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Básico para Concursos Redação Oficial e Discursiva Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610/1998. É proibida a reprodução parcial ou total, por qualquer meio, sem autorização prévia expressa por escrito da editora Nova Concursos. Esta obra é vendida sem a garantia de atualização futura. No caso de atualizações voluntárias e erratas, serão disponibilizadas no site www.novaconcursos.com.br. Para acessar, clique em “Erratas e Retificações”, no rodapé da página, e siga as orientações. Dúvidas www.novaconcursos.com.br/contato sac@novaconcursos.com.br Obra Básico para Concursos Autores REDAÇÃO OFICIAL E DISCURSIVA • Nelson Sartori Edição: Janeiro/2025 ISBN: 978-65-5451-441-5 SUMÁRIO REDAÇÃO OFICIAL E DISCURSIVA ...............................................................................5 REDAÇÃO OFICIAL .............................................................................................................................. 5 CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (CONFORME MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA) ........................................................................................................................................................5 ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL, FINALIDADE DOS EXPEDIENTES OFICIAIS, ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM AO TIPO DE DOCUMENTO E ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO AO GÊNERO ............................................................................................................................................7 REDAÇÃO DISCURSIVA ..................................................................................................................... 48 R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 5 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. REDAÇÃO OFICIAL E DISCURSIVA REDAÇÃO OFICIAL CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (CONFORME MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA) Sabe-se da importância de se trabalhar o conteúdo de Redação Oficial, já que o tema está presente em muitos dos editais de concursos federais. A fonte de pesquisa básica é a 3ª edição de 29 de dezembro de 2018 revista, atualizada e ampliada do Manual de Redação Oficial da Presidência da República (MRPR). Retrospectiva Histórica Em 11 de janeiro de 1991, o Presidente da República autorizou a criação de uma comissão, presidida pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes, para rever, atua- lizar, uniformizar e simplificar as normas de redação de atos e comunicações oficiais. Depois de 9 meses, foi apresentada a primeira edição do Manual de Redação Oficial da Presidência da República. Esse Manual foi dividido em duas partes: a primeira, elaborada pelo diplomata Nestor Fors- ter Jr., tratava das comunicações oficiais, sistematizava seus aspectos essenciais, padronizava a diagramação dos expedientes, exibia modelos, simplificava os fechos que vinham sendo utiliza- dos desde 1937, suprimia arcaísmos e apresentava uma súmula gramatical aplicada à redação oficial; a segunda parte, a cargo do Ministro Gilmar Mendes, ocupava-se da elaboração e redação dos atos normativos no âmbito do Executivo, da conceituação e exemplificação desses atos e do procedimento legislativo. Depois de 10 anos do lançamento da 1ª edição, foi necessário fazer uma adequação das formas de comunicação usadas na administração aos avanços da informática. Outras alterações decor- reram da necessidade de adaptação do texto à evolução legislativa na matéria e às alterações constitucionais ocorridas no período. Segundo o apresentador dessa nova edição, Pedro Parente, Chefe da Casa Civil da Pre- sidência da República do Governo de Fernando Henrique Cardoso, esperava-se que essa nova edição do Manual contribuísse, tal qual a primeira, para a consolidação de uma cultu- ra administrativa de profissionalização dos servidores públicos e de respeito aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, com a consequente melhoria dos serviços prestados à sociedade. Nesta 3ª edição, você perceberá muitas mudanças significativas tanto na formatação dos documentos oficiais, quanto na formulação dos aspectos da linguagem e das normas estruturais E o que é Redação Oficial na concepção dos organizadores desse trabalho? Veja a resposta que foi dada por eles a essa pergunta: 6 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige comu- nicações oficiais e atos normativos. [...] interessa-nos tratá-la do ponto de vista da administração pública federal.1 Agora, para nós que lidamos com o conteúdo para concursos públicos, quais são as principais características normativas cobradas nas provas destes? Perceba que os três motivos principais da preocupação da elaboração do Manual e de suas revisões são a modernização, a atualização e a eficiência. A passagem do tempo por si só já pediria essas revisões, haja vista a consequente evolução da linguagem e da sociedade por que passamos. É justamente esse o ponto que originou a participação desse assunto nos concursos públicos. Afinal, para quem vai trabalhar no setor público é realmente importante saber comunicar-se com habilidade e usar os meios adequados para isso se o que se propõe é um serviço eficiente para a sociedade. Por isso, ao estudar redação oficial, lembre-se de que você deve saber as características da linguagem da redação oficial, a formatação e a estrutura das redações, especialmente a do padrão ofício, quem envia determinadas correspondências, quem as recebe e qual é a finali- dade de cada uma delas. Nosso objetivo é tornar esse assunto num ponto bem simples e objetivo a ser estudado. z Notas do Prefácio de Gilmar Mendes2 Prefácio É com grande entusiasmo que recebo a incumbência de prefaciar a terceira edição do Manual de Reda- ção da Presidência da República, vinte e sete anos após presidir a Comissão encarregada da primeira edição desta obra. [...] A primeira revisão ocorreu em 2002, motivada pelas alterações tecnológicas e legislativas da época. [...] A partir de 2003, foram publicadas sessenta emendas constitucionais, sobre os mais diversos assuntos. [...] Nessa conjuntura, a partir de modificações fáticas e legislativas, bem como de maior fisca- lização estatal, instaurou-se um novo método de se fazer administração pública no Brasil. Pretende-se, pois, que a terceira edição do Manual de Redação da Presidência República possa refletir as evoluções ocorridas nas últimas duas décadas, repetindo o legado de êxito deixado pelas edições anteriores na construção de uma cultura administrativa profissional e obediente às normas da Constituição da República. Gilmar Ferreira Mendes Antes de adentrarmos ao estudo do Manual em si, apresentamos algumas definições as quais é importante ter em mente: 1 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Manual de Redação da Presidência da República. 3. ed., rev., atual. e ampl. Brasília: Presidência da República, 2018, p. 16. 2 BRASIL, 2018, p. 12. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 7 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Lei: sua função, em uma sociedade, é controlar os comportamentos e ações dos indivíduos de acordo com os princípios daquela sociedade. No âmbito do Direito, a lei é uma regra tornada obri- gatória pela força coercitiva do poder legislativo ou de autoridade legítima, que constitui os direi- tos e deveres numa comunidade; z Decreto: uma ordem emanada de uma autoridade superior ou órgão (civil, militar, leigo ou eclesiástico) que determina o cumprimento de uma resolução; z Estatuto: um regulamento, que determina ou estabelece a norma. Lei orgânica ou regulamen- to especial de um Estado, associação, confraria, companhia, irmandade ou qualquer corpo coletivo em geral; z Portaria: documento de ato administrativo de qualquer autoridade pública, que contém instruções acerca da aplicaçãoDECLARAÇÃO; � Texto: nome do declarante — identificação pessoal ou profissional (ou ambas), residên- cia, domicílio, finalidade e exposição de assunto; � Local e data; � Assinatura (e identificação do signatário). R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 41 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. DECLARAÇÃO Declaro, para os devidos fins, que Mulher Maravilha, brasileira, solteira, amazonense, natural do mu- nicípio de Itacoatiara, nascida em 28 de fevereiro de 1986, filha de Batman e de Super Girl, trabalhou na Liga da Justiça no período de 1999 a 2006, exercendo com correção, responsabilidade e competência a função de heroína para a qual está devidamente qualificada, conforme currículo anexo. Manaus, 20 de abril de 2007 ClarkKent _____________________ Super Homem Requerimento É o instrumento utilizado para os mais diferentes tipos de solicitações às autoridades ou órgãos públicos. Compõe-se de: z nome e qualificação do requerente; z exposição e solicitação; z pedido de deferimento; z local e data; z assinatura. Fechos possíveis de requerimento: z “Nesses termos, pede deferimento”; z “Nesses termos, espera deferimento”; z “Pede deferimento”. A seguir, apresentamos um modelo, que pode ser adaptado para os diferentes casos. 42 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, 9 - 40/1 A Com FOCO Virtual, representada pelo Sr. João Paulo Silva, Gerente Comercial, vem, mui respeitosa- mente, requerer a Vossa Excelência que se digne declará-la de utilidade pública federal, na conformidade da Lei nº 91, de 28 de agosto de 1935 e Decreto nº 50.517, de 02 de maio de 1961, para o que, anexa ao presente, os documentos exigidos pela lei. Termos em que pede deferimento. Brasília, 25 de setembro de 2006. João Paulo Silva Gerente Comercial Importante! Necessariamente não é obrigatória a assinatura do presidente nos requerimentos apre- sentados como modelo, podendo fazê-lo os seus prepostos, desde que devidamente credenciados. Relatório É a modalidade de comunicação pela qual se faz a narração ou descrição, ordenada e mais ou menos minuciosa, daquilo que se viu, ouviu ou observou. Compõe-se de z Título: relatório, seguido do objeto do trabalho (letras maiúsculas); z Vocativo: a pessoa à qual se dirige o relatório (letras minúsculas); z Introdução: apresentação do observador e do fato observado; z Texto: exposição cronológica do fato observado; z Fecho; z Local e data; z Assinatura (e identificação do signatário). R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 43 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. RELATÓRIO DO CURSO DE INTELIGÊNCIA POLICIAL NO COMBATE AO NARCOTRÁFICO Senhor Superintendente Regional do Departamento de Polícia Federal do Dis- trito Federal – SR/DPF/DF, No período de 6 a 10 de novembro de 2006 foi realizado o Curso de Inteligência Policial no Com- bate ao Narcotráfico para policiais do MERCOSUL e países Associados, oferecido pela Academia Nacio- nal de Polícia (ANP), sob supervisão do Centro de Coordenação de Capacitação Policial do MERCOSUL (CCCP). O evento ocorreu na Academia Nacional de Polícia em Brasília/Brasil, e contou com a participa- ção de 22 alunos do MERCOSUL, sendo: (6) da Argentina; (1) do Chile; (1) do Uruguai; (2) da Venezuela e (12) do Brasil. Na cerimônia de abertura estiveram presentes autoridades da Polícia Federal, como: o diretor de Inteligência Policial, DPF RENATO HALFEN DA PORCIÚNCULA; o diretor da Academia Nacional de Polícia, DPF VALDINHO JACINTO CAETANO; o coordenador de Polícia Criminal Internacional, DPF ALBERTO LAS- SERRE KRATZ FILHO; além desta signatária. Também estiveram presentes: o diretor do Centro de Coordenação de Capacitação Policial do Mercosul, Coronel Hugo Greca, da Argentina; o Sr. Hector Daniel Pujol, da Polícia Federal Argentina; Carlos Gabriel Heredia, da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina; o representante da Venezuela, Nino Gonzalez Suarez, do Ministério do Interior. E ainda, o Sr. Maikel Trento, da Assessoria Internacional do Ministério da Justiça do Brasil. Discursaram na cerimônia a oficial de ligação do Brasil junto ao CCCP DPF Mirânjela M. B. Leite, que destacou as atividades a serem instituídas pelo centro; também o Diretor do Centro, Cel. Hugo Greca; o diretor da ANP; e o diretor de Inteligência Policial. Todos destacaram a importância da integração entre as forças de segurança pública do MERCOSUL e países associados, como fundamental para buscar a eficácia no combate à criminalidade em todos os países. Logo após a cerimônia de abertura do curso, o diretor da Diretoria de Combate ao Crime Organi- zado, Delegado de Polícia Federal, Getúlio Bezerra dos Santos, proferiu palestra, de uma hora, abordando o tema: Crime Organizado no Mercosul. Na cerimônia de encerramento estiveram presentes, o diretor da Academia Nacional de Polícia, DPF Valdinho Jacinto Caetano; o representante da Argentina Omar Aníbal Tabares; o oficial de ligação do Chile Armando Muñoz Moreno; o representante da Venezuela, Nino Gonzalez Suarez; além desta signatá- ria. Nos discursos de encerramento, foi destacada a importância de se fortalecer o Centro de Coor- denação e Capacitação Policial do MERCOSUL, para que se realizem os eventos de capacitação conti- nuada das forças de segurança e/ou policiais, enviando participantes, o que criará uma rede integrada de pessoas, o que certamente reforçará o efetivo para o combate ao crime organizado nos nossos países. Ao final foram entregues certificados a todos os participantes. Brasília, 3 de janeiro de 2007. Mariângela Margarida da Nata Leite Mariângela Margarida da Nata Leite Delegada da 89ª Delegacia de Chapecó - AC Parecer É a forma de comunicação pela qual um especialista emite uma opinião fundamentada sobre determinado assunto. É composto por: z vocativo; z identificação do especialista; z introdução — apresentação do assunto; z texto — exposição de opinião e seu fundamento; 44 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z local e data; z assinatura (e identificação do signatário). Ref. Ação 001/1.01.0000000-0 Senhor Juiz, Nomeado Perito na ação número 001/1.01.0000000-0, em que são partes Engênio Da Silva Civil, como Autor, e Réunaldo Culpaldo, como Réu, venho trazer aos autos o Laudo Pericial produzido. Introdução A Perícia buscou identificar as características físicas e o valor de locação para o imóvel em ques- tão, situado a Rua Xavante Xexeu, 999, no bairro Xaxambu, na cidade de Caxumba Paulista. Vistoria A vistoria ao imóvel objeto desta ação foi realizada no dia 31 de março, às 9h, na presença do Réu e dos procuradores das partes, Dr. Causídico Leal e Dr. Jurisprudêncio Legal. Na ocasião, foram examinadas as construções, avaliando-se o estado de conservação, e foram tomadas medidas para identificar as áreas construídas com registro fotográfico e croqui do imóvel. O terreno tem dimensões de 12m x 32m e área de 384m2. Verificou-se que existem duas constru- ções (identificadas nesse Laudo como Casa A e Casa B). Pode-se dizer que são duas construções, pois são indepen- dentes, embora compartilhem parte de área coberta (área de serviço). A construção principal (Casa A) tem 106,40 m2 no total, sendo 63,00m2 referentes ao projeto original (fls. 28 dos autos em apenso — referentes à ação número 1000000000-1), com acréscimos posteriores. A outra construção (Casa B) tem 31,20m2. A área total construída é de 137,60m2, aproximando-se da área apontada pela Prefeitura Municipal a fls. 25 dos mesmos autos em apenso. Concluindo esse laudo pericial, ressalto as principais questões abordadas: (a) no terreno da ma- trícula MA 8875H (Anexo I) existe uma área construída de 137,60m2 composta por duas casas, uma em madeira e outra em alvenaria (Fotografias 1 e 2, Tabela 1); e (b) o valor de locativo mensal adequado para essas construções é de R$ 400,00 (quatrocentosreais). Para apreciação de V. Exa., Respeitosamente, Cidade, 7 de abril de 2008. Eugênio da Silva Civil Profissional Engenheiro Civil DECRETO Nº 9.758, DE 11 DE ABRIL DE 2019 Para iniciarmos este assunto, é muito importante mencionar que o Decreto 9.758, de 11 de abril de 2019, não alterou o Manual de Redação da Presidência da República. O Decreto dispõe sobre a forma de tratamento empregada na comunicação, oral ou escrita, com agentes públicos da adminis- tração pública federal direta e indireta, e sobre a forma de endereçamento de comunicações escritas a eles dirigidas. Isso significa que serão novas regras aplicadas às redações oficiais realizadas a partir dessa data apenas entre os agentes do Poder Executivo Federal. Comunicações destinadas aos outros poderes permanecem segundo o Manual estudado. Logo, o mencionado Decreto só implicará alteração em provas de concurso caso o edital traga orientações que orientem sobre as mudanças pertinentes a esse decreto, indicando clara- mente que serão cobradas as legislações correlatas ou especificando o Decreto nº 9.758, de 11 de abril de 2019. Do contrário, valem unicamente as determinações que estão no Manual. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 45 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Tendo esclarecido isso, vamos à mudança em si. Observa-se que as alterações se aplicam claramente às formas de emprego dos pronomes de tratamento. Dispõe sobre a forma de tratamento e de endereçamento nas comunicações com agentes públi- cos da administração pública federal. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, DECRETA: Objeto e âmbito de aplicação Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a forma de tratamento empregada na comunicação, oral ou escrita, com agentes públicos da administração pública federal direta e indireta (nota: os agentes do Poder Executivo Federal), e sobre a forma de endereçamento de comunicações escritas a eles dirigidas. § 1º O disposto neste Decreto aplica-se às cerimônias das quais o agente público federal participe. § 2º Aplica-se o disposto neste Decreto: I - aos servidores públicos ocupantes de cargo efetivo; II - aos militares das Forças Armadas ou das forças auxiliares; III - aos empregados públicos; IV - ao pessoal temporário; V - aos empregados, aos conselheiros, aos diretores e aos presidentes de empresas públicas e sociedades de economia mista; VI - aos empregados terceirizados que exercem atividades diretamente para os entes da admi- nistração pública federal; VII - aos ocupantes de cargos em comissão e de funções de confiança; VIII - às autoridades públicas de qualquer nível hierárquico, incluídos os Ministros de Estado; e IX - ao Vice-Presidente e ao Presidente da República. § 3º Este Decreto não se aplica: I - às comunicações entre agentes públicos federais e autoridades estrangeiras ou de organis- mos internacionais; e II - às comunicações entre agentes públicos da administração pública federal e agentes públi- cos do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, do Ministério Público ou de outros entes federativos, na hipótese de exigência de tratamento especial pela outra parte, com base em norma aplicável ao órgão, à entidade ou aos ocupan- tes dos cargos. Pronome de Tratamento Adequado Art. 2º O único pronome de tratamento utilizado na comunicação com agentes públicos federais é “senhor”, independentemente do nível hierárquico, da natureza do cargo ou da função ou da ocasião. Parágrafo único. O pronome de tratamento é flexionado para o feminino e para o plural. 46 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Formas de Tratamento Vedadas Art. 3º É vedado na comunicação com agentes públicos federais o uso das formas de trata- mento, ainda que abreviadas: I - Vossa Excelência ou Excelentíssimo; II - Vossa Senhoria; III - Vossa Magnificência; IV - doutor; V - ilustre ou ilustríssimo; VI - digno ou digníssimo; e VII - respeitável. § 1º O agente público federal que exigir o uso dos pronomes de tratamento de que trata o caput, mediante invocação de normas especiais referentes ao cargo ou carreira, deve- rá tratar o interlocutor do mesmo modo. § 2º É vedado negar a realização de ato administrativo ou admoestar o interlocutor nos autos do expediente caso haja erro na forma de tratamento empregada. Endereçamento de Comunicações Art. 4º O endereçamento das comunicações dirigidas a agentes públicos federais não conterá pronome de tratamento ou o nome do agente público. Parágrafo único. Poderão constar o pronome de tratamento, na forma deste Decreto, e o nome do destinatário nas hipóteses de: I - a mera indicação do cargo ou da função e do setor da administração ser insuficiente para a identificação do destinatário; ou II - a correspondência ser dirigida à pessoa de agente público específico. Vigência Art. 5º Este Decreto entra em vigor em 1º de maio de 2019. Brasília, 11 de abril de 2019; 198º da Independência e 131º da República. JAIR MESSIAS BOLSONARO RESUMO Para finalizarmos nossos estudos sobre redação oficial, apresentamos um resumo dos pontos vistos até aqui. Acompanhe: Características da Linguagem: z Formalidade: linguagem polida; z Clareza: fácil compreensão; z Precisão: informações necessárias e específicas; z Concisão: poucas palavras, sem rodeio; z Objetividade: direto ao ponto; z Impessoalidade: sem impressões pessoais; z Uniformidade: forma única; z Coesão: texto articulado; z Coerência: texto lógico; R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 47 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Padrão culto da linguagem: comum a todos, com correção. Emprego dos Pronomes de Tratamento falar com a pessoa (no corpo do texto) Vossa (=Você) = falar sobre a pessoa (no campo do destinatário) Sua (=Ele/Ela) = concordância em 3ª pessoa e com o gênero da pessoa z Referências e vocativos � Excelência: altas autoridades do governo (dica: aqueles em quem votamos — exceção: vereador), membros do júri. Vocativo: Senhor + cargo, / Excelentíssimo Senhor + cargo, (aos Chefes de Poder); � Senhoria: pessoas públicas e particulares. Vocativo: Senhor + nome da pessoa; � Magnificência: reitores de universidade. Vocativo: Magnífico Reitor, � Não se usa mais: Digníssimo (DD.), Ilustríssimo (Il.mo ou Ilmo.) Fechos para Comunicações z Respeitosamente: para autoridades superiores; z Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior; z Termos em que pede deferimento: requerimento. Obs.: com exceção das comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras. Modelos de Correspondências Oficiais z Exposição de motivos: de ministros para o Presidente ou para o Vice; z Mensagem: entre Chefes de Poder. (cabeçalho) ID (nome, nº, ano, sigla) Local e data Destinatário Assunto Vocativo Corpo do texto Fecho Identificação do signatário (rodapé) 48 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. REFERÊNCIAS AFINAL de contas, o que é uma certidão? 1º Ofício de Registro de Imóveis, [s.d.]. Disponí- vel em: http://www.1rgirecife.com.br/2021/08/12/afinal-de-contas-o-que-e-uma-certidao/. Acesso em: 31 mar. 2022. BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. Dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539. htm. Acesso em: 31 mar. 2022. ______. Decreto nº 9.758, de 11 de abril de 2019. Dispõe sobre a forma de tratamento e de endereçamento nas comunicações com agentes públicos da administração pública federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/ D9758.htm. Acesso em: 31 mar. 2022. ______. Casa Civil.Manual de Redação da Presidência da República. 3. ed., rev., atual. e ampl. Brasília: Presidência da República, 2018. CONCEITOS. Legislação - UFSC, [s.d.]. Disponível em: https://legislacao.ufsc.br/conceitos/. Acesso em: 31 mar. 2022. GOVERNO DO PARÁ. Manual do processo administrativo eletrônico - PAE da Secreta- ria de Estado de Administração – SEAD / PA. Belém: Secretaria de Estado de Administra- ção, 2019. SANTOS, I. G. dos. Manual de Redação de Documentos. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2005. TERMO. Dicionário Jurídico. DireitoNet, 2009. Disponível em: https://www.direitonet.com. br/dicionario/exibir/785/Termo. Acesso em: 31 mar. 2022. REDAÇÃO DISCURSIVA Neste material, vamos trabalhar a redação discursiva. Você estudará algumas característi- cas inovadoras no conceito de produção de textos para quem quer atingir um melhor resul- tado em provas que exijam do candidato a habilidade de produzir um texto. Aqui, serão apresentados os aspectos gerais da redação discursiva em sua estrutura textual, bem como todos os passos para a sua produção com eficiência. Porém, antes de iniciarmos, é importante dar atenção às dúvidas que geralmente são apresentadas pelos alunos para que se possa dar solução aos principais problemas que eles relatam. DÚVIDAS FREQUENTES QUANTO À REDAÇÃO PARA CONCURSOS PÚBLICOS Por que é tão difícil produzir um texto eficiente? Sempre se ouvem os temores de alunos quanto às provas que cobram dos candidatos habilida- des na produção de questões discursivas. Alguns dizem se sentirem tão despreparados que termi- nam por desistir dos concursos que trazem a redação como critério de classificação. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 49 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Tem de se reconhecer que o hábito de escrever não está na prática do cotidiano da maioria das pessoas e que, hoje em dia, quando se dispõem a fazê-lo, exercitam essa habilidade nor- malmente em ambientes virtuais, como sites de comunicação e elaboração de e-mails. Nesses expedientes, ocorre o que chamam de “pacto da mediocridade” (sem intenção ofensiva), que caracteriza a postura displicente de como se escreve e a aceitação mútua de erros e desvios da norma culta escrita: “ele escreve errado, mas eu aceito para não ser cobrado por ele da mesma forma quando errar”. Usam-se imagens, símbolos gráficos, abreviações que mais se assemelham a códigos criptografados do que à própria língua portuguesa. O maior problema é que isso gera um reforço negativo: treina-se uma escrita que não promove a prática ideal da comunicação verbal normatizada. O resultado é que, quando ocorre a exigência da produção escrita, a prática que se tem não promove a eficiência nessa categoria de comunicação. Como, em pouco tempo, desenvolver a habilidade da escrita em quem tem dificuldade de passar para o papel o que tem na sua cabeça? Inicialmente, em um procedimento tradicional de produção de textos, começa-se pela apresentação de exemplos de textos bem escritos, mostra-se sua estrutura, apresentam-se as partes que o compõem. Depois disso, inicia-se a identificação dessas partes e de como elaborá-las separadamente: como se constrói um parágrafo; quais são as fases de sua elaboração; quais são os diferentes tipos de parágrafos. Também é mostrado como podem ser os parágrafos que introduzem, desenvolvem e concluem um texto dissertativo. E só depois de exercitar esses primeiros procedimentos é que se passa à produção de um trabalho completo, buscando a eficiência do todo por intermédio do agrupa- mento de cada uma das partes estudadas até a formação de um bloco contínuo e completo. O truncamento desse trabalho ocorrerá certamente se o aprendiz não se dispuser a prati- car esses conceitos. É aí que começa a frustração dos potenciais autores, pois muitas vezes só vão tentar praticar a escritura da sua redação após terem terminado o estudo do livro didá- tico e sentem muita dificuldade no momento do agrupamento, isto é, de fazer virar o todo aquilo que aprendeu a fazer por partes. Se o resultado não for satisfatório, eles simplesmente assumirão a dificuldade como uma inabilidade pessoal. Como proposta de solução para essa dificuldade, vamos partir de um princípio inverso em que se começa da materialização do texto eficiente, satisfazendo os anseios dos nossos alunos: começamos pelo todo para depois estudarmos as partes. Esse trabalho consiste na elaboração de máscaras de redação, o que proporciona um pon- to de partida concreto na produção de redações eficientes a partir de modelos prontos e que poderão ser reproduzidos e adaptados para qualquer tema proposto pela banca organizado- ra do concurso, respeitando ainda o caráter da originalidade e da criatividade de cada autor. As máscaras de redação garantem a eficácia sobre os principais quesitos exigidos pelas bancas organizadoras dos critérios de correção dos textos, tais como progressão textual e sequencialização, coesão e, consequentemente, coerência, além de atender naturalmente à estrutura própria dos textos dissertativos. Outro ponto importante é o de permitir ao candidato uma projeção bem aproximada da extensão do seu texto em número de linhas. Essa proposta também tem a finalidade de desenvolver uma maior agilidade na projeção e na construção da redação, otimizando o tempo de sua elaboração durante a prova. 50 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Qual o peso ou a importância da redação em um concurso público? O peso da redação é muito grande, por isso, ela faz a diferença na aprovação. Nos concur- sos atuais, a redação tornou-se o passaporte para o ingresso em grande parte das carreiras públicas, pois de nada vale um resultado positivo na prova objetiva se não obtiver sucesso em sua redação. Os candidatos costumam dedicar seu tempo de estudos à prova objetiva e deixar a redação por último. Na maioria das vezes, passam naquela e reprovam nesta. Não dá para subestimar a redação, é preciso exercitar sempre. O que conta mais para um bom resultado: ter bons conhecimentos sobre o assunto apresentado na proposta ou ter bons conhecimentos em língua portuguesa? Em verdade, os dois aspectos são equivalentes em importância. No que diz respeito aos conhecimentos de língua portuguesa, estamos referindo-nos à estrutura e à linguagem do texto dissertativo. Subentende-se que quem domina esses dois aspectos não tenha dificuldades com a ortografia e outros aspectos gramaticais que, em prova, inclusive, pouco peso têm. Qual é a diferença entre tema e título? z Tema é o assunto proposto pela instituição. Tem caráter geral e abrangente e propõe questões que devem ser abordadas obrigatoriamente com objetividade pelo candidato. Essa objetividade é um fator determinante para que sua composição fique delimitada àquilo que é possível desenvolver em sua redação. E o que é a delimitação do tema? É simples. É a elaboração de sua tese que, por sua vez, é seu posicionamento sobre esse tema. Na maioria das vezes, o número de linhas que é pro- posto para se desenvolver o tema é limitado. Geralmente, não passa de 30 linhas, por isso, é preciso ser claro e direto no desenvolvimento da argumentação; z Título é o nome que você dá à sua redação. Ele tem a função de apresentar e chamar a atenção sobre o assunto desenvolvido. Porém, é importante lembrar que são poucas as instituições que solicitam que o candidato dê um título ao texto. Se ele não for pedido, não é para colocá-lo. Se tiver de pôr título, qual palavra dele deve-se pôr em maiúscula? Há duas possibilidades: z A primeira forma convencionada diz que só a primeira palavra do título deve ser iniciada por letra maiúscula, como em: É bom fazer redação com o Nélson! z A segunda forma permite que você coloque todas as palavras com iniciais maiúsculas, com exceção dos vocábulos monossilábicos e átonos (sem sentido próprio), como preposi- ções e artigos: É Bom Fazer Redação com o Nélson! R ED A Ç Ã O O FI C IA LE D IS C U R SI VA 51 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Importante! Nomes próprios são sempre com iniciais maiúsculas. Use pontuação significativa se for necessário, como interrogação e exclamação. O ponto final é dispensável. É preciso usar letra cursiva ou pode ser de forma? A letra cursiva (letra de mão) só será necessária se for uma exigência do edital. De uma maneira geral, o que se pede é a legibilidade. É importante sempre se lembrar de respeitar as regras de caixa alta e caixa baixa, ou seja, maiúscula e minúscula devem ser diferenciadas: Caixa alta , caixa baixa . O que é texto em prosa? Texto em prosa é aquele que naturalmente usamos para escrever um bilhete, uma carta, nos comunicarmos em e-mail etc. Ele se constrói em estrutura linear (linha cheia) por meio de parágrafos. É a forma comum de escrever. É contrária ao verso, que exige uma elaboração estrutural e demonstra preocupação com rimas e arranjos vocabulares alheios à sintaxe. Veja um exemplo de texto em verso: A rosa de Hiroxima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroxima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. 9 9 Disponível em: https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/rosa-de-hiroxima. Acesso: 21 jun. 2022. 52 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Agora um exemplo de texto em prosa: Hiroshima ou Hiroxima (広島市 ‘Hiroshima-shi’) é a capital da prefeitura de Hiroshima, no Japão. É cortada pelo rio Ota (Ota-gawa), cujos seis canais dividem a cidade em ilhas. Cresceu em torno de um castelo feudal do século XVI. Recebeu o estatuto de cidade em 1589. Serviu de quartel-general durante a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894–95). Em 6 de agosto de 1945, foi a primeira cidade do mundo arrasada pela bomba atômica de fissão denominada Little Boy, lançada pelo governo dos Estados Unidos, resultando em 250 000 mor- tos e feridos.10 É importante notar que redação para concurso é em prosa. O que eu faço se errar uma palavra quando estiver passando a limpo minha redação? Erro é erro, não dá para voltar no tempo. Porém, muitas instituições orientam os candidatos a passar um traço simples sobre a palavra e continuar escrevendo como se nada houvesse aconte- cido. Geralmente, nesses casos, o erro não é considerado. Sendo assim, não perca tempo sofrendo e faça como no exemplo a seguir: Vamos começar nossa redassão redação agora. Entendeu? TIPOLOGIA TEXTUAL Em geral, os textos são classificados em três modalidades distintas quanto à tipologia textual. Dessa forma, o texto pode ser descritivo, narrativo ou dissertativo. É comum que um texto se apresente com tipos mistos de modalidades, mas a intencionalidade estrutural do texto deve ser preservada para garantir uma tipologia predominante, isto é, o que importa é qual a intenção do autor que predomina no todo do texto. Podemos, então, pensar o seguinte: Se na leitura do texto predomina a imagem de alguém ou de algo, assim como acontece quando olhamos uma foto, é porque o texto é descritivo. Se predomina a revelação de um fato, o autor conta uma história, como uma fofoca, por exemplo, é porque esse texto é narrativo. Se, na leitura, predomina o desenvolvimento de uma ideia, principalmente se autor quiser convencer-nos de algo, como uma propaganda, o texto é dissertativo. Para simplificar Descrição imagem Narração fato Dissertação ideia Vamos aprofundar o reconhecimento de cada tipo. Para isso, vamos ver quais são as carac- terísticas de cada modalidade para que você saiba diferenciá-los. Descrição 10 Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hiroshima. Acesso em: 21 jun. 2022. Adaptado. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 53 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Podemos ilustrar essa modalidade como uma espécie de fotografia textual, em que o observador absorve as informações por intermédio dos sentidos. Esse desenho feito com as palavras representa o que o observador vê paralisado no tempo, por isso, nada muda no desenvolvimento do texto. Dessa forma, não ocorre na representação do cenário (ou objeto) progressão temporal (sucessão de fatos), portanto, não há passagem do tempo. Na descrição, as principais informações são passadas por intermédio de palavras adjeti- vas, sempre submissas a palavras substantivas. Ex.: Na mistura do sangue com o leite das garrafas quebradas, viam-se os fios castanhos do cabelo do jovem embebidos naquele grosso líquido. Não devia ter mais de 20 anos, mas mostrava nas mãos calos que foram cultivados parece que há muito mais tempo. O que vemos nesse texto? Observe: z Sangue e leite estão misturados; z As garrafas estão quebradas; z Os cabelos são castanhos; z O jovem tem aproximadamente 20 anos; z Os cabelos estão embebidos; z O líquido é grosso; z As mãos eram calejadas; z Os calos foram cultivados. Por causa desses elementos descritivos, somos levados a imaginar o cenário estático. Observe que o todo do texto compõe uma imagem que nós, leitores, conseguimos criar em nosso raciocí- nio, como se fosse uma foto. Note ainda que isso ocorre porque não há passagem do tempo, isto é, não houve sucessão de fatos, tanto que o cenário é único e nada se altera, nada muda do começo ao fim, logo, é um texto que não apresenta progressão temporal. Por isso, o que predomina na leitura desse texto realmen- te é a imagem; trata-se, então, de uma descrição. Narração Vamos agora à narração. Assim como fizemos com a descrição, podemos também ilustrar como um filme a elaboração do texto narrativo, pois aqui ocorre a passagem do tempo regis- trando a ação apresentada no texto, por isso, sempre apresentará progressão temporal, pois sempre haverá uma mudança, uma transformação do fato apresentado inicialmente. A progressão temporal, como já vimos, trata-se de uma sucessão de fatos, e é essa sucessão que nos revela o fato principal, ao que damos o nome de ação. Por essa razão é que dissemos, também, que a narração apresenta a revelação de um fato, nesse caso, o fato principal, que, para acontecer, depende de fatos de menor importância que ele. Na narração, as informações importantes, portanto, estão associadas aos verbos, sempre submissos a palavras substantivas. É bom lembrar ainda que a narração apresenta também elementos que a diferenciam dos demais tipos de texto. Esses elementos são: 54 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Personagem ou personagens: com quem acontece algo, um fato; z Narrador: aquele que conta o que aconteceu, narra o fato; z Tempo: quando aconteceu o fato; z Lugar: cenário, onde o fato aconteceu; z Ação: o que aconteceu. Note que nem todos aparecem obrigatoriamente em um único texto, mas o que nunca falta à narração é o personagem. Ex.: Um jovem leiteiro foi confundido com um assaltante e morto nesta madrugada com um tiro no coração. Um morador de nossa cidade, assustado com o barulho feito pelo traba- lhador da madrugada, eliminou o suposto marginal em nome da segurança dos que dormiam inocentes. Vejamos como fica nosso esquema narrativo: z Um jovem leiteiro foi confundido com um assaltante; z Um jovem leiteiro foi morto com um tiro no coração; z Um morador eliminou o suposto marginal; z Os inocentes dormiam. Os verbos garantem o dinamismo do texto, registrando o agente da ocorrência. Assim, entendemos bem a diferença entre a descrição, que não apresenta movimento, pois nela não há sucessão de fatos, e, por isso, o tempo não passa: sem progressão temporal; e a narração, que apresenta sucessão de fatos: com progressão temporal. Importante é perceber que o traço de diferença marcante entre os dois tipos de texto é a pro- gressãodo tempo. Para confirmar a progressão nesse texto, basta percebermos a mudança apre- sentada no contexto: o leiteiro estava vivo, trabalhando, e agora está morto. Para completar a análise desse texto, a partir do levantamento das características da nar- ração, vamos reconhecer seus elementos: z Personagens: o leiteiro e o morador da cidade; z Narrador: aquele que nos conta o fato; z Tempo: nesta madrugada; z Lugar: nossa cidade; z Ação: assassinato. Atenção: O que realmente diferencia a narração dos outros tipos de texto é a progressão temporal. Dissertação A dissertação é o tipo de texto mais comum de ser cobrado em provas de concurso, tanto na argumentação geral sobre temas diversos, quanto na exposição de seus conhecimentos em questões discursivas. Na dissertação, propõe-se uma tese sobre uma suposta verdade. Tal verdade deve ter exis- tência substancial, por isso, é representada por uma palavra substantiva. A sustentação R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 55 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. dessa verdade, por sua vez, pode ser ilustrada por outras palavras substantivas. Veja o texto a seguir: Dissertação é um trabalho baseado em estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na orde- nação de ideias sobre um determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho refle- xivo-teórico. Dissertar é debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista, qualquer que seja. É desenvolver um raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem posições. É polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. É estabelecer relações de causa e consequência, é dar exemplos, é tirar conclusões, é apresentar um texto com organização lógica das ideias. Basicamente um texto em que o autor mostra as suas ideias. Assim, podemos entender a dissertação, diferenciando-a dos dois tipos anteriores, como um texto que apresenta a análise do autor sobre algo, revelando um entendimento lógico sobre o assunto que ele analisou. Por isso, dissemos inicialmente que é um texto que apre- senta uma ideia, ao que chamamos de tese, isto é, esse tipo de texto revela a ideia que o autor desenvolveu sobre um determinado assunto. Além disso, todas as informações que forem apresentadas sobre o assunto analisado serão os argumentos que representarão a análise feita pelo autor. Note que os argumentos são os motivos que levaram o autor a ter um posicionamento, uma ideia, uma tese sobre o assunto. Ex.: Não se pode mais tratar a vida humana como um simples exemplo de existência bioló- gica. Já está na hora de se entender que é preciso ter respeito à vida como uma atitude exis- tencial que deve ser encarada como essência de nossa natureza, o que vai além das próprias leis de um país. Atente-se para o que se pode destacar agora: z A verdade geral defendida, o nome do assunto = vida, especificamente a humana; z Argumentos que sustentam essa verdade: respeito e essência. O substantivo vida representa a palavra-chave quanto à verdade defendida na tese do autor de que “Não se pode mais tratar a vida humana como um simples exemplo de existência biológica”. Essa verdade é sustentada por dois argumentos positivos na defesa dessa tese: o respeito à vida e a vida como essência de nossa natureza. Observe que, nesse texto, não há progressão temporal, pois não há mudança alguma, já que não existe uma sequência de fatos; não há também a criação de uma imagem de alguém ou de algo; mas há uma evolução, um desenvolvimento da ideia apresentada no início do texto em relação à vida humana, ao que chamamos de progressão dissertativa, afinal, a ideia “progrediu”, a ideia ini- cial foi ficando sólida à medida que o texto se desenrolou. O que caracteriza definitivamente o texto dissertativo, então, é a existência de uma ideia base apresentada, a tese e o seu desenvolvimento, culminando em seu fortalecimento por meio dos argumentos. Esse fortalecimento chama-se fundamentação. No texto bem elaborado, a tese é tida como verdade pela fundamentação, portanto, pode- mos reconhecer nele a progressão discursiva. Por ora, vamos retomar o esquema anterior e aprofundá-lo para que não se esqueça de como diferenciar os três tipos de texto: 56 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. descrição imagem — não há progressão temporal narração fato — há progressão temporal dissertação ideia — progressão discursiva ESTRUTURA DISSERTATIVA E PROGRESSÃO DISCURSIVA Neste assunto, trabalharemos alguns elementos importantes para iniciarmos nossa produção de textos. A dissertação é um tipo de texto que se caracteriza pela exposição e defesa de uma ideia que será analisada e discutida a partir de um ponto de vista. Para tal defesa, o autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, fatos, dados, os quais utiliza para reforçar ou justifi- car o desenvolvimento de suas ideias. Para atender a esse propósito, a dissertação deve apresentar uma organização estrutural que conduza as informações ao leitor de forma a seduzi-lo quanto ao reconhecimento da verdade proposta como tese. Compreende-se como estrutura básica de uma dissertação a divisão da exposição da argumen- tação em três partes distintas: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Acompanhe cada uma dessas partes a seguir. Introdução A introdução do texto dissertativo é a apresentação de seu projeto. Ela deve conter a tese de sua dissertação, ou seja, deve apresentar seu posicionamento sobre o tema proposto pela banca. Esse momento é muito importante para o leitor, pois é aí que será mostrada a identificação de suas ideias com o tema. É um bom momento para apresentá-lo aos argumentos sequen- cialmente ordenados de acordo com a progressão que você dará à sua redação (progressão textual). A introdução deve ser clara e chamar a atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento. Sem ter medo de apresentar alguma previsibilidade de seu projeto, você, autor, deve expor os caminhos por que percorrerá em sua explanação. Lembre-se de que o leitor, corretor de seu trabalho, é um professor experiente e é a orga- nização que mais o impressionará nesse momento. Por isso, não tenha medo de ser objetivo e previamente ilustrativo quanto aos seus propósitos de trabalho. Ex.: Parágrafo de introdução Todos sabem o quanto a tecnologia vem implementando novos valores à vida do homem moderno principalmente no que diz respeito a sua vida em sociedade (1). É notório o desenvolvimento da tecnologia em campos como o da educação (2) e o dos serviços sociais (3). Essas inovações vão ainda muito além disso, atingindo vários outros espaços do cotidiano (4) da maioria das pessoas. z (1) A tese: a tecnologia vem implementando novos valores à vida do homem moderno principalmente no que diz respeito a sua vida em sociedade; z (2), (3), (4) Argumentos levantados a fim de sustentar a tese: o desenvolvimento da tec- nologia em campos como o da educação (2) / o dos serviços sociais (3) / inovações atingindo vários outros espaços do cotidiano (4). R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 57 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Desenvolvimento O desenvolvimento é a parte em que você deve expor os elementos que vão fundamentar sua tese, que pode vir especificada por intermédio de argumentos, pormenores, exemplos, citações, dados estatísticos, explicações, definições, confrontos de ideias e contra-argumentações. Você poderá usar tantos parágrafos quanto achar necessário para desenvolver suas teorias; porém, em redações de curta extensão, o ideal é que cada parágrafo apresente objetivamente ape- nas um dos argumentos a serem desenvolvidos ou, ainda, que esses argumentos sejam agrupados caso vários deles devam ser apresentados para sustentar sua tese. Ex.: apresentação do primeiro argumento sobre “o desenvolvimento da tecnologia em cam- pos como o da educação”: Alguns argumentam que é importantereconhecer o papel das redes mundiais de informa- ção para o favorecimento da construção do conhecimento. Hoje é possível visitar um museu, consultar uma biblioteca e até mesmo estudar sem sair de casa. Por meio da internet, saberes de nível mundial podem ser alcançados por qualquer pessoa que os deseje. Basta estar diante de um computador, ou de posse de um desses modernos aparelhos celulares, para se ligar a qualquer momento ao universo virtual. Hoje é possível ler qualquer livro a qualquer momento em um desses dispositivos. Ex.: apresentação do segundo argumento sobre “o desenvolvimento da tecnologia em cam- pos como o dos serviços sociais”: Outro aspecto que merece destaque especial é quanto ao atendimento oferecido ao cidadão pelos órgãos do serviço público. Já é possível registrar um boletim de ocorrência via computa- dor ou ainda agendar a emissão de passaportes junto às agencias da Polícia Federal em qualquer lugar do Brasil. Consultas médicas podem ser marcadas em hospitais públicos ou privados e os exames realizados podem ser consultados diretamente do banco de dados dessas entidades. Ex.: apresentação do terceiro argumento sobre “as inovações em vários outros espaços do cotidiano”: E isso não para por aí. Ainda convém lembrar que de muitas outras formas a tecnologia interfere positivamente em nossas vidas. As relações sociais intensificaram-se depois do sur- gimento das várias redes de relacionamento, tendo início com o Orkut e o Facebook, permitin- do que as pessoas se reencontrem em ambientes virtuais, o que antigamente exigiria muito esforço coletivo para tais eventos. Programas como o Zoom e o Google Meet possibilitam que as pessoas conversem e interajam em diferentes partes do mundo sem nenhum custo além dos já dispensados com seus provedores residenciais. Uma mãe que mora longe dos filhos já pode vê-los, ou aos netos, pela tela de um notebook ou celular, sempre que sentir saudade. Conclusão A conclusão é a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito mais convincente, uma vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da disser- tação. Deve, pois, conter, de forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica empregada no desenvolvimento. Ex.: considerações finais: Tendo em vista os aspectos observados sobre esse admirável mundo de facilidades téc- nicas, só nos resta comentar que não foi só o computador que tornou a vida do cidadão mais simples e confortável, mas outros campos da tecnologia também contribuíram 58 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. para isso. Os aparelhos de GPS, que nos orientam a qualquer direção, ou ainda diversos dispositivos médicos portáteis, garantem a melhora da qualidade de vida de todos os homens do nosso tempo. ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS Coesão Coesão pode ser considerada a “costura” textual, a “amarração” na estrutura das frases, dos períodos e dos parágrafos que fazemos com palavras. Para garantir uma boa coesão no seu texto, você deve prestar atenção a alguns mecanismos. A seguir, em negrito, há exemplos de períodos que podem ser melhorados utilizando os mecanismos de coesão: z Elementos anafóricos: Esse, essa, isso, aquilo, ele... São palavras referentes a outras que apareceram no texto, a fim de retomá-las. Ela = Dolores seu = Ela o = poder Ex.: Dolores era beleza única. Ela sabia do seu poder de seduzir e o usava z Elementos catafóricos: Este, esta, isto, tal como, a saber... São palavras referentes a outras que irão aparecer no texto: Ex.: Este novo produto a deixará maravilhosa, é o xampu Ela. Use-o e você não vai se arrepender! O pronome demonstrativo este apresenta um elemento do qual ainda não se falou = o xampu. z Coesão Lexical São palavras ou expressões equivalentes. A repetição de palavras compromete a qualida- de do texto, mostrando falta de vocabulário do redator. Assim, é aconselhável a utilização de sinônimos: Ex.: Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase — êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Nesse caso, a palavra alegria aparece como sinônimo semântico da palavra amor, representando-a. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 59 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Coesão por Elipse ou Zeugma (Omissão) É a omissão de um termo facilmente identificável. Podemos ocultar o sujeito da frase e fazer o leitor procurar no contexto quem é o agente, fazendo correlações entre as partes. Ex.: O marechal marchava rumo ao leste. Não tinha medo, (?) sabia que ao seu lado a sorte também galopava. A interrogação representa a omissão do sujeito marechal que fica subentendido na oração. z Conectivos Principais � Preposições e suas locuções: em, para, de, por, sem, com... � Conjunções e suas locuções: e, que, quando, para que, mas... � Pronomes relativos, demonstrativos, possessivos, pessoais: onde, que, cujo, seu, este, esse, ele... Ex.: Os programas de TV, em que nós podemos ver muitas mulheres nuas, são imorais. Desde seu início, a televisão foi usada para facilitar o domínio da sociedade. Como exemplo, podemos citar a chegada do homem à Lua, quando os EUA conseguiram, com sua propagan- da capitalista frente a uma Guerra Fria, a simpatia de grande parte da população do planeta. Coerência Coerência textual é uma relação harmônica que se estabelece entre as partes de um texto, em um contexto específico, e que é responsável pela percepção de uma unidade de sentido. Sendo assim, os principais aspectos envolvidos nessa questão são: z Coerência Semântica Refere-se à relação entre significados dos elementos da frase (local) ou entre os elementos do texto como um todo: Ex.: Paulo e Maria queriam chegar ao centro da questão. Não caberia aqui pensar em centro como bairro de uma cidade. É nesse caso que entra o estudo da coesão por meio do vocabulário. z Coerência Sintática Refere-se aos meios sintáticos que o autor utiliza para expressar a coerência semântica: “A felicidade, para cuja obtenção não existem técnicas científicas, faz-se de pequenos fragmentos...” Como leitor do texto, você deve entender que o pronome cuja foi empregado para estabe- lecer posse entre obtenção e felicidade. É nesse caso que entra o estudo da coesão com o emprego dos conectivos. z Coerência Estilística 60 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Refere-se ao estilo do autor, à linguagem que ele emprega para redigir. O leitor atento a isso consegue facilmente entender a estrutura do texto e relacionar bem as informações textuais. Além disso, percebendo se a linguagem do texto é figurada ou não, seu raciocínio inter- pretativo deverá funcionar de uma determinada maneira, como podemos ver neste texto de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa: Já sobre a fronte vã se me acinzenta O cabelo do jovem que perdi. Meus olhos brilham menos. Já não tem jus a beijos minha boca. Se me ainda amas por amor, não ames: Traíras-me comigo. (Ricardo Reis/Fernando Pessoa) Elementos Importantes de Coesão e Coerência Para continuarmos o estudo de coesão e coerência, devemos relembrar alguns elementos gramaticais importantes. Acompanhe a seguir. z Pronomes Demonstrativos Indicam posição dos seres em relação às pessoas do discurso, situando-os no tempo e/ou no espaço (função dêitica destes pronomes). Podem também ser empregados fazendo refe- rência aos elementos do texto (função anafórica ou catafórica). São eles: ESTE (A/S), ESSE (A/S), AQUELE (A/S) Têm função de pronome adjetivo ISSO, ISTO, AQUILO, O (A/S) Têm função de pronome substantivo MESMO, PRÓPRIO, SEMELHANTE, TAL (E FLEXÕES) Quando são demonstrativos, são pronomes adjetivos Empregos do pronome demonstrativo: � Indicando localização no espaço: Este (aqui): pronome de 1ª pessoa: o falante o emprega para referir-se ao ser que está junto dele. Ex.: Este é meu casaco! — a moça avisou,enquanto o segurava. Esse (aí): pronome de 2ª pessoa: o falante o emprega para referir-se ao ser que está junto do seu ouvinte. Ex.: Passe-me essa jarra de suco, por favor. — pediu ela ao rapaz que sentara à sua frente. Aquele (lá): pronome de 3ª pessoa: a referência será ao ser que está distante do falante e do ouvinte. Ex.: As duas no portão não aguentavam de curiosidade, quem seria aquele moço na esquina? � Indicando localização temporal: R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 61 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Este (presente): Neste ano, haverá Copa do Mundo. Esse (passado próximo): Nesse ano que passou, não tivemos Copa do Mundo. Esse (passado futuro): A próxima copa será em 2014. Nesse ano, poderemos ver todos os jogos acontecerem aqui em nosso país. Aquele (passado distante ou bastante vago): Naquela época, não havia iluminação elétrica. � Fazendo referências contextuais (funções anafórica e catafórica): Este: refere-se a um elemento sobre o qual ainda se vai falar no texto (referência catafóri- ca). Ex.: Este é o problema: estou dura. Pode também fazer uma referência de especificação a um elemento já expresso (referência anafórica). Ex.: Ana e Bia saíram, esta foi ao cinema. Esse: refere-se a um elemento já mencionado no texto (referência anafórica). Ex.: Comprei aspirina. Esse remédio é ótimo. Este: refere-se à última informação antecedente a ele no texto; Aquele: refere-se à informação mais distante dele no texto. Ex.: Ana, João e Cris são irmãos; esta é quieta, esse fala pouco e aquela fala muito. z Período Composto � Que, o/a (s) qual (s): referem-se à coisa ou pessoa. Ex.: O livro que li é ótimo. / O livro o qual li é ótimo; � Quem: refere-se à pessoa, sempre preposicionado. Ex.: Esta é a aluna de quem falei; � Cujo (parecido com o possessivo): estabelece posse. Ex.: Este é o autor com cujas ideias concordo; � Onde (= em que): refere-se a lugar. Ex.: A rua onde (em que) moro é movimentada. Atenção! � Observar a palavra a que se refere o pronome relativo para evitar erros de concordân- cia verbal. Ex.: Lemos os livros que foram indicados pelo professor (que = os quais → livros); � Respeitar a regência do verbo ou do nome, usando a preposição exigida quando neces- sário. Ex.: Este é o livro a que me refiro. O verbo “referir-se” pede a preposição “a”; por isso, ela aparece antes do “que”. Ex.: Esta é a obra por que tenho admiração. A preposição “por” foi exigida pelo substantivo “admiração”; � Os pronomes como, quando e quanto também podem ser relativos; � Os relativos compõem as orações subordinadas adjetivas; � As orações adjetivas podem ser explicativas (cujo conteúdo é explicativo, genérico, uma informação a mais) ou restritivas (cujo conteúdo é de restrição, especificação, informação importante no contexto). 62 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z As Orações Subordinadas Adjetivas e a Semântica As orações adjetivas são iniciadas sempre por pronomes relativos e podem ser de dois tipos: � Explicativa: O homem, que é racional, mata. A oração adjetiva deste caso não tem sentido restritivo, pois todos os homens são racionais; � estritiva: O homem que fuma morre mais cedo. A oração adjetiva deste caso repor- ta-se apenas ao homem fumante. z Emprego de Cujo e Onde ONDE Lugares. Este é o prédio onde fica o 1º cartório. CUJO SUBS. CUJO SUBS. POSSE Concorda com o substantivo pos- terior e indica que esse substantivo pertence a outro termo substantivo anterior ao cujo. Esta é a jovem de cujo pai eu lhe falei. Este é o pai de cuja jovem eu lhe falei. Conjunções Coordenativas, Locuções Conjuntivas, Preposições e Locuções Prepositivas � Adição: e, nem, (não só...) mas também, mas ainda, tampouco, (não só...) como também. Ex.: A água cristalina brota da terra e busca seu caminho por entre as pedras; � Adversidade/oposição: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obs- tante. Ex.: Este candidato não estudou muito, mas foi aprovado; � Alternância: ou... ou, ora... ora, quer... quer, seja... seja. Ex.: Ou estude, ou aguente a reprova; � Conclusão: logo, portanto, pois (depois de verbo), por isso, então. Ex.: Bebida alcoólica pode causar vício, portanto sua venda deve ser considerada ilícita; � Explicação: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. Ex.: Não se preocupe, que eu arrumarei toda esta bagunça. z Conjunções Subordinativas Adverbiais � Causa: porque, como (somente no início do período), que, já que, visto que, por (+ infinitivo), graças a, na medida em que, em virtude de (+ infinitivo), em face de, desde que, uma vez que. Ex.: Como estava muito doente, foi ao médico; � Comparação: mais... que, menos... que, tão/tanto... como, assim como, como. Ex.: Ele sempre se posicionou como um líder; � Concessão: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que, apesar de (+ infi- nitivo), em que pese a (+ infinitivo), posto que, malgrado. Ex.: Embora não esteja me sentindo bem, assistirei à aula até o final; � Condição: se (às vezes prevalece a ideia de causa, outras vezes, de tempo, ou, ainda, de oposição), caso, desde que, a não ser que, a menos que (a ideia pode ser desdobrada em R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 63 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. de concessão), contanto que, uma vez que. Ex.: Eles não conseguirão vaga para este ano letivo, a menos que haja alguma desistência; � Conformidade: conforme, como, segundo, consoante. Ex.: Tudo aconteceu como eles imaginaram; � Consequência: (tão/tanto...) que, de modo que, de maneira que, de sorte que. Ex.: Tanto lutou, que progrediu muito na vida; � Finalidade: a fim de que, a fim de (+ infinitivo), que, porque, para que, para (+ infiniti- vo). Ex.: Faça bem a sua parte do projeto para que não haja reclamações; � Proporcionalidade: à proporção que, à medida que, na medida em que, quanto mais, quanto menos, conforme. Ex.: À medida que o progresso avança, o romantismo diminui; � Tempo: quando (a ideia pode ser desdobrada em ideia de condição), enquanto, mal, logo que, assim que, sempre que, desde que, conforme. Ex.: Mal ele chegou, todas o rodearam. Paralelismo Paralelismo pode ser entendido como equilíbrio da organização textual, promovendo no texto coerência em sua elaboração e, portanto, em seu sentido. Esse mesmo equilíbrio deve assim ser entendido nos períodos, pois sua redação também deve apresentar uma sequên- cia lógica para que ele tenha sentido claro e realmente dê a informação pretendida pelo seu autor. Veja, como exemplo, o que diz o professor Othon Marques Garcia em seu livro Comunica- ção em Prosa Moderna: Se coordenação é, como vimos, um processo de encadeamento de valores sintáticos idênticos, é justo presumir que quaisquer elementos da frase — sejam orações, sejam termos dela —, coordenados entre si, devam — em princípio, pelo menos — apresentar estrutura gramatical idêntica, pois — como, aliás, ensina a gramática de Chomsky — não se podem coordenar fra- ses que não comportem constituintes do mesmo tipo. Em outras palavras: as ideias similares devem corresponder forma verbal similar. Isso é o que se costuma chamar paralelismo ou simetria de construção11A Vejamos agora alguns exemplos de construções que apresentam erros de paralelismo: � Paralelismo semântico: Em sua última viagem pela América Latina como represen- tante do governo brasileiro, o presidente visitou Havana, a República Dominicana, Washington e o Presidente Barack Obama. Observe que nesse caso o verbo “visitou” está sendo empregado de maneira a sugerir que se pode visitar uma cidade da mesma forma como se visita uma pessoa, ou seja, está empregado de forma errada, já que ocorre um duplo sentido a esse verbo com essa construção. Uma forma correta de representar a ideia pretendida pelo texto é: Em sua última viagem pela América Latina como representante do governo brasileiro, o presidente visitouHavana, a Repúbli- ca Dominicana, Washington e nesta última cidade foi ver o Presidente Barack Obama. 11 GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro, Editora FGV: 2010, p. 52-53. 64 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. � Paralelismo sintático: Nosso time se esforçou bastante em todos os jogos, mas consegui- ram se tornar os campeões este ano. Veja como a conjunção adversativa “mas” foi indevidamente empregada, dando uma ideia de que ser campeão é oposto ao fato de se esforçar para vencer. O correto nesse caso seria empregar uma conjunção que conduzisse logicamente a primeira oração à ideia da vitória apresentada na segunda oração, como em: Nosso time se esforçou bastante em todos os jogos, por isso (e, dessa forma, logo, consequentemente...) conseguiu se tornar o campeão este ano. Progressão Textual A progressão textual é o processo pelo qual o texto se constrói a partir de elementos semânticos e gramaticais. Novas informações devem ser somadas e ligadas às informações anteriores e não apenas repetidas. Deve haver a continuidade e a evolução dos conceitos já apresentados que podem ser conquistadas por intermédio dos elementos de coesão. Veja uma simulação do projeto de máscaras de redação e observe na prática como a pro- gressão textual ocorre: Muito se tem discutido ultimamente sobre (blá, blá, blá) por causa de (blá, blá, blá). Sabe- -se que alguns fatores como (blá, blá, blá), (blá, blá, blá) e (blá, blá, blá) são a base do desen- volvimento desse problema. As consequências imediatas de (blá, blá, blá) só poderão ser avaliadas quando (blá, blá, blá). O primeiro passo a se tomar é o de (blá, blá, blá). Além de (blá, blá, blá), também se pode especular que (blá, blá, blá). Ainda convém chamar a atenção para mais um ponto determinante sobre (blá, blá, blá), que é (blá, blá, blá). O resultado de todo esse esforço é (blá, blá, blá) e é em busca de (blá, blá, blá) que se deve (blá, blá, blá). Sendo assim, (blá, blá, blá). Você pode perceber que, mesmo não abordando assunto algum, há um encadeamento lógico da estrutura do texto que conduz a uma eficiência argumentativa que admite a ideali- zação de uma vasta margem de desenvolvimentos sobre variados temas. TEORIA DAS MÁSCARAS Depois de observar as dificuldades que as pessoas têm de se expressarem por meio da escrita, colocamos aqui soluções definitivas para esses problemas, sem a pretensão de criar fórmulas mágicas, mas sim de criar um referencial mais concreto e imediato. Leia inicialmente o texto piloto de nosso projeto: z Projeto de dissertação: Exemplos arroz com feijão; z Tema: A alimentação do brasileiro; z Tese: A comida dos brasileiros é muito saudável e tem tudo de que ele necessita para seu longo dia de trabalho; z Argumentos: carboidratos no arroz com feijão; proteínas no bife com salada; glicose e cafeína do cafezinho preto com açúcar. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 65 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. 1° Parágrafo Todos sabem o quanto, em nosso país, a comida é saudável e tem tudo de que os brasi- leiros necessitam para seu longo dia de trabalho. Verifica-se que os carboidratos no arroz com feijão, as proteínas no bife com salada, além da glicose no cafezinho preto com açúcar, fornecem um completo abastecimento de energia somada ao prazer. 2° Parágrafo É de fundamental importância o consumo de alimentos ricos no fornecimento de ener- gia para a movimentação do nosso corpo. Podemos mencionar, por exemplo, o arroz com feijão que diariamente abastece a nossa mesa, por causa de sua riqueza em carboidratos. Esse complexo alimentar nos recompõe da energia própria consumida durante o dia. 3° Parágrafo Além disso, as proteínas da carne no bife que comemos servem para repor a massa muscular perdida durante o trabalho. E, somando-se a isso, há as fibras das verduras e folhas, que ajudam no processamento dos alimentos pelos órgãos digestivos. Daí a possibilidade de reafirmarmos o valor nutricional do conjunto de alimentos de nosso prato mais tradicional e de justificarmos os hábitos desenvolvidos em nossa cultura culinária. 4° Parágrafo Ainda convém lembrarmos outro hábito que contribui para o sucesso do nosso bem ela- borado cardápio (que é): o de tomarmos um cafezinho após as refeições. Esse conjunto da cafeína mais o açúcar reabastece nosso cérebro de energia desviada para os órgãos processa- dores da digestão no momento em que comemos. Essas substâncias reprimem a sonolência típica da hora do almoço, mantendo-nos despertos. 5° Parágrafo Levando-se em consideração esses aspectos práticos do prato do brasileiro, somos leva- dos a acreditar que não é apenas por prazer que somos seduzidos pela nossa culinária, mas também por tudo o que ela nos oferece para a manutenção de nossa saúde. Sendo assim, a falta de qualquer um desses ingredientes nos causará debilidade, além de insatisfação. Observe o texto apresentado e sua estrutura. Imaginemos que o tema proposto a nós fosse “A alimentação do brasileiro” e que, a partir desse tema, tivéssemos que produzir uma dis- sertação sobre ele. A primeira coisa a fazer seria a delimitação do tema, ou seja, deveríamos buscar com obje- tividade uma tese, dentro desse tema, sobre a qual fôssemos capazes de argumentar, como esta: “A comida dos brasileiros é muito saudável e tem tudo de que ele necessita para seu longo dia de trabalho”. 66 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. O próximo passo seria o de levantar alguns argumentos que sustentassem a tese proposta com valor de verdade. Veja como fizemos: Já que estávamos falando da alimentação dos brasileiros, nada melhor do que falarmos sobre seus pontos positivos, pontos estes reconhecidos até por especialistas em alimenta- ção mundial: o valor nutricional que compõe o nosso prato mais popular — isso mesmo, o “PF”, “prato feito”, que encontramos em bares, pequenos restaurantes e, principalmente, na maioria das mesas do povo brasileiro: o arroz com feijão, bife e salada, finalizado com um cafezinho preto. Decompomos esse prato e identificamos seus principais ingredientes, aqueles merecedores de destaque como boa argumentação a favor de nossa tese. Marcamos o “carboidrato”, presente no arroz e no feijão, como nosso primeiro ponto positivo. Depois foi a vez das “proteínas” presentes no bife com salada e chegamos, finalmente, à “cafeína” e ao “açúcar” presentes no cafezinho. Pronto, já temos a primeira parte de nosso projeto organizado. O próximo passo é juntar tudo no primeiro parágrafo, de maneira organizada, de forma que as ideias sejam apresentadas em uma sequência que deixe claro ao leitor sobre o que será falado e também qual será a sequência de argumentos que será apresentada para dar credibilidade a nossa tese. Veja o modelo do primeiro parágrafo: Todos sabem o quanto, em nosso país, _________________________________________. Verifi- ca-se que ________________________, __________________________, além de ______________________, fornecem (ou: resultam, culminam, têm como consequência...) ________. Compare agora com o parágrafo preenchido com a tese e com os argumentos e veja a amarração que conseguimos: Todos sabem o quanto, em nosso país, a comida é saudável e tem tudo de que os brasi- leiros necessitam para o seu longo dia de trabalho. Verifica-se que os carboidratos no arroz com feijão, as proteínas no bife com salada, além da glicose no cafezinho preto com açúcar, fornecem um completo abastecimento de energia somada ao prazer. A partir daí, fizemos o mesmo para os parágrafos seguintes, impondo a eles estruturas programadas com relação lógica de coerência e coesão. Você perceberá que a continuidade e a progressão textual foram sendo procuradas e construídas para dar evolução ao texto e aos argumentos. No segundo parágrafo, iniciamos com uma frase de apresentação que valoriza o primeiro argumento, depois fomos completando os espaços em branco que ligavam os argumentosentre si com relações preestabelecidas de: finalidade ― com a conjunção “para” ―; explica- ção ― com o “que” ― causa ― com a locução “por causa de”. Veja que, para manter a continuidade textual recuperando sempre a ideia central do parágrafo, preocupamo-nos em acrescentar o pronome demonstrativo “Esse”, fechando com uma conclusão sobre esse argumento. É de fundamental importância o _________________________________ para _______________. Podemos mencionar, por exemplo, ___________ que _______________, por causa de ____________. Esse _________________________________________________________. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 67 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Observe como ficou a sequência completa do segundo parágrafo: É de fundamental importância o consumo de alimentos ricos no fornecimento de ener- gia para a movimentação do nosso corpo. Podemos mencionar, por exemplo, o arroz com feijão que diariamente abastece a nossa mesa, por causa de sua riqueza em carboidratos. Esse complexo alimentar nos recompõe da energia própria consumida durante o dia. Veja agora uma coletânea de frases que podem auxiliá-lo na introdução de seus parágrafos iniciais: z É de conhecimento geral que... z Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observa-se... z Cogita-se, com muita frequência, que... z Muito se tem discutido, recentemente, acerca de... z É de fundamental importância o (a).... z Ao fazer uma análise da sociedade, busca-se descobrir as causas de.... z Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual... Assim como no segundo parágrafo, o terceiro e o quarto também seguiram o mesmo princípio quanto às relações de coesão. As conjunções foram posicionadas para dar coerência a quase qual- quer tipo de argumentação. Veja as estruturas vazias e seus respectivos parágrafos completos: 3º Parágrafo Além disso, ______________________________________________. E, somando-se a isso, ________________ que _________________________________________________. Daí _______________________ e de ______________________________________. Além disso, as proteínas da carne no bife que comemos servem para repor a massa muscular perdida durante o trabalho. E, somando-se a isso, há as fibras das verduras e folhas que ajudam no processamento dos alimentos pelos órgãos digestivos. Daí a possibilidade de reafirmarmos o valor nutricional do conjunto de alimentos de nosso prato mais tradicional e de justificarmos os hábitos desenvolvidos em nossa cultura culinária. 4º Parágrafo Ainda convém lembrarmos _______________________________, (que é): _______________. Esse ____________________________________ para ____________________________. Essa(s) ______________ ____________________________. Ainda convém lembrarmos outro hábito que contribui para o sucesso do nosso bem ela- borado cardápio, que é o de tomarmos um cafezinho após as refeições. Esse conjunto da cafeína mais o açúcar reabastece nosso cérebro de energia desviada para os órgãos processa- dores da digestão no momento em que comemos. Essas substâncias reprimem a sonolência típica da hora do almoço, mantendo-nos despertos. 68 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Para os parágrafos de desenvolvimento, também podemos relacionar frases que você poderá escolher para dar originalidade ao seu texto: z Ao se examinarem alguns..., verifica-se que... z Pode-se mencionar, por exemplo, ... z Em consequência disso, vê-se, a todo instante, ... z Alguns argumentam que... z Além disso... z Outro fator existente... z Outra preocupação constante... z Ainda convém lembrar... z Por outro lado... z Porém, mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto... Lembramos que esses exemplos são apenas sugestões e que você poderá desenvolver construções que atendam sua necessidade a partir de quando for adquirindo experiência com a produção de textos. Tanto quanto podemos criar padrões para a introdução e para o desenvolvimento de nossas reda- ções, também podemos criá-los para a conclusão de nossa dissertação. Acompanhe a organização de nosso último parágrafo: Levando-se em consideração esses aspectos _________________, somos levados a acreditar que _________________, mas também _____________________. Sendo assim, _____________________ ____________. Teremos, após preencher o modelo: Levando-se em consideração esses aspectos práticos do prato do brasileiro, somos levados a acreditar que não é apenas por prazer que somos seduzidos pela nossa culinária, mas também por tudo o que ela nos oferece para a manutenção de nossa saúde. Sendo assim, a falta de qualquer um desses ingredientes nos causará debilidade além de insatisfação. Os aspectos conclusivos presentes nesse último parágrafo garantem ao leitor a clareza de que se chegou ao final do desenvolvimento da tese inicial. As frases em destaque dão força conclusiva ao parágrafo, conduzindo a sequência textual a uma possível solução para os problemas propostos, ou, ainda, podem gerar simples constata- ções das verdades idealizadas. Você também pode contar com uma pequena lista de frases que podem auxiliá-lo nessa tarefa: z Em virtude dos fatos mencionados... z Por isso tudo... z Levando-se em consideração esses aspectos... z Dessa forma... z Em vista dos argumentos apresentados... z Dado o exposto... R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 69 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Por todos esses aspectos... z Pela observação dos aspectos analisados... z Portanto... / logo... / então... Após a frase inicial, pode-se continuar a conclusão com as seguintes frases: z ...somos levados a acreditar que... z ...é-se levado a acreditar que... z ...entendemos que... z ...entende-se que... z ...concluímos que... z ...conclui-se que... z ...é necessário que... z ...faz-se necessário que... Observe como fica, então, a soma dos parágrafos e como se deu a criação da primeira máscara: MÁSCARA 1 1º Parágrafo Todos sabem o quanto, em nosso país, _____________________________. Verifica-se que _____________________, _____________________________ além de ______________________________ fornecem (ou: resultam, culminam, têm como consequência...) _______________________. 2º Parágrafo É de fundamental importância o ____________________________________ para ____________________. Podemos mencionar, por exemplo, ________________ que ___________________, por causa de ___________. Esse ____________________. 3º Parágrafo Além disso, _________________________________________. E, somando-se a isso, __________________ que ________________________________________. Daí ________________________ e de ______________________. 4º Parágrafo Ainda convém lembrarmos ____________ (que é): _______________. Esse ________________ para __________________. Essa(s) __________________________. 5o Parágrafo Levando-se em consideração esses aspectos ________________, somos levados a acreditar que _____________, mas também _______________. Sendo assim, ___________________. Agora que vimos o processo de criação das máscaras, você poderá começar também seu trabalho de produção. Antes, porém, vamos apresentar mais dois outros modelos de másca- ras de redação que você poderá usar como base para suas próprias criações. 70 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Observe como as máscaras garantem o encadeamento das ideias,a coesão entre as ora- ções e a coerência com as várias possibilidades argumentativas. A seguir, temos mais um exemplo de máscara: MÁSCARA 2 1º Parágrafo Entre os aspectos referentes a _________________, três pontos merecem destaque especial. O primeiro é _____________________; o segundo ________________ e, por fim, ______________. 2º Parágrafo Alguns argumentam que ______________ para _________________. Isso porque _____________________. Dessa forma, _______________. 3º Parágrafo Outra preocupação constante é _______________, pois _______________. Como se isso não bastasse, ____________ que ________________. Daí ______________ que _____________ e que ________________________. 4º Parágrafo Também merece destaque __________ o (a) qual _____________________. Diante disso, ________________ para que __________________________. 5º Parágrafo Tendo em vista os aspectos observados _________, só nos resta esperar que __________________, ou quem saiba _________________. Consequentemente, _____________. Sugerimos a você que faça suas primeiras redações com base em uma das máscaras pron- tas. Conforme for avançando nos estudos, você poderá construir suas próprias máscaras personalizadas. Por fim, preparamos uma máscara de organização sequencial para seu projeto de redação. Use-a para se organizar. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 71 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. PROJETO DE TEXTO (monte sua dissertação) 1º TEMA: ________________________________________________. 2º TESE: _________________________________________________. 3º ARGUMENTOS a) ______________________________. b) ______________________________. c) ________________________________. (1º parágrafo) Tese + argumentos _________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________. (2º parágrafo) Justificativas (por que isso ocorre?): argumento “a” + provas e exemplos (mostre casos conhecidos ou dê exemplos semelhantes ao seu argumento) Construa o parágrafo unindo as informações anteriores ao argumento “a” . _________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________. Faça o mesmo esquema no 3º e 4º parágrafos para os argumentos “b” e “c” _________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________. _________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________. Elabore sua conclusão: (confirme sua tese dizendo que, se algum dos argumentos não for considerado, a ideia inicial não poderá ser sustentada, ou que os resultados propostos não serão atingidos) _________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________. APROFUNDAMENTO DA ELABORAÇÃO DO PARÁGRAFO DISSERTATIVO Vamos agora aprofundar o nosso trabalho com a estrutura dos textos dissertativos. Para isso, trabalharemos as várias modalidades de parágrafos que podem ser utilizados para a elaboração de uma boa dissertação. Mostraremos aqui a continuidade de nosso projeto de máscaras e os vários arranjos que são possíveis ao construí-las. Parágrafo de Introdução O parágrafo de introdução tem como uma de suas funções mais importantes a de apresen- tar a tese que será defendida no decorrer da redação. É também possível e bastante didático que você faça uma prévia dos argumentos que serão trabalhados na sustentação dessa tese. Assim, o leitor poderá ser orientado, logo de saída, a acom- panhar o ritmo do seu pensamento e a sequência das suas argumentações. z Tipos Diferentes de Parágrafos de Introdução 72 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. � Declaração Inicial Na declaração, afirma-se ou nega-se algo de início para, em seguida, justificar-se e compro- var-se a assertiva com exemplos, comparações, testemunhos de autores etc. Vejamos um exemplo desse tipo de parágrafo aplicado à nossa proposta básica, que é o projeto arroz com feijão. Mais uma vez, colocamos a disposição vazia do parágrafo, que pode- rá ser utilizada por você sempre que desejar, seguida de um exemplo. Modelo nº 1: É fato notório que ______________________________. Sabe-se que ________________________, além da ________________________________________________________. Preenchendo o modelo, teremos: É fato notório que a alimentação do brasileiro é boa e tem tudo de que necessitamos para suprir os desgastes de um dia de trabalho. Sabe-se que os carboidratos do arroz e do feijão, as proteínas do bife e da salada, além da glicose do cafezinho preto com açúcar fornecem um completo abastecimento de energia somada ao prazer. � Definição O parágrafo por definição é entendido como um método preferencialmente didático, pois busca, por intermédio de uma explicação clara e breve, a exposição do significado de uma ideia, palavra ou de uma expressão. É a forma de exposição dos diversos lados pelos quais se pode encarar um assunto. Pode apresentar tanto o significado que o termo carrega no uso geral quanto aquele que o falante pretende determinar para o propósito do seu discurso. Uma definição é um enunciado que descreve um conceito, permitindo diferenciá-lo de outros conceitos associados. Veja como, em nosso parágrafo de exemplo, exploramos o conceito global e generaliza- do sobre o assunto. Você perceberá como o modelo vazio traz a indução do assunto a ser definido. Vale lembrar que, como se trata de uma definição, a base dessa informação deve susten- tar-se em uma verdade consagrada, diferentemente do que vimos no exemplo anterior, já que a declaração inicial pode basear-se em uma posição pessoal a ser defendida. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 73 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Modelo nº 2: ___________ é a denominação dada a _____________. Essa _____________________, mas a hipótese mais aceita é a de que _______________________. Outra versão afirma que esse ___________________, que tem origem ________________. O que se sabe é que _________________. Preenchendo o modelo, teremos: Arroz com feijão é a denominação dada a um prato típico da América Latina. Essa receita não tem uma origem certa, mas a hipótese mais aceita é a de que seria fruto de uma com- binação do arroz (de origem oriental) trazido pelos portugueses ao Brasil com o feijão, que já seria consumido no Brasil pelos indígenas. Outra versão afirma que esse prato foi a união do arroz com a feijoada, que tem origem africana ou portuguesa. O que se sabe é que, ao longo dos séculos, esse prato foi se popularizando por todo o país, passando a ser uma parte quase que indispensável da refeição dos brasileiros. � Divisão O parágrafo de divisão, processo também quase que exclusivamente didático, por cau- sa das suas características de objetividade e clareza, consiste em apresentar o tópico frasal (frase que introduz o parágrafo) sob a forma de divisão ou discriminação das ideias a serem desenvolvidas (normalmente, a divisão vem precedida por uma definição, ambas no mesmo parágrafo ou em parágrafos distintos). Usamos aqui como representação desse modelo o conceito de silogismo. Silogismo é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituí-de leis ou regulamentos, recomendações de caráter geral, normas de execução de serviço, nomeações, demissões, punições, ou qualquer outra deter- minação da sua competência; z Resolução: norma jurídica destinada a disciplinar assuntos do interesse interno do Con- gresso Nacional, no caso do Brasil;3 z Sentença: a decisão, a resolução ou a solução dada por uma autoridade a toda e qualquer questão submetida à sua jurisdição; z Termo: delimita o prazo, assinalando seu início e/ou fim. O termo será certo quando o prazo for determinado por um acontecimento certo; legal quando fixado por lei; e conven- cional quando estipulado pelas partes;4 z Certidão: documento dotado de fé pública, que informa a existência ou não de atos regis- trados, averbados ou prenotados no Cartório. Para as certidões para lavraturas de escri- turas públicas, a lei impõe prazo de validade de 30 (trinta) dias, e pode ser expedida de forma impressa ou digital.5 A partir deste ponto, apresentaremos trechos do Manual de Redação da Presidência da República6 para proporcionar um maior contato do leitor com o texto. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL, FINALIDADE DOS EXPEDIENTES OFICIAIS, ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM AO TIPO DE DOCUMENTO E ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO AO GÊNERO Panorama da Comunicação Oficial A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comu- nicação, são necessários: z alguém que comunique; z algo a ser comunicado; z alguém que receba essa comunicação. 3 CONCEITOS. Legislação - UFSC, [s.d.]. Disponível em: https://legislacao.ufsc.br/conceitos/. Acesso em: 31 mar. 2022. 4 TERMO. Dicionário Jurídico. DireitoNet, 2009. Disponível em: https://www.direitonet.com.br/dicionario/exibir/785/Termo. Acesso em: 31 mar. 2022. 5 AFINAL de contas, o que é uma certidão? 1º Ofício de Registro de Imóveis, [s.d.]. Disponível em: http://www.1rgirecife.com.br/2021/08/12/afi- nal-de-contas-o-que-e-uma-certidao/. Acesso em: 31 mar. 2022. 6 BRASIL, 2018, p. 15-48. 8 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. No caso da redação oficial, quem comunica é sempre o serviço público (este/esta ou aquele/aquela Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comu- nica é sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão que comunica; e o destinatário dessa comunicação é o público, uma instituição privada ou outro órgão ou entidade públi- ca, do Poder Executivo ou dos outros Poderes. Além disso, deve-se considerar a intenção do emissor e a finalidade do documento, para que o texto esteja adequado à situação comunicativa. A necessidade de empregar determinado nível de linguagem nos atos e nos expedientes ofi- ciais decorre, de um lado, do próprio caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de caráter normativo, ou estabele- cem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos e entida- des públicos, o que só é alcançado se, em sua elaboração, for empregada a linguagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua é a de informar com cla- reza e objetividade. O que é Redação Oficial Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige comunicações oficiais e atos normativos. Neste Manual, interessa-nos tratá-la do pon- to de vista do Serviço Público. A redação oficial não é necessariamente árida e contrária à evolução da língua. É que sua finalidade básica — comunicar com objetividade e máxima clareza — impõe certos parâme- tros ao uso que se faz da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto jornalísti- co, da correspondência particular etc. Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada um de seus atributos. Atributos da Redação Oficial A redação oficial deve caracterizar-se por: z clareza e precisão; z objetividade; z concisão; z coesão e coerência; z impessoalidade; z formalidade e padronização; z uso da norma padrão da língua portuguesa. z [...] z Clareza e Precisão � Clareza R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 9 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial. Pode-se definir como claro aquele tex- to que possibilita imediata compreensão pelo leitor. Não se concebe que um documento oficial ou um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossi- bilite sua compreensão. A transparência é requisito do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto oficial ou um ato normativo não seja entendido pelos cidadãos. O princípio constitucional da publicidade não se esgota na mera publicação do texto, estendendo-se, ainda, à necessidade de que o texto seja claro. Para a obtenção de clareza, sugere-se: � utilizar palavras e expressões simples, em seu sentido comum, salvo quando o texto versar sobre assunto técnico, hipótese em que se utilizará nomenclatura própria da área; � usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar as orações na ordem direta e evitar intercalações excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambiguidade, sugere-se a ado- ção da ordem inversa da oração; � buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto; � não utilizar regionalismos e neologismos; � pontuar adequadamente o texto; � explicitar o significado da sigla na primeira referência a ela; � utilizar palavras e expressões em outro idioma apenas quando indispensáveis, em razão de serem designações ou expressões de uso já consagrado ou de não terem exata tradu- ção. Nesse caso, grafe-as em itálico, conforme orientações do subitem 10.2 do Manual. � Precisão O atributo da precisão complementa a clareza e caracteriza-se por: � articulação da linguagem comum ou técnica para a perfeita compreensão da ideia vei- culada no texto; � manifestação do pensamento ou da ideia com as mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; � escolha de expressão ou palavra que não confira duplo sentido ao texto. É indispensável, também, a releitura de todo o texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obscuros provém principalmente da falta da releitura, o que tornaria possível sua cor- reção. Na revisão de um expediente, deve-se avaliar se ele será de fácil compreensão por seu des- tinatário. O que nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos, em decorrência de nossa experiência profissional, muitas vezes, faz com que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o significado das siglas e das abreviações e os conceitos espe- cíficos que não possam ser dispensados. A revisão atenta exige tempo. A pressa com que são elaboradas certas comunicações qua- se sempre compromete sua clareza. “Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no texto redigido. A clareza e a precisão não são atributos que se atinjam por si sós: elas dependem estrita- mente das demais características da redação oficial, apresentadas a seguir. 10 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Objetividade Ser objetivo é ir diretamente ao assunto que se deseja abordar, sem voltas e sem redundân- cias. Para conseguir isso, é fundamental que o redator saiba de antemão qual é a ideia principal e quais são as secundárias. Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de alguma complexi- dade: as fundamentais e as secundárias. Essas últimas podem esclarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem também ideias secundárias que não acrescentam informação alguma ao texto, nem têm maior relação com as fundamentais, podendo, por isso, serda de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que, a partir das primei- ras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. A teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em sua obra Analíticos anteriores. Modelo nº 3: _________ pode ser representado de duas maneiras diferentes: ________, que é ___________, e _____________, que é _______________. Enquanto a primeira ______ se apresenta ____________________, esta, por sua vez, realiza-se por intermédio de _____________________. Preenchendo o modelo, teremos: O silogismo pode ser representado de duas maneiras diferentes: silogismo simples, que é formado por um único núcleo argumentativo, e silogismo composto, que é formado por diver- sos núcleos argumentativos de elaboração complexa. Enquanto a primeira teoria se apresenta pela estrutura filosófica básica consagrada pela antiguidade, esta, por sua vez, realiza-se por intermédio de vários silogismos desenvolvidos para atender às novas perspectivas de sedução e convencimento. 74 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. � Alusão Histórica A elaboração de um parágrafo por alusão histórica é um recurso que desperta sempre a curiosida- de do leitor por meio de fatos históricos, lendas, tradições, crendices, anedotas ou acontecimentos de que o autor tenha sido participante ou testemunha (desenvolve-se geralmente por meio da compara- ção com o presente ou retorno a ele). A vantagem desse método é o de podermos mostrar o desenvolvimento cronológico de um assunto, expondo sua evolução no tempo. Ao utilizar um fato histórico para sustentar uma tese, lembre-se de que a história é a ciên- cia que estuda o homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado, e, como ela é uma ciência, tem, por conseguinte, um grande valor argumentativo. Observe como é simples: Modelo nº 4: Desde a época da _______, sabe-se que ____________ para _______________. Principalmente hoje em dia, reconhece-se que ___________________________. Preenchendo o modelo, temos: Desde a época da escravidão no Brasil, sabia-se que a alimentação dada a esses novos bra- sileiros era boa e tinha tudo de que eles necessitavam para suprir os desgastes de um longo dia de trabalho. Hoje em dia, principalmente, já se reconhece que os carboidratos do arroz e do feijão, as proteínas da carne e das verduras fornecem um completo abastecimento de energia somada ao prazer, justificando os hábitos do passado como responsáveis pela tradição alimentar que preservamos. � Interrogação A ideia núcleo do parágrafo por interrogação é colocada por intermédio de uma pergunta a qual serve mais como recurso retórico, uma vez que a questão levantada deve ser respon- dida pelo próprio autor. Seu desenvolvimento é feito por intermédio da confecção de uma resposta à pergunta. Modelo nº 5: Será possível determinar qual é _________________ para ___________________? (Resposta) ___ ______________________________________________________________________________. Preenchendo o modelo, teremos: Será possível determinar qual é a melhor combinação de alimentos para atender às necessidades diárias de nossa população? Qualquer nutricionista dirá que sim, pois alimen- tos ricos em carboidratos e proteínas devem compor essa alimentação e não há quase nada mais apropriado do que nosso tradicional prato de todos os dias. O arroz com feijão tem as proporções perfeitas para satisfazer essa necessidade que todos têm de recomposição de for- ça e de energia. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 75 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Parágrafos de Desenvolvimento Após o primeiro parágrafo, que, como já vimos, pode apresentar a tese e também os argumentos principais que serão desenvolvidos, chega a hora de abordar os elementos que sustentarão essas afirmações iniciais. Os parágrafos seguintes deverão conter os recursos argumentativos que articularão o convencimento do leitor quanto à tese apresentada. z Tipos Diferentes de Parágrafos de Desenvolvimento As possibilidades de ordenação do parágrafo são várias: exploração de aspectos espaciais e temporais, enumeração de pormenores, apresentação de analogia ou contraste, citação de exemplos e apresentação de causas e consequências. Acompanhe a seguir. � Desenvolvimento por Exploração Espacial Ao argumentar, você pode se servir da exposição de informações relativas ao lugar em que os fatos ocorreram. Modelo nº 1: A cidade (ou região) em destaque é ______, que fica localizada em _________________, região ______ de _________. É aí onde se localiza ________________________ dessa região. Cercada por ________________________, foi bem no centro desse _______________________________________________. Preenchendo o modelo, teremos: A cidade em destaque é Pindaíba da Serra, que fica localizada em Monte Mole, região nobre de Pindorama. É aí onde se localiza uma das mais belas reservas naturais de paioca-rija, um cipó medicinal e afrodisíaco muito cobiçado pelos moradores dessa região. Cercada por uma densa floresta de mambutis gigantes, foi bem no centro desse santuário tropical que a próspera cida- dezinha se tornou uma espécie de centro cultural da região por preservar até hoje um dos mais tradicionais rituais de nossa história: a sagração da taioba-plus, entidade sagrada e reverenciada pelos devotos naobilicos. � Desenvolvimento por Exploração Temporal Nesse modelo, o leitor é informado do momento em que os fatos ocorreram com a indi- cação de datas e outros aspectos temporais. Pode-se recorrer nesse momento aos artifícios empregados no próprio parágrafo de alusão histórica, já que este também se serve de refe- rências cronológicas. 76 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Modelo nº 2: No passado, quando pensávamos em __________, notávamos que ______________ era ______________ comparada à que vemos recentemente. Hoje, por outro lado, _____________________________ tornaram-se _______________. O resultado disso é que _____________, na atualidade, tornou-se _______________. Preenchendo o modelo, teremos: No passado, quando pensávamos em alimentação, notávamos que sua relação com a sobre- vivência era muito maior comparada à que vemos nos nossos atuais. Hoje, por outro lado, a qualidade desses alimentos e a qualidade da saúde que eles proporcionam tornaram-se o foco desse pensamento. O resultado disso é que comer, na atualidade, tornou-se um ritual de bem viver. � Desenvolvimento por Exploração de Pormenores ou de Enumerações Nesse modelo de parágrafo, tem-se por objetivo enumerar características, relacionar aspectos importantes sobre algum assunto. A apresentação das ideias pode ser ou não ordenada segundo uma ordem de importância. A ordem depende do que se pretende enfatizar. Modelo nº 3: Entre os aspectos referentes a _________________, três pontos merecem destaque especial. O primeiro é _______________________________; o segundo diz respeito __________________ e, por fim, _________________________________. Ao preenchermos o modelo, teremos: Entre os aspectos referentes à alimentação dos brasileiros, três pontos merecem destaque especial. O primeiro é quanto aos carboidratos presentes no arroz com feijão; o segundo diz res- peito às proteínas presentes no bife com salada e, por fim, a glicose somada à cafeína no cafezinho preto com açúcar, que fornecem um completo abastecimento de energia somada ao prazer. � Desenvolvimento por exploração de contraste de ideias Na ordenação do parágrafo por exposição de contrastes entre si, você pode se servir de comparações, ideias paralelas, ideias diferentes e ideias opostas. Modelo nº 4: Muitos acreditam que _________________________, por causa da _____________________. Por outro lado, sabe-se também que ______________________________________, quando muitas vezes ___________________ ______________. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SIVA 77 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Ao preenchermos o modelo, teremos: Muitos acreditam que o cafezinho preto com açúcar pode causar excitação e ansiedade quando consumido em excesso, por causa da cafeína e da glicose presentes nele. Por outro lado, sabe-se também que essas substâncias fornecem uma carga suplementar de energia nos deixando despertos logo após o almoço, quando muitas vezes somos acometidos por uma sonolência indesejada. � Desenvolvimento por Exploração de Ideias Analógicas e Comparação Para organização das ideias, nossos redatores utilizam expressões que indicam confronto, valendo-se do artifício de contrapor ideias, seres, coisas, fatos ou fenômenos. Tal confronto tanto pode ser tanto de contrastes como de semelhanças. Analogia e com- paração são também espécies de confronto: A analogia é uma semelhança parcial que sugere uma semelhança oculta, mais completa. Na comparação, as semelhanças são reais, sensíveis numa forma verbal própria, em que entram normalmente os chamados conectivos de comparação (quanto, como, do que, tal qual) [...]12. Por exemplo: Modelo nº 5: No caso das _______________, porque cada qual tem seus próprios valores ________________. Enquanto a _________________, as ________, por sua vez, _____________________. Ao preenchermos o modelo, teremos: No caso das proteínas do bife e da salada que comemos, seria melhor não generalizar, porque cada qual tem seus próprios valores para a alimentação. Enquanto a carne é rica em proteínas que repõem as perdas musculares pelo desgaste do dia a dia, as verduras, por sua vez, oferecem as fibras que nos auxiliam no processamento dos alimentos pelo nosso organismo ajudando na absorção dos nutrientes. � Desenvolvimento por Exploração de Causa e Consequência Dentro de uma perspectiva lógica e simples, devemos compreender causa como um fator gerador de problemas e consequência como os problemas gerados pela causa. Trabalhar com causas e consequências é apresentar os aspectos que levaram ao problema discutido e às suas decorrências. 12 Ibidem, p. 232. 78 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Modelo nº 6: É de fundamental importância o __________________ para ___________________. Podemos mencionar, por exemplo, ________________ que ________________, por causa _____________. Ao preenchermos o modelo, teremos: É de fundamental importância o consumo de alimentos ricos no fornecimento de ener- gia para a movimentação do nosso corpo. Podemos mencionar, por exemplo, o arroz com feijão que diariamente abastece a nossa mesa, por causa de sua riqueza em carboidratos. Esse complexo alimentar nos recompõe da energia própria consumida durante o dia. Parágrafo de Conclusão A conclusão de uma dissertação é o momento de se mostrar que o objetivo proposto na introdução foi atingido. É de fundamental importância que não ocorra contradição com a tese proposta no início de sua redação, o que descaracterizaria toda a argumentação. Nesse momento, deve-se fazer uma síntese geral ou retomar a ideia inicial, reforçando os pontos de partida do raciocínio. Pode-se também demonstrar que uma solução a um proble- ma foi encontrada ou que uma proposta de solução pode ser alcançada, ou, ainda, que uma resposta a uma pergunta foi encontrada. Esse momento pode também gerar um questionamento final, desde que não concorra com suas exposições anteriores. A satisfação do leitor deve ser contemplada na conclusão para que ele não se sinta frustrado pela expectativa criada quanto ao tema. A volta ao início do texto que a conclusão faz é algo que chamamos de circularidade. Esse caráter finalizador da conclusão também colabora para a progressão e continuidade textual. z Tipos Diferentes de Parágrafos de Conclusão Podemos enumerar alguns exemplos de conclusões satisfatórias que todos poderão usar em seus textos dissertativos. � Conclusão por Síntese ou Resumo O primeiro recurso com que trabalharemos será o do resumo ou da síntese geral. Nesse caso, retoma-se, resumidamente, aquilo que se explorou durante o texto: Modelo nº 1: Levando-se em consideração esses aspectos __________ somos levados a acreditar que não é apenas por _______________, mas também ________________. Sendo assim, ______________. Ao preenchermos o modelo, teremos: R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 79 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Levando-se em consideração esses aspectos práticos do prato do brasileiro, somos leva- dos a acreditar que não é apenas por prazer que somos seduzidos pela nossa culinária, mas também por tudo o que ela nos oferece para a manutenção de nossa saúde. Sendo assim, a falta de qualquer um desses ingredientes nos causará debilidade, além de insatisfação. � Conclusão por Questionamento Nesse modelo, parte-se de um questionamento para encerrar seu raciocínio. Mas não se esqueça de que você não deve colocar em dúvida os argumentos desenvolvidos em sua redação. Modelo nº 2: O que mais há para ser tomado como ____________ (?) ___________ acreditar que ____________, mas também ___________ (?). Certamente que sim, pois _________________. Preenchendo o modelo, teremos: O que mais há para ser tomado como positivo e prático no prato dos brasileiros? O que sabemos nos leva a acreditar que não é apenas por prazer que somos seduzidos pela nossa culinária, mas também por tudo o que ela nos oferece para a manutenção de nossa saúde. E a falta desses ingre- dientes mudará a saúde de nossa população? Certamente que sim, pois a carência de tais ingredien- tes nos causará debilidade, além de insatisfação. � Conclusão por Resposta, Solução ou Proposta Levanta-se uma (ou mais) hipóteses ou sugestões do que se deve fazer para transformar a história mostrada durante o desenrolar do texto. Modelo nº 3: Tendo em vista os aspectos observados sobre ______________, só nos resta esperar que ___________. Ou quem saiba ainda que _______________ para que ______________________. Conse- quentemente, ___________________________. Preenchendo o modelo, teremos: Tendo em vista os aspectos observados sobre nossa alimentação, só nos resta esperar que se garanta a todo brasileiro o acesso a esse rico cardápio. Ou quem saiba ainda que se divulgue o sucesso de nossa combinação alimentar para que o mundo saiba que no Brasil se come bem. Consequentemente, será possível a qualquer um balancear com eficiência e baixo custo do que se põe na mesa de sua casa. 80 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Agora, comece a criar seus próprios arranjos e utilizar essas técnicas para compor reda- ções eficientes que garantam seu sucesso em qualquer tipo de concurso que peça a você um posicionamento específico sobre qualquer tema. CONSTRUINDO AS MÁSCARAS DE REDAÇÃO Vamos agora montar nosso quebra-cabeças? Veja como arranjamos os modelos de manei- ras diferentes. Modelo nº 1 — Introdução (Declaração Inicial) É fato notório que __________________________. Sabe-se que ______________________, além da ______________________________________. Modelo nº 2 — Desenvolvimento (Pormenores ou de Enumerações) Entre os aspectos referentes a __________________, três pontos merecem destaque especial. O primeiro é _____________________; o segundo _____________________ e por fim _________________________. Modelo nº 3 — Desenvolvimento (Temporal) No passado, quando pensávamos em ____________, notávamos que ________________ era _________________ comparada à que vemos recentemente. Hoje, por outro lado, _____________________________ tornaram-se ____________. O resultado disso é que __________, na atualidade, tornou-se _____________________. Modelo nº 4 — Desenvolvimento (Contraste de Ideias) Muitos acreditam que _____________________, por causa da _________________. Por outro lado, sabe-se também que ________________, quando muitas vezes _______________. Modelo nº 5 — Conclusão (Síntese ou Resumo) Levando-se em consideração esses aspectos_______________, somos levados a acre- ditar que não é apenas por _____________________, mas também __________. Sendo assim, _________________. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 81 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Nova máscara É fato notório que ______________________________. Sabe-se que ____________________________, além da __________________. Entre os aspectos referentes a _____________________________, três pontos merecem destaque especial. O primeiro é _______________________________; o segundo __________________________ e, por fim, _____________________________________. No passado, quando pensávamos em _____________, notávamos que ___________________ era ________________ comparada à que vemos recentemente. Hoje, por outro lado, __________________________ tornaram-se _________________. O resultado disso é que _________, na atualidade, tornou-se _________________. Muitos acreditam que __________________________, por causa da ______________________. Por outro lado, sabe-se também que ___________________, quando muitas vezes ______________. Levando-se em consideração esses aspectos _____________________, somos levados a acre- ditar que não é apenas por ________________________, mas também ______________________. Sen- do assim, ________________________. Observe que fizemos a opção por abrir nossa redação com uma declaração inicial. Como abordamos um tema geral, sem uma relevância científica notória e que representa na verda- de um conhecimento cultural somado às observações de médicos e nutricionistas, a declara- ção foi a melhor alternativa, já que não se compromete com a obrigatoriedade de recorrência a uma fonte de conhecimento referencial. Em seguida, arranjamos os parágrafos de desenvolvimento mesclando os vários modelos apresentados anteriormente. Ao mesmo tempo em que eles nos ofereciam diversas alternativas para a estruturação de nosso projeto, também nos orientavam dando caminhos a seguir na argumentação. É como se montássemos realmente um quebra-cabeça. Escolhemos três modelos diferentes de parágrafos de desenvolvimento para esse projeto: por enumerações, o temporal e o por contraste. Forçamos um pouco a barra, primeiro crian- do a máscara para, só depois, completar nossa redação. Afinal de contas, essa é a vantagem do projeto de máscaras. Veja como ficou: 82 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. É fato notório que a comida dos brasileiros é muito boa e tem tudo de que eles necessitam para o seu longo dia de trabalho. Sabe-se que o arroz com feijão nos fornece um completo abastecimento de energia somado ao prazer. Entre os aspectos referentes a esse par considerado completo que é o arroz com feijão, três pontos merecem destaque especial. O primeiro está na riqueza de carboidratos pre- sentes nele e que nos reabastece repondo a energia consumida durante o dia; o segundo nos reporta ao sabor exótico e marcante que o alimento oferece, tornando-o sempre uma escolha positiva quanto ao prazer e, por fim, deve-se levar em conta a vantagem do baixo custo dessa combinação se comparado a outros alimentos também computados como importantes para a composição de uma alimentação rica. No passado, quando pensávamos em alimentação, notávamos que sua relação com sobrevivência era muito maior comparada à que vemos recentemente. Hoje, por outro lado, a qualidade desses alimentos e a qualidade da saúde que eles proporcionam torna- ram-se o foco desse pensamento. O resultado disso é que comer, na atualidade, tornou- -se um ritual de bem viver. Muitos acreditam que a comida presente em nossas mesas é uma das mais saudáveis do mundo, por causa da sua variedade e equilíbrio. Por outro lado, sabe-se também que poderá engordar, quando muitas vezes for consumida sem medida, com inspiração apenas no sabor e no prazer que oferece. Levando-se em consideração esses aspectos práticos do prato do brasileiro, somos leva- dos a acreditar que não é apenas por prazer que somos seduzidos pela nossa culinária, mas também por tudo o que ela nos oferece para a manutenção de nossa saúde. Sendo assim, con- cluímos que a falta desse ingrediente em nossa mesa nos causará debilidade, além de insatisfação. Com esses modelos apresentados, desejamos mostrar como é possível programar e trei- nar nossos trabalhos de redação se exercitarmos essas habilidades. Porém, é de fundamental importância que você busque ou crie um modelo de máscara com o qual você mais se iden- tifique. Isso para que, no momento de produção de sua redação, principalmente se ocorrer durante uma prova de concurso, você já esteja organizado. Com isso, espera-se que você tenha a vantagem de partir direto para a elaboração de seu texto sem ter de ficar parado buscando inspiração em um momento em que todo segundo é importante. PROJETO DE TEXTO — ANÁLISE DE PROPOSTAS E RESPECTIVOS PROJETOS POSSÍVEIS Neste tópico, trabalharemos com a análise de uma proposta de redação para observar como vêm sendo apresentados os temas e como agir diante das diferentes exigências feitas em provas de concursos. Depois passaremos ao trabalho de orientação de como evitar erros comuns e como buscar solu- ções para alguns problemas que venhamos a enfrentar quando estivermos escrevendo a nossa redação durante a prova. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 83 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Veja a proposta a seguir: PROVA DISCURSIVA z Nesta folha, faça o que se pede, usando, caso deseje, o espaço para rascunho indicado no pre- sente caderno. Em seguida, transcreva o texto para a folha de texto definitivo da prova discursiva, no local apropriado, pois não será avaliado fragmento de texto escrito em local indevido z Qualquer fragmento de texto além da extensão máxima de linhas disponibilizadas será desconsiderado z Na Folha de Texto Definitivo, a presença de qualquer marca identificadora no espaço destinado à transição do texto definitivo acarretará a anulação da sua prova discursiva z Ao domínio do conteúdo serão atribuídos até 13,00 pontos, dos quais até 0,60 ponto será atri- buído ao quesito apresentação (legibilidade, respeito às margens e indicação de parágrafos) e estrutura textual (organização das ideias em texto estruturado) Inicialmente, o candidato é orientado a usar a folha de rascunho e depois transcrevê-la para a folha definitiva. Por quê? Porque muitos candidatos deixam para fazer suas redações ao término da prova objetiva, quando a prova discursiva ocorre concomitantemente a esta, e acabam administrando mal o tempo. Quando isso ocorre, acabam fazendo suas redações diretamente na folha definitiva e têm de assumir os riscos de cometer erros que não podem ser revertidos. Ou, ainda, não conseguem passar o texto “a limpo” e esperam que seja corri- gido assim mesmo. Importante! Por determinação apresentada geralmente nos editais, os rascunhos não serão lidos. Dessa forma, os candidatos perdem a oportunidade de disputar a vaga para esse concurso, pois são desclassificados como se não houvessem feito sua redação. Como falam sobre um lugar apropriado para a transcrição do texto e declaram que não con- siderarão fragmentos de textos escritos em lugar indevido, os candidatos deverão ficar atentos às margens e ao número de linhas disponibilizado. Ou seja, se ultrapassadas as trinta linhas da folha, certamente a conclusão ficará fragmentada. Se a margem for ultrapassada, aquela parte da palavra não será lida. O resultado dessas desatenções prejudicará toda a coerência do texto, além de comprometer a estrutura dissertativa. Por fim, vêm as orientações quanto ao erro de grafia, que nem sempre aparecem nesse quadro inicial, mas que sempre servem como referência para todas as provas. Lembre-se sempre de que o corretor não é um perito do serviço de inteligência nacional, que busca meios científicos e investigativos para decodificar informações relevantes de uma mensagem secreta. Por isso, se seu textotiver problemas quanto à legibilidade, mais pontos serão perdi- dos, ou pior, será desclassificado caso não se possa ler o que foi escrito. Veja como as bancas costumam trabalhar com o possível erro na transcrição de uma pala- vra. Você deve apenas passar um traço sobre a palavra, a frase, o trecho ou o sinal gráfico e escrever em seguida o respectivo substituto. Exemplo: 84 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Depois de hoje, iremos para nossas caz casas muito felizes. Errou? Corrigiu! Como informação extra, eles alertam para que não se usem parênteses com essa finalida- de. Os parênteses são elementos gramaticais de pontuação e, como tais, devem ser usados em sua indicação correta, isolando termos pertinentes ao texto, e é dessa forma que será avaliado seu uso. Observe agora os seguintes textos motivadores e o tema que deve ser abordado obrigatoriamente: Direito à Saúde O direito à saúde é parte do conjunto de direitos chamados de direitos sociais, que têm como inspira- ção o valor da igualdade entre as pessoas. No Brasil, esse direito apenas foi reconhecido na CF; antes disso, o Estado apenas oferecia atendimento à saúde para trabalhadores com carteira assinada e suas famílias; as outras pessoas tinham acesso a esses serviços como um favor e não como um direito. Na Constituinte de 1988, as responsabilidades do Estado foram repensadas, e promover a saúde de todos passou a ser seu dever: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação” (CF, art. 196). A saúde é um direito de todos porque sem ela não há condições de uma vida digna, e é um dever do Estado porque é financiada pelos impostos que são pagos pela população. Dessa forma, para que o direito à saúde seja uma realidade, é preciso que o Estado crie condições de atendimento em postos de saúde, hospitais, programas de prevenção, medicamentos etc., e, além disso, é preciso que esse aten- dimento seja universal (atingindo a todos os que precisam) e integral (garantindo tudo de que a pessoa precise). A criação do SUS está diretamente relacionada à tomada de responsabilidade por parte do Estado. Organizado com o objetivo de proteger, o SUS deve promover e recuperar a saú- de de todos os brasileiros, independentemente de onde morem, de trabalharem ou não e de quais sintomas apresentem. Infelizmente, esse sistema ainda não está completamente organi- zado e ainda existem muitas falhas, no entanto seus direitos estão garantidos e devem ser cobrados para que sejam cumpridos. Internet: nev.incubadora.fapesp.br (com adaptações). A humanização é um movimento com crescente e disseminada presença, assumindo diferentes sen- tidos segundo a proposta de intervenção eleita. Aparece, à primeira vista, como a busca de um ideal, pois, surgindo em distintas frentes de atividades e com significados variados, segundo os seus propo- nentes, tem representado uma síntese de aspirações genéricas por uma perfeição moral das ações e relações entre os sujeitos humanos envolvidos. Cada uma dessas frentes arrola e classifica um conjunto de questões práticas, teóricas, comportamentais e afetivas que teriam uma resultante humanizadora. Nos serviços de saúde, essa intenção humanizadora se traduz em diferentes proposições: melho- rar a relação médico-paciente; organizar atividades de convívio, amenizadas e lúdicas, como as brinquedotecas e outras ligadas às artes plásticas, à música e ao teatro; garantir acompanhante na internação da criança; implementar novos procedimentos na atenção psiquiátrica, na realiza- ção do parto — parto humanizado — e na atenção ao recém-nascido de baixo peso — programa da R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 85 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. mãe-canguru —; amenizar as condições do atendimento aos pacientes em regime de terapia intensiva; denunciar a “mercantilização” da medicina; criticar a “instituição total” e tantas outras proposições. Internet: www.scielo.br A Necessidade de Humanização dos Serviços Públicos de Saúde z Compreendendo a Proposta O primeiro passo, ao analisar os textos propostos, é buscar os principais pontos de maior destaque por eles abordados. Destacamos as palavras-chave de cada parágrafo para construir uma síntese sobre as principais ideias. Essa é uma atitude que também pode ser tomada duran- te a análise das propostas, pois é assim que poderá se construir a tese em sintonia com o tema. O próximo passo é organizar essas informações, relacionando-as ao tema, como se elas pudes- sem responder a uma pergunta feita a partir dele. Veja uma possibilidade: z Como Humanizar os Serviços Públicos de Saúde? Vamos agora produzir algumas possíveis respostas com as palavras que destacamos no texto: � Cobrar dos governantes condições dignas de atendimento por se tratar de um dever do Estado reverter em benefícios à população os valores arrecadados em impostos; � Responsabilizar o governo pela proteção e recuperação da saúde de todos. z Por que é Necessário Humanizar os Serviços Públicos? � Para garantir a todos o direito à saúde, já que se trata de uma determinação de nossa Consti- tuição, prestando serviços de atendimento ao público; � Para destacar que a humanização dos serviços públicos não é apenas uma aspiração de per- feição moral, mas, antes de tudo, um programa de melhoria nas relações de convívio com os agentes de saúde, promovendo o desenvolvimento de novos procedimentos de atendimento aos pacientes; � Para poder denunciar as especulações e a mercantilização dos serviços médicos e cri- ticar a instituição em sua totalidade e rejeitar proposições que não atendam às aspira- ções populares. Agora, vamos criar uma tese que se encaixe com essas respostas, como, por exemplo: Já passou da hora de reconhecer no povo brasileiro o valor de homem vivente e não ape- nas de ver esse povo como se fosse um coletivo impessoal; como se não respirassem, nem pensassem; como se fossem um número em um gráfico de estatística e não existissem. Em seguida, vamos buscar, nas respostas que elaboramos, ações que promovam essa pro- posta de humanização, como, por exemplo: 86 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. � Treinar os profissionais de saúde para que recepcionem os pacientes com um atendi- mento mais atencioso nesse momento de carência; � Unificar as informações sobre o oferecimento de serviços apropriados aos pacien- tes, bem como oferecer meios de locomoção contínua aos que necessitam buscar outras unidades que possam atendê-los; � Fiscalizar e avaliar continuamente a qualidade dos serviços oferecidos, expondo os resultados à população, além de apresentar cronogramas dos projetos de evolução de desenvolvimento científico e tecnológico a serem implementados em prol da saúde. Feito isso, vamos usar o processo inverso com as palavras-chave e organizar nosso projeto de texto. Observe: Já passou da hora de reconhecer no povo brasileiro o valor de homem vivente e não ape- nas de ver esse povo como se fosse um coletivo impessoal; como se não respirassem, nem pensassem; como se fossem um número em um gráfico de estatística e não existissem. Para que o homem prevaleça com sua dignidade, deve-se procurar treinar melhor os profissio- nais de saúde, unificar as informações sobre o oferecimento de serviços, além de fiscali- zar e avaliar continuamente a qualidade dos serviços oferecidos. Daqui para frente, você já sabe: é o arroz com feijão, ou seja, os modelos que apresentamos extensamente ao longo do material. Demonstramos aqui algumas formas diferentes de análise de propostas, mas que com- preendem praticamente a forma básica de trabalho com todas as diferentes instituições e diferentes propostas, assim como dissemos que faríamos. 20 DICAS COM SÍNTESE DE ALGUNS ASPECTOS DE GRANDE RELEVÂNCIAVamos passar agora para o acabamento de nossa redação, pois alguns aspectos devem ser observados antes que fechemos a nossa redação. Reunimos aqui algumas informações importantes para a organização e revisão de seu tra- balho. Algumas já foram trabalhadas anteriormente, mas as retomaremos para criar um pro- cedimento de observação geral. 1º Estética: Grafia / Alinhamento / Paragrafação / Respeito às Margens Essa serve para qualquer prova de concurso. A maioria das bancas exige que os candida- tos apresentem uma escrita que permita a leitura clara do texto sem a preocupação com o tipo de letra, respeitando apenas questões de caixa alta (letra grande marcando o início de frases e nomes próprios) e caixa baixa (letra pequena compondo o restante da palavra). A segunda parte deste item aborda o respeito às margens. É de fundamental importância a disposição do texto na folha definitiva. O texto deverá respeitar os limites impostos pelas margens direita e esquerda, nunca ultrapassando seus limites nem se distanciando demasia- damente delas: margens R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 87 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Na margem esquerda da folha definitiva de redação, deve-se iniciar a escrita imediata- mente ao lado da linha, sem deixar folga alguma entre a primeira letra e a demarcação da margem. margens Na margem direita, a preocupação do candidato aumenta, pois além de se preocupar com as questões de divisão silábica e o correto emprego do hífen para essa função, ele também deverá se preocupar em não ultrapassar a linha demarcatória da margem. margens Parágrafo2 cm O último item deste quesito trata da paragrafação, ou seja, a disposição dos parágrafos dentro da redação. O candidato deverá deixar bem clara a distância em que se iniciará a escritura do parágrafo para que se faça a diferença com a escrita iniciada junto à margem. Um afastamento de aproximadamente 2 cm já é suficiente. Dica Para marcar o recuo de parágrafo, recorra à velha dica da escola e deixe o espaço de dois dedos antes de começar a escrever. 2º O Erro Insira apenas uma linha sobre as palavras erradas. Você deve apenas passar um traço sobre a palavra, a frase, o trecho ou o sinal gráfico e escrever em seguida o respectivo substituto. Exemplo: Depois de hoje, iremos para nossas caz casas muito felizes. 3º Faça Períodos Curtos Componha parágrafos de aproximadamente três períodos cada. Com os modelos que apresentamos, foi possível observar que, para cada parágrafo de aproximadamente 5 linhas, usamos pelo menos 3 períodos. Com isso, conseguimos algumas vantagens, como a de ser mais objetivos e diretos ao abordar uma ideia e a de isolar um pos- sível erro dentro de um período sem projetá-lo para o resto do parágrafo. (1) É de fundamental importância o ___________ para_____________. / (2) Podemos mencionar, por exemplo, _______________________ que ____________________, por causa ______________________. / (3) Esse __________________ do que _______________________. 4º A Ordem Direta Facilita na Correta Pontuação 88 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Uma das importantes regras de pontuação que determina o correto emprego da vírgula orienta que, se a oração estiver em ordem direta (sujeito + verbo + complementos), não se deve usar vírgula para separar termos que se complementam sintaticamente. Ou seja, se estiver com alguma dúvida quanto ao uso de vírgula, reorganize a oração para ver se fica mais fácil a compreensão da estrutura. Exemplo: z Ordem com termo deslocado: Sujeito Verbo Complemento verbal Hoje pela manhã, eu comprei um belo carro novo. Termo deslocado (Complemento adverbial) z Ordem direta: Eu comprei um belo carro novo hoje pela manhã. 5º Colocação Pronominal Os pronomes pessoais oblíquos átonos podem ocupar três posições distintas na oração: ante- posto ao verbo (próclise), posposto ao verbo (ênclise) e entremeio ao verbo (mesóclise). Em regra, a posição que esses pronomes vão ocupar em determinada oração é estabelecida perante a pre- sença ou ausência de palavras atrativas. Advérbios, conjunções subordinativas, termos que exprimem sentido negativo, pronomes relativos, indefinidos e demonstrativos são exemplos de palavras capazes de atrair o prono- me pessoal oblíquo átono para antes do verbo. Assim, não havendo nenhuma palavra atrati- va antes do verbo da oração, subentende-se que a colocação pronominal dar-se-á pela ênclise ou mesóclise, a depender da construção sintática. Falaria-se muito sobre este assunto naquele dia. (errado) Falar-se-ia muito sobre este assunto naquele dia. (certo) Ou Muito se falaria sobre este assunto naquele dia. (sempre certo) 6º Impessoalidade As verdades gerais sempre têm maior valor. As opiniões pessoais pouco contribuem para a sus- tentação de uma ideia. Por isso, as afirmações apresentadas terão melhor aceitação se trouxerem representações gerais de valor coletivo: Acredita-se em vez de Acredito Sabe-se em vez de Sei E outras expressões generalizantes como: É de conhecimento geral... / Muitos entendem que... / Muito se tem discutido sobre... R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 89 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. 7º Tese É importante que seja bem fundamentada, pois é quando você apresenta seu ponto de vista, seu posicionamento diante do tema. 8º Argumentos para seu Texto É comum a cobrança de temas próprios às funções dos cargos disputados, por isso, preste sempre atenção nos assuntos recorrentes dos textos da prova. 9º Título Não se põe título nas redações para concursos, a menos que isso seja uma exigência do edital. 10º Evite a repetição das palavras Use sinônimos e outros termos de recuperação. z que = o qual / a qual; z onde= em que, no qual / na qual. 11º Vocabulário Procure sempre a clareza na apropriação vocabular. A linguagem simples torna o texto mais fluente: pense em explicar seus argumentos como se falasse a uma criança de 10 anos. Não use erudições do tipo “hodiernamente”; diga: atualmente ou hoje em dia. 12º Interferência Positiva Se possível, apresente propostas que deem solução aos problemas levantados na redação. Não fique apenas fazendo constatações óbvias. 13º Não Faça Críticas ao Governo Essa postura é pobre e pouco criativa — é o que se chama de lugar comum. É como pedir emprego em uma empresa e criticar o patrão durante a entrevista. Isso é ser muito ingênuo. 14º O Rascunho é Importante É a sua garantia de poder fazer uma revisão eliminando erros. Vale sempre a pena caprichar. Lembre-se de que é função de quem escreve seduzir o leitor e o estímulo visual contribui para que haja uma boa impressão. 15º Evite Expressões Vagas 90 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Atente-se para as expressões vagas ou de significado amplo e sua adequada contextualiza- ção. Exemplos: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felici- dade” etc. 16º Atenção aos Adjetivos Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”, “pobre”, “rico” etc., pois são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e subjetivos. 17º Evite o Senso Comum Fuja do lugar-comum, de frases feitas e expressões cristalizadas, como “a pureza das crian- ças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações. 18º Uso de Aspas Não se usam entre aspas palavras estrangeiras sem correspondência na língua portugue- sa: hippie, status, dark, punk, chips etc. 19º Atenção às Repetições e Fugas ao Tema Observe se não há repetição de ideias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal-empregadas), falta de concatenação (coesão) de ideias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto. 20º Cumpra o Proposto no Texto Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentaçãoresponde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.dispensadas, o que também proporcionará mais objetividade ao texto. A objetividade conduz o leitor ao contato mais direto com o assunto e com as informações, sem subterfúgios, sem excessos de palavras e de ideias. É errado supor que a objetividade suprime a delicadeza de expressão ou torna o texto rude e grosseiro. z Concisão A concisão é antes uma qualidade do que uma característica do texto oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir o máximo de informações com o mínimo de palavras. Não se deve de forma alguma entendê-la como economia de pensamento, isto é, não se deve eliminar passagens substanciais do texto com o único objetivo de reduzi-lo em tamanho. Trata-se, exclusivamente, de excluir palavras inúteis, redundâncias e passagens que nada acrescentem ao que já foi dito. Detalhes irrelevantes são dispensáveis: o texto deve evitar caracterizações e comentários supér- fluos, adjetivos e advérbios inúteis, além de uma subordinação excessiva. A seguir, um exemplo de período mal construído, prolixo: Apurado, com impressionante agilidade e precisão, naquela tarde de 2009, o resultado da con- sulta à população acriana, verificou-se que a esmagadora e ampla maioria da população daquele distante estado manifestou-se pela efusiva e indubitável rejeição da alteração realiza- da pela Lei nº 11.662, de 2008. Não satisfeita, inconformada e indignada, com a nova hora legal vinculada ao terceiro fuso, a maioria da população do Acre demonstrou que a ela seria melhor regressar ao quarto fuso, estando cinco horas a menos que em Greenwich. Nesse texto, há vários detalhamentos desnecessários, abusou-se no emprego de adjetivos (impressionante, esmagadora, ampla, inconformada, indignada), o que lhe confere carga afe- tiva injustificável, sobretudo em texto oficial, que deve primar pela impessoalidade. Elimina- dos os excessos, o período ganha concisão, harmonia e unidade: Apurado o resultado da consulta à população acreana, verificou-se que a maioria da popu- lação se manifestou pela rejeição da alteração realizada pela Lei nº 11.662, de 2008. Não satisfeita com a nova hora legal vinculada ao terceiro fuso, a maioria da população do Acre demonstrou que a ela seria melhor regressar ao quarto fuso, estando cinco horas menos que em Greenwich. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 11 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Coesão e Coerência É indispensável que o texto tenha coesão e coerência. Tais atributos favorecem a conexão, a ligação, a harmonia entre os elementos de um texto. Percebe-se que o texto tem coesão e coerência quando se lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns aos outros. Alguns mecanismos que estabelecem a coesão e a coerência de um texto são: referência, substituição, elipse e uso de conjunção. � Referência Diz respeito aos termos que se relacionam a outros necessários à sua interpretação. Esse mecanismo pode dar-se por retomada de um termo, relação com o que é precedente no texto, ou por antecipação de um termo cuja interpretação dependa do que se segue. Exemplos: O Deputado evitou a instalação da CPI da corrupção. Ele aguardou a decisão do Plenário. O TCU apontou estas irregularidades: falta de assinatura e de identificação no documento. � Substituição É a colocação de um item lexical no lugar de outro(s) ou no lugar de uma oração. Exemplos: O Presidente assinou o acordo. O Chefe do Poder Executivo federal propôs reduzir as alíquotas. O ofício está pronto. O documento trata da exoneração do servidor. Os governadores decidiram acatar a decisão. Em seguida, os prefeitos fizeram o mesmo. � Elipse Consiste na omissão de um termo recuperável pelo contexto. Exemplo: O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (Na segunda oração, houve a omissão do verbo “regulamenta”). Dica Outra estratégia para proporcionar coesão e coerência ao texto é utilizar conjunção para estabele- cer ligação entre orações, períodos ou parágrafos. Exemplo: O Embaixador compareceu à reunião, pois identificou o interesse de seu Governo pelo assunto. z Impessoalidade A impessoalidade decorre de princípio constitucional (Constituição, art. 37), e seu significado remete a dois aspectos: o primeiro é a obrigatoriedade de que a administração pública proceda de modo a não privilegiar ou prejudicar ninguém, de que o seu norte seja, sempre, o interesse público; o segundo, a abstração da pessoalidade dos atos administrativos, pois, apesar de a ação administrativa ser exercida por intermédio de seus servidores, é resultado tão-somente da von- tade estatal. 12 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. A redação oficial é elaborada sempre em nome do serviço público e sempre em atendi- mento ao interesse geral dos cidadãos. Sendo assim, os assuntos objetos dos expedientes ofi- ciais não devem ser tratados de outra forma que não a estritamente impessoal. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que cons- tam das comunicações oficiais decorre: � Da ausência de impressões individuais de quem comunica: embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Chefe de determinada Seção, a comunicação é sempre feita em nome do serviço público. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que as comunicações elaboradas em diferentes setores da administração pública guardem entre si certa uniformidade; � Da impessoalidade de quem recebe a comunicação: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido como público, ou a uma instituição privada, a outro órgão ou a outra entidade pública. Em todos os casos, temos um destinatário concebido de forma homogê- nea e impessoal; � Do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comu- nicações oficiais se restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, é natu- ral não caber qualquer tom particular ou pessoal. Não há lugar na redação oficial para impressões pessoais, como as que, por exem- plo, constam de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta da interferência da individualidade de quem a elabora. A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessá- ria impessoalidade. z Formalidade e Padronização As comunicações administrativas devem ser sempre formais, isto é, obedecer a certas regras de forma (BRASIL, 2015). Isso é válido tanto para as comunicações feitas em meio eletrôni- co (por exemplo, o e-mail, o documento gerado no SEI!7, o documento em html etc.), quanto para os eventuais documentos impressos. É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata somente do correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível, mais do que isso: a formalidade diz respeito à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação. A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária uniformidade das comunica- ções. Ora, se a administração pública federal é una, é natural que as comunicações que expeça sigam o mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que se atente para todas as características da redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos. A digitação sem erros, o uso de papéis uniformes para o texto definitivo, nas exceções em que se fizer necessária a impressão, e a correta diagramação do texto são indispensáveis para a padronização. Consulte o Capítulo II do Manual, “As comunicações oficiais”, a respeito de normas específicas para cada tipo de expediente. 7 O Sistema Eletrônico de Informações é uma ferramenta de gestão de documentos. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 13 Todos os direitos são reservados àNova Concursos. Em razão de seu caráter público e de sua finalidade, os atos normativos e os expedien- tes oficiais requerem o uso do padrão culto do idioma, que acata os preceitos da gramática formal e emprega um léxico compartilhado pelo conjunto dos usuários da língua. O uso do padrão culto é, portanto, imprescindível na redação oficial por estar definido como padrão para tal atividade, sendo importante evitar as diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas, regionais, os modismos vocabulares e as particularidades linguísticas. Recomendações: z a língua culta é contra a pobreza de expressão e não contra a sua simplicidade; z o uso do padrão culto não significa empregar a língua de modo rebuscado ou utilizar figu- ras de linguagem próprias do estilo literário; z a consulta ao dicionário e à gramática é imperativa na redação de um bom texto. Pode-se concluir que não existe propriamente um padrão oficial de linguagem, o que há é o uso da norma padrão nos atos e nas comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua com- preensão limitada. CAPÍTULO II — AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS Introdução A redação das comunicações oficiais deve, antes de tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, “Aspectos gerais da redação oficial”. Além disso, há características específicas de cada tipo de expediente, que serão tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modalidades de comunica- ção oficial. Pronomes de Tratamento Tradicionalmente, o emprego dos pronomes de tratamento adota a segunda pessoa do plural, de maneira indireta, para referenciar atributos da pessoa à qual se dirige. Na reda- ção oficial, é necessário atenção para o uso dos pronomes de tratamento em três momentos distintos: no endereçamento, no vocativo e no corpo do texto. No vocativo, o autor dirige-se ao destinatário no início do documento. No corpo do texto, pode-se empregar os pronomes de tratamento em sua forma abreviada ou por extenso. O endereçamento é o texto utilizado no envelope que contém a correspondência oficial. 14 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. A seguir, alguns exemplos de utilização de pronomes de tratamento no texto oficial: AUTORIDADE ENDEREÇAMEN- TO VOCATIVO TRATAMENTO NO CORPO DO TEXTO ABREVIATURA Presidente da República A Sua Excelência o Senhor Excelentíssi- mo Senhor Presidente da República Vossa Excelência Não se usa Presidente do Congresso Nacional A Sua Excelência o Senhor Excelentíssi- mo Senhor Presidente do Congresso Nacional Vossa Excelência Não se usa Presidente do Supremo Tribunal Federal A Sua Excelência o Senhor Excelentíssimo Senhor Presi- dente do Su- premo Tribunal Federal Vossa Excelência Não se usa Vice-Presidente da República A Sua Excelência o Senhor Senhor Vice- -Presidente da República Vossa Excelência V. Exa. Ministro de Estado A Sua Excelência o Senhor Senhor Ministro Vossa Excelência V. Exa. Secretário-Executi- vo de Ministério e demais ocupantes de cargos de natu- reza especial A Sua Excelência o Senhor Senhor Secre- tário-Executivo Vossa Excelência V. Exa. Embaixador A Sua Excelência o Senhor Senhor Embaixador Vossa Excelência V. Exa. Oficial-Gene- ral das Forças Armadas A Sua Excelência o Senhor Senhor + Posto Vossa Excelência V. Exa. Outros postos militares Ao Senhor Senhor + Posto Vossa Senhoria V. Sa. Senador da República A Sua Excelência o Senhor Senhor Senador Vossa Excelência V. Exa. Deputado Federal A Sua Excelência o Senhor Senhor Deputado Vossa Excelência V. Exa. Ministro do Tribu- nal de Contas da União A Sua Excelência o Senhor Senhor Minis- tro do Tribunal de Contas da União Vossa Excelência V. Exa. Ministro dos Tribu- nais Superiores A Sua Excelência o Senhor Senhor Ministro Vossa Excelência V. Exa. Os exemplos da tabela são meramente exemplificativos. A profusão de normas estabe- lecendo hipóteses de tratamento por meio do pronome “Vossa Excelência” para categorias específicas tornou inviável arrolar todas as hipóteses. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 15 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Concordância com os Pronomes de Tratamento Os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades quanto às concordâncias verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala), levam a concordância para a terceira pessoa. Os pronomes Vossa Excelência ou Vossa Senhoria são utilizados para se comunicar direta- mente com o receptor. Ex.: Vossa Senhoria designará o assessor. Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa. Ex.: Vossa Senhoria designará seu substituto. (E não “Vossa Senhoria designa- rá vosso substituto.”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Ex.: Se o interlocutor for homem, o correto é: Vossa Excelência está atarefado. Se o interlocutor for mulher: Vossa Excelência está atarefada. O pronome Sua Excelência é utilizado para se fazer referência a alguma autoridade (indi- retamente). Ex.: A Sua Excelência o Ministro de Estado Chefe da Casa Civil (por exemplo, no endereçamento do expediente). z Signatário � Cargos interino e substituto Na identificação do signatário, depois do nome do cargo, é possível utilizar os termos interino e substituto, conforme situações a seguir: interino é aquele nomeado para ocupar transitoriamen- te cargo público durante a vacância; substituto é aquele designado para exercer as atribuições de cargo público vago ou no caso de afastamento e impedimentos legais ou regulamentares do titular. Esses termos devem ser utilizados depois do nome do cargo, sem hífen, sem vírgula e em minúsculo. Exemplos: Diretor-Geral interino; Secretário-Executivo substituto. � Signatárias do sexo feminino Na identificação do signatário, o cargo ocupado por pessoa do sexo feminino deve ser fle- xionado no gênero feminino. Exemplos: Ministra de Estado; Secretária-Executiva interina; Técnica Administrativa; Coordenadora Administrativa. z Grafia de cargos compostos 16 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Escrevem-se com hífen: � Cargos formados pelo adjetivo “geral”: diretor-geral, relator-geral, ouvidor-geral; � Postos e gradações da diplomacia: primeiro-secretário, segundo-secretário; � Postos da hierarquia militar: tenente-coronel, capitão-tenente; Importante! Nomes compostos com elemento de ligação preposicionado ficam sem hífen: general de exército, general de brigada, tenente-brigadeiro do ar, capitão de mar e guerra. � Cargos que denotam hierarquia dentro de uma empresa: diretor-presidente, diretor- -adjunto, editor-chefe, sócio-gerente, diretor-executivo; � Cargos formados por numerais: primeiro-ministro, primeira-dama; � Cargos formados com os prefixos “ex” ou “vice”: ex-diretor, vice-coordenador. O novo Acordo Ortográfico tornou opcional o uso de iniciais maiúsculas em palavras usadas reverencialmente, por exemplo para cargos e títulos (exemplo: o Presidente francês ou o presidente francês). Porém, em palavras com hífen, após se optar pelo uso da maiúscula ou da minúscula, deve- -se manter a escolha para a grafia de todos os elementos hifenizados: pode-se escrever “Vice-Presi- dente” ou “vice-presidente”, mas não “Vice-presidente”. z Vocativo O vocativo é uma invocação ao destinatário. Nas comunicações oficiais, o vocativo será sempre seguido de vírgula. Em comunicações dirigidas aosChefes de Poder, utiliza-se a expressão Excelentíssimo Senhor ou Excelentíssima Senhora e o cargo respectivo, seguidos de vírgula. Exemplos: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional, Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, As demais autoridades, mesmo aquelas tratadas por Vossa Excelência, receberão o voca- tivo Senhor ou Senhora seguido do cargo respectivo. Exemplos: Senhora Beneficiária, Senhor Contribuinte, R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 17 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Na hipótese de comunicação com particular, pode-se utilizar o vocativo Senhor ou Senhora e a forma utilizada pela instituição para referir-se ao interlocutor: beneficiário, usuário, contribuinte, eleitor etc. Exemplos: Senhora Senadora, Senhor Juiz, Senhora Ministra, Ainda, quando o destinatário for um particular, no vocativo, pode-se utilizar Senhor ou Senhora seguido do nome do particular ou pode-se utilizar o vocativo “Prezado Senhor” ou “Prezada Senhora”. Exemplos: Senhora [Nome], Prezado Senhor, Importante! Em comunicações oficiais, está abolido o uso de Digníssimo (DD) e de Ilustríssimo (Ilmo.). Evite- -se o uso de “doutor” indiscriminadamente. O tratamento por meio de Senhor confere a formali- dade desejada. O Padrão Ofício Até a segunda edição deste Manual, havia três tipos de expedientes que se diferenciavam antes pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o memorando. Com o objetivo de uniformizá-los, deve-se adotar nomenclatura e diagramação únicas, que sigam o que chama- mos de padrão ofício. A distinção básica anterior entre os três era: z Aviso: era expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia; z Ofício: era expedido para e pelas demais autoridades; z Memorando: era expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão. Nesta nova edição ficou abolida aquela distinção e passou-se a utilizar o termo ofício nas três hipóteses. A seguir, será apresentada a estrutura do padrão ofício, de acordo com a ordem com que cada elemento aparece no documento oficial. 18 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Partes do Documento no Padrão Ofício z Cabeçalho: o cabeçalho é utilizado apenas na primeira página do documento, centraliza- do na área determinada pela formatação (ver subitem “5.2 Formatação e apresentação” do Manual). No cabeçalho deverão constar os seguintes elementos: � Brasão de Armas da República8: no topo da página. Não há necessidade de ser aplica- do em cores. O uso de marca da instituição deve ser evitado na correspondência oficial para não se sobrepor ao Brasão de Armas da República; � Nome do órgão principal; � Nomes dos órgãos secundários, quando necessários, da maior para a menor hierarquia; � Espaçamento: entrelinhas simples (1,0). Exemplo: [Nome do órgão] [Secretaria/Diretoria] [Departamento/Setor/Entidade] Os dados do órgão, tais como endereço, telefone, endereço de correspondência eletrôni- ca, sítio eletrônico oficial da instituição, podem ser informados no rodapé do documento, centralizados. z Identificação do expediente Os documentos oficiais devem ser identificados da seguinte maneira: � Nome do documento: tipo de expediente por extenso, com todas as letras maiúsculas; � Indicação de numeração: abreviatura da palavra “número”, padronizada como Nº; � Informações do documento: número, ano (com quatro dígitos) e siglas usuais do setor que expede o documento, da menor para a maior hierarquia, separados por barra (/); � Alinhamento: à margem esquerda da página. 8 O desenho oficial atualizado do Brasão de Armas da República pode ser localizado no sítio eletrônico da Presidência da República, na seção Símbolos Nacionais. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/conheca-a-presidencia/acervo/simbolos-nacionais/brasao-da-republica. No caso de documento a ser impresso, exclusivamente quando o signatário for o Presidente da República, Ministro de Estado ou a autoridade máxima de autarquia, será utilizado timbre em relevo branco, nos termos do disposto no Decreto nº 80.739, de 14 de novembro de 1977. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 19 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Exemplo: OFÍCIO Nº 652/2018/SAA/SE/MT z Local e data do documento Na grafia de datas em um documento, o conteúdo deve constar da seguinte forma: � Composição: local e data do documento; � Informação de local: nome da cidade onde foi expedido o documento, seguido de vír- gula. Não se deve utilizar a sigla da unidade da federação depois do nome da cidade; � Dia do mês: em numeração ordinal se for o primeiro dia do mês e em numeração cardinal para os demais dias do mês. Não se deve utilizar zero à esquerda do número que indica o dia do mês; � Nome do mês: deve ser escrito com inicial minúscula; � Pontuação: coloca-se ponto-final depois da data; � Alinhamento: o texto da data deve ser alinhado à margem direita da página. Exemplo: Brasília, 2 de fevereiro de 2018. z Endereçamento O endereçamento é a parte do documento que informa quem receberá o expediente. Nele deverão constar os seguintes elementos: � Vocativo: na forma de tratamento adequada para quem receberá o expediente (ver subitem “Pronomes de tratamento”); � Nome: nome do destinatário do expediente; � Cargo: cargo do destinatário do expediente; � Endereço: endereço postal de quem receberá o expediente, dividido em duas linhas: Primeira linha: informação de localidade/logradouro do destinatário ou, no caso de ofício ao mesmo órgão, informação do setor; Segunda linha: CEP e cidade/unidade da federação, separados por espaço simples. Na separação entre cidade e unidade da federação pode ser substituída a barra pelo ponto ou pelo travessão. No caso de ofício ao mesmo órgão, não é obrigatória a informação do CEP, podendo ficar apenas a informação da cidade/unidade da federação; � Alinhamento: à margem esquerda da página. O pronome de tratamento no endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência terá a seguinte forma: “A Sua Excelência o Senhor” ou “A Sua Excelência a Senhora”. Quando o tratamento destinado ao receptor for Vossa Senhoria, o endereçamento a ser empregado é “Ao Senhor” ou “À Senhora”. Ressalte-se que não se utiliza a expressão “A Sua Senhoria o Senhor” ou “A Sua Senhoria a Senhora”. 20 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Exemplos: A Sua Excelência o Senhor [Nome] Ministro de Estado da Justiça Esplanada dos Ministérios Bloco T 70064-900 Brasília/DF À Senhora [Nome] Diretora de Gestão de Pessoas SAUS Q. 3 Lote 5/6 Ed Sede I 70070-030 Brasília. DF Ao Senhor [Nome] Chefe da Seção de Compras Diretoria de Material Brasília — DF z Assunto O assunto deve dar uma ideia geral do que trata o documento, de forma sucinta. Ele deve ser grafado da seguinte maneira: � Título: a palavra Assunto deve anteceder a frase que define o conteúdo do documento, seguida de dois-pontos; � Descrição do assunto: a frase que descreve o conteúdo do documento deve ser escrita com inicial maiúscula, não se deve utilizar verbos e sugere-se utilizar de quatro a cinco palavras; � Destaque: todo o texto referente ao assunto, inclusive o título, deve ser destacado em negrito; � Pontuação: coloca-se ponto-final depois do assunto; � Alinhamento: à margem esquerda da página. Exemplos: Assunto: Encaminhamento do Relatório de Gestão julho/2018. Assunto: Aquisição de computadores. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 21 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Texto do documento O texto do documento oficial deve seguir a seguinte padronização de estrutura: � Nos casos em que não seja usado para encaminhamento de documentos, o expe- diente deve conter a seguinte estrutura: Introdução:em que é apresentado o objetivo da comunicação. Evite o uso das formas: Tenho a honra de, Tenho o prazer de, Cumpre-me informar que. Prefira empregar a forma direta: Informo, Solicito, Comunico; Desenvolvimento: em que o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição; Conclusão: em que é afirmada a posição sobre o assunto. � Quando forem usados para encaminhamento de documentos, a estrutura é modificada: Introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do moti- vo da comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documen- to encaminhado (tipo, data, origem ou signatário e assunto de que se trata) e a razão pela qual está sendo encaminhado; Exemplos: Em resposta ao Ofício n° 12, de 1º de fevereiro de 2018, encaminho cópia do Ofício n° 34, de 3 de abril de 2018, da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal. Encaminho, para exame e pronunciamento, cópia do Ofício nº 12, de 1º de fevereiro de 2018, do Presidente da Confederação Nacional da Indústria, a respeito de projeto de moder- nização de técnicas agrícolas na região Nordeste. Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respei- to do documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento. Caso contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em expediente usado para encaminhamen- to de documentos. � Tanto na estrutura I quanto na estrutura II, o texto do documento deve ser formatado da seguinte maneira: Alinhamento: justificado; Espaçamento entre linhas: simples; Parágrafos: Espaçamento entre parágrafos: de 6 pontos após cada parágrafo; Recuo de parágrafo: 2,5 cm de distância da margem esquerda; Numeração dos parágrafos: apenas quando o documento tiver três ou mais parágrafos, desde o primeiro parágrafo. Não se numeram o vocativo e o fecho; Fonte: Calibri ou Carlito; 22 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Corpo do texto: tamanho 12 pontos; Citações recuadas: tamanho 11 pontos; Notas de rodapé: tamanho 10 pontos; Símbolos: para símbolos não existentes nas fontes indicadas, pode-se utilizar as fontes Symbol e Wingdings. Dica Houve alteração das fontes e símbolos de Times New Roman para Calibri ou Carlito. z Fechos para comunicações O fecho das comunicações oficiais objetiva, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, saudar o destinatário. Os modelos para fecho anteriormente utilizados foram regulados pela Portaria nº 1, de 1937, do Ministério da Justiça, que estabelecia quinze padrões. Com o objetivo de simplificá-los e uniformizá-los, o Manual estabelece o emprego de somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial: � para autoridades de hierarquia superior à do remetente, inclusive o Presidente da República: Respeitosamente; � para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior ou demais casos: Atenciosamente, Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios. O fecho da comunicação deve ser formatado da seguinte maneira: � Alinhamento: alinhado à margem esquerda da página; � Recuo de parágrafo: 2,5 cm de distância da margem esquerda; � Espaçamento entre linhas: simples; � Espaçamento entre parágrafos: de 6 pontos após cada parágrafo; � Não deve ser numerado. z Identificação do signatário Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comu- nicações oficiais devem informar o signatário segundo o padrão: � Nome: nome da autoridade que as expede, grafado em letras maiúsculas, sem negrito. Não se usa linha acima do nome do signatário; � Cargo: cargo da autoridade que expede o documento, redigido apenas com as iniciais maiúsculas. As preposições que liguem as palavras do cargo devem ser grafadas em minúsculas; � Alinhamento: a identificação do signatário deve ser centralizada na página. Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. Exemplo: R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 23 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. (espaço para assinatura) NOME Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República (espaço para assinatura) NOME Coordenador-Geral de Gestão de Pessoas z Numeração das páginas A numeração das páginas é obrigatória apenas a partir da segunda página da comunica- ção. Ela deve ser centralizada na página e obedecer à seguinte formatação: � Posição: no rodapé do documento, ou acima da área de 2 cm da margem inferior; � Fonte: Calibri ou Carlito. z Formatação e apresentação Os documentos do padrão ofício devem obedecer à seguinte formatação: � Tamanho do papel: A4 (29,7 cm x 21 cm); � Margem lateral esquerda: no mínimo, 3 cm de largura; � Margem lateral direita: 1,5 cm; � Margens superior e inferior: 2 cm; � Área de cabeçalho: na primeira página, 5 cm a partir da margem superior do papel; � Área de rodapé: nos 2 cm da margem inferior do documento; � Impressão: na correspondência oficial, a impressão pode ocorrer em ambas as faces do papel. Nesse caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (margem espelho); � Cores: os textos devem ser impressos na cor preta em papel branco, reservando-se, se necessário, a impressão colorida para gráficos e ilustrações; � Destaques: para destaques deve-se utilizar, sem abuso, o negrito. Deve-se evitar des- taques com uso de itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a sobriedade e a padroniza- ção do documento; � Palavras estrangeiras: palavras estrangeiras devem ser grafadas em itálico; � Arquivamento: dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arqui- vo de texto preservado para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos. Deve ser utilizado, preferencialmente, formato de arquivo que possa ser lido e editado pela maioria dos editores de texto utilizados no serviço público, tais como DOCX, ODT ou RTF; � Nome do arquivo: para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser for- mados da seguinte maneira: 24 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Tipo do documento + número do documento + ano do documento (com 4 dígitos) + pala- vras-chaves do conteúdo Exemplo: Ofício 123_2018_relatório produtividade anual Seguem exemplos de Ofício: R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 25 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. 26 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 27 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. 28 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Tipos de Documentos z Variações dos Documentos Oficiais Os documentos oficiais podem ser identificados de acordo com algumas possíveis variações: � [NOME DO EXPEDIENTE] + CIRCULAR: quando um órgão envia o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. A sigla na epígrafe será apenas do órgão remetente; � [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO: quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expediente para um único órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes constarão na epígrafe; � [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO CIRCULAR: quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes constarão na epígrafe. Exemplos: OFÍCIO CIRCULAR Nº 652/2018/MEC OFÍCIO CONJUNTO Nº 368/2018/SECEX/SAJ OFÍCIO CONJUNTO CIRCULAR Nº 795/2018/CC/MJ/MRENos expedientes circulares, por haver mais de um receptor, o órgão remetente poderá inserir no rodapé as siglas ou nomes dos órgãos que receberão o expediente. z Exposição de Motivos Exposição de motivos (EM) é o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao Vice- -Presidente para: propor alguma medida; submeter projeto de ato normativo à sua conside- ração; ou informá-lo de determinado assunto. A exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um ministério, a exposição de moti- vos será assinada por todos os ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial. Independentemente de ser uma EM com apenas um autor ou uma EM interministerial, a sequência numérica das exposições de motivos é única. A numeração começa e termina dentro de um mesmo ano civil. � Forma e estrutura As exposições de motivos devem, obrigatoriamente: Apontar, na introdução: o problema que demanda a adoção da medida ou do ato normati- vo proposto; ou informar ao Presidente da República algum assunto; R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 29 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Indicar, no desenvolvimento: a razão de aquela medida ou de aquele ato normativo ser o ideal para se solucionar o problema e as eventuais alternativas existentes para equacioná-lo; ou fornecer mais detalhes sobre o assunto informado, quando for esse o caso; Na conclusão: novamente, propor a medida a ser tomada ou o ato normativo a ser editado para solucionar o problema; ou apresentar as considerações finais no caso de EMs apenas informativas. As Exposições de Motivos que encaminham proposições normativas devem seguir o prescrito no Decreto nº 9.191, de 1º de novembro de 2017. Em síntese, elas devem ser instruídas com pare- cer jurídico e parecer de mérito que permitam a adequada avaliação da proposta. O atendimento dos requisitos do Decreto nº 9.191, de 2017, nas exposições de motivos que proponham a edição de ato normativo, tem como propósito: � permitir a adequada reflexão sobre o problema que se busca resolver; � ensejar avaliação das diversas causas do problema e dos efeitos que podem ter a adoção da medida ou a edição do ato, em consonância com as questões que devem ser analisa- das na elaboração de proposições normativas no âmbito do Poder Executivo; � conferir transparência aos atos propostos; � resumir os principais aspectos da proposta; � evitar a devolução a proposta de ato normativo para complementação ou reformulação da proposta. A exposição de motivos é a principal modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pelos ministros. Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário. Exemplo de exposição de motivos: 30 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 31 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. � Sistema de Geração e Tramitação de Documentos Oficiais (Sidof) O Sistema de Geração e Tramitação de Documentos Oficiais (Sidof) é a ferramenta eletrôni- ca utilizada para a elaboração, a redação, a alteração, o controle, a tramitação, a administra- ção e a gerência das exposições de motivos com as propostas de atos a serem encaminhadas pelos Ministérios à Presidência da República. Ao se utilizar o Sidof, a assinatura, o nome e o cargo do signatário, apresentados no exem- plo do assunto Forma e Estrutura, são substituídos pela assinatura eletrônica que informa o nome do ministro que assinou a exposição de motivos e do consultor jurídico que assinou o parecer jurídico da Pasta. z Mensagem A Mensagem é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo 32 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. para informar sobre fato da administração pública; para expor o plano de governo por oca- sião da abertura de sessão legislativa; para submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de deliberação de suas Casas; para apresentar veto; enfim, fazer comunicações do que seja de interesse dos Poderes Públicos e da Nação. Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias caberá a redação final. As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: � Encaminhamento de proposta de emenda constitucional, de projeto de lei ordinária, de projeto de lei complementar e os que compreendem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais: Os projetos de lei ordinária ou complementar são enviados em regime normal (Constituição, art. 61) ou de urgência (Constituição, §§ 1º a 4º, art. 64,). O projeto pode ser encaminhado sob o regime normal e, mais tarde, ser objeto de nova mensagem, com solicitação de urgência. Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos membros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com ofício do Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da Repú- blica ao Primeiro-Secretário da Câmara dos Deputados, para que tenha início sua tramitação (Constituição, caput do art. 64). Quanto aos projetos de lei que compreendem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orça- mentos anuais e créditos adicionais, as mensagens de encaminhamento dirigem-se aos membros do Congresso Nacional, e os respectivos ofícios são endereçados ao Primeiro-Secretário do Sena- do Federal. A razão é que o art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual em sessão conjunta, mais precisamente, “na forma do regimento comum”. E, à frente da Mesa do Congresso Nacional, está o Presidente do Senado Federal (Constituição, § 5º, art. 57), que comanda as sessões conjuntas; � Encaminhamento de medida provisória: para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Constituição, o Presidente da República encaminha Mensagem ao Congresso, dirigida a seus Membros, com ofício para o Primeiro-Secretário do Senado Federal, juntando cópia da medi- da provisória; � Indicação de autoridades: nas mensagens que submetem ao Senado Federal a indicação de pessoas para ocuparem determinados cargos (magistrados dos tribunais superiores, ministros do Tribunal de Contas da União, presidentes e diretores do Banco Central, Procu- rador-Geral da República, chefes de missão diplomática, diretores e conselheiros de agên- cias etc.) têm em vista que a Constituição, incisos III e IV, do caput, do art. 52, atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência privativa para aprovar a indicação. O curriculum vitae do indicado, assinado, com a informação do número de Cadastro de Pessoa Física, acompanha a mensagem; � Pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente da República se ausentarem do país por mais de 15 dias: trata-se de exigência constitucional (Consti- tuição, inciso III, caput, do art. 49 e art. 83), e a autorização é da competência privativa do Congresso Nacional. O Presidente da República, tradicionalmente, por cortesia, quando a R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 33 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-lhes mensagens idênticas; � Encaminhamento de atos de concessão e de renovação de concessão de emissoras de rádio e TV: a obrigação de submeter tais atos à apreciação do Congresso Nacional consta no inciso XII do caput do art. 49 da Constituição. Somente produzirão efeitos legais a outor- ga ou a renovação da concessão após deliberação do Congresso Nacional (Constituição, § 3º, art. 223). Descabe pedir na mensagem a urgência prevista na Constituição, art. 64, uma vez que o § 1º, do art. 223, já define o prazo da tramitação. Além do ato de outorga ou renova- ção, acompanha a mensagemo correspondente processo administrativo; � Encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior: o Presidente da República tem o prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao Congresso Nacio- nal as contas referentes ao exercício anterior (Constituição, inciso XXIV do caput do art. 84), para exame e parecer da Comissão Mista permanente (Constituição, § 1º, art. 166), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de contas (Constituição, inciso II, caput, do art. 51) em procedimento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno; � Mensagem de abertura da sessão legislativa: deve conter o plano de governo, exposição sobre a situação do País e a solicitação de providências que julgar necessárias (Constituição, inciso XI, art. 84). O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Esta mensagem difere das demais, porque vai encadernada e é distribuída a todos os congres- sistas em forma de livro; � Comunicação de sanção (com restituição de autógrafos): esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso Nacional, encaminhada por ofício ao Primeiro-Secretário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se informa o número que tomou a lei e se restituem dois exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da República terá apos- to o despacho de sanção; � Comunicação de veto: dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, § 1º, art. 66), a mensagem informa sobre a decisão de vetar, se o veto é parcial, quais as disposi- ções vetadas, e as razões do veto. Seu texto é publicado na íntegra no Diário Oficial da União, ao contrário das demais mensagens, cuja publicação se restringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo; � Outras mensagens remetidas ao Legislativo: Apreciação de intervenção federal (Constituição, § 2º, art. 36); Encaminhamento de atos internacionais que acarretam encargos ou compromissos gravo- sos (Constituição, inciso I, caput, do art. 49); Pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis às operações e prestações interesta- duais e de exportação (Constituição, inciso IV, § 2º, do art. 155); Proposta de fixação de limites globais para o montante da dívida consolidada (Constitui- ção, inciso VI, caput, do art. 52); Pedido de autorização para operações financeiras externas (Constituição, inciso V, caput, do art. 52); Convocação extraordinária do Congresso Nacional (Constituição, § 6º, art. 57); Pedido de autorização para exonerar o Procurador-Geral da República (Constituição, inci- so XI, art. 52, e § 2º, art. 128); Pedido de autorização para declarar guerra e decretar mobilização nacional (Constituição, inci- so XIX, art. 84); 34 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Pedido de autorização ou referendo para celebrar a paz (Constituição, inciso XX, art. 84); Justificativa para decretação do estado de defesa ou de sua prorrogação (Constituição, § 4º, art. 136); Pedido de autorização para decretar o estado de sítio (Constituição, art. 137); Relato das medidas praticadas na vigência do estado de sítio ou de defesa (Constituição, parágrafo único, art. 141); Proposta de modificação de projetos de leis que compreendem plano plurianual, diretri- zes orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais (Constituição, § 5º, art. 166); Pedido de autorização para utilizar recursos que ficarem sem despesas correspondentes, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual (Constitui- ção, § 8º, art. 166); Pedido de autorização para alienar ou conceder terras públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição, § 1º, art. 188). � Forma e estrutura As mensagens contêm: Brasão: timbre em relevo branco; Identificação do expediente: MENSAGEM Nº, alinhada à margem esquerda, no início do texto; Vocativo: alinhado à margem esquerda, de acordo com o pronome de tratamento e o car- go do destinatário, com o recuo de parágrafo dado ao texto; Texto: iniciado a 2 cm do vocativo; Local e data: posicionados a 2 cm do final do texto, alinhados à margem direita. A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz iden- tificação de seu signatário. Exemplo de mensagem: R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 35 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. z Correio eletrônico (e-mail) A utilização do e-mail para a comunicação tornou-se prática comum, não só em âmbito pri- vado, mas também na administração pública. O termo e-mail pode ser empregado com três sentidos. Dependendo do contexto, pode significar gênero textual, endereço eletrônico ou sis- tema de transmissão de mensagem eletrônica. Como gênero textual, o e-mail pode ser considerado um documento oficial, assim como o ofício. Portanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial. 36 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Como endereço eletrônico utilizado pelos servidores públicos, o e-mail deve ser oficial, utilizando-se a extensão “.gov.br”, por exemplo. Como sistema de transmissão de mensagens eletrônicas, por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na principal forma de envio e recebimento de documentos na administração pública. � Valor documental Nos termos da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, para que o e-mail tenha valor documental, isto é, para que possa ser aceito como documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a identidade do remetente, segundo os parâmetros de integridade, autenticidade e validade jurídica da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira — ICP-Brasil. O destinatário poderá reconhecer como válido o e-mail sem certificação digital ou com certificação digital fora ICP-Brasil; contudo, caso haja questionamento, será obrigatório a repetição do ato por meio documento físico assinado ou por meio eletrônico reconhecido pela ICP-Brasil. Salvo lei específica, não é dado ao ente público impor a aceitação de documento eletrônico que não atenda os parâmetros da ICP-Brasil. � Forma e estrutura Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir padronização da mensagem comunicada. No entanto, devem-se observar algumas orientações quanto à sua estrutura. Campo “Assunto”: O assunto deve ser o mais claro e específico possível, relacionado ao conteúdo global da mensagem. Assim, quem irá receber a mensagem identificará rapida- mente do que se trata; quem a envia poderá, posteriormente, localizar a mensagem na caixa do correio eletrônico. Deve-se assegurar que o assunto reflita claramente o conteúdo completo da mensagem para que não pareça, ao receptor, que se trata de mensagem não solicitada/lixo eletrônico. Em vez de “Reunião”, um assunto mais preciso seria “Agendamento de reunião sobre a Refor- ma da Previdência”. Local e data: São desnecessários no corpo da mensagem, uma vez que o próprio siste- ma apresenta essa informação. Saudação inicial/vocativo: O texto dos correios eletrônicos deve ser iniciado por uma sauda- ção. Quando endereçado para outras instituições, para receptores desconhecidos ou para parti- culares, deve-se utilizar o vocativo conforme os demais documentos oficiais, ou seja, “Senhor” ou “Senhora”, seguido do cargo respectivo, ou “Prezado Senhor”, “Prezada Senhora”. Exemplos: Senhor Coordenador, Prezada Senhora, Fecho: Atenciosamente é o fecho padrão em comunicações oficiais. Com o uso do e-mail, popularizou-se o uso de abreviações como “Att.”, e de outros fechos, como “Abraços”, R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 37 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. “Saudações”, que, apesar de amplamente usados, não são fechos oficiais e, portanto, não devem ser utilizados em e-mails profissionais. O correio eletrônico, em algumas situações, aceita uma saudação inicial e um fecho menos formal. No entanto, a linguagem do textodos correios eletrônicos deve ser formal, como a que se usaria em qualquer outro documento oficial. Bloco de texto da assinatura: Sugere-se que todas as instituições da administração públi- ca adotem um padrão de texto de assinatura. A assinatura do e-mail deve conter o nome completo, o cargo, a unidade, o órgão e o telefone do remetente. Exemplo: Maria da Silva Assessora Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (61)XXXX-XXXX � Anexos A possibilidade de anexar documentos, planilhas e imagens de diversos formatos é uma das vantagens do e-mail. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações míni- mas sobre o conteúdo do anexo. Antes de enviar um anexo, é preciso avaliar se ele é realmente indispensável e se seria possível colocá-lo no corpo do correio eletrônico. Deve-se evitar o tamanho excessivo e o reencaminhamento de anexos nas mensagens de resposta. Os arquivos anexados devem estar em formatos usuais e que apresentem poucos riscos de segurança. Quando se tratar de documento ainda em discussão, os arquivos devem, necessa- riamente, ser enviados, em formato que possa ser editado. � Recomendações Sempre que necessário, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não esteja disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento; Apesar da imensa lista de fontes disponíveis nos computadores, mantêm-se a recomenda- ção de tipo de fonte, tamanho e cor dos documentos oficiais: Calibri ou Carlito, tamanho 12, cor preta; Fundo ou papéis de parede eletrônicos não devem ser utilizados, pois não são apropriados para mensagens profissionais, além de sobrecarregar o tamanho da mensagem eletrônica; A mensagem do correio eletrônico deve ser revisada com o mesmo cuidado com que se revisam outros documentos oficiais; O texto profissional dispensa manifestações emocionais. Por isso, ícones e emoticons não devem ser utilizados; Os textos das mensagens eletrônicas não podem ser redigidos com abreviações como “vc”, “pq”, usuais das conversas na internet, ou neologismos, como “naum”, “eh”, “aki”; Não se deve utilizar texto em caixa alta para destaques de palavras ou trechos da mensa- gem pois denota agressividade de parte do emissor da comunicação. 38 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. Evite-se o uso de imagens no corpo do e-mail, inclusive das Armas da República Federativa do Brasil e de logotipos do ente público junto ao texto da assinatura. Não devem ser remetidas mensagem com tamanho total que possa exceder a capacidade do servidor do destinatário. DOCUMENTOS OFICIAIS E COMERCIAIS Ata Ata é o resumo escrito dos fatos e decisões de uma assembleia, sessão ou reunião para um deter- minado fim. z Normas, Estrutura e Valor Documental Geralmente, as atas são transcritas à mão pelo secretário, em livro próprio, que deve con- ter um termo de abertura e um termo de encerramento, assinados pela autoridade máxima da entidade ou por quem receber daquela autoridade delegação de poderes para tanto; esta também deverá numerar e rubricar todas as folhas do livro. Como a ata é um documento de valor jurídico, deve ser lavrada de tal forma, que nada lhe poderá ser acrescentado ou modificado. Se houver engano, o secretário escreverá a expres- são “digo”, retificando o pensamento. Se o engano for notado no final da ata, escrever-se-á a expressão — “Em tempo: Onde se lê..., leia-se...”. Nas atas, os números devem ser escritos por extenso, evitando-se também as abreviações. As atas são redigidas sem se deixarem espaços ou parágrafos, a fim de se evitarem acréscimos. O tempo verbal preferencialmente utilizado na ata é o pretérito perfeito do indicativo. Quanto à assinatura, deverão fazê-lo todas as pessoas presentes ou, quando deliberado, apenas o presidente e o secretário. Permite-se também a transcrição da ata em folhas digitadas, desde que as mesmas sejam convenientemente arquivadas, impossibilitando fraude. Em casos muito especiais, usam-se formulários já impressos, como os das seções eleitorais. Exemplo de ata: Comércio de Peças 24 horas Ltda. DATA/HORA E LOCAL - Aos vinte de abril de 2.002, às dez horas, na sede da sociedade, na rua Esmeralda nº 280, Bairro Pedralina, em Pedra Azul, em (nome do Estado), CEP 30.220.060; PRESENÇA – sócios representando mais de ¾ do capital social; COMPOSIÇÃO DA MESA – FULANO DE TAL, presidente e BELTRANO DE TAL, secretário; PUBLI- CAÇÕES – anúncio de convocação, no (órgão oficial do Estado) e no (jornal de grande circulação), nas edições de 10, 11 e 12 do corrente mês, às fls ... e.., respectivamente; ORDEM DO DIA - tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o balanço patrimonial e o de resultado econômico; DELIBERAÇÕES – após a leitura dos documentos mencionados na ordem do dia, que foram colocados à disposição de todos os sócios, trinta dias antes, conforme recibo, postos em discussão e votação, foram aprovados sem reservas e restrições; ENCERRAMENTO E APROVAÇÃO DA ATA. Terminados os trabalhos, inexistindo qualquer outra manifestação, lavrou-se a presente ata que, lida, foi aprovada e assinada por todos os sócios. Beltrano de Tal, Sicrano de Tal, Fulano de Tal, Malandro de Tal, Enrolando de Tal, Filmando de tal, Orlando de Tal, Capistrano de Val, Coriolano de Bial. Atestado R ED A Ç Ã O O FI C IA L E D IS C U R SI VA 39 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. É o documento firmado por uma pessoa favor de outra, atestando a verdade a respeito de determinado fato. As repartições públicas, em razão de sua natureza, fornecem atestados e não declarações. O atestado difere da certidão, porque, enquanto esta prova fatos permanentes, aquele se refere a fatos transitórios. z Como fazer: � o atestado, geralmente, é fornecido por alguém que exerce posição de cargo superior ou igual ao da pessoa que está pedindo o atestado; � o papel do atestado deve conter carimbo ou timbre da entidade que o expede; � o atestado costuma ser escrito em atendimento à solicitação do interessado. A redação de um atestado apresenta a seguinte ordem: � título, ou seja, a palavra ATESTADO em maiúsculas; � nome e identificação da pessoa que emite (que pode ser escrito no final, após a assina- tura) e o nome e identificação da pessoa que solicitou; � texto, sempre resumido, claro e preciso, contendo o que se está confirmando ou negando; � assinatura, nome e cargo ou função de quem atesta. Secretaria de Segurança Pública ATESTADO DE BONS ANTECEDENTES Atestamos para os devidos fins que o Sr. Adelmiro Floresta, residente nesta cidade na Rua Fagundes Sobrinho, 123, Bairro Sobradinho, é pessoa de bons antecedentes, nada constando em nossos arquivos, até a presente data, que venha a desabonar sua conduta. São Paulo, 9 de setembro de 2009. Roberto Dagoberto Roberto Dagoberto Escrivão de Polícia da 17ª DP Circular Circular é o meio de correspondência pelo qual alguém se dirige, ao mesmo tempo, a várias repartições ou pessoas. Portanto, é uma correspondência multidirecional. Na circular, não consta destinatário, pois ela não é unidirecional e o endereçamento vai no envelope. 40 Todos os direitos são reservados à Nova Concursos. CIRCULAR GERAL Nº 58, Porto Alegre, 17 de dezembro de 1998. ASSUNTO: Obras no Estacionamento Entre os dias X e Y o setor de estacionamento da Acme Com. Ltda. passará por obras de re- forma estrutural, de modo a melhorar o serviço prestado aos funcionários. Durante este período o local estará interditado sendo liberado o uso do pátio dos fundos para guarda dos veículos. Atenciosamente, Fulano de Tal Fulano de Tal Diretor-Geral de Negócios Declaração É um documento que se assemelha ao atestado, mas que não deve ser expedido por órgãos públicos. É um documento em que se manifesta uma opinião, conceito, resolução ou observação. Compõe-se de � Título: