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ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO ATOS ADMINISTRATIVOS Conceito • Elementos • Atributos • Classificação DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO Professor Jhonatan Almeida @jhonatanalmeida.ap 01 DOUTRINA: Maria Sylvia Zanella Di Pietro: ato administrativo é manifestação unilateral da Administração sob regime jurídico administrativo. JURISPRUDÊNCIA: CF, art. 37, caput: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50: princípios e hipóteses de motivação. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 02 MAPA DA AULA Roteiro da aula A ideia é sair do conceito abstrato e chegar à identificação prática do ato administrativo. 01 Conceito O que é ato administrativo? 02 Distinção Ato administrativo × ato da Administração 03 Elementos Competência • finalidade • forma • motivo • objeto 04 Atributos Presunção • imperatividade • autoexecutoriedade • tipicidade 05 Classificação Como a doutrina organiza os atos 06 Aplicação Exemplos + questão estilo FGV DOUTRINA: Celso Antônio Bandeira de Mello: ato administrativo é declaração do Estado, no exercício de prerrogativas públicas, com efeitos jurídicos imediatos. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmulas 346 e 473: autotutela administrativa, com ressalva do controle judicial. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 53-55: anulação, revogação e convalidação. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 03 CONCEITO O que é um ato administrativo? Manifestação de vontade da Administração Pública — ou de quem exerça função administrativa — praticada sob regime jurídico de direito público e destinada à produção de efeitos jurídicos. IDEIA-CHAVE Não basta haver uma manifestação estatal. É preciso identificar a função administrativa e o regime jurídico. Ato administrativo = manifestação unilateral + função administrativa + efeitos jurídicos + regime de direito público. DOUTRINA: José dos Santos Carvalho Filho: o ato administrativo é espécie de ato jurídico, caracterizado pelo regime de direito público e finalidade administrativa. JURISPRUDÊNCIA: STJ: a Administração se vincula aos motivos que declara quando estes são determinantes para o ato. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 04 DISTINÇÃO ESSENCIAL Ato administrativo × ato da Administração ATO ADMINISTRATIVO É a espécie, dentro do gênero “atos da Administração”, submetida ao regime jurídico administrativo. Ex.: multa administrativa, licença, nomeação, interdição. ATO DA ADMINISTRAÇÃO É expressão mais ampla: engloba os atos praticados pela Administração, inclusive os regidos predominantemente pelo direito privado. Ex.: compra e venda de imóvel público em determinadas situações; locação; atos materiais. Macete: todo ato administrativo é ato da Administração; nem todo ato da Administração é ato administrativo. DOUTRINA: Bandeira de Mello: “atos da Administração” é gênero mais amplo; atos administrativos são espécie submetida ao regime administrativo. JURISPRUDÊNCIA: STJ: contratos e atos praticados sob regime privado não se confundem automaticamente com atos administrativos. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, art. 1º; Código Civil, arts. 104 e seguintes, quando houver atuação privada. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 05 ATENÇÃO AO GÊNERO Nem tudo que a Administração faz é ato administrativo Ato administrativo Manifestação jurídica unilateral sob regime administrativo. Contrato administrativo Acordo de vontades; não é ato unilateral. Ato material Execução física: construir, demolir, limpar, transportar. Ato político / de governo Atuação de alta direção política, conforme a classificação doutrinária. Atuação privada Administração pode praticar atos sob regime de direito privado. DOUTRINA: Di Pietro: a Administração pode praticar atos regidos pelo direito público e, excepcionalmente, pelo direito privado. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 473: autotutela alcança atos administrativos, respeitados direitos adquiridos e controle judicial. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999; Lei 14.133/2021 para atos do processo de contratação pública. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 06 ESTRUTURA DO ATO Os 5 elementos do ato administrativo A doutrina tradicional utiliza o art. 2º da Lei 4.717/1965 como referência importante para a análise dos requisitos do ato. 01 COMPETÊNCIA 02 FINALIDADE 03 FORMA 04 MOTIVO 05 OBJETO Pergunta de prova: “qual requisito foi violado?” → identifique primeiro a estrutura do ato. DOUTRINA: Bandeira de Mello: elementos/requisitos devem ser analisados para aferir a validade do ato. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 39: controle judicial pode examinar competência, formalidades e pressupostos de fato e direito. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 4.717/1965, art. 2º; Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 07 ELEMENTO / REQUISITO 1. Competência 01 QUEM PODE AGIR? • Conjunto de atribuições legais conferidas ao agente ou órgão. • Decorre da lei e, em regra, é irrenunciável. • Pode haver delegação ou avocação nos limites legais. EXEMPLO Servidor sem competência legal aplica penalidade que caberia a outra autoridade → vício de competência. DOUTRINA: Carvalho Filho: competência é requisito vinculado e decorre da lei; não se presume. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 510: prática de ato por autoridade sem competência pode gerar consequências jurídicas específicas; competência é matéria de legalidade. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 11-14: competência, delegação e avocação. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 08 ELEMENTO / REQUISITO Competência: delegação e avocação DELEGAÇÃO Transferência temporária do exercício de determinada competência, nos limites admitidos pela lei. A titularidade permanece com o delegante. AVOCAÇÃO Chamamento temporário, pelo superior hierárquico, do exercício de competência atribuída a órgão subordinado. Exige justificativa e limites legais. Lei 9.784/1999: há matérias que não podem ser objeto de delegação. DOUTRINA: Di Pietro: delegação transfere o exercício, não a titularidade da competência. JURISPRUDÊNCIA: STJ: delegação deve respeitar limites legais e não afasta o dever de controle da autoridade competente. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 12-15; art. 13 enumera matérias indelegáveis. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 09 ELEMENTO / REQUISITO 2. Finalidade PARA QUÊ? Todo ato administrativo deve buscar o interesse público previsto pela norma que autoriza sua prática. FINALIDADE GERAL Atendimento do interesse público. FINALIDADE ESPECÍFICA Objetivo definido pela lei para aquele ato. Desvio de finalidade → vício do ato. DOUTRINA: Bandeira de Mello: finalidade é o resultado de interesse público legalmente previsto. JURISPRUDÊNCIA: STJ: desvio de finalidade é vício de legalidade, ainda que o agente possua competência formal. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 4.717/1965, art. 2º, parágrafo único, 'e'; Lei 9.784/1999, art. 2º, parágrafo único, II. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 10 ELEMENTO / REQUISITO 3. Forma COMO O ATO SE EXTERIORIZA? • Regra: observância da forma prevista em lei. • Em geral, a forma é escrita. • O defeito formal pode ser sanável quando não houver prejuízo e a lei admitir convalidação. ATENÇÃO Forma não é sinônimo de formalismo vazio. A forma é instrumento de controle, transparência e segurança jurídica. DOUTRINA: Di Pietro: a forma é modo de exteriorização do ato e, em regra, deve observar a lei. JURISPRUDÊNCIA: STJ: vício formal pode ser convalidável quando presentes os requisitoslegais e ausente prejuízo ao interesse público/terceiros. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 22 e 55: forma e convalidação. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 11 ELEMENTO / REQUISITO 4. Motivo POR QUE O ATO FOI PRATICADO? MOTIVO Pressupostos de fato e de direito que justificam a prática do ato. Ex.: infração + norma que prevê a penalidade. MOTIVAÇÃO Exposição das razões que levaram a Administração a decidir. Motivo ≠ motivação. Teoria dos motivos determinantes: a validade fica vinculada aos motivos declarados quando a Administração os apresenta. DOUTRINA: STJ, Informativo 505: teoria dos motivos determinantes — motivos inexistentes, falsos ou logicamente inadequados podem tornar o ato inválido. JURISPRUDÊNCIA: STF: controle de legalidade pode alcançar os pressupostos de fato e de direito do ato. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, art. 50; LINDB, arts. 20-22. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 12 ELEMENTO / REQUISITO 5. Objeto O QUE O ATO PRODUZ? É o efeito jurídico imediato pretendido pela Administração: criar, modificar, extinguir, reconhecer ou declarar uma situação jurídica. EXEMPLO Multa → impõe obrigação de pagar. EXEMPLO Licença → reconhece o atendimento de requisitos legais. Objeto deve ser lícito, possível, determinado ou determinável. DOUTRINA: Bandeira de Mello: objeto é o conteúdo jurídico do ato; deve ser lícito, possível e determinado/determinável. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 39: pressupostos de fato e direito integram o controle de legalidade do ato. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 4.717/1965, art. 2º; Código Civil, art. 104, como referência geral de validade do negócio jurídico. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 13 MAPA MENTAL Elementos em uma única pergunta QUEM? • PARA QUÊ? • COMO? • POR QUÊ? • O QUÊ? COMPETÊNCIA Quem pratica? FINALIDADE Para quê? FORMA Como? MOTIVO Por quê? OBJETO O quê? Macete: C • F • F • M • O → Competência, Finalidade, Forma, Motivo, Objeto. DOUTRINA: Carvalho Filho: os elementos funcionam como uma matriz de controle da validade do ato. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 39 + Súmula 473: legalidade pode ser revista administrativamente e judicialmente. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, arts. 2º, 50 e 55. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 14 O QUE TORNA O ATO ADMINISTRATIVO PECULIAR? Atributos dos atos administrativos Presunção Legitimidade / veracidade Imperatividade Pode impor obrigações Autoexecutoriedade Execução direta em hipóteses admitidas Tipicidade Correspondência a figuras previstas em lei Importante: nem todo ato apresenta todos os atributos com a mesma intensidade. DOUTRINA: Di Pietro: atributos não são universais; variam conforme a espécie de ato e o fundamento legal. JURISPRUDÊNCIA: STF/STJ: prerrogativas administrativas não afastam controle de legalidade e devido processo. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, art. 2º; legislação específica conforme o ato. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 15 ATRIBUTO Presunção de legitimidade e veracidade LEGITIMIDADE Presume-se que o ato foi praticado conforme o ordenamento jurídico. VERACIDADE Presumem-se verdadeiros os fatos afirmados pela Administração no exercício de suas funções. Presunção relativa (juris tantum) → admite prova em contrário. DOUTRINA: Bandeira de Mello: presunção de legitimidade/veracidade é relativa e produz efeitos enquanto não afastada. JURISPRUDÊNCIA: STJ: presunção é juris tantum; admite prova em contrário no processo administrativo ou judicial. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50; Lei 9.784/1999, art. 69 para aplicação subsidiária a processos específicos. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 16 ATRIBUTO Imperatividade A ADMINISTRAÇÃO PODE IMPOR? Sim, nos atos que contêm comando unilateral capaz de criar obrigações ou restrições independentemente da concordância do destinatário. EXEMPLO Interdição administrativa de estabelecimento. NÃO CONFUNDA Imperatividade ≠ autoexecutoriedade. DOUTRINA: Di Pietro: imperatividade é a possibilidade de impor obrigações independentemente da concordância do destinatário. JURISPRUDÊNCIA: STJ: imperatividade não se confunde com autoexecutoriedade; esta depende de lei ou situação que a admita. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, art. 2º; poder de polícia: CTN, art. 78, quando aplicável. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 17 ATRIBUTO Autoexecutoriedade IDEIA Possibilidade de a Administração executar materialmente sua decisão sem precisar, em regra, de prévia autorização judicial. LIMITES Não é atributo universal. Pode decorrer da lei ou de situação emergencial que exija atuação imediata, conforme o caso. Cuidado: cobrança coercitiva de dívida, em regra, não se confunde com autoexecutoriedade. DOUTRINA: Carvalho Filho: autoexecutoriedade permite execução direta em hipóteses reconhecidas pelo ordenamento. JURISPRUDÊNCIA: STJ: execução direta exige fundamento jurídico; não se presume em todo ato. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CTN, art. 78; Lei 9.784/1999; legislação específica de polícia administrativa. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 18 ATRIBUTO Tipicidade HÁ UM MODELO LEGAL? O ato administrativo deve corresponder a uma figura jurídica prevista no ordenamento, especialmente como garantia contra atuações arbitrárias. FUNÇÃO Padronizar o exercício do poder administrativo e proteger o administrado. Tipicidade é especialmente associada aos atos unilaterais e restritivos. DOUTRINA: Di Pietro: tipicidade decorre da necessidade de correspondência do ato a figuras previamente previstas pelo ordenamento. JURISPRUDÊNCIA: STJ: a Administração está vinculada à legalidade e não pode criar, por mera vontade, sanção ou restrição sem base normativa. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37, caput; LINDB, art. 20, reforçando decisão administrativa responsável e fundamentada. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 19 MEMORIZAÇÃO Atributos: quadro de revisão Presunção legitimidade + veracidade relativa Imperatividade imposição unilateral não universal Autoexecutoriedade execução direta não universal Tipicidade modelo legal garantia DOUTRINA: Bandeira de Mello: atributos são prerrogativas instrumentais, não privilégios absolutos. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 473: autotutela e controle judicial convivem com a proteção de direitos adquiridos. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, arts. 53-55. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 20 CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS Classificação: por destinatários ATOS GERAIS Destinam-se a uma coletividade indeterminada de pessoas. Ex.: ato normativo administrativo. ATOS INDIVIDUAIS Destinam-se a destinatário(s) determinado(s) ou determinável(is). Ex.: nomeação de servidor. Classificação ajuda a identificar alcance e destinatários — não confunda com efeitos. DOUTRINA: Carvalho Filho: atos gerais atingem destinatários indeterminados; individuais dirigem-se a pessoas determinadas ou determináveis. JURISPRUDÊNCIA: STF: controle judicial considera alcance e efeitos concretos do ato para aferir lesão a direito. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 5º, XXXV; Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 21 INTERNOS × EXTERNOS Classificação: alcance INTERNOS Produzem efeitos predominantemente no âmbito da própria Administração. Ex.: ordem de serviço interna. EXTERNOS Alcançam administrados ou outros órgãos/entidades fora da esfera interna de atuação. Ex.: licença, multa. DOUTRINA: Di Pietro:classificação interno/externo decorre principalmente do âmbito subjetivo de produção de efeitos. JURISPRUDÊNCIA: STJ: atos internos não são imunes ao controle quando produzirem lesão jurídica. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, art. 2º; princípios da publicidade e motivação. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 22 VINCULADOS × DISCRICIONÁRIOS Classificação: liberdade de atuação VINCULADO A lei predetermina os elementos do ato, deixando pouca ou nenhuma margem de escolha legítima ao agente. Presentes os requisitos legais → dever de agir conforme a lei. DISCRICIONÁRIO A lei confere margem de escolha dentro dos limites jurídicos, especialmente quanto à conveniência e oportunidade. Não existe “liberdade fora da lei”. Discricionariedade ≠ arbitrariedade. DOUTRINA: Bandeira de Mello: discricionariedade é margem legal de decisão, não liberdade desvinculada do Direito. JURISPRUDÊNCIA: STF, SV 60: Judiciário controla conformidade do ato às balizas constitucionais e legais, sem substituir a vontade administrativa no mérito. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: LINDB, arts. 20-22: decisões administrativas devem considerar consequências práticas e indicar consequências jurídicas. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 23 SIMPLES × COMPLEXO × COMPOSTO Classificação: formação da vontade SIMPLES Forma-se pela manifestação de um único órgão, ainda que por um agente ou colegiado. Ex.: decisão de autoridade competente. COMPLEXO Depende da conjugação de vontades de órgãos diferentes para formar um único ato. Ex.: situações clássicas de aposentadoria com participação institucional. COMPOSTO Há um ato principal e outro acessório de aprovação/ratificação por órgão diverso. As manifestações têm funções jurídicas distintas. DOUTRINA: Hely Lopes Meirelles: ato complexo depende da conjugação de vontades de órgãos distintos; ato composto tem ato principal e acessório. JURISPRUDÊNCIA: STF: a natureza do ato interfere na contagem de prazos e na exigência de manifestação dos órgãos envolvidos. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 71, III, como exemplo clássico de controle de atos sujeitos a registro pelo TCU. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 24 CONSTITUTIVO × DECLARATÓRIO × MODIFICATIVO × EXTINTIVO Classificação: efeitos jurídicos Constitutivo cria situação jurídica Declaratório reconhece situação preexistente Modificativo altera situação jurídica Extintivo encerra situação jurídica DOUTRINA: Di Pietro: a classificação pelos efeitos identifica a função jurídica concreta produzida pelo ato. JURISPRUDÊNCIA: STJ: efeitos jurídicos e pressupostos do ato são relevantes para definir a extensão do controle judicial. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 2º e 50; legislação setorial aplicável ao efeito produzido. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 25 ATOS NEGOCIAIS E DE CONSENTIMENTO Classificação: conteúdo e espécies LICENÇA Ato vinculado que reconhece o direito do particular quando preenchidos os requisitos legais. AUTORIZAÇÃO Em regra discricionária e precária; permite atividade ou uso em hipóteses previstas. PERMISSÃO Historicamente tratada como ato unilateral, discricionário e precário em certas classificações doutrinárias. APROVAÇÃO A Administração aprecia previamente ou posteriormente determinado ato, conforme a lei. DOUTRINA: Hely Lopes Meirelles: licença é, em regra, ato vinculado; autorização possui caráter discricionário e precário. JURISPRUDÊNCIA: STJ: a natureza jurídica deve ser aferida pela lei que disciplina a atividade, não apenas pelo nome dado ao ato. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; legislação setorial e, conforme o caso, Lei 9.784/1999. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 26 OUTRAS ESPÉCIES Atos normativos, ordinatórios e punitivos NORMATIVOS Estabelecem comandos gerais para orientar a atuação administrativa, dentro dos limites legais. Ex.: decretos regulamentares, instruções normativas. ORDINATÓRIOS Organizam o funcionamento interno da Administração e a conduta funcional. Ex.: ordens de serviço, circulares. PUNITIVOS Aplicam sanções administrativas em razão de infrações. Ex.: multa, suspensão, demissão — conforme regime aplicável. DOUTRINA: Carvalho Filho: atos normativos, ordinatórios e punitivos cumprem funções distintas dentro da organização administrativa. JURISPRUDÊNCIA: STJ: sanções administrativas exigem base legal, processo adequado e respeito à proporcionalidade. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999; Lei 9.873/1999 para prescrição da ação punitiva federal no poder de polícia. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 27 APLICAÇÃO Ato vinculado × discricionário na prática Imagine dois cenários: CENÁRIO A A lei estabelece requisitos objetivos para concessão de licença. O particular cumpre todos. → Administração deve decidir conforme a lei. CENÁRIO B A lei permite escolher, dentro de critérios legais, se determinada autorização será concedida. → Há espaço de mérito administrativo. Controle judicial: legalidade sempre; mérito administrativo não se confunde com ilegalidade. DOUTRINA: Bandeira de Mello: mesmo na discricionariedade, competência, finalidade e forma continuam submetidas à legalidade. JURISPRUDÊNCIA: STF, SV 60: controle judicial verifica balizas constitucionais e legais sem substituir o administrador. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: LINDB, arts. 20-22; CF, art. 37; Lei 9.784/1999, art. 50. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 28 CICLO DE VIDA DO ATO Anulação, revogação e convalidação ANULAÇÃO Retira ato ilegal. Em regra, produz efeitos retroativos, observadas as regras de proteção à segurança jurídica e situações consolidadas. REVOGAÇÃO Retira ato válido por razões de conveniência e oportunidade. Não se funda em ilegalidade. CONVALIDAÇÃO Corrige vício sanável, quando admitida pelo ordenamento. Ex.: determinados vícios de competência ou forma. Macete: ilegal → anula | válido + inconveniente → revoga | vício sanável → convalida. DOUTRINA: Di Pietro: anulação decorre de ilegalidade; revogação, de mérito administrativo; convalidação, de vício sanável. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 473: consagra a autotutela; STF, Súmula 346: Administração pode declarar nulidade de seus próprios atos. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Lei 9.784/1999, arts. 53-55; art. 54: decadência de 5 anos para atos favoráveis, salvo má-fé. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 29 DINÂMICA RÁPIDA Caso-problema Uma autoridade aplica multa com base em fato que nunca ocorreu. O ato está formalmente perfeito. Qual elemento e qual atributo estão diretamente envolvidos? A Competência + imperatividade B Motivo + presunção de veracidade C Finalidade + tipicidade D Forma + autoexecutoriedade Gabarito: B — o motivo é falso e a presunção de veracidade é relativa. DOUTRINA: STJ, Informativo 505: motivos declarados vinculam a validade do ato pela teoria dos motivos determinantes. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 39: controle alcança pressupostos de fato e direito; a falsidade do motivo pode gerar invalidade. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: LINDB, arts. 20-22; Lei 9.784/1999, art. 50. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 30 FIXAÇÃO Questão estilo FGV Assinale a afirmativa CORRETA sobre os atos administrativos: A) Todo ato da Administração é necessariamente ato administrativo. B) A autoexecutoriedade está presente em todos os atos administrativos. C) A discricionariedade autoriza a Administração a agir fora dos limites legais. D) A presunção de legitimidade é relativa e admite prova em contrário. E) A revogação retira do mundo jurídico um ato ilegal. Gabarito: D. DOUTRINA: FGV costuma explorar distinções entre legalidade,mérito, atributos e autotutela. JURISPRUDÊNCIA: STF, SV 60: controle de legalidade não autoriza substituição da vontade administrativa pelo Judiciário. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999, arts. 50 e 53-55. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 31 REVISÃO Quadro comparativo final CONCEITO Manifestação unilateral de vontade, em função administrativa, sob regime de direito público. ELEMENTOS Competência Finalidade Forma Motivo Objeto ATRIBUTOS Presunção Imperatividade Autoexecutoriedade Tipicidade CLASSIFICAÇÕES Destinatários Alcance Liberdade Formação Efeitos Conteúdo DOUTRINA: Bandeira de Mello + Di Pietro: classificação organiza a análise, mas não substitui o exame concreto do regime jurídico. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmulas 346 e 473; SV 3 e SV 60 como referências de controle e autotutela. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999; LINDB, arts. 20-22. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 32 DO FATO À PROVA Mapa mental ATO ADMINISTRATIVO CONCEITO ELEMENTOS ATRIBUTOS CLASSIFICAÇÃO CONTROLE Em prova, identifique primeiro a categoria: conceito? elemento? atributo? classificação? controle? DOUTRINA: Di Pietro: o estudo do ato administrativo conecta conceito, requisitos, atributos, classificação e controle. JURISPRUDÊNCIA: STF, Súmula 473 + SV 60: autotutela e controle judicial coexistem dentro das balizas jurídicas. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: CF, art. 37; Lei 9.784/1999; LINDB; Lei 14.133/2021. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 33 FECHAMENTO Três frases para levar da aula 01 “Ato administrativo não é sinônimo de todo ato praticado pela Administração.” 02 “Discricionariedade é liberdade dentro da lei — não liberdade contra a lei.” 03 “Presunção de legitimidade não significa verdade absoluta.” O lúdico torna mais fácil o aprendizado. DOUTRINA: Doutrina-base: Di Pietro, Bandeira de Mello, Carvalho Filho e Hely Lopes Meirelles. JURISPRUDÊNCIA: Jurisprudência-base: STF Súmulas 346 e 473; SV 3 e SV 60; STJ, Informativo 505. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Legislação-base: CF/88, art. 37; Lei 4.717/1965; Lei 9.784/1999; LINDB; Lei 14.133/2021. ATUALIZADO • 2026 ESTÁCIO FAMAP • COLEGIADO DE DIREITO • DIREITO ADMINISTRATIVO 34 LEITURA Referências essenciais • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — especialmente art. 37. • BRASIL. Lei nº 4.717/1965 — ação popular e referência clássica aos vícios do ato administrativo. • BRASIL. Lei nº 9.784/1999 — processo administrativo federal. • DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. • CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. • BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. • MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. Professor Jhonatan Almeida • @jhonatanalmeida.ap DOUTRINA: Referências doutrinárias: Maria Sylvia Zanella Di Pietro; Celso Antônio Bandeira de Mello; José dos Santos Carvalho Filho; Hely Lopes Meirelles. JURISPRUDÊNCIA: Jurisprudência-chave: STF Súmulas 346 e 473; SV 3 e SV 60; STJ, Informativo 505 sobre motivos determinantes. LEGISLAÇÃO / ATUALIZAÇÃO: Legislação vigente para revisão: CF/88, art. 37; Lei 4.717/1965; Lei 9.784/1999; LINDB; Lei 14.133/2021. ATUALIZADO • 2026