Prévia do material em texto
APOSTILA DE REVISÃO TÉCNICA Subestações Sistemas, equipamentos, proteção e projeto Tema 3 Sobretensões, Aterramento e Arranjos de Bar- ramentos Proteção contra fenômenos transitórios, tensões perigosas e indisponibilidade Pergunta-guia Como limitar sobretensões, conduzir correntes de falta ao solo e manter circuitos disponíveis durante falhas ou manutenção? Ao final, você deverá ser capaz de Analisar origens de sobretensão, seletividade, malhas de terra e topologias de barramento com seus compromissos de custo e confiabilidade. Engenharia Elétrica — material construído a partir do conteúdo da disciplina e complementado para estudo. Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos Mapa do tema Evento elétrico Proteção seletiva Aterramento seguro Arranjo confiável Módulo Conteúdo Competência 1 sobretensões atmosféricas, de manobra e de falta; seletividade; aterramento e medição controlar solicitações dielétricas e tensões de toque/passo. 2 barras simples, duplas, transferência, disjuntor e meio e anéis comparar continuidade, proteção, manobras, espaço e custo. 2 / 9 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos MÓDULO 1 Sobretensões, coordenação, seletividade e aterramento Questão central Como uma perturbação rápida ou uma falta se transforma em solicitação dielétrica e risco para pessoas? Resultado esperado Identificar o fenômeno, coordenar proteção e avaliar resistência de terra, tensão de toque e tensão de passo. 1. Visão geral Sobretensão é uma elevação de tensão acima do regime normal, com amplitude e duração que dependem da origem. Descargas atmosféricas produzem frentes muito rápidas; manobras e ressonâncias produzem transitórios de outra escala; uma falta monofásica pode elevar temporariamente as tensões das fases sãs em relação à terra. Coordenação de isolamento e proteção limita essas solicitações. O aterramento fornece referência e caminho para correntes, mas deve controlar os potenciais na superfície do solo. 2. Conceitos fundamentais Sobretensão atmosférica Definição técnica: Impulso originado por descarga direta ou por acoplamento eletromagnético/eletrostático. Em termos simples: É muito rápida e pode viajar pelas linhas, refletindo nas mudanças de impedância. Sobretensão de manobra Definição técnica: Transitório causado por energização, abertura, religamento ou chaveamento de elementos reativos. Em termos simples: Abrir indutores, energizar transformadores/linhas e manobrar bancos altera bruscamente a energia armazenada. Proteção primária e retaguarda Definição técnica: A primária elimina seletivamente a falta na zona protegida; a retaguarda atua se a proteção/dis- juntor principal falhar. Em termos simples: Primeiro deve abrir o equipamento mais próximo; se não abrir, outro dispositivo remove uma área maior. Tensão de toque e de passo Definição técnica: Toque é a diferença entre estrutura tocada e ponto dos pés; passo é a diferença entre dois pontos do solo separados tipicamente por 1 m. Em termos simples: Mesmo uma malha com baixa resistência pode ser perigosa se o gradiente de potencial for elevado. 3. Funcionamento Uma onda viajante de origem atmosférica se propaga em ambos os sentidos a partir do ponto de impacto ou indução. Iso- ladores podem sofrer descarga disruptiva quando o impulso supera sua suportabilidade. Em descontinuidades de impedância, ocorre reflexão de parte da onda. Para-raios limitam a crista desviando corrente à malha. Em manobras, a energia de indutores e capacitores precisa ser redistribuída; entrada ou saída de banco de capacitores, reatores, reignições, corrente de magnetização e carga residual podem ampliar o transitório. Na proteção, relés medem grandezas, identificam zona/direção e comandam disjuntores. Temporizações e curvas coordenadas preservam seletividade. Na falta à terra, a corrente entra na malha e eleva seu potencial em relação ao terra remoto. Condutores e hastes distribuem a corrente; camada superficial de brita aumenta a resistência do contato pé–solo e reduz a corrente pelo corpo. 3 / 9 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos 4. Equações e relações matemáticas Elevação do potencial da malha GPR ≈ IGRG IG é a parcela da corrente de falta que entra na malha e RG a resistência de aterramento. GPR alto não implica automaticamente toque inseguro; é preciso calcular a distribuição dos potenciais e os limites toleráveis. Resistividade pelo arranjo de Wenner Para quatro eletrodos igualmente espaçados, profundidade pequena em relação a a: ρ ≈ 2πaR ρ em Ω·m, a em m e R = V /I em Ω. Vários espaçamentos investigam diferentes profundidades aparentes e permitem modelar camadas do solo. Eletrodo vertical isolado — aproximação Rh ≈ ρ 2πL [ ln ( 4L d ) − 1 ] L é comprimento e d diâmetro. Hastes próximas não somam condutância idealmente porque suas regiões de dispersão se sobrepõem. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Elemento/método Função Cuidado Malha de cobre nu equipotencializar e dispersar corrente dimensionar térmica/mecanicamente e contra corrosão. Haste cobreada aumentar contato com ca- madas profundas espaçamento e resistividade condicionam ganho. Solda exotérmica conexão molecular permanente molde, limpeza e execução controlada. Conexão por com- pressão união mecânica especificada ferramenta, matriz e material compatíveis. Queda de poten- cial medir resistência com eletrodos auxiliares buscar patamar e afastamento suficiente. Alicate terrômetro medir laço sem desconexão exige caminho paralelo fechado; não serve para todo sistema. A conexão por compressão exige conector, matriz e ferramenta compatíveis; a solda exotérmica produz união permanente e deve seguir procedimento próprio de execução. 6. Aplicação prática Problema: relé de alimentador não atua e a falta persiste. Solução: proteção de retaguarda temporizada abre o disjuntor a montante. Funcionamento: a coordenação dá tempo à proteção primária; expirado o atraso, remove-se uma zona maior. Resultado: o defeito é eliminado, porém com maior perda de carga, mostrando por que a retaguarda é necessária e menos seletiva. 7. Exemplo de engenharia Uma malha apresenta RG = 0,8Ω e recebe IG = 5 kA. A elevação aproximada é: GPR = 5000(0,8) = 4 kV. Não se conclui segurança apenas porque RGa ondas viajantes, coordenação de isolamento, relés, curto-circuito, SPDA, segurança humana, compatibilidade eletromagnética e proteção de telecomunicações. 10. Complementos técnicos Complemento técnico Método da queda de potencial. Injeta-se corrente entre a malha e um eletrodo remoto e mede-se a tensão por uma sonda móvel. A resistência é V /I. O resultado confiável aparece em uma região de patamar; usar apenas o ponto de 62% sem verificar geometria e patamar pode produzir erro em malhas grandes ou solos estratificados. 11. Para memorizar Para memorizar • Atmosférica: frente rápida; manobra: chaveamento/energia armazenada; temporária: duração maior. • Proteção primária atua na própria zona; retaguarda atua se a primeira falhar. • GPR ≈ IGRG; segurança depende de toque, passo e duração. • Wenner: ρ ≈ 2πaR na condição simplificada. • Norma citada corretamente: ABNT NBR 15749:2009, confirmar vigência. 12. Resumo final do módulo Revisão de 60 segundos Sobretensões diferem por origem, amplitude, frente e duração. A proteção deve coordenar isolamento, para-raios, relés e disjuntores. O aterramento conduz corrente e equipotencializa, mas sua finalidade de segurança só é comprovada pela análise de potenciais de toque e passo. Medições exigem método, patamar, segurança e interpretação do sistema completo. 5 / 9 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos MÓDULO 2 Arranjos de barramentos em subestações Questão central Como a topologia das barras altera a continuidade, as manobras e a quantidade de equipamen- tos? Resultado esperado Comparar arranjos e prever o efeito de faltas ou manutenção em barras, disjuntores e circuitos. 1. Visão geral Barramento é o nó condutor comum ao qual se conectam linhas, transformadores e alimentadores. O arranjo define caminhos possíveis, zonas de proteção, procedimentos de transferência e impacto de uma falha. Quanto maior a flexibilidade e redundância, maior tende a ser o número de disjuntores, seccionadoras, TCs, área e complexidade de proteção/controle. 2. Conceitos fundamentais Confiabilidade Definição técnica: Probabilidade de a função ser desempenhada durante o período considerado. Em termos simples: Arranjo confiável evita que uma única falha desligue muitos circuitos. Flexibilidade operativa Definição técnica: Capacidade de reconfigurar a instalação para manutenção, contingência ou expansão. Em termos simples: Permite transferir circuitos e isolar equipamentos com menor interrupção. By-pass/transferência Definição técnica: Caminho alternativo que contorna temporariamente um disjuntor ou barra. Em termos simples: Mantém carga, mas pode alterar ou limitar a proteção durante a condição excepcional. Zona de proteção de barra Definição técnica: Conjunto delimitado por TCs e disjuntores que deve ser isolado em uma falta interna. Em termos simples: A posição dos TCs e disjuntores determina o que será desligado pela proteção diferencial de barras. 3. Funcionamento barra simples B1 B2 baixo custo; falha de barra tem grande impacto barra dupla; seleção de barra e maior flexibilidade Na barra principal e transferência, um disjuntor de transferência assume temporariamente a proteção do circuito cujo disjuntor está em manutenção. No disjuntor e meio, três disjuntores atendem dois circuitos entre duas barras; cada circuito compartilha o disjuntor central. No anel, circuitos são conectados entre disjuntores sucessivos e podem receber energia por dois lados. 6 / 9 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos 4. Equações e relações matemáticas Índice simples de equipamentos por circuito kD = Ndisjuntores Ncircuitos Barra simples tende a kD ≈ 1; barra dupla com dois disjuntores, kD = 2; disjuntor e meio, kD = 1,5 em blocos completos; anel pode aproximar 1 conforme a expansão. O índice não mede sozinho confiabilidade. Indisponibilidade aproximada de componentes em série Para eventos independentes e pequenas indisponibilidades: Usistema ≈ ∑ i Ui Arranjos com caminhos paralelos reduzem o impacto de uma única indisponibilidade, mas falhas de modo comum, proteção e manutenção precisam ser modeladas. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Arranjo Disjuntores/circuito Vantagem Limitação principal Barra simples 1 baixo custo e simplicidade falta/manutenção da barra interrompe muitos circuitos. Simples seccionada ∼ 1 limita alcance de falha de barra acoplamento e operação mais complexos. Principal + transferência ∼ 1 + comum manutenção de disjuntor com carga proteção fica compartilhada/limitada na transferência. Dupla, um disjuntor 1 seleção e manutenção de barras disjuntor do circuito continua ponto único. Dupla, dois disjuntores 2 máxima flexibilidade e redundância custo, área e proteção elevados. Disjuntor e meio 1,5 alta confiabilidade com economia relativa lógica, TCs e religamento mais complexos. Anel ∼ 1 dois caminhos e boa relação custo/- confiabilidade expansão e manutenção alteram zonas e fluxo. O material também apresenta o barramento duplo com disjuntor a três chaves, a quatro chaves e a cinco chaves, barras seccionadas, disjuntor e um terço, barramento em anel simples e anel múltiplo. São evoluções que acrescentam caminhos de by-pass, seccionamento ou compartilhamento de disjuntores. 6. Aplicação prática Problema: retirar um disjuntor de linha para manutenção sem desligar o circuito. Solução: usar arranjo com transferência/by-pass previsto. Funcionamento: equalizam-se barras, fecha-se o caminho alternativo na sequência autorizada, transfere-se a proteção e isola-se o disjuntor. Resultado: carga mantida, mas com configuração temporária documentada e proteção coerente. 7. Exemplo de engenharia Uma SE possui quatro linhas críticas. Barra dupla com dois disjuntores requer oito disjuntores; disjuntor e meio, organizado em dois diâmetros, requer seis. O segundo reduz 25% dos disjuntores mantendo alta flexibilidade, mas exige lógica de proteção por circuito envolvendo dois disjuntores e atenção ao disjuntor central compartilhado. 8. Pontos críticos e cuidados • Seccionadora não deve estabelecer paralelo entre barras fora de sincronismo nem interromper carga indevidamente. • Transferência de proteção deve ocorrer antes de retirar o disjuntor principal. • Posição de TC determina a zona morta e o alcance da proteção diferencial. • Um arranjo bom no unifilar pode ser inviável por espaço, curto-circuito, expansão ou filosofia de operação. • Manobras precisam de sequência, intertravamento, supervisão de sincronismo e confirmação de estados. 7 / 9 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos 9. Relação com outros assuntos Relaciona-se a proteção diferencial de barras, falha de disjuntor, religamento, fluxo de potência, confiabilidade, automação, layout físico e expansão de subestações. 10. Complementos técnicos Complemento técnico Critério N–1. Uma concepção robusta busca suportar a indisponibilidade de um componente relevante sem perda inaceitável de carga ou violação de limites. Isso não significa que qualquer arranjo atenda automaticamente ao N–1; é necessário simular cada contingência, inclusive durante manutenção. 11. Para memorizar Para memorizar • Barra simples: menor custo e menor flexibilidade. • Principal + transferência: mantém circuito durante manutenção, com proteção temporariamente compartilhada. • Barra dupla com dois disjuntores: alta confiabilidade e alto custo. • Disjuntor e meio: três disjuntores para dois circuitos, comum em EAT. • Anel: alimentação por dois lados; abertura transforma o anel e altera a proteção. 12. Resumo final do módulo Revisão de 60 segundos O arranjo de barramentos determina como faltas e manutenções afetam a subestação. Redundância aumenta continuidade, mas também equipamentos, área e complexidade. Barra simples prioriza economia; barra dupla, anel e disjuntor e meio elevam flexibilidade. A escolha deve ser validada por contingências, proteção, manobras e expansão. 8 / 9 EngenhariaElétrica — Subestações Tema 3 — Sobretensões, terra e barramentos Fechamento do Tema 3 Pergunta de engenharia Verificação essencial O isolamento sobre- viverá? impulso, manobra, tensão temporária e margem para o para-raios. A falta será seletiva? zonas, curvas, tempo do disjuntor e retaguarda. O aterramento é seguro? IG, GPR, toque, passo, duração e camada superficial. A SE continua operando? falhas de barra/disjuntor, manutenção e caminhos alternativos. A manobra é segura? sincronismo, intertravamentos, proteção transferida e estados confirmados. Matriz de cobertura do material-base Mód. Conteúdo original Onde foi incorporado 1 sobretensões atmosféricas diretas/induzidas, ondas e re- flexão conceitos, funcionamento e equações. 1 chaveamentos, capacitores, reatores, transformadores, ressonância visão geral, funcionamento e cuidados. 1 proteção primária/retaguarda e seletividade conceitos, aplicação e memorização. 1 materiais, conexões, resistência, toque/passo e medição componentes, exemplo, complemento e observação técnica. 2 barra simples, seccionada e by-pass tabela comparativa e funcionamento. 2 barra dupla, transferência e variantes de três a cinco chaves componentes, aplicação e síntese. 2 dois disjuntores, disjuntor e meio/um terço e anéis comparação, equação, exemplo e memorização. Referências do material-base e complementos ABNT NBR 15749:2009. Medição de resistência de aterramento e de potenciais na superfície do solo em sistemas de aterramento. Confirmar vigência. ABNT NBR 5419. Proteção contra descargas atmosféricas. Consultar partes e edições vigentes. IEEE Std 80. Guide for Safety in AC Substation Grounding. KINDERMANN, G. Proteção de sistemas elétricos de potência. MAMEDE FILHO, J. Manual de equipamentos elétricos. LTC. 9 / 9 Mapa do tema 1. Visão geral 2. Conceitos fundamentais 3. Funcionamento 4. Equações e relações matemáticas 5. Componentes, elementos ou equipamentos 6. Aplicação prática 7. Exemplo de engenharia 8. Pontos críticos e cuidados 9. Relação com outros assuntos 10. Complementos técnicos 11. Para memorizar 12. Resumo final do módulo 1. Visão geral 2. Conceitos fundamentais 3. Funcionamento 4. Equações e relações matemáticas 5. Componentes, elementos ou equipamentos 6. Aplicação prática 7. Exemplo de engenharia 8. Pontos críticos e cuidados 9. Relação com outros assuntos 10. Complementos técnicos 11. Para memorizar 12. Resumo final do módulo Fechamento do Tema 3