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1 Área 01, Aula 1 Vigilância em Saúde: um breve histórico e marcos legais 2ª Edição Janeiro de 2020 CONASEMS - Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde ProEpi - Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo Copyright © 2018, Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo. Todos os direitos reservados. A cópia total ou parcial, sem autorização expressa do(s) autor(es) ou com o intuito de lucro, constitui crime contra a propriedade intelectual, conforme estipulado na Lei nº 9.610/1998 (Lei de Direitos Autorais), com sanções previstas no Código Penal, artigo 184, parágrafos 1° ao 3°, sem prejuízo das sanções cabíveis à espécie. Expediente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - CONASEMS QUADRO GERAL DA ORGANIZAÇÃO DIRETORIA EXECUTIVA Presidente – Wilames Freire Bezerra Vice-Presidente – Charles Cezar Tocantins Vice-Presidente – Cristiane Martins Pantaleão Secretário Executivo - Mauro Guimarães Junqueira Diretora Administrativo – Jose Eduardo Fogolin Passos Diretor Financeiro – Hisham Mohamad Hamida Diretora Financeiro-Adjunto – Orlando Jorge Pereira de Andrade de Lima Diretor de Comunicação Social – Maria Célia Valladares Vasconcelos Diretora de Comunicação Social–Adjunto – Iolete Soares de Arruda Diretora de Descentralização e Regionalização – Soraya Galdino de Araújo Lucena Diretora de Descentralização e Regionalização–Adjunto – Stela dos Santos Souza Diretor de Relações Institucionais e Parlamentares – Diego Espindola de Ávila Diretor de Relações Institucionais e Parlamentares- Adjunto- Carmino Antônio de Souza Diretor de Municípios de Pequeno Porte - Débora Costa dos Santos Diretora de Municípios de Pequeno Porte–Adjunto – Murilo Porto de Andrade Diretor de Municípios com Populações Ribeirinhas e em Situação de Vulnerabilidade – Januário Carneiro Neto Diretor de Municípios com Populações Ribeirinhas e em Situação de Vulnerabilidade – Adjunto – Vera Lucia Quadros 1º Vice-Presidente Regional - Região Centro Oeste – Maria Angélica Benetasso 2º Vice-Presidente Regional - Região Centro Oeste – Douglas Alves de Oliveira 1º Vice-Presidente Regional - Região Nordeste – Normanda da Silva Santiago 2º Vice-Presidente Regional - Região Nordeste – Leopoldina Cipriano Feitosa 1º Vice-Presidente Regional - Região Norte – Marcel Jandson Menezes 2º Vice-Presidente Regional - Região Norte – Rondinelly da Silva e Souza 1º Vice-Presidente Regional - Região Sudeste – Andreia Passamani Barbosa Corteletti 2º Vice-Presidente Regional - Região Sudeste – Eduardo Luiz da Silva 1° Vice-Presidente Regional – Região Sul - Pablo de Lannoy Sturmer 2° Vice-Presidente Regional – Região Sul - Adriane da Silva Jorge Carvalho Conselho Fiscal 1º Membro – Região Norte – Oteniel Almeida dos Santos Conselho Fiscal 1º Membro – Região Nordeste – Jose Afranio Pinho Pinheiro Junior Conselho Fiscal 2º Membro – Região Nordeste - Artur Belarmino de Amorim Conselho Fiscal 1º Membro - Região Centro-Oeste – Edimar Rodrigues Silva Conselho Fiscal 2º Membro - Região Centro-Oeste– Patricia Marques Magalhães Conselho Fiscal 1º Membro - Região Sudeste - José Carlos Canciglieri Conselho Fiscal 2° Membro – Região Sudeste - Maria Augusta Monteiro Ferreira Conselho Fiscal 1º Membro - Região Sul - João Carlos Strassacapa Conselho Fiscal2º Membro – Região Sul- Manuel Rodriguez del Olmo Representantes no Conselho Nacional de Saúde – Arilson da Silva Cardoso e José Eri Borges de Medeiros RELAÇÃO NACIONAL DOS COSEMS COSEMS - AC - Daniel Herculano da Silva Filho - Tel: (68) 3212-4123 COSEMS - AL - Izabelle Monteiro Alcântara Pereira - Tel: (82) 3326-5859 COSEMS - AM - Januário Carneiro da Cunha Neto - Tel: (92) 3643-6338 / 6300 COSEMS - AP - Marcel Jandson Menezes - Tel: (96) 3271-1390 COSEMS - BA - Stela Santos Souza - Tel: (71) 3115-5915 / 3115-5946 COSEMS - CE - Sayonara Moura de Oliveira Cidade - Tel: (85) 3101-5444 / 3219-9099 COSEMS - ES - Tel: (27) 3026-2287 - Catia Cristina Vieira Lisboa COSEMS - GO - Tel: (62) 3201-3412 - Verônica Savatin Wottrich COSEMS - MA - Tel: (98) 3256-1543 / 3236-6985 - Domingos Vinicius de Araújo Santos COSEMS - MG - Tels: (31) 3287-3220 / 5815 - Eduardo Luiz da Silva COSEMS - MS - Tel: (67) 3312-1110 / 1108 - Rogério dos Santos Leite COSEMS - MT - Tel: (65) 3644-2406 - Marco Antonio Noberto Felipe COSEMS - PA - Tel: (091) 3223-0271 / 3224-2333 - Charles César Tocantins de Souza COSEMS - PB - Tel: (83) 3218-7366 - Soraya Galdino de Araújo Lucena COSEMS - PE - Tel: (81) 3221-5162 / 3181-6256 - Orlando Jorge Pereira de Andrade Lima COSEMS - PI - Tel: (86) 3211-0511 - Auridene Maria da Silva Moreira de Freitas Tapety COSEMS - PR - Tel: (44) 3330-4417 - Carlos Alberto de Andrade COSEMS - RJ - Tel: (21) 2240-3763 - Maria da Conceição de Souza Rocha COSEMS - RN - Tel: (84) 3222-8996 - Maria Eliza Garcia Soares COSEMS - RO - Tel: (69) 3216-5371 - Vera Lucia Quadros COSEMS - RR - Tel: (95) 3623-0817 - Jeovan Oliveira da Silva COSEMS - RS - Tel: (51) 3231-3833 - Diego Espíndola de Ávila COSEMS - SC - Tel: (48) 3221-2385 / 3221-2242 - Alexandre Lencina Fagundes COSEMS - SE - Tel: (79) 3214-6277 / 3346-1960 - Enock Luiz Ribeiro COSEMS - SP - Tel: (11) 3066-8259 / 8146 - Jose Eduardo Fogolin Passos COSEMS - TO - Tel: (63) 3218-1782 - Jair Pereira Lima EQUIPES DO PROJETO EQUIPE TÉCNICA Alessandro Aldrin Pinheiro Chagas Flávio Alexandre Cardoso Álvares Kandice de Melo Falcão EQUIPE TÉCNICO-OPERACIONAL Alessandro Aldrin Pinheiro Chagas Catarina Batista da Silva Moreira Flávio Alexandre Cardoso Álvares Jônatas David Gonçalves Lima Joselisses Abel Ferreira Kandice de Melo Falcão Luiz Filipe Barcelos Murilo Porto de Andrade Soraya Galdino de Araújo Lucena Sandro Haruyuki Terabe Wilames Freire Bezerra Sobre o CONASEMS Fazendo jus ao tamanho e à diversidade do Brasil, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde representa a heterogeneidade dos milhares de municípios brasileiros. Historicamente comprometido com a descentralização da gestão pública de saúde, o CONASEMS defende o protagonismo dos municípios no debate e formulação de políticas públicas e contribui para o aumento da eficiência, o intercâmbio de informações e a cooperação entre os sistemas de saúde do país. Conheça nossas três décadas de atuação acessando www.conasems.org.br. Equipe Técnica da Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo - ProEpi Equipe técnica Coordenação Pedagógica - Hirla Arruda Tecnologia da Informação 1ª versão - Renato Lima/ Edmo Filho Tecnologia da Informação 2º versão - João Gabriel Brandão Conteudista - Walter Ramalho Apoio Técnico ao Núcleo Pedagógico 1ª versão - Danielly Xavier Revisão 1ª versão - Daniel Coradi/ José Alexandre Menezes/ Sara Ferraz Revisão 2º versão - Daniele Queiroz/ Sarah Mendez/ Sara Ferraz Design Instrucional - Guilherme Duarte Ilustração 1ª versão - Guilherme Duarte/ Mauricio Maciel Ilustração 2º versão - Guilherme Duarte Supervisão – Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo – ProEpi Sara Ferraz Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade de Brasília Jonas Brant Sobre a ProEpi Fundada em 2014, a Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo une pessoas comprometidas com a saúde pública e estimula a troca de ideias e o aperfeiçoamento profissional entre elas. Ofertando dezenas de horas de conteúdo profissionalizante em nossa plataforma de ensino a distância, curadoria de notícias, treinamentos presenciais e a mediação de oportunidades de trabalho nacionais e internacionais, a ProEpi busca contribuir para o aprimoramento da saúde pública no Brasil e no mundo. Apenas nos últimos dois anos, 5 materiais de ensino a distância já alcançaram mais de 3.000pessoas pelo Brasil e países parceiros, como Moçambique, Paraguai e Chile, e mais de 30 treinamentos levaram os temas mais relevantes para profissionais de saúde pública, como comunicação de risco e investigação de surtos. Além do público capacitado com nossos conteúdos educacionais, unimos 10.000 seguidores no Facebook e impactamos semanalmente cerca de 30.000 com nossa curadoria de notícias. A ProEpi também atua na resposta a emergências de saúde pública ao redor do mundo. Foram mais de duas dezenas de profissionais de saúde enviados para missões em Angola, Bangladesh e África do Sul que contribuíram para o bem-estar da população local e vivenciaram experiências de trabalho transformadoras. Você pode fazer parte dessa evolução ao tornar-se membro de nossa rede: converse conosco escrevendo para contato@proepi.org.br. Sobre a ferramenta EAD autoinstrutiva em Entomologia Aplicada à Saúde Pública Os insetos são os animais mais bem-sucedidos do planeta e encontram no Brasil condições muito favoráveis para sua multiplicação. Em nosso clima quente e, em geral, úmido, eles encontram as circunstâncias ideias para sobreviver, se reproduzir e transmitir doenças. Como consequência, são motivo de preocupações cada vez maiores por parte da população e dos profissionais de saúde de todo o país. Pensando em preparar estes profissionais para os desafios do enfrentamento das doenças transmitidas pelos insetos - em especial por Aedes aegypti - o CONASEMS desenvolveu em parceria com a ProEpi, via TRPJ nº 0125/2017, a ferramenta EAD autoinstrutiva em Entomologia Aplicada à Saúde Pública. Neste material, serão apresentados conceitos fundamentais para a identificação das espécies de maior importância médica, informações sobre seu comportamento, ciclo de vida e as doenças transmitidas por elas. Temas como a importância da Vigilância Epidemiológica, os métodos de captura, transporte e armazenamento de insetos e os indicadores entomológicos para as principais espécies também serão abordados. Por fim, temas de aplicação prática como os métodos de controle vetorial, o manejo integrado de vetores e os conceitos de segurança no trabalho serão discutidos. As aulas estão cheias de convites para que o profissional reflita sobre sua realidade local e interaja com seus colegas, além de exercícios que destacam e promovem a fixação dos conceitos mais fundamentais de cada tema. O objetivo é que o profissional se sinta preparado para aplicar em seu município as técnicas aprendidas aqui. Sucesso! 9 Sumário 1 - Breve histórico e evolução da vigilância em saúde ..................................... 10 2 - Breve histórico da Vigilância em Saúde no Brasil ....................................... 17 Vamos relembrar? ............................................................................................ 22 10 Aula 1. Vigilância em Saúde: um breve histórico e marcos legais Olá! Vamos iniciar nossos estudos com um breve passeio sobre a história e evolução da Vigilância em Saúde no mundo e no Brasil. Embarque nesse novo mundo de conhecimentos! Ao final desta aula, você será capaz de: • Conhecer a história e evolução da vigilância em saúde no mundo; • Identificar os acontecimentos e principais personagens na conformação da vigilância em saúde; • Compreender os marcos históricos que configuraram o que temos como Vigilância em Saúde na atualidade. 1 - Breve histórico e evolução da vigilância em saúde Como pudemos ver no vídeo, as ações de vigilância em saúde são consideradas funções essenciais da saúde pública. Nos registros das grandes epidemias da história, desde as primeiras civilizações, são observadas informações sobre os adoecimentos e desfechos, fatores de risco associados e intervenções realizadas no sentido de reduzir a disseminação das doenças. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre as grandes epidemias da história, acesse o link abaixo: Mesmo antes de Cristo, na Grécia antiga, Hipócrates (considerado o pai da medicina) e seus sacerdotes já desenvolviam atividades similares às que conhecemos hoje como “Vigilância em Saúde”. Na época, Hipócrates introduziu princípios de avaliação de risco, implementação de medidas que tentavam interromper a transmissão de doenças e de prevenção direcionadas para a coletividade. Esse Saiba Mais Você quer conhecer mais sobre Hipócrates e ter acesso aos seus Clique aqui http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-08.pdf 11 grupo entendia que as doenças estavam relacionadas com o modo de vida das pessoas, com as características do ambiente em que viviam e que poderiam resultar da relação entre ambos. Por eles, também foram iniciados os conceitos de doenças agudas e doenças crônicas, epidemias e endemias. textos, obras e livros? Acesse o link abaixo e aproveite! Avançando alguns séculos na história, surgem práticas mais modernas de vigilância em saúde, oriundas da Europa Ocidental que enfrentou epidemias de doenças transmissíveis por inúmeras vezes. Os cemitérios e mercados cumpriam exigências para o seu pleno funcionamento, as quais levavam em consideração o conhecimento sobre os processos de saúde-doença da época. Estes deveriam estar em local apropriado e seguir regras de higiene. Na idade média, com a aglomeração de pessoas nas zonas urbanas, houve a tentativa de reorganização, monitoramento e controle da vida nas cidades na tentativa de prevenir a propagação de doenças. Nessa época foi instituída a notificação obrigatória da “Peste Negra”, doença vinda da Ásia Central também denominada de Morte Negra ou Peste Bubônica. O Porto de Veneza, na Itália, foi o primeiro a estabelecer regras com o intuito de tentar impedir a chegada da doença. Dentre outras ações, foi estabelecido um “Conselho de Experts” para determinar o isolamento das pessoas, embarcações e mercadorias. Das primeiras tentativas de conter a chegada da Peste Negra, surge a “Quarentena”. Outra forma de proteção foi o uso de um traje especial, inventado por Charles de Lorme em 1619; usado pela primeira vez em Paris, mais tarde amplamente utilizado em toda a Europa. A indumentária consistia em um sobretudo de tecido pesado e encerado, máscara com olhos de vidro e um nariz em forma de cone, como um bico de pássaro, que trazia substâncias aromáticas e palha, com a função de purificar o “mau ar” dos locais em que os doentes estavam. Um bastão ponteiro de madeira era usado para ajudar a examinar o paciente sem a necessidade de tocá-los. A maioria dos médicos da peste também usavam um chapéu de aba para identificar sua posição como médico. Clique aqui Figura 1 - Traje especial usado por médicos contra Peste Negra https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Charles_de_Lorme&action=edit&redlink=1 http://www.grtbooks.com/Hippocrates/?aa=HI&at=SI/&yr=-460 12 Fica a Dica Você sabe por que durante a Idade Média eram estabelecidos 40 dias de isolamento para os doentes? Qual é o significado disso? Por que usávamos a quarentena? Apesar de não compreenderem ainda o que seria o período de incubação, médicos e cientistas da época acreditavam que após 40 dias, não haveria mais risco de desenvolver a doença, por isso o isolamento durante esse período seria importante. É possível também levar a um sentido religioso, pois foi de 40 dias a duração do dilúvio que purificou a Terra. Nesse caso, a adoção de 40 dias teria a função de purificar a pessoa da enfermidade. Ainda podemos dar um significado alquímico! Naquela época, os alquimistas acreditavam que um elemento químico poderia se transformar em outro em 40 dias. Sendo assim, o “elemento” que estivesse na pessoa causando a doença se transformaria após os 40 dias. Outros acontecimentos e personalidades também foram pioneiros e portanto, podemos destacarTitus, Galeno, Francastoro, Paracelsus, Graunt, Farr e John Snow. A linha do tempo a seguir demonstra a evolução da Vigilância em Saúde com as principais iniciativas registradas na história. Titus Lucretius Carus Poeta e filósofo romano. S é c . I-II a .C . Relacionou a maior letalidade das doenças às que eram transmitidas de pessoa a pessoa ou do lugar à pessoa. Claudio Galeno Proeminente médico romano de origem grega. Provavelmente o mais talentoso médico investigativo do período romano. 1 2 9 -2 1 7 d .C . Codificou e consolidou a teoria hipocrática. Clique aqui Figura 2 - Quarentena https://www.youtube.com/watch?v=MSu53DI5pBk 13 Girolamo Fracastoro Médico, matemático, geógrafo e poeta italiano. 1 4 7 8 -1 5 5 3 Propôs a primeira “Teoria do germes” em que as doenças são transmitidas por entidades e autopropagam-se. Theophrastus Paracelsus Médico da Renascença, cujo interesse principal incluía alquimia, botânica, fisiologia, astrologia, ciência e ocultismo. 1 4 9 3 -1 5 4 1 A doença era atribuível a causas ambientais de vários níveis considerando, por exemplo, as de causas cósmicas e causas mundanas. Identificou uma fonte de doenças a partir da exploração de minas de prata e construiu um argumento de que as doenças respiratórias eram causadas por “venenos ambientais” a partir dessas observações. Saber como as pessoas morrem, isto é, coletar dados sobre mortalidade, foi a matéria prima para as primeiras análises das condições que afetam a saúde da população. A partir do Século XVII, alguns cientistas se dedicaram muito aos estudo sobre mortalidade. Podemos citar como importantes marcos na vigilância em saúde. John Graunt Cientista e demógrafo britânico 1 6 2 0 -1 6 7 4 Introduziu o conceito de coleta sistemática de dados sobre mortalidade. Precursor na construção de Tábuas de Mortalidade, procedendo tratamento dos dados com exame crítico das fontes, uso de frequência e aplicação de métodos estatísticos para lidar com alguns tipos de problemas nos dados. William Farr Epidemiologista britânico, considerado um dos fundadores da estatística médica S é c . X IX Iniciou a coleta e a análise sistemática das estatísticas de mortalidade na Inglaterra e País de Gales. Graças a essa iniciativa, Farr é considerado o pai da estatística vital e da vigilância. 14 John Snow Médico higienista, famoso por ter revertido o surto de cólera vivido no bairro Soho, na Inglaterra 1 8 5 4 Mostrou por meio de mapas, a distribuição dos óbitos por cólera em Londres, e assim apontou que a concentração dos óbitos estava relacionada ao consumo de água na bomba de Broad Street. Dessa forma, mesmo desconhecendo o agente etiológico causador do cólera, identificou a origem daquele surto. Garantindo a ele o título de ”Pai da Epidemiologia”. Saiba Mais Conheça os detalhes da epidemia de cólera que abateu Londres, em 1854, nos arredores do bairro do Soho. Veja a investigação que foi conduzida, a partir do debate de duas teorias sobre o modo de transmissão, lendo o livro “O MAPA FANTASMA - Como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles". Disponível no link abaixo. Essa investigação representa um marco na história da epidemiologia descritiva e pode ser apreciada vendo o filme “SNOW”: Na era pré-industrial, séculos XVII e XVIII, é introduzida a legislação sobre a Vigilância em Saúde Pública, adotando-se o conceito de notificação compulsória de doenças infecciosas. Nesse mesmo período, a Vigilância em Saúde Pública foi entendida como necessária para a política de desenvolvimento das nações. Argumentou-se sobre a necessidade de uma forma ampliada de Vigilância em Saúde Pública que lidasse com saúde escolar, prevenção de agravos, saúde materno-infantil, água para consumo humano e tratamento de esgoto. Com a Revolução Francesa (1788-1799), a saúde da população passou a ser responsabilidade do Estado, iniciando-se o conceito de bem-estar social. Clique aqui Clique aqui https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=1583921 https://www.youtube.com/embed/2TkcuHILBH0?rel=0&controls=0&showinfo=0 15 A consolidação do pensamento de bem-estar social veio com o nascimento da “Medicina Social”, do qual Foucault traça uma tipologia que nos remete às três grandes áreas de atuação da Vigilância em Saúde: i) as intervenções voltadas para o controle de doenças no espaço urbano, incluindo os deslocamentos e a mobilidade populacional; ii) intervenções voltadas para os ambientes de trabalho e bairros operários; e iii) as intervenções voltadas para a contabilidade e a distribuição da morbidade e mortalidade na população em geral. Saiba Mais Quer conhecer mais sobre Focault e a “Medicina Social”? Acesse o link abaixo e veja quais as contribuições destes para o modelo moderno da Vigilância em Saúde Pública. Nas sociedades industriais modernas, a Vigilância em Saúde Pública passou a ser utilizada para desenvolver a legislação e promover mudanças sociais. Iniciou-se, assim, a prática de coleta e análise de estatísticas vitais, reportando seus resultados para as autoridades e ao público em geral. Ainda no século XIX foi introduzido o censo decenal, a padronização da nomenclatura de doenças e causas de morte e a coleta de dados de adoecimento considerando as características dos acometido, como idade, sexo, ocupação, nível socioeconômico e localidade de residência. Nas sociedades industriais modernas, a Vigilância em Saúde Pública passou a ser utilizada para desenvolver a legislação e promover mudanças sociais. Iniciou-se, assim, a prática de coleta e análise de estatísticas vitais, reportando seus resultados para as autoridades e ao público em geral. Ainda no século XIX foi introduzido o censo decenal, a padronização da nomenclatura de doenças e causas de morte e a coleta de dados de adoecimento considerando as características dos acometido, como idade, sexo, ocupação, nível socioeconômico e localidade de residência. Clique aqui Figura 3 - Michel Foucault Figura 4 - capa do documento da 21ª Assembleia Mundial da Saúde https://razaoinadequada.com/filosofos/foucault/ 16 Em meados do século XX, houve a elaboração dos conceitos de história natural das doenças e de prevenção primária, secundária e terciária. Porém, o grande marco para a Vigilância em Saúde ocorreu em 1968, quando a 21ª Assembleia Mundial da Saúde adotou o conceito de “Vigilância Populacional”, definida como a coleta sistemática e o uso de informação epidemiológica para o planejamento, implementação e avaliação do controle de doenças. A Assembleia definiu os três principais aspectos da vigilância: a coleta sistemática de dados pertinentes; a consolidação e a avaliação ordenada desses dados; e a rápida disseminação dos resultados àqueles que necessitam de conhecê-los para tomada de decisão. Definiu-se, assim, que a Vigilância é “Informação para ação”, jargão amplamente utilizado até os dias atuais. Saiba Mais Acesse ao documento oficial da 21ª Assembleia Mundial da Saúde em que, pela primeira vez, foram utilizados os termos “Vigilância Populacional” e “Informação para ação” No final do século XX, a Vigilância em Saúde foi se tornando parte integrante da “responsabilidade sanitária dos sistemas de saúde”. A dinâmica mundial de movimentação entre os países, principalmente de pessoas, bens e mercadorias, grande parte devida a globalização, resultou na constituição de plataformas globais de vigilância. Uma importante estratégia de vigilância global é o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) que constitui um acordo legal vinculativo envolvendo 196 países em todo o mundo. Seu objetivo é ajudar a comunidade internacional a prevenir e responder a graves riscosde saúde pública que têm o potencial de atravessar fronteiras e ameaçar pessoas em todo o mundo como no caso de uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (ESPII) é definida como “um evento extraordinário determinado que constitui um risco de saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e por potencialmente exigir uma resposta internacional coordenada. Você sabia?? A epidemia de zika vírus no Brasil em 2015 foi considerada uma ESPII? Atualmente estamos vivendo uma emergência dessas: a epidemia de ebola na República Democrática do Congo. Conheceremos algumas delas nas aulas seguintes. Clique aqui https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/95260/Official_record168_spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y 17 2 - Breve histórico da Vigilância em Saúde no Brasil No século XVII, mesmo sem relações de causalidade bem estabelecidas entre agentes etiológicos e doenças infecciosas, há destaque para um documento que traz fatos relevantes para a construção história da Vigilância em Saúde no Brasil. O “Tratado Único da Constituição Pestilencial de Pernambuco”, de 1694, é considerado o segundo livro em vernáculo sobre a medicina oficial no Brasil colônia. Foi escrito pelo médico João Ferreira da Rosa e impresso em Lisboa no ano seguinte. Nele, Rosa descreveu com detalhes as causas, disseminação e tratamento dos “males” que assolavam Recife nas três décadas anteriores, trazendo relatos do que seria a primeira epidemia de febre amarela no Brasil. Os registros apontam não só para os casos de febre amarela, mas também para diversos contextos associados à epidemia. Destacou, ainda, os impactos da epidemia na sociedade, com a fiscalização de hábitos e costumes da população e a limpeza das ruas. No século XVII, mesmo sem relações de causalidade bem estabelecidas entre agentes etiológicos e doenças infecciosas, há destaque para um documento que traz fatos relevantes para a construção história da Vigilância em Saúde no Brasil. O “Tratado Único da Constituição Pestilencial de Pernambuco”, de 1694, é considerado o segundo livro em vernáculo sobre a medicina oficial no Brasil colônia. Foi escrito pelo médico João Ferreira da Rosa e impresso em Lisboa no ano seguinte. Nele, Rosa descreveu com detalhes as causas, disseminação e tratamento dos “males” que assolavam Recife nas três décadas anteriores, trazendo relatos do que seria a primeira epidemia de febre amarela no Brasil. Os registros apontam não só para os casos de febre amarela, mas também para diversos contextos associados à epidemia. Destacou, ainda, os impactos da epidemia na sociedade, com a fiscalização de hábitos e costumes da população e a limpeza das ruas. Figura 5 - Tratado Único da constituição Pestilencial de Pernambuco de 1694 18 Figura 6 - Rua Direita, Rio de Janeiro, década de 1820, em litografia a partir de desenho original de Johann Moritz Rugendas, incluída no álbum Viagem pitoresca de 1835. No Séc. XIX, a “Visita de Saúde” foi instaurada e as equipes seguiram fiscalizando as boticas de bordo, as cargas trazidas, a presença de doenças contagiosas na tripulação. O medo da importação de escravos doentes que pudessem gerar uma epidemia nas cidades portuárias era preocupação constante dos comerciantes. A intenção dessa ação, que podemos citar como uma das primeiras medidas oficiais de saúde pública, também era proteger os integrantes da Coroa e garantir o comércio de mercadorias, livrando o porto de doenças como peste, escorbuto, sarnas, lepra e febre amarela. Em 1889, já na República, a legislação sanitária foi aperfeiçoada em todo o território nacional com a adoção da Regulamentação dos Serviços de Saúde dos Portos, aprenderemos mais detalhes sobre essa temática nas aulas seguintes. Figura 8 - fotos Das Instalações Do Asilo-Colônia De Cocais. A Maioria Dos Asilos Funcionavam Como Pequenas Cidades, Porém Os Benefícios Só Eram Conferidos Àqueles Que Tinham Dinheiro Para Pagar. Crédito: Museu De Saúde Pública Emílio Ribas/Instituto Butantan. Figura 7 - Foto de 1968 mostra a entrada do antigo leprosário de Bauru, no interior de SP 19 No início do século XX, entre outros problemas de saúde pública, a hanseníase se disseminava progressivamente em um cenário favorecido pelas precárias condições de vida e pela falta de conhecimentos clínicos e laboratoriais sobre a doença. Em 1903, Oswaldo Cruz assumiu a Direção Geral de Saúde Pública com a responsabilidade de promover novas ações de prevenção e controle de doenças. No ano seguinte, foi publicado o Regulamento Sanitário da União, dentre outras, com a obrigatoriedade da vacinação antivariólica, implementação da profilaxia da febre amarela e com a exigência de notificação compulsória e isolamento obrigatório para pacientes com hanseníase em domicílio, colônias agrícolas, sanatórios, hospitais e asilos. Saiba Mais Para saber mais, leia: Spinalonga, a ilha grega onde leprosos eram abandonados para esperar a morte, por Elizabeth Warkentin da BBC-Travel. A hanseníase e sua história no Brasil: a história de um “flagelo nacional”. Saiba Mais Depois da vacinação contra varíola se tornar obrigatória, a população se recusou a ser vacinada e formou um movimento de resistência que ficou conhecido como a “Revolta da Vacina”. Se quiser saber mais sobre a Revolta da Vacina, leia o Caderno da Comunicação, Série Memória “1904 - Revolta da Vacina. A maior batalha do Rio”, que você pode acessar no link abaixo. Clique aqui Clique aqui Clique aqui Figura 9 - Bebês retirados pelo estado de pais, que eram pacientes de hanseníase, e eram enviados a educandários (Foto: Acervo Jaime Prado) https://www.metrojornal.com.br/estilo-vida/2017/12/05/spinalonga-ilha-grega-onde-leprosos-foram-abandonados-para-esperar-morte.html http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v22n4/0104-5970-hcsm-22-4-1491.pdf http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4204434/4101424/memoria16.pdf 20 Há também um vídeo sobre o período! Assista: Revolta da Vacina. Direção: Eduardo Vilela. Produção: Maria Cristina de Azevedo. Brasil: Setor de Imagem e Movimento do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz. 1994. Disponível em: Vídeo Saúde Distribuidora da Fiocruz. Acesse em: Durante a maior parte do século XX, o Governo Federal era responsável por todas as ações e programas de saúde, desde o planejamento até a execução. As ações da Vigilância em Saúde eram restritas às campanhas em que os agentes de controle percorriam os territórios nos quais determinadas doenças eram mais frequentes. Nesta época, o modelo de vigilância era direcionado para uma população rural que tinha grande dificuldade de locomoção. Em 1990 foi criado o Sistema Único de Saúde, que, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Esta Lei regula, em todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente, eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito público ou privado, dentre essas estão as ações de vigilância em saúde. Mas o que é a vigilância em saúde? A Vigilância em Saúde de hoje é responsável por ações de vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis, pela vigilância de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, saúde ambiental e do trabalhador e também pela análise de situação de saúde da população brasileira. É entendida como um processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, disseminação de dados sobre eventos relacionados à saúde, que visa ao planejamento e à implementação de medidas de saúde pública para a proteção da saúde da população, a prevenção e controle de riscos, agravos e doenças, bem como para a promoção dasaúde. Conheceremos todas as ações de vigilância nas aulas seguintes. Clique aqui https://www.youtube.com/watch?v=amwFWGMJhUw 21 Saiba Mais Durante a aula mencionamos a Lei Orgânica da Saúde. Caso queira conhecê-la você pode acessar no link abaixo! A Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990) regulamenta o SUS Ainda, você poderá acessar o site da Fundação Nacional de Saúde com a cronologia histórica da saúde pública do Brasil, no link abaixo Exercitando 1 - Foi possível perceber que a Vigilância está presente em nossas vidas há muito tempo e que evoluiu bastante, não é? De acordo com os nossos estudos, marque “V” para as alternativas que você considerar verdadeira e “F” para as alternativas que você considerar falsa. a) ( ) Na Idade Média, as pessoas com lepra e peste podiam viver normalmente na população. b) ( ) No século XV, doenças começaram a ser monitoradas, foram criados os cemitérios e medidas de isolamento foram adotadas no porto de Veneza. c) ( ) No século XX, Oswaldo Cruz, assumiu a Direção Geral de Saúde e travou guerra contra a malária. 2 - Atividades relacionadas ao que hoje conhecemos como Vigilância em Saúde acontecem desde a Grécia antiga. De acordo com o texto, enumere a sequência de eventos na história. a) ( ) Foram introduzidos os conceitos de doenças agudas, doenças crônicas, epidemias e endemias. b) ( ) As doenças são transmitidas por entidades e autopropagam-se. c) ( ) Análise descritiva apoiada pelo uso de dados espaciais de casos na identificação de um surto. d) ( ) Tratamento dos dados com exame crítico das fontes, uso de frequência e aplicação de métodos estatísticos. Clique aqui Clique aqui http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm http://www.funasa.gov.br/cronologia-historica-da-saude-publica 22 Vamos relembrar? Nessa aula você conheceu que desde o início da civilização já eram aplicadas ações de Vigilância. Você conheceu Hipócrates: o pai da medicina. Mesmo sem muitos recursos ele já fazia algumas observações relacionando as características das estações, o solo, água e outros fatores para detectar alguma doença nos pacientes. Essas observações são consideradas um modo primitivo de Vigilância em Saúde. Aprendeu um pouco sobre o crescimento da Vigilância pelo mundo, incluindo seus principais fatores e as medidas que foram realizadas para evitar epidemias. Já no Brasil, mostramos como a vigilância atuou para conter as epidemias nos portos para garantir o comércio de mercadorias, livrando-o de doenças Na próxima aula, vamos aprofundar os conhecimentos sobre a estrutura, atribuições e aplicação da Vigilância em Saúde nas rotinas de trabalho do profissional de saúde do SUS. 23 Ajude o conhecimento a chegar mais longe! Se você foi beneficiado(a) por este conteúdo, considere contribuir para que ele alcance mais pessoas. Fazendo uma doação para a ProEpi, você viabiliza o desenvolvimento e a tradução para outros idiomas de mais recursos educacionais como esse, ajudando colegas a se capacitarem e protegerem melhor a saúde da população. Mais de 3.000 pessoas já foram beneficiadas por nossos cursos a distância e outras centenas participaram de nossos treinamentos presenciais em áreas como Investigação de Surto, Comunicação de Risco e Gestão de Projetos de Vigilância em Saúde. Torne-se um membro da nossa rede: Faça uma doação: ou acesse proepi.org.br/doacao http://proepi.org.br/doacao 24 Referências ALMEIDA FILHO N, BARRETO ML. Epidemiologia & Saúde: Fundamentos, Métodos, Aplicações. Koogan G, editor. Rio de Janeiro, 2011. 699 p. BRASIL, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. A SAÚDE E A HIGIENE PÚBLICA NA ORDEM COLONIAL E JOANINA. Arquivo Nacional. Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid= 2168&sid=163. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE , DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Guia de Vigilância Epidemiológica. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guidelines for Evaluation Public Health Surveillance Systems. 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(F) Na Idade Média as pessoas com lepra e pestes podiam viver normalmente entre a população. (V) No Século XV, doenças começam a ser monitoradas, foram criados os cemitérios e medidas de isolamento foram vistas no porto de Veneza. (V) No século XX, Oswaldo Cruz, assumiu a Direção Geral de Saúde. (F) Em 1990, doenças e agravos não transmissíveis não foram incorporadas no Sistema Nacional.