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CURSOLIVRE VIDEO MAPPING Introdução ao Vídeo e Som ESTÉTICA E FUNDAMENTOS TRILHA 1 Bem vindos à TRILHA 1 do curso Vídeo Mapping: vídeo, palco e artes, que corresponde à primeira parte da apostila. Aqui, vere- mos como a história do VJ (Video Jockey) está ligada à jornada da “emancipação da luz”, visto que aquilo que começou como uma curiosidade científica em salas escuras tornou-se a espinha dorsal de um dos maiores espetáculos do planeta. Unidades Temáticas 1.1 A História da Luz 1.2 A Narrativa Visual 1.3 A chegada do Digital CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 11 1.1 A História da Luz Figura 1 – A LANTERNA MÁGICA — Crédito da imagem: Site ND+ Tudo começou com a Lanterna Mágica e ela não era apenas um brinquedo, era uma ferramenta de storytelling imersivo. Antes da eletricidade, o “VJ” da época pre- cisava dominar a física da luz. Durante a “Performance” do Lanterneiro, o operador não apenas trocava os vidros, mas usava sistemas de alavancas e vidros duplos deslizantes para criar a ilusão de movimento, como um olho que pisca ou um navio balançando no mar. Depois veio a Fantasmagoria. No final do século XVIII, Etienne-Gaspard Robert criou shows de horror usando lanternas escondidas atrás de telas de gaze e fumaça, fazendo “fantasmas” flutuarem sobre a plateia. Era o ancestral direto do mapeamen- to 3D e dos hologramas atuais. CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 12 Figura 2 – Magic Lantern GBN, 5 de outubro de 2021. Crédito da imagem: Site Museonicolis. Com os Órgãos de Cores também veio a busca pela sinestesia. A ideia de que existe uma relação matemática entre a frequência da luz e a frequência do som dominou o século XIX. O Clavecin Oculaire, de Luís Bertrand Castel, foi um de seus primeiros protótipos. Quando o músico apertava uma tecla de dó, uma cortina se abria revelando um painel azul; o sol correspondia ao vermelho, e assim por diante. Essa busca influenciou diretamente os primeiros softwares de visualização musical (como o antigo Windows Media Player ou o Winamp) que geravam formas baseadas no pitch (velocidade) e no volume. A Ciência por trás! Muitos inventores acreditavam na escala de Newton, que tentava alinhar as sete cores do arco- íris com as sete notas da escala musical. Dó (C) = Vermelho Sol (G) = Azul Nos anos 1960, a projeção deixou de ser uma narrativa linear para se tornar um ambiente com a explosão analógica dos Liquid Light Shows. O visual não era apenas “mostrado”, ele também era “executado” ao vivo. Os artistas colocavam misturas de óleo colorido com corante de comida, álcool e água entre duas lentes de relógio convexas, técnica que ficou conhecida como Técnica do Sanduíche. Ao serem coloca- das sobre o calor de um retroprojetor, as substâncias não se misturavam e criavam padrões orgânicos e pulsantes. CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 13 Assim, o “VJ” se tornou um Músico Visual: os operadores pressionavam as lentes com os dedos no ritmo da bateria, fazendo com que as “bolhas” de cor ex- plodissem ou se movessem conforme a música. Bandas como Pink Floyd, Jefferson Airplane e The Doors usaram dessa ferramenta para transformar seus shows em experiências sensoriais completas, onde o público muitas vezes não conseguia dis- tinguir onde terminava o palco e onde começava a projeção. Por que isso importa hoje? Essas raízes mostram que o VJing e as Artes Visuais modernas não nasceram da computação, mas da curiosidade física. • A Lanterna Mágica nos deu a projeção. • Órgão de Cores nos deu a teoria da performance audiovisual. • Liquid Light Show nos deu a improvisação e a cultura da “vibe” nas pistas. Como vimos acima, nos anos 1960, os efeitos eram produzidos por substâncias orgânicas, mas nos anos 70 e 80, do século XX, conhecidos como a era eletrônica, teve início o domínio do elétron. A imagem deixou de ser uma placa de vidro para se tornar uma voltagem. Portanto, o visual deixou de ser puramente físico (óleo e luz) para se tornar sinal eletrônico, dando início à Estética do Vídeo. Nos anos 1970, inspirados pelos sintetizadores de áudio (como o Moog), inven- tores como Nam June Paik e Stephen Beck criaram máquinas que permitiam “tocar” a imagem, dando origem ao Sintetizador de Vídeo. Em vez de filmar algo real, esses aparelhos geravam formas geométricas e padrões de cores diretamente através de osciladores elétricos. Figura 3 – Nam June Paik. Crédito da imagem: Site Solo CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 14 Também foi nesse período que a técnica de Feedback de Vídeo foi descoberta. Ao apontar uma câmera para o próprio monitor que estava exibindo sua imagem, o artista criava um túnel infinito de luz e distorção — o equivalente visual da microfo- nia na guitarra elétrica. No final dos anos 1980, houve um salto tecnológico e o computador entrou na jogada, talvez você se lembre do Atari ou do Amiga. O Commodore Amiga tornou-se a ferramenta favorita dos artistas visuais. Ele permitia animações básicas e manipu- lação de cores em tempo real que eram impensáveis para computadores da época. Foi aqui que a “semente da projeção” encontrou o “código binário”, preparando o terreno para os softwares de VJing que usamos hoje, como o Resolume ou Modul8. Quadro comparativo: analógico vs. Eletrônico Característica Psicodelia (Anos 1960) Era do Vídeo (Anos 1970/80) Fonte de Imagem Óleo, água e luz física. Sinais elétricos e fitas magnéticas. Equipamento Retroprojetor. Monitores CRT e Sintetizadores de Vídeo. Estética Fluida, orgânica, arredondada. Geométrica, vibrante, “glitchy”. Controle Pressão manual e calor. Botões, faders e chaves eletrônicas. Fonte: elaboração da autora, 2026 Vejam como a criatividade dos artistas está ligada e faz avançar as tecnologias, assim como as tecnologias moldam o fazer de um determinado período, num pro- cesso de retroalimentação. Por isso, é importante perceber que a criatividade e a capacidade técnica andam juntas. Ficar antenado tanto nas novas técnicas, quanto nas tendências estéticas, é essencial para a construção de nossa própria identidade visual. CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 15 1.2 A Narrativa Visual Nos anos 80 e 90, do século passado, conhecidos como a era de ouro dos Video- clipes, o termo “VJ” foi popularizado pela MTV, rede de televisão com foco em música e videoclipes que chegou ao Brasil na década de 1990, mas a revolução real estava na narrativa visual, em como o vídeo era usado para contar histórias. Com a revolução do Videoclipe e a MTV (1981), o visual deixou de ser exclusivo das performances ao vivo e passou a ser o produto principal. Com a Edição Não-Li- near, surgiram as primeiras mesas de corte profissionais que permitiam sobrepor imagens (o famoso Chroma Key ou “fundo verde”) e aplicar efeitos de “solarização” (inversão de cores). Além disso, havia a Estética Glitch: aquelas listras de fumaça e cores distorcidas das fitas VHS 9VHS ou Video Home System foi um formato de fita de vídeo e consistia em uma caixa plástica retangular que continha uma fita magnética enrolada em dois carretéis), que hoje usamos como filtro no Instagram, na época, eram uma limitação técnica que os artistas exploravam para criar uma atmosfera futurista e urbana. Figura 4 – Colagem de bandas, vinhetas da emissora, Logo MTV. Crédito da imagem: Site Rádio Retrô CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 16 Foi na Cultura Club dos anos 1980, nas cenas underground de Nova York e Lon- dres, que o termo VJ (Video Jockey) se consolidou. Em vez de um grande telão de pro- jeção, os clubes enchiam as paredes com pilhas de monitores de tubo (CRT).O traba- lho do VJ consistia em alternar entre fitas VHS pré-gravadas, imagens decâmeras ao vivo no meio da pista e os primeiros gráficos gerados por computadores domésticos. Na TV, o VJ apresentava histórias; nos clubes, ele começava a “samplear” peda- ços desses clipes em fitas VHS para criar colagens visuais nas pistas. Nomes como David Fincher e Michel Gondry elevaram o videoclipe ao status de arte técnica, usan- do efeitos práticos e câmeras lentas que definiram a estética de uma geração. Fica a dica! O Marco de Thriller (1983) Michael Jackson provou que o clipe não era apenas propaganda, mas um curta-metragem. A música passou a ter “rosto” e roteiro. ASSISTA AQUI CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 17 1.3 A chegada do Digital Com a chegada dos computadores potentes e softwares de performance (como o Resolume), o VJ deixou de ser um “reprodutor de vídeos” para se tornar um perfor- mer em tempo real. O VJ atua como um músico visual: ele sente a energia da pista, acompanha as viradas do DJ e sincroniza cada batida com efeitos, cores e texturas. Utilizando softwares de ponta como o Resolume Arena, o VJ domina desde a criação de Loops Reativos até o Video. Com a Projeção Mapeada (Video Mapping), a luz escapou da tela retangular. Agora, o VJ pode projetar em fachadas de igrejas, carros ou esculturas, “enganando” o olho humano com ilusões de profundidade e movimento arquitetônico. O proto- colo MIDI (Colocar inbox: Musical Instrument Digital Interface usado para “tocar” o vídeo) e o SMPTE Timecode (Colocar inbox: código de tempo que segue o padrão estabelecido pela Society of Motion Picture and Television Engineers para garantir que o áudio, o vídeo e a luz fiquem perfeitamente alinhados no cinema e na TV) permitiram que o vídeo, a luz e o som fossem travados em um único relógio, criando shows matematicamente perfeitos e uma sincronia total. Resumo da evolução Era Ferramenta Principal Papel do Visual Analógica Lanterna Mágica / Óleos Curiosidade e Ambientação MTV / 90s Película / VHS Narrativa e História (Cinema) Moderna Software / Mapping Imersão e Arquitetura Futuro IA / Interatividade Reação em Tempo Real Fonte: elaboração da autora, 2026 CURSO LIVRE VIDEO MAPPING TRILHA 1 INTRODUÇÃO AO VÍDEO E SOM ESTÉTICA E FUNDAMENTOS 18 Use esse quadro para se lembrar de que as técnicas mudaram ao longo da histó- ria, criando novas formas de pensar a projeção, mas que você pode usar o raciocínio e a lógica por trás de cada uma delas a seu favor, na hora de criar a estética de um determinado projeto. Saber um pouco da história, nos permite ter mais ferramentas criativas à disposição e a TRILHA 1 é justamente para lhe ajudar nisso!