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Direito Penal I - Parte Geral - Teoria do Crime

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Direito Penal I – Parte Geral
TEORIA DO CRIME
1. CONCEITO
	
	O crime, segundo a doutrina do Direito Penal, pode ser definido por três aspectos:
	
- Aspecto Material: crime é toda conduta que, propositada ou descuidadamente, lesa ou expõe a perigo bens jurídicos imprescindíveis para a existência, conservação e desenvolvimento da sociedade;
	- Aspecto Formal: crime são as condutas, ações ou omissões proibidas pela lei, sob ameaça de sanção de direitos na forma de pena. É aquilo que a lei penal descreve como sendo crime;
	- Aspecto Analítico: é um fato típico, antijurídico, culpável e punível.
3. TEMPO DO CRIME
Tempo do crime, tempus delicti commissi, é o marco adotado para se estabelecer o momento do cometimento de um crime.
Seu estudo é dividido em três teorias:
- Teoria da Atividade: o tempo do crime é considerado no momento da ação ou omissão praticada;
- Teoria do Resultado: é considerado tempo do crime o momento do resultado efetivado, não o momento da ocorrência do crime;
- Teoria Mista ou Ubiquidade: fusão das teorias anteriores considera tanto o momento da conduta quanto o momento do resultado.
O ordenamento penal brasileiro adotou a teoria da atividade para tempo do crime. Segundo norma do Art. 4º, CP, “considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que seja outro o momento do resultado”.
Ex.: Vítima atingida por disparo de arma de fogo vem a falecer dois dias após o fato, considera-se praticado o crime no momento em que a vítima foi atingida e não no momento em que faleceu.
4. TERRITORIALIDADE
	Segundo norma do Art. 5º, CP, a lei brasileira é aplicada ao crime cometido em território nacional. Em zonas internacionais, se a aeronave ou embarcação for brasileira, será utilizado o ordenamento nacional.
	É a aplicação da lei brasileira a toda infração penal cometida em território nacional (Princípio da Territorialidade).
	- Territorialidade Absoluta: somente a lei brasileira é aplicável aos crimes cometidos no território nacional.
- Territorialidade Temperada: Em regra aplica-se a lei brasileira aos crimes cometidos no território nacional, porém, excepcionalmente, aplica-se a lei estrangeira quando, assim, determinarem os tratados, convenções e regras de direito internacional.
O ordenamento penal brasileiro adota o princípio da territorialidade temperada, pois, apenas quando as normas de direito internacional dispuserem sentido em contrário, a lei penal brasileira será aplicada a nacional, estrangeiro ou apátrida, residente ou em trânsito pelo Brasil.
Ex1.: A bordo de embarcação brasileira de propriedade privada, em alto-mar, um estrangeiro pratica crime contra brasileiro. Aplicar-se-á a lei brasileira.
Ex2.: A bordo de um avião comercial brasileiro, procedente de Buenos Aires, com destino a Florianópolis, mas ainda em espaço aéreo argentino, ocorre um crime, sendo autor e vítima naturais do país vizinho (estrangeiros). Não será aplicada a lei brasileira, visto a aeronave se encontrar em espaço aéreo argentino.
5. EXTRATERRITORIALIDADE 
	O princípio da extraterritorialidade versa sobre a aplicação da lei brasileira para tipos penais cometidos fora do território nacional, desde que se enquadrem nas hipóteses previstas no Art. 7º, CP.
6. LUGAR DO CRIME
	Lugar do crime é aquele onde ocorrera a ação, ou onde seus resultados foram produzidos.
Seu estudo é dividido em três teorias:
- Teoria da Atividade: considera o lugar do crime aquele em que o agente desenvolveu a ação criminosa, ou seja, o local da conduta, sendo irrelevante o local em que o resultado fora produzido;
- Teoria do Resultado: é o lugar onde se produziu o resultado do delito, sendo irrelevante o local da conduta;
- Teoria Mista ou Ubiquidade: fusão das teorias anteriores considera tanto o local da conduta quanto o local do resultado.
O ordenamento penal brasileiro adotou a teoria mista ou da ubiquidade para lugar do crime. Segundo norma do Art. 6º, CP, “considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado”.
DICA – para não se esquecer das teorias do tempo e lugar do crime, lembrar-se de que estudar Direito Penal é uma LUTA.
L – Lugar
U – Ubiquidade
T – Tempo
A – Atividade
7. CONTAGEM DE PRAZO
Os prazos de direito penal começam sua contagem no mesmo dia em que os fatos ocorreram, independentemente de tratarem-se de dia útil ou feriado, encerrando-se também desse modo. Não se considera se são dias úteis ou não.
Segundo norma do Art. 10, CP, “o dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum.”.
Ex.: o agente começou a cumprir pena às 19h37 do dia 5 de agosto de 2003. Sua pena fora sentenciada em 6 anos, 9 meses e 23 dias. Calcular a data do término da pena.
Início da Pena:
	dia
	mês
	ano
	5
	8
	2003
Soma dos 6 anos:
	dia
	mês
	ano
	5
	8
	2009
Soma dos 9 meses:
	dia
	mês
	ano
	5
	5
	2010
Soma dos 23 dias:
	Dia
	mês
	ano
	28
	5
	2010
Subtraindo o último dia, visto a norma incluir o primeiro dia, temos que a pena se encerrará em 27/05/2010.
8. NEXO DE CAUSALIDADE
Entende-se por nexo de causalidade, ou nexo causal, o elo físico (material ou natural) que se estabelece entre a conduta do agente e o resultado produzido, permitindo a formação do fato que será tipificado no tipo penal.
Baseia-se na teoria da equivalência, dos antecedentes ou condições, segundo a qual sem esse elo ou condição, o crime não se consumaria (conditio sine qua non).
8.1. CAUSA
É a ação ou omissão apta a gerar o resultado típico.
8.2. CONCAUSA
É a confluência de causas aptas a gerar o resultado. Verifica-se que, associada a uma causa principal para gerar o resultado, encontra-se outra causa relativamente independente.
8.3. CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES
São as que têm origem totalmente diversa da conduta. A causa provocativa do resultado não se originou na conduta do agente. Em todas as hipóteses rompe-se o nexo causal, já que o resultado decorre dessa causa independente e não da conduta do agente, ou seja, não gera responsabilização para o agente.
8.3.1. CAUSA PRÉ-EXISTENTE
Quando a causa existe anteriormente à conduta.
Ex.: “B” fora envenenado por “C” há três dias. Há dois dias, “A” esfaqueou “B” numa briga. “B” veio a óbito ontem, decorrente de envenenamento.
“A” responderá por tentativa de homicídio e “C”, por homicídio consumado.
8.3.2. CAUSA CONCOMITANTE
Quando a causa ocorre ao mesmo tempo em que a conduta do agente.
Ex.: “A” encontra-se envenenando “B”. O local é invadido por bandidos atirando, que acabam por atingir “B”. “B” falece do tiro recebido.
“A” responderá por tentativa de homicídio.
8.3.3. CAUSA SUPERVENIENTE
Quando a causa é posterior à conduta do agente.
Ex.: “B”, após ser envenenado por “A”, cai da escada e falece vítima de traumatismo craniano.
“A” responderá por tentativa de homicídio.
8.4. CAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES
Origina-se da conduta e comporta-se como se por si só tivesse produzido o resultado, não sendo uma decorrência normal e esperada. Tem relação com a conduta apenas porque dela se originou, mas é independente, uma vez que atua como se por si só tivesse produzido o resultado. E uma soma de esforços para produzir o resultado.
8.4.1. CAUSA PRÉ-EXISTENTE
Quando anteriores à conduta. O agente responde pelo crime, pois não se rompe o nexo causal.
Ex.: “B” é hemofílico. “A” atinge “B” com uma facada no ombro (ferimento não letal). “B” sangra até morrer.
A associação das causas, facada + hemofilia, levam ao resultado, logo “A” responderá pelo crime consumado.
8.4.2. CAUSA CONCOMITANTE
Quando se verifica ao mesmo tempo em que a conduta do agente. O agente responde pelo crime, pois não se rompe o nexo causal.
Ex.: “B” leva uma facada de “A”. “B”, assustado com a ação sofre um infarto fulminante e vem a falecer.
“A” responderá pelo crime consumado pois o “susto” está

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