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As psicoterapias breves como abordagem psicoterápica A compreensão dos precursores, funcionamento e ética de processos psicoterapêuticos breves e suas aplicações a contextos específicos, como na clínica com crianças, adolescentes, casais, família, hospitais e mediação de conflitos. Prof. Pedro Vítor Souza Rodrigues 1. Itens iniciais Propósito Os conhecimentos sobre a psicoterapia breve e seus recursos são fundamentais para capacitar profissionais no sentido de lidar com questões agudas ou específicas, ligadas a fases da vida ou a quadros psicopatológicos e emergenciais, projetando avaliações dinâmicas, planejamentos focais e intervenções efetivas. Objetivos Reconhecer as origens, precursores e conceitos básicos em psicoterapia breve. Identificar o desenvolvimento atual da psicoterapia breve e campos de aplicação. Analisar as indicações ou não de psicoterapia breve, suas diretrizes e fases básicas, os procedimentos de avaliação e intervenção, preservando a postura ética. Introdução Muitos sofrimentos requerem atuações objetivas de tratamento. Costumamos dizer que “o sofrimento não pode esperar”. Os pacientes podem ficar apreensivos para resolverem seus conflitos e questões, mas temerosos com psicoterapias de término imprevisível. Nesse sentido, os psicoterapeutas podem trabalhar com processos focais, recortando partes do discurso do paciente para formular objetivos claros e alcançáveis. Assim, novas implementações de curto prazo podem animar aquele que busca por ajuda psicológica. Por meio da psicoterapia breve, crianças e adolescentes podem ganhar com o suporte psicológico para suas fases de desenvolvimento. Casais e famílias podem resolver seus diversos conflitos interpessoais. O tempo curto e pressão contextual de unidades hospitalares e processos jurídicos também podem ser manejados com intervenções breves. Por isso, vamos estudar as principais bases conceituais de psicoterapia breve, as indicações e as contraindicações, o que se deve observar e investigar na fase de avaliação, como planejar objetivos alinhados ao foco terapêutico, a integração de técnicas para transformações mais efetivas, tudo dentro de um processo com alta provavelmente em prazos curtos. • • • 1. Origens da psicoterapia breve Histórico da psicoterapia breve e seus precursores Podemos dividir a história da saúde mental em quatro revoluções da psiquiatria: Até o século XVIII Primeira revolução psiquiátrica Foi um movimento em que até o século XVIII, as doenças mentais eram identificadas a partir de critérios socioculturais muito imprecisos. Com a escola francesa de Phillipe Pinel, foram elaboradas regras de funcionamento hospitalar, enfatizando o cuidado dos doentes mentais. Entre os séculos XIX e XX Segunda revolução psiquiátrica Ocorreu a partir da psiquiatria alemã, por meio do trabalho de Emil Kraepelin (1856-1926), entre os séculos XIX e XX, desenvolvendo a psiquiatria moderna. Foram levantadas hipóteses etiológicas biológicas e um novo sistema diagnóstico, que consistiu em identificar os principais aspectos dos transtornos mentais e descrever o curso natural da doença, utilizando o método estatístico. Kraepelin formulou e divulgou importantes contribuições sobre psicose maníaco-depressiva (atual transtorno afetivo bipolar) e demência precoce (atual esquizofrenia). Final do século XIX e século XX Terceira revolução psiquiátrica Inaugurou com a instituição do movimento psicanalítico, liderada pelo psiquiatra Sigmund Freud, no final do século XIX, introduzindo os conceitos de inconsciente e sexualidade, que revolucionaram a compreensão da mente humana. Ao longo do século XX, surgiu o movimento de antipsiquiatria, questionando as doenças mentais como domínio da medicina, criticando a validade do sistema diagnóstico psiquiátrico que parecia mais rotular e estigmatizar os indivíduos. Impulsionando, portanto, a necessidade de maior cientificidade no estudo das realidades de adoecimento mental. Década de 1970 e 1980 Quarta revolução psiquiátrica Iniciou na década de 1970, levando à publicação do DSM-3, em 1980. Impulsionando uma psiquiatria focada na descrição objetiva das classificações das doenças mentais e generalizando esses critérios para que os diferentes profissionais pudessem diagnosticar ao mesmo tempo que mantivessem suas abordagens particulares. Na segunda metade do século XX, a relação íntima entre a psicanálise clássica e a psiquiatria clássica foi questionada com a crítica da revolução científica ao modelo tradicional psicanalítico com seus tratamentos longos. Assim, surgiram diversas abordagens psicoterapêuticas com o objetivo de potencializar a ação da psicoterapia. Nesse âmbito, percebemos um direcionamento a modelos de psicoterapias breves em oposição às tradicionais de longo prazo, como mostrou o advento das psicoterapias cognitivas e comportamentais. As psicoterapias breves foram impulsionadas por diferentes fatores, como: O fato de pesquisas científicas estabelecerem tempos limitados para desenvolverem estudos, em função da dificuldade de sustentar longos períodos de pesquisa. A resistência de pacientes com o longo tempo de tratamentos que requerem mais recursos, disponibilidade, dinheiro e envolvimento com um processo sem previsão de término. As exigências de planos de saúde para métodos mais rápidos. O impacto da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos devastadores que ampliaram exponencialmente as demandas de cuidado. Cabe ressaltar que, após esse período, houve um importante aumento pela necessidade de cuidados psicológicos. No entanto, a primeira geração de psicoterapia breve pode ser encontrada no pioneirismo de Freud e seus seguidores, que realizavam tratamentos curtos nos primeiros anos da psicanálise. Um marco na literatura de psicoterapia breve é o livro dos psicanalistas F. Alexander e T. French, publicado em 1946, apresentando o conceito de experiência emocional corretiva, que visa à correção de relações infantis, frustrando uma possível dependência do paciente em relação ao terapeuta. Levando a pessoa a abandonar posições infantis em direção a uma adaptação adulta. Por isso, consideramos F. Alexander como fundador da psicoterapia breve. Já S. Ferenczi, discípulo de Freud, é considerado como o pai da psicoterapia breve, porque propôs técnicas ativas para abreviar a psicanálise clínica, focalizando mais a atualidade do paciente do que suas experiências do passado, adaptando o tratamento ao paciente. E o conceito de foco terapêutico, de D. Malan, central nas abordagens breves, caracteriza a segunda geração, juntamente com os autores P. Sifneos e H. Davanloo. • • • • Posteriormente, inaugurando a terceira geração de psicoterapia breve, apareceram os primeiros manuais de tratamento, que especificaram as etapas do processo terapêutico breve, tendo como referência os trabalhos de Luborsky, com sua técnica expressiva, e a psicoterapia dinâmica de Strupp e Binder. Esses autores se preocupam mais com a importância da experiência, do aqui-e-agora, priorizando a relação terapêutica e os padrões de relacionamento que o indivíduo estabelece. Evitando uma abordagem muito confrontativa e colocando o profissional como observador participante. As origens da psicoterapia breve Neste vídeo, você aprenderá sobre as quatro revoluções da saúde mental e o surgimento da psicoterapia breve com o objetivo de potencializar a ação da psicoterapia após a Segunda Guerra Mundial e suas implicações. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Caracterização geral das psicoterapias breves O que faz esse modelo de psicoterapia ser breve é a sua abordagem focal. Ou seja, ela permanece focada na queixa ou conflito trazido pelo cliente, tendo como meta ajudá-lo a buscar soluções em um tempo mais breve possível. Portanto, o que define a brevidade é o foco. Cada autor pode sugerir uma nomenclatura específica para a sua modalidade de psicoterapia breve, como também ela pode ser nomeada de: psicoterapia de tempo limitado psicoterapia de objetivosAaron Beck funda seu próprio instituto na Pensilvânia e passa a construir sua própria linha teórica, hoje muito difundida e tida como a opção preferencial de muitos psiquiatras quando se trata de cuidar de pacientes com transtornos de personalidade ou transtornos de humor. Beck (2013) apresenta um modelo cognitivo-comportamental que responde adequadamente à dinâmica de ajustamento da pessoa com sua realidade. Tipicamente, um processo terapêutico cognitivo-comportamental prevê uma estrutura que começa com a elaboração de uma lista de problemas e metas (LPM). A construção dessa lista é realizada em conjunto com o paciente. Uma vez acordado o conteúdo da lista, faz-se um plano de intervenção no qual se organizam as metas em uma sequência no tempo, segundo urgência e prioridades. Para maior clareza, pode-se estabelecer que a meta é o contrário do problema. Por exemplo, se o problema é não ser organizado financeiramente, a meta é se tornar financeiramente organizado. Na terapia cognitivo-comportamental, há a hipótese de que um paciente aderente ao modelo breve tem um horizonte de até seis meses de atendimento psicoterapêutico com frequência semanal, com reavaliações obrigatórias a cada 12 sessões. Se tudo correr bem, o semestre seguinte já prevê uma redução na frequência para duas sessões por mês, ou seja, frequência quinzenal. No terceiro semestre, essa frequência, dados os ganhos terapêuticos validados nas avaliações periódicas, passa a ser mensal. A partir daí, reduz-se para uma sessão a cada trimestre no quarto semestre e, após esse prazo, realiza-se uma sessão de revisão para manutenção dos ganhos e prevenção de recaídas a cada seis meses. Essa é uma base que pode evoluir de modo distinto, de acordo com os avanços e recaídas e também em função da quantidade de problemas listados na LPM. A relevância da lista de problemas e metas está na possibilidade de prever em quais áreas a pessoa tem problemas pontuais, tratando cada um de forma breve e focal e, ainda, podendo observar a interação entre os problemas das diversas áreas. Na terapia cognitivo comportamental, observa-se o princípio da primazia do pensamento (cognição) sobre a emoção e sobre o comportamento. No nível do inconsciente cognitivo, encontram-se: As crenças. Os pressupostos. As atitudes. Os conceitos. Os valor es adquiridos. Entende-se, segundo Fiske e Taylor (1991), que uma atitude tem componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. Atitudes causam intencionalidades. Portanto, desafiar os pensamentos significa operar sobre o esquema de crenças que, uma vez flexibilizado, permite mudança comportamental, viabilizando a chegada de pensamentos funcionais à consciência. Uma questão importante é observar que a atitude preconiza o comportamento e o comportamento corrobora a atitude. Assim, não se pode esperar esquiva de quem está num processo direcionado por uma atitude agressiva, por exemplo. Caráter breve e focal Neste vídeo, falaremos sobre o caráter breve e focal presente na origem da TCC. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Bases psicodinâmicas No que tange à psicanálise, Garcia-Rosa (2001) afirma que a terapia opera sobre um modelo de energia psíquica onde a libido desempenha o papel psicodinâmico das atividades pulsionais da estrutura da segunda tópica onde o ego regula as forças do id e do superego e, na primeira tópica, a libido ampliada em intensidade em algum momento atravessa a barreira entre o inconsciente e o pré-consciente e, ainda em intensidade, embora menor, tem força para ultrapassar a barreira do pré-consciente e alcançar a consciência. Nesse sentido, a psicoterapia psicanalítica breve não difere da psicanálise clássica. A diferença é promovida pela delimitação da abrangência da temática, do domínio onde a associação livre opera. Essa delimitação pode ser entendida como o foco do terapeuta. Imagine que por um momento você esteja passando por uma situação traumática do tipo que tenha lhe causado uma frustração. Esta situação invoca experiências anteriores similares e te prepara para lidar com essa nova frustração. Se a experiência anterior ficou mal resolvida e houve recalque, ela é somativa à vivência atual e lhe parece agora que o sofrimento é maior. Falar sobre essa frustração, nomear o sintoma e identificar causas fortalece sua resiliência e te dá suporte e alívio. Saber distinguir o que é ou não responsabilidade pessoal ajuda na ressignificação daquela experiência antiga e na compreensão do que levou a uma nova frustração semelhante àquela. A fala transforma o sintoma, e a essência do si mesmo é tocada. Sintomas não desaparecem, eles ficam adormecidos. Caso outras experiências levem a pessoa a outra situação análoga, os sintomas voltam como um recado inconsciente sobre o que vai mal e precisa de solução. Na psicanálise clássica, o processo de sonhar é considerado uma importante fonte de acesso ao inconsciente. Freud chamou o processo de sonhar de via régia para o inconsciente (GARCIA-ROSA, 2001). A condensação e • • • • • o deslocamento são características típicas dos elementos do sonho. Mas o que acontece enquanto sonhamos? O sonho é um modo inconsciente de ajudar a resolver conflitos, representando-os por meio de imagens oníricas relacionadas à situação real representada. Não se trata do real em si, posto que, segundo Lacan (1985), o real é inalcançável e o inconsciente é estruturado como uma linguagem. Por esses aspectos, pode-se compreender a importância da fala no setting terapêutico. Assim, só conseguimos dar conta do real no campo do simbólico. O real, o simbólico e o imaginário são atados por um anel borromeano, uma estrutura que consiste em três anéis interligados de modo que, se abrirmos um anel, os dois outros se soltam, não importando qual anel seja aberto. Logo, numa terapia breve de base psicanalítica, é importante considerar a oportunidade de remover um sintoma. É o próprio Freud (apud Carmo e Chaves, 2019, p.101) quem afirma que "a noção de que o sintoma possui um sentido inconsciente que deve ser escutado demonstra o caráter singular do tratamento analítico". Assim, se removemos o sintoma do paciente, sabendo que ele é um apoio, o que o paciente colocaria no lugar dele? Se não houver algo para substituir o sintoma, estaríamos piorando o quadro do paciente. Em outras abordagens, na terapia cognitivo-comportamental, há o entendimento de que os pensamentos fluem com uma energia que lhe é peculiar e automática, sem controle consciente, e são filtrados pelo esquema de crenças, de modo que um pensamento por vez chega à consciência. Segundo Rokeach, citado por Kruger (2017, p.59), "crença é toda afirmativa feita por uma pessoa, originada de sua experiência, que pode ser da percepção ou da cognição". Um esquema de crenças é um modo de interação e integração das crenças. Vamos atentar para o seguinte exemplo: Exemplo Uma pessoa se encontra numa situação em que sua atitude é de cautela, mas, ao observar os fatos e eventos do mundo real, numa situação-problema, o pensamento que vem à consciência é: “Acredito que estou em perigo”. Logo em seguida, a pessoa experimenta as emoções de medo e ansiedade. Entende que se encontra vulnerável e que deve decidir entre evitar, fugindo, ou enfrentar, lutando. Observando que está ativa a atitude de cautela, o comportamento que corrobora a cautela é o de fuga. O sistema límbico já foi ativado, a adrenalina enviada à musculatura estriada e a fisiologia da pessoa está pronta para executar a fuga. Psiquismo em seus processos dinâmicos Neste vídeo, tratamos sobre as forças psicológicas que atuam sobre o comportamento humano, enfatizando a interação entre as motivações consciente e inconsciente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Funções dos componentes básicos Vamos refletir sobre a aplicação de componentes centrais da psicoterapia breve, como a escuta ativa, experiência emocional corretiva e efeito. Imagine uma situação em que um amigo seu experimenta grande sofrimentoquando se encontra diante de um cão perdido na rua. Suponha que esse encontro tenha produzido o afloramento de lembranças desagradáveis. Ele não sabe ao certo o porquê de seu sofrimento, apenas repete a agonia recalcada no inconsciente. Na interação com o terapeuta, esta lembrança foi capaz de ser interpretada à luz das condições atuais do paciente. Ao compreender a situação como um gatilho de sofrimento do passado, em que ele percebe que perdeu seu cão e não mais o achou, aquela situação de ver um cão sozinho e sem dono lhe fez pensar no sofrimento de, por um tempo, lidar com a ideia de que seu animal de estimação estava só e em sofrimento por causa de sua imperícia em cuidar dele. Com algum talento, o terapeuta lhe pede que compare como seria o fato se ele ocorresse agora. Isto é, o cão perdido não retornará, mas, se perder outra vez um cão, como fará para tê-lo de volta? Veja, o foco é na perda e na incapacidade não agora, mas na infância, de compreender a perda. Mesmo que o pensamento atual não traga de volta o cão, alivia perceber que não poderia ter feito melhor do que fez à época da perda. O arrasto da perda é aliviado pelo descarte da culpa, que já não faz mais o mesmo sentido para o paciente. Para a psicoterapia breve de base psicanalítica, a técnica ativa, a experiência emocional corretiva e o efeito carambola, juntos, promovem uma base para a mudança do paciente. Vamos aprofundar um pouco mais nossa compreensão sobre o efeito carambola. Imagine que se conseguiu uma pequena mudança numa sessão terapêutica. Na sessão seguinte, essa conquista já tocou outros pontos dolorosos, alguns já compreendidos, outros ainda não. Nesta sessão atual, procura-se tocar nos pensamentos e pormenores ou detalhes da interrelação com os pensamentos traumáticos do passado. Esse processo é crescente em energia, tal qual o modelo de propagação da energia radioativa. Compare um elétron de um átomo radioativo com uma bola de pingue-pongue. Imagine que há uma quantidade grande de ratoeiras no chão de uma sala. Cada ratoeira tem sobre seu gatilho uma bola de pingue-pongue. Se uma pessoa joga apenas uma bola de pingue-pongue sobre o conjunto de ratoeiras, ela desloca mais uma. Agora, são duas que saltam, e tocam em mais duas, fazendo quatro bolinhas saltarem. A cada etapa, a energia dobra, até atingir a massa crítica e extinguir as fontes, dispersando a energia liberada pelos impactos anteriores. Comentário Considere agora vários pensamentos sendo reorganizados promovendo mudanças nos estados mentais. Esse “ataque ou desafio” aos pensamentos disfuncionais tem como objetivo causar homeostase das dissonâncias pela exaustão da energia. É preciso confiar que o processo terapêutico encontra um fim. Agora, o paciente está empoderado diante daquela adversidade tratada. É hora de buscar outro alvo ou aguardar que o paciente venha com novas demandas não tratadas. Se há poucas demandas, a pessoa por si concorda com a alta. Se ainda há demandas, deve-se considerar uma nova forma de terapia. Mas aquela demanda breve foi resolvida. Esse é o objetivo da terapia breve. Não resolve tudo, resolve o que mais dói. O que Lemgruber (apud CORDIOLLI, 2008) denomina efeito carambola se refere ao efeito cumulativo das sessões terapêuticas que tocam um sintoma aqui e ali, outro um pouco acolá, e então cercamos o sintoma para descobrir suas causas e ajudar no processo de mudança. Sessões terapêuticas e processo de mudança Neste vídeo, apresentamos um estudo de caso com função dos componentes importantes: escuta ativa, experiência emocional corretiva e efeito carambola. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O processo de intervenção proposto por Alexander (experiência emocional corretiva) é uma das formas de terapia breve de base psicanalítica. Sobre ele, é correto afirmar: A A experiência emocional corretiva refere-se apenas ao conteúdo da experiência passada, não importando o momento atual. B A experiência emocional corretiva é como um treinamento para o paciente assumir uma postura otimista, procurando sempre os aspectos positivos em situações desconfortáveis. C A experiência emocional corretiva proporciona a possibilidade de o paciente experimentar traumas penosamente recalcados no passado, revivendo-os, por meio da fala no setting terapêutico guiado e suportado pelo terapeuta. D O efeito carambola é observado quando a experiência emocional corretiva não alcança o resultado esperado. E A ideia de que uma nova experiência emocional possa surgir numa relação terapêutica é descartada pela experiência emocional corretiva que visa a mudança cognitiva, isto é, apenas a ressignificação do trauma. A alternativa C está correta. A experiência emocional corretiva proporciona a possibilidade de o paciente experimentar traumas penosamente recalcados no passado, revivendo-os por meio da fala no setting terapêutico guiado e suportado pelo terapeuta. Questão 2 Como a terapia cognitivo comportamental requer estrutura e dinâmica focalizada em situações definidas, é preciso um modelo sobre o qual se pode apoiar a práxis buscando eficácia no menor tempo possível. Tendo em mente essa característica, avalie as afirmativas abaixo e marque a única correta. A Um bom modelo deve agregar aspectos cognitivos, emocionais, comportamentais, biológicos, psicológicos e sociais do funcionamento humano em prol da mudança comportamental causadora de bem-estar. B Um bom modelo considera a vida sob uma perspectiva unicultural, social e econômica, prevalecendo, entretanto, a fisiologia cerebral. C Um bom modelo deve contemplar os sintomas, sem a finalidade de explicar, predizer ou aliviar transtornos, deficiências e angústias. D Um bom modelo deve promover adaptação, ajustamento e desenvolvimento pessoal estritamente relacionado aos aspectos individuais, desconsiderando as relações inter-indivíduos. E Embora um bom modelo preconize uma abordagem multifatorial, não precisa levar em consideração as peculiaridades do comportamento do sujeito. A alternativa A está correta. Um modelo cognitivo-comportamental deve considerar o princípio da primazia do cognitivo sobre o emocional e deste sobre o comportamental. Contudo, deve envolver os elementos descritivos da personalidade do sujeito. Assim, o temperamento, porque inato, se ancora nas bases biológicas e o caráter é construído na relação do sujeito com o mundo em que vive, o que dá o matiz social a ser agregado ao modelo. A promoção de saúde mental e, portanto, de bem-estar é o objetivo de todo processo terapêutico, inclusive daqueles de natureza breve. 2. Indicações e contraindicações para a psicoterapia breve Psicoterapia breve de Ferenczi, Otto Rank e Alexander Ferenczi (1993) afirma que os pacientes que alcançam alívio de seus sintomas mais dolorosos tendem, também por motivos financeiros, a interromper o processo terapêutico. Os sintomas ainda não resolvidos tornam-se, segundo o que percebem tais indivíduos, menos penosos. Saiba mais No período de 1924 a 1939, houve ciclos de violência e grandes catástrofes econômicas, cujo ápice foi a quebra da bolsa de Nova York em 1929, que trouxeram alto grau de angústia. Foram tempos difíceis, de grandes perdas, e contínuo sofrimento psíquico. A Segunda Grande Guerra arrastou para mais fundo o “fosso“ depressivo das sociedades da época. Os países da Europa sofreram grande revés, e isto acarretou um movimento em direção à psicoterapia como recurso terapêutico para aliviar a pressão da angústia existencial, dos traumas das perdas e da falta de expectativas positivas quanto ao porvir. Nesse contexto, Ferenczi (1993) propõe, com apoio de Freud, a técnica ativa, que visava a redução do tempo de análise, considerado custoso naquele período, tanto do ponto de vista do sofrimento psíquico quanto do ponto de vista financeiro. A técnica implicava em considerar, segundo Lemgruber citada por Cordioli (2008): A importância dos fatos da vida atual, contrastando com os fatos da infânciado sujeito. A importância de marcar data para o término do processo terapêutico. A importância do nível de motivação do paciente para alcançar mudança. Portanto, podemos definir que: Para se considerar uma terapia como breve, fazia-se necessário definir um horizonte de tempo (prazo) para o fim do processo terapêutico. Nesse período, priorizavam-se os eventos e fatos mais relevantes em relação ao objeto da terapia (foco) e se trabalhavam as correlações entre fatos passados e presentes de modo a produzir a remissão dos sintomas. Para tal, considerava-se de grande importância a autodeterminação do paciente e o grau de adesão que possuía em relação ao processo terapêutico e sua eficácia. Pessoas com baixa motivação tendem a desistir, interromper ou mudar de terapeuta. Em tese, a técnica ativa envolve a escuta ativa no lugar da escuta livre, ou melhor, em lugar da promoção e valorização da associação livre. A diferença em relação ao trabalho psicanalítico convencional está no fato de que, enquanto na psicanálise, tem-se que prestigiar a associação livre, na forma breve, o terapeuta tem a prerrogativa de orientar a fala a um foco limitado, mas garantindo a livre associação considerado o foco, para que o tempo de terapia possa ser abreviado. 1. 2. 3. Alexander, ao propor a experiência emocional corretiva, abriu um caminho mais curto para a remissão dos sintomas. Lemgruber (apud Cordioli, 2008) afirma que, para Alexander, a experiência emocional corretiva pode ocorrer sem consciência plena das causas determinantes da situação atual do paciente. Isto nos leva a pensar sobre o que é essa experiência. Pensemos juntos: se ela tem como objetivo promover correção, deve existir um modo de perceber as não conformidades do comportamento da pessoa em relação ao mundo em que vive. Contudo, não é de todo consciente que isso ocorre. Daí importa considerar a mediação emocional como promotora dessa ponte de mudança que permite a remissão do sintoma. Psicoterapia: recurso para aliviar a angústia existencial Neste vídeo, refletiremos sobre psicoterapia breve e seus recursos terapêuticos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicoterapia cognitivo comportamental de Aaron Beck Esta sessão é dedicada aos conceitos básicos da terapia cognitivo comportamental (TCC). Admitamos, primeiramente, o conceito de crença como pedra fundamental do processo da TCC. Como afirmado por Rokeach (apud KRUGER, 2017), crença é tudo aquilo em que acreditamos, seja vindo da experiência ou do pensamento. Isto se torna mais compreensível observando que, durante nossa vivência, desde a infância, vamos acumulando experiências e aprendendo a lidar com o mundo real conforme nossas figuras de referência: pais, professores, amigos etc. Algumas de nossas respostas automáticas são baseadas em componentes herdados. Por exemplo, nascemos com a capacidade de experimentar emoções, mas aprendemos as emoções com as pessoas com as quais vivemos. Essas crenças permitem estabelecer uma interpretação de mundo que se modifica a cada vez que experiências semelhantes causam sua recuperação do inconsciente cognitivo por um processo automático. Ainda segundo Kruger (2017), as crenças se conformam em esquemas, às vezes mal adaptativos, para operar sobre os pensamentos inconscientes e automáticos que foram registrados na memória implícita. A dinâmica dos pensamentos é peculiar. Para Beck, os esquemas de crenças formam um modelo de filtragem, ou ainda, de construção de pistas do inconsciente para o consciente, que se tornam caminhos preferenciais para os pensamentos. Em situações de mesma atitude ou em evento similar, o processamento cognitivo favorece os pensamentos automáticos. Nosso inconsciente cognitivo é um repositório de crenças funcionais e disfuncionais, entre outros conteúdos. Os pensamentos inconscientes possuem energia e encontram-se em um ambiente de pressão. Nesse patamar, considera-se que existem múltiplas trilhas pelas quais os pensamentos podem evoluir. Enquanto conteúdo da memória implícita, aquilo que registramos ao longo de nossas vivências causa automatismos em resposta a eventos. No nível pré-consciente, as crenças se conformam em esquemas que funcionam como filtros ou lentes pelas quais passa um único pensamento automático, fruto de um processo cognitivo que elabora e seleciona a pista mais adequada. Então, um pensamento por vez alcança o nível da consciência, também chamado de cognição, tornando-se um processo em monotrilha. Seguindo o princípio da primazia de Beck, a partir da cognição, surge uma emoção que ativa o sistema límbico, promovendo efeitos biológicos com a descarga de neurotransmissores. Simultaneamente, uma ou mais ações corroboram a atitude, conformando o comportamento preconizado por ela. Esse processo é a práxis diante das evidências, que por meio da sensopercepção, invoca uma representação mental que descreve o problema a ser resolvido. Há um caminho para ser trilhado pelos pensamentos até que um chegue à consciência. Tal como no modelo de psicanálise, há uma energia que dá autonomia aos pensamentos inconscientes, os quais se movem em muitas trilhas com o objetivo de competirem por um caminho de chegada à consciência. O esquema de crenças contém pistas pelas quais os pensamentos podem acessar a consciência. Há, ainda, no inconsciente cognitivo, regras e pressupostos que apoiam o processamento cognitivo e selecionam aquele resultante dessa operação que se torna uma cognição. Cumpre observar que a palavra cognição se refere tanto ao processo de selecionar e comparar pensamentos quanto se refere ao pensamento em si. Inconsciente cognitivo Neste vídeo, abordaremos o inconsciente cognitivo, destacando a trilha percorrida das crenças funcionais e disfuncionais até chegarem à consciência. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicodinâmica no modelo da TCC Considerando o princípio da primazia da cognição (pensamento) sobre a emoção, e desta sobre o comportamento, e considerando as atitudes como crenças mais arraigadas, rígidas no inconsciente cognitivo, a imagem a seguir mostra um esquema explicativo da psicodinâmica no modelo TCC. A região azul é uma representação dos conteúdos da memória implícita. Dinâmica do processamento cognitivo. Explicando melhor: um evento ocorre, e a pessoa precisa compreender o que se passa. Uma interpretação das sensações é construída pela sensopercepção. Daí, uma avaliação cognitiva das circunstâncias, ameaças, implicam uma resposta comportamental. Desse processamento a que se optou por denominar de avaliação cognitiva, uma atitude (ou mais) são ativadas. As atitudes não são as ações em si, mas causam intencionalidades. Uma vez ativada a atitude, decorre uma cognição (pensamento consciente), daí segue a ativação da emoção, que pode afetar a cognição (dissonância), que pode reativar a avaliação cognitiva. Siga os circuitos das setas de orientação demonstrados na imagem. Como se pode observar, partem setas da atitude para a cognição, para a emoção e para o comportamento. Uma vez ativado o comportamento, o evento inicial não é mais o mesmo, e todo o processo começa e se mantêm até que se alcance a resolução. Os processos automáticos não estão sob nosso controle consciente; antes, esses processos controlam o comportamento. Observe que há uma conexão entre atitude e comportamento. Como a atitude é preditora do comportamento, o comportamento corrobora a atitude em reciprocidade. Vamos a um exemplo. Uma pessoa está diante de um evento no qual avalia estar em perigo. Se ela ativa a atitude de cautela, seu comportamento será evitar o perigo. Se ela ativa a atitude de enfrentamento, seu comportamento será agressivo e enfrentará a ameaça. Os comportamentos também seguem determinadas estratégias compensatórias. Estas tipicamente são a evitação, o controle, o perfeccionismo e a hipervigilância. Podemos utilizar uma ou mais para elaborar a resposta comportamental. Contudo, nada acontece fora da inspeção do intelecto quanto àsevidências e quanto aos pensamentos automáticos. Notemos que Beck tinha uma formação psicanalítica, mas também tinha interesses em reestruturar os construtos da psicanálise, de modo que: O inconsciente precisava de um lócus. A raiva retroflexa foi usada como objeto de estudo para compreender que, em estado de vigília e em estado alterado de consciência (sonhando, por exemplo), as respostas comportamentais, diante da experiência emocional, não seguiam o padrão preconizado pela psicanálise. Os limites da psicanálise esbarravam nas propostas de tratamento das psicoses, porque os esquizofrênicos, por exemplo, eram um grande desafio ao processo de associação livre e coerência com a realidade objetiva. Esquizofrênicos fazem fuga da realidade; neuróticos sofrem com a realidade; e os perversos manipulam a realidade à sua conveniência (Garcia-Rosa, 2001). Note que nesse modelo de psicodinâmica, o caráter breve e focal é mandatório. O objetivo é obter flexibilidade cognitiva, desafiando primeiro os pensamentos automáticos negativos, depois as crenças subjacentes. Em cada área da LPM (lista de problemas e metas), definem-se submetas que sigam os seguintes padrões: Devem ser tais que as soluções de cada uma componham a solução da meta. Devem ser traçadas mediante expectativas alcançáveis. Cada submeta deve ser metrificável, isto é, há uma quantidade finita de esforço para realizá-la e há um tempo limite para alcançá-la. Na etapa de planejamento em psicoterapia breve, explicaremos como se dá a práxis. Por exemplo, uma pessoa quer parar de fumar e está cogitando que deve parar. Então procura um terapeuta cognitivo comportamental que, junto com ela, estabelece um tempo e um método. Podem ser usadas várias estratégias, mas é imperativo que sejam divididas em fases. Na primeira submeta, por exemplo, pode ser definido que o primeiro cigarro do dia será somente após as dez da manhã. É solicitado à pessoa que ela preste atenção nos intervalos em que a fissura é mais presente. Junto com a pessoa é definido um tempo mínimo entre um cigarro em outro. Essa técnica é de retardamento do impulso e de exposição controlada ao risco. É possível combinar outras técnicas. Mas a pessoa deve estimar um tempo máximo em que chegará a seu objetivo que é não fumar e não se importar com outros que fumam. 1. 2. 3. • • • Dinâmica do processamento cognitivo Neste vídeo, apresentaremos e refletiremos sobre a dinâmica do processo cognitivo e o uso de técnicas na busca da flexibilidade cognitiva. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Recomendações para psicoterapia breve As indicações da psicoterapia breve são várias. Vejamos, a pessoa tem uma fobia de avião. Podemos trabalhar esta fobia no modelo TCC breve. A pessoa é conscientizada de que o que ela perde ao entrar no avião é o controle temporário sobre suas alternativas de movimentação. Outras fobias seguem o mesmo padrão. Fobia de elevador, de lugar alto, de lugar movimentado, de locais frequentados por muitas pessoas, de adoecer etc. Pode-se também considerar os momentos que antecedem a uma intervenção cirúrgica e no qual a ansiedade saia do controle. Ou tratar os aspectos cognitivos de tomar uma decisão que afeta a vida da pessoa em definitivo ou que seja de difícil reversão como, por exemplo, decidir por fazer uma laqueadura ou uma vasectomia. Algumas pessoas buscam terapia para lidar com o burnout e precisam de ajuda para encontrar mudanças que promovam o bem- estar. Outras têm questões não resolvidas que, em algum momento, surgem e causam sofrimento psicológico, como problemas com os pais, no relacionamento conjugal ou no ambiente de trabalho. Programas de demissão voluntária devem considerar o suporte psicológico para ajudar a resolver o processo de desligamento de forma saudável. Uma diferença fundamental para o sucesso ou fracasso da terapia está na capacidade de simbolizar as experiências traumáticas. As pessoas que procuram terapia geralmente buscam alívio dos sintomas e melhoria na qualidade de vida. As psicoterapias breves têm aplicação no campo da psicologia hospitalar, na psicologia do adolescente, na psicologia do idoso, na resolução de conflitos entre pessoas etc. Para Lustosa (2010, p. 263), é preciso bem avaliar a propriedade e a eficácia da técnica da psicoterapia breve ao caso de estudo. Para a autora, as PBs são muito bem empregadas em: Quadros agudos (situações de emergência, crises). Distúrbios reativos (incluindo depressões reativas). Reações ansiosas ou fóbicas. Perturbações psicossomáticas de início recente. Quando se trata da população mais carente de recursos financeiros, resta que a abordagem breve, normalmente utilizada nos Centros de Atenção Psicossocial, é a única possibilidade. Mesmo em se tratando de sistemas de baixo custo, como a gratuidade nos Serviços de Psicologia Aplicada, ligados a universidades e faculdades, a pessoa carece do dinheiro para se deslocar até o local da terapia. Resta considerar os momentos de traumas coletivos, como em emergências e desastres. O transtorno de estresse pós-traumático e a ansiedade de separação são possíveis áreas em que a psicoterapia breve é recomendável. 1. 2. 3. 4. Psicoterapia breve aplicada Neste vídeo, trataremos sobre a aplicação da psicoterapia breve em diferentes contextos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Avalie as afirmativas sobre a terapia breve e, na sequência, assinale a alternativa correta: I – As psicoterapias breves têm aplicação no campo da psicologia hospitalar, dado que, tipicamente, a razão de uma pessoa estar internada torna relevante a preparação psicológica para os procedimentos hospitalares compatíveis com sua demanda médico-cirúrgica. II – As psicoterapias breves de base fenomenológica-existencial é sempre a primeira alternativa, quando se trata de plano terapêutico de longo prazo. III – Quando se trata da população mais carente de recursos financeiros, resta que a abordagem breve, normalmente utilizada nos centros de atenção psicossocial, e os atendimentos sociais voluntários são as melhores possibilidades. A Apenas a afirmativa I é verdadeira. B Apenas a afirmativa III é verdadeira. C Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. D Apenas a afirmativa II é verdadeira. E Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. A alternativa C está correta. A afirmativa II é falsa, pois a psicoterapia breve, de base fenomenológica-existencial, é sempre a primeira alternativa quando se trata de plano terapêutico de curto prazo. A afirmativa I é verdadeira, já que, no campo da Psicologia hospitalar, há aplicações antes e após atos cirúrgicos ou tratamentos que requeiram cuidados especiais. O ambiente hospitalar, já traz certo aspecto de temeridade. Assim, a atuação breve acarreta equilíbrio dos níveis de ansiedade e medo, pela tomada de consciência do que passará a pessoa e o que ela ganhará após o ato cirúrgico. Sua resistência, seus temores, são elementos a serem trabalhados na terapia breve. A afirmativa III é verdadeira, pois quando se trata da população mais carente de recursos financeiros, resta que a abordagem breve, normalmente utilizada nos centros de atenção psicossocial e os atendimentos sociais voluntários são as melhores possibilidades para eles, por implicarem um baixo custo financeiro e pouca interrupção das atividades laborais. Questão 2 Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que descreve corretamente como a TCC atua na dinâmica do processamento cognitivo. A A psicodinâmica da terapia cognitivo-comportamental opera sobre a compreensão do pensamento automático e ativa uma avaliação cognitiva na qual uma ou mais crenças são escolhidas. Daí, uma ação chega à consciência, e uma ou mais emoções são ativadas. Segue que uma estratégia é selecionada em conformidade com a atitude ativada. B A psicodinâmica da terapia cognitivo-comportamental opera sobre a compreensão do evento e ativa uma avaliaçãocognitiva na qual uma ou mais atitudes são escolhidas. Daí, uma cognição chega à consciência e uma ou mais emoções são ativadas. Segue que um comportamento é selecionado em conformidade com a atitude ativada. C A psicodinâmica da terapia cognitivo-comportamental opera sobre a compreensão do pensamento automático e ativa uma representação consciente na qual uma ou mais atitudes são escolhidas. Daí, uma regra condicional chega à consciência, e uma ou mais emoções são ativadas. Segue que um comportamento é selecionado em conformidade com a estratégia compensatória ativada. D A psicodinâmica da terapia cognitivo-comportamental opera sobre a compreensão do evento e ativa uma atitude na qual uma ou mais estratégias compensatórias são escolhidas. Daí, uma pressuposição chega à consciência, e uma ou mais emoções são ativadas. Segue que um comportamento é selecionado em conformidade com a crença condicional ativada. E A psicodinâmica da terapia cognitivo-comportamental opera sobre a compreensão do fato e ativa uma crença condicional na qual um ou mais pensamentos automáticos são escolhidos. Daí, uma pressuposição chega à consciência e uma ou mais regras de resolução são ativadas. Segue que um comportamento é selecionado em conformidade com a atitude ativada. A alternativa B está correta. A dinâmica do processamento cognitivo se inicia com a necessidade de a pessoa compreender o evento. Segundo Beck, a TCC atua sobre essa compreensão, ativando uma avaliação cognitiva das circunstâncias, que escolhe uma atitude (ou mais). Uma vez ativada a atitude, decorre um pensamento consciente e, então, a ativação da emoção. Daí, tem-se um comportamento correspondente à atitude ativada. 3. Contextos de atuação Abordagem fenomenológico-existencial da psicoterapia breve Caminhemos um pouco no domínio da terceira força da psicologia: o contexto das terapias humanística e fenomenológica-existencial. A Gestalt terapia é uma das abordagens dentro desse contexto. Cardinalli (2020) afirma que a psicoterapia fenomenológico-existencial baseia-se no método preconizado por Heidegger em sua obra Ser e Tempo: “deixar e fazer ver por si mesmo aquilo que se mostra tal como se mostra a partir de si mesmo” (HEIDEGGER, 1927/2007, apud CARDINALI, 2020, p. 74). O conceito fundamental desta abordagem terapêutica é o Dasein,cujo significado é “ser no mundo”. Decorre dessa definição que o ser humano é uma maneira de dizer que somos mutáveis com o tempo e com as experiências. Nossa existência é uma manifestação da nossa essência, invocada pelos desafios do mundo, isto é, pelos fenômenos aqui entendidos como eventos que ocorrem ao longo de um intervalo de tempo. Fica então em relevo a questão sobre o que é ser breve, em uma abordagem que, em vez de ser, como essência, “vamos sendo”; isto é, a cada experiência, nossa existência é um conteúdo manifesto das nossas potências, ou melhor, nossas capacidades de compreender, modificar e retificar nossa relação com o mundo externo a nós, mas que nos afeta. Heidegger nos exorta a considerar um modelo onde a experiência vivida é uma forma de manifestação de nossas virtudes e dos nossos defeitos ou imprecisões, de modo que é necessário revisar nossa relação com o social, o biológico e o eu interior, a nossa essência. Conforme se encontra no site druidnetwork.org, da cultura do povo celta, nos tempos pré-cristianismo, a tríade de número 5, que nos diz muito sobre o que Heidegger afirma acerca do Dasein. Essa tríade, traduzida, nos fala de que “Três coisas um homem é: Aquilo que pensa ser Sua autoconsciência. Aquilo que os outros pensam que ele seja Sua reputação. O que ele verdadeiramente é Sua essência. Segundo essa tríade, se nossa autoconsciência não corrobora nossa reputação e vice-versa, nossa essência não pode se manifestar. O caráter breve da psicologia fenomenológico-existencial (FE) está na promoção do encontro entre o que é a essência com a existência, dado que o ex-ist tem o sentido de externar aquilo que você é, tanto para os outros quanto para si mesmo, uma vez que vamos nos conhecendo e nos transformando durante nossa experiência no mundo e com o mundo. Para melhor compreender, imagine-se criança e como você via o mundo nesta fase e compare com quem você é e como você vê o mundo agora. Assim, o dasein é o momento “sendo o que é” esculpido pelas adversidades que a pessoa atravessa. O processo terapêutico FE breve implica em dar-se um tempo curto, no qual se possa experimentar e aprender com o contato com aquilo ainda desconhecido e com a aceitação de que só se pode ser melhor, “sendo no mundo”. Neste sentido, a dinâmica poderá ser uma sucessão de terapias breves. Note que, segundo esse modelo, há uma psicodinâmica exigindo um caminho de progresso de autoconhecimento, de aceitação e de compromisso com o porvir. O que deu errado ontem é base para refletir para não se repetir o comportamento, única parte em que nós nos damos a conhecer aos outros. Nosso comportamento reflete nossa essência ou a protege. O tempo requerido seguirá orientado pelo objetivo de revelar e desvelar-se modificando conceitos e valores que levaram a uma manifestação não compatível com a experiencia do fenômeno que deu origem ao trauma. Terapias humanística e fenomenológica-existencial Neste vídeo, abordaremos as terapias humanística e fenomenológica-existencial, o caráter breve e a promoção do encontro. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Intervenções breves no contexto fenomenológico- existencial Consiste basicamente no trabalho de autoinvestigação auxiliado pelo terapeuta, que é responsável por guiar com segurança a pessoa na revisão dos conceitos que a fizeram sofrer e entender pontos ainda não conhecidos dos meandros de nossa memória implícita. Nesse processo, é necessário compreender que o homem é separado do objeto, referindo-se ao autoconceito como algo relativo à subjetividade, ao mundo interior, que se distingue da experiência com os objetos, eventos, fenômenos e interações sociais que se referem ao mundo externo a nós, ou seja, ao mundo da realidade objetiva. Cabe ao terapeuta encontrar meios de separar a experiência, o fenômeno, da representação mental do fenômeno, a fim de promover o Dasein. Se a vivência atual do paciente lhe traz sofrimento, algo há a corrigir na representação do mundo e na resposta comportamental que se manifestou. Quando há incongruência entre a essência e sua manifestação, há sofrimento psíquico. Uma pessoa precisa ser capaz de compreender que parte do sofrimento é imposto, parte é aceita. No existencialismo, é necessário considerar, refletir e modificar as representações, as memórias registradas durante a ocorrência do fenômeno mediante uma nova ótica, um novo ponto de vista. Como a existência é ser no tempo. O passado está eternizado e representa o que a pessoa foi. Não muda mais. Então, o que muda é o entendimento sobre o ocorrido, e uma correção das falhas que levaram ao sofrimento. A principal delas é corrigir a frustração sobre o que é sabido não poder ser controlado. Há elementos que podemos controlar e há elementos que não controlamos. Temos que cumprir prazos. Se não deu, de pouco adianta lamentar. O correto é cumprir a tarefa e aceitar eventuais penalizações. Não foi possível alcançar o sonho, retifique a compreensão e não o sonho, posto que o porvir é a mola que movimenta o caminho existencial. Lembrando que a existência saudável corrobora a essência. Ser breve, em termos existenciais, é manter-se no presente, levando o passado como referência, base de mudança para ajustamento ao porvir. As intervenções breves no contexto existencialista Neste vídeo, refletiremos sobre as intervenções breves no contexto fenomenológico-existencial. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre a abordagem fenomenológico-existencial, avalie as afirmações abaixo e, na sequência, assinale a alternativa correta: I – O dasein é um termo que Heidegger usa para indicarexistência atemporal. II – A fenomenologia preconiza uma dinâmica na qual a pessoa, em suas vivências no mundo, pode alterar a consciência que tem de sua essência. III – Podemos considerar essência todas as potencialidades da pessoa, tanto as realizadas quanto as que estão por se manifestar. A Apenas a afirmativa I é verdadeira. B Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. C Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras D Apenas a afirmativa II é verdadeira. E Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. A alternativa B está correta. A afirmativa I é falsa, pois Heidegger denomina o dasein ao "modo de Ser no Tempo" que, enquanto fenômeno, é necessariamente temporal. A afirmativa II é verdadeira, pois a fenomenologia preconiza uma dinâmica na qual a pessoa, em suas vivências no mundo, pode alterar a consciência que tem de sua essência, isto é, o modo de ver a si e reinterpretar segundo suas potencialidades manifestadas e suas competências adquiridas segue retificável a cada nova vivência. A afirmativa II é verdadeira, pois as potencialidades ainda não manifestadas e as que se manifestaram e foram percebidas no comportamento da pessoa fazem parte da essência. Questão 2 Sobre a psicodinâmica da psicoterapia breve focal de base fenomenológica existencial, é correto afirmar: A Utiliza técnicas que facilitam encontrar pontos de divergência entre aquilo que é o real e aquilo que é fruto da imaginação para modificar a emoção. B Utiliza técnicas que facilitam encontrar pontos de divergência entre aquilo que é o essencial e aquilo que é fruto da existência para modificar o temperamento. C Utiliza técnicas que facilitam encontrar pontos de convergência entre aquilo que é a essência e aquilo que é desejado para modificar a existência. D Utiliza técnicas que facilitam encontrar pontos de convergência entre o comportamento e a emoção para modificar a existência. E Utiliza técnicas que facilitam encontrar pontos de divergência entre aquilo que é o essencial e aquilo que é fruto da existência para modificar o comportamento. A alternativa E está correta. A psicodinâmica da psicoterapia breve focal de base fenomenológica existencial se caracteriza como tendo por base a contínua modificação do comportamento por meio de técnicas que facilitam encontrar pontos de divergência entre aquilo que é o essencial e aquilo que é fruto da existência. Ser no tempo implica compreender que o real nos afeta e uma mudança se faz necessária no nosso modo de ser. 4. Conclusão Considerações finais As duas linhas escolhidas de psicoterapia breve e focal apresentam convergências e divergências quanto à metodologia e à conceituação estrutural. Pode-se afirmar que Beck, psicanalista de formação, associa desde conteúdo da psicanálise a conteúdos mensuráveis da psicologia comportamental. Daí, seu método ser denominado terapia cognitivo-comportamental. Vimos também que, embora a técnica psicanalítica tenha sido preservada coerente com a corrente freudiana, os autores inovaram restringindo a técnica da livre associação na escuta terapêutica à escuta guiada pelo contexto do problema e promovendo condições favoráveis a que uma maior parcela da população se beneficiasse da psicoterapia. Aspectos distintos da psicodinâmica são apresentados caracterizando as práticas da psicoterapia breve de base psicanalítica e a práxis da TCC. Notando que não há sequer um único par de sapatos que se ajusta a todos os pés, também algumas técnicas psicoterapêuticas podem ser bem-sucedidas para uns e outras para outros. Por que é importante conhecer e aplicar as técnicas das psicoterapias breves? São várias as respostas possíveis. Destaca-se a promoção de saúde mental, a custo e disponibilidade de tempo compatível com os recursos da população. Ainda, ser breve é sinônimo de eficiência. Saber decidir pela forma correta de terapia requer especialização em uma corrente sem deixar de lado o conhecimento das outras vertentes. O código de ética norteia que o psicólogo faça aquilo em que é bom. É uma solução no caso de o paciente precisar de outro tipo de psicoterapia, encaminhar para outro ou outra colega que esteja em melhor condição de ajustamento às necessidades da pessoa. Podcast Ouça agora uma série de reflexões sobre os fundamentos da psicoterapia breve, com destaque para os precursores e os conceitos fundamentais da psicoterapia breve. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Leituras sugeridas: CLARK, A. D.; BECK, A. T. Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade: Tratamentos que Funcionam ‒ Guia do Terapeuta. Porto Alegre: ArtMed, VitalBook file, 2015. E-book. RANGÈ, B. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. 2. ed. Porto Alegre: Grupo A-ArtMed, 2011. E-book. SANTAELLA, l. Percepção – Fenomenologia, Ecologia e Semiótica. 1. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. Busque no canal Christian Dunker, no YouTube, conteúdo relativo ao Ferenczi. Referências BECK, J. S. Terapia Cognitivo Comportamental – Teoria e Prática. 2. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2013. CARDINALLI, I. E. Psicoterapia focal: psicoterapia breve de base fenomenológico-existencial. Psic. Rev. São Paulo, volume 29, n. 1, 157-175, 2020. Consultado na internet em: 14 mar. 2023. CARMO, L. D. S.; CHAVES, W. C. Freud e o sintoma nas conferências introdutórias: algumas considerações. Revista Natureza Humana , São Paulo, v. 21. p. 100-119, janeiro-junho, 2019. CORDIOLI, A. V. Psicoterapias Abordagens Atuais. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2008. CORIN, D. A Treasury of Druidic Triads. UK, Blackburn with Drawen: The Druid Network, 2010. Consultado na internet em: 14 mar. 2023. FISKE, S. T.; TAYLOR, S. E. Social Cognition – From Brains to Culture. 3rd ed. Los Angeles, USA: SAGE, 1991. FREUD, S.; FERENCZI, S. Correspondência. Vol. I/Tomo 2. Rio de Janeiro: Imago, 1995. FERENCZI, S. Psicanálise II. São Paulo: Martins Fontes, 1993. GARCIA-ROSA, L. A. Introdução à Metapsicologia Freudiana. Vol. I, II e III. 5. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. KRUGER, H. R. (Org.). Crenças e Sentido de Vida. Série Universitária. Mestrado em Psicologia. 1. ed. Curitiba: CRV, 2017. LACAN, J. Seminário 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. LUSTOSA, M. A. A psicoterapia breve no hospital geral. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 259-269, dez. 2010. Consultado na internet em: 14 mar. 2023. Planejamento terapêutico em psicoterapia breve Você irá conhecer o planejamento terapêutico e suas fases, como aspectos importantes para o sucesso de uma terapia breve. Prof. Tavares 1. Itens iniciais Propósito O estabelecimento de um planejamento embasado em diretrizes e de uma metodologia de abordagem e técnicas de intervenção eficientes é necessário para orientar a condução do processo terapêutico, independentemente da linha de abordagem. Esse processo é importante para facilitar a atuação do psicoterapeuta, tendo em vista as restrições de tempo e recursos presentes nas demandas de psicoterapia breve. Objetivos Identificar os elementos necessários à construção do plano terapêutico, por meio da análise dos modelos semiestruturados de avaliação inicial. Identificar os termos do contrato terapêutico com os direitos e deveres de cada parte. Reconhecer o planejamento como requisito de sucesso para a prática terapêutica. Introdução São requisitos de um bom planejamento em psicoterapia breve as estratégias que permitam avaliar a objetividade e a exequibilidade do plano, além de sua avaliação e revisão contínua, de modo a facilitar a remissão/redução de sinais e sintomas do paciente. O planejamento e suas fases são fundamentais para o sucesso de uma terapia breve. A partir da anamnese, ou seja, da avaliação inicial, estabelece-se um contexto e uma demanda a ser resolvida. Daí, segue uma interação terapeuta-paciente-responsável, com a finalidade de estabelecer os termos do contrato terapêutico, no qual ficam claros os direitose deveres (no sentido de cooperar para o progresso terapêutico) de cada parte. Outros detalhes como frequência, duração e valores são pactuados. Por fim, um plano terapêutico é elaborado e posto em prática. Há previsão para reavaliações periódicas para garantir o progresso até que se concorde com o momento da alta. • • • 1. A avaliação inicial Psicanálise e dados sociodemográficos Freud relata que, no início da análise, recomenda o hábito de tratamento de ensaio “como tratamento psicanalítico de uma ou duas semanas antes do começo da psicoterapia” (QUINET, 1991, p. 13). Para Freud, essa etapa da avaliação inicial tem como objetivo estabelecer uma ligação entre o paciente e seu processo terapêutico e a pessoa do analista (QUINET, 1991). Contudo, exorta o analista a manter sua atenção flutuante, captando na fala livre, em associação livre, aquilo que servirá de guia, de referência para a realização do processo terapêutico. Finalizando, Quinet (1991) apresenta três funções das entrevistas iniciais. Vamos detalhá-las a seguir. Função sintomal (sinto-mal) Indica que sintoma é um mal-estar decorrente do estado em que a pessoa se encontra. Ou seja, a demanda não deve ser aceita em sua forma bruta como descrita, e deve passar pelo crivo do analista que, com sua experiência, destacará os sintomas relevantes para o mal-estar do paciente. Função diagnóstica Diz respeito ao enquadramento em categorias adequadas para fins de encontrar melhores modos de lidar com o sofrimento do paciente. Função transferencial Quinet (1991) afirma que, de início, o paciente considera o analista no “lugar do suposto saber”, criando-se, assim, uma expectativa no paciente de que o analista detém os recursos que ele precisa aprender para melhorar sua qualidade de vida e bem-estar. Desse modo, abre-se um canal de comunicação bilateral, no qual analista e paciente interagem verbalmente, e, ao colocar em palavras seu sofrimento psíquico, o paciente permite ao analista atuar em benefício, “transferindo” competências diante da situação traumática, para fins de promover a ressignificação. Cada terapeuta tem uma ficha de cadastro, que segue os padrões éticos da psicologia e compatível com a atual Lei Geral de Proteção de Dados. Isso quer dizer que cabe ao terapeuta a guarda e proteção de dados sensíveis, que, se vazados, podem prejudicar o paciente a qualquer tempo, dentro do prazo de validade exigido para a guarda dos documentos. Atenção Deve-se consultar o respectivo Conselho de Regional para orientação quanto a essa exigência sobre a guarda e proteção de dados sensíveis do paciente pelo terapeuta. Recomenda-se evitar registrar dados desnecessários. Uma dica é, ao emitir documentos fiscais, usar dados já registrados em sites governamentais. Por exemplo, em cada município, a prefeitura mantém um site emissor de documentos fiscais, notas de serviço etc. Pelo nome ou pelo CPF, pode-se acessar os dados do paciente e emitir a nota fiscal. Importa considerar dados que identificam a pessoa: nome, identidade e CPF, endereço residencial, telefone de contato e, principalmente, nome de pessoas que possam ser contatadas em caso de necessidade. O paciente escolhe a quem contatar. São parentes, amigos ou colegas de trabalho, apenas necessitando-se do registro do nome (ou apelido) e telefone de contato. O endereço não serve apenas para saber onde a pessoa mora. Serve também como motivo para pedir novas informações sobre risco, segurança, acessibilidade, sofrimento psíquico dos moradores etc. A condição laboral, se trabalha, onde e o que faz são outros elementos indicativos para a avaliação inicial. Pode ser foco de sofrimento psíquico, bullying ou abuso. O ambiente familiar também contém estressores. Quanto maior a prole e quanto menor o espaço e as condições financeiras, mais chances de conflito. A renda familiar é um indicativo das restrições e das possibilidades de experimentar qualidade de vida e bem-estar. O ambiente acadêmico apresenta estressores de tempo e prazos, bem como de complexidades associadas aos estudos e à natureza das disciplinas. Além disso, o grau de rigidez e exigências de alguns professores são potencializados pelo sentimento de baixa autoestima e de um autoconceito baixo, historicamente construído conforme a vivência de frustrações e reveses. Nada deve ser minimizado durante a avaliação inicial! A dor da pessoa é tal como ela a representa. Compete ao terapeuta apenas ouvir com atenção e descobrir pontos nos quais a reflexão e a interação proativa possam promover mudanças e ressignificações. Terapia de base psicanalítica e informações relevantes Neste vídeo, refletiremos sobre a terapia de base psicanalítica, bem como informações relevantes da ficha de cadastro. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Demanda Na etapa de identificação da demanda, recomenda-se não fechar hipóteses, e sim esperar por mais uma sessão para identificar os pontos urgentes e importantes a trabalhar com o paciente. Deve-se explorar os vários contextos sociais nos quais a pessoa tenha interações, definir quais ambientes são agradáveis e quais ela considera um tanto hostis. Deve-se descobrir o que nos ambientes são gatilhos para disparar disfuncionalidades psíquicas no paciente. Enfim, é muito trabalho, e esse parece o lado mais interessante da terapia. Ela não é neutra, todos somos transformados pela experiência. Qualquer processo psicoterapêutico parte de uma entrevista inicial, na qual terapeuta e paciente procuram se conhecer e estabelecer relação interpessoal que seja promotora de um ambiente proativo. Assim, cabe ao terapeuta ouvir queixas, demandas, sofrimentos e relatos, sem deixar de lado as técnicas de associar as falas aos processos psicodinâmicos subjacentes. Isso significa que o terapeuta estará com um ouvido na pessoa e outro na técnica na qual é especialista. O terapeuta deve avaliar se a demanda é compatível com sua técnica, se a faixa etária do paciente se ajusta à técnica, se há ou não necessidade de investigar comorbidades, antes de fechar um contrato. Uma vez descritas as queixas, mas sob a ótica da terapia breve, o trabalho agora é enquadrar uma hipótese diagnóstica para guiar o percurso que leva a conhecer em detalhe as características da demanda. Para isso, uma dimensão longitudinal é relevante. Isto é, a queixa contém muitas referências ao passado, as vivências da pessoa em situações análogas às atuais. A pessoa foi desenvolvendo estratégias de enfrentamento a cada vez que enfrentava um evento aversivo. Tais experiências modificaram suas crenças, revisando-as a cada situação aversiva, contudo, essas mesmas estratégias agora já não se mostram mais eficazes no mundo atual. A ação terapêutica se mostra necessária e capaz de reduzir as disfuncionalidades, promovendo interpretações mais ajustadas aos eventos, fenômenos e valores. Recomenda-se atenção especial aos contextos. A fala do paciente percorre diversos contextos de sua vida. As pessoas, em geral, apresentam estereotipias. Isto é, elas se comportam de modo distinto nos muitos ambientes (contextos sociais) que frequenta. Ela pode se apresentar como cordial em família, como agressiva na escola ou no trabalho e, ainda, pode se mostrar isolada quando estiver participando de uma festa. Essas estereotipias revelam uma multiplicidade de faces (“máscaras sociais”) que protegem a pessoa das agonias que sente nos ambientes. Ao considerar um contexto, o terapeuta deve observar o comportamento do paciente durante a fala e o movimento ocular, pois há pessoas que usam da imaginação, e olham para cima, como se procurassem a ideia na mente. Outras desviam o olhar quando não estão certas da veracidade do que está expondo. Essa é uma característica comum em adolescentes. Pacientes adolescentes não sabem definir bem o que sentem e procuram inventar possibilidades. Precisamos ser hábeis nessas situações, sem desassistir o paciente. O sintoma é o recurso que o paciente tem para não piorar. Para removê-lo, é precisosabedoria. Saber a hora e o que suporta o sintoma para que esse equilíbrio exista para manter o paciente estruturado e capaz de lidar com seu sofrimento. Uma pessoa com grau de cultura muito incipiente tenderá a necessitar de uma conversa mais coloquial, não entenderá palavras rebuscadas. Ao mesmo tempo, precisamos conscientizá-la daquilo que a faz sofrer e dar outra chance de representar seu sofrimento diante de novos argumentos e fatos que ela não saberia atinar sozinha. Pessoas muito aculturadas têm a tendência a resistir a processos terapêuticos e, portanto, precisamos ser hábeis em manter o controle do discurso enquanto ela demonstra sua rigidez comportamental. Cada paciente é um paciente e, com a experiência acumulada, vamos nos tornando melhores terapeutas. Identificação da demanda Neste vídeo, refletiremos sobre como é feita a identificação da demanda e a recomendação para não fechar hipóteses. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Finalização da avaliação inicial Uma avaliação inicial deve terminar sempre com uma questão acerca do que pareceu ao paciente aqueles momentos. Pergunta-se sobre o que achou, o que compreendeu, se sentiu-se melhor depois da avaliação, e é feita uma devolutiva sobre se a demanda que o paciente traz é compatível com a técnica do terapeuta ou não. Em caso positivo, pergunta-se se há interesse em prosseguir no processo terapêutico. Em caso negativo, pode-se sugerir três nomes de outros profissionais para que o paciente possa encontrar caminhos de solução para sua demanda. É fundamental, nessa hora, que o paciente sinta confiança e acolhimento. Para tal, mantenha-se a uma distância segura, em que o paciente se sinta acolhido. Não tão distante que ele possa desistir, nem tão perto que ele possa confundir a relação terapêutica com uma relação social comum. Todo paciente tem a curiosidade de saber o que o terapeuta entendeu sobre seus relatos. É preciso ter cuidados quanto a rotulações. Nesse momento, pode-se recorrer a hipóteses diagnósticas, a serem confirmadas ou descartadas no decorrer da terapia. Por que é importante não determinar de imediato um código CID (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) para o paciente? Porque a história toda não é conhecida. Há pacientes que buscam por terapia para depois apresentar um laudo ao seu empregador, ou a seu médico endocrinologista, ou ainda, para se defender em situações jurídicas, sem ter deixado claro para o terapeuta a intenção. A avaliação inicial é um momento de encontro, mas é um momento de dúvidas. Até que ponto as informações que eu tenho são definitivas? A maioria dos pacientes é de boa-fé. Mas o paciente de má-fé não traz rótulos na testa. É preciso cautela. Se é o caso de um laudo para fins de uma cirurgia bariátrica, o paciente deve trazer uma solicitação formal de seu médico. Caso se trate de uma demanda contra a pessoa por dirigir de forma inconsequente, a testagem é recomendada antes de qualquer processo terapêutico. Ilustramos possibilidades, mas o terapeuta é autoridade para fazer avaliação diagnóstica, mesmo que inicial. A condição de hipótese diz respeito ao fato de que o relato pode mudar de um dia para o outro. O diagnóstico se consolida ao longo do processo terapêutico. É preciso ser cauteloso sem ser temeroso. Se for necessário alterar a avaliação inicial, haverá espaço para isso no plano terapêutico e no registro das sessões. Dica Uma vez definida a natureza da demanda e definida qual técnica do terapeuta é adequada ao tratamento, é chegada a hora de psicoeducar o paciente. Ao final da entrevista e da avaliação, é oportuno estabelecer uma entrevista devolutiva, no nível de entendimento do paciente, sobre o que se passa com ele e como ele pode ter benefício com a terapia. Assim, se o paciente aderir ao tratamento, é importante relatar como serão as sessões, seus conteúdos, assegurar o total sigilo do que acontecerá no setting terapêutico e ouvir do paciente suas dúvidas e angústias. Entrevista devolutiva Neste vídeo, refletiremos sobre a entrevista devolutiva, bem como a importância do acolhimento e da psicoeducação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Considerando que as demandas do paciente são singulares e variam de paciente para paciente, avalie as afirmativas a seguir e marque a alternativa verdadeira. A A escuta na etapa da avaliação inicial é baseada na associação livre e no livre discurso do paciente, cabendo ao terapeuta apenas ouvi-lo. B Tanto o paciente quanto o terapeuta devem atentar para a dimensão histórica em detrimento da dimensão atual representada pelos diferentes contextos de vida do paciente. C Na avaliação inicial, importa que o paciente se sinta à vontade para falar de sua demanda, contudo, o terapeuta deve definir limites, por meio da escuta guiada pelo contexto da demanda principal. D O paciente, segundo seus recursos, é quem escolhe se a terapia será breve ou de longo prazo. E A avaliação inicial, se bem efetuada permite, de imediato estabelecer um diagnóstico formal baseado no CID 10. A alternativa C está correta. O setting precisa apresentar conforto relativo e despertar confiança no terapeuta para que a entrevista possa evoluir com sucesso, cabendo ao terapeuta orientar o fluxo da fala do paciente. Os diferentes contextos são relevantes para compreender o processo instalado e suas disfuncionalidades; que não é o recurso do paciente que é decisivo para a abordagem breve, mas a natureza da demanda e sua urgência; e que cumpre haver cautela em diagnóstico imediato, posto que algo relevante pode ter sido omitido na entrevista inicial, por esquecimento ou intencionalidade. Questão 2 Sobre os dados demográficos, suas funções e guarda, sabemos que há critérios estabelecidos pelo sistema de conselhos e pela atual Lei Geral de Proteção de Dados. Assim, avalie cada afirmativa a seguir e marque a única afirmativa correta. A Os dados demográficos nos trazem luz sobre a condição social do paciente, suas vivências em diferentes contextos sociais, que auxiliam na construção da hipótese diagnóstica. B Segundo o sistema de conselhos, é necessário guardar os dados do paciente por 50 anos de modo que garanta o sigilo e coíba o acesso de terceiros. C A atual Lei Geral de Proteção de Dados foi elaborada de modo que dados sensíveis de pessoas devam ser protegidos das ações de criminosos. Como os dados usuais, como nome, endereço, telefone, CPF, são de conhecimento público, não é necessário que o terapeuta se preocupe com isso. D Para evitar invasão de dados, o terapeuta não registrará dados das sessões, nem manterá cadastro de seus pacientes. E Uma boa avaliação inicial não contempla o temperamento do paciente por não ter utilidade para estabelecer o diagnóstico. A alternativa A está correta. Os diferentes contextos sociais promovem gatilhos que disparam a disfuncionalidade psíquica do paciente, sendo os dados demográficos muito úteis para a hipótese diagnóstica. Sobre as afirmativas incorretas, cabe comentar que o sistema de conselhos requer a guarda de dados por um período, porém não tão prolongado como meio século; que terapeuta tem por obrigação a guarda, o sigilo e a garantia de que não haverá possibilidade de acesso de terceiros aos dados; que o registo de dados das sessões é obrigatório; e que temperamento e caráter são componentes formadoras da personalidade e um fator auxilia o outro no estabelecimento da avaliação inicial. 2. O contrato em psicoterapia breve Formato do contrato Antes de estabelecermos os detalhes de um contrato, vale ressaltar que, no modelo de psicoterapia breve de base psicanalítica, o inconsciente, tal como nos reporta Lacan, estrutura-se como uma linguagem. Assim, o inconsciente se apresenta na fala do paciente, estando além dela. A palavra alude ao conteúdo inconsciente. Assim, para ser breve é preciso salientar o contexto relevante e aplicar a técnica psicanalíticaguiada por esse contexto. Desse modo, um contrato deve expor, de modo verbal ou escrito, direitos e deveres de ambas as partes no processo terapêutico. Não se promete resultados. Trabalha-se ao máximo dentro do prazo previsto, reavaliam-se os resultados e se decide se o tratamento termina ou continua. Por outro lado, em se tratando de psicoterapia breve cognitivo-comportamental, o contrato se estabelece elegendo-se metas e submetas relativas ao problema focal a ser tratado. É necessário que o paciente saiba que há tarefas de casa e que, se ele adere às tarefas, as chances de reduzir o prazo da terapia aumentam significativamente. No contrato, deverão constar prazos e metas, etapas de psicoeducação e deve estar explícita a importância da regularidade no comparecimento às sessões, sejam elas presenciais ou telepresenciais, no caso de o paciente se encontrar em viagem ou em local de trabalho remoto, tais como plataformas off-shore, serviço de plantão em organização militar etc. Quando se trata de abordagem fenomenológica-existencial ou humanista, a psicoterapia breve requer um contrato no qual as questões existenciais sejam de ordem de complexidade baixa, isto é, podem ser abstratas, relativas até mesmo à transitoriedade da vida, mas voltadas para algo alcançável e concreto, tal como encontrar sentido para a vida que falta viver, autorregulação emocional para redução do sofrimento com o estresse da vida cotidiana etc. Muitos podem pensar que um contrato deve ter forma escrita com termos claros e objetivos. Ocorre que, no processo terapêutico, a empatia (o rapport) é valorizada. Assim, essa forma pode gerar desconforto em algum paciente. Algumas cláusulas podem promover resistência antes mesmo de a terapia acontecer. Temas sensíveis, que dizem respeito ao modo como serão cobrados os honorários, ao rigor do tempo de duração de cada sessão e ao fato de que, caso o paciente falte, se não avisar com antecedência adequada, terá a sessão cobrada, podem ser suavizados. No caso da falta sem aviso, sugere-se que a sessão seja cobrada e remarcada a reposição. O não comparecimento à reposição pode causar perda do direito de reembolso. O contrato pode ser verbal, e o pagamento pode ser combinado por sessão ou por oferta de pacote mensal. Em geral, o pacote oferece um percentual de redução praticado pelo terapeuta. Quanto ao conteúdo, é sugerido considerar as diretivas de Lemgruber: deve-se dar importância aos fatos da vida atual, contrastando com os fatos da infância do sujeito; também é importante marcar data para o término do processo terapêutico; e avaliar o nível de motivação do paciente para alcançar mudança (CORDIOLI, 2008). Igualmente oportuna é a inserção do comportamento diante das sessões. O paciente será observado quanto ao interesse em atentar para os detalhes apontados pelo terapeuta e quanto a sua postura diante do terapeuta, sendo a falta de atenção um motivo para discutir o progresso terapêutico entre outras possibilidades de retrocessos. Como se trata de uma proposta breve, não há tempo a perder. Isso deve estar na mente de ambos! Contrato: escrito ou verbal? Neste vídeo, refletiremos sobre o contrato escrito e verbal em diferentes abordagens. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Contrato de prestação de serviços em psicologia A seguir, apresentaremos um modelo de contrato de prestação de serviços em psicologia, adaptado de contrato sugerido pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP) do Paraná, para que você possa conhecer os deveres do contratante e contratado, bem como questões sobre a finalização do processo terapêutico. Nele, você terá um caput com a identificação das partes; uma série de cláusulas que dizem respeito ao objetivo, à natureza da prestação de serviços e cláusulas reguladoras do processo terapêutico contratado. Há direitos e deveres de ambas as partes que podem, a critério do leitor, serem igualmente adaptadas à situação geradora do contrato, isto é, à entrevista, à anamnese e à indicação da demanda (que não devem fazer parte do contrato, mas que o norteiam). Esse documento é um exemplo a ser completado com as particularidades de cada paciente. É possível alterar qualquer cláusula, contudo, atente para a legislação do Código de Ética do Psicólogo e do Código do Consumidor, nas cláusulas que regulam a prestação dos serviços dos profissionais liberais e da guarda dos registros, que hoje se rege pelo Marco Teórico da Internet e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Descrição das partes e objeto do contrato Nome completo, nacionalidade, estado civil, nascido em ___/___/___, identidade nº ________ expedida por __________________, profissão, residente e domiciliado à rua ___________________, bairro __________, município____, UF, __, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Físicas – CPF sob o número _____________ doravante denominado CONTRATANTE e Nome do psicólogo, nacionalidade, estado civil, psicólogo com registro CRP-0x/_________, CPF________________, com domicílio profissional à rua _______________________, bairro___________ cidade____________ CEP__________ doravante denominado CONTRATADO. Consideram, por meio deste instrumento, justos e contratados nos termos que se seguem: OBJETO: Prestação de serviços de psicoterapia breve, pelo período definido no art. 2º, ao contratante em consultório próprio (ou via telepresencial). Findo esse prazo, poderá o contrato ser rescindindo ou estendido se assim for o interesse de ambas as partes. Dos deveres do contratante Aqui se descreve o que se espera da contribuição do contratante para o bom andamento da terapia. Escolheu-se como regulador da interação contratante-contratado, o texto do Código de Defesa do Consumidor. Art. 1º- Serão prestados serviços de psicologia clínica obediente ao disposto na legislação e na Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor, no que concerne à prestação de serviços por profissional liberal, especialmente o art. 4º, inciso IV, o art. 39, incisos VI e IX e o art. 40 do referido código. Art. 2º- O presente contrato tem por duração inicial o período de seis meses a partir da data da assinatura desde o dia em que ocorrer a sessão de número 24 (vigésima quarta sessão), com frequência de 1 sessão semanal de 50 (cinquenta) minutos em dia e hora estipulados entre as partes, admitindo-se sessão extra se necessário se mostrar, sendo, neste caso, objeto de acréscimo do valor de uma sessão. Dos deveres do contratado O contratado tem por direito ser avisado com a antecipação devida em casos em que é possível a previsão da ausência. Casos fortuitos motivados por terceiros podem ser tolerados combinando-se a forma de pagamento. Art. 3º - O valor dos honorários é estipulado em R$............(........), mensais para efetivação de até 4(quatro) sessões a cada mês, as quais poderão ser transferidas com a comunicação realizada 24 (vinte e quatro) horas antes, por quaisquer das partes. Parágrafo 1º - A transferência de dia e/ou horário dar-se-á em comum acordo entre as partes, segundo a agenda do CONTRATADO. Parágrafo 2º – A não transferência de dia e horário dentro do prazo é considerada falta e levada a débito do contratante. O CONTRATADO poderá remarcar ouvido o CONTRATANTE faltoso. Tal fato não deverá ser considerado regra geral. Tão somente uma deferência. Parágrafo 3º - Caso o CONTRATANTE tenha optado pelo pagamento a cada sessão, este deverá ser efetuado no dia da sessão, sendo cada sessão avulsa cobrada em R$ ------- de honorários. Art. 6º- Desde já fica o CONTRATANTE ciente que o período de ___/___/___ a ___/___/___ estará destinado às férias do CONTRATADO. Nesse período, havendo urgência, será indicado profissional de apoio. Da finalização Este trecho se refere às condições de término da terapia. A alta, propriamente dita, deve ser dada pelo terapeuta, que avalia se o momento é de fechamento do processo terapêutico. Caso haja interrupção, o psicólogo deve registrar o fato e o motivo. Art. 7º A rescisão do presente contrato dar-se-á em sessão individualconforme previsto na condição do art. 2º, por qualquer das partes. Parágrafo 1º- Na última sessão do ano ou na sessão de rescisão será feita uma avaliação no formato verbal ou por outro meio aceito pelas partes, do processo psicoterapêutico no período de vigência anterior. Parágrafo 2º- O CONTRATANTE, na falta à sessão para comunicação da vontade de rescindir, será considerado em débito, devendo a respectiva cobrança dar-se como previsto na condição do art. 5º. Parágrafo 3º- Após quatro faltas seguidas ou alternadas, este contrato ficará automaticamente rescindido. E por estarem justas, contratadas, assinam o presente instrumento em duas vias de igual teor, ficando eleito o foro da Comarca de _________, para dirimir quaisquer dúvidas dele decorrentes, renunciando as partes qualquer outro por mais especial que seja. ................................,.........de........................ de 20..... Contratante:........................................... Contratado:............................................ Prestação de serviços de psicoterapia breve Neste vídeo, refletiremos sobre o modelo de contrato de prestação de serviços em psicologia, com destaque para os deveres do contratante e contratado. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conteúdo privativo Apenas nos casos em que há requisitos legais, orientações jurídicas de pacientes em conflito com a lei, deverá o psicólogo acautelar-se de informar no contrato quais métodos, técnicas e testes escolheu para aplicar em apoio ao processo terapêutico. Nos casos em que há requisitos legais, dados sensíveis circularão em um documento que poderá não estar na guarda exclusiva do psicólogo. Assim, pense bastante sobre estabelecer diagnóstico. Se necessário, evite salientar no contexto mais do que o necessário, basta o código CID-10. Relatar peculiaridades do comportamento do paciente no contrato é impensável. Tais registros são objetos de total sigilo. Apenas quando solicitado por autoridade competente, poderá ser realizado um laudo avaliativo. Os registros de sessão são privativos do contratado e do psicólogo. Um contrato é um instrumento que visa expor o objeto e contextualizá-lo na práxis do terapeuta. Assim, o contratante terá uma expectativa realista do que acontecerá durante o processo terapêutico. Não deve prometer resultados, antecipar sucessos e deixar espaço para má interpretação. Deve-se falar somente o necessário. Exemplo Um paciente diz que pensa em tentar contra a vida, instrua que chame alguém que o acompanhe a um posto de urgência e emergência psiquiátrica, onde o vão avaliar e auxiliar nessa hora crítica. Provavelmente, o terapeuta estará distante da pessoa, sem saber ao certo o que estará pensando e o que fará. É importante estabelecer a instrução e o comando. Nesse momento de fragilidade, é preciso não se comover; a pessoa precisa aprender a lidar ela mesma com seus pensamentos maus. Deve-se seguir o protocolo, sem inventar. O contrato é um bom fio condutor, mas a intuição, o bom senso, o equilíbrio é tudo que o paciente espera de um bom terapeuta. Siga o protocolo Neste vídeo, abordaremos algumas recomendações sobre o trabalho do psicólogo com conteúdo privativo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Considere e avalie as afirmativas a seguir sobre condutas em psicoterapia. I. Em psicoterapia breve, é indispensável estabelecer um contrato na forma escrita. II. Em virtude de sua natureza, na abordagem existencial, as metas são abstratas. III. O contrato é uma garantia para ambos os lados e funciona como um regulador das expectativas para o paciente. A Apenas a afirmativa I é verdadeira. B Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. C São verdadeiras ambas I e III e a afirmativa II é falsa. D Apenas a afirmativa III é verdadeira. E Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. A alternativa D está correta. No contrato, são dispostos deveres e direitos tanto do psicólogo quanto do paciente, o que lhes estabelece uma garantia, além das metas. Mesmo que em uma abordagem existencial trate-se de questões mais abstratas, deve-se estabelecer uma meta possível de ser alcançada. Como o contrato pode causar desconforto e desestimular o paciente antes que comece a terapia, preservando a empatia necessária à situação, ele pode ser verbal. Questão 2 Avalie cada uma das três afirmativas a seguir como falsa (F) ou verdadeira (V). Em seguida, marque a alternativa que descreve corretamente a sequência. I. Quanto ao conteúdo, deve-se dar importância aos fatos da vida atual. II. Deve-se contrastar os fatos da vida atual com os da vida pregressa. III. É irrelevante marcar data para o início do processo terapêutico e considerar o resultado das avaliações periódicas para efeito de escalar o quanto houve de progresso terapêutico. A V – F – V. B V – V – F. C F – F – V. D V – F – F. E F – V – F. A alternativa B está correta. No contexto do estabelecimento de um contrato, é importante considerar as seguintes diretivas: dar importância aos fatos da vida atual contrastando com os fatos da infância; marcar data para o término do processo terapêutico; e avaliar o nível de motivação do paciente para alcançar mudança, pois a motivação é tão robusta quanto maior for o impulso para seu cumprimento. Alcançar a mudança promove maior impulso e permite atacar outras metas. Definir uma data de início e fazer avaliação periódica é importante para mensurar o progresso. 3. Planejamento terapêutico e encerramento Compreensão da demanda A compreensão da demanda requer dar conta da essência do que se passa com o paciente. Digamos que ele nos traga suas aflições e estas são dirigidas a fatos da relação dele com o mundo. Saberemos se ele é capaz de bem interpretar o real ou se apresenta erros no processamento cognitivo da informação. Saberemos se a queixa remete a sofrimentos e traumas do passado que hoje estão de volta e tirando o controle da pessoa. Saberemos também se há questões referentes à transitoriedade, ao fluxo da vida, à desesperança, falta de discernimento sobre o que há por vir etc. Uma vez bem construída a interpretação sobre o que vai no inconsciente do paciente, torna-se possível inferir caminhos de tratamento e decidir se você detém ou não a técnica mais adequada para a demanda. Pode ser que, em um primeiro momento, a demanda não apresente o mais profundo de suas raízes e, nesse caso, é de se esperar que o terapeuta reavalie a eficácia de sua técnica. Contudo, as coisas caminham segundo seu fluxo. Não temos o controle de como evoluirá a terapia. Temos como guiar, mas o mapa é o do paciente. Conforme o paciente transforma em palavras suas agonias, ele se aproxima da mudança para melhor. Para que serve conhecer a demanda? Para saber escolher as técnicas, os instrumentos e os processos psicológicos a serem alvos de intervenção. Para conhecer a demanda é melhor que todas as condições estejam bem elaboradas e os sujeitos bem ajustados aos instrumentos. Pense na confusão que é fazer um café em um caldeirão. Não é uma opção prática. Porém, é um processo. É preciso os confiar em quem saiba fazer o café assim. Também, nas sessões iniciais, o paciente não sabe bem como será o seu processo terapêutico. Para ele, pensamentos disfuncionais estão inundando sua mente como que em um caldeirão quente de onde se quer causar ajustamento à realidade objetiva. O terapeuta deverá ser muito hábil em promover flexibilização e ressignificações de situações que borbulham em um caldeirão mental de quem sofre com seu transtorno. Essa comparação ilustra como o paciente verá o processo terapêutico se não compreender bem o que se passa. Uma vez compreendida a demanda, é momento de selecionar estratégias de resolução do problema encontrado. Todas as abordagens requerem planejamento, cada uma ao seu estilo. Fica então em relevo a questão sobre o que é ser breve, em uma abordagem que, em vez de ser, como essência, “vamoslimitados psicoterapia focal ou psicoterapia limitada. Ela foi criada em um contexto psicanalítico, porém não é um método exclusivo de psicanalistas. A psicoterapia tradicional é caracterizada por um processo de avaliação e tratamento psíquico que pode durar meses ou anos, dependendo das questões do paciente. Já a psicoterapia breve reestrutura a questão da temporalidade dos processos terapêuticos. A psicoterapia breve tem um enfoque muito mais específico, ou seja, não tem o objetivo de avançar em processos muito profundos, como questões da infância, e não pretende fazer uma investigação detalhada da vida do paciente como um todo. Comentário A ideia de que um processo mais rápido é mais eficiente não é sustentável, pois algumas questões são realmente complexas e essas podem requerer uma psicoterapia contínua ou mais longa. As modalidades breves podem receber demandas mais pontuais. Nesse caso, o terapeuta não vai considerar questões paralelas que não tenham a ver com a demanda específica. Vejamos algumas situações: Preparar-se para uma apresentação no colégio ou na faculdade Ansiedade para uma entrevista de emprego ou para realizar uma prova de concurso Fatores específicos de estresse Conflito de relacionamento Outro traço importante é que a psicoterapia breve tem quantidade de sessões limitada, contando com um processo de início, meio e fim previsto. Talvez dez, quinze ou trinta sessões, e, em média, até 6 meses ou 1 ano de tratamento. A ideia de uma psicoterapia breve não significa que é uma psicoterapia curtinha, pois isso depende da abordagem teórica do profissional e do nível de complexidade da problemática do paciente. O conceito de “breve” significa que há um prazo ou tempo limitado de sessões. De forma colaborativa, o psicoterapeuta e o paciente definem o contrato terapêutico. Isto é, quais são os objetivos daquele tratamento? Ou o que se espera alcançar com a psicoterapia? Resumindo A psicoterapia breve pode ser aplicada no contexto individual, infanto-juvenil, conjugal, grupal, familiar, com idosos, em consultórios, hospitais e instituições diversas. Por vezes, a situação-queixa impõe prazo e recomenda-se imediatamente psicoterapia breve, como em casos de uma decisão inadiável, viagem, cirurgia, mudança de cidade, iminência de morte, ou doença grave. Características das psicoterapias breves Neste vídeo, você verá um contraste entre as características gerais da psicoterapia breve e a abordagem tradicional, destacando a relação da breve com a situação-queixa apresentada. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conceitos fundamentais e gerais de psicoterapia breve Quando o processo terapêutico combina o ego maduro racional e observador do paciente com as capacidades do terapeuta de cuidar, acolher e respeitar, uma aliança terapêutica é formada. Dentro dela, o paciente pode expressar seus pensamentos e sentimentos mais íntimos, seguro de que seus sistemas de valores serão respeitados, já que pode ser constrangedor inicialmente o paciente chegar com questões íntimas e se deparar com um profissional estranho afetivamente. Por isso, é preciso construir um vínculo de confiança para permitir que o trabalho seja realizado. • • • • Esse vínculo estimula também o paciente a uma participação ativa no seu processo, a fim de conseguir mudanças mais eficazmente. O paciente se apresenta com motivação e expectativa nesse trabalho colaborativo que pretende ser de duração mais curta, posição frente a frente e de constantes retroalimentações (feedback), que favorecem insights e intensas experiências. Ainda, para orientar um trabalho clínico breve, um arranjo de conceitos é importante para dar um contorno às sessões, como veremos a seguir. Começando pelo conceito de “situação-problema”, que reúne os fatos manifestos e os sintomas que levaram a pessoa à consulta. Ou seja, o que a pessoa levou ao atendimento. E, a partir do relato dela, podemos encontrar também “pontos de urgência”, ou seja, sintomas que ela expressa e têm chamado a atenção, como falta de sono, medo, angústia. Após, esta primeira fase, temos uma outra importante: A “avaliação psicodinâmica”, que é o processo de análise das situações internas e estrutura de personalidade do paciente, pois as pessoas podem levar demandas amplas, complexas, de processos crônicos de vida que não se acomodam ao trabalho de psicoterapia breve. Além disso, verifica se o indivíduo tem um ou mais focos, se há alguma contraindicação para aderir ao tratamento nessa modalidade ou se será necessário realizar encaminhamento multidisciplinar ou para terapias mais longas. Em toda essa fase de avaliação, é essencial o conceito de foco, que se refere ao conteúdo delimitado que será trabalhado no processo constituído a partir do exame inicial e planejamento terapêutico. Além de ser o ponto de convergência das atenções do terapeuta, é também o tema central da questão do paciente que pode favorecer o reequilíbrio psíquico. Foco é um “recorte” no conteúdo trazido pelo paciente. O foco estabelece uma postura de buscar seletivamente todas as possíveis relações existentes na questão do paciente. Por outro lado, evitar qualquer outro conteúdo que possa desviar o processo dessa meta, por mais interessante que sejam outras questões. O foco pode ser, por exemplo: Os sintomas; As defesas; A crise; A relação objetal; Um traço de caráter (como a mentira); Um conflito familiar ou no trabalho; A questão edípica (por exemplo, um homem que acredita que precisa encontrar uma esposa como a mãe). Abordando ainda as queixas iniciais, podemos acessar: • • • • • • • O conflito focal Refere-se às experiências atuais de sofrimento. O conflito nuclear Corresponde às experiências mais profundas e históricas. O trabalho clínico breve se concentra na resolução do conflito focal – critério de alta terapêutica. Evidentemente, resultados melhores podem ser alcançados quando acessamos elementos do conflito nuclear ou primário. Entretanto, é claro que a psicoterapia breve não pretende ser superficial ou se limitar à cura sintomática, pois espera que mudanças no conflito focal levem indireta ou indiretamente a mudanças em outras áreas da personalidade do paciente. É como em um jogo de sinuca, em que, com uma única tacada em uma bola, esse movimento acabe impulsionando outras bolas. Sobre avaliação e planejamento, é central que o exame psicodinâmico seja apoiado em uma teoria bem fundamentada, capaz de explicar a personalidade humana, fomentar a elaboração de hipóteses e favorecer a delimitação do foco do processo terapêutico. A avaliação acontece por meio de entrevistas e da utilização de testes psicológicos, e a expectativa é de que essa hipótese inicial seja mudada com a evolução da psicoterapia. Claro que outras necessidades podem surgir ao longo da psicoterapia e o planejamento precisa ser flexível. Ainda que os objetivos fundamentais permaneçam essencialmente inalterados, as estratégias e táticas que serão empregadas nas sessões podem ser modificadas. Pensando nisso, o conceito de “enquadramento” é que conclui o trabalho que precisa ser oferecido a partir da avaliação, veja com mais detalhes a seguir: Feita a avaliação e delimitação do foco terapêutico, o trabalho pode ser conduzido para gerar “experiências emocionais corretivas” (conceito de Alexander e French), que são processos que integram o indivíduo como um todo em seus fatores cognitivos, emocionais, volitivos e motores. Comentário A ideia é que o paciente revivencie suas dificuldades emocionais do passado dentro da relação terapêutica e em circunstâncias favoráveis, experimentando uma forma mais ajustada, mais funcional e menos intensa do que na experiência traumática original. Naturalmente, uma relação terapêutica de segurança, acolhimento e confiança tem o poder de ofertar inúmeras experiências emocionais corretivas. Mas os psicoterapeutas breves consideram que essas experiências também ocorrem frequentemente no cotidiano, acelerandosendo”; isto é, a cada experiência, nossa existência é um conteúdo manifesto das nossas potências, ou melhor, nossas capacidades de compreender, modificar e retificar nossa relação com o mundo externo a nós, mas que nos afeta. Segundo Heidegger (2005, p. 24): “Ser não delimita a região suprema do ente, pois este se articula em gênero e espécie. [...] A universalidade do Ser, transcende toda universalidade genérica”. Isso nos exorta a considerar um modelo no qual a experiência vivida é uma forma de manifestação de nossas virtudes e dos nossos defeitos ou imprecisões, de modo que é necessário revisar nossa relação com o social, o biológico e o eu interior, a nossa essência. O que se passa com o paciente? Neste vídeo, refletiremos sobre a importância de conhecer a demanda do paciente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Estabelecimento das metas Todo processo psicoterapêutico breve requer um grau de atenção a mais do terapeuta. Primeiro, da fala do paciente decorrem contextos em que sinais e sintomas são mais exuberantes. É preciso estar atento ao conjunto dos sinais e sintomas para inferir uma hipótese diagnóstica o mais precisa possível e adequada ao conjunto apresentado pelo paciente. Há que se prestar atenção também à linguagem corporal. Conforme a experiência do terapeuta vai aumentando, essa tarefa se torna mais frequente e confiável. O que ouvimos e vemos nos dá uma descrição do sofrimento do paciente. Cabe ao psicoterapeuta, primeiramente, estabelecer uma interpretação sobre o problema ou conjunto de problemas da pessoa. Em seguida, deve percorrer as áreas em que eles ocorrem e avaliar a gravidade de cada ocorrência e a frequência. Uma vez conhecido o problema e como se dão suas ocorrências, é preciso estabelecer o que será alvo do processo terapêutico. Promove-se, então, junto com o paciente, uma lista de problemas e uma hierarquia de prioridades. Existem três estratégias de abordagem. Primeira abordagem Se pudermos decompor o problema em problemas menores, torna-se possível resolver cada problema menor e combinar essas soluções para solucionar o problema como um todo. Segunda abordagem Mesmo podendo decompor o problema em problemas menores, é necessário estabelecer a sequência em que serão abordados e tratados. Terceira abordagem Preferível em casos mais complexos, nos quais não é possível decompor em problemas menores. O método de ensaiar-e-errar é um processo interessante, que promove geralmente o efeito carambola. Ao enfrentar o problema, pensando em uma das suas partes, acaba-se por resolver também outra parte do mesmo problema. Isso deverá constar do plano terapêutico, isto é, a coleção de estratégias a se utilizar na condução do processo terapêutico. Para cada problema dessa lista, pode-se estabelecer uma meta. Tipicamente, a meta é o oposto lógico do problema. Por exemplo, se uma pessoa apresenta problema de atenção, a meta é desenvolver a função atenção. Normalmente, se a abordagem é cognitivo-comportamental, solicita-se o estabelecimento de três submetas para cada meta. Porém, cada submeta não pode ser vaga. Ela precisa ser descrita de modo claro que permita ser alcançável e que esse alcance aconteça em um tempo finito. Então, para desenvolver a atenção, pode-se propor, para o primeiro mês, exercitar a atenção por meio de observação de erros em imagens, sabendo a quantidade de erros, como um jogo dos sete erros. A atenção pode ser estimulada em jogo de palavras ou em jogo de memória. Enfim, a submeta será cumprida se a pessoa executar durante um mês, três vezes por semana, três tipos de jogos selecionados. Ao final do mês, avalia-se a melhora da atenção. Como se trata de psicoterapia breve, essa lista não pode ser longa. Assim, o melhor é decidir quais problemas são urgentes e quais podem esperar um futuro não tão longe. Exemplo No tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), é muito importante aprender a lidar com perdas. Para isso, deve-se explorar o modo como a pessoa interpreta aquilo que acredita ser muito importante e que irá sofrer se perder. A meta é estabilizar o humor, psicoeducar sobre as fases do luto (Kubler-Ross, 2017) e trabalhar para que a pessoa desenvolva um autoconceito positivo. Imagine-se desenhando um círculo e traçando diâmetros, de modo que o resultado lhe pareça uma pizza estilizada. Agora cada fatia dessa pizza pode representar uma área de ação do paciente. Por exemplo, na fatia que representa a área pessoal, há um problema de autoestima, com relato de não estar satisfeito com sua imagem corporal e isso acarretar bullying. Na outra fatia, pense no ambiente familiar, há algum problema a relatar nesse domínio, como conflito com irmão? A fatia é a área escolar, em que já se relatou dificuldades em prestar atenção. Assim, em uma conversa amena, o terapeuta vai retornando o que ouviu na avaliação inicial e colocando formato no problema, para identificar as metas e submetas e, então, dar suporte ao plano terapêutico. Três estratégias de abordagem Neste vídeo, refletiremos sobre as três estratégias de abordagem no processo psicoterapêutico breve. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O plano terapêutico O plano terapêutico é um documento que pode ser dividido em três partes. As sessões primárias, as sessões intermediárias e as sessões finais. Tipicamente, elege-se algo entre 8 e 12 sessões para a transição de uma parte para outra. Vamos entender melhor essa divisão: Sessões primárias Procura-se atacar metas que sejam mais fáceis, pois o sucesso é estímulo positivo para o paciente continuar sua busca. Nessas primeiras sessões, importa observar as metas que precisam ser alcançadas para que outras possam ser atacadas. Também, de início, investe-se em psicoeducação, explicando ao paciente os motivos de cada intervenção e o que se espera delas. A cada sessão, é solicitado ao paciente que faça uma avaliação de como foi a sessão. Isso serve para orientar o discurso do terapeuta e orientar a seleção de estratégias sem perder o foco na questão da brevidade. Sessões intermediárias Em um total que varia entre 8 e 12 sessões, procura-se consolidar as estratégias de solução que o paciente aprendeu e estimula-se que ele as utilize no seu dia a dia. É fundamental que o paciente desenvolva também algumas habilidades sociais, verbais e não verbais, de modo a lidar melhor com as situações problema que são comuns no seu cotidiano. Sessões finais Também com um intervalo de duração de 8 a 12 sessões, promove-se estímulos para que o paciente aprenda a manter seus ganhos e se previna de eventuais recaídas. Trabalham-se, também, aquelas metas cujas raízes estão mais arraigadas e, portanto, requerem maior competência na intervenção. Um plano terapêutico de intervenção deve contemplar as ferramentas, os instrumentos, as estratégias e as habilidades previstas para a execução da intervenção. Ferramentas podem ser desde simples bloquinhos ou folhas de registro das sessões até a utilização de protocolos e instrumentos de avaliação longitudinal que possam dar uma noção do progresso terapêutico. É incomum o uso de escalas e questionários na psicoterapia de base psicanalítica; e a exigência intelectual sobre o psicanalista para esse uso é maior e requer experiência, daí ser necessária uma longa supervisão e análise que objetiva ganho de competência do analisando na função de terapeuta psicanalítico. É um projeto eficaz, funcional, tal qual tantas outras abordagens. A técnica deve ser a mais ajustada à demanda do paciente. Não há um consenso quanto ao número de sessões para uma psicoterapia breve, sendo essa proposta considerada um esquema conservador. Afinal, o paciente, em seu tempo e capacidade, poderá desenvolver-se mais rapidamente ou mais lentamente. O terapeuta pode ficar tranquilo se o paciente não aderir plenamente ao modelo. Não raro, intercorrências exigem adaptação do plano terapêutico. O engajamento é a chave do sucesso. Assim, a pessoa muda quando ador de não estar vivendo for maior que o medo da mudança. Aaron Beck, fundador da terapia cognitivo-comportamental, os psicanalistas Ferenczi, Rank, Alexander e outros são uníssonos quando se trata sobre o que é ser breve: é o menor tempo necessário para alcançar êxito na terapia. Também concordam que uma terapia de longo prazo nos tempos atuais é proibitiva do ponto de vista financeiro e de tempo. Três partes de um plano Neste vídeo, refletiremos sobre o documento do plano terapêutico e suas três partes. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Na psicoterapia breve, são estabelecidas metas no enfrentamento do problema que se busca tratar. É correto afirmar que A há três estratégias para o estabelecimento de metas, usadas de forma sequencial, conforme são atingidas. B uma das estratégias no contexto das metas é decompor o problema em problemas menores. C é o paciente que decide os caminhos a trilhar nas intervenções terapêuticas. D as metas devem ser de difícil alcance, para estimular o paciente a trabalhar o problema. E há três estratégias para o estabelecimento de metas, e a escolha depende da habilidade do terapeuta com cada uma. A alternativa B está correta. Entre as estratégias para solucionar um problema, é preciso dividir esse problema em problemas menores, como se fossem fatias de pizza, estabelecendo-se uma meta para cada fatia, para depois combinar suas resoluções e conseguir resolver o problema como um todo. Questão 2 O plano terapêutico organiza sessões iniciais, intermediárias e finais. Sobre as necessidades relativas a seu estabelecimento, é correto afirmar que A o paciente deve apresentar uma hipótese inicial sobre seu problema, que será base para o plano. B o psicoterapeuta deve primeiramente estabelecer uma interpretação sobre o problema do paciente. C o psicoterapeuta apresenta uma lista dos problemas que identificou, para que o paciente defina a hierarquia de prioridades. D o paciente apresenta uma lista dos problemas percebidos, para que o psicoterapeuta defina a hierarquia de prioridades. E o alvo do processo terapêutico é estabelecido por paciente e psicoterapeuta antes mesmo de conhecer o problema. A alternativa B está correta. O primeiro passo para a formulação de um plano terapêutico é o psicoterapeuta estabelecer uma interpretação sobre o problema ou conjunto de problemas da pessoa. Em seguida, deve identificar as áreas em que ele ocorre, avaliando gravidade e frequência. Depois de conhecer o problema, o alvo do processo terapêutico é estabelecido e, junto com o paciente, são definidas a lista de problemas e a hierarquia de prioridades. 4. Conclusão Considerações finais A cada sessão o terapeuta não é mais quem era, e o paciente também não. Esperemos que as mudanças ocorram para melhor. Pode ocorrer a necessidade de uma ou outra retificação na definição da lista de metas. Isso é comum. Às vezes, uma prioridade decai porque algo ocorreu e essa intercorrência trouxe à tona uma dor maior. O fato de ser breve não significa que deve ser rígida. Acolher sim, apiedar-se não é recomendável. O paciente precisa atravessar sua catarse de modo a descobrir que pode passar por isso sozinho e que detém meios para atravessar em outras situações nas quais o terapeuta não esteja presente. Se ocorrer catarse, ofereça sua atenção, um lenço e o olhar atento. O paciente atravessará e se sentirá melhor. Contudo, mantenha o plano em mente, mantenha os objetivos de cada sessão claros. Cabe ao terapeuta manter o caráter breve, às vezes também focal, da terapia. Deve lembrar da escuta ativa e da experiência emocional corretiva na abordagem de base psicanalítica, do plano de intervenção e das estratégias de resolução de problemas, se a abordagem for cognitivo-comportamental e lembrar do fluxo e da autorregulação emocional e da busca de sentido na abordagem fenomenológica existencial. Sobre o contrato, o que importa é que seja uma guia de convenção. Há pacientes que criam expectativas não realistas. Para estes o contrato é um freio. Agora, você já está bem-informado sobre os procedimentos contratuais e sobre o planejamento da terapia breve. Pôde ver que não são diferentes em conteúdo, mas diferem na execução. O tempo será um restritor relevante e exigirá perícia do terapeuta para tocar pontos-chaves para facilitar o processo do paciente. Podcast Neste podcast, refletiremos sobre a importância do planejamento terapêutico em psicoterapia breve, com exemplos dos direitos e deveres de cada parte, a fim de cooperar para o progresso terapêutico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + No vídeo intitulado Atendimento online: como é feito o contrato para o atendimento online?, no YouTube, você encontrará um conteúdo relativo contrato telepresencial com sugestões do CRP do estado do Paraná. Você encontrará várias dicas gerais sobre Psicoterapia Breve, no canal #DicasPsi, disponível no YouTube. Assista ao vídeo Psicoterapia Breve para iniciar. Para você que se interessa por contrato terapêutico, uma boa dica é o artigo O terapeuta e o contrato terapêutico: em busca de possibilidades, de Maurício Neubern, publicado em 2010. Referências BECK, J. S. Terapia Cognitivo Comportamental – Teoria e Prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. CARDINALLI, I. E. Psicoterapia focal: psicoterapia breve de base fenomenológico-existencial. Psic. Rev. São Paulo, v. 29, n. 1, p. 157-175, 2020. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. CFP. Código de Ética. 2005. CORDIOLI, A. V. Psicoterapias Abordagens Atuais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO PARANÁ. CRPPR. Guia Contrato. s. d. FREUD, S.; FERENCZI, S. Correspondência. v. 1/tomo 2. Rio de Janeiro: Imago, 1995. HEIDEGGER, M. Ser e Tempo. Parte I. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. KUBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer: O que os doentes terminais têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 10. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. LUSTOSA, M. A. A Psicoterapia breve no Hospital Geral. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 259-269, dez. 2010. QUINET, A. As 4 + 1 Condições da Análise. 8. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1981. Principais usos da psicoterapia breve Prof. Carlos Henrique Gonçalves Descrição Neste estudo abordaremos a aplicação da psicoterapia breve (PB) em crianças, adolescentes, famílias, casais, instituições de saúde e em alguns grupos patológicos específicos. Propósito Saber sobre a utilização da psicoterapia breve é importante pois, cada vez mais, observamos uma necessidade de dominarmos técnicas que nos permitam trabalhar em um curto espaço de tempo e com limitações estruturais de atendimento impostas em alguns casos. Também é notória a solicitação de pacientes por um tratamento de prazo mais curto diante das demandas atuais da sociedade. Objetivos Módulo 1 Psicoterapia breve com criança, adolescente e família Reconhecer as principais características de um atendimento em psicoterapia breve com crianças, adolescentes e famílias e as técnicas correspondentes. Módulo 2 Psicoterapia breve com casais Identificar as principais características da psicoterapia breve com casais. Módulo 3 Psicoterapia breve nas instituições de saúde Identificar as principais características de uma atuação em instituições de saúde com psicoterapia breve. Módulo 4 Psicoterapia breve em grupos especiais Identificar a aplicação da psicoterapia breve em casos de ansiedade, depressão, dependência química e transtorno bipolar. Introdução Atualmente, observamos um aumento na busca de auxílio por parte do indivíduo diante de uma sociedade que vem exigindo cada vez mais respostas rápidas e adequadas nas inter-relações de uma forma geral, sejam elas familiares, sociais ou profissionais. Esse fenômeno fez aumentar a demanda por terapias que se adequem, principalmente, à limitação de tempoe que sejam eficientes. É fundamental em sua formação que você tenha contato com a teoria e as técnicas da psicoterapia breve e, neste estudo, você receberá orientações para o uso da psicoterapia breve em casos específicos. A terapia cognitivo-comportamental é um exemplo de psicoterapia breve por trabalhar com objetivos claros e ênfase na resolução de problemas, sendo adequada quando o tempo é um fator limitante. Ela será uma das abordagens que contribuirão na orientação dos módulos deste estudo, no qual abordaremos o atendimento às crianças, adolescentes, famílias, casais, instituições de saúde e grupos especiais de psicopatologias. Esperamos que você tenha uma boa leitura e que inspire-se para o aprofundamento de cada tema específico que lhe interessar ao longo deste conteúdo. 1 - Psicoterapia breve com criança, adolescente e família Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as principais características de um atendimento em psicoterapia breve com crianças, adolescentes e famílias e as técnicas correspondentes. Psicoterapia breve com crianças Características da psicoterapia breve para crianças Iniciaremos falando sobre as características principais de uma psicoterapia breve (PB) com crianças, passando pela importância do envolvimento dos pais no tratamento e a apresentação de técnicas para o atendimento. A PB com crianças tem duas características principais: a necessidade de identificação de objetivos específicos e o tempo limitado de tratamento. É importante que a criança e também seus pais estejam cientes dos objetivos, inclusive auxiliando nessa identificação no planejamento para a abordagem dos problemas diante da gravidade e desconforto que podem estar causando. Assim, envolvendo todos no tratamento, modulamos as expectativas e preparamos seu término, cuidando para que seja evitada a percepção de abandono, principalmente por parte da criança. Como já mencionado, é fundamental o envolvimento dos pais no processo terapêutico por causa do estado natural de dependência da criança com relação à sua família. Isso faz com que o terapeuta tenha necessariamente que lançar um olhar amplo sobre o histórico de criação da criança, a cultura e a dinâmica relacional da família, assim como observar as condições necessárias para a promoção de mudanças desejadas. É natural que a dinâmica relacional mais observada em uma criança seja com os seus pais ou cuidadores, de maneira que é esperado que os conflitos psicológicos sejam relativos a essa relação. É nesse contexto que o terapeuta lança o seu olhar, para procurar entender inicialmente a relação dos sintomas com o mundo de representações de seus pais (OLIVEIRA, 2006). Mais uma vez, fica clara a importância do envolvimento dos pais no processo terapêutico. Critérios para indicação da psicoterapia breve para crianças A PB para crianças pode ser indicada em situações específicas, como: Mudanças de moradia ou escola Preparação para cirurgias Separação dos pais Adoção Perdas Além dessas situações listadas podemos ter muitas outras que sejam impactantes na vida da criança. Entretanto, é importante ressaltar que a finalidade da PB para crianças não é atuar na modificação de aspectos mais estruturantes da personalidade, mas sim auxiliar a criança a melhor manejar a situação diante dos conflitos internos e assim aliviar e eliminar os sintomas que estejam gerando desconforto. A prática terapêutica se dá com uma participação bem mais cognitiva do que emocional, levando-nos na direção da terapia cognitivo-comportamental (TCC), como exemplo de abordagem focal e breve, e na qual o terapeuta busca ajudar o paciente a identificar distorções de significados que estejam ocorrendo e, por meio de uma análise lógica, o ajuda a alinhar a sua visão em uma direção mais funcional e favorável à sua vida. Sendo então mais específicos com relação a quais crianças a PB seria indicada ou contraindicada, encontramos junto aos principais autores do tema uma preocupação inicial básica que se refere à avaliação de resultados esperados com menor ônus possível. Importante reconhecer a necessidade específica de cada paciente para se oferecer uma abordagem terapêutica adequada, evitando desperdício de esforços e riscos iatrogênicos, ou seja, prejuízos em decorrência do processo terapêutico (OLIVEIRA, 2021). Casos com a complexidade de transtornos de personalidade, doenças psicossomáticas, psicoses e disfunções cerebrais indicam tratamentos de longo prazo. Entretanto, alguns desses pacientes podem vir a se beneficiar de uma PB caso estejam vivenciando um momento de ego preservado e em contato estabelecido com a realidade. Também observamos que crianças com patologias menos severas tendem a se beneficiar mais da PB. A atuação em psicoterapia breve para crianças Encontramos vários autores e pesquisadores que nos fornecem bons protocolos de atendimento em perspectivas de prazos diferentes a depender da abordagem, invariavelmente visando a um processo planejado e estruturado, permitindo assim um trabalho de forma focal e breve. Para se atender a uma criança, é sempre importante que o terapeuta faça uma boa avaliação inicial com a presença dos pais, o que pode ocupar mais de uma sessão. Em alguns casos, podemos pensar em cinco sessões. Nesses encontros iniciais, você deve colher a maior quantidade de informações sobre como foi o desenvolvimento da criança, seu contexto familiar, escolar, círculo de amizades, interesses e demais aspectos importantes do comportamento que são necessários para uma avaliação do quadro psicológico. Esses encontros constituirão uma oportunidade de observar, além do discurso dos pais e da criança, nuances do comportamento, como, por exemplo, quando uma mãe diz algo de ruim, que exponha uma fragilidade ou dificuldade, não raro a criança reage com o olhar ou até mesmo interpelando a fala da mãe. Outros comportamentos, como retrair-se, permanecer alheio ou agitado, também podem dar a você informações importantes sobre a dinâmica relacional e o conflito psíquico vivido pela criança. Comentário Os encontros com os pais também devem ser previstos periodicamente e previamente, como, por exemplo, de seis em seis sessões, ou quando for necessário relatar ou esclarecer algo. No caso dos encontros ao longo do tratamento, você deve ter um cuidado especial com o vínculo junto a seu paciente, no caso, a criança, e sempre preparando, juntos, na sessão anterior, o que seria importante dividir ou buscar saber com os pais. Não são incomuns casos em que os pais procuram atendimento para seus filhos e, uma vez engajados no tratamento, são participativos no comparecimento das sessões em que são solicitados, até mesmo acatando a sugestão, quando o terapeuta julga pertinente, de eles mesmos procurarem apoio terapêutico, seja em casal ou individual e ,a partir daí, somente eles permanecerem em tratamento. Esta circunstância nos revela a importância do cuidado do ambiente relacional em que a criança vive, que muitas vezes é disfuncional, depositando sobre a criança uma demanda com a qual ela ainda não tem condição de lidar devido ao fato de não estar plenamente amadurecida em suas capacidades psicológicas. Também é uma condição fundamental que você, terapeuta, tenha um conhecimento aprofundado no campo do desenvolvimento humano e a respeito dos processos biológicos, psicológicos e sociais envolvidos. Para ter esse suporte, você ficará seguro caso esteja apoiado nos grandes teóricos e pesquisadores do desenvolvimento humano, como: Jean Piaget Lev Vygotsky Erick Erickson Sigmund Freud Ludoterapia, a investigação clínica com brinquedos A ludoterapia é uma forma de atuação direcionada principalmente para crianças na qual brinquedos, jogos e atividades lúdicas são utilizados com o objetivo de facilitar a sua expressão, ajudando o terapeuta a observar as expressões emocionais que podem estar relacionadas ao conflito psicológico. As crianças naturalmentese expressam de forma mais simbólica, podendo ter dificuldade em expor em palavras seus sentimentos e impressões. Por meio de brincadeiras, o terapeuta tem a oportunidade de entrar em contato com os conteúdos psíquicos conscientes e inconscientes, como crenças, emoções e atitudes e, por essa via, ajudar a criança a elaborar e melhor compreender o mundo que a cerca, tendo a oportunidade de aprender a lidar com as dificuldades e encontrar saídas mais favoráveis. Você deve ter alguns cuidados ao optar por essa técnica, como, por exemplo, ter a sala sempre bem organizada, uma variedade suficiente de brinquedos e jogos que permitam uma abordagem ampla de temas e, principalmente, um domínio da técnica em ludoterapia. Saiba mais A ludoterapia é uma técnica utilizada por profissionais de saúde mental como psicólogos, mas também faz parte do arsenal técnico de assistentes sociais, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. A importância do vínculo terapêutico Para muitos autores, e podemos dizer que para a maioria das abordagens terapêuticas, o vínculo terapêutico é uma das condições fundamentais para que o processo terapêutico possa ocorrer e auxiliar na promoção de mudanças na estrutura e forma de atuar do paciente. O vínculo está relacionado à capacidade do paciente em confiar no seu terapeuta, estabelecendo assim uma ligação de trabalho que facilite uma melhor entrega ao exercício de visitar em sessão suas principais dificuldades. Um paciente que não confia em você não vai aceitar o seu convite para passear em reflexões difíceis que, muitas vezes, o colocam em condição vulnerável e expõem sua fragilidade. O vínculo terapêutico é então um dos primeiros objetivos que você deve ter ao iniciar um atendimento com PB, e não somente com crianças, mas também com pessoas em outras fases da vida. Como uma forma de promovê-lo, a postura do terapeuta é muito importante. Você deve ter uma postura genuína, parceira, colaborativa, proativa, não julgadora e com aceitação incondicional do seu paciente. Principais particularidades e características da PB com crianças Neste vídeo, faremos uma reflexão sobre a psicoterapia breve com crianças em relação a características, indicações e atuação do psicólogo na formação do vínculo e uso de técnicas como a ludoterapia. Psicoterapia breve com adolescente O adolescente, sobre quem estamos falando? Antes de iniciarmos a parte diretamente relacionada ao PB com adolescentes, é importante que revisemos o conceito de adolescência, deixando evidentes certas características que tornam única essa fase do desenvolvimento humano, nos chamando a atenção para cuidados específicos para a prática da psicoterapia. A adolescência é um período de nossa vida marcado por conturbações relacionadas à sexualidade, crises e confusões de identidade, estresse, luto pelo corpo que se modifica, pela identidade infantil que se vai, pelos pais que deixam de cuidar de nós como crianças, fortes mudanças hormonais e um corpo que cresce com rapidez. Todo esse processo pode parecer doentio, pelos desconfortos que realmente causa, mas é mediante a vivência desse processo que nós, ao passarmos pela adolescência, temos a oportunidade de desenvolver nossas identidades e autonomias, ou seja, nos tornarmos adultos. Ao longo da adolescência, nós passamos por grandes transformações que têm como finalidade formar um adulto considerado maduro nos aspectos físicos e biológicos (inclui capacidade de ter filhos), sociais (capacidade de gerar e manter relacionamentos) e psicológicos. É a maturidade cognitiva, representada pela capacidade do pensamento abstrato e a maturidade emocional, que nos dá condição de adotarmos identidades, termos relacionamentos e desenvolvermos valores. São os grandes objetivos psicológicos. Comentário A adolescência é uma fase que começa no final da infância, marcada pelos primeiros sinais de puberdade (processo de maturação sexual), e termina no início da fase adulta, marcada pela aquisição de identidades e autonomias. É de se supor que, ao longo do processo de adolescência, vivenciemos, de forma gradativa, a aquisição de novas características. Essa observação, assim como para a PB com crianças, nos alerta para a necessidade de que você tenha bom domínio do campo da psicologia do desenvolvimento humano, de forma a conseguir identificar onde o conflito psicológico se relaciona com certa característica em desenvolvimento. Fazendo psicoterapia breve com adolescentes É esperado que, ao abordar a adolescência, uma fase notadamente intensa, você seja remetido à sua própria adolescência, podendo então se recordar dos possíveis conflitos que vivenciou, principalmente com os adultos. Mas, nesse momento, você será o adulto diante de um adolescente que, em muitos casos, não terá, por conta própria, desejado ir à terapia. Esteja bem preparado para lidar com esse paciente que tem características bem peculiares. Observe se você tem as habilidades necessárias de comunicação para lidar com um jovem e, principalmente, fique atento às suas reações contratransferenciais, ou seja, as reações e emoções acionadas em você em decorrência da relação terapêutica e das manifestações do paciente. Trabalhar com adolescente, assim como com criança, cria a necessidade de que o seu olhar vá além dele e seus conflitos internos, sendo importante envolver os pais nos primeiros encontros e nos demais ao longo do tratamento, sempre que se fizer necessário. Esse envolvimento tende a contribuir para a diminuição do índice de evasão do tratamento por parte do adolescente, algo muito comum. Para que um processo terapêutico, seja ele breve ou de longo prazo, tenha boas condições de ser útil para o adolescente, é muito importante, desde o início do tratamento, que você invista no estabelecimento de uma relação empática entre você e o jovem, na qual ele se perceba compreendido, e não julgado em seus conflitos e atitudes. Crie um clima de confiança, tenha sempre uma postura proativa e incentivadora, aceite-o incondicionalmente, mas lembre-se de que aceitar não representa concordar, seja franco e acolhedor. Planejamento e procedimentos técnicos da psicoterapia breve para adolescentes Como você já pôde observar, é muito importante que se faça uma entrevista inicial com a participação dos pais ou envolvidos diretamente com o adolescente. Entretanto, nem sempre isso é possível. Precisamos pensar que, em alguns casos, como o de adolescentes institucionalizados, não teremos essa oportunidade. Nesses primeiros encontros, você deve buscar identificar quais são os conflitos internos latentes no adolescente, e frequentemente isso nos é mostrado em forma de queixas por parte dos pais, da escola ou do meio social do adolescente. Esse é um ponto muito importante, pois, ao longo do processo, precisamos deixar claro que estamos interessados no que ele entende como problema, e não necessariamente no que os outros se queixam. O adolescente deve ter a percepção de que aquele adulto que se apresenta à sua frente (o terapeuta) está ali para atendê-lo, auxiliá-lo nas suas dificuldades, que não raro ainda precisam ser esclarecidas. Desde o início, você deve atentar para a elaboração de uma visão diagnóstica, contemplando a visão fenomenológica (diagnóstico psiquiátrico), e uma visão psicodinâmica, ou seja, como os conflitos psicológicos podem ser compreendidos no histórico relacional e de desenvolvimento do adolescente. Uma vez tendo claros os pontos de conflito, o trabalho terapêutico deve ser objetivo e focal nesses aspectos observados. Todo esse processo deve ser bem compreendido pelo adolescente, que tem a oportunidade de compreender a proposta do processo terapêutico, fazendo parte de sua elaboração e condução. Assim, você também estará preparando o término do processo junto com seu paciente. Particularidades e características da PB com adolescentes Neste vídeo, abordaremos a psicoterapia breve com adolescentes, destacandoas características nessa faixa etária, as condições e indicações, e a atuação do psicólogo na formação do vínculo, bem como o uso de técnicas com esse tipo de público. Psicoterapia breve com família Para a PB com família, é importante que você tenha em mente a máxima da gestalt de que o todo é sempre maior do que a soma das partes, ou seja, é importante o olhar individual para cada membro da família. Todavia, é de maior importância a observação de como se dão os comportamentos e os modelos de interação entre os seus integrantes. Dessa forma, teremos uma visão mais apropriada da natureza dos conflitos familiares, que geralmente aparecem de modo diverso nas queixas de cada um. Um atendimento pode se iniciar somente com um membro da família, sendo necessária a participação de toda a família em alguns momentos, assim como uma terapia iniciada já com toda a família pode contemplar encontros individuais. Nesses casos, tenha cuidado e observe o sigilo e o respeito aos temas que podem expor e fragilizar a pessoa que não está presente É importante que o terapeuta que trabalha com família tenha o domínio de técnicas, tanto para atendimentos individuais quanto para família. A técnica escolhida será então aquela que melhor convier à atuação, e não aquela com a qual você se sente mais confortável. Um exemplo é quando você observa uma situação problema grave, que pode estar colocando em risco algum membro da família ou comprometendo o processo terapêutico, exigindo então técnicas comportamentais, antecipando-se a técnicas mais cognitivas que buscam o insight, por exemplo. Famílias em PB: o todo é mais do que a soma das partes Neste vídeo, abordaremos a psicoterapia breve com famílias, destacando as técnicas, problemas, considerações especiais e como devem ser combinados os atendimentos individuais e em grupo. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Por causa do tempo limitado para o atendimento a crianças em psicoterapia breve, é importante que os objetivos terapêuticos sejam identificados logo no início e que, de preferência, os pais participem da identificação desses objetivos. Qual a razão dessa identificação de objetivos e do envolvimento dos pais no tratamento de crianças em psicoterapia breve? A Dessa forma podemos atender mais de uma criança ao mesmo tempo, otimizando os atendimentos. B Com objetivos identificados e o envolvimento dos pais, trabalhamos as expectativas de forma mais clara, preparando o término do tratamento. C Com o conhecimento dos objetivos por parte dos pais, estes podem continuar o tratamento em casa. D Os mesmos objetivos podem ser utilizados para o atendimento de outros membros da família. E Os pais podem comunicar os objetivos a outros terapeutas para prosseguimento do tratamento. Parabéns! A alternativa B está correta. É importante que logo no início do tratamento sejam levantados os principais problemas enfrentados pela criança, envolvendo também os pais no processo. Para o atendimento de crianças, é muito importante que o contexto familiar esteja inserido no tratamento pelo fato de a criança ainda ser muito dependente desse contexto. Com objetivos claros, será mais fácil trabalharmos as expectativas, assim como uma melhor condução do término do tratamento, evitando uma percepção de desamparo ao final. Questão 2 Ao atender a uma família, precisamos atentar para o fato de que, mesmo cada um tendo uma personalidade e forma de reagir específicos, é importante observar como ocorrem as inter-relações dentro da família. Qual a importância desse olhar para o atendimento de uma família? Parabéns! A alternativa C está correta. A Assim conseguimos compreender melhor cada membro da família, pois o objetivo principal é atender ao indivíduo. B Identificar quem está sendo responsável pelos problemas familiares. C Esse olhar nos permite uma melhor compreensão dos conflitos existentes na família. D Orientar individualmente cada membro da família sobre como proceder. E Selecionar um membro da família para auxiliar na solução dos conflitos. A gestalt nos orienta para a importância do olhar individual do membro da família, mas é fundamental compreender como eles se relacionam e seus modelos resultantes da interação. Esse olhar do todo contribui para uma melhor compreensão dos conflitos familiares que podem aparecer de forma diversa na queixa de cada um. 2 - Psicoterapia breve com casais Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as principais características da psicoterapia breve com casais. Contextualizando a psicoterapia com casais e seus desafios De uma forma geral, a psicoterapia com casais é um campo de atuação relativamente novo, como nos revela Costa et al. (2017). Os primeiros estudos sobre terapia com casais datam da década de 1970. Desde então, encontramos várias abordagens que se propuseram a discutir e desenvolver um trabalho direcionado especificamente a casais. Vejamos a seguir algumas dessas abordagens: Abordagem comportamental: são terapias que se concentram inicialmente no comportamento do casal e seus processos de troca. Abordagem de influência humanística: são terapias que dão importância às experiências emocionais e aos padrões afetivos de ligação do casal e, em algumas delas, valorizando a capacidade de insight (cognições e percepções). Abordagem psicodinâmicas: são terapias com bases psicanalíticas. É importante que você saiba que todas as abordagens mencionadas aqui vêm sofrendo aprimoramentos na medida em que pesquisas são continuamente realizadas. Feres-Carneiro e Neto (2008) realçam a importância da manutenção do diálogo entre as diferentes abordagens para o aprimoramento do trabalho com casais, que, em seu início, contava com movimentos do tipo aconselhamento matrimonial, até as atuais contribuições das visões que apontamos anteriormente. Quando procuramos por estatísticas para nos ajudar a compreender melhor o que é o problema relativo às relações de casais, encontramos um cenário bem desafiador. Cerca de dos casais se separam nos primeiros quinze anos de relacionamento, e somente cerca de buscam apoio de uma terapia diante dos problemas que vivenciam. É mais comum que busquem apoio já em uma segunda relação, mas também é relevante apontar que aproximadamente dos casais que buscam apoio terapêutico falham em longo prazo. Muitos casais demoram a decidir buscar ajuda, o que por si só já revela uma possível deficiência entre eles na hora de identificar e buscar resoluções para seus conflitos (DATILLO, 2011). Em um primeiro olhar, essas estimativas nos revelam o grande desafio que representa trabalhar com casais, nos sinalizando para o quanto é importante que, ao se optar por atender casais, tenhamos uma boa formação nessa área e um domínio considerável das teorias e técnicas específicas. 40% 1/4 30% Comentário Um ponto importante a ser observado são as condições iniciais do casal reveladas nos comportamentos individuais. O primeiro desafio costuma ser a ausência de escuta de ambos, ou seja, a falta de disposição e habilidade de um escutar o que o outro tem a dizer. Geralmente, eles entram em nossos consultórios já apontando queixas e acusações recíprocas, carregados de um afeto inflamado, com emoções afloradas, como a raiva ou a tristeza, em que um pode estar acusando ou se queixando, e o outro, retraído, ou ambos exaltados ou retraídos. Caberá a você o manejo, no sentido de construir uma circunstância que permita a ambos se expressarem dentro da sessão. O primeiro objetivo terapêutico pode vir a ser instalar a calma e a escuta recíprocas. A motivação também é um aspecto muito importante para o trabalho com casal e, como você já deve ter percebido nos outros temas em psicoterapia, para que tenhamos boas chances de benefícios da terapia, é desejável que ambos estejam com um bom grau de engajamento. É de se supor que, se procuraram terapia, um mínimo deesperança exista de benefício e é comum que um dos integrantes do casal tenha insistido que façam, e então nos deparamos com uma crença também comum de que a terapia não é algo que possa ajudar. Bem, nesse momento, você tem diante de você um casal que decidiu buscar um terapeuta, e já está alertado para observar o estado emocional de cada um, suas formas de expressão e o nível de motivação. Já tem também seu primeiro objetivo, que é possibilitar uma fala que minimamente lhe traga informações sobre os conflitos do casal. E daí situações bem características aparecem, como crenças rígidas que cada um tem do outro, revelando como se veem. É muito importante que nesse primeiro momento isso seja observado, pois, recorrendo à premissa da abordagem cognitiva de que nossa percepção é que dita emoções e comportamentos, imagine que uma crença bem negativa como “egoísta” ou “descompromissado” domine a visão de um membro do casal sobre o outro. Com essa crença norteadora, é possível imaginar como podem vir a ser as percepções distorcidas de eventos corriqueiros. Atenção! Fique atento ao longo das sessões de terapia para que o casal tenha seus espaços de fala, procurando alertar ao outro para a escuta interessada sobre o que é dito pelo parceiro ou parceira. Não é incomum que um dos dois tente trazer o terapeuta como aliado em um esforço de colocar o outro na situação de ser a causa do conflito. Um alerta a você: casais não são fáceis de mudar. Não podemos esquecer que personalidades são estruturas complexas e consolidadas ao longo do tempo, podendo trazer crenças e aspectos culturais da família de origem. Estamos falando da forma como cada um do casal entende o casamento, o que eles esperam de um marido ou esposa e o conjunto de expectativas que trazem em sua bagagem de experiências anteriores. Não estamos dizendo aqui que é impossível haver mudanças e flexibilizações, mas que, em muitos casos, essas personalidades se entrelaçam mal. Desafios e contexto da terapia com casais Neste vídeo, abordaremos a psicoterapia no atendimento com casais demonstrando sua origem, o contexto e principais desafios. O que trabalhar em uma psicoterapia breve com casais Utilizaremos a terapia cognitivo-comportamental (TCC) como abordagem norteadora para este tópico de estudo por ter, dentre suas características, a identificação de objetivos terapêuticos claros, o processo de psicoeducação, trabalho intenso com conteúdos conscientes e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, sendo considerada uma forma de psicoterapia breve. Ao receber um casal para um primeiro atendimento, é natural que perguntemos o motivo deles procurarem auxílio terapêutico, sendo importante que você dê a oportunidade dos dois exporem suas versões. Inicia-se então uma investigação sobre os conflitos, sua natureza, seus componentes cognitivos, como crenças, situações em que ocorrem as desavenças, quais são os comportamentos nessas circustâncias, expectativas e o que mais for importante para uma melhor compreensão da natureza dos problemas atuais do casal. O histórico da relação também é importante, entretanto, é provável que o tempo da primeira sessão não seja suficiente, tendo que ser continuado nos próximos encontros. Atender a um casal representa compreender suas principais características, ou seja, como eles se relacionam, a forma como se comunicam, o nível de compreensão sobre os problemas de ambas as partes, quais são as estratégias que desenvolveram para resolver problemas. Também é importante fazer uma conceituação cognitiva individual, compreendendo as principais crenças, esquemas e estratégias compensatórias que cada um possui. Comentário Diante de um casal em estado belicoso, pode ser necessário trabalhar para instaurarmos a calma durante a terapia, pois, quando envolvidos pela raiva, os pacientes, de uma forma geral, ficam prejudicados em sua capacidade de escutar e desenvolver reflexões mais introspectivas. Ao final de uma sessão em que esse comportamento esteja bem evidente, você pode propor como exercício uma semana de trégua ao casal e que até o próximo encontro eles não reajam ao outro de forma agressiva como de costume. Explique que se trata de uma ação planejada em sessão. Não é raro eles retornarem com percepções novas ao experimentarem comportamentos não usuais, tendo efeitos positivos. Um passo fundamental para a terapia de casal é que eles consigam estabelecer uma meta em conjunto, que pode ser parar de brigar entre si, descobrir o que está errado, ou até mesmo se separar sem gerar maiores mágoas. Nosso papel é entender se a meta é factível e então nos colocar em auxílio na direção dessa meta. Aspectos cognitivos importantes em psicoterapia breve com casais Apresentamos aqui duas características perceptivas bem peculiares em casais que se encontram em conflito. A primeira é a atenção seletiva, que é a tendência de somente registrar alguns feitos do parceiro, em geral relacionados à negatividade, em detrimento de outros comportamentos. A segunda é a atribuição de significados propositais, nos quais infere-se que um parceiro fez ou deixou de fazer algo com uma pré-intenção de prejudicar o outro. Agora, vamos relacionar algumas distorções cognitivas também muito presentes nos padrões de relacionamento de casais conflituosos (DATILLO, 2011, p. 33): Inferência arbitrária Acontece quando as conclusões são feitas na ausência de evidências substanciais. Abstrações seletivas A t d i f õ ã t íd d Acontece quando as informações são extraídas de um contexto e somente alguns detalhes são enfatizados, enquanto outros, igualmente importantes, são deixados de lado. Supergeneralização Acontece quando um ou dois eventos isolados podem ser os representantes de todas as situações similares, estando elas relacionadas ou não. Maximização e minimização Acontece quando uma situação é percebida como mais ou menos importante do que o adequado. Personalização Acontece quando os eventos externos são atribuídos à própria pessoa, mesmo sem evidências consistentes. Auxiliar o casal a identificar quais padrões de pensamento um deles exerce sobre o outro e sobre as situações é bem útil no processo terapêutico, mas perceba que, para que eles se beneficiem desse Pensamento dicotômico Acontece quando há um pensamento polarizado, ou seja, pensamento preto ou branco, tudo ou nada. Rotulação inadequada Acontece quando há a percepção da identidade da pessoa pelas suas imperfeições e erros cometidos. Visão de túnel Acontece quando há a percepção somente do que se quer perceber ou ao que se ajusta ao estado de espírito atual. Explicações tendenciosas Acontece, geralmente, em períodos de estresse, considerando que sempre o parceiro tem uma motivação negativa por trás de uma ação. Leitura mental Acontece quando ocorre um pensamento de caráter “mágico” inferindo com certeza o que o outro está pensando. movimento de psicoeducação, é necessário que já tenham gerado uma mínima consciência da necessidade de cada um olhar para si próprio. A terapia breve com casais Neste vídeo, faremos uma reflexão sobre alguns dos aspectos que podem ser trabalhados na terapia breve com casais. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As estatísticas sobre o atendimento de casais nos mostram que muitos somente procuram auxílio terapêutico em uma segunda união, e que é comum observarmos uma demora até que decidam buscar ajuda. Esse fato nos revela que tipo de dificuldade comum entre casais em conflito? A Deficiência em identificar e resolver problemas na relação. B A presença de uma hierarquia dentro do casal. C Uma descrença dos dois com relação a terapias. Parabéns! A alternativa A está correta. É baixa a procura de auxílio terapêutico por casais ao longo da primeira união, sendo maior por ocasião da segunda. Entretanto, cerca de 30% dos casais que buscam terapiafalham em seus objetivos em longo prazo. Observamos também que a demora em buscar auxílio nos revela um padrão de resolução de problemas falho no casal, desde a identificação do problema até as estratégias utilizadas. Questão 2 Dentre as formas de psicoterapia breve, destacamos a terapia cognitivo-comportamental (TCC) como uma abordagem adequada para o atendimento de casais. Identifique a seguir as características dessa abordagem que confirmam essa afirmação. D Falta de opções terapêuticas eficientes. E Motivação de sempre resolverem suas situações sem interferência externa. A A TCC sempre trabalha com tempo fixo e predeterminado para cada caso clínico. B A TCC cumprirá sua proposta de atendimento breve desde que o casal também realize atendimentos individualizados. C A TCC trabalha com identificação de objetivos terapêuticos claros, técnica de psicoeducação, conteúdos conscientes e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. D Para atendimento de casais, a TCC não observa a conceituação cognitiva individual, somente Parabéns! A alternativa C está correta. A terapia cognitivo-comportamental tem como características trabalhar com objetivos claros a serem levantados em conjunto com os pacientes, além de auxiliá-los na compreensão de suas dificuldades individuais e relacionais por meio da psicoeducação e ajudar na identificação dos padrões de enfrentamento dos problemas do casal, permitindo o aprimoramento desses padrões e o desenvolvimento de novas estratégias. Será importante para o terapeuta que aplica a TCC a compreensão do histórico do casal, assim como a observação do padrão cognitivo de cada membro. 3 - Psicoterapia breve nas instituições de saúde Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as principais características de uma atuação em instituições de saúde com psicoterapia breve. aspectos do casal como um todo. E A TCC não se ocupará com o histórico do relacionamento do casal, trabalhando somente os problemas atuais de forma objetiva. Pensando a psicologia nas instituições de saúde Antes de iniciarmos a contextualização sobre a atuação do psicólogo em instituições de saúde, é importante saber que a formação acadêmica do psicólogo não fornece uma total capacitação para atuações em instituições de saúde, como, por exemplo, hospitais. Sendo assim, é recomendável que se façam estudos complementares, visando garantir uma melhor condição de atuar nesse ambiente que tem muitas particularidades. Vale ressaltar também as diferenças com as quais você poderá se deparar entre a formação acadêmica, a realidade estrutural das instituições e as condições sociais da população. Para ilustrar esse comentário, pense na realidade socioeconômica da comunidade onde você convive e, para além dela, na realidade da sociedade do seu bairro, da sua cidade e do país como um todo. É provável que você consiga imaginar situações em uma estrutura aquém do ideal para o atendimento de uma população menos favorecida. Será possível observar demora nas consultas, exames e procedimentos necessários, além do que seria desejável nessa mesma população, que já passa por outras adversidades, antes mesmo de necessitar de auxílio médico. Exemplo Imagine atender a uma criança que esteja internada devido a maus tratos de seus cuidadores e a instituição não ter a estrutura desejável de suporte de saúde e social, ou uma mulher vítima de um agressor, ou até mesmo o sujeito que cometeu uma agressão mas que, nesse momento, é seu paciente em um leito de hospital. Outro aspecto importante é o fato de que o psicólogo será mais um agente de saúde a atuar em uma organização já estabelecida, que contém suas normas e cultura de funcionamento. Conforme já comentamos, você pode se deparar com uma realidade estrutural ou normativa que pode entrar em choque com suas referências de relações humanas ideais, não só com seu paciente, mas também com a equipe multiprofissional que atua no hospital. Nesse aspecto, é muito importante você ter em mente que, para poder beneficiar o paciente com aquilo que a psicologia pode oferecer, ou seja, a mitigação do sofrimento causado pela patologia e a internação, é importante que você tenha habilidade de lidar com essas possíveis barreiras observadas. Então, é desejável que você possua aptidão para trabalhar em equipe, para seguir normas e tenha versatilidade para encontrar meios de atuar junto ao seu paciente. Quando falamos de uma estrutura profissional multidisciplinar, nos referimos a profissionais médicos, enfermeiros, assistentes sociais, outros psicólogos e agentes administrativos em geral, que formam equipes de atuação dentro de um hospital ou clínica, evidenciando que a atuação do psicólogo não é isolada, mas em conjunto com esses profissionais. O papel do psicólogo nas instituições de saúde Neste vídeo, propomos uma reflexão para compreender qual o papel do psicólogo nas instituições de saúde. Fazendo psicoterapia breve em instituições de saúde O paciente de uma instituição de saúde possui características peculiares que devem ter a atenção especial do terapeuta. O primeiro ponto a ser observado é a despersonalização que o paciente sofre ao ser, por exemplo, internado para tratar de alguma doença. Ele passa a ser reconhecido como o paciente do leito x, e do diagnóstico y, e ainda perde muito de sua autonomia sobre seus horários, deslocamentos, hábitos de higiene e de alimentação, ficando submetido às rotinas médicas e da enfermagem. Imaginem, de uma hora para outra, aquela pessoa que conduzia sua vida com autonomia e sendo produtiva, até mesmo provedora de uma família, ser submetida a esse estado. É de se esperar que ela desenvolva uma série de crenças relativas à sua condição, crenças que agravam o sofrimento psíquico da pessoa, além da doença em si (ANGERAMI, 2004). É parte do seu trabalho como psicólogo buscar resgatar a humanidade desse paciente, identificando e flexibilizando as crenças relativas à sua condição de vida atual e futura, diante de um quadro de doença que pode ser temporário ou permanente, e a melhor maneira de fazer isso é sendo acolhedor, com uma escuta incondicional, e procurando entender o ponto de vista do paciente, auxiliando-o a desenvolver visões alternativas e sentidos mais favoráveis e possíveis. A sua primeira tarefa diante de um paciente internado em uma instituição é realizar uma avaliação psicológica utilizando-se das ferramentas que julgar necessárias e que sejam pertinentes à situação, como entrevistas, testes psicológicos, entrevistas com familiares e profissionais envolvidos no caso e observação de comportamentos. Nesse primeiro momento, a intenção é buscar informações sobre o estado cognitivo, emocional e comportamental do paciente, sendo também importante observar esses mesmos aspectos com relação à família, o sistema de saúde envolvido e o contexto sociocultural do paciente. Comentário É de se esperar que uma pessoa entre em sofrimento psíquico pelo simples fato de ser hospitalizada. Imagine uma criança separada de seus amiguinhos, um homem que está prestes a sofrer uma amputação em decorrência do agravamento de sua diabetes ou uma mulher que recebeu a indicação de uma mastectomia. O processo de hospitalização deve ser visto além da circunstância de momento, como algo que pode trazer questões do histórico de vida do paciente e da visão de futuro, após a realização dos procedimentos, e suas possíveis consequências. A terapia realizada dentro de uma instituição de saúde não segue os fundamentos básicos de uma psicoterapia realizada em um consultório particular, onde o paciente tem a iniciativa de buscar um auxílio terapêutico. Devemos nos atentar para as limitações e diferenças da psicoterapia realizada em uma instituição, na qual primeiramente não teremos como objetivos principais levar o paciente a um exercício de autoconhecimento e autocrescimento ou à cura de sintomas específicos, mas, como já foi dito,buscar mitigar o sofrimento proveniente da situação em que ele se encontra no momento. Outro ponto específico é o ambiente de atendimento que, longe de ter as características de um setting terapêutico, se mostra bem diferente, com situações invasivas ocorrendo todo o tempo, como, por exemplo, uma enfermeira que entra para a higiene e medicações, independentemente de horários, quartos que são coletivos e a necessidade de convívio com outros pacientes. Até mesmo o psicólogo pode ser algo invasivo no primeiro momento, pois o paciente pode não ter solicitado atendimento. A primeira abordagem, bem como as demais, deve ocorrer com o máximo de sensibilidade para o conforto e aceitação do paciente. Você deve estar pronto para lidar com todo tipo de situações invasivas, inclusive a interrupção em pleno atendimento pelas situações corriqueiras de um ambiente hospitalar. A terapia breve em hospitais Neste vídeo, propomos uma reflexão sobre as particularidades da terapia no ambiente hospitalar, além de também elencarmos os principais desafios. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A formação acadêmica tende a não ser suficiente para habilitar o psicólogo a atuar em instituições de saúde, sendo recomendáveis estudos mais aprofundados e especializados. O profissional poderá se deparar com algumas diferenças de realidade entre a formação acadêmica e as instituições. Aponte a alternativa que indica essas possíveis diferenças. A Situação socioeconômica e cultural desfavorável da população incidindo sobre suas reações e estrutura precária de atendimento da instituição. B Falta de apoio para aperfeiçoamento dos estudos por parte da instituição e falta de equipe multidisciplinar. Parabéns! A alternativa A está correta. Vivemos em uma sociedade com grande variação de condições socioeconômicas e culturais, e na qual uma grande parcela da população não tem suporte do Estado, algo que pode não ser retratado na formação do psicólogo que trabalhará nas instituições de saúde. Espera-se então que o paciente traga demandas psicológicas que extrapolam aquelas ocasionadas pela doença que o fez procurar uma instituição de saúde, além do fato de que a realidade nos revela circunstâncias estruturais prejudiciais ao atendimento, como espaços inadequados, atrasos em consultas e exames, entre outros problemas. Questão 2 Um paciente instituicionalizado está submetido a situações peculiares, pelo simples fato de estar inserido em um contexto coletivo de atendimento e sendo cuidado por diversos profissionais dessa instituição. Uma dessas situações é a C Estrutura adequada, mas falta de reconhecimento do profissional de psicologia por parte da instituição. D Normas e procedimentos muito rígidos que impossibilitam a atuação do psicólogo. E Equipe multidisciplinar que não atua em conjunto e falta de reconhecimento da população com relação aos serviços do psicólogo. A desvinculação. B anulação. Parabéns! A alternativa C está correta. Um paciente internado, via de regra, perde muito da sua autonomia e, dependendo da gravidade do caso, perdendo-a totalmente, não decidindo mais sobre seus horários, movimentos, alimentação, dentre outras atividades que anteriormente tinha a condição de comandar. Soma-se a isso o fato de sofrer um processo de desumanização, vindo a ser reconhecido pelo número do leito e por seu diagnóstico. Essa situação merecerá, por parte do terapeuta, atenção adequada no sentido de mitigar o sofrimento do paciente. 4 - Psicoterapia breve em grupos especiais Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a aplicação da psicoterapia breve em casos de ansiedade, depressão, dependência química e transtorno bipolar. C despersonalização. D desvirtuação. E paralização. Psicoterapia breve em casos de ansiedade Transtorno de ansiedade é um dos distúrbios mais prevalentes dentre os problemas mentais da nossa população. De acordo com Dattani, Ritchie e Roser (2021), em 2017 tínhamos cerca de 3,8% da população mundial (aproximadamente 284 milhões) com algum tipo de transtorno de ansiedade e, ainda de acordo com esses autores, desde 2019 o Brasil está entre os países que possuem o maior índice, com 7,7% da população (aproximadamente 15 milhões) com esse problema. Mesmo que não se caracterize um transtorno de ansiedade, é muito comum que ela esteja envolvida entre as queixas que se apresentam. Assim, é importante que você tenha conhecimentos sobre essa emoção e domine técnicas para auxiliar seu paciente a lidar com ela. Tipos de ansiedade Antes de apresentarmos alguns transtornos que envolvem a ansiedade, vale destacar que esses distúrbios são caracterizados pelo medo excessivo, em que os sintomas são graves a ponto de trazer prejuízos em alguma área de vida da pessoa, seja a profissional, saúde, afetiva ou de relacionamentos pessoais. A seguir, veremos alguns transtornos classicamente considerados na categoria de transtornos de ansiedade ou que de alguma forma apresentam uma base de ansiedade importante: Preocupação excessiva, quase que diária sobre uma série de eventos e de difícil controle, com duração de seis meses ou mais. É uma doença crônica caracterizada pela presença involuntária e intrusiva de pensamentos obsessivos e compulsões - seguindo o manual de classificação DSM - 5 (APA, 2014), o TOC passa a Transtorno de ansiedade generalizada Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) fazer parte de uma categoria de classificação independente dos transtornos de ansiedade. É caracterizado por pico de ansiedade agudo e intenso, geralmente acompanhado por pensamentos de tragédia ou morte, com duração de 20 a 30 minutos. É a preocupação excessiva com doenças e a própria saúde, apresentando queixas de múltiplos sintomas, não havendo flexibilização mesmo quando nada é constatado por exames médicos. Ansiedade intensa, persistente e irrealista em resposta a algum estímulo ou situação específica. Ansiedade que ocorre em decorrência de experiência de grande estresse físico e emocional ‒ seguindo o manual de classificação DSM – 5 (APA, 2014), o TEPT passa a fazer parte de uma categoria de classificação independente dos transtornos de ansiedade. Tratando o paciente ansioso com psicoterapia breve Ao fazer uma avaliação inicial com seu paciente, necessária em todo tipo de processo terapêutico, é importante que você observe o nível de ansiedade do paciente, se ele tem a consciência desse estado e se possui ferramentas para lidar com ela. É bem comum que ele esteja deficiente em algum ou todos os pontos mencionados. Transtorno do pânico Hipocondria Fobias Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) Essa avaliação é importante, pois mesmo a PB não se propondo a fazer um tratamento aprofundado de autoconhecimento, é necessário que este tenha uma mínima condição de promover reflexões e insights, o que tende a ser prejudicado quando ele está envolvido em um estado emocional muito exacerbado, no caso aqui, a ansiedade. É muito útil que você utilize algumas técnicas iniciais, como a psicoeducação, que consiste em auxiliar o paciente a compreender seus episódios de ansiedade em termos orgânicos e psicológicos. Muitos pacientes com transtorno do pânico se beneficiam quando compreendem suas reações fisiológicas de acionamento do sistema simpático e parassimpático, desmistificando a ideia de que estão prestes a morrer por causa do extremo desconforto durante um momento de pânico. Saiba mais Técnicas comportamentais como controle de respiração, relaxamento muscular, desfocalização, dentre outras, também são muito úteis na fase inicial do tratamento, pois permitem que o paciente adquira a possibilidade de amenizar seu momento de crise, trazendo algum conforto. Uma vez que você consiga obter esses avanços iniciais, é hora de nos concentrarmos em aspectos mais cognitivos relacionados à percepção de realidade do paciente, principalmente osfatores que representam ameaças. Nessa fase, que pode ser chamada de reestruturação cognitiva, você deve trabalhar as seguintes situações: continuidade da identificação dos medos, avaliação das estratégias, a percepção mais realista dos eventos ameaçadores, a percepção do paciente de sua própria capacidade de lidar com os eventos e, por fim, o auxílio para desenvolver novas percepções e estratégias. Para que você conduza bem o paciente ao longo desse processo, é muito importante que você respeite o tempo e a capacidade desse paciente, de modo que ele não se sinta pressionado a fazer coisas para as quais ainda não está preparado, acionando resistências e crenças de incapacidade. A ansiedade e a terapia breve Neste vídeo, abordaremos os tipos de transtornos de ansiedade e as possibilidades de intervenção na terapia breve. Psicoterapia breve em casos de depressão A depressão é um problema psicológico muito comum a todos nós. Muito provavelmente já experimentamos ou experimentaremos um estado de tristeza em algum momento da vida, podendo este ser caracterizado como depressão. Comentário Em alguns casos, a depressão pode persistir e se tornar patológico se não for tratado, podendo evoluir para o desenvolvimento de pensamentos suicidas. Apesar da condição de gravidade que uma depressão pode causar, existem tratamentos muito eficazes com medicamentos, estimulações cerebrais e psicoterapias, dentre as quais destacamos a terapia cognitivo-comportamental, que se enquadra nos moldes de uma psicoterapia breve. Sabendo mais sobre a depressão A depressão pode ser compreendida como um transtorno do pensamento que afeta diretamente a forma como você pensa, sente e como reage às situações e às suas rotinas diárias. Uma pessoa em depressão tende a perceber e interpretar as coisas que acontecem de forma negativa, inclusive a si, não percebendo suas capacidades, além de visualizar o futuro de forma pessimista, resistindo a qualquer indício que contradiga esta percepção. Uma pessoa pode ser considerada deprimida se tiver cinco dos sintomas que descreveremos a seguir, por pelo menos duas semanas, podendo variar seu estado entre leve, moderado e grave: Humor deprimido. Redução de interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades. Perda ou ganho de peso. Insônia ou hipersonia. Agitação ou retardo psicomotor. Fadiga ou perda de energia. Sentimentos de desvalia ou culpa inapropriados. Redução de concentração ou ideias de morte ou suicídio. Tratando uma pessoa em depressão com psicoterapia breve Uma vez diante de um paciente com depressão, o primeiro cuidado que você deve ter é identificar se existem ideações suicidas e, caso haja, verificar seu potencial. Se você considerar algum grau de risco, mínimo que seja, o primeiro objetivo terapêutico passa a ser mitigar essa condição. Se você considerar que o paciente não está em risco, você deve avaliar seu grau de motivação para o tratamento, lembrando que a depressão causa desmotivação e descrédito por parte do paciente nele próprio e na visão de futuro, incluindo-se aí o próprio tratamento. Sendo assim, invista no vínculo terapêutico e na motivação do paciente. Já observamos que o paciente em depressão mantém uma disfunção na sua forma de pensar, distorcendo sua percepção para um viés negativo, revelando uma rigidez cognitiva e um estado de vulnerabilidade em que ele perde a resiliência e pequenos desafios podem ser muito desafiadores. Faça uma boa avaliação inicial do caso e, além do diagnóstico, levante os principais problemas que ele apresenta na vida, fazendo um planejamento de intervenção de forma a iniciar o tratamento pelos problemas mais fáceis de serem abordados, deixando os mais difíceis para um momento posterior, quando o paciente já poderá ter recuperado minimamente sua capacidade de resolução de problemas. Entretanto, não negligencie situações graves que, mesmo difíceis, podem estar prejudicando ou colocando o paciente em risco. Comentário O objetivo de uma PB no tratamento de uma depressão é fazer com que o paciente readquira sua flexibilidade cognitiva, que significa conseguir avaliar uma mesma situação de outras formas. Nessa direção, você deve se utilizar de um arsenal de técnicas não somente cognitivas, mas também comportamentais na direção da reativação de atividades prazerosas por parte do paciente. Assim como em casos de ansiedade, fique atento ao tempo do paciente, tomando cuidado para não exigir demais, evitando assim que ele se frustre acionando crenças de incapacidades. É muito importante para um paciente deprimido que ele se sinta compreendido no que está passando. Ao final do tratamento, busque reforçar os ganhos terapêuticos, além de levantar as situações que possam ser desafiadoras para o paciente, prevenindo recaídas. Principais considerações com pacientes depressivos Neste vídeo, abordaremos os principais cuidados e considerações na psicoterapia breve com pacientes depressivos, destacando os sintomas, objetivos e pontos de atenção. Psicoterapia breve em casos de dependência química A dependência química é um quadro desafiador para todas as abordagens terapêuticas dada a sua complexidade por envolver aspectos psicológicos, orgânicos, genéticos e socioculturais do paciente. Somam-se a essas condições a variedade de drogas lícitas e ilícitas disponíveis para uso e suas consequências diretas e indiretas no próprio usuário, na sua família e na sociedade. É importante salientar que encontramos na literatura sobre PB a orientação de que sua aplicabilidade deve ocorrer em casos nos quais a pessoa se encontra fora da fase aguda e com o seu ego preservado, o que representa dizer, por exemplo, que uma pessoa em fase intensa de consumo de crack ou outra droga pesada não seria indicada para um atendimento em PB. O que é a dependência química Atualmente, a dependência química é entendida como um transtorno neuropsiquiátrico que afeta usuários de substâncias psicoativas e cuja exposição prolongada torna o seu consumo compulsivo. De uma forma geral, drogas psicoativas ativam circuitos de recompensa e, com a continuidade do consumo, observa-se prejuízo cerebral, tornando o cérebro mais sensível a fatores estressantes e trazendo prejuízos também à capacidade de controle. Alguns conceitos importantes para o trabalho com dependência química: Uso Experimentar, consumir esporadicamente alguma substância psicoativa não acarretando prejuízos por causa desse uso. Abuso Ao se dar continuidade ao uso, passar a ter prejuízos em alguma área da vida (social, profissional, familiar, saúde ou outra) que esteja relacionada ao uso. Dependência Passa a ocorrer diante da perda do controle no consumo, acentuando-se os prejuízos em decorrência do uso. Fissura ou craving É o desejo intenso de usar uma droga específica em busca do efeito causado por ela. Tolerância É a necessidade de se ter doses maiores da droga para que se obtenha o mesmo efeito. Síndrome de abstinência É o conjunto de sintomas que ocorrem em decorrência de um tempo sem o consumo da droga. Tratando a dependência química com psicoterapia breve É importante que você saiba que casos de dependência química apresentam grande índice de ocorrência, altas taxas de recaídas e um baixo índice de recuperação. A maioria dos pacientes que buscam ajuda terapêutica apresentam comorbidades psiquiátricas, usam mais de um tipo de droga e têm graus variados de motivação para o tratamento ou a interrupção do uso da droga. Iniciando então um atendimento de um dependente químico, você deve observar em sua avaliação inicial qual o estado de motivação de seu paciente, no que Proshaska e DiClemente (1986) nos auxiliam: Não reconhece que tem problemas relacionados ao uso de drogas. Reconhece que tem problema, porém não consegue mudar seu comportamento, nem seu estilo de vida para que cumpra seu objetivo de não usar. Reconhece seu problema relacionado ao uso de drogas e se comprometea mudar seu comportamento, considerando alterações no estilo de vida e já reconhecendo e enfrentando situações de risco. Uma vez que conseguiu atingir a abstinência, toma decisões no sentido de manter o novo comportamento. Você deve ter em mente que o vício não é uma escolha, mas um caminho encontrado pelo indivíduo para lidar com alguma dificuldade com a qual ele se deparou na vida, mostrando uma característica muito presente em casos de dependência química, que é a baixa tolerância à frustração. Essa dificuldade deve ser identificada e inserida como objetivo terapêutico em alguma fase do tratamento. Pré-contemplação Contemplação Ação Manutenção Comentário Na perspectiva da terapia cognitivo-comportamental, entramos em sofrimento quando, diante de situações desafiadoras, acionamos crenças centrais relacionadas ao desamparo, desamor e desvalor, gerando pensamentos automáticos distorcidos e estratégias compensatórias para eliminarmos o sofrimento causado pela crença central acionada. Nessa direção, é muito importante que você faça essa conceituação cognitiva, além de identificar as crenças facilitadoras e permissivas relacionadas à substância utilizada. O tratamento deve envolver a psicoeducação acerca dessas crenças, identificação de estratégias até então utilizadas, a preparação para o processo de abstinência, o desenvolvimento de novas percepções sobre o uso da substância, novos hábitos e, principalmente, o desenvolvimento de estratégias e situações de apoio para a prevenção de recaída. A terapia breve na dependência química Neste vídeo, abordaremos os principais cuidados e considerações na psicoterapia breve com pacientes que apresentam algum tipo de dependência química, destacando conceitos básicos, graus de motivação, objetivos e pontos de atenção. Psicoterapia breve em casos de transtorno bipolar Você encontrará diversas referências comentando sobre indicações e contraindicações para a utilização da PB e muitas delas citarão o transtorno bipolar como não indicado. Entretanto, há algum tempo, constatamos o benefício da abordagem considerada breve, como é o caso da terapia cognitivo-comportamental para esses casos (KNAPP; ISOLAN, 2005). Identificaremos a seguir os benefícios possíveis dessa abordagem considerada breve, principalmente em conjunto com o tratamento farmacológico, essencial para o tratamento do transtorno bipolar. O que é o transtorno bipolar? Todos nós experimentamos variações de humor, ficamos tristes e desanimados diante de uma notícia ruim, alegres e encorajados quando conseguimos algo que tanto queremos e, dessa forma, vivemos uma variedade de emoções ao longo de um mesmo dia, sendo que isso faz parte de nossa vida. Uma pessoa com transtorno bipolar viverá tais variações de maneira que seu humor, pensamentos, emoções e comportamentos alteram-se visivelmente, afetando o seu cotidiano, oscilando entre o extremamente baixo (depressão) e o extremamente alto (mania). O transtorno bipolar é muito comum, tendo seu início precoce, em que o paciente permanece em depressão por um longo período, podendo ocasionar ideações e tentativas de suicídio. Também causa um grande sofrimento no círculo familiar, sendo motivo de muitos conflitos e separações. Esse transtorno possui causas biológicas, com disfunção nos sistemas de neurotransmissores e fatores genéticos, que são permeadas pela dificuldade em lidar com situações que evocam o estresse. Podemos dividir os sintomas nos seguintes domínios: Maníacos, com a manifestação de euforia, grandiosidade, impulsividade, aumento de libido, inquietação, desinibição social e diminuição de necessidade de sono. Depressivos, com sintomas característicos da depressão, ansiedade, irritabilidade, hostilidade, violência e ideações suicidas. Psicóticos, com delírios e alucinações. Cognitivos, com a ocorrência de aceleração do pensamento, distratibilidade, desorganização e diminuição da atenção. Tratando o transtorno bipolar com psicoterapia breve A terapia cognitivo-comportamental, considerada como uma forma de PB, mostra-se útil no auxílio a casos de transtorno bipolar por ser estruturada e orientada para a resolução de problemas. Com base nessa abordagem, conheça agora quais são as orientações terapêuticas específicas e importantes. Como em todo início de tratamento, você deve identificar o grau de motivação do paciente assim como o seu grau de consciência sobre o problema que está vivenciando, nesse caso, o transtorno bipolar. Também é muito importante que você avalie se existe potencial suicida, pois, como já mencionamos, é comum que ocorra. Uma vez observados esses pontos, é importante que você informe ao seu paciente sobre o transtorno e suas características, já dentro de um processo psicoeducativo. Investigue quais são as circunstâncias estressoras na vida de seu paciente e quais são as percepções e reações dele nessas circunstâncias, no sentido de compreender sua vulnerabilidade e desenvolver flexibilidade cognitiva para uma melhor regulação emocional. Atenção! Durante a terapia é importante que você ajude o paciente a compreender melhor a sua condição, auxiliando-o a identificar sinais de início de um estado depressivo ou aumento na sua energia na direção da mania. Construa junto com o paciente uma estrutura de apoio a qual ele possa recorrer, desde o envolvimento de pessoas próximas, como amigos e familiares, que podem servir de sinalizadores dessas mudanças, até profissionais que podem ser acionados. É necessário que, se possível, a família seja envolvida no tratamento, sendo necessário fornecer a eles informações sobre o que é o transtorno bipolar. Como a medicação é essencial para o tratamento desse transtorno, e o que observamos é uma baixa adesão do paciente ao uso de remédios, é muito importante identificar as crenças relativas à medicação e trabalhar no sentido de gerar consciência da sua importância. Os transtornos bipolares e a terapia breve Neste vídeo, abordaremos os principais cuidados e considerações na psicoterapia breve com pacientes que apresentam transtorno bipolar, destacando conceitos básicos, sintomas, objetivos e pontos de atenção. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Segundo os manuais de psiquiatria, temos vários transtornos que envolvem a ansiedade. Qual o nome do transtorno que tem como característica a ocorrência de ansiedade como consequência da experiência de grande estresse físico e emocional? A Transtorno de ansiedade generalizada. B Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). C Transtorno do pânico. D Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Parabéns! A alternativa D está correta. Uma pessoa que passe por uma situação que tenha grande impacto físico, principalmente com a experimentação de uma emoção muito forte, como, por exemplo, sofrer um acidente de trânsito, pode desenvolver TEPT. O aparecimento dos sintomas pode ocorrer tempos depois do fato e com comorbidades, como depressão e dependência química. Questão 2 A dependência química é considerada um transtorno psiquiátrico, no qual pessoas passam a usar de forma compulsiva alguma substância psicoativa (drogas) após exposição prolongada. Como essas substâncias atuam no cérebro? E Hipocondria. A O uso contínuo de drogas faz com que o cérebro não consiga reconhecer situações de estresse. B Após um longo período de utilização de uma droga, os neurônios desidratam, causando a síndrome de abstinência. C O risco da instalação de uma dependência química ao nível cerebral só ocorre em caso de uso de mais de um tipo de droga. D Com o tempo de uso, a região do cérebro para tomada de decisões tem prejuízos severos e irreversíveis. E Com o uso contínuo de uma droga, o cérebro torna- se mais sensível e vulnerável a situações de Parabéns! A alternativa E está correta. A droga proporciona efeitos prazerosos como a percepção de recompensa, ativando a liberação dea promoção da saúde mental. Conhecendo a psicoterapia breve Neste vídeo, você verá como se caracteriza a psicoterapia breve, apresentando a importância do foco, destacando a centralidade do vínculo de confiança, situação problema, pontos de urgência, a expectativa de mudanças no conflito focal, avaliação, enquadramento e planejamento. “Psicoterapia breve de apoio” O enquadramento, neste caso, ocorre quando a pessoa tem um foco apenas. “Psicoterapia breve de processo” O enquadramento, aqui, ocorre quando a pessoa tem mais de um foco. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Diversos autores e contribuições estão registrados na história das psicoterapias breves. Nesse âmbito, cada proposta recebeu conceitos, diretrizes e nomenclaturas diferentes. Contudo, considera-se que dois autores foram o fundador e o pai da psicoterapia breve. Quem são eles, respectivamente? A Klein e Winnicott. B Pavlov e Skinner. C Seligman e Hayes. D Piaget e Wallon. E Alexander e Ferenczi. A alternativa E está correta. Consideramos F. Alexander como fundador da psicoterapia breve e S. Ferenczi como o pai da psicoterapia breve. Klein e Winnicott participaram das gerações de psicoterapeutas breves, enfatizando o trabalho com crianças. Pavlov e Skinner foram autores ligados à teoria comportamentalista. Seligman e Hayes são autores de fundamentação cognitivo-comportamental. Piaget e Wallon foram autores de psicologia do desenvolvimento. Questão 2 Psicoterapia breve não significa um processo acelerado, superficial, ineficaz ou incompleto. Essa modalidade terapêutica pretende oferecer uma estrutura eficaz e adaptável ao paciente. Um conceito-chave que fundamenta a ideia de “brevidade” é A o condicionamento. B o foco. C o treinamento comportamental. D a inteligência. E a abordagem lúdica. A alternativa B está correta. O que justifica a brevidade dos processos clínicos dessa modalidade é a sua abordagem focal na queixa ou trazida pelo cliente, evitando desvios e com o objetivo de buscar soluções em um tempo mais curto. Condicionamento e treinamento comportamental são conceitos da terapia comportamental. Inteligência é apenas uma faculdade cognitiva ou função do ego. A ludicidade é uma abordagem para intervenções, especialmente com crianças. 2. Modelos atuais e aplicações de psicoterapia breve Os modelos atuais em psicoterapia breve As psicoterapias psicodinâmicas breves modernas podem ser divididas em três modelos: o estrutural, o relacional e o integrativo. A seguir, apresentaremos os dois primeiros modelos: 1. Modelo estrutural No modelo estrutural, temos 3 autores principais: Malan Sua perspectiva foi estabelecer uma hipótese psicodinâmica inicial a partir de entrevistas e testes, ou seja, identificar o conflito primário que pode ser ressignificado na experiência atual do paciente. Sua psicoterapia focal acentua a necessidade da interpretação – o terapeuta desvenda os significados das palavras e ações do paciente. Rebatendo a ideia de que a interpretação poderia fomentar dependência. Pelo contrário, entende que a interpretação deve ser feita desde o início e com frequência. Como também deve conduzir a separação entre terapeuta e paciente em função do término do processo. Também há a expectativa de que os resultados terapêuticos sejam realmente significativos e não apenas resumidos à remissão de sintomas ou solução de situações de crise. Acredita que transformações duradouras podem acontecer até em quadros graves de personalidade. Por fim, entende que é na interpretação que se funda a psicoterapia e chega até a desencorajar a associação livre psicanalítica. Para conservar o parâmetro focal, sugere mais a atenção seletiva do que a atenção flutuante proposta por Freud, preferindo se concentrar nos conteúdos mais diretamente ligados ao objetivo daquele trabalho. Isso pode elevar a compreensão do paciente sobre si mesmo, compreendendo como vários fatores vivenciados ao longo da vida e no aqui-agora estão relacionados a um único conflito central. Portanto, um bom prognóstico depende da possibilidade de focalização, da motivação do paciente e da qualidade das interpretações. É estipulado um prazo máximo de quarenta sessões. Sifneos Sua perspectiva foi desenvolver uma abordagem paralelamente para reparar problemáticas de origem edipiana. Nessa visão, o terapeuta adota uma postura ativa para o paciente se defrontar com seus conflitos, deixando a neutralidade. Fundamenta-se na teoria psicanalítica, mas propõe que o terapeuta seja pedagógico com o paciente. Também não sugere associação livre. Indica que o processo terapêutico deve durar entre 12 e 18 sessões e que o bom prognóstico depende da motivação do paciente e de um problema focal centrado edipicamente, evitando que a neurose de transferência ocorra. Davanloo Sua perspectiva foi propor também uma técnica ativa e confrontativa, que mantém o foco e depende de uma firme relação terapêutica, pois pode gerar hostilidade no paciente. Nomeou sua abordagem de Psicoterapia Dinâmica Breve Intensiva. A crítica que esses autores receberam é de que, muitas vezes, o terapeuta pode cair em uma atitude autoritária, elevando as resistências do paciente. Como se o terapeuta conseguisse supostamente enxergar o mundo ou interpretar a realidade sem distorções e que na transferência o paciente tem a oportunidade de alcançar também essa capacidade. 2. Modelo relacional No modelo relacional, os principais autores são M. Klein, Fairbairn e Winnicott, os quais produziram mudanças filosóficas que impactaram a psicanálise, reformulando a teoria da personalidade, psicopatologia e técnica psicoterápica, como veremos a seguir. Essas propostas não se concentram em um construto único para direcionar o trabalho de forma focada. Elas aplicam o conceito de foco à experiência, ao aqui-agora, permitindo múltiplos focos clínicos dentro de um mesmo processo. Priorizam a relação terapêutica e o terapeuta como observador participante. Agora, vamos conhecer com mais detalhes as teorias desses autores: Klein Criou uma técnica de psicanálise aplicada ao público infantil e adicionou concepções à psicanálise, como a importância do mundo interno – criado a partir das percepções do mundo externo passando pelas ansiedades internas; a teoria das posições – ou modos de funcionamento das relações com os objetos e seus mecanismos de defesa; e o desenvolvimento precoce do aparelho psíquico e os sentimentos primários de amor e ódio do bebê. Fairbairn Constituiu uma nova compreensão teórica da formação subjetiva da personalidade, a partir da psicanálise, e como conflitos nesse desenvolvimento concluem psicopatologias. Focalizando mais a autoconservação e a busca pela relação com o outro, definindo a relação objetal e o objeto libidinal, mudando a busca do prazer para a busca do objeto pelo sujeito, como Freud teorizou. Teorizou que o analista e o paciente são duas pessoas reais dentro da sessão terapêutica, portanto, cada encontro terapêutico é singular – um espaço único. Eles formam um par analítico, como na relação entre uma mãe real que forma seu bebê, considerando que o fator limite de tempo pode interferir nessa relação inevitável. Winnicott Postulou também que o bebê se funde à mãe e que tende a uma progressiva separação. Além de rejeitar o conceito freudiano de pulsão de morte, explicando a agressividade como resultante da frustração ou privação. O terapeuta utiliza a escuta psicanalítica para interpretar o material inconsciente do paciente dentro de um processo de associação livre, fundamentando-se consistentemente nessa teoria. Porém, os modelos relacionais sofreram a crítica por não se preocuparem tanto com a técnica e pela dificuldade inicial em se enquadrarem em métodos de pesquisa. Os modelos estrutural e relacional em psicoterapia breve Neste vídeo, você aprenderá sobre os modelos estrutural e relacional da psicoterapia breve, explicando quem são os representantes e quais as particularidadesneuroquímicos correspondentes a essa percepção. Com o uso continuado, existe a tendência da perda da capacidade em se ter prazer sem o uso da droga e com menos tolerância à frustração. A capacidade de controle também é afetada. Um único tipo de droga que tenha seu uso continuado pode ocasionar essa condição. Considerações finais Como vimos, o atendimento em psicoterapia breve segue princípios fundamentais que precisam ser observados em usos específicos, como os apresentados neste conteúdo. É fundamental que você tenha não somente o domínio das técnicas da psicoterapia breve, mas que também seja um conhecedor dos universos nos quais se propõe a atender, sejam crianças, adolescentes, família, casais, instituições de saúde e patologias específicas. Pelo fato de ser uma proposta de atendimento em condições limitadas, seja de estrutura ou tempo, estamos certos de que este estudo lhe orientou como proceder na identificação dos objetivos terapêuticos importantes a serem abordados, nos procedimentos técnicos, como a formação do vínculo, a compreensão dos contextos de atendimento, históricos e de suporte dos pacientes, escolha de técnicas e o cuidado com o término do tratamento. A observação das técnicas da psicoterapia breve é tão importante quanto saber em que situações ela encontra seus limites de atuação. estresse, além de prejuízos na capacidade de controle. Podcast Neste podcast, faremos uma reflexão sobre as caraterísticas da psicoterapia breve em atendimentos com tipos variados de sujeitos e a importância da terapia em instituições de saúde. Explore + Pesquise o site Our World In Data e veja dados sobre estatísticas a respeito dos principais problemas do mundo e do Brasil. Veja a área específica de saúde mental. Para uma introdução à terapia cognitivo-comportamental, considerada uma psicoterapia breve, veja o livro Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática, de Judith S. Beck. Pesquise sobre a atuação de diversas drogas no cérebro e no comportamento na página Learn Genetics, da Universidade de Utah. Referências AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014. ANGERAMI, V. A. Tendências em psicologia hospitalar. São Paulo: Cengage Learning, 2004. COSTA, C. B.; DELATORRE, M. Z.; WAGNER, A.; MOSMANN, C. P. 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Toward a comprehensive model of change. in MILLER, W. R.; HEATHER, N. Treating addictive behaviours: process of change. NY: XLVI Encontro da ANPAD ‒ EnANPAD 2022 On- line ̶ 21-23 set. 2022 ‒. 2177-2576. versão on-line Plenum, 1986. p. 3-27. Sci Hub. Consultado na internet em: 23 fev. 2023. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF() Questões éticas na psicoterapia breve Prof. Carlos Henrique Gonçalves Descrição Você vai entender os limites técnicos e éticos da atuação em psicoterapia breve na prática clínica e o fenômeno da iatrogenia relacionada à prática. Propósito A abordagem dos limites técnicos e éticos, bem como a contextualização das atitudes que podem contribuir para a ocorrência de iatrogenias em decorrência do tratamento, são conteúdos extremamente importantes que auxiliarão os profissionais de psicologia no aprimoramento de sua prática clínica e no estabelecimento de condutas corretas na atuação em psicoterapia breve. Objetivos Módulo 1 Limites técnicos Reconhecer os limites técnicos para a atuação da psicoterapia breve. Módulo 2 Limites éticos Reconhecer os limites éticos para a atuação da psicoterapia breve. Módulo 3 Iatrogenia Identificar as condições que contribuem para a ocorrência da iatrogenia e a sua prevenção. Introdução A psicoterapia breve é uma forma de atuação clínica que tem características peculiares, como ter um prazo de tratamento mais curto, manutenção de foco e um bom planejamento terapêutico. Diante dessas características, é importante observarmos algumas condições específicas que indicam um caso clínico para ser atendido nessa modalidade e, dentre elas, o grau de motivação e consciência do problema por parte do paciente, assim como um bom treinamento para manejar a motivação e auxiliar o paciente a desenvolver ferramentas próprias para superar seus problemas. Observamos também alguns critérios de indicação e contraindicação para que um paciente seja indicado à psicoterapia breve, como um ego minimamente estruturado e uma boa capacidade de insight para realizar reflexões sobre seu problema. Também é importante a observação de alguns critérios que contraindicam a psicoterapia breve, como algumas psicopatologias crônicas graves, tendências sociopáticas, riscos eminentes de vida e outros comportamentos e circunstâncias de vida do paciente. Neste estudo, ampliaremos em mais detalhes condições de indicação e contraindicação à psicoterapia breve. A finalidade de um tratamento, seja ele médico ou psicológico, é promover um bem ao paciente, aliviando o seu sofrimento frente ao problema que está enfrentando. Entretanto, observamos a ocorrência de processos iatrogênicos nos quais podem ser causados danos e prejuízos em decorrência desses tratamentos. Ainda não dispomos de ampla gama de estudos sobre esse fenômeno, mas já está disponível uma série de recomendações inerentes a posturas e procedimentos do terapeuta no sentido de prevenir que ocorra. Atentos a essas observações, temos a oportunidade de aprimorar a qualidade do atendimento que proporcionamos ao nosso paciente. 1 - Limites técnicos Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os limites técnicos para a atuação da psicoterapia breve. Condições para início do tratamento Quando uma pessoa busca por tratamento psicológico, podemos supor que algumas barreiras internas já foram superadas como, por exemplo, a identificação de estar vivendo um conflito psicológico além do razoável e a falta de recursos para lidar com as situações. Também revela a existência de um certo grau de motivação por parte do paciente para promover mudanças, mesmo que ainda se encontre em fase de queixas e lamentações, sem a condição de ter uma melhor compreensão dos seus problemas. O estado motivacional para o tratamento é a primeira condição para que a psicoterapia breve possa ser indicada e tenha chance de auxiliar ao paciente. É importante que você avalie esse grau de motivação para que o mantenha e, se possível, o aumente ao longo do processo terapêutico, contribuindo para o fortalecimento do vínculo terapêutico, que também é um aspecto fundamental para que o tratamento tenha sucesso. Nesse sentido, alertamos para a postura que você deve ter como terapeuta, sendo acolhedor, motivador, genuíno, colaborador e incentivador e, dessa forma, facilitando a expressão do paciente sobre suas situações e o engajamento deste nos exercícios reflexivos que será convidado a fazer. Um grau de motivação adequadocontribuirá para que o paciente tenha disposição de encarar o desconforto ao lidar com seus problemas em terapia, tendendo a ser fiel nos seus relatos e a fazer um exame introspectivo de seus sintomas cognitivos e emocionais com curiosidade e vontade de mudar. Assim, ele estará mais apto a perceber novas ideias e terá expectativas mais realistas com relação às possibilidades do tratamento diante dos esforços de tempo e financeiro despendidos. Como estamos tratando de um processo terapêutico de curta duração, essas condições iniciais dão a base do início do tratamento e, quando ocorrem a contento, nos permitem observar uma melhora no ânimo e capacidade de enfrentamento do paciente. Junto ao nível de motivação do paciente, o nível de consciência que a pessoa tem sobre seu problema também é um fator importante. Entenda os estágios da mudança de comportamento: Pré-contemplação É um estágio no qual o paciente não observa intenção de mudança e não reconhece as causas de seu problema. Contemplação É o estágio no qual o paciente mostra ter consciência de seu problema, tem intenção de enfrentá-lo, mas não tem ferramentas que permitam uma atitude na direção da mudança. Pacientes geralmente procuram terapia por viverem problemas inter- relacionais, seja em suas relações familiares, profissionais ou sociais. Por meio da ajuda terapêutica, eles têm a oportunidade de rever seus comportamentos e expectativas em relação a si e aos outros, alinhando tais expectativas e percepções a uma realidade objetiva mais funcional. Pesquisas mostram que a maioria dos pacientes que buscam tratamento breve se encontram no estágio de contemplação, e a capacidade adaptativa apresentada no início do tratamento pode ser preditora de um bom aproveitamento do processo terapêutico. Preparação É o estágio no qual algumas iniciativas já podem ser observadas, mas sem efetividade. Ação É o estágio quando o paciente decide pela mudança de comportamento. É quando medidas e atitudes de enfrentamento já são observadas e repetidas. Manutenção É o estágio no qual a mudança de comportamento ganha consistência, com avanços de habilidades e ganhos terapêuticos. Recaída Ao sofrer uma recaída, o paciente pode identificar elementos de risco que devem ser evitados ou controlados e desenvolver novas estratégias para evitar outras recaída. Término É o estágio no qual o paciente já adquiriu a capacidade de enfrentar o problema, encontrando- se fortalecido para evitar recaídas. Atenção! No processo terapêutico, o avanço dos estágios de consciência pode não se dar de forma linear, podendo haver recaídas a padrões anteriores. Da mesma forma, um progresso e melhora repentina do quadro devem ser encarados por você com desconfiança, devendo manter um olhar para verificar se o paciente realmente adquiriu habilidades de enfrentamento da situação. Em um processo terapêutico breve, além das condições adaptativas, motivacionais e de estágio e consciência, a relação que se estabelece entre o terapeuta e o paciente é fundamental para que tenhamos condições de bons prognósticos. Um processo terapêutico é um encontro de duas pessoas, extrapolando as condições teóricas e técnicas da abordagem utilizada pelo terapeuta. Processo terapêutico: encontro de duas pessoas Neste vídeo, conversaremos sobre a observação de detalhes importantes para o início do tratamento, com destaque para a forma na qual cada encontro poderá suscitar situações relacionais entre terapeuta e paciente. Critérios de indicação Para que você identifique se uma pessoa tem indicação para o atendimento em psicoterapia breve, deverá olhar as características específicas de cada caso. Apresentaremos a seguir situações e características de pacientes que lhe auxiliarão nessa identificação, entretanto, adiantamos que, ao longo do tempo de evolução da psicoterapia breve, a característica principal e necessária para a indicação é a motivação para insight por parte do paciente. O primeiro passo para essa avaliação é a realização de um diagnóstico nosológico ou um diagnóstico psicodinâmico extenso e avaliação da estrutura de personalidade do paciente, que nos indicarão a adequação para psicoterapia breve. Dessa forma, você poderá colher o máximo de informações sobre a doença de seu paciente para a projeção de um prognóstico e possível tempo necessário de terapia. Atenção! Embora não seja recomendado trabalhar com prazos estabelecidos, é possível avaliar, por meio de uma coleta de informações adequada, se o paciente é indicado para a psicoterapia breve ou outra abordagem mais adequada ao seu caso. É importante ressaltar que não se deve fazer a indicação para a psicoterapia breve sem antes realizar um diagnóstico e avaliar a personalidade do indivíduo. É importante você saber que a psicoterapia breve é uma técnica, e não deve ser utilizada indiscriminadamente para qualquer caso dentro da ideia de que é melhor algum tipo de tratamento do que nenhum. Assim como os pacientes devem ser avaliados em suas características de personalidade e de psicopatologia, o terapeuta deve avaliar se detém conhecimento necessário e condições técnicas para realizar o atendimento. Caso perceba que o paciente pode se beneficiar da psicoterapia breve, mas não possui como profissional as condições necessárias, o terapeuta deve encaminhar o paciente a outro profissional. Lemgruber (1997, p. 51) nos apresenta características que devem ser observadas para que reconheçamos o paciente como em condições de se submeter ao tratamento em psicoterapia breve, sendo o principal deles o ego minimamente estruturado a ponto de poder enfrentar situações aflitivas. Além dessa característica básica, o paciente deve apresentar um problema circunscrito, habilidade em reagir às interpretações na entrevista inicial e, como já pontuamos antes, um grau de motivação evidente para promover mudanças. Também é desejável que possua uma capacidade intelectual acima da média e boa versatilidade e sofisticação psicológica e tenha tido pelo menos um relacionamento emocionalmente significativo em sua infância. Vale ressaltar que recuperar e explorar memórias da infância serão apenas possíveis resultados do processo da terapia e não necessariamente um ponto focal de exploração. Lembrar de algo do passado pode incrementar a capacidade do paciente em compreender problemas que enfrenta no presente e isso deve ser conduzido de forma hábil por parte do terapeuta para que utilizemos desse movimento em auxílio aos exercícios de reflexão do paciente sobre seu problema. Junto ao ego em condições de refletir e lidar com seus problemas, é importante que você também observe no paciente um grau de consciência sobre o que está passando. Essa característica permite que o paciente fale de seus problemas, de si próprio e de sua vida de forma honesta, podendo reconhecer que seus sintomas têm origem psicológica. Esse contexto será favorável a que o paciente se coloque de forma curiosa a respeito de si próprio, com capacidade de introspecção, permitindo abertura a novas perspectivas e gerando expectativas mais realistas com relação aos resultados possíveis e desejáveis. Já em uma primeira consulta, você poderá fazer uma avaliação se o problema que levou o sujeito a procurar terapia é algo circunscrito e bem delimitado, ou seja, uma situação de vida específica e bem definida e que representa a dificuldade presente no momento atual da vida desse sujeito. Quando entrevistado, o paciente que tenha uma boa consciência de seu problema o trará com uma simplicidade visível, nos permitindo, dessa forma, a descoberta de um foco a tratar. Essa simplicidade é representada por algumas características, como queixas diretas e simples com relação a uma situação, problema bem- definido e relatado e sintomas também claramente relacionados à situação. Fica evidente a importância que você deve dar ao levantamento das informações desde o primeiro momentodo tratamento. Indicadores para a psicoterapia breve Neste vídeo, refletiremos sobre a importância do diagnóstico nosológico, bem como os recursos de adaptação do paciente, o estágio de consciência frente ao problema e a qualidade do vínculo com o terapeuta observado no início do tratamento, que também são indicadores para a psicoterapia breve. Critérios de contraindicação Devemos saber identificar se o paciente tem indicação e adequação para um atendimento em psicoterapia breve, sendo importante que, desde o primeiro contato, tenhamos o cuidado não somente com a correta indicação de tratamento, mas também para evitar que o paciente possa se prejudicar com o tratamento insuficiente e inadequado frente às suas características. Para tal avaliação, você poderá contar com o auxílio do que as pesquisas já nos informaram e, principalmente, com o bom senso clínico. Malan (1981, p. 75) traz categorias de pacientes que entende como contraindicados para a psicoterapia breve, que são: Tentativas sérias de suicídio Dependência química Hospitalização prolongada Mais de uma série de eletroconvulsoterapia (ECT) Alcoolismo crônico Sintomas obsessivos-compulsivos incapacitantes Sintomas fóbicos incapacitantes Atuações gravemente hetero ou autodestrutivas Também fique atento a algumas condições observadas na avaliação inicial que podem contraindicar o atendimento em psicoterapia breve, como a evitação e incapacidade de estabelecer contato com o terapeuta, crenças extremamente rígidas e problemas complexos indicativos de trabalho de longo prazo, falta de motivação mínima para o tratamento e, completando essa relação, um estado de perturbação depressiva ou psicótico. Tenha sempre em mente que, para além dos critérios que indicam adequação do caso para a psicoterapia breve, é preponderante para obtenção de resultados que o nível de motivação do paciente seja elevado e que a capacidade de focalização por parte do terapeuta esteja em bom nível. Ocorrendo essas duas condições, até mesmo casos nos quais observamos um grau de neuroticismo bem elevado e pacientes com transtornos psiquiátricos crônicos, não estando em fase aguda, poderiam se beneficiar de uma psicoterapia breve. Atenção! É necessária uma avaliação sobre como se encontra a estruturação do ego do paciente, que não estando em um bom nível, contraindicará a psicoterapia breve. Lembrando que as funções egóicas se dividem em percepção, memória, pensamento, consciência, juízo crítico, raciocínio, linguagem e comunicação, sendo funções importantes e que precisam estar em condições de permitir a realização de insights. Paralelamente à avaliação dos critérios de indicação e contraindicação, brevemente citados neste estudo, você deverá se utilizar do bom senso clínico. Um paciente com uma patologia complexa, que a princípio torne o caso não indicado, pode reunir capacidades cognitivas ou nível de motivação que o habilitem à psicoterapia breve, visando a resultados que podem vir a beneficiá-lo. Por outro lado, outro paciente com a mesma patologia pode não reunir as mesmas condições, não sugerindo tais benefícios. Reforçamos e acrescentamos aqui casos de não indicação para psicoterapia breve, relacionando os transtornos maníacos e hipomaníacos, psicoses, sérias tendências sociopáticas e condições envolvendo risco de vida como, por exemplo, uma doença autoimune em estágio avançado (LEMGRUBER, 1997, p. 50). Casos de não indicação para psicoterapia breve Neste vídeo, refletiremos sobre as categorias de pacientes e casos contraindicados para psicoterapia breve. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Podemos admitir que a busca por ajuda terapêutica representa uma atitude frente ao seu sofrimento, podendo revelar um certo grau de motivação para o tratamento. Qual é a importância da motivação do paciente para a psicoterapia breve? A Para o atendimento em psicoterapia breve, o grau de motivação não interfere para o início do tratamento. B A motivação é condição fundamental para a indicação e possibilidade de auxílio ao paciente em psicoterapia breve. C A motivação só será condição necessária em casos de transtornos de personalidade. D Um atendimento em psicoterapia breve pode ser iniciado sem a motivação por parte do paciente e, caso a motivação ocorra ao longo do tratamento, será um fator de auxílio. Parabéns! A alternativa B está correta. Para indicação a atendimento em psicoterapia breve, é uma condição fundamental que o paciente tenha um certo grau de motivação para o tratamento, de forma a se empenhar minimamente no processo. O fato de procurar atendimento, independentemente do seu grau de consciência sobre o problema, já é indicativo de existência de motivação, algo que deve ser explorado pelo terapeuta. Questão 2 Já no primeiro contato, é extremamente importante a identificação de aspectos que contraindicam a psicoterapia breve, contando para tal com uma avaliação da observação clínica e o bom senso do terapeuta. Aponte a seguir o grupo de características que contraindicam a psicoterapia breve segundo Malan (1981): Parabéns! A alternativa C está correta. Segundo Malan (1981), tentativas sérias de suicídio, dependência química, hospitalização prolongada, mais de uma série de eletroconvulsoterapia (ECT), alcoolismo crônico, sintomas obsessivos-compulsivos incapacitantes, sintomas fóbicos E Somente em casos de ideações suicidas a motivação será necessária para o início do tratamento. A Tentativas repetidas de suicídio, ser menor de idade e alcoolismo. B Sintomas obsessivos-compulsivos incapacitantes, transtorno de ansiedade e depressão severa. C Alcoolismo crônico, tentativas sérias de suicídio e hospitalização prolongada. D Mais de uma hospitalização de longo prazo, dependência química e ser menor de idade E Sintomas fóbicos incapacitantes, ter feito eletroconvulsoterapia e histórico de transtorno de ansiedade. incapacitantes e atuações gravemente hetero ou autodestrutivas são características que contraindicam a psicoterapia breve por indicarem tratamento de longo prazo. A opção de cuidar pacientes com essas características em psicoterapia breve pode incorrer no erro de fornecer tratamento inadequado e insuficiente diante de suas características. 2 - Limites éticos Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os limites éticos para a atuação da psicoterapia breve. Ética na prática da psicologia Neste tópico, teremos contato com o conceito de ética e sua aplicação junto à psicologia e, mais especificamente, a atuação em psicoterapia breve. Contextualizaremos a ética na psicologia, tanto na formação profissional quanto na postura profissional e em situações específicas na atuação clínica. Como forma de auxiliarmos o entendimento da ética na prática clínica em psicoterapia breve, promoveremos um diálogo entre o Código de Ética Profissional do Psicólogo e situações específicas características dessa atividade clínica. Todo exercício de profissão pressupõe o domínio de uma competência técnica, uma postura de compromisso com a sociedade e um rigor ético. Com a psicologia não é diferente e, na medida em que a prática da atuação do psicólogo foi sendo reconhecida no Brasil, com sua regulamentação ocorrendo em 1962, os aspectos da profissão foram ficando mais claros, passando a contar com conselhos regionais e federal, que cumprem as funções de regulamentar, orientar e fiscalizar o exercício profissional. Atenção! Ao terminar o seu curso de formação e se tornar um psicólogo, você contará com um código de ética profissional, que o norteará nos seus procedimentos para que se mantenha dentro de uma conduta ética esperada, aplicável em todas as áreas de atuação da psicologia, inclusive a atuação clínica. A profissão de psicólogo se define por um corpo de práticas que busca atender às demandas sociais, suportado por padrões e procedimentos técnicosseguros e confiáveis e pelo acompanhamento de normas éticas garantindo um bom padrão de relação entre os profissionais, principalmente com a sociedade e público diretamente atendido. A função principal do nosso código de ética profissional é garantir um padrão adequado de atuação que valide e fortaleça a relação da categoria junto à sociedade. O código de ética não tem como função determinar a conduta técnica da atuação, que fica a cargo dos cursos de formação e das variadas especializações existentes no campo da psicologia. O conhecimento é algo dinâmico, com constantes descobertas que são fruto de novas pesquisas, permitindo o aprimoramento do conhecimento sobre o comportamento humano, suas psicopatologias e o desenvolvimento de técnicas terapêuticas mais eficientes que alteram as práticas da psicologia à medida que avança. Da mesma forma, o código de ética da psicologia permanece em constante renovação e adequação às novas práticas que despontam. Um exemplo é o fato de experimentarmos de forma mais massiva o atendimento on-line por ocasião da pandemia do covid, iniciada em 2020. A necessidade de uma adequação para o atendimento psicológico fez com que essa prática fosse revisada e consolidada como uma forma eficiente de psicoterapia, inclusive para a psicoterapia breve. Padrão adequado de atuação Neste vídeo, refletiremos sobre a função principal do Código de Ética Profissional do Psicólogo, buscando garantir um padrão adequado de atuação. Ética na formação do psicólogo clínico A psicoterapia breve remete diretamente à atuação clínica, seja em atendimentos individuais ou em grupo. Veremos a seguir algumas orientações relativas à formação do psicólogo e na condução de sua trajetória profissional, no que se refere a ética. A formação acadêmica do psicólogo o habilita para a realização de avaliações psicológicas, diagnósticos, aplicação de testes psicológicos, além do reconhecimento de possibilidades de tratamento, das limitações técnicas das abordagens e limitações pessoais frente aos casos clínicos. Diante de tantos desafios e responsabilidades, é altamente recomendável a boa aplicação no curso de graduação e nos cursos de aperfeiçoamentos das diversas áreas de atuação da psicologia que eventualmente você venha a optar. Nessa direção, encontramos a orientação do Código de Ética Profissional do Psicólogo em seus Princípios Fundamentais, item IV: O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia, como campo científico de conhecimento e de prática.” (Código de Ética Profissional do Psicólogo, 2005, p. 7) É, portanto, um cuidado ético profissional manter uma constante e permanente prática de estudos para aperfeiçoamento técnico profissional, sempre em escolas e centros de pesquisa confiáveis e reconhecidos pelos conselhos e órgãos reguladores de ensino próprias à psicologia. Ao lado desse contínuo aperfeiçoamento profissional, você deve cuidar de sua condição psicológica, pois atuamos junto aos nossos pacientes utilizando como ferramenta fundamental a nossa estrutura egóica. Devemos ficar atentos aos momentos e situações nas quais precisamos de um cuidado psicológico, buscando uma terapia quando perceber necessário. Estamos falando aqui de uma dinâmica natural e esperada no encontro de duas pessoas, no caso paciente e terapeuta, em que o fenômeno da contratransferência, que são as sensações e emoções que o terapeuta vive ao longo de uma sessão diante das manifestações de seu paciente, pode influenciar na boa condução do tratamento se não for bem observada (ROMARO, 2014). É recomendado que você, caso observe ser necessário, busque por supervisão junto a profissionais mais experientes. Isso garantirá uma ampliação da visão sobre os casos clínicos, contribuindo para uma atuação mais eficiente. Ao seguir essas recomendações, cuidando de sua permanente atualização e crescimento profissional, assim como de sua condição psicológica, você trabalha para estar em uma condição mais favorável para atender às demandas de seus pacientes, identificando limitações técnicas e pessoais e sabendo quando é indicado encaminhar o paciente a um colega mais habilitado. Essa atitude é um sinal de respeito e não de limitação profissional. Isso porque não é exigido do psicólogo que ele tenha condição de lidar com qualquer caso clínico que se apresente, mas sim atuar dentro de seus limites. Permanente atualização e crescimento profissional Neste vídeo, refletiremos sobre a formação ética do psicólogo clínico como parte das condições mais favoráveis para atender às demandas de seus pacientes. Ética na prática da psicoterapia breve Neste núcleo conceitual, propomos um diálogo entre o Código de Ética Profissional do Psicólogo e a psicoterapia breve, identificando e comentando os principais pontos convergentes com a prática. Entenda os principais pontos a seguir. No seu item “b”, sobre as responsabilidades do psicólogo, o código de ética diz: “Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente”. Esta recomendação indica a necessidade do psicólogo saber principalmente dos limites, indicações e contraindicações da atuação em psicoterapia breve. Nesse mesmo artigo, no item “d”, observamos orientação para a prestação de serviços sem visar ao benefício pessoal em caso de calamidade pública ou de emergência, e aqui encontramos uma condição de atuação para a psicoterapia breve por ser bem indicada para atuação em emergências e desastres. “O psicólogo, para ingressar, associar-se ou permanecer em uma organização, considerará a missão, a filosofia, as políticas, as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios deste Código.” Aqui, encontramos uma orientação que se encaixa na atuação da psicoterapia breve em instituições de saúde, e a necessidade de haver a habilidade em se relacionar com as normas existentes, mantendo a observação das condutas dentro de preceitos éticos. O artigo 7º comenta sobre a possibilidade de atuação do psicólogo intervindo na prestação de serviços psicológicos efetuados por outro profissional e em seu item “b” especifica: “Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço, quando dará imediata ciência profissional”. Novamente aqui nos remetemos ao atendimento em instituições de saúde, nas quais o suporte é circunstancial, podendo ocorrer com paciente que já pode contar com suporte psicológico. artigo 1º artigo 3º artigo 7º artigo 8º O artigo alerta sobre atendimento a menores de idade: “Para realizar atendimento não eventual de crianças, adolescentes ou interdito, o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis, observadas as determinações da legislação vigente.” Esta é uma recomendação que abrange a todos os tipos de abordagens na atuação clínica, devendo o psicólogo que atua em psicoterapia breve ficar atento a esta recomendação, pelo fato de seus atendimentos poderem ocorrer em circunstâncias não previamente desejadas e previstas pela família do menor de idade, como, por exemplo, em emergências e de internações em instituições de saúde. Lembre-se de que ao atender pacientes nas situações descritas neste parágrafo, as informações que deverão ser passadas aos responsáveis devem ser o estritamente essencial para a promoção de cuidados ao seu paciente. O artigo fala sobre o sigilo: “É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.” Essa também é uma orientação determinante na atuação clínica de forma geral, em que você pode se ver diante de dilemas sobre resguardar o sigilo estando diante de informações que revelem riscos de vida ou indícios de crimes. Em casos dessa complexidade,o próprio código de ética fornece orientações complementares que auxiliarão com relação aos procedimentos adequados de como fazer a comunicação a familiares e contextos jurídicos, em nível de detalhes. Trabalhando com psicoterapia breve, ou qualquer outro tipo de abordagem clínica, recomendamos sempre que você mantenha um círculo de relações profissionais em psicologia para estudos de casos ou supervisão, nos quais poderá encontrar suporte caso se depare com situações de decisão difícil. A ética sempre será uma questão a ser refletida e decidida por você, evidenciando a liberdade de pensarmos diante das normas e costumes que regem a cultura na qual estamos inseridos. Ética: questão a ser refletida e decidida Neste vídeo, refletiremos sobre a ética como questão a ser examinada e decidida pelo psicólogo, a partir dos valores humanos e pensamento crítico em cada situação da vida profissional do psicólogo. artigo 9º Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Toda profissão conta com normas éticas que regem a atuação de seus profissionais. A psicologia conta com conselhos (federal e estaduais) para tal observação. Nesse sentido, marque a alternativa que apresenta as atribuições específicas dos conselhos na área da psicologia. Parabéns! A alternativa B está correta. Os conselhos federal e estaduais de psicologia têm a função de regulamentar, orientar e fiscalizar as práticas dos profissionais que atuam no campo da psicologia, garantindo a observação à competência técnica, compromisso com a sociedade e com o rigor ético do profissional. Questão 2 No que se refere à atuação em uma organização como uma instituição de saúde, por exemplo, o que orienta o Código de Ética do Profissional Psicólogo? A Colher opiniões do mercado, vigiar e punir. B Regulamentar, orientar e fiscalizar o exercício profissional. C Regulamentar e divulgar. D Observar melhores práticas e divulgar. E Orientar e desenvolver novas abordagens. Parabéns! A alternativa E está correta. O artigo 3º do Código de Ética Profissional do Psicólogo orienta para que se considerem as normas, procedimentos e culturas das organizações mantendo a observação às posturas éticas e, dessa forma, contribuir para uma atuação mais integrada com instituição e equipes de trabalho. Atuar de forma independente não contribui para a qualidade da atuação do psicólogo em instituições, assim como a não observação de orientações éticas do campo da psicologia também coloca em risco a sua atuação junto à instituição, sociedade e paciente. A Não assumir posicionamento nem tomar decisões para não influenciar na condução do caso clínico. B Envolver-se o menos possível com os trabalhos coletivos e de equipe, preservando a atuação clínica individual. C Atuar estritamente dentro das normas vigentes da instituição, deixando de lado orientações do código de ética para uma melhor harmonização com a equipe. D Conduzir-se exclusivamente pelo que orienta a técnica de sua abordagem clínica, independentemente das normas da instituição. E Ter habilidade em se relacionar com as normas existentes, mantendo a observação às posturas éticas da prática em psicologia. 3 - Iatrogenia Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as condições que contribuem para a ocorrência da iatrogenia e a sua prevenção. O que é iatrogenia no campo da saúde mental? Iatrogenia faz referência a um estado de doença ou um efeito adverso e indesejado fruto de condutas médicas ao longo de um tratamento. Tem sua origem no grego iatros, que significa médico, remédio ou medicina, geno que significa aquele que gera ou produz, e ia significando uma qualidade. Dessa forma, o termo iatrogenia poderia significar qualquer atitude do médico, entretanto, o significado mais aceito é um resultado negativo da atuação do médico. Podemos afirmar que todo tratamento tem potencial para proporcionar um benefício como um potencial iatrogênico, que não vai depender somente de capacidades profissionais do terapeuta, mas também da forma como se dará a relação terapeuta e paciente, no caso da atuação em saúde mental. Segundo Tavares (2007), podemos compreender a amplitude do termo iatrogenia, incluindo a atuação da psicologia como: Iatrogenia (ou iatrogenose, iatrogênese) abrange, portanto, os danos materiais (uso de medicamentos, cirurgias desnecessárias, mutilações etc.) e psicológicos (psicoiatrogenia – o comportamento, as atitudes, a palavra) causados ao paciente, não só pelo médico como também por sua equipe (enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais). (TAVARES, 2007, p. 181) Em auxílio à compreensão sobre o conceito de iatrogenia, seus efeitos e a reflexão sobre quais são as condições que favorecem e previnem tal fenômeno, é importante relembrarmos quais são os objetivos de um tratamento psicoterapêutico, mais especificamente, em psicoterapia breve. Um paciente busca um apoio psicológico quando se encontra em sofrimento psíquico, tendo esgotado seus recursos psicológicos diante de seus problemas. O tratamento psicológico visará então a auxiliar este paciente na compreensão mais clara do problema, um melhor conhecimento de suas características pessoais e, por fim, no desenvolvimento de habilidades e estratégias psicológicas e comportamentais para lidar com os problemas que enfrenta. Em psicoterapia breve, esse percurso se dá com características específicas, como um tempo limitado de tratamento, busca de um foco terapêutico e atuação objetiva. Em uma visão global, ficamos diante de um cenário que envolve uma pessoa com suas características, situações problema, objetivos a serem alcançados e técnicas terapêuticas a serem utilizadas, sendo, então, um processo complexo que merece um olhar atento para a prevenção de consequências indesejáveis, como o aumento do sofrimento do paciente ao final do tratamento. Uma vez que você já viu o significado do termo iatrogenia, vamos compreendê-lo melhor no âmbito da atuação em saúde mental, mais especificamente, na psicoterapia. A iatrogenia na psicoterapia é um tema pouco abordado no que se refere à atuação clínica, o que faz este estudo bem relevante para que você amplie seu olhar de cuidado junto a seu paciente. Encontramos poucos estudos sobre os efeitos iatrogênicos na área da saúde mental, sendo levantadas algumas possíveis explicações, como uma certa ignorância por parte dos profissionais de saúde mental de que sua atuação pode causar algum mal pelo fato do tratamento ser apenas um encontro em que o paciente fala e é ouvido, sendo, portanto, considerado não invasivo, não configurando risco de danos. Outro problema é a resistência por parte dos profissionais de serem pesquisados e não perceberem, ou subestimarem possíveis danos, tendo uma maior tendência a acreditarem que estão sendo bem- sucedidos no tratamento que estão oferecendo. Outra dificuldade é de ordem metodológica para o estudo do tema, com falta de clareza terminológica e de métodos adequados (JUNIOR, 2016, p. 80). Atenção! Estudos apontam que os tratamentos em saúde mental provocam uma piora em até 10% dos casos, índice que pode ser considerado preocupante. Como já comentamos, houve pouco avanço nos estudos sobre o efeito iatrogênico pois, de uma forma geral, as pesquisas dão mais ênfase aos benefícios terapêuticos. Ao longo dos anos de pesquisa na evolução das psicoterapias, foi possível observar avanços com relação à eficácia ou à diferença de eficácia entre diferentes abordagens. Entretanto, este avanço não ocorreu no mesmo nível do conhecimento dos possíveis efeitos adversos causados pelo tratamento, sendo também um reflexo de dificuldades metodológicas já mencionadas. Diante desse cenário e da importância de evitarmos causar mais danos ao paciente que já enfrenta um conflito psicológico, fica claro o quanto é importante avançarmos em pesquisas que futuramente nos permitirãoa elaboração de procedimentos mais aprimorados para que o potencial iatrogênico seja reduzido. Redução do potencial iatrogênico Neste vídeo, refletiremos sobre a iatrogenia em saúde mental e a adoção de procedimentos para que o potencial iatrogênico seja reduzido. Causas da iatrogenia na psicoterapia breve Analisaremos a seguir as posturas e procedimentos que nos indicam serem potenciais causadores de efeitos iatrogênicos no paciente, quando submetido à psicoterapia breve. Atenção! O paciente fragilizado pelo problema que enfrenta pode idealizar na figura do terapeuta uma série de expectativas e fantasias já ao longo do primeiro encontro. Esses fatores podem contribuir para que iatrogenias ocorram em decorrência de fenômenos inerentes à relação terapeuta- paciente, como a transferência, contratransferência e mecanismos de defesa (negação, projeção, racionalização, repressão...). Estes comportamentos e reações podem ocorrer desde o primeiro momento da sessão, na qual você deve estar bem atento aos comportamentos do paciente, vigilante com relação aos seus pensamentos e as emoções diante dele. A falta de atenção a esses detalhes atrapalha na formação de um vínculo terapêutico consistente, contribuindo para que situações iatrogênicas possam ocorrer futuramente. Outra consequência de um processo de contratransferência não observada é dificultar a observação de detalhes importantes sobre o caso, expressos no discurso e comportamento do paciente. A ocorrência de iatrogenia é mais comum do que se pode supor, e assinalamos aqui alguns erros apontados por Ortiz (2013, p. 279) que merecem nossa atenção. Maior interesse em apontar distúrbios, do que áreas preservadas da vida do sujeito Demora além do necessário em eventos traumáticos Dar previsões negativas que não servem a um propósito positivo Dar um diagnóstico sem explicar as implicações práticas Você deve lembrar que o atendimento em psicoterapia breve tem um término previsto e que o paciente prosseguirá com suas questões com as habilidades e resoluções que conseguir angariar com a sua ajuda e, caso não ocorram a contento, podem fazer com que ele tenha dificuldades agravadas em temas mais exigentes. Outros aspectos que podem contribuir para a ocorrência de situações iatrogênicas são: a falha na estrutura dos atendimentos, como a impossibilidade de uma sequência dos atendimentos em que o paciente não é atendido com a periodicidade necessária diante da gravidade de seu problema; a inadequação do ambiente terapêutico, fazendo com que o paciente não se sinta à vontade para falar de seus problemas; e a falta de dedicação ou competência do terapeuta. Nesses casos, sentimentos, como o de desamparo, podem fazer com que o paciente desacredite do tratamento e em sua própria capacidade de melhora. Muito dos erros que são cometidos pelos psicoterapeutas dizem respeito às suas próprias personalidades, apontando para a necessidade de um olhar de cuidado para si. Em decorrência dessas dificuldades não observadas, pode-se gerar expectativas irrealistas com relação ao tratamento que realiza, junto a um excesso de autoconfiança e à falta de experiência profissional. Nesse sentido, é importante que você busque cuidar desses aspectos de sua personalidade, tanto pessoalmente em um processo terapêutico de autoconhecimento, identificação e resolução de seus conflitos, além de manter um contínuo aperfeiçoamento profissional e suporte para seus casos em grupo de estudos ou a supervisão de seus casos, até que adquira experiência mais aprofundada. Ocorrência de situações iatrogênicas Neste vídeo, refletiremos sobre a iatrogenia na psicoterapia breve, suas possíveis causas e aspectos que podem contribuir para a ocorrência de situações iatrogênicas. Ficar calado e não intervir nos momentos críticos do paciente Expressar interpretações antecipadamente e hipóteses incertas Como prevenir a iatrogenia em psicoterapia breve? Antes de iniciarmos com dicas e orientações sobre como prevenir um processo iatrogênico, é importante relembrarmos características principais da psicoterapia breve, como a realização de uma boa avaliação psicológica inicial, um bom planejamento terapêutico que identifique focos a serem trabalhados, forma objetiva de atuação e tempo previsto para o término. Diante dessas características, é importante atentarmos para cuidados que você deve tomar no início e ao longo de todo o tratamento, buscando evitar que danos psicológicos sejam causados ao paciente. Apontaremos a seguir algumas orientações no sentido de contribuir para uma melhor condição de tratamento e prevenção a situações iatrogênicas. Certifique-se de que o caso é adequado para o atendimento em psicoterapia breve, evitando o tratamento aquém do que seria necessário, principalmente os que sinalizam um longo prazo de tratamento. Atenção! É necessário que você observe sua postura frente ao seu paciente, que deve ser humilde, genuína, sensível, não julgadora, interessada, parceira e proativa, no sentido de contribuir para a formação de um bom vínculo terapêutico, compreensão do processo por parte do paciente, aumentando as chances de engajamento por parte deste no tratamento. Devemos lembrar sempre que um processo psicoterapêutico é uma relação entre duas pessoas, na qual o cuidador deve estar em condições de cuidar de outras pessoas. Vale dizer que você deve saber identificar se está em condições psicológicas de atuar, buscando auxílio sempre que necessário. Os processos de contratransferência, quando não observados, contribuem para que a relação terapeuta-paciente não ocorra da melhor forma em benefício do paciente. Como a psicoterapia breve é dinâmica e tem uma previsão de término, você deve se empenhar em esclarecer ao seu paciente todo o processo, levantando os problemas e identificando os objetivos terapêuticos. É muito importante que você forneça e peça feedbacks constantemente, de forma a alinhar as expectativas e ajustar o planejamento terapêutico. Use linguagem clara e acessível, evitando terminologias técnicas que podem gerar confusão e possível frustração em seu paciente. Ortiz (2013, p. 281) nos fornece uma série de dicas importantes em um processo psicoterapêutico que ajudam a prevenir a iatrogenia, da qual separamos as que mais nos auxiliam em um atendimento em psicoterapia breve: Formulações pouco claras, confusas ou não compreensíveis podem resultar em confusão e aumentar o nível de ansiedade e autodesqualificação por parte do paciente. Minimizar os sintomas de seu paciente pensando que está ajudando a manejá-los pode ter um efeito contrário, causando uma percepção de não estar sendo compreendido ou diminuindo mais ainda sua percepção de autoeficácia por não estar conseguindo lidar com algo tido como simples. Maximizar a percepção dos sintomas visando obter maior aderência ao tratamento pode gerar desesperança no paciente. Falta de respeito ao tempo de reação e ritmo do paciente mina a motivação dele. Diagnóstico errado ou uma comunicação inadequada podem aumentar a reflexão sobre o problema além do razoável, elevando o nível de ansiedade. Iniciar a abordagem de problemas centrais sem que o vínculo terapêutico esteja estabelecido não contribui para a disposição a flexibilização. Como uma boa dica, busque empreender em uma postura empática, aprimorando sua capacidade de escuta para que o paciente se perceba compreendido e sinta-se mais à vontade para falar de seus conflitos. A empatia é uma virtude que cada um de nós traz em algum nível, mas que pode e deve ser aprimorada a cada dia. Um bom exercício de aprimoramento da empatia é a auto-observação quando diante de um paciente, se você está inteiramente interessado em saber tudo o que ocorre com ele e compreender como ele percebe o que relata. Pode parecer uma postura óbvia, mas não é incomum que atravessemos nossa percepção com perspectivas nossas. Uma melhor compreensão do pacienteprevine iatrogenia. Orientações de como prevenir um processo iatrogênico Neste vídeo, abordaremos estratégias de prevenção à iatrogenia. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Toda atuação médica ou psicológica tem potencial, tanto de trazer benefícios como de causar danos ao paciente, sendo este último efeito denominado iatrogenia. Em se tratando de um processo psicoterapêutico, os fatores envolvidos em um processo que seja benéfico ao paciente ou iatrogênico são Parabéns! A alternativa B está correta. Os fatores envolvidos em um processo que resultará em um benefício ou prejuízos ao paciente são a capacidade profissional e a relação terapeuta-paciente. Questão 2 Um primeiro passo no sentido de evitar a iatrogenia em psicoterapia breve é reconhecer se o caso é ou não adequado a essa forma de tratamento. Além dessa observação, a postura do terapeuta também é um fator determinante para prevenir a iatrogenia. Marque a alternativa que apresenta as posturas adequadas do terapeuta nesse sentido. A setting terapêutico e incapacidade de insight. B capacidade profissional e qualidade da relação terapeuta-paciente. C descaso terapêutico e a patologia envolvida. D experiência profissional e tempo de tratamento. E motivação e setting terapêutico. Parabéns! A alternativa C está correta. Para contribuir para o estabelecimento de uma confiança no tratamento e engajamento por parte do paciente no tratamento, o terapeuta deve manter uma postura genuína, sensível, além de não julgadora, interessada, parceira e proativa. Dessa forma, contribuímos para uma melhor probabilidade de sucesso no tratamento, além de prevenir a iatrogenia. Considerações finais Neste estudo, tivemos a oportunidade de observar as condições adequadas para o início em um atendimento em psicoterapia breve, como a observação do grau de motivação e consciência do problema por parte do paciente, uma boa avaliação psicológica, um bom planejamento terapêutico e atenção especial à formação de um vínculo terapêutico sólido. Dessa forma, preparamos a base para um bom tratamento. Também tivemos a oportunidade de reconhecer as condições e características específicas dos pacientes que indicam ou contraindicam a psicoterapia breve. Outro ponto importante que abordamos se refere à iatrogenia e ao cuidado em não permitir que ocorram danos e prejuízos de ordem psicológica em decorrência do atendimento que oferecemos, com uma série de recomendações sobre procedimentos técnicos. A Imparcial e silencioso. B Inflexível e imparcial. C Genuíno e sensível. D Direto e inflexível. E Proativo e aconselhador. Podcast Neste podcast, refletiremos sobre as principais questões éticas envolvidas na psicoterapia breve e o papel ativo do psicólogo em diferentes contextos, com destaque para a prática na clínica e em saúde mental. Explore + Para uma orientação mais ampla sobre a ética na prática da psicoterapia, consulte o site do Conselho Federal de Psicologia, mais especificamente a seção Orientação e Ética. Referências CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, agosto de 2005. XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia JUNIOR, C. K. A.; MORETTO, M. L. T. Reflexões acerca do potencial iatrogênico das psicoterapias no campo da Saúde Mental. Rev. SBPH, v. 19 n. 1, Rio de Janeiro – jan./jul. – 2016. LEMGRUBER, V. Psicoterapia Breve Integrada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. MALAN, D. H. As Fronteiras da Psicoterapia Breve: um exemplo de convergência entre pesquisa e prática médica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981. ORTIZ, E. M. Manual de Psicoterapia com Enfoque Logoterapéutico. Bogotá: Manual Moderno, 2013. PROCHASKA, J. O.; Di CLEMENTE, C. C. Transtheoretical Therapy: Toward a more integrative model of change. Psychotherapy Theory, Research and Practice, vol. 19, #3, Fall, 1982. ROMARO, R. A. Ética na Psicologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. TAVARES, F. M. Reflexões acerca da iatrogenia e educação médica. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 31, n. 2, 2007, p. 180-185. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF() As psicoterapias breves como abordagem psicoterápica 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Origens da psicoterapia breve Histórico da psicoterapia breve e seus precursores Primeira revolução psiquiátrica Segunda revolução psiquiátrica Terceira revolução psiquiátrica Quarta revolução psiquiátrica As origens da psicoterapia breve Conteúdo interativo Caracterização geral das psicoterapias breves Comentário Resumindo Características das psicoterapias breves Conteúdo interativo Conceitos fundamentais e gerais de psicoterapia breve Comentário Conhecendo a psicoterapia breve Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Modelos atuais e aplicações de psicoterapia breve Os modelos atuais em psicoterapia breve Malan Sifneos Davanloo Klein Fairbairn Winnicott Os modelos estrutural e relacional em psicoterapia breve Conteúdo interativo As tendências em psicoterapia breve Atenção O modelo integrativo em psicoterapia breve Conteúdo interativo Psicoterapia breve com crianças e adolescentes Recomendação Indicações e contraindicações da psicoterapia breve com crianças e adolescentes Conteúdo interativo Psicoterapia breve com casais e famílias Aplicações da psicoterapia breve com casais e famílias Conteúdo interativo Psicoterapia breve em instituições de saúde e jurídicas Instituições de saúde Ambulatório Emergência Enfermaria Instituições jurídicas Escuta ativa Clarificação Interrogação Recapitulação Aplicações e intervenções da psicoterapia breve no contexto hospitalar e jurídico Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Orientações práticas de psicoterapia breve Indicações e contraindicações de psicoterapia breve Reflexão Diretrizes básicas e fases da psicoterapia breve Conexão e compreensão Hierarquia de valores do paciente Definição do problema Fases da psicoterapia breve Fase inicial Fase medial Fase terminal Indicações, diretrizes e fases da psicoterapia breve Conteúdo interativo Intervenções e manejos em psicoterapia breve Ouvir atentamente Interrogar Promover livre expressão verbal Dar feedback Propiciar informações e compartilhar explicações Confirmar ou retificar Refletir sobre os sentimentos Clarificar Sugerir Indicar Validar emoções Encorajar Confrontar ou desafiar Dramatizar Recapitular Encerrar Algumas intervenções na psicoterapia breve Conteúdo interativo Avaliação e questões éticas em psicoterapia breve Relembrando Impasses e questões éticas em psicoterapia breve Aceitação e adiamento Diálogo e metas Suspensão do Tratamento Atenção Avaliação e ética na psicoterapia breve Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências Fundamentos da psicoterapia breve 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Fundamentos teóricos e tipos de psicoterapia breve Psicoterapia breve de base psicanalítica Psicanálise versus psicoterapia breve de base psicanalítica Conteúdo interativo Psicoterapia breve de base cognitiva Caráter breve e focal Conteúdo interativo Bases psicodinâmicas Exemplo Psiquismo em seus processos dinâmicos Conteúdo interativo Funções dos componentes básicos Comentário Sessões terapêuticas e processo de mudança Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Indicações e contraindicações para a psicoterapia breve Psicoterapia breve de Ferenczi, Otto Rank e Alexander Saiba mais Psicoterapia: recurso para aliviar a angústia existencial Conteúdo interativo Psicoterapia cognitivo comportamental de Aaron Beck Inconsciente cognitivo Conteúdo interativo Psicodinâmicano modelo da TCC Dinâmica do processamento cognitivo Conteúdo interativo Recomendações para psicoterapia breve Psicoterapia breve aplicada Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Contextos de atuação Abordagem fenomenológico-existencial da psicoterapia breve Aquilo que pensa ser Aquilo que os outros pensam que ele seja O que ele verdadeiramente é Terapias humanística e fenomenológica-existencial Conteúdo interativo Intervenções breves no contexto fenomenológico-existencial As intervenções breves no contexto existencialista Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências Planejamento terapêutico em psicoterapia breve 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. A avaliação inicial Psicanálise e dados sociodemográficos Função sintomal (sinto-mal) Função diagnóstica Função transferencial Atenção Terapia de base psicanalítica e informações relevantes Conteúdo interativo Demanda Identificação da demanda Conteúdo interativo Finalização da avaliação inicial Por que é importante não determinar de imediato um código CID (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) para o paciente? Dica Entrevista devolutiva Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. O contrato em psicoterapia breve Formato do contrato Contrato: escrito ou verbal? Conteúdo interativo Contrato de prestação de serviços em psicologia Descrição das partes e objeto do contrato Dos deveres do contratante Dos deveres do contratado Da finalização Prestação de serviços de psicoterapia breve Conteúdo interativo Conteúdo privativo Exemplo Siga o protocolo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Planejamento terapêutico e encerramento Compreensão da demanda Para que serve conhecer a demanda? O que se passa com o paciente? Conteúdo interativo Estabelecimento das metas Primeira abordagem Segunda abordagem Terceira abordagem Exemplo Três estratégias de abordagem Conteúdo interativo O plano terapêutico Sessões primárias Sessões intermediárias Sessões finais Três partes de um plano Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasde cada um. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As tendências em psicoterapia breve Avançando agora para a linha integrativa, é notável a tendência dos últimos anos em integrar diferentes técnicas e conceitos de diferentes escolas terapêuticas. Os profissionais têm considerado que a psicoterapia deve ser adaptada ao paciente, não o contrário. E que não existe uma única abordagem capaz de tratar todos os casos. Existem modelos de psicoterapia breve sendo propostos a partir da integração de fatores comuns às diferentes tradições psicoterápicas, que podem explicar o sucesso terapêutico de diferentes trabalhos clínicos. Também por meio de pesquisas apontando características do vínculo terapêutico ou da situação terapêutica que favorecem a alta do paciente. Falar de integração não é uma defesa de um mero ecletismo técnico, que mistura intervenções de forma indiscriminada. O ponto é evoluir para uma flexibilidade interventiva em adaptação às necessidades do indivíduo, estabelecendo uma orientação mais pragmática, voltada aos resultados. Dentro do modelo integrativo, temos a proposta de Mann: uma psicoterapia com um limite de 12 horas, sendo que essa carga horária pode ser flexivelmente ajustada em termos de frequência e duração de seções. O terapeuta constrói uma relação empática não confrontativa, interpretativa e que analisa resistências. Cuida também do momento de alta, podendo refletir nos conflitos de dependência, passividade, perda da autoestima e luto não resolvido. Porém, se o manejo dessa fase for adequado, o paciente poderá internalizar o terapeuta, conquistando mais um amadurecimento. Teoricamente, Mann enfatizou a neurose do adulto em desejar se unir a um objeto, mas, por outro lado, deseja também se tornar uma pessoa independente. Esse conflito é embasado na ligação emaranhada entre a mãe e o bebê historicamente. Entretanto, sua proposta foi criticada porque a sua visão teórica pareceu não dar conta de todo tipo de conflito neurótico. Também podemos citar Prochaska que, na década de 1990, denominou sua proposta de psicoterapia transteórica, ou seja, uma terapêutica que seja mais do que a soma de partes, analisando comparativamente os maiores sistemas de psicoterapia. A proposta integrativa também é alvo de críticas, alegando que o profissional precisaria dominar conhecimentos amplos e complexos e poderia ser complicado retirar conceitos de um contexto epistemológico original – o perigo de ser muito eclético e pouco especializado. Por outro lado, a integração nos livra de dogmatismos teóricos, preocupando-nos mais com a necessidade de cada paciente do que com uma vaidade intelectual de busca da verdade. Podemos considerar também uma proposta de quarta geração de psicoterapia breve que integra psicoterapia e farmacologia, potenciando a brevidade e eficácia dos tratamentos clínicos. Atenção Os psicofármacos podem beneficiar o paciente com o alívio sintomático, melhor estado fisiológico para engajamento na psicoterapia, facilitação da comunicação e de insights, regulação do sono, apetite, libido, melhora do humor. Mas, se mal administrado e compreendido, o medicamento pode ser equivocadamente idealizado pelo paciente como um “salvador”, inibir a performance comportamental ou disfarçar conflitos. Lembrando que nessa proposta o trabalho é desenvolvido com a ajuda de um psiquiatra. O modelo integrativo em psicoterapia breve Neste vídeo, você refletirá sobre o modelo integrativo e suas particularidades na psicoterapia breve. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicoterapia breve com crianças e adolescentes O público infantil é caracterizado por uma maior dependência e, portanto, maior necessidade da participação dos cuidadores ou responsáveis no processo clínico. Knobel enfatiza que mudanças cognitivas que levem à “informação verdadeira” pode aliviar a criança, permitindo que ela altere as relações que estabelece com o mundo. Em casos de crianças institucionalizadas, também pode focalizar o objetivo de superar relações patológicas familiares, percebendo-se mais como um indivíduo e transcendendo suas limitações adaptativas ao contexto. No contexto de psicoterapia breve, é esperado que a criança tenha facilidade em estabelecer uma confiança básica; defesas egoicas adequadas, isto é, que estejam flexíveis seus mecanismos de autoproteção diante de perigos, ameaças ou exigências da realidade, para ela não chegar hiper-resistente ao trabalho clínico; capacidade de estabelecer vínculos rapidamente; e suficiente nível de motivação. A psicoterapia breve infantil pode acontecer em cima da “área de conflito mútuo”, que revela uma indiferenciação entre os pais e a criança, e que se a estrutura a partir de projeções e identificações. Examinando esses conflitos, podemos determinar o grau de independência que a criança vai ter para ocorrerem mudanças. Quanto mais a criança for dependente afetivo-emocionalmente, menos indicada é a psicoterapia breve, pois os pais podem manter relações saudáveis com o filho, amando-o incondicionalmente e permitindo a sua individuação. Ou podem estabelecer historicamente relações patológicas: de projetar no filho a criança que queriam ter sido; ou a imagem da criança difícil que sentiram ser no passado e que não queriam ter sido; ou a criança detestada que sentem ter sido e que foi odiada pelos seus pais, encaminhando sentimento de rejeição ao filho, culpa e agressividade. Quanto mais projeções parentais intensas, menor a individualidade da criança, menos indicada é a psicoterapia breve. Também é importante observar se o sintoma da criança exerce alguma função na dinâmica familiar. Nesse sentido, o efeito terapêutico pode ser encarado como negativo aos olhos dos familiares, pois se os pais não tolerarem as implicações derivadas das mudanças, isso pode mobilizar fortes conflitos relacionais que precisarão de um tempo maior de elaboração. O sintoma da criança também pode ser interpretado como um pedido de ajuda da família. Os cuidadores precisam ser acolhidos e não julgados, para não gerar resistências ou ciúme da relação da criança com o terapeuta, que, por sua vez, os auxiliará nos seguintes quadros infantis: Dificuldade de aprendizagem; Comportamentos birrentos ou agressivos; Situações de ansiedade; Depressão; Tiques; Dificuldades de sono ou alimentares; Dificuldades de socialização ou de tolerância à frustração; Hiperatividade; Queixas psicossomáticas, como asma, doenças respiratórias, dermatites e problemas gastrointestinais. No caso de adolescentes, o terapeuta leva em consideração a extensão de seu sofrimento e o nível de motivação para fazer algo a respeito de sua vida atual. É uma fase de transição com múltiplas demandas – construção de uma identidade, luto do corpo, do papel infantil e dos pais da infância. A psicoterapia breve pode auxiliar o adolescente a lidar com as dificuldades psicossociais dessa fase, tendo suas capacidades reforçadas. • • • • • • • • • Os pais podem ser envolvidos para obter informações e gerar mudanças em um tempo mais curto, aproveitando para regular as expectativas com que eles levam o adolescente à psicoterapia. Inclusive para auxiliá-los a assumirem essa nova fase como “pais de adolescente”. Por exemplo, os pais podem relatar que o filho vem se comportamento de forma rebelde e desejam que a psicoterapia o deixe mais obediente/submisso. Entretanto, o trabalho clínico poderia ser compreender as raízes dessa “rebeldia”, revisando também o sistema familiar global e implementado mudanças em todos os membros, se necessário. Recomendação A psicoterapia breve é indicada para prevenção de problemas previsíveis do desenvolvimento adolescente, para resolução de crises agudas e para transtornos do ajustamento e alguns problemas neuróticos leves. É uma abordagem atraente aos adolescentes porque percebem o potencial de implementação de mudanças com relativa velocidade, oferecendo novas e variadas relações com o mundo. No entanto,é contraindicada em casos de psicoses, deficiência mental significativa, necessidades de institucionalização e ausência de motivação. Indicações e contraindicações da psicoterapia breve com crianças e adolescentes Neste vídeo, você aprenderá sobre as indicações e contraindicações da psicoterapia breve com crianças e adolescentes e seus processos mais frequentes. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicoterapia breve com casais e famílias Os casais podem ser auxiliados na retomada do diálogo e a desvendarem os motivos, necessidades emocionais ou sentimentos que estão por trás dos seus conflitos, desencontros e divergências. Podem também perceber rapidamente como as reclamações são a própria projeção de si no outro. A possibilidade de ter os cônjuges em psicoterapia pode favorecer o tempo de trabalho clínico. A depender do caso, um pode se tornar “coterapeuta” dos processos do outro no intervalo entre as sessões. Aquele que já estiver pronto para mudanças, inicia o processo enquanto o outro se prepara para acompanhar. Neste processo, a coleta de informações é imediatamente favorecida também pela presença de ambos. Nesse contexto, a psicoterapia breve é indicada para casos de ciúmes, infidelidade, comunicação rompida, relacionamentos abusivos, desentendimentos em relação à criação dos filhos, dificuldades sexuais. Então, um casal pode se encaminhar para um processo de restauração da relação ou de dissolução/separação, buscando um processo menos doloroso possível. A família também atravessa etapas. Podemos visualizar, de modo geral, um casal que se forma, depois possivelmente o nascimento do primeiro filho, passando pela infância, adolescência, até o “ninho vazio” ou saída dos filhos de casa, envelhecimento e morte dos pais. Ou seja, em cada fase, há crises e desafios naturais de transformação. Quando essas crises não são bem elaboradas, seus membros podem sintomatizar, instalando um desajuste naquela organização grupal. No âmbito familiar, todo o grupo é o paciente; e o sintoma de um dos membros, considerado o “doente”, revela um conflito comum. O terapeuta avalia o nível de adaptação familiar do grupo e os mecanismos de defesa presentes nessas relações. Os membros precisam se sentir corresponsáveis pela queixa coletiva, considerando também que a família é um microssistema inserido em um contexto comunitário mais amplo. E a psicoterapia pode ser facilitada em termos de tempo em contextos coletivos, pois há ganhos com a transferência grupal – em que a fala de um afeta os outros. Assim, as demandas vão sendo transferidas entre os membros. O profissional acompanha a “dialética” constante, que precisa fluir entre os membros para harmonizarem a convivência. Esse processo é observado quando diante de conflitos os membros tendem a divergir – cada um com suas opiniões, necessidades e vontades. Mas, precisam em algum momento passar a convergir, por meio de concordâncias, respeito à opinião alheia, ou renúncias. Todavia, podem ficar pendências nessa negociação, voltando à divergência. Após se expressarem mais profundamente, considerando também detalhes de suas posições, são reconduzidos a uma convergência mais elaborada e realista. Aplicações da psicoterapia breve com casais e famílias Neste vídeo, você conhecerá as indicações e contraindicações da psicoterapia breve com casais e famílias. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicoterapia breve em instituições de saúde e jurídicas Uma vez que foco é um conceito central da psicoterapia breve, nos hospitais, a focalização do trabalho está voltada ao processo de internação e de adoecimento do paciente; e às repercussões da doença e da hospitalização, minimizando o sofrimento do indivíduo e da família. Nesse contexto, a psicoterapia breve focaliza a necessidade urgente de reequilíbrio psicológico para pessoas que se veem limitadas fisicamente ou tensas diante de cenários de morte. Instituições de saúde A variabilidade no tempo de permanência no hospital (alta hospitalar), que é cada vez menor, não permite amplitude terapêutica, delimitando um foco de trabalho voltado aos processos de adoecimento. Um trabalho focado também tem a chance de se adequar mais à realidade tumultuada de um hospital, em que a todo o tempo outros profissionais e pessoas adentram aos espaços. De modo geral, no ambiente hospitalar, o foco terapêutico é viabilizado pela técnica ativa do terapeuta em intervir e prover feedback, não- regressiva ao não realizar investigações profundas e históricas, com ênfase na elaboração cognitiva e revivencial dos conflitos vigentes. Agora, vamos conhecer diferentes contextos que os pacientes podem estar inseridos, exigindo uma conduta específica do terapeuta: Ambulatório O médico pode encaminhar demandas emocionais do paciente, que pode apresentar preocupações pessoais, familiares ou profissionais, dificuldade de aceitação do diagnóstico com reações de inconformismo, negação, regressão, racionalização ou raiva. O terapeuta auxilia o paciente a conviver com a doença sem sofrimentos adicionais, em vez de lutar contra ela. Emergência Os pacientes podem sofrer com a possibilidade de morte, incapacidade de cuidar de si mesmos ou medo de invalidez. Mesmo que não se estabeleça uma psicoterapia, essas intervenções de emergência podem possibilitar que o paciente externalize suas fantasias ou preocupações distorcidas, recebendo um encaminhamento prontamente adequado. Enfermaria Os pacientes podem se sentir agredidos pela rotina hospitalar, além da perda do autocontrole e autocuidado, horários rígidos, separação de familiares e amigos. Instituições jurídicas Outro contexto institucional é o espaço jurídico. A mediação de conflitos foi criada nos tribunais de justiça para diminuir o número de processos que chegam ao juiz. Então, o profissional – que também conclui uma formação específica para essa atuação – realiza a mediação chamando as duas partes que estão em litígio, com a intenção de conduzir o diálogo e negociação das partes para chegar a um acordo que tem valor judicial. Vamos agora conhecer algumas técnicas que podem auxiliar nesse processo: Escuta ativa É uma técnica que o trabalho da psicoterapia breve pode ser aplicado nesse contexto, pois pretende ser focal na resolução de problemas. Dessa forma, uma técnica útil é a escuta ativa – estar extremamente atento e focado ao que a pessoa está contando, o que inclui o conteúdo da fala, as emoções, mecanismos de defesa, angústias. Em uma situação de conflito, pode ser desafiador implementar esse direcionamento porque as pessoas estão muito envolvidas, com emoções relacionadas ao processo jurídico, com a tensão de perder ou expectativa de ganhar. Em mediação de conflitos, de maneira geral, as partes são entrevistadas separadamente em um primeiro momento e depois são unidas. Clarificação É uma técnica importante, pois a pessoa pode falar euforicamente, misturando tópicos, carregada de emoções de raiva, culpa, tristeza. O profissional precisa compreender o discurso, organizar, “limpar” o excesso de emoções e devolver para ela de forma organizada o que ela realmente pretende comunicar. Quando o profissional devolve o conteúdo agora organizado, há um certo alívio de ser compreendido. Assim, as partes entendem melhor o que estavam tentando dizer. Por exemplo, pais podem estar brigando pela guarda do filho, mas pode ser derivado de um problema não resolvido do casamento. Então, as duas partes, ou uma, ficam esticando para outros pontos da separação que ficaram pendentes. Interrogação É uma intervenção que consiste em fazer perguntas pertinentes para entender melhor o conflito e buscar melhores soluções. Examinado o que e quanto a pessoa pode ceder para chegar a um “meio do caminho”. Interrogar não é apenas fazer perguntas. É investigar segundo objetivos. Recapitulação É outra técnica, usada ao final da entrevista, quando o profissional repassa o que foi dito, os tópicos esclarecidos e analisados, e as soluçõespropostas. É uma técnica de reunião e sistematização do encontro. Assim, as partes poderão ter uma visão mais abrangente do conflito no espaço seguro e imparcial da mediação. Aplicações e intervenções da psicoterapia breve no contexto hospitalar e jurídico Neste vídeo, você refletirá sobre as aplicações e intervenções da psicoterapia breve no contexto hospitalar e jurídico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A psicoterapia breve possibilita múltiplas aplicações, como no caso de crianças. Esse público pode ser beneficiado em quadros de dificuldade de aprendizagem, comportamentos agressivos, depressão, ansiedade, tolerância à frustração, por exemplo. Para viabilizar essa estrutura de atendimento, é esperado que a criança A apresente defesas egoicas adequadas e flexíveis. B chegue com o processo diagnóstico realizado. C tenha pelo menos sete anos. D aceite atendimento três vezes por semana. E tenha passado por algum atendimento psicoterápico. A alternativa A está correta. Espera-se que a criança tenha defesas flexíveis, gerando menos resistência para estabelecer vínculos rapidamente. Não precisa chegar com diagnóstico, porque a psicoterapia breve também realiza avaliações. Não existe faixa etária mínima ou quantidade predefinida de sessões por semana, bem como a criança não precisa ter sido atendida antes. Questão 2 O contexto de mediação de conflitos também pode receber intervenções de psicoterapia breve, uma vez que demanda processos objetivos, rápidos e resolutivos. Entre as técnicas que podem ser aplicadas nesse espaço, podemos citar A reestruturação cognitiva. B escuta ativa e clarificação. C transferência e associação livre. D recalque e pulsão. E exposição com prevenção de resposta. A alternativa B está correta. A escuta ativa permite atenção plena ao conteúdo relatado, independentemente das tensões contextuais do processo jurídico ou do problema em questão. Já a clarificação permite organizar os elementos do discurso das partes a fim de facilitar a compreensão mútua. A reestruturação cognitiva e exposição com prevenção de resposta são intervenções clássicas da terapia cognitivo-comportamental. Transferência, associação livre, recalque e pulsão são conceitos psicodinâmicos da psicanálise freudiana. 3. Orientações práticas de psicoterapia breve Indicações e contraindicações de psicoterapia breve Podemos elencar algumas contraindicações para o uso da psicoterapia breve. Por exemplo, no caso de pacientes com histórico grave de tentativas de suicídio, dependência de drogas, alcoolismo crônico, obsessividade crônica severa, fobia crônica severa, mecanismos agressivos ou autodestrutivos, sérios quadros sociopáticos e psicoses. A psicoterapia breve também pode ser dificultada na prática se houver resistência em estabelecer um bom relacionamento terapêutico, se o paciente tiver baixa motivação ao processo, na presença de questões complexas ou arraigadas e no caso de episódios depressivos ou psicóticos severos. Por outro lado, a psicoterapia breve é fortemente indicada para situações terapêuticas em que a queixa principal é bem circunscrita, quando há motivação evidente para a mudança, capacidade de expressar sentimentos, interação flexível com o terapeuta, capacidade intelectual bem desenvolvida, honestidade ao relatar os dados da própria vida, evidências de ter vivenciado interação afetiva no passado e flexibilidade nas defesas do ego. Também é indicada para quadros agudos, situações de emergência, crises de ansiedade ou fóbicas, perturbações psicossomáticas de início recente. Reflexão Para a população economicamente desfavorecida, muitas vezes, é a única alternativa. Por exemplo, a psicoterapia breve pode ser implementada em programas sociais, pacientes hospitalizados, populações em situação de vulnerabilidade social ou de emergências e desastres. Diretrizes básicas e fases da psicoterapia breve Agora, vamos conhecer com mais detalhes as diretrizes da psicoterapia breve: Conexão e compreensão A primeira diretriz objetiva é a de conexão e compreensão. O terapeuta, inicialmente, não deve ficar preocupado sobre qual ferramenta utilizar ou chegar a um quadro diagnóstico. É preciso focalizar a relação terapêutica. Essa conexão é fundamental para o paciente ampliar o seu nível de abertura e compartilhamento e diminuir resistências. Isso traz uma sensação de bem-estar e confiança entre o profissional e a pessoa que está sendo atendida. A aliança terapêutica é estabelecida por meio de uma escuta atenta que propicie a pessoa a falar livremente sobre as suas questões, sentindo-se ouvida, acolhida e validada diante de suas emoções. É uma armadilha o profissional querer acelerar o processo porque está propondo uma psicoterapia breve e ficar tão fixado em encontrar um foco a ponto de negligenciar a pessoa e as angústias que ficam nas entrelinhas do seu discurso. O profissional se coloca verdadeiramente ali, no momento, não se preocupado como será o trabalho, mas em quem adentrou ao seu consultório. Ele se aproxima do paciente com um olhar contemplativo para aprender o que a pessoa está falando e, sem julgamento, compreender o que ela está vivendo. Validar a experiência dela não é externar se concorda ou não, mas reconhecer sua vivência como legítima, genuína. É primordial compreender a experiência subjetiva do paciente, porque não vemos a realidade tal como ela é. Vemos a realidade tal como somos, sob nossa perspectiva e experiência. Então, entender quem é esse indivíduo e quais são suas características particulares auxilia na compreensão de como ele processa suas vivências e, portanto, que linha de intervenção pode ajudá-lo de forma real. Hierarquia de valores do paciente A segunda diretriz é examinar a hierarquia de valores do paciente, porque ele pode, inicialmente, expor um problema que se tornou uma dificuldade em função de uma evitação ou pseudojustificativa que esconde outros valores até mais importantes. Por exemplo, a pessoa pode relatar ter dificuldade para falar em público. A questão não é que ela não tenha a capacidade para esse desempenho público ou que não saiba o que falar, mas ela tem aversão a falhar em público. Naquele momento, ela está priorizando a sua segurança emocional, para não ser constrangida, humilhada ou criticada por uma audiência. Ao examinar sua hierarquia de valores ou importâncias, ela pode reconsiderar e passar a entender que a mensagem a ser transmitida é muito mais importante do que um desconforto emocional temporário e individual de estar nesse tipo de situação. Definição do problema A terceira diretriz é definir o problema de forma solucionável, de modo que o problema é levado à dimensão dos fatores controláveis. Caso o paciente, por exemplo, se queixe do seu trabalho e do comportamento do seu gerente ou dos seus colegas, ele pode ficar desamparado, pois conclui que não pode decidir ou controlar as ações de terceiros. A questão é sobre quais mudanças ele pode implementar ou provocar no seu trabalho e que, sendo percebido pelos demais colegas, podem influenciar a quem sabe mudar de comportamento também. Muitas vezes, não podemos resolver o problema como um todo, mas podemos mudar a relação que estabelecemos com ele, facilitando a recuperação do vigor, da energia e da motivação para enfrentar esses desafios. Preparamos o paciente para mudança, identificando ações capazes de mudar o cenário das experiências vividas, e ensaiando esses novos processos para que ele possa transferi-los para seus ambientes do cotidiano. Esses novos padrões comportamentais também devem ser testados à luz da sua identidade e de outros contextos que frequenta e participa, como família, trabalho e amizades. Fases da psicoterapia breve A psicoterapia breve trabalha uma problemática específica em cada processo e pode ser dividida da seguinte forma: Fase inicial Na primeira fase, o psicoterapeuta escuta o problema do seu paciente, busca compreender o que está acontecendocom ele e traça uma estratégia de atendimento e intervenção junto ao paciente. O profissional fica atento ao que pode funcionar para o paciente, e cria uma situação dentro da psicoterapia capaz de levá-lo a observar muito mais a solução em detrimento à situação de incômodo. Durante a fase de avaliação, o psicoterapeuta breve pode ser ativo em aplicar intervenções para examinar melhor o conteúdo relatado pelo paciente. O profissional examina a psicodinâmica do paciente, ou seja, como ele funciona psicologicamente e seus mecanismos de defesa, por exemplo. Além disso, observa se há algum transtorno psiquiátrico ou mental, e qual é o conflito nuclear associado ao relato e que pode estar submerso ao discurso da pessoa, definindo então o foco sobre o que está acontecendo e a estratégia terapêutica para o que vai ser trabalhado. Esse é o passo do planejamento terapêutico. Então é realizada uma entrevista devolutiva para esclarecer o paciente sobre a avaliação, a condução do tratamento e a participação dele ao longo do processo. Chegando a estabelecer um contrato terapêutico sobre como vai funcionar estruturalmente o tratamento e a agenda – dia e horário que se encontrarão. Fase medial Na segunda fase, o psicoterapeuta utiliza técnicas de acordo com a sua abordagem teórica para trabalhar aquilo que foi combinado com o paciente. Durante todo o processo, o profissional não abre espaço para outros objetivos. Fase terminal Na última fase, o profissional encerra o trabalho, ou seja, o ciclo combinado, fazendo uma recapitulação do que foi feito e alcançado durante o tratamento. Esse processo se dá consultando o paciente quanto à sua satisfação em relação ao processo e se seus objetivos foram realmente alcançados. Se alguma questão for identificada como algo mais profundo, o profissional pode fazer um encaminhamento para uma psicoterapia de longo prazo. Indicações, diretrizes e fases da psicoterapia breve Neste vídeo, você conhecerá as indicações, diretrizes e fases da psicoterapia breve. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Intervenções e manejos em psicoterapia breve Existem múltiplas intervenções verbais para o processo ser objetivo. Vamos discuti-las a seguir. Ouvir atentamente É a primeira intervenção, ou seja, é a ação por meio da qual o profissional observa e traduz o discurso do paciente, detectando distorções, incongruências, conflitos, paradoxos. Isso ajuda a entender o conteúdo dentro da totalidade de quem é aquela pessoa e do contexto em que ela está inserida. Interrogar É outra intervenção, cujo propósito é solicitar mais esclarecimentos sobre dados necessários ao foco do trabalho. Promover livre expressão verbal É o momento em que se permite que o paciente descarregue emoções reprimidas e reviva os conflitos ou situações traumáticas. Dar feedback Corresponde à intervenção que também revela a postura ativa do terapeuta em compartilhar sua observação ou reação diante dos comportamentos do paciente. Isso favorece experiências emocionais corretivas, insights e novas percepções. Propiciar informações e compartilhar explicações Está relacionada à intervenção da psicoeducação sobre algum assunto de interesse do paciente. Confirmar ou retificar É o processo pelo qual o terapeuta clarifica alguns pontos cegos do discurso e revela o papel das defesas nesse estreitamento, pois quem está em sofrimento tende a distorcer situações. Refletir sobre os sentimentos É uma intervenção que auxilia o cliente a comunicar o que está sentindo ou experimentando. O profissional espelha os sentimentos do cliente expressados diretamente ou não, dizendo, por exemplo, “parece que você está angustiado com a sua viagem”. Clarificar É a atitude terapêutica de desembaraçar o relato emaranhado do paciente, recordando elementos significativos. Por exemplo, dizendo “você havia dito que é importante o reconhecimento da esposa quando você obtém conquistas profissionais”. Sugerir É a prescrição de possibilidades sutilmente ou em aberto, aconselhando atitudes. Por exemplo, dizendo que talvez fosse necessário que ele se organizasse melhor antes de começar a semana. Indicar É uma intervenção mais direta e fechada, prescrevendo diretamente uma atitude. Validar emoções Ocorre quando o terapeuta reconhece como genuínas e legítimas as expressões do paciente, oferecendo uma atitude de conforto e ressegurando que ele permanecerá ali ouvindo sempre que necessário. Encorajar É a atitude de dar apoio a comportamentos positivos e objetivando também aumentar a autoestima do paciente. Confrontar ou desafiar É o procedimento no qual o profissional revela incoerências. Por exemplo, entre o que a pessoa fala e como ela gesticula. Dramatizar É o procedimento de ensaiar ou treinar um comportamento que o paciente pode depois aplicar em algum contexto natural, encenando uma situação com a qual ele tenha dificuldade de lidar. Recapitular É fazer um resumo da sessão, elencando os pontos essenciais que apareceram ao longo do atendimento, ressaltando pontos importantes e mostrando conquistas. Encerrar É o modo como o terapeuta finaliza a sessão ou a psicoterapia, ajudando o paciente a ampliar o aprendizado que obteve no processo e preparando-o para aplicar esses ganhos nas situações do seu cotidiano. Algumas intervenções na psicoterapia breve Com este vídeo, você refletirá sobre as possibilidades de intervenção e manejo na psicoterapia breve, apresentando algumas ilustrações. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Avaliação e questões éticas em psicoterapia breve A avaliação prévia do paciente precisa ser a mais profunda possível, no caso de processos de psicoterapia breve, utilizando dados das entrevistas, testes e exames de outros profissionais (gerais, neurológicos etc.). Deve-se atentar para que a entrevista não se torne um interrogatório. É relevante trabalhar com o diagnóstico nosográfico que aponta a enfermidade atual do paciente, como também os impactos no ambiente dele. Além de avaliar as capacidades egoicas – seus aspectos adultos e saudáveis – que podem estar faltando ou que podem favorecer o trabalho clínico. Isso inclui as funções básicas, como memória, inteligência, atenção, raciocínio, percepção, que são pré-requisitos para a psicoterapia. nosográfico descrição e explicação das patologias. Examinar o histórico de relacionamentos, fantasias, introjeções, contratransferências, permite prever a qualidade da relação transferencial e o nível de dificuldade para a separação no momento de alta. O grau de tolerância à ansiedade e à frustração também pode determinar a receptividade e engajamento do paciente, uma vez que os conteúdos terapêuticos tendem a mobilizá-lo efetivamente. Também é preciso avaliar o grau de motivação para psicoterapia, a capacidade de insight, os mecanismos de defesa e autoestima; esta última provavelmente precisará ser elevada pelo terapeuta no início do trabalho. Relembrando Todos os pontos avaliativos convergem para a determinação do foco (alvo do tratamento), que engloba pontos de urgência (conflitos vigentes ativados por fatores atuais e reveladores de conflitos históricos); que, por sua vez, estão contextualizados na hipótese psicodinâmica inicial, consistindo na descrição da história dinâmica do paciente, a fim de gerar uma compreensão ampla de sua psicopatologia. Assim, após o processo de avaliação, sempre cabe uma sessão de devolutiva. Nela, o profissional compartilha suas conclusões e impressões gerais sobre o quadro do paciente, presta esclarecimentos “panorâmicos” sobre a problemática, utilizando linguagem clara e acessível. Aproveita para mostrar interesse e atenção às dificuldades do paciente, reforçando o vínculo e a motivação para resolver suas questões por meio da psicoterapia e levando à elaboração de metas terapêuticas. Impasses e questões éticas em psicoterapia breve A psicoterapia breve leva em consideração a ética de ofertar um serviço psicológico que realmente atenda às reais necessidades das pessoassem despender de muitos recursos e tempo, mantendo o compromisso de que diminuir o tempo de psicoterapia não é diminuir a qualidade desse trabalho. A objetividade é do método, a subjetividade é da pessoa. Em outras palavras, ainda que o método tenha maior objetividade, as singularidades do indivíduo devem ser essencialmente respeitadas. Na avaliação inicial, também deve ser examinado se o paciente suporta esse tipo de tratamento, ficando atento se há a necessidade de um encaminhamento para uma psicoterapia de longa duração. No caso de menores, os responsáveis devem ser esclarecidos sobre o estado de saúde e prognóstico dos filhos, para evitar preocupações e conflitos distorcidos sobre a real natureza do adoecimento. Se não houver uma concordância no contrato terapêutico sobre os objetivos do processo, as opções são: Aceitação e adiamento Aceitar a escolha do paciente e o terapeuta renuncia seus propósitos ou adia para uma segunda fase. Diálogo e metas Buscar mais esclarecimentos e diálogo para convergir em metas convenientes ao processo. Suspensão do Tratamento Não realizar o tratamento, se as divergências forem significativas. Estabelecer prazos pode motivar, implicar e agilizar o engajamento e esforço para o trabalho. Por mais que os pacientes pressionem por uma data, pois alguns ficam preocupados de cair em uma armadilha de um tratamento interminável, existe a possibilidade de agendar flexivelmente um término como um recurso estratégico para facilitar a aceitação ao processo clínico. Mas, no final das contas, não há garantias absolutas de que as metas serão alcançadas dentro do prazo de trabalho combinado. Atenção É fundamental mencionar a responsabilidade do profissional quanto a possíveis efeitos prejudiciais no exercício clínico da psicoterapia breve devido a diagnósticos precipitados, rigidez no contrato e execução do planejamento instituído, como também postura autoritativa, invalidante e confrontativa para tentar acelerar mudanças, bombardeando o paciente de interpretações prematuras, porque o prazo combinado está próximo; assunção de conteúdos regressivos ou complexos, negligenciado a necessidade de realizar encaminhamentos necessários. Avaliação e ética na psicoterapia breve Neste vídeo, você refletirá sobre as possibilidades de avaliação, e os impasses e questões éticas na psicoterapia breve. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Durante o processo de avaliação em psicoterapia breve, o profissional precisa constatar também se aquele caso é indicado e viável para ser atendido nessa proposta. A psicoterapia breve é diretamente indicada, por exemplo, para quadros agudos e perturbações psicossomáticas de início recente. Por outro lado, essa modalidade é contraindicada em situações de A emergência. B crises de ansiedade. C dificuldades de aprendizagem. D psicoses. E ruptura da comunicação conjugal. A alternativa D está correta. A psicoterapia breve pode auxiliar a comunicação de casais, dificuldades de aprendizagem, como no caso de crianças, emergências e crises. Quadros psicóticos dificultam o tratamento breve, porque o paciente pode demonstrar dificuldade em formar um vínculo terapêutico colaborativo, manter insights realistas e permanecer na abordagem focal. Questão 2 De modo geral, a psicoterapia breve pode ser compreendida em três fases: inicial, medial e final. Primeiramente, o trabalho começa pautado pela avaliação e planejamento, depois migra para uma postura interventiva até chegar à fase final, que engloba recapitulação e possível encaminhamento. Nesse sentido, assinale a alternativa correta sobre essas fases. A Na fase medial, o psicoterapeuta consulta o paciente quanto à satisfação dos resultados. B Na fase final, o profissional pode ter aprofundamento para realizar intervenções mais regressivas. C Na fase medial, o terapeuta abre espaço para novos focos terapêuticos. D Na fase inicial, é realizada uma entrevista devolutiva. E Na fase medial, o profissional examinar possíveis transtornos psiquiátricos. A alternativa D está correta. A partir da avaliação, é realizada uma entrevista devolutiva para esclarecer ao paciente sobre a análise dos dados coletados, a condução do tratamento e a participação dele. O objetivo do profissional após o planejamento é não desviar do foco definido e contratado. Exames diagnósticos precisam ser obtidos na avaliação inicial. Obviamente, é na fase final que há uma análise da satisfação do trabalho feito. A psicoterapia breve não pretende realizar transformações nucleares, com perspectiva regressiva-histórica. 4. Conclusão Considerações finais Os fundamentos e orientações da psicoterapia breve podem direcionar e sustentar processos focais centrados na demanda do paciente, buscando soluções no menor tempo possível, sem prejudicar a qualidade dos ganhos terapêuticos. A psicoterapia breve é aplicável em diversos públicos, da infância à vida adulta, e instituições, como em hospitais e no contexto jurídico. Nenhum modelo de psicoterapia consegue tratar todas as demandas. Por isso, há movimentos integrativos que capacitam os profissionais a trabalharem com experiências emocionais corretivas, posturas ativas e pedagógicas, intervenções verbais – como clarificação, feedback, indicação, validação e dramatização, manejo individual e grupal, reforço de funções egoicas, interpretação, dentre outras possibilidades. Com essa capacitação, psicoterapeutas e demais profissionais de saúde podem ter uma atuação pragmática sob o prisma de ajustar o trabalho clínico ao paciente, não o contrário, preservando a ética de ofertar um processo objetivo, mas não “acelerado”. Animador para a pessoa que percebe mudanças sendo implementadas em curto prazo, pois suas capacidades foram reforçadas e contextos de vida se tornaram mais favoráveis. Podcast Neste podcast, você aprenderá mais sobre os conceitos básicos em psicoterapia breve, suas indicações e contraindicações, procedimentos de avaliação e intervenção, e a importância da preservação de uma postura ética. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Veja como Maria Alice de Azevedo discute a aplicação da psicoterapia breve de orientação psicanalítica em clínicas de assistência mental à comunidade, viabilizando-a a um grande número de pessoas necessitadas de ajuda psicológica. O artigo Psicoterapia breve: considerações sobre suas características e potencialidades de aplicação na psicologia clínica comunitária brasileira está disponível no portal da Biblioteca Digital da FGV. O artigo Possibilidades de utilização da psicoterapia breve em hospital geral, de Raquel Ayres de Almeida, publicado pela Revista SBPH, traz uma análise das possibilidades de atuação da técnica de psicoterapia breve em instituições hospitalares, facilitando a rotatividade das filas de espera. Os resultados enfatizam a aplicação dessa intervenção diferencialmente na unidade ambulatorial. Sugerimos a leitura do artigo Psicoterapia breve psicodinâmica preventiva: pesquisa exploratória de resultados e acompanhamento, de Tales Vilela Santeiro, que discute a avaliação dos graus de depressão, ansiedade e neuroticismo em estudantes do curso de psicologia, bem como a realização de dez sessões semanais de psicoterapia breve psicodinâmica. Você pode encontrá-lo no portal da SciELO! Referências BRAIER, E. A. Psicoterapia breve de orientação psicanalítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008. FIORINI, H. J. Teoria e técnicas de psicoterapias. São Paulo: Martins Fontes, 2004. GILLIÉRON, E. As psicoterapias breves. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986. GILLIÉRON, E. Introdução às psicoterapias breves. São Paulo: Martins Fontes, 1993. HEGENBERG, M. Psicoterapia breve. 3. ed. São Paulo: Casa do psicólogo, 2010. KNOBEL, M. Psicoterapia breve. São Paulo: EPU, 1986. LEMGRUBER, V. Psicoterapia breve integrada. Porto Alegre: Artmed, 1997. LEMGRUBER, V. Psicoterapia breve: A TécnicaFocal. 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Itens iniciais Propósito O estudo sobre as bases e as aplicações da psicoterapia breve é importante para identificar os casos em que é válida esta aplicação, bem como para desenvolver a habilidade do terapeuta em estabelecer um vínculo entre o problema e a solução (metodologia aplicável). Objetivos Reconhecer as origens históricas e os motivos do surgimento das terapias breves. Reconhecer as técnicas das diversas abordagens da psicoterapia breve. Analisar as intervenções breves no contexto fenomenológico-existencial. Introdução A psicoterapia breve surge, originalmente, com o objetivo de encurtar a duração dos processos terapêuticos psicanalíticos. Um dos seus focos é na emoção e na avaliação da emoção ajustada à experiência real ou evento traumático. Para tal, pode-se fazer uso da técnica conhecida como experiência emocional corretiva. Imagine uma pessoa jogando com bolas de gude: claramente, o objetivo de cada ação é provocar a mudança de uma bola de gude ou várias, a partir do contato de uma bola lançada em direção ao ponto de encontro com as outras. Quando uma bola de gude bate em outra e numa terceira, estamos diante do efeito carambola. Assim era pensada a técnica da experiência emocional corretiva, na qual a experiência com as repetidas exposições do paciente ao trauma por que passou permite observar alterações da experiência original pelos sucessivos reaprendizados e ressignificações. A terapia focal (e breve) pode se beneficiar nos conceitos da experiência emocional corretiva e no “efeito carambola” para reorganizar a representação da situação traumática de modo que se alcance bem-estar e bom entendimento da situação passada, não no passado, mas no presente, fortalecendo, doravante, a capacidade de enfrentamento das situações análogas ao trauma que eventualmente vier a experimentar. No material a seguir, pretendemos detalhar como o surgimento dessa forma de terapia se fundamenta, destacando as suas principais aplicações e intervenções. • • • 1. Fundamentos teóricos e tipos de psicoterapia breve Psicoterapia breve de base psicanalítica Os primórdios da psicoterapia breve coincidem com o surgimento da psicanálise de Sigmund Freud. Os psicanalistas Sandor Ferenczi, Otto Rank e Alexander foram os primeiros a desenvolver técnicas breves para atendimento terapêutico psicanalítico. Também de caráter breve, Skinner, Thorndike e Aaron Temkim Beck deram origem às psicoterapias comportamentais e cognitivo-comportamentais. Comecemos com a psicoterapia breve de base psicanalítica. A duração do processo psicoterapêutico varia de pessoa para pessoa, segundo suas capacidades cognitivas e suas habilidades de vida. A construção do caráter, via história de vida, ou seja, o resultado do processo de acumulação de experiências, tanto as boas quanto as neutras ou até mesmo as ruins, cria um conjunto de valores, conceitos e regras que constituem uma base para a tomada de decisão e resolução dos conflitos. A psicoterapia breve de base psicanalítica, ancorada na associação livre e na habilidade do terapeuta em promover questionamentos para que o paciente encontre outros significados para suas interpretações de mundo, principalmente os traumas, ou seja, aquelas experiências que resultam em sofrimento psíquico e que, quando recalcadas, retornam a cada oportunidade induzida por experiências atuais. No período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, houve uma grave crise econômica que atingiu a Alemanha na década de 1920, assim como o surgimento de movimentos de segregação e perseguição, com o crescimento do nazismo. Antes desses eventos, houve crises sociais e econômicas, além das consequências políticas e geográficas do conflito bélico em nível mundial. Neste contexto, os traumas levaram ao ápice a exigência humana quanto a ser resiliente e suportar perdas. Além disso, as dificuldades da época implicaram em mudanças significativas na prática da psicanálise, que, naquele momento, contava com grande adesão no meio social (FREUD; FERENCZI, 1995) A brevidade das terapias se torna, então, o fator principal de escolha para os pacientes. Surge daí uma importante característica: para ser breve, é necessário ser focal. Esse fato não entra em conflito com o princípio da associação livre, ao contrário, restringe-se a abrangência da temática. Entretanto, a escuta continua sendo a base terapêutica, e o setting terapêutico mantém-se como lugar de fala. Estima-se que um processo terapêutico, para ser considerado breve, deve ter um número de sessões entre 12 e 24. A frequência comum é de uma sessão semanal, e esse intervalo de tempo entre duas sessões consecutivas serve para o paciente aproveitar e sedimentar os achados das sessões e encontrar meios de ressignificar sua experiência traumática. Para Lustosa (2010, p. 263) “Ao falar-se de psicoterapia breve, fala-se de uma psicoterapia do ego, dado que este se estabelece como seu local de trabalho, e de investimento terapêutico. [Assim] certamente, o id acaba sendo alcançado”. Contudo, alerta que, ainda que seja uma psicoterapia do ego, nem por isso ela é superficial, pois induz transformações profundas, uma vez que impacta sobre os mecanismos de defesa disfuncionais. O ego, fortalecido, torna-se um regulador e promotor da ressignificação. Isso ocorre por meio da fala, da transformação e da nomeação do sintoma. Agora, vamos falar sobre a corrente cognitivo-comportamental. Psicanálise versus psicoterapia breve de base psicanalítica Neste vídeo, propomos uma reflexão sobre a psicoterapia breve de base psicanalítica em contraponto ao processo psicanalítico, que é conhecido por respeitar o tempo do paciente com duração relativamente dilatada. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicoterapia breve de base cognitiva A terapia cognitivo comportamental, criada na década de 1960 por Aaron Beck e seus pares, já nasceu com um caráter breve e focal, com evoluções mensuráveis por processos de avaliação longitudinal dos avanços terapêuticos. Para Beck (2013), o inconsciente cognitivo tem lócus na memória implícita, a memória de longo prazo que armazena as representações das experiências acumuladas pela pessoa nas vivências em sua cultura, representando uma diferença sistêmica em relação ao conceito de inconsciente freudiano. Aaron Beck estudou psicanálise e seu principal ponto de divergência com outros psicanalistas deu-se ao observar a ausência da psicometrização dos construtos básicos. Beck (2013) afirma que a evolução do tratamento deve seguir um caminho de progresso projetado a partir das primeiras sessões. Ele acreditava que a pessoa deve ser alvo de psicoeducação, para que possa caminhar a partir desse ponto por si só ao final do processo terapêutico, já que passa a conhecer métodos e processos capazes de auxiliá-la na resolução de problemas, na tomada de decisões e na aquisição de novas habilidades sociais. Psicometrização Busca de instrumentos de mensuração dos fenômenos estudados. Por não ser aceito na Sociedade Americana de Psicanálise,