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Direito Civil Patrícia Strauss 1ª FASE XXXV EXAME Olá, Alunos! Queridos alunos! Bem-vindos às nossas aulas de Direito Civil. Direito Civil é a matéria que trata sobre a nossa vida diária. Ela fala sobre credores, sobre devedores, sobre comprar, vender, ser responsabilizado por atos ilícitos...Enfim, a vida privada da pessoa natural e da pessoa jurídica é encontrada no Código Civil. Vamos estudá-los juntos? Com paciência e com coragem nesta linda caminhada de aprendizado do nosso Civil. Vamos juntos? Um beijo grande e bons estudos. 1. Direito Contratual 2. Direito das Obrigações 3. Obrigação de dar coisa incerta (Artigos 243 – 246, CC) 4. Obrigação de Fazer (Artigo 247-249, CC) 5. Obrigação de não fazer (Artigos 250-251, CC) 6. Obrigações alternativas 7. Obrigações divisíveis e indivisíveis 8. Obrigações solidárias (Artigos 264-285, CC) 9. Transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção de dívida 10. Pagamento 11. Adimplemento e extinção das obrigações 12. Inadimplemento 03. Responsabilidade civil QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 01. Direito Contratual Prof. Patrícia Strauss @Prof. Patricia Strauss 1. PRELIMINARES (Artigos 421 – 426, CC) 1.1. Princípios Contratuais Há diversos princípios que embasam o Direito Contratual, como o Princípio da Função Social do Contrato, da Boa-fé Objetiva, do “Pacta sunt servanda” e do Consensualismo. Art. 421 – Função Social do Contrato: é um princípio que limita a própria autonomia da vontade, já que impede que o contrato prevaleça se estiver em desacordo com o interesse social. Como exemplos de aplicações do princípio, temos os institutos do estado de perigo (art. 156 do CC) e lesão (art. 157 do CC). Em 2019, houve uma alteração legislativa, e o art. 421 sofreu o acréscimo de um parágrafo, determinando que, como regra, não haja intervenção do Estado nos contratos entre iguais e que possível revisão seja feita em caráter excepcional. Art. 422 – Princípio da Boa‑Fé Objetiva: pode ser definido como uma regra geral de conduta em que as partes contratantes devem observar desde a fase preliminar dos contratos até o próprio cumprimento e execução. Possui como um de seus mais importantes corolários a aplicação da “proibição do comportamento contraditório”. [...] Art. 482 – Princípio do Consensualismo: como regra, os contratos são perfeitos com a aceitação. Há, no entanto, contratos que são perfeitos com a tradição, que é o caso do contrato de comodato (art. 579 do CC), por exemplo. 1.2. “Pacto corvina” e demais artigos. O Código Civil veda a contratação sobre herança de pessoa vida. Tal proibição está no art. 426. Caso haja tal contratação, tal negócio jurídico seria nulo, por força dos Arts. 166, II, e 166, VII (2ª parte). Artigos 423 e 424 falam sobre contrato de adesão e privilegiam a parte aderente, dizendo que, na dúvida, se deve interpretar o contrato de forma mais favorável a quem aderiu. Artigo 425 trata sobre contratos atípicos. É perfeitamente possível a contratação de contratos não previstos no Código Civil. Contudo, é necessário que esses contratos respeitem as normas do Código. 2. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS Como regra, os contratos são perfeitos com a aceitação, envolvendo dois elementos: proposta e posterior aceitação. No entanto, o Código Civil dá muita importância para a proposta e, de acordo com o art. 427, preconiza que esta, desde que séria e consciente, vincula o proponente. A seguir, no art. 428, traz quais seriam os casos em que a proposta deixa de ser obrigatória. Note que não há ainda contrato, já que não se está falando de aceitação, apenas em proposta. Segundo o art. 428, deixará de ser obrigatória a proposta quando: https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-6/s-1JpRG4F7Rfw?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf Para que haja aceitação e, como consequência, contrato, é necessário que a proposta seja aceita integralmente. Aceitação da proposta feita com modificação ou adições é considerada nova proposta. Art. 431 do CC. Lugar de celebração de um contrato, para o Código Civil, é onde ele foi proposto. Art. 435 do CC. Quando está perfeito o contrato entre pessoas ausentes? Quando se expede a aceitação. Leitura do art. 434, caput. Aplicação da teoria da expedição. 3. VÍCIOS REDIBITÓRIOS (Artigos 441 – 446, CC) São vícios ocultos que tornam o bem impróprio para o uso e/ou lhe diminuam o valor. Requisitos: *Para todos verem: esquema abaixo. Ações cabíveis – Ações Edilícias: A) Ação redibitória: Redibir o contrato: Voltar ao “status quo antes”. O contrato será desfeito com a devolução dos valores pagos, inclusive eventuais despesas de contrato. B) Ação estimatória ou quanti minoris: O contrato é mantido, mas é solicitado um abatimento. • Caso o vendedor estiver de má‑fé (sabia ou tinha condições de saber do defeito): Além do que prevê a lei, também irá pagar perdas e danos ao comprador; • Caso esteja de boa‑fé, ainda assim responderia pelas ações redibitórias ou estimatórias. *Para todos verem: esquema abaixo. • Maioria doutrinária entende que o vício deve ser oculto. Oculto • Já existia, mas por sua natureza, só se manifestou após a contra. Pré-existente • Impossibilite de usar o bem ou reduza o valor. Grave • De alguma forma, houve perda patrimonial. Ourindo de contrato oneroso Ação redibitória • Desfaz o contrato • Perdas e danos Ação estimatória • Mantém o contrato • Abatimento do valor 4. EVICÇÃO (Artigos 447 – 457, CC) Evicção é a perda total ou parcial de um bem, em regra, por meio de uma sentença judicial. Esta sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo princípio da garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. Partes na evicção: a) O alienante, que transferiu a coisa de forma onerosa; b) O evicto (adquirente), que perdeu a coisa adquirida; c) O evictor (autor da ação), que ganhou a ação judicial. Requisitos da evicção: 1 – Perda total ou parcial da propriedade; 2 – A aquisição tenha sido realizada de forma onerosa; 3 – Anterioridade do direito daquele que ganhou a ação judicial: Direitos do evicto: Lembrando que evicto é aquele que perdeu a coisa em virtude de sentença judicial: ‑A responsabilidade decorre da lei. Mesmo que o contrato seja omisso, ele existirá de acordo com a lei. A) Responsabilidade total: Artigo 450 do CC. Salvo estipulação em contrário, o evicto tem direito: a – Restituição integral do preço; Prazos para manifestação do defeito Móveis 180 dias Imóveis 1 ano Prazos para ajuizamento da ação (contados da manifestação do defeito) Móveis 30 dias Imóveis 1 ano b – indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; c – indenização pelas despesas dos contratos; d – Pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; e- Custas judiciais e honorários do advogado. B) Responsabilidade parcial: Artigo 449 do CC. Podem as partes excluir a responsabilidade pela evicção? Sim, expressamente. Contudo, mesmo com a existência de tal cláusula, se a evicção se der, tem direito o evicto (aquele que perdeu a coisa) a recobrar o preço que pagou pela coisa evicta, com algumas condições: a ‑ Se não soube do risco da evicção ou b – se informado, não assumiu o risco da evicção. C) Isenção de responsabilidade pelo vendedor: Artigo 457 do CC: Quando o comprador sabe que está adquirindo bem alheio ou litigioso, caso venha a perder, não poderá demandar contra quem lhe vendeu. Obs.: Evicção parcial → Artigo 455. O que ocorre se houve evicção parcial e não total da coisa? Depende. A) Perda considerável: Poderá o evicto (quem perdeu parcialmente o bem) optar: 1 - entre a rescisão do contrato e a 2 - restituição da parte do preço do desfalque. B) Perda não for considerável,do qual enriquecimento sem causa é gênero. Para que ocorra a devolução dos valores, é necessário que o pagamento tenha sido comprovadamente feito com erro. 28.4. Enriquecimento sem causa Há vários tipos de enriquecimento sem causa: pagamento indevido, construção em imóvel alheio de boa‑fé etc. Para a sua configuração é necessário: a) enriquecimento de uma parte; b) empobrecimento do outro; c) relação de causalidade entre os dois fatos; d) ausência de razão (contrato, lei etc.) e) inexistência de outra ação para conseguir a devolução. Então, a ação cabível será a ação in rem verso. QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XXXI) Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no RGI, de valores de mercado semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de mercado. No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendente comprador), um deles, Carlos, opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, seu filho que não concordou com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno. Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. a) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais descendentes e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. b) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do negócio. c) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. d) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. GABARITO: D https://youtu.be/sa8DVUjKzxA https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI 02. Direito das Obrigações 1. Considerações iniciais Elementos constitutivos da obrigação: ▪ Credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo); ▪ Elemento objetivo imediato: prestação ▪ Elemento imaterial: vínculo No Direito Obrigacional temos os sujeitos envolvidos que são o credor (polo ativo) e o devedor (polo passivo). O credor tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação e o devedor tem a obrigação de prestá-la. 1.1. Fontes das obrigações Lei, contratos (tidos como principais fontes das obrigações), atos ilícitos, abuso de direito, atos unilaterais etc. 2. Obrigação de dar coisa certa As modalidades de obrigações são: dar, fazer, não fazer, alternativas, indivisíveis e solidárias. A obrigação de dar se divide em: dar coisa certa e dar coisa incerta. A obrigação de dar coisa certa (Artigos 233-242), por sua vez, se divide em obrigação de dar coisa certa, modalidade entregar e obrigação de dar coisa certa, modalidade restituir. Tanto na de entregar ou na obrigação de restituir, o devedor se compromete a ENTREGAR ou RESTITUIR algo específico, que pode ser tanto bem móvel quanto imóvel. 2.1. Modalidade entregar Um dos exemplos desta modalidade é o contrato de compra e venda, no qual, após efetuar o pagamento do preço, o comprador se torna CREDOR e o vendedor se torna DEVEDOR. Para o Código Civil o importante é quando o devedor NÃO cumpre com sua obrigação. Ao não cumprir, a lei então disciplina a solução. obrigação. Ao não cumprir, a lei então disciplina a solução. *Para todos verem: tabela abaixo. Perecimento (perda total) Com culpa: A obrigação se resolve (volta ao “status quo ante” e o devedor deverá pagar ao credor perdas e danos. Sem culpa: A obrigação se resolve (volta ao “status quo ante”). Deterioração (perda parcial) Com culpa: Credor terá duas opções: Resolver a obrigação ou fica com a coisa como se encontra exigindo, em qualquer dos casos, perdas e danos. Sem culpa: Credor terá duas opções: receber o bem como se encontra com abatimento ou resolver a obrigação (voltar ao estado inicial) Resolver a obrigação significa voltar ao estado inicial, ao “status quo ante”. Assim, por exemplo, o devedor devolveria o dinheiro ao credor. 2.2. Obrigação de dar coisa certa: modalidade restituir Um dos exemplos de tal modalidade é o contrato de comodato (empréstimo gratuito de bens), uma vez que o bem dado em comodato, teremos de um lado o comodante como CREDOR e o comodatário como devedor (com obrigação de restituir, de devolver ao comodante). Da mesma forma, aqui o Código Civil se preocupa quando o devedor NÃO cumpre com a obrigação: *Para todos verem: tabela abaixo. Perecimento Com culpa: Responderá o comodatário pelo equivalente do valor do bem mais perdas e danos. Sem culpa: Se a coisa se perde e não é culpa do devedor, então ARCARÁ O CREDOR com a perda. Suporta o credor o prejuízo. Deterioração Com culpa: Credor poderá escolher ficar com a coisa como se encontra OU exigir o equivalente, com perdas e danos. Sem culpa: Sofre o credor a perda e deverá receber o bem no estado em que se encontra. Importante! Artigo 237: Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. Se entre o contrato e a entrega do bem, por exemplo, sobreveio melhoramentos no bem, o devedor poderá exigir aumento no preço a ser pago e se o credor não concordar, poderá então o devedor pedir a resolução do contrato. Resumo - Artigos do Código Civil para cada tipo de Obrigação: *Para todos verem: esquema abaixo. 3. Obrigação de dar coisa incerta (Artigos 243 – 246, CC) O objeto da obrigação não é algo específico, mas precisa ser, ao menos, indicado por gênero e quantidade. Assim, o objeto deve ser, ao MENOS, determinável, ou seja, que vai vir a ser determinado. Como exemplo, podemos pensar em um contrato em que credor e devedor estabelecem que o devedor irá entregar sacas de arroz de sua fazenda. É, assim, possível que se contrate um objeto determinável, mas que, precisará ser escolhido e separado, para que então, possa ser entregue. Como regra, aqui e em outros momentos do Código Civil, se nada foi estipulado pelas partes de outra maneira, a escolha cabe ao devedor. DAR COISA CERTA Art. 233 a 242 do CC Entregar Perecimento (perda total) Com culpa Art. 234, 2ª parte do CC Sem culpa Art. 234, 1ª parte, do CC Deterioração (perda parcial) Com culpa Art. 236, CC Sem culpa Art. 235, CC Restituir Perecimento (perda total) Com culpa Art. 239, CC Sem culpa Art. 238, CC Deterioração (perda parcial) Com culpa Art. 240, CC Sem culpa Art. 240, CC Exemplo: compra e venda Há um momento em que a obrigação de dar coisa incerta se torna obrigação de dar coisa certa. Isso ocorre quando a escolha é feita E o credor é cientificado de tal escolha. Após a ocorrências destes DOIS fatos, então iremos buscar respostas para o caso de inadimplemento do devedor, na parte que trata de obrigação de dar coisa certa, já que após a escolha E cientificação, o que era incerto passou a ser certo. 4. Obrigação de Fazer (Artigo 247-249, CC) Neste caso, não se tem a obrigação um objeto móvel ou imóvel e sim a PRESTAÇÃO, que consiste no cumprimento de uma tarefa ou a realização de um serviço, por exemplo. A obrigação de fazer pode ser fungível ou infungível. 4.1. Obrigação de fazer infungível Possui natureza personalíssima. Em caso de o devedor não cumprir com a obrigação, o credor terá as seguintes opções: • Exigir o cumprimento da obrigação, por força do artigo 497 do CPC, com cominação de multa; ou • Resolvera obrigação e pedir perdas e danos. No entanto, se não for culpa do devedor (pintor perde o movimento dos braços e não consegue mais realizar a pintura que tinha se obrigado, por exemplo) então a obrigação será resolvida (artigo 248). 4.2. Obrigação de fazer fungível É aquela que pode ser cumprida por outra pessoa. Em caso de não cumprimento pelo devedor, poderá o credor optar: • exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos do 497 do CPC; • pedir o cumprimento da obrigação por terceiro, à custa do devedor originário; • Poderá requerer a conversão em perdas e danos. 5. Obrigação de não fazer (Artigos 250-251, CC) Importante destacar o momento em que a pessoa se torna inadimplente na obrigação de não fazer. O artigo 390 do Código Civil, dispõe que, nas obrigações negativas, o devedor será considerado inadimplente a partir do dia em que executar o ato no qual deveria se abster. A obrigação de não fazer, extingue-se quando não é possível abster-se do ato a qual se obrigou a não praticar, desde que o devedor não tenha culpa (art. 250, CC). → Quando o devedor praticou o ato que deveria ser abster, mas é possível desfazer o que foi feito, é possível voltar ao “status quo ante” – Artigo 251. Regra: necessária autorização do juiz: Art. 251 do Código Civil. Exceção: Se for urgente, conforme disposto no art. 251, parágrafo único do Código Civil, não será necessária autorização do juiz. → Quando o devedor praticou o ato que deveria se abster, mas não é possível desfazê-lo, não é possível voltar ao “status quo ante” – Artigo 250. Com culpa: ocorrerá a extinção do contrato, e a pessoa será condenada a pagar indenização por perdas e danos. Sem culpa: só será feita a extinção do contrato. Obs.: Artigo 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster. Obrigação de fazer fungível: Fixação: Não personalíssima Ocorre quando a obrigação pode ser cumprida por terceiro. Exemplo: Paulo é contratado para pintar a casa de Ana. Caso Paulo não faça a pintura da casa, há a possibilidade de outra pessoa fazer o serviço. Sendo assim, um terceiro executa o serviço, e Paulo realiza o pagamento ao mesmo. Vejamos o que dispõe o art. 249 do Código Civil e seu parágrafo único: Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. Obrigação de fazer infungível: Fixação: Personalíssima Somente a pessoa (devedor) pode cumprir com o seu contrato. Exemplo: João foi contratado para fazer um show na cidade de Santa Cruz do Sul, logo, somente João poderá cumprir o contrato. ➢ Com culpa: resolve + indenização por perdas e danos. ➢ Sem culpa: o contrato somente se resolve (se desfaz). QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (XXIII Exame) Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário, cujo objeto era a quantia de R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de seis meses. https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-2/s-irQvY99nWHk?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm Foi combinado que a entrega do dinheiro seria feita no parque da cidade. No entanto, Felipe, após receber o dinheiro, foi furtado no caminho de casa. Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou para Felipe para combinar o pagamento da quantia emprestada, mas este respondeu que não seria possível, em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Cássio tem direito à devolução do dinheiro, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. B) Cássio tem direito à devolução do dinheiro e ao pagamento de juros, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. C) Cássio tem direito somente à devolução de metade do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. D) Cássio não tem direito à devolução do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. 2) (Exame XIX) A peça Liberdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da Vinci pela importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a entregar a obra dez dias após o recebimento da quantia estabelecida, que foi paga à vista. A galeria organizou, então, uma grande exposição, na qual a principal atração seria a escultura Liberdade. No dia ajustado, quando dirigia seu carro para fazer a entrega, Lúcio avançou o sinal, colidiu com outro veículo, e a obra foi completamente destruída. O anúncio pela galeria de que a peça não seria mais exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de restituição dos valores pagos a título de ingresso. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substituição à escultura Liberdade. B) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição. C) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar executar a prestação às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos. D) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vinci, razão pela qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem. GABARITO: 1) A 2) B 6. Obrigações alternativas Nas obrigações alternativas é possível o cumprimento da obrigação através da escolha de um OU de outro objeto. A obrigação será adimplida no momento em que se efetuar o cumprimento de 1 dos objetos. Assim, se Maria, devedora, se obrigou a pagar para João 1000 sacas de arroz OU 1000 sacas de farinha, com a entrega de somente um deles, teremos o adimplemento da obrigação. Se nada foi estipulado, a escolha caberá ao devedor. Não poderá o credor (João) exigir, por exemplo, que Maria entregue parte em farinha e parte em arroz. Da mesma forma que não pode João solicitar tal feito à Maria, também não pode Maria solicitar tal feito para João (entrega em partes de cada objeto). Além disso, se a obrigação se estipulou de forma que ocorram através de prestações periódicas (todo mês Maria precisa entregar, por exemplo) esta escolha poderá ser exercida em cada período. O artigo 253 nos informa que se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra. Assim, se uma das obrigações não puder se executada (proibida por lei, por exemplo) então o que era antes obrigação alternativa, passa a ser obrigação simples, já que o débito subsistirá com relação à outra prestação. Artigo 254: Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar ➢ Maria (devedora) se comprometeu a entregar para João 1 cavalo OU 1 vaca. Por culpa de Maria, os dois animais morreram, impossibilitando o cumprimento da prestação. Se a escolha couber a Maria ou terceiro, por exemplo, temos que ficará Maria obrigada a pagar o valor da que por último se impossibilitou (o último animal que morreu, por exemplo) mais perdas e danos. Artigo 255: Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestaçõesse tornarem inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos. ➢ Maria (devedora) se comprometeu a entregar para João 1 cavalo OU 1 vaca. Aqui, um dos objetos se tornou impossível (um animal morreu, por exemplo) por culpa do devedor (Maria) poderá o credor João exigir o outro animal OU o valor do animal que morreu com perdas e danos. Se os dois morreram por culpa de Maria, então o credor poderá reclamar o valor de um OU de outro, além de indenização por perdas e danos. Vale lembrar que neste artigo, a escolha cabia para João. Já se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação, conforme artigo 256 do CC. 7. Obrigações divisíveis e indivisíveis A classificação em divisível ou indivisível somente possui relevância quando tivermos mais de um devedor ou mais de um credor. 7.1. Obrigação divisível O artigo 257 trata sobre a obrigação divisível e nos informa que sendo a obrigação assim, ela será dividida entre tantos credores e devedores houver. Assim, se Maria e Carla são devedoras de R$100.000,00 (cem mil reais) de João, que é o credor, de acordo com o artigo 257, João somente poderá exigir R$50.000,00 (cinquenta mil reais) de cada uma: “Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores”. 7.2. Obrigação indivisível Segundo o artigo 258 a obrigação é indivisível a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. Pode assim, a indivisão ser natural (animal, por exemplo) por motivo de ordem econômica (um pedra preciosa) ou então legal (imposta pela lei). Regras da obrigação indivisível A) Plural de devedores: Maria e Carla são devedoras de 1 animal (indivisível) para João (credor). João poderá cobrar a dívida toda (animal) somente de uma. Aquela que entregar para João o animal, poderá cobrar da outra a quota parte do valor do animal. Artigo 259: Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. B) Plural de credores: Maria é devedora de 1 animal para João e Carlos, que são os credores de Maria. Tanto João quanto Carlos poderá exigir de Maria o animal, mas Maria só se desobriga da dívida entregando para João e Carlos em conjunto ou então entregando para João, que dará caução (garantia) que o outro credor irá ratificar. Artigo 260: Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I - a todos conjuntamente; II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. Lembrando que aquele credor que receber o animal, deverá pagar em dinheiro a quota parte dos outros credores (artigo 261). C) Remissão: Artigo 262 Se um dos credores perdoar (remitir) a dívida, não teremos a extinção dela, mas tão somente o desconto da quota do credor que perdoou. Isso também ocorre em caso de transação, novação, compensação ou confusão. D) Perda da qualidade de indivisível: Artigo 263. A obrigação indivisível perde esta qualidade, quando se converter em perdas e danos. Perdas e danos é uma obrigação de dar e que é divisível. Se todos os devedores foram culpados, todos responderão em partes iguais. Se somente um for o culpado, os outros devedores estarão liberados, ficando o culpado com a responsabilidade de pagar perdas e danos. 8. Obrigações solidárias (Artigos 264-285, CC) Tanto quanto na divisibilidade e indivisibilidade, somente há importância em se discutir sobre obrigações solidárias se tivermos MAIS de um credor ou devedor. E, como regra principal da solidariedade, temos que cada CREDOR pode exigir de cada DEVEDOR o cumprimento da obrigação por inteiro. Da mesma forma, cada DEVEDOR pode pagar a qualquer um de seus CREDORES, a dívida toda. 8.1. Solidariedade ativa (Artigos 267-274, CC) Regras da solidariedade ativa A) Credor pode exigir a prestação por inteiro: De acordo com o artigo 267, cada credor poderá exigir o cumprimento da obrigação por inteiro. Além disso, enquanto algum credor não ajuizou ação contra o devedor, este mesmo devedor poderá pagar para qualquer um dos credores e estará liberado (artigo 268). Em adição, a dívida será extinta até o valor que for pago. Assim, se Maria deve R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para João e Carlos, seus credores, e pagar R$40.000,00 para um deles, ainda assim ficará devendo R$10.000,00 (dez mil reais). B) Falecimento de um dos credores solidários: Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes herdeiros somente terá direito a exigir e receber a quota de crédito que corresponde ao seu quinhão hereditário, salvo se for obrigação indivisível. Digamos que Maria, devedora, deve R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para João e Carlos, seus credores solidários. João tem 2 filhos, A e B. João falece. Sendo a quota de João o valor de R$25.000,00, cada filho poderia cobrar de Maria a quantia de R$12.500,00. Um ponto muito importante na solidariedade ativa é a de que ainda que qualquer um dos credores possa cobrar a dívida toda, ele não terá direito ao valor todo. Após cobrar a totalidade da dívida, por exemplo, deverá entregar as quotas partes aos demais credores. C) Manutenção da solidariedade Ao contrário da indivisibilidade, se a prestação se converter em perdas e danos, a solidariedade se mantém (artigo 271). D) Remissão por um dos credores: Se um dos credores remitiu a dívida, responde aos demais pelas partes que lhes caibam. Assim, se João perdoou a dívida de Maria, que era de R$50.000,00 deverá responder para com as quotas partes dos demais. E) Exceções pessoais: Exceções pessoais são defesas de mérito que podem ser arguidas como, por exemplo, vícios do consentimento (erro, dolo...) e também incapacidades, por exemplo. Na obrigação solidária ativa o devedor não poderá opor essas defesas contra os demais credores, somente contra aquele credor que fez negócio viciado. 8.2. Solidariedade Passiva (Artigos 275 – 285, CC) Regras da solidariedade passiva A) Cobrança da integralidade da dívida: A principal regra aqui é a de que, havendo mais de um devedor, o credor poderá exigir de qualquer um o pagamento da dívida toda. Assim, se Maria e Carla são devedoras de R$50.000,00, Carlos seu credor, poderá cobrar a totalidade da dívida somente de Maria, por exemplo. Se o pagamento foi parcial, ainda assim continuam as duas devedoras como obrigadas à totalidade da dívida. B) Morte de um dos devedores solidários: Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. Assim, se Maria e Carla são devedores de R$50.000,00 e Maria falece, deixando dois herdeiros: A e B. Cada um dos herdeiros será responsável apenas pela sua quota parte. Assim, João-credor, somente poderia cobrar de A o valor de R$12.500,00, por exemplo. C) Remissão e pagamento parcial: Se o pagamento parcial foi realizado por um dos devedores, ou houve o perdão da dívida para um dos devedores, isso não irá atingir os demais devedores solidários. O que os demais devedores terão é um desconto na parte paga parcial ou na parte remitida (perdoada). D) Impossibilidade de prestação: Se a prestação por culpa de um dos devedores solidáriosficar impossibilitada, a obrigação irá subsistir para TODOS de pagar o valor desta obrigação. Pelas perdas e danos somente responderá o culpado. E) Exceções pessoais: Segundo o artigo 281 o devedor demandado por opor ao credor as exceções que lhes forem pessoais e as comuns a todos. Como exemplo, podemos pensar que qualquer devedor poderá alegar a prescrição da dívida, já que são defesas comuns. Já vícios do consentimento, por exemplo (exceções pessoais) somente poderão ser usados pelo devedor que sofreu. F) Renúncia: É possível que o credor renuncie de forma parcial a solidariedade (somente para um devedor, por exemplo) ou total (em favor de todos os devedores). Exemplo: João credor e possui 3 devedoras: Maria, Carla e Joana, que devem R$30.000,00. João renunciou a solidariedade com relação à Maria. Assim, Maria somente poderá ser cobrada de R$10.000,00, enquanto Carla e Joana poderão ser demandadas por R$20.000,00. G) Devedor insolvente: O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. Assim, no caso de João credor ter três devedoras solidárias: Maria, Carla e Joana. Se uma delas efetuar o pagamento da obrigação, poderá solicitar que as demais paguem as quotas partes de cada. Se uma delas for insolvente, a sua quota parte será dividida entre os outros co- devedores. 9. Transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção de dívida É importante destacar o título da matéria a ser examinada: As obrigações são transmitidas. Assim, não há o adimplemento, inadimplemento etc. O que há é a transmissão de uma obrigação de um sujeito para o outro. Isso não ocorre através do pagamento. 9.1. Cessão de crédito (Art. 286 – 298, CC) ➢ Negócio jurídico bilateral; ➢ Gratuito ou oneroso; ➢ Credor transfere a outra pessoa total ou parcialmente a sua posição da relação obrigacional; ➢ Partes da cessão de crédito: Cedente e Cessionário. Com a cessão se transferem todo o crédito, inclusive com seus acessórios. Um ponto muito importante é que para que ocorra a cessão não é necessário o consentimento do devedor. Observação! ▪ Não é possível ceder o crédito em alguns casos (alimentos, por exemplo); ▪ A impossibilidade de cessão pode estar no documento (instrumento obrigacional) que então impede qualquer tipo de cessão. ▪ A regra proibitiva de cessão não pode ser oposta ao cessionário de boa-fé se não constar no próprio instrumento. Como as demais regras do CC, a cessão entre partes possui total eficácia, não necessitando inclusive forma escrita. Porém, para que tenha eficácia perante terceiros, é necessária a celebração de um acordo escrito, por meio de instrumento público ou particular. Ainda que para que ocorra a cessão de crédito não seja necessária a participação do devedor (já que o credor-cedente está cedendo o crédito para outra pessoa – cessionário), é porém imprescindível que o devedor seja notificado. Esta notificação pode ocorrer de forma judicial ou extrajudicial (artigo 290). Também pode ocorrer a notificação presumida, na qual no próprio documento de cessão de cedente para cessionário, o devedor informa que está ciente da cessão. Em decorrência do princípio da boa-fé, o devedor que não sabia que tinha havido a cessão de crédito (não foi notificado, por exemplo) e que paga ao devedor primitivo, não terá que pagar novamente. De acordo com o artigo 294 as exceções (defesas) que o devedor poderia opor ao seu antigo credor (cedente) poderão ser opostas também contra o novo (cessionário). 9.2. Assunção de Dívida (Artigos 299-303, CC) Negócio jurídico bilateral pelo qual o devedor com a anuência do credor transfere a um terceiro a posição de devedor em uma obrigação. Consoante artigo 299: É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. Por exemplo: João é credor e Maria devedora. Carla, amiga de Maria, se oferece para ASSUMIR a dívida que Maria tem para com João. Com a concordância de João, Maria se libera da obrigação, nada mais devendo para João (a não ser que Carla era insolvente, caso em que Maria voltaria para o polo passivo da obrigação). O novo devedor é chamado de terceiro assuntor (Carla). Diz o artigo 300 que a partir da assunção deverão ser consideradas extintas as garantias especiais dadas pelo devedor primitivo (Maria). Salvo se Maria concordar que tais garantias irão permanecer. Já o artigo 301 trata que se a substituição do devedor vier a ser anulada, o débito será restaurado, com todas as garantias, salvo as prestadas por terceiro (a não ser que este terceiro estava mancomunado com o devedor primitivo, que sabia do vício). EM RESUMO. * Para todos verem: ilustração abaixo da compra e venda (credor e devedor) de um cavalo ou vaca. 1 – Obrigações alternativas CREDOR DEVEDOR Objeto: 1 cavalo OU 1 vaca ▪ Entregando um dos objetos, cumprida está a obrigação; ▪ Conforme Código Civil, se nada foi estipulado, a escolha cabe ao devedor. ▪ Ainda que os bens sejam divisíveis, não é possível a entrega em partes. 2 – Obrigações divisíveis e indivisíveis Obrigação divisível: pode ser cumprida de maneira fracionada. Exemplo: 1000 sacas de arroz. Obrigação indivisível: não pode ser cumprida em partes. Exemplo: 1 cavalo. 3 – Obrigações solidárias: Na solidariedade ativa, conforme determina o art. 267 do Código Civil, cada credor solidário, pode exigir do devedor, que a prestação seja cumprida por inteiro. 4 – Transmissão das obrigações: Cessão de crédito → Cedente cede crédito ao cessionário. Devedor deverá pagar ao novo credor. Assunção de dívida → Terceiro assume dívida do devedor com consentimento expresso do credor. QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XVII) Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o pagamento com juros do valor do mútuo no montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção do crédito, a parte do polo ativo obrigacional ainda facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento do montante no termo avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador da fazenda, conforme escolha a ser feita pelo devedor. Ante os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Trata-se de obrigação alternativa. B) Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis. C) Acaso o animal morra antes da concentração, extingue-se a obrigação. D) O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor. 2) (EXAME XXI) Felipe e Ana, casal de namorados, celebraram contrato de compra e venda com Armando, vendedor, cujo objeto era um carro no valor de R$ 30.000,00, a ser pago em 10 parcelas de R$ 3.000,00, a partir de 1º de agosto de 2016. Em outubro de 2016, Felipe terminou o namoro com Ana. Em novembro, nem Felipe nem Ana realizaram opagamento da parcela do carro adquirido de Armando. Felipe achava que a responsabilidade era de Ana, pois o carro tinha sido presente pelo seu aniversário. Ana, por sua vez, acreditava que, como Felipe ficou com o carro, não estava mais obrigada a pagar nada, já que ele terminara o relacionamento. Armando procura seu(sua) advogado(a), que o orienta a cobrar A) a totalidade da dívida de Ana. B) a integralidade do débito de Felipe. C) metade de cada comprador. D) a dívida de Felipe ou de Ana, pois há solidariedade passiva. 3) (EXAME XXIV) André, Marianae Renata pegaram um automóvel emprestado com Flávio, comprometendo-se solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre que Renata, dirigindo acima do limite de velocidade, causou um acidente que levou à destruição total do veículo. Assinale a opção que apresenta os direitos que Flávio tem diante dos três. A) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mais perdas e danos. B) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas e danos de Renata. C) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro e das perdas e danos. D) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas e danos de Renata. 4) (EXAME XXVI) Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00 assumida solidariamente por Marcos, Vera, Teresa, Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro, em razão de mútuo que a todos aproveita. Antes do vencimento da dívida, Paula exonera Vera e Mirna da solidariedade, por serem amigas de longa data. Dois meses antes da data de vencimento, Júlio, em razão da perda de seu emprego, de onde provinha todo o sustento de sua família, cai em insolvência. Ultrapassada a data de vencimento, Paula decide cobrar a dívida. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. A) Vera e Mirna não podem ser exoneradas da solidariedade, eis que o nosso ordenamento jurídico não permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos devedores. B) Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio será rateada entre todos os devedores solidários, inclusive Vera e Mirna. C) Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio. D) Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será rateada entre todos os devedores solidários, com exceção de Vera. 5) (EXAME XX) Paulo, João e Pedro, mutuários, contraíram empréstimo com Fernando, mutuante, tornando-se, assim, devedores solidários do valor total de R$ 6.000,00 (seis mil reais). Fernando, muito amigo de Paulo, exonerou-o da solidariedade. João, por sua vez, tornou-se insolvente. No dia do vencimento da dívida, Pedro pagou integralmente o empréstimo. Considerando a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A) Pedro não poderá regredir contra Paulo para que participe do rateio do quinhão de João, pois Fernando o exonerou da solidariedade. B) Apesar da exoneração da solidariedade, Pedro pode cobrar de Paulo o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). C) Ao pagar integralmente a dívida, Pedro se sub-roga nos direitos de Fernando, permitindo se que cobre a integralidade da dívida dos demais devedores. D) Pedro deveria ter pago a Fernando apenas R$ 2.000,00 (dois mil reais), pois a exoneração da solidariedade em relação a Paulo importa, necessariamente, a exoneração da solidariedade em relação a todos os codevedores. GABARITO: 1)A 2)C 3)B 4)B 5)B 10. Pagamento 10.1. Considerações iniciais Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação (e, como consequência a extinção do vínculo de credor e devedor) é necessário que se cumpra o pagamento com seus 5 requisitos: quem paga, para quem se paga, o que se paga, onde se paga e quando se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, teremos a extinção da obrigação através do pagamento. Se uma delas não for cumprida, poderá ser aplicado o ditado de que: “quem paga mal, paga duas vezes.” *Para todos verem: esquema abaixo. 10.2. De quem deve pagar (Artigos 304-307, CC) Um ponto muito importante aqui é que usa as palavras solvens (que paga) e accipiens (quem recebe) e não exatamente credor e devedor. Isso porque outras pessoas além do devedor podem pagar e outras pessoas além do credor podem receber. Quem paga; Para quem se paga; Qual o objeto do pagamento; Lugar do pagamento; Tempo do pagamento. *Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ou em oposição ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este último tinha meios para ilidir a ação. 10.3. Para quem se paga (Artigos 308 – 312, CC) O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. EM RESUMO Requisitos do pagamento: quem paga, para quem se paga, objeto e prova, lugar e tempo de pagamento. Quem paga: • Regra: devedor • Exceções: o terceiro interessado (Exemplo: fiador → sub-rogação); o terceiro não interessado: paga em nome próprio (tem direito ao reembolso) ou como se fosse o devedor (doação). Para quem se paga: • Regra: credor / representante (Art. 308 do CC) • Exceções: o Art. 309 do CC: credor putativo (alguém que aparenta ser credor, mas que não é); o Art. 310 do CC: credor incapaz. ✓ O pagamento feito ao incapaz, em regra, não é válido. Exceção: o pagamento será válido se o devedor comprovar que o pagamento reverteu para o incapaz. 10.4. Objeto e prova Objeto do pagamento: Art. 313 a 318 do Código Civil Prova: Art. 319 a 326 do Código Civil → Objeto Com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a pagar ou receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. Da mesma forma, sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar a prestação se assim não se estipulou Princípio do Nominalismo Artigo 315. As dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda corrente nacional e pelo valor nominal. É permitida a cláusula de escala móvel ou cláusula de escalonamento, de acordo com o artigo 316: É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. Extremamente relevante o artigo 317 que trata sobre a revisão contratual por fato superveniente. Para que ocorra é necessária uma imprevisibilidade somada a uma onerosidade excessiva. Estaria aqui consagrada a teoria da imprevisão. → Prova O devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se não lhe for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se encontram no artigo 320: “A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida”. Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do “caput” do artigo 320. Contudo, caso não possua todos os requisitos, poderá ainda assim o pagamento ser comprado por outros meios. PRESUÇÕES DE PAGAMENTO: São presunções relativas (admitem prova em contrário). Art. 322: Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores. Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos. Juros são acessórios. Uma vez pago o principal, presume-se que os acessórios também foram pagos. Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. Art. 325: Presumem-se acargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação; se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida. 10.5. Do lugar de pagamento (Artigos 327 – 330, CC) Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. Assim, se nada for estipulado, o credor deverá ir até o devedor para buscar o pagamento. Domicílio do devedor – dívida quesível ou quérable. Domicílio do credor ou outro domicílio escolhido dívida portável ou portable. Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado o pagamento. Importante lembrar que se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. 10.6. Do tempo de pagamento (Artigos 331-333, CC) Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá se exigido à vista (cuidar o contrato de mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso ocorre: I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. Para a doutrina, esse rol não é taxativo e sim exemplificativo. EM RESUMO SOBRE PAGAMENTO *Para todos verem: esquema abaixo. Demais requisitos: quem paga e para quem se paga. 11. Adimplemento e extinção das obrigações 11.1. Consignação em pagamento (Artigos 334 – 345, CC) Depósito feito pelo devedor ou terceiro de uma coisa devida, para que consiga se liberar da obrigação. É um instituto misto, já que também é tratado no Código de Processo Civil, artigos 539 e seguintes do CPC. Requisitos Objeto Ninguém é obrigado a receber ou a entregar objeto diferente do contratado Prova A prova do pagamento se dá através da quitação Lugar Como regra: domicílio do devedor Tempo Possível vencimento antecipado - Artigo 333. O depósito pode ser feito de forma judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida (neste caso, somente dinheiro e é chamada de consignação extrajudicial) Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequências do inadimplemento. As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. Para vários doutrinadores, este rol seria exemplificativo. Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse realizado o pagamento, para que a consignação tenha então FORÇA DE PAGAMENTO, é necessário que concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação. Este é o único caso em que um credor pode pedir a consignação. 11.2. Do pagamento com sub-rogação (Art. 346 – 351, CC) A sub-rogação pode ser entendida como a substituição de uma pessoa por outra, realizada através do pagamento. O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para que não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação obrigacional, já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor (que não pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo fiador). Importante destacar que na sub-rogação não há a EXTINÇÃO da dívida e sim a substituição de uma pessoa por outra através do pagamento. Não há o surgimento de nova dívida. A sub- rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. Há dois grandes tipos de sub-rogação: legal e convencional: *Para todos verem: quadro abaixo. Sub-rogação legal ou automática (deriva da lei). Está no artigo 346: Sub-rogação convencional (deriva do contrato). Está no artigo 347: https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-1/s-YKm9thKAbAW?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm I - do credor que paga a dívida do devedor comum; II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; (alguém pode pagar a dívida para se afastar de eventual evicção). III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos; II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor. *Para todos verem: esquema abaixo. 11.3. Da imputação em pagamento (Artigos 352-355, CC) Imputar significa escolher, eleger, indicar. Quando um devedor tiver várias dívidas com um mesmo credor, sendo elas líquidas e vencidas, este mesmo devedor poderá escolher qual delas ele quer pagar. Requisitos para a imputação: ➢ Mesmo credor e devedor ➢ Plural de dívidas ➢ Líquidas e vencidas ➢ Débitos da mesma natureza. Como regra, quem deverá escolher qual dívida será paga, é o devedor (artigo 352). Se o devedor nada fizer, então se transfere o direito de escolha ao credor (Artigo 353). Caso nem o devedor, nem credor se manifestem, então teremos a imputação legal, ou seja, a lei, no seu artigo 355, que diz quais serão as dívidas a serem pagas: “Se o devedor não fizer a indicação Adimplemento e extinção das obrigações Consignação em pagamento judicial extrajudicial Sub-rogação legal ou automática ou de pleno direito convencional do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa”. Assim: ▪ Havendo capital e juros, primeiro se fará nos juros; ▪ A imputação será feita na dívida vencida em primeiro lugar; ▪ Se todas forem vencidas na mesma data, então a imputação deverá ser feita na mais onerosa. 11.4. Dação em pagamento (Artigo 356-359, CC) A dação ocorre quando o credor consente em receber objeto diferente do contratado. Assim, se exige uma obrigação previamente criada e um acordo posterior em que o credor aceita receber objeto diverso do contratado.Para que haja dação, podemos ter então a substituição de dinheiro por bens móvel ou imóvel, de uma coisa por outra, de dinheiro por fato etc. Muito importante! Artigo 359: Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. 11.5. Novação: Artigo 360 – 367 Através da novação temos a extinção da obrigação anterior, com a criação de uma nova. O principal efeito é a extinção da dívida antiga, com todos os seus acessórios e garantias. Como a novação extingue a obrigação primitiva, liberando as garantias, se o for feita novação sem o consentimento do fiador, ele estará exonerado. Além disso, é necessária a chamada “intenção de novar”. O ânimo de novar está expresso no artigo 361. Não é possível que haja novação de obrigações nulas e extintas (artigo 367). Assim, a obrigação meramente anulável pode ser objeto de novação. No artigo 360 temos as hipóteses de novação. I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; • Temos aqui a novação REAL. II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; • Chamada de novação subjetiva passiva, já que além da criação de nova dívida, extinguindo a anterior, também temos a troca do polo passivo (devedor). • Se o devedor original não foi chamado para consentir (artigo 363) teremos a novação subjetiva passiva por expromissão. III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este. • Chamada de novação subjetiva ativa, já que além da criação de nova dívida, extinguindo a anterior, também temos a troca do polo ativo (troca de credor). Súmula 286 STJ: A renegociação de contrato bancário ou a confissão de dívida não impede a possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades nos contratos anteriores. 11.6. Compensação (Artigos 368 – 380, CC) Quando duas ou mais pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedora umas das outras, extinguindo-se a obrigação até onde se compensarem. Requisitos: ▪ sujeitos são credores e devedores entre eles; ▪ dívidas líquidas vencidas e fungíveis; ▪ se houver determinação de qualidade, somente se compensam se for a mesma qualidade. A compensação pode ser: ➢ Legal: decorre da lei e independe da vontade das partes. ➢ Convencional: decorre de acordo de vontades entre as partes. Não há necessidade de pressupostos como dívidas líquidas e vencidas, etc., já que sendo Direito Privado, as partes podem convencionar como lhes aprouver. Prazos de favor não obstam a compensação (artigo 372). Prazos de favor são prazos que os credores dão para seus devedores, de forma a aumentar o prazo para pagamento. A diferença da causa, do motivo pela qual a compensação pode ocorrer, não impede compensação. No entanto, há casos em que não é possível a compensação (artigo 373): I - se provier de esbulho, furto ou roubo (presença de atos ilícitos); II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; Lembrando que honorários advocatícios não podem ser compensados, perdendo aplicação a Súmula 306 do STJ. III - se uma for de coisa não suscetível de penhora. Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento. 11.7. Confusão (Artigo 381 – 384, CC) A confusão ocorre quando na mesma pessoa se confunde as figuras de credor e devedor. Pode ocorrer por um ato “inter vivos” ou “causa mortis”. Ela pode ser total ou parcial, ou seja, ocorrer com relação a toda a dívida ou somente de parte dela. Como exemplo, podemos pensar que alguém deve uma quantia ao seu pai. Esse pai então falece e esse filho irá receber herança. Teremos a extinção da dívida, já que o filho irá receber a herança. 11.8. Remissão de dívidas (Artigos 385 – 388, CC) A remissão é o perdão da dívida que é concedida pelo credor ao devedor. No entanto, para que se tenha a liberação do devedor, é necessário que ele ACEITE o perdão. Assim, é um negócio jurídico bilateral. A remissão pode recair sobre a dívida inteira ou sobre parte dela. Há formas de perdão expresso (escrito) e também tácito. Um exemplo de remissão tácita ocorre no artigo 386, em que o credor devolve o título da obrigação (cheque, por exemplo) ao devedor. No entanto, se devolver, restituir o objeto empenhado (garantia do penhor) não significa que perdoou a dívida, mas sim que não quer mais a garantia – artigo 387. EM RESUMO... Consignação: quando se quer realizar o pagamento, no sentido de cumprir com a obrigação, mas não se consegue, então se consigna. Sub-rogação: substituição de uma pessoa por outra realizada através do pagamento. Imputação: escolhe qual dívida, líquida e vencida, se quer pagar. Dação: quando o credor aceita receber um objeto diferente do contratadoNovação: contratação de nova dívida para extinguir a anterior. Compensação: mesmo credor e devedor com reciprocidade de dívidas líquidas e vencidas. Remissão: Perdão e que precisa da concordância do devedor. Confusão: confunde na mesma pessoa, as figuras do credor e devedor. 12. Inadimplemento 12.1. Das disposições gerais (Arts. 389-393, CC) O Código Civil dá grande importância para o inadimplemento das obrigações. Temos aqui a responsabilidade civil contratual. https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-2/s-irQvY99nWHk?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm A partir do inadimplemento, nasce o dever de indenizar perdas e danos (artigos 402, 403 e 404 do CC). Temos dois tipos de inadimplemento: ➢ Inadimplemento relativo, parcial ou mora: Descumprimento parcial em que a obrigação ainda pode ser adimplida. ➢ Inadimplemento total ou absoluto: A obrigação não pode mais ser cumprida. Ela se tornou inútil para o credor. Como regra, de acordo com o artigo 389 não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. No entanto, (artigo 393) o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Caso fortuito é evento totalmente imprevisível. Força maior é evento previsível, porém inevitável. Na parte final do artigo 393 é dito que se a parte assumir o risco (Cláusula de assunção convencional) então mesmo em caso fortuito/força maior irá responder. 12.2. Da mora (Artigos 394 – 401, CC) Mora é atraso, retardamento ou até mesmo o cumprimento inexato da obrigação que, então, traduz o não cumprimento do contrato e, assim, a mora. A mora pode ser tanto do credor quanto do devedor. Estar em mora é não cumprir a obrigação no tempo, forma, objeto, enfim, a maneira como foi originalmente contratado. Mora do devedor: Artigo 394 - Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. O devedor em mora responde pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado (artigo 395). → Chamada de “mora solvendi” ou “mora debendi”. Obs.: Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora (artigo 396). Assim, se a obrigação não for cumprida em razão de algo quenão seja culpa do devedor, não teremos a caracterização da mora. Esse aspecto é bem importante, já que informa que para que haja a mora, é necessário que haja a CULPA do inadimplente. Se não houver culpa, não teremos mora. Classificação da mora: ➢ Mora “ex re” ou mora automática: Se houver data para adimplemento da obrigação e não for cumprida, temos que o seu inadimplemento já constitui automaticamente em mora o devedor. ➢ Mora “ex persona” ou mora pendente: Se não houver data (termo), a mora precisa primeiro ser constituída através de interpelação judicial ou extrajudicial. ➢ Mora irregular ou presumida: Artigo 398: Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. Mora do credor: Artigo 400 - A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. → A mora do credor é chamada de mora “accipiendi, creditoris ou credenti”. Há ainda a colocação do artigo 399, que trata sobre a responsabilidade do devedor que, em mora, responde pela impossibilidade da prestação, mesmo que essa impossibilidade resulta de caso fortuito ou força maior. O devedor poderá se isentar de tal responsabilidade se comprovar que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse cumprida pelo devedor. Como com a mora (inadimplemento relativo) é possível o cumprimento da obrigação, podemos ter então a chamada PURGA DA MORA: Artigo 401: Art. 401. Purga-se a mora: I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data. Inadimplemento absoluto da obrigação: Não cumprida a obrigação, temos o artigo 389, que diz que o inadimplente responde pelo valor do objeto, mais perdas e danos, juros, cláusula penal (se prevista) atualização monetária, custas e honorários do advogado. Entende a doutrina que a menção aos honorários no artigo 389 e também no 404 é de honorários contratuais e não sucumbenciais. Obs.: Entendimentos doutrinários: ➢ Mora “ex re”: Juros moratório passam a contar a partir do vencimento da obrigação. ➢ Mora “ex persona”: Juros moratórios passam a contar a partir da citação. ➢ Mora presumida ou irregular: a partir da ocorrência do evento danoso. Súmula 54 do STJ: “Os juros morátorios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”. Súmula 380 STJ: A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. Súmula 369 STJ: No contrato de arrendamento mercantil (leasing), ainda que haja cláusula resolutiva expressa, é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora. Súmula 412 STF: No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. Súmula 562 STF: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, os índices de correção monetária. Súmula 426 STJ: Os juros de mora na indenização do seguro DPVAT fluem a partir da citação. 12.3. Das perdas e danos (Artigos 402-405, CC) Segundo o artigo 402 as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu (danos emergentes ou positivos), o que razoavelmente deixou de lucrar (lucros cessantes ou danos negativos). Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Assim, não é possível a reparação de dano hipotético ou eventual. Para a doutrina, as perdas e danos do CC apenas tratam de danos materiais. Caso outros danos venham a surgir do inadimplemento, podem também ser pedidos (danos morais, estéticos) etc. 12.4. Dos juros legais (Artigos 406-407, CC) Um dos principais efeitos do inadimplemento contratual é a incidência de juros. Classificação dos juros: ➢ Convencionais: decorrem de um contrato entre as partes;] ➢ Legais: decorrem da lei ➢ Moratórios: decorrem do descumprimento parcial da obrigação (que é o significado de mora). São devidos desde a constituição da mora e não dependem de alegação/comprovação do prejuízo (artigo 407). Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. ➢ Compensatórios ou remuneratórios: decorrem de uma utilização acordada de determinado capital. Importante! Observar Súmulas relativas ao tema: Súmula 283 do STJ: As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições financeiras e, por isso, os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da Lei de Usura. Súmula 596 STF: As disposições do Decreto 22.626/1933 não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o Sistema Financeiro Nacional. Súmula 530 STJ: Nos contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros efetivamente contratada - por ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos autos -, aplica-se a taxa média de mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da mesma espécie, salvo se a taxa cobrada for mais vantajosa para o devedor 12.5. Da cláusula penal (Artigos 408 – 416, CC) Cláusula penal é uma punição, penalidade de natureza CIVIL e tem a ver com o inadimplemento obrigacional. Também é chamada de multa contratual ou pena convencional. Ela é contratada pelas partes e ocorre em caso de inadimplemento do contrato. É uma obrigação acessória e tem o fim de obter o cumprimento do contrato. A cláusula penal pode ser classificada em: clausula penal moratória e clausula penal compensatória. ➢ Clausula penal moratória: caso de inadimplemento parcial, em que ainda é possível o cumprimento. Serve para a punição de quem retardou em efetuar o pagamento. Não compensa o inadimplemento, nem substitui o pagamento. A doutrina entende que a multa moratória deve ter um teto de até 10% sobre o valor da dívida. Já para contratos de consumo, o valor é de até 2%. O artigo 411 trata especificadamente da clausula penal moratória, já que diz: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. Assim, quando houver clausula penal moratória, poderá o credor exigir o cumprimento da obrigação E o cumprimento da clausula penal moratória. ➢ Cláusula penal compensatória: no caso de inexecução total da obrigação. Ela tem a função de antecipar as perdas e danos Aqui temos a aplicação da regra do artigo 412: O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. Neste caso não poderá o credor exigir o cumprimento da obrigação E também a multa compensatória: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor (artigo 410). Se a clausula penal tiver um valor excessivo, deverá o juiz reduzir: A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigaçãoprincipal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. (artigo 413). Importa lembrar que o STJ entende que se houver clausula penal para uma parte do contrato e quem infringir foi a outra parte (que não tem previsão de cláusula penal) ela deve se aplicar para ambos os contratantes, indistintamente, ainda que redigida para a aplicação de apenas uma das partes. Não é necessária a comprovação de culpa do devedor, para que se possa solicitar a incidência da clausula penal: Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo (artigo 416). Ainda que o prejuízo exceda o previsto na clausula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. e o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Assim, não se pode cumular multa compensatória com indenização por perdas e danos decorrentes do inadimplemento da obrigação. Contudo, se no contrato estiver previsto tal possibilidade, a multa compensatória será já o mínimo de indenização. Cabe ao credor então comprovar o prejuízo excedente. 12.6. Arras ou Sinal (Artigos 417 – 420, CC) Como o próprio nome nos ensina, arras é um sinal dado em um negócio, em dinheiro ou outro bem móvel entregue por uma parte à outra. Tal sinal irá constar em um contrato preliminar. São muito comuns em promessa de compra e venda de imóvel. Há dois tipos de arras: 1) Confirmatórias: Quando não há a possibilidade de arrependimento quanto à celebração do contrato definitivo. Teremos então o artigo 418: Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. A parte que sofreu com o inadimplemento do outro poderá pedir indenização suplementar ou execução: “A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.” – Artigo 419. ▪ Como não há possibilidade de arrependimento, não cumprido o contrato, já incide as arras. ▪ Sem clausula de arrependimento e com perdas e danos. 2) Penitenciais: Quando consta no contrato a possibilidade de arrependimento. Aqui as arras terão função unicamente indenizatória, já que as partes podiam se arrepender, se assim quisessem. Está no artigo 420: Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. Obs.: Súmula 412 do STF: No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. → → → Com cláusula de arrependimento e sem perdas e danos. RESUMO ARRAS CONFIRMATÓRIAS: sem cláusula de arrependimento e com perdas e danos. ARRAS PENITENCIAIS: com cláusula de arrependimento e sem perdas e danos. QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XXX) Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo, procurou Leonardo, que revende veículos usados. Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, Lucas pagou a Leonardo um percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato, porém, Leonardo informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado já havia sido prometido informalmente para um outro comprador, velh amigo de Leonardo, motivo pelo qual Leonardo não honraria a avença. Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, Lucas procurou você, como advogado(a), para orientá-lo. Nesse caso, assinale a opção que apresenta a orientação dada. A) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária, juros e honorários de advogado, mas não o seu equivalente. B) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, mais o seu equivalente, com atualização monetária, juros e honorários de advogado. C) Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do valor pago a título de sinal, pois informou, tão logo quanto possível, que não cumpriria o contrato. D) Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, pois este é computado como início de pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento. 2) (EXAME XXII) Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já havia acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória. B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico ao valor da prestação principal, é abusiva. https://youtu.be/G2RlxMcmqcg C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve a título de multa. D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo Código de Defesa do Consumidor. 3) (EXAME XXV) Em 05 de dezembro de 2016, Sérgio, mediante contrato de compra e venda, adquiriu de Fernando um computador seminovo (ano 2014) da marca Massa pelo valor de R$ 5.000,00. O pagamento foi integralizado à vista, no mesmo dia, e foi previsto no contrato que o bem seria entregue em até um mês, devendo Fernando contatar Sérgio, por telefone, para que este buscasse o computador em sua casa. No contrato, também foi prevista multa de R$ 500,00 caso o bem não fosse entregue no prazo combinado. Em 06 de janeiro de 2017, Sérgio, muito ansioso, ligou para Fernando perguntando pelo computador, mas teve como resposta que o atraso na entrega se deu porque a irmã de Fernando, Ana, que iria trazer um computador novo para ele do exterior, tinha perdido o voo e só chegaria após uma semana. Por tal razão, Fernando ainda dependia do computador antigo para trabalhar e não poderia entregá-lo de imediato a Sérgio. Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) ou a cláusula penal de R$ 500,00, não podendo ser cumulada a multa com a obrigação principal. B) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) simultaneamente à multa de R$ 500,00, tendo em vista ser cláusula penal moratória. C) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem), não a multa, pois o atraso foi por culpade terceiro (Ana), e não de Fernando. D) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a cláusula penal de R$ 500,00, não a execução específica da obrigação (entrega do bem), que depende de terceiro (Ana). 4) (EXAME XX) Marcos vendeu para Francisco, por Instrumento particular, um quadro que pintara anos antes, pelo valor de três mil reais. No momento da celebração do contrato, Francisco entregou a Marcos, a título de arras penitenciais, quinhentos reais. No contrato constou que Marcos entregaria a obra na casa do Comprador 30 dias depois da celebração da avença. Todavia, 10 dias antes da data ajustada para a entrega, Francisco telefonou para Marcos e comunicou que desistira do negócio. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Francisco exerceu seu direito potestativo de desfazer a avença, e por isso perderá em favor de Marcos o sinal pago quando da celebração do contrato. B) Francisco cometeu um ilícito contratual, pelo que Marcos poderá reter o sinal dado pelo comprador no momento da celebração da avença. C) Marcos poderá pleitear indenização por perdas e danos se provar que seu prejuízo com o desfazimento do negócio foi superior aos R$ 500,00 pagos a título de sinal. D) As arras penitenciais reforçam o vínculo contratual e impedem o desfazimento do negócio pelo que Marcos poderá pleitear a execução específica do contrato. GABARITO: 1)B 2)A 3)B 4)A https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI 03. Responsabilidade civil 1. Considerações iniciais 1.1. Responsabilidade contratual x Responsabilidade extracontratual (aquiliana) A divisão clássica da responsabilidade civil estabelece que ela pode ser: responsabilidade civil contratual (desobediência de regra estabelecida em um contrato) ou então porque o sujeito não respeitou alguma regra normativa (violar direito, por exemplo) sendo esta última a chamada responsabilidade extracontratual. Responsabilidade civil contratual: Nos casos de não cumprimento de uma obrigação. Está estabelecida na parte de direito das obrigações (artigos 389, 390 e 391 do Código Civil). Responsabilidade extracontratual ou aquiliana: Está baseada na existência de um ato ilícito (Artigo 186) E também no abuso de direito (Artigo 187). A responsabilidade civil, tratada nos artigos 927 e seguintes do Código Civil é a responsabilidade extracontratual ou aquiliana. 2. Ato ilícito: Artigo 186 do CC Segundo o artigo 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Ato jurídico ilícito = violar direito E causar dano A consequência da prática de ato ilícito é a obrigação de indenizar, de acordo com os artigos 927e seguintes do CC. 2.1. Abuso de Direito: Artigo 187 do CC Segundo o artigo 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.” É conhecida como teoria dos atos emulativos. É aquele ato praticado, em seu início, dentro do direito, sendo assim, lícito em seu início. No entanto, o sujeito ABUSO de seu direito, dos limites impostos pelos fins econômicos e sociais, da boa-fé e dos bons costumes. Segundo a doutrina, para que o abuso de direito esteja configurado, é importante que a conduta praticada pela pessoa exceda um direito que possui. Assim, quando se fala do artigo 187, não se analisa culpa, bastando que a conduta da pessoa exceda os limites que tratam o artigo 187 do CC. Presente abuso de direito → Responsabilidade objetiva Exemplos de abuso de direito: • Publicidade abusiva no Direito do Consumidor – Artigo 37, parágrafo segundo do CDC. • Direito processual: abuso no processo – Artigo 80 do CPC. • Direito das coisas: Abuso do direito da propriedade: Exemplo o direito de vizinhança, que traz regras relativas ao uso nocivo da propriedade, passagem forçada etc. Exemplo: Artigo 1.228, parágrafo segundo: “São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.” 2.2. Excludentes de indenizar: Artigos 188 e artigos 929 e 930 do CC: O artigo 188 do CC traz situações que não configuram atos ilícitos. São elas: legítima defesa, exercício regular de um direito e estado de necessidade. Estão no referido artigo: os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (I) e a deterioração ou destruição da coisa alheia ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente (II). https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-resp-1/s-32T2eXMu84O?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-prof-patricia-strauss/s-GNPiuVeaAEo Assim, no artigo 188 do CC, o legislador traz a exclusão de antijuridicidade de determinados atos. Em algumas situações, o autor do dano não pratica ato ilícito e não responde civilmente. Em outras o autor do dano ainda não pratica ato ilícito, mas terá que responder. Este ponto é importante, já que a pessoa pode não ter praticado ato ilícito, mas terá que responder, como no caso do estado de necessidade. Vejamos o caso do estado de necessidade (II): Estado de necessidade ocorre quando, na presença de dois ou mais direitos, o autor escolhe um deles, causando dano ou não respeitando o outro direito. Enquanto na legítima defesa o agente atua contra uma agressão injusta, no estado de necessidade temos uma colisão de direitos. Um irá prevalecer sobre outro, mediante escolha do sujeito Estado de necessidade (II): Segundo exemplo doutrinário Carla deixa panela ligada e sai de casa. Há uma pessoa idosa, chamada Maria, dentro do apartamento que começa a gritar. Joana escuta os gritos de socorro de Maria e quebra a porta do Condomínio onde Maria se encontra para poder salvá-la. • Quem causou o perigo? Carla • Quem sofreu o dano? Condomínio • Quem causou o dano? Joana. De acordo com o artigo 929 e 930 do CC: Artigo 929: Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. Artigo 930: No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso I). De acordo com o exemplo acima: Como o condomínio não causou o perigo, poderá exigir indenização contra o causador do dano (Joana). No entanto, de acordo com o artigo 930, Joana poderá ingressar com ação de regresso contra quem causou o perigo: Carla. 3. Responsabilidade objetiva e subjetiva A responsabilidade civil subjetiva é a regra dentro do Direito Civil. Ela é baseada na “teoria da culpa”, já que é necessária a verificação de culpa, para que se possa configurar tal requisito. Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva (regra) é necessário: conduta humana, culpa, nexo causal e dano. Está no artigo 927 “caput” do CC: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” Já a responsabilidade objetiva está consagrada no parágrafo único do artigo 927: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” Neste caso, para a configuração da responsabilidade objetiva são necessários: conduta humana, nexo causal e dano. Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC. 3.1 Responsabilidade objetiva É baseada na TEORIA DO RISCO, sendopode apenas pleitear a indenização e não a rescisão do contrato. QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 1) (XXIII Exame) Juliana, por meio de contrato de compra e venda, adquiriu de Ricardo, profissional liberal, um carro seminovo (30.000km) da marca Y pelo preço de R$ 24.000,00. Ficou acertado que Ricardo faria a revisão de 30.000km no veículo antes de entregá-lo para Juliana no dia 23 de janeiro de 2017. Ricardo, porém, não realizou a revisão e omitiu tal fato de Juliana, pois acreditava que não haveria qualquer problema, já que, aparentemente, o carro funcionava bem. No dia 23 de fevereiro de 2017, Juliana sofreu acidente em razão de defeito no freio do carro, com a perda total do veículo. A perícia demostrou que a causa do acidente foi falha na conservação do bem, tendo em vista que as pastilhas do freio não tinham sido trocadas na revisão de 30.000km, o que era essencial para a manutenção do carro. Considerando os fatos, assinale a afirmativa correta. a) Ricardo não tem nenhuma responsabilidade pelo dano sofrido por Juliana (perda total do carro), tendo em vista que o carro estava aparentemente funcionando bem no momento da tradição. b) Ricardo deverá ressarcir o valor das pastilhas de freio, nada tendo a ver com o acidente sofrido por Juliana. c) Ricardo é responsável por todo o dano sofrido por Juliana, com a perda total do carro, tendo em vista que o perecimento do bem foi devido a vício oculto já existente ao tempo da tradição. d) Ricardo deverá ressarcir o valor da revisão de 30.000km do carro, tendo em vista que ela não foi realizada conforme previsto no contrato. 2) (XXVIII EXAME) Maria decide vender sua mobília para Viviane, sua colega de trabalho. A alienante decidiu desfazer-se de seus móveis porque, após um serviço de dedetização, tomou conhecimento que vários já estavam consumidos internamente por cupins, mas preferiu omitir tal informação de Viviane. Firmado o acordo, 120 dias após a tradição, Viviane descobre o primeiro foco de cupim, pela erupção que se formou em um dos móveis adquiridos. Poucos dias depois, Viviane, após investigar a fundo a condição de toda a mobília adquirida, descobriu que estava toda infectada. Assim, 25 dias após a descoberta, moveu ação com o objetivo de redibir o negócio, devolvendo os móveis adquiridos, reavendo o preço pago, mais perdas e danos. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. a) A demanda redibitória é tempestiva, porque o vício era oculto e, por sua natureza, só podia ser conhecido mais tarde, iniciando o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do vício. b) Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato, deveria a adquirente reclamar abatimento no preço, em sendo o vício sanável. c) O pedido de perdas e danos não pode prosperar, porque o efeito da sentença redibitória se limita à restituição do preço pago, mais as despesas do contrato. d) A demanda redibitória é intempestiva, pois quando o vício só puder ser conhecido mais tarde, o prazo de 30 (trinta) dias é contado a partir da ciência, desde que dentro de 90 (noventa) dias da tradição. 3) (EXAME XXX) Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção de sua falecida avó, Marta. Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como legado, em testamento, para sua neta, Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca, circunstância na qual se encantou com a coleção de clássicos franceses. Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara de Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade do testamento e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. Diante de tais situações, assinale a afirmativa correta. a) Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar Joana pela evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa. b) Com relação ao livro recebido em doação, Joana responde pela evicção, especialmente porque, na data da avença, Renata não sabia da existência de litígio. c) A informação prestada por Joana a Renata, acerca da existência de litígio sobre a biblioteca que recebeu em legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de reforço da responsabilidade pela evicção. d) O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana classifica-se como contrato de natureza aleatória, pois Marta soube posteriormente do risco da perda do bem pela evicção. GABARITO: 1 – C 2 – A 3 – A 5. CONTRATO PRELIMINAR (Artigos 462 a 466, CC) Um exemplo de contrato preliminar é a promessa ou compromisso de compra e venda de bem imóvel. Nesse contrato, as partes estipulam que o comprador irá, por exemplo, pagar as parcelas convencionadas e o vendedor, ao final do pagamento de todas as prestações, se obriga a passar o imóvel para o nome do comprador. Tanto o contrato preliminar (promessa de compra e venda de imóvel) quanto o definitivo (compra e venda de imóvel) devem ser registrados no registro de imóveis. É permitido que o contrato preliminar seja feito por instrumento particular. O contrato preliminar, uma vez registrado, passa a ter direito real, de acordo com os artigos 1.417 e 1.418 do CC (Direito real do promitente comprador de imóvel). 6. CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR (Artigos 467 a 471, CC) Uma das partes pode reservar‑se (desde que acordado no contrato) o direito de colocar outra pessoa em seu lugar na relação contratual. O prazo legal, dado pelo Código Civil (5 dias, conforme artigo 468) é em caso de inexistência de outro prazo no contrato. Caso o terceiro que ingressar no contrato seja insolvente etc., o contrato irá vigorar entre as partes originais. 7. EXTINÇÃO DO CONTRATO (Artigos 472 a 480, CC) Formas anômalas de finalizar o contrato *Para todos verem: esquema abaixo. A) Resolução: quando houver inadimplemento do contrato. Poderá requerer: ➢ Cumprimento + perdas e danos; OU ➢ Desfazimento + perdas e danos; ➢ Teoria do adimplemento substancial. Se já houve o pagamento da maior parte do contrato, o credor não poderá solicitar a resolução, somente o adimplemento. B) Resilição: Não há inadimplemento, mas as partes não querem mais o contrato. *Para todos verem: esquema abaixo. Unilateral Bilateral Um dos lados coloca fim no contrato, quando a lei permitir. É necessária uma notificação à outra parte. Trata-se do distrato: as partes desfazem o contrato por livre vontade. A lei solicita que seja realizado da mesma forma do contrato. - Resolução - Resilição - Exceção do contrato não cumprido - Resolução ou revisão por onerosidade excessiva C) Exceção do contrato não cumprido: Só vale para contratos bilaterais. D) Resolução ou revisão por onerosidade excessiva: Teoria da imprevisão. *Para todos verem: esquema abaixo. Enunciados do CJF: Enunciado 175 – Art. 478: “A menção à imprevisibilidade e à extraordinariedade, insertas no art. 478 do Código Civil, deve ser interpretada não somente em relação ao fato que gere o desequilíbrio, mas também em relação às consequências que ele produz”. Enunciado n. 176 – Art. 478: “Em atenção ao princípio da conservação dos negócios jurídicos, o art. 478 do Código Civil de 2002 deverá conduzir, sempre que possível, à revisão judicial dos contratos e não à resolução contratual”. Vale lembrar que, antes da resolução (extinção do contrato), o art. 479 do CC possibilita a revisão do contrato (e não sua extinção) tendo em vista o princípio da conservação contratual. QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (XXVII EXAME) Renata financiou a aquisição de seu veículo em 36 parcelas e vinha pagando pontualmente todas as prestações.que há várias modalidades da teoria: Teoria do risco administrativo: Artigo 37, parágrafo sexto da CF. É usado no caso de responsabilidade objetiva do Estado. Teoria do risco da atividade: Artigo 927, parágrafo único, segunda parte. Teoria do risco-proveito: risco decorre de uma atividade lucrativa. Teoria do risco integral: Não há excludente, como algumas situações de danos ambientais. De acordo com o CC, haverá responsabilidade objetiva em 2 situações: Nos casos expressos em lei. Exemplo: CDC, artigo 932, 936 etc. Nos casos em que o causador do dano realiza uma atividade de risco. A ideia é que o risco apresentado é excepcional, acima da normalidade. Exemplo: motorista de cargas perigosas, de valores, motoboy, trabalhador na construção civil etc. 4. Responsabilidade objetiva no Código Civil → Responsabilidade objetiva no Código Civil: Casos de responsabilidade objetiva no CC: • Abuso de direito (art. 187); • Por fato de terceiro (artigo 932/933/934); • Por fato de animal (artigo 936); • Pela ruína de edifício ou construção (artigo 937); • Por objeto caídos ou lançados de prédio (artigo 938). → Responsabilidade civil por atos de terceiros ou responsabilidade civil indireta: Artigo 932: • Pais, por filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. • O tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; • O empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; * Importante lembrar que não é necessário que haja vínculo empregatício. * Lembrando que se o empregador for um FORNECEDOR e houver relação de consumo, possivelmente teremos a aplicação do CDC e não do CC. • Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; *Este é o caso do hóspede que CAUSA dano a terceiros. • Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que informa que os terceiros serão responsabilizados, ainda que não HAJA CULPA por parte deles. No entanto, a jurisprudência e a doutrina entendem que para que haja a condenação dos pais, é necessária a comprovação da culpa dos filhos. Para que tutores e curadores sejam responsabilizados, é necessária a comprovação de culpa dos tutelados/curatelados. O mesmo ocorre com empregador/empregado, etc. Neste último caso, é importante destacar que a prova de culpa do empregado somente é necessária em relações reguladas pelo CC. Se for uma relação de consumo, a responsabilidade civil dos fornecedores de produto/serviço é regulada pelo CDC, NÃO SENDO NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DA CULPA DO EMPREGADO. De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá Direito de Regresso contra o empregado que causou o dano. Há uma exceção: Relações entre ascendentes e descendentes incapazes não haverá direito de regresso. Assim, o ascendente não tem regresso contra o descendente, se este for incapaz. Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no artigo 932. Observação: Responsabilidade do incapaz (Artigo 928 do CC) De acordo com o artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, primeiro respondem os responsáveis pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições financeiras ou não forem obrigadas a tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo assim, de acordo com o parágrafo único, a indenização deverá ser equitativa e, se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do seu sustento, então tal indenização não terá lugar. Devido ao parágrafo único do 942, ainda há discussões que tratam sobre a responsabilidade do incapaz ser ou não subsidiária. No entanto, a jurisprudência e a doutrina dizem que sim, em decorrência do artigo 928, ela será SUBSIDIÁRIA, NÃO TENDO APLICAÇÃO O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 942. → Responsabilidade civil por fato de animal: Está disciplinada no artigo 936 do CC: O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Há somente duas excludentes nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa da vítima e força maior. → Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína: O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do CC. Para que haja a configuração, é necessário se estabelecer que o imóvel necessitava de reparos de forma manifesta. A responsabilidade é do dono do edifício ou da construção (construtora, por exemplo). → Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio (defenestramento): Segundo o artigo 938 do CC: Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Ponto muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem HABITA o prédio. Assim, seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário...enfim, quem estiver habitando o prédio. Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá ajuizar regresso contra o ofensor. → Responsabilidade objetiva no contrato de transporte: No artigo 750 do CC é tratada sobre a responsabilidade objetiva do transportador de coisas: A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-resp/s-BAdl2gGoj8e?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-prof-patricia-strauss/s-GNPiuVeaAEo começa no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. Também o artigo 734: O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade. No caso específico deste contrato, não cabe nem mesmo a quebra do nexo causal por culpa exclusiva de terceiro, por força do artigo 735: A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. Contudo, se o transporte for de cortesia ou por amizade, a responsabilidade será subjetiva, consoante artigo 736: Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia. Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas. → Responsabilidade civil e criminal – artigo 935: Conforme artigo 935: A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Como regra, podemos pensar que as esferas cível e criminal não se comunicam. No entanto, se no criminal foi decidido sobre existência de fato e/ou autoria, então haverá dependência entre as esferas cível e criminal. → Responsabilidade por demanda de dívida: Há 3 artigos que tratam sobre o tema, na parte de responsabilidade civil. Artigos 939, 940 e 941: Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, adescontar os juros correspondentes, embora estipulados, e a pagar as custas em dobro. Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se aplicarão quando o autor desistir da ação antes de contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido. De acordo com o artigo 941, se o autor desistir da ação antes da contestação, as punições dos artigos 939 e 940 não serão aplicadas Além disso, o parágrafo único do artigo 930 também fala que é possível que Joana ajuíze ação contra “aquele em defesa de quem se causou o dano”. 5. Elementos da responsabilidade civil Os elementos da responsabilidade civil são também chamados de pressupostos do dever de indenizar. O tema não é pacífico na doutrina. Para a responsabilidade subjetiva, que é a regra em nosso Código Civil (Artigo 927, “caput”), é necessária a configuração de quatro elementos ou pressupostos de responsabilidade. • Conduta humana; • Culpa genérica ou “lato sensu”; • Nexo causal e • Dano. Se a responsabilidade for objetiva (artigo 927, parágrafo único, por exemplo) então precisamos de 3 elementos: • Conduta humana; • nexo causal e • dano. Vamos à análise dos elementos: → Conduta humana: Pode ser causada por uma ação (conduta positiva) ou uma omissão (conduta negativa). Tais ações ou omissões poderão ser dolosas (com intenção) ou culposas (sem intenção) mas agindo com imprudência, imperícia e negligência. Observação: sobre OMISSÃO. Um ponto importante com relação à omissão, é que entende a doutrina que é necessário que se tenha o dever jurídico de praticar determinado ato (omissão genérica) bem como a prova de que a conduta não foi praticada (omissão específica). Exemplo: veículo furtado dentro de condomínio. Entendem os tribunais que não há responsabilidade do condomínio, já que não tinha o dever jurídico de impedir o ilícito. → Culpa: A culpa somente é necessária quando a responsabilidade for do tipo subjetiva. Aqui envolve dolo (intenção) e culpa (sem intenção, porém com imprudência, negligência ou imperícia). → Dolo: Intenção do agente em causar dano. O dolo dentro da responsabilidade civil recebe, segundo a doutrina, o mesmo tratamento da culpa gravíssima ou grave. No dolo o agente quer a conduta E quer o resultado. Agindo com dolo, a indenização a ser paga para a vítima deve ser plena. → Culpa “stricto sensu” ou em sentido estrito: Não há a intenção de violar um dever jurídico. Na culpa o agente quer a conduta, mas não quer o resultado. Há três modalidades de culpa: Imprudência: Ausência de cuidado + ação. Exemplo: Dirigir veículo em alta velocidade. Negligência: Falta de cuidado + omissão: Exemplo: empregado que é colocado para trabalhar na empresa sem treino. Empresa foi negligente. Imperícia: Falta de qualificação para desempenhar determinada função. Ainda que a culpa não deve ser levada em conta, quando se discute responsabilidade objetiva, os tribunais têm entendido, quando para a FIXAÇÃO da indenização (e não a configuração) que se a vítima concorreu, de alguma forma, para o dano, ainda que a responsabilidade do agente seja averiguado pelo âmbito objetivo, se poderá utilizar os artigos 944 e 945 para a fixação da indenização (que preveem risco concorrente e culpa concorrente). → Nexo de causalidade Elemento que coloca em conjunto a relação de causa e efeito entre a conduta e o dano suportado por alguém. É uma ligação entre conduta e dano. Para a doutrina, o nexo causal seria formado: Na responsabilidade subjetiva: nexo causal seria formado pela culpa genérica. Na responsabilidade objetiva: nexo causal seria formado pela conduta, cumulada com a previsão legal de responsabilidade objetiva ou pela atividade de risco (artigo 927, parágrafo único do CC). Há várias teorias que tratam sobre o nexo causal: Teoria da equivalência das condições ou do histórico dos antecedentes: Todos os fatos relativos ao evento danoso geram responsabilidade civil. Não é adotada pelo CC. Teoria da causalidade adequada: Na presença de diversas causas, se identifica qual que, potencialmente, gerou o evento dano. Somente o fato danoso gera a responsabilidade civil. Ganha relevo aqui as causas, o grau de culpa dos envolvidos, os fatos concorrentes. Esta teoria está consagrada nos artigos 944 e 945 do CC, sendo a que prevalece na nossa doutrina. Obs.: Causalidade alternativa: Quando há um grupo e não se consegue identificar qual pessoa do grupo causou dano a outra pessoa. Então, temos que o grupo responde. Exemplo: Artigo 938 quando o condomínio responde por um objeto lançado ou caído de um prédio, se não for possível identificar de onde caiu o objeto. Teoria do dano direto e imediato ou teoria da interrupção do nexo causal: Havendo interrupção do nexo causal, teremos a irresponsabilidade do agente. Ganha relevo aqui as excludentes totais de responsabilidade, já que o dano ocorrido não será de responsabilidade do causador. Está no artigo 403 do CC, quando se trata sobre perdas e danos. → Dano Um dos elementos de configuração da responsabilidade civil é o dano. Na Súmula 37 do STJ (do ano de 1992) já se falava na possibilidade de cumulação de danos morais com danos materiais. Já no ano de 2009, o STJ editou a Súmula 387, permitindo a cumulação de danos estéticos e morais: Súmula 37 do STJ: “É lícita a cumulação das indenizações de danos estético e dano moral.” A doutrina divide, tradicionalmente os danos em: ▪ Danos clássicos ou tradicionais: Materiais e morais ▪ Danos novos ou contemporâneos: Danos estéticos, danos morais coletivos, danos sociais e danos por perda de uma chance. ▪ Danos patrimoniais ou materiais: Constituem prejuízos ou perdas que a pessoa sofreu. Podemos ter danos emergentes/positivos ou lucros cessantes ou negativos. Emergentes ou positivos: o que efetivamente se perdeu. Exemplo: Artigo 948, I do CC, para o caso de homicídio, em que familiares deverão ser reembolsados pelas despesas do funeral, etc. Lucros cessantes/negativos: o que razoavelmente se deixou de lucrar. Exemplo: Taxista que pleiteia lucros cessantes pela batida em seu carro. Dano material reflexo: Os parentes entram solicitando direito próprio. Outro exemplo de lucro cessante é o caso dos alimentos indenizatórios (alimentos devidos aos dependentes do falecido) levando-se em conta a duração da vida provável daquele que faleceu (atualmente, referem-se os tribunais, aos 74 anos): 2/3 do salário da vítima por mês + FGTS, 13° salário e eventuais horas extras até o limite da vida provável da vítima. → Se a vítima faleceu após a idade média, então se faz um cálculo da vida provável da vítima, de acordo com as condições. → Debate: Se a vítima for menor, é possível que os pais peçam indenização a título de lucros cessantes? Sim, Súmula 491 do STF: É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho remunerado. Tal entendimento é, em geral, aplicável para familiares de baixa renda que talvez contavam com o auxílio financeiro do filho. O dano material por esses casos é tido como presumido “in re ipsa”. Neste caso, o cálculo é feito entre 14 anos até 24/25 anos, período em que se entendeu estaria o menor auxiliando nas despesas da casa. → Danos morais: Previsão na CF, artigo 5°, V e X. Os danos morais são entendidos como sendo aqueles que lesam os direitos da personalidade (Artigo 11 – 21 do CC). No dano moral há uma compensação pelos danos suportados. Importante destacar que, além dacompensação em dinheiro, também é possível uma compensação “in natura” para os danos morais, como retratação pública ou outro meio. Classificação dos danos morais (segundo Flávio Tartuce): A) Quanto ao sentido: 1 - Dano moral em sentido próprio: aquilo que a pessoa sente, causando a ela dor, tristeza, humilhação etc. 2 - Dano moral em sentido impróprio: não necessita de prova do sofrimento para sua caracterização. A simples ofensa ao direito da personalidade, já seria suficiente para a configuração de dano moral. B) Quanto à necessidade de prova: 1 - Dano moral provado ou subjetivo: é a regra geral, necessita ser comprovado pelo autor do processo. 2 - Dano moral objetivo ou presumido (in re ipsa): não necessita de prova. São exemplos: morte de pessoa da família, lesão estética, lesão a direito fundamental, uso indevido de imagens para fins lucrativos. C) Quanto à pessoa atingida: 1 - Dano moral direto: aquele que atinge a própria pessoa. Atinge sua honra subjetiva (autoestima) ou então sua honra objetiva (repercussão social). 2 - Dano moral indireto, ou dano moral em ricochete: atinge a pessoa de forma reflexa, como nos casos de morte de um familiar. São também exemplos: lesão à personalidade do morto, perda de um animal de estimação (artigo 952 CC). Súmula 388 STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. Súmula 403 STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. D) Danos morais em pessoa jurídica: Com relação ao dano moral de pessoa jurídica, o artigo 52 do CC informa que a proteção dos direitos da personalidade, no que couber, também é aplicável para as pessoas jurídicas. Além disso, temos a Súmula 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Assim, os direitos da personalidade não são exclusivos da pessoa humana. Um ponto importante a ser lembrado, é que a pessoa jurídica não tem honra subjetiva, e sim OBJETIVA (consequência social da honra). DEBATE: O descumprimento de um contrato pode geral dano moral? O debate é ainda acalorado nos Tribunais. Há enunciado, no entanto, de número 411, que diz que “O descumprimento de um contrato pode gerar dano moral, quando envolver valor fundamental protegido pela CF de 1988.” Com relação à natureza jurídica do dano moral (também debatida) temos uma corrente que PARECE prevalecer na doutrina/jurisprudência, que é a que entende o dano moral como um caráter REPARATÓRIO E PEDAGÓGICO. No entanto, o tema ainda é bastante polêmico. Existe um “tabelamento” para a fixação do dano moral? Para Flávio Tartuce, qualquer tipo de tabelamento seria inconstitucional e cada caso deve ser analisado em particular. Como fixar, então, o dano moral? De acordo com o artigo 944 e 945 do CC, levando em conta: ▪ Extensão do dano; ▪ Condições socioeconômicas e culturais dos envolvidos; ▪ Condições psicológicas das partes; e ▪ Grau de culpa do agente, de terceiro ou da vítima. Algumas súmulas relativas ao assunto: Súmula 385 - Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. Súmula 498 STF: Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais. E) Danos estéticos: Para muitos doutrinadores, basta a pessoa ter sofrido uma “transformação” para que o dano seja caracterizado. Não é necessário que seja exterior. São exemplos: cicatrizes, amputações, perda de órgãos etc. F) Danos morais coletivos: Ainda bastante debatido na jurisprudência e doutrina, e seria o dano que atinge, ao mesmo tempo, direitos da personalidade de pessoas determinadas ou determináveis (possível de identificação). Ainda há importantes debates Importante lembrar que o CDC , no seu artigo 6°, VI, admite expressamente a reparação dos danos morais coletivos. G) Danos sociais: Lesões à sociedade, tanto por rebaixamento moral, quanto por diminuição a qualidade de vida. Há um caso emblemático, julgado pelo TJ-RS, que condena por fraude a empresa que oferecia o “Toto bola”. H) Danos por perda de uma chance: Ocorre quando uma pessoa vê frustrada uma expectativa futura e que, se não houvesse a “perda de uma chance” tal expectativa teria se confirmado. Entende a doutrina que haveria a perda de uma chance quando a probabilidade de oportunidade for maior que 50%. Um exemplo é o advogado que perde prazos na esfera judicial. Ela pode ser verificada em especial em circunstâncias médicas/advocatícias, etc. Não há previsão na lei sobre a perda de uma chance, mas ela é aplicada por nossos Tribunais. 6. Excludentes de responsabilidade Excludentes do nexo de causalidade: São elas: ▪ Culpa exclusiva ou fato exclusivo da vítima; ▪ Culpa exclusiva ou fato exclusivo de terceiro; ▪ Caso fortuito e força maior: Caso fortuito seria o evento imprevisível decorrente de ato humano ou natureza. Já força maior seria evento previsível, porém inevitável, também decorrentes de ato humano ou natureza. No entanto, a doutrina não é unânime com relação aos conceitos e muitos autores usam ambos como sinônimos. As excludentes de responsabilidade são temas debatidos na doutrina/ jurisprudência e nem sempre é tarefa fácil a sua averiguação. É necessária a verificação individual dos casos. Por exemplo: Assalto a mão armada. Seria caso fortuito? Assalto que ocorre DENTRO da agência bancária não seria caso fortuito, já que é dever do banco assegurar segurança para os que estão dentro da agência bancária. Assim, teria o banco o dever de indenizar. Já se o assalto for fora da agência bancária, de forma que tal prática não seja corriqueira, entendem os tribunais que o banco não responde civilmente. Outro exemplo de excludente, muito comum na jurisprudência, é o assalto dentro de ônibus, sendo tal evento totalmente independente do contrato de transporte e, portanto, a empresa de transporte não responde. O mesmo ocorre com situações de “bala perdida”. Há quebra do nexo causal em tais casos. Um exemplo jurisprudencial de incidência de fato exclusivo de terceiro, é o caso do estudante que ingressou em cinema, na cidade de São Paulo, e metralhou o estabelecimento. Entenderam os tribunais que estaria afastada a responsabilidade do shopping center, já que foi um agir de terceiro. QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XXIX) Márcia transitava pela via pública, tarde da noite, utilizando uma bicicleta que lhe fora emprestada por sua amiga Lúcia. Em certo momento, Márcia ouviu gritos oriundos de uma rua transversal e, ao se aproximar, verificou que um casal discutia violentamente. Ricardo, em estado de fúria e munido de uma faca, desferia uma série de ofensas à sua esposa Janaína e a ameaçava de agressão física. De modo a impedir a violência iminente, Márcia colidiu com a bicicleta contra Ricardo, o que foi suficiente para derrubá-lo e impedir a agressão, sem que ninguém saísse gravemente ferido. A bicicleta, porém, sofreu uma avaria significativa, de tal modo que o reparo seria mais caro do que adquirir uma nova, de modelo semelhante. De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. a) Lúcia não poderá ser indenizada pelo dano material causado à bicicleta. b) Márcia poderá ser obrigada a indenizar Lúcia pelo dano material causado à bicicleta, mas não terá qualquer direito de regresso. c) Apenas Ricardo poderá ser obrigado a indenizar Lúcia pelo dano material causado à bicicleta. d) Márcia poderá ser obrigada a indenizar Lúcia pelo dano material causado à bicicleta e terá direito de regresso em face de Janaína. → → https://youtu.be/K2HBakjFO98 2 - (XXV EXAME) Marcos caminhava na rua em frente ao Edifício Roma quando, da janela de um dos apartamentos da frentedo edifício, caiu uma torradeira elétrica, que o atingiu quando passava. Marcos sofreu fratura do braço direito, que foi diretamente atingido pelo objeto, e permaneceu seis semanas com o membro imobilizado, impossibilitado de trabalhar, até se recuperar plenamente do acidente. À luz do caso narrado, assinale a afirmativa correta. a) O condomínio do Edifício Roma poderá vir a ser responsabilizado pelos danos causados a Marcos, com base na teoria da causalidade alternativa. b) Marcos apenas poderá cobrar indenização por danos materiais e morais do morador do apartamento do qual caiu o objeto, tendo que comprovar tal fato. c) Marcos não poderá cobrar nenhuma indenização a título de danos materiais pelo acidente sofrido, pois não permaneceu com nenhuma incapacidade permanente. d) Caso Marcos consiga identificar de qual janela caiu o objeto, o respectivo morador poderá alegar ausência de culpa ou dolo para se eximir de pagar qualquer indenização a ele. 3) (XXV EXAME) João, empresário individual, é titular de um estabelecimento comercial que funciona em loja alugada em um shopping-center movimentado. No estabelecimento, trabalham o próprio João, como gerente, sua esposa, como caixa, e Márcia, uma funcionária contratada para atuar como vendedora. Certo dia, Miguel, um fornecedor de produtos da loja, quando da entrega de uma encomenda feita por João, foi recebido por Márcia e sentiu-se ofendido por comentários preconceituosos e discriminatórios realizados pela vendedora. Assim, Miguel ingressou com ação indenizatória por danos morais em face de João. A respeito do caso narrado, assinale a afirmativa correta. a) João não deve responder pelo dano moral, uma vez que não foi causado direta e imediatamente por conduta sua. b) João pode responder apenas pelo dano moral, caso reste comprovada sua culpa in vigilando em relação à conduta de Márcia. c) João pode responder apenas por parte da compensação por danos morais diante da verificação de culpa concorrente de terceiro. d) João deve responder pelos danos causados, não lhe assistindo alegar culpa exclusiva de terceiro. 4) (XXII EXAME) André é motorista da transportadora Via Rápida Ltda. Certo dia, enquanto dirigia um ônibus da empresa, se distraiu ao tentar se comunicar com um colega, que dirigia outro coletivo ao seu lado, e precisou fazer uma freada brusca para evitar um acidente. Durante a manobra, Olívia, uma passageira do ônibus, sofreu uma queda no interior do veículo, fraturando o fêmur direito. Além do abalo moral, a passageira teve despesas médicas e permaneceu por semanas sem trabalhar para se recuperar da fratura. Olívia decide, então, ajuizar ação indenizatória pelos danos morais e materiais sofridos. Em referência ao caso narrado, assinale a afirmativa correta. a) Olívia deve, primeiramente, ajuizar a ação em face da transportadora, e apenas demandar André se não obtiver a reparação pretendida, pois a responsabilidade do motorista é subsidiária. b) Olívia pode ajuizar ação em face da transportadora e de André, simultânea ou alternativamente, pois ambos são solidariamente responsáveis. c) Olívia apenas pode demandar, nesse caso, a transportadora, mas esta terá direito de regresso em face de André, se for condenada ao dever de indenizar. d) André e a transportadora são solidariamente responsáveis e podem ser demandados diretamente por Olívia, mas aquele que vier a pagar a indenização não terá regresso em face do outro. GABARITO 1) D 2) A 3) D 4) BEntretanto, a recente perda de seu emprego fez com que não conseguisse manter em dia a dívida, tendo deixado de pagar, justamente, as duas últimas prestações (35ª e 36ª). O banco que financiou a aquisição, diante do inadimplemento, optou pela resolução do contrato. Tendo em vista o pagamento das 34 parcelas anteriores, pode-se afirmar que a conduta da instituição financeira viola o princípio da boa-fé, em razão do(a) a) dever de mitigar os próprios danos. b) proibição de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). c) adimplemento substancial. Contrato comutativo Contrato de prestações continuadas ou diferida Fator imprevisível Aumenta de forma excessiva o valor para uma das partes d) dever de informar. GABARITO: 01) C 8. CONTRATOS EM ESPÉCIE (COMPRA E VENDA) 8.1. Conceito (art. 481) Art. 481: Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar‑lhe certo preço em dinheiro. Na compra e venda os contratantes apenas se obrigam, ou seja, a partir da aceitação, o comprador se obriga a pagar o preço e o vendedor a entregar a coisa. 8.2. Natureza jurídica 1 – Contrato bilateral; 2 – Consensual: se aperfeiçoa com o acordo de vontade, independente da entrega da coisa. É o que diz o art. 482: “A compra e venda, quando pura, considerar‑se‑á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço.” 3 – Oneroso; 4 – Em regra: não solene. Exceção: compra e venda de imóveis. 8.3. Elementos da compra e venda → Preço: O preço deve sempre ser pago em dinheiro ou redutível a dinheiro (cheque, cartão etc.). Há vários modos que o preço pode ser estabelecido. 1 – A fixação do preço pode ser dada a taxa de mercado ou bolsa, em certo e determinado dia e lugar. 2 – Pode ser estabelecido que terceiro fixe o preço. 3 – Pode ser fixado em função dos índices ou parâmetros. Observação: Preço que sua fixação fica ao livre arbítrio da outra parte: Nulo, segundo artigo 489 do CC. → Coisa: Pode ser a venda de algo que já existe ou de bens que virão a existir (coisa futura) conforme artigo 483 do CC. 8.4. Limitações à compra e venda. A) Venda de ascendente a descendente. Diz o art. 496: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Em ambos os casos, dispensa‑se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória.”. A anuência do cônjuge e outros descendentes deve ser expressa. Caso não tenha o consentimento, será passível de anulação. Os legitimados para a propositura da ação anulatória são os outros descendentes e o cônjuge do alienante. Entende o STJ que é necessária a prova do prejuízo dos demais herdeiros, para que se tenha a anulação. O prazo para ajuizamento da ação anulatória é de 2 anos, segundo o artigo 179 do Código Civil. B) Venda de parte indivisa em condomínio: O condômino não pode alienar sua parte indivisa a terceira pessoa, se o outro condômino a quiser, tanto por tanto. O condômino que quiser pode exercer seu direito de preferência ou preempção, ajuizando ação no prazo decadencial de 180 dias contados da data em que teve ciência da alienação. No momento do ajuizamento, deve o condômino, efetuar a consignação do valor que deseja pagar. C) Venda entre os cônjuges: É possível a venda entre cônjuges com relação aos bens excluídos da comunhão. Enunciado 152, CJF. É possível a venda entre cônjuges no regime da comunhão universal? Sim, pois há bens excluídos dessa comunhão, como os de uso pessoal, por exemplo. 8.5. Vendas especiais https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-5/s-LwmwR4s3Rmr?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf Venda ad corpus e venda ad mensuram O art. 500 do CC apresenta regras para a compra e venda de bens imóveis. Diz o artigo: “Se na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a respectiva área, e esta não corresponder, em qualquer dos casos, as dimensões dadas, o comprador terá o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento proporcional do preço”. No entanto, se em posterior medição, se vê que a área é menor, o comprador teria duas saídas: 1 – Exigir complementação da área; 2 – Se não for possível, então pode optar pela resolução do contrato ou abatimento do preço que pagou. Obs.: O § 1o do mesmo artigo diz que, presume‑se que a referência às dimensões eram somente enunciativas, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o negócio. Dessa forma, “1/20” equivale a 5%. Esta diferença seria muito pequena, não justificando o litígio. Mas e se ao invés de falta tem excesso de área? Caberá ao comprador completar o valor correspondente ou devolver o excesso, consoante parágrafo segundo do mesmo artigo. Já o parágrafo terceiro trata de ad corpus. Neste tipo de venda, o vendedor aliena o imóvel como corpo certo e determinado; assim, o comprador não poderá exigir o complemento da área, pois comprou o bem pelo conjunto, não dando importância para a área. Diz o parágrafo terceiro: “Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o imóvel for vendido como coisa certa e discriminada, tendo sido apenas enunciativa a referência as suas dimensões, ainda que não conste, de modo expresso, ter sido a venda “ad corpus”. 8.6. Cláusulas especiais da compra e venda A) Retrovenda – Artigos 505-508 do CC A retrovenda somente é válida para bens imóveis. É uma cláusula, colocada no contrato de compra e venda, pelo qual o vendedor reserva‑se o direito de reaver o imóvel que vendeu, em um prazo máximo de até 3 anos, restituindo o preço, mais as despesas feitas pelo comprador. Mas e se o comprador não quiser mais devolver o imóvel? O vendedor pode depositar em juízo, solicitando o resgate do bem e depositando os valores a serem pagos. Importa ressaltar que o direito de resgate – retrovenda – é oponível contra terceiros e é transmissível a herdeiros. B) Preempção ou preferência: Artigos 513-520 do CC Pode ser convencionado que o comprador seja obrigado a oferecer ao vendedor (antigo dono) caso queira vender o que comprou. Se o comprador não avisar ao vendedor (antigo dono) que está revendendo a coisa, ele irá responder por perdas e danos. Responderá solidariamente o adquirente se estiver de má‑fé. *Para todos verem: esquema abaixo. •Os dois lados possuem obrigações. Bilateral •Há perda patrimonial para os dois lados. Oneroso Consensual •É a regra. Em caso de compra e venda de imóvel, será solene. Não solene → O contrato de compra e venda será nulo se for deixado para depois a fixação do preço por uma das partes. Art. 489, do Código Civil. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. → Venda de ascendente para descendente É necessário o consentimento do cônjuge e dos outros descendentes, se não o negócio é anulável. Prazo para ação anulatória: 02 anos. Art. 496, do Código Civil. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Elementos Coisa Atual Futura Preço Terceiro Mercado/bolsa Índices/parâmetros Costumes Outra parte → Cláusula de retrovenda → *Para todos verem: esquema abaixo. QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XXX) Vilmar, produtor rural, possui contratos de compra e venda de safra com diversos pequenos proprietários. Com o intuitode adquirir novos insumos, Vilmar procurou Geraldo, no intuito de adquirir sua safra, cuja expectativa de colheita era de cinco toneladas de milho, que, naquele momento, estava sendo plantado em sua fazenda. Como era a primeira vez que Geraldo contratava com Vilmar, ele ficou em dúvida quanto à estipulação do preço do contrato. Considerando a natureza aleatória do contrato, bem como a dúvida das partes a respeito da estipulação do preço deste, assinale a afirmativa correta. a) A estipulação do preço do contrato entre Vilmar e Geraldo pode ser deixada ao arbítrio exclusivo de uma das partes. b) Se Vilmar contratar com Geraldo a compra da colheita de milho, mas, por conta de uma praga inesperada, para cujo evento o agricultor não tiver concorrido com culpa, e este não conseguir colher nenhuma espiga, Vilmar não deverá lhe pagar nada, pois não recebeu o objeto contratado. Imóvel Prazo máximo 3 anos Transfere a herdeiros Oponível contra terceiros c) Se Vilmar contratar com Geraldo a compra das cinco toneladas de milho, tendo sido plantado o exato número de sementes para cumprir tal quantidade, e se, apesar disso, somente forem colhidas três toneladas de milho, em virtude das poucas chuvas, Geraldo não receberá o valor total, em virtude da entrega em menor quantidade. d) A estipulação do preço do contrato entre Vilmar e Geraldo poderá ser deixada ao arbítrio de terceiro, que, desde logo, prometerem designar. GABARITO 1) D 9. TROCA OU PERMUTA A troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra. Esta coisa não pode ser dinheiro e é isso que difere a compra e venda da permuta. Na compra e venda o preço pago precisa ser dinheiro ou redutível a dinheiro. 10. CONTRATO ESTIMATÓRIO É um contrato que também é chamado de consignação. O consignante entrega bens móveis à outra pessoa, chamado de consignatário, para que este os venda pelo preço ajustado. Ao ser vendido, o consignatário deve pagar o preço ao consignante. Caso não venda, deverá devolver o bem ao consignante. Exemplo: carro em uma revenda de carros. 11. CONTRATO DE DOAÇÃO É o contrato em que o doador transfere bens ou vantagens para o donatário. 11.1. Natureza jurídica 1 - Unilateral: só gera obrigações para uma das partes. https://youtu.be/gPwueRGncqQ 2 - Consensual: se aperfeiçoa com a aceitação. 3 - Solene: a doação deve ser feita por escritura pública ou instrumento particular. Contudo, em bens móveis de pequeno valor admite‑se a doação verbal, desde que a doação ocorra imediatamente. 4 ‑ Gratuito: somente uma das partes perde patrimônio. 11.2. Espécies de doação A) pura: Quando há somente a doação, não havendo nenhum encargo ao beneficiário. B) onerosa ou modal ou com encargo: Aquela em que o doador impõe ao donatário uma incumbência ou a prestação de um serviço. Caso o donatário não cumpra o encargo, é possível o ajuizamento de ação de revogação de doação (artigo 555 do Código Civil). C) feita ao nascituro: É válida, desde que aceita pelo seu representante legal. D) entre cônjuges: Art. 544: a doação de ascendentes a descendentes ou de um cônjuge a outra, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. E) de ascendentes para descendentes: a doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança, segundo artigo 544 do CC. F) doação inoficiosa: é aquela que excede o limite que o doador poderia deixar em testamento. Importante salientar que a nulidade é somente do excesso e não toda a doação. Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade de seus bens, já que a outra metade pertence aos herdeiros necessários – Artigo 549 do CC. G) doação com cláusula de reversão: pode‑se estipular que se o donatário morrer antes do doador, os bens doados irão retornar ao patrimônio do doador, consoante o artigo 547 do CC, lembrando que não prevalece a cláusula de reversão em favor de terceiro. 11.3. Restrições à doação 1 – Doação da parte inoficiosa: é nula a parte que exceder ao que poderia dispor em testamento, segundo o artigo 549 do CC. 2 – Doação de todos os bens do doador: é a chamada doação global, em que não pode todos os bens do doador serem doados, sem que fique algo para a sua subsistência. Caso isso aconteça, teremos nulidade. 3 – Doação do cônjuge adultero a seu cúmplice – artigo 550 do CC: pode ser anulada a doação pelo cônjuge ou pelos herdeiros necessários. Prazo de 2 anos depois de dissolvida a sociedade conjugal. 11.4. Revogação da doação Há duas razões pelas quais é possível a revogação da doação: ingratidão do donatário e por descumprimento de encargo, conforme artigo 555 do CC. → Por ingratidão do donatário: As hipóteses se encontram nos arts. 557 e 558 do CC. A – Se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele; B – Ofensas físicas cometidas pelo donatário contra o doador; C – Se o injuriou gravemente ou o caluniou; D – Podendo o donatário auxiliar com alimentos ao doador, e não o faz. • Qual é o prazo para que se peça a revogação por ingratidão? Dentro de um ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do doador sobre o fato e que o donatário foi o autor. • Quem pode ajuizar a ação de revogação da doação? É personalíssima, ou seja, somente o doador pode ajuizá‑la. Contudo, se a ação foi iniciada, e o doador morreu, os herdeiros e sucessores podem prosseguir com a ação. • Mas e no caso de homicídio doloso? Se o doador morreu, como vai ajuizar? É uma exceção, nesse caso, os herdeiros podem ajuizar a ação de revogação da doação. De qualquer forma, só se admite a revogação da doação, por ingratidão, nas doações puras. Não se admite, portanto: nas doações puramente remuneratórias, nas oneradas com encargo já cumprido, nas que se fizerem em cumprimento de obrigação natural, e nas feitas para determinado casamento. *Para todos verem: esquema abaixo. 11.5. Tipos de doação • Nascituro (Art. 542 do Código Civil): É possível fazer, desde que aceita pelo representante. • Absolutamente incapaz (Art. 543 do Código Civil): Haverá o contrato sem a necessidade de aceitação da outra parte. • Ascendente para o descendente (Art. 544 do Código Civil): Importa em adiantamento de herança. • Doação com cláusula de reversão: Art. 547, do Código Civil. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário. • Doação global (Art. 548 do Código Civil): Não é possível doar todo o patrimônio e ficar sem bens ou dinheiro para sua subsistência. • Doação inoficiosa (Art. 549 do Código Civil): Pessoa que tem herdeiros necessários não pode doar além da parte disponível. • Doação do cônjuge adúltero ao seu cumplice (Art. 550 do Código Civil): É anulável a doação e a ação anulatória poderá ser ajuizada pelos herdeiros necessários. 11.6. Revogação da doação • Descumprimento de encargo: Quando o encargo não foi cumprido. • Ingratidão do donatário Art. 557, do Código Civil. Podem ser revogadas por ingratidão as doações: •Somente um dos lados perde patrimônio Unilateral •Há perda patrimonial para os dois lados. Gratuito •É perfeito com a aceitação Consensual •É a regra. Em caso de bens móveis de pequeno valor e que a tradição ocorra de forma imediata, será não solene. Solene I - se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele; II - se cometeu contra ele ofensa física; III - se o injuriou gravemente ou o caluniou; IV - se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava. Art. 558. Pode ocorrer também a revogação quando o ofendido, nos casos do artigo anterior, for o cônjuge, ascendente, descendente, ainda que adotivo, ou irmão do doador. QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 1) (XXIX EXAME) Evacelebrou com sua neta Adriana um negócio jurídico, por meio do qual doava sua casa de praia para a neta caso esta viesse a se casar antes da morte da doadora. O ato foi levado a registro no cartório do Registro de Imóveis da circunscrição do bem. Pouco tempo depois, Adriana tem notícia de que Eva não utilizava a casa de praia há muitos anos e que o imóvel estava completamente abandonado, deteriorando-se a cada dia. Adriana fica preocupada com o risco de ruína completa da casa, mas não tem, por enquanto, nenhuma perspectiva de casar-se. De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. a) Adriana pode exigir que Eva autorize a realização de obras urgentes no imóvel, de modo a evitar a ruína da casa. b) Adriana nada pode fazer para evitar a ruína da casa, pois, nos termos do contrato, é titular de mera expectativa de fato. c) Adriana pode exigir que Eva lhe transfira desde logo a propriedade da casa, mas perderá esse direito se Eva vier a falecer sem que Adriana tenha se casado. d) Adriana pode apressar-se para casar antes da morte de Eva, mas, se esta já https://youtu.be/WxzBNHvpXUs tiver vendido a casa de praia para uma terceira pessoa ao tempo do casamento, a doação feita para Adriana não produzirá efeito. GABARITO: 1) A 12. DA LOCAÇÃO DE COISAS → O contrato de locação de coisas pode ser tanto de bem móvel ou imóvel. Sendo bem imóvel: O CC não dispõe a respeito da locação de prédio urbano. A locação de imóveis urbanos rege‑se pela Lei no 8.245/1991 – a Lei do Inquilinato. Diz o art. 1o da Lei que: “Continuam regidas pelo CC as locações de imóveis de propriedade da União, dos Estados, dos Municípios, de vagas autônomas de garagem ou de espaços para estacionamento de veículos; de espaços destinados a publicidade; de apart‑hotéis, hotéis residências ou equiparados; e o arrendamento mercantil” Sendo bem móvel: A locação de bem móvel é regida pelo CC (art. 565 e seguintes, quando não há relação de consumo) ou pelo CDC, quando há relação de consumo (Lei no. 8.078/1990). Para contratos, então regidos pelo CC, a locação de coisas é conceituada: “Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição.” 12.1. Obrigações do locador A – Entregar ao locatário a coisa alugada; B – Manter a coisa no mesmo estado em que foi locada; C – Garantir o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato; D – Responde ainda, o locador, por vícios ou defeitos da coisa, que sejam anteriores a locação. A lei dá para o locatário a possibilidade de escolha em caso de deterioração da coisa alugada: rescindir o contrato (em caso de deterioração que possa impossibilitar o uso) ou pedir redução proporcional do aluguel. 12.2. Obrigações do locatário Elas estão no art. 569 do CC: A – Servir‑se da coisa alugada para os usos convencionados e tratá‑la como se sua fosse. Nesse caso, além de ser hipótese de rescisão do contrato, pode o locador também exigir perdas e danos, conforme artigo 570 do CC. B – Pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados e, na falta de prazos, de acordo com o costume do lugar; C – Levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas em direito; D – Restituir a coisa quando a locação terminar no estado em que recebeu, salvo as deteriorações naturais ao uso regular. 12.3. Coisa alienada durante a locação O adquirente não é obrigado a respeitar o contrato de locação, se nesse contrato não houver cláusula atestando que o contrato continua em vigor em caso de alienação e não estiver registrado. Portanto, para que após a venda da coisa o contrato de locação continue a existir, é necessário que: haja cláusula no contrato de locação a respeito, e que esteja esse contrato registrado. 13. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO Duas são as espécies de empréstimos: mútuo e comodato. 13.1. Contrato de comodato Comodato é o empréstimo para uso, gratuito de coisas infungíveis. Pode ser bens móveis ou imóveis, mas precisa ser infungível. O contrato se perfectibiliza com a tradição da coisa. Características do comodato ➢ Gratuidade do contrato. Se fosse oneroso, seria o contrato de locação. ➢ Infungibilidade do bem: restituição do mesmo objeto recebido como empréstimo. ➢ Contrato real, já que o aperfeiçoamento do contrato se dá com a tradição (e não com a aceitação). ➢ Contrato unilateral, já que após a tradição, só há obrigações para uma das partes, que é o comodatário (restituir a coisa) e não há obrigações para o comodante. ➢ Contrato não solene, já que não necessita forma especial para a sua celebração. Obrigações do comodatário A) Conservar a coisa – art. 582: O comodatário deve conservar a coisa como se fosse sua. Deve responder pelas despesas de conservação. O comodatário não pode nunca tentar cobrar do comodante as despesas comuns, feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. B) Uso da coisa de forma adequada: Responde por perdas e danos se usar o bem fora do que foi contratualmente previsto, além de, também poder ser causa de resolução do contrato. C) Restituir a coisa: Deve ser restituída a coisa no prazo convencionado e não havendo este prazo, finda a razão pela qual ocorreu, o empréstimo deve ser restituído (empresta livros para o trabalho de conclusão de curso, e quando passado o evento, deverão ser devolvidos, por exemplo). Extinção do comodato A) Pelo final do prazo dado, ou não havendo prazo, pela utilização da coisa de acordo com a finalidade para que foi emprestada. B) Pela resolução por iniciativa do comodante, em caso de descumprimento do comodatário de suas obrigações. C) Por sentença, a pedido do comodante, se provada a necessidade de restituição do bem antes do prazo acordado. 13.2. Contrato de mútuo O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O bem é emprestado para consumo. O mutuário se obriga a restituir ao mutante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. É empréstimo para consumo, pois o mutuário não está obrigado a devolver o mesmo bem, do qual se torna dono. Exemplo: dinheiro. Neste tipo de empréstimo, o mutuante transfere o domínio, a propriedade, do bem ao mutuário. Isso não acontece no comodato. Além disso, o mutuário se torna PROPRIETÁRIO da coisa, correndo por conta desse, todos os riscos da tradição. Características do mútuo O mútuo é temporário, se entende que em algum momento o que foi emprestado será devolvido. Mas e se não houver prazo para a restituição do bem? O CC determina que: A) Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas B) De 30 dias, pelo menos, se o mútuo for de dinheiro C) Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 13.2.1. Mútuo com fins econômicos Destinando‑se o mútuo a fins econômicos, presumem‑se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406 do CC, permitindo‑se a capitalização. Obs.: Mútuo para um menor: O Código Civil protege o menor, dizendo que quem empresta para um menor, não poderá reaver o que emprestou. Contudo, há várias exceções, de quando o mutuante pode, portanto, reaver o que foi emprestado. São elas: a – O representante do menor ratificar o empréstimo; b – Se o menor, em caso de ausência do representante, se viu obrigado a contraí‑lo para os seus alimentos habituais; c – Se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, caso em que a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; d – Se o empréstimo reverteu em benefício do menor; e – Se este obteve o empréstimo maliciosamente. *Para todos verem: esquema comparativo entre contrato comodato e mútuo abaixo. Art. 584, do Código Civil. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodanteas despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 14. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O conceito está no artigo 594 do CC que diz: “Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, contratado mediante retribuição.”. É importante salientar que o CC tem caráter residual, aplicando‑se somente para aquelas relações que não estão disciplinadas pela CLT e pelo CDC. 14.1. Características A) Remuneração: A remuneração é paga pela pessoa que contrata o prestador de serviços. Se as partes não estipularam ou não chegaram a um acordo sobre a remuneração, esta será fixada por arbitramento, segundo o costume do lugar, o tempo de serviço e a sua qualidade. Comodato Unilateral Gratuito Uso Bens infungíveis Não transfere a propriedade Real Mútuo Unilateral Gratuito Consumo Bens fungíveis Transfere propriedade Real Quando se deve pagar a remuneração/retribuição? Deve ser paga em regra, depois de prestado o serviço. Contudo, se convencionaram o contrário ou se o costume do lugar for o de pagar antes, paga‑se então antes da prestação do serviço. B) Prazo: Nunca pode o contrato de prestação de serviços ultrapassar 4 anos – art. 598 do CC. C) Fim do contrato: Quando o contrato terminar, o prestador de serviços tem direito a exigir de quem o contratou a declaração de que o contrato está findo. Tem esse direito também se for despedido sem justa causa ou se tiver algum outro motivo para deixar o trabalho. Como acaba o contrato de prestação de serviços? 1 – Morte de qualquer das partes; 2 – Conclusão da obra; 3 – Término do prazo; 4 – Rescisão do contrato mediante aviso prévio; 5 – Inadimplemento de qualquer das partes; 6 – Impossibilidade da continuação do contrato, motivada por força maior. D) Impossibilidade de substituição das partes (prestador e contratante): Aquele que contratou os serviços não pode transferir a outra pessoa o direito aos serviços ajustados. O prestador de serviços também não pode trazer alguém em seu lugar para que cumpra com o seu dever, a menos que o contratante aceite. 15. EMPREITADA As partes contratantes são: empreiteiro e dono da obra. Através de um contrato de empreitada, uma das partes – o empreiteiro – se compromete a executar determinada obra. Ele faz isso pessoalmente ou com auxílio de terceiros em troca de remuneração a ser paga pelo outro contratante – o dono da obra. Importa dizer que não há relação de subordinação. O empreiteiro fará a obra de acordo com as instruções dadas pelo contratante. 15.1. Espécies de empreitada A empreitada pode ser apenas de mão de obra, também chamada empreitada de lavor ou então de mão de obra e materiais, chamada empreitada global. Se a empreitada for de mão de obra e materiais, os prejuízos são sofridos pelo empreiteiro. Contudo, se o contratante estiver em mora, todos os riscos correm por conta do contratante da empreitada. 15.2. Obrigações do empreiteiro A – Entregar a coisa no tempo e na forma ajustados; B – Pagar os materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os inutilizar. Esse caso somente é aplicado na empreitada de mão de obra. Observação: Caso o preço dos materiais empregados pelo empreiteiro tenha reduzido, o dono da obra pode pedir a diferença, desde que ocorra uma diminuição no preço do material ou da mão de obra superior a 1/10 do total (10%). C – Responde o empreiteiro pela solidez do seu trabalho. É uma regra do Código Civil e está disposta no art. 618 do CC: Art. 618: “Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em razão dos materiais como do solo”. 15.3. Obrigações do dono da obra A – Pagamento do preço; B – Receber a coisa. E se injustificadamente se recusar? Caracteriza‑se a mora, ficando ele responsável por todos os efeitos dela decorrentes, inclusive perecimento por caso fortuito. O empreiteiro pode requerer o depósito judicial da coisa. EM RESUMO... * Para todos verem: esquema abaixo. Prestação de serviços Empreitada Objeto é apenas atividade do prestador. A remuneração é proporcional ao tempo de trabalho. Objeto NÃO é atividade, mas a obra em si. A remuneração permanece inalterada, qualquer que seja o tempo de trabalho. A execução do serviço é dirigida e fiscalizada por quem contratou o prestador de serviço. Há subordinação A direção compete ao próprio empreiteiro. Não há subordinação. Patrão assume os riscos do negócio. Empreiteiro é quem assume os riscos do empreendimento * Para todos verem: esquema abaixo. Empreitada mão de obra Empreitada mão de obra E MATERIAIS ➢ Se a coisa perece antes da entrega, quem sofre o prejuízo pelo seu perecimento é o dono da obra, já que os riscos correm por conta dele – art. 612 do Código Civil. Se a coisa parecer antes da entrega, quem sofre prejuízo pelo seu perecimento é o empreiteiro. Todos os riscos correrão para o empreiteiro até a entrega da obra. Isso ocorre se o dono da obra não estiver em mora de receber. Se estiver em mora, todos os riscos correm por conta do dono da obra – art. 611 do Código Civil. ➢ Se a coisa perece antes da entrega, sem mora do dono nem culpa do empreiteiro, o empreiteiro perderá a sua retribuição. Não perderá a sua retribuição, no entanto, se provar que a perda resultou de defeito dos materiais e que também tinha reclamado da qualidade e quantidade deles. 16. CONTRATO DE DEPÓSITO As partes contratantes são depositante e depositário. Sua principal finalidade é a guarda (e não uso) de coisa alheia. Como regra é um contrato gratuito, a não ser que haja convenção em contrário ou resultante de atividade negocial ou se o depositário praticar isso por profissão. Há dois tipos de depósito: voluntário e necessário. 16.1. Voluntário: Artigos 627 a 646 do CC É aquele livremente ajustado pelas partes. Por meio dele, o depositante confia ao depositário a guarda de uma coisa móvel. O depositário deve restituir a coisa, quando solicitado. Como obrigações, o depositário deverá guardar a coisa, conservá‑la e restituí‑la, conforme artigo 629 do CC. Já o depositante possui como obrigações: reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá‑lo pelos prejuízos que do depósito advierem (se ocorrerem). 16.2. Necessário: Artigos 647 a 652 do CC É aquele em que o depositante é forçado pelas circunstâncias a efetuar o depósito com pessoas desconhecidas. Há 2 espécies de depósitos necessários: A – Depósito que se faz em desempenho de obrigação legal. B – O que se efetua por ocasião de alguma calamidade como inundação, incêndio etc. EM RESUMO... DEPÓSITO VOLUNTÁRIO *Para todos verem: esquema abaixo. 17. CONTRATO DE MANDATO A conceituação do contrato de mandato está no artigo 653 do CC: “Opera‑se o mandato do alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato”. O mandatário representa o mandante dentro dos poderes a ele conferidos. Assim, os atos do mandatário vinculam o mandante, se dentro dos poderes outorgados. Tipos de mandato A) Legais: quando a lei confere poderes aos representantes. Exemplo: pais, tutores, curadores. B) Judiciais: são os representantes nomeados pelo juiz. Exemplo: inventariantes. C) Convencionais: quando recebem procuração para agir em nome do mandante. Exemplo: advogado. Em regra, o contrato de mandato é gratuito, eis que o art. 658 diz que a gratuidade é presumida, se não houver sido estipulada retribuição, exceto se o objeto de mandato corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissão (ex. mandato de advogado). Já se o mandato for oneroso, caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato.17.1. Pessoas que podem outorgar e receber mandato Toda pessoa capaz é apta para outorgar mandato mediante instrumento particular. Contudo, com relação ao mandatário, há a exceção do artigo 666 do CC, que permite que o mandatário seja relativamente incapaz. 17.2. Obrigações do mandatário A – Agir em nome do mandante e dentro dos poderes dados por ele; B – Aplicar toda a sua diligência habitual na execução do contrato e indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem substabelecer. Importa salientar que, se o procurador vier a substabelecer sem estar autorizado a fazer isso, responderá pelos prejuízos que o mandante sofrer por sua culpa ou daquele substabelecido. C – Prestar contas de sua gerência ao mandante, transferindo qualquer vantagem proveniente do mandato, por qualquer título que seja. D – Apresentar o instrumento de mandato às pessoas com quem negocia; E – Concluir negócio já começado. Assim, se o mandante, morreu, foi interditado etc., embora ciente desses fatos, o mandatário deve concluir o negócio, já que a lei entende que o mandante gostaria que tal negócio fosse concluído. 17.3. Obrigações do mandante A – Dever de cumprir as obrigações assumidas pelo mandatário dentro dos poderes conferidos no mandato; B – Reembolsar as despesas efetuadas pelo mandatário, bem como pagar a remuneração ajustada (se for o caso de remuneração). 17.4. Da extinção do mandato Conforme o artigo 682 do CC, o mandato será extinto nos seguintes casos: A – Pela revogação ou pela renúncia: se a resilição partir do mandante há revogação. Se partir do mandatário há renúncia. Observação: Se o mandante for prejudicado pela renúncia, por ser inoportuna, deve ser indenizado pelo mandatário. Essa indenização somente não ocorrerá se este provar que não podia continuar no mandato sem prejuízo considerável. B – Pela morte ou interdição de uma das partes. C – Pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir poderes ou o mandatário a substabelecer; D – Pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio: quando a procuração é dada com data certa, cessa a procuração com o advento do termo. Se outorgada para um negócio determinado e realizado o negócio, também cessará. Mandato judicial Conforme o art. 692: “O mandato judicial fica subordinado as normas que lhe dizem respeito, constantes de legislação processual, e, supletivamente, as estabelecidas neste código” Importa lembrar que o mandato judicial só pode ser exercido por quem possa atuar em juízo, isto é, pessoas habilitadas como advogado. 18. CONTRATO DE COMISSÃO As partes são: comitente (em favor de quem o comissário se obriga a realizar negócios) e comissário (se obriga, perante terceiros, em seu próprio nome, figurando no contrato como parte). No contrato de comissão é comumente fixada uma percentagem sobre as vendas para o comissário. Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os usos do lugar. 18.1. Obrigações do comissário 1 – O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, já que tais pessoas não têm ação contra o comitente, mas somente contra o comissário. 2 – Deve agir conforme as ordens e instruções do comitente; 3 – Responde por qualquer prejuízo que ocasionar ao comitente, salvo por motivo de força maior. Muito importante! Regra: O comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem contratou. https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-4/s-RhvQvgizUzl?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf Exceção: Comissário responde, no entanto, se agiu com culpa ou se constar no contrato a cláusula “del credere”. → Tal cláusula tem por objetivo tornar o comissário responsável perante o comitente pelo cumprimento das obrigações – Artigo 698. 19. CONTRATOS DE AGÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO As partes são chamadas de agente e de proponente. Configura‑se o contrato de agência quando uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, a conta de outra, a realização de certos negócios, em zona determinada. Exemplos de agentes: agentes de seguros, agentes de futebol, etc. . Configura‑se a distribuição quando o agente tiver a sua disposição a coisa a ser negociada. 19.1. Direitos e obrigações do proponente A – Não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, na mesma zona com idêntica incumbência; B – Não pode assumir o encargo de tratar de negócios do mesmo gênero, a conta de outros proponentes. 19.2. Direitos e obrigações do agente ou distribuidor A – Deve agir com diligência, atendendo às instruções recebidas pelo proponente; B – Tem direito à indenização se o proponente, sem justa causa, cessar o atendimento das propostas ou reduzi‑lo tanto que se torna economicamente ruim a continuação do contrato. 19.3. Pagamento do agente ou distribuidor Agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência. Todas as despesas com a agência ou a distribuição correm por conta do agente ou distribuidor. 20. CONTRATO DE CORRETAGEM Por esse contrato, uma pessoa, não ligada à outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer outra relação de dependência, obriga‑se a obter para a segunda um ou mais negócios conforme as instruções recebidas. A função do corretor é aproximar as pessoas que estiverem interessadas no negócio. Importa lembrar que a obrigação assumida pelo corretor é de resultado. Somente terá direito à comissão se houver a aproximação entre as partes para a realização do negócio. 20.1. Direitos e deveres do corretor A Lei no 6.530/1978 trata sobre a profissão de corretor. Contudo, as regras do CC também devem ser aplicadas, conforme artigo 729 do CC. São deveres: A) Executar a mediação com diligência e prudência; B)Deve prestar ao cliente todas as informações sobre o andamento dos negócios. 20.2. Remuneração do corretor Se não estiver fixada em lei, nem ajustada entre as partes, será arbitrada segundo a natureza do negócio e os usos locais. Quando se deve a remuneração ao corretor? A) No momento em que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de corretagem ou mesmo; B) Quando este contrato não se efetive em razão de arrependimento das partes. Muito importante! Contrato de exclusividade: Se o negócio foi concluído diretamente entre comitente e terceiro, sem intervenção do corretor, nenhuma remuneração será a ele devida. Contudo, se por escrito for ajustada a corretagem por exclusividade, terá o corretor direito à remuneração integral, ainda que realizado o negócio sem a sua mediação, salvo se comprovada sua inércia ou ociosidade. 21. CONTRATO DE TRANSPORTE Contrato de transporte é aquele em que alguém se obriga a transportar de um lugar para outro, coisas ou pessoas mediante uma retribuição. Art. 736: “Não se subordina as normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia. Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o transportador auferiu vantagens indiretas”. O transporte pode ser de pessoas ou coisas: 21.1. Do transporte de pessoas Diz o artigo 734 do CC que: “O transportador responde pelos danos causados as pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente de responsabilidade.”. Importa lembrar que a responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não pode ser afastada por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. Assim, em um acidente que cause danos ao passageiro obriga o transportador a indenizá‑lo. Não importa se a responsabilidade pelo dano foi de um terceiro. O transportador deve indenizaro passageiro e, se quiser, mover uma ação regressiva este terceiro. 21.1.1. Direitos e Obrigações do transportador O transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder por perdas e danos, salvo força maior. Também não pode recusar passageiros, salvo os casos previstos em regramentos, ou se as condições de higiene e saúde do interessado assim justificarem. Se a viagem for interrompida por qualquer motivo alheio à vontade do transportador, ainda que decorrente de evento imprevisto, fica a transportadora obrigada a concluir o transporte em outro veículo da mesma categoria ou com a anuência do passageiro, por modalidade diversa, a sua custa, correndo também por sua conta as despesas de estadia e alimentação do usuário, durante a espera de novo transporte. 21.1.2. Direitos e Obrigações do transportado Pessoa transportada deve se submeter às normas estabelecidas pela transportadora. Além disso, também devem se abster de qualquer ato que cause incomodo ou prejuízo aos passageiros ou que impeçam a execução normal dos serviços. O passageiro também tem direito de rescindir o contrato de transporte antes de iniciada a viagem. É devida ao passageiro a restituição do valor da passagem, desde que feita a comunicação ao transportador em tempo de a passagem ser renegociada. Pode desistir da viagem, mesmo depois que esta seja iniciada. É devida ao passageiro a quantia do trecho não utilizado, desde que provado que outra pessoa haja sido transportada em seu lugar. O passageiro que não apareceu não terá reembolso da passagem. Salvo se provar que outra pessoa viajou no seu lugar e, assim, a empresa lucrou. 21.2. Do transporte de coisas A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua natureza, valor, peso e quantidade para que não se confunda com outras. O destinatário deve ser indicado, ao menos, com nome e endereço. Quando receber a coisa, o transportador deve emitir o chamado conhecimento de transporte. Pode o transportador recusar o transporte da coisa? Sim, se a embalagem for inadequada, bem como possa colocar em risco a saúde das pessoas, ou danificar o veículo e outros bens. 21.2.1. Obrigações do transportador de coisas: O transportador deve conduzir a coisa até o seu destino e entregá‑la no prazo. Também tem a responsabilidade limitada ao valor constante no conhecimento. 21.2.1. Obrigações de quem teve a coisa transportada: Até a entrega da coisa, pode o remetente desistir do transporte e pedir a coisa de volta ou ordenar que seja entregue a outra pessoa. De qualquer forma, deve o remetente pagar os acrescidos mais as perdas e danos que houver. Aquele que recebeu as mercadorias deve verificar se tudo está correto, sob pena de declinar dos direitos de reclamação. 22. CONTRATO DE SEGURO As partes envolvidas no contrato de seguro são: segurado e seguradora. Considera‑se contrato de seguro aquele pelo qual uma das partes, denominada segurador, se obriga a garantir interesse legítimo da outra, intitulada segurado, relativo à pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. No contrato de seguro, o segurado paga o prêmio – prestações – ao segurador, que assume o risco do segurado. Assim, a seguradora deve pagar ao segurado uma indenização caso ocorra o evento inesperado (sinistro). 22.1. Elementos do contrato de seguros São eles: segurador, segurado, risco, prêmio e apólice (instrumento de negócio). A) Segurador: Contratante que, assumindo os riscos, indenizará o segurado na hipótese de sinistro. B) Segurado: Quem paga o prêmio e assim transfere o risco para o segurador. C) Risco: É o acontecimento futuro e incerto e é o próprio objeto do seguro. Diz o art. 762 do CC: “Nulo será o contrato para garantia de risco proveniente de ato doloso do segurado, do beneficiário ou de representante de um ou de outro.”. D) Prêmio: É o que paga o seguro ao segurador. Art. 764 do CC: “Salvo disposição especial, o fato de se não ter verificado o risco, em previsão do qual se faz o seguro, não exime o segurado de pagar o prêmio.”. E) Apólice ou bilhete de seguro: É o instrumento do contrato. 22.2. Princípio da boa‑fé Segundo o artigo 765 do CC: “O segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execução do contrato, a mais estrita boa‑fé e veracidade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declarações a ele concernentes.”. Caso não tenha havido boa‑fé na relação contratual, o artigo 766 do CC diz que: “Se o segurado por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito a garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido.”. 22.3. Obrigações do segurado A – Pagar o prêmio estipulado no contrato. B – Não pode agravar intencionalmente o risco. Caso faça isso, perderá a garantia – art. 768 do CC. C – Deve comunicar o segurador, logo que saiba, todo incidente que possa agravar consideravelmente o risco, sob pena de perder a garantia. Essa perda ocorrerá se o segurado sabia e não comunicou o segurador, ou seja, agiu de má‑fé. D – Comunicar o sinistro ao segurador, logo que saiba. Também deve tomar todas as providências para amenizar as consequências do sinistro. 22.4. Obrigações do segurador A – Pagar em dinheiro, se outra forma não foi convencionada (ex.: consertar o veículo), o prejuízo resultante do risco assumido e, conforme as circunstâncias, entregar outra coisa em seu lugar. (ex.: dar um carro novo). B – Os agentes autorizados do segurador (corretores de seguros) presumem‑se seus representantes para todos os atos relativos aos contratos que agenciarem. C – Se as partes não se opuserem o contrato se renova pelo mesmo prazo. No entanto, esta renovação automática só pode ocorrer uma vez, conforme artigo 774 do CC. 22.5. Seguro de pessoa Nos seguros pessoais, a indenização paga deve ser a fixada na apólice de seguros, já que os bens cobertos pelo seguro não têm valor (inestimáveis). O beneficiário do seguro de vida pode ser substituído a critério do segurado. É lícita a substituição do beneficiário pelo segurador. Pode ser feito por ato inter vivos ou causa mortis. Na falta de beneficiário estipulado, ou por qualquer motivo, não é possível que aquele beneficiário receba a indenização, o capital segurado será pago: A – Metade ao cônjuge não separado judicialmente; B – Metade aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem de vocação hereditária. Na falta de cônjuge/herdeiros, serão beneficiados, aqueles que provarem que a morte do segurado os privou dos meios necessários à subsistência. No seguro de vida/acidentes pessoais, para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos do direito. O beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando o segurado se suicida nos primeiros 2 anos de vigência inicial do contrato. Também não tem direito nos 2 anos depois de sua recondução quando suspenso. Ressalvado tal fato, é nula a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital por suicídio do segurado. No entanto, necessário verificar súmulas do STJ, a respeito do contrato de seguro: FIXAÇÃO: Há como o segurador se exonerar do pagamento da indenização? Sim – 778. O segurador poderá se exonerar provando que: 1. O valor dado à coisa é superior ao valor real; 2. Que se trata do segundo seguro da coisa pelo mesmo risco e no seu valor integral – art. 778/782, CC; 3. Caducidade da apólice pelo não pagamento do prêmio; 4. Inexistência de cobertura para o sinistro ocorrido; 5. Descumprimento das obrigações, especialmente no tocante ao agravamento dos riscos e a falta de comunicação do sinistro. 23. CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE RENDA Quem são as partesnesse contrato? Instituidor e rendeiro (também chamado de censuário). Qual é o conceito do contrato de constituição de renda? Por este contrato uma pessoa (instituidor) entrega a outrem (rendeiro ou censuário) um capital. Este capital pode consistir em bens móveis ou imóveis. O rendeiro ou censuário obriga‑se a pagar ao instituidor ou terceiro indicado (beneficiário) por este, uma prestação. O objetivo do contrato de constituição de renda é o de proteger o instituidor que, ainda que proprietário dos bens, não está seguro de como conseguir o suficiente para sua sobrevivência. Assim, concorda em transferir propriedade ao rendeiro que, por sua vez, se compromete a lhe dar uma renda fixa durante certo tempo (prazo). Em geral esse prazo é até a morte do instituidor. Mas pode haver convenção em contrário. A constituição de renda pode ser a título gratuito ou a título oneroso. O que acontece se o rendeiro (também chamado de censuário) deixa de cumprir a obrigação estipulada? Pode o credor da renda (instituidor ou terceiro beneficiado) acionar o rendeiro para que: https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-3/s-jascUYwqWP6?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf a – pague as prestações atrasadas; b – preste garantias futuras, de que irá pagar o devido, sob pena de rescisão do contrato. 24. DO JOGO E DA APOSTA 24.1. Jogo É o ajuste pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a pagar certa soma para a pessoa que vença na prática de determinado ato. Perder ou ganhar depende da atuação e da participação efetiva de cada jogador. O vencedor fará jus a uma certa soma, previamente estipulada. Exemplos: Joana e Maria apostam corrida. Quem ganhar, será a campeã do “Jogo”. 24.2. Aposta O resultado não depende da participação das partes. Exemplo: Joana e Maria apostam que nos próximos 30 minutos irá passar 5 carros da cor branca em frente a suas casas. Não há participação delas. Resultado depende de um ato ou fato alheio e incerto. Apesar da diferença em conceituação, o tratamento legal dado a ambos é o mesmo. Importa salientar que as dívidas de jogo ou de aposta não obrigam ao pagamento. Regra: Se foram pagas, quem pagou não pode querer de volta o pagamento. Exceção: Pode solicitar de volta o pagamento, se esse jogo ou aposta foi ganho com dolo ou se quem perdeu for menor ou interdito. A dívida de jogo/aposta constitui obrigação natural: o ganhador não dispõe, no ordenamento jurídico, de ação para exigir seu pagamento. 25. CONTRATO DE FIANÇA O conceito de fiança está no art. 818 do CC: “Pelo contrato de fiança uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, se este não a cumpra.”. Características ➢ Caráter acessório, já que depende da existência do contrato principal. ➢ Contrato solene. Diz o art. 819: “A fiança dar‑se‑á por escrito, e não admite interpretação extensiva.”. ➢ Unilateral, já que uma vez celebrado, só gera obrigações do fiador para com o credor. ➢ Gratuito, já que fiador nada recebe em troca. ➢ Como é um contrato acessório, via de regra, se nula a obrigação principal, a fiança também será nulificada. ➢ Pode o credor recusar o fiador? Sim, pode. Se não for pessoa idônea, domiciliada no município e não possua bens suficientes para garantir a obrigação. 25.1. Benefício de Ordem O benefício de ordem consiste em um privilégio, conferido ao fiador, de exigir que os bens do devedor principal sejam excutidos antes dos seus. O fiador que alegar o benefício de ordem deve nomear bens do devedor situados no mesmo município, livres e desembaraçados. Há alguns casos, no entanto, que o fiador não pode invocar tal benefício: a – Se o fiador renunciou expressamente ao benefício b – se o fiador se obrigou como principal pagador ou devedor solidário c – se o devedor for insolvente ou falido. 25.2. Benefício da divisão Segundo o art. 829 do CC: “A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservarem o benefício da divisão.”. Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento. Portanto, se houver especificação – benefício da divisão – cada um paga somente o que afiançou. 25.3. Extinção da fiança A – A moratória concedida ao devedor, sem o consentimento do fiador: Moratória é a concessão expressa de mais prazo ao devedor. Ele não quer ficar mais tempo como fiador e a moratória permite isso, então pode solicitar a exoneração da fiança. B – O ato do credor que torne impossível a sub‑rogação nos seus direitos e preferências.: O fiador, ao aceitar a fiança, pode pensar na possibilidade de se sub‑rogar nos direitos do credor para com o devedor. Se por ato do credor, essa possibilidade não ocorre, o fiador se desonera da fiança. C – Dação em pagamento: a dação em pagamento coloca fim ao contrato principal, e, portanto, também ao de fiança. D – Retardamento do credor na execução: Quando oferecido o benefício de ordem, e o credor retarda muito em promover a execução. QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 1) (EXAME XXII) João e Maria, casados e donos de extenso patrimônio, celebraram contrato de fiança em favor de seu filho, Carlos, contrato este acessório a contrato de locação residencial urbana, com duração de 30 meses, celebrado entre Carlos, locatário, e Marcelo, proprietário do apartamento e locador, com vigência a partir de 1º de setembro de 2015. Contudo, em novembro de 2016, Carlos não pagou o aluguel. Considerando que não houve renúncia a nenhum benefício pelos fiadores, assinale a afirmativa correta. a) Marcelo poderá cobrar diretamente de João e Maria, fiadores, tendo em vista que eles são devedores solidários do afiançado, Carlos. b) Marcelo poderá cobrar somente de João, tendo em vista que Maria não é fiadora, mas somente deu a outorga uxória. c) Marcelo poderá cobrar de Carlos, locatário, mas não dos fiadores, pois não respondem pela dívida do contrato de locação. d) Marcelo poderá cobrar de João e Maria, fiadores, após tentar cobrar a dívida de Carlos, locatário, tendo em vista que os fiadores são devedores subsidiários. GABARITO: 1)D 26. TRANSAÇÃO Contrato pelo qual as partes previnem ou terminam relações jurídicas controvertidas, por meio de concessões mútuas, conforme artigo 840 do CC: “É lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas”. É o resultado de um acordo de vontades para evitar riscos de futura demanda ou para extinguir litígios judiciais já existentes. 27. COMPROMISSO E ARBITRAGEM Arbitragem é o acordo de vontade em que as partes entregam para árbitros a solução dos conflitos. Essas partes preferem não se submeterem a uma decisão judicial. Nos artigos 851 a 853 do CC é regulado o compromisso, que precede o juízo arbitral. A legislação sobre o instituto encontra‑se na Lei no 9.307/1996, que trata sobre a arbitragem nacional e internacional. Art. 852 do CC: É vedado compromisso para solução de questões de estado, de direito pessoal de família e de outras que não tenham caráter estritamente patrimonial. 28. ATOS UNILATERAIS DE VONTADE 28.1. Promessa de recompensa Obriga aquela pessoa que emitiu a declaração de vontade a cumprir a sua promessa. Não depende de aceitação para a formação, por isso é um ato unilateral de vontade. São elementos necessários: a – publicidade da promessa (torna‑la pública); especificação da condição ou serviço a ser realizado e; indicação da recompensa. 28.2. Gestão de negócios Ocorre quando uma pessoa, sem autorização do interessado, acaba por intervir em negócio alheio, com o intuito de auxiliar a pessoa que não pode cuidar do negócio naquele momento. 28.3. Pagamento indevido É espécie,