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Teoria Geral dos Contratos Roteiro de estudo de Teoria Geral dos Contratos Assinale uma alternativa em cada questão. O gabarito e o gabarito comentado estão ao final do documento. Fundamentos e princípios 1. Duas empresas ajustam que uma passará a armazenar mercadorias da outra mediante remuneração mensal. Ao explicar por que esse ajuste é um contrato, uma estudante afirma que o aspecto decisivo é: a) a existência de um documento denominado “contrato”. b) a obtenção de lucro pelas duas empresas. c) a previsão de prazo determinado para a vigência do ajuste. d) a convergência de manifestações de vontade para produzir efeitos jurídicos. e) a presença de uma obrigação idêntica para cada empresa. 2. Uma associação contrata a criação de um sistema para organizar suas inscrições. O software será desenvolvido conforme especificações que permitem identificar exatamente o resultado esperado, embora ainda não esteja pronto. Quanto ao objeto do negócio, essa circunstância indica que ele: a) pode ser determinável, desde que atenda aos demais requisitos de validade. b) é necessariamente indeterminado e invalida o contrato. c) somente será juridicamente possível depois de concluído. d) precisa existir materialmente no momento da assinatura. e) dispensa a análise de licitude por se tratar de criação futura. 3. Um grupo de produtores e uma empresa de tecnologia combinam um modelo de remuneração para um serviço que não corresponde integralmente a nenhum tipo contratual regulado de forma específica. A ausência de um modelo legal idêntico: a) impede a contratação. b) exige autorização judicial prévia. c) transforma o ajuste em ato jurídico unilateral. d) afasta os deveres de boa-fé objetiva. e) permite a celebração de contrato atípico, observadas as normas gerais. 4. Uma plataforma oferece aos usuários uma opção contratual que exige aceitar, antecipadamente, uma cláusula contrária a uma norma legal imperativa. Todos os usuários concordam expressamente. Essa concordância: a) torna válida a cláusula pela autonomia privada. b) não afasta o limite imposto pela norma imperativa. c) permite à plataforma escolher se cumprirá a norma. d) converte a cláusula em recomendação sem efeitos. e) torna a cláusula válida apenas para usuários experientes. 5. Dois comerciantes ajustam uma operação que, embora vantajosa para ambos, foi estruturada para ocultar bens e frustrar credores. A análise da função social do contrato exige considerar: a) apenas o equilíbrio econômico entre os contratantes. b) exclusivamente a existência de assinatura voluntária. c) também os efeitos do ajuste sobre terceiros e interesses protegidos. d) somente a possibilidade de lucro futuro. e) apenas o cumprimento pontual das prestações. Teoria Geral dos Contratos 6. Uma editora e uma gráfica celebram contrato válido. Depois, a editora decide reduzir sozinha o preço ajustado porque encontrou outra gráfica mais barata. À luz da força obrigatória, a editora: a) pode alterar o preço sempre que demonstrar uma opção mais econômica. b) pode modificar qualquer condição antes da entrega. c) só estará vinculada se o contrato tiver sido registrado. d) poderá alterar o preço se comunicar a decisão com antecedência. e) deve observar o preço pactuado, salvo acordo ou fundamento jurídico para sua alteração. 7. Uma empresa promete, em contrato celebrado com um cliente, que uma empresa independente prestará gratuitamente um serviço adicional. A terceira empresa não participou do ajuste. A regra da relatividade dos efeitos recomenda concluir que: a) é preciso identificar fundamento jurídico específico antes de atribuir obrigação à terceira empresa. b) a terceira empresa assumiu automaticamente a obrigação. c) qualquer contrato pode impor deveres a terceiros mencionados em seu texto. d) o contrato inteiro é inexistente. e) o cliente se torna representante legal da terceira empresa. 8. Durante a execução de um contrato, uma distribuidora conhece uma falha na embalagem que pode danificar os produtos armazenados pela outra parte. O instrumento não contém cláusula expressa sobre avisos dessa natureza. A boa-fé objetiva: a) somente exige o cumprimento das cláusulas escritas. b) depende de prova de que a distribuidora teve intenção de prejudicar. c) só incide antes da assinatura. d) pode fundamentar um dever de informar o risco relevante. e) autoriza a distribuidora a aguardar a ocorrência do dano. 9. Encerrado um contrato de prestação de serviços, a contratada ainda possui dados confidenciais recebidos para executar o trabalho. Qual conduta melhor se ajusta à boa-fé objetiva? a) Divulgar os dados porque o prazo contratual terminou. b) Preservar a confiança e observar os deveres pertinentes mesmo após o encerramento do vínculo. c) Vender os dados se não houver cláusula de confidencialidade expressa. d) Exigir novo pagamento para não divulgar os dados. e) Tratar o término do contrato como autorização presumida de uso irrestrito. 10. Em contrato de execução continuada, uma parte pede revisão porque sua margem de lucro caiu após um aumento de custos usual e previsível no setor. Considerando os critérios estudados, o pedido: a) deve ser acolhido sempre que houver redução de lucro. b) deve ser acolhido, pois a boa-fé impõe repartir igualmente qualquer perda entre os contratantes. c) exige exame do fato, do risco assumido, do impacto na prestação e do fundamento jurídico invocado. d) implica automaticamente a extinção do contrato. e) dispensa prova da alteração econômica alegada. 11. Diante de uma alteração superveniente relevante, as partes discutem dois caminhos: ajustar proporcionalmente as prestações ou extinguir o vínculo. A distinção central é que: a) a revisão busca preservar o contrato mediante ajuste; a resolução extingue o vínculo. b) revisão e resolução sempre produzem o mesmo resultado. c) a resolução altera somente o prazo de pagamento. d) a revisão somente pode ocorrer antes da assinatura. e) a resolução exige que ambas as partes tenham descumprido o contrato. Teoria Geral dos Contratos Classificação dos contratos e fontes das obrigações 12. Uma pessoa entrega gratuitamente um bem a outra, que concorda em recebê-lo, sem assumir contraprestação principal. Ao classificar esse contrato quanto aos efeitos obrigacionais, deve-se observar: a) quantas pessoas participaram das negociações preliminares. b) se o contrato foi celebrado por instrumento público ou particular. c) se a entrega ocorreu no mesmo dia. d) se houve manifestação expressa ou tácita. e) quantas partes assumiram obrigações principais. 13. Uma oficina se compromete a consertar equipamentos, enquanto a contratante se obriga a pagar o preço acordado. As prestações principais são recíprocas. Quanto aos efeitos obrigacionais, trata-se de contrato: a) unilateral, porque a oficina executa o serviço. b) unilateral, porque a proposta partiu da contratante. c) bilateral, porque ambas as partes assumem obrigações principais. d) formado por ato unilateral da oficina. e) sem obrigações até a conclusão do conserto. 14. Uma pessoa anuncia que pagará uma quantia a quem localizar determinado documento perdido. Ninguém precisa aceitar previamente o anúncio para que ele seja emitido. Esse exemplo ajuda a distinguir: a) um contrato bilateral de um contrato plurilateral. b) um ato unilateral, formado por uma manifestação de vontade, de um contrato, que requer acordo. c) uma proposta contratual de uma aceitação tácita obrigatória. d) um contrato unilateral de um contrato sem objeto. e) uma obrigação contratual de uma cláusula de adesão. 15. Ao estudar um ajuste, um aluno afirma: “Se apenas uma parte assumiu a prestação principal, só uma vontade participou da formação do negócio.” O erro dessa conclusão consiste em confundir: a) validade com eficácia perante terceiros. b) contrato típico com contrato atípico.c) boa-fé subjetiva com capacidade civil. d) a formação do contrato com a distribuição de suas obrigações principais. e) proposta com publicidade registral. Interpretação dos contratos 16. Um contrato prevê a entrega de “relatórios periódicos”. As mensagens trocadas antes da assinatura e a prática seguida por ambas as partes durante meses mostram que os relatórios eram enviados a cada quinze dias. Surgindo divergência, esses elementos: a) são irrelevantes diante da palavra “periódicos”. b) autorizam o intérprete a criar livremente uma frequência nova. c) podem ajudar a identificar a intenção objetivamente manifestada pelas partes. d) anulam o contrato pela ausência de um número no texto. e) só podem ser considerados se o contrato remeter expressamente a eles. Teoria Geral dos Contratos 17. Um contrato menciona uma obrigação cujo alcance não está claro, mas contém elementos suficientes para investigar o que as partes ajustaram. A atividade de esclarecer o sentido dessa obrigação, sem preencher uma omissão, corresponde à interpretação: a) integrativa. b) extensiva obrigatória. c) resolutiva. d) substitutiva da vontade das partes. e) declaratória. 18. Um contrato de longa duração utiliza um procedimento técnico que deixou de existir. O instrumento não prevê o que fazer nessa situação, embora a execução dependa da definição de um procedimento substituto. A atividade de suprir essa lacuna, com apoio na lei, nos usos e na boa-fé, é interpretação: a) exclusivamente literal. b) declaratória de expressão ambígua. c) restrita à assinatura original. d) integrativa. e) incapaz de produzir qualquer efeito. 19. Duas empresas adotam durante um ano a mesma forma de calcular determinada parcela. Depois, uma delas invoca uma frase isolada do instrumento para defender cálculo oposto e obter vantagem inesperada. Para interpretar o contrato, merece atenção especial: a) a conduta posterior das partes e a confiança que ela gerou. b) apenas o título do instrumento. c) somente a interpretação agora mais lucrativa. d) a intenção interna não comunicada de quem redigiu o texto. e) exclusivamente a última cobrança emitida. 20. Uma cláusula admite dois sentidos juridicamente possíveis. Um torna inútil uma etapa essencial do acordo; o outro permite que o contrato produza os efeitos pretendidos, sem contrariar a lei. O princípio da conservação orienta a preferência: a) pelo sentido que invalida o negócio. b) pelo sentido que preserva efeitos válidos e úteis. c) pela criação de obrigação não pactuada. d) pela dispensa de todas as demais cláusulas. e) pela solução economicamente melhor para quem redigiu o texto, em qualquer caso. 21. Uma organização oferece a seus fornecedores um formulário contratual pronto, sem possibilidade real de discutir as cláusulas. Uma disposição redigida pela organização comporta dois sentidos razoáveis. Pelo regime do contrato de adesão no Código Civil, a dúvida deve ser interpretada: a) obrigatoriamente contra o fornecedor aderente. b) sempre em favor de quem elaborou o formulário. c) como causa automática de nulidade de todo o contrato. d) da maneira mais favorável ao aderente. e) conforme o sentido literal, que prevalece sobre a intenção das partes. Teoria Geral dos Contratos 22. No formulário da questão anterior, há cláusula pela qual o aderente renuncia antecipadamente a um direito resultante da própria natureza do negócio. Segundo a regra estudada para contratos de adesão, essa cláusula: a) é válida apenas porque foi assinada. b) é válida se aparecer na primeira página. c) converte o contrato em ato unilateral. d) é válida se o aderente for empresário, pois contratos empresariais se presumem paritários. e) é considerada nula. 23. Uma consumidora contrata um serviço por meio de um formulário digital. Uma restrição relevante é apresentada de modo que dificulta compreender seu alcance antes da confirmação. A análise pelo Código de Defesa do Consumidor deve considerar, especialmente: a) os deveres de informação prévia, clareza e possibilidade real de compreensão. b) que toda restrição é eficaz assim que se clica em “aceito”. c) somente a velocidade com que a consumidora concluiu o cadastro. d) que regras de interpretação favoráveis ao consumidor se aplicam apenas a contratos manuscritos. e) que a ausência de reclamação imediata supre qualquer falha de informação. 24. Uma empresa afirma que todo contrato de adesão é, necessariamente, uma relação de consumo. Essa afirmação: a) está correta, pois os conceitos são equivalentes. b) está incorreta, pois adesão e relação de consumo possuem requisitos distintos, embora possam coincidir. c) está correta apenas quando o contrato é eletrônico. d) está incorreta porque contratos de consumo nunca são de adesão. e) depende exclusivamente do número de páginas do instrumento. Formação dos contratos 25. Uma cooperativa e um laboratório trocam estudos, custos estimados e possibilidades de parceria. Ambos deixam claro que ainda avaliam se apresentarão uma oferta definitiva. Nessa etapa: a) a troca de estudos já forma o contrato. b) existe necessariamente uma proposta vinculante. c) qualquer desistência gera automaticamente indenização. d) a aceitação é presumida pelo envio dos estudos. e) há tratativas preliminares, sujeitas aos deveres de boa-fé. 26. Durante negociações avançadas, uma empresa solicita à outra uma despesa específica, assegura que o ajuste está praticamente concluído e, depois, rompe as tratativas de forma desleal. A empresa prejudicada demonstra o gasto e sua relação com essa conduta. A responsabilidade pré-contratual: a) decorre automaticamente de toda desistência. b) pressupõe a existência de contrato já assinado. c) pode ser examinada diante da violação da boa-fé, do prejuízo e do nexo causal. d) exclui a necessidade de provar qualquer dano. e) transforma as conversas anteriores em aceitação. Teoria Geral dos Contratos 27. Uma fornecedora envia a um estabelecimento uma mensagem com identificação do produto, quantidade, preço, condições de pagamento e prazo para resposta, declarando firmemente que venderá nesses termos. Essa mensagem apresenta características de: a) simples sondagem, sem intenção de contratar. b) aceitação de proposta feita pelo estabelecimento. c) ato de interpretação integrativa. d) proposta contratual dirigida ao destinatário. e) convite a fazer oferta, pois ainda depende de resposta do estabelecimento. 28. Em uma chamada de vídeo, sem prazo para resposta, uma pessoa faz uma proposta completa. A destinatária diz que pensará e encerra a chamada sem aceitar. Mais tarde, comunica que concorda. Para analisar se a proposta inicial ainda obrigava o proponente, deve-se considerar que a comunicação simultânea: a) pode ser tratada como proposta feita a pessoa presente, cuja aceitação imediata é relevante quando não há prazo. b) recebe necessariamente o tratamento de proposta feita a pessoa ausente. c) impede a aplicação das regras sobre proposta. d) torna irrelevante a ausência de prazo. e) vincula o proponente até que a destinatária recuse expressamente. 29. Uma proposta enviada por correspondência fixa prazo para resposta. A destinatária remete sua manifestação dentro do prazo, mas acrescenta uma condição que não constava da oferta. Sua resposta: a) é aceitação pura e simples. b) equivale a nova proposta, que poderá ser aceita ou recusada pelo primeiro proponente. c) forma o contrato independentemente da condição acrescentada. d) obriga o primeiro proponente a cumprir somente a parte original. e) extingue a possibilidade de qualquer contratação futura. 30. Em determinado ramo de negócios, não se costuma exigir aceitação expressa. O proponente também esclarece que dispensa uma confirmação formal e estabelece tempo para eventual recusa. A destinatária recebe a proposta e a recusa não chega a tempo.À luz da regra estudada sobre aceitação, é correto afirmar que: a) o silêncio nunca pode ter relevância na formação contratual. b) a proposta deixa de existir no momento em que é recebida. c) o contrato pode ser reputado concluído nas condições previstas em lei. d) o contrato só se forma com a expedição de aceitação expressa pela destinatária. e) a ausência de resposta transforma o ajuste em promessa de recompensa. Teoria Geral dos Contratos Gabarito Questão Resposta Questão Resposta Questão Resposta 1 d 11 a 21 d 2 a 12 e 22 e 3 e 13 c 23 a 4 b 14 b 24 b 5 c 15 d 25 e 6 e 16 c 26 c 7 a 17 e 27 d 8 d 18 d 28 a 9 b 19 a 29 b 10 c 20 b 30 c Teoria Geral dos Contratos Gabarito comentado Fundamentos e princípios 1. Alternativa d. Contrato é negócio jurídico que nasce do acordo de vontades destinado a criar, modificar ou extinguir relações jurídicas patrimoniais. Como a forma é, em regra, livre (art. 107 do CC), nem o nome do documento nem a previsão de prazo são decisivos; lucro e obrigações idênticas também não integram o conceito. 2. Alternativa a. O art. 104, II, do CC exige objeto lícito, possível, determinado ou determinável. Coisa ou resultado futuro pode ser objeto de contrato (vide art. 483 do CC, para a compra e venda), desde que identificável. A licitude continua sendo exigida em qualquer caso. 3. Alternativa e. O art. 425 do CC autoriza expressamente a estipulação de contratos atípicos, observadas as normas gerais do Código. Não há necessidade de autorização judicial, e a boa-fé objetiva (art. 422) incide normalmente sobre esses contratos. 4. Alternativa b. A autonomia privada encontra limite nas normas de ordem pública. É nulo o negócio que tenha por objetivo fraudar lei imperativa (art. 166, VI, do CC), e nenhuma convenção prevalece se contrariar preceitos de ordem pública (art. 2.035, parágrafo único). O consentimento, ainda que unânime e expresso, não convalida a cláusula. 5. Alternativa c. A função social (art. 421 do CC) tem eficácia interna, entre as partes, e externa, perante terceiros. O Enunciado 21 da Jornada de Direito Civil (CJF) afirma que ela impõe revisão da relatividade dos efeitos em relação a terceiros. No caso, o ajuste também pode configurar fraude contra credores (arts. 158 a 165). 6. Alternativa e. Pela força obrigatória (pacta sunt servanda), o contrato válido vincula as partes, e a revisão é excepcional e limitada (art. 421-A, III, do CC). A alteração do preço exige novo acordo ou fundamento legal, como a onerosidade excessiva (arts. 317 e 478). Encontrar opção mais barata ou avisar com antecedência não autoriza a mudança unilateral. 7. Alternativa a. Pela relatividade dos efeitos, o contrato obriga apenas as partes. Na promessa de fato de terceiro, quem prometeu responde por perdas e danos se o terceiro não executar a prestação (art. 439 do CC); o terceiro só se vincula se anuir. Por isso é preciso fundamento jurídico específico para atribuir-lhe obrigação. 8. Alternativa d. A boa-fé objetiva (art. 422 do CC) gera deveres anexos, como informação, cooperação e proteção, que existem independentemente de cláusula expressa. Por ser padrão de conduta, não depende da intenção de prejudicar; o Enunciado 24 do CJF considera a violação desses deveres espécie de inadimplemento, independentemente de culpa. 9. Alternativa b. A boa-fé objetiva também incide após a execução do contrato (pós-eficácia das obrigações ou culpa post pactum finitum). É o que afirmam os Enunciados 25 e 170 do CJF. O término do vínculo não autoriza divulgar ou explorar dados recebidos em razão dele. 10. Alternativa c. A revisão pressupõe fato superveniente, extraordinário e imprevisível que cause onerosidade excessiva (arts. 317 e 478 do CC), e a alocação de riscos feita pelas partes deve ser respeitada (art. 421-A, II). Aumento de custos usual e previsível integra, em regra, o risco normal do negócio. Nas relações de consumo, o art. 6º, V, do CDC dispensa a imprevisibilidade, o que reforça a necessidade de examinar o fundamento invocado. 11. Alternativa a. A revisão preserva o contrato, reequilibrando as prestações (art. 317; art. 479, que permite ao réu evitar a resolução oferecendo modificação equitativa). A resolução extingue o vínculo (art. 478). O Enunciado 176 do CJF orienta que, sempre que possível, se prefira a revisão, em atenção à conservação dos contratos. A resolução por onerosidade excessiva não pressupõe inadimplemento. Teoria Geral dos Contratos Classificação dos contratos e fontes das obrigações 12. Alternativa e. Quanto aos efeitos, o contrato é unilateral ou bilateral conforme o número de partes que assumem obrigações principais, e não conforme o número de vontades, vias ou a forma do instrumento. A doação pura (art. 538 do CC) é o exemplo clássico de contrato unilateral e gratuito. 13. Alternativa c. No contrato bilateral (sinalagmático), as obrigações principais são recíprocas e interdependentes, o que permite, por exemplo, a exceção de contrato não cumprido (art. 476 do CC). A origem da proposta não interfere na classificação. 14. Alternativa b. A promessa de recompensa (art. 854 do CC) é ato unilateral: obriga quem a faz publicamente pela só declaração, sem necessidade de aceitação. O contrato, ao contrário, sempre depende da convergência de vontades. 15. Alternativa d. Quanto à formação, todo contrato é negócio jurídico bilateral ou plurilateral, pois exige ao menos duas vontades. A classificação em unilateral ou bilateral diz respeito aos efeitos, isto é, à distribuição das obrigações principais. Doação e mútuo são contratos unilaterais formados por duas vontades. Interpretação dos contratos 16. Alternativa c. Nas declarações de vontade, atende-se mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem (art. 112 do CC). A interpretação deve lhes atribuir o sentido confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração (art. 113, § 1º, I). Tratativas e prática reiterada revelam a intenção objetivamente manifestada, sem que o intérprete crie frequência nova. 17. Alternativa e. A interpretação declaratória esclarece o sentido de uma declaração existente, mas obscura ou ambígua; a integrativa supre lacunas, isto é, aquilo que as partes não previram. Atenção à nomenclatura: parte da doutrina chama a primeira de interpretação em sentido estrito; confira a terminologia do material da disciplina. 18. Alternativa d. Diante de lacuna, o intérprete integra o contrato com apoio nas normas supletivas, nos usos (art. 113, § 1º, II, do CC), na boa-fé (art. 422) e na razoável negociação das partes, inferida das demais disposições e da racionalidade econômica do negócio (art. 113, § 1º, V). 19. Alternativa a. O comportamento posterior das partes é critério legal de interpretação (art. 113, § 1º, I, do CC). Invocar frase isolada para contrariar prática consolidada viola a confiança legítima (venire contra factum proprium). A intenção interna não comunicada é irrelevante (art. 110, reserva mental). 20. Alternativa b. Pelo princípio da conservação, entre sentidos possíveis prefere-se aquele que permite ao contrato produzir efeitos úteis e válidos. O princípio também inspira os arts. 170 (conversão) e 184 (invalidade parcial) do CC, e o Enunciado 22 do CJF o relaciona à função social do contrato. 21. Alternativa d. Nos contratos de adesão, cláusulas ambíguas ou contraditórias interpretam-se da maneira mais favorável ao aderente (art. 423 do CC; interpretação contra o estipulante). A regra vale fora das relações de consumo: aqui, os aderentes são os fornecedores da organização, e é a eles que a dúvida favorece. 22. Alternativa e. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio (art. 424 do CC). A presunção de paridade dos contratos empresariais (art. 421-A) é relativae cede diante da adesão; posição da cláusula ou assinatura não a validam. 23. Alternativa a. O CDC assegura informação adequada e clara (art. 6º, III). Os contratos não obrigam o consumidor se não lhe for dada oportunidade de conhecer previamente seu conteúdo ou se redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu alcance (art. 46). Nos contratos de adesão, as cláusulas limitativas devem ter destaque (art. 54, § 4º), e a interpretação é a mais favorável ao consumidor (art. 47). 24. Alternativa b. Adesão é modo de formação (cláusulas preestabelecidas por uma das partes; art. 54 do CDC e arts. 423-424 do CC). Relação de consumo depende da presença de consumidor e fornecedor (arts. 2º e 3º do Teoria Geral dos Contratos CDC). Há adesão entre empresas, como na franquia, e há contratos de consumo negociados. Os conceitos podem coincidir, mas não se confundem. Formação dos contratos 25. Alternativa e. Nas tratativas ainda não há proposta vinculante (art. 427 do CC), pois as partes apenas avaliam o negócio. A liberdade de não contratar persiste, mas a boa-fé objetiva deve ser observada já nessa fase (Enunciado 170 do CJF). A desistência, por si só, não gera indenização. 26. Alternativa c. A responsabilidade pré-contratual decorre da ruptura injustificada das negociações depois de criada legítima expectativa de conclusão, com dano e nexo causal (arts. 187, 422 e 927 do CC). Como a liberdade de não contratar persiste, nem toda desistência gera dever de indenizar; a indenização costuma alcançar o interesse negativo, como as despesas feitas. 27. Alternativa d. A proposta obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso (art. 427 do CC). Deve ser séria, completa e precisa, contendo os elementos essenciais, o que a distingue da mera sondagem ou do convite a fazer oferta. 28. Alternativa a. Deixa de ser obrigatória a proposta feita sem prazo a pessoa presente que não foi imediatamente aceita; considera-se também presente quem contrata por telefone ou meio de comunicação semelhante (art. 428, I, do CC). A videochamada é comunicação simultânea, de modo que a concordância posterior funciona como nova proposta. 29. Alternativa b. Pelo art. 431 do CC, a aceitação feita fora do prazo, ou com adições, restrições ou modificações, importa nova proposta. Embora enviada dentro do prazo, a resposta acrescentou condição, e por isso não é aceitação pura e simples; o contrato só se forma se o primeiro proponente aceitar os novos termos. 30. Alternativa c. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputa-se concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa (art. 432 do CC). Em harmonia, o art. 111 admite que o silêncio importe anuência quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem.