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COMUNICAÇÃO EM CUIDADOS 
PALIATIVOS 
 
- A comunicação é uma habilidade clínica 
fundamental nos cuidados paliativos. 
- Não se limita a transmitir informações: 
envolve escutar, compreender valores, reconhecer 
emoções, estabelecer vínculo e construir decisões. 
- O paciente não deve ser visto apenas pelo 
diagnóstico, mas como uma pessoa com história, 
valores, crenças, preferências, medos, esperanças; 
 
DECISÃO COMPARTILHADA 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
- Paternalismo 
• Médico toma decisões pelo paciente sem 
consultar adequadamente suas preferências. 
• Parte da premissa de que o profissional sabe o 
que é melhor para o paciente. 
 
- Autonomia 
• Paciente tem capacidade de fazer escolhas por 
si mesmo quando: 
- Está adequadamente informado; 
- É competente para decidir; 
- Está livre de pressões indevidas. 
 
- Decisão compartilhada 
• É o modelo preferencial. 
• Médico, paciente e família participam de um 
processo de diálogo. 
 
PAPEL DE CADA PARTICIPANTE NA DECISAO 
COMPARTILHADA 
PARTICIPANTE PAPEL 
Médico/equipe Fornecer informações técnicas, evidências, riscos, 
benefícios e recomendações 
Paciente Expressar valores, preferências e objetivos 
Família Apoiar o paciente e participar da decisão quando 
necessário 
Decisão final Resultado do diálogo e do respeito mútuo 
 
NA PRÁTICA 
- A pergunta não deve ser simplesmente: “Você quer 
que façamos tudo?” 
- Deve-se descobrir: 
• O que é mais importante para o paciente? 
• O que ele considera uma vida com qualidade? 
• Quais são seus maiores medos? 
• Quais são suas esperanças? 
• O que ele estaria disposto a enfrentar para 
alcançar determinado objetivo? 
• O que ele não gostaria de vivenciar? 
- A recomendação médica deve ser baseada nos 
objetivos e valores do paciente, após discussão dos 
riscos e benefícios das intervenções. 
 
 
OBJETIVOS DOS CUIDADOS 
- Os objetivos do cuidado devem ser guiados pelos 
valores do paciente. 
- O processo geralmente começa com a comunicação 
de notícias difíceis e evolui para a definição de um 
plano de cuidados. 
 
POSSÍVEIS OBJETIVOS 
- Curar a doença: 
• Curar a doença. 
• Evitar morte prematura. 
• Manter função. 
• Prolongar a vida. 
 
- Foco no alivio do sofrimento e qualidade de vida 
• Aliviar sofrimento. 
• Preservar qualidade de vida. 
• Manter sensação de controle. 
• Ter uma “boa morte”. 
• Poder morrer em casa com a família. 
• Evitar ser uma carga para os outros. 
 
PRINCIPAIS BARREIRAS À COMUNICAÇÃO 
- Muitas vezes, os empecilhos podem ser simultâneos, 
como a mudança dos objetivos de cuidados, o que 
exige uma comunicação constante. 
 
“MÉDICOS GARÇONS” 
- É um erro transformar a conversa em um cardápio de 
procedimentos: 
• “Queremos fazer RCP?” 
• “Queremos intubar?” 
• “Você quer tudo?” 
- Isso transfere para a família decisões técnicas que 
deveriam ser contextualizadas pelo profissional. 
 
- Melhor abordagem: 
• Em vez de perguntar diretamente sobre 
procedimentos, investigar: 
- Medos: “O que mais preocupa vocês?” 
- Esperanças: “O que vocês esperam que aconteça?” 
- Compreensão: “O que vocês acham que está acontecendo?” 
- Valores: “O que seria mais importante para ele neste 
momento?” 
 
CUIDADO COM A LINGUAGEM 
- Evitar expressões simplistas como: 
• “vamos fazer tudo”; 
• “não vamos fazer nada”. 
- Essas expressões podem sugerir que cuidados 
paliativos significam abandono ou ausência de 
tratamento. 
- É necessário explicar que algumas intervenções 
podem ter como objetivo: conforto, controle de 
sintomas, qualidade de vida e redução de sofrimento. 
 
OBJETIVOS DA CONVERSA 
1. Descobrir o que o paciente já sabe. 
2. Comunicar diagnóstico e prognóstico de forma 
clara. 
3. Evitar linguagem excessivamente técnica. 
4. Apresentar opções terapêuticas. 
5. Explicar riscos e benefícios. 
6. Fazer recomendações alinhadas às 
preferências do paciente. 
 
COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL 
- A comunicação acontece além das palavras. 
 
ELEMENTOS IMPORTANTES 
-	 Contato visual: demonstra atenção, conexão e 
sinceridade. 
-	 Postura corporal: aberta e acolhedora, sem 
demonstrar pressa. 
-	Expressão facial: empática, séria e sem julgamento 
- Tom de voz: calmo, empático e adequado à situação. 
-	Toque: quando apropriado, pode transmitir conforto. 
- Silêncio: permite que paciente e família processem as 
informações e emoções. 
 
PREPARAÇÃO E TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
- Antes de conversar com paciente ou família: 
• Alinhar informações entre os profissionais; 
• Comunicar as diferentes equipes envolvidas; 
• Discutir previamente opiniões divergentes; 
• Evitar que profissionais transmitam 
mensagens contraditórias; 
• Respeitar a opinião dos colegas. 
- Os cuidados paliativos são multidisciplinares, 
portanto a comunicação deve fluir entre todos os 
profissionais envolvidos. 
 
COMO O PROFISSIONAL DEVE SE PREPARAR? 
- Algumas técnicas de comunicação: 
1. Respirar profundamente e estar presente. 
2. Evitar ficar pensando nas próximas consultas 
ou tarefas. 
3. Não levar sua própria “agenda” para a reunião. 
4. Apresentar-se. 
5. Explicar seu papel na equipe. 
6. Explicar o objetivo da reunião. 
7. Escutar o paciente/família. 
8. Reconhecer suas próprias emoções antes de 
iniciar a conversa. 
 
- A família pode oscilar rapidamente entre esperança e 
pessimismo durante uma mesma conversa. 
 
ESTABELECER CONFIANÇA É FUNDAMENTAL 
- Para criar vínculo: 
• Manter contato visual; 
• Utilizar videoconferência quando o familiar 
não puder estar presente; 
• Falar com voz calma; 
• Manter postura acolhedora; 
• Reconhecer as emoções; 
• Normalizar sentimentos. 
 
TECNICAS DE COMUNICACAO EFETIVA 
“TRAZER O PACIENTE PARA A SALA” 
- Mesmo quando o paciente não está presente, ele 
deve permanecer no centro da conversa. 
- Uma estratégia é utilizar uma cadeira vazia, 
explicando à família que a reunião será conduzida 
pensando: “O que o paciente diria se estivesse 
sentado aqui?” 
- Isso ajuda a evitar que a conversa seja baseada 
exclusivamente nos desejos da família ou do 
profissional. 
- Perguntas importantes: 
• “O que você sabe sobre sua situação de 
saúde?” 
• “O que os outros médicos disseram?” 
• “O que você acha que está acontecendo?” 
- Principal regra: Escutar → escutar → escutar. 
 
COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS 
- A comunicação de uma notícia difícil deve ser: clara, 
gradual, verdadeira, compassiva e adaptada ao nível de 
compreensão do paciente/família. 
 
- Estratégia 
1. Primeiro, descobrir o que a pessoa já sabe. 
2. Preparar para a informação. 
3. Comunicar a notícia. 
4. Fazer pausas. 
5. Permitir silêncio. 
6. Reconhecer e acolher as emoções. 
7. Posteriormente, discutir opções e plano. 
 
- Exemplo de construção: 
• “Eu infelizmente preciso dar uma notícia 
difícil.” 
• “Os resultados não são o que estávamos 
esperando.” 
Pausa + silêncio. 
• A verdade deve ser comunicada mesmo 
quando é difícil, mas de maneira humana e 
compassiva. 
 
PROTOCOLO SPIKES 
- O SPIKES organiza a comunicação de más notícias em 
seis etapas: 
LETRA ETAPA O QUE FAZER 
S Setting Preparar o ambiente 
P Perception Avaliar o que o paciente já sabe 
I Invitation Obter permissão para fornecer informações 
K Knowledge Transmitir o conhecimento de forma clara 
E Empathy Responder às emoções com empatia 
S Strategy/Summary Resumir e estabelecer plano 
Ambiente → Percepção → Permissão → Informação → Emoção → Plano 
 
CONFERÊNCIA FAMILIAR 
- O que é? 
• Reunião formal e estruturada envolvendo: 
paciente, família, equipe de saúde. 
 
- Objetivos: 
• Alinhar informações; 
• Alinhar expectativas; 
• Discutir decisões; 
• Construir compreensão comum. 
 
- Benefícios 
• Redução de conflitos dentro da família. 
• Redução de conflitos entre família e equipe. 
• Maior satisfação dos familiares. 
• Melhor alinhamento dos objetivos de cuidado. 
• Redução de internações não planejadas. 
 
ABORDAGEM DE CRENÇAS, RELIGIÃO E ESPERANÇA 
- A comunicação paliativa também precisa 
abordar crenças e espiritualidade quando elas são 
relevantes para o paciente/família.ESPERANÇA 
- Esperança não significa necessariamente “Tenho 
certeza de que ele vai ser curado.” 
- Pode significar: “Espero que tudo o que for possível 
seja feito e que ele seja cuidado, independentemente 
do resultado.” 
O problema 
- Quando a equipe ignora ou confronta diretamente as 
crenças religiosas: 
• pode gerar ansiedade; 
• Aumenta conflitos; 
• Produz sensação de desamparo; 
• Prejudica o vínculo. 
- O profissional não deve ridicularizar nem invalidar a 
crença, mas também deve continuar 
fornecendo informações clínicas claras. 
 
PROTOCOLO AMEN 
- Utilizado para auxiliar o profissional em conversas que 
envolvem questões religiosas e prognóstico ruim. 
 
A — Affirm / Afirmar 
• Validar a crença do paciente/família. 
• Não entrar em confronto. 
 
M — Meet / Acolher 
• Encontrar-se com a família em sua experiência. 
• Acolher sua esperança. 
 
E — Educate / Educar 
• Introduzir as informações médicas necessárias. 
 
N — No matter what / Não importa o que 
• Garantir que paciente e família continuarão sendo cuidados 
independentemente do resultado ou da decisão. 
 
RESPEITAR A FÉ ≠ ABANDONAR A INFORMAÇÃO 
MÉDICA. 
- É possível dizer, em essência: “A realização de 
milagres pertence à esfera da fé; meu papel é fornecer 
as informações clínicas para ajudá-los a decidir.” 
 
COMO FALAR SOBRE MORTE 
- Quando existe deterioração clara e a morte é 
provável nos próximos dias, semanas ou meses, é 
apropriado utilizar diretamente as palavras: 
“morrendo”, “morte” 
- Evitar eufemismos confusos 
- Expressões como: 
• “está piorando”; 
• “não está respondendo”; 
• “está vindo a óbito” 
 
- Uma comunicação mais clara pode ser: 
• “Com base na piora clínica, acredito que ele 
está morrendo.” 
- A palavra morte, quando utilizada com compaixão, 
pode ser mais esclarecedora para paciente e família. 
 
AUTONOMIA E DECISÕES EM SAÚDE 
- A autonomia exige que a pessoa possa decidir de 
maneira informada, competente e livre de pressão 
indevida. 
- Toda decisão produz consequências para alguém ou 
alguma coisa. 
- Por isso, decidir exige: 
• Analisar corretamente a situação; 
• Considerar variáveis e inter-relações; 
• Ter coragem e discernimento; 
• Equilibrar objetivos conflitantes; 
• Considerar opiniões e prioridades em um 
contexto de pressão. 
- Uma intervenção pode ser tecnicamente adequada, 
mas, se não considerar a natureza do sofrimento do 
paciente, pode não aliviá-lo e ainda tornar-se uma 
fonte adicional de sofrimento. 
 
COMUNICAÇÃO DO ÓBITO E ACOLHIMENTO DO LUTO 
- A comunicação não termina quando ocorre a morte. 
 
AO COMUNICAR O ÓBITO 
- Utilizar “morte” ou “morrendo” quando apropriado; 
- Evitar eufemismos; 
- Falar com clareza; 
- Demonstrar compaixão; 
- Estar verdadeiramente presente. 
 
APÓS COMUNICAR 
- Acolhimento imediato 
• Permanecer presente; 
• Oferecer apoio físico e emocional; 
• Escutar sem pressa; 
• Validar choque, dor e demais emoções; 
• Permitir tempo e espaço para despedida. 
- Perguntas que podem facilitar a despedida 
• “O que você diria para alguém amado que se 
foi?” 
• “O que essa pessoa diria para você?” 
• “Existe algo que ficou por dizer?” 
 
- Continuidade do cuidado 
• Informar serviços de apoio; 
• Oferecer acompanhamento posterior; 
• Disponibilizar contatos de grupos de luto. 
 
AUTOCUIDADO DO PROFISSIONAL 
- Para cuidar adequadamente do outro, o profissional 
também precisa cuidar de si. 
- Reconhecer suas emoções: "Os profissionais de 
saúde 
devem atender às suas próprias emoções" 
- Diferenciar Simpatia, Empatia e Antipatia: Entender 
como cada uma afeta a prática clínica 
- Identificar Transferência e Contratransferência: 
Reconhecer projeções de sentimentos para um 
cuidado mais objetivo 
- Praticar Mindfulness: "A prática consciente enfatiza a 
atenção proposital, momento a momento, aos 
próprios processos mentais"

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