas. Entre os psicanalistas que 
tiveram uma forte influência na Gestalt-terapia, Otto Rank merece menção 
especial. Otto Rank foi um dos primeiros alunos de Freud. Ele começou 
uma nova linha na Psicanálise com sua obra O trauma do nascimento. 
Nesse livro, ele questionou a teoria de Édipo e apresentou o trauma do 
nascimento como o paradigma do processo psicológico de individuação. 
A terapia de Rank é centrada na vontade e nas funções do ego como uma 
força organizadora autônoma dentro do indivíduo (WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
18
Figura 7 - Psicoterapia
Fonte: Freepik
Ele exige uma nova experiência e repetição em vez de lembrança, 
o que inevitavelmente implica um papel ativo do terapeuta. Para Rank, 
a terapia é o restabelecimento do significado no “aqui e agora”. Aqui 
encontramos muitos elementos que mais tarde foram incluídos na 
Gestalt-terapia (WULF, 1996).
Origem da Gestalt-terapia
O termo Gestalt foi originalmente cunhado pelo vienense Graf 
Christian von Ehrenfels. 
DEFINIÇÃO:
Gestalt era um todo psíquico formado pela estruturação 
do campo perceptivo. Para o pensamento científico, o 
potencial revolucionário reside na afirmação de que não é a 
análise dos elementos subjacentes que torna possível obter 
conhecimento. Uma análise mais detalhada ou dissecação 
em elementos, não apenas falha em trazer um aumento 
no conhecimento, mas até mesmo o torna impossível. Em 
vez disso, nossa consciência forma as unidades de todos, 
Gestalten (WULF, 1996)..
Fundamentos da Psicologia Humanista
19
A afirmação de Ehrenfels de que percebemos todos e que o todo 
é diferente da soma de suas partes foi trabalhada, e posteriormente, 
diferenciada pela escola de Psicologia da Gestalt de Berlim no dito da 
Gestalt: o todo precede as partes, e a formação da Gestalt é um elemento 
primário característica do funcionamento organísmico e também do 
movimento individual em direção ao fechamento/satisfação para retornar 
a um estado de equilíbrio (GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
Figura 8 - O todo e as partes
Fonte: Freepik
As principais figuras foram Wertheimer, Koffka e Kohler. A questão 
importante, se é o próprio interesse do sujeito ou outro impulso subjetivo 
(necessidade), ou um critério no ambiente que organiza formas específicas 
fora do campo, não foi respondida até Kurt Lewin formular este conceito. 
Lewin tirou o modelo Gestalt do laboratório e o transferiu para o complexo 
reino das situações cotidianas. Sua tese era que a necessidade organiza a 
percepção do campo e a atuação no campo. Ele considerava a atividade 
humana interativa e, pelo menos em parte, uma reação às condições 
percebidas do campo (GRANZOTTO, 2005; WULF, 1996).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Ele enfatizou a inter-relação dinâmica dos elementos em um 
campo. Mais aspectos do trabalho de Lewin e de sua assistente Bluma 
Zeigarnik devem mais tarde ser importantes para a Gestalt-terapia, que 
é o conceito de negócios inacabados. Bluma Zeigarnik descobriu que 
ações ou situações inacabadas são melhor memorizadas do que aquelas 
concluídas no pano de fundo do sistema de tensão psíquica interna 
(conhecido como efeito Zeigarnik). A Gestalt-terapia foi posteriormente 
nomeada em homenagem à Psicologia da Gestalt para chamar a atenção 
para indicar as ligações significativas entre ambas (WULF, 1996).
O Conceito do Todo
Enquanto Fritz Perls estava em Frankfurt, ele trabalhou com 
Goldstein, que conduzia pesquisas sobre soldados com danos cerebrais. 
Além de trabalhar como médico, Goldstein deu palestras sobre temas 
filosóficos, aplicou os estudos acadêmicos dos psicólogos da Gestalt a 
seres humanos vivos e considerou o ser humano como um organismo 
completo, além de expandir a Psicologia da Gestalt como um estudo 
da percepção, como um estudo da pessoa inteira (GRANZOTTO, 2005; 
WULF, 1996).
Figura 9 - Ser humano como um todo
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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O conceito de todo também foi adotado por Jan Smuts em Holism 
and Evolution. Seu livro foi lido com entusiasmo pelos assistentes de 
Goldstein. Smuts considera o organismo uma autorregulação entidade: 
o organismo holístico contém seu passado e muito de seu futuro em seu 
presente. Além disso: como o metabolismo e a assimilação são funções 
fundamentais de todos os todos orgânicos. Aqui encontramos a premissa 
básica sobre a qual se baseia a Gestalt-terapia: holismo (GRANZOTTO, 
2005; WULF, 1996).
Isso é citado quase que palavra para palavra no primeiro livro de 
Perls, Ego, hunger and aggression. A Gestalt-terapia tornou-se, então, 
uma Filosofia de vida baseada nessa epistemologia holística. Enquanto em 
Frankfurt, Laura Perls (née Lore Posner) desenvolveu um forte interesse 
pelos filósofos existenciais. Ela conheceu pessoalmente Martin Buber e 
Paul Tillich, gostando muito de suas palestras. As mensagens e conceitos 
básicos da Filosofia Existencial e seu método fenomenológico tornaram-
se a base filosófica da Gestalt-terapia (WULF, 1996).
Figura 10 - Budismo
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Quase todos os antepassados do conceito da Gestalt estudaram 
a Filosofia oriental ou o misticismo, especialmente o taoísmo e o zen-
budismo. O conceito de conscientização se baseou em vários aspectos 
do pensamento oriental (WULF, 1996).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que mostramos? Agora, só para 
termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo desse capítulo, vamos relembrar aqui um pouco 
do que estudamos. Nesse capítulo, compreendemos todo 
o percurso histórico da Gestalt-terapia. Vimos que Perls foi 
seu principal fundador. Ele buscou fundamentar sua teoria 
com base na Filosofia, especialmente, no Existencialismo 
e na Fenomenologia, bem como nas Artes e Teatro. 
Também buscou inspiração na Psicanálise de Freud, Otto 
Rank e, especialmente, em Reich, construindo o conceito 
da experiência do corpo e da percepção. Mais adiante, 
com inspiração nas teorias espirituais orientais, a saber o 
budismo, desenvolveu o conceito de todo e do ser humano 
holístico, que atualmente é a base da Teoria da Gestalt. E 
então? Já está preparado para compreender um pouco 
mais sobre essa importante teoria psicológica? Nos vemos 
nos próximos capítulos. Até lá!
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Concepção de Homem e Mundo sob a 
Perspectiva Gestáltica
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você será capaz de explicar a 
concepção de homem e de mundo para a construção da 
metodologia da abordagem gestáltica. Motivados? Vamos 
juntos desenvolver essa competência!
Compreendendo o Conceito da Gestalt-
terapia
Gestalt é uma palavra alemã, ainda sem tradução para a língua 
portuguesa, mas seu significado está relacionado a forma, a estrutura, a 
configuração de um todo (WULF, 1996).
EXEMPLO: 
É como um bolo. Quando vemos um bolo sabemos que ele é 
composto por diversos ingredientes, como ovos, leite, farinha, açúcar e 
fermento. Todos esses ingredientes formam o bolo e quando ocomemos 
temos a chance de reconhecer seu cheiro, textura e sabor, contudo, o bolo 
(soma dos ingredientes) não se resume as partes (os ingredientes em si).
Fundamentos da Psicologia Humanista
24
Figura 11 - Bolo e seus ingredientes
Fonte: Freepik
Cabe aqui destacar, como aponta Freitas (2016), que a Gestalt e a 
Gestalt-terapia são distintas, ainda que muitas vezes sejam usadas como 
sinônimos.
Figura 12 - Diferença entre Gestalt e Gestalt-terapia
Fonte: Adaptado de Freitas (2016).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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SAIBA MAIS:
A psicóloga Laís Nadal Tavares, Mestre em Psicologia 
pela Universidade Estadual de Maringá, é especialista em 
Gestalt-terapia. Ela produziu um vídeo em seu canal Gestalt 
Paraná falando sobre a diferença entre a Gestalt-terapia e a 
Psicologia da Gestalt. Vale a pena conferir o vídeo clicando 
no link aqui.
Para começar a compreender a concepção da Gestalt em Psicologia, 
inicialmente deve-se observar que o termo “Gestalt” realmente representa: 
um movimento intelectual, em vez de uma ideia ou doutrina psicológica 
específica. Além disso, é importante notar que esse movimento consiste 
em pelo menos três fases distintas que devem ser cuidadosamente 
distinguidas e avaliadas separadamente (KANTOR, 1925).
Figura 13 - As três fases da Gestalt
Fonte: Adaptado de Kantor (1925).
 • Em primeiro lugar, o termo “Gestalt” representa uma ideia distinta 
pertencente a um grupo particular de psicólogos e a um programa 
de experimentação. 
 • Em segundo lugar, o termo denota uma ideia ou teoria que é 
geralmente aplicável como um modo distinto de interpretação do 
trabalho psicológico. 
 • Em terceiro lugar, a doutrina da Gestalt representa uma nova 
atitude científica ou metodológica geral. 
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Consideremos, a concepção da Gestalt como um princípio 
psicológico fomentado por uma escola distinta de psicólogos. Esse 
princípio é, a saber, que os fenômenos psíquicos são estruturas que 
não podem ser pensadas como agregações de estados mentais mais 
simples, mas como existências únicas. Na verdade, é a estrutura total que 
dá caráter e significado aos elementos que a constituem (KANTOR, 1925).
O conceito central da Gestalt-terapia é o self como um sistema de 
contatos. Aqui, o self no modo intermediário, ativo e passivo, é consistente 
com o entendimento que enfatizaram a autonomia, liberdade, endereço 
e resposta, constituindo o diálogo genuíno. A relação paciente-terapeuta 
como é vista na Gestalt-terapia baseia-se fortemente em uma mudança 
da transferência para contato e diálogo. 
Figura 14 - Self
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Influências na Construção da Visão de 
Homem
A Gestalt-terapia é uma mistura única de abordagens existenciais, 
fenomenológicas (focadas no presente) e experienciais de processo 
desenvolvidas pelo Dr. Fritz Perls e pela Dra. Laura Perls. A Gestalt-terapia 
é uma forma popular e influente de terapia que teve um impacto na 
cultura e na sociedade globais. É um amálgama de diferentes teorias e 
técnicas, compiladas e refinadas ao longo dos anos por muitas pessoas 
(KANTOR, 1925).
Figura 15 - Caminhos que formam a Gestalt
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Suas bases englobam o Humanismo, a Fenomenologia e o 
Existencialismo. Observe o Quadro 1.
Quadro 1 - Base da Gestalt
HUMANISMO FENOMENOLOGIA EXISTENCIALISMO
Homem é o centro do 
mundo e da existência
Descrição do 
fenômeno
Foco na existência 
humana
Humanismo
O Humanismo, que defende a ideia de que o homem é 
considerado o centro do mundo e da existência, surgiu 
como a terceira força da Psicologia, quando já existiam a 
Psicanálise e o Behaviorismo, considerados a primeira e a 
segunda, respectivamente (FREITAS, 2016, p. 90).
Existencialismo
A Gestalt-terapia tem uma visão de homem baseada 
no existencialismo, que valoriza a subjetividade, a 
singularidade, a responsabilidade e a vivência e tem como 
foco principal a existência humana (FREITAS, 2016, p. 91).
Fenomenologia
A atitude terapêutica adotada na Gestalt-terapia é 
baseada na Fenomenologia, sendo seu método focado 
na descrição do fenômeno. Ou seja, os fenômenos da 
situação terapêutica são vistos isentos de qualquer a priori 
e o terapeuta apenas acompanha o fluxo de consciência 
do cliente, buscando compreender o que está sendo 
revelado, a fim de captar seu sentido para fazer o cliente 
perceber o que está sentindo (FREITAS, 2016, p. 90).
Fonte: Adaptado de Kantor (1925).
O método Gestalt leva em consideração todo o indivíduo e o contexto 
ambiental como indissociáveis no tratamento do desconforto humano. Ele 
se concentra na consciência momento a momento, vivendo no presente 
e na posse de nossas respostas internas e externas ao ambiente. É uma 
abordagem relacional e orientada para o crescimento, para auxiliar as 
pessoas no desenvolvimento da autoconsciência (SCHULTZ, 2020).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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SAIBA MAIS:
O Instituto carioca de Gestalt-terapia tem um vídeo 
interessante sobre o holismo. Clique aqui e aprenda um 
pouco mais sobre o assunto.
Figura 16 - Perspectiva holística
Fonte: Adaptado de Schultz (2020).
A Gestalt-terapia incorpora uma perspectiva holística, abrangendo 
a experiência física, psicológica, intelectual, emocional, interpessoal e 
espiritual de uma pessoa. O objetivo é estar presente no aqui e agora, 
para atingir plena expressão energética ao lidar com a vida diária e ser 
totalmente quem somos em corpo, mente e espírito (SCHULTZ, 2020).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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DEFINIÇÃO:
Smuts (1996) define o holismo como uma tendência 
sintética do universo em evoluir por meio da formação 
de todos (wholes). A evolução não é nada além do que 
o desenvolvimento gradual em todos compostos por 
séries progressivas. Essa formação de todos se dá desde 
a estratificação dos princípios inorgânicos até o nível 
da criação espiritual. Smuts destaca que a formação da 
personalidade seria então mais um caso representativo 
dessa tendência da natureza em evoluir na direção da 
composição de todos (LIMA, 2008, p. 3).
Figura 17 - Equilíbrio
Fonte: Freepik
Uma maior consciência do contato com os outros e o meio ambiente 
oferece oportunidades mais claras para os indivíduos melhorarem a 
qualidade de seus relacionamentos, e serem capazes de descobrir 
soluções novas e criativas para o seu bem-estar. A Gestalt-terapia foi além 
da aplicação exclusivamente individual para incluir casais, famílias, grupos, 
organizações, comunidades e considerações ecológicas. Como um método 
relacional, muitos terapeutas Gestalt contemporâneos estão preocupados 
em desenvolver uma comunidade sustentável e promover relacionamentos 
responsáveis com os outros e com o planeta (SCHULTZ, 2020).
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31
DEFINIÇÃO:
Gestalt-terapia é uma psicoterapia de processo com o 
objetivo de melhorar o contato com a comunidade e com 
o meio ambiente em geral. Uma psicoterapia de processo 
é aquela que se concentra no processo em vez de eventos 
distintos. Isso significa que os Gestalt terapeutas estão 
mais interessados no processo como um todo, em vez de 
eventos ou experiências individuais (SCHULTZ, 2020)..
Esse objetivo é alcançado por meio do diálogo consciente, 
espontâneo e autêntico entre o cliente e o terapeuta. Os psicoterapeutas 
da Gestalt usam uma estrutura relacional, aqui e agora, o que significa que 
eles priorizam as interações atuais com o cliente ao longo da história e 
experiência passada. A Gestalt-terapia baseia-se no pensamento dialético 
e na polarização para ajudar o cliente a alcançar equilíbrio, contato e 
saúde (SCHULTZ, 2020).
Figura 18 - Dualismo, polaridade
Fonte: Freepik
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A Gestalt-terapia baseia-se na Psicanálise, Psicologia gestáltica, 
Filosofia Existencial, budismo zen, taoísmo e muito mais. É um amálgama 
de diferentesideias teóricas, embaladas para entrega a pacientes usando 
a situação de terapia psicanalítica tradicional. Também inclui elementos 
mais periféricos da Psicologia, como psicodrama e dramatização 
(SCHULTZ, 2020).
SAIBA MAIS:
Pensando nas origens da Gestalt-terapia e a sua relação 
com outros campos da Psicologia, separamos um artigo 
que traz um pouco das origens e da trajetória da Gestalt. 
o texto vai complementar seus estudos até aqui, trazendo 
uma importante linha do tempo dessa importante área da 
Psicologia. Vamos ler? Basta clicar aqui.
Nesse ponto, nos cabe lembrar que mesmo sendo considerada 
uma mistura de várias áreas, a Gestalt é um reflexo dos estudos de Perls, 
um reflexo de sua experiência de vida.
Figura 19 - Mistura de ingredientes
Fonte: Freepik
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De acordo com Freitas (2016), a Gestalt se diferencia da maioria 
das abordagens psicológicas, pois elas defendem uma posição neutra 
do terapeuta, com pouco ou nenhum envolvimento dele no processo. Ao 
passo que a Gestalt propõe que o terapeuta possa construir uma relação 
como ferramenta no processo, com o objetivo de ampliar a consciência 
do paciente sobre si e sobre os outros, proporcionando a ele maior 
autonomia.
Com base na Associação Americana de Psicologia, o sistema de 
terapia Gestalt é baseado em um modelo para compreender como nós, 
seres humanos, reunimos nossas experiências. Essa visão é fundada 
na ideia de que nossa experiência - ou nossa compreensão de nossa 
experiência - não nos é dada como um todo completo (WHEELER, 2002).
Em vez disso, cada indivíduo constrói sua compreensão da vida 
como a vive, peça por peça. Nesse sentido, o ponto de vista da Gestalt-
terapia é semelhante ao da terapia construtivista. Por meio desse processo 
de construção de experiência, as pessoas desenvolvem um padrão 
profundamente enraizado de como “fazem contato” com o mundo. O 
objetivo principal do Gestalt terapeuta é entender como um cliente faz 
contato com o mundo (WHEELER, 2002).
SAIBA MAIS:
A psicoterapia é uma importante intervenção de 
autoconhecimento para superação de problemas 
emocionais e a relação terapêutica é de suma importância 
nesse processo. O artigo que estamos disponibilizando 
a você fala sobre uma pesquisa a respeito da relação 
terapêutica na abordagem gestáltica. Vamos saber mais 
sobre isso? Para ler, basta clicar aqui.
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RESUMINDO:
Veja só, chegamos ao final de mais uma unidade! Que 
bom! Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos 
relembrar aqui um pouco do que estudamos. Nesse 
capítulo, compreendemos um pouco mais sobre a visão de 
homem da Gestalt, mais especificamente sobre as diversas 
influências que contribuíram para que Perls pudesse 
desenvolver sua teoria. Foi possível compreender de 
forma mais clara que o Humanismo, a Fenomenologia e o 
Existencialismo são as principais bases teóricas da Gestalt, 
que também sofreu influência da Psicanálise e psicodrama, 
além de influências das religiões orientais, como o budismo, 
por exemplo. Nesse capítulo, também apresentamos 
claramente a evolução e os componentes essenciais para 
a compreensão da visão de homem dessa abordagem, que 
é central para a prática clínica contemporânea. Que bom 
que chegamos juntos até aqui. Te esperamos nas próximas 
unidades.
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Principais Conceitos da Gestalt-terapia
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, esperamos que você possa 
identificar os principais conceitos básicos da Gestalt-
terapia. Conhecer os conceitos é de suma importância para 
compreender o funcionamento da abordagem. E então? 
Preparado? Vamos juntos?
A Gestalt-terapia, Considerações Gerais
A palavra alemã “gestalt” não tem uma tradução perfeita para o 
inglês, mas uma boa aproximação é “todo”. A Gestalt-terapia é baseada na 
Psicologia da Gestalt, uma disciplina da Psicologia experimental fundada 
na Alemanha em 1912. Os psicólogos da Gestalt argumentaram que os 
seres humanos percebem padrões ou configurações inteiras, não apenas 
componentes individuais (SCHULTZ, 2020).
EXEMPLO:
Figura 20 - Triângulo
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Quando vemos um grupo de pontos dispostos como um triângulo, 
vemos um triângulo em vez de pontos aleatórios. Nossos cérebros 
organizam as informações em configurações completas, ou gestalt.
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Além disso, o indivíduo é pensado como estando envolvido em 
uma construção constante de gestalt, organizando e reorganizando sua 
experiência, em busca de padrões e um sentimento de integralidade. 
A Gestalt-terapia associa o sentimento de integridade com a sensação 
de estar vivo e conectado à própria experiência única de existência. Os 
terapeutas Gestalt aplicam essa Filosofia de totalidade a seus clientes. 
Eles acreditam que um ser humano não pode ser compreendido 
generalizando uma parte de si mesmo para compreender a pessoa inteira 
(SCHULTZ, 2020).
EXEMPLO:
O cliente não pode ser compreendido apenas por seu diagnóstico, 
ou por uma interação, mas deve ser considerado o total de tudo o que 
ele é.
A Questão da Figura e Fundo
Para compreender o significado da Gestalt vamos começar pela 
questão da figura e fundo. Para ilustrar, vamos usar uma imagem chamada 
Vaso Rubin.
Figura 21 - Vaso Rubin
Fonte: Rubin (1915).
Há um contorno preto de um vaso na tela e, a princípio, isso é tudo 
que o visualizador percebe, mas depois de um momento, a atenção do 
visualizador muda e eles percebem as duas faces delineadas na parte 
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37
branca da tela, uma em cada lado do vaso. Na primeira percepção, o vaso 
preto é chamado de figura e as faces brancas são chamadas de fundo. 
Mas o observador pode desviar sua atenção e, por meio desse ato, a 
figura e o fundo mudam, com os rostos brancos tornando-se a figura, e o 
vaso preto, o fundo (SCHULTZ, 2020).
Os terapeutas Gestalt aplicam esse fenômeno perceptivo à 
experiência humana. Percorrendo o mundo, estamos em um constante 
processo de diferenciação de figuras e motivos. A figura é tudo o que 
estamos prestando atenção, enquanto o fundo é tudo o que está 
acontecendo ao fundo. O funcionamento saudável é a capacidade de 
atender com flexibilidade à figura que é mais importante no momento 
(SCHULTZ, 2020).
Figura 22 - Ver em perspectiva de figura e fundo
Fonte: Freepik
 A Gestalt-terapia vê uma vida saudável como uma série de ajustes 
criativos. Isso significa ajustar o comportamento de uma pessoa, de forma 
natural e flexível, à figura em consciência.
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EXEMPLO:
Aqui está outro exemplo desse processo: enquanto escrevo, 
percebo que meus lábios estão secos e minha boca, ressecada. Eu me 
levanto, sirvo um copo d’água e volto a escrever. Em resposta à minha 
sensação de sede, mudo meu quadro de consciência de minha escrita 
para beber água e, em seguida, de volta para minha escrita. O ato de 
beber água, saciando a minha sede, completa a gestalt e estou livre para 
voltar ao meu trabalho (SCHULTZ, 2020).
Em contraste, uma vida pouco saudável é quando a atenção de uma 
pessoa voa de uma figura para a outra sem nunca atingir a integridade. 
Um exemplo fácil disso pode ser visto em nosso relacionamento com 
nossos telefones. Se estivermos trabalhando em algo importante e nosso 
telefone tocar, podemos tomar a decisão de ignorá-lo por enquanto, 
terminar nosso trabalho e ligar para a pessoa mais tarde. Se houver um 
prazo para o nosso projeto, essa pode ser a escolha saudável. Mas se 
permitirmos que nossa atenção seja dividida cada vez que nosso telefone 
tocar, talvez nunca concluamos nosso projeto (SCHULTZ, 2020).
Figura 23 - Atenção dividida
Fonte: Freepik 
Uma vida saudável exige que o indivíduo atenda de forma flexível e 
intencional à figura mais importante em sua consciência.
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A Questão da Conscientização
Embora não possamos deixar de viver no presente, é claro para 
qualquer pessoa viva que podemos desviar nossa atenção dele. Envolve 
focar totalmente no presente e vê-lo separado do que vai acontecer no 
futuro ou do que aconteceu no passado. Os Gestalt terapeutas priorizam 
a consciência do momento presente e a noção de que prestar atenção 
aos eventos que se desenrolam no aqui e agora é o caminho para 
alcançar uma vida saudável. A consciência permite que o processo de 
diferenciação figura/fundo funcione naturalmente, ajudando-nos a formar 
gestalt, satisfazer nossas necessidades e dar sentido à nossa experiência. 
Conscientização é tanto o objetivo quanto a metodologia da Gestalt-
terapia (SCHULTZ, 2020).
Os terapeutas usam o que está presente no aqui e agora, incluindo 
ações, postura, gesticulações, tom de voz e como o cliente se relaciona 
com eles, para informar seu trabalho. O passado é considerado significativo 
à medida que existe no presente (SCHULTZ, 2020).
Figura 24 - Linha do tempo
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Gestalt terapeutas se concentram em ajudar seus clientes a 
restaurar sua consciência natural do momento presente, concentrando-
se no aqui e agora na sala de terapia. Experiências e sentimentos que não 
foram totalmente processados no passado são revisitados e trabalhados 
no presente, como com a técnica da cadeira vazia (SCHULTZ, 2020).
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A Questão da Responsabilidade
Na Gestalt-terapia, existem duas maneiras de pensar sobre 
responsabilidade. Somos responsáveis quando estamos “cientes do que 
está acontecendo conosco” e quando “confessamos nossos atos, impulsos 
e sentimentos”. Os terapeutas Gestalt ajudam seus clientes a assumir 
ambos os tipos de responsabilidade pessoal. Quando a terapia começa, 
os clientes não internalizam sentimentos, emoções ou problemas, muitas 
vezes externalizando e transferindo a responsabilidade por suas ações 
como culpa ou consequência de outros. Eles podem estar presos ao 
passado, ruminando sobre os erros ou arrependimentos sobre suas ações. 
Quando os clientes são mais capazes de assumir a responsabilidade por 
suas ações, eles percebem o quanto podem fazer por si mesmos. Para 
fazer isso, os clientes devem ter consciência do que está acontecendo 
com eles no momento presente, bem como de sua parte na interação 
(SCHULTZ, 2020).
Figura 25 - Autorresponsabilidade
Fonte: Freepik
Aumentar esse tipo de consciência, completar experiências 
passadas e encorajar comportamentos novos e flexíveis são algumas 
das maneiras pelas quais os Gestalt terapeutas ajudam seus clientes a 
assumir responsabilidade pessoal.
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A Técnica da Cadeira Vazia
A Gestalt-terapia concentra-se em trabalhar o passado no presente. 
Coisas que estão em nossa consciência, mas incompletas, são chamadas 
de “negócios inacabados”. Por causa de nossa tendência natural de fazer 
gestalt, negócios inacabados podem ser um dreno significativo de energia, 
bem como um bloqueio para o desenvolvimento futuro (GRANZOTTO, 
2005; SCHULTZ, 2020).
A técnica mais popular e bem conhecida na Gestalt-terapia, a 
técnica da cadeira vazia ou diálogo da cadeira vazia (ECH), é um método 
de resolver negócios inacabados na sala de terapia. Negócios inacabados 
são muitas vezes o resultado de emoções não expressas, como não 
lamentar uma perda e/ou necessidades não atendidas, ou ainda como 
queixas injustificadas em um relacionamento. O cliente pode ter optado 
por evitar o negócio inacabado no momento, decidindo não balançar o 
barco ou preservar o relacionamento. Depois do fato, esses sentimentos 
não expressos podem não ter uma saída adequada ou podem continuar a 
ser evitados por causa da vergonha ou do medo de serem vulneráveis. A 
maioria das pessoas tende a evitar esses sentimentos dolorosos em vez de 
fazer o que é necessário para mudar (GRANZOTTO, 2005; SCHULTZ, 2020).
Figura 26 - Cadeira vazia
Fonte: Freepik
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A técnica da cadeira vazia é uma forma de trazer emoções não 
expressas e necessidades não satisfeitas para o aqui e agora. No ECH, 
o terapeuta prepara duas cadeiras para o cliente, uma delas fica vazia. 
O cliente se senta em uma cadeira e imagina a outra pessoa significativa 
com quem tem negócios pendentes na cadeira vazia. O cliente é então 
instruído e ajudado a dizer o que não foi dito ao outro imaginário. Às vezes, 
o cliente troca de cadeira e fala consigo mesmo como se fosse o outro. 
Por meio desse diálogo, as emoções passadas do cliente são trazidas para 
o presente. Eles são então processados e trabalhados com o terapeuta 
(GRANZOTTO, 2005; SCHULTZ, 2020).
Essa técnica pode ser feita com um relacionamento contínuo 
ou um relacionamento que terminou. A resolução do trabalho é ajudar 
o cliente a mudar sua autopercepção. Os clientes submetidos à ECH 
podem mudar de se verem como fracos e vitimizados para uma posição 
de maior autocapacitação. Eles podem ver o outro significativo com maior 
compreensão ou responsabilizá-los pelos danos (GRANZOTTO, 2005; 
SCHULTZ, 2020).
A Relação Terapêutica
A abordagem Gestalt é muito orientada para o tempo presente. 
Ao longo da terapia, um terapeuta Gestalt sempre verifica com o cliente 
para ver como ele se sente aqui e agora. O terapeuta discerne a auto-
organização do cliente verificando constantemente como o que o cliente 
está discutindo faz o cliente se sentir, tanto emocional quanto fisicamente, 
como onde essas emoções são encontradas no corpo. À medida que o 
terapeuta se sintoniza com a forma como o cliente está se sentindo, o 
cliente começa a se sentir seguro com o terapeuta e um relacionamento 
se forma entre eles. O relacionamento permite que o cliente se abra ainda 
mais e aprofunde o processo terapêutico (WHEELER, 2002).
Depois que um relacionamento terapeuta-cliente se forma, o 
terapeuta pode começar a fase de desconstrução da terapia, na qual 
o terapeuta procura ajudar o cliente a resolver quaisquer problemas, 
entendendo como o cliente se organizou. A desconstrução começa pela 
compreensão e análise dessa auto-organização e pela apresentação 
dessas observações ao cliente (WHEELER, 2002).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 27 - Relação terapêutica
Fonte: Freepik
Embora os terapeutas Gestalt tradicionalmente usem técnicas 
dramáticas, como o diálogo da cadeira vazia, para desconstruir os 
problemas do cliente, a própria abordagem do Dr. Wheeler envolve o 
terapeuta usando seus próprios pensamentos, sentimentos e observações 
como vias para compreender o cliente. Desse modo, a experiência da 
terapia aqui e agora do terapeuta é tão importante quanto a do cliente e 
pode ajudar o processo da terapia, provocando diálogo e instigações no 
cliente (WHEELER, 2002).
Críticas e Limitações
Muitas das críticas na literatura se concentram em Fritz Perls, 
o grande fundador da Gestalt-terapia. Perls tinha uma personalidade 
poderosa e deixou uma marca pessoal profunda na terapia que 
desenvolveu. Na verdade, suas próprias limitações podem ter restrito a 
terapia. Perls lutou com relacionamentos interpessoais ao longo de sua 
vida. Por sua vez, a terapia que ele ajudou a criar concentrava-se nas 
ideias de separação, responsabilidade pessoal e autossustento como 
formas ideais de ser (SCHULTZ, 2020).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 28 - Feedback
Fonte: Freepik
Uma crítica ao trabalho de Perls de espalhar a Gestalt-terapia para 
o público leigo é que ele se concentrou em técnicas específicas que 
poderiam demonstrar em filmes ou em demonstrações ao vivo. Essas 
demonstrações elevaram Perls ao status de guru e também encorajaram 
os praticantes a aplicar suas técnicas à parte, sem compreender a teoria 
subjacente da Gestalt-terapia. Isso teve o efeito geral de diluir o método 
como um todo (SCHULTZ, 2020).
Outracrítica é que a Gestalt-terapia de Perls se concentrava em 
ajudar os clientes a ter “interações honestas” com os outros. Em contraste, 
ele manteve um foco estrito na experiência do cliente, deixando-se fora 
da sala evitando perguntas pessoais, voltando-as para o cliente. Perls 
também enfatizou a experiência total, mas não enfatizou o passado 
do cliente e manteve o foco do trabalho estritamente no presente. Ele 
também enfatizou “viver como se realmente é”, mas na sala, ele confiava 
na encenação e na dramatização, que ele controlava estritamente 
(SCHULTZ, 2020).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Por fim, Gestalt terapeutas passaram muito tempo vivendo na 
sombra de Perls. Novos terapeutas têm buscado aprender a teoria e 
praticando sem tentar imitar o estilo de Perls, avançando e alterando a 
terapia para torná-la mais adequada para seus métodos e as necessidades 
de seus clientes.
RESUMINDO:
Olha só, chegamos ao fim do capítulo. Espero que você tenha 
gostado e tenha aprendido tudinho. Agora, vamos fazer um 
breve apanhado geral de tudo o que aprendemos? Nesse 
capítulo, você aprendeu que a Gestalt terapia é uma terapia 
emocionante e versátil que evoluiu ao longo dos anos. Há 
uma história dinâmica por trás dessa terapia e ela não deve 
ser desconsiderada. Aprendeu os principais conceitos que 
norteiam essa terapia. Ao aprender sobre a Gestalt-terapia, 
é essencial manter o foco na teoria, indo além do carisma 
de seu fundador, Fritz Perls. O trabalho de Perls é instrutivo 
e vital para compreender a ascensão da Gestalt-terapia, 
mas carecem de novos estudos e atualizações. Bem, tudo 
o que você aprendeu até aqui te ajudará a aprimorar sua 
concepção de homem e dar suporte para sua atuação 
como psicólogo.
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Principais Representantes da Gestalt-
terapia 
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você saberá identificar os principais 
representantes da Gestalt-terapia. Vamos aprender um 
pouco mais sobre cada um dos teóricos dessa abordagem 
a fim de melhor compreender a Gestalt-terapia. E então? 
Vamos juntos? 
Introdução ao Capítulo
Fritz Perls é considerado o criador da Gestalt-terapia, porém é 
importante destacar que existia um grupo chamado “grupo dos sete” 
que é considerado por muitos estudiosos como o grupo que criou essa 
importante abordagem psicológica. Fazem parte desse grupo: Isadore 
From, Paul Goodman, Paul Weisz, Sylvester Eastman e Elliot Shapiro, 
Laura e de Fritz Perls, e posteriormente, Ralph Hefferline. Porém, neste 
capítulo vamos falar sobre três estudiosos desse grupo: Laura e Fritz Perls 
e Paul Goodman. Vamos lá? (FRAZÃO, 1997).
Figura 29 - Grupo criando
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Fritz Perls
Fritz Perls (1893-1970) foi um psiquiatra do século XX que fundou a 
Gestalt-terapia em colaboração com sua esposa, Laura Perls. Ele nasceu 
em Berlim e serviu no exército durante a Primeira Guerra Mundial. Após 
a guerra, Perls estudou Medicina e começou a tratar soldados com 
lesões cerebrais. Ele foi atraído pelo trabalho de Sigmund Freud quando 
adolescente, e suas experiências no tratamento de pacientes o puxaram 
ainda mais para o caminho da Psicanálise freudiana. Ele estudou no 
Instituto de Psicanálise de Berlim e em Viena (FRAZÃO, 1997).
Figura 30 - Soldado na guerra
Fonte: Freepik
SAIBA MAIS:
Pearls foi um leitor das obras de Freud, e muito da teoria 
psicanalítica está presente também na Gestalt-terapia. 
O texto que disponibilizamos traz uma releitura da teoria 
freudiana como importante corrente teórica na formulação 
da Gestalt-terapia. Para ler o texto, basta clicar aqui.
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Em 1930, Perls casou-se com Lore Posner, mais tarde conhecida 
como Laura Perls; o casal teve dois filhos e fugiu do regime de Hitler 
mudando-se para Joanesburgo, na África do Sul, em 1933. Lá, Perls 
fundou um Instituto de treinamento para servir à comunidade psicanalítica. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, Perls alistou-se novamente no 
exército e tornou-se psiquiatra do exército sul-africano (BOWMAN; NEVIS 
2005; FRAZÃO, 1997).
Em 1946, a família Perls mudou-se para Nova York, onde Perls 
trabalhou brevemente com Wilhelm Reich e Karen Horney. Perls acabou 
se estabelecendo em Manhattan e começou a trabalhar com o intelectual 
Paul Goodman. Em 1951, em colaboração com Ralph Hefferline, Goodman 
e Perls produziram o livro Gestalt Therapy: excitement and hrowth in the 
human personality, baseado principalmente nas próprias pesquisas e notas 
clínicas de Perls. Logo após a publicação em 1951, os Perls fundaram o New 
York Institute for Gestalt Therapy e começaram a ministrar treinamentos 
em seu apartamento em Manhattan. Perls começou a compartilhar suas 
teorias com toda a América do Norte e a viajar extensivamente para 
conduzir seminários e workshops de treinamento (FRAZÃO, 1997).
Figura 31 - Cursos e seminários pelo mundo
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Mais tarde, Perls mudou-se para a Califórnia e tornou-se afiliado ao 
Instituto Esalen, em 1964, onde ministrou workshops e continuou a praticar 
e a desenvolver a Gestalt-terapia. Em 1969, Perls mudou-se para a Ilha de 
Vancouver, Canadá, para estabelecer uma comunidade de treinamento para 
terapeutas. Ele morreu no ano seguinte em Chicago (BOWMAN; NEVIS, 2005).
Contribuição para a Psicologia
Desenvolvida por Fritz e Laura Perls, a Gestalt-terapia deriva muitas 
de suas teorias da Psicologia da Gestalt, embora a abordagem da terapia 
não espelhe completamente a Psicologia da Gestalt. A Psicologia da 
Gestalt enfatiza que o cérebro é uma unidade holística auto-organizada 
que é maior do que a soma de suas partes, enquanto a Gestalt-terapia 
enfatiza o momento presente e a responsabilidade pessoal. A Gestalt-
terapia também incorpora aspectos da Psicologia freudiana e reichiana 
(BOWMAN; NEVIS 2005)
A Gestalt-terapia é considerada uma psicoterapia existencial 
humanística e enfatiza o momento presente. A prática usa uma visão 
cognitiva das experiências atuais e enfatiza a atenção plena, encorajando 
o cliente a explorar a criatividade para obter satisfação em áreas da vida 
que de outra forma poderiam estar bloqueadas. A base dessa abordagem 
à terapia é a própria consciência do cliente quanto ao comportamento, 
emoção, sentimentos, percepção e sensação (BOWMAN; NEVIS, 2005). 
Figura 32 - Homem Holístico
Fonte: Freepik
Fundamentos da Psicologia Humanista
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O foco da Gestalt-terapia são os relacionamentos - relacionamentos 
com o mundo, com outras pessoas e consigo mesmo. Os principais 
componentes da abordagem incluem uma forte ênfase no relacionamento 
terapeuta-cliente como uma ferramenta de cura (BOWMAN; NEVIS, 2005).
EXEMPLO:
O terapeuta não diz ao cliente o que fazer ou age como o líder 
da terapia. Em vez disso, os terapeutas enfatizam o poder de ensino do 
diálogo, com o terapeuta e o cliente visando aumentar a autenticidade.
Em vez de priorizar uma fonte de informação em detrimento de outra, 
os terapeutas enfatizam a utilidade de todos os tipos de informação, uma 
prática às vezes chamada de consciência fenomenológica (BOWMAN; 
NEVIS, 2005).
Uma pessoa é mais do que a soma de suas experiências. Como a 
teoria que lhe deu o nome, a Gestalt-terapia vê o cliente como mais do 
que uma coleção de experiências ou sintomas, tratando o cliente como 
um organismo dinâmico em constante estado de mudança e evolução. 
Figura 33 - Homem em evolução
Fonte: Freepik
Os terapeutas baseiam-se em teorias existenciais ao ver os clientes 
como uma reação perpétua a novas circunstâncias e desenvolvendo seu 
repertório comportamental (BOWMAN; NEVIS, 2005).
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Laura Perls
Laura Perls (1905-1990) foi casada com Frederick “Fritz” Perls e 
cofundou a escola Gestalt de psicoterapia. Ela nasceu em Lore Posner em 
15 de agosto de 1905 em Pforzheim, Alemanha. Foi uma notável psicólogapor seus próprios méritos e independente de seu marido, e ela mesma 
administrou o primeiro Instituto Gestalt, o Instituto de Gestalt Terapia de 
Nova York (SERLIN, 1999).
Figura 34 - Laura Perls 
Fonte: Serlin (1999).
Como seu marido, ela foi inicialmente atraída pelo trabalho e 
ensino de Sigmund Freud depois que seu interesse pela Psicologia foi 
despertado em 1916. Foi A Interpretação dos Sonhos de Freud, publicado 
em 1899, que primeiro atraiu sua atenção (SERLIN, 1999). Ela conheceu 
Fritz Perls em Frankfurt e, em 1930, o casal se casou, e mais tarde tiveram 
dois filhos.
Os Perls deixaram a Alemanha quando os nazistas chegaram ao 
poder e se estabeleceram na África do Sul, onde continuaram seu trabalho 
no desenvolvimento da teoria da Gestalt (SERLIN, 1999).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Figura 35 - Holocausto
Fonte: Freepik
Após dez anos na África do Sul, o casal mudou-se para o Canadá, mas 
rapidamente mudou-se para os Estados Unidos e estabeleceu-se em 
Nova York. Fritz Perls escreveu seu livro, Ego, Hunger and Aggression (1942) 
enquanto estava na África do Sul, com a ajuda de Laura (SERLIN, 1999).
Gestalt Therapy: excitement and growth in human personality foi uma obra 
de coautoria entre os Perls, Ralph Hefferline e Paul Goodman, publicada em 
1951, mas com pouco interesse inicial. Com o tempo, entretanto, o interesse 
cresceu pelo movimento Gestalt e, em 1952, o Instituto de Gestalt Terapia 
de Nova York foi inaugurado, com Laura administrando as instalações 
(SERLIN, 1999).
O casal acabou se separando e se divorciando, com Fritz se mudando 
para a Califórnia no início dos anos 1960. Laura ficou em Nova York para 
continuar supervisionando o Instituto Gestalt. Laura Perls morreu em 1990, 
aos 85 anos (SERLIN, 1999).
Fundamentos da Psicologia Humanista
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Paul Goodman
Paul Goodman (1911-1972) nasceu na cidade de Nova York em 9 de 
setembro de 1911. Ele nunca conheceu seu pai, que abandonou a família 
quando Paul era criança. Isso fez com que sua mãe deixasse de ser boêmia 
e se tornasse uma mãe solteira e trabalhadora. Ele foi criado sem muita 
supervisão pelas irmãs de sua mãe e sua irmã mais velha, Alice, na rica 
atmosfera da comunidade intelectual judaica urbana do início do século. 
Figura 36 - Comunidade judaica
Fonte: Freepik
Ele era uma criança estudiosa e curiosa que vagava livremente pelas 
ruas, parques, museus e bibliotecas da cidade de Nova York, absorvendo 
uma educação verdadeiramente gratuita. Ele se formou no City College 
no ano da depressão de 1931 e entrou nas aulas de Columbia e Harvard 
(PHILIPPSON, 2013).
Por meio de um professor da Universidade de Columbia, ele 
foi convidado a lecionar na Universidade de Chicago enquanto fazia 
seu doutorado em Literatura, mas foi demitido de seu emprego (assim 
como foi demitido de todos os empregos de professor em sua vida) 
porque insistiu em seu direito de se apaixonar por seus alunos. Ele nunca 
escondeu sua bissexualidade e mesmo em face dos problemas que isso 
lhe causou naquela época menos permissiva (PHILIPPSON, 2013).
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Nos 25 anos seguintes, ele morou com sua esposa Sally. Goodman 
teve duas filhas, Susan (cuja mãe era Virginia Miller, a primeira esposa de 
Goodman) e Daisy, e um filho, Matthew Ready. Durante esse tempo, eles 
viveram em pobreza. Ele conseguiu pequenos empregos, incluindo um 
contrato de 5 dólares por história com o Departamento de histórias da 
MGM em Nova York para fazer sinopses de novelas francesas. Durante 
esse tempo, ele escreveu vertiginosamente e se considerava um artista, 
produzia, principalmente, poemas, peças e contos. Ele se promoveu, 
mas encontrou pouca aceitação de seu estilo predominantemente 
vanguardista. Ele se envolveu com pequenas revistas literárias, grupos 
de teatro e atividades políticas centradas no Salão Anarquista Espanhol 
(Solidaridad International Anti-Fascista) (PHILIPPSON, 2013).
Figura 37- Escritor vigoroso
Fonte: Freepik
A meia-idade encontrou Paul Goodman esgotado e temeroso em face 
de seu status de artista de segunda linha com filhos para criar. Foi nessa época 
que ele conheceu Fritz Perls, um judeu alemão que passou os anos de Hitler 
na África do Sul e fugiu para os Estados Unidos quando o regime do apartheid 
lá surgia. Perls havia estudado com a geração fundadora de freudianos, mas 
logo desenvolveu uma prática terapêutica pouco convencional. As ideias de 
Perls combinaram bem com as de Goodman e eles logo se envolveram em 
uma rica colaboração, fundando o Gestalt Therapy Institute e escrevendo a 
Gestalt Therapy (PHILIPPSON, 2013).
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Figura 38 - Colaboração
Fonte: Freepik
Essa exposição mudou a carreira de Goodman de artista/escritor 
para crítico social. Ele não escreveu mais histórias ou peças e nem poemas. 
Seu livro inovador, Growing Up Absurd, foi rejeitado por uma dúzia de 
editoras antes de finalmente ser impresso em 1960 e se tornar um grande 
sucesso. Logo, o resto da sociedade começou a apreciá-lo, à medida que 
os jovens começaram a se rebelar contra o excessivo convencionalismo 
dos anos 1950. Ele estava bem colocado para lidar com a crítica anti-
institucional que emergiu nessa época e levou a mudanças massivas 
nos anos que viriam. Em meados dos anos 1960, ele foi adotado como 
uma espécie de tio do movimento jovem/estudantil, escrevia um livro por 
ano e fazia aparições quase constantes no campus. Sua contribuição foi 
acadêmica, pessoal, clássica, mas revolucionária, e totalmente natural e 
anti-institucional (PHILIPPSON, 2013).
Em 1967, seu filho Mathew morreu tragicamente em um acidente de 
alpinismo. Amigos dizem que ele nunca se recuperou da dor que isso lhe 
causou. Logo, sua saúde começou a se deteriorar e a sua escrita tornou-
se o reflexo de um velho guerreiro. Ele morreu de ataque cardíaco em 2 
de agosto de 1972, pouco antes de completar 61 anos (PHILIPPSON, 2013).
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RESUMINDO:
E então? Gostou do viu até aqui? Agora, só para termos 
certeza de que você realmente entendeu, vamos relembrar 
o que aprendemos. Nesse capítulo, vimos um pouco sobre 
a biografia de três dos principais nomes da Gestalt-terapia: 
Fritz e Laura Perls e Paul Goodman. Vimos também que 
a Gestalt terapia é o resultado da contribuição de muitas 
pessoas. As ideias dos Perls diferiam das de Freud tão 
radicalmente que eles se separaram e formaram sua própria 
disciplina. Fritz Perls foi um líder carismático da Gestalt-
terapia e a espalhou amplamente por toda a América na 
década de 1950. Por sua vez, Laura Perls foi uma psicóloga 
alemã que trouxe muitas contribuições relevantes para a 
Gestalt-terapia. Adicionalmente, Paul Goodman teve uma 
vida difícil até encontrar os Perls, porém sempre teve 
uma atitude revolucionária que foi reflexo também em 
sua contribuição para a teoria da Gestalt-terapia. Enfim, 
esperamos que você possa ter compreendido um pouco 
mais da história da Gestalt-terapia, por meio das biografias 
dos seus principais fundadores. Esperamos nos encontrar 
nas próximas unidades. Até lá.
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REFERÊNCIAS
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