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Texto 1 A obra que surge não se apresenta como novidade absoluta num espaço vazio, mas, por intermédio de avisos, sinais visíveis e invisíveis, traços familiares ou indicações implícitas, predispõe seu público para recebê-la de uma maneira bastante definida. Ela desperta a lembrança do já lido, enseja logo de início expectativas quanto a "meio e fim", conduz leitor a determinada postura emocional e, com tudo isso, antecipa um horizonte geral da compreensão vinculado, ao qual se pode, então e não antes disso colocar a questão acerca da subjetividade da interpretação e do gosto dos diversos leitores ou camadas de leitores (JAUSS, 1994, 28). Texto 2 "[...] Como contar que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei 0 livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra peito. Quanto tempo levei até chegar em casa também pouco importa. [...] Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não 0 tinha, só para depois ter susto de ter. [...] Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. [...] Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com 0 seu amante" (LISPECTOR, 2002). Considerando primeiro texto, de Jauss, que diz respeito à obra de arte como produto de leituras e de efeitos comunicativos, estimulado pela sensibilidade e experiência do leitor, e segundo texto, de Clarice Lispector, que aborda a paixão pelos livros descrita por uma personagem do Conto Felicidade Clandestina, avalie asserções a seguir e a relação proposta entre elas: As grandes obras são as que provocam nos leitores, de diferentes momentos históricos, a formulação de novas indagações que os levem a se emanciparem com relação ao sistema de normas estéticas e sociais vigentes. L Pesquisar