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Abdome agudo
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Resumo sobre abdome agudo

Semiologia Médica • Universidade Federal de Santa MariaUniversidade Federal de Santa Maria

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## Resumo sobre Abdome Agudo: Semiologia, Diagnóstico e TratamentoO termo **abdome agudo** refere-se a qualquer distúrbio abdominal súbito, não traumático, cuja principal manifestação é a dor e que pode demandar intervenção cirúrgica urgente. A importância do diagnóstico precoce é crucial, pois atrasos podem agravar o prognóstico. A avaliação clínica, especialmente o exame físico detalhado, é fundamental para orientar o diagnóstico e a conduta, muitas vezes tornando exames complementares secundários. O médico deve decidir rapidamente entre observação, exames adicionais, cirurgia precoce ou tratamento conservador.### Tipos de Dor Abdominal e sua Relevância ClínicaA dor é o sintoma mais comum no abdome agudo e pode ser classificada em três modalidades principais:- **Dor visceral verdadeira**: causada por distensão, inflamação ou isquemia de vísceras, é difusa, lenta e mal localizada, geralmente sentida na linha média do abdome (epigástrio, região periumbilical e flancos). Essa dor é transmitida por fibras nervosas C e está associada a diferentes níveis sensoriais da medula espinhal, o que explica sua localização difusa.- **Dor somática (parietal)**: resulta da irritação direta do peritônio parietal, que é somaticamente inervado, produzindo dor mais localizada e intensa, geralmente em um quadrante abdominal específico. Essa dor é mais fácil de localizar e está associada a fibras nervosas A-delta e C.- **Dor referida**: ocorre quando a dor é percebida em uma área distante do local da lesão, devido à convergência de fibras nervosas viscerais e somáticas na medula espinhal. Exemplos incluem dor no ombro causada por irritação subdiafragmática (nervo frênico) ou dor biliar referida à região escapular direita.Essa classificação ajuda a diferenciar as causas e a orientar o exame clínico e os exames complementares.### Classificação do Abdome AgudoO abdome agudo pode ser dividido conforme sua fisiopatologia em:- **Inflamatório**: caracterizado por dor progressiva, associada a náuseas, vômitos, febre e sinais de irritação peritoneal. Exemplos incluem apendicite, colecistite, pancreatite e diverticulite.- **Obstrutivo**: dor do tipo cólica, distensão abdominal e parada da eliminação de gases e fezes. Causas comuns são aderências pós-cirúrgicas, hérnias encarceradas, neoplasias e volvo de sigmóide.- **Perfurativo**: dor intensa e súbita, com abdome em tábua e pneumoperitônio, geralmente causada por perfuração de úlcera péptica, câncer gastrointestinal ou apendicite perfurada.- **Isquêmico (vascular)**: dor abdominal intensa, difusa, associada a fatores de risco cardiovasculares, podendo evoluir rapidamente para necrose intestinal. Causas incluem trombose ou embolia da artéria mesentérica.- **Hemorrágico**: dor abdominal intensa com sinais de hipovolemia, causada por ruptura de aneurisma, gravidez ectópica rota ou cisto hemorrágico de ovário.- **Ginecológico**: embora discutido, é considerado por alguns como uma categoria específica, envolvendo doenças inflamatórias pélvicas e outras condições ginecológicas.### Abdome Agudo Inflamatório: Diagnóstico e CondutaO abdome agudo inflamatório é o tipo mais frequente e envolve inflamação do peritônio por agentes bacterianos, químicos ou físicos, geralmente secundária a processos como apendicite ou colecistite. A dor é contínua, inicialmente branda, mas que se intensifica e se localiza em áreas específicas conforme a evolução.**Diagnóstico clínico**: baseia-se na história detalhada (incluindo aspectos ginecológicos), exame físico com sinais semiológicos específicos (Blumberg, Murphy, Rovsing, psoas, obturador, entre outros) e avaliação da defesa abdominal (contratura muscular involuntária). A presença de febre, leucocitose e sinais de irritação peritoneal reforçam o diagnóstico.**Exames complementares**: hemograma (leucocitose com neutrofilia), análise de urina, ultrassonografia (exame inicial preferido por ser rápido, seguro e acessível), tomografia computadorizada (em casos duvidosos ou inconclusivos), e videolaparoscopia (especialmente em mulheres para diagnóstico diferencial ginecológico).**Tratamento**: geralmente cirúrgico, baseado no diagnóstico clínico. A cirurgia precoce é fundamental para evitar complicações graves.### Abdome Agudo Isquêmico (Vascular)Caracteriza-se por dor abdominal intensa, difusa e mal localizada, frequentemente desproporcional ao exame físico inicial. Afeta principalmente idosos com fatores de risco cardiovascular (fibrilação atrial, infarto, insuficiência cardíaca). A isquemia mesentérica aguda é a principal causa, com alta mortalidade devido ao diagnóstico tardio.**Diagnóstico**: baseado na história clínica, fatores de risco, exame físico (distensão abdominal, timpanismo, presença de sangue no toque retal, sinais sistêmicos de choque) e exames laboratoriais (acidose metabólica, leucocitose). A arteriografia é o padrão-ouro para diagnóstico precoce, mas raramente realizada devido à apresentação tardia.**Tratamento**: inclui ressuscitação volêmica, correção da causa vascular (cirurgia ou endovascular) e ressecção do intestino necrosado.### Abdome Agudo ObstrutivoCaracterizado por dor em cólica, distensão abdominal, parada da eliminação de gases e fezes, e vômitos (mais precoces em obstruções altas). A principal causa são aderências pós-cirúrgicas, seguidas por hérnias e neoplasias.**Diagnóstico clínico**: baseado na história (cirurgias prévias, hérnias), exame físico (distensão, peristalse visível, ruídos hidroaéreos aumentados na ausculta, timpanismo à percussão, dor à palpação difusa em necrose). O toque retal é importante para avaliar a presença ou ausência de fezes na ampola retal.**Exames complementares**: radiografia simples do abdome (mais importante para diagnóstico, mostrando níveis hidroaéreos e distensão), tomografia computadorizada (para avaliar estrangulamento e etiologia), ultrassonografia (limitada pelo gás), e raramente endoscopia.**Tratamento**: inicialmente clínico com descompressão gástrica, hidratação e antibióticos. Cirurgia é indicada em obstrução completa, ausência de melhora clínica ou sinais de estrangulamento/necrose.### Abdome Agudo PerfurativoCaracteriza-se por dor súbita, intensa e difusa, com abdome em tábua e sinais de peritonite química que evolui para bacteriana. A causa mais comum é a perfuração de úlcera péptica, seguida por neoplasias, divertículos e infecções.**Diagnóstico clínico**: dor intensa, rigidez abdominal, ausência ou diminuição dos ruídos hidroaéreos, e sinais específicos como o sinal de Jobert (hipertimpanismo no hipocôndrio direito). A radiografia simples de abdome e tórax é o exame de escolha para detectar pneumoperitônio.**Tratamento**: cirúrgico urgente, com reparo da perfuração ou ressecção da víscera afetada. O prognóstico piora com o atraso no tratamento e com a idade avançada.### Abdome Agudo HemorrágicoCaracterizado por dor abdominal intensa associada a sinais de hipovolemia e choque, geralmente causada por ruptura de aneurisma de aorta abdominal, gravidez ectópica rota, cisto hemorrágico de ovário ou trauma.**Diagnóstico**: baseado na história clínica, exame físico (massa abdominal pulsátil, hipotensão), ultrassonografia e sinais de choque. A radiografia pode ajudar, mas o diagnóstico é clínico e exige intervenção imediata.**Tratamento**: cirurgia emergencial, com alta mortalidade pós-operatória. A arteriografia pode ser terapêutica em alguns casos.---## Destaques- O abdome agudo é uma emergência médica caracterizada por dor abdominal súbita que pode demandar cirurgia urgente.- A dor abdominal pode ser visceral, somática ou referida, cada uma com características clínicas distintas que auxiliam no diagnóstico.- O exame clínico detalhado, especialmente a palpação abdominal e sinais semiológicos específicos, é fundamental para o diagnóstico e muitas vezes suficiente para indicar cirurgia.- Os principais tipos de abdome agudo são inflamatório, obstrutivo, perfurativo, isquêmico (vascular) e hemorrágico, cada um com características clínicas, diagnósticas e terapêuticas próprias.- Exames
complementares como ultrassonografia, tomografia e radiografia são importantes, mas devem ser usados de forma criteriosa para confirmar ou esclarecer diagnósticos clínicos.

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