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Subestações A.T., Cálculos e Equipamentos Você vai aprender sobre os tipos de subestações, cálculos para definir o tipo de entrada de energia e os principais transformadores usados em medições elétricas, com foco na correta especificação e instalação dos sistemas. Prof. Leonardo Rocha Domingues da Silva 1. Itens iniciais Propósito O conhecimento sobre subestações, tipos de entrada de energia e transformadores é fundamental para profissionais da área elétrica atuarem com segurança e precisão na especificação, instalação e manutenção de sistemas elétricos, garantindo eficiência e conformidade com as normas técnicas. Objetivos Identificar os tipos de subestações existentes e relacionar a documentação necessária para a solicitação de ligação de uma nova subestação. Calcular a demanda de energia para determinar o tipo adequado de entrada junto à concessionária, considerando os limites de fornecimento em baixa e média tensão. Analisar os aspectos construtivos dos transformadores de potência e de instrumentos para especificar corretamente os equipamentos de medição utilizados em sistemas elétricos. Introdução Neste conteúdo, será explorado o funcionamento e a classificação das subestações elétricas, com foco especial nas subestações de distribuição com tensões inferiores a 69 kV, as mais comuns no sistema elétrico brasileiro. Compreender os diferentes tipos de subestações é essencial para profissionais que atuam com projetos e instalações elétricas, pois permite identificar a solução mais adequada para cada aplicação, garantindo segurança, eficiência e conformidade com as normas técnicas. Além disso, será apresentada a metodologia para realização dos cálculos necessários à definição do tipo de entrada de energia elétrica junto à concessionária local. Esses cálculos são fundamentais nos casos em que a potência demandada supera 76 kVA, exigindo, portanto, o fornecimento em média tensão. Quando a potência é inferior a esse valor, o fornecimento ocorre em baixa tensão. Dominar essa etapa do processo é indispensável para garantir o dimensionamento correto da instalação, evitar sobrecargas e assegurar o atendimento às exigências da concessionária. Por fim, o conteúdo abordará os transformadores de potência e os transformadores para instrumentos, como os de potencial e de corrente. Serão discutidas suas principais características construtivas e funções dentro do sistema elétrico. Esses equipamentos são amplamente utilizados em medições e proteções, e conhecer suas especificações é vital para a correta seleção de instrumentos e para a segurança da operação. Este material proporcionará uma base sólida sobre subestações, entradas de energia e transformadores, preparando o estudante para atuar com mais competência em projetos e instalações elétricas de média tensão. • • • 1. Subestações A. T. de Consumidor Palavras iniciais A subestação compreende o local onde serão instalados os equipamentos para redução ou aumento do nível de tensão e os equipamentos de medição e controle da energia, podendo ser abrigada, quando é empregada em obras civis para construção de local fechado em alvenaria ou desabrigada, ao tempo, podendo ser simplificada para consumidores da distribuição ou para grandes subestações da transmissão e subtransmissão. Subestação da Light da Zona Industrial de Santa Cruz. Subestação com tensão igual ou superior a 69kV Subestações de grande porte, normalmente utilizadas na transmissão de energia ou para subtransmissão, reduzindo a tensão para níveis de distribuição de energia. Possuem arranjos de barramentos diversos, normalmente um disjuntor na entrada, onde é ligado o circuito que chega à subestação. No disjuntor, são interligados os relés que atuam na proteção dos circuitos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Diagrama unifilar de subestação 69KV. LT – Linha de Transmissão; EL – Vão de entrada de linha; SL – Vão de saída de linha; B1 – Barramento média tensão; B2 – Barramento alta tensão; TR – Vão de transformador; BC – Vão de regulação; AL – Vão de alimentação; D – Disjuntor; Rd – Relé diferencial. Analisando o diagrama, verificamos dois circuitos de alimentação em paralelo, que, por uma questão de confiabilidade, correspondem a um reserva, que somente é utilizado em caso de falta do primeiro. Os transformadores para esta classe de tensão possuem comutadores automáticos para chaveamento do tap do secundário, que serve para alterar a relação de transformação para que, se a tensão de entrada for inferior a nominal, a saída possa ter tensão nominal. Em alguns casos, é comum a instalação de transformadores reservas, que são interligados ao sistema em caso de defeito, com potência suficiente para atender toda a carga. No caso de subestações com maior potência, ela é dividida por alguns transformadores, tendo, neste caso, somente um reserva. Também são instalados os TC e TP para a medição e proteção do sistema, acoplados aos diversos relés das subestações. Assista ao vídeo e conheça as subestações com tensão superior a 69KV. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Subestações com tensão inferior a 69kV São instalações com tensão primária a partir de 3kV, que recebem o ramal alimentador da concessionária local e, normalmente, salvo em projetos especiais, em acordo com a distribuidora, devem ficar no limite do logradouro público e ter acesso livre às equipes da concessionária local. As instalações para estas subestações devem seguir as premissas da NBR14039 (Instalações Elétricas de Média tensão – 1kV a 36kV). Para estas classes de tensão, as subestações podem ser simplificadas ou abrigadas (convencionais). Subestações simplificada Modalidade mais simples para consumidores, em que a potência demandada não ultrapassa os 300KVA, e a proteção geral é feita por fusíveis na alta tensão. Nesse tipo de subestação, o transformador é instalado diretamente no poste, com disjuntor somente no lado de baixa tensão, acondicionada em padrão conforme a concessionária local. Junto ao padrão, é instalado o aterramento, que também segue normas específicas de cada concessionária, como a quantidade e espaçamento das hastes e a bitola do cabo do aterramento. A medição é realizada no lado de A. T., em medidor inacessível ao consumidor, sendo instalado do lado B. T. apenas um mostrador com os principais parâmetros de medição. Veja, a seguir, um esquema da subestação simplificada padrão concessionária LIGHT S.E.S.A., no Rio de Janeiro. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Para-raios de linha. Padrão de montagem MT de subestação simplificada LIGHT. Subestação simplificada abrigada Outros projetos de subestação simplificada podem ser montados após apresentação junto à concessionária e obtenção da aprovação. Um desses projetos alternativos pode ser a instalação de subestação em um pavimento subsolo ou em um pavimento acima do térreo, mantendo-se a proteção do lado de A. T. através de chave fusível, em que os equipamentos são instalados dentro da edificação, protegidos do tempo, em local de alvenaria ou com outro material incombustível. Assista ao vídeo e conheça as subestações com tensão inferior a 69 KV simplificada. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Mesmo nesses casos, a proteção geral no lado de A. T. ainda é feita por chave fusível, sendo necessário instalar para-raios de linha e seccionadora sobre o transformador. Nestes casos, as premissas de segurança devem ser observadas conforme a NR-10 do MTE, (Segurança em Instalações com Eletricidade), como: Aterramento de partes metálicas Observância de espaços suficientes para a circulação dos profissionais autorizados Acesso ao local em tamanho suficiente para a retirada e instalação de novos equipamentos Deve haver barreiras físicas compostas por grades, que podem ser removidas em casos de manutenção, impedindo o acesso ao transformadore às partes com alta tensão (13,8KV), cuja distância da grade até a parte viva seja suficiente para que não ocorra centelhamentos perigosos. Essa distância também deve ser ponderada no momento da especificação da grade para não permitir que segmentos corporais possam atravessa-la e estar a uma distância perigosa da parte viva. • • • Subestação simplificada abrigada. Subestação simplificada blindada Também se trata de projeto especial da concessionária, que deve ser autorizado antes da montagem. Sua característica principal é a construção de um cubículo de chapa metálica fechado por todos os lados, onde o ramal de entrada é obrigatoriamente subterrâneo. O cubículo tem dimensões especificadas pela concessionária, com compartimentos internos para abrigar a chegada dos cabos com a mufla na ponta, a proteção geral através de fusíveis, o para-raios, o transformador e o disjuntor geral de B. T. A espessura da chapa é definida pela concessionária em função do esforço que deve ser suportado na condição de funcionamento normal e na ocorrência de um curto circuito. A chapa deve ser revestida por pintura em cor também definida pela concessionária. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Subestação simplificada blindada padrão Eletropaulo. Subestação abrigada convencional Da mesma forma que a simplificada, este tipo de subestação deve ser construído no limite com a via pública ou recuado em local mais próximo possível, dentro das instalações do consumidor. O ramal de entrada pode ser aéreo ou subterrâneo quando a subestação é construída no limite com o logradouro público ou somente subterrâneo quando é recuada. A seguir, conheça outras características desse tipo de subestação. Características da subestação abrigada convencional Sua construção é feita de alvenaria e laje, por ter custo final inferior a outros materiais e oferecer a resistência mecânica necessária, além de ser incombustível. No entanto, outros materiais que atendam a esses requisitos podem ser utilizados. O projeto padrão da concessionária prevê a construção da subestação no pavimento térreo, podendo, mediante justificativa, a construção no primeiro pavimento acima ou abaixo do térreo. Os transformadores da subestação devem ser separados por barreiras físicas, assim como a entrada de cabos com o disjuntor de média tensão. Deve haver chave seccionadora a montante do disjuntor de média tensão e a montante de cada transformador, cuja abertura somente pode ser realizada sem carga como forma de confirmação visual da interrupção do circuito. A medição da subestação é normalmente realizada no lado de A. T., na derivação do ramal de entrada da concessionária, sendo instalado no cubículo de medição somente um mostrador que informa as grandezas elétricas mais importantes (consumo, demanda, potência reativa). A medição pode ser feita também no interior da subestação, através da instalação de TP e TC no cubículo de medição. Em ambos os casos de medição, os equipamentos são fornecidos pela concessionária de energia. Da mesma forma que a subestação simplificada abrigada, devem ser instaladas barreiras físicas compostas por grades e telas metálicas, vazadas, aterradas para resguardar as pessoas que entram na subestação contra contato acidental com a parte viva e manter distância segura para evitar uma proximidade que cause um centelhamento perigoso. Essas recomendações encontram-se na NR -10 do MTE. As dimensões da subestação devem obedecer ao projeto da concessionária, mas, como regra, devem permitir a livre circulação das pessoas autorizadas do consumidor ou da concessionária e a retirada ou instalação de equipamentos, inclusive os transformadores, que são de maior porte. Subestação abrigada blindada São projetadas em cubículo fechado, em chapa, para atender a situações específicas, cujos projetos devem ser aprovados pela concessionária previamente à montagem. O ramal de entrada é obrigatoriamente subterrâneo, possuindo os mesmos equipamentos de uma subestação abrigada convencional, mas de forma mais compacta. Subestação blindada. Assista ao vídeo e conheça as subestações com tensão inferior a 69 KV convencional. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Procedimentos para ligação de subestações Os procedimentos para ligação de subestação em média tensão são definidos pela ANEEL e repassados às concessionárias de energia. Como base, abordaremos os procedimentos para aprovação de ligação nova estabelecidos pela LIGHT S.E.S.A no Rio de Janeiro. Para outras concessionárias, deve ser realizada consulta aos procedimentos necessários, que apresentam poucas variações. As tensões de fornecimento de distribuição da LIGHT são: 13,8; 25; 34,5 e 138kV, cujos padrões foram estabelecidos com base na resolução 414/10 da ANEEL. Vejamos os procedimentos que devem ser realizados: Apresentação de projeto e documentação Quando a entrada do pedido de ligação nova é apresentada, o projeto e as documentações são realizados pela concessionária. Um estudo do projeto para determinar se a rede de distribuição comporta o acréscimo da demanda é solicitado. Na entrada da documentação pelo consumidor, é iniciada a contagem do prazo estabelecido para a nova ligação. Aumento de carga e extensão de rede Quando a rede da concessionária não possui os requisitos técnicos necessários para atendimento da nova carga, é necessário um aumento de carga da rede de distribuição e o prazo de atendimento poderá ser estendido. Se o local não possuir rede de distribuição em M. T. para atendimento da ligação nova, a concessionária realiza projeto de extensão de rede para viabilizar o atendimento cujos custos podem ser repartidos entre a concessionária e o cliente. Construção da subestação Após a aprovação do projeto e a autorização da montagem, o cliente deve construir a subestação conforme os requisitos do projeto da concessionária, seguindo as normas técnicas pertinentes. A concessionária se reserva ao direito de não ligar o ramal de entrada se o projeto da subestação tiver quaisquer alterações não acordadas previamente. O cliente é responsável pelos equipamentos fornecidos pela concessionária para medição. Além disso, é responsável pela conservação do local da medição, quando esta é feita dentro das instalações do consumidor. Em casos especiais, é solicitado ao consumidor que ceda espaço para construção de local para abrigar equipamentos de medição, proteção e derivação ou outros. Atenção Obrigatoriamente, os serviços em subestações devem ser realizados por profissional qualificado, com habilitação comprovada por seu conselho de classe, juntamente com a emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) devidamente quitada e procuração emitida pelo proprietário de local de instalação, habilitando o profissional a cuidar da ligação nova junto à concessionária. Documentação necessária Veja a seguir a relação de documentação que deve ser apresentada, lembrando que esta é a documentação requisitada pela LIGHT S.E.S.A no Rio de Janeiro. Para outras concessionárias, deve ser feita uma consulta prévia da documentação. Pessoa Jurídica Cópia do cartão do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ; Cópia da Inscrição Estadual ou Municipal, se houver; Cópias da Carteira de Identidade e do Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos representantes legais; Procuração com reconhecimento de firma se for o caso; Certidão de ônus reais; Contrato de comodato; Contrato de locação ou escritura do imóvel; Cópia do documento de constituição da pessoa jurídica; Formulário de Elaboração de Contrato CUSD e CCER – Clientes Públicos; Formulário de Elaboração de Contrato CUSD e CCER – Clientes Privados. • • • • • • • • • • Pessoa Física Cópias da Carteira de Identidade e do Cadastro de Pessoa Física (CPF); Certidão de Ônus Reais; Contrato de Comodato; Contrato de Locação ou Escritura do Imóvel. Formulário de Elaboração de Contrato CUSD e CCER. • • • • •Subestação simplificada Formulário CTS - preenchido e assinado pelo responsável técnico (5 vias); Quadro descritivo de cargas (2 vias); Planta de situação/localização (4 vias) cotada; Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente quitada (1 via); Procuração, em papel timbrado e com reconhecimento de firma (1 via); Carta de Solicitação do Serviço (2 vias); Diagrama Unifilar geral (4 vias); Diagrama esquemático do intertravamento elétrico Light e geração própria, se for o caso (2 vias); Carta de não paralelismo com a rede da LIGHT, se for o caso (2 Vias); Esquemático de ligação do dispositivo diferencial e catálogo do fabricante, se for o caso (2 vias); Cópia da licença de obras no caso de ligação provisória (2 vias). • • • • • • • • • • • Subestação convencional Formulário CTC - Preenchido e assinado pelo responsável técnico (5 vias); Quadro descritivo de cargas (2 vias); Planta de Situação/Localização (4 vias) cotada; Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) devidamente quitada (1 via); Procuração em papel timbrado e com reconhecimento de firma (1 via); Carta de Solicitação do Serviço (2 vias); Diagrama unifilar da subestação com todos os equipamentos da subestação (4 vias); Diagrama esquemático de controle da proteção de entrada (2 vias); Diagrama esquemático do intertravamento elétrico Light e geração própria (2 vias); Descritivo operacional do sistema de transferência automático (2 vias); Planta baixa da subestação com corte transversal e longitudinal (4 vias); Relação de materiais da subestação (2 vias); Declaração de conformidade da subestação blindada (2 vias); Carta de não paralelismo entre a geração própria e a rede da LIGHT (2 vias); Cópia da licença de obras no caso de ligação provisória (2 vias). • • • • • • • • • • • • • • • Verificando o aprendizado Questão 1 Complete as lacunas das sentenças sobre as subestações com tensão maior que 69kV. Os transformadores para esta classe de tensão, possuem _______________ automáticos para chaveamento do tap do secundário, que serve para alterar a relação de_______________ . Em alguns casos, é comum a instalação de transformadores ____________, que são interligados ao sistema em caso de defeito de outro, com __________ suficiente para atender toda a carga. A alternativa que completa corretamente as lacunas é: A Comutadores, transformação, reserva, potência. B Seccionadoras, corrente, secos, tamanho. C Disjuntores, potência, à óleo, enrolamento. D Projetos, energia, secos, tamanho. E Chaves, energia, à óleo, tamanho. A alternativa A está correta. Os transformadores para esta classe de tensão, possuem comutadores automáticos para chaveamento do tap do secundário, que serve para alterar a relação de transformação. Em alguns casos, é comum a instalação de transformadores reserva, que são interligados ao sistema em caso de defeito de outro, com potência suficiente para atender toda a carga. Questão 2 Assinale a alternativa que completa a frase corretamente. As subestações simplificadas somente podem ser até a potência de: A 200kVA. B 250kVA. C 300kVA. D 150kVA. E 100kVA. A alternativa C está correta. Da mesma forma que a simplificada, esta deve ser construída no limite com a via pública ou recuada em local mais próximo possível dentro das instalações do consumidor. O ramal de entrada pode ser aéreo ou subterrâneo quando a subestação é construída no limite com o logradouro público ou somente subterrâneo quando é recuada. Sua construção é feita de alvenaria e laje, por ter custo final inferior a outros materiais e oferecer a resistência mecânica necessária, além de ser incombustível. No entanto, outros materiais que atendam a esses requisitos podem ser utilizados. O projeto padrão da concessionária prevê a construção da subestação no pavimento térreo, podendo, mediante justificativa, a construção no primeiro pavimento acima ou abaixo do térreo. Questão 3 Sobre as subestações abrigadas, analise as sentenças a seguir: I. Deve ser construída no limite com a via pública ou recuada em local mais próximo possível dentro das instalações do consumidor. II. O ramal de entrada pode ser aéreo ou subterrâneo quando a subestação é recuada. III. Os projetos da concessionária para subestação convencional preveem a construção da subestação no pavimento térreo, no primeiro pavimento ou no subsolo. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa com a sequência correta: A V, V, V. B V, F, V. C F, V, V. D V, V, F. E V, F, F. A alternativa E está correta. O ramal de entrada pode ser aéreo ou subterrâneo quando a subestação é construída no limite com o logradouro público ou somente subterrâneo quando é recuada. O projeto padrão da concessionária prevê a construção da subestação no pavimento térreo, podendo, mediante justificativa, ocorrer a construção no primeiro pavimento acima ou abaixo do térreo. 2. Cálculos em subestações Dimensionamento de uma subestação Antes da montagem e funcionamento de uma subestação, há uma etapa importante que é o projeto. Para dimensionamento de uma subestação, é preciso elaborar um termo de abertura do projeto com a participação do dono do projeto, ou de seu representante, para delimitar todas as características e, no caso da subestação, a potência dos equipamentos que serão instalados e seu fator de utilização simultâneo ou fator de demanda. Dessa forma, calcularemos uma potência efetivamente demandada, que servirá de subsídio para determinação da potência do transformador da subestação. Fornecimento da energia elétrica Para iniciar um projeto, primeiramente determinamos o número de unidades consumidoras que estarão ligadas naquele local, identificando se a entrada é individual ou coletiva. No caso da subestação para clientes residenciais, a entrada normalmente é coletiva, exceto para clientes residenciais com grande área construída. Para clientes industriais, comerciais e mistos, a entrada é individual. Para fornecimento da energia com medição direta, a potência demandada deve ser até 76kVA. Após esse valor, a medição é indireta, de baixa ou média tensão. É praxe num projeto dividirmos as cargas por tipos para facilitar seu levantamento total. A metodologia apresentada a seguir é baseada na técnica constante na NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão), na NBR 14039 (Instalações Elétricas e Média Tensão) e na regulamentação para fornecimento de energia da concessionária Light S. E. S. A. cuja área de abrangência é parte do estado do Rio de Janeiro. Em áreas de outras concessionárias, deve ser feito um estudo de cada regulamentação local. Determinação da carga instalada A carga instalada é a soma da potência elétrica de cada equipamento e dispositivo da instalação, incluindo iluminação, tomadas e cargas de uso específico, que podem ser obtidos pela consulta à placa do equipamento ou ao manual do fabricante. Os equipamentos titulados como reserva não devem ter sua potência computada com as demais potências instaladas. As potências são agrupadas e somadas conforme as categorias abaixo: CP1 Iluminação e tomadas de uso comum CP2 Aparelhos resistivos de aquecimento CP3 Aparelhos condicionadores de ar CP4 Centrais de condicionamento de ar CP5 Cargas indutivas de motores elétricos (bombas, aparelhos de solda etc.) CP6 Aparelhos especiais odonto-médicos (raio-x, tomógrafos etc.) CP7 Outros equipamentos não citados A carga total, então, é a soma de todas as cargas parciais: Assista ao vídeo e conheça determinação da potência instalada. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Assista ao vídeo e conheça as subestações com tensão inferior a 69 KV convencional. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Saiba mais Para ajudar na determinação das potências, a concessionária LIGHT fornece tabela com valores médios. Veja um exemplo para levantamento da potência instalada de uma unidade consumidoracom as seguintes cargas. Iluminação e Tomadas (CP1) Carga (VA) Quant. Total (VA) Lâmpada LED 10W 10 10 100 Lâmpada fluorescente 1x20W 20 5 100 Tomadas uso geral (TUG) 100 18 1800 Ventilador teto 3 80 240 Ferro de passar 1000 1 1000 TOTAL 3240 Aparelhos de aquecimento (CP2) Carga (VA) Quant. Total (VA) Chuveiro 4400 2 8800 Torneira 3250 1 3250 TOTAL 12050 Ar condicionado (CP3) Carga (VA) Quant. Total (VA) Ar 10000 BTU de janela 900 2 1800 Ar 12000 BTU de janela 1200 2 2400 TOTAL 4200 Centrais de Ar condicionado (CP4) Carga (VA) Quant. Total (VA) Ar-condicionado central 21000 0 0 Cargas Indutivas Carga (VA) Quant. Total (VA) Elevador 12,5 CV 2 28,18 Bomba água recalque 2 CV 1 2,7 Bomba água recalque - reserva 2 CV 1 - TOTAL 30,88 Aparelhos especiais odonto-médicos Carga (VA) Quant. Total (VA) Equipamento de raio-x 30000 2 60000 Aparelho de ressonância magnética 100000 1 100000 TOTAL 160000 Outros aparelhos não citados Não há. Carga total instalada Em kVA: Em kW, considerando o fator de potência como 0,92: Assista ao vídeo e conheça as subestações com tensão superior a 69 KV. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Determinação da demanda A demanda pode ser determinada pela soma da carga total instalada no consumidor e os acréscimos futuros, porventura previstos. O cálculo da potência demandada é feito com a estimativa de quanto da potência instalada será utilizada ao mesmo tempo. A análise verificara o funcionamento das cargas como um todo, através de estudos médios de utilização simultânea para clientes residenciais ou comerciais, em que a potência demandada normalmente é inferior à potência instalada porque as cargas não são todas utilizadas ao mesmo tempo. Nessa etapa, é fundamental fazer reuniões com o dono do projeto para alinhar quais cargas possuem funcionamento simultâneo e seus regimes de funcionamento para evitar que se determine uma demanda superior à necessária, o que geraria gastos desnecessários. Assim, será disponibilizado um estudo mais assertivo para a concessionária, sem a necessidade de aumento de carga na rede de distribuição. A metodologia apresentada a seguir é baseada na Regulamentação para fornecimento de energia da concessionária LIGHT S. E. S. A., cuja área de abrangência é parte do estado do Rio de Janeiro. Cumpre lembrar que esta metodologia é baseada em uma estimativa mais provável da utilização das diversas cargas de uma instalação. O projetista deve avaliar as tabelas a seguir para determinar se, na sua instalação, o percentual de demanda nas tabelas será compatível à utilização das cargas a fim de evitar erros. Nesses casos, em que existem percentuais diferentes de demanda, o projetista deve fazer a indicação nos cálculos enviados para a concessionária para avaliação. Um exemplo de percentuais diferentes de demanda é a iluminação de instituições de ensino, como na UNESA, que, nos períodos de maior público e no horário noturno, apresenta uma demanda próxima aos 100%. A Demanda Total (DT) é calculada pela soma das Demandas Parciais (DP) conforme as categorias já divididas anteriormente. Para a demanda DP1, temos a seguinte tabela para determinação da simultaneidade do uso: Descrição Carga mínima (kVA/ m²) Fator de demanda Auditório, salões para exposições, salas de vídeo e semelhantes 0,015 80 Bancos, postos de serviços públicos e semelhantes 0,050 80 Barbearias, salões de beleza e semelhantes 0,020 80 Clubes e semelhantes 0,020 80 Escolas e semelhantes 0,030 80 para os primeiros 12 kVA 50 para o que exceder de 12 kVA Bancos, postos de serviços públicos e semelhantes 0,050 80 Escritórios 0,050 80 para os primeiros 20 kVA 60 para o que exceder de 20 kVA Garagens, áreas de serviço e semelhantes 0,005 Residencial 80 para os primeiros 10 kVA 25 para o que exceder de 10 kVA Descrição Carga mínima (kVA/ m²) Fator de demanda Não residencial 80 para os primeiros 30 kVA 60 para o que exceder de 30 até 100 kVA 40 para o que exceder de 100 kVA Hospitais, centros de saúde e semelhantes 0,020 40 para os primeiros 50 kVA 20 para o que exceder de 50 kVA Hotéis, motéis e semelhantes 0,020 50 para os primeiros 20 kVA 40 para os seguintes 80 kVA 30 para o que exceder de 100 kVA Bancos, postos de serviços públicos e semelhantes 0,050 80 Igrejas, salões religiosos e semelhantes 0,015 80 Bancos, postos de serviços públicos e semelhantes 0,050 80 Lojas e semelhantes 0,020 80 Unidades consumidoras residenciais (casas, apartamentos etc.) 0,030 0Calcule a demanda para cinco motores trifásicos de 4CV cada, dois motores trifásicos de 2CV cada, 1 motor trifásico de 7 ½CV, um motor trifásico de 10CV, totalizando nove motores. Solução: Convertendo a potência dos motores em kVA, teremos: 4 CV= 5,03 kVA; 2 CV= 2,70 kVA; 7 ½ CV= 8,65 kVA; 10 CV= 11,54 kVA. A demanda será: 01 D 43 7 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 45 8 01 D 449 01 D 43 4> = [(5 5,03) + (2 2,70) + (1 8,65) + (1 11,54)] 0,4333 = 21,986 Calcule a demanda para um motor de 60CV e um motor de 5CV. Solução: Convertendo a potência dos motores em kVA, teremos: 5 CV= 6,02kVA; 60 CV= 58,15kVA. 01 D 43 7 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 46 5 01 D 45 8 01 D 449 01 D 43 4=[(1 58,15)+(1 6,02)] 0,75=48,12 Nesses casos, devemos observar a condição, pois, como a demanda calculada é menor que a demanda do maior motor, consideramos a demanda do maior motor. 01 D 43 7 01 D 45 2 01 D 45 A 01 D 44E 01 D 45 B 01 D 45 1 01 D 44E 01 D 444 01 D 45 A 01 D 44E 01 D 45 6 01 D 45 C 01 D 45 F 01 D 45 A 01 D 45 C 01 D 46 1 01 D 45 C 01 D 45 F ≥ ( ) 01 D 45 0 01 D 45 C 01 D 45 B 01 D 45 1 01 D 45 6 01 D 45 C 01 D 45 3 01 D 44E 01 D 45 9 01 D 46 0 01 D 44E48,12 ≥58,12→ çã Então, consideraremos como demanda 58,12 kVA. Para a demanda DP6, segue tabela para máquinas de solda e aparelhos odonto-médicos. • • • • • • Equipamento Quantidade de Equipamentos Fator de Demanda (%) Máquina de Solda 1 100 2 a 3 70 4 a 7 60 Mais de 7 50 Aparelho de Raio-X Tomógrafo Mamógrafo Ressonância magnética Outros similares 1 100 2 a 5 60 6 a 10 50 Mais de 10 40 Tabela DP6: Percentual de demanda para aparelhos odonto-médicos e máquinas de solda. Light. Atenção Semelhante à demanda de motores, a demanda calculada não pode ser menor que a individual da maior máquina. Se isto ocorrer, deve ser considerado a da maior máquina ao invés da calculada. Para a demanda DP7, deve se considerar cada aparelho não citado e avaliado individualmente, com atenção à demanda. Os equipamentos classificados como reserva não entram nos cálculos da potência instalada e demandada para quaisquer demandas parciais. Avaliação da demanda total Para uma única unidade consumidora residencial, industrial ou comercial, como já vimos, a demanda total será a soma das demandas dos diversos equipamentos. Quando há unidades após o disjuntor geral, agrupamentos distintos de medidores, alimentadores distintos para grupos de cargas, blocos de apartamentos residenciais e/ou salas comerciais distintas, circuitos de serviço em condomínios etc. devem ser realizados os cálculos vistos anteriormente para determinar a demanda de cada agrupamento ou ramal alimentador considerando sua natureza (residencial ou comercial) separadamente. A demanda total pode ser para um único agrupamento de medidores ou mais: Demanda total para um único agrupamento de medidores No caso da demanda do agrupamento de medidores (Dagr) e da demanda circuito de serviço do condomínio (Ds), deve-se utilizar a seguinte expressão para a demanda total (Dt). 01 D 43 7 01 D 46 1 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 43 7 01 D 46 0 01 D 46 5=( + ) 0.9 Semelhante às demandas anteriores, a demanda totat (Dt) calculada não pode ser menor que a demanda individual do agrupamento ou serviço. Se isto ocorrer, deve ser considerada a demanda ao invés da demanda calculada. Demanda total com mais de um agrupamento de medidores Se o local possuir consumidores residenciais e comerciais (mista), a demanda da proteção geral (Dpg) será: 01 D 43 7 01 D 45 D 01 D 45 4 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 45 B 01 D 45 F 01 D 46 5=( + 0.9 Dagr - Demanda de cada agrupamento de medidores residenciais; Dagrnr - Demanda de cada agrupamento de medidores não residenciais. Se a diferença de demanda total das cargas for expressiva, como no caso de lojas e escritórios, devemos considerar as cargas individualmente. 01 D 43 7 01 D 45 D 01 D 45 4 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 45 B 01 D 45 F 01 D 45 9 01 D 45 C 01 D 45 7 01 D 44E 01 D 46 0 01 D 43 7 01 D 44E 01 D 45 4 01 D 45 F 01 D 45 2 01 D 46 0 01 D 45 0 01 D 45 F 01 D 45 6 01 D 46 1 01 D 45 F 01 D 45 6 01 D 45 C 01 D 46 0 01 D 46 5=( + + ó ) 0.9 A demanda total será calculada pela soma das demandas da proteção geral (DPG), do serviço residencial (Dsr) e não residencial (Dsnr) para o caso de condomínios quando for o caso, multiplicando o total por 0,90. 01 D 43 7 01 D 45 D 01 D 45 4 01 D 43 7 01 D 45 D 01 D 45 4 01 D 43 7 01 D 46 0 01 D 45 F 01 D 43 7 01 D 46 0 01 D 45 B 01 D 45 F 01 D 46 5=( + + ) 0.9 Verificando o aprendizado Sobre o fornecimento de energia elétrica, analise as sentenças abaixo: Para fornecimento da energia com medição direta, a potência demandada deve ser até 100kVA. Após esse valor, a medição é indireta, baixa ou média tensão. A carga instalada é a soma da potência elétrica de cada equipamento e dispositivo da instalação, incluindo iluminação, tomadas e cargas de uso específico, que pode ser obtido pela consulta à placa do equipamento ou ao manual do fabricante. Os equipamentos titulados como reserva devem ter sua potência computada com as demais potências instaladas. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa com a sequência correta: A V, V, V. B V, F, V. C F, V, V. D V, V, F. E F, V, F. A alternativa E está correta. Para fornecimento da energia com medição direta, a potência demandada deve ser até 76 kVA. Após esse valor, a medição é indireta, baixa ou média tensão. Os equipamentos titulados como reserva não devem ter sua potência computada com as demais potências instaladas. Questão 2 Complete as lacunas das sentenças a seguir: É praxe num projeto dividirmos as cargas por ________ para facilitar seu levantamento total. A carga instalada é a soma da potência elétrica de cada equipamento e dispositivo da instalação, incluindo _____________, _____________ e cargas de uso específico, que pode ser obtida pela consulta à placa do equipamento ou manual do fabricante. Os equipamentos titulados como ____________ não devem ter sua potência computada com as demais potências instaladas. A Tipos, iluminação, tomadas, reserva. B Potência, motores, exaustores, emergência. C Custo, capacitores, indutores, redundantes. D Classe, indutores, capacitores, principal. E Ordem, transformadores, motores, principal. A alternativa A está correta. É praxe num projeto dividirmos as cargas por tipos para facilitar seu levantamento total. A carga instalada é a soma da potência elétrica de cada equipamento e dispositivo da instalação, incluindo iluminação, tomadas e cargas de uso específico, que pode ser obtida pela consulta à placa do equipamento ou manual do fabricante. Os equipamentos titulados como reserva não devem ter sua potência computada com as demais potências instaladas. Questão 3 Sobre o cálculo de demanda, analise as sentenças abaixo: O cálculo das demandas é realizado com a multiplicação do valor da potência total instalada pelo fator de demanda obtido nas tabelas. Em situações em que a diferença de potência dos motores é bem elevada, o projetista deve ter atenção à demanda para evitar erro na demanda final. Nestes casos, o projetista deve considerar a maior demanda entre a calculada e a do maior motor. Nos cálculos de demanda total, em que há mais de um agrupamento de medidores seja residencial ou comercial, devemos somar todas as potências demandadas de cada agrupamento e multiplicar o total por 0,80. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa com a sequência correta: A V, V, V. B V, F, V. C F, V, V. D V, V, F. E F, V, F. A alternativa D está correta. Nos cálculos de demanda total, em que há mais de um agrupamento de medidores, residencial ou comercial,devemos somar todas as potências demandadas de cada agrupamento e multiplicar o total por 0,90. 3. Equipamentos elétricos de potência Introdução Os equipamentos envolvidos na subestação trabalham juntos para fornecer energia elétrica de qualidade na operação normal e na ocorrência de um evento indesejado. Dos equipamentos que compõem a subestação, o principal é o transformador, cuja função é adequar níveis de tensão para valores desejados. Transformadores de potência São baseados nas relações matemáticas da Faraday e Lenz, constituídos por um núcleo e bobinas (primária – entrada da tensão; secundária – saída da tensão). Nos transformadores convencionais, não há ligação física entre o primário e o secundário, a ligação é magnética. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Esquema do Transformador. Aspectos construtivos Normalmente são trifásicos ou compostos por um banco de três transformadores monofásicos. Veremos quais são elas a seguir. Buchas Comutador Comutadores sem carga Comutador sob carga Refrigeração Tanque Termômetros Tanque de expansão de óleo Núcleo Enrolamentos Relé Buchholz (relé de gás) Buchas São fabricadas em porcelana com o elemento condutor instalado em seu interior. Sua função é isolar a parte condutora da carcaça do transformador. Na tensão de distribuição, o dielétrico da bucha é o ar. Para tensões superiores, o dielétrico pode ser em papel filme ou óleo isolante ou os dois, que são chamadas de buchas do tipo condensiva. • • • • • • • • • • • Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Bucha do transformador Comutador São dispositivos que inserem ou retiram espiras do secundário num processo de chaveamento. Sua função é, através de alteração na relação de transformação, regular a tensão de saída para o mais próximo da nominal. Existem comutadores que operam sem carga e aqueles que operam sob carga. Comutadores sem carga Esses são os comutadores mais simples, formados por uma placa de terminais e placas de fechamento, com ferramentas manuais, normalmente presentes em trafos da distribuição de menor potência. Eles situam-se na parte superior, logo abaixo da tampa de inspeção junto às buchas de entrada, sendo acessíveis somente desligados. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Comutador sob carga. Janela de Inspeção (adaptado). Comutador sob carga Este tipo de comutador opera sem a necessidade de desligamentos. As comutações podem ser realizadas automaticamente ou de forma manual. Quando o processo ocorre de maneira automática, é associado a outros equipamentos que fazem a leitura da tensão da rede para gerenciar o chaveamento, com um motor para realizar as mudanças de tap. Ele possui um dispositivo chamado de chave de carga, que é composto por um tanque em forma cilíndrica, imerso em óleo isolante próprio, onde ocorrem as comutações e, com isso, os arcos elétricos, o que causa a contaminação do óleo. A chave seletora não é tão solicitada quanto a chave de carga, tendo quase nenhuma formação de arco. Assista ao vídeo e conheça os aspectos construtivos de um transformador. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Refrigeração Quanto à refrigeração podem ser: 1. Transformadores secos 2. Arrefecimento natural do ar 3. Arrefecimento natural do óleo 4. Arrefecimento forçado obtido por circulação forçada de ar ou óleo Para as trocas de calor do óleo, os transformadores são dotados de aletas ou radiadores, na parte externa do tanque, onde o óleo passa por essas estrututras, aumentando a área de contato com a carcaça do tanque e favorecendo a troca de calor com o ambiente. O óleo com temperatura mais elevada movimenta-se dentro do tanque para a parte superior e o óleo mais frio, para a parte inferior. Esse movimento é natural, porém, em algumas situações, é forçado por equipamentos acessórios instalados no transformador. Segue nomeclatura: ONAN – Óleo natural, ar natural; ONAF – óleo natural ar forçado; OFAN – óleo forçado ar natural; OFAF – óleo forçado ar natural. Movimentação do óleo no transformador. Alguns transformadores podem utilizar água para a troca térmica. Eles são identificados pela letra w (water), seguindo o mesmo raciocínio anterior. Termômetros Pode vir de fábrica com termômetros para medir a temperatura no interior dos enrolamentos e do óleo isolante. Tanque Trata-se da carcaça do transformador, que é utilizado para os transformadores a óleo, fabricado em aço. Recebe tratamento em pintura para proteção contra corrosão. Tanque de expansão de óleo Trata-se de tanque auxiliar instalado em posição acima do tanque principal, cujo objetivo é prover o espaço físico para expansão do óleo pelo aumento da temperatura do ambiente e das variações do carregamento. Enrolamentos São espiras de fios enroladas numa bobina de formato cilindro. Para correntes menores, são utilizados cabos de cobre isolados por verniz, papel ou outro isolante. No caso das correntes maiores, são utilizados barramentos de cobre de seção retangular enrolados em bobinas de forma cilíndrica, também isolados por verniz. Saiba mais Há alguma variação na montagem das bobinas de fabricante para fabricante, mas a relação matemática para os projetos é a mesma. Atualmente, os maiores fabricantes nacionais de transformadores têm feito os enrolamentos com condutores e barras de alumínio, com seções equivalentes às do cobre. Núcleo Fabricados em material ferromagnético de alta permeabilidade e baixa relutância, são construídos com lâminas finas revestidas de verniz isolante e montadas juntas, formando um núcleo onde são enroladas as bobinas. Essa técnica de montagem tem o objetivo de minimizar os efeitos das correntes de Foucault. Partes de um transformador. Assista ao vídeo e conheça os aspectos construtivos - 2 de um transformador. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Relé Buchholz (relé de gás) Acessório instalado somente em transformadores a óleo, que pode detectar gases no interior do tanque originados por curtos ou centelhamento, evitando que a pressão interna chegue a níveis em que possa ocorrer uma explosão. Relé Buchholz. Instalação do relé Buchholz. Transformadores para instrumentos Quando desejamos realizar uma medição, imaginamos, primeiramente, ligar um medidor ao circuito que se deseja medir. Quando o circuito é de baixa tensão, esta tarefa é mais fácil, pois os equipamentos de medição possuem isolamento compatível às grandezas envolvidas. Quando as grandezas envolvidas possuem valores de tensão e correntes elevados, uma medição direta implicaria em medidores mais robustos, capazes de suportar valores de tensão e correntes elevados. Valores de tensão da ordem das dezenas de quilovolts resultam em equipamentos de medição muito robustos e caros pela necessidade de isolamentos compatíveis. A melhor opção é a medição indireta com a utilização de transformadores de potencial (TP) e transformadores de corrente (TC). Saiba mais Entenda um pouco mais sobre os transformadores de potência e transformadores de corrente. Características construtivas TC tipo Barra O primário é uma barra metálica que atravessa o enrolamento secundário do TC. TC tipo barra. Esquema do TC tipo barra. | Fonte: Ebah TC tipo enrolado Neste modelo, o primário e o secundário são compostos por enrolamentos distintos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Esquema do TC tipo enrolado. TC tipo Janela Neste modelo, o primário não é construído no TC, ele é feito com o próprio condutor que atravessa o TC. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Esquema do TC tipo janela. Transformador de corrente. TC de núcleo partido ou dividido Semelhante ao TC tipo janela, mas apresentanúcleo bipartido, o que facilita a instalação. Esquema do TC de núcleo dividido. TC tipo núcleo dividido. TC para média e alta tensão Semelhante aos anteriores, com classe de isolamento adequado. TC de alta tensão. TC de média tensão. Correntes nominais Como visto anteriormente, o valor de saída é 5A. Veja, a seguir, uma tabela com os valores de corrente de primários comercialmente fabricados. Corrente primária padronizada Corrente Secundária padronizada Relação Nominal Corrente primária padronizada Corrente Secundária padronizada Relação Nominal 5 5 1:1 300 5 60:1 10 5 2:1 400 5 80:1 15 5 3:1 500 5 100:1 20 5 4:1 600 5 120:1 25 5 5:1 800 5 160:1 30 5 6:1 1000 5 200:1 40 5 8:1 1200 5 240:1 50 5 10:1 1500 5 300:1 60 5 12:1 2000 5 400:1 75 5 15:1 2500 5 500:1 100 5 20:1 3000 5 600:1 125 5 25:1 4000 5 800:1 150 5 30:1 5000 5 1000:1 200 5 40:1 6000 5 1200:1 Corrente primária padronizada Corrente Secundária padronizada Relação Nominal Corrente primária padronizada Corrente Secundária padronizada Relação Nominal 250 5 50:1 8000 5 1600:1 Carga nominal A NBR 6856/92 padroniza as cargas secundárias de acordo com a tabela a seguir. Designação Potência Aparente VA Resistência Ω Indutância mH Fator de potência Impedância C 2,5 2,5 0,09 0,116 0,9 0,1 C 5,0 5,0 0,18 0,232 0,9 0,2 C 12,5 12,5 0,45 0,580 0,9 0,5 C 25,0 25,0 0,50 2,3 0,5 2,0 C 50,0 50,0 1,0 4,6 0,5 2,0 C 100,0 100,0 2,0 9,2 0,5 4,0 C 200,0 200 4,0 18,4 0,5 8,0 Fonte: NBR 6856 Classe de Exatidão A NBR 6856/92 padroniza as classes de exatidão da seguinte maneira: Para aferição e calibração dos instrumentos de medida de laboratório: 0,1; Alimentação de medidores de demanda e consumo ativo e reativo para fins de faturamento: 0,3; Alimentação de medidores para fins de acompanhamento de custos industriais: 0,6; Alimentação de amperímetros indicadores, registradores gráficos, relés de impedância, relés diferenciais, relés de distância, relés direcionais: 1,2; Alimentação de relés de ação direta, por exemplo, aplicados em disjuntores primários de subestações de consumidor: 3,0. Assista ao vídeo e conheça transformadores de instrumentos. • • • • • Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre aspectos construtivos dos transformadores, analise as sentenças: Comutadores são dispositivos que inserem ou retiram espiras do secundário num processo de chaveamento. Sua função é regular a tensão de saída para o mais próximo da nominal. Existem comutadores que operam sem carga e aqueles que operam sob carga. Buchas são fabricadas em porcelana, madeira ou plástico, com o elemento condutor instalado em seu interior. Sua função é isolar a parte condutora da carcaça do transformador. Quanto à refrigeração, os transformadores podem ser: ONAN – óleo natural, ar natural; ONAF – óleo natural ar forçado; OFAN – óleo forçado ar natural; OFAF – óleo forçado ar natural. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa correta: A V, V, V. B V, F, V. C F, V, V. D V, V, F. E F, V, F. A alternativa B está correta. Buchas são fabricadas somente em porcelana. Questão 2 Sobre aspectos construtivos dos transformadores, analise as sentenças abaixo: Os transformadores são dotados de aletas ou radiadores O óleo com temperatura mais elevada movimenta-se dentro do tanque para a parte superior e o mais frio, para a parte inferior, sendo esse movimento natural, mas, em algumas situações, esse movimento é forçado. Os enrolamentos de transformadores são compostos por bobinas cilíndricas, de condutores ou barras de seção retangular, de cobre, alumínio, ferro ou outro material metálico. O núcleo é composto por chapas ferromagnéticas de alta relutância e baixa permeabilidade magnética, composto por lâminas justapostas ou por bloco metálico inteiro. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa com a sequência correta: A V, V, V. B V, F, V. C F, V, V. D V, F, F. E F, V, F. A alternativa D está correta. 1) O condutor dos enrolamentos é feito de cobre ou alumínio. 2) O núcleo é composto por chapas ferromagnéticas de baixa relutância e alta permeabilidade magnética, composto por lâminas justapostas. Questão 3 Sobre transformadores de instrumentos, analise as sentenças abaixo: Transformador de Corrente é um equipamento cuja função é transformar os valores de corrente para valores menores, capaz de serem conectados a instrumentos de medição sem danificar os mesmos. Normalmente o valor de corrente do secundário é 10A. Os transformadores de potencial, possuem tensão de saída de 115V ou 115/√3 V, que são valores normalizados pela NBR 6855. O primário deve ser compatível com a tensão da rede, devendo suportar até 15% acima de sua tensão nominal continuamente. Os transformadores de corrente tipo janela possuem primário numa barra metálica que atravessa o enrolamento secundário do TC. Atribuindo V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa com a sequência correta: A V, V, F. B V, F, V. C F, F, F. D V, F, F. E F, V, V. A alternativa C está correta. O valor de saídas dos TC é 5A. A sobretensão suportável pelos TP deve ser de 10%. Os transformadores de corrente tipo barra possuem primário numa barra metálica, que atravessa o enrolamento secundário do TC. 4. Conclusão Considerações finais Neste conteúdo, iniciamos com o estudo dos tipos de subestações elétricas existentes, diferenciando aquelas voltadas para tensões acima e abaixo de 69 kV. Demos ênfase especial às subestações de distribuição com tensão inferior a 69 kV, por serem as mais comuns nas redes elétricas urbanas e rurais. Apresentamos ainda os aspectos práticos relacionados à documentação necessária para solicitação de uma nova ligação junto à concessionária de energia, reforçando a importância do atendimento às exigências normativas para viabilizar o fornecimento. Em seguida, abordamos os cálculos que determinam o tipo de entrada de energia mais adequado, destacando o limite de 76 kVA como fator decisivo entre fornecimento em baixa ou média tensão. Essa análise é essencial para garantir a escolha correta do ponto de entrega de energia, assegurando desempenho e segurança na instalação elétrica. Na última parte do conteúdo, estudamos os transformadores de potência e os transformadores de instrumentos, detalhando suas principais características construtivas e funções operacionais. Discutimos o papel dos transformadores de potencial e de corrente na medição e proteção dos sistemas, destacando a importância de especificá-los corretamente conforme o tipo de aplicação. Com isso, consolidamos conhecimentos fundamentais para a atuação profissional no setor elétrico, proporcionando ao aluno a base técnica necessária para desenvolver projetos, especificar equipamentos e operar sistemas de média tensão com segurança, eficiência e em conformidade com as normas técnicas vigentes. Explore+ Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem. Assista aos vídeos indicados: Transformador de corrente (TC) - Como funciona. Consultado na internet em 02 maio 2025. Teste de Transformadores de Corrente e Potencial. Consultado na internet em 02 maio 2025. Referências Barros, Benjamim Ferreira, Gedra, Ricardo Luís. Cabine Primária - Subestações de alta tensão de consumidor. São Paulo: Érica, 2011. • • MAMEDE, João Filho. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2013. LIGHT. Regulamentação para o Fornecimento de Energia Elétrica para os Consumidores Atendidos em Baixa Tensão (Recon-BT). Consultado na internet em 12 set. 2019. Subestações A.T., Cálculos e Equipamentos 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Subestações A. T. de Consumidor Palavras iniciais Subestação com tensãoigual ou superior a 69kV Conteúdo interativo Conteúdo interativo Subestações com tensão inferior a 69kV Subestações simplificada Conteúdo interativo Subestação simplificada abrigada Conteúdo interativo Subestação simplificada blindada Conteúdo interativo Subestação abrigada convencional Características da subestação abrigada convencional Subestação abrigada blindada Conteúdo interativo Procedimentos para ligação de subestações Apresentação de projeto e documentação Aumento de carga e extensão de rede Construção da subestação Atenção Pessoa Jurídica Pessoa Física Subestação simplificada Subestação convencional Verificando o aprendizado 2. Cálculos em subestações Dimensionamento de uma subestação Fornecimento da energia elétrica Determinação da carga instalada CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 Conteúdo interativo Conteúdo interativo Saiba mais Conteúdo interativo Determinação da demanda Exemplos práticos Para a demanda DP6, segue tabela para máquinas de solda e aparelhos odonto-médicos. Atenção Avaliação da demanda total Demanda total para um único agrupamento de medidores Demanda total com mais de um agrupamento de medidores Verificando o aprendizado 3. Equipamentos elétricos de potência Introdução Transformadores de potência Conteúdo interativo Aspectos construtivos Buchas Conteúdo interativo Comutador Comutadores sem carga Conteúdo interativo Comutador sob carga Conteúdo interativo Refrigeração Termômetros Tanque Tanque de expansão de óleo Enrolamentos Saiba mais Núcleo Conteúdo interativo Relé Buchholz (relé de gás) Transformadores para instrumentos Saiba mais Características construtivas TC tipo Barra TC tipo enrolado Conteúdo interativo TC tipo Janela Conteúdo interativo TC de núcleo partido ou dividido TC para média e alta tensão Correntes nominais Carga nominal Classe de Exatidão Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Explore+ Referências