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Inconstitucionalidade da Vedação à Posse

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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato (a) aprovado(a) que, embora 
tenha sido acometido(a) por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição 
relevante que impeça o exercício da função pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e 
II). 
 
 
O Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema 1015 da Repercussão Geral, analisou a 
constitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidatos que, embora tenham sido 
acometidos por doenças graves, como o câncer, já tenham superado a doença e não apresentem 
sintomas incapacitantes ou restrições laborais. A candidata em questão havia sido aprovada em 
concurso público, mas foi impedida de assumir o cargo de professora, pois, apesar de ter completado 
o tratamento do câncer de mama, a perícia médica exigia um período de cinco anos desde o fim do 
tratamento para permitir a posse em casos de neoplasia ginecológica. A decisão administrativa foi 
questionada sob a alegação de que essa exigência violava princípios constitucionais, como o da 
isonomia, da dignidade da pessoa humana e do acesso aos cargos públicos. 
O STF, ao analisar a questão, estabeleceu que a vedação genérica à posse com base apenas 
no histórico de doença grave é inconstitucional, especialmente quando o candidato não apresenta 
restrição atual para o exercício do cargo. A Corte argumentou que essa vedação violaria os 
princípios da dignidade da pessoa humana, pois impedir a posse com base em um histórico de 
doença configura um juízo de incapacidade presumida, o que é inadequado. 
O STF também enfatizou que a restrição à posse só poderia ser válida se justificada por 
critérios objetivos e se fosse compatível com as funções do cargo. Ou seja, a exigência de carência 
temporal para a posse de candidatos que superaram doenças graves não pode ser aplicada de 
maneira genérica, sem uma análise caso a caso e sem uma justificativa baseada no interesse público 
ou nas especificidades da função pública a ser exercida. 
Além disso, a Corte reconheceu que essa exigência poderia configurar discriminação indireta, 
especialmente em relação às mulheres, uma vez que o período de carência previsto nos manuais 
de perícia médica se aplicava exclusivamente a carcinomas ginecológicos, e não a outras doenças 
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https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4766104&numeroProcesso=886131&classeProcesso=RE&numeroTema=1015
 
JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
graves, como o câncer de próstata, que acomete principalmente os homens. Isso configura uma 
forma de discriminação indireta de gênero, já que a exigência de carência desproporcionalmente 
atinge as mulheres, ao impor restrições adicionais para o exercício de funções públicas em razão de 
uma condição de saúde superada. 
Portanto, o STF, ao analisar o caso, reafirmou que a vedação à posse em cargos públicos com 
base apenas no histórico de uma doença grave, sem a devida avaliação da compatibilidade com as 
funções do cargo e sem justificativa objetiva, é inconstitucional. A exigência de carência temporal 
para a posse, de forma genérica, foi considerada inadequada, pois viola os princípios da dignidade 
humana, da igualdade e do acesso universal aos cargos públicos. 
 
 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
 TEOR DO INFORMATIVO 
 
Informativo 1119 
RE 886131 / MG 
Órgão julgador: Tribunal Pleno 
Relator(a): Min. LUÍS ROBERTO BARROSO 
Julgamento: 30/11/2023 (Presencial) 
Ramo do Direito: Administrativo 
Matéria: Concurso Público; Posse; Exame de Saúde 
 
Inconstitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidatos que tenham se 
recuperado de doença grave 
Tese fixada 
“É inconstitucional a vedação à posse em cargo público de candidato(a) aprovado(a) que, embora 
tenha sido acometido(a) por doença grave, não apresenta sintoma incapacitante nem possui restrição 
relevante que impeça o exercício da função pretendida (CF, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, 37, caput, I e 
II).” 
Resumo 
É inconstitucional — por violação dos arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, “caput”, 37, “caput”, I e II, da CF/1988 — a 
vedação à posse em cargo público de candidato(a) que esteve acometido(a) de doença grave, mas 
que não apresenta sintomas atuais de restrição para o trabalho. 
Eventuais restrições de acesso a cargos públicos devem ser excepcionais e baseadas em justificação 
idônea calcada no princípio da legalidade e nas especificidades da função a ser exercida. A exclusão 
de candidatos que não apresentam qualquer restrição para o trabalho viola os princípios do concurso 
público e da impessoalidade, diante da determinação constitucional de ampla acessibilidade aos 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
cargos públicos e de avaliação com base em critérios objetivos, e o princípio da eficiência, porque 
reduz o espectro da seleção e faz a Administração perder talentos. 
Ressalte-se que o risco futuro e incerto de recidiva, licenças de saúde e aposentadoria não pode 
impedir a fruição do direito ao trabalho, que é indispensável para propiciar a subsistência, a 
emancipação e o reconhecimento social. Nesse contexto, a vedação à posse desrespeita também a 
dignidade humana, pois representa um atestado de incapacidade apto a minar a autoestima de 
qualquer um. 
Ademais, no caso concreto, há discriminação não só em razão de saúde, mas também de gênero. 
Isso, porque o ato administrativo restringiu o acesso de mulheres a cargos públicos ao estabelecer 
período de carência especificamente para carcinomas ginecológicos sem que houvesse previsão 
semelhante para doenças urológicas ou outras que acometam igualmente homens e mulheres. 
Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.015 da 
repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para condenar o Estado de 
Minas Gerais a nomear e dar posse à recorrente. 
Legislação: 
CF/1988: arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, “caput”, 37, “caput”, I e II. 
 
ESQUEMATIZAÇÃO DO JULGADO CRIADA PELA IAPGE 
 
 CONTEXTO DO JULGADO 
O caso trata da vedação à posse em cargo público de candidata aprovada em concurso, que havia 
sido acometida por carcinoma mamário (câncer de mama), mas que já havia concluído o 
tratamento e não apresentava sintomas atuais ou restrição laboral. 
A inaptidão foi declarada com base em manual de perícia médica, que exigia um prazo de cinco 
anos desde o tratamento, para permitir a posse em caso de neoplasia ginecológica. A decisão foi 
questionada sob a alegação de violação aos princípios da isonomia, dignidade da pessoa humana 
e acesso aos cargos públicos. 
 
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Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
 FUNDAMENTOS DO JULGADO 
 Dispositivos constitucionais analisados: 
• Art. 1º, III – Dignidade da pessoa humana; 
• Art. 3º, IV – Promoção do bem de todos sem preconceitos; 
• Art. 5º, caput – Igualdade formal e material; 
• Art. 6º – Direito ao trabalho como direito social; 
• Art. 37, caput, I e II – Princípios da Administração Pública e exigência de concurso para 
investidura em cargo público. 
 Pontos centrais da fundamentação: 
1. Vedação genérica à posse com base apenas em histórico de doença é inconstitucional se 
não houver restrição atual e relevante para o exercício do cargo. 
2. O princípio da legalidade, aliado ao acesso amplo aos cargos públicos, exige que eventuais 
restrições sejam: 
o Excepcionais; 
o Baseadas em critérios objetivos; 
o Justificadas por razões de interesse público real e imediato. 
3. A imposição de período de carência genérico para todos os casos de câncer viola a 
dignidade da pessoa humana, ao emitir juízo de incapacidade presumida. 
4. Concursos públicos devem combater desigualdades e não podem perpetuar preconceitos 
médicos, sociais ou de gênero. 
5. O caso evidenciou discriminação indireta contra mulheres, pois a exigência de carência só 
constava para carcinomas ginecológicos, e não para doenças similares que acometessem 
homens, como câncer de próstata. 
6. O STF reafirma o direito fundamental ao trabalho e sua função emancipadora e 
integradora, inclusive como instrumento de ressocialização e autoestima. 
 
 EFEITOS PRÁTICOS DA DECISÃO 
• Candidatos que superaram doenças graves, como o câncer, não podem ser impedidos de 
tomar posse se estiverem aptos no momento da avaliação. 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
• Manuais e normativas administrativas que impõem períodos genéricos de carência são 
inconstitucionais, salvo se baseados em: 
o Critérios médicos atualizados; 
o Especificidades do cargo público; 
o Avaliação individualizada do candidato. 
• A decisão fortalece a proteção contra a discriminação indireta, especialmente por motivos 
de saúde e de gênero. 
• Impede que o risco de recidiva futura seja usado como justificativa abstrata para exclusão. 
 
 COMO ISSO PODE SER COBRADO EM CONCURSOS 
 EXEMPLO DE QUESTÃO OBJETIVA (CESPE/CEBRASPE ou FGV) 
Conforme entendimento do STF no Tema 1015 da repercussão geral, é correto afirmar: 
a) A Administração Pública pode condicionar a posse ao decurso de cinco anos desde o fim do 
tratamento de doença grave. 
b) A restrição à posse de candidato curado de doença grave é válida desde que esteja prevista no 
edital. 
c) A vedação à posse de candidato curado de doença grave viola os princípios da dignidade da 
pessoa humana e do concurso público. 
d) Candidatos com histórico de câncer devem ser considerados inaptos até que comprovem a 
inexistência de reincidência futura. 
e) O direito à nomeação pode ser restringido com base em normas administrativas, 
independentemente de critérios objetivos. 
 Gabarito: letra C 
 Comentário: O STF entendeu que impedir a posse com base apenas em históricode doença grave, 
sem incapacidade atual, viola a Constituição, especialmente os princípios da dignidade humana, 
igualdade e acesso aos cargos públicos. 
 
 EXEMPLO DE QUESTÃO DISCURSIVA 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 1015 da repercussão geral, analisou a 
constitucionalidade da vedação à posse em cargo público de candidato aprovado que foi acometido 
por doença grave, mas que não apresenta sintomas incapacitantes. Com base nesse entendimento: 
a) Explique se é constitucional a exigência de carência temporal para posse em razão de histórico de 
câncer. 
b) Indique os princípios constitucionais violados por esse tipo de restrição. 
c) Analise se tal exigência configura discriminação indireta, especialmente de gênero. 
 Espera-se na resposta: 
• Vedação inconstitucional, salvo se justificada com base em critérios objetivos e 
compatibilidade com o cargo. 
• Violação aos princípios da dignidade da pessoa humana, igualdade, acesso aos cargos 
públicos, legalidade e impessoalidade. 
• Pode configurar discriminação indireta, especialmente quando atinge desproporcionalmente 
mulheres (como no caso do carcinoma ginecológico). 
 
 MODELO DE RESPOSTA DE QUESTÃO DISCURSIVA 
 
A exigência de carência temporal para a posse de candidato aprovado em concurso público, 
com base exclusivamente em um histórico de doença grave, como o câncer, mas sem sintomas 
incapacitantes ou restrição ao trabalho, é inconstitucional, salvo se justificada por critérios 
objetivos e pela compatibilidade da função pública com o estado de saúde do candidato. 
Primeiramente, a Constituição Federal assegura, em seu art. 1º, III e IV, os princípios da 
dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho, que garantem que qualquer cidadão 
tenha acesso ao trabalho e à reintegração social. O direito ao trabalho é um direito fundamental, 
conforme o art. 6º da Constituição, e deve ser garantido de forma ampla e irrestrita, desde que o 
indivíduo esteja apto a desempenhar a função para a qual foi aprovado. Assim, uma exigência de 
carência sem base objetiva ou sem levar em conta a compatibilidade da função pública com o 
estado de saúde do candidato seria uma violação desses princípios. 
Além disso, a vedação automática à posse com base apenas no histórico de uma doença grave, 
sem uma avaliação individualizada do estado de saúde atual do candidato, configura uma violação 
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JULGADO RELEVANTE 
Tema 1015 - RE 886131 - 30/11/2023 
 
ao princípio da igualdade. O art. 5º, caput, da Constituição Federal assegura que todos são iguais 
perante a lei, e a Constituição proíbe qualquer discriminação que não seja justificada por critérios 
razoáveis e objetivos. A restrição indiscriminada, sem análise de cada caso, implica que o candidato 
será tratado de maneira desigual, com base em um histórico de saúde que não impede sua aptidão 
para o trabalho, o que contraria o princípio da isonomia e o acesso amplo aos cargos públicos (art. 
37, caput, I e II). 
Quanto à questão da discriminação indireta, a exigência de carência para candidatos que 
superaram doenças graves pode configurar uma discriminação indireta, especialmente em relação 
às mulheres, uma vez que, no contexto da perícia médica, o período de carência foi imposto apenas 
para carcinomas ginecológicos, ou seja, para cânceres que afetam predominantemente as 
mulheres. Essa restrição não é aplicada para doenças similares que acometem os homens, como o 
câncer de próstata, o que revela um tratamento desigual entre os gêneros, configurando 
discriminação indireta de gênero. Tal exigência desproporcionalmente atinge as mulheres, ao criar 
uma barreira adicional para elas no acesso ao cargo público, sem justificativa plausível para tal 
diferença. 
Portanto, a exigência de carência temporal para a posse de candidatos aprovados em concurso 
público, com base exclusivamente em histórico de doença grave, sem a devida avaliação 
individualizada e compatibilidade com a função pública, é inconstitucional, pois viola princípios 
fundamentais como a dignidade da pessoa humana, o direito ao trabalho, a igualdade e o acesso 
amplo aos cargos públicos. Além disso, essa restrição pode ser considerada uma forma de 
discriminação indireta, especialmente quando atinge desproporcionalmente as mulheres, 
configurando uma injustificada discriminação de gênero. 
 
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