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18 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I A tabela a seguir mostra a lista dos maiores produtores mundiais em 2012: Tabela 1 Posição País Produção (toneladas) 1º China 1,33 bi 2º Austrália 480 mi 3º Brasil 390 mi Contudo, diz o Ibram (2012) que, quando for considerado o teor médio do minério chinês, a produção daquele país poderá ser considerada de 380 milhões de toneladas, rivalizando com o Brasil e a Austrália. 1.2 Antes, dentro e após a porteira Não é possível, na atualidade, o entendimento do agronegócio apenas pelo seu lado da produção agrícola ou pecuária, devendo ser somados os valores dos múltiplos setores que atuam “antes” e “após” a porta, da fazenda ou estância. Antes da porteira, como se costuma classificar, ocorrem os processos das empresas e pessoas envolvidas com os suprimentos para o atendimento à produção agropecuária. Após a porteira, as commodities transitam por um grande número de intermediários, voltados a seu beneficiamento, manipulação e variados serviços. Isso revela a diversificação e o tamanho expressivo das cadeias relacionadas ao agronegócio, seja na produção, seja na comercialização. Insumos destinados à produção agropecuária Produção agropecuária Processamento e distribuição da produção agropecuária Figura 5 – Inter‑relacionamento dos setores do agronegócio E, inegavelmente, os avanços da tecnologia têm cumprido um papel de muita importância no desenvolvimento de todas essas atividades. 19 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Há, desse modo, uma interação bastante forte e constante entre todas as fases do ciclo de produção, comercialização e consumo. Entre as atividades relacionadas à comercialização, destacam‑se as de armazenagem de produtos, que permitem o suporte a um descasamento entre os momentos de produção e venda. A figura a seguir, adaptada de Mendes e Padilha Junior (2007, p. 9), relaciona a sequência de atividades/fases compreendidas desde a compra de insumos pelos produtores até o consumo final dos bens: Compra de insumos dos fornecedores Produção de bens Venda da produção Processamento dos bens Atividades de atacado Atividades de varejo Consumo final de bens Figura 6 O quadro a seguir mostra a variedade de atividades e produtos relacionados às cadeias do agronegócio: 20 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Quadro 1 – Setores e agentes envolvidos com o agronegócio Fornecedores de insumos Produção agropecuária Processamento e transformação Distribuição e consumo Serviços de apoio Sementes Produção animal Alimentos Restaurantes Agronômicos Calcário Lavouras permanentes Produtos têxteis Hotéis Veterinários Fertilizantes Horticultura Vestuário Bares Pesquisa Rações Silvicultura Calçados Padarias Bancários Defensivos Floricultura Madeira Feiras Marketing Produtos veterinários Extração vegetal Bebidas Supermercados Vendas Combustíveis Indústria rural Álcool Comércio Transporte Tratores Papel e papelão Exportação Armazenagem Colheitadeiras Fumo Portos Uma outra vertente analisada, ao se estudar o agronegócio, é relacionada com a agroindústria. Sandroni (2005) define‑a como: Atividade constituída pela gestão dos processos produtivos agrícolas e industriais no âmbito de um mesmo capital social ou, quando tal não acontece, a atividade caracteriza‑se por uma grande proximidade física entre a área que produz a matéria‑prima e o processamento industrial. Com a crescente preponderância da indústria sobre a agricultura e a subordinação desta última à primeira, proporções crescentes das atividades agrícolas encontram‑se hoje totalmente submetidas ao capital industrial, sendo esta uma tendência mundial (SANDRONI, 2005, p. 27). Os produtores rurais, na sua maioria, atuam normalmente em pequenos empreendimentos e, entre outros aspectos, possuem pouca informação e instrução, oferecendo produtos brutos. Observação Apesar de poderem negociar com qualquer canal de comunicação, os produtores rurais normalmente vendem diretamente aos intermediários primários. As negociações com outros níveis de comercialização são executadas pelos intermediários empresariais (pessoas físicas e jurídicas) de maior porte. A quantidade de camadas de intermediação dependerá dos tipos e da complexidade de cada produto, dos locais de comercialização etc. 21 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR O intermediário, na maioria dos casos, tem mais instruções e informação do que o produtor e, geralmente, estabelece seus preços, que são basicamente aceitos por este último. Não obstante a pouca formalização das transações, na maioria das vezes, os intermediários sofrem menos riscos do que o produtor, visto que este atua nas regiões mais distantes, de menor porte e menos desenvolvidas. Um outro aspecto desse desenvolvimento pode ser constatado na tabela a seguir, que revela a drástica mudança do perfil da população brasileira, residindo em áreas rurais ou urbanas, a partir da década de 1940: Tabela 2 Período População nas áreas rurais (milhões) População nas áreas urbanas (milhões) Total da população (milhões) % rural/ total % urbana/ total 1940 28,2 13,0 41,2 68,45 31,55 1950 33,1 18,8 51,9 63,78 36,22 2000 32,1 138 170,1 18,87 81,13 2010 29,8 160,9 190,8 15,64 84,36 1.3 Instituições que apoiam as atividades do agronegócio No âmbito internacional, destacam‑se os trabalhos da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), Food and Agricultural Policy Research Institute (Fapri), International Food Policy Research Institute (IFPRI), Organization for Economic Co‑Operation and Development (OECD), Organização das Nações Unidas (ONU) e United States Department of Agriculture (USDA). No Brasil, podem ser citadas a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Embrapa Gado de Leite, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a União da Indústria de Cana‑de‑açúcar (Unica), a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), a STCP Consultoria, Engenharia e Gerenciamento, a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira do Agribusiness (Abag). Um grande destaque deve ser conferido à atuação da Embrapa, empresa governamental voltada à inovação tecnológica e à geração de novos conhecimentos relacionados com a agricultura e a pecuária: [...] vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), desde a nossa criação, em 26 de abril de 1973, assumimos um desafio: desenvolver, em conjunto com nossos parceiros do Sistema Nacional de 22 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Pesquisa Agropecuária – SNPA, um modelo de agricultura e pecuária tropical genuinamente brasileiro, superando as barreiras que limitavam a produção de alimentos, fibras e energia no nosso país (EMBRAPA, [s.d.]b). Com sede em Brasília, a Embrapa conta com 46 unidades descentralizadas pelo Brasil. Saiba mais Para conhecer mais informações e projetos desenvolvidos, ou em desenvolvimento, por esse importante órgão de pesquisa agropecuária e mineral, que tanto suporte tem dado ao agronegócio brasileiro, acesse: EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (Embrapa). Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Quem somos. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2016. Como fomentadoras da cadeia do agronegócio, além da Embrapa,podem ser mencionadas a Ceplac, instituição pública federal vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as Secretarias de Agricultura dos Estados e as próprias escolas e universidades, públicas (como exemplo, mencionamos o Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo‑Pensa/USP) e particulares. 1.4 Abrangência dos mercados de produtos agropecuários Os primeiros vendedores de produtos agropecuários são os diferentes tipos de agricultores e pecuaristas, localizados nas principais regiões produtoras. Nada obstante, os agentes que comercializam a produção situam‑se em um mercado regional com características e especificidades próprias. Isso ocorre, também, devido às condições de perecibilidade e custos de transportes dos produtos. Os pequenos produtores costumam ocupar o entorno dos centros urbanos consumidores (formados por pessoas físicas e empresas). Outros produtores se concentram em regiões mais distantes e procuram se associar por meio de cooperativas, que atuam no mercado nacional e internacional. O acesso ao mercado externo é possível graças à diferenciação do produto (propiciada por atividades, como as de controle de qualidade, certificação e logística). Assim, a abrangência geográfica depende de: 23 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR • especificações do produto (perecibilidade, valor agregado, relação entre preço, volume e peso etc.); • condições naturais específicas (clima e solo) que concentram a produção em certas regiões; • tecnologia de distribuição disponível (logística, certificação, controle etc.); • restrições legais e sanitárias; • acordos comerciais entre países e blocos econômicos; • características organizacionais e estratégias dos compradores e vendedores. Os mercados de produtos rurais estão entre os melhores exemplos de estrutura que atuam no regime de concorrência perfeita, fazendo‑se, neste caso, a distinção entre a agropecuária de pequeno porte e a que é constituinte do agronegócio. Observação Outro aspecto observado com relação aos produtos agropecuários é a menor elasticidade‑preço comparada a outros produtos, notadamente os manufaturados. Afinal, um grande número desses produtos é formado por alimentos, que são incluídos entre os produtos essenciais para o consumo das famílias. E os alimentos representam certamente – no Brasil e no exterior – o setor mais importante do agronegócio. De qualquer forma, as conclusões obtidas sobre os alimentos podem também ser estendidas, em maior ou menor grau, ao conjunto das atividades agropecuárias e a outros produtos, como vestuário, calçados etc. Sandroni (2005, p. 287) define elasticidade‑preço como a associação entre a variação relativa na quantidade procurada ou ofertada de um bem e uma variação relativa de preço. O coeficiente de elasticidade‑preço da demanda pode ser obtido dividindo‑se a variação percentual da quantidade demandada pela variação dos seus preços. Quando o coeficiente for maior do que 1, a demanda será tida como elástica. Nos casos em que esse coeficiente é menor do que 1, a demanda é inelástica – uma variação percentual no preço resulta numa variação menor na quantidade demandada – o que se verifica com os produtos agropecuários. A tabela a seguir, adaptada de Mendes e Padilha Jr. (2007), apresenta coeficientes que revelam essa característica de inelasticidade dos produtos agropecuários: 24 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Tabela 3 Produto Magnitude da elasticidade-preço da demanda (em módulo) No Brasil Nos Estados Unidos da América Açúcar 0,13 0,24 Arroz 0,10 (*) Banana 0,49 (*) Batata inglesa 0,15 0,25 Café em pó 0,12 0,21 Café solúvel 0,85 1,10 Carne bovina 0,94 0,77 Carne de frango 0,96 0,80 Carne suína 0,70 0,60 Farinha de trigo 0,35 0,15 Feijão 0,16 (*) Frutas 0,50 0,45 Laranja (*) 0,66 Leite 0,14 0,34 Manteiga (*) 0,66 Margarina (*) 0,84 Ovos 1,20 0,30 Pão (*) 0,15 Queijo (*) 0,55 Tomate 1,20 (*) Produtos agrícolas em geral (*) 0,42 Carnes em geral (*) 0,60 Alimentos em geral 0,50 0,12 Não alimentos (*) 1,02 Fonte: Adaptado de Mendes; Padilha Jr. (2007, p. 73). 1.5 A segurança alimentar Mendes e Padilha Junior argumentam: Nos países de baixa renda, é o nível de produção doméstica que determina o de consumo, uma vez que se trata de países, de um lado, com baixo nível tecnológico e, de outro, com baixo nível de renda e sem moeda forte e abundante, capaz de garantir a importação de alimentos (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p. 106). 25 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Em várias localidades, o nível de produção doméstica é incapaz de atender às necessidades do mercado interno, como tem ocorrido com o Brasil. Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 107) argumentam que “isso acontece porque a tecnologia agrícola ainda não chegou de forma ampla a todos os produtos, como ocorreu, por exemplo, com a soja, o frango, os suínos, a soja, a cana‑de‑açúcar e a laranja.” A questão maior relacionada à produção de alimentos é a desigual distribuição entre os países. Estudo conduzido pela Food and Agriculture Organization (FAO) mostra que haverá alimento, em termos globais, para suportar o crescimento populacional até 2030, mas, apesar disso, prevê que centenas de milhões de pessoas, a maioria residindo nos países em desenvolvimento, não terão acesso a ele; o que identifica a preocupação com a insegurança alimentar. Alguns países terão condições de importar alimentos, mas existirão outros sem condições de fazê‑lo. Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 145‑6) lembram que: • China e Índia, apesar de serem grandes produtores de grãos, também são importadores, dado o elevado contingente populacional. • Estados Unidos são notáveis exportadores de produtos agrícolas, algo em torno de 129 milhões de toneladas de grãos. • União Europeia pratica um elenco significativo de medidas protecionistas. • Ásia, África, Leste Europeu e Oriente Médio são grandes regiões importadoras de produtos agrícolas. O comportamento dos preços praticados no mercado é, sem dúvida, uma relevante variável admitida pela teoria econômica, capaz de justificar os padrões e os montantes de consumo interno e exportação dos produtos. No que se refere, especificamente, a alimentos, é preciso destavar os seguintes itens: • taxa de crescimento da população e sua composição etária; • distribuição geográfica; • condições de mobilidade; • nível educacional. 26 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Isso é relacionado diretamente com a atualidade e as expectativas futuras, atuando na composição da demanda e, consequentemente, naquilo que será ofertado pelos agentes produtores. Maior população determina um aumento direto dessas necessidades para todos os produtos. Esse tipo de variação faz com que em cada nível de preço que possa ser praticado no mercado seja diferente (e normalmente maior) às quantidades procuradas pelos consumidores. Entre os fatores que merecem ser observados de forma a garantir segurança alimentar, podem ser mencionados: • disponibilidade de alimentos; • condições de acesso aos alimentos; • condições de comprá‑los; • adequação do uso do alimento, apoiado em educação e saúde. Como exemplos de culturas/produtos em que há predominância de produtores empresariais, podem ser mencionados: • soja; • trigo; • café; • bovinocultura de corte. 1.6 Características da produção agropecuária A produção agrícola apresenta, entre outras, as seguintes características: • variabilidade da produção periódica: fenômeno observado na produção agroindustrial, mas que não se reflete no lado do consumo, gerando, assim, a necessidade de serviços de armazenamento e conservação para o atendimento à demanda;• sazonalidade: condições climáticas de cada região, dividindo períodos de safra e entressafra (excesso e falta de produção, em relação à demanda); • influência de pragas e doenças: condições que levam à diminuição da quantidade e da qualidade dos produtos ou, eventualmente, à perda de grande parte ou até de toda a produção, podendo ocorrer em momento de cultivo, colheita ou até em fases depois da porteira; • variações climáticas. 27 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Com relação à questão climática, Araújo (2013, p. 9) comenta: “normalmente, a certeza do agricultor é a de que realizou o plantio e que dele irá cuidar, mas se irá colher e o quanto colherá, como ele próprio o diz, só Deus sabe.” Por se tratar de atividade de alto risco, é difícil a prática do seguro agrícola, que se constitui em importante fator de hedging (proteção) para o produtor rural, em razão da perecibilidade: um determinado produto é considerado perecível quando pode se estragar com relativa facilidade. A perecibilidade é combatida com o desenvolvimento tecnológico e métodos especializados e adequados de colheita, classificação e tratamento dos produtos agropecuários e, na fase depois da porteira, com especificações e estruturas destinadas à armazenagem e à conservação, às embalagens, à logística de distribuição etc. • distribuição geográfica; • atomização da produção; • variação da qualidade do produto; • baixo valor agregado: o valor agregado é cada vez mais entendido como o que é percebido pelo cliente/consumidor e é baixo, ao menos ao nível do produtor, por se tratar de commodities. Esses fatores conduzem, naturalmente, à baixa remuneração no âmbito dos produtores e a um custo mais alto (percentual por unidade de produto) em termos de logística de distribuição e transporte; dadas a: • dificuldade de ajustamento; • existência de estruturas diversificadas de mercado. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indica: No Brasil, o agronegócio contempla o pequeno, o médio e o grande produtor rural e reúne atividades de fornecimento de bens e serviços à agricultura, produção agropecuária, processamento, transformação e distribuição de produtos de origem agropecuária até o consumidor final (BRASIL, [s.d.]a). Além dos produtos relacionados ao agronegócio propriamente dito, deve ser mencionada a agricultura familiar, voltada à subsistência dos próprios produtores rurais. Entre os produtos de maior destaque nessa modalidade de agricultura, estão: • feijão; • mandioca; • suinocultura; 28 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I • bovinocultura de leite; • milho; • aves; • ovos; • arroz. O diagrama da figura a seguir, extraído de Mendes e Padilha Junior (2007), revela o dualismo estrutural no agronegócio com base em fatores tecnológicos: Dualismo tecnológico Características em nível de: Produção Comercialização Pequenos produtores a) Mercado interno b) Grande número de comerciantes c) Pequenos lotes d) Comerciantes ineficientes e) Custos e margens elevadas f) Baixos preços aos produtores g) Elevados preços aos consumidores h) Demanda‑preço mais inelástica 1 – Agricultura tradicional a) Pequena escala i) Qualidade inferior b) Insumos tradicionais j) Consumidores de baixa renda c) Baixo nível tecnológico d) Pouca especialização Médios/grandes produtores a) Mercado interno e) Crédito difícil b) Poucos intermediários f) Produção dispersa c) Lotes maiores g) Prudução conjunta d) Comerciantes com maior escala e) Margens menores f) Intermediários mais eficientes g) Consumidores de renda média‑alta 2 – Agricultura moderna a) Escala maior b) Insumos modernos Médios e grandes produtores a) Mercado externo e interno c) Tecnologia moderna b) Poucos intermediários d) Maior especialização c) Maior organização – produtores e) Fácil acesso ao crédito d) Demanda mais elástica f) Maior grau de mecanização e) Menor variabilidade de preços g) Maior uso de capital f) Melhor infraestrutura Figura 7 29 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Saiba mais A Lei n° 11.326 estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Para saber mais acerca da lei, acesse: BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n° 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Brasília: DF, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2004‑2006/2006/lei/l11326.htm>. Acesso em: 23 set. 2016. No Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2006), foram identificados 4.366.267 estabelecimentos de agricultura familiar, o que representa 84,36% das instalações brasileiras. Esse numeroso contingente de agricultores familiares abrangia uma área de 80,10 milhões de hectares, ou seja, 24% da área ocupada pelos comércios agropecuários brasileiros. Tais resultados mostram uma estrutura agrária ainda concentrada no País: os estabelecimentos não familiares, apesar de representarem 15,6% do total, envolviam 75,9% da área ocupada. A área média dos locais familiares era de 18,34 hectares e a dos não familiares de 313,3 hectares. Dos 80,1 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, enquanto área com matas, florestas ou sistemas agroflorestais ocupava 24%; por fim, as lavouras, 22%. Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens (17,6 milhões e 36,2 milhões de hectares, respectivamente), a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do País como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno. As centrais de abastecimento, pela sua infraestrutura, desempenham um forte papel no que tange ao suporte mais próximo aos produtores, fornecendo‑lhes também informações e executando serviços relacionados com seleção, classificação, beneficiamento e embalagem de produtos. Podem ser considerados como objetivos dessas centrais: • diminuição do poder dos intermediários; • identificação de novos locais e oportunidades de comercialização; • obtenção de melhores preços para os produtos agropecuários. 30 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Figura 8 1.7 Integração dos canais de comercialização de produtos agropecuários Mendes e Padilha Junior (2007) comentam o propósito dessas integrações: A integração vertical ocorre quando uma empresa combina atividades não semelhantes às que regularmente realiza [...]. A integração horizontal se verifica quando uma empresa absorve outras firmas que executavam atividades similares às suas. A procura pela integração vertical está relacionada, por exemplo, com a necessidade de garantia de insumos para a produção e de produtos para a comercialização. A integração vertical ocorre quando uma única empresa ou empreendimento coordena todo o processo produtivo e/ou de comercialização desde a obtenção dos insumos até o término da produção e/ou da entrega ao consumo dos produtos agropecuários. Esse processo pode levar, também, a uma maior dependência e subordinação dos produtores à integradora. Um dos inconvenientes da integração é a maior dificuldade para a gestão e os altos custos demandados por sua consecução, o que pode liberar menos recursos financeiros do que os necessários para a produção propriamente dita. A integração pode contribuir também com a formação de barreiras à entrada no mercado de novas empresas, à medida que sejam verticalizadas fontes de matérias‑primas. Isso se dá em prejuízo da concorrência e faz com que os preços não sejam totalmente determinados pelos livres mercados (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p. 220). 31Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR É preciso, todavia, lembrar as economias de escala e consequentes reduções de custos propiciados pela integração. Um exemplo de integração vertical pode ser constatado pela existência das cooperativas locais ou regionais envolvendo diferentes produtores rurais. A horizontal, por outro lado, objetiva diminuir riscos e custos, além de melhorar qualidade com base no princípio de economia de escala. Com as economias de escala, há a produção de bens em larga escala, o que propicia significativa redução nos custos. Também chamadas de economias internas, as economias de escala resultam da racionalização intensiva da atividade produtiva, graças ao empenho sistemático de novos engenhos tecnológicos e de processos avançados de automação, organização e especialização do trabalho. Representada fisicamente por gigantescas unidades de produção, as empresas que conseguem obter economia de escala possibilitam o emprego de amplo contingente de mão de obra altamente qualificada e são dotadas de grande capacidade de estocagem de produção e matérias‑primas. Seu elevado grau de especialização garante melhores processos e métodos de controle de qualidade da produção e maior uniformidade na padronização dos produtos. Além disso, os recursos colocados à sua disposição possibilitam maiores investimentos na pesquisa e na criação de novos produtos, além da elaboração de eficientes campanhas publicitárias e sólidas estratégias de marketing. Todos esses fatores proporcionados pela economia de escala não são usufruídos pelas pequenas e médias empresas. A tendência é a concentração sob a forma monopolista, fundamentalmente de caráter multinacional. 1.8 Bolsas de mercadorias e futuros Sandroni (2005) define as bolsas de mercadorias como: Mercado centralizado para transações com mercadorias, sobretudo os produtos primários de maior importância no comércio internacional e no comércio interno, como café, açúcar, algodão, cereais etc. (as chamadas commodities). Realizando negócios tanto com estoques existentes quanto estoques futuros, as Bolsas de Mercadorias exercem papel estabilizador no mercado, minimizando as variações de preço provocadas pelas flutuações de procura e reduzindo os riscos dos comerciantes [...]. Na atualidade, as mais importantes Bolsas de Mercadorias do mundo são as de Chicago, Nova Iorque e Londres; suas cotações regulam os preços de quase todo o comércio internacional [...] (SANDRONI, 2005, p. 91). 32 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Figura 9 A BM&FBovespa (BVMF) foi criada em maio de 2008 com a integração da BM&F (bolsa de derivativos) e da Bovespa (bolsa de ações). É a única bolsa de valores mobiliários do Brasil e também provedora de serviços de contraparte central e custódia de títulos. Atualmente está entre as maiores bolsas do mundo em valor de mercado, além de ser líder na América Latina. Saiba mais BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros indica que as trajetórias da BM&FBOVESPA e do setor de bolsas no Brasil estão intimamente ligadas desde o início. Para saber mais sobre Bolsa de Valores, acesse: BM&FBOVESPA S.A. Perfil histórico. São Paulo, 16 abr. 2016. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2016. As operações nesses mercados propiciam ao agricultor ou pecuarista obter hedge (proteção), que lhe dá garantias de um determinado preço de venda para a sua lavoura ou criação. Nesse caso, é firmado contrato ou opção de venda futura a determinado investidor (especulador), que assume o risco de eventuais problemas com os empreendimentos, como a ocorrência de fatores climáticos (enchentes, geadas etc.) ou baixa de preços no mercado no momento da colheita. São nessas bolsas que podem ser constatadas as atuações de aplicadores (conhecidos como investidores) especuladores. 33 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Sandroni (2005) define especulação como: Compra e a venda sistemática de títulos, ações, imóveis etc. com a intenção de obter lucro rápido e alto, aproveitando a oscilação dos preços. A atuação de um especulador consiste em comprar títulos ou commodities quando seus preços estiverem baixos ou em baixa e vender esses mesmos títulos ou commodities quando os preços estiverem em alta ou alcançarem um ponto máximo de elevação. As áreas preferidas para a ação dos especuladores são as Bolsas de Valores e de Mercadorias ou os gêneros de primeira necessidade. E no caso da especulação com produtos agrícolas ou provenientes da mineração, ou do extrativismo vegetal, a especulação ocorre geralmente com o produto em estado bruto, e não com o já processado por algum sistema de beneficiamento, pois as oscilações de preços para cima ou para baixo são muito mais acentuadas nas matérias‑primas do que nos produtos acabados. Nos períodos de crise econômica ou de grande instabilidade financeira, os especuladores tendem a atuar com maior desenvoltura (SANDRONI, 2005, p. 311). 1.9 Problemas que afetam a produção e a comercialização nos países em desenvolvimento (emergentes) Podemos classificar esses fatores entre os que se relacionam com as condições sociais e econômicas, com as estruturas de mercados e os processos de intervenção do governo nas atividades econômicas, entre os quais: • elevada taxa de crescimento populacional; • intensificação da migração de pessoas e trabalhadores do campo para a cidade; • alta concentração de renda, riqueza e do poder político na sociedade; • altos custos de produção e de distribuição de bens e serviços; • infraestrutura inadequada de transportes. Todos esses quesitos podem ser verificados no Brasil, apesar da melhora ocorrida tanto nos aspectos econômicos quanto sociais, a partir da década de 1990. Entre os itens que causam dificuldades ao processo de comercialização, pode ser mencionado o baixo nível de especialização na fase de produção de bens. Esse fator normalmente é constatado em agriculturas de menor porte, e não nas de produtos voltados à exportação. Há, nesse caso, por exemplo, um aproveitamento ineficiente das condições climáticas e de solo da região. Ocorrem perdas de produção, o que gera maiores custos de transações. Nessas situações, o produtor está inserido numa estrutura monopsonista que diminui a sua rentabilidade. 34 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I Lembrete Podemos identificar a estrutura de mercado conhecida como monopsônio quando se observar a existência de um único comprador defrontando‑se com um grande número de ofertantes. Mendes e Padilha Jr. (2007, p. 222) comentam que “na agroindústria brasileira, inúmeros casos se aproximam do status oligopolista. Isso acontece tanto pelo lado do produto agrícola processado quanto dos fatores de produção vendidos à agricultura.” • existem grandes concentrações industriais em diversos segmentos, como café solúvel; • óleos e gorduras vegetais; • leite em pó e derivados; • carnes em conserva; • amido de milho; • álcool e açúcar; • papel e celulose; • frigoríficos. No tocante ao segmento antes da porteira, são comuns os oligopólios na exploração de atividades, como: • sementes; • fertilizantes; • defensivos; • rações; • máquinas agrícolas. O pouco apoio governamental e de fornecimento de crédito reduz a eficiência das atividades de comercialização agropecuária. 35 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 CIÊNCIAS ECONÔMICAS INTERDISCIPLINAR Comentam Mendes e Padilha Junior (2007): A posição básica da maioria dos governos latino‑americanos é de que as empresas de comercialização são, na melhor das hipóteses, um mal necessário. As leis e os programas governamentaistêm a intenção de regular ou controlar os intermediários, em vez de procurar mudar suas ações indesejáveis pela educação, assistência técnica e por incentivos econômicos (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p. 35). Os oferecimentos de créditos são usualmente direcionados com maior frequência às atividades de produção do que às de comercialização e, por isso, podem sofrer de carência de capital para suas operações, o que ocorre também com os desenvolvimentos técnicos. De outra parte, tanto o processamento quanto a preservação de alimentos têm sido bastante influenciados pelas mudanças tecnológicas. Entre as dificuldades enfrentadas pelas várias cadeias de produção e de comercialização dos produtos agropecuários, destaca‑se o chamado custo Brasil. Essa expressão engloba um conjunto de custos de produção, ou de despesas que incidem direta ou indiretamente sobre a produção, dificultando ou até inviabilizando a colocação dos produtos no mercado nacional e, principalmente internacional, dada a perda relativa de competitividade com importados. Esses custos devem‑se a aspectos: • legais (legislação trabalhista, por exemplo, e os encargos sociais), institucionais (excesso de burocracia para a instalação de empresas ou para a exportação de produtos); • tributários (excesso de impostos, contribuições e taxas incidentes sobre produtos que direta ou indiretamente participam das exportações ou sofrem concorrência de artigos estrangeiros); • infraestrutura (falta ou precariedade de estradas bem‑conservadas, comunicações deficientes e caras); • corporativas (domínio de sindicatos de trabalhadores sobre certos tipos de atividade, dificultando a incorporação do progresso técnico e o aumento da produtividade). Muitos estudiosos entendem como importantes fatores que levam ao custo Brasil: • déficit público; • falta de competividade internacional e confiança nas políticas do governo; • inflação; • falta de mão de obra qualificada. 36 Re vi sã o: A na - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 07 /1 0/ 20 16 Unidade I 1.10 Financiamentos e controles de riscos para os diferentes setores (PGPM, AGF e EGF) Araújo (2013, p. 42) elucida que “os agentes econômicos atuantes no agronegócio antes da porteira são formadores de preços e os agropecuaristas são tomadores de preços.” A produção e a comercialização agropecuárias demandam a utilização de uma gama de capitais, notadamente financeiros. O agente do agronegócio pode recorrer a financiamentos obtidos junto aos setores privado e público para não somente dar mais garantia e segurança à sua produção, bem como facilitar a comercialização da safra. Há operações cujo agente pode obter de forma antecipada os recursos (ou parte deles) previstos para serem utilizados em momento de comercialização antes mesmo de esta ser completada. 1.10.1 As políticas para o setor rural O diagrama da figura a seguir, adaptado do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), ilustra alternativas das políticas de apoio do Governo Federal à agropecuária: PGPM Política de Garantia de Preços Mínimos Compra Aquisição do Governo Federal AGF Prêmio para Escoamento de Produto PEP Prêmio Equalizador pago ao Produtor Pepro Contrato de Opção de Venda COV Contrato Privado de Opção de Venda Prop Linha Especial de Crédito LEC Empréstimo do Governo Federal EGF Financiamento 1992 1996 2003 Figura 10