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Material de Apoio - Direito Civil (Prof Patrícia Strauss)

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Direito 
Civil 
Patrícia Strauss 
1ª FASE XXXV EXAME 
 
 
 Olá, Alunos! 
Queridos alunos! Bem-vindos às nossas aulas de Direito Civil. 
Direito Civil é a matéria que trata sobre a nossa vida diária. Ela fala sobre 
credores, sobre devedores, sobre comprar, vender, ser responsabilizado 
por atos ilícitos...Enfim, a vida privada da pessoa natural e da pessoa 
jurídica é encontrada no Código Civil. Vamos estudá-los juntos? Com 
paciência e com coragem nesta linda caminhada de aprendizado do 
nosso Civil. 
Vamos juntos? Um beijo grande e bons estudos. 
 
 
1. Direito Contratual
2. Direito das Obrigações
3. Obrigação de dar coisa incerta (Artigos 243 – 246, CC)
4. Obrigação de Fazer (Artigo 247-249, CC)
5. Obrigação de não fazer (Artigos 250-251, CC)
6. Obrigações alternativas
7. Obrigações divisíveis e indivisíveis
8. Obrigações solidárias (Artigos 264-285, CC)
9. Transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção de dívida
10. Pagamento
11. Adimplemento e extinção das obrigações
12. Inadimplemento
03. Responsabilidade civil
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES
01. Direito Contratual 
Prof. Patrícia Strauss 
@Prof. Patricia Strauss 
1. PRELIMINARES (Artigos 421 – 426, CC) 
 
1.1. Princípios Contratuais 
 Há diversos princípios que embasam o Direito Contratual, como o Princípio da Função 
Social do Contrato, da Boa-fé Objetiva, do “Pacta sunt servanda” e do Consensualismo. 
Art. 421 – Função Social do Contrato: é um princípio que limita a própria 
autonomia da vontade, já que impede que o contrato prevaleça se estiver 
em desacordo com o interesse social. Como exemplos de aplicações do 
princípio, temos os institutos do estado de perigo (art. 156 do CC) e lesão 
(art. 157 do CC). 
 
 Em 2019, houve uma alteração legislativa, e o art. 421 sofreu o acréscimo de um parágrafo, 
determinando que, como regra, não haja intervenção do Estado nos contratos entre iguais e que 
possível revisão seja feita em caráter excepcional. 
Art. 422 – Princípio da Boa‑Fé Objetiva: pode ser definido como uma regra 
geral de conduta em que as partes contratantes devem observar desde a 
fase preliminar dos contratos até o próprio cumprimento e execução. Possui 
como um de seus mais importantes corolários a aplicação da “proibição do 
comportamento contraditório”. 
[...] 
Art. 482 – Princípio do Consensualismo: como regra, os contratos são 
perfeitos com a aceitação. Há, no entanto, contratos que são perfeitos com 
a tradição, que é o caso do contrato de comodato (art. 579 do CC), por 
exemplo. 
 
 
 
1.2. “Pacto corvina” e demais artigos. 
 O Código Civil veda a contratação sobre herança de pessoa vida. Tal proibição está no art. 
426. Caso haja tal contratação, tal negócio jurídico seria nulo, por força dos Arts. 166, II, e 166, 
VII (2ª parte). 
 Artigos 423 e 424 falam sobre contrato de adesão e privilegiam a parte aderente, dizendo 
que, na dúvida, se deve interpretar o contrato de forma mais favorável a quem aderiu. 
 Artigo 425 trata sobre contratos atípicos. É perfeitamente possível a contratação de 
contratos não previstos no Código Civil. Contudo, é necessário que esses contratos respeitem 
as normas do Código. 
 
2. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS 
 Como regra, os contratos são perfeitos com a aceitação, envolvendo dois elementos: 
proposta e posterior aceitação. No entanto, o Código Civil dá muita importância para a proposta 
e, de acordo com o art. 427, preconiza que esta, desde que séria e consciente, vincula o 
proponente. A seguir, no art. 428, traz quais seriam os casos em que a proposta deixa de ser 
obrigatória. 
 Note que não há ainda contrato, já que não se está falando de aceitação, apenas em 
proposta. Segundo o art. 428, deixará de ser obrigatória a proposta quando: 
 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-6/s-1JpRG4F7Rfw?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf
 
Para que haja aceitação e, como consequência, contrato, é necessário que a proposta seja aceita 
integralmente. Aceitação da proposta feita com modificação ou adições é considerada nova 
proposta. Art. 431 do CC. 
 Lugar de celebração de um contrato, para o Código Civil, é onde ele foi proposto. Art. 435 
do CC. 
 Quando está perfeito o contrato entre pessoas ausentes? Quando se expede a aceitação. 
 Leitura do art. 434, caput. Aplicação da teoria da expedição. 
 
3. VÍCIOS REDIBITÓRIOS (Artigos 441 – 446, CC) 
São vícios ocultos que tornam o bem impróprio para o uso e/ou lhe diminuam o valor. 
Requisitos: 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
Ações cabíveis – Ações Edilícias: 
 
A) Ação redibitória: Redibir o contrato: Voltar ao “status quo antes”. O contrato será desfeito 
com a devolução dos valores pagos, inclusive eventuais despesas de contrato. 
B) Ação estimatória ou quanti minoris: O contrato é mantido, mas é solicitado um abatimento. 
• Caso o vendedor estiver de má‑fé (sabia ou tinha condições de saber do defeito): Além do 
que prevê a lei, também irá pagar perdas e danos ao comprador; 
• Caso esteja de boa‑fé, ainda assim responderia pelas ações redibitórias ou estimatórias. 
 
 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
• Maioria doutrinária entende que o vício deve ser oculto.
Oculto
• Já existia, mas por sua natureza, só se manifestou após a contra.
Pré-existente 
• Impossibilite de usar o bem ou reduza o valor.
Grave
• De alguma forma, houve perda patrimonial.
Ourindo de contrato oneroso
Ação redibitória
• Desfaz o contrato
• Perdas e danos
Ação estimatória
• Mantém o contrato
• Abatimento do valor
 
 
4. EVICÇÃO (Artigos 447 – 457, CC) 
Evicção é a perda total ou parcial de um bem, em regra, por meio de uma sentença judicial. 
Esta sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo princípio da garantia 
em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. 
Partes na evicção: 
a) O alienante, que transferiu a coisa de forma onerosa; 
b) O evicto (adquirente), que perdeu a coisa adquirida; 
c) O evictor (autor da ação), que ganhou a ação judicial. 
 
Requisitos da evicção: 
1 – Perda total ou parcial da propriedade; 
2 – A aquisição tenha sido realizada de forma onerosa; 
3 – Anterioridade do direito daquele que ganhou a ação judicial: 
Direitos do evicto: 
Lembrando que evicto é aquele que perdeu a coisa em virtude de sentença judicial: ‑A 
responsabilidade decorre da lei. Mesmo que o contrato seja omisso, ele existirá de acordo com 
a lei. 
 
 
A) Responsabilidade total: Artigo 450 do CC. 
Salvo estipulação em contrário, o evicto tem direito: 
a – Restituição integral do preço; 
Prazos para manifestação do 
defeito
Móveis
180 dias
Imóveis
1 ano
Prazos para ajuizamento da ação 
(contados da manifestação do 
defeito)
Móveis
30 dias
Imóveis
1 ano
b – indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; 
c – indenização pelas despesas dos contratos; 
d – Pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; 
e- Custas judiciais e honorários do advogado. 
 
B) Responsabilidade parcial: Artigo 449 do CC. 
Podem as partes excluir a responsabilidade pela evicção? Sim, expressamente. Contudo, 
mesmo com a existência de tal cláusula, se a evicção se der, tem direito o evicto (aquele que 
perdeu a coisa) a recobrar o preço que pagou pela coisa evicta, com algumas condições: 
a ‑ Se não soube do risco da evicção ou 
b – se informado, não assumiu o risco da evicção. 
 
C) Isenção de responsabilidade pelo vendedor: Artigo 457 do CC: 
Quando o comprador sabe que está adquirindo bem alheio ou litigioso, caso venha a perder, 
não poderá demandar contra quem lhe vendeu. 
Obs.: Evicção parcial → Artigo 455. 
 
O que ocorre se houve evicção parcial e não total da coisa? Depende. 
A) Perda considerável: Poderá o evicto (quem perdeu parcialmente o bem) optar: 
1 - entre a rescisão do contrato e a 
2 - restituição da parte do preço do desfalque. 
 
B) Perda não for considerável,do qual enriquecimento sem causa é gênero. Para que ocorra a devolução dos 
valores, é necessário que o pagamento tenha sido comprovadamente feito com erro. 
 
28.4. Enriquecimento sem causa 
Há vários tipos de enriquecimento sem causa: pagamento indevido, construção em imóvel 
alheio de boa‑fé etc. Para a sua configuração é necessário: a) enriquecimento de uma parte; b) 
empobrecimento do outro; c) relação de causalidade entre os dois fatos; d) ausência de razão 
(contrato, lei etc.) e) inexistência de outra ação para conseguir a devolução. Então, a ação cabível 
será a ação in rem verso. 
 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
1) (EXAME XXXI) Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no 
RGI, de valores de mercado semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao 
seu filho mais velho, Bruno, que mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de 
mercado. No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendente comprador), 
um deles, Carlos, opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, 
seu filho que não concordou com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a 
favor de Bruno. Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. 
a) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais 
descendentes e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. 
b) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de 
pai para filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do 
negócio. 
c) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem 
para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. 
d) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos 
demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. 
 
GABARITO: D 
 
 
 
 
 
https://youtu.be/sa8DVUjKzxA
https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI
02. Direito das Obrigações 
1. Considerações iniciais 
Elementos constitutivos da obrigação: 
▪ Credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo); 
▪ Elemento objetivo imediato: prestação 
▪ Elemento imaterial: vínculo 
 
No Direito Obrigacional temos os sujeitos envolvidos que são o credor (polo ativo) e o 
devedor (polo passivo). O credor tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação e o devedor 
tem a obrigação de prestá-la. 
 
1.1. Fontes das obrigações 
Lei, contratos (tidos como principais fontes das obrigações), atos ilícitos, abuso de direito, 
atos unilaterais etc. 
 
2. Obrigação de dar coisa certa 
As modalidades de obrigações são: dar, fazer, não fazer, alternativas, indivisíveis e 
solidárias. A obrigação de dar se divide em: dar coisa certa e dar coisa incerta. 
A obrigação de dar coisa certa (Artigos 233-242), por sua vez, se divide em obrigação de 
dar coisa certa, modalidade entregar e obrigação de dar coisa certa, modalidade restituir. Tanto 
na de entregar ou na obrigação de restituir, o devedor se compromete a ENTREGAR ou 
RESTITUIR algo específico, que pode ser tanto bem móvel quanto imóvel. 
 
 
 
 
 
2.1. Modalidade entregar 
Um dos exemplos desta modalidade é o contrato de compra e venda, no qual, após efetuar 
o pagamento do preço, o comprador se torna CREDOR e o vendedor se torna DEVEDOR. 
Para o Código Civil o importante é quando o devedor NÃO cumpre com sua obrigação. Ao 
não cumprir, a lei então disciplina a solução. 
 
obrigação. Ao não cumprir, a lei então disciplina a solução. 
*Para todos verem: tabela abaixo. 
Perecimento 
(perda total) 
Com culpa: A obrigação se resolve (volta ao “status quo ante” e o 
devedor deverá pagar ao credor perdas e danos. 
Sem culpa: A obrigação se resolve (volta ao “status quo ante”). 
Deterioração 
(perda parcial) 
Com culpa: Credor terá duas opções: Resolver a obrigação ou fica 
com a coisa como se encontra exigindo, em qualquer dos casos, 
perdas e danos. 
Sem culpa: Credor terá duas opções: receber o bem como se 
encontra com abatimento ou resolver a obrigação (voltar ao estado 
inicial) 
Resolver a obrigação significa voltar ao estado inicial, ao “status quo ante”. Assim, por 
exemplo, o devedor devolveria o dinheiro ao credor. 
 
2.2. Obrigação de dar coisa certa: modalidade restituir 
Um dos exemplos de tal modalidade é o contrato de comodato (empréstimo gratuito de 
bens), uma vez que o bem dado em comodato, teremos de um lado o comodante como CREDOR 
e o comodatário como devedor (com obrigação de restituir, de devolver ao comodante). 
Da mesma forma, aqui o Código Civil se preocupa quando o devedor NÃO cumpre com a 
obrigação: 
*Para todos verem: tabela abaixo. 
Perecimento 
Com culpa: Responderá o comodatário pelo equivalente do valor do 
bem mais perdas e danos. 
Sem culpa: Se a coisa se perde e não é culpa do devedor, então 
ARCARÁ O CREDOR com a perda. Suporta o credor o prejuízo. 
Deterioração 
Com culpa: Credor poderá escolher ficar com a coisa como se encontra 
OU exigir o equivalente, com perdas e danos. 
Sem culpa: Sofre o credor a perda e deverá receber o bem no estado 
em que se encontra. 
 
Importante! 
Artigo 237: Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e 
acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor 
resolver a obrigação. 
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. 
Se entre o contrato e a entrega do bem, por exemplo, sobreveio melhoramentos no bem, 
o devedor poderá exigir aumento no preço a ser pago e se o credor não concordar, poderá então 
o devedor pedir a resolução do contrato. 
 
 
 
 
 
 
 
Resumo - Artigos do Código Civil para cada tipo de Obrigação: 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
3. Obrigação de dar coisa incerta (Artigos 243 – 246, CC) 
O objeto da obrigação não é algo específico, mas precisa ser, ao menos, indicado por 
gênero e quantidade. Assim, o objeto deve ser, ao MENOS, determinável, ou seja, que vai vir a 
ser determinado. 
Como exemplo, podemos pensar em um contrato em que credor e devedor estabelecem 
que o devedor irá entregar sacas de arroz de sua fazenda. É, assim, possível que se contrate 
um objeto determinável, mas que, precisará ser escolhido e separado, para que então, possa ser 
entregue. 
Como regra, aqui e em outros momentos do Código Civil, se nada foi estipulado pelas 
partes de outra maneira, a escolha cabe ao devedor. 
DAR COISA 
CERTA
Art. 233 a 242 
do CC
Entregar
Perecimento 
(perda total)
Com culpa
Art. 234, 2ª parte 
do CC
Sem culpa
Art. 234, 1ª parte, 
do CC
Deterioração 
(perda parcial)
Com culpa
Art. 236, CC
Sem culpa
Art. 235, CC
Restituir
Perecimento 
(perda total)
Com culpa
Art. 239, CC
Sem culpa
Art. 238, CC
Deterioração 
(perda parcial)
Com culpa
Art. 240, CC
Sem culpa
Art. 240, CC
Exemplo: 
compra e 
venda 
Há um momento em que a obrigação de dar coisa incerta se torna obrigação de dar coisa 
certa. Isso ocorre quando a escolha é feita E o credor é cientificado de tal escolha. Após a 
ocorrências destes DOIS fatos, então iremos buscar respostas para o caso de inadimplemento 
do devedor, na parte que trata de obrigação de dar coisa certa, já que após a escolha E 
cientificação, o que era incerto passou a ser certo. 
 
 
4. Obrigação de Fazer (Artigo 247-249, CC) 
Neste caso, não se tem a obrigação um objeto móvel ou imóvel e sim a PRESTAÇÃO, que 
consiste no cumprimento de uma tarefa ou a realização de um serviço, por exemplo. A obrigação 
de fazer pode ser fungível ou infungível. 
 
4.1. Obrigação de fazer infungível 
Possui natureza personalíssima. Em caso de o devedor não cumprir com a obrigação, o 
credor terá as seguintes opções: 
• Exigir o cumprimento da obrigação, por força do artigo 497 do CPC, com cominação de 
multa; ou 
• Resolvera obrigação e pedir perdas e danos. 
No entanto, se não for culpa do devedor (pintor perde o movimento dos braços e não 
consegue mais realizar a pintura que tinha se obrigado, por exemplo) então a obrigação será 
resolvida (artigo 248). 
 
4.2. Obrigação de fazer fungível 
É aquela que pode ser cumprida por outra pessoa. Em caso de não cumprimento pelo 
devedor, poderá o credor optar: 
• exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos do 497 do CPC; 
• pedir o cumprimento da obrigação por terceiro, à custa do devedor originário; 
• Poderá requerer a conversão em perdas e danos. 
 
5. Obrigação de não fazer (Artigos 250-251, CC) 
Importante destacar o momento em que a pessoa se torna inadimplente na obrigação de 
não fazer. O artigo 390 do Código Civil, dispõe que, nas obrigações negativas, o devedor será 
considerado inadimplente a partir do dia em que executar o ato no qual deveria se abster. 
A obrigação de não fazer, extingue-se quando não é possível abster-se do ato a qual se 
obrigou a não praticar, desde que o devedor não tenha culpa (art. 250, CC). 
 
→ Quando o devedor praticou o ato que deveria ser abster, mas é possível desfazer o que 
foi feito, é possível voltar ao “status quo ante” – Artigo 251. 
 
Regra: necessária autorização do juiz: Art. 251 do Código Civil. 
Exceção: Se for urgente, conforme disposto no art. 251, parágrafo único do Código Civil, não 
será necessária autorização do juiz. 
 
 
→ Quando o devedor praticou o ato que deveria se abster, mas não é possível desfazê-lo, 
não é possível voltar ao “status quo ante” – Artigo 250. 
Com culpa: ocorrerá a extinção do contrato, e a pessoa será condenada a pagar indenização 
por perdas e danos. 
Sem culpa: só será feita a extinção do contrato. 
 
Obs.: Artigo 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde 
o dia em que executou o ato de que se devia abster. 
 
 
 
 
Obrigação de fazer fungível: 
Fixação: Não personalíssima 
Ocorre quando a obrigação pode ser cumprida por terceiro. 
Exemplo: Paulo é contratado para pintar a casa de Ana. Caso Paulo não faça a pintura da casa, 
há a possibilidade de outra pessoa fazer o serviço. Sendo assim, um terceiro executa o serviço, 
e Paulo realiza o pagamento ao mesmo. 
Vejamos o que dispõe o art. 249 do Código Civil e seu parágrafo único: 
 
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à 
custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. 
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização 
judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. 
Obrigação de fazer infungível: 
Fixação: Personalíssima 
Somente a pessoa (devedor) pode cumprir com o seu contrato. 
Exemplo: João foi contratado para fazer um show na cidade de Santa Cruz do Sul, logo, somente 
João poderá cumprir o contrato. 
➢ Com culpa: resolve + indenização por perdas e danos. 
➢ Sem culpa: o contrato somente se resolve (se desfaz). 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
1) (XXIII Exame) Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário, 
cujo objeto era a quantia de R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de seis meses. 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-2/s-irQvY99nWHk?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm
Foi combinado que a entrega do dinheiro seria feita no parque da cidade. No entanto, Felipe, 
após receber o dinheiro, foi furtado no caminho de casa. Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou 
para Felipe para combinar o pagamento da quantia emprestada, mas este respondeu que não 
seria possível, em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. 
Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
A) Cássio tem direito à devolução do dinheiro, ainda que a perda da coisa não tenha sido por 
culpa do devedor, Felipe. 
B) Cássio tem direito à devolução do dinheiro e ao pagamento de juros, ainda que a perda da 
coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. 
C) Cássio tem direito somente à devolução de metade do dinheiro, pois a perda da coisa não foi 
por culpa do devedor, Felipe. 
D) Cássio não tem direito à devolução do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do 
devedor, Felipe. 
 
2) (Exame XIX) A peça Liberdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da Vinci 
pela importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a entregar a obra dez 
dias após o recebimento da quantia estabelecida, que foi paga à vista. A galeria organizou, então, 
uma grande exposição, na qual a principal atração seria a escultura Liberdade. No dia ajustado, 
quando dirigia seu carro para fazer a entrega, Lúcio avançou o sinal, colidiu com outro veículo, 
e a obra foi completamente destruída. O anúncio pela galeria de que a peça não seria mais 
exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de restituição dos valores pagos a 
título de ingresso. 
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
A) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substituição 
à escultura Liberdade. 
B) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade 
mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição. 
C) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar executar 
a prestação às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos. 
D) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vinci, 
razão pela qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem. 
 
GABARITO: 
1) A 
2) B 
 
6. Obrigações alternativas 
Nas obrigações alternativas é possível o cumprimento da obrigação através da escolha 
de um OU de outro objeto. A obrigação será adimplida no momento em que se efetuar o 
cumprimento de 1 dos objetos. Assim, se Maria, devedora, se obrigou a pagar para João 1000 
sacas de arroz OU 1000 sacas de farinha, com a entrega de somente um deles, teremos o 
adimplemento da obrigação. 
 Se nada foi estipulado, a escolha caberá ao devedor. Não poderá o credor (João) exigir, 
por exemplo, que Maria entregue parte em farinha e parte em arroz. Da mesma forma que não 
pode João solicitar tal feito à Maria, também não pode Maria solicitar tal feito para João (entrega 
em partes de cada objeto). 
 Além disso, se a obrigação se estipulou de forma que ocorram através de prestações 
periódicas (todo mês Maria precisa entregar, por exemplo) esta escolha poderá ser exercida em 
cada período. 
 O artigo 253 nos informa que se uma das duas prestações não puder ser objeto de 
obrigação ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra. Assim, se uma das 
obrigações não puder se executada (proibida por lei, por exemplo) então o que era antes 
obrigação alternativa, passa a ser obrigação simples, já que o débito subsistirá com relação à 
outra prestação. 
Artigo 254: Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das 
prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a 
pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos 
que o caso determinar 
 
➢ Maria (devedora) se comprometeu a entregar para João 1 cavalo OU 1 vaca. Por culpa de 
Maria, os dois animais morreram, impossibilitando o cumprimento da prestação. Se a escolha 
couber a Maria ou terceiro, por exemplo, temos que ficará Maria obrigada a pagar o valor da que 
por último se impossibilitou (o último animal que morreu, por exemplo) mais perdas e danos. 
Artigo 255: Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações 
tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a 
prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por 
culpa do devedor, ambas as prestaçõesse tornarem inexeqüíveis, poderá 
o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por 
perdas e danos. 
 
➢ Maria (devedora) se comprometeu a entregar para João 1 cavalo OU 1 vaca. Aqui, um dos 
objetos se tornou impossível (um animal morreu, por exemplo) por culpa do devedor (Maria) 
poderá o credor João exigir o outro animal OU o valor do animal que morreu com perdas e danos. 
Se os dois morreram por culpa de Maria, então o credor poderá reclamar o valor de um OU de 
outro, além de indenização por perdas e danos. Vale lembrar que neste artigo, a escolha cabia 
para João. 
Já se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á 
a obrigação, conforme artigo 256 do CC. 
 
7. Obrigações divisíveis e indivisíveis 
A classificação em divisível ou indivisível somente possui relevância quando tivermos mais 
de um devedor ou mais de um credor. 
 
7.1. Obrigação divisível 
O artigo 257 trata sobre a obrigação divisível e nos informa que sendo a obrigação assim, 
ela será dividida entre tantos credores e devedores houver. Assim, se Maria e Carla são 
devedoras de R$100.000,00 (cem mil reais) de João, que é o credor, de acordo com o artigo 
257, João somente poderá exigir R$50.000,00 (cinquenta mil reais) de cada uma: “Havendo mais 
de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas 
obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores”. 
 
7.2. Obrigação indivisível 
Segundo o artigo 258 a obrigação é indivisível a obrigação é indivisível quando a prestação 
tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de 
ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. Pode assim, a indivisão 
ser natural (animal, por exemplo) por motivo de ordem econômica (um pedra preciosa) ou então 
legal (imposta pela lei). 
Regras da obrigação indivisível 
A) Plural de devedores: 
Maria e Carla são devedoras de 1 animal (indivisível) para João (credor). João poderá 
cobrar a dívida toda (animal) somente de uma. Aquela que entregar para João o animal, poderá 
cobrar da outra a quota parte do valor do animal. 
Artigo 259: Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for 
divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. 
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do 
credor em relação aos outros coobrigados. 
B) Plural de credores: 
Maria é devedora de 1 animal para João e Carlos, que são os credores de Maria. Tanto 
João quanto Carlos poderá exigir de Maria o animal, mas Maria só se desobriga da dívida 
entregando para João e Carlos em conjunto ou então entregando para João, que dará caução 
(garantia) que o outro credor irá ratificar. 
Artigo 260: Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir 
a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: 
I - a todos conjuntamente; 
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. 
Lembrando que aquele credor que receber o animal, deverá pagar em dinheiro a quota 
parte dos outros credores (artigo 261). 
C) Remissão: Artigo 262 
Se um dos credores perdoar (remitir) a dívida, não teremos a extinção dela, mas tão 
somente o desconto da quota do credor que perdoou. Isso também ocorre em caso de transação, 
novação, compensação ou confusão. 
 
 
 
D) Perda da qualidade de indivisível: Artigo 263. 
A obrigação indivisível perde esta qualidade, quando se converter em perdas e danos. 
Perdas e danos é uma obrigação de dar e que é divisível. Se todos os devedores foram culpados, 
todos responderão em partes iguais. Se somente um for o culpado, os outros devedores estarão 
liberados, ficando o culpado com a responsabilidade de pagar perdas e danos. 
 
8. Obrigações solidárias (Artigos 264-285, CC) 
Tanto quanto na divisibilidade e indivisibilidade, somente há importância em se discutir 
sobre obrigações solidárias se tivermos MAIS de um credor ou devedor. E, como regra principal 
da solidariedade, temos que cada CREDOR pode exigir de cada DEVEDOR o cumprimento da 
obrigação por inteiro. Da mesma forma, cada DEVEDOR pode pagar a qualquer um de seus 
CREDORES, a dívida toda. 
 
8.1. Solidariedade ativa (Artigos 267-274, CC) 
 
Regras da solidariedade ativa 
A) Credor pode exigir a prestação por inteiro: 
De acordo com o artigo 267, cada credor poderá exigir o cumprimento da obrigação por 
inteiro. Além disso, enquanto algum credor não ajuizou ação contra o devedor, este mesmo 
devedor poderá pagar para qualquer um dos credores e estará liberado (artigo 268). 
Em adição, a dívida será extinta até o valor que for pago. Assim, se Maria deve R$50.000,00 
(cinquenta mil reais) para João e Carlos, seus credores, e pagar R$40.000,00 para um deles, 
ainda assim ficará devendo R$10.000,00 (dez mil reais). 
 
B) Falecimento de um dos credores solidários: 
Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes herdeiros 
somente terá direito a exigir e receber a quota de crédito que corresponde ao seu quinhão 
hereditário, salvo se for obrigação indivisível. 
Digamos que Maria, devedora, deve R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para João e Carlos, 
seus credores solidários. João tem 2 filhos, A e B. João falece. Sendo a quota de João o valor 
de R$25.000,00, cada filho poderia cobrar de Maria a quantia de R$12.500,00. 
 
Um ponto muito importante na solidariedade ativa é a de que ainda que qualquer um dos 
credores possa cobrar a dívida toda, ele não terá direito ao valor todo. Após cobrar a totalidade 
da dívida, por exemplo, deverá entregar as quotas partes aos demais credores. 
 
C) Manutenção da solidariedade 
Ao contrário da indivisibilidade, se a prestação se converter em perdas e danos, a 
solidariedade se mantém (artigo 271). 
 
D) Remissão por um dos credores: 
Se um dos credores remitiu a dívida, responde aos demais pelas partes que lhes caibam. 
Assim, se João perdoou a dívida de Maria, que era de R$50.000,00 deverá responder para com 
as quotas partes dos demais. 
 
E) Exceções pessoais: 
Exceções pessoais são defesas de mérito que podem ser arguidas como, por exemplo, 
vícios do consentimento (erro, dolo...) e também incapacidades, por exemplo. Na obrigação 
solidária ativa o devedor não poderá opor essas defesas contra os demais credores, somente 
contra aquele credor que fez negócio viciado. 
 
 
8.2. Solidariedade Passiva (Artigos 275 – 285, CC) 
Regras da solidariedade passiva 
A) Cobrança da integralidade da dívida: 
A principal regra aqui é a de que, havendo mais de um devedor, o credor poderá exigir de 
qualquer um o pagamento da dívida toda. 
Assim, se Maria e Carla são devedoras de R$50.000,00, Carlos seu credor, poderá cobrar 
a totalidade da dívida somente de Maria, por exemplo. 
Se o pagamento foi parcial, ainda assim continuam as duas devedoras como obrigadas à 
totalidade da dívida. 
 
B) Morte de um dos devedores solidários: 
Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado 
a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for 
indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos 
demais devedores. 
Assim, se Maria e Carla são devedores de R$50.000,00 e Maria falece, deixando dois 
herdeiros: A e B. Cada um dos herdeiros será responsável apenas pela sua quota parte. Assim, 
João-credor, somente poderia cobrar de A o valor de R$12.500,00, por exemplo. 
 
C) Remissão e pagamento parcial: 
Se o pagamento parcial foi realizado por um dos devedores, ou houve o perdão da dívida 
para um dos devedores, isso não irá atingir os demais devedores solidários. O que os demais 
devedores terão é um desconto na parte paga parcial ou na parte remitida (perdoada). 
 
 
 
 
D) Impossibilidade de prestação: 
Se a prestação por culpa de um dos devedores solidáriosficar impossibilitada, a obrigação 
irá subsistir para TODOS de pagar o valor desta obrigação. Pelas perdas e danos somente 
responderá o culpado. 
 
E) Exceções pessoais: 
Segundo o artigo 281 o devedor demandado por opor ao credor as exceções que lhes forem 
pessoais e as comuns a todos. Como exemplo, podemos pensar que qualquer devedor poderá 
alegar a prescrição da dívida, já que são defesas comuns. Já vícios do consentimento, por 
exemplo (exceções pessoais) somente poderão ser usados pelo devedor que sofreu. 
 
F) Renúncia: 
É possível que o credor renuncie de forma parcial a solidariedade (somente para um 
devedor, por exemplo) ou total (em favor de todos os devedores). 
Exemplo: João credor e possui 3 devedoras: Maria, Carla e Joana, que devem 
R$30.000,00. João renunciou a solidariedade com relação à Maria. Assim, Maria somente 
poderá ser cobrada de R$10.000,00, enquanto Carla e Joana poderão ser demandadas por 
R$20.000,00. 
 
G) Devedor insolvente: 
O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores 
a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se 
iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. 
Assim, no caso de João credor ter três devedoras solidárias: Maria, Carla e Joana. Se uma 
delas efetuar o pagamento da obrigação, poderá solicitar que as demais paguem as quotas 
partes de cada. Se uma delas for insolvente, a sua quota parte será dividida entre os outros co-
devedores. 
 
 
 
9. Transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção de dívida 
É importante destacar o título da matéria a ser examinada: As obrigações são transmitidas. 
Assim, não há o adimplemento, inadimplemento etc. O que há é a transmissão de uma obrigação 
de um sujeito para o outro. Isso não ocorre através do pagamento. 
 
9.1. Cessão de crédito (Art. 286 – 298, CC) 
➢ Negócio jurídico bilateral; 
➢ Gratuito ou oneroso; 
➢ Credor transfere a outra pessoa total ou parcialmente a sua posição da relação obrigacional; 
➢ Partes da cessão de crédito: Cedente e Cessionário. 
 
 Com a cessão se transferem todo o crédito, inclusive com seus acessórios. Um ponto 
muito importante é que para que ocorra a cessão não é necessário o consentimento do devedor. 
 
Observação! 
▪ Não é possível ceder o crédito em alguns casos (alimentos, por exemplo); 
▪ A impossibilidade de cessão pode estar no documento (instrumento obrigacional) que 
então impede qualquer tipo de cessão. 
▪ A regra proibitiva de cessão não pode ser oposta ao cessionário de boa-fé se não constar 
no próprio instrumento. 
Como as demais regras do CC, a cessão entre partes possui total eficácia, não 
necessitando inclusive forma escrita. Porém, para que tenha eficácia perante terceiros, é 
necessária a celebração de um acordo escrito, por meio de instrumento público ou particular. 
Ainda que para que ocorra a cessão de crédito não seja necessária a participação do 
devedor (já que o credor-cedente está cedendo o crédito para outra pessoa – cessionário), é 
porém imprescindível que o devedor seja notificado. Esta notificação pode ocorrer de forma 
judicial ou extrajudicial (artigo 290). Também pode ocorrer a notificação presumida, na qual no 
próprio documento de cessão de cedente para cessionário, o devedor informa que está ciente 
da cessão. 
 Em decorrência do princípio da boa-fé, o devedor que não sabia que tinha havido a cessão 
de crédito (não foi notificado, por exemplo) e que paga ao devedor primitivo, não terá que pagar 
novamente. 
 De acordo com o artigo 294 as exceções (defesas) que o devedor poderia opor ao seu 
antigo credor (cedente) poderão ser opostas também contra o novo (cessionário). 
 
 
 
9.2. Assunção de Dívida (Artigos 299-303, CC) 
 Negócio jurídico bilateral pelo qual o devedor com a anuência do credor transfere a um 
terceiro a posição de devedor em uma obrigação. Consoante artigo 299: É facultado a terceiro 
assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o 
devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. 
 Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da 
dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. 
 Por exemplo: João é credor e Maria devedora. Carla, amiga de Maria, se oferece para 
ASSUMIR a dívida que Maria tem para com João. Com a concordância de João, Maria se libera 
da obrigação, nada mais devendo para João (a não ser que Carla era insolvente, caso em que 
Maria voltaria para o polo passivo da obrigação). O novo devedor é chamado de terceiro assuntor 
(Carla). 
 Diz o artigo 300 que a partir da assunção deverão ser consideradas extintas as garantias 
especiais dadas pelo devedor primitivo (Maria). Salvo se Maria concordar que tais garantias irão 
permanecer. 
 Já o artigo 301 trata que se a substituição do devedor vier a ser anulada, o débito será 
restaurado, com todas as garantias, salvo as prestadas por terceiro (a não ser que este terceiro 
estava mancomunado com o devedor primitivo, que sabia do vício). 
EM RESUMO. 
* Para todos verem: ilustração abaixo da compra e venda (credor e devedor) de 
um cavalo ou vaca. 
1 – Obrigações alternativas 
 
 CREDOR DEVEDOR 
 
 Objeto: 1 cavalo OU 1 vaca 
▪ Entregando um dos objetos, cumprida está a obrigação; 
▪ Conforme Código Civil, se nada foi estipulado, a escolha cabe ao devedor. 
▪ Ainda que os bens sejam divisíveis, não é possível a entrega em partes. 
 
2 – Obrigações divisíveis e indivisíveis 
Obrigação divisível: pode ser cumprida de maneira fracionada. Exemplo: 1000 sacas de arroz. 
Obrigação indivisível: não pode ser cumprida em partes. Exemplo: 1 cavalo. 
 
3 – Obrigações solidárias: 
Na solidariedade ativa, conforme determina o art. 267 do Código Civil, cada credor solidário, 
pode exigir do devedor, que a prestação seja cumprida por inteiro. 
 
4 – Transmissão das obrigações: 
Cessão de crédito → Cedente cede crédito ao cessionário. Devedor deverá pagar ao novo 
credor. 
Assunção de dívida → Terceiro assume dívida do devedor com consentimento expresso do 
credor. 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
1) (EXAME XVII) Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o pagamento 
com juros do valor do mútuo no montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção do crédito, 
a parte do polo ativo obrigacional ainda facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento 
do montante no termo avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador 
da fazenda, conforme escolha a ser feita pelo devedor. Ante os fatos narrados, assinale a 
afirmativa correta. 
A) Trata-se de obrigação alternativa. 
B) Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis. 
C) Acaso o animal morra antes da concentração, extingue-se a obrigação. 
D) O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor. 
 
2) (EXAME XXI) Felipe e Ana, casal de namorados, celebraram contrato de compra e venda com 
Armando, vendedor, cujo objeto era um carro no valor de R$ 30.000,00, a ser pago em 10 
parcelas de R$ 3.000,00, a partir de 1º de agosto de 2016. Em outubro de 2016, Felipe terminou 
o namoro com Ana. Em novembro, nem Felipe nem Ana realizaram opagamento da parcela do 
carro adquirido de Armando. Felipe achava que a responsabilidade era de Ana, pois o carro tinha 
sido presente pelo seu aniversário. Ana, por sua vez, acreditava que, como Felipe ficou com o 
carro, não estava mais obrigada a pagar nada, já que ele terminara o relacionamento. 
Armando procura seu(sua) advogado(a), que o orienta a cobrar 
A) a totalidade da dívida de Ana. 
B) a integralidade do débito de Felipe. 
C) metade de cada comprador. 
D) a dívida de Felipe ou de Ana, pois há solidariedade passiva. 
 
3) (EXAME XXIV) André, Marianae Renata pegaram um automóvel emprestado com Flávio, 
comprometendo-se solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre que Renata, dirigindo 
acima do limite de velocidade, causou um acidente que levou à destruição total do veículo. 
Assinale a opção que apresenta os direitos que Flávio tem diante dos três. 
A) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mais perdas e danos. 
B) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas 
e danos de Renata. 
C) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro e das perdas 
e danos. 
D) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro, mas só pode 
exigir perdas e danos de Renata. 
 
4) (EXAME XXVI) Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00 assumida solidariamente 
por Marcos, Vera, Teresa, Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro, em razão de mútuo que 
a todos aproveita. Antes do vencimento da dívida, Paula exonera Vera e Mirna da solidariedade, 
por serem amigas de longa data. Dois meses antes da data de vencimento, Júlio, em razão da 
perda de seu emprego, de onde provinha todo o sustento de sua família, cai em insolvência. 
Ultrapassada a data de vencimento, Paula decide cobrar a dívida. 
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
A) Vera e Mirna não podem ser exoneradas da solidariedade, eis que o nosso ordenamento 
jurídico não permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos devedores. 
B) Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriormente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio será rateada 
entre todos os devedores solidários, inclusive Vera e Mirna. 
C) Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriormente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio. 
D) Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriormente, poderá cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será rateada entre 
todos os devedores solidários, com exceção de Vera. 
 
5) (EXAME XX) Paulo, João e Pedro, mutuários, contraíram empréstimo com 
Fernando, mutuante, tornando-se, assim, devedores solidários do valor total de R$ 6.000,00 (seis 
mil reais). Fernando, muito amigo de Paulo, exonerou-o da solidariedade. João, por sua vez, 
tornou-se insolvente. No dia do vencimento da dívida, Pedro pagou integralmente o empréstimo. 
Considerando a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. 
A) Pedro não poderá regredir contra Paulo para que participe do rateio do quinhão de João, pois 
Fernando o exonerou da solidariedade. 
B) Apesar da exoneração da solidariedade, Pedro pode cobrar de Paulo o valor de R$ 3.000,00 
(três mil reais). 
C) Ao pagar integralmente a dívida, Pedro se sub-roga nos direitos de Fernando, permitindo se 
que cobre a integralidade da dívida dos demais devedores. 
D) Pedro deveria ter pago a Fernando apenas R$ 2.000,00 (dois mil reais), pois a exoneração 
da solidariedade em relação a Paulo importa, necessariamente, a exoneração da solidariedade 
em relação a todos os codevedores. 
 
GABARITO: 
1)A 
2)C 
3)B 
4)B 
5)B 
 
 
10. Pagamento 
10.1. Considerações iniciais 
Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação (e, 
como consequência a extinção do vínculo de credor e devedor) é necessário que se cumpra o 
pagamento com seus 5 requisitos: quem paga, para quem se paga, o que se paga, onde se paga 
e quando se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, teremos a extinção da obrigação através 
do pagamento. Se uma delas não for cumprida, poderá ser aplicado o ditado de que: “quem paga 
mal, paga duas vezes.” 
 
 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
10.2. De quem deve pagar (Artigos 304-307, CC) 
 Um ponto muito importante aqui é que usa as palavras solvens (que paga) e accipiens 
(quem recebe) e não exatamente credor e devedor. Isso porque outras pessoas além do devedor 
podem pagar e outras pessoas além do credor podem receber. 
 
 
 
Quem paga;
Para quem se paga;
Qual o objeto do pagamento;
Lugar do pagamento;
Tempo do pagamento.
*Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ou em oposição 
ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este último tinha 
meios para ilidir a ação. 
 
10.3. Para quem se paga (Artigos 308 – 312, CC) 
 O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. 
 
Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as 
circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. 
 
EM RESUMO 
Requisitos do pagamento: quem paga, para quem se paga, objeto e prova, lugar e tempo de 
pagamento. 
 
Quem paga: 
• Regra: devedor 
• Exceções: 
o terceiro interessado (Exemplo: fiador → sub-rogação); 
o terceiro não interessado: paga em nome próprio (tem direito ao reembolso) ou como se 
fosse o devedor (doação). 
Para quem se paga: 
• Regra: credor / representante (Art. 308 do CC) 
• Exceções: 
o Art. 309 do CC: credor putativo (alguém que aparenta ser credor, mas que não é); 
o Art. 310 do CC: credor incapaz. 
✓ O pagamento feito ao incapaz, em regra, não é válido. 
 Exceção: o pagamento será válido se o devedor comprovar que o 
pagamento reverteu para o incapaz. 
 
 
10.4. Objeto e prova 
Objeto do pagamento: Art. 313 a 318 do Código Civil 
Prova: Art. 319 a 326 do Código Civil 
 
→ Objeto 
Com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a pagar ou 
receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. Da mesma forma, 
sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar a prestação se assim não se 
estipulou 
 
Princípio do Nominalismo 
Artigo 315. As dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda corrente nacional e pelo valor 
nominal. 
 
É permitida a cláusula de escala móvel ou cláusula de escalonamento, de acordo com o 
artigo 316: É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. 
Extremamente relevante o artigo 317 que trata sobre a revisão contratual por fato 
superveniente. Para que ocorra é necessária uma imprevisibilidade somada a uma onerosidade 
excessiva. Estaria aqui consagrada a teoria da imprevisão. 
 
 
 
 
→ Prova 
 O devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se não lhe 
for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se encontram 
no artigo 320: “A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o 
valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o 
lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de 
seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida”. 
 Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do 
“caput” do artigo 320. Contudo, caso não possua todos os requisitos, poderá ainda assim o 
pagamento ser comprado por outros meios. 
 
 
 
 
PRESUÇÕES DE PAGAMENTO: 
São presunções relativas (admitem prova em contrário). 
Art. 322: Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da 
última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas 
as anteriores. 
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes 
presumem-se pagos. 
Juros são acessórios. Uma vez pago o principal, presume-se que os 
acessórios também foram pagos. 
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. 
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor 
provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. 
Art. 325: Presumem-se acargo do devedor as despesas com o pagamento 
e a quitação; se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a 
despesa acrescida. 
 
10.5. Do lugar de pagamento (Artigos 327 – 330, CC) 
 Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. 
Assim, se nada for estipulado, o credor deverá ir até o devedor para buscar o pagamento. 
Domicílio do devedor – dívida quesível ou quérable. 
Domicílio do credor ou outro domicílio escolhido dívida portável ou portable. 
 
Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado 
o pagamento. Importante lembrar que se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em 
prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem. 
 
 
10.6. Do tempo de pagamento (Artigos 331-333, CC) 
Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver 
data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá se exigido à vista (cuidar o contrato de 
mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). 
Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso ocorre: 
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em 
execução por outro credor; 
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, 
fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. 
 
Para a doutrina, esse rol não é taxativo e sim exemplificativo. 
 
 
 
EM RESUMO 
SOBRE PAGAMENTO 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
Demais requisitos: quem paga e para quem se paga. 
 
11. Adimplemento e extinção das obrigações 
 
11.1. Consignação em pagamento (Artigos 334 – 345, CC) 
Depósito feito pelo devedor ou terceiro de uma coisa devida, para que consiga se liberar da 
obrigação. É um instituto misto, já que também é tratado no Código de Processo Civil, artigos 
539 e seguintes do CPC. 
Requisitos
Objeto
Ninguém é obrigado a 
receber ou a entregar 
objeto diferente do 
contratado
Prova
A prova do 
pagamento se 
dá através da 
quitação
Lugar
Como regra: 
domicílio do 
devedor
Tempo
Possível 
vencimento 
antecipado -
Artigo 333.
 O depósito pode ser feito de forma judicial ou em estabelecimento bancário da coisa 
devida (neste caso, somente dinheiro e é chamada de consignação extrajudicial) 
 Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que 
não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequências do inadimplemento. 
 As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: 
A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o 
pagamento, ou dar quitação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e 
condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado 
ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do 
pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
Para vários doutrinadores, este rol seria exemplificativo. 
Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse realizado 
o pagamento, para que a consignação tenha então FORÇA DE PAGAMENTO, é necessário que 
concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais 
não é válido o pagamento. 
 
Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor 
consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores. 
O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a 
qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do 
pagamento. 
Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente 
excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação. Este é o único caso em que um credor 
pode pedir a consignação. 
 
 
 
 
 
11.2. Do pagamento com sub-rogação (Art. 346 – 351, CC) 
A sub-rogação pode ser entendida como a substituição de uma pessoa por outra, realizada 
através do pagamento. 
O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para que 
não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação obrigacional, 
já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor (que não 
pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo fiador). 
Importante destacar que na sub-rogação não há a EXTINÇÃO da dívida e sim a substituição 
de uma pessoa por outra através do pagamento. Não há o surgimento de nova dívida. A sub-
rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, 
em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. 
 
Há dois grandes tipos de sub-rogação: legal e convencional: 
*Para todos verem: quadro abaixo. 
Sub-rogação legal ou automática (deriva 
da lei). Está no artigo 346: 
Sub-rogação convencional (deriva do 
contrato). Está no artigo 347: 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-1/s-YKm9thKAbAW?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm
I - do credor que paga a dívida do devedor 
comum; 
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que 
paga a credor hipotecário, bem como do 
terceiro que efetiva o pagamento para não 
ser privado de direito sobre imóvel; (alguém 
pode pagar a dívida para se afastar de 
eventual evicção). 
III - do terceiro interessado, que paga a 
dívida pela qual era ou podia ser obrigado, 
no todo ou em parte. 
I - quando o credor recebe o pagamento 
de terceiro e expressamente lhe transfere 
todos os seus direitos; 
II - quando terceira pessoa empresta ao 
devedor a quantia precisa para solver a 
dívida, sob a condição expressa de ficar o 
mutuante sub-rogado nos direitos do 
credor satisfeito. 
 
Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, 
senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor. 
 
 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
11.3. Da imputação em pagamento (Artigos 352-355, CC) 
 Imputar significa escolher, eleger, indicar. Quando um devedor tiver várias dívidas com 
um mesmo credor, sendo elas líquidas e vencidas, este mesmo devedor poderá escolher qual 
delas ele quer pagar. 
 
Requisitos para a imputação: 
➢ Mesmo credor e devedor 
➢ Plural de dívidas 
➢ Líquidas e vencidas 
➢ Débitos da mesma natureza. 
 
Como regra, quem deverá escolher qual dívida será paga, é o devedor (artigo 352). Se o 
devedor nada fizer, então se transfere o direito de escolha ao credor (Artigo 353). Caso nem o 
devedor, nem credor se manifestem, então teremos a imputação legal, ou seja, a lei, no seu 
artigo 355, que diz quais serão as dívidas a serem pagas: “Se o devedor não fizer a indicação 
Adimplemento 
e extinção das 
obrigações
Consignação 
em 
pagamento
judicial
extrajudicial
Sub-rogação
legal ou 
automática 
ou de pleno 
direito
convencional
do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e 
vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a 
imputação far-se-á na mais onerosa”. 
Assim: 
▪ Havendo capital e juros, primeiro se fará nos juros; 
▪ A imputação será feita na dívida vencida em primeiro lugar; 
▪ Se todas forem vencidas na mesma data, então a imputação deverá ser feita na mais 
onerosa. 
 
11.4. Dação em pagamento (Artigo 356-359, CC) 
A dação ocorre quando o credor consente em receber objeto diferente do contratado. 
Assim, se exige uma obrigação previamente criada e um acordo posterior em que o credor aceita 
receber objeto diverso do contratado.Para que haja dação, podemos ter então a substituição de dinheiro por bens móvel ou 
imóvel, de uma coisa por outra, de dinheiro por fato etc. 
 
Muito importante! 
Artigo 359: Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a 
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. 
 
 
 
 
11.5. Novação: Artigo 360 – 367 
Através da novação temos a extinção da obrigação anterior, com a criação de uma nova. 
O principal efeito é a extinção da dívida antiga, com todos os seus acessórios e garantias. 
Como a novação extingue a obrigação primitiva, liberando as garantias, se o for feita 
novação sem o consentimento do fiador, ele estará exonerado. 
Além disso, é necessária a chamada “intenção de novar”. O ânimo de novar está expresso 
no artigo 361. 
Não é possível que haja novação de obrigações nulas e extintas (artigo 367). Assim, a 
obrigação meramente anulável pode ser objeto de novação. 
 
No artigo 360 temos as hipóteses de novação. 
I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; 
• Temos aqui a novação REAL. 
II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; 
• Chamada de novação subjetiva passiva, já que além da criação de nova dívida, extinguindo a 
anterior, também temos a troca do polo passivo (devedor). 
• Se o devedor original não foi chamado para consentir (artigo 363) teremos a novação subjetiva 
passiva por expromissão. 
III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor 
quite com este. 
• Chamada de novação subjetiva ativa, já que além da criação de nova dívida, extinguindo a 
anterior, também temos a troca do polo ativo (troca de credor). 
 
Súmula 286 STJ: A renegociação de contrato bancário ou a confissão de dívida não impede a 
possibilidade de discussão sobre eventuais ilegalidades nos contratos anteriores. 
 
 
11.6. Compensação (Artigos 368 – 380, CC) 
Quando duas ou mais pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedora umas das 
outras, extinguindo-se a obrigação até onde se compensarem. 
 
Requisitos: 
▪ sujeitos são credores e devedores entre eles; 
▪ dívidas líquidas vencidas e fungíveis; 
▪ se houver determinação de qualidade, somente se compensam se for a mesma qualidade. 
 
A compensação pode ser: 
➢ Legal: decorre da lei e independe da vontade das partes. 
➢ Convencional: decorre de acordo de vontades entre as partes. Não há necessidade de 
pressupostos como dívidas líquidas e vencidas, etc., já que sendo Direito Privado, as partes 
podem convencionar como lhes aprouver. 
 
Prazos de favor não obstam a compensação (artigo 372). Prazos de favor são prazos que 
os credores dão para seus devedores, de forma a aumentar o prazo para pagamento. 
A diferença da causa, do motivo pela qual a compensação pode ocorrer, não impede 
compensação. No entanto, há casos em que não é possível a compensação (artigo 373): 
I - se provier de esbulho, furto ou roubo (presença de atos ilícitos); 
II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; 
Lembrando que honorários advocatícios não podem ser compensados, perdendo aplicação 
a Súmula 306 do STJ. 
III - se uma for de coisa não suscetível de penhora. 
Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de 
renúncia prévia de uma delas. 
Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem 
dedução das despesas necessárias à operação. 
Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no 
compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento. 
 
 
11.7. Confusão (Artigo 381 – 384, CC) 
A confusão ocorre quando na mesma pessoa se confunde as figuras de credor e devedor. 
Pode ocorrer por um ato “inter vivos” ou “causa mortis”. 
Ela pode ser total ou parcial, ou seja, ocorrer com relação a toda a dívida ou somente de 
parte dela. 
Como exemplo, podemos pensar que alguém deve uma quantia ao seu pai. Esse pai então 
falece e esse filho irá receber herança. Teremos a extinção da dívida, já que o filho irá receber a 
herança. 
 
11.8. Remissão de dívidas (Artigos 385 – 388, CC) 
A remissão é o perdão da dívida que é concedida pelo credor ao devedor. No entanto, para 
que se tenha a liberação do devedor, é necessário que ele ACEITE o perdão. Assim, é um 
negócio jurídico bilateral. 
A remissão pode recair sobre a dívida inteira ou sobre parte dela. 
Há formas de perdão expresso (escrito) e também tácito. Um exemplo de remissão tácita 
ocorre no artigo 386, em que o credor devolve o título da obrigação (cheque, por exemplo) ao 
devedor. No entanto, se devolver, restituir o objeto empenhado (garantia do penhor) não significa 
que perdoou a dívida, mas sim que não quer mais a garantia – artigo 387. 
 
 
 
EM RESUMO... 
Consignação: quando se quer realizar o pagamento, no sentido de cumprir com a obrigação, 
mas não se consegue, então se consigna. 
Sub-rogação: substituição de uma pessoa por outra realizada através do pagamento. 
Imputação: escolhe qual dívida, líquida e vencida, se quer pagar. 
Dação: quando o credor aceita receber um objeto diferente do contratadoNovação: contratação 
de nova dívida para extinguir a anterior. 
Compensação: mesmo credor e devedor com reciprocidade de dívidas líquidas e vencidas. 
Remissão: Perdão e que precisa da concordância do devedor. 
Confusão: confunde na mesma pessoa, as figuras do credor e devedor. 
 
 
 
 
 
12. Inadimplemento 
12.1. Das disposições gerais (Arts. 389-393, CC) 
O Código Civil dá grande importância para o inadimplemento das obrigações. Temos aqui 
a responsabilidade civil contratual. 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-2/s-irQvY99nWHk?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-obrigacoes-prof-patricia-strauss/s-5QcKpOsmocm
 A partir do inadimplemento, nasce o dever de indenizar perdas e danos (artigos 402, 403 
e 404 do CC). 
 
Temos dois tipos de inadimplemento: 
➢ Inadimplemento relativo, parcial ou mora: Descumprimento parcial em que a obrigação 
ainda pode ser adimplida. 
➢ Inadimplemento total ou absoluto: A obrigação não pode mais ser cumprida. Ela se tornou 
inútil para o credor. 
 
Como regra, de acordo com o artigo 389 não cumprida a obrigação, responde o devedor 
por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. No entanto, (artigo 393) o devedor não responde pelos 
prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles 
responsabilizado. 
Caso fortuito é evento totalmente imprevisível. Força maior é evento previsível, porém 
inevitável. Na parte final do artigo 393 é dito que se a parte assumir o risco (Cláusula de assunção 
convencional) então mesmo em caso fortuito/força maior irá responder. 
 
12.2. Da mora (Artigos 394 – 401, CC) 
Mora é atraso, retardamento ou até mesmo o cumprimento inexato da obrigação que, então, 
traduz o não cumprimento do contrato e, assim, a mora. A mora pode ser tanto do credor quanto 
do devedor. 
Estar em mora é não cumprir a obrigação no tempo, forma, objeto, enfim, a maneira como 
foi originalmente contratado. 
 
Mora do devedor: Artigo 394 - Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento 
e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção 
estabelecer. 
O devedor em mora responde pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização 
dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de 
advogado (artigo 395). 
→ Chamada de “mora solvendi” ou “mora debendi”. 
 Obs.: Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora (artigo 
396). Assim, se a obrigação não for cumprida em razão de algo quenão seja culpa do devedor, 
não teremos a caracterização da mora. Esse aspecto é bem importante, já que informa que para 
que haja a mora, é necessário que haja a CULPA do inadimplente. Se não houver culpa, não 
teremos mora. 
 
Classificação da mora: 
➢ Mora “ex re” ou mora automática: Se houver data para adimplemento da obrigação e não 
for cumprida, temos que o seu inadimplemento já constitui automaticamente em mora o devedor. 
➢ Mora “ex persona” ou mora pendente: Se não houver data (termo), a mora precisa primeiro 
ser constituída através de interpelação judicial ou extrajudicial. 
➢ Mora irregular ou presumida: Artigo 398: Nas obrigações provenientes de ato ilícito, 
considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. 
 
Mora do credor: Artigo 400 - A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à 
responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas 
empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, 
se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. 
→ A mora do credor é chamada de mora “accipiendi, creditoris ou credenti”. 
 
Há ainda a colocação do artigo 399, que trata sobre a responsabilidade do devedor que, 
em mora, responde pela impossibilidade da prestação, mesmo que essa impossibilidade resulta 
de caso fortuito ou força maior. O devedor poderá se isentar de tal responsabilidade se 
comprovar que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse cumprida pelo devedor. 
Como com a mora (inadimplemento relativo) é possível o cumprimento da obrigação, 
podemos ter então a chamada PURGA DA MORA: Artigo 401: 
Art. 401. Purga-se a mora: 
I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância 
dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; 
II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e 
sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data. 
 
Inadimplemento absoluto da obrigação: Não cumprida a obrigação, temos o artigo 389, 
que diz que o inadimplente responde pelo valor do objeto, mais perdas e danos, juros, cláusula 
penal (se prevista) atualização monetária, custas e honorários do advogado. 
Entende a doutrina que a menção aos honorários no artigo 389 e também no 404 é de 
honorários contratuais e não sucumbenciais. 
 
Obs.: Entendimentos doutrinários: 
➢ Mora “ex re”: Juros moratório passam a contar a partir do vencimento da obrigação. 
➢ Mora “ex persona”: Juros moratórios passam a contar a partir da citação. 
➢ Mora presumida ou irregular: a partir da ocorrência do evento danoso. 
 
Súmula 54 do STJ: “Os juros morátorios fluem a partir do evento danoso, em caso de 
responsabilidade extracontratual”. 
Súmula 380 STJ: A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a 
caracterização da mora do autor. 
Súmula 369 STJ: No contrato de arrendamento mercantil (leasing), ainda que haja cláusula 
resolutiva expressa, é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora. 
Súmula 412 STF: No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a 
devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui 
indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do 
processo. 
Súmula 562 STF: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a 
atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, os índices de 
correção monetária. 
Súmula 426 STJ: Os juros de mora na indenização do seguro DPVAT fluem a partir da citação. 
 
12.3. Das perdas e danos (Artigos 402-405, CC) 
Segundo o artigo 402 as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele 
efetivamente perdeu (danos emergentes ou positivos), o que razoavelmente deixou de lucrar 
(lucros cessantes ou danos negativos). 
Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os 
prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do 
disposto na lei processual. Assim, não é possível a reparação de dano hipotético ou eventual. 
Para a doutrina, as perdas e danos do CC apenas tratam de danos materiais. Caso outros 
danos venham a surgir do inadimplemento, podem também ser pedidos (danos morais, estéticos) 
etc. 
 
12.4. Dos juros legais (Artigos 406-407, CC) 
 Um dos principais efeitos do inadimplemento contratual é a incidência de juros. 
Classificação dos juros: 
➢ Convencionais: decorrem de um contrato entre as partes;] 
➢ Legais: decorrem da lei 
➢ Moratórios: decorrem do descumprimento parcial da obrigação (que é o significado de mora). 
São devidos desde a constituição da mora e não dependem de alegação/comprovação do 
prejuízo (artigo 407). 
Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou 
quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor 
para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. 
➢ Compensatórios ou remuneratórios: decorrem de uma utilização acordada de determinado 
capital. 
 
Importante! Observar Súmulas relativas ao tema: 
Súmula 283 do STJ: As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições 
financeiras e, por isso, os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da 
Lei de Usura. 
Súmula 596 STF: As disposições do Decreto 22.626/1933 não se aplicam às taxas de juros e 
aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, 
que integram o Sistema Financeiro Nacional. 
Súmula 530 STJ: Nos contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros 
efetivamente contratada - por ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos 
autos -, aplica-se a taxa média de mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da 
mesma espécie, salvo se a taxa cobrada for mais vantajosa para o devedor 
 
12.5. Da cláusula penal (Artigos 408 – 416, CC) 
Cláusula penal é uma punição, penalidade de natureza CIVIL e tem a ver com o 
inadimplemento obrigacional. Também é chamada de multa contratual ou pena convencional. 
Ela é contratada pelas partes e ocorre em caso de inadimplemento do contrato. É uma 
obrigação acessória e tem o fim de obter o cumprimento do contrato. 
A cláusula penal pode ser classificada em: clausula penal moratória e clausula penal 
compensatória. 
➢ Clausula penal moratória: caso de inadimplemento parcial, em que ainda é possível o 
cumprimento. Serve para a punição de quem retardou em efetuar o pagamento. Não compensa 
o inadimplemento, nem substitui o pagamento. 
A doutrina entende que a multa moratória deve ter um teto de até 10% sobre o valor da 
dívida. Já para contratos de consumo, o valor é de até 2%. 
O artigo 411 trata especificadamente da clausula penal moratória, já que diz: Quando se 
estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula 
determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o 
desempenho da obrigação principal. Assim, quando houver clausula penal moratória, poderá o 
credor exigir o cumprimento da obrigação E o cumprimento da clausula penal moratória. 
 
➢ Cláusula penal compensatória: no caso de inexecução total da obrigação. Ela tem a função 
de antecipar as perdas e danos 
Aqui temos a aplicação da regra do artigo 412: O valor da cominação imposta na cláusula 
penal não pode exceder o da obrigação principal. 
Neste caso não poderá o credor exigir o cumprimento da obrigação E também a multa 
compensatória: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da 
obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor (artigo 410). 
Se a clausula penal tiver um valor excessivo, deverá o juiz reduzir: A penalidade deve ser 
reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigaçãoprincipal tiver sido cumprida em parte, ou se o 
montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a 
finalidade do negócio. (artigo 413). 
Importa lembrar que o STJ entende que se houver clausula penal para uma parte do 
contrato e quem infringir foi a outra parte (que não tem previsão de cláusula penal) ela deve se 
aplicar para ambos os contratantes, indistintamente, ainda que redigida para a aplicação de 
apenas uma das partes. 
Não é necessária a comprovação de culpa do devedor, para que se possa solicitar a 
incidência da clausula penal: Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor 
alegue prejuízo (artigo 416). 
 Ainda que o prejuízo exceda o previsto na clausula penal, não pode o credor exigir 
indenização suplementar se assim não foi convencionado. e o tiver sido, a pena vale como 
mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. 
Assim, não se pode cumular multa compensatória com indenização por perdas e danos 
decorrentes do inadimplemento da obrigação. Contudo, se no contrato estiver previsto tal 
possibilidade, a multa compensatória será já o mínimo de indenização. Cabe ao credor então 
comprovar o prejuízo excedente. 
 
12.6. Arras ou Sinal (Artigos 417 – 420, CC) 
Como o próprio nome nos ensina, arras é um sinal dado em um negócio, em dinheiro ou 
outro bem móvel entregue por uma parte à outra. Tal sinal irá constar em um contrato preliminar. 
São muito comuns em promessa de compra e venda de imóvel. 
 Há dois tipos de arras: 
 
1) Confirmatórias: Quando não há a possibilidade de arrependimento quanto à celebração do 
contrato definitivo. Teremos então o artigo 418: 
Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, 
retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato 
por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo 
índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. 
A parte que sofreu com o inadimplemento do outro poderá pedir indenização suplementar 
ou execução: “A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, 
valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do 
contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.” – Artigo 419. 
▪ Como não há possibilidade de arrependimento, não cumprido o contrato, já incide as 
arras. 
▪ Sem clausula de arrependimento e com perdas e danos. 
 
2) Penitenciais: Quando consta no contrato a possibilidade de arrependimento. Aqui as arras 
terão função unicamente indenizatória, já que as partes podiam se arrepender, se assim 
quisessem. Está no artigo 420: Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para 
qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem 
as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o 
equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. 
Obs.: Súmula 412 do STF: 
No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do 
sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização 
maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. 
→ → → Com cláusula de arrependimento e sem perdas e danos. 
 
RESUMO 
ARRAS CONFIRMATÓRIAS: sem cláusula de arrependimento e com perdas e danos. 
ARRAS PENITENCIAIS: com cláusula de arrependimento e sem perdas e danos. 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
1) (EXAME XXX) Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo, procurou Leonardo, 
que revende veículos usados. Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, 
Lucas pagou a Leonardo um percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração 
do contrato, porém, Leonardo informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado 
já havia sido prometido informalmente para um outro comprador, velh amigo de Leonardo, motivo 
pelo qual Leonardo não honraria a avença. Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, 
Lucas procurou você, como advogado(a), para orientá-lo. Nesse caso, assinale a opção que 
apresenta a orientação dada. 
A) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária, 
juros e honorários de advogado, mas não o seu equivalente. 
B) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor 
pago a título de sinal, mais o seu equivalente, 
com atualização monetária, juros e 
honorários de advogado. 
C) Leonardo terá de restituir a Lucas apenas 
metade do valor pago a título de sinal, pois 
informou, tão logo quanto possível, que não 
cumpriria o contrato. 
D) Leonardo não terá de restituir a Lucas o 
valor pago a título de sinal, pois este é 
computado como início de pagamento, o qual 
se perde em caso de inadimplemento. 
 
2) (EXAME XXII) Festas Ltda., compradora, 
celebrou, após negociações paritárias, 
contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 
caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro 
de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da sociedade. 
No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega 
Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas na data 
combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já havia 
acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não 
aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o 
produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa 
correta. 
A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da 
prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória. 
B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico 
ao valor da prestação principal, é abusiva. 
https://youtu.be/G2RlxMcmqcg
C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada 
deve a título de multa. 
D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo Código 
de Defesa do Consumidor. 
 
3) (EXAME XXV) Em 05 de dezembro de 2016, Sérgio, mediante contrato de compra e venda, 
adquiriu de Fernando um computador seminovo (ano 2014) da marca Massa pelo valor de R$ 
5.000,00. O pagamento foi integralizado à vista, no mesmo dia, e foi previsto no contrato que o 
bem seria entregue em até um mês, devendo Fernando contatar Sérgio, por telefone, para que 
este buscasse o computador em sua casa. No contrato, também foi prevista multa de R$ 500,00 
caso o bem não fosse entregue no prazo combinado. Em 06 de janeiro de 2017, Sérgio, muito 
ansioso, ligou para Fernando perguntando pelo computador, mas teve como resposta que o 
atraso na entrega se deu porque a irmã de Fernando, Ana, que iria trazer um computador novo 
para ele do exterior, tinha perdido o voo e só chegaria após uma semana. Por tal razão, Fernando 
ainda dependia do computador antigo para trabalhar e não poderia entregá-lo de imediato a 
Sérgio. 
Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
A) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) ou a 
cláusula penal de R$ 500,00, não podendo ser cumulada a multa com a obrigação principal. 
B) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) 
simultaneamente à multa de R$ 500,00, tendo em vista ser cláusula penal moratória. 
C) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do 
bem), não a multa, pois o atraso foi por culpade terceiro (Ana), e não de Fernando. 
D) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a cláusula penal de R$ 500,00, não a execução 
específica da obrigação (entrega do bem), que depende de terceiro (Ana). 
 
4) (EXAME XX) Marcos vendeu para Francisco, por Instrumento particular, um quadro que 
pintara anos antes, pelo valor de três mil reais. No momento da celebração do contrato, Francisco 
entregou a Marcos, a título de arras penitenciais, quinhentos reais. No contrato constou que 
Marcos entregaria a obra na casa do Comprador 30 dias depois da celebração da avença. 
Todavia, 10 dias antes da data ajustada para a entrega, Francisco telefonou para Marcos e 
comunicou que desistira do negócio. 
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
A) Francisco exerceu seu direito potestativo de desfazer a avença, e por isso perderá em favor 
de Marcos o sinal pago quando da celebração do contrato. 
B) Francisco cometeu um ilícito contratual, pelo que Marcos poderá reter o sinal dado pelo 
comprador no momento da celebração da avença. 
C) Marcos poderá pleitear indenização por perdas e danos se provar que seu prejuízo com o 
desfazimento do negócio foi superior aos R$ 500,00 pagos a título de sinal. 
D) As arras penitenciais reforçam o vínculo contratual e impedem o desfazimento do negócio 
pelo que Marcos poderá pleitear a execução específica do contrato. 
GABARITO: 
1)B 
2)A 
3)B 
4)A 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI
03. Responsabilidade civil 
1. Considerações iniciais 
1.1. Responsabilidade contratual x Responsabilidade extracontratual (aquiliana) 
A divisão clássica da responsabilidade civil estabelece que ela pode ser: 
responsabilidade civil contratual (desobediência de regra estabelecida em um contrato) ou 
então porque o sujeito não respeitou alguma regra normativa (violar direito, por exemplo) sendo 
esta última a chamada responsabilidade extracontratual. 
 Responsabilidade civil contratual: Nos casos de não cumprimento de uma 
obrigação. Está estabelecida na parte de direito das obrigações (artigos 389, 390 e 391 do 
Código Civil). 
 Responsabilidade extracontratual ou aquiliana: Está baseada na existência de um 
ato ilícito (Artigo 186) E também no abuso de direito (Artigo 187). 
 A responsabilidade civil, tratada nos artigos 927 e seguintes do Código Civil é a 
responsabilidade extracontratual ou aquiliana. 
 
2. Ato ilícito: Artigo 186 do CC 
Segundo o artigo 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete 
ato ilícito. 
Ato jurídico ilícito = violar direito E causar dano 
 
 A consequência da prática de ato ilícito é a obrigação de indenizar, de acordo 
com os artigos 927e seguintes do CC. 
 
2.1. Abuso de Direito: Artigo 187 do CC 
 Segundo o artigo 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao 
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela 
boa-fé ou pelos bons costumes.” 
 É conhecida como teoria dos atos emulativos. É aquele ato praticado, em seu 
início, dentro do direito, sendo assim, lícito em seu início. No entanto, o sujeito ABUSO de seu 
direito, dos limites impostos pelos fins econômicos e sociais, da boa-fé e dos bons costumes. 
 Segundo a doutrina, para que o abuso de direito esteja configurado, é importante 
que a conduta praticada pela pessoa exceda um direito que possui. Assim, quando se fala do 
artigo 187, não se analisa culpa, bastando que a conduta da pessoa exceda os limites que 
tratam o artigo 187 do CC. 
Presente abuso de direito → Responsabilidade objetiva 
 
Exemplos de abuso de direito: 
• Publicidade abusiva no Direito do Consumidor – Artigo 37, parágrafo segundo do 
CDC. 
• Direito processual: abuso no processo – Artigo 80 do CPC. 
• Direito das coisas: Abuso do direito da propriedade: Exemplo o direito de 
vizinhança, que traz regras relativas ao uso nocivo da propriedade, passagem forçada etc. 
Exemplo: Artigo 1.228, parágrafo segundo: “São defesos os atos que não trazem ao 
proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar 
outrem.” 
 
 
 
 
 
2.2. Excludentes de indenizar: Artigos 188 e artigos 929 e 930 do CC: 
O artigo 188 do CC traz situações que não configuram atos ilícitos. São elas: legítima 
defesa, exercício regular de um direito e estado de necessidade. Estão no referido artigo: os 
praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (I) e a 
deterioração ou destruição da coisa alheia ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo 
iminente (II). 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-resp-1/s-32T2eXMu84O?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-prof-patricia-strauss/s-GNPiuVeaAEo
Assim, no artigo 188 do CC, o legislador traz a exclusão de antijuridicidade de 
determinados atos. Em algumas situações, o autor do dano não pratica ato ilícito e não 
responde civilmente. Em outras o autor do dano ainda não pratica ato ilícito, mas terá que 
responder. Este ponto é importante, já que a pessoa pode não ter praticado ato ilícito, mas terá 
que responder, como no caso do estado de necessidade. 
Vejamos o caso do estado de necessidade (II): Estado de necessidade ocorre quando, 
na presença de dois ou mais direitos, o autor escolhe um deles, causando dano ou não 
respeitando o outro direito. Enquanto na legítima defesa o agente atua contra uma agressão 
injusta, no estado de necessidade temos uma colisão de direitos. Um irá prevalecer sobre 
outro, mediante escolha do sujeito 
 
Estado de necessidade (II): Segundo exemplo doutrinário Carla deixa panela ligada e sai 
de casa. Há uma pessoa idosa, chamada Maria, dentro do apartamento que começa a gritar. 
Joana escuta os gritos de socorro de Maria e quebra a porta do Condomínio onde Maria se 
encontra para poder salvá-la. 
• Quem causou o perigo? Carla 
• Quem sofreu o dano? Condomínio 
• Quem causou o dano? Joana. 
 
De acordo com o artigo 929 e 930 do CC: 
Artigo 929: Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não 
forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. 
Artigo 930: No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, 
contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido 
ao lesado. 
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou 
o dano (art. 188, inciso I). 
 
De acordo com o exemplo acima: Como o condomínio não causou o perigo, poderá 
exigir indenização contra o causador do dano (Joana). No entanto, de acordo com o artigo 930, 
Joana poderá ingressar com ação de regresso contra quem causou o perigo: Carla. 
 
3. Responsabilidade objetiva e subjetiva 
A responsabilidade civil subjetiva é a regra dentro do Direito Civil. Ela é baseada na 
“teoria da culpa”, já que é necessária a verificação de culpa, para que se possa configurar tal 
requisito. Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva (regra) é necessário: 
conduta humana, culpa, nexo causal e dano. Está no artigo 927 “caput” do CC: “Aquele que, 
por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” 
Já a responsabilidade objetiva está consagrada no parágrafo único do artigo 927: 
“Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados 
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem.” Neste caso, para a configuração da 
responsabilidade objetiva são necessários: conduta humana, nexo causal e dano. 
Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC. 
 
3.1 Responsabilidade objetiva 
É baseada na TEORIA DO RISCO, sendopode apenas pleitear a indenização e não a rescisão do contrato. 
 
QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 
1) (XXIII Exame) Juliana, por meio de contrato de compra e venda, adquiriu de Ricardo, 
profissional liberal, um carro seminovo (30.000km) da marca Y pelo preço de R$ 24.000,00. Ficou 
acertado que Ricardo faria a revisão de 30.000km no veículo antes de entregá-lo para Juliana 
no dia 23 de janeiro de 2017. Ricardo, porém, não realizou a revisão e omitiu tal fato de Juliana, 
pois acreditava que não haveria qualquer problema, já que, aparentemente, o carro funcionava 
bem. No dia 23 de fevereiro de 2017, Juliana sofreu acidente em razão de defeito no freio do 
carro, com a perda total do veículo. A perícia demostrou que a causa do acidente foi falha na 
conservação do bem, tendo em vista que as pastilhas do freio não tinham sido trocadas na 
revisão de 30.000km, o que era essencial para a manutenção do carro. Considerando os fatos, 
assinale a afirmativa correta. 
a) Ricardo não tem nenhuma responsabilidade pelo dano sofrido por Juliana (perda total do 
carro), tendo em vista que o carro estava aparentemente funcionando bem no momento da 
tradição. 
b) Ricardo deverá ressarcir o valor das pastilhas de freio, nada tendo a ver com o acidente sofrido 
por Juliana. 
c) Ricardo é responsável por todo o dano sofrido por Juliana, com a perda total do carro, tendo 
em vista que o perecimento do bem foi devido a vício oculto já existente ao tempo da tradição. 
d) Ricardo deverá ressarcir o valor da revisão de 30.000km do carro, tendo em vista que ela não 
foi realizada conforme previsto no contrato. 
 
2) (XXVIII EXAME) Maria decide vender sua mobília para Viviane, sua colega de trabalho. A 
alienante decidiu desfazer-se de seus móveis porque, após um serviço de dedetização, tomou 
conhecimento que vários já estavam consumidos internamente por cupins, mas preferiu omitir 
tal informação de Viviane. Firmado o acordo, 120 dias após a tradição, Viviane descobre o 
primeiro foco de cupim, pela erupção que se formou em um dos móveis adquiridos. Poucos dias 
depois, Viviane, após investigar a fundo a condição de toda a mobília adquirida, descobriu que 
estava toda infectada. Assim, 25 dias após a descoberta, moveu ação com o objetivo de redibir 
o negócio, devolvendo os móveis adquiridos, reavendo o preço pago, mais perdas e danos. 
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. 
a) A demanda redibitória é tempestiva, porque o vício era oculto e, por sua natureza, só podia 
ser conhecido mais tarde, iniciando o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do vício. 
b) Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato, deveria a adquirente reclamar abatimento no 
preço, em sendo o vício sanável. 
c) O pedido de perdas e danos não pode prosperar, porque o efeito da sentença redibitória se 
limita à restituição do preço pago, mais as despesas do contrato. 
d) A demanda redibitória é intempestiva, pois quando o vício só puder ser conhecido mais tarde, 
o prazo de 30 (trinta) dias é contado a partir da ciência, desde que dentro de 90 (noventa) dias 
da tradição. 
 
3) (EXAME XXX) Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção 
de sua falecida avó, Marta. Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como 
legado, em testamento, para sua neta, Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a 
biblioteca, circunstância na qual se encantou com a coleção de clássicos franceses. Renata, 
então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, 
oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara 
de Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade 
do testamento e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por 
Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. Diante de 
tais situações, assinale a afirmativa correta. 
a) Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar 
Joana pela evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa. 
b) Com relação ao livro recebido em doação, Joana responde pela evicção, especialmente 
porque, na data da avença, Renata não sabia da existência de litígio. 
c) A informação prestada por Joana a Renata, acerca da existência de litígio sobre a biblioteca 
que recebeu em legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de reforço da 
responsabilidade pela evicção. 
d) O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana classifica-se como contrato de natureza 
aleatória, pois Marta soube posteriormente do risco da perda do bem pela evicção. 
GABARITO: 
1 – C 
2 – A 
3 – A 
 
5. CONTRATO PRELIMINAR (Artigos 462 a 466, CC) 
Um exemplo de contrato preliminar é a promessa ou compromisso de compra e venda de 
bem imóvel. Nesse contrato, as partes estipulam que o comprador irá, por exemplo, pagar as 
parcelas convencionadas e o vendedor, ao final do pagamento de todas as prestações, se obriga 
a passar o imóvel para o nome do comprador. Tanto o contrato preliminar (promessa de compra 
e venda de imóvel) quanto o definitivo (compra e venda de imóvel) devem ser registrados no 
registro de imóveis. É permitido que o contrato preliminar seja feito por instrumento particular. 
O contrato preliminar, uma vez registrado, passa a ter direito real, de acordo com os 
artigos 1.417 e 1.418 do CC (Direito real do promitente comprador de imóvel). 
 
6. CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR (Artigos 467 a 471, CC) 
Uma das partes pode reservar‑se (desde que acordado no contrato) o direito de colocar 
outra pessoa em seu lugar na relação contratual. O prazo legal, dado pelo Código Civil (5 dias, 
conforme artigo 468) é em caso de inexistência de outro prazo no contrato. 
Caso o terceiro que ingressar no contrato seja insolvente etc., o contrato irá vigorar entre 
as partes originais. 
7. EXTINÇÃO DO CONTRATO (Artigos 472 a 480, CC) 
Formas anômalas de finalizar o contrato 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
A) Resolução: quando houver inadimplemento do contrato. 
Poderá requerer: 
➢ Cumprimento + perdas e danos; OU 
➢ Desfazimento + perdas e danos; 
➢ Teoria do adimplemento substancial. 
Se já houve o pagamento da maior parte do contrato, o credor não poderá solicitar a 
resolução, somente o adimplemento. 
 
B) Resilição: Não há inadimplemento, mas as partes não querem mais o contrato. 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
Unilateral Bilateral 
Um dos lados coloca fim no contrato, 
quando a lei permitir. É necessária uma 
notificação à outra parte. 
Trata-se do distrato: as partes desfazem o 
contrato por livre vontade. A lei solicita que 
seja realizado da mesma forma do contrato. 
 
- Resolução
- Resilição
- Exceção do contrato não cumprido
- Resolução ou revisão por onerosidade excessiva 
C) Exceção do contrato não cumprido: Só vale para contratos bilaterais. 
 
D) Resolução ou revisão por onerosidade excessiva: Teoria da imprevisão. 
 
 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
 
Enunciados do CJF: 
Enunciado 175 – Art. 478: “A menção à imprevisibilidade e à extraordinariedade, 
insertas no art. 478 do Código Civil, deve ser interpretada não somente em relação 
ao fato que gere o desequilíbrio, mas também em relação às consequências que 
ele produz”. 
Enunciado n. 176 – Art. 478: “Em atenção ao princípio da conservação dos 
negócios jurídicos, o art. 478 do Código Civil de 2002 deverá conduzir, sempre 
que possível, à revisão judicial dos contratos e não à resolução contratual”. 
Vale lembrar que, antes da resolução (extinção do contrato), o art. 479 do CC possibilita a 
revisão do contrato (e não sua extinção) tendo em vista o princípio da conservação contratual. 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
1) (XXVII EXAME) Renata financiou a aquisição de seu veículo em 36 parcelas e vinha pagando 
pontualmente todas as prestações.que há várias modalidades da teoria: 
 Teoria do risco administrativo: Artigo 37, parágrafo sexto da CF. É usado no caso 
de responsabilidade objetiva do Estado. 
 Teoria do risco da atividade: Artigo 927, parágrafo único, segunda parte. 
 Teoria do risco-proveito: risco decorre de uma atividade lucrativa. 
 Teoria do risco integral: Não há excludente, como algumas situações de danos 
ambientais. 
 
De acordo com o CC, haverá responsabilidade objetiva em 2 situações: 
 Nos casos expressos em lei. Exemplo: CDC, artigo 932, 936 etc. 
 Nos casos em que o causador do dano realiza uma atividade de risco. A ideia é 
que o risco apresentado é excepcional, acima da normalidade. 
Exemplo: motorista de cargas perigosas, de valores, motoboy, trabalhador na 
construção civil etc. 
 
4. Responsabilidade objetiva no Código Civil 
→ Responsabilidade objetiva no Código Civil: 
Casos de responsabilidade objetiva no CC: 
• Abuso de direito (art. 187); 
• Por fato de terceiro (artigo 932/933/934); 
• Por fato de animal (artigo 936); 
• Pela ruína de edifício ou construção (artigo 937); 
• Por objeto caídos ou lançados de prédio (artigo 938). 
 
 
→ Responsabilidade civil por atos de terceiros ou responsabilidade civil indireta: 
Artigo 932: 
• Pais, por filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 
 
 
 
• O tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas 
condições; 
• O empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no 
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; 
* Importante lembrar que não é necessário que haja vínculo empregatício. 
* Lembrando que se o empregador for um FORNECEDOR e houver relação de 
consumo, possivelmente teremos a aplicação do CDC e não do CC. 
• Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue 
por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; 
*Este é o caso do hóspede que CAUSA dano a terceiros. 
 
• Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a 
concorrente quantia. 
O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que 
informa que os terceiros serão responsabilizados, ainda que não HAJA CULPA por parte deles. 
No entanto, a jurisprudência e a doutrina entendem que para que haja a condenação 
dos pais, é necessária a comprovação da culpa dos filhos. Para que tutores e curadores sejam 
responsabilizados, é necessária a comprovação de culpa dos tutelados/curatelados. O mesmo 
ocorre com empregador/empregado, etc. Neste último caso, é importante destacar que a prova 
de culpa do empregado somente é necessária em relações reguladas pelo CC. Se for uma 
relação de consumo, a responsabilidade civil dos fornecedores de produto/serviço é regulada 
pelo CDC, NÃO SENDO NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DA CULPA DO EMPREGADO. 
De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá 
Direito de Regresso contra o empregado que causou o dano. Há uma exceção: Relações entre 
ascendentes e descendentes incapazes não haverá direito de regresso. Assim, o ascendente 
não tem regresso contra o descendente, se este for incapaz. 
Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 
942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os 
co-autores e as pessoas designadas no artigo 932. 
 
Observação: 
Responsabilidade do incapaz (Artigo 928 do CC) 
 De acordo com o artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, 
primeiro respondem os responsáveis pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições 
financeiras ou não forem obrigadas a tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo 
assim, de acordo com o parágrafo único, a indenização deverá ser equitativa e, se privar o 
incapaz ou as pessoas que dele dependam do seu sustento, então tal indenização não terá 
lugar. 
 Devido ao parágrafo único do 942, ainda há discussões que tratam sobre a 
responsabilidade do incapaz ser ou não subsidiária. No entanto, a jurisprudência e a doutrina 
dizem que sim, em decorrência do artigo 928, ela será SUBSIDIÁRIA, NÃO TENDO 
APLICAÇÃO O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 942. 
 
→ Responsabilidade civil por fato de animal: 
Está disciplinada no artigo 936 do CC: O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano 
por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Há somente duas excludentes 
nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa da vítima e força maior. 
 
 
→ Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína: 
O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se 
esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do 
CC. Para que haja a configuração, é necessário se estabelecer que o imóvel necessitava de 
reparos de forma manifesta. A responsabilidade é do dono do edifício ou da construção 
(construtora, por exemplo). 
 
 
 
→ Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio (defenestramento): 
Segundo o artigo 938 do CC: Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo 
dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Ponto 
muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem HABITA o prédio. Assim, 
seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário...enfim, quem estiver habitando o 
prédio. 
Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido 
pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá 
ajuizar regresso contra o ofensor. 
 
→ Responsabilidade objetiva no contrato de transporte: 
No artigo 750 do CC é tratada sobre a responsabilidade objetiva do transportador de 
coisas: A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-resp/s-BAdl2gGoj8e?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-prof-patricia-strauss/s-GNPiuVeaAEo
começa no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é 
entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. Também o 
artigo 734: O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas 
bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da 
responsabilidade. No caso específico deste contrato, não cabe nem mesmo a quebra do nexo 
causal por culpa exclusiva de terceiro, por força do artigo 735: A responsabilidade contratual do 
transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual 
tem ação regressiva. 
Contudo, se o transporte for de cortesia ou por amizade, a responsabilidade será 
subjetiva, consoante artigo 736: Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito 
gratuitamente, por amizade ou cortesia. Não se considera gratuito o transporte quando, embora 
feito sem remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas. 
 
→ Responsabilidade civil e criminal – artigo 935: 
Conforme artigo 935: A responsabilidade civil é independente da criminal, não se 
podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando 
estas questões se acharem decididas no juízo criminal. 
Como regra, podemos pensar que as esferas cível e criminal não se comunicam. No 
entanto, se no criminal foi decidido sobre existência de fato e/ou autoria, então haverá 
dependência entre as esferas cível e criminal. 
 
→ Responsabilidade por demanda de dívida: 
 Há 3 artigos que tratam sobre o tema, na parte de responsabilidade civil. Artigos 
939, 940 e 941: 
Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos casos 
em que a lei o permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, adescontar os juros correspondentes, embora estipulados, e a pagar as custas em dobro. 
Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar 
as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no 
primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, 
salvo se houver prescrição. 
Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se aplicarão quando o autor desistir 
da ação antes de contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver indenização por algum 
prejuízo que prove ter sofrido. 
De acordo com o artigo 941, se o autor desistir da ação antes da contestação, as 
punições dos artigos 939 e 940 não serão aplicadas 
Além disso, o parágrafo único do artigo 930 também fala que é possível que Joana 
ajuíze ação contra “aquele em defesa de quem se causou o dano”. 
 
5. Elementos da responsabilidade civil 
Os elementos da responsabilidade civil são também chamados de pressupostos do 
dever de indenizar. O tema não é pacífico na doutrina. 
 Para a responsabilidade subjetiva, que é a regra em nosso Código Civil (Artigo 
927, “caput”), é necessária a configuração de quatro elementos ou pressupostos de 
responsabilidade. 
• Conduta humana; 
• Culpa genérica ou “lato sensu”; 
• Nexo causal e 
• Dano. 
 Se a responsabilidade for objetiva (artigo 927, parágrafo único, por exemplo) 
então precisamos de 3 elementos: 
• Conduta humana; 
• nexo causal e 
• dano. 
Vamos à análise dos elementos: 
→ Conduta humana: 
Pode ser causada por uma ação (conduta positiva) ou uma omissão (conduta negativa). 
Tais ações ou omissões poderão ser dolosas (com intenção) ou culposas (sem intenção) mas 
agindo com imprudência, imperícia e negligência. 
Observação: sobre OMISSÃO. 
Um ponto importante com relação à omissão, é que entende a doutrina que é necessário 
que se tenha o dever jurídico de praticar determinado ato (omissão genérica) bem como a 
prova de que a conduta não foi praticada (omissão específica). 
Exemplo: veículo furtado dentro de condomínio. Entendem os tribunais que não há 
responsabilidade do condomínio, já que não tinha o dever jurídico de impedir o ilícito. 
 
→ Culpa: 
A culpa somente é necessária quando a responsabilidade for do tipo subjetiva. Aqui 
envolve dolo (intenção) e culpa (sem intenção, porém com imprudência, negligência ou 
imperícia). 
 
 → Dolo: 
Intenção do agente em causar dano. O dolo dentro da responsabilidade civil recebe, 
segundo a doutrina, o mesmo tratamento da culpa gravíssima ou grave. No dolo o agente quer 
a conduta E quer o resultado. Agindo com dolo, a indenização a ser paga para a vítima deve 
ser plena. 
 
 → Culpa “stricto sensu” ou em sentido estrito: 
Não há a intenção de violar um dever jurídico. Na culpa o agente quer a conduta, mas 
não quer o resultado. 
Há três modalidades de culpa: 
Imprudência: Ausência de cuidado + ação. Exemplo: Dirigir veículo em alta velocidade. 
Negligência: Falta de cuidado + omissão: Exemplo: empregado que é colocado para 
trabalhar na empresa sem treino. Empresa foi negligente. 
Imperícia: Falta de qualificação para desempenhar determinada função. 
 
 
 
Ainda que a culpa não deve ser levada em conta, quando se discute responsabilidade 
objetiva, os tribunais têm entendido, quando para a FIXAÇÃO da indenização (e não a 
configuração) que se a vítima concorreu, de alguma forma, para o dano, ainda que a 
responsabilidade do agente seja averiguado pelo âmbito objetivo, se poderá utilizar os artigos 
944 e 945 para a fixação da indenização (que preveem risco concorrente e culpa concorrente). 
 
→ Nexo de causalidade 
Elemento que coloca em conjunto a relação de causa e efeito entre a conduta e o dano 
suportado por alguém. É uma ligação entre conduta e dano. 
Para a doutrina, o nexo causal seria formado: 
Na responsabilidade subjetiva: nexo causal seria formado pela culpa genérica. 
Na responsabilidade objetiva: nexo causal seria formado pela conduta, cumulada com a 
previsão legal de responsabilidade objetiva ou pela atividade de risco (artigo 927, parágrafo 
único do CC). 
 
 
 
Há várias teorias que tratam sobre o nexo causal: 
Teoria da equivalência das condições ou do histórico dos antecedentes: Todos 
os fatos relativos ao evento danoso geram responsabilidade civil. Não é adotada pelo CC. 
Teoria da causalidade adequada: Na presença de diversas causas, se identifica qual 
que, potencialmente, gerou o evento dano. Somente o fato danoso gera a responsabilidade 
civil. Ganha relevo aqui as causas, o grau de culpa dos envolvidos, os fatos concorrentes. Esta 
teoria está consagrada nos artigos 944 e 945 do CC, sendo a que prevalece na nossa doutrina. 
Obs.: Causalidade alternativa: Quando há um grupo e não se consegue identificar qual 
pessoa do grupo causou dano a outra pessoa. Então, temos que o grupo responde. Exemplo: 
Artigo 938 quando o condomínio responde por um objeto lançado ou caído de um prédio, se 
não for possível identificar de onde caiu o objeto. 
Teoria do dano direto e imediato ou teoria da interrupção do nexo causal: 
Havendo interrupção do nexo causal, teremos a irresponsabilidade do agente. Ganha relevo 
aqui as excludentes totais de responsabilidade, já que o dano ocorrido não será de 
responsabilidade do causador. Está no artigo 403 do CC, quando se trata sobre perdas e 
danos. 
 
→ Dano 
Um dos elementos de configuração da responsabilidade civil é o dano. Na Súmula 37 do 
STJ (do ano de 1992) já se falava na possibilidade de cumulação de danos morais com danos 
materiais. Já no ano de 2009, o STJ editou a Súmula 387, permitindo a cumulação de danos 
estéticos e morais: Súmula 37 do STJ: “É lícita a cumulação das indenizações de danos 
estético e dano moral.” 
A doutrina divide, tradicionalmente os danos em: 
▪ Danos clássicos ou tradicionais: Materiais e morais 
▪ Danos novos ou contemporâneos: Danos estéticos, danos morais coletivos, danos 
sociais e danos por perda de uma chance. 
▪ Danos patrimoniais ou materiais: Constituem prejuízos ou perdas que a pessoa sofreu. 
 
Podemos ter danos emergentes/positivos ou lucros cessantes ou negativos. 
Emergentes ou positivos: o que efetivamente se perdeu. Exemplo: Artigo 948, I do CC, 
para o caso de homicídio, em que familiares deverão ser reembolsados pelas despesas do 
funeral, etc. 
Lucros cessantes/negativos: o que razoavelmente se deixou de lucrar. 
Exemplo: Taxista que pleiteia lucros cessantes pela batida em seu carro. 
 
Dano material reflexo: Os parentes entram solicitando direito próprio. Outro exemplo de 
lucro cessante é o caso dos alimentos indenizatórios (alimentos devidos aos dependentes do 
falecido) levando-se em conta a duração da vida provável daquele que faleceu (atualmente, 
referem-se os tribunais, aos 74 anos): 2/3 do salário da vítima por mês + FGTS, 13° salário e 
eventuais horas extras até o limite da vida provável da vítima. 
→ Se a vítima faleceu após a idade média, então se faz um cálculo da vida provável da 
vítima, de acordo com as condições. 
 
→ Debate: 
Se a vítima for menor, é possível que os pais peçam indenização a título de lucros 
cessantes? Sim, Súmula 491 do STF: É indenizável o acidente que cause a morte de filho 
menor, ainda que não exerça trabalho remunerado. Tal entendimento é, em geral, aplicável 
para familiares de baixa renda que talvez contavam com o auxílio financeiro do filho. O dano 
material por esses casos é tido como presumido “in re ipsa”. Neste caso, o cálculo é feito entre 
14 anos até 24/25 anos, período em que se entendeu estaria o menor auxiliando nas despesas 
da casa. 
 
→ Danos morais: 
Previsão na CF, artigo 5°, V e X. Os danos morais são entendidos como sendo aqueles 
que lesam os direitos da personalidade (Artigo 11 – 21 do CC). No dano moral há uma 
compensação pelos danos suportados. 
Importante destacar que, além dacompensação em dinheiro, também é possível uma 
compensação “in natura” para os danos morais, como retratação pública ou outro meio. 
 
Classificação dos danos morais (segundo Flávio Tartuce): 
A) Quanto ao sentido: 
1 - Dano moral em sentido próprio: aquilo que a pessoa sente, causando a ela dor, 
tristeza, humilhação etc. 
2 - Dano moral em sentido impróprio: não necessita de prova do sofrimento para sua 
caracterização. A simples ofensa ao direito da personalidade, já seria suficiente para a 
configuração de dano moral. 
 
B) Quanto à necessidade de prova: 
1 - Dano moral provado ou subjetivo: é a regra geral, necessita ser comprovado pelo 
autor do processo. 
2 - Dano moral objetivo ou presumido (in re ipsa): não necessita de prova. São 
exemplos: morte de pessoa da família, lesão estética, lesão a direito fundamental, uso indevido 
de imagens para fins lucrativos. 
 
C) Quanto à pessoa atingida: 
1 - Dano moral direto: aquele que atinge a própria pessoa. Atinge sua honra subjetiva 
(autoestima) ou então sua honra objetiva (repercussão social). 
2 - Dano moral indireto, ou dano moral em ricochete: atinge a pessoa de forma reflexa, 
como nos casos de morte de um familiar. São também exemplos: lesão à personalidade do 
morto, perda de um animal de estimação (artigo 952 CC). 
 
Súmula 388 STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. 
Súmula 403 STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não 
autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. 
D) Danos morais em pessoa jurídica: 
Com relação ao dano moral de pessoa jurídica, o artigo 52 do CC informa que a 
proteção dos direitos da personalidade, no que couber, também é aplicável para as pessoas 
jurídicas. Além disso, temos a Súmula 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
Assim, os direitos da personalidade não são exclusivos da pessoa humana. 
Um ponto importante a ser lembrado, é que a pessoa jurídica não tem honra subjetiva, e 
sim OBJETIVA (consequência social da honra). 
DEBATE: O descumprimento de um contrato pode geral dano moral? O debate é ainda 
acalorado nos Tribunais. Há enunciado, no entanto, de número 411, que diz que “O 
descumprimento de um contrato pode gerar dano moral, quando envolver valor fundamental 
protegido pela CF de 1988.” 
Com relação à natureza jurídica do dano moral (também debatida) temos uma corrente 
que PARECE prevalecer na doutrina/jurisprudência, que é a que entende o dano moral como 
um caráter REPARATÓRIO E PEDAGÓGICO. No entanto, o tema ainda é bastante polêmico. 
Existe um “tabelamento” para a fixação do dano moral? Para Flávio Tartuce, qualquer 
tipo de tabelamento seria inconstitucional e cada caso deve ser analisado em particular. Como 
fixar, então, o dano moral? De acordo com o artigo 944 e 945 do CC, levando em conta: 
▪ Extensão do dano; 
▪ Condições socioeconômicas e culturais dos envolvidos; 
▪ Condições psicológicas das partes; e 
▪ Grau de culpa do agente, de terceiro ou da vítima. 
 
Algumas súmulas relativas ao assunto: 
Súmula 385 - Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe 
indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao 
cancelamento. 
Súmula 498 STF: Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais. 
 
E) Danos estéticos: 
Para muitos doutrinadores, basta a pessoa ter sofrido uma “transformação” para que o 
dano seja caracterizado. Não é necessário que seja exterior. São exemplos: cicatrizes, 
amputações, perda de órgãos etc. 
 
F) Danos morais coletivos: 
Ainda bastante debatido na jurisprudência e doutrina, e seria o dano que atinge, ao 
mesmo tempo, direitos da personalidade de pessoas determinadas ou determináveis (possível 
de identificação). 
Ainda há importantes debates Importante lembrar que o CDC , no seu artigo 6°, VI, 
admite expressamente a reparação dos danos morais coletivos. 
 
G) Danos sociais: 
Lesões à sociedade, tanto por rebaixamento moral, quanto por diminuição a qualidade 
de vida. Há um caso emblemático, julgado pelo TJ-RS, que condena por fraude a empresa que 
oferecia o “Toto bola”. 
 
H) Danos por perda de uma chance: 
Ocorre quando uma pessoa vê frustrada uma expectativa futura e que, se não houvesse 
a “perda de uma chance” tal expectativa teria se confirmado. Entende a doutrina que haveria a 
perda de uma chance quando a probabilidade de oportunidade for maior que 50%. Um 
exemplo é o advogado que perde prazos na esfera judicial. Ela pode ser verificada em especial 
em circunstâncias médicas/advocatícias, etc. Não há previsão na lei sobre a perda de uma 
chance, mas ela é aplicada por nossos Tribunais. 
 
 
 
 
 
6. Excludentes de responsabilidade 
Excludentes do nexo de causalidade: 
São elas: 
▪ Culpa exclusiva ou fato exclusivo da vítima; 
▪ Culpa exclusiva ou fato exclusivo de terceiro; 
▪ Caso fortuito e força maior: 
Caso fortuito seria o evento imprevisível decorrente de ato humano ou natureza. Já força 
maior seria evento previsível, porém inevitável, também decorrentes de ato humano ou 
natureza. No entanto, a doutrina não é unânime com relação aos conceitos e muitos autores 
usam ambos como sinônimos. 
 
As excludentes de responsabilidade são temas debatidos na doutrina/ jurisprudência e 
nem sempre é tarefa fácil a sua averiguação. 
É necessária a verificação individual dos casos. Por exemplo: Assalto a mão armada. 
Seria caso fortuito? Assalto que ocorre DENTRO da agência bancária não seria caso fortuito, já 
que é dever do banco assegurar segurança para os que estão dentro da agência bancária. 
Assim, teria o banco o dever de indenizar. Já se o assalto for fora da agência bancária, de 
forma que tal prática não seja corriqueira, entendem os tribunais que o banco não responde 
civilmente. Outro exemplo de excludente, muito comum na jurisprudência, é o assalto dentro de 
ônibus, sendo tal evento totalmente independente do contrato de transporte e, portanto, a 
empresa de transporte não responde. O mesmo ocorre com situações de “bala perdida”. Há 
quebra do nexo causal em tais casos. 
Um exemplo jurisprudencial de incidência de fato exclusivo de terceiro, é o caso do 
estudante que ingressou em cinema, na cidade de São Paulo, e metralhou o estabelecimento. 
Entenderam os tribunais que estaria afastada a responsabilidade do shopping center, já que foi 
um agir de terceiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÕES EXAMES ANTERIORES 
 
1) (EXAME XXIX) Márcia transitava pela via 
pública, tarde da noite, utilizando uma 
bicicleta que lhe fora emprestada por sua 
amiga Lúcia. Em certo momento, Márcia 
ouviu gritos oriundos de uma rua transversal 
e, ao se aproximar, verificou que um casal 
discutia violentamente. Ricardo, em estado 
de fúria e munido de uma faca, desferia uma 
série de ofensas à sua esposa Janaína e a 
ameaçava de agressão física. De modo a 
impedir a violência iminente, Márcia colidiu 
com a bicicleta contra Ricardo, o que foi 
suficiente para derrubá-lo e impedir a 
agressão, sem que ninguém saísse 
gravemente ferido. A bicicleta, porém, sofreu uma avaria significativa, de tal modo que o reparo 
seria mais caro do que adquirir uma nova, de modelo semelhante. De acordo com o caso 
narrado, assinale a afirmativa correta. 
a) Lúcia não poderá ser indenizada pelo dano material causado à bicicleta. 
b) Márcia poderá ser obrigada a indenizar Lúcia pelo dano material causado à bicicleta, mas 
não terá qualquer direito de regresso. 
c) Apenas Ricardo poderá ser obrigado a indenizar Lúcia pelo dano material causado à 
bicicleta. 
d) Márcia poderá ser obrigada a indenizar Lúcia pelo dano material causado à bicicleta e terá 
direito de regresso em face de Janaína. 
→
→
https://youtu.be/K2HBakjFO98
 
2 - (XXV EXAME) Marcos caminhava na rua em frente ao Edifício Roma quando, da janela de 
um dos apartamentos da frentedo edifício, caiu uma torradeira elétrica, que o atingiu quando 
passava. Marcos sofreu fratura do braço direito, que foi diretamente atingido pelo objeto, e 
permaneceu seis semanas com o membro imobilizado, impossibilitado de trabalhar, até se 
recuperar plenamente do acidente. À luz do caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
a) O condomínio do Edifício Roma poderá vir a ser responsabilizado pelos danos causados a 
Marcos, com base na teoria da causalidade alternativa. 
b) Marcos apenas poderá cobrar indenização por danos materiais e morais do morador do 
apartamento do qual caiu o objeto, tendo que comprovar tal fato. 
c) Marcos não poderá cobrar nenhuma indenização a título de danos materiais pelo acidente 
sofrido, pois não permaneceu com nenhuma incapacidade permanente. 
d) Caso Marcos consiga identificar de qual janela caiu o objeto, o respectivo morador poderá 
alegar ausência de culpa ou dolo para se eximir de pagar qualquer indenização a ele. 
 
3) (XXV EXAME) João, empresário individual, é titular de um estabelecimento comercial que 
funciona em loja alugada em um shopping-center movimentado. No estabelecimento, trabalham 
o próprio João, como gerente, sua esposa, como caixa, e Márcia, uma funcionária contratada 
para atuar como vendedora. 
Certo dia, Miguel, um fornecedor de produtos da loja, quando da entrega de uma encomenda 
feita por João, foi recebido por Márcia e sentiu-se ofendido por comentários preconceituosos e 
discriminatórios realizados pela vendedora. Assim, Miguel ingressou com ação indenizatória por 
danos morais em face de João. A respeito do caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
a) João não deve responder pelo dano moral, uma vez que não foi causado direta e 
imediatamente por conduta sua. 
b) João pode responder apenas pelo dano moral, caso reste comprovada sua culpa in vigilando 
em relação à conduta de Márcia. 
c) João pode responder apenas por parte da compensação por danos morais diante da 
verificação de culpa concorrente de terceiro. 
d) João deve responder pelos danos causados, não lhe assistindo alegar culpa exclusiva de 
terceiro. 
 
4) (XXII EXAME) André é motorista da transportadora Via Rápida Ltda. Certo dia, enquanto 
dirigia um ônibus da empresa, se distraiu ao tentar se comunicar com um colega, que dirigia 
outro coletivo ao seu lado, e precisou fazer uma freada brusca para evitar um acidente. Durante 
a manobra, Olívia, uma passageira do ônibus, sofreu uma queda no interior do veículo, fraturando 
o fêmur direito. Além do abalo moral, a passageira teve despesas médicas e permaneceu por 
semanas sem trabalhar para se recuperar da fratura. Olívia decide, então, ajuizar ação 
indenizatória pelos danos morais e materiais sofridos. Em referência ao caso narrado, assinale 
a afirmativa correta. 
a) Olívia deve, primeiramente, ajuizar a ação em face da transportadora, e apenas demandar 
André se não obtiver a reparação pretendida, pois a responsabilidade do motorista é subsidiária. 
b) Olívia pode ajuizar ação em face da transportadora e de André, simultânea ou 
alternativamente, pois ambos são solidariamente responsáveis. 
c) Olívia apenas pode demandar, nesse caso, a transportadora, mas esta terá direito de regresso 
em face de André, se for condenada ao dever de indenizar. 
d) André e a transportadora são solidariamente responsáveis e podem ser demandados 
diretamente por Olívia, mas aquele que vier a pagar a indenização não terá regresso em face do 
outro. 
 
GABARITO 
1) D 
2) A 
3) D 
4) BEntretanto, a recente perda de seu emprego fez com que não 
conseguisse manter em dia a dívida, tendo deixado de pagar, justamente, as duas últimas 
prestações (35ª e 36ª). O banco que financiou a aquisição, diante do inadimplemento, optou pela 
resolução do contrato. Tendo em vista o pagamento das 34 parcelas anteriores, pode-se 
afirmar que a conduta da instituição financeira viola o princípio da boa-fé, em razão do(a) 
a) dever de mitigar os próprios danos. 
b) proibição de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). 
c) adimplemento substancial. 
Contrato 
comutativo
Contrato de 
prestações 
continuadas ou 
diferida
Fator imprevisível
Aumenta de 
forma excessiva o 
valor para uma 
das partes
d) dever de informar. 
GABARITO: 
01) C 
 
8. CONTRATOS EM ESPÉCIE (COMPRA E VENDA) 
8.1. Conceito (art. 481) 
Art. 481: Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a 
transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar‑lhe certo preço em dinheiro. 
Na compra e venda os contratantes apenas se obrigam, ou seja, a partir da 
aceitação, o comprador se obriga a pagar o preço e o vendedor a entregar a coisa. 
8.2. Natureza jurídica 
1 – Contrato bilateral; 
2 – Consensual: se aperfeiçoa com o acordo de vontade, independente da entrega da coisa. É 
o que diz o art. 482: “A compra e venda, quando pura, considerar‑se‑á obrigatória e perfeita, 
desde que as partes acordarem no objeto e no preço.” 
3 – Oneroso; 
4 – Em regra: não solene. 
 Exceção: compra e venda de imóveis. 
 
8.3. Elementos da compra e venda 
→ Preço: O preço deve sempre ser pago em dinheiro ou redutível a dinheiro (cheque, cartão 
etc.). Há vários modos que o preço pode ser estabelecido. 
1 – A fixação do preço pode ser dada a taxa de mercado ou bolsa, em certo e determinado dia 
e lugar. 
2 – Pode ser estabelecido que terceiro fixe o preço. 
3 – Pode ser fixado em função dos índices ou parâmetros. 
Observação: Preço que sua fixação fica ao livre arbítrio da outra parte: Nulo, segundo artigo 
489 do CC. 
→ Coisa: Pode ser a venda de algo que já existe ou de bens que virão a existir (coisa futura) 
conforme artigo 483 do CC. 
 
8.4. Limitações à compra e venda. 
A) Venda de ascendente a descendente. 
Diz o art. 496: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros 
descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Em ambos os 
casos, dispensa‑se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação 
obrigatória.”. 
A anuência do cônjuge e outros descendentes deve ser expressa. Caso não tenha o 
consentimento, será passível de anulação. Os legitimados para a propositura da ação anulatória 
são os outros descendentes e o cônjuge do alienante. Entende o STJ que é necessária a prova 
do prejuízo dos demais herdeiros, para que se tenha a anulação. 
O prazo para ajuizamento da ação anulatória é de 2 anos, segundo o artigo 179 do Código 
Civil. 
 
 
 
B) Venda de parte indivisa em condomínio: 
O condômino não pode alienar sua parte indivisa a terceira pessoa, se o outro condômino 
a quiser, tanto por tanto. O condômino que quiser pode exercer seu direito de preferência ou 
preempção, ajuizando ação no prazo decadencial de 180 dias contados da data em que teve 
ciência da alienação. No momento do ajuizamento, deve o condômino, efetuar a consignação do 
valor que deseja pagar. 
C) Venda entre os cônjuges: 
É possível a venda entre cônjuges com relação aos bens excluídos da comunhão. 
Enunciado 152, CJF. É possível a venda entre cônjuges no regime da comunhão 
universal? Sim, pois há bens excluídos dessa comunhão, como os de uso pessoal, por 
exemplo. 
 
8.5. Vendas especiais 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-5/s-LwmwR4s3Rmr?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf
Venda ad corpus e venda ad mensuram 
O art. 500 do CC apresenta regras para a compra e venda de bens imóveis. Diz o artigo: 
“Se na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a 
respectiva área, e esta não corresponder, em qualquer dos casos, as dimensões dadas, o 
comprador terá o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, o de 
reclamar a resolução do contrato ou abatimento proporcional do preço”. 
No entanto, se em posterior medição, se vê que a área é menor, o comprador teria duas 
saídas: 
1 – Exigir complementação da área; 
2 – Se não for possível, então pode optar pela resolução do contrato ou abatimento do preço que 
pagou. 
 
 
 
Obs.: O § 1o do mesmo artigo diz que, presume‑se que a referência às dimensões eram somente 
enunciativas, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da área total 
enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria 
realizado o negócio. Dessa forma, “1/20” equivale a 5%. Esta diferença seria muito pequena, não 
justificando o litígio. 
 
Mas e se ao invés de falta tem excesso de área? Caberá ao comprador completar o valor 
correspondente ou devolver o excesso, consoante parágrafo segundo do mesmo artigo. 
Já o parágrafo terceiro trata de ad corpus. Neste tipo de venda, o vendedor aliena o imóvel 
como corpo certo e determinado; assim, o comprador não poderá exigir o complemento da área, 
pois comprou o bem pelo conjunto, não dando importância para a área. Diz o parágrafo terceiro: 
“Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o imóvel for vendido como 
coisa certa e discriminada, tendo sido apenas enunciativa a referência as suas dimensões, ainda 
que não conste, de modo expresso, ter sido a venda “ad corpus”. 
 
8.6. Cláusulas especiais da compra e venda 
A) Retrovenda – Artigos 505-508 do CC 
A retrovenda somente é válida para bens imóveis. É uma cláusula, colocada no contrato de 
compra e venda, pelo qual o vendedor reserva‑se o direito de reaver o imóvel que vendeu, em 
um prazo máximo de até 3 anos, restituindo o preço, mais as despesas feitas pelo comprador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas e se o comprador não quiser mais devolver o imóvel? O vendedor pode depositar em 
juízo, solicitando o resgate do bem e depositando os valores a serem pagos. 
Importa ressaltar que o direito de resgate – retrovenda – é oponível contra terceiros e é 
transmissível a herdeiros. 
 
B) Preempção ou preferência: Artigos 513-520 do CC 
Pode ser convencionado que o comprador seja obrigado a oferecer ao vendedor (antigo 
dono) caso queira vender o que comprou. 
Se o comprador não avisar ao vendedor (antigo dono) que está revendendo a coisa, ele irá 
responder por perdas e danos. Responderá solidariamente o adquirente se estiver de má‑fé. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
•Os dois lados possuem obrigações.
Bilateral
•Há perda patrimonial para os dois lados.
Oneroso
Consensual
•É a regra. Em caso de compra e venda de imóvel, será solene.
Não solene
 
→ O contrato de compra e venda será nulo se for deixado para depois a fixação do preço 
por uma das partes. 
Art. 489, do Código Civil. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio 
exclusivo de uma das partes a fixação do preço. 
 
→ Venda de ascendente para descendente 
É necessário o consentimento do cônjuge e dos outros descendentes, se não o negócio 
é anulável. 
Prazo para ação anulatória: 02 anos. 
 
Art. 496, do Código Civil. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros 
descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. 
Elementos
Coisa
Atual
Futura
Preço
Terceiro
Mercado/bolsa
Índices/parâmetros
Costumes
Outra parte
 
→ Cláusula de retrovenda 
→ *Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 
1) (EXAME XXX) Vilmar, produtor rural, possui contratos de compra e venda de safra com 
diversos pequenos proprietários. Com o intuitode adquirir novos insumos, Vilmar procurou 
Geraldo, no intuito de adquirir sua safra, cuja expectativa de colheita era de cinco toneladas de 
milho, que, naquele momento, estava sendo plantado em sua fazenda. Como era a primeira vez 
que Geraldo contratava com Vilmar, ele ficou em dúvida quanto à estipulação do preço do 
contrato. Considerando a natureza aleatória do contrato, bem como a dúvida das partes a 
respeito da estipulação do preço deste, assinale a afirmativa correta. 
a) A estipulação do preço do contrato entre Vilmar e Geraldo pode ser deixada ao arbítrio 
exclusivo de uma das partes. 
b) Se Vilmar contratar com Geraldo a compra da colheita de milho, mas, por conta de uma praga 
inesperada, para cujo evento o agricultor não tiver concorrido com culpa, e este não conseguir 
colher nenhuma espiga, Vilmar não deverá lhe pagar nada, pois não recebeu o objeto 
contratado. 
Imóvel Prazo máximo 
3 anos
Transfere a 
herdeiros
Oponível 
contra 
terceiros
c) Se Vilmar contratar com Geraldo a compra das cinco toneladas de milho, tendo sido plantado 
o exato número de sementes para 
cumprir tal quantidade, e se, apesar 
disso, somente forem colhidas três 
toneladas de milho, em virtude das 
poucas chuvas, Geraldo não receberá o 
valor total, em virtude da entrega em 
menor quantidade. 
d) A estipulação do preço do contrato entre 
Vilmar e Geraldo poderá ser deixada ao 
arbítrio de terceiro, que, desde logo, 
prometerem designar. 
 
GABARITO 
1) D 
 
9. TROCA OU PERMUTA 
A troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra. Esta coisa 
não pode ser dinheiro e é isso que difere a compra e venda da permuta. Na compra e venda o 
preço pago precisa ser dinheiro ou redutível a dinheiro. 
 
10. CONTRATO ESTIMATÓRIO 
É um contrato que também é chamado de consignação. O consignante entrega bens 
móveis à outra pessoa, chamado de consignatário, para que este os venda pelo preço ajustado. 
Ao ser vendido, o consignatário deve pagar o preço ao consignante. Caso não venda, deverá 
devolver o bem ao consignante. 
Exemplo: carro em uma revenda de carros. 
 
11. CONTRATO DE DOAÇÃO 
É o contrato em que o doador transfere bens ou vantagens para o donatário. 
11.1. Natureza jurídica 
1 - Unilateral: só gera obrigações para uma das partes. 
https://youtu.be/gPwueRGncqQ
2 - Consensual: se aperfeiçoa com a aceitação. 
3 - Solene: a doação deve ser feita por escritura pública ou instrumento particular. Contudo, em 
bens móveis de pequeno valor admite‑se a doação verbal, desde que a doação ocorra 
imediatamente. 
4 ‑ Gratuito: somente uma das partes perde patrimônio. 
 
11.2. Espécies de doação 
A) pura: Quando há somente a doação, não havendo nenhum encargo ao beneficiário. 
B) onerosa ou modal ou com encargo: Aquela em que o doador impõe ao donatário uma 
incumbência ou a prestação de um serviço. Caso o donatário não cumpra o encargo, é possível 
o ajuizamento de ação de revogação de doação (artigo 555 do Código Civil). 
C) feita ao nascituro: É válida, desde que aceita pelo seu representante legal. 
D) entre cônjuges: Art. 544: a doação de ascendentes a descendentes ou de um cônjuge a outra, 
importa adiantamento do que lhes cabe por herança. 
E) de ascendentes para descendentes: a doação de ascendentes a descendentes, ou de um 
cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança, segundo artigo 544 do CC. 
F) doação inoficiosa: é aquela que excede o limite que o doador poderia deixar em testamento. 
Importante salientar que a nulidade é somente do excesso e não toda a doação. Havendo 
herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade de seus bens, já que a outra 
metade pertence aos herdeiros necessários – Artigo 549 do CC. 
G) doação com cláusula de reversão: pode‑se estipular que se o donatário morrer antes do 
doador, os bens doados irão retornar ao patrimônio do doador, consoante o artigo 547 do CC, 
lembrando que não prevalece a cláusula de reversão em favor de terceiro. 
 
11.3. Restrições à doação 
1 – Doação da parte inoficiosa: é nula a parte que exceder ao que poderia dispor em 
testamento, segundo o artigo 549 do CC. 
2 – Doação de todos os bens do doador: é a chamada doação global, em que não pode todos 
os bens do doador serem doados, sem que fique algo para a sua subsistência. Caso isso 
aconteça, teremos nulidade. 
3 – Doação do cônjuge adultero a seu cúmplice – artigo 550 do CC: pode ser anulada a 
doação pelo cônjuge ou pelos herdeiros necessários. Prazo de 2 anos depois de dissolvida a 
sociedade conjugal. 
 
11.4. Revogação da doação 
Há duas razões pelas quais é possível a revogação da doação: ingratidão do donatário e 
por descumprimento de encargo, conforme artigo 555 do CC. 
 
→ Por ingratidão do donatário: As hipóteses se encontram nos arts. 557 e 558 do CC. 
A – Se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra 
ele; 
B – Ofensas físicas cometidas pelo donatário contra o doador; 
C – Se o injuriou gravemente ou o caluniou; 
D – Podendo o donatário auxiliar com alimentos ao doador, e não o faz. 
 
 
 
• Qual é o prazo para que se peça a revogação por ingratidão? Dentro de um ano, a contar 
de quando chegue ao conhecimento do doador sobre o fato e que o donatário foi o autor. 
• Quem pode ajuizar a ação de revogação da doação? É personalíssima, ou seja, somente 
o doador pode ajuizá‑la. Contudo, se a ação foi iniciada, e o doador morreu, os herdeiros e 
sucessores podem prosseguir com a ação. 
• Mas e no caso de homicídio doloso? Se o doador morreu, como vai ajuizar? É uma 
exceção, nesse caso, os herdeiros podem ajuizar a ação de revogação da doação. 
 
 De qualquer forma, só se admite a revogação da doação, por ingratidão, nas doações 
puras. Não se admite, portanto: nas doações puramente remuneratórias, nas oneradas com 
encargo já cumprido, nas que se fizerem em cumprimento de obrigação natural, e nas feitas para 
determinado casamento. 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
11.5. Tipos de doação 
• Nascituro (Art. 542 do Código Civil): É possível fazer, desde que aceita pelo 
representante. 
• Absolutamente incapaz (Art. 543 do Código Civil): Haverá o contrato sem a necessidade 
de aceitação da outra parte. 
• Ascendente para o descendente (Art. 544 do Código Civil): Importa em adiantamento 
de herança. 
• Doação com cláusula de reversão: 
Art. 547, do Código Civil. O doador pode estipular que os bens doados 
voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário. 
 
• Doação global (Art. 548 do Código Civil): Não é possível doar todo o patrimônio e ficar 
sem bens ou dinheiro para sua subsistência. 
• Doação inoficiosa (Art. 549 do Código Civil): Pessoa que tem herdeiros necessários não 
pode doar além da parte disponível. 
• Doação do cônjuge adúltero ao seu cumplice (Art. 550 do Código Civil): É anulável a 
doação e a ação anulatória poderá ser ajuizada pelos herdeiros necessários. 
 
11.6. Revogação da doação 
• Descumprimento de encargo: Quando o encargo não foi cumprido. 
• Ingratidão do donatário 
Art. 557, do Código Civil. Podem ser revogadas por ingratidão as 
doações: 
•Somente um dos lados perde patrimônio
Unilateral
•Há perda patrimonial para os dois lados.
Gratuito
•É perfeito com a aceitação
Consensual
•É a regra. Em caso de bens móveis de pequeno valor e que a tradição ocorra 
de forma imediata, será não solene.
Solene
I - se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de 
homicídio doloso contra ele; 
II - se cometeu contra ele ofensa física; 
III - se o injuriou gravemente ou o caluniou; 
IV - se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este 
necessitava. 
Art. 558. Pode ocorrer também a revogação quando o ofendido, nos casos 
do artigo anterior, for o cônjuge, ascendente, descendente, ainda que 
adotivo, ou irmão do doador. 
 
QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 
1) (XXIX EXAME) Evacelebrou com sua neta Adriana um negócio jurídico, por meio do qual 
doava sua casa de praia para a neta caso esta viesse a se casar antes da morte da doadora. O 
ato foi levado a registro no cartório do Registro de Imóveis da circunscrição do bem. Pouco tempo 
depois, Adriana tem notícia de que Eva não utilizava a casa de praia há muitos anos e que o 
imóvel estava completamente abandonado, deteriorando-se a cada dia. Adriana fica preocupada 
com o risco de ruína completa da casa, mas não tem, por enquanto, nenhuma perspectiva de 
casar-se. De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
a) Adriana pode exigir que Eva autorize a 
realização de obras urgentes no imóvel, 
de modo a evitar a ruína da casa. 
b) Adriana nada pode fazer para evitar a 
ruína da casa, pois, nos termos do 
contrato, é titular de mera expectativa de 
fato. 
c) Adriana pode exigir que Eva lhe transfira 
desde logo a propriedade da casa, mas 
perderá esse direito se Eva vier a falecer 
sem que Adriana tenha se casado. 
d) Adriana pode apressar-se para casar 
antes da morte de Eva, mas, se esta já 
https://youtu.be/WxzBNHvpXUs
tiver vendido a casa de praia para uma terceira pessoa ao tempo do casamento, a doação 
feita para Adriana não produzirá efeito. 
GABARITO: 
1) A 
 
12. DA LOCAÇÃO DE COISAS 
→ O contrato de locação de coisas pode ser tanto de bem móvel ou imóvel. 
 
Sendo bem imóvel: 
O CC não dispõe a respeito da locação de prédio urbano. A locação de imóveis urbanos 
rege‑se pela Lei no 8.245/1991 – a Lei do Inquilinato. 
 Diz o art. 1o da Lei que: “Continuam regidas pelo CC as locações de imóveis de 
propriedade da União, dos Estados, dos Municípios, de vagas autônomas de garagem ou de 
espaços para estacionamento de veículos; de espaços destinados a publicidade; de apart‑hotéis, 
hotéis residências ou equiparados; e o arrendamento mercantil” 
 
Sendo bem móvel: 
 A locação de bem móvel é regida pelo CC (art. 565 e seguintes, quando não há relação 
de consumo) ou pelo CDC, quando há relação de consumo (Lei no. 8.078/1990). 
Para contratos, então regidos pelo CC, a locação de coisas é conceituada: “Na locação de 
coisas, uma das partes se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo 
de coisa não fungível, mediante certa retribuição.” 
 
12.1. Obrigações do locador 
A – Entregar ao locatário a coisa alugada; 
B – Manter a coisa no mesmo estado em que foi locada; 
C – Garantir o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato; 
D – Responde ainda, o locador, por vícios ou defeitos da coisa, que sejam anteriores a locação. 
A lei dá para o locatário a possibilidade de escolha em caso de deterioração da coisa 
alugada: rescindir o contrato (em caso de deterioração que possa impossibilitar o uso) ou pedir 
redução proporcional do aluguel. 
 
12.2. Obrigações do locatário 
Elas estão no art. 569 do CC: 
A – Servir‑se da coisa alugada para os usos convencionados e tratá‑la como se sua fosse.
 Nesse caso, além de ser hipótese de rescisão do contrato, pode o locador também exigir 
perdas e danos, conforme artigo 570 do CC. 
B – Pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados e, na falta de prazos, de acordo com o 
costume do lugar; 
C – Levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas 
em direito; 
D – Restituir a coisa quando a locação terminar no estado em que recebeu, salvo as 
deteriorações naturais ao uso regular. 
 
12.3. Coisa alienada durante a locação 
O adquirente não é obrigado a respeitar o contrato de locação, se nesse contrato não 
houver cláusula atestando que o contrato continua em vigor em caso de alienação e não estiver 
registrado. Portanto, para que após a venda da coisa o contrato de locação continue a existir, é 
necessário que: haja cláusula no contrato de locação a respeito, e que esteja esse contrato 
registrado. 
 
 
 
13. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO 
Duas são as espécies de empréstimos: mútuo e comodato. 
 
13.1. Contrato de comodato 
Comodato é o empréstimo para uso, gratuito de coisas infungíveis. Pode ser bens móveis 
ou imóveis, mas precisa ser infungível. O contrato se perfectibiliza com a tradição da coisa. 
 
Características do comodato 
➢ Gratuidade do contrato. Se fosse oneroso, seria o contrato de locação. 
➢ Infungibilidade do bem: restituição do mesmo objeto recebido como empréstimo. 
➢ Contrato real, já que o aperfeiçoamento do contrato se dá com a tradição (e não com a 
aceitação). 
➢ Contrato unilateral, já que após a tradição, só há obrigações para uma das partes, que é o 
comodatário (restituir a coisa) e não há obrigações para o comodante. 
➢ Contrato não solene, já que não necessita forma especial para a sua celebração. 
Obrigações do comodatário 
A) Conservar a coisa – art. 582: 
O comodatário deve conservar a coisa como se fosse sua. Deve responder 
pelas despesas de conservação. 
O comodatário não pode nunca tentar cobrar do comodante as despesas 
comuns, feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 
B) Uso da coisa de forma adequada: 
Responde por perdas e danos se usar o bem fora do que foi contratualmente previsto, além de, 
também poder ser causa de resolução do contrato. 
 
 
 
C) Restituir a coisa: 
Deve ser restituída a coisa no prazo convencionado e não havendo este prazo, finda a razão 
pela qual ocorreu, o empréstimo deve ser restituído (empresta livros para o trabalho de conclusão 
de curso, e quando passado o evento, deverão ser devolvidos, por exemplo). 
 
Extinção do comodato 
A) Pelo final do prazo dado, ou não havendo prazo, pela utilização da coisa de acordo com a 
finalidade para que foi emprestada. 
B) Pela resolução por iniciativa do comodante, em caso de descumprimento do comodatário 
de suas obrigações. 
C) Por sentença, a pedido do comodante, se provada a necessidade de restituição do bem 
antes do prazo acordado. 
 
13.2. Contrato de mútuo 
O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O bem é emprestado para consumo. O 
mutuário se obriga a restituir ao mutante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, 
qualidade e quantidade. É empréstimo para consumo, pois o mutuário não está obrigado a 
devolver o mesmo bem, do qual se torna dono. Exemplo: dinheiro. 
Neste tipo de empréstimo, o mutuante transfere o domínio, a propriedade, do bem ao 
mutuário. Isso não acontece no comodato. Além disso, o mutuário se torna PROPRIETÁRIO da 
coisa, correndo por conta desse, todos os riscos da tradição. 
 
Características do mútuo 
O mútuo é temporário, se entende que em algum momento o que foi emprestado será 
devolvido. Mas e se não houver prazo para a restituição do bem? O CC determina que: 
A) Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas 
B) De 30 dias, pelo menos, se o mútuo for de dinheiro 
C) Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 
13.2.1. Mútuo com fins econômicos 
Destinando‑se o mútuo a fins econômicos, presumem‑se devidos juros, os quais, sob pena 
de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406 do CC, permitindo‑se a 
capitalização. 
Obs.: Mútuo para um menor: 
O Código Civil protege o menor, dizendo que quem empresta para um menor, não poderá 
reaver o que emprestou. Contudo, há várias exceções, de quando o mutuante pode, portanto, 
reaver o que foi emprestado. São elas: 
a – O representante do menor ratificar o empréstimo; 
b – Se o menor, em caso de ausência do representante, se viu obrigado a contraí‑lo para 
os seus alimentos habituais; 
c – Se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, caso em que a execução do credor 
não lhes poderá ultrapassar as forças; 
d – Se o empréstimo reverteu em benefício do menor; 
e – Se este obteve o empréstimo maliciosamente. 
 
 
*Para todos verem: esquema comparativo entre contrato comodato e mútuo abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 584, do Código Civil. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodanteas 
despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 
 
14. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 
O conceito está no artigo 594 do CC que diz: “Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, 
material ou imaterial, contratado mediante retribuição.”. 
É importante salientar que o CC tem caráter residual, aplicando‑se somente para aquelas 
relações que não estão disciplinadas pela CLT e pelo CDC. 
 
14.1. Características 
A) Remuneração: 
A remuneração é paga pela pessoa que contrata o prestador de serviços. Se as partes não 
estipularam ou não chegaram a um acordo sobre a remuneração, esta será fixada por 
arbitramento, segundo o costume do lugar, o tempo de serviço e a sua qualidade. 
Comodato
Unilateral
Gratuito
Uso
Bens infungíveis
Não transfere a propriedade
Real
Mútuo
Unilateral
Gratuito
Consumo
Bens fungíveis
Transfere propriedade
Real
Quando se deve pagar a remuneração/retribuição? Deve ser paga em regra, depois de 
prestado o serviço. Contudo, se convencionaram o contrário ou se o costume do lugar for o de 
pagar antes, paga‑se então antes da prestação do serviço. 
B) Prazo: 
Nunca pode o contrato de prestação de serviços ultrapassar 4 anos – art. 598 do CC. 
 
C) Fim do contrato: 
Quando o contrato terminar, o prestador de serviços tem direito a exigir de quem o contratou 
a declaração de que o contrato está findo. Tem esse direito também se for despedido sem justa 
causa ou se tiver algum outro motivo para deixar o trabalho. 
Como acaba o contrato de prestação de serviços? 
1 – Morte de qualquer das partes; 
2 – Conclusão da obra; 
3 – Término do prazo; 
4 – Rescisão do contrato mediante aviso prévio; 
5 – Inadimplemento de qualquer das partes; 
6 – Impossibilidade da continuação do contrato, motivada por força maior. 
 
D) Impossibilidade de substituição das partes (prestador e contratante): 
Aquele que contratou os serviços não pode transferir a outra pessoa o direito aos serviços 
ajustados. O prestador de serviços também não pode trazer alguém em seu lugar para que 
cumpra com o seu dever, a menos que o contratante aceite. 
 
15. EMPREITADA 
As partes contratantes são: empreiteiro e dono da obra. Através de um contrato de 
empreitada, uma das partes – o empreiteiro – se compromete a executar determinada obra. Ele 
faz isso pessoalmente ou com auxílio de terceiros em troca de remuneração a ser paga pelo 
outro contratante – o dono da obra. 
Importa dizer que não há relação de subordinação. O empreiteiro fará a obra de acordo 
com as instruções dadas pelo contratante. 
 
15.1. Espécies de empreitada 
A empreitada pode ser apenas de mão de obra, também chamada empreitada de lavor ou 
então de mão de obra e materiais, chamada empreitada global. 
 Se a empreitada for de mão de obra e materiais, os prejuízos são sofridos pelo empreiteiro. 
Contudo, se o contratante estiver em mora, todos os riscos correm por conta do contratante da 
empreitada. 
 
15.2. Obrigações do empreiteiro 
A – Entregar a coisa no tempo e na forma ajustados; 
B – Pagar os materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os inutilizar. Esse caso 
somente é aplicado na empreitada de mão de obra. 
 
Observação: Caso o preço dos materiais empregados pelo empreiteiro tenha reduzido, o dono 
da obra pode pedir a diferença, desde que ocorra uma diminuição no preço do material ou da 
mão de obra superior a 1/10 do total (10%). 
 
 
C – Responde o empreiteiro pela solidez do seu trabalho. É uma regra do Código Civil e 
está disposta no art. 618 do CC: 
Art. 618: “Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções 
consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá durante o prazo 
irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em razão 
dos materiais como do solo”. 
 
15.3. Obrigações do dono da obra 
A – Pagamento do preço; 
B – Receber a coisa. 
E se injustificadamente se recusar? Caracteriza‑se a mora, ficando ele responsável por todos 
os efeitos dela decorrentes, inclusive perecimento por caso fortuito. O empreiteiro pode requerer 
o depósito judicial da coisa. 
 
EM RESUMO... 
* Para todos verem: esquema abaixo. 
Prestação de serviços Empreitada 
Objeto é apenas atividade do prestador. A 
remuneração é proporcional ao tempo de 
trabalho. 
Objeto NÃO é atividade, mas a obra em 
si. A remuneração permanece inalterada, 
qualquer que seja o tempo de trabalho. 
A execução do serviço é dirigida e 
fiscalizada por quem contratou o 
prestador de serviço. Há subordinação 
A direção compete ao próprio empreiteiro. 
Não há subordinação. 
Patrão assume os riscos do negócio. Empreiteiro é quem assume os riscos do 
empreendimento 
 
* Para todos verem: esquema abaixo. 
Empreitada mão de obra Empreitada mão de obra E MATERIAIS 
➢ Se a coisa perece antes da 
entrega, quem sofre o prejuízo pelo 
seu perecimento é o dono da obra, 
já que os riscos correm por conta 
dele – art. 612 do Código Civil. 
Se a coisa parecer antes da entrega, quem 
sofre prejuízo pelo seu perecimento é o 
empreiteiro. Todos os riscos correrão para o 
empreiteiro até a entrega da obra. 
Isso ocorre se o dono da obra não estiver em 
mora de receber. Se estiver em mora, todos 
os riscos correm por conta do dono da obra – 
art. 611 do Código Civil. 
➢ Se a coisa perece antes da 
entrega, sem mora do dono nem 
culpa do empreiteiro, o empreiteiro 
perderá a sua retribuição. 
Não perderá a sua retribuição, no 
entanto, se provar que a perda 
resultou de defeito dos materiais e 
que também tinha reclamado da 
qualidade e quantidade deles. 
 
16. CONTRATO DE DEPÓSITO 
As partes contratantes são depositante e depositário. Sua principal finalidade é a guarda (e 
não uso) de coisa alheia. 
Como regra é um contrato gratuito, a não ser que haja convenção em contrário ou resultante 
de atividade negocial ou se o depositário praticar isso por profissão. 
 
Há dois tipos de depósito: voluntário e necessário. 
16.1. Voluntário: Artigos 627 a 646 do CC 
É aquele livremente ajustado pelas partes. Por meio dele, o depositante confia ao 
depositário a guarda de uma coisa móvel. O depositário deve restituir a coisa, quando solicitado. 
Como obrigações, o depositário deverá guardar a coisa, conservá‑la e restituí‑la, conforme 
artigo 629 do CC. 
Já o depositante possui como obrigações: reembolsar as despesas feitas pelo depositário 
na guarda da coisa e de indenizá‑lo pelos prejuízos que do depósito advierem (se ocorrerem). 
16.2. Necessário: Artigos 647 a 652 do CC 
É aquele em que o depositante é forçado pelas circunstâncias a efetuar o depósito com 
pessoas desconhecidas. Há 2 espécies de depósitos necessários: 
A – Depósito que se faz em desempenho de obrigação legal. 
B – O que se efetua por ocasião de alguma calamidade como inundação, incêndio etc. 
 
 
EM RESUMO... 
DEPÓSITO VOLUNTÁRIO 
*Para todos verem: esquema abaixo. 
 
 
17. CONTRATO DE MANDATO 
A conceituação do contrato de mandato está no artigo 653 do CC: “Opera‑se o mandato do 
alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. 
A procuração é o instrumento do mandato”. 
O mandatário representa o mandante dentro dos poderes a ele conferidos. Assim, os atos 
do mandatário vinculam o mandante, se dentro dos poderes outorgados. 
Tipos de mandato 
A) Legais: quando a lei confere poderes aos representantes. 
 Exemplo: pais, tutores, curadores. 
B) Judiciais: são os representantes nomeados pelo juiz. 
 Exemplo: inventariantes. 
C) Convencionais: quando recebem procuração para agir em nome do mandante. 
Exemplo: advogado. 
Em regra, o contrato de mandato é gratuito, eis que o art. 658 diz que a gratuidade é 
presumida, se não houver sido estipulada retribuição, exceto se o objeto de mandato 
corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissão (ex. mandato de 
advogado). Já se o mandato for oneroso, caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou 
no contrato.17.1. Pessoas que podem outorgar e receber mandato 
Toda pessoa capaz é apta para outorgar mandato mediante instrumento particular. 
Contudo, com relação ao mandatário, há a exceção do artigo 666 do CC, que permite que o 
mandatário seja relativamente incapaz. 
 
17.2. Obrigações do mandatário 
A – Agir em nome do mandante e dentro dos poderes dados por ele; 
B – Aplicar toda a sua diligência habitual na execução do contrato e indenizar qualquer 
prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem substabelecer. 
Importa salientar que, se o procurador vier a substabelecer sem estar autorizado a fazer 
isso, responderá pelos prejuízos que o mandante sofrer por sua culpa ou daquele 
substabelecido. 
C – Prestar contas de sua gerência ao mandante, transferindo qualquer vantagem 
proveniente do mandato, por qualquer título que seja. 
D – Apresentar o instrumento de mandato às pessoas com quem negocia; 
E – Concluir negócio já começado. Assim, se o mandante, morreu, foi interditado etc., 
embora ciente desses fatos, o mandatário deve concluir o negócio, já que a lei entende que o 
mandante gostaria que tal negócio fosse concluído. 
 
17.3. Obrigações do mandante 
A – Dever de cumprir as obrigações assumidas pelo mandatário dentro dos poderes 
conferidos no mandato; 
B – Reembolsar as despesas efetuadas pelo mandatário, bem como pagar a remuneração 
ajustada (se for o caso de remuneração). 
 
17.4. Da extinção do mandato 
Conforme o artigo 682 do CC, o mandato será extinto nos seguintes casos: 
A – Pela revogação ou pela renúncia: se a resilição partir do mandante há revogação. Se 
partir do mandatário há renúncia. 
Observação: Se o mandante for prejudicado pela renúncia, por ser inoportuna, deve ser 
indenizado pelo mandatário. Essa indenização somente não ocorrerá se este provar que não 
podia continuar no mandato sem prejuízo considerável. 
 
B – Pela morte ou interdição de uma das partes. 
C – Pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir poderes ou o mandatário 
a substabelecer; 
D – Pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio: quando a procuração é dada com 
data certa, cessa a procuração com o advento do termo. Se outorgada para um negócio 
determinado e realizado o negócio, também cessará. 
 
Mandato judicial 
Conforme o art. 692: “O mandato judicial fica subordinado as normas que lhe dizem 
respeito, constantes de legislação processual, e, supletivamente, as estabelecidas neste código” 
Importa lembrar que o mandato judicial só pode ser exercido por quem possa atuar em 
juízo, isto é, pessoas habilitadas como advogado. 
 
 
 
18. CONTRATO DE COMISSÃO 
As partes são: comitente (em favor de quem o comissário se obriga a realizar negócios) e 
comissário (se obriga, perante terceiros, em seu próprio nome, figurando no contrato como 
parte). 
No contrato de comissão é comumente fixada uma percentagem sobre as vendas para o 
comissário. Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os 
usos do lugar. 
 
18.1. Obrigações do comissário 
1 – O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, já 
que tais pessoas não têm ação contra o comitente, mas somente contra o comissário. 
2 – Deve agir conforme as ordens e instruções do comitente; 
3 – Responde por qualquer prejuízo que ocasionar ao comitente, salvo por motivo de força 
maior. 
 
Muito importante! 
Regra: O comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem contratou. 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-4/s-RhvQvgizUzl?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf
Exceção: Comissário responde, no entanto, se agiu com culpa ou se constar no contrato a 
cláusula “del credere”. 
→ Tal cláusula tem por objetivo tornar o comissário responsável perante o comitente pelo 
cumprimento das obrigações – Artigo 698. 
 
19. CONTRATOS DE AGÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO 
As partes são chamadas de agente e de proponente. Configura‑se o contrato de agência 
quando uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a 
obrigação de promover, a conta de outra, a realização de certos negócios, em zona determinada. 
Exemplos de agentes: agentes de seguros, agentes de futebol, etc. . 
Configura‑se a distribuição quando o agente tiver a sua disposição a coisa a ser negociada. 
 
19.1. Direitos e obrigações do proponente 
A – Não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, na mesma zona com 
idêntica incumbência; 
B – Não pode assumir o encargo de tratar de negócios do mesmo gênero, a conta de outros 
proponentes. 
 
19.2. Direitos e obrigações do agente ou distribuidor 
A – Deve agir com diligência, atendendo às instruções recebidas pelo proponente; 
B – Tem direito à indenização se o proponente, sem justa causa, cessar o atendimento das 
propostas ou reduzi‑lo tanto que se torna economicamente ruim a continuação do contrato. 
 
19.3. Pagamento do agente ou distribuidor 
Agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos negócios concluídos 
dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência. Todas as despesas com a agência ou a 
distribuição correm por conta do agente ou distribuidor. 
20. CONTRATO DE CORRETAGEM 
Por esse contrato, uma pessoa, não ligada à outra em virtude de mandato, de prestação de 
serviços ou por qualquer outra relação de dependência, obriga‑se a obter para a segunda um ou 
mais negócios conforme as instruções recebidas. A função do corretor é aproximar as pessoas 
que estiverem interessadas no negócio. 
Importa lembrar que a obrigação assumida pelo corretor é de resultado. Somente terá 
direito à comissão se houver a aproximação entre as partes para a realização do negócio. 
 
20.1. Direitos e deveres do corretor 
A Lei no 6.530/1978 trata sobre a profissão de corretor. Contudo, as regras do CC também 
devem ser aplicadas, conforme artigo 729 do CC. São deveres: 
A) Executar a mediação com diligência e prudência; 
B)Deve prestar ao cliente todas as informações sobre o andamento dos negócios. 
20.2. Remuneração do corretor 
Se não estiver fixada em lei, nem ajustada entre as partes, será arbitrada segundo a 
natureza do negócio e os usos locais. 
Quando se deve a remuneração ao corretor? 
A) No momento em que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de corretagem ou 
mesmo; 
B) Quando este contrato não se efetive em razão de arrependimento das partes. 
 
Muito importante! Contrato de exclusividade: Se o negócio foi concluído diretamente entre 
comitente e terceiro, sem intervenção do corretor, nenhuma remuneração será a ele devida. 
Contudo, se por escrito for ajustada a corretagem por exclusividade, terá o corretor direito à 
remuneração integral, ainda que realizado o negócio sem a sua mediação, salvo se comprovada 
sua inércia ou ociosidade. 
 
21. CONTRATO DE TRANSPORTE 
Contrato de transporte é aquele em que alguém se obriga a transportar de um lugar para 
outro, coisas ou pessoas mediante uma retribuição. 
Art. 736: “Não se subordina as normas do contrato de transporte o feito 
gratuitamente, por amizade ou cortesia. Não se considera gratuito o 
transporte quando, embora feito sem remuneração, o transportador auferiu 
vantagens indiretas”. 
O transporte pode ser de pessoas ou coisas: 
 
21.1. Do transporte de pessoas 
Diz o artigo 734 do CC que: “O transportador responde pelos danos causados as pessoas 
transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula 
excludente de responsabilidade.”. 
Importa lembrar que a responsabilidade contratual do transportador por acidente com o 
passageiro não pode ser afastada por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. 
Assim, em um acidente que cause danos ao passageiro obriga o transportador a indenizá‑lo. 
Não importa se a responsabilidade pelo dano foi de um terceiro. O transportador deve indenizaro passageiro e, se quiser, mover uma ação regressiva este terceiro. 
 
21.1.1. Direitos e Obrigações do transportador 
O transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder por 
perdas e danos, salvo força maior. Também não pode recusar passageiros, salvo os casos 
previstos em regramentos, ou se as condições de higiene e saúde do interessado assim 
justificarem. 
Se a viagem for interrompida por qualquer motivo alheio à vontade do transportador, ainda 
que decorrente de evento imprevisto, fica a transportadora obrigada a concluir o transporte em 
outro veículo da mesma categoria ou com a anuência do passageiro, por modalidade diversa, a 
sua custa, correndo também por sua conta as despesas de estadia e alimentação do usuário, 
durante a espera de novo transporte. 
 
21.1.2. Direitos e Obrigações do transportado 
Pessoa transportada deve se submeter às normas estabelecidas pela transportadora. Além 
disso, também devem se abster de qualquer ato que cause incomodo ou prejuízo aos 
passageiros ou que impeçam a execução normal dos serviços. 
O passageiro também tem direito de rescindir o contrato de transporte antes de iniciada a 
viagem. É devida ao passageiro a restituição do valor da passagem, desde que feita a 
comunicação ao transportador em tempo de a passagem ser renegociada. Pode desistir da 
viagem, mesmo depois que esta seja iniciada. É devida ao passageiro a quantia do trecho não 
utilizado, desde que provado que outra pessoa haja sido transportada em seu lugar. 
O passageiro que não apareceu não terá reembolso da passagem. Salvo se provar que 
outra pessoa viajou no seu lugar e, assim, a empresa lucrou. 
 
21.2. Do transporte de coisas 
A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua natureza, valor, peso 
e quantidade para que não se confunda com outras. O destinatário deve ser indicado, ao menos, 
com nome e endereço. Quando receber a coisa, o transportador deve emitir o chamado 
conhecimento de transporte. 
Pode o transportador recusar o transporte da coisa? Sim, se a embalagem for inadequada, 
bem como possa colocar em risco a saúde das pessoas, ou danificar o veículo e outros bens. 
21.2.1. Obrigações do transportador de coisas: 
O transportador deve conduzir a coisa até o seu destino e entregá‑la no prazo. Também 
tem a responsabilidade limitada ao valor constante no conhecimento. 
 
21.2.1. Obrigações de quem teve a coisa transportada: 
Até a entrega da coisa, pode o remetente desistir do transporte e pedir a coisa de volta ou 
ordenar que seja entregue a outra pessoa. De qualquer forma, deve o remetente pagar os 
acrescidos mais as perdas e danos que houver. Aquele que recebeu as mercadorias deve 
verificar se tudo está correto, sob pena de declinar dos direitos de reclamação. 
 
22. CONTRATO DE SEGURO 
As partes envolvidas no contrato de seguro são: segurado e seguradora. 
Considera‑se contrato de seguro aquele pelo qual uma das partes, denominada segurador, 
se obriga a garantir interesse legítimo da outra, intitulada segurado, relativo à pessoa ou a coisa, 
contra riscos predeterminados. 
No contrato de seguro, o segurado paga o prêmio – prestações – ao segurador, que assume 
o risco do segurado. Assim, a seguradora deve pagar ao segurado uma indenização caso ocorra 
o evento inesperado (sinistro). 
 
22.1. Elementos do contrato de seguros 
São eles: segurador, segurado, risco, prêmio e apólice (instrumento de negócio). 
A) Segurador: Contratante que, assumindo os riscos, indenizará o segurado na hipótese de 
sinistro. 
B) Segurado: Quem paga o prêmio e assim transfere o risco para o segurador. 
C) Risco: É o acontecimento futuro e incerto e é o próprio objeto do seguro. 
Diz o art. 762 do CC: “Nulo será o contrato para garantia de risco 
proveniente de ato doloso do segurado, do beneficiário ou de representante 
de um ou de outro.”. 
D) Prêmio: É o que paga o seguro ao segurador. 
Art. 764 do CC: “Salvo disposição especial, o fato de se não ter verificado 
o risco, em previsão do qual se faz o seguro, não exime o segurado de 
pagar o prêmio.”. 
E) Apólice ou bilhete de seguro: É o instrumento do contrato. 
 
22.2. Princípio da boa‑fé 
Segundo o artigo 765 do CC: “O segurado e o segurador são obrigados a guardar na 
conclusão e na execução do contrato, a mais estrita boa‑fé e veracidade, tanto a respeito do 
objeto como das circunstâncias e declarações a ele concernentes.”. 
Caso não tenha havido boa‑fé na relação contratual, o artigo 766 do CC diz que: “Se o 
segurado por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que 
possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito a garantia, além 
de ficar obrigado ao prêmio vencido.”. 
 
22.3. Obrigações do segurado 
A – Pagar o prêmio estipulado no contrato. 
B – Não pode agravar intencionalmente o risco. Caso faça isso, perderá a garantia – art. 768 
do CC. 
C – Deve comunicar o segurador, logo que saiba, todo incidente que possa agravar 
consideravelmente o risco, sob pena de perder a garantia. Essa perda ocorrerá se o segurado 
sabia e não comunicou o segurador, ou seja, agiu de má‑fé. 
D – Comunicar o sinistro ao segurador, logo que saiba. Também deve tomar todas as 
providências para amenizar as consequências do sinistro. 
 
 
 
 
22.4. Obrigações do segurador 
A – Pagar em dinheiro, se outra forma não foi convencionada (ex.: consertar o veículo), o 
prejuízo resultante do risco assumido e, conforme as circunstâncias, entregar outra coisa em seu 
lugar. (ex.: dar um carro novo). 
B – Os agentes autorizados do segurador (corretores de seguros) presumem‑se seus 
representantes para todos os atos relativos aos contratos que agenciarem. 
C – Se as partes não se opuserem o contrato se renova pelo mesmo prazo. No entanto, 
esta renovação automática só pode ocorrer uma vez, conforme artigo 774 do CC. 
 
22.5. Seguro de pessoa 
Nos seguros pessoais, a indenização paga deve ser a fixada na apólice de seguros, já que 
os bens cobertos pelo seguro não têm valor (inestimáveis). 
O beneficiário do seguro de vida pode ser substituído a critério do segurado. É lícita a 
substituição do beneficiário pelo segurador. Pode ser feito por ato inter vivos ou causa mortis. 
Na falta de beneficiário estipulado, ou por qualquer motivo, não é possível que aquele 
beneficiário receba a indenização, o capital segurado será pago: 
A – Metade ao cônjuge não separado judicialmente; 
B – Metade aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem de vocação hereditária. 
 Na falta de cônjuge/herdeiros, serão beneficiados, aqueles que provarem que a morte do 
segurado os privou dos meios necessários à subsistência. 
No seguro de vida/acidentes pessoais, para o caso de morte, o capital estipulado não está 
sujeito às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos do direito. 
O beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando o segurado se suicida nos 
primeiros 2 anos de vigência inicial do contrato. Também não tem direito nos 2 anos depois de 
sua recondução quando suspenso. Ressalvado tal fato, é nula a cláusula contratual que exclui o 
pagamento do capital por suicídio do segurado. No entanto, necessário verificar súmulas do STJ, 
a respeito do contrato de seguro: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIXAÇÃO: 
Há como o segurador se exonerar do pagamento da indenização? Sim – 778. 
O segurador poderá se exonerar provando que: 
1. O valor dado à coisa é superior ao valor real; 
2. Que se trata do segundo seguro da coisa pelo mesmo risco e no seu valor integral – art. 
778/782, CC; 
3. Caducidade da apólice pelo não pagamento do prêmio; 
4. Inexistência de cobertura para o sinistro ocorrido; 
5. Descumprimento das obrigações, especialmente no tocante ao agravamento dos riscos e a 
falta de comunicação do sinistro. 
 
 
 
 
23. CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE RENDA 
Quem são as partesnesse contrato? Instituidor e rendeiro (também chamado de 
censuário). 
Qual é o conceito do contrato de constituição de renda? Por este contrato uma pessoa 
(instituidor) entrega a outrem (rendeiro ou censuário) um capital. Este capital pode consistir em 
bens móveis ou imóveis. O rendeiro ou censuário obriga‑se a pagar ao instituidor ou terceiro 
indicado (beneficiário) por este, uma prestação. 
O objetivo do contrato de constituição de renda é o de proteger o instituidor que, ainda que 
proprietário dos bens, não está seguro de como conseguir o suficiente para sua sobrevivência. 
Assim, concorda em transferir propriedade ao rendeiro que, por sua vez, se compromete a lhe 
dar uma renda fixa durante certo tempo (prazo). 
Em geral esse prazo é até a morte do instituidor. Mas pode haver convenção em contrário. 
A constituição de renda pode ser a título gratuito ou a título oneroso. 
O que acontece se o rendeiro (também chamado de censuário) deixa de cumprir a 
obrigação estipulada? Pode o credor da renda (instituidor ou terceiro beneficiado) acionar o 
rendeiro para que: 
https://soundcloud.com/ceisc/oab-anual-direito-civil-prof-3/s-jascUYwqWP6?in=ceisc/sets/oab-anual-direito-civil-parte-especial-contratos-prof-patricia-strauss/s-56hvuNFkRmf
a – pague as prestações atrasadas; 
b – preste garantias futuras, de que irá pagar o devido, sob pena de rescisão do contrato. 
24. DO JOGO E DA APOSTA 
24.1. Jogo 
É o ajuste pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a pagar certa soma para a pessoa 
que vença na prática de determinado ato. 
Perder ou ganhar depende da atuação e da participação efetiva de cada jogador. O 
vencedor fará jus a uma certa soma, previamente estipulada. 
Exemplos: Joana e Maria apostam corrida. Quem ganhar, será a campeã do “Jogo”. 
 
24.2. Aposta 
O resultado não depende da participação das partes. 
Exemplo: Joana e Maria apostam que nos próximos 30 minutos irá passar 5 carros da cor 
branca em frente a suas casas. Não há participação delas. Resultado depende de um ato ou fato 
alheio e incerto. 
Apesar da diferença em conceituação, o tratamento legal dado a ambos é o mesmo. 
Importa salientar que as dívidas de jogo ou de aposta não obrigam ao pagamento. 
Regra: Se foram pagas, quem pagou não pode querer de volta o pagamento. 
Exceção: Pode solicitar de volta o pagamento, se esse jogo ou aposta foi ganho com dolo ou se 
quem perdeu for menor ou interdito. 
A dívida de jogo/aposta constitui obrigação natural: o ganhador não dispõe, no 
ordenamento jurídico, de ação para exigir seu pagamento. 
 
25. CONTRATO DE FIANÇA 
O conceito de fiança está no art. 818 do CC: “Pelo contrato de fiança uma pessoa garante 
satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, se este não a cumpra.”. 
 
 
Características 
➢ Caráter acessório, já que depende da existência do contrato principal. 
➢ Contrato solene. 
Diz o art. 819: “A fiança dar‑se‑á por escrito, e não admite interpretação 
extensiva.”. 
➢ Unilateral, já que uma vez celebrado, só gera obrigações do fiador para com o credor. 
➢ Gratuito, já que fiador nada recebe em troca. 
➢ Como é um contrato acessório, via de regra, se nula a obrigação principal, a fiança também 
será nulificada. 
➢ Pode o credor recusar o fiador? Sim, pode. Se não for pessoa idônea, domiciliada no 
município e não possua bens suficientes para garantir a obrigação. 
 
25.1. Benefício de Ordem 
 O benefício de ordem consiste em um privilégio, conferido ao fiador, de exigir que os bens 
do devedor principal sejam excutidos antes dos seus. O fiador que alegar o benefício de ordem 
deve nomear bens do devedor situados no mesmo município, livres e desembaraçados. Há 
alguns casos, no entanto, que o fiador não pode invocar tal benefício: 
a – Se o fiador renunciou expressamente ao benefício 
b – se o fiador se obrigou como principal pagador ou devedor solidário 
c – se o devedor for insolvente ou falido. 
 
25.2. Benefício da divisão 
 Segundo o art. 829 do CC: “A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de 
uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se 
reservarem o benefício da divisão.”. 
Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em proporção, 
lhe couber no pagamento. Portanto, se houver especificação – benefício da divisão – cada um 
paga somente o que afiançou. 
 
25.3. Extinção da fiança 
 A – A moratória concedida ao devedor, sem o consentimento do fiador: 
Moratória é a concessão expressa de mais prazo ao devedor. Ele não quer ficar mais tempo 
como fiador e a moratória permite isso, então pode solicitar a exoneração da fiança. 
 B – O ato do credor que torne impossível a sub‑rogação nos seus direitos e preferências.: 
O fiador, ao aceitar a fiança, pode pensar na possibilidade de se sub‑rogar nos direitos do credor 
para com o devedor. Se por ato do credor, essa possibilidade não ocorre, o fiador se desonera 
da fiança. 
 C – Dação em pagamento: a dação em pagamento coloca fim ao contrato principal, e, 
portanto, também ao de fiança. 
 D – Retardamento do credor na execução: Quando oferecido o benefício de ordem, e o 
credor retarda muito em promover a execução. 
 
 
 
 
QUESTÕES DE EXAMES ANTERIORES 
1) (EXAME XXII) João e Maria, casados e donos de extenso patrimônio, celebraram contrato de 
fiança em favor de seu filho, Carlos, contrato este acessório a contrato de locação residencial 
urbana, com duração de 30 meses, celebrado entre Carlos, locatário, e Marcelo, proprietário do 
apartamento e locador, com vigência a partir de 1º de setembro de 2015. Contudo, em novembro 
de 2016, Carlos não pagou o aluguel. Considerando que não houve renúncia a nenhum 
benefício pelos fiadores, assinale a afirmativa correta. 
a) Marcelo poderá cobrar diretamente de João e Maria, fiadores, tendo em vista que eles são 
devedores solidários do afiançado, Carlos. 
b) Marcelo poderá cobrar somente de João, tendo em vista que Maria não é fiadora, mas 
somente deu a outorga uxória. 
c) Marcelo poderá cobrar de Carlos, locatário, mas não dos fiadores, pois não respondem pela 
dívida do contrato de locação. 
d) Marcelo poderá cobrar de João e Maria, fiadores, após tentar cobrar a dívida de Carlos, 
locatário, tendo em vista que os fiadores são devedores subsidiários. 
 
GABARITO: 
1)D 
 
 
26. TRANSAÇÃO 
Contrato pelo qual as partes previnem ou terminam relações jurídicas controvertidas, por 
meio de concessões mútuas, conforme artigo 840 do CC: “É lícito aos interessados prevenirem 
ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas”. 
É o resultado de um acordo de vontades para evitar riscos de futura demanda ou para 
extinguir litígios judiciais já existentes. 
 
27. COMPROMISSO E ARBITRAGEM 
Arbitragem é o acordo de vontade em que as partes entregam para árbitros a solução dos 
conflitos. Essas partes preferem não se submeterem a uma decisão judicial. 
Nos artigos 851 a 853 do CC é regulado o compromisso, que precede o juízo arbitral. A 
legislação sobre o instituto encontra‑se na Lei no 9.307/1996, que trata sobre a arbitragem 
nacional e internacional. 
Art. 852 do CC: É vedado compromisso para solução de questões de 
estado, de direito pessoal de família e de outras que não tenham caráter 
estritamente patrimonial. 
 
28. ATOS UNILATERAIS DE VONTADE 
28.1. Promessa de recompensa 
Obriga aquela pessoa que emitiu a declaração de vontade a cumprir a sua promessa. Não 
depende de aceitação para a formação, por isso é um ato unilateral de vontade. São elementos 
necessários: a – publicidade da promessa (torna‑la pública); especificação da condição ou 
serviço a ser realizado e; indicação da recompensa. 
 
28.2. Gestão de negócios 
Ocorre quando uma pessoa, sem autorização do interessado, acaba por intervir em 
negócio alheio, com o intuito de auxiliar a pessoa que não pode cuidar do negócio naquele 
momento. 
 
28.3. Pagamento indevido 
É espécie,

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