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EdificiosGaleriasComerciais (1) - Resumo

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EdificiosGaleriasComerciais (1)
283 pág.

Urbanismo • Universidade PaulistaUniversidade Paulista

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## Resumo sobre Edifícios e Galerias Comerciais: Arquitetura e Comércio na cidade de São Paulo, anos 50 e 60A dissertação de Cynthia Augusta Poleto Aleixo, apresentada à Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo em 2005, investiga a construção e o significado dos edifícios e galerias comerciais no contexto da metropolização e modernização da cidade de São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. O trabalho se insere no âmbito da arquitetura moderna e do desenvolvimento urbano, focando especialmente no Centro Novo, região que emergiu como novo núcleo comercial e social da metrópole paulistana.### Contexto Histórico e UrbanoO estudo parte da constatação de que, a partir dos anos 1930, o comércio e os serviços de luxo começaram a migrar do triângulo histórico para a área entre as praças da República e Ramos de Azevedo, configurando o chamado Centro Novo. Essa região passou a abrigar uma intensa vida social, marcada por uma elite que buscava espaços modernos e sofisticados, afastando as atividades populares que antes ocupavam o centro histórico. A valorização da Praça da República e seu entorno, com a instalação de cinemas, cafés, confeitarias e lojas de moda, simboliza essa transformação urbana e social.A metropolização de São Paulo, processo complexo e interdisciplinar, é caracterizada pela verticalização e pela expansão territorial, que influenciaram diretamente a produção arquitetônica e imobiliária. O Centro Novo, especialmente nas décadas de 50 e 60, tornou-se palco de um acelerado desenvolvimento imobiliário, com a construção de edifícios e galerias comerciais que refletiam as demandas de uma cidade em rápida modernização. Esses empreendimentos foram realizados por grupos de investidores brasileiros e imigrantes europeus, em parceria com escritórios de arquitetura e construtoras, sob a regulação e incentivo da administração municipal.### Arquitetura e Mercado ImobiliárioA dissertação destaca que, apesar da importância desses edifícios para a configuração urbana e comercial da cidade, a arquitetura dos espaços comerciais varejistas tem sido pouco estudada e valorizada na historiografia oficial da arquitetura moderna brasileira. Enquanto grandes obras públicas e ícones arquitetônicos receberam ampla atenção, os edifícios comerciais, muitas vezes considerados “produções menores” ou meros empreendimentos imobiliários, foram marginalizados.A autora propõe uma análise que ultrapassa essa visão restrita, considerando os edifícios e galerias comerciais como expressões arquitetônicas, sociais e mercadológicas que dialogam com o processo de metropolização. A arquitetura moderna, embora adotada como linguagem formal nesses projetos, muitas vezes foi submetida às exigências especulativas do mercado imobiliário, o que gerou tensões entre os ideais modernistas e as práticas construtivas e econômicas. Exemplos como o Edifício Galeria Califórnia, projetado por Oscar Niemeyer, ilustram essas contradições, pois sofreram modificações que frustraram as intenções originais dos arquitetos.### Metodologia e Análise dos ProjetosO trabalho se estrutura em quatro capítulos principais. O primeiro capítulo, "Traços da História", aborda a relação histórica entre comércio e cidade, destacando a importância do comércio para a vida urbana desde as cidades antigas até o século XX, e apresenta referências arquitetônicas europeias e norte-americanas, como as galerias parisienses do século XIX e os shopping centers americanos pós-1945, que influenciaram a produção paulistana.O segundo capítulo, "A Metrópole Paulistana", analisa a construção territorial e simbólica do Centro Novo, enfatizando a verticalização, a diversidade social e a industrialização como elementos que moldaram a nova imagem da cidade. Também identifica os agentes envolvidos na produção dos edifícios comerciais, como investidores, arquitetos e construtoras, e discute o papel da administração municipal na regulação e incentivo dessas construções.No terceiro capítulo, "A Arquitetura", são discutidos os elementos arquitetônicos que caracterizam os edifícios e galerias comerciais, sua inserção no tecido urbano, o repertório formal adotado e a legislação vigente que influenciou sua aprovação e construção. A autora destaca a necessidade de compreender esses edifícios não apenas como produtos imobiliários, mas como intervenções urbanas que refletem a dinâmica social e econômica da metrópole.O quarto capítulo, "Leitura de Projetos", apresenta uma análise detalhada de diversos edifícios e galerias comerciais selecionados, como a Galeria Guatapará, Galeria Ipê, Edifício Galeria Califórnia, entre outros. A pesquisa enfrentou dificuldades para acessar os projetos originais, devido à perda ou dispersão dos arquivos dos escritórios de arquitetura e construtoras, o que levou a autora a basear suas análises em plantas simplificadas e visitas in loco. Além disso, o capítulo aborda as transformações sofridas pelos edifícios a partir da década de 1970 e o processo de recuperação e revitalização do Centro Novo a partir dos anos 1990, destacando as tensões sociais e econômicas envolvidas, como a exclusão da população de baixa renda.### Conclusões e ContribuiçõesA dissertação contribui para a historiografia da arquitetura moderna brasileira ao resgatar um segmento pouco estudado: a arquitetura comercial de pequeno e médio porte no contexto da metropolização de São Paulo. Ao analisar os edifícios e galerias comerciais como produtos de um mercado imobiliário em expansão e de uma administração municipal que incentivava a verticalização controlada, o trabalho amplia a compreensão sobre as nuances e contradições da arquitetura moderna na cidade.Além disso, o estudo destaca a importância desses edifícios para a configuração urbana e social do Centro Novo, evidenciando seu papel na criação de uma nova centralidade metropolitana e na dinâmica do comércio varejista. A pesquisa também aponta para a necessidade de políticas e práticas de conservação que considerem não apenas os grandes ícones arquitetônicos, mas também esses espaços comerciais que carregam memória e identidade urbanas.Por fim, a autora enfatiza a relevância de uma abordagem interdisciplinar que articule arquitetura, urbanismo, história social e economia para compreender a complexidade da produção arquitetônica e urbana em contextos de rápida transformação metropolitana, como foi o caso de São Paulo nas décadas de 1950 e 1960.---### Destaques- A dissertação analisa a construção de edifícios e galerias comerciais no Centro Novo de São Paulo, nas décadas de 1950 e 1960, no contexto da metropolização e modernização da cidade.- Destaca a migração do comércio e serviços de luxo do centro histórico para o Centro Novo, que se tornou um novo polo social e econômico.- Aponta a marginalização da arquitetura comercial na historiografia oficial da arquitetura moderna brasileira, propondo uma análise que considera aspectos arquitetônicos, sociais e mercadológicos.- Discute a tensão entre os ideais da arquitetura moderna e as exigências especulativas do mercado imobiliário, exemplificada por obras como o Edifício Galeria Califórnia.- Ressalta a importância da conservação e valorização desses edifícios para a memória urbana e a revitalização do centro da cidade, considerando as transformações sociais e econômicas recentes.

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