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APOSTILA DE REVISÃO TÉCNICA Subestações Sistemas, equipamentos, proteção e projeto Tema 4 Subestações de Consumidor, Cálculos e Equipa- mentos Entrada de energia, demanda, transformadores de potência, TC e TP Pergunta-guia Como transformar a necessidade do consumidor em uma subestação dimensionada, documentada, medida e protegida corretamente? Ao final, você deverá ser capaz de Classificar a entrada, calcular carga e demanda, interpretar transformadores e especificar transformadores para instru- mentos sem comprometer medição ou proteção. Engenharia Elétrica — material construído a partir do conteúdo da disciplina e complementado para estudo. Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores Mapa do tema Módulo Conteúdo Entrega de engenharia 1 subestações de consumidor, padrões e documentação definir concepção e processo de ligação. 2 carga instalada, demanda parcial/total e tipo de atendimento dimensionar entrada e transformação sem super ou subesti- mar. 3 transformadores de potência, refriger- ação, TC e TP selecionar equipamentos de transformação, medição e pro- teção. 2 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores MÓDULO 1 Subestações de consumidor e processo de ligação Questão central Qual tipologia atende à potência, tensão, espaço, continuidade e padrão da distribuidora? Resultado esperado Distinguir instalações acima/abaixo de 69 kV, simplificadas, abrigadas e blindadas, e organizar a documentação do projeto. 1. Visão geral A subestação de consumidor recebe energia em média ou alta tensão, mede, protege e transforma para os níveis internos. Grandes consumidores conectados em 69 kV ou mais utilizam pátios e arranjos semelhantes aos de transmissão, com vãos de linha, barras, disjuntores, TCs, TPs, relés e transformadores com regulação. Em média tensão, a solução pode ser simplificada, abrigada convencional ou blindada, conforme demanda e regras locais. 2. Conceitos fundamentais Ponto de entrega Definição técnica: Limite de responsabilidade definido pela regulamentação e pela distribuidora. Em termos simples: Determina onde termina a rede da concessionária e começa a instalação do consumidor. Subestação simplificada Definição técnica: Solução padronizada de menor porte, frequentemente com proteção primária por fusíveis. O material-base usa 300 kVA como limite no padrão estudado. Em termos simples: Reduz custo e prazo, mas o limite de potência, a medição e a aplicação dependem da distribuidora vigente. Subestação convencional abrigada Definição técnica: Instalação em edificação com compartimentos para entrada, proteção, medição e transformação. Em termos simples: Permite mais equipamentos e flexibilidade, exigindo obra civil, ventilação, acessos e distâncias. Subestação blindada/metal-clad Definição técnica: Conjunto em invólucro metálico compartimentado e ensaiado conforme sua classe. Em termos simples: É compacta e controlada em fábrica, mas requer especificação completa e manutenção conforme fabricante. 3. Funcionamento Em uma entrada típica, o ramal chega ao cubículo de entrada; para-raios limitam surtos; seccionamento permite isolamento; a proteção geral interrompe faltas; TCs e TPs alimentam medição e relés; o transformador reduz tensão; o QGBT distribui em baixa tensão. Intertravamentos impedem acesso a partes energizadas e operações incompatíveis. Rede da distribuidora Entrada e para-raios Proteção geral TC/TP e medição Transformador QGBT e cargas 4. Equações e relações matemáticas Corrente de entrada I = S√ 3VL Para S = 2MVA em 13,8 kV, I = 83,7 A. Em 69 kV, para a mesma potência, I = 16,7 A. O nível de atendimento 3 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores não é escolhido apenas pela corrente: rede disponível, custo, demanda e padrão regulatório são determinantes. Margem de transformação STR,inst ≥ Dproj kcarreg Dproj é a demanda de projeto e kcarreg o carregamento máximo adotado. A margem deve ser justificada por crescimento, temperatura, contingência e estratégia de manutenção; superdimensionamento aumenta perdas em vazio e investimento. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Documento Conteúdo Finalidade Consulta/solicitação demanda, tensão, ativi- dade e localização verificar viabilidade e condições de atendimento. Projeto elétrico unifilar, cargas, curto, pro- teção, cabos e terra demonstrar segurança e coordenação. Projeto civil/layout planta, cortes, acessos, ventilação e drenagem garantir instalação, retirada e manutenção dos equipamentos. Responsabilidade téc- nica ART/RRT e identificação dos responsáveis formalizar autoria e execução. Cadastro do titular documentos da pessoa físi- ca/jurídica e propriedade estabelecer relação contratual e acesso. Comissionamento ensaios, ajustes, laudos e as-built comprovar conformidade antes da energização. 6. Aplicação prática Problema: nova unidade industrial requer alimentação em 13,8 kV. Solução: consultar a distribuidora, calcular demanda, curto e proteção, definir subestação abrigada e apresentar unifilar/layout/documentação. Funcionamento: a distribuidora analisa a conexão; a obra é inspecionada e comissionada. Resultado: energização com responsabilidades e limites definidos. 7. Exemplo de engenharia Uma instalação possui dois transformadores de 1 MVA e exige continuidade. Operar ambos em paralelo pode elevar o curto de BT e requer compatibilidade de relação, taps, impedância, grupo vetorial e sequência. Outra estratégia é manter barras separadas com interligação normalmente aberta, permitindo transferência controlada. A opção resulta do estudo de confiabilidade e curto, não apenas da soma das potências. 8. Pontos críticos e cuidados • Requisitos de acesso da distribuidora, posição do ponto de entrega e medição variam localmente. • Cubículos precisam de classificação de arco interno, intertravamentos e alívio de pressão quando aplicável. • Prever retirada do transformador, contenção de óleo, ventilação, incêndio, iluminação e rota de fuga. • A NR-10 exige medidas de controle e gestão de riscos durante projeto, operação e manutenção. • Expansão futura deve ser prevista em barramentos, espaço, cabos, proteção e capacidade de curto. 9. Relação com outros assuntos Relaciona-se a instalações de MT, proteção, curto-circuito, seletividade, aterramento, segurança, arquitetura e engenharia civil. 4 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores 10. Complementos técnicos Complemento técnico Complemento — sequência de segurança. Antes de intervir, aplicar procedimento formal: seccionamento, im- pedimento de reenergização, constatação da ausência de tensão, aterramento temporário/equipotencialização quando aplicável, proteção de partes energizadas próximas e sinalização. A execução depende da análise de risco e da NR-10 vigente. 11. Para memorizar Para memorizar • Simplificada: menor porte e proteção primária frequentemente fusível; limite é local. • Convencional: compartimentos e maior flexibilidade; blindada: conjunto metálico ensaiado. • Fluxo típico: entrada → proteção → medição → transformação → QGBT. • Projeto inclui unifilar, cargas, curto, proteção, terra, layout e responsabilidade técnica. • Prever acesso, retirada de equipamentos, ventilação, óleo/incêndio e expansão. 12. Resumo final do módulo Revisão de 60 segundos A subestação de consumidor é definida pela conexão disponível, demanda, continuidade, espaço e padrão da dis- tribuidora. Tipologia e documentação caminham juntas: o unifilar precisa corresponder ao layout, à proteção, ao aterramento e aos procedimentos. Uma solução compacta ou barata só é adequada se suportar curto, manutenção, expansão e segurança. 5 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores MÓDULO 2 Carga instalada, demanda e dimensionamento da entrada Questão central Como converter uma lista de equipamentos em uma demanda tecnicamente defensável?Resultado esperado Agrupar cargas, aplicar simultaneidade, tratar reservas e escolher atendimento/medição con- forme regras locais. 1. Visão geral Carga instalada é a soma das potências nominais dos equipamentos que efetivamente compõem a instalação. Demanda é a potência provável ou medida no intervalo de interesse. A metodologia do material-base agrupa cargas em sete categorias e aplica fatores de demanda da regulamentação da LIGHT. Esses fatores não são universais: o engenheiro deve utilizar o padrão da distribuidora do local e justificar o perfil real da instalação. 2. Conceitos fundamentais Carga instalada Cinst Definição técnica: Soma das potências das cargas previstas, segundo os critérios do padrão aplicável. Em termos simples: É o total das placas, não necessariamente o que funcionará ao mesmo tempo. Fator de demanda fd Definição técnica: Razão entre demanda máxima e carga instalada do conjunto. Em termos simples: Representa simultaneidade e regime de uso; deve ficar entre 0 e 1 na definição usual. Carga reserva Definição técnica: Equipamento que substitui outro e não opera simultaneamente em regime normal. Em termos simples: Pode ser excluído conforme a regra aplicável, desde que a lógica de operação garanta a reserva. Demanda diversificada Definição técnica: Demanda conjunta considerando que máximos individuais não ocorrem necessariamente no mesmo instante. Em termos simples: Evita somar picos incompatíveis, mas não pode ocultar cenários reais de operação simultânea. 3. Funcionamento 1. Levantar potência, quantidade, tensão, fases, fator de potência e regime de cada carga. 2. Separar cargas efetivas e reservas intertravadas. 3. Agrupar conforme a metodologia aplicável: CP1 iluminação/TUG; CP2 aquecimento; CP3 aparelhos de ar; CP4 centrais de ar; CP5 motores/cargas indutivas; CP6 solda e equipamentos odonto-médicos; CP7 demais cargas. 4. Calcular demandas parciais DP1 a DP7 usando tabelas e condições específicas. 5. Somar demandas compatíveis e verificar pisos: a demanda de um grupo não deve ficar abaixo da maior carga que pode operar sozinha. 6. Aplicar agrupamentos e diversidades adicionais somente quando autorizados e coerentes com a ocupação. 7. Comparar o resultado com limites de atendimento, medição e transformação da distribuidora. 6 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores 4. Equações e relações matemáticas Carga e demanda Cinst = n∑ i=1 niSi, DPk = fd,k CPk, DT = 7∑ k=1 DPk ni é quantidade, Si potência em VA/kVA e fd,k fator do grupo. Fórmulas específicas da distribuidora podem ser por faixas e não uma multiplicação única. Conversão de potência mecânica do motor Pmec[kW] = 0,7355P [cv], S = Pmec η cosφ Usar rendimento η e fator de potência do fabricante. Tabelas da distribuidora podem fornecer kVA padronizado e prevalecem no cálculo de ligação quando exigidas. Exemplo resolvido — demanda de motores com piso pela maior máquina Motores: 60 cv (58,15 kVA na tabela do material) e 5 cv (6,02 kVA). Com fd = 0,75: DP5 = (58,15 + 6,02)0,75 = 48,13 kVA. Como a maior máquina sozinha demanda 58,15 kVA, adota-se DP5 = 58,15 kVA. O fator de demanda não pode criar resultado incompatível com um estado operacional possível. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Grupo Conteúdo Pergunta crítica CP1 iluminação e tomadas de uso geral horário e ocupação tornam o uso próximo de 100%? CP2 aquecimento resistivo há controle que impeça simultaneidade? CP3 condicionadores individuais quantas unidades podem operar no pico térmico? CP4 centrais de climatização considerar chillers, bombas, torres e sequenciamento. CP5 motores, bombas e outras cargas in- dutivas maior motor, partidas e reservas estão identificados? CP6 solda, raio-X, tomografia e similares ciclo de trabalho e picos são compatíveis com a tabela? CP7 demais equipamentos avaliar individualmente, sem fator genérico automático. 6. Aplicação prática Problema: clínica possui iluminação, climatização e dois equipamentos de imagem que raramente operam juntos. Solução: separar CP1, CP3/4 e CP6, aplicar fatores autorizados e confirmar o fluxo clínico. Funcionamento: a demanda total representa o pico plausível, mantendo o piso da maior máquina. Resultado: transformador e entrada dimensionados sem somar todos os valores nominais nem subestimar o pico. 7. Exemplo de engenharia Considere DP1 = 35 kVA, DP2 = 12 kVA, DP3 = 28 kVA, DP5 = 58,15 kVA, DP6 = 80 kVA e DP7 = 10 kVA: DT = 223,15 kVA. Um transformador de 225 kVA ficaria praticamente no limite antes de crescimento, temperatura e harmônicos. A solução pode ser 300 kVA ou rearranjo de operação, após avaliar perdas, expansão, curto e padrão de potência da distribuidora. 8. Pontos críticos e cuidados • Não aplicar fator de demanda duas vezes ao mesmo conjunto. 7 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores • Equipamento reserva só é excluído se a simultaneidade for fisicamente ou operacionalmente impedida. • Cargas não lineares exigem avaliação de harmônicos, neutro e aquecimento do transformador. • Partida de motores pode governar queda de tensão mesmo quando a demanda permanente é aceitável. • A demanda contratada, a demanda de projeto e a demanda medida não são necessariamente iguais. Ponto crítico Observação técnica. O material-base apresenta 76 kVA em um trecho e 100 kVA em uma questão para o limite de medição direta. Esses valores não devem ser generalizados e a própria inconsistência exige atenção. O limite válido depende da regulamentação vigente da distribuidora, da tensão e do tipo de atendimento. Para projeto, consultar a norma local atual e registrar a edição utilizada. 9. Relação com outros assuntos Relaciona-se a fator de potência, tarifas, partidas de motores, harmônicos, coordenação de proteção, queda de tensão e planejamento de expansão. 10. Complementos técnicos Complemento técnico Perfil de carga. Quando dados horários existem, curvas de demanda e fator de carga são superiores a uma estimativa puramente tabular. Simulação por cenários — operação normal, pico, emergência e expansão — evidencia quais cargas realmente coincidem e quais intertravamentos precisam ser documentados. 11. Para memorizar Para memorizar • Cinst = ∑ niSi; demanda considera simultaneidade e regime. • Grupos do material: CP1 a CP7; demandas parciais DP1 a DP7. • DT = ∑ DPk, respeitando fórmulas e faixas da distribuidora. • Demanda de motores/CP6 não deve ficar abaixo da maior carga individual possível. • Limites de fornecimento e medição são locais e devem ser verificados na versão vigente. 12. Resumo final do módulo Revisão de 60 segundos Dimensionar demanda exige conhecer o processo, não apenas preencher uma tabela. As cargas são agrupadas, os fatores são aplicados uma única vez e o resultado é confrontado com pisos físicos e cenários de operação. Reser- vas, partidas, harmônicos e crescimento precisam estar explícitos. Regras de atendimento e medição pertencem à distribuidora local e não podem ser universalizadas. 8 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores MÓDULO 3 Transformadores de potência e transformadores para instrumentos Questão central Como transformar grandes níveis de energia e fornecer sinais seguros e fiéis para medição e proteção? Resultado esperado Interpretar construção, refrigeração e acessórios de transformadores, além de relações, cargas e segurança de TC e TP. 1. Visão geral Transformadores de potência transferem energia entre níveis de tensão. Transformadores para instrumentos reproduzem tensão ou corrente em escala reduzida e isolada para medidores e relés. O TC trabalha aproximadamente como fonte de corrente; o TP, como fonte de tensão. Essa diferença determina cuidados críticos: secundário de TC não deve ficar aberto em serviço e secundário de TP não deve ser curto-circuitado. 2. Conceitos fundamentais Tap changer Definição técnica: Dispositivo que altera o número efetivo de espiras para regular atensão. Em termos simples: DETC opera desenergizado; OLTC muda tap sob carga usando transições que evitam interromper corrente ou curto-circuitar espiras. Refrigeração Definição técnica: Combinação de circulação do fluido interno e do meio externo: natural ou forçada. Em termos simples: ONAN usa óleo e ar naturais; ONAF mantém óleo natural e força o ar nos radiadores. TC de medição e de proteção Definição técnica: O de medição privilegia exatidão na faixa normal e pode saturar para proteger instrumentos; o de proteção deve reproduzir faltas dentro de sua classe. Em termos simples: Usar o mesmo núcleo sem verificar classe pode comprometer faturamento ou atuação do relé. Carga secundária (burden) Definição técnica: Impedância/potência aparente total conectada ao secundário, incluindo cabos e instrumentos. Em termos simples: Carga excessiva aumenta erro e pode antecipar saturação do TC ou queda no TP. 3. Funcionamento No transformador de potência, núcleo conduz fluxo; enrolamentos são isolados e suportados mecanicamente; tanque contém o conjunto; radiadores dissipam calor; conservador acomoda dilatação do óleo; sílica-gel seca o ar admitido; Buchholz detecta formação de gás/fluxo em unidades com conservador; termômetros e imagens térmicas supervisionam temperatura. As designações de refrigeração citadas no estudo são: AN/AF para transformadores secos com ar natural/forçado; ONAN (óleo natural, ar natural); ONAF (óleo natural, ar forçado); OFAN (óleo forçado, ar natural) e OFAF (óleo forçado, ar forçado). Cada estágio possui potência e limites térmicos próprios. No TC, a corrente primária estabelece fluxo que produz corrente secundária aproximadamente proporcional. Abrir o se- cundário remove a força magnetomotriz de compensação e pode gerar sobretensão perigosa. No TP, a tensão secundária é proporcional à primária; um curto exige fusível/proteção porque produz corrente elevada. 9 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores 4. Equações e relações matemáticas Relações nominais RTC = I1N I2N , I2 ≈ I1 RTC RTP = V1N V2N , V2 ≈ V1 RTP Secundários de TC usuais são 5 A ou 1 A. TPs podem utilizar 115 V, 115/ √ 3 V ou outros valores normalizados conforme aplicação. Carga secundária Sb = I22 |Zb| (TC), Sb = V 2 2 |Zb| (TP) Somam-se cabos, bornes, medidores e relés. Para TC com cabo de ida e volta, Rcab = 2ρℓ/A quando os condutores percorrem a mesma distância ℓ. Exemplo resolvido — TC e queda nos cabos TC 600/5 A alimenta carga de 0,20Ω e cabos com 0,12Ω de laço. Em corrente nominal: Sb = 52(0,20 + 0,12) = 8VA. Um TC de carga nominal 5 VA estaria sobrecarregado; um de 10 VA pode atender, desde que classe de exatidão e desempenho de proteção também sejam verificados. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Elemento Função Observação Núcleo/enrolamentos acoplamento magnético e transformação isolamento e forças de curto governam construção. Tanque/radiador contenção e dissipação de calor estanqueidade, corrosão e circulação do fluido. Conservador/Buchholz expansão do óleo e de- tecção de gás/fluxo aplicável a configurações com conservador. Bucha passagem isolada do con- dutor porcelana, papel/resina e materiais compostos existem con- forme tecnologia. TC barra/enrolado/- janela diferentes construções do primário janela usa o próprio condutor; núcleo partido facilita retrofit. TP indutivo/capacitivo redução de tensão para medição/proteção classe, carga e fenômenos transitórios devem ser considerados. Quanto à construção, o material distingue TC tipo barra, com primário integrado em forma de barra; TC tipo enrolado, com primário e secundário bobinados; TC tipo janela, atravessado pelo próprio condutor; e TC de núcleo partido, que facilita instalação sem desconectar o circuito primário. 6. Aplicação prática Problema: relé de sobrecorrente fica distante do TC. Solução: calcular resistência dos cabos e burden total; selecionar seção, secundário 1 A ou TC adequado. Funcionamento: reduzir corrente secundária reduz perdas I2R e tensão exigida do TC. Resultado: sinal dentro da classe e menor risco de saturação. 10 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores 7. Exemplo de engenharia Para corrente primária máxima contínua de 420 A, um TC 400/5 ficaria acima da nominal; 500/5 oferece margem. Porém a relação maior reduz a corrente secundária para a mesma falta e pode diminuir sensibilidade. O engenheiro verifica corrente de carga, curto mínimo/máximo, classe de proteção, ponto de joelho, burden, relação e faixa do relé antes de decidir. 8. Pontos críticos e cuidados • Nunca abrir secundário de TC energizado; curto-circuitar em borne apropriado antes da intervenção. • Proteger secundário de TP contra curto e aterrar um ponto conforme esquema. • Paralelismo de transformadores exige relação/taps, polaridade, sequência, grupo vetorial e impedâncias compatíveis. • OLTC possui mecanismo e óleo sujeitos a desgaste e manutenção próprios. • Classe de exatidão sem burden e faixa de corrente/tensão é informação incompleta. Ponto crítico Observações técnicas sobre o material. (1) O texto afirma que buchas são fabricadas somente em porcelana; atualmente também existem buchas em resina, papel impregnado e invólucros compostos, conforme classe e projeto. (2) O texto apresenta 5 A como saída do TC; 1 A também é amplamente utilizado. (3) A referência “NBR 6856/92” é antiga; classes e designações devem ser conferidas na edição vigente da norma aplicável e na documentação do fabricante. O material-base lista classes históricas 0,1; 0,3; 0,6; 1,2 e 3,0 para diferentes finalidades. Elas devem ser entendidas como conteúdo do documento original, não como tabela automaticamente válida para um projeto atual. 9. Relação com outros assuntos Relaciona-se a proteção diferencial e de sobrecorrente, faturamento, qualidade da medição, saturação magnética, curto- circuito, regulação e manutenção preditiva. 10. Complementos técnicos Complemento técnico Saturação do TC. Durante faltas assimétricas, componente contínua e fluxo remanente podem saturar o núcleo. A corrente secundária fica deformada e menor que a ideal, atrasando ou impedindo funções de proteção. Relação, classe, burden, ponto de joelho e tempo de remanência devem ser compatíveis com o relé e a corrente de falta. 11. Para memorizar Para memorizar • Transformador de potência: núcleo, enrolamentos, tanque, refrigeração, buchas, taps e proteções. • ONAN: óleo natural/ar natural; ONAF: óleo natural/ar forçado. • TC: nunca abrir o secundário em serviço; saídas usuais 5 A ou 1 A. • TP: nunca curto-circuitar o secundário; tensão reduzida usualmente normalizada. • Relação, classe e burden devem ser avaliados em conjunto. 12. Resumo final do módulo Revisão de 60 segundos Transformadores de potência são sistemas eletromagnéticos, térmicos, dielétricos e mecânicos. Taps regulam tensão e os métodos de refrigeração definem capacidade. TC e TP isolam e reduzem grandezas, mas possuem comportamentos opostos diante de circuito aberto/curto. A especificação correta exige relação, classe, burden, saturação e aplicação 11 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores de medição ou proteção. 12 / 13 Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores Fechamento do Tema 4 Etapa Pergunta de verificação Conexão qual tensão, ponto de entrega e padrão vigente da distribuidora? Demanda quais cargas podem coincidir e quais são realmente reservas? Transformação potência, taps, impedância, perdas e refrigeração atendem aos cenários? Medição/proteção TC/TP têm relação, classe e burden compatíveis? Segurança curto, arco, terra, acessos e procedimentos foram integrados ao projeto? Matriz de cobertura do material-base Mód. Conteúdo original Onde foi incorporado 1 SE ≥ 69 kV, vãos, redundância, comutadores, TC/TP visão geral, funcionamento e exemplo. 1 SEconceitos, tabela e aplicação. 1 ligação, projeto, aumento de carga, construção e docu- mentos componentes, aplicação e cuidados. 2 carga instalada CP1–CP7 e exclusão de reservas conceitos, funcionamento e tabela. 2 demandas DP1–DP7, fatores, motores, CP6 e agrupa- mentos equações, exemplos, cuidados e memorização. 2 limites de atendimento/medição específicos da LIGHT observação técnica e aplicação. 3 transformadores, taps, buchas, refrigeração, tanque e Buchholz funcionamento, componentes e cuidados. 3 TC barra/enrolado/janela/partido, relações, burden e classes conceitos, equações, exemplo e complemento. 3 TP, valores secundários e aplicações de medição/pro- teção funcionamento, equações e memorização. Referências do material-base e complementos ABNT NBR 14039. Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Consultar edição vigente. ABNT NBR 6856. Transformadores de corrente. Consultar edição vigente. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade. Texto vigente. LIGHT. Regulamentação para fornecimento de energia elétrica. Confirmar norma e versão aplicáveis ao local. MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais. LTC. 13 / 13 Mapa do tema 1. Visão geral 2. Conceitos fundamentais 3. Funcionamento 4. Equações e relações matemáticas 5. Componentes, elementos ou equipamentos 6. Aplicação prática 7. Exemplo de engenharia 8. Pontos críticos e cuidados 9. Relação com outros assuntos 10. Complementos técnicos 11. Para memorizar 12. Resumo final do módulo 1. Visão geral 2. Conceitos fundamentais 3. Funcionamento 4. Equações e relações matemáticas 5. Componentes, elementos ou equipamentos 6. Aplicação prática 7. Exemplo de engenharia 8. Pontos críticos e cuidados 9. Relação com outros assuntos 10. Complementos técnicos 11. Para memorizar 12. Resumo final do módulo 1. Visão geral 2. Conceitos fundamentais 3. Funcionamento 4. Equações e relações matemáticas 5. Componentes, elementos ou equipamentos 6. Aplicação prática 7. Exemplo de engenharia 8. Pontos críticos e cuidados 9. Relação com outros assuntos 10. Complementos técnicos 11. Para memorizar 12. Resumo final do módulo Fechamento do Tema 4