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Aula 01 
 
Seja bem-vindo à disciplina de Direito Internacional Público e Direito Internacional 
Privado. 
Ao longo das aulas iremos trabalhar, juntos, os conceitos elementares da disciplina, 
bem como seus institutos fundamentais. 
Nessa primeira aula iremos trabalhar as noções básicas, princípios e fontes do 
Direito Internacional Público. 
Ao Direito Internacional Privado deixaremos as aulas finais. 
Boa aula e bons estudos. 
 
1. Conceito e nomenclatura 
 
Embora a denominação Direito Internacional seja consagrada, não nos 
parece a que melhor se adeque ao rigor científico. Isto porque considerando, ainda, que 
existem princípios e normas próprias a cada ramo do direito, é incorreto adotar um nome 
que não reflita o conteúdo da disciplina. 
Marcelo D. Varella ensina que a sociedade internacional “composta por 
Estados, Organizações Internacionais [com natureza jurídica de Direito Público] e, mais 
recentemente, aceita-se em diferentes níveis a participação de entes com algumas 
características estatais”. 
No idioma inglês a denominação é International Law, cuja tradução para os 
idiomas latinos foi Direito Internacional. De se observar que a expressão Inter-Nacional quer 
dizer entre-nações. Se para o inglês Nação e Estado podem ser sinônimos, em português 
não. 
Juridicamente, um país soberano é um Estado e não uma Nação. Seria 
correto se o direito internacional, ao assim ser denominado, abrangesse apenas os Estados 
soberanos, o que já não acontece nos dias de hoje, conquanto surgiram as Organizações 
Internacionais, ou Organismos Internacionais e o ser humano (que para alguns é sujeito de 
Direito Internacional Público). 
 
 
 
 
 
Todavia, na Comunidade Internacional, há outros sujeitos que atuam e, por 
isso, ainda que fosse mais exato denominar a disciplina de direito inter-estatal, já não se 
mostraria adequado à realidade atual. 
Assim, seja pela tradição, seja pela comodidade na doutrina brasileira 
permanece a expressão equivocada de Direito Internacional. 
Ademais, sendo o direito internacional um Direito entre nações e, por isso, 
lida com pessoas de direito internacional público, a expressão público se mostra 
redundante, desnecessária. Havendo, também, quem defenda a a não existência de um 
Direito Internacional Privado de modo que se não há um direito internacional privado não 
seria necessária a utilização do termo público. 
Já com relação ao Direito Internacional Privado, remete-se às normas de 
Direito privado que foram estabelecidas a partir da convivência do direito interespacial, ou 
seja, a harmonização de regras de direito que envolvem, em princípio, nacionais de países 
diferentes e que têm relações a serem confrontadas. 
Exemplo disso é o negócio que envolve ou indivíduos ou pessoas jurídicas 
de dois ou mais Estados; o casamento entre nacionais de diferentes países; as questões 
de direito sucessório de pessoas oriundas de países diversos e que têm regras distintas 
quanto à sucessão. 
Os contratos internacionais, os Tratados que regularam certos aspectos da 
vida privada, como os cheques, e que os países internalizaram grande parte das regras a 
respeito, baseados em tal Convenção. 
O objeto do Direito Internacional Privado é o conflito de leis no espaço, visto 
esse espaço como o de ordenamentos jurídicos diversos. 
Ambos as disciplinas – Direito Internacional Público e Direito Internacional 
Privado tem profundas afinidades entre si, trabalhando ambos com fontes e institutos 
comuns – tratados, nacionalidade, extração – e com o mesmo objetivo – a convivência 
pacífica e harmônica entre os povos. 
Estudando a histórica relação entre os países, nota-se que na medida que 
os países se tornaram independentes e, portanto, soberanos, aumentava também a 
necessidade de relações internacionais permanentes, possuindo uma base jurídica. Assim, 
houve necessidade de se estabelecer regramentos disciplinando essas relações. O estudo 
 
 
 
 
 
do direito internacional não se faz alheio à realidade das relações jurídico-políticas entre os 
Estados e das relações sócio-econômicas daí decorrentes. 
É bem verdade que a origem elitista e oligárquica dos países europeus, 
onde se originaram as primeiras regras de direito internacional, caminhando para um 
complexo de relações e de uma quantidade significativa de países em comparação com o 
início histórico noticiado, foi necessária a construção normativa baseada no costume e, aos 
poucos, sendo transformada em regras aceitas, ora costumeiras, ora escritas. Reconhece-
se, hoje, a existência não mais de uma sociedade relacional, em que os países, por 
necessidade econômica, social, histórica e, quase sempre, devido a defesa de interesses 
egoísticos e disputas bélicas, encontravam-se pontualmente, eventualmente, mas de uma 
sociedade internacional cujas relações são constantes, contínuas, permanentes, intensas, 
baseadas em regras escritas e costumeiras, permeada por representações diplomáticas, 
pela diplomacia parlamentar e um aparato normativo substancial. 
 
2. Sujeitos e atores de direito internacional 
 
Na ordem internacional são sujeitos do direito internacional público os 
Estados e as Organizações Internacionais de Direito Público. O ser humano somente 
recentemente passou a ser considerado sujeito de Direito Internacional Público, e, mesmo 
agora, possui capacidade de agir contra o Estado do qual é nacional – nato ou naturalizado 
– por violação dos Direitos Humanos. 
Sobre essas situações, cuidaremos no momento oportuno. 
Marcelo D. Varella estabelece uma distinção entre sujeitos e atores do direito 
internacional. Os primeiros são dotados de capacidade para titularizar direitos e obrigações 
na ordem internacional, isto é, os sujeitos detém capacidade de serem titulares de direitos 
e obrigações. 
Já os atores, são aqueles que podem participar, de alguma forma, das 
relações jurídicas e da política internacionais. Para o autor, são atores do Direito 
Internacional Público: Estados, Organizações Internacionais de Direito Público, as 
organizações não-governamentais, as empresas, e os indivíduos. 
 
 
 
 
 
De se observar, portanto, que o conceito de atores é bem mais amplo do que 
o de sujeitos. 
Sujeitos Atores 
Estados Estados 
Organizações Internacionais de Direito 
Público 
Organizações Internacionais de Direito 
Público 
Ser humano: restrito às relações com seu 
Estado por violação aos direitos humanos. 
Organizações não governamentais 
*.* Empresas privadas 
*.* Indivíduos. 
 
3. Características da Sociedade Internacional 
 
A produção das normas dentro do direito interno nos diversos Estados que 
compõem a Sociedade Internacional, principalmente nos Estados Ocidentais, quer de 
origem romanística, quer no sistema do commom law, obedece, em geral, uma padrão 
centralizado, em que as instituições que compõe o poder do país, classicamente 
denominado tri-partição do poder, têm um papel bem definido. Assim é que se tem o Poder 
Executivo ( Presidente, Rei, Primeiro Ministro, etc.), o Poder Legislativo ( uni-cameral ou bi-
cameral, o Parlamento ) e o Judiciário ( onde se diz o direito, a jurisdição ). Fala-se, por 
isto, que é um sistema centralizado. O reconhecimento histórico desta situação, informa 
que houve um caminhar histórico-social rumo a um Sistema de Governo associado a um 
Sistema Normativo nos países. Ora por meios pacíficos, ora por meios violentos, tal resultou 
numa certa homogeneidade nos países ocidentais, em primeiro lugar e, evolutivamente, 
pode-se dizer na maioria dos países pertencentes à Sociedade Internacional. 
Na Sociedade Internacional, partindo-se da produção normativa baseada 
em grande parte no Costume Internacional e na Codificação parcial alcançada até hoje 
através dos Tratados, é real que esta Sociedade se estruturou de forma diversa das 
Sociedades Nacionais, internas. 
 
 
 
 
 
Assim, a Sociedade/Comunidade Internacional tem certasos pregos do caixão da Liga das Nações. 
Com o término da Segunda Grande Guerra Mundial foi colocado em 
prática um plano que já vinha sendo desenhado pelas potencias mundiais: as Nações 
Unidas. 
De abril a julho de 1945 foi elaborada a Conferência das Nações e 
em 24 de outubro desse ano entrou em vigar a Carta de São Francisco (Carta das 
Nações Unidas), cuja arquitetura estrutural foi feita pelo presidente Franklin Delano 
Roosevelt possuindo sede em Manhattan, com extraterritorialidade (sua sede é 
considerado um território mundial). 
 
3.2.2 Estrutura 
A O.N.U. possui seis órgãos principais, a saber: a Assembleia Geral, 
o Conselho de Segurança; o Secretariado; o Tribunal Internacional de Justiça, o Conselho 
 
 
 
 
 
Econômico e Social; o Conselho de Direitos Humanos. Além desses órgãos existem 
várias agências destinadas a cuidar de uma temática específica. 
Para o objetivo da presente aula, apenas cuidaremos da Assembleia 
Geral, o Conselho de Segurança, a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado. 
 
3.2.2.1 Assembleia Geral 
A Assembleia Geral das Nações Unidas é o principal órgão e é 
responsável pela tomada de decisões importantes, excluídas as competências exclusivas 
do Conselho de Segurança. 
Cada Estado integrante da O.N.U. terá uma representação, com até 
cinco membros, perante a Assembleia Geral, com direito a um voto. Importante destacar 
que cada país terá direito a um voto, de igual valor para todos. 
A Assembleia poderá discutir quaisquer questões relativas à 
manutenção da paz e da segurança internacionais, que a ela forem submetidas por 
qualquer Membro das Nações Unidas, ou pelo Conselho de Segurança, ou por um Estado 
que não seja Membro das Nações Unidas, desde que a controvérsia não esteja sendo 
objeto de discussão no Conselho de Segurança. 
Como regra geral, as decisões da Assembleia Geral são tomadas 
por maioria dos membros presentes e que votem (as abstenções não são computadas). 
Contudo, existem questões de maior relevância e que merecem um 
quórum qualificado de 2/3 dos membros presente e votantes, quais sejam: 
a) recomendações relativas à manutenção da paz e da 
segurança internacionais; 
b) à eleição dos Membros não permanentes do Conselho de 
Segurança; 
c) à eleição dos Membros do Conselho Econômico e Social; 
d) à eleição dos Membros dos Conselho de Tutela, de acordo 
 
 
 
 
 
como parágrafo 1 (c) do Artigo 86; 
e) à admissão de novos Membros das Nações Unidas; 
f) à suspensão dos direitos e privilégios de Membros; 
g) à expulsão dos Membros; questões referentes o 
funcionamento do sistema de tutela e questões orçamentárias. 
A Assembleia Geral se reunirá, ordinariamente, uma vez por ano e, 
extraordinariamente sempre que for convocada pelo Secretário Gerla, a pedido do 
Conselho de Segurança ou da maioria dos Membros das Nações Unidas. 
Merece destaque o fato de que para cada reunião será eleito o seu 
presidente, de modo que a O.N.U. não possui presidente permanente, mas apenas para a 
sua Assembleia Geral. 
 
3.2.2.2 Conselho de Segurança 
O Conselho de Segurança das Nações Unidas é o órgão dentro da 
estrutura da O.N.U. destinado à manutenção da paz e da segurança internacionais. 
É composto por 15 (quinze) membros, sendo 05 (cinco) 
permanentes e 10 (dez) membros não-permanente ou rotativos. São membros 
permanentes do Conselho de Segurança: China; Rússia; França, Reino Unido; e Estados 
Unidos da América. 
Os membros não permanentes serão eleitos pela Assembleia Geral 
para um mandato de 02 (dois) anos, sendo vedada a reeleição para um período 
imediatamente ao término do mandato. 
Todos os membros – permanentes ou não – terão direito a um voto, 
e as decisões, nas questões processuais, serão tomadas por 09 (nove) votos. Nas demais 
materiais, também será necessário o quórum de 09 (nove) votos, mas todos os membros 
permanentes deverão assentir com a decisão. 
É o chamado poder de veto dos membros permanentes do Conselho 
 
 
 
 
 
de Segurança. 
Ao contrário da Assembleia Geral, o Conselho de Segurança da está 
estruturado de forma a funcionar de forma continua, devendo ter representante de todos 
os países que o integre. 
O Conselho de Segurança é o único órgão que, independentemente 
da manifestação da Assembleia Geral, poderá executar suas próprias decisões, que 
deverão ser cumpridas pelos países partes da O.N.U. e mesmo pelos países que não 
integrem as Nações Unidas. 
 
3.2.2.3 Corte Internacional de Justiça 
A Corte Internacional de Justiça, também chamado de Tribunal, é 
formada por 15 (quinze) juízes, de distintas nacionalidades (não pode ter juízes da 
mesma nacionalidade). 
Serão eleitos pela Assembleia Geral da O.N.U. e também pelo 
Conselho de Segurança para exercerem um mandato de 09 (nove) anos, podendo ser 
reeleitos. 
Interessante notar que os Estados-Membros das Nações Unidas não 
são, automaticamente, signatários da Corte Internacional de Justiça. 
A Corte funcionará permanentemente, exceto durante as férias 
judiciárias, cuja data e duração serão por ela fixadas. 
Terá a Corte competência para resolver as questões levadas à sua 
jurisdição pelos Estados-Membros, em especial as matérias previstas no artigo 36, de seu 
estatuto, veja-se: 
Artigo 36. 1. A competência da Corte abrange todas as 
questões que as partes lhe submetam, bem como todos os 
assuntos especialmente previstos na Carta das Nações Unidas 
ou em tratados e convenções em vigor. 
2. Os Estados partes no presente Estatuto 
 
 
 
 
 
poderão, em qualquer momento, declarar que reconhecem 
como obrigatória, ipso facto e sem acordo especial, em relação 
a qualquer outro Estado que aceite a mesma obrigação, a 
jurisdição da Corte em todas as controvérsias de ordem jurídica 
que tenham por objeto: 
a) a interpretação de um tratado; 
b) qualquer ponto de direito internacional; 
c) a existência de qualquer fato que, se verificado, constituiria a 
violação de um compromisso internacional; 
d) a natureza ou a extensão da reparação devida pela ruptura 
de um compromisso internacional. 
3. As declarações acima mencionadas poderão ser feitas pura 
e simplesmente ou sob condição de reciprocidade da parte de 
vários ou de certos Estados, ou por -prazo determinado. 
4. Tais declarações serão depositadas junto ao Secretário 
Geral das Nações Unidas, que as transmitirá, por cópia, às 
partes contratantes do presente Estatuto e ao Escrivão da 
Corte. 
5. Nas relações entre as partes contratantes do presente 
Estatuto, as declarações feitas de acordo com o artigo 36 do 
Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional e que 
ainda estejam em vigor serão consideradas como importando 
na aceitação da jurisdição obrigatória da Corte Internacional de 
Justiça pelo período em que ainda devem vigorar e de 
conformidade com os seus termos. 
6. Qualquer controvérsia sobre a jurisdição da Corte será 
resolvida por decisão da própria Corte. 
Nos termos do artigo 38 de seu estatuto, a Corte Internacional de 
Justiça deverá decidir de acordo com regras de Direito Internacional, aplicando: 
a) as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais. 
que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos 
Estados litigantes; 
 
 
 
 
 
b) o costume internacional, como prova de uma prática geral 
aceita como sendo o direito; 
c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas Nações 
civilizadas; 
d) sob ressalva da disposição do art. 59, as decisões 
judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados das 
diferentes Nações, como meio auxiliar para a determinação das 
regras de direito. 
 
As decisões da Corte Internacional de Justiça deverão ser 
cumpridas pelas partes do processo. 
Além da função jurisdicional, nos termos do artigo 65 de seu 
estatuto, a Corte Internacional de Justiça terá função consultiva. 
 
3.2.2.4 Secretariado 
O Secretariado das Nações Unidas é composto por um Secretário-
Geral,que será eleito pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de 
Segurança, para um mandato de 05 (cinco) anos, admitida, por tradição, uma única 
reeleição. 
Caberá ao Secretário-Geral formar o restante de seu secretariado, 
observando a representatividade geográfica possível. Além dessa função, o Secretário-
Geral das Nações Unidas funcionará como o braço executivo, podendo participar de 
reuniões do Conselho de Segurança e mesmo submeter alguma matéria à sua 
deliberação. 
Todos os Estados-Membros das Nações Unidas se comprometem, 
sempre que necessário, despender esforços para ajuda-los a desenvolver seus objetivos. 
Ainda, a Carta das Nações Unidas, no desempenho de seus 
deveres, o Secretário-Geral e o pessoal do Secretariado não solicitarão nem receberão 
instruções de qualquer governo ou de qualquer autoridade estranha à organização. 
 
 
 
 
 
Abster-se-ão de qualquer ação que seja incompatível com a sua posição de funcionários 
internacionais responsáveis somente perante a Organização. 
 
3.3 União Europeia 
3.3.1 Histórico 
Com o término da Segunda Grande Guerra Mundial, a Europa se via 
em verdadeira ruína. Visando a reconstrução os Estados da Bélgica, Holanda, 
Luxemburgo, França, Itália e Alemanha criam, em 1950, a Comunidade Europeia de 
Carvão e Aço (CECA). De se observar que essa comunidade era formada por países 
devastados pela guerra e outros com pequenos territórios. 
Logo na sua criação, a CECA teve estruturas supranacionais de 
caráter federativo, acima de Estados Soberanos. 
Ainda na década de 1950, mais precisamente em 1957, foram 
assinados, na cidade de Roma, 2 tratados que criaram a Comunidade Econômica 
Europeia – união aduaneira entre os Estados Membros – e a Comunidade Europeia de 
Energia Atômica, visando a integração energética. 
Em 1972, ocorreu a primeira entrada de novos membros: Reino 
Unido, Irlanda e Dinamarca. 
Em 1979, A Grécia ingressa. Em 1985, foi a vez de Portugal e em 
!986 a Espanha. 
No ano de 1993, foi criada a União Europeia, com a integração das 
três comunidades anteriores (Comunidade Europeia do Carvão e Aço; Comunidade 
Econômica Europeia; e Comunidade Europeia de Energia Atômica). Foi o Tratado de 
Maastricht o responsável pela sua criação. 
No ano de 1995 ingressaram na União Europeia a Áustria, a 
Finlândia e a Suécia. Também entraram os países do Leste Europeu. 
Em 2004 ingressaram a Polônia, Lituânia, República Tcheca, 
Eslováquia, Hungria, Estônia, Eslovênia, Malta e Chipre. 
 
 
 
 
 
No ano de 2007, foi a vez da Romênia e a Bulgária. 
Também no ano de 2007, foi assinado o Tratado de Lisboa de modo 
que a União Europeia sucedeu, definitivamente, as comunidades europeias. 
Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma Constituição 
para a União Europeia, contudo, o projeto não foi aprovado por plebiscito nos Estados-
Europeus. 
Atualmente, encontra-se em processo de retirada da União Europeia 
o Reino Unido, após decisão tomada em plebiscito pelos súditos de Sua Majestade. 
 
3.3.2 Estrutura 
A União Europeia possui as seguintes estruturas organizacionais: 
foros executivos (Conselho Europeu e a Comissão Europeia); foros de caráter legislativo 
(Conselho da União Europeia e o Parlamento Europeu); foros de caráter judiciário 
(Tribunal de Primeira Instância, Tribunal da Função Pública, Tribunal de Contas e Tribunal 
de Justiça). 
 
3.3.2.1 Foros Executivos 
Formado pelos chefes de Estado e de Governo dos países Membros 
da União Europeia e também pelo presidente da Comissão Europeia, o Conselho 
Europeia é o órgão responsável por decidir sobre a diretrizes que serão tomadas pela 
Comunidade. 
Já a Comissão Europeia, que representa os interesses da União 
Europeia como um todo, é uma instância supranacional, formada por 27 Comissionários 
(um de cada país membro da União Europeia, e com a saída do Reino Unido o número 
deverá ser reduzido para 26). 
Cabe ao Parlamento Europeu a escolha do presidente da Comissão 
Europeia. 
 
 
 
 
 
São funções da Comissão Europeia: 
a) Propor legislação ao Parlamento e ao Conselho; 
b) Gerir e aplicar as políticas da União Europeia, assegurando 
a execução das normas emanadas do Conselho, ou do 
Conselho e do Parlamento Europeu, do orçamento e dos 
programas adoptados pelo Parlamento Europeu e pelo 
Conselho da União Europeia; 
c) Fazer cumprir a legislação Europeia, zelando pelo respeito 
do direito comunitário, juntamente com o Tribunal de Justiça; 
d) Representar a União internacionalmente, negociando 
acordos internacionais, essencialmente em matéria comercial e 
de cooperação. 
 
3.3.2.2 Foros Legislativos 
O Conselho da União Europeia é órgão legislativo da União 
Europeia, formado por Ministros de cada Estado-Membro da União, agrupados nas 
diferentes pastas, tais como economia, saúde, agricultura, etc. 
A tomada de decisões é feita considerando o tipo de matéria a ser 
aprovada e, aqui, não existe voto igualitário entre os Estados, mas, sim, uma 
proporcionalidade relativa à população de cada Estado. 
Assim, quanto mais populoso um país, maior será o peso de seu 
voto. 
Já o Parlamento Europeu é integrado por representantes eleitos pela 
população de cada Estado-Membro. A representação dos Estados será feita de acordo 
com a população, sendo no mínimo 6 e no máximo 96 Deputados por país. 
O mandato é de cinco anos não havendo proibição para reeleição. 
Além da função legislativa, o Parlamento Europeu é responsável por 
 
 
 
 
 
exercer controle democrático e orçamentário. 
 
3.3.2.3 Foros Judiciários 
Os foros judiciais da União Europeia são integrados pelo Tribunal de 
Primeira Instância, o Tribunal da Função Pública, o Tribunal de Contas e o Tribunal de 
Justiça. Insta consignar que no Brasil, o Tribunal de Contas não detém função judicante, 
mas administrativa, na medida em que apenas exercer fiscalização sobre o orçamento 
público. Aliás, essa também é a Função do Tribunal de Contas da União Europeia. 
O Tribunal de Primeira Instância é composto por 27 magistrados, 
que exercem mandato de 06 anos, sendo a representação de todos os membros da 
União Europeia. 
Tem por competência o julgamento de demandas propostas por 
particulares em face de instituições europeias, bem como o julgamento de recursos dos 
Estados em face de decisões da Comissão, além de ações de reparação de danos 
causados por instituições supranacionais. 
O Tribunal da Função Pública é vocacionado para o julgamento de 
causas administrativas, destinado a resolver demandas que envolvam as Comunidades 
Europeias e seus vários agentes administrativos. 
Por fim, o Tribunal de Justiça da União Europeia, principal órgão 
judiciário, é composto por 27 juízes, além de 8 advogados gerais. Esses advogados e são 
escolhidos de comum acordo por todos os membros da União Europeia exercendo função 
assemelhada à do Ministério Público. 
O mandato dos juízes e dos advogados gerais é de 06 anos. 
O Tribunal possui competência para dar a última palavra em relação 
ao direito comunitário, sendo competente, portanto, para julgar recursos em face de 
decisões dos demais órgãos judiciários. 
 
 
 
 
 
 
3.4. Mercosul 
3.4.1 Histórico 
A primeira tratativa para a criação do Mercosul ocorreu, ainda 
durante a Segunda Grande Guerra Mundial, entre o Brasil e a Argentina. Pretendiam os 
dois países a criação de uma união aduaneira. 
Contudo, em decorrência de questões políticas envolvendo o 
posicionamento da Argentina durante a Guerra, tal plano não teve seguimento. 
No ano de 1985 os presidentes da Argentina e do Brasil, 
respectivamente, Raúl Alfonsin e José Sarney, assinaram o Tratado de Iguaçu, base para 
iniciar a integração. 
Em 1991, na cidade de Assunção, no Paraguai, foi assinado o 
Tratado de Assunção, pelos presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, criando 
o Mercado Comum do Sul, o Mercosul. 
Em 2003 a Venezuela deu inicio à sua entrada no Mercosul e, como 
devendoser aprovada pelo Parlamentos de todos os países Membros do Bloco. 
Argentina e Paraguai rapidamente aprovaram a entrada. O Brasil somente aprovou em 
2009. Contudo, o Parlamento do Paraguai jamais aprovou a entrada da Venezuela. 
Em 2012, um fato político ocorrido no Paraguai acabou por causar a 
sua suspensão do Mercosul e, com isso, a Argentina, o Brasil e o Uruguai consideraram 
que a entrada da Venezuela estaria aprovada. 
O fato político foi o processo de impeachment do presidente 
Fernando Lugo. Os demais membros do Mercosul consideraram uma ruptura com a 
ordem democrática e, por isso mesmo, o suspenderam. 
Realizada nova eleição, o Paraguai foi integrado ao Mercosul. 
Assim, atualmente o Mercosul conta com apenas 5 membros plenos: 
Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. E também 5 Estados associados: 
Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. 
 
 
 
 
 
 
Além desses existem 2 Estados observadores: o México e a Nova 
Zelândia. 
3.4.2 Estrutura 
O Mercosul possui os seguintes três órgãos principais, a saber: 
Conselho do Mercado Comum; o Grupo Mercado Comum; O Parlamento do Mercosul. 
A Presidência do Mercosul é rotativa, para um mandato de 06 seis 
meses. 
 
3.4.2.1 Conselho do Mercado Comum 
O Conselho do Mercado Comum, máxima instância do Mercosul, 
correspondendo-lhe a condução política do mesmo e a tomada de decisões para 
assegurar o cumprimento dos objetivos e prazos estabelecidos para a constituição 
definitiva do Mercado Comum. 
Conselho é integrado pelos Ministros de Relações Exteriores e pelos 
Ministros de Economia dos Estados-Membros e deve se reunir sempre que necessário, 
mas pelo menos uma vez ao ano com a presença dos Chefes de Estados dos países-
parte. 
 
3.4.2.2 Grupo Mercado Comum 
O Grupo Mercado Comum é órgão executivo do Mercosul sendo 
coordenado pelos Ministros das Relações Exteriores dos países-membros, possuindo as 
seguintes funções: 
a) velar pelo cumprimento do Tratado; 
b) tomar as providências necessárias ao cumprimento das 
decisões adotadas pelo Conselho; 
c) propor medidas concretas tendentes à aplicação do 
Programa de Liberação Comercial, à coordenação de políticas 
macroeconômicas e à negociação de Acordos frente a 
 
 
 
 
 
terceiros; 
d) fixar programas de trabalho que assegurem avanços para o 
estabelecimento do Mercado Comum. 
O Grupo de Mercado Comum terá 4 membros titulares e 4 suplentes 
de cada Estado-parte, representando os seguintes órgãos dos países parte: 
a) Ministérios das Relações Exteriores; 
b) Ministério da Economia ou seus equivalentes (área de 
indústria, comércio exterior e/ou coordenação econômica); 
c) Banco Central. 
 
3.4.2.3 Parlamento do Mercosul 
 
O Parlamento do Mercosul é integrado por Deputados de cada um 
dos Estados-partes, seguindo-se uma proporcionalidade com a população. O Brasil e a 
Argentina, por serem os países mais populosos têm, cada um, 42 Deputados. Já o 
Paraguai, o Uruguai e a Venezuela têm, cada um 18 Deputados. 
Uma curiosidade, o brasileiro Arlindo Chinaglia, atualmente, é o 
presidente do Parlasul. 
Ao contrário do que ocorre com o Parlamento Europeu, o 
Parlamento do Mercosul detém apenas competência consultiva, notadamente quanto ao 
cumprimento da cláusula democrática, quando do respeito aos direitos humanos. 
Atualmente inexiste eleição especifica para o cargo de Deputados 
do Mercosul. Assim, hodiernamente os Deputados do Mercosul são escolhidos dentre os 
membros dos Parlamentos dos países-membros do Mercosul.características 
que a diferenciam do direito interno dos Estados. São as seguintes características da 
Sociedade Internacional: 
a) DESCENTRALIZAÇÃO : Não há um centro de poder de onde parte 
a Administração mundial, nem a produção de normas. Não há um 
parlamento permanente, com uma Constituição ou um Tratado que 
lhe fixe as regras e lhes dê legitimidade. 
São os sujeitos de Direito Internacional Público (Estados e as 
Organizações Internacionais) que, em consenso, fixam as regras 
jurídicas. 
b) INEXISTÊNCIA DE “PODER JUDICIÁRIO”. Muito embora 
existam algumas Cortes Internacionais, elas não estão vocacionadas 
ao julgamento de qualquer matéria ou mesmo ter qualquer pessoa 
demandando. 
Os juízes representam as macro-regiões em que o mundo está 
dividido e somente se submetem à jurisdição dos Tribunais aqueles 
que, voluntariamente, a aceitam. 
c) INEXISTÊNCIA DE UM LEGISLADOR CENTRAL. Com efeito, não 
se concebe um parlamento mundial, eleito pelos países com alguma 
forma de representação, que discutisse e votasse “leis” internacionais, 
ainda que, no âmbito da União Europeia já seja possível falar em 
Parlamento Europeu. 
 A produção normativa está limitada aos Tratados Internacionais de 
caráter normativo. Como regra, obriga-se ao Tratado quem o ratificou 
ou a ele aderiu posteriormente. Em muitos casos, há a formulação de 
reservas que exclui certas obrigações. 
d) INEXISTÊNCIA DE UMA FORÇA POLICIAL INTERNACIONAL: 
Não há uma polícia judiciária internacional. A possibilidade do uso da 
força, em razão de alguma desobediência à decisão da Corte 
Internacional de Justiça, embora seja possível, ainda não foi usada. 
 
 
 
 
 
Ademais, o uso legitimo da força somente pode ser autorizado pelo 
Conselho de Segurança da O.N.U. que incumbirá as forças dos 
Estados-Membros para manter a paz e a segurança internacionais. 
De observar sempre que a postura do Conselho de Segurança é 
política e não de justiça, ou seja, não é órgão jurisdicional, sujeito, 
portanto, às influências do jogo político internacional. 
e) BASEIA-SE NA IGUALDADE JURÍDICA DOS ESTADOS. A 
igualdade jurídica significa igualdade formal e tem o mesmo sentido 
da frase aplicada nas relações civis e penais aplicada aos indivíduos 
nos países: “todos são iguais perante a lei”. 
Em relação aos Estados, tal igualdade origina-se no fato de que cada 
país é soberano e, portanto, todos são iguais quanto à independência 
e soberania. Na Sociedade Internacional não decorre que a igualdade 
jurídica signifique igualdade de poder, isto é, igualdade material. Disto 
decorre que “não existe um poder soberano acima dos Estados” que 
os presida. 
f) É UNIVERSAL E ABERTA: É aberta porque preenchidos os 
requisitos de ser sujeito da mesma qualquer Estado poderá fazer 
parte, não havendo um número determinado de membros, uma 
limitação que impeça a entrada de mais sujeitos dentro do que o 
ordenamento internacional normatiza. 
Assim, se existem mais de 190 países na Comunidade Internacional, 
poderá haver mais outros Países que fiquem soberanos e integrem a 
ordem internacional. Tal assertiva é válida também para as 
Organizações Internacionais que venham a ser criadas. 
 
4. Fontes do Direito Internacional Público 
 
As fontes materiais do Direito Internacional Público se relacionam aos 
fatores sociais, político, econômicos, históricos e outros que induzem o nascimento da 
norma positivada. No caso do Direito Internacional, estes fatores estariam imediatamente 
ligados ao surgimento ora do costume, ora de uma Convenções internacional. 
 
 
 
 
 
Já as fontes formais é o direito revelado na norma, isto é, é a positivação 
do direito. Pode-se apontar como principais fontes formais: 
a) costume internacional; 
b) convenções ou tratados internacionais; 
c) princípios gerais do Direito Internacional Público; 
d) os atos unilaterais dos Estados; 
e) as resoluções obrigatórias das Organizações Internacionais. 
O Tratado da Corte Internacional de Justiça, em seu artigo 38, prevê as 
fontes de Direito Internacional Público que devem ser observados em seus julgamentos. 
Senão, vejamos: 
 
Artigo 38 
A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as 
controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará: 
a. as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, 
que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos 
Estados litigantes; 
b. o costume internacional, como prova de uma prática geral 
aceita como sendo o direito; 
c. os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações 
civilizadas; 
d. sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões 
judiciárias e a doutrina dos juristas mais qualificados das 
diferentes nações, como meio auxiliar para a determinação das 
regras de direito. 
A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir 
uma questão ex aequo et bono, se as partes com isto concordarem. 
 
4.1 O costume Internacional 
 
Algumas regras entre os Estados já existiam de modo prático, como um 
direito consuetudinário, daí ser denominado também como “Direito internacional não 
 
 
 
 
 
escrito” (“jus non scriptum” ), Direito Internacional Geral, Direito Internacional Comum e por 
fim Direito Internacional Consuetudinário. 
Como inexiste um centro unificado de produção de normas internacionais, 
o consiste, mesmo na atualidade, uma das mais importantes fontes do Direito Internacional 
Público. 
O costume possui dois elementos constitutivos, quais sejam, a) um 
elemento material (consuetudo): consiste em uma prática reiterada de comportamentos, 
que, no início de sua formação, pode ser um simples uso ou prática; e b) um elemento 
psicológico (subjetivo): é a “opinio juris vel necessitatis” ou seja, a certeza de que tais 
comportamentos são obrigatórios. 
Assim, o costume requer um período longo para que a sua repetição se 
consolide como fonte do Direito. 
 
4.2 Tratados Internacionais 
O tratado pode ser conceituado como um acordo internacional concluído 
por escrito entre Estados ou entre Estados e Organizações Internacionais, regido pelo 
Direito Internacional Público. Daí porque é uma redundância denominar o tratado como 
internacional, pois por definição ele já o é. 
É uma das principais fontes do Direito Internacional e, por isso mesmo, será 
objeto de estudo da próxima aula. 
 
4.3 Princípios gerais do Direito Internacional 
 
São 05 (cinco) os princípios gerais de direito internacional público, quais 
sejam: a) igualdade entre os Estados; b) autonomia, não ingerência nos assuntos internos 
dos outros Estados; c) proibição do uso da força e incentivo à solução pacífica de 
controvérsias; d) respeito aos direitos humanos; e) cooperação internacional. 
A Constituição Federal, em seu artigo 4º, estampa em princípios nas 
relações internacionais do Brasil. Senão, vejamos: 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
 
 
 
 
 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
A igualdade de soberania leva, inevitavelmente, ao princípio da 
autodeterminação dos povos, que, em outras palavras, significa caber aos Estados 
resolverem seus próprios problemas internos. Somente em casos extremados será 
admitida a intervenção internacional, como, por exemplo, quando ocorrer ruptura com o 
processo democrático, desrespeito aos direitos humanos por parte do próprio Estado. 
 
É fácil perceber que os princípios gerais do Direito Internacional se ocupam 
de uma visão individualista dos Estados e, com exceção do princípio da soberania, “os 
demais princípios se dirigema todos os atores envolvidos na sociedade internacional”, tais 
como os Estados, as Organizações Internacionais, os indivíduos, as empresas, povos 
insurgentes etc. 
Como ensina Marcelo Varella os princípios gerais do Direito Internacional 
são reconhecidos através de um processo e não de um único ato, sendo “necessário um 
movimento progressivo e contínuo de reconhecimento do princípio, ao longo de práticas 
dos Estados, em suas relações externas”. 
 
4.4 Atos unilaterais 
 
Os atos unilaterais são manifestações de vontade de um único sujeito e 
Direito Internacional, apto a produzir efeitos jurídicos na esfera da atuação do Direito 
Internacional Público, e, por isso, erga omnes, na comunidade dos Estados. 
Embora não previstos no artigo 38 da Corte Internacional de Justiça, os 
atos unilaterais dos sujeitos de Direito Internacional não carecem da força de gerar normas 
 
 
 
 
 
jurídicas internacionais, exigíveis de quaisquer pessoas submetidas ao Direito 
Internacional. É que tais atos são praticados com vistas a produzir diretamente tais efeitos, 
e conformar-se com os usos e costumes internacionais, como o protesto diplomático, a 
ratificação de um tratado, a retirada de uma organização inter-governamental, o 
reconhecimento formal de uma situação, digamos, de beligerância (de modo expresso, 
como um rompimento formal de relações diplomáticas ou, de modo implícito, como a prática 
de atos incompatíveis com um tratado de amizade e consulta). 
Pode ser, ainda, que os atos unilaterais derivem de atos gerados no 
ordenamento interno dos países, contudo geram efeitos externos, tais como têm efeitos 
internacionais. 
Como exemplo de atos unilaterais dos Estados temos: o rompimento de 
relações diplomáticas; advertências; aquiescências; oferecimento dos bons ofícios; 
promessas, etc. 
 
 
4.5 Jurisprudência 
 
No plano internacional existem várias Cortes Judiciais, tais como ao Corte 
Internacional de Justiça, o Tribunal Penal Internacional e as Cortes Internacionais de 
Direitos Humanos. 
O sistema de precedentes – stare decisis – não foi adotado pelo Estatuto da 
Corte Permanente de Justiça Internacional. Em parte porque cada caso submetido à Corte 
guarda suas particularidades. 
A Corte Internacional de Justiça, além da função judicial, exerce a função 
consultiva, com a elaboração de pareceres. É o que prevê o artigo 96 da Carta da 
Organização das Nações Unidas: 
Artigo 96. 1. A Assembléia Geral ou o Conselho de Segurança 
poderá solicitar parecer consultivo da Corte Internacional de 
Justiça, sobre qualquer questão de ordem jurídica. 
 
 
 
 
 
2. Outros órgãos das Nações Unidas e entidades especializadas, que 
forem em qualquer época devidamente autorizados pela Assembléia 
Geral, poderão também solicitar pareceres consultivos da Corte sobre 
questões jurídicas surgidas dentro da esfera de suas atividades. 
Da simples leitura do dispositivo é possível perceber que a Assembleia 
Geral, o Conselho de Segurança, ou qualquer outro órgão ou entidades – desde que 
autorizados pela Assembleia Geral – podem formular consultas à Corte. 
Embora o Estatuto da Corte Internacional de Justiça, em seu artigo 59, 
determine que “a decisão da Corte só será obrigatória para as partes litigantes e a respeito 
do caso em questão”, por outras palavras, produzem efeitos apenas entre as partes, é 
inquestionável que essas decisões sirvam de parâmetro interpretativo. 
Vamos sedimentar o conhecimento?!?!? 
 
Sobre os princípios dos Direito Internacional público, considere: vale 0,6 
I – os tratados são acordos firmados entre Estados ou entre estes e as organizações 
nacionais. 
II –O costume não é fonte do Direito Internacional Público em decorrência da inexistência 
de norma expressa. 
III – pela ausência de um órgão de jurisdição internacional, a jurisprudência não é fonte do 
Direito Internacional Público. 
Agora marque a alternativa correta: 
a) os itens I e III estão corretos. 
b) o item III está correto. 
c) o item II está correto 
d) todas estão erradas. 
 
Comentário 
 
O item I é falso, conquanto os tratados internacionais são pactos feitos 
entre Estados (dois ou mais) ou entre os Estados e as organizações internacionais de 
direito público. 
 
 
 
 
 
O item II é falso, pois como visto o costume é, sim, fonte do Direito 
Internacional Público. 
O item III é falso. Embora, como visto, não existe o Poder Judiciário em 
âmbito internacional, existem algumas Cortes Internacionais – Corte Internacional de 
Justiça; Tribunal Penal Internacional; Corte de Justiça da União Europeia, etc. E, por esse 
motivo, a jurisprudência é fonte do Direito Internacional Público. 
Assim, o gabarito correto é a letra “d” 
 
Considere as seguintes assertivas 
I – Os conceitos de sujeitos e atores do Direito Internacional são sinônimos. 
II – A nomenclatura Direito Internacional Público sofre críticas, pois o conceito de nação e 
menos amplo que o de Estado. 
III – Uma das características do Direito Internacional é a descentralização. 
Agora, marque a alternativa correta: 
a) O item I é correto e o II é incorreto. 
b) O item II é correto. 
c) O item II é incorreto. 
d) O item II é correto e o III é incorreto. 
 
Comentário 
 
O item I é incorreto, pois os conceitos de sujeito de direito internacional e 
de ator de direito internacional não se confundem, pois o termo ator tem maior amplitude. 
O item II é correto, pois os estudiosos defendem que a denominação mais 
precisa seria a que levasse em consideração o termo estado e não nação. 
O item III é correto, pois a descentralização é uma das características do 
Direito Internacional Público. 
Gabarito correto é a letra “b” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 02 
Sejam bem-vindos. Na aula de hoje estudaremos os tratados 
internacionais. 
Espero que todos gostem e que tenham um excelente aproveitamento da 
aula. 
 
Tratados Internacionais 
 
1. Conceito 
O tratado internacional é um acordo formal firmado entre dois ou mais 
Estados ou entre Estados e Organizações Internacionais de Direito Público, regulados 
pelo Direito Internacional, destinado à produção de efeitos jurídicos. 
Deste modo, existe uma impropriedade quando chamamos os tratados de 
internacionais, uma vez que todos os tratados são internacionais, eis que feitos entre 
Estados ou entre estes e as Organizações Internacionais de Direito Público. 
Historicamente os tratados serviam às seguintes finalidades: a) formação 
de alianças militares; b) celebração da paz; c) estabelecimento de fronteiras; d) 
intercâmbio econômico e cultural. 
Inicialmente os tratados eram firmados apenas entre dois Estados, isto é, 
eram exclusivamente bilaterais. 
Talvez o tratado mais importante tenha sido o de Westfália, ou melhor, os 
tratados de Westfália, já que foram feitos vários tratados bilaterais entre os países 
beligerantes. 
Os tratados de Westfália são importantes, uma vez que colocaram fim às 
guerras religiosas que tomaram conta da Europa no século XVII. Por isso são chamados 
também de paz de Westfália. 
Esses tratados são responsáveis por inaugurarem uma nova ordem 
internacional, criando conceitos como a soberania dos Estados e do Estado Nação. 
 
 
 
 
 
2. Características dos Tratados 
Os tratados, como acordos que são, determinam a existência de 03 (três) 
características principais, quais sejam: a consensualidade; a ausência de hierarquia; e a 
ausência de formalismo. 
A primeira característica é a consensualidade. Isto é, o tratado deve ser 
uma manifestação de vontade. Essa manifestação de vontade deve ser livre e 
desimpedida, fundamentando-se na autonomia dos Estados signatários (participantes do 
tratado). 
Será a consensualidade que trará e garantirá a estabilidade ao pacto 
firmado entre os Estados ou entre estes e Organizações Internacionais. 
Outra característica dos tratados é a ausência de hierarquia entre eles. 
De fato, dada a soberania entre ospaíses e, ainda, a inexistência de um Parlamento 
Global, não se admite a existência de um super tratado, assim considerado aquele que 
esteja acima dos demais. 
Entretanto, existe uma exceção à regra. Trata-se do jus cogens, uma 
espécie de norma imperativa a todos os Estados, cuja existência não é aceita por todos 
os juristas. Um exemplo de jus cogens é a própria Carta da ONU que determina, no caso 
de conflito com outros tratados, a sua prevalência. Senão vejamos: 
Artigo 103. No caso de conflito entre as obrigações dos 
Membros das Nações Unidas, em virtude da presente Carta e as 
obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional, 
prevalecerão as obrigações assumidas em virtude do presente 
Carta. 
Por fim, a última característica dos tratados é a ausência de formalismo. A 
única formalidade é que sejam feitos por escrito, foram disso, inexiste qualquer 
procedimento específico para a redação e produção dos tratados. 
 
 
 
 
 
 
 
3. Nomenclatura 
Como já visto, os tratados são acordos firmados entre sujeitos de Direito 
Internacional Público. Porém, existem várias categorias de tratados, como veremos a 
seguir: 
a) tratado: termo é utilizado para os acordos mais solenes, tais como os 
tratados de paz; 
b) declaração: trata-se de acordo que cria princípios gerais, sem que se 
gere algum compromisso entre os signatários; 
c) carta, pacto ou estatuto: são tratados solenes que criam uma 
Organização Internacional; 
d) acordo: tratados que tenham por objeto matérias de cunho comercial, 
econômico ou cultural; 
e) concordata: é um tratado tendo a Santa Sé e outro, ou outros Estados. 
Deste modo são tratados cuja matéria é religiosa. 
Os chamados gentlemen’s agrément – acordos de cavalheiros – não são 
tratados, uma vez que não geram obrigações entre as partes, mas apenas revelam uma 
intenção inexistindo obrigatoriedade. 
 
4. Classificação dos Tratados 
Podemos classificar os tratados a partir de três categorias mais 
importantes. 
A primeira leva em conta a quantidade de países participantes. Por essa 
classificação, os tratados podem ser bilaterais – firmados entre dois Estados – ou 
multilaterais – firmados entre vários Estados. 
A segunda leva em consideração o conteúdo dos tratados. 
Nesta podemos ter os tratados norma, que criam direitos, entre dois ou 
mais países partes, sem, contudo, prever uma contraprestação específica. Também, tem-
 
 
 
 
 
se os tratados contratos que, ao contrário, preveem a criação de benefícios recíprocos 
entre os países parte. Por outras palavras, criam contraprestações reciprocas. 
Outra forma de classificar os tratados, levando em consideração o 
conteúdo, é classifica-los em gerais ou de direitos humanos. Tratados de Direitos 
Humanos são aqueles que estabelecem direitos fundamentais e dizem respeito à 
humanidade. 
Já os tratados gerais, são residuais, isto é, serão todos aqueles que não 
são de direitos humanos. 
 
5. Elaboração de um tratado 
A elaboração de um tratado é algo complexo que pode levar meses e até 
anos desde o início das negociações até que comece a vigorar, gerando deveres e 
obrigações recíprocos. 
 
5.1 Iniciativa das negociações 
As negociações para a elaboração dos tratados são iniciadas pelos 
Estados ou pelas Organizações Internacionais. Tradicionalmente, cabe à diplomacia de 
cada Estado dar início, através do ministério das Relações Exteriores, órgão ligado ao 
Poder Executivo. 
Porém, como pontifica Marcelo D. Varella a diplomação tradicional cede 
cada vez mais espaço para a paradiplomacia, permitindo que outros órgãos como os do 
Judiciário e os do Legislativo e até de outros entes federativos participem da elaboração 
de certos acordos: 
A paradiplomacia é comumente usada no Brasil. Os acordos entre o 
Poder Judiciário do Brasil e de outros Estados, como o Equador e o 
Paraguai para uso de urnas eletrônicas, por exemplo, é uma forma 
de negociação internacional, que dá origem a um acordo 
internacional, realizada às margens do Ministério das Relações 
Exteriores. 
 
 
 
 
 
Para essas negociações os Estados enviam seus representantes. É 
pratica comum os Estados enviarem seus representantes diplomáticos. A diplomacia é 
feita por meio da delegação diplomática. 
Os diplomatas são portadores de uma carta – o diploma – e é essa que 
garante os plenos poderes para as negociações. Somente serão aceitos para as 
negociações as pessoas que estiverem portando a carta que lhes garante poderes plenos 
para tanto. 
Entretanto, o artigo 7º da Convenção de Viena Sobre Direito dos Tratados 
prevê algumas situações em que não será necessária a apresentação de plenos poderes. 
Veja-se: 
i) a prática dos Estados interessados ou outras circunstâncias 
indicarem que a intenção do Estado era considerar essa pessoa seu 
representante para esses fins e dispensar os plenos poderes. 
ii) os Chefes de Estado, os Chefes de Governo e os Ministros das 
Relações Exteriores, para a realização de todos os atos relativos à 
conclusão de um tratado; 
iii) os Chefes de missão diplomática, para a adoção do texto de um 
tratado entre o Estado acreditante e o Estado junto ao qual estão 
acreditados; 
iv) os representantes acreditados pelos Estados perante uma 
conferência ou organização internacional ou um de seus órgãos, 
para a adoção do texto de um tratado em tal conferência, 
organização ou órgão 
As negociações, portanto, são feitas entre os diplomatas ou 
plenipotenciários – pessoas com plenos poderes. 
Em relação aos tratados multilaterais, existe uma particularidade: os 
tratados, geralmente, são feitos em conferências – reuniões de negociações realizadas 
entre os sujeitos de direito internacional. 
Caso os tratados contenham múltiplos assuntos, é possível a formação de 
grupos de trabalho, compostos por representantes de todos os países em negociação. 
 
 
 
 
 
Segue-se o princípio do package deal, em que o Estado aceita as conclusões dos grupos 
de trabalho ainda que não tenha participado de suas reuniões. 
No Brasil, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 49, inciso I, 
determina competir ao Congresso Nacional dar a palavra final em relação aos tratados. 
Veja-se: 
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos 
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos 
ao patrimônio nacional; 
Contudo, o artigo 84, incisos VII e VIII, da Constituição Federal confere ao 
presidente da República a competência para manter relações internacionais entre 
Estados, bem como celebrar tratados e acordos internacionais: 
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 
(...) 
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus 
representantes diplomáticos; 
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a 
referendo do Congresso Nacional; 
Destarte, como veremos mais adiante, compete ao presidente celebrar 
tratados que serão submetidos ao Congresso Nacional para ratificação. 
 
5.2 Idiomas dos tratados 
 
Os tratados devem ser feitos, a princípio, nos idiomas dos países 
signatários – partes. Até a Primeira Grande Guerra Mundial, os tratados internacionais 
eram feitos em francês. Após, houve a mudança no eixo da política internacional com o 
protagonismo dos Estados Unidos, momento em que o idioma oficial dos tratados, por 
assim dizer, passou a ser o inglês. 
Deste modo, os países podem optar por redigirem os tratados em suas 
 
 
 
 
 
próprias línguas ou no inglês. Aliás, mesmo quando redigidos nos idiomas oficiais dos 
países signatários, é comum, para evitar problemas interpretativos, que seja feito também 
no inglês. 
Já os tratados realizados no âmbito da ONU, obrigatoriamente, devem ser 
redigidos em 06 (seis) idiomas, a saber: inglês, francês, espanhol, russo, chinês e árabe. 
 
5.3 Reservas 
 
É possível que em tratado multilateral – aquelefeito por vários Estados – 
algum Estado não concorde com todas as cláusulas de um tratado, mas que, a despeito 
disso, pretenda assina-lo. 
A solução será fazer uma reserva com relação àquela cláusula. Isto 
significará que ele aceita todas as cláusulas do tratado, com exceção daquela que fez a 
reserva. 
Exemplificando: um tratado que tenha 20 cláusulas. O Estado X concorda 
com todas, menos com a 10ª cláusula. Poderá então se comprometer com todas as 
demais cláusulas, menos com a 10ª. 
A reserva, contudo, possui alguns requisitos para que seja feita: 
a) deve ser em tratado multilateral; 
b) deve ser feita em qualquer momento do processo de elaboração do 
tratado. Não pode ser feita após a ratificação do tratado; 
c) não pode recair sobre cláusula essencial do tratado; 
d) deve ser formulada por escrito e aceita pelos demais países. 
 
5.4 Assinatura 
É o ato que coloca fim às negociações para elaboração dos Tratados. Os 
negociadores ao chegar ao texto final, com a aprovação pelos Estados-partes, decidem 
pela assinatura. 
 
 
 
 
 
A assinatura, ao contrário do que possa parecer, não é o ato final dos 
tratados. Uma vez assinado pelos representantes dos Estados ele precisará ser ratificado 
em cada Estado. Sobre o processo de ratificação, trataremos na aula seguinte. 
A assinatura poderá ser feita pelo Chefe de Estado – e geralmente é o 
que acontece. Mas poderá ser feita também pelos ministros das relações exteriores; 
embaixadores ou chefe de missões diplomáticas, bem como qualquer pessoa que possua 
poderes para tanto. 
 
6. Ratificação 
Concluídas as negociações o tratado será assinado. A assinatura será feita 
pelos representantes do Estado, consoante já visto no item anterior. 
Entretanto, o tratado ainda não encerrou a etapa de criação. Será 
necessário que ele seja incorporado ao ordenamento jurídico interno de cada país parte. 
A essa etapa é dado o nome de ratificação. 
A ratificação é feita pelo Parlamento de cada Estado membro. Aqui no 
Brasil, a ratificação é feita pelo Congresso Nacional e deverá ser aprovado em cada uma 
das duas Casas, primeiro na Câmara dos Deputados, depois no Senado Federal. 
Após isso, deverá ser sancionado pelo Presidente da República mediante a 
expedição de um decreto. Esse é o posicionamento do Supremo Tribunal Federal. 
Alguns doutrinadores entendem que bastaria a aprovação pelo Congresso 
Nacional, entretanto, o Supremo, como já dito, possui outro entendimento. E é esse que 
tem sido adotado no Brasil. 
Será considerado aprovado, no Brasil, quando a maioria simples votar 
favoravelmente ao Tratado. Aprovado na Câmara dos Deputados, o texto do Tratado será 
encaminhado ao Senado que, também por maioria simples, deverá aprovar o tratado. 
Aprovado, o texto é encaminhado ao Presidente da República. Aqui o 
chefe do Poder Executivo poderá sancionar, mediante a expedição de um decreto 
executivo. Também poderá o Chefe do Executivo, e isso é raro, vetar o texto do Tratado. 
Existe uma particularidade na Constituição Brasileira. Caso o Tratado verse 
 
 
 
 
 
sobre direitos humanos. Nos termos do artigo 5º, § 3º, da Constituição Federal, se os 
tratados sobre direitos humanos forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, 
em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão incorporados 
equivalentes às emendas constitucionais. Senão. Vejamos: 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, 
nos termos seguintes: 
(...) 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. 
 
6.1 Posição do Tratado no Ordenamento Jurídico Brasileiro 
 
Feita a ratificação, o tratado ingressa no ordenamento jurídico brasileiro 
com status de lei ordinária – daí o quórum de aprovação ser o de maioria simples. 
Contudo, como já visto, versando o tratado sobre direitos humanos e sendo 
aprovados pelo mesmo procedimento e quórum das Emendas Constitucionais a elas 
serão equivalentes. 
A esse respeito, existem duas polêmicas, em decorrência da redação do § 
3o do artigo 5o acima transcrito. 
Por primeiro, o que acontecerá caso os tratados de direitos humanos sejam 
aprovados pelo Congresso Nacional, mas não por um quórum qualificado de 3/5, mas, 
por maioria absoluta dos membros, por exemplo? Neste caso, entrariam no ordenamento 
 
 
 
 
 
brasileiro como lei ordinária ou teria ocupariam outra posição? 
A doutrina oferece duas soluções (correntes). A primeiras delas defende 
que o § 3o do artigo 5o da Constituição Federal é inconstitucional por violar o § 2o do 
mesmo artigo. Com efeito, o § 2o diz que “Os direitos e garantias expressos nesta 
Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, 
ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. 
Então, para a primeira corrente, ratificado o tratado internacional de 
direitos, independente do quórum, ele terá, sempre, status de Emenda Constitucional. 
Já a segunda corrente, e já adiantamos que é a adotada pelo Supremo 
Tribunal Federal, defende que o tratado ratificado por quórum inferior ao previsto no § 3o 
do artigo 5o da Constituição Federal, será incorporado com status de lei ordinária. 
O Ministro Gilmar Mendes defende que tais tratados teriam 
supralegalidade, isto é, estariam abaixo da Constituição Federal e acima da legislação 
ordinária. 
Destarte, para fins de questionamentos em provas objetivas, vale a posição 
do Supremo Tribunal Federal, mas para a questões subjetivas, deve-se expor as duas 
posições explanadas. 
Questão interessando ocorreu na interpretação do tratado de São José da 
Costa Rica em face do artigo 5o, LXVII, da Constituição Federal. A norma interna, como 
regra, proíbe a prisão civil por dívida “salvo a do responsável pelo inadimplemento 
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”. 
Porém, o tratado, em seu artigo 7o, proíbe todo tipo de prisão civil por 
dívida, mas excepciona no caso de “mandados de autoridade judiciária competente 
expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar”. 
O Supremo Tribunal Federal, após várias decisões que afirmaram a 
prevalência da norma interna, firmou entendimento de que embora a Constituição Federal 
permita a prisão do depositário infiel, está não poderá ser regulamentada em lei, editando 
a súmula vinculante 25, com o seguinte enunciado: 
Súmula Vinculante 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, 
qualquer que seja a modalidade de depósito. 
 
 
 
 
 
Destarte, pelo menos nesse caso, parece ter prevalecido a posição do 
Ministro Gilmar Mendes. 
 
7. Adesão 
Os tratados podem ser fechados, quando não admitirem a entrada de 
outros países após as negociações, ou abertos, quando admitirem que outros países 
possam dele participar. 
Nesse último caso, tratados abertos, o processo de aceitação de novos 
países-parte é chamado de adesão. Sobre esse instituto a Convenção de Viena sobre o 
Direito dos Tratados, em seu artigo 15, fornece os requisitos essenciais. Veja-se: 
O consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado 
manifesta-se pela adesão: 
a) quando esse tratado disponha que tal consentimento pode 
ser manifestado, por esse Estado, pela adesão; 
b) quando, por outra forma, se estabeleça que os Estados 
negociadores acordaram em que tal consentimento pode ser 
manifestado, por esse Estado, pela adesão; ou 
c) quando todas as partes acordaram posteriormente em que tal 
consentimento pode ser manifestado, por esse Estado, pela 
adesão. 
Assim, em início, é o próprio tratadoque disporá sobre a possibilidade, ou 
não, de adesão. Contudo, nada impede que, posteriormente, os Estados-Parte, em 
comum acordo, permitam a adesão de outros Estados. 
Importante notar, que o procedimento para a adesão será determinado 
pelo próprio tratado ou, em sua omissão, por decisão dos Estados-membros. 
 
 
 
 
 
 
 
8. Validade do Tratado 
 
Para que um tratado seja considerado válido, se exige que ele seja feito 
respeitando as normas de Direito Internacional Público. Assim, deve existir a capacidade 
das partes, a licitude do objeto do tratado, e que o consentimento seja manifestado de 
forma livre. 
A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, a partir do artigo 46 e 
até o artigo 53, especifica hipóteses de nulidade, equivale a dizer invalidade, dos tratados, 
as quais estudaremos individuadamente. 
O primeiro vício apto a invalidar o tratado refere-se à capacidade das 
partes para negociar um tratado. Como já visto, o artigo 7o da Convenção de Viena sobre 
Direito dos Tratados apresenta o rol daqueles que detém legitimidade para atuar em 
nome dos países na negociação acordo. 
Eventualmente, pode ocorrer de o representante do Estado não ter poder 
para manifestar o consentimento em relação a um objeto específico. Neste caso, o Estado 
apenas não se submeterá ao tratado se a restrição for de conhecimento de todos os 
países partes. 
O segundo vício que pode levar à invalidade do tratado refere-se ao 
objeto. Não se admite que uma norma jurídica, e o tratado é uma, contenha um objeto 
que ofenda, de qualquer modo, o ordenamento jurídico internacional. 
Por esse motivo, se exige que o objeto seja lícito. 
Caso o objeto ofenda normas de direito interno, o Estado ficará submetido 
àquilo que foi convencionado. Imagine-se que o Brasil firme um tratado estabelecendo 
que não haverá qualquer recesso judiciário. Esse tratado, inicialmente, ofenderia o atual 
Código de Processo Civil, contudo, como o Brasil o assinou, a ele se submeteria de tal 
modo que deveria alterar o Código Processual. 
Contudo, há situações em que se o tratado ofender normas internas, o 
Estado não se submeterá a ele. Para tanto se exige que a violação da norma interna seja 
evidente e que recaia sobre norma de importância fundamental. É o que prevê o artigo 
 
 
 
 
 
46, da Convenção em estudo. Veja-se: 
 
1. Um Estado não pode invocar o fato de que seu consentimento em 
obrigar-se por um tratado foi expresso em violação de uma 
disposição de seu direito interno sobre competência para concluir 
tratados, a não ser que essa violação fosse manifesta e dissesse 
respeito a uma norma de seu direito interno de importância 
fundamental. 
2. Uma violação é manifesta se for objetivamente evidente para 
qualquer Estado que proceda, na matéria, de conformidade com a 
prática normal e de boa fé. 
O terceiro vício apto a invalidar um tratado atinge o consentimento livre, 
existindo quatro possibilidades, a saber: o erro, o dolo, a corrupção do representante e a 
coação do representante. 
O erro consiste na falsa percepção de um fato ou situação sem a qual o 
Estado ou não faria o tratado ou o faria, mas de outro modo (artigo 48, da Convenção de 
Viena). 
Já o dolo é uma espécie de erro, mas aqui o Estado (ou o negociador) é 
levado ao erro por meio de uma conduta fraudulenta de outro Estado negociador (artigo 
49). 
A corrupção do representante do Estado, para invalidar o tratado deve 
ocorrer pela ação direta ou indireta de outro Estado negociador, nos termos do artigo 50 
da Convenção de Viena. Vê-se que aqui o Estado negociador faltou com a boa-fé. 
Por último, também invalida o tratado, por falta de consentimento livre a 
coação exercida sobre o representante do Estado, nos termos do artigo 51, da 
Convenção de Viena. Senão, vejamos: 
 
Não produzirá qualquer efeito jurídico a manifestação do 
consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado que 
tenha sido obtida pela coação de seu representante, por meio de 
atos ou ameaças dirigidas contra ele. 
Não se exige que o ato de coação seja feito, direta ou indiretamente, pelo 
 
 
 
 
 
Estado negociador, basta que haja a coação. 
 
9. Vigência dos tratados 
Um tratado entrará em vigor, isto é, estará apto a produzir efeitos, na 
forma e na data que o próprio tratado estabelecer ou nos termos em que for acordado 
pelos Estados-partes. 
Caso haja omissão no tratado, ele entrará em vigor tão logo o 
consentimento seja manifestado por todos os Estados negociadores, de modo que não 
haverá vacatio legis. 
É muito comum que o tratado preveja o número mínimo de ratificações 
para que entre em vigor. 
 
10. Modificação dos Tratados 
Um tratado poderá ser modificado nos mesmos moldes em que se exige a 
aprovação, salvo se de outra forma constar do tratado. 
Caso seja tratado bilateral será necessária a aprovação de todos os 
países parte. 
Já se se tratar de tratado multilateral, a modificação seja aprovada 
segundo o quórum nele previsto. Contudo, os Estados que não consentirem com a 
modificação não serão a ela obrigados. 
Exatamente por isso, é possível que nos tratados multilaterais a 
modificação seja feita por alguns dos Estados-parte. É o chamado tratado inter si (entre 
si). Assim, ter-se-á um tratado principal, válido para todos os Estados, e um tratado 
secundário, válido apenas para alguns daqueles Estados-parte no principal. É o que 
prevê o artigo 41, da Convenção de Viena. 
Exemplificando: imaginemos um tratado realizado entre Brasil, Estados 
Unidos, França, Argentina e Equador. Posteriormente, Brasil, Argentina e Equador 
querem modificar o tratado, mas Estados Unidos e França de opõe. Neste Caso, Brasil, 
 
 
 
 
 
Argentina e Equador poderão fazer um tratado inter si com as modificações pretendidas. 
Esse tratado inter si, para ser válido, não pode causar nenhum tipo de 
prejuízo aos Estados-parte no tratado principal, nem ser contrário a alguma disposição 
dele. 
 
11. Conflito entre tratados 
Havendo conflito entre os tratados, isto é, tratados feitos pelos mesmos 
países e que sejam contraditórios entre si, apenas um deles poderá prevalecer. É que 
não se admite a existência de normas contraditórias no ordenamento jurídico, seja 
interno, seja externo. 
Para resolver esse conflito, existem alguns critérios. 
O primeiro critério é o da hierarquia: o tratado superior prevalece sobre 
o tratado inferior. Referida regra apenas é aplicado em relação ao tratado das Nações 
Unidas que, expressamente, diz que havendo algum conflito com outro tratado ele deverá 
prevalecer. 
Seria semelhante a um conflito entre a Constituição Federal e uma Lei 
Ordinária. Qual deve prevalecer? 
Por certo é a Constituição Federal. E por que? Porque a Constituição é 
hierarquicamente superior à Lei Ordinária. 
O segundo critério para a resolução do conflito é a especialidade: o 
tratado especial prevalece sobre o tratado geral. Vale dizer, que se um tratado que 
estabeleça regras gerais for conflituoso com um tratado que estabeleça regras 
específicas, esse último é que prevalecerá. 
O terceiro critério é o cronológico: o tratado posterior prevalece sobre o 
tratado anterior. Havendo conflito entre dois tratados, o mais recente deles, que se 
presume ser o mais avançado, é que deverá prevalecer. 
 
 
 
 
 
 
 
12. Efeitos dos Tratados 
Como regra geral, um tratado somente cria obrigações ou direitos para os 
países partes, os quais deverão cumpri-lo sob pena de sofrer as sanções nele 
estabelecidas sem prejuízo do dever de indenizar os demais Estados-partes. 
Contudo, é possível que um tratado estabeleça obrigações ou direitos 
para terceiro, isto é, para Estados que não são parte no tratado. 
Para tanto, é necessário que os Estados-partes prevejam essa 
possibilidade no tratado e que o outro Estado, expressamente, a aceite, nos termos dos 
artigos 35 e 36, da Convenção de Viena. Na hipótese de criação de direito a terceiroEstado, o consentimento dele será presumido. 
Pode existir, porém, a criação de obrigações a Estados estranhos ao 
Tratado por meio do costume internacional. É o exemplo de tratados que fixem limites 
territoriais entre países. Os demais Estados deverão respeita-lo, mesmo não sendo parte. 
 
13. Extinção dos Tratados 
Como toda norma, o tratado, em princípio, não terá prazo de validade. 
Vale dizer, que ele não estabelece a data de sua revogação. A extinção do tratado poderá 
ocorrer por vários modos, que serão estudados neste item. 
Se o tratado for bilateral, a primeira forma de extinção é a denúncia. 
Denúncia é instituto pelo qual um Estado manifesta a sua vontade de não mais 
permanecer como parte em um tratado. 
Sendo tratado bilateral, feito entre dois Estados, a denúncia feita por um 
deles, forçosamente levará à extinção do tratado. Contudo, sendo tratado multilateral, a 
denúncia de um Estado apenas significará a sua retirada do tratado. 
Assim, a denúncia pode levar à extinção do tratado ou à mera retirada de 
um Estado do tratado. 
A segunda forma de extinção do tratado, como já visto, é a possibilidade 
de conflito com outro tratado. Conflito que será resolvido de acordo com os critérios da 
 
 
 
 
 
hierarquia, especialidade e cronológico. 
A terceira forma de extinção do tratado é o consentimento unânime dos 
Estados-partes. 
Também causa a extinção do tratado as mudanças fundamentais das 
circunstâncias que levaram os Estados a entabular o tratado. Para tanto se exige: 
a) a existência dessas circunstâncias tiver constituído uma condição 
essencial do consentimento das partes em obrigarem-se pelo 
tratado; e 
b) essa mudança tiver por efeito a modificação radical do alcance 
das obrigações ainda pendentes de cumprimento em virtude do 
tratado. 
A título exemplificativo: dois Estados estabelecem um tratado de não 
agressão em um Guerra Mundial. Terminada a Guerra, esse tratado não terá mais 
qualquer utilidade. 
Outro exemplo: Estados estabelecem um tratado para salvar as focas 
da extinção. Como consequência do tratado, a população de focas se multiplica a 
ponto de gerar o desequilíbrio de outras espécies. 
São situações que exemplificam mudanças fundamentais e, por isso 
mesmo, causa a extinção dos tratados. 
Lado outro, o mero rompimento de relações diplomáticas não é apto a 
gerar a extinção de um tratado. Por outras palavras, ainda que os Estados estejam 
com as relações rompidas, os tratados já firmados entre ambos continuam a gerar 
todos os seus efeitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 04 
 
Sujeitos de Direito Internacional Público 
Hoje trataremos dos sujeitos do Direito Internacional Público com ênfase nos 
Estados. Na próxima aula, cuidaremos das Organizações Internacionais de Direito Público. 
Boa aula e bom aproveitamento. 
 
1. Sujeitos de Direito Internacional Público: conceito 
Sujeitos de Direito Internacional Público são os Estados e as Organizações 
Internacionais de Direito Público e, por isso, podem realizar inovações no ordenamento jurídico 
internacional. 
O ser humano não é alçado à condição de sujeito do Direito Internacional 
Público, mas apenas do Direito Internacional Privado, da mesma forma que as pessoas jurídicas 
de privado. 
 
2. O Estado como sujeito de Direito Internacional Público 
Conceituar o Estado não é tarefa fácil, mas, reportando aos estudos da disciplina 
Teoria Geral do Estado, podemos, de forma bastante singela, conceituar o Estado como sendo 
uma pessoa jurídica de direito público interno e externo constituído por um povo, um território e 
dotado de soberania ou governo. 
Não nos deteremos acerca das teorias relativas às explicações sobre as origens 
do Estado, pois referido conhecimento já foi abordado nos primeiros períodos do curso. 
Nos itens a seguir estudaremos os elementos constitutivos do Estado. 
 
2.1 O Povo 
O povo é o elemento humano do Estado, não havendo Estado sem povo. De 
plano deve-se alertar que povo não é sinônimo de população, tampouco de nação. 
A população é uma mera representação numérica, sem qualquer sentido 
 
 
 
 
 
jurídico, abrangendo todas as pessoas que vivam em determinado território do Estado. 
Já o povo possui um sentido político, referindo-se a um grupo de pessoas que 
atuem segundo ideias, interesses e representações de natureza jurídica. 
Embora seja mais próximo do conceito de povo, nação possui um conteúdo 
distinto. É que a nação possui uma natureza político-sociológica, sendo possível identificar dentro 
de um povo a existência de variadas nações, como ocorre no Brasil com as chamadas nações 
indígenas. 
Nada obstante essas diferenciações, somente poderá ser considerado povo de 
um determinado Estado aquelas pessoas que possuam vínculo de nacionalidade. Existem duas 
espécies de nacionalidades, a nata, ou originária, e a naturalizada, ou adquirida. 
Existem dois critérios básicos para a nacionalidade nata: o jus sanguinis (pelo 
sangue) que leva em consideração a ascendência da pessoa; e o jus solis (pelo local do 
nascimento) que leva em consideração tão somente o local onde a pessoa nasceu. 
 
2.1.1 Nacionalidade no Brasil 
O Brasil, quanto à nacionalidade originária adota os critérios do jus 
sanguinis e jus solis, combinados com o exercício de função pública. 
Pode-se adquirir a nacionalidade nata de três maneiras: 
1ª) nascendo no Brasil, desde que os pais, sendo estrangeiros, não 
estejam a serviço do país de origem; 
2ª) nascendo no estrangeiro, desde que o pai ou mãe seja brasileiro e 
esteja a serviço do Brasil; 
3ª) nascendo no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que: seja 
registrado em repartição brasileira competente ou venha a residir no Brasil e opte, a qualquer 
momento, após a maioridade, pela nacionalidade brasileira. O verbo “optar”, no texto 
constitucional não possui o sentido de excluir uma das nacionalidades, mas de agregar a 
nacionalidade brasileira. 
Já para a aquisição da nacionalidade brasileira derivada – naturalização – 
são exigidos os seguintes requisitos: 
1º) originários de países de língua portuguesa: residência por um ano 
 
 
 
 
 
ininterrupto e idoneidade moral; 
2º) originários dos demais países: residência de mais de 15 anos 
ininterruptos e sem condenação criminal. 
Em qualquer das hipóteses, a nacionalidade brasileira deverá ser 
requerida pelos estrangeiros. 
Situação peculiar é a dos portugueses, que poderão exercer os direitos 
políticos aqui no Brasil, porém sem que adquiram a nacionalidade brasileira. Basta que haja 
reciprocidade de tratamento para com o brasileiro em Portugal. 
A Constituição Federal proíbe que a legislação cria qualquer tipo de 
diferenciação entre os brasileiros nato e naturalizado. Contudo, o próprio texto constitucional 
cuidou de limitar o acesso a determinados cargos públicos apenas aos brasileiros natos, a saber: 
a) presidente e vice-presidente da República; 
b) presidente da Câmara dos Deputados; 
c) presidente do Senado Federal; 
d) ministros do Supremo Tribunal Federal; 
e) ministro de Estado da Defesa; 
f) oficiais das Forças Armadas; 
g) carreiras diplomáticas; 
h) presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral; 
i) cidadãos que irão compor o Conselho da República. 
Além desses cargos, que são próprios dos brasileiros natos, há outra 
distinção entre natos e naturalizados e diz respeito à possibilidade de extradição. A extradição é 
um acordo entre 02 (dois) Estados para o envio de pessoas acusadas de cometer crime no 
território de algum deles e que se refugie no território dos outros. 
Com efeito, os brasileiros natos não podem ser extraditados em hipótese 
alguma. 
 
 
 
 
 
 
Já os brasileiros naturalizados podem ser extraditados em duas situações: 
a) nos crimes comuns, desde que cometidos antes da naturalização; e b) nos crimes de tráfico de 
drogas, cometidos a qualquer tempo, nos termos da lei. Ocorre que até o momento não houve aregulamentação do dispositivo constitucional. 
Assim, enquanto permanecer a omissão legislativa, apenas o brasileiro 
naturalizado que cometer crime comum anterior à naturalização poderá ser extraditado. 
Não se pode confundir a extradição – que é um tratado entre dois Estados 
soberanos – com a entrega que é o envio de um nacional para responder perante o Tribunal 
Penal Internacional pela prática de algum crime contra a humanidade. 
A Constituição Federal impede a extradição de brasileiro nato, mas não 
impede a sua entrega ao Tribunal Penal Internacional. Assim, caso um brasileiro nato cometa 
algum crime de competência do TPI ele poderá ser enviado para que ali responda pelos seus 
atos. 
 
2.1.2 Perda da Nacionalidade Brasileira 
A Constituição Federal prevê a perda da nacionalidade brasileira em duas 
situações, a saber: cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado ou que 
adquirir outra nacionalidade. A segunda hipótese poderá recair tanto no brasileiro nato quanto 
sobre o brasileiro naturalizado. 
Prevê, o texto constitucional, em relação à segunda hipótese de perda da 
nacionalidade, duas exceções: se for adquirida uma nacionalidade originária, nos termos da 
legislação estrangeira ou se a naturalização decorrer de imposição, pela lei estrangeira, como 
condição para permanência no país ou para o exercício de direitos civis. 
 
2.2 Território 
O território pode ser conceituado como sendo a base especial em que um 
Estado exerce a sua soberania, isto é, o seu poder jurisdicional, fazendo prevalecer o seu direito 
positivado. 
Desta forma o território possui as seguintes características: 
a) delimitação os limites do poder territorial do Estado, sendo, portanto, 
 
 
 
 
 
fator de paz, independência e elemento de segurança; 
b) fator de estabilidade para a sua população. 
A delimitação do território pode ocorrer por acidentes geográficos (limite 
natural), tais como montanhas, mares, rios e lagos. 
Mas a delimitação pode se dar por meios artificiais, como as fronteiras: 
região ao redor da linha divisória que separa os territórios entre dois Estados. 
O território, desde a Idade Média, teve as seguintes naturezas jurídicas, a 
saber: 
a) território patrimônio: o território é um patrimônio, mas não pertence ao 
Estado, mas ao monarca; 
b) território objeto: o Estado deve atuar como proprietário de seu território; 
c) território espaço: o território não é mero patrimônio, mas a extensão 
espacial da soberania do Estado; 
d) território limite: é o limite material da ação efetiva dos governantes; 
e) território competência: o território é o âmbito de validade de sua ordem 
jurídica. 
 
2.2.1 limites terrestres do território 
Como já dito anteriormente, existem duas formas de delimitar os territórios 
dos Estados: uma natural e outra artificial. 
A limitação natural leva em contra os acidentes geográficos, assim, as 
montanhas, rios, vales, mares, desertos, etc. Já a limitação artificial é feita por meio de tratados 
entre os Estados vizinhos, fixando marcos fronteiriços. 
Atualmente, discute-se a construção de muro na fronteira entre Estados 
Unidos e o México. Insta alertar que ao longo da história humana a construção de muros sempre 
existiu, mas com o propósito de proteger o povo do Estado (ou da cidade-estado) contra invasões 
externas. Nunca para impedir a entrada pacífica da população de um país vizinho, ainda mais 
quando motivado por questão discriminatória. 
 
 
 
 
 
 
2.2.2 território marítimo 
A extensão do território de um país para o mar sempre levou em 
consideração o critério defensivo, de modo que o território de um Estado se estendia para o mar 
até onde se poderia fazer a segurança. 
O primeiro critério utilizado foi o do tiro do canhão, com o posicionamento 
desta arma no local mais próximo da orla marítima e o território se estenderia até o local atingido 
pelo disparo. 
Evidente que com o avanço tecnológico esse critério ficou sobremaneira 
defasado. 
Atualmente, é a Convenção de Viena de 1958 quem define o mar 
territorial e a zona contigua. Nos termos do artigo 1o “a soberania do Estado estende-se, 
além de seu território e de suas águas internas, a uma zona de mar adjacente a suas 
costas, designada pelo nome de mar territorial”. 
Esse mar territorial se estenderá, a partir do baixo-mar (maré baixa) até o 
limite de 12 milhas náuticas. Caso exista uma ilha, as 12 minhas se iniciarão a partir da maré-
baixa da ilha. 
Adjacente ao mar territorial existe a chamada zona contígua, que se 
estenderá por mais 12 milhas, contadas imediatamente após o término do mar territorial. Essa 
zona contígua tem, nos termos do artigo 24 da Convenção de Genebra, por função: 
 
a) prevenir as contravenções a suas leis de polícia aduaneira, fiscal, 
sanitária ou de imigração, cometidas em seu território ou no mar 
territorial; 
b) reprimir as contravenções a estas mesmas leis, cometidas em seu 
território ou no mar territorial. 
Mário Lúcio Quintão Soares ensina que a partir da necessidade de 
exploração econômica das riquezas biológicas e minerais foi estabelecido o marco de 200 milhas 
como sendo o mar territorial. Veja-se: 
O direito de pesca e a necessidade de exploração econômica do 
acervo biológico e das riquezas minerais (exploração de petróleo em 
 
 
 
 
 
plataforma submarina), bem como a proteção da fauna e da flora 
marítimas nas zonas contíguas ao mar territorial, instaram alguns 
Estados subdesenvolvidos a estabelecer novos parâmetros. 
Daí surgiu o marco de 200 milhas para seu mar territorial, 
contrapondo-se às grandes potencias, que almejavam fixar tais 
limites em 12 milhas, em nome da tradicional liberdade de 
navegação. 
Para conciliar os interesses conflitantes, assegurou-se o instituto da 
passagem inocente, nos termos do artigo 14 da Convenção de Genebra, consiste: 
a) Sob reserva das disposições dos presentes artigos, os navios de 
todos os Estados, ribeirinhos ou não do mar, gozam do direito de 
passagem inocente no mar territorial. 
b) A passagem é o fato de navegar no mar territorial, seja para 
atravessá-lo sem entrar nas águas internas, seja para se dirigir às 
águas internas, seja para alcançar alto-mar, vindo das águas 
internas. 
c) A passagem abrange o direito de parar as máquinas e de ancorar, 
mas somente na medida em que a parada ou a ancoragem constitua 
incidente ordinário da navegação, ou se imponha ao navio por 
motivos de aribada forçada ou perigo iminente. 
d) A passagem é inocente enquanto não atenta contra a paz, a boa 
ordem ou a segurança do Estado ribeirinho. Esta passagem deve 
efetuar-se de conformidade com os presentes artigos e outras regras 
de Direito Internacional. 
d) A passagem de barcos de pesca estrangeiros não é considerada 
como inocente se êstes barcos não se conformam com as leis e 
regulamentos que o Estado ribeirinho pode promulgar e publicar com 
o fito de lhes proibir a pesca no mar territorial. 
e) Os navios submarinos têm obrigação de vir à tona de arvorar sua 
bendeira. 
 
É o instituto da passagem inocente que permite, por exemplo que 
embarcações e aeronaves comerciais transitem no território nacional, bastando que façam as 
devidas comunicações e que observem o regramento do Estado em cujo território estejam 
atravessando. 
Para completar as 200 milhas náuticas, deve-se somar as 12 milhas do 
mar territorial, 12 milhas da zona contígua e 176 milhas da zona econômica exclusiva, como 
demonstrado na imagem abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
O Brasil, por meio da Lei 8.617/93, estabeleceu o território brasileiro no 
mar até as 200 milhas náuticas, dizendo que o mar territorial “compreende uma faixa de doze 
milhas marítima de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular” 
(artigo 1o), que a zona contígua “compreende uma faixa que se estende das doze às vinte e 
quatro milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largurado 
mar territorial” (artigo 4o) e que a zona econômica exclusiva “compreende uma faixa que se 
estende das doze às duzentas milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem 
para medir a largura do mar territorial” (artigo 6o). 
 
2.2.2.1 plataforma continental 
A partir do momento em que foi descoberta a existência de grande 
quantidade de petróleo, com a possibilidade de sua extração, a porção de terra abaixo dos 
oceanos despertou enorme interesse econômico e, por isso, a necessidade de seu regramento. 
Nos termos da Convenção da O.N.U., a plataforma continental consiste no: 
a) o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas 
adjacentes às costas, mas situadas fota do mar territorial, até 
uma profundidade de 200 metros, ou além dêste limite, até o 
ponto em que a profundidade das águas sobrejacentes permita 
o aproveitamento dos recursos naturais das referidas regiões; 
b) o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas análogas, 
que são adjacentes às costas das ilhas. 
 
 
 
 
 
 
No Brasil, a Lei 8.617/93, dispõe, em seu artigo 11, que: 
Art. 11. A plataforma continental do Brasil compreende o leito e o 
subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar 
territorial, em toda a extensão do prolongamento natural de seu 
território terrestre, até o bordo exterior da margem continental, ou até 
uma distância de duzentas milhas marítimas das linhas de base, a 
partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em 
que o bordo exterior da margem continental não atinja essa 
distância. 
 
Em termos mais simples, a plataforma continental é o subsolo situado 
abaixo do território marítimo. 
 
2.2.3 território aéreo 
O espaço aéreo de um Estado é aquele adjacente ao seu território no solo 
ou no mar. Sobre esse tema existem as seguintes Convenções: Convenção de Paris (1919) e a 
Convenção de Chicago (1944). 
Essa última Convenção reconheceu “ter cada Estado a soberania 
exclusiva e absoluta sôbre o espaço aéreo sôbre seu território”, além de criar a Organização de 
Aviação Civil Internacional (órgão da ONU), criando regras para o exercício do direito à passagem 
inocente, nos seguintes termos: 
a) direito de sobrevoo com fins pacíficos; 
b) direito de escala técnica para reparações; 
c) direito de embarcar e de desembarcar no território do Estado signatário 
mercadorias, passageiros e correio com destino ao Estado de que a aeronave é nacional ou de 
qualquer Estado signatário. 
A modernidade e os avanços tecnológicos acabam por criar situações para 
potenciais conflitos, quais sejam a espionagem por meio de satélites que sobrevoem o espaço 
sideral. 
 
 
 
 
 
 
2.2.4 domínio público internacional 
Por domínio público internacional deve-se entender os territórios que são 
insuscetíveis de apropriação por algum Estado, posto que não pertencem a um Estado específico. 
São insuscetíveis de apropriação: 
a) os polos terrestres. Em relação à antártica não há qualquer polêmica. 
Porém em relação ao polo norte (ártico) há controvérsias entre os Estados Unidos e a Rússia que 
o consideram com parte integrante de seus territórios. 
b) o alto-mar e o espaço aéreo; 
c) os corpos celestes, nos termos do tratado sobre os princípios 
reguladores das atividades dos Estados na exploração e uso do espaço cósmico, todas 
as atividades exploratórias devem ter em mente “o bem e interesse de todos os países, 
qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são 
incumbência de toda a humanidade”. 
d) a internet. Novamente, com o desenvolvimento tecnológico, a internet 
passou a ocupar enorme importância, não apenas para a comunicação entre os indivíduos, mas 
para situações de proteção e segurança. Atualmente fala-se, até mesmo, em cirurgias feitas à 
distância. Ou mesmo essa aula que estamos tendo agora. 
 
2.3 Soberania ou governo 
O terceiro elemento do Estado é o governo ou a soberania, posto que não 
existe Estado sem governo. Para tanto o Estado deve ter autonomia jurídica em relação aos 
demais Estados. 
Para tanto é necessário, em primeiro lugar, que haja o reconhecimento dos 
novos Estados. Imagine-se que os estados do sul do Brasil desejem se separar do país, criando o 
país do Sul. De nada adiantará se a comunidade internacional não reconhecer a sua existência. 
E esse reconhecimento é um ato unilateral e discricionário de cada Estado 
ou Organização Internacional. Contudo é possível vislumbrar alguns requisitos para tal 
reconhecimento: 
a) existência de um governo democrático; 
 
 
 
 
 
b) respeito à Carta da ONU; 
c) garantia aos direitos dos grupos étnicos e nacionais; 
d) respeito aos limites territoriais estabelecidos; 
e) aceite os instrumentos pacíficos de solução de controvérsias. 
Lado outro, já existente um Estado, há a necessidade de reconhecimento 
do governo. Aqui, a cada sucessão de governo, a comunidade internacional deve reconhecer a 
nova direção governamental. 
De forma bastante singela, esse reconhecimento pode ocorrer com, por 
exemplo, a presença de chefes de Estados na posse do novo governo; a manutenção das 
relações diplomáticas, a declaração, para dos demais Estados, no sentido de que reconhece a 
legitimidade do novo governo, etc. 
A soberania, por seu turno, significa o fato de o Estado não encontrar, 
internamente, nenhum poder igual ao seu, e, externamente, nenhum poder acima do seu. 
Assim, na órbita interna, somente o Estado tem o poder de criar seu 
ordenamento jurídico nacional, que deverá ser observado por todos. 
Discussão interessante refere-se questão acerca da titularidade da 
soberania. Num primeiro momento, entendia-se que a soberania pertencia ao monarca (que era o 
soberano). Após, passou-se a entender que a soberania era titularizada pelo próprio Estado. Hoje, 
prevalece a ideia de que o titular da soberania é o povo e que o governante é seu mero exercente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 05 
 
Sujeitos de Direito Internacional Público 
 
Hoje estudaremos as Organizações Internacionais de Direito Público 
e, também, as comunidades regiões com ênfase na União Europeia e o Mercosul. 
Desejo um excelente estudo e um ótimo aproveitamento dos 
conteúdos ministrados. 
 
3. Organizações Internacionais de Direito Público 
 
As Organizações internacionais podem ser de Direito Público ou de 
Direito Privado, também conhecidas como organizações náo governamentais. 
As Organizações de Direito Público são sujeitos do Direito 
Internacional Público podendo, inclusive, ser partes em tratados internacionais. 
Já as de Direito Privado não podem ser partes em tratados 
internacionais e os seus atos referem-se a contratos internacionais. 
 
3.1 Histórico 
 
Desde a antiguidade existiram organismos supranacionais, a 
exemplo, na antiguidade clássica, da Liga do Peloponeso – aliança entre as várias 
cidades-estados gregas visando proteção frente invasões de outros povos. 
Mas foi no século XX, notadamente após o término da Segunda 
Grande Guerra Mundial que o mundo viu florescer várias e várias organizações 
internacionais, principalmente as com víeis de regionalismos ou comunitárias. 
 
 
 
 
 
Dentre os objetivos dessas organizações está a manutenção da paz, 
mas também as questões comerciais e de desenvolvimento. 
 
3.2 Organização das Nações Unidas 
3.2.1 Histórico 
Ao final da Primeira Grande Guerra Mundial, visando estabelecer 
uma certa estabilidade e segurança mundial, foi criada a Lida das Nações, organização 
internacional que reunia as potencias vencedoras da guerra. 
Contudo, o Congresso dos Estados Unidos não ratificou o Tratado 
de Versalhes – que criava a Liga das Nações. Com deste modo a Liga se viu esvaziada e 
enfraquecida. 
No ano de 1939, Hitler desencadeia a Segunda Grande Guerra 
Mundial. 
Esses dois fatos – não ratificação do tratado de Versalhes pelo 
Congresso dos Estados Unidos e o desencadeamento da Segunda Guerra Mundial – 
foram

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