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JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato (a) aprovado(a) que, embora tenha sido acometido(a) por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição relevante que impeça o exercício da função pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e II). O Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema 1015 da Repercussão Geral, analisou a constitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidatos que, embora tenham sido acometidos por doenças graves, como o câncer, já tenham superado a doença e não apresentem sintomas incapacitantes ou restrições laborais. A candidata em questão havia sido aprovada em concurso público, mas foi impedida de assumir o cargo de professora, pois, apesar de ter completado o tratamento do câncer de mama, a perícia médica exigia um período de cinco anos desde o fim do tratamento para permitir a posse em casos de neoplasia ginecológica. A decisão administrativa foi questionada sob a alegação de que essa exigência violava princípios constitucionais, como o da isonomia, da dignidade da pessoa humana e do acesso aos cargos públicos. O STF, ao analisar a questão, estabeleceu que a vedação genérica à posse com base apenas no histórico de doença grave é inconstitucional, especialmente quando o candidato não apresenta restrição atual para o exercício do cargo. A Corte argumentou que essa vedação violaria os princípios da dignidade da pessoa humana, pois impedir a posse com base em um histórico de doença configura um juízo de incapacidade presumida, o que é inadequado. O STF também enfatizou que a restrição à posse só poderia ser válida se justificada por critérios objetivos e se fosse compatível com as funções do cargo. Ou seja, a exigência de carência temporal para a posse de candidatos que superaram doenças graves não pode ser aplicada de maneira genérica, sem uma análise caso a caso e sem uma justificativa baseada no interesse público ou nas especificidades da função pública a ser exercida. Além disso, a Corte reconheceu que essa exigência poderia configurar discriminação indireta, especialmente em relação às mulheres, uma vez que o período de carência previsto nos manuais de perícia médica se aplicava exclusivamente a carcinomas ginecológicos, e não a outras doenças 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4766104&numeroProcesso=886131&classeProcesso=RE&numeroTema=1015 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 graves, como o câncer de próstata, que acomete principalmente os homens. Isso configura uma forma de discriminação indireta de gênero, já que a exigência de carência desproporcionalmente atinge as mulheres, ao impor restrições adicionais para o exercício de funções públicas em razão de uma condição de saúde superada. Portanto, o STF, ao analisar o caso, reafirmou que a vedação à posse em cargos públicos com base apenas no histórico de uma doença grave, sem a devida avaliação da compatibilidade com as funções do cargo e sem justificativa objetiva, é inconstitucional. A exigência de carência temporal para a posse, de forma genérica, foi considerada inadequada, pois viola os princípios da dignidade humana, da igualdade e do acesso universal aos cargos públicos. 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 TEOR DO INFORMATIVO Informativo 1119 RE 886131 / MG Órgão julgador: Tribunal Pleno Relator(a): Min. LUÍS ROBERTO BARROSO Julgamento: 30/11/2023 (Presencial) Ramo do Direito: Administrativo Matéria: Concurso Público; Posse; Exame de Saúde Inconstitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidatos que tenham se recuperado de doença grave Tese fixada “É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato(a) aprovado(a) que, embora tenha sido acometido(a) por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição relevante que impeça o exercício da função pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e II).” Resumo É inconstitucional — por violação dos arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, “caput”, 37, “caput”, I e II, da CF/1988 — a vedação à posse em cargo público de candidato(a) que esteve acometido(a) de doença grave, mas que não apresenta sintomas atuais de restrição para o trabalho. Eventuais restrições de acesso a cargos públicos devem ser excepcionais e baseadas em justificação idônea calcada no princípio da legalidade e nas especificidades da função a ser exercida. A exclusão de candidatos que não apresentam qualquer restrição para o trabalho viola os princípios do concurso público e da impessoalidade, diante da determinação constitucional de ampla acessibilidade aos 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN OF ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 cargos públicos e de avaliação com base em critérios objetivos, e o princípio da eficiência, porque reduz o espectro da seleção e faz a Administração perder talentos. Ressalte-se que o risco futuro e incerto de recidiva, licenças de saúde e aposentadoria não pode impedir a fruição do direito ao trabalho, que é indispensável para propiciar a subsistência, a emancipação e o reconhecimento social. Nesse contexto, a vedação à posse desrespeita também a dignidade humana, pois representa um atestado de incapacidade apto a minar a autoestima de qualquer um. Ademais, no caso concreto, há discriminação não só em razão de saúde, mas também de gênero. Isso, porque o ato administrativo restringiu o acesso de mulheres a cargos públicos ao estabelecer período de carência especificamente para carcinomas ginecológicos sem que houvesse previsão semelhante para doenças urológicas ou outras que acometam igualmente homens e mulheres. Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.015 da repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para condenar o Estado de Minas Gerais a nomear e dar posse à recorrente. Legislação: CF/1988: arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, “caput”, 37, “caput”, I e II. ESQUEMATIZAÇÃO DO JULGADO CRIADA PELA IAPGE CONTEXTO DO JULGADO O caso trata da vedação à posse em cargo público de candidata aprovada em concurso, que havia sido acometida por carcinoma mamário (câncer de mama), mas que já havia concluído o tratamento e não apresentava sintomas atuais ou restrição laboral. A inaptidão foi declarada com base em manual de perícia médica, que exigia um prazo de cinco anos desde o tratamento, para permitir a posse em caso de neoplasia ginecológica. A decisão foi questionada sob a alegação de violação aos princípios da isonomia, dignidade da pessoa humana e acesso aos cargos públicos. 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 FUNDAMENTOS DO JULGADO Dispositivos constitucionais analisados: • Art. 1º, III – Dignidade da pessoa humana; • Art. 3º, IV – Promoção do bem de todos sem preconceitos; • Art. 5º, caput – Igualdade formal e material; • Art. 6º – Direito ao trabalho como direito social; • Art. 37, caput, I e II – Princípios da Administração Pública e exigência de concurso para investidura em cargo público. Pontos centrais da fundamentação: 1. Vedação genérica à posse com base apenas em histórico de doença é inconstitucional se não houver restrição atual e relevante para o exercício do cargo. 2. O princípio da legalidade, aliado ao acesso amplo aos cargos públicos, exige que eventuais restrições sejam: o Excepcionais; o Baseadas em critérios objetivos; o Justificadas por razões de interesse público real e imediato. 3. A imposição de período de carência genérico para todos os casos de câncer viola a dignidade da pessoa humana, ao emitir juízo de incapacidade presumida. 4. Concursos públicos devem combater desigualdades e não podem perpetuar preconceitos médicos, sociais ou de gênero. 5. O caso evidenciou discriminação indireta contra mulheres, pois a exigência de carência só constava para carcinomas ginecológicos, e não para doenças similares que acometessem homens, como câncer de próstata. 6. O STF reafirma o direito fundamental ao trabalho e sua função emancipadora e integradora, inclusive como instrumento de ressocialização e autoestima. EFEITOS PRÁTICOS DA DECISÃO • Candidatos que superaram doenças graves, como o câncer, não podem ser impedidos de tomar posse se estiverem aptos no momento da avaliação. 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 • Manuais e normativas administrativas que impõem períodos genéricos de carência são inconstitucionais, salvo se baseados em: o Critérios médicos atualizados; o Especificidades do cargo público; o Avaliação individualizada do candidato. • A decisão fortalece a proteção contra a discriminação indireta, especialmente por motivos de saúde e de gênero. • Impede que o risco de recidiva futura seja usado como justificativa abstrata para exclusão. COMO ISSO PODE SER COBRADO EM CONCURSOS EXEMPLO DE QUESTÃO OBJETIVA (CESPE/CEBRASPE ou FGV) Conforme entendimento do STF no Tema 1015 da repercussão geral, é correto afirmar: a) A Administração Pública pode condicionar a posse ao decurso de cinco anos desde o fim do tratamento de doença grave. b) A restrição à posse de candidato curado de doença grave é válida desde que esteja prevista no edital. c) A vedação à posse de candidato curado de doença grave viola os princípios da dignidade da pessoa humana e do concurso público. d) Candidatos com histórico de câncer devem ser considerados inaptos até que comprovem a inexistência de reincidência futura. e) O direito à nomeação pode ser restringido com base em normas administrativas, independentemente de critérios objetivos. Gabarito: letra C Comentário: O STF entendeu que impedir a posse com base apenas em históricode doença grave, sem incapacidade atual, viola a Constituição, especialmente os princípios da dignidade humana, igualdade e acesso aos cargos públicos. EXEMPLO DE QUESTÃO DISCURSIVA 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 1015 da repercussão geral, analisou a constitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidato aprovado que foi acometido por doença grave, mas que não apresenta sintomas incapacitantes. Com base nesse entendimento: a) Explique se é constitucional a exigência de carência temporal para posse em razão de histórico de câncer. b) Indique os princípios constitucionais violados por esse tipo de restrição. c) Analise se tal exigência configura discriminação indireta, especialmente de gênero. Espera-se na resposta: • Vedação inconstitucional, salvo se justificada com base em critérios objetivos e compatibilidade com o cargo. • Violação aos princípios da dignidade da pessoa humana, igualdade, acesso aos cargos públicos, legalidade e impessoalidade. • Pode configurar discriminação indireta, especialmente quando atinge desproporcionalmente mulheres (como no caso do carcinoma ginecológico). MODELO DE RESPOSTA DE QUESTÃO DISCURSIVA A exigência de carência temporal para a posse de candidato aprovado em concurso público, com base exclusivamente em um histórico de doença grave, como o câncer, mas sem sintomas incapacitantes ou restrição ao trabalho, é inconstitucional, salvo se justificada por critérios objetivos e pela compatibilidade da função pública com o estado de saúde do candidato. Primeiramente, a Constituição Federal assegura, em seu art. 1º, III e IV, os princípios da dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho, que garantem que qualquer cidadão tenha acesso ao trabalho e à reintegração social. O direito ao trabalho é um direito fundamental, conforme o art. 6º da Constituição, e deve ser garantido de forma ampla e irrestrita, desde que o indivíduo esteja apto a desempenhar a função para a qual foi aprovado. Assim, uma exigência de carência sem base objetiva ou sem levar em conta a compatibilidade da função pública com o estado de saúde do candidato seria uma violação desses princípios. Além disso, a vedação automática à posse com base apenas no histórico de uma doença grave, sem uma avaliação individualizada do estado de saúde atual do candidato, configura uma violação 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 JULGADO RELEVANTE Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 ao princípio da igualdade. O art. 5º, caput, da Constituição Federal assegura que todos são iguais perante a lei, e a Constituição proíbe qualquer discriminação que não seja justificada por critérios razoáveis e objetivos. A restrição indiscriminada, sem análise de cada caso, implica que o candidato será tratado de maneira desigual, com base em um histórico de saúde que não impede sua aptidão para o trabalho, o que contraria o princípio da isonomia e o acesso amplo aos cargos públicos (art. 37, caput, I e II). Quanto à questão da discriminação indireta, a exigência de carência para candidatos que superaram doenças graves pode configurar uma discriminação indireta, especialmente em relação às mulheres, uma vez que, no contexto da perícia médica, o período de carência foi imposto apenas para carcinomas ginecológicos, ou seja, para cânceres que afetam predominantemente as mulheres. Essa restrição não é aplicada para doenças similares que acometem os homens, como o câncer de próstata, o que revela um tratamento desigual entre os gêneros, configurando discriminação indireta de gênero. Tal exigência desproporcionalmente atinge as mulheres, ao criar uma barreira adicional para elas no acesso ao cargo público, sem justificativa plausível para tal diferença. Portanto, a exigência de carência temporal para a posse de candidatos aprovados em concurso público, com base exclusivamente em histórico de doença grave, sem a devida avaliação individualizada e compatibilidade com a função pública, é inconstitucional, pois viola princípios fundamentais como a dignidade da pessoa humana, o direito ao trabalho, a igualdade e o acesso amplo aos cargos públicos. Além disso, essa restrição pode ser considerada uma forma de discriminação indireta, especialmente quando atinge desproporcionalmente as mulheres, configurando uma injustificada discriminação de gênero. 33359 33359 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2 KA R O LI N E C R IS TI AN O F ER R EI R A D E FR EI TA S 12 87 63 65 78 2