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FUNDAÇÃO CECIERJ / CONSÓRCIO CEDERJ Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro Emílio Augusto Rodrigues de Paula Matrícula: 26112140024 Polo: Resende - RJ RACISMO ESTRUTURAL E O DIREITO À EDUCAÇÃO: POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS DE COMBATE AO RACISMO NO BRASIL AO LONGO DO SÉCULO XX Resende - RJ 2026 INTRODUÇÃO Bersani (2018) analisa que o racismo estrutural é uma das questões sociais mais latentes da formação histórica brasileira. Segundo o autor, "O racismo estrutural corresponde a um sistema de opressão cuja ação transcende a mera formatação das instituições, eis que perpassa desde a apreensão estética até todo e qualquer espaço nos âmbitos público e privado, haja vista ser estruturante das relações sociais" (BERSANI, 2018, p.193). O autor argumenta que o ensino médio pode ser representado por uma bifurcação social e racial, enquanto o ensino superior passou por capitalização concomitante à implementação de políticas de ação afirmativa. Por fim, a ineficácia da Lei 10.639/2003 demonstra o comprometimento do Estado na manutenção do racismo. Texto-base: https://periodicos.ufv.br/educacaoemperspectiva/article/view/6975 a) LEVANTAMENTO HISTÓRICO SÉCULO XX 1ª FASE (1926-1951) – Auto-organização Negra: Centro Cívico Palmares (1926), Frente Negra Brasileira (1931) com 20 mil filiados e escolas próprias, Teatro Experimental do Negro – TEN (1944) de Abdias Nascimento, e Lei Afonso Arinos (1.390/1951). 2ª FASE (1960-1978) – Silenciamento: LDBs de 1961 e 1971 sem menção racial. Lei do Boi (5.465/1968) – primeira cota para filhos de fazendeiros. 3ª FASE (1978-2000) – Constitucionalização: MNU (1978), Constituição Federal 1988 (Art. 5º XLII racismo crime inafiançável, Art. 205 educação para todos, Arts. 215/216 cultura afro, Art. 242 §1º), Fundação Palmares (1988), Lei Caó 7.716/1989, LDB 9.394/1996 Art. 26 §4º, PCNs 1997 Tema Pluralidade Cultural, PNDH 1996 e compromissos de Durban 2001. Século termina sem política curricular obrigatória efetiva, mas com acúmulo que desagua na Lei 10.639/2003 (PL 259/1999). b) POLÍTICA ESCOLHIDA Lei nº 10.639/2003, alterada pela 11.645/2008, que altera a LDB para incluir obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Escolhida por ser síntese das lutas do século XX e ser exatamente a política analisada por Bersani quanto à sua (in)eficácia. c) CARACTERÍSTICAS 1. Normativa: altera arts. 26-A e 79-B da LDB, obrigatória em públicas e privadas, Fundamental e Médio. 2. Epistemológica descolonizadora: não cria disciplina, mas ressignifica todas (História, Artes, Literatura) – Parecer CNE/CP 003/2004 – Petronilha Beatriz G. e Silva. 3. Estrutural: exige conduta igualmente estrutural – formação docente, material didático PNLD, gestão democrática e calendário com 20 de novembro. 4. Ação afirmativa simbólica: distribui representação e autoestima. Bersani (2018, p.395): "a ineficácia da Lei 10.639/2003 também demonstra o comprometimento do Estado na manutenção do racismo". d) FUNDAMENTAÇÃO COM DADOS IPEA 2008 (120 anos após abolição): branco 25 anos 8,4 anos de estudo vs negro 6,1 anos; média Brasil 5,3, negros 4,2, brancos 6,2. IBGE/PNAD 2014: 53,6% pretos/pardos; analfabetismo negros 11,5% vs brancos 5,2%. 2019: 75,2% das crianças fora da escola eram negras. 2022: atraso escolar 15-17 anos brancos 19,3% vs negros 29,4%. INEP 2012/2013: só 30% docentes com formação étnico-racial; superior 70% branco em privadas. GEMAA/UERJ 2013: até Lei de Cotas 12.711/2012 só 40% universidades estaduais tinham ação afirmativa. MEC/EBC 2014: 48% contratos FIES para negros/pardos. Senado Federal 2014 confirma evasão maior de negros no ensino médio. CONSIDERAÇÕES FINAIS Século XX foi de vazio institucional preenchido pelo Movimento Negro. Constituição de 1988 e LDB 1996 abriram porta, Lei 10.639/2003 materializou demanda. Conforme Bersani, direito à educação (Art.205 CF) só será efetivo com Estado antirracista estrutural, não formal. Sem formação docente obrigatória, material e fiscalização, ensino médio seguirá bifurcação racial e superior capitalizado e branco. REFERÊNCIAS BERSANI, H. Racismo estrutural e o direito à educação. Educação em Perspectiva, v.8, n.3, p.380-397, 2017. BRASIL. CF 1988; Lei 10.639/2003; Lei 11.645/2008; Lei 7.716/1989; LDB 9.394/1996. IBGE Censo 2010, PNAD 2014/2019/2022. IPEA Comunicado nº4 2008. INEP Censo 2012 e 2013. GEMAA/UERJ 2013. GOMES, N. L. O Movimento Negro educador. Vozes, 2017. MUNANGA, K. Superando o Racismo na escola. MEC, 2005.