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FILOSOFIA CAPTULO 12
9 pág.

História da Filosofia • Humanas / SociaisHumanas / Sociais

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## Resumo sobre a Busca da VerdadeDesde a infância, acreditamos que o mundo existe exatamente como o percebemos e como nos foi ensinado. Essa crença é fundamental para a organização social, econômica e cultural, pois nos permite agir sobre a realidade, criar instituições e trocar ideias com outros seres humanos. Contudo, essa confiança natural, chamada de **dogmatismo**, pode ser questionada: como garantir que nosso conhecimento é verdadeiro e não um engano? O dogmatismo é a crença espontânea de que o mundo é exatamente como o percebemos, formando uma moldura estável para nossa existência. Romper com essa atitude exige uma postura de **estranhamento**, que nos faz olhar para o familiar com admiração e dúvida, como exemplificado na crônica de Clarice Lispector, que descreve um inseto comum com uma percepção nova e profunda, revelando a complexidade oculta no que parecia simples.O dogmatismo é conservador e resistente a novidades, podendo se transformar em preconceito, especialmente quando as crenças são consideradas verdades sagradas ou reveladas, como no caso da verdade divina. A filosofia distingue entre **verdade revelada** (divina, incontestável) e **verdade alcançada** (humana, racional). Um exemplo literário é o romance *O nome da rosa*, onde o conflito entre a verdade racional (representada pelo livro de Aristóteles) e a verdade revelada (defendida pelo monge Jorge de Burgos) leva a ações extremas, como assassinatos e queima de livros. A verdade, segundo a tradição grega, é a conformidade entre o ser e o parecer, ou seja, entre a essência das coisas e as ideias que temos delas. A palavra latina *veritas* enfatiza a precisão e rigor do relato, enquanto a hebraica *emunah* associa verdade à confiança e fidelidade, especialmente em relação a Deus e às promessas futuras. Nossa concepção contemporânea de verdade é uma síntese dessas três tradições, abrangendo o que é (realidade), o que foi (passado) e o que será (futuro).Diversas teorias filosóficas abordam a verdade a partir dessas concepções. A teoria baseada na **alétheia** valoriza a apreensão intelectual da essência das coisas, buscando a evidência e a visão clara da realidade. A teoria da **veritas** enfatiza a coerência lógica e a validade dos enunciados, considerando a verdade como a conformidade dos relatos com os fatos. A teoria da **emunah** destaca o consenso e a confiança entre os membros de uma comunidade científica ou filosófica. Já a teoria **pragmática** define a verdade pelo sucesso prático e pela eficácia dos resultados obtidos, verificáveis pela experiência e experimentação. A filosofia grega também se preocupa com a origem do erro, falso e mentira, que surgem da aparência enganosa das coisas ou do uso incorreto da linguagem. O erro é um engano involuntário, enquanto a mentira é um juízo deliberadamente falso.A busca da verdade exige libertar-se das aparências e das opiniões estabelecidas, buscando a essência universal e necessária das coisas, que transcende as variações sensoriais e culturais. Kant, por exemplo, distingue entre juízos **analíticos** (que explicam o sujeito, sem acrescentar conhecimento novo) e juízos **sintéticos** (que ampliam o conhecimento ao atribuir novas propriedades ao sujeito). Ele introduz ainda os **juízos sintéticos a priori**, que são universais e necessários, estruturando a forma como conhecemos a realidade, como a causalidade. Contudo, para Kant, a realidade que conhecemos é sempre a realidade estruturada pela nossa razão (fenômeno), e não a realidade em si (nômeno). Husserl, por sua vez, desenvolve a fenomenologia, que estuda os fenômenos como manifestações da consciência reflexiva a priori, afirmando que conhecer é conhecer o sentido que a consciência atribui às coisas. Assim, para a filosofia idealista, a verdade não é a correspondência entre pensamento e coisa, mas a coerência interna das ideias ou significações.Por fim, Kant e Husserl criticam o **realismo dogmático**, que supõe que os conceitos se referem a uma realidade independente do sujeito. Para eles, o erro e a falsidade surgem dessa suposição equivocada, pois a consciência é que dá sentido às coisas. A verdade, portanto, é um acontecimento interno à consciência, e sua possibilidade depende da estrutura e da reflexão do próprio intelecto. Essa visão implica que a verdade é sempre uma construção racional e consciente, e que o conhecimento verdadeiro exige rigor, crítica e a superação das crenças naturais e das ilusões sensoriais.---### Destaques- **Dogmatismo** é a crença natural e espontânea de que o mundo é exatamente como o percebemos, e o estranhamento pode romper essa atitude, abrindo espaço para o questionamento e a busca da verdade.- A verdade pode ser entendida como **verdade revelada** (divina e incontestável) ou **verdade alcançada** (racional e humana), e a filosofia busca conciliar essas perspectivas.- As concepções de verdade vêm das tradições grega (*alétheia*), latina (*veritas*) e hebraica (*emunah*), formando uma visão que abrange o real, o relato e a confiança.- Diferentes teorias da verdade enfatizam a evidência intelectual, a coerência lógica, o consenso social ou a eficácia prática, cada uma com seus critérios próprios.- Kant e Husserl propõem uma visão idealista da verdade, onde o conhecimento é a manifestação da estrutura da consciência, e o erro surge do realismo dogmático que ignora essa condição.

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