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FACULDADE ANHANGUERA
TECNOLOGIA EM GESTÃO DO AGRONEGÓCIO
ANDERSON RUAN COSTA MACÊDO
RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA: CADEIAS PRODUTIVAS 
	
NOVA OLIMPIA
2026
ANDERSON RUAN COSTA MACÊDO
RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA: CADEIAS PRODUTIVAS 
Relatório de Aula Prática Apresentado ao Curso de Tecnologia em Gestão do Agronegócio da Faculdade Anhanguera, em cumprimento ao requisito obrigatório para aprovação na disciplina de Cadeias Produtivas.
 
NOVA OLIMPIA
2026
SUMÁRIO
CAPÍTULO I - CADEIA PRODUTIVA DE PRODUÇÃO ANIMAL: A BOVINOCULTURA DE CORTE EM NOVA OLÍMPIA – MT	5
1 INTRODUÇÃO	1
1.1 JUSTIFICATIVA	1
2 DESENVOLVIMENTO	3
2.1 CARACTERIZAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA	3
2.2 POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES DA CADEIA PRODUTIVA	4
3 FLUXOGRAMA	6
4 CONCLUSÃO	7
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	8
CAPÍTULO II- MINIPROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DE CULTURA DA SOJA EM NOVA OLÍMPIA – MT	7
1 INTRODUÇÃO	8
1.1 JUSTIFICATIVA	8
2 DESENVOLVIMENTO	10
2.1. PANORAMA DA PRODUÇÃO NACIONAL DE SOJA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS	10
2.3. ASPECTOS TÉCNICOS DE IMPLANTAÇÃO	11
2.4 PANORAMA DO MERCADO CONSUMIDOR, PRODUTIVIDADE MÉDIA E COTAÇÃO	12
2.5 TIPO DE BENEFICIAMENTO	12
2.6 ENTRAVES DA CADEIA PRODUTIVA E POSSÍVEIS SOLUÇÕES	13
3 CONCLUSÃO	13
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	15
CAPÍTULO II – MINIPROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DE ...
1 INTRODUÇÃO	8
	1.1 JUSTIFICATIVA	8
2 DESENVOLVIMENTO	10
3 CONCLUSÃO	12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA	13
CAPÍTULO I - CADEIA PRODUTIVA DE PRODUÇÃO ANIMAL: A BOVINOCULTURA DE CORTE EM NOVA OLÍMPIA – MT
1 INTRODUÇÃO
 O município de Nova Olímpia está localizado na região sudoeste do estado de Mato Grosso, às margens da rodovia MT-408, que liga o distrito de Assari à cidade de Tangará da Serra. Originado do antigo Distrito de Paz de Olímpia, criado em 1960, o município foi oficialmente instituído em 1983 e, atualmente, tem sua economia sustentada principalmente por duas atividades: a pecuária de corte e a monocultura da cana-de-açúcar. Essa base produtiva reflete um padrão comum ao interior de Mato Grosso, estado que se consolidou, nas últimas décadas, como um dos principais polos da pecuária brasileira, respondendo por recordes sucessivos de abate de bovinos (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026c).
A bovinocultura de corte praticada em Nova Olímpia e em seus municípios vizinhos, como Denise, Porto Estrela, Santo Afonso e Tangará da Serra, é responsável por um rebanho regional que soma mais de um milhão de cabeças destinadas à produção de carne e de leite. Historicamente, essa cadeia se desenvolveu a partir da apropriação de grandes extensões de terra para pastagens, processo característico da ocupação agropecuária do estado a partir da segunda metade do século XX. Mais recentemente, o poder público municipal tem investido diretamente no fortalecimento dessa cadeia: em 2026, foi assegurado um aporte de R$ 3,8 milhões para a construção de um abatedouro com abate inspecionado de bovinos em Nova Olímpia, medida que deve favorecer a saúde pública, agregar valor à produção local e ampliar a renda dos produtores rurais do município (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026a).
1.1 JUSTIFICATIVA
 A escolha da bovinocultura de corte como cadeia produtiva de produção animal a ser estudada se justifica pela centralidade dessa atividade na economia de Nova Olímpia e de Mato Grosso como um todo. No âmbito estadual, a pecuária bovina responde por cerca de 18% do valor bruto da produção agropecuária de Mato Grosso, sendo superada apenas pela soja em importância econômica, e o estado tem batido recordes sucessivos de abate e de exportação de carne bovina, impulsionados principalmente pela demanda do mercado chinês. Em nível nacional, a bovinocultura representa aproximadamente 17,5% do valor bruto de toda a produção agropecuária brasileira, o que evidencia o peso econômico e social dessa cadeia.
 No contexto local, a relevância do tema é reforçada pelo investimento recente do município na construção de um abatedouro próprio com inspeção sanitária, decisão que demonstra o entendimento do poder público de que o fortalecimento dessa cadeia produtiva é estratégico para o desenvolvimento econômico e social de Nova Olímpia (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026a).
 
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 CARACTERIZAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA
 A cadeia produtiva da bovinocultura de corte tem início na etapa de cria, na qual matrizes e touros selecionados geneticamente são utilizados para a reprodução do rebanho. Nessa fase, os bezerros nascem e permanecem com as vacas até o desmame, que ocorre geralmente entre oito e doze meses de vida, período em que se alimentam do leite materno associado ao pasto. Encerrado o desmame, os animais entram na fase de recria, quando passam a se alimentar predominantemente de pastagens, podendo receber suplementação mineral e alimentar, sobretudo durante o período de seca, quando a qualidade e a disponibilidade de forragem diminuem.
A etapa seguinte é a engorda, também chamada de terminação, em que o animal ganha o peso necessário para o abate. Em Mato Grosso, essa fase tem passado por um processo importante de intensificação: dados recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária mostram que a proporção de bovinos abatidos com até 24 meses de idade saltou de apenas 2%, em 2006, para 45%, no primeiro semestre de 2026, resultado de investimentos em genética, nutrição e manejo de pastagens que têm reduzido o tempo necessário para os animais atingirem o peso ideal de abate. Essa intensificação pode ocorrer tanto a pasto, com uso de pastagens melhoradas, quanto em sistema de confinamento, no qual os animais recebem dieta à base de ração concentrada por um período determinado antes do abate.
Uma vez terminados, os animais são enviados aos abatedouros e frigoríficos, etapa em que ocorre o abate propriamente dito, sob inspeção sanitária oficial. É justamente nesse ponto da cadeia que o investimento municipal recente em Nova Olímpia se concentra, com a construção de uma unidade própria de abate inspecionado, o que deve permitir que parte da produção local seja processada dentro do próprio município, agregando valor e gerando emprego antes de a carne seguir para as etapas posteriores. Após o abate, a carcaça passa pelo processamento, que envolve a desossa, a industrialização de cortes e subprodutos e o resfriamento ou congelamento da carne, de modo a garantir sua conservação até o consumo.
A relação da cadeia com fornecedores, intermediários e consumidores finais é ampla. Do lado dos fornecedores de insumos, destacam-se as empresas de genética animal, os fabricantes de ração e suplementos minerais, os produtores de sementes de pastagem e os laboratórios veterinários, que atuam principalmente nas fases de cria, recria e engorda. Do lado da distribuição, atuam atravessadores que compram o gado dos produtores rurais para revenda a frigoríficos, além das próprias indústrias frigoríficas, das redes de varejo e das empresas exportadoras. Em Mato Grosso, o mercado externo tem peso decisivo nessa etapa: no primeiro semestre de 2026, o estado exportou mais de 511 mil toneladas de carne bovina em equivalente carcaça, um crescimento de quase 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, com a China respondendo por mais da metade dos embarques estaduais. Por fim, o consumidor final recebe o produto tanto no mercado interno, por meio de açougues, supermercados e indústrias de alimentos, quanto no mercado internacional, via importadores localizados principalmente na Ásia.
2.2 POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES DA CADEIA PRODUTIVA
 A cadeia apresenta pontos fortes como a disponibilidade de grandes extensões de terra para pastagens e os investimentos crescentes em genética e em manejo nutricional, evidenciados pela redução da idade média de abate no estado (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026d), além da decisão recente do poder público municipal de investir em um abatedouro próprio com inspeção sanitária (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026a). Por outro lado, a cadeia enfrenta fatores limitantes relacionados à distância deMato Grosso em relação aos portos de exportação, à sazonalidade do regime de chuvas e à concorrência pelo uso da terra com a monocultura da cana-de-açúcar, atividade também tradicional do município (UNEMAT, [s.d.]), bem como à dependência do mercado internacional, sobretudo da demanda chinesa (CLICK NOVA OLÍMPIA, 2026c).
Por outro lado, a cadeia enfrenta fatores limitantes que dificultam seu pleno desenvolvimento. A localização de Mato Grosso no interior do país, distante dos principais portos de exportação, encarece significativamente o transporte tanto de insumos quanto do produto final, reduzindo a competitividade da carne produzida na região frente a estados litorâneos. A sazonalidade do regime de chuvas também representa uma limitação relevante, já que a escassez de forragem na estação seca compromete o ganho de peso dos animais que permanecem exclusivamente a pasto, tornando necessário o uso de suplementação, o que aumenta os custos de produção. A concorrência pelo uso da terra com a monocultura da cana-de-açúcar, outra atividade tradicional do município, também limita a expansão de áreas de pastagem em Nova Olímpia. Por fim, a dependência do mercado internacional, sobretudo da demanda chinesa, expõe a cadeia a riscos relacionados a variações cambiais, barreiras sanitárias e mudanças na política comercial de outros países, fatores sobre os quais os produtores locais têm pouco ou nenhum controle.
Para enfrentar essas limitações, algumas soluções podem ser adotadas pelos produtores e pelo poder público local. A implantação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta pode reduzir os efeitos da sazonalidade das pastagens, ao viabilizar a formação de reservas de forragem e o uso de resíduos agrícolas na alimentação do gado durante o período seco. A ampliação do acesso ao crédito rural e à assistência técnica para pequenos e médios produtores tende a acelerar a adoção de tecnologias de manejo já disponíveis na região, aproximando a produtividade média local dos índices mais elevados do estado. O fortalecimento do abatedouro recém-financiado, com a busca por certificações que viabilizem a exportação direta a partir do município, pode reduzir a dependência de intermediários e de frigoríficos externos. Por fim, a diversificação dos mercados de destino da carne produzida na região, somada à valorização de nichos como carne de qualidade certificada, pode reduzir a exposição da cadeia a oscilações de um único mercado importador.
3 FLUXOGRAMA
O fluxograma apresentado a seguir sintetiza as etapas descritas anteriormente e as conexões entre os elos da cadeia produtiva da bovinocultura de corte, desde o fornecimento de insumos até a chegada do produto ao consumidor final.
Figura 1. Fluxograma da cadeia produtiva da bovinocultura de corte em Nova Olímpia – MT 
Fonte: elaborado pela autora (2026), com base em Click Nova Olímpia (2026) e Imea/Imac (2026).
4 CONCLUSÃO
 A análise da cadeia produtiva da bovinocultura de corte em Nova Olímpia mostra que essa atividade permanece como um dos pilares da economia municipal, sustentada por um processo produtivo que vai da cria e da recria até o abate, o processamento e a distribuição da carne, envolvendo desde fornecedores locais de insumos até mercados internacionais, com destaque para a China. O município conta com potencialidades importantes, como a disponibilidade de terra, o clima favorável e os investimentos recentes em genética e em infraestrutura de abate, mas também enfrenta limitações relacionadas à logística, à sazonalidade das pastagens e à concorrência pelo uso da terra com a cana-de-açúcar. Confirma-se, assim, a justificativa apresentada inicialmente: a bovinocultura de corte é uma cadeia produtiva de relevância econômica e social para Nova Olímpia, e o investimento recente em um abatedouro próprio com inspeção sanitária representa uma oportunidade concreta de agregação de valor e de fortalecimento da atividade dentro do próprio município, desde que as limitações identificadas sejam enfrentadas com planejamento e investimento contínuos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CLICK NOVA OLÍMPIA. Nova Olímpia assegura R$ 3,8 milhões para abatedouro com abate inspecionado de bovinos. 2026a. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/nova-olimpia-assegura-r-38-milhoes-para-abatedouro-com-abate-inspecionado-de-bovinos/. Acesso em: 12 set. 2026.
CLICK NOVA OLÍMPIA. MT lidera renda da produção agropecuária em 2026. 2026b. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/mt-lidera-renda-da-producao-agropecuaria-em-2026/. Acesso em: 12 set. 2026.
CLICK NOVA OLÍMPIA. Mato Grosso bate o recorde histórico no abate de bovinos. 2026c. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/mato-grosso-bate-o-recorde-historico-no-abate-de-bovinos/. Acesso em: 12 set. 2026.
CLICK NOVA OLÍMPIA. Pecuária de MT bate recorde e chega a 45% dos bovinos abatidos com até 24 meses. 2026d. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/pecuaria-de-mt-bate-recorde-e-chega-a-45-dos-bovinos-abatidos-com-ate-24-meses/. Acesso em: 12 set. 2026.
CLICK NOVA OLÍMPIA. MT lidera produção agropecuária nacional com R$ 213 bilhões em valor bruto. 2026e. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/mt-lidera-producao-agropecuaria-nacional-com-r-213-bilhoes-em-valor-bruto/. Acesso em: 12 set. 2026.
CLICK NOVA OLÍMPIA. Produção da pecuária de Mato Grosso deve movimentar R$ 42,1 bilhões. 2026f. Disponível em: https://clicknovaolimpia.com.br/slideshow/producao-da-pecuaria-de-mato-grosso-deve-movimentar-r-421-bilhoes/. Acesso em: 12 set. 2026.
UNEMAT. Nova Olímpia. [s.d.]. Disponível em: https://sites.google.com/unemat.br/olimpiada-de-matematica/OM/polo-barra-do-bugres/nova-ol%C3%ADmpia. Acesso em: 12 set. 2026.
2
CAPÍTULO II- MINIPROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DE CULTURA DA SOJA EM NOVA OLÍMPIA – MT
2
1 INTRODUÇÃO
 A soja (Glycine max) é uma leguminosa oleaginosa de ciclo anual, cultivada principalmente para a extração de óleo vegetal e para a produção de farelo destinado à alimentação animal, além de ser amplamente utilizada na indústria de alimentos e, mais recentemente, na produção de biodiesel. Sua importância para a economia brasileira é histórica: o país é hoje o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa, posição consolidada nas últimas três décadas por meio da expansão da área plantada e do avanço tecnológico no campo. O estado de Mato Grosso ocupa o primeiro lugar entre os produtores nacionais, respondendo por cerca de um quarto de toda a soja colhida no Brasil, o que torna a cultura extremamente relevante para qualquer município mato-grossense com aptidão edafoclimática para o seu cultivo, incluindo Nova Olímpia. O Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa, posição consolidada nas últimas três décadas: entre a safra 1992/93 e a safra 2022/23, a produção nacional cresceu 557%, a área cultivada aumentou 306%, passando de 10,7 milhões de hectares para 43,5 milhões de hectares, e a produtividade média avançou de 2.150 kg/ha para cerca de 3.479 kg/ha (CANAL RURAL, 2023). O estado de Mato Grosso ocupa o primeiro lugar entre os produtores nacionais, com produtividade média em torno de 3.969 kg/ha (EMBRAPA, 2026).
 Na condução da lavoura, a soja é tradicionalmente cultivada em sucessão com o milho de segunda safra, prática amplamente adotada em Mato Grosso, além de rotações com algodão e sorgo (CANAL RURAL, 2023).
1.1 JUSTIFICATIVA
 A escolha da soja se justifica pela posição de destaque de Mato Grosso na produção nacional do grão (EMBRAPA, 2026), o que garante à região infraestrutura logística, cooperativas, revendas de insumos e plantas de esmagamento já estabelecidas, reduzindo os custos e os riscos de implantação de uma nova lavoura no município. Em segundo lugar, a soja é historicamente o principal produto da pauta de exportações agrícolas brasileiras, o que assegura um mercado consumidor amplo e diversificado, tanto para o grão exportado in natura quantopara os subprodutos do seu processamento industrial. Em terceiro lugar, a possibilidade de sucessão com o milho safrinha permite que a mesma área produza duas safras de grãos por ano agrícola, otimizando o uso da terra e ampliando a rentabilidade da propriedade rural.
Do ponto de vista edafoclimático, Nova Olímpia está situada em uma região de clima tropical, com estação chuvosa bem definida entre os meses de outubro e abril, e apresenta solos predominantemente classificados como Latossolos, profundos e bem drenados, características consideradas favoráveis ao desenvolvimento da cultura da soja, desde que sejam corrigidos quanto à acidez natural e à fertilidade por meio de calagem e adubação adequadas. Esse conjunto de fatores torna o município tecnicamente apto à implantação da lavoura, desde que sejam respeitadas as janelas de semeadura recomendadas oficialmente para o estado.
 
2 DESENVOLVIMENTO
2.1. PANORAMA DA PRODUÇÃO NACIONAL DE SOJA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS
 A produção brasileira de soja apresentou crescimento expressivo na última década, sustentado principalmente pela expansão da área cultivada e, em menor grau, pelo aumento da produtividade média por hectare. A Tabela 1 apresenta a evolução da área colhida, da produção total e da produtividade média da soja no Brasil ao longo das dez últimas safras, com valores compilados a partir de CONAB ([s.d.]) e EMBRAPA (2026), com a safra 2025/26 estimada em 48,7 milhões de hectares, 180,1 milhões de toneladas e produtividade de 3.697 kg/ha (VGN NOTÍCIAS, 2026). Estudos da própria Conab indicam que a correlação entre a área plantada e o volume total produzido é muito forte, próxima de 99%, enquanto a correlação entre a produtividade e a produção é de aproximadamente 89%, sendo mais sensível a fatores climáticos (CONAB, 2017).
Tabela 1 – Área colhida, produção e produtividade da soja no Brasil (safras 2016/17 a 2025/26)
	Safra
	Área colhida (milhões de ha)
	Produção (milhões de t)
	Produtividade (kg/ha)
	2016/17
	33,9
	114,1
	3.363
	2017/18
	35,1
	119,3
	3.400
	2018/19
	35,9
	115,0
	3.202
	2019/20
	36,9
	124,8
	3.379
	2020/21
	38,5
	138,7
	3.600
	2021/22
	40,8
	125,5
	3.075
	2022/23
	43,5
	154,6
	3.555
	2023/24
	45,3
	147,4
	3.253
	2024/25
	47,1
	169,7
	3.604
	2025/26
	48,7
	180,1
	3.697
Fonte: elaborado pela autora (2026), com base em Conab e Embrapa Soja (2026).
Observando a série histórica, nota-se que a área colhida cresceu de forma praticamente contínua, passando de aproximadamente 34 milhões de hectares na safra 2016/17 para quase 49 milhões de hectares na safra 2025/26, um aumento superior a 40% em apenas dez anos. A produtividade média, por sua vez, apresentou trajetória menos linear, com quedas pontuais em safras marcadas por condições climáticas adversas, como a de 2021/22, afetada por seca intensa no Sul do país, mas mantendo uma tendência geral de crescimento ao longo da década, encerrando o período em torno de 3.700 kg/ha. Estudos da própria Conab indicam que, historicamente, a correlação entre a área plantada e o volume total produzido é muito forte, próxima de 99%, enquanto a correlação entre a produtividade e a produção, embora também positiva, é mais sensível a fatores climáticos, o que explica por que a expansão da área tem sido o principal motor do crescimento da produção de soja no Brasil nas últimas décadas.
2.3. ASPECTOS TÉCNICOS DE IMPLANTAÇÃO
A implantação da lavoura de soja em Nova Olímpia deve seguir o sistema de plantio direto sobre palha, técnica amplamente adotada em Mato Grosso, que consiste na semeadura sem revolvimento do solo, mantendo a cobertura vegetal da cultura anterior ou de plantas de cobertura sobre a superfície. Esse sistema reduz a erosão, conserva a umidade do solo e diminui os custos operacionais em relação ao preparo convencional. Devem ser utilizadas cultivares de ciclo precoce a médio, adaptadas à região de transição entre o Cerrado e a Amazônia, de modo a viabilizar a colheita em tempo hábil para a semeadura do milho safrinha na mesma área.
 A época de semeadura deve obedecer ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que para Mato Grosso, principal produtor da oleaginosa, define a semeadura entre 7 de setembro e 7 de janeiro (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA, 2024), assim define os períodos de plantio com base na probabilidade de perdas de produtividade decorrentes de eventos climáticos adversos, sobretudo veranicos durante a fase reprodutiva da planta. Para o estado, o Zarc tem estabelecido a semeadura entre o início de setembro e o início de janeiro, variando de acordo com a cultivar, o tipo de solo e a sua capacidade de retenção de água, de modo que o produtor de Nova Olímpia deve consultar a portaria vigente para a safra em que pretende implantar a lavoura antes de definir a data exata de plantio. Cabe destacar que essa semeadura também está condicionada ao vazio sanitário estabelecido para o controle da ferrugem asiática da soja, período em que é obrigatória a ausência de plantas de soja no campo, medida sanitária que deve ser rigorosamente respeitada.
2.4 Panorama do mercado consumidor, produtividade média e cotação
O mercado consumidor da soja produzida em Nova Olímpia se divide, essencialmente, em dois destinos principais: a indústria de esmagamento, que processa o grão para a produção de óleo e de farelo destinado à alimentação animal, e o mercado exportador, voltado principalmente à China, maior importadora mundial do produto. Em Mato Grosso, a produtividade média mais recente da cultura tem se situado próxima de 3.970 kg por hectare, patamar superior à média nacional, o que reflete o alto grau de tecnificação da lavoura no estado. Quanto à cotação, o preço pago aos produtores mato-grossenses oscilou, em 2026, entre R$ 100,90 e R$ 105,54 por saca (VGN NOTÍCIAS, 2026; REVISTA CULTIVAR, 2026), valor inferior ao indicador nacional Cepea/Esalq, que no mesmo período variou entre aproximadamente R$ 127,93 e R$ 165,50 por saca, diferença explicada principalmente pelos custos de frete até os portos de exportação e pela maior oferta interna do produto no estado durante a colheita. 
2.5 Tipo de beneficiamento
Após a colheita, os grãos de soja produzidos em Nova Olímpia devem passar pelas etapas de secagem e limpeza, de modo a reduzir a umidade a níveis seguros para o armazenamento e a evitar a presença de impurezas e de grãos danificados. O produto pode então ser armazenado em silos ou em unidades graneleiras, à espera de comercialização, ou destinado diretamente a plantas de esmagamento regionais, onde é processado para a extração de óleo bruto e de farelo. Parte da produção, no entanto, segue para exportação como grão in natura, sendo transportada por via terrestre até terminais ferroviários ou hidroviários que dão acesso a portos localizados em outras regiões do país, já que Mato Grosso não possui acesso direto ao mar.
2.6 Entraves da cadeia produtiva e possíveis soluções
A cadeia enfrenta entraves relacionados à distância em relação aos portos de exportação (REVISTA CULTIVAR, 2026), ao risco climático mesmo dentro do período recomendado pelo Zarc (EMBRAPA, [s.d.]) e à exposição a variações cambiais e à demanda de importadores como a China (REVISTA CULTIVAR, 2026). Como soluções para esses entraves, recomenda-se, em primeiro lugar, o rigoroso cumprimento das janelas de semeadura estabelecidas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, de modo a reduzir a exposição da lavoura a períodos de maior risco de seca. Em segundo lugar, o investimento em capacidade própria de armazenamento na propriedade permite ao produtor negociar a venda do grão em momentos mais favoráveis de preço, reduzindo a dependência da comercialização concentrada no período da colheita. Em terceiro lugar, a diversificação das alternativas logísticas disponíveis para o escoamento da produção, incluindo o acompanhamento de projetos de infraestrutura ferroviária voltados ao Centro-Oeste, pode reduzir os custos de transporte ao longo do tempo.Por fim, a adoção de sistemas de rotação e de integração entre a soja, o milho safrinha e a pecuária, aproveitando períodos de entressafra e resíduos das lavouras na alimentação animal, pode viabilizar o convívio produtivo entre a nova cultura e as atividades já consolidadas no município, em vez de tratá-las como concorrentes pelo uso da terra.
3 CONCLUSÃO
 O estudo realizado indica que a implantação da cultura da soja em Nova Olímpia é tecnicamente viável e economicamente justificável, tendo em vista a aptidão edafoclimática do município, a posição de destaque de Mato Grosso na produção nacional do grão e a infraestrutura logística e industrial já consolidada na região. A análise da série histórica de produção nacional confirma que a expansão da área plantada tem sido o principal motor do crescimento da soja no Brasil na última década, acompanhada por ganhos graduais de produtividade. Ainda assim, entraves relacionados à logística, ao risco climático e à dependência do mercado internacional precisam ser enfrentados por meio do cumprimento do zoneamento agrícola oficial, do investimento em armazenamento próprio e da integração com as demais atividades agropecuárias do município. Confirma-se, portanto, a justificativa apresentada inicialmente: a soja representa uma alternativa de diversificação produtiva relevante para Nova Olímpia, capaz de gerar renda adicional ao produtor rural sem necessariamente competir de forma excludente com a pecuária e a cana-de-açúcar já estabelecidas no município.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANAL RURAL. Em 30 anos, produção de soja no Brasil aumentou 557%. 2023. Disponível em: https://www.canalrural.com.br/agricultura/soja/em-30-anos-producao-de-soja-no-brasil-aumentou-557/. Acesso em: 12 set. 2026.
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). A produtividade da soja: análise e perspectivas. Compêndio de Estudos da Conab, v. 10, 2017. Disponível em: https://www.conab.gov.br/uploads/arquivos/17_08_02_14_27_28_10_compendio_de_estudos_conab__a_produtividade_da_soja_-_analise_e_perspectivas_-_volume_10_2017.pdf. Acesso em: 12 set. 2026.
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Produção Agrícola: safra – série histórica dos grãos. [s.d.]. Disponível em: https://portaldeinformacoes.conab.gov.br/safra-serie-historica-graos.html. Acesso em: 12 set. 2026.
EMBRAPA. Dados econômicos – Embrapa Soja. 2026. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/web/soja/cultivos/soja1/dados-economicos. Acesso em: 12 set. 2026.
EMBRAPA. Zoneamento agrícola de risco climático para a soja é atualizado no Brasil. [s.d.]. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/80143685/zoneamento-agricola-de-risco-climatico-para-a-soja-e-atualizado-no-brasil. Acesso em: 12 set. 2026.
GRÃO DIRETO. Cotação e preço da soja. 2026. Disponível em: https://www.graodireto.com.br/precos/soja/. Acesso em: 12 set. 2026.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA. Mapa publica Zoneamento Agrícola de Risco Climático da Soja para safra 2024/2025. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/2024/mapa-publica-zoneamento-agricola-de-risco-climatico-da-soja-para-safra-2024-2025. Acesso em: 12 set. 2026.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS. Cotação e preço da soja. 2026. Disponível em: https://www.noticiasagricolas.com.br/cotacoes/soja. Acesso em: 12 set. 2026.
REVISTA CULTIVAR. Exportações de soja disparam em março de 2026. 2026. Disponível em: https://revistacultivar.com.br/noticias/exportacoes-de-soja-disparam-em-marco-de-2026. Acesso em: 12 set. 2026.
VGN NOTÍCIAS. Mato Grosso já colheu toda a soja, mas preços recuam com dólar fraco. 2026. Disponível em: https://www.vgnoticias.com.br/vgn-agro/mato-grosso-ja-colheu-toda-a-soja-mas-precos-recuam-com-dolar-fraco/145220. Acesso em: 12 set. 2026.
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