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APOSTILA DE REVISÃO TÉCNICA
Subestações
Sistemas, equipamentos, proteção e projeto
Tema 4
Subestações de Consumidor, Cálculos e Equipa-
mentos
Entrada de energia, demanda, transformadores de potência, TC e TP
Pergunta-guia
Como transformar a necessidade do consumidor em uma subestação dimensionada, documentada, medida e protegida
corretamente?
Ao final, você deverá ser capaz de
Classificar a entrada, calcular carga e demanda, interpretar transformadores e especificar transformadores para instru-
mentos sem comprometer medição ou proteção.
Engenharia Elétrica — material construído a partir do conteúdo da disciplina e complementado para estudo.
Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
Mapa do tema
Módulo
Conteúdo Entrega de engenharia
1
subestações de consumidor, padrões e
documentação
definir concepção e processo de ligação.
2
carga instalada, demanda parcial/total
e tipo de atendimento
dimensionar entrada e transformação sem super ou subesti-
mar.
3
transformadores de potência, refriger-
ação, TC e TP
selecionar equipamentos de transformação, medição e pro-
teção.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
MÓDULO 1
Subestações de consumidor e processo de ligação
Questão central
Qual tipologia atende à potência, tensão, espaço, continuidade e padrão da distribuidora?
Resultado esperado
Distinguir instalações acima/abaixo de 69 kV, simplificadas, abrigadas e blindadas, e organizar
a documentação do projeto.
1. Visão geral
A subestação de consumidor recebe energia em média ou alta tensão, mede, protege e transforma para os níveis internos.
Grandes consumidores conectados em 69 kV ou mais utilizam pátios e arranjos semelhantes aos de transmissão, com vãos
de linha, barras, disjuntores, TCs, TPs, relés e transformadores com regulação. Em média tensão, a solução pode ser
simplificada, abrigada convencional ou blindada, conforme demanda e regras locais.
2. Conceitos fundamentais
Ponto de entrega
Definição técnica: Limite de responsabilidade definido pela regulamentação e pela distribuidora.
Em termos simples: Determina onde termina a rede da concessionária e começa a instalação do consumidor.
Subestação simplificada
Definição técnica: Solução padronizada de menor porte, frequentemente com proteção primária por fusíveis. O
material-base usa 300 kVA como limite no padrão estudado.
Em termos simples: Reduz custo e prazo, mas o limite de potência, a medição e a aplicação dependem da distribuidora
vigente.
Subestação convencional abrigada
Definição técnica: Instalação em edificação com compartimentos para entrada, proteção, medição e transformação.
Em termos simples: Permite mais equipamentos e flexibilidade, exigindo obra civil, ventilação, acessos e distâncias.
Subestação blindada/metal-clad
Definição técnica: Conjunto em invólucro metálico compartimentado e ensaiado conforme sua classe.
Em termos simples: É compacta e controlada em fábrica, mas requer especificação completa e manutenção conforme
fabricante.
3. Funcionamento
Em uma entrada típica, o ramal chega ao cubículo de entrada; para-raios limitam surtos; seccionamento permite isolamento;
a proteção geral interrompe faltas; TCs e TPs alimentam medição e relés; o transformador reduz tensão; o QGBT distribui
em baixa tensão. Intertravamentos impedem acesso a partes energizadas e operações incompatíveis.
Rede da
distribuidora
Entrada e
para-raios
Proteção
geral
TC/TP e
medição Transformador
QGBT e cargas
4. Equações e relações matemáticas
Corrente de entrada
I =
S√
3VL
Para S = 2MVA em 13,8 kV, I = 83,7 A. Em 69 kV, para a mesma potência, I = 16,7 A. O nível de atendimento
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
não é escolhido apenas pela corrente: rede disponível, custo, demanda e padrão regulatório são determinantes.
Margem de transformação
STR,inst ≥
Dproj
kcarreg
Dproj é a demanda de projeto e kcarreg o carregamento máximo adotado. A margem deve ser justificada por
crescimento, temperatura, contingência e estratégia de manutenção; superdimensionamento aumenta perdas em vazio
e investimento.
5. Componentes, elementos ou equipamentos
Documento Conteúdo Finalidade
Consulta/solicitação demanda, tensão, ativi-
dade e localização
verificar viabilidade e condições de atendimento.
Projeto elétrico unifilar, cargas, curto, pro-
teção, cabos e terra
demonstrar segurança e coordenação.
Projeto civil/layout planta, cortes, acessos,
ventilação e drenagem
garantir instalação, retirada e manutenção dos equipamentos.
Responsabilidade téc-
nica
ART/RRT e identificação
dos responsáveis
formalizar autoria e execução.
Cadastro do titular documentos da pessoa físi-
ca/jurídica e propriedade
estabelecer relação contratual e acesso.
Comissionamento ensaios, ajustes, laudos e
as-built
comprovar conformidade antes da energização.
6. Aplicação prática
Problema: nova unidade industrial requer alimentação em 13,8 kV. Solução: consultar a distribuidora, calcular demanda,
curto e proteção, definir subestação abrigada e apresentar unifilar/layout/documentação. Funcionamento: a distribuidora
analisa a conexão; a obra é inspecionada e comissionada. Resultado: energização com responsabilidades e limites definidos.
7. Exemplo de engenharia
Uma instalação possui dois transformadores de 1 MVA e exige continuidade. Operar ambos em paralelo pode elevar o
curto de BT e requer compatibilidade de relação, taps, impedância, grupo vetorial e sequência. Outra estratégia é manter
barras separadas com interligação normalmente aberta, permitindo transferência controlada. A opção resulta do estudo de
confiabilidade e curto, não apenas da soma das potências.
8. Pontos críticos e cuidados
• Requisitos de acesso da distribuidora, posição do ponto de entrega e medição variam localmente.
• Cubículos precisam de classificação de arco interno, intertravamentos e alívio de pressão quando aplicável.
• Prever retirada do transformador, contenção de óleo, ventilação, incêndio, iluminação e rota de fuga.
• A NR-10 exige medidas de controle e gestão de riscos durante projeto, operação e manutenção.
• Expansão futura deve ser prevista em barramentos, espaço, cabos, proteção e capacidade de curto.
9. Relação com outros assuntos
Relaciona-se a instalações de MT, proteção, curto-circuito, seletividade, aterramento, segurança, arquitetura e engenharia
civil.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
10. Complementos técnicos
Complemento técnico
Complemento — sequência de segurança. Antes de intervir, aplicar procedimento formal: seccionamento, im-
pedimento de reenergização, constatação da ausência de tensão, aterramento temporário/equipotencialização quando
aplicável, proteção de partes energizadas próximas e sinalização. A execução depende da análise de risco e da NR-10
vigente.
11. Para memorizar
Para memorizar
• Simplificada: menor porte e proteção primária frequentemente fusível; limite é local.
• Convencional: compartimentos e maior flexibilidade; blindada: conjunto metálico ensaiado.
• Fluxo típico: entrada → proteção → medição → transformação → QGBT.
• Projeto inclui unifilar, cargas, curto, proteção, terra, layout e responsabilidade técnica.
• Prever acesso, retirada de equipamentos, ventilação, óleo/incêndio e expansão.
12. Resumo final do módulo
Revisão de 60 segundos
A subestação de consumidor é definida pela conexão disponível, demanda, continuidade, espaço e padrão da dis-
tribuidora. Tipologia e documentação caminham juntas: o unifilar precisa corresponder ao layout, à proteção, ao
aterramento e aos procedimentos. Uma solução compacta ou barata só é adequada se suportar curto, manutenção,
expansão e segurança.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
MÓDULO 2
Carga instalada, demanda e dimensionamento da entrada
Questão central
Como converter uma lista de equipamentos em uma demanda tecnicamente defensável?Resultado esperado
Agrupar cargas, aplicar simultaneidade, tratar reservas e escolher atendimento/medição con-
forme regras locais.
1. Visão geral
Carga instalada é a soma das potências nominais dos equipamentos que efetivamente compõem a instalação. Demanda é
a potência provável ou medida no intervalo de interesse. A metodologia do material-base agrupa cargas em sete categorias
e aplica fatores de demanda da regulamentação da LIGHT. Esses fatores não são universais: o engenheiro deve utilizar o
padrão da distribuidora do local e justificar o perfil real da instalação.
2. Conceitos fundamentais
Carga instalada Cinst
Definição técnica: Soma das potências das cargas previstas, segundo os critérios do padrão aplicável.
Em termos simples: É o total das placas, não necessariamente o que funcionará ao mesmo tempo.
Fator de demanda fd
Definição técnica: Razão entre demanda máxima e carga instalada do conjunto.
Em termos simples: Representa simultaneidade e regime de uso; deve ficar entre 0 e 1 na definição usual.
Carga reserva
Definição técnica: Equipamento que substitui outro e não opera simultaneamente em regime normal.
Em termos simples: Pode ser excluído conforme a regra aplicável, desde que a lógica de operação garanta a reserva.
Demanda diversificada
Definição técnica: Demanda conjunta considerando que máximos individuais não ocorrem necessariamente no mesmo
instante.
Em termos simples: Evita somar picos incompatíveis, mas não pode ocultar cenários reais de operação simultânea.
3. Funcionamento
1. Levantar potência, quantidade, tensão, fases, fator de potência e regime de cada carga.
2. Separar cargas efetivas e reservas intertravadas.
3. Agrupar conforme a metodologia aplicável: CP1 iluminação/TUG; CP2 aquecimento; CP3 aparelhos de ar; CP4 centrais
de ar; CP5 motores/cargas indutivas; CP6 solda e equipamentos odonto-médicos; CP7 demais cargas.
4. Calcular demandas parciais DP1 a DP7 usando tabelas e condições específicas.
5. Somar demandas compatíveis e verificar pisos: a demanda de um grupo não deve ficar abaixo da maior carga que pode
operar sozinha.
6. Aplicar agrupamentos e diversidades adicionais somente quando autorizados e coerentes com a ocupação.
7. Comparar o resultado com limites de atendimento, medição e transformação da distribuidora.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
4. Equações e relações matemáticas
Carga e demanda
Cinst =
n∑
i=1
niSi, DPk = fd,k CPk, DT =
7∑
k=1
DPk
ni é quantidade, Si potência em VA/kVA e fd,k fator do grupo. Fórmulas específicas da distribuidora podem ser por
faixas e não uma multiplicação única.
Conversão de potência mecânica do motor
Pmec[kW] = 0,7355P [cv], S =
Pmec
η cosφ
Usar rendimento η e fator de potência do fabricante. Tabelas da distribuidora podem fornecer kVA padronizado e
prevalecem no cálculo de ligação quando exigidas.
Exemplo resolvido — demanda de motores com piso pela maior máquina
Motores: 60 cv (58,15 kVA na tabela do material) e 5 cv (6,02 kVA). Com fd = 0,75:
DP5 = (58,15 + 6,02)0,75 = 48,13 kVA.
Como a maior máquina sozinha demanda 58,15 kVA, adota-se DP5 = 58,15 kVA. O fator de demanda não pode criar
resultado incompatível com um estado operacional possível.
5. Componentes, elementos ou equipamentos
Grupo Conteúdo Pergunta crítica
CP1 iluminação e tomadas de uso geral horário e ocupação tornam o uso próximo de 100%?
CP2 aquecimento resistivo há controle que impeça simultaneidade?
CP3 condicionadores individuais quantas unidades podem operar no pico térmico?
CP4 centrais de climatização considerar chillers, bombas, torres e sequenciamento.
CP5 motores, bombas e outras cargas in-
dutivas
maior motor, partidas e reservas estão identificados?
CP6 solda, raio-X, tomografia e similares ciclo de trabalho e picos são compatíveis com a tabela?
CP7 demais equipamentos avaliar individualmente, sem fator genérico automático.
6. Aplicação prática
Problema: clínica possui iluminação, climatização e dois equipamentos de imagem que raramente operam juntos. Solução:
separar CP1, CP3/4 e CP6, aplicar fatores autorizados e confirmar o fluxo clínico. Funcionamento: a demanda total
representa o pico plausível, mantendo o piso da maior máquina. Resultado: transformador e entrada dimensionados sem
somar todos os valores nominais nem subestimar o pico.
7. Exemplo de engenharia
Considere DP1 = 35 kVA, DP2 = 12 kVA, DP3 = 28 kVA, DP5 = 58,15 kVA, DP6 = 80 kVA e DP7 = 10 kVA:
DT = 223,15 kVA.
Um transformador de 225 kVA ficaria praticamente no limite antes de crescimento, temperatura e harmônicos. A solução
pode ser 300 kVA ou rearranjo de operação, após avaliar perdas, expansão, curto e padrão de potência da distribuidora.
8. Pontos críticos e cuidados
• Não aplicar fator de demanda duas vezes ao mesmo conjunto.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
• Equipamento reserva só é excluído se a simultaneidade for fisicamente ou operacionalmente impedida.
• Cargas não lineares exigem avaliação de harmônicos, neutro e aquecimento do transformador.
• Partida de motores pode governar queda de tensão mesmo quando a demanda permanente é aceitável.
• A demanda contratada, a demanda de projeto e a demanda medida não são necessariamente iguais.
Ponto crítico
Observação técnica. O material-base apresenta 76 kVA em um trecho e 100 kVA em uma questão para o limite de
medição direta. Esses valores não devem ser generalizados e a própria inconsistência exige atenção. O limite válido
depende da regulamentação vigente da distribuidora, da tensão e do tipo de atendimento. Para projeto, consultar a
norma local atual e registrar a edição utilizada.
9. Relação com outros assuntos
Relaciona-se a fator de potência, tarifas, partidas de motores, harmônicos, coordenação de proteção, queda de tensão e
planejamento de expansão.
10. Complementos técnicos
Complemento técnico
Perfil de carga. Quando dados horários existem, curvas de demanda e fator de carga são superiores a uma estimativa
puramente tabular. Simulação por cenários — operação normal, pico, emergência e expansão — evidencia quais
cargas realmente coincidem e quais intertravamentos precisam ser documentados.
11. Para memorizar
Para memorizar
• Cinst =
∑
niSi; demanda considera simultaneidade e regime.
• Grupos do material: CP1 a CP7; demandas parciais DP1 a DP7.
• DT =
∑
DPk, respeitando fórmulas e faixas da distribuidora.
• Demanda de motores/CP6 não deve ficar abaixo da maior carga individual possível.
• Limites de fornecimento e medição são locais e devem ser verificados na versão vigente.
12. Resumo final do módulo
Revisão de 60 segundos
Dimensionar demanda exige conhecer o processo, não apenas preencher uma tabela. As cargas são agrupadas, os
fatores são aplicados uma única vez e o resultado é confrontado com pisos físicos e cenários de operação. Reser-
vas, partidas, harmônicos e crescimento precisam estar explícitos. Regras de atendimento e medição pertencem à
distribuidora local e não podem ser universalizadas.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
MÓDULO 3
Transformadores de potência e transformadores para instrumentos
Questão central
Como transformar grandes níveis de energia e fornecer sinais seguros e fiéis para medição e
proteção?
Resultado esperado
Interpretar construção, refrigeração e acessórios de transformadores, além de relações, cargas e
segurança de TC e TP.
1. Visão geral
Transformadores de potência transferem energia entre níveis de tensão. Transformadores para instrumentos reproduzem
tensão ou corrente em escala reduzida e isolada para medidores e relés. O TC trabalha aproximadamente como fonte de
corrente; o TP, como fonte de tensão. Essa diferença determina cuidados críticos: secundário de TC não deve ficar aberto
em serviço e secundário de TP não deve ser curto-circuitado.
2. Conceitos fundamentais
Tap changer
Definição técnica: Dispositivo que altera o número efetivo de espiras para regular atensão.
Em termos simples: DETC opera desenergizado; OLTC muda tap sob carga usando transições que evitam interromper
corrente ou curto-circuitar espiras.
Refrigeração
Definição técnica: Combinação de circulação do fluido interno e do meio externo: natural ou forçada.
Em termos simples: ONAN usa óleo e ar naturais; ONAF mantém óleo natural e força o ar nos radiadores.
TC de medição e de proteção
Definição técnica: O de medição privilegia exatidão na faixa normal e pode saturar para proteger instrumentos; o de
proteção deve reproduzir faltas dentro de sua classe.
Em termos simples: Usar o mesmo núcleo sem verificar classe pode comprometer faturamento ou atuação do relé.
Carga secundária (burden)
Definição técnica: Impedância/potência aparente total conectada ao secundário, incluindo cabos e instrumentos.
Em termos simples: Carga excessiva aumenta erro e pode antecipar saturação do TC ou queda no TP.
3. Funcionamento
No transformador de potência, núcleo conduz fluxo; enrolamentos são isolados e suportados mecanicamente; tanque contém
o conjunto; radiadores dissipam calor; conservador acomoda dilatação do óleo; sílica-gel seca o ar admitido; Buchholz detecta
formação de gás/fluxo em unidades com conservador; termômetros e imagens térmicas supervisionam temperatura.
As designações de refrigeração citadas no estudo são: AN/AF para transformadores secos com ar natural/forçado; ONAN
(óleo natural, ar natural); ONAF (óleo natural, ar forçado); OFAN (óleo forçado, ar natural) e OFAF (óleo forçado, ar
forçado). Cada estágio possui potência e limites térmicos próprios.
No TC, a corrente primária estabelece fluxo que produz corrente secundária aproximadamente proporcional. Abrir o se-
cundário remove a força magnetomotriz de compensação e pode gerar sobretensão perigosa. No TP, a tensão secundária é
proporcional à primária; um curto exige fusível/proteção porque produz corrente elevada.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
4. Equações e relações matemáticas
Relações nominais
RTC =
I1N
I2N
, I2 ≈ I1
RTC
RTP =
V1N
V2N
, V2 ≈ V1
RTP
Secundários de TC usuais são 5 A ou 1 A. TPs podem utilizar 115 V, 115/
√
3 V ou outros valores normalizados
conforme aplicação.
Carga secundária
Sb = I22 |Zb| (TC), Sb =
V 2
2
|Zb|
(TP)
Somam-se cabos, bornes, medidores e relés. Para TC com cabo de ida e volta, Rcab = 2ρℓ/A quando os condutores
percorrem a mesma distância ℓ.
Exemplo resolvido — TC e queda nos cabos
TC 600/5 A alimenta carga de 0,20Ω e cabos com 0,12Ω de laço. Em corrente nominal:
Sb = 52(0,20 + 0,12) = 8VA.
Um TC de carga nominal 5 VA estaria sobrecarregado; um de 10 VA pode atender, desde que classe de exatidão e
desempenho de proteção também sejam verificados.
5. Componentes, elementos ou equipamentos
Elemento Função Observação
Núcleo/enrolamentos acoplamento magnético e
transformação
isolamento e forças de curto governam construção.
Tanque/radiador contenção e dissipação de
calor
estanqueidade, corrosão e circulação do fluido.
Conservador/Buchholz expansão do óleo e de-
tecção de gás/fluxo
aplicável a configurações com conservador.
Bucha passagem isolada do con-
dutor
porcelana, papel/resina e materiais compostos existem con-
forme tecnologia.
TC barra/enrolado/-
janela
diferentes construções do
primário
janela usa o próprio condutor; núcleo partido facilita retrofit.
TP indutivo/capacitivo redução de tensão para
medição/proteção
classe, carga e fenômenos transitórios devem ser considerados.
Quanto à construção, o material distingue TC tipo barra, com primário integrado em forma de barra; TC tipo enrolado,
com primário e secundário bobinados; TC tipo janela, atravessado pelo próprio condutor; e TC de núcleo partido, que
facilita instalação sem desconectar o circuito primário.
6. Aplicação prática
Problema: relé de sobrecorrente fica distante do TC. Solução: calcular resistência dos cabos e burden total; selecionar
seção, secundário 1 A ou TC adequado. Funcionamento: reduzir corrente secundária reduz perdas I2R e tensão exigida
do TC. Resultado: sinal dentro da classe e menor risco de saturação.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
7. Exemplo de engenharia
Para corrente primária máxima contínua de 420 A, um TC 400/5 ficaria acima da nominal; 500/5 oferece margem. Porém a
relação maior reduz a corrente secundária para a mesma falta e pode diminuir sensibilidade. O engenheiro verifica corrente
de carga, curto mínimo/máximo, classe de proteção, ponto de joelho, burden, relação e faixa do relé antes de decidir.
8. Pontos críticos e cuidados
• Nunca abrir secundário de TC energizado; curto-circuitar em borne apropriado antes da intervenção.
• Proteger secundário de TP contra curto e aterrar um ponto conforme esquema.
• Paralelismo de transformadores exige relação/taps, polaridade, sequência, grupo vetorial e impedâncias compatíveis.
• OLTC possui mecanismo e óleo sujeitos a desgaste e manutenção próprios.
• Classe de exatidão sem burden e faixa de corrente/tensão é informação incompleta.
Ponto crítico
Observações técnicas sobre o material. (1) O texto afirma que buchas são fabricadas somente em porcelana;
atualmente também existem buchas em resina, papel impregnado e invólucros compostos, conforme classe e projeto.
(2) O texto apresenta 5 A como saída do TC; 1 A também é amplamente utilizado. (3) A referência “NBR 6856/92”
é antiga; classes e designações devem ser conferidas na edição vigente da norma aplicável e na documentação do
fabricante.
O material-base lista classes históricas 0,1; 0,3; 0,6; 1,2 e 3,0 para diferentes finalidades. Elas devem ser entendidas
como conteúdo do documento original, não como tabela automaticamente válida para um projeto atual.
9. Relação com outros assuntos
Relaciona-se a proteção diferencial e de sobrecorrente, faturamento, qualidade da medição, saturação magnética, curto-
circuito, regulação e manutenção preditiva.
10. Complementos técnicos
Complemento técnico
Saturação do TC. Durante faltas assimétricas, componente contínua e fluxo remanente podem saturar o núcleo. A
corrente secundária fica deformada e menor que a ideal, atrasando ou impedindo funções de proteção. Relação, classe,
burden, ponto de joelho e tempo de remanência devem ser compatíveis com o relé e a corrente de falta.
11. Para memorizar
Para memorizar
• Transformador de potência: núcleo, enrolamentos, tanque, refrigeração, buchas, taps e proteções.
• ONAN: óleo natural/ar natural; ONAF: óleo natural/ar forçado.
• TC: nunca abrir o secundário em serviço; saídas usuais 5 A ou 1 A.
• TP: nunca curto-circuitar o secundário; tensão reduzida usualmente normalizada.
• Relação, classe e burden devem ser avaliados em conjunto.
12. Resumo final do módulo
Revisão de 60 segundos
Transformadores de potência são sistemas eletromagnéticos, térmicos, dielétricos e mecânicos. Taps regulam tensão e
os métodos de refrigeração definem capacidade. TC e TP isolam e reduzem grandezas, mas possuem comportamentos
opostos diante de circuito aberto/curto. A especificação correta exige relação, classe, burden, saturação e aplicação
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
de medição ou proteção.
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Engenharia Elétrica — Subestações Tema 4 — Projeto, demanda e transformadores
Fechamento do Tema 4
Etapa
Pergunta de verificação
Conexão
qual tensão, ponto de entrega e padrão vigente da distribuidora?
Demanda
quais cargas podem coincidir e quais são realmente reservas?
Transformação
potência, taps, impedância, perdas e refrigeração atendem aos cenários?
Medição/proteção
TC/TP têm relação, classe e burden compatíveis?
Segurança
curto, arco, terra, acessos e procedimentos foram integrados ao projeto?
Matriz de cobertura do material-base
Mód.
Conteúdo original Onde foi incorporado
1
SE ≥ 69 kV, vãos, redundância, comutadores, TC/TP visão geral, funcionamento e exemplo.
1
SEconceitos, tabela e aplicação.
1
ligação, projeto, aumento de carga, construção e docu-
mentos
componentes, aplicação e cuidados.
2
carga instalada CP1–CP7 e exclusão de reservas conceitos, funcionamento e tabela.
2
demandas DP1–DP7, fatores, motores, CP6 e agrupa-
mentos
equações, exemplos, cuidados e memorização.
2
limites de atendimento/medição específicos da LIGHT observação técnica e aplicação.
3
transformadores, taps, buchas, refrigeração, tanque e
Buchholz
funcionamento, componentes e cuidados.
3
TC barra/enrolado/janela/partido, relações, burden e
classes
conceitos, equações, exemplo e complemento.
3
TP, valores secundários e aplicações de medição/pro-
teção
funcionamento, equações e memorização.
Referências do material-base e complementos
ABNT NBR 14039. Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Consultar edição vigente.
ABNT NBR 6856. Transformadores de corrente. Consultar edição vigente.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade. Texto
vigente.
LIGHT. Regulamentação para fornecimento de energia elétrica. Confirmar norma e versão aplicáveis ao local.
MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais. LTC.
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	Mapa do tema
	1. Visão geral
	2. Conceitos fundamentais
	3. Funcionamento
	4. Equações e relações matemáticas
	5. Componentes, elementos ou equipamentos
	6. Aplicação prática
	7. Exemplo de engenharia
	8. Pontos críticos e cuidados
	9. Relação com outros assuntos
	10. Complementos técnicos
	11. Para memorizar
	12. Resumo final do módulo
	1. Visão geral
	2. Conceitos fundamentais
	3. Funcionamento
	4. Equações e relações matemáticas
	5. Componentes, elementos ou equipamentos
	6. Aplicação prática
	7. Exemplo de engenharia
	8. Pontos críticos e cuidados
	9. Relação com outros assuntos
	10. Complementos técnicos
	11. Para memorizar
	12. Resumo final do módulo
	1. Visão geral
	2. Conceitos fundamentais
	3. Funcionamento
	4. Equações e relações matemáticas
	5. Componentes, elementos ou equipamentos
	6. Aplicação prática
	7. Exemplo de engenharia
	8. Pontos críticos e cuidados
	9. Relação com outros assuntos
	10. Complementos técnicos
	11. Para memorizar
	12. Resumo final do módulo
	Fechamento do Tema 4

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