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trabalho na escola sobre mudança climatica

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS DA SAÚDE (ICBS) 
ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO 
FUNDAMENTAL - CIÊNCIA É 10! 
 
 
 
 
 
Greice Daniele Diemer Brehm 
 
 
 
 
ENGAJAMENTO DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II COMO 
MULTIPLICADORES DE HÁBITOS SUSTENTÁVEIS NA 
COMUNIDADE: 
Conhecimento com foco no combate às mudanças climáticas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
 
2025
 
 
Greice Daniele Diemer Brehm 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENGAJAMENTO DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II COMO 
MULTIPLICADORES DE HÁBITOS SUSTENTÁVEIS NA 
COMUNIDADE: 
Conhecimento com foco no combate às mudanças climáticas 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão do Curso da Especialização 
Ciência é 10!, da Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul, como requisito parcial para a 
obtenção do Título de Especialista em Ensino de 
Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental. 
Orientadora: Profa. Dra. Lenir Orlandi Pereira Silva 
Co-orientadora: Profa. Dra. Cristiane Matté 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
 
2025
 
 
 
 
 
3 
RESUMO 
 
A educação para a sustentabilidade no ambiente escolar é garantida pela legislação 
brasileira, mas a sua prática ainda carece de metodologias dinâmicas que motivem os 
estudantes e sejam incorporadas ao seu cotidiano para a transformação 
socioambiental. Cada vez mais frequentes e intensas, as calamidades ambientais que 
acompanham as mudanças climáticas estão nos compelindo a rever a nossa relação 
com a natureza, sobretudo, a gerenciar o consumo de recursos naturais de forma mais 
consciente e responsável. Para apoiar a Educação Ambiental, este projeto objetiva 
desenvolver uma ferramenta didática ativa, o Diário Sustentável, e avaliar o seu 
potencial no engajamento de alunos multiplicadores ambientais com seus familiares 
para incremento de ações sustentáveis do cotidiano. A aplicação da atividade 
investigativa contou com a participação de 24 alunos do sétimo ano do Ensino 
Fundamental da Escola Estadual de Ensino Médio Jacob Hoff, localizada no Município 
de Harmonia, Rio Grande do Sul. A coleta de dados do diário se deu ao longo de 
quatro semanas entre novembro e dezembro de 2024. Os dados revelaram que no 
perfil das famílias envolvidas várias ações sustentáveis já estão incorporadas ao 
cotidiano como por exemplo a coleta seletiva básica dos resíduos sólidos, declarada 
constantemente por pelo menos 95% da amostra. Por outro lado, ficaram evidentes 
algumas ações que demandam mais esforço e investidas como tomar banhos curtos, 
evitar veículos à combustão nos percursos, etc. A análise qualitativa indicou que a 
vivência pedagógica demonstrou-se significativa e foi efetiva no sentido de ampliar e 
difundir conhecimentos coletivos em sustentabilidade. O experimento proporcionou a 
recriação de percepções pessoais sobre hábitos degradantes automatizados e sua 
substituição por práticas mais sustentáveis. O instrumento didático pode ser adaptado 
e replicado em outros projetos semelhantes, pois favorece a formação de 
multiplicadores ambientais que almejam agilizar a transição sustentável da 
humanidade, através da consciência, respeito e responsabilidade ambiental, também 
pela própria qualidade de vida e manutenção da nossa sobrevivência no planeta. 
 
Palavras-chave: Educação Ambiental; Hábitos Sustentáveis; Multiplicadores 
Ambientais. 
 
 
 
 
4 
ABSTRACT 
Education for sustainability in the school environment is guaranteed by Brazilian 
legislation, but its practice still lacks dynamic methodologies that motivate students 
and are incorporated into their daily lives for socio-environmental transformation. 
Increasingly frequent and intense, the environmental calamities accompanying climate 
change are compelling us to reconsider our relationship with nature, especially in 
managing the consumption of natural resources in a more conscious and responsible 
manner. To support Environmental Education, this project aims to develop an active 
didactic tool, the Sustainable Diary, and evaluate its potential in engaging students as 
environmental multipliers with their families to enhance sustainable actions in daily life. 
The application of the investigative activity involved the participation of 24 seventh-
grade students from the Jacob Hoff State High School, located in the Municipality of 
Harmonia, Rio Grande do Sul. The data collection from the diary took place over four 
weeks between November and December 2024. The data revealed that in the profile 
of the involved families, several sustainable actions are already incorporated into their 
daily lives, such as basic selective waste collection, consistently reported by at least 
95% of the sample. On the other hand, some actions that require more effort and 
investment became evident, such as taking short showers, avoiding combustion 
vehicles for trips, etc. The qualitative analysis indicated that the pedagogical 
experience proved to be significant and effective in expanding and disseminating 
collective knowledge on sustainability. The experiment provided the recreation of 
personal perceptions about automated degrading habits and their replacement with 
more sustainable practices. The didactic instrument can be adapted and replicated in 
other similar projects, as it promotes the formation of environmental multipliers who 
aim to expedite humanity's sustainable transition through awareness, respect, and 
environmental responsibility, also for the sake of our quality of life and the maintenance 
of our survival on the planet. 
Keywords: Environmental Education; Sustainable Habits; Environmental Multipliers. 
 
 
 
 
 
 
5 
1 INTRODUÇÃO 
 
Desastres climáticos cada vez mais frequentes e intensos por toda a parte do 
mundo estão voltando os olhos da população para a necessidade urgente de 
transformação de atividades degradantes ao longo de décadas por hábitos mais 
sustentáveis. Analisando especificamente a região gaúcha do Vale do Rio Caí, onde 
este estudo foi realizado, viveu-se recentemente diversos cataclismos, dentre eles 
vendavais atípicos, chuvas torrenciais, inundações urbanas e enchentes 
descomunais. Em 2023, a Escola Estadual de Ensino Médio Jacob Hoff em questão, 
situada no Município de Harmonia, enfrentou a perda do seu ginásio de esportes 
durante uma micro-explosão atmosférica. Aproximadamente um mês depois, ocorreu 
outra situação relatada inédita pelos harmonienses, uma chuva torrencial de 156 mm 
em menos de uma hora alagou o centro urbano. As notícias globais que veiculam 
tragédias climáticas deixam evidente a vulnerabilidade humana perante a crise 
ambiental em progresso, disparando o assunto nas pautas políticas em todas as 
esferas e inquietação das comunidades. Naturalmente, o debate chega às salas de 
aula. 
Ao longo da atuação docente na educação básica, para o componente de 
Ciências da Natureza, percebe-se que os estudos das temáticas ciclos 
biogeoquímicos e poluição atmosférica por ação antrópica, previstos para abordagem 
no sétimo ano do ensino fundamental, levantam um desconforto desejável para a 
gravidade dos fatos. É comum que a curto prazo, o aluno que conclui a educação 
básica, mesmo ambientalmente consciente, mergulhe em um sistema engrenado e 
distante da sustentabilidade, com estilo de vida consumista e gerador de montantes 
de resíduos. Sua atuação na causa ambiental é pouco expressiva, constituindo-se em 
apenas mais um sujeito do “sistema”. Identifica-se o momento escolar como o cerne 
para a criação de hábitos sustentáveis perpetuados à posteridade na vida adulta, pois 
é a fase em que o jovem é questionador e está formando convicções. Com a 
motivação assertiva, ele pode ansiar e ficar determinado a fazer parte das soluções 
ambientais. 
A educação ambiental nas escolas é assegurada por lei e precisa auxiliar na 
resolução de problemas da sociedadedo Sul. 2012. 105 f. Dissertação (Mestrado em 
Desenvolvimento Regional) - Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento 
Regional, Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, 2012. 
 
SILVA E DUTRA, Fabiana Caetano Martins; ROBERTO, Williane Martinho; 
COELHO, Bruna Lopes; ALMEIDA Ricardo. Envolvimento em ocupações 
sustentáveis: mudanças nos hábitos de vida a partir de espaços de práticas 
educativas. Cad. Bras. Ter. Ocup., São Carlos, v. 26, n. 2, p. 345-355, 2018. 
 
SOUZA FILHO, Daniel Bastos; SUDÉRIO, Fabrício Bonfim. Os impactos do CO2 em 
plantas: cultivando a consciência ambiental em estudantes por meio de uma 
atividade investigativa. Dialogia, São Paulo, n. 50, p. 1-13, 2024. 
 
SPENCER, Matthew. Climate Action “Needs Devolution”, 2007. Disponível em: 
. Acesso em: 19 jan. 2024. 
 
SULAIMAN, Samia Nascimento; RIBAS, Maria Aparecida Pimentel Toloza; de 
TOLEDO, Renata Ferraz; dos ANJOS, Ana Cristina Chagas. Diálogos da 
universidade com a comunidade escolar sobre educação para a sustentabilidade. 
Revista de Cultura e Extensão Universitária da USP, São Paulo, v. 12, p. 95-107, 
2014. 
 
UNFPA, United Nations Population Fund / ONU - United Nations. À Medida que a 
População Mundial Atinge 8 Bilhões de Pessoas, ONU Pede Solidariedade no 
Avanço do Desenvolvimento Sustentável para Todos, 2022. Disponível em: 
. Acesso em: 19 
jan. 2024. 
 
YARROW, Joanna. Como Combater o Aquecimento Global: Informações Completas 
para Você Reduzir a Sua Pegada de Carbono. São Paulo: Publifolha, 2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
APÊNDICE A - Capa do Diário Sustentável na versão impressa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
APÊNDICE B - Página subsequente com orientações às famílias sobre a 
atividade e o preenchimento do Diário Sustentável 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
APÊNDICE C - Modelo das páginas de preenchimento das ações sustentáveis, 
enumeradas até a Semana 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
APÊNDICE D - Última página do Diário Sustentável para relato final da família 
sobre as suas percepções 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
APÊNDICE E - Contracapa do Diário Sustentável com ímã de geladeira aderidohumana perante o meio ambiente. É evidente 
 
 
 
 
6 
a observação de que crianças e adolescentes têm maior facilidade em transformar 
boas práticas em hábitos, frequentemente corrigindo os adultos em seus deslizes. A 
exemplo disto, podemos analisar os hábitos cotidianos nas últimas décadas quanto à 
adesão na separação de resíduos sólidos em reciclável e orgânico. Uma geração mais 
antiga, com menos acesso à escola básica não a fazia, misturando todos os resíduos. 
Seus filhos assimilaram na escola a importância da reciclagem e começaram a praticar 
a separação na casa onde residiam com seus pais. Atualmente, para seus netos, a 
separação de resíduos sólidos é uma ação automatizada, configurando um hábito e 
inclusive repreendendo os avós quando falham na classificação. Esse processo foi 
impulsionado pelo papel da escola e tornou os alunos agentes ativos e influenciadores 
de boas práticas ambientais. Dessa forma, uma hipótese para a superação de 
comportamentos automatizados que degradam a natureza por habitualização de 
ações pró-ambiente na comunidade é que esse processo pode ser agilizado através 
da escola, aproveitando o potencial de alunos do ensino fundamental como 
multiplicadores delas. 
Neste contexto, diante da baixa celeridade na transformação por uma 
sociedade mais sustentável, a questão-problema norteadora do presente estudo se 
torna uma conjectura eminente. O objetivo geral deste estudo é verificar se através 
da criação e implementação de uma ferramenta didática ativa - um Diário Sustentável 
- desperta-se o engajamento de alunos como multiplicadores ambientais para 
substituir comportamentos depreciativos à natureza e consolidados na rotina familiar 
por hábitos mais sustentáveis no combate às mudanças climáticas. A pesquisa se 
desdobrará a partir da elaboração coletiva entre professora/estudantes/familiares de 
um checklist de ações sustentáveis para compor o diário, que servirá de 
monitoramento da realização das mesmas em suas casas e posterior análise da 
atividade investigativa como potencial para alcançar o objetivo principal. 
Adicionalmente, como objetivos específicos espera-se também avaliar, nos 
estudantes, os possíveis benefícios psicoemocionais em fazer parte das soluções 
ambientais e influenciar o seu meio de convívio; ampliar os conhecimentos dos 
participantes em sustentabilidade; compreender melhor a resistência ao processo e 
quais as dificuldades das famílias na adesão de hábitos sustentáveis para guiar 
melhor campanhas e incentivos; inspirar outros projetos a utilizarem ferramentas 
práticas semelhantes em apoio à Educação Ambiental. 
 
 
 
 
 
7 
 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO / TRABALHOS RELACIONADOS 
 
No presente, em toda a parte do planeta vivemos a ocorrência de múltiplos 
desastres climáticos, enquanto que ainda há discussão sobre suas causas serem 
antropogênicas ou não, de modo retardatário. Na comunidade científica, Cook et al. 
(2013), após revisão de literatura na área de estudos do clima, no período de 1991 a 
2011, concluíram que dentro das publicações que expressam uma posição sobre o 
assunto, há uma porcentagem majoritária de 97,2% que endossa o consenso no 
aquecimento global antropogênico. O homem vem modificando radicalmente o meio 
ambiente natural ao seu redor motivado pelo desenvolvimento da civilização, mais 
energicamente desde a Revolução Industrial (meados do século XVIII). O processo 
foi inflamando conforme o aumento populacional e demanda por recursos naturais, 
excepcionalmente pelos combustíveis fósseis e resultou na elevação rápida dos níveis 
de gases de efeito estufa da Terra até a atualidade: uma crise climática derivada do 
aquecimento global. 
O potencial humano de transformação do meio ambiente é tanto, que há até 
um debate sobre a reclassificação do atual período geológico. Considerando os 
crescentes impactos das atividades humanas na Terra e atmosfera, Crutzen (2002) 
propõe a adição de um novo período geológico após o Holoceno que havia iniciado 
com a deglaciação e chama essa nova era de Antropoceno. O autor explica que essa 
transição teria começado na última parte do século XVIII, quando análises de ar preso 
no gelo polar mostraram o início do crescimento global das concentrações de dióxido 
de carbono e metano. Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration - 
NOAA (2023) registraram que na última era glacial, os níveis de CO2 estavam abaixo 
de 200ppm e se mantiveram menores que 280ppm nos últimos 800 mil anos. Em 
1950, subiram para 300ppm e na época da primeira grande conferência internacional 
sobre questões ambientais em Estocolmo, 1972, passaram dos 327ppm. Alcançamos 
o nível sugerido como seguro pelos cientistas para evitar um aquecimento global 
catastrófico em 1987, com 350ppm. No mesmo ano do Acordo de Paris, 2015, a 
 
 
 
 
8 
concentração de CO2 já havia ultrapassado 400ppm e inesperadamente em maio de 
2023, alcançamos o novo recorde global de 424ppm. Crutzen destaca para o 
crescimento exponencial de um rol de atividades humanas bem conhecidas por 
pressionar a natureza acompanhando o aumento populacional e alerta ainda que a 
humanidade continuará a ser uma grande força de pressão ambiental por muitos 
milênios. 
Blanc (2012) afirma que a visão de que o desenvolvimento econômico é 
limitado começou pelos anos 70 e 80, quando ocorreram os primeiros movimentos 
sociais ambientais, a criação das primeiras conferências mundiais e os fóruns de 
debate ecológico, ou seja, desde então há consciência de que a poluição industrial da 
atmosfera, água e solo e a pressão do crescimento demográfico sobre os recursos 
naturais, deixam um passivo com potencial de afetar a qualidade de vida. 
Oficialmente, o primeiro grande encontro internacional com representantes de 
diversas nações (113 países), para discutir os problemas ambientais, ocorreu em 
1972 em Estocolmo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e 
Meio Ambiente Humano. Mais tarde, em 1988, ocorreu a 1ª Conferência Climatológica 
Mundial, em Toronto, resultando no consenso de que as emissões de gases do efeito 
estufa deveriam ser neutralizadas consideravelmente. Foi criado, então, o Painel 
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC. 
Observa-se que fenômenos atmosférico-oceânicos como “el niño” e “la niña” 
são ainda mais acentuados pelo aquecimento global. Climatologistas e 
meteorologistas da NOAA, da OMM (Organização Meteorológica Mundial) e do C3S 
(Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus), da União Europeia, concordam que 
2023 foi o ano mais quente em 174 anos de medições científicas e o ano mais quente 
dos últimos 125 mil anos, de acordo com as projeções de especialistas para o passado 
da Terra. 
Somente para contextualizar, a partir do Projeto Colabora (2023) relembra-se 
algumas das tragédias mais marcantes noticiadas em 2023: janeiro começou o ano 
com nevascas rigorosas nos Estados Unidos e a passagem de um ciclone 
extratropical histórico que ocasionou 106 mortes em todo o país; no Brasil, em 
fevereiro, uma chuva torrencial no litoral de São Paulo resultou na morte de 60 
pessoas; na Somália, em março, mais de 43 mil pessoas morreram como resultado 
de uma seca extrema; Índia e China experimentaram o abril mais quente da história 
 
 
 
 
 
9 
da Ásia, ondas de calor marcando até 45°C; a América do Norte e América do Sul 
tiveram o maio mais quente já registrado; em junho, incêndios florestais canadenses 
espalharam nuvens alaranjadas de fumaça até Nova York e Washington. Foi a pior 
temporada de queimadas do Canadá, a fumaça chegou a atravessar o Atlântico e 
alcançar a Europa. 
Na segunda metade do ano, o mês de julho foi marcado por ondas de calor 
simultâneas em partes da Ásia, inclusive o Oriente Médio, na América do Norte, na 
Europa Mediterrânea e no norte da África. Mais de 10 países registraram temperaturas 
acima dos 50°C. No México, mais de100 pessoas morreram vítimas do calor; no 
Havaí, em agosto, um intenso incêndio florestal causou mais de 100 vítimas fatais e 
foi considerado o mais mortal da história dos EUA em pelo menos 100 anos; em nosso 
país, o Rio Grande do Sul enfrentou a passagem de um ciclone que provocou uma 
enchente devastadora no Vale do Taquari, arrasando cidades e deixando, pelo 
menos, 50 mortos; em novembro, novos temporais voltaram a atingir o Sul do país 
causando mais mortes numa inundação recorde, jamais imaginada no Vale do Rio 
Caí; setembro também foi marcado pelo ciclone mais forte e mais mortífero no Mar 
Mediterrâneo. Grécia, Bulgária, Turquia e Egito tiveram mortes. Na Costa Africana, a 
Líbia anunciou mais de 10 mil mortes; a partir de outubro, a seca extrema na Amazônia 
surpreendeu o mundo com os rios que secaram, barcos que encalharam, 
comunidades ribeirinhas e indígenas que ficaram isoladas, e queimadas que se 
multiplicaram cobrindo Manaus e outras cidades com nuvens de fumaça. Repercutiu 
grande comoção pelas dezenas de botos-cor-de-rosa e milhares de peixes que 
morreram pelo aquecimento da água; mais de 1.600 municípios em 15 estados 
brasileiros sofreram com as ondas de calor de novembro. O Vale do Jequitinhonha, 
em Minas Gerais, registrou a maior temperatura já verificada no Brasil pelo Inmet 
(Instituto Nacional de Meteorologia), com 44,8°C. O calor recorde também alcançou 
municípios do Pantanal, onde o bioma registrou mais de 3 mil focos de incêndio, 
número cinco vezes maior que a média histórica para o mês; no Hemisfério Sul, o 
verão já chegou com ondas de calor, passando dos 40°C no Peru, no Chile e no 
Paraguai, neste último com até 44°C na véspera do Natal. A Austrália passou o Natal 
sob alertas de onda de calor, incêndios florestais e tempestades de verão. 
Com foco no Rio Grande do Sul, especialistas analisam que em um ano, desde 
2023, o Estado enfrentou dez episódios de chuvas extremas. No município gaúcho de 
 
 
 
 
10 
Harmonia, onde o presente projeto é realizado, distante 65 quilômetros da capital 
Porto Alegre, registramos uma sequência de calamidades climáticas nunca antes 
vistas segundo relatos de moradores. Em 28 de janeiro de 2023, um violento vendaval 
espalhou destruição pela cidade causando diversos destelhamentos, além da queda 
de muitas árvores nas ruas centrais. O fenômeno causado por conta do excessivo 
calor, é denominado downburst ou micro-explosão atmosférica, com ventos severos 
e causou rajadas superiores aos 100 km/h (METSUL, 2023). No episódio, a Escola 
Estadual de Ensino Médio Jacob Hoff foi atingida, perdendo quase 100% da estrutura 
do ginásio de esportes, o qual não pôde ser utilizado durante todo o ano letivo. Pouco 
tempo depois, em 4 de março, outro evento sem precedentes: o centro da cidade foi 
alagado por uma chuva torrencial de 156 mm em 1 hora, o que transbordou a 
drenagem urbana, interrompeu o trânsito, estragou e isolou casas (HARMONIA, 
2023). Já em 2024, em meio ao andamento deste projeto, um novo marco na história 
das inundações no Rio Grande do Sul aconteceu. As chuvas torrenciais que ocorreram 
no início de maio, elevaram o nível da água do Lago Guaíba, na Estação do Cais 
Mauá, na capital aos inéditos 5,35 metros, superando a histórica enchente de 1941, 
quando a cota máxima foi de 4,76 metros (AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS, 2024). 
De acordo com a Defesa Civil (RIO GRANDE DO SUL, 2024), a calamidade afetou 
478 dos 497 municípios gaúchos, ou seja 90% deles. O maior impacto foi nas regiões 
metropolitanas de Porto Alegre, da Serra, do Sul e dos Vales. No total, foram 178 
mortes, 34 desaparecidos e 388.781 desalojados. Em meio à tragédia, 790 escolas 
foram afetadas, 388 sofreram danos e 52 serviram de abrigo. A crise deixou o Estado 
numa situação calamitosa. Inúmeras regiões tiveram os serviços de fornecimento de 
energia elétrica, água e telefonia suspensos por semanas, pessoas passaram dias 
submersas na água ou sobre os telhados aguardando o resgate. 
As projeções para o cenário num futuro próximo, se não houver mudança de 
comportamento são pessimistas. Mora et al. (2018) declaram que pela metade deste 
século, a humanidade poderá estar enfrentando até seis crises relacionadas ao clima 
ao mesmo tempo, dentre as quais ondas de calor, incêndios florestais, elevação do 
nível do mar, inundações, secas, etc. Os impactos são desastrosos e estão se 
encaminhando para afetar cada vez mais a humanidade, através dos eventos 
climáticos extremos, insegurança alimentar ou hídrica, ou através de surtos de 
doenças como dengue, leishmaniose, malária, entre outras (IPCC AR6, 2021). As 
 
 
 
 
 
11 
conclusões dos autores apontam que “as alterações climáticas em curso 
representarão uma ameaça acrescida para a humanidade que será grandemente 
agravada se medidas substanciais e oportunas às reduções das emissões de gases 
de efeito estufa não forem alcançadas”. Os autores destacam ainda que tamanhos 
impactos na sociedade necessitarão de uma carga de investimentos econômicos para 
garantir uma diversidade de adaptações necessárias e que os políticos brasileiros 
precisam direcionar investimentos pesados na área de contenção de riscos e 
desastres. A gestão pública brasileira nas diferentes esferas, está desenvolvendo 
Planos de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima com base na Portaria MMA 
nº 150, de 10 de maio de 2016 (BRASIL, 2016). Tais documentos reúnem medidas 
emergenciais de gerenciamento dos fenômenos climáticos e remediação em casos 
de calamidade pública, mas basta observar o que foi vivenciado pela população 
gaúcha na tragédia supracitada para concluir que ainda não há preparo para o 
atendimento necessário destas emergências climáticas. Dado o nível de apatia 
ambiental ao qual a população humana se encontra, Lewandowski, Freeman & Mann 
(2017) defendem que os planejadores sociais devem tomar dentre as medidas, a de 
colocar um preço no carbono advertindo que o custo da inação supera em muito o 
custo de agir. 
Anualmente, através das COP (Conferência das Nações Unidas sobre a 
Mudança do Clima, derivada do Acordo de Paris de 2015, que objetiva frear o 
aquecimento global em até 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2030, sendo que 
o patamar atual já está em 1,2°C) verifica-se a complexidade da cooperação entre os 
países nas políticas de gestão ambiental. Na edição da COP 28, que aconteceu em 
novembro de 2023 (Dubai - Emirados Árabes Unidos), reunindo líderes mundiais de 
195 países, foi celebrada uma decisão considerada histórica. Apenas então, pela 
primeira vez, tratou-se de forma explícita o abandono dos combustíveis fósseis, 
estabelecendo objetivos globais para a transformação de sistemas energéticos rumo 
à neutralidade climática das emissões de carbono até 2050 (BRASIL, 2023). 
Relembra-se que a intensificação do efeito estufa pelo aumento da 
concentração de CO2 e gases equivalentes na atmosfera resultantes das atividades 
humanas que podem levar ao aquecimento excessivo do planeta, vem sendo debatida 
há mais de 50 anos. Contudo, ainda de acordo com Blanc (2012), as lideranças 
políticas permanecem paralisadas, assumindo uma posição pragmática quanto à 
 
 
 
 
12 
crise, preocupando-se mais em garantir o crescimento econômico de seus países. 
Além da busca de soluções possíveis para reduzir o aquecimento global em nível 
político, o autor apresenta mudanças necessárias no âmbito energético e de 
transportes, com o uso de fontes de energia limpa como os biocombustíveis, além de 
medidas para conter o desmatamento, através do desenvolvimento sustentável, por 
exemplo. Para ele, a resposta não se constitui de uma única solução isolada, mas de 
um conjunto de soluções sincronizadas, as quais, ao longo do tempo, poderão reverter 
o quadro inseguro que nos aguarda segundo as previsões atuais. 
O progresso da civilização visando melhorias na qualidade de vida ainda deve 
fazer parteda solução, mas incorporando a Ciência e a Tecnologia no direcionamento 
do desenvolvimento sustentável. É preciso transcender a palavra sustentabilidade, 
que por definição da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das 
Nações Unidas (BRUNDTLAND, 1987) significa o “desenvolvimento capaz de garantir 
as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras 
de também atenderem às suas”. Se parece difícil imaginar esse ideal, basta observar 
como uma criança tem facilidade em descrever o mundo em que ela quer viver, muito 
diferente da poluição que a humanidade acumulou e continua gerando. Nosso 
horizonte deve ansiar por um planeta onde usufruamos das modernidades e do 
conforto, mas condicionados ao reconhecimento do valor intrínseco dos serviços 
ecossistêmicos para a qualidade de vida. 
Dependendo das percepções individuais sobre proporção, o planeta Terra pode 
ser considerado grande ou pequeno, mas de fato, é um só para 8 bilhões de pessoas 
(UNFPA/ONU, 2022). De acordo com a ONU – Organização das Nações Unidas, esse 
marco é indicativo de que houve muitas melhorias na saúde pública que reduziram o 
risco de morte e aumentaram a expectativa de vida. Com este quadro populacional 
crescente, a organização pede solidariedade no avanço do desenvolvimento 
sustentável para todos. A promoção da sustentabilidade por ações governamentais é 
imprescindível e urgente, mas na prática tem sido complexa e morosa. De acordo com 
Spencer (2007) há poucos sinais de que as comunidades estejam recebendo poder 
político para combater o aquecimento global. Este é o fardo das nações: políticas 
pouco ativas no desenvolvimento de incentivos e adoção de tecnologias limpas e 
fontes de energia renovável. Então, neste “mar de gente”, cada pessoa precisa fazer 
a sua parte para melhorar o todo, como incita o filósofo alemão Ulrich Beck: “pensar 
 
 
 
 
 
13 
globalmente, agir localmente”. Segundo Blanc, essa frase virou lema de campanhas 
que visam a estimular o comprometimento individual para minorar os estragos 
provocados pela sociedade industrial. Também para Spencer, a única forma de 
reverter a mudança climática que testemunhamos é transformando-a em um problema 
local. Os níveis da emissão global de carbono refletem bilhões de pequenas decisões 
tomadas diariamente sobre o uso de energia em cada vila, cidade e metrópole no 
mundo todo (SPENCER apud BLANC, 2012). 
Quando compreendemos a complexidade e urgência da crise climática, 
precisamos assumir que cada um tem um papel no desenvolvimento da comunidade 
e do planeta, e que faz parte da solução também. Basta uma busca simples e rápida 
pela internet para encontrar inúmeras sugestões de ações sustentáveis individuais e 
coletivas. Contudo, a pergunta que fica é: por que elas ainda não são realidade? Neste 
desafio, a escola pode acelerar a mudança de mentalidade e melhorar as relações 
entre os homens e o meio ambiente. A escola é um importante setor da comunidade, 
onde bem cedo na vida do cidadão acontece a prática das reflexões e ações voltadas 
à conservação ambiental, sendo parte do processo educativo. Para Roos & Becker 
(2012, p. 861), 
 
A escola é o espaço social e o local onde poderá haver sequência ao 
processo de socialização. O que nela se faz se diz e se valoriza representa 
um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos 
ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da 
vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. Assim 
a Educação Ambiental é uma maneira de estabelecer tais processos na 
mentalidade de cada criança, formando cidadãos conscientes e preocupados 
com a temática ambiental. 
 
A Educação Ambiental é um direito de todos e deve ser desenvolvida de forma 
integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino, 
conforme dispõe a Política Nacional de Educação Ambiental (BRASIL, 1999). Está 
previsto na mesma lei a construção de atitudes para a conservação do meio ambiente, 
identificando-a como necessária à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. 
Também fica determinado na PNEA que a temática faça parte das matrizes 
curriculares permeando todas as áreas de forma interdisciplinar. 
Dentre as Matrizes de Referência para o Ano Letivo de 2024 no Rio Grande do 
Sul, que seguem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial 
 
 
 
 
14 
Curricular Gaúcho (RCG), o tema aquecimento global não possui habilidade exclusiva, 
mas permeando várias habilidades da Área do Conhecimento Ciências da Natureza 
(Figura 1), onde compete ao professor realizar o enquadramento e a abordagem em 
sala de aula. 
Figura 1: Habilidades curriculares envolvendo a abordagem do aquecimento 
global para o sétimo ano do Ensino Fundamental - Anos Finais - Área do 
Conhecimento: Ciências da Natureza - Componente Curricular: Ciências, de acordo 
com as Matrizes de Referência para o Ano Letivo de 2024 
 
Fonte: RIO GRANDE DO SUL, 2024. 
 
Nas matrizes referenciais, as habilidades que constam na Figura 1 não são 
sequenciais, estão aleatorizadas entre outras ao longo de todo o ano letivo. Após a 
conclusão do seu estudo, espera-se que os estudantes compreendam que as 
alterações da atmosfera pelas atividades antrópicas resultam na intensificação do 
efeito estufa e elevação da temperatura média global, e consequentemente, nas 
 
 
 
 
 
15 
catástrofes decorrentes das mudanças climáticas. Todavia, ainda que os objetivos de 
ensino aprendizagem sejam alcançados, em uma janela de tempo, os jovens que 
adquirem uma consciência crítica e estão motivados, deparam-se frequentemente 
com a mesma inquietação: o que podemos fazer para mudar a situação e por que a 
transformação necessária não está se concretizando? Hábitos sustentáveis parecem 
distantes da realidade, eles compreendem por alguns momentos a sua importância, 
mas não os incorporam à vida cotidiana. Ou seja, colocar em prática os 
conhecimentos adquiridos não está se perpetuando de forma contínua nem na escola, 
nem na vida extra-classe. 
Para auxiliar a resolver esse desafio, Fenner (2015, p. 13) demonstra estar 
convicta de que a escola, com o apoio da comunidade e do poder público, deve inserir 
seus alunos em projetos ambientais, transformando a escola numa instituição 
sustentável quando afirma que: 
 
O importante não são os benefícios diretos com os projetos ambientais, o 
importante é dar exemplo e educar a comunidade, pois os alunos têm o poder 
de envolver a todos com suas ações. Assim, o que for aprendido na escola, 
farão em casa e consequentemente incentivarão seus familiares a realizarem 
o mesmo. Alguns exemplos de ações importantes são a coleta seletiva do 
lixo, a separação de objetos para a reciclagem e a captação da água de chuva 
para posterior utilização na limpeza da escola, são ideias simples, de fácil 
realização, sendo que essas ações provavelmente serão incorporadas ao 
cotidiano dos alunos, que se tornarão cidadãos conscientes, fator que para o 
resto da vida terão como base esse exemplo positivo. 
 
Também é fato que a escola, apesar desse papel imprescindível no 
desenvolvimento de convicções dos jovens, configura uma fase passageira em sua 
vida. Então conforme objetiva-se a incorporação de atitudes sustentáveis vitalícias, é 
com o apoio da organização da família que podemos formar uma base resiliente, onde 
estes valores e princípios tão importantes para a qualidade de vida possam ser 
perpetuados. Bernardes (2018, p. 193) ressalta o quanto o poder público e a 
sociedade devem proteger a educação familiar, fornecendo à função social da família, 
elementos suficientes para propiciar a educação para a sustentabilidade ambiental, 
econômica e social. O estudo indica que a família é classificada como o núcleo 
fundamental da sociedade e unidade primária de aprendizado, sendo o aporte inicial 
no processo de aprendizado e educaçãode crianças: 
 
 
 
 
 
16 
Pais, irmãos e demais integrantes da mesma família colaboram no 
desenvolvimento da personalidade e crescimento cognitivo da criança, por 
meio de um processo diuturno, continuado e muitas vezes imperceptível. A 
família repassa valores, costumes, hábitos, conhecimentos, que podem ser 
positivos ou negativos à formação da criança e do adolescente. 
 
O autor defende que somente será possível a mudança de consciência dos 
habitantes do planeta, a partir da adoção de incentivos e projetos do poder público e 
da sociedade para fortalecimento da família e de sua função como protagonista da 
educação familiar. 
Assim, aliar a escola à família representa grande potencial para alcançarmos a 
transformação socioambiental de que tanto precisamos. Ferraz (2008), em seu 
trabalho sobre a sustentabilidade escolar, corrobora com o que também pensam as 
diretoras escolares, enquanto peças fundamentais na orientação da gestão ambiental 
da escola, vislumbrando o papel de exemplo da escola para os alunos e suas famílias. 
Um caso de sucesso dessa aliança é relatado por Schneider (2012), onde foi 
possível inaugurar a Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul - EFASC, para a 
formação de jovens, em alternância entre teoria e prática. A construção social da 
escola rural foi movida pela preocupação dos estudantes em melhorar a qualidade de 
vida da comunidade que há muito tempo têm sua economia baseada na monocultura 
do tabaco. Buscou-se implantar o conhecimento de técnicas alternativas para a 
preservação ambiental e diversificação da produção agrícola. A autora conclui que a 
escola conta com uma crescente participação e responsabilidade das famílias, 
contribuindo para o fortalecimento e o desenvolvimento sustentável das comunidades 
nas quais os jovens estão inseridos. 
Yarrow (2008) argumenta que embora o fato de que quase todas as áreas de 
atividade humana contribuem para a nossa pegada de carbono e isso pareça um 
problema devastador, temos a oportunidade de reduzi-la em quase todos os aspectos 
da vida. A autora, que propõe em seu manual “Como combater o aquecimento global” 
sugestões para minimizar o impacto que causamos no meio ambiente através de 
mudanças possíveis no nosso estilo de vida, como otimizar a eficiência de 
eletrodomésticos, utilizar bicicletas para deslocamentos curtos, aderir a moda 
“slowfashion”, reduzir o consumo de carne, realizar a compostagem de resíduos 
orgânicos, etc. São ações simples e acessíveis que podemos aderir em casa, na 
escola e no trabalho para diminuir a poluição e o lixo. Ela também enfatiza que uma 
 
 
 
 
 
17 
vida ecologicamente correta é boa não apenas para o planeta, mas, principalmente, 
para a saúde e bem-estar. 
Uma prática docente mais significativa e eficaz, apoia-se na literatura científica 
e no uso de diferentes abordagens didáticas, como práticas investigativas. Segundo 
Rosito (2008, p.196), para o ensino de Ciências, nas atividades práticas e interativas, 
os alunos se envolvem ativamente: 
 
Focalizando nossa atenção para o ensino de Ciências, as atividades práticas, 
incluindo a experimentação, desempenham um papel fundamental, pois 
possibilitam ao aluno uma aproximação do trabalho científico e melhor 
compreensão dos processos de ação das Ciências. 
 
Explanar a sustentabilidade em sala de aula pode se tornar mais enriquecedor 
se for acompanhado de vivências pedagógicas. Seguindo os preceitos de Ausubel 
(1982), desenvolver atividades práticas por meio da descoberta pode distanciar o 
aluno da aprendizagem meramente mecânica e promover a aprendizagem 
significativa. Esta ocorre quando a partir daquilo que já conhece, o aprendiz aplica o 
seu filtro pessoal sobre o novo conteúdo, faz conexões significativas entre essa 
bagagem e as novas informações e considera o que tem significado ou não para si 
próprio. 
Nesse contexto, para Leão (2013) é urgente educar a população para que 
estabeleça relações harmoniosas com a natureza e essa conscientização se 
materializa quando ocorre a substituição de hábitos automatizados por novos hábitos 
sustentáveis, que buscam reduzir o consumismo irresponsável, o desperdício dos 
recursos naturais, a geração de resíduos e a poluição ambiental. 
 
 
3 METODOLOGIA 
 
O presente estudo consiste em um trabalho investigativo em sala de aula cuja 
natureza é a prática dirigida à solução do problema específico: a urgência para 
mudanças de hábitos perante a crise climática. A realização se deu por meio de uma 
pesquisa exploratória (GIL, 2008) com abordagem qualitativa através da criação 
coletiva de um instrumento de coleta de dados no formato de um diário de campo para 
registros dos estudantes e suas famílias. 
 
 
 
 
18 
Inicialmente, por envolver aplicação da prática com alunos, o presente projeto 
passou por aprovação da Comissão de Pesquisa do Instituto de Ciências Básicas da 
Saúde (COMPESQ/ICBS) e do Comitê de Ética da Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul (CEP/UFRGS) via Plataforma Brasil 
(https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf). 
Para o desenvolvimento do estudo, foi definida a turma de sétimo ano - 71 do 
Ensino Fundamental da Escola Estadual de Ensino Médio Jacob Hoff, situada no 
Município de Harmonia, região central do Rio Grande do Sul. Essa escolha se deu 
baseada pela composição da grade curricular de habilidades discriminadas 
anteriormente na Figura 1: poluição atmosférica por ações antrópicas, efeito estufa e 
aquecimento global. Esse critério não quer dizer que a aplicação do trabalho se 
restringe ao sétimo ano, mas sim que é desejável uma pré-compreensão dos assuntos 
para a vivência se tornar mais plena. A amostra total engloba 24 estudantes e seus 
respectivos familiares. 
A dinâmica seguiu com os seguintes procedimentos em ordem cronológica: 
1. Apresentação do projeto: o primeiro contato sobre a pesquisa com os alunos 
ocorreu após a aprovação pelo CEP/UFRGS. Então, o convite para participar do 
estudo foi apresentado aos responsáveis pelos estudantes da turma 71, que 
consentindo, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo A), por 
serem menores. Os estudantes participantes também assinaram o Termo de 
Assentimento Livre e Esclarecimento (Anexo B). 
2. Elaboração do Instrumento de Ações e Coleta de Dados em Sala de Aula: 
os alunos juntamente com a professora pesquisadora deste projeto, começaram a 
construção coletiva do protótipo de um Diário Sustentável listando ações e práticas 
sustentáveis possíveis de serem executadas pelas famílias, através de buscas virtuais 
e também literárias. A ideia do formato em diário surgiu a partir de livre criação, não 
se baseando em estudos e modelos pré-existentes. 
3. Participação dos familiares na elaboração do Instrumento de Ações e Coleta 
de Dados: cada aluno levou uma cópia do esboço inicial do diário feito na escola para 
a sua casa buscando a apreciação e colaboração da família a fim de analisar a 
viabilidade de execução das ações. Esses apontamentos e sugestões foram 
considerados para a edição da versão final do Diário Sustentável, caracterizando 
portanto uma construção criativa, participativa e coletiva. 
 
 
 
 
 
19 
4. Instrumento de Ações e Coleta de Dados: a formatação digital do diário foi 
finalizada e posteriormente procedeu-se à impressão de uma cópia para cada aluno 
participante em folhas de papel reciclado conforme Apêndice A. Adicionou-se um ímã 
de geladeira na contracapa para evitar o esquecimento dos registros das ações 
cumpridas. 
5. Coleta de Dados: os diários foram entregues aos estudantes que 
semanalmente ao longo de um mês, juntamente com sua família se empenharam em 
cumprir as ações da lista e marcar objetivamente no diário quais conseguiram 
executar. Ao longo do monitoramento, para reforçar a lembrança dos registros da 
atividade, o preenchimento de cada semana foi supervisionado durante as aulas de 
Ciênciascom um visto e mensagens instantâneas de motivação foram enviadas 
semanalmente ao grupo de familiares da turma. Ao final do período, na última página 
reservou-se espaço de escrita para relatos pessoais e voluntários dos alunos e 
familiares sobre as percepções da prática. 
6. Devolutiva final do diário de campo: os diários preenchidos foram recolhidos 
em aula e o encontro foi dedicado a reflexões e avaliação coletiva da prática. 
Organizados em pequenos grupos, compartilharam com os colegas suas vivências, 
dificuldades e percepções, analisando também a sua atuação e dos familiares na 
atividade. Os grupos reuniram alguns relatos em painéis criativos e para desfecho, 
fizeram uma exposição oral de suas reflexões à turma. Este encontro teve a gravação 
em áudio pela professora pesquisadora para análise posterior. 
7. Análise dos Dados do Instrumento: para avaliação do engajamento dos 
alunos e suas famílias, esta etapa contemplou a interpretação dos resultados dos 
registros no diário, bem como a apreciação do áudio gravado em aula, contendo 
relatos e reflexões. Dados quantitativos não foram processados em estatística e 
portanto procedeu-se considerando a orientação de Nóbrega Bernardino & Santos 
(2023) para que na ocorrência de dados não-numéricos como neste caso, uma análise 
qualitativa dos dados seja realizada. 
 
 
 
 
 
 
20 
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
Desde o primeiro contato com os alunos para a apresentação do projeto em 
sala de aula, percebeu-se boa receptividade e predisposição deles. Seguiu-se com a 
construção coletiva entre a professora, alunos e famílias, da listagem de ações 
sustentáveis adaptadas à realidade da comunidade, que resultou na configuração final 
da Tabela 1 com o seu respectivo monitoramento prévio e semanal de execução ao 
longo de um mês. 
 
Tabela 1 – Lista de ações sustentáveis definidas para o Diário Sustentável, com 
aplicação do diagnóstico prévio e monitoramento semanal das 24 famílias. 
Ações sustentáveis Marco zero Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 
Separar o lixo Orgânico do 
Reciclável e seguir o 
cronograma municipal de 
coleta; 
23 23 23 23 22 
Realizar a compostagem do 
lixo Orgânico em 
composteira para horta ou 
jardim; 
13 14 18 16 18 
Armazenar o óleo de 
cozinha em garrafas pet 
para posterior destinação 
correta; 
16 15 17 18 14 
Descartar corretamente 
eletrônicos; 
18 13 14 10 13 
Entregar resíduos da 
logística reversa em pontos 
de coleta: lâmpadas, pilhas 
e medicamentos; 
14 11 13 13 14 
Plantar mudas novas, 
cultivar jardim ou horta; 
21 19 19 21 18 
Gerenciar a quantidade de 
comida servida no prato 
evitando o desperdício de 
alimentos; 
19 20 19 19 21 
Reduzir o consumo 
semanal de carne 
(recomendações sugerem 
aprox. 500g por 
14 13 12 13 14 
 
 
 
 
 
21 
pessoa/semana. O apelo é 
reduzir, não eliminar); 
Tomar banhos curtos de no 
máximo 5 minutos; 
7 8 12 10 11 
Lavar roupas com a 
capacidade da máquina 
cheia; 
20 21 22 18 22 
Coletar água da chuva para 
utilizar em alguma 
atividade de limpeza, rega, 
etc; 
2 6 7 5 6 
Levar ecobags ou caixas de 
papelão nas compras ao 
invés de adquirir sacolas 
plásticas; 
5 6 6 7 7 
Recusar copos, canudos 
plásticos e outros afins, 
utilizando materiais 
retornáveis; 
8 13 10 11 14 
Reutilizar embalagens 
descartáveis para outra 
finalidade; 
19 16 19 17 16 
Desligar luzes e eletrônicos 
nos cômodos onde não há 
pessoas. Otimizar o ar 
condicionado fechando os 
ambientes e regulando a 
temperatura em torno de 
23oC; 
23 22 20 20 22 
Utilizar luz natural, abrindo 
a casa, ao invés de acender 
lâmpadas para atividades; 
22 21 24 20 20 
Substituir carros e outros 
veículos à combustão por 
percurso a pé ou bicicleta; 
4 6 6 8 5 
Utilizar folhas de papel 
reciclado; 
5 3 4 4 3 
Nos banheiros e lavatórios 
públicos que têm toalhas de 
papel, reduzir a quantidade 
necessária (recomendações 
sugerem duas folhas por 
pessoa); 
18 17 18 16 18 
 
 
 
 
22 
Realizar compras de 
produtos fabricados e 
comercializados no 
município ou localidades 
próximas 
(LOCAVORISMO); 
21 16 15 14 15 
Comprar roupas e calçados 
slow fashion (peças 
atemporais, que não são de 
moda passageira); 
15 7 10 8 8 
Comprar produtos 
ecologicamente conscientes 
como os veganos, cruelty 
free, biodegradáveis ou 
reciclados; 
9 8 9 10 6 
Adquirir produtos de 
segunda mão como 
eletrodomésticos, roupas de 
brechó, etc. 
8 2 6 5 5 
Fonte: participantes da pesquisa, 2024. 
 
 
 
 Engajamento dos alunos e famílias nas ações sustentáveis 
 
Quanto ao aspecto geral, considera-se o envolvimento dos estudantes e suas 
famílias no presente projeto bastante satisfatório. Foram muito participativos, atentos 
ao preenchimento, zelosos com o material e cordiais nas devolutivas. As famílias 
empreenderam-se em detalhar suas percepções através de relatos no espaço de 
escrita reservado ao final do diário. Neste sentido, este trabalho corrobora o estudo 
de Santiago et al. (2021), que defende a ideia de que é necessário o trabalho de escola 
em conjunto com a família/sociedade para que os hábitos sustentáveis sejam 
praticados em todos os ambientes. 
Sobre os dados gerais dos registros de realização das ações sustentáveis, 
percebe-se que algumas destas obtiveram maior destaque. A separação dos resíduos 
sólidos sobressaiu, sendo realizada por 95% dos participantes. Este valor indica que 
embora o aproveitamento reciclado dos resíduos sólidos coletados no município 
esteja na casa dos 20% do montante mensal coletado de 99.900Kg de acordo com a 
terceirizada contratada para 2025, os munícipes estão cumprindo o seu dever na 
coleta seletiva básica e que há outros aspectos aquém a serem revistos. 
 
 
 
 
 
23 
Possivelmente, este resultado é uma evidência de que se trata de uma ação já 
pertencente às tarefas diárias do cotidiano familiar. Mais de 80% do grupo também 
indicou certas práticas de forma quase constante desde o início do monitoramento até 
o final como no cuidado para evitar o desperdício de alimentos; no desligamento de 
luzes e aparelhos elétricos ociosos e na utilização de luminosidade natural para os 
ambientes. Ainda com valores satisfatórios, 70 e 80% dos participantes se mantiveram 
engajados em cultivar plantas, jardins ou hortas e lavar as roupas somente com a 
capacidade da máquina cheia. 
A observação de que tais ações já vêm sendo regularmente realizadas na rotina 
familiar é constatada através da narração de alguns alunos (A) e familiares (F) ao 
longo da convivência na atividade: 
A01: Várias dessas coisas a gente já fazia. 
A02: Me senti bem, mas também curiosa ao perceber que fazia várias ações 
sustentáveis sem perceber. 
F01: …vimos que já praticávamos bastante a sustentabilidade, já utilizávamos 
ecobags, também separávamos os resíduos para ir à horta. 
Outras ações propostas como realizar a compostagem do resíduo orgânico, 
armazenar o óleo de cozinha usado, reutilizar embalagens, praticar o locavorismo, 
reduzir o consumo de carne e usar menos toalhas de papel em banheiros e lavatórios 
públicos são menos realizadas, indicadas por apenas um pouco mais da metade dos 
participantes. 
O descarte correto de eletrônicos e logística reversa de lâmpadas, pilhas e 
medicamentos foi apontado por no mínimo 40% dos participantes em cada semana 
monitorada. Esses dados precisam de análise mais aprofundada e não recomenda-
se avaliação isolada por se tratar de bens de consumo duráveis ou esporádicos, ou 
seja, não é desejável que assinalem o descarte toda a semana. A porção registrada 
reflete cuidados com esse descarte, salientando-se que atualmente tais resíduos não 
caracterizam problema no município, pois este dispõe mensalmente de coleta 
específica para eletrônicos e pontos fixos em comércios que recebem ainda pilhas 
usadas. No que tange aos resíduos medicamentosos, estes podem ser entregues nos 
postos municipais de saúde e farmácias.Por outro lado, a entrega de lâmpadas 
usadas no ato da compra de novas ainda não ocorre de maneira eficiente nos 
comércios locais. Mesmo sendo prevista na legislação brasileira da política reversa, 
 
 
 
 
24 
não é uma prática estabelecida. Estes e alguns outros pontos de coleta ainda 
precisam ser facilitados para acompanhar a rotina agitada das pessoas, é o que fica 
declarado por um familiar: 
 F02: …os dias às vezes são tão corridos que nem sempre fazemos 
corretamente tudo, mas estamos cientes da importância de cada um em fazer sua 
parte para viver melhor. 
A ação que contempla o conceito de moda slow fashion, que valoriza a 
qualidade e a durabilidade das roupas em detrimento da quantidade, mostrou que 
ainda é popularmente pouco difundida, mas muito importante na sua intenção. A 
frequência de consumo depende também do poder aquisitivo da população, mas a 
preocupação pela versatilidade e durabilidade das peças slow fashion foi manifestada 
e se manteve por pelo menos 33% da amostra observada. 
Todas as demais ações propostas poderiam ser rotineiras, mas estão abaixo 
da expectativa pois são realizadas por menos da metade do grupo: tomar banhos 
curtos de no máximo 5 minutos, coletar água da chuva, levar ecobags às compras, 
substituir veículos a combustão por ciclismo ou caminhada em trajetos curtos, utilizar 
folhas de papel reciclado, adquirir produtos ecologicamente conscientes ou produtos 
de segunda mão como eletrodomésticos, roupas e calçados de brechós. Observa-se 
aqui um ponto crucial a ser explorado. 
 Quanto ao nível de análise crítico-reflexiva do panorama geral dos dados, a 
atividade mostra que ao longo de quatro semanas, a realização das ações 
sustentáveis mantém valores praticamente constantes. Esse padrão não vai ao 
encontro da expectativa inicial de crescimento progressivo do engajamento ao longo 
do período monitorado, mas permite traçar um perfil das famílias com relação aos 
seus comportamentos sustentáveis, refletindo hábitos já incorporados na rotina 
familiar e outros que demandam mais esforços. Pode-se então considerar como 
positivo o fato de que não há um aumento nas ações pois a sustentabilidade já é algo, 
de certa forma, incorporada neste meio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 Percepções sobre transformação de hábitos e o papel dos alunos como 
multiplicadores de ações sustentáveis 
 
Um aspecto que se mostrou bastante positivo no uso de um diário sustentável 
como ferramenta, é o de proporcionar o bem estar a quem participa das ações que 
promovem soluções ambientais. Cabe recordar que anteriormente a essa prática, os 
alunos vêm de uma pré-discussão carregada sobre a problemática da poluição 
antrópica e de toda a culpabilidade humana na crise climática em que vivemos. 
Os benefícios foram relatados diversas vezes por alunos e famílias: 
A08: Nos sentimos bem que ajudamos o meio ambiente e não prejudicando 
mais tanto. 
A11: Eu me senti ajudando o nosso planeta. 
F03: Foi muito legal a prática, sabendo que estamos fazendo algo muito 
importante para ajudar para que o nosso meio ambiente seja bem cuidado… sentimos 
alegria, por fazer o que é certo. 
F04: Ficamos muito felizes e honrados com a nossa participação nesse projeto, 
pois sabemos que estamos no caminho certo. 
F06: Gostamos muito… obrigada por compartilhar essa experiência. 
F10: Continue com o belo trabalho para que algum dia possamos nos orgulhar 
de ter feito parte da preservação do planeta que há anos vem “chorando” devido aos 
impactos negativos que o ser humano lhe causa. 
Silva e Dutra et al. (2018) analisam como a participação de universitários em 
espaços de práticas sustentáveis muda os hábitos cotidianos e o envolvimento em 
ocupações. Dos relatos deste estudo, os autores destacam a importância e benefícios 
do bem-estar do indivíduo, percebidos durante o seu envolvimento em hábitos mais 
sustentáveis. Eles entendem a perspectiva ocupacional como uma força propulsora 
de mudanças ambientais ao encontro de soluções para crises ecológicas em nível 
local e global. 
Uma vez tomados por sentimentos de euforia em fazer parte das soluções 
ambientais, os estudantes contagiam outras pessoas de seu convívio, como 
familiares, colegas, amigos, vizinhos, enfim, da comunidade local, influenciando-os a 
exercer o seu papel de corresponsável pela proteção dos recursos naturais. 
 
 
 
 
26 
Examinando como os estudantes interagiram com os seus familiares, pode-se 
considerá-los agentes multiplicadores de educação ambiental conforme também por 
Evangelista, Ruffino e Silva (2018). Tal inferência é baseada nas seguintes 
afirmações: 
A06: A gente se sentiu muito comovido a ajudar meio ambiente e influenciando 
as outras pessoas com esse projeto a também fazer parte… a nossa preocupação 
com o meio ambiente é muito grande já que algumas pessoas não se importam. 
A04: Eu achei este trabalho de grande importância pois conscientizou as 
pessoas a parar de poluir e começar a jogar menos lixo nas ruas. 
F05: Foi muito interessante participar deste projeto, pois influenciará outras 
pessoas a fazerem o mesmo. 
 
O Diário Sustentável como ferramenta de apoio à Educação Ambiental 
 
Com base na análise dos relatos dos participantes, o diário se mostrou uma 
ferramenta bem aceita e eficiente, substancialmente pelo fato da participação no 
projeto oportunizar a ampliação dos conhecimentos em sustentabilidade e 
incorporação ao cotidiano: 
F03: As crianças aprenderam um pouco mais sobre sustentabilidade e a 
importância da sua prática para uma melhora na recuperação do planeta. 
F09: Com esse trabalho conseguimos melhorar nossa desenvoltura em relação 
à sustentabilidade… percebemos que não é difícil fazer o básico. 
F4: O diário sustentável nos fez refletir a importância dos pequenos atos, que 
tem o poder de transformar o mundo. A percepção dos atos ruins nos faz transformá-
los em hábitos extraordinários para a criação de um mundo sustentável. 
F23: É uma experiência muito útil. Foi difícil se acostumar no início, mas 
conseguimos por em prática. Foi um grande aprendizado para nossa família e 
pretendemos continuar fazendo para construir um mundo melhor e mais sustentável 
com menos poluição. 
F06: Ao longo dessas semanas notamos que podemos sim mudar hábitos e 
pensamentos. 
F15: Com essa pesquisa aprendemos que temos que ter consciência para 
deixar um legado a nossa futura geração. 
 
 
 
 
 
27 
O artigo de Hennemamm e Gonzalez (2023) também verifica o impacto positivo 
que tem a atividade prática para a formação dos alunos. Ao fazerem uma 
compostagem na escola, percebeu-se que os educandos ficaram mais engajados e 
informados sobre a importância de práticas sustentáveis. 
Através da realização de uma atividade investigativa - um experimento sobre 
fotossíntese - Souza Filho e Sudério (2024), afirmam que levaram os seus alunos a 
considerarem mudanças em seus próprios hábitos para reduzir as emissões de CO2. 
 
Barreiras para a implementação de práticas sustentáveis 
 
A essência dos resultados mostrou que várias ações sustentáveis já 
encontram-se permeadas à rotina familiar e que práticas como a desta pesquisa têm 
importância no reforço positivo das mesmas. O incremento de ações ainda alheias ao 
costume ou que requerem maior esforço como a substituição de veículos por percurso 
a pé ou bicicleta, coletar água da chuva, aderir às ecobags, entre outras, poderia ser 
mais facilitado se tivessem mais campanhas e políticas ambientais de incentivo 
através de projetos dinâmicos de iniciativas públicas e privadas. Participantes relatam 
outros empecilhos na infraestrutura e materiais disponíveis no cotidiano das pessoas 
que limitam a execução de práticas sustentáveis: 
F03: …devia ter mais pontos de coleta. Devia ter mais segurança nas estradas 
para poder fazer percursos a pé ou de bicicleta. 
Em paralelo, a mudança cultural é um processo complexo e lentoque demanda 
tempo e repetição, especialmente porque exige uma luta contra o comodismo e 
hábitos degradantes de consumo. Roysen (2018) analisou as dificuldades de 
membros de uma ecovila durante o processo de mudança cultural e afirma que o maior 
desafio que essas pessoas encontram é o de vivenciar esses novos valores em sua 
vida cotidiana. Ele reafirma a necessidade da transformação de hábitos e 
automatismos criados pela repetição de práticas insustentáveis através da 
ressignificação de nossas percepções em adaptação ao ambiente, criando novas 
conexões. 
Arbitrariamente, a prática da sustentabilidade ainda é algumas vezes 
interpretada como um estilo distante da realidade, de difícil execução ou inviabilizada 
por falta de recursos financeiros da população em geral para aquisição de tecnologias 
 
 
 
 
28 
sustentáveis conceituadas como veículos elétricos, energia solar, alimentos 
orgânicos, etc. O projeto contribuiu na superação de alguns preconceitos conforme 
pode ser constatado pela fala: 
F05: …não mudávamos nenhum de nossos hábitos sustentáveis pois pensamos 
que seria muito trabalhoso e que não valeria a pena, porém pode ser um trabalho 
muito criativo e divertido para quem quiser mudar seus hábitos. 
Ademais, cabe ressaltar que as ponderações levantadas são baseadas em 
observações de curto período e que mereceriam ser investigadas em prazo e 
amostragem maior. Para Cristo & Günther (2015), os hábitos são comportamentos 
feitos repetidamente e ocorrem sem pensarmos tanto em tomadas de decisões o 
tempo todo, por isso, estes automatismos nos ajudam a lidar com as demandas do 
dia a dia, mas é difícil saber quantas repetições são necessárias para que o 
comportamento se torne, enfim, habitual, o que depende também da sua 
complexidade. Conquanto, os autores consideram que o hábito pode ser uma 
ferramenta para enfrentarmos os desafios relativos à promoção de comportamentos 
ambientais relevantes. 
Tem-se conhecimento de que resolver o problema é um desafio de grande 
escala que envolve mais do que a intensificação de ações sustentáveis na rotina 
familiar, mas não se pode deixar de agir por achar que faz pouco. Para Crutzen (2002), 
a tarefa assustadora está à frente dos cientistas e engenheiros para orientar a 
sociedade em direção à gestão do meio ambiente sustentável durante a era do 
Antropoceno. Isso exige comportamento humano apropriado em todas as escalas, e 
pode muito bem envolver internacionalmente programas de geoengenharia aceitos e 
em grande escala projetos, por exemplo, para otimizar o clima. Outrossim, a presente 
atividade permite inferir que para reverter o quadro atual conta-se com o somatório de 
pequenas ações sustentáveis locais, para atingir escala global. Percebe-se a difusão 
desta ideia nas reflexões: 
A04: …uma experiência importante e que todos devem fazer, mas nem sempre 
lembram. Se todos fizerem a sua parte, com certeza seremos um mundo melhor. 
F08: Se todos fizessem sua parte, teríamos um meio ambiente bem cuidado. A 
maioria das pessoas sabe o que fazer para preservar o meio ambiente, mas não 
pratica. 
 
 
 
 
 
29 
F17: …cada um fazendo sua parte teremos um meio ambiente melhor e com 
menos poluição. 
F21: …a gente faz o possível para colaborar e cuidar do meio ambiente. O que 
me entristece é quando passo nas ruas de Harmonia e vejo lixo na calçada, disposto 
antes do tempo da coleta. Se cada um fizesse sua parte certamente teríamos 
melhores resultados. 
 
Perspectivas futuras 
 
Espera-se que a prática do Diário Sustentável perpetue ações contínuas no 
tempo e possa servir de inspiração a outros projetos de diferentes segmentos da 
comunidade, com possíveis lançamentos de campanhas de educação ambiental, 
confecção de materiais publicitários sobre sustentabilidade, promoção de eventos de 
conscientização e visitas a outras instituições interessadas. Seria fascinante se o 
projeto resultasse em publicações populares de circulação local, enaltecendo a 
importância da educação em processos de transformação social. Alguns testemunhos 
fazem surgir essa expectativa naturalmente: 
A09: Sem dúvida, vamos praticar mais desses hábitos e nos esforçar, nos 
comprometendo com o nosso futuro no planeta. 
F14: …agradecemos pelo seu esforço e também por ter nos apresentado esses 
hábitos sustentáveis. Com certeza iremos continuar fazendo essas ações 
sustentáveis. 
Comparando o desfecho com outro projeto desenvolvido através de vivências 
pedagógicas em oficinas semanais chamado Multiplicadores Ambientais, do Centro 
de Educação Ambiental Ernest Salet (bastante ativo em escolas e comunidades 
regionais de Novo Hamburgo-RS), Buss e Melo (2020) destacam como aspecto 
positivo as devolutivas dos estudantes aos seus colegas após a realização das 
atividades do projeto, evidenciando como experiências pedagógicas significativas 
favorecem a continuidade de práticas ambientais. 
 
 
 
 
 
30 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Através da convivência durante a prática, foram constatadas evidências nas 
devolutivas dos estudantes e familiares de que ocorreram avanços no conhecimento 
e aprendizado sobre sustentabilidade, bem como a revisão de valores e atitudes pró-
ambientais no cotidiano familiar. O Diário Sustentável se mostrou uma metodologia 
alternativa aliada à Educação Ambiental, podendo ser replicada no cotidiano escolar 
por proporcionar vivências significativas, reforço positivo de ações sustentáveis e 
potencial na formação de multiplicadores de conhecimentos e ações na comunidade, 
em prol de cidadãos mais sustentáveis e responsáveis em seus hábitos. 
Para replicações futuras, sugere-se levar em consideração as ponderações 
em literatura sobre mudanças de hábitos requererem tempo e repetição. Os principais 
empecilhos são o comodismo, a automatização de hábitos degradantes de consumo 
já configurados e a insuficiência em infraestrutura e logística que viabilizam ações 
sustentáveis. Além da consciência ambiental, a transformação sobretudo demanda o 
desejo explícito e determinado de mudança. 
Em contrapartida, o estudo revelou que no perfil das famílias participantes 
certas ações sustentáveis já estão presentes em detrimento de outras. Assim, foi 
possível diagnosticar quais ações carecem de projetos e incentivos facilitadores 
dentro da rotina agitada das pessoas. A realidade provou que as ações exercidas com 
mais engajamento são aquelas que não fogem do cotidiano, enquanto que a 
resistência foi percebida toda vez que exigia mais esforço. A falta de infraestrutura foi 
apontada como fator limitante. A separação básica de resíduos sólidos é feita nas 
residências, mas ainda assim, não basta já que o volume de rejeitos nas centrais de 
triagem é descomunal. Ser reciclável claramente não significa ser reciclado. O 
presente estudo é um retrato do cotidiano de vida das famílias, mostrando que a 
Educação Ambiental para o consumo consciente e responsável é primordial, mas não 
soluciona o problema por si só. Presume-se pela necessidade de diligências na 
eficiência do processo de reciclagem, possivelmente através de legislações na fonte 
geradora de resíduos, conduzindo a indústria a rever suas embalagens. Fica o convite 
para uma reflexão crítica: se toneladas de rejeitos atualmente acumulam embalagens 
 
 
 
 
 
31 
não selecionadas nas esteiras de triagem devido ao baixo valor de matéria-prima 
agregado, por que continuam sendo permitidas a sua fabricação e utilização? 
Integrar a Educação Ambiental de forma multidisciplinar e em caráter 
permanente instiga o indivíduo a ser reflexivo, crítico e atuante sobre as questões 
socioambientais e é urgente uma vez que os recursos naturais do planeta estão a 
esgotar-se e as calamidades climáticas estão tornando-se o novo normal. Assim, 
vivências práticas em sustentabilidade são também aliadas para agregar significado 
ao processo de aprendizagem. O desenvolvimentode mais ferramentas e 
metodologias criativas nas práticas pedagógicas em combate às mudanças 
climáticas, certamente acelera a transição para a sustentabilidade, a fim de que 
assumamos de vez a responsabilidade coletiva pelo mundo que habitamos. 
 
 
 
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